quarta-feira, março 02, 2011

MÍRIAM LEITÃO

Os sinais do painel
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 02/03/11
O Banco Central sobe hoje os juros olhando um painel de controle com sinais confusos: o PIB de 2010 será divulgado na quinta-feira e deve confirmar os 7,5%, mas a produção industrial de janeiro, que será anunciada hoje, deve ficar negativa. A inflação tem risco de superar o teto da meta; o governo anunciou cortes de gastos e novos aportes ao BNDES ao mesmo tempo. A alta dos juros deve ficar em 0,5%.

Há sinais contraditórios na conjuntura, mas uma coisa é certa: a inflação está alta e subindo. Ouvimos aqui na coluna vários economistas, todos acham isso. A inflação de fevereiro vai continuar alta, em torno de 0,83%, segundo Elson Teles, da Máxima Asset. Depois, vai cair para algo como 0,45%, em março, segundo Luiz Roberto Cunha, professor da PUC-Rio. Cunha explica que em junho, julho e agosto do ano passado a inflação foi zero, então a taxa em doze meses vai subir nesse período este ano. Ele acha que não vai estourar o teto de 6,5%, mas prevê um número próximo disso. Outros economistas acham que pode sim superar os 6,5%.

Se fosse olhar só para as pressões inflacionárias, o Banco Central teria que ser ainda mais duro: a inflação não está cedendo e deverá nos próximos meses chegar ao teto da meta; o BC deveria mirar o centro da meta. O governo ampliou muito os gastos no ano passado de olho no calendário eleitoral e os cortes anunciados esta semana não têm a consistência desejada. Há pressões inflacionárias externas contra as quais a taxa de juros tem pouco poder, porém, o BC precisaria compensar nas variáveis sobre as quais suas decisões têm efeito. Além do mais, há em vários mercados sinais de formação de bolhas, como no mercado imobiliário, onde as altas recentes nos preços dos imóveis começaram a ficar fora de órbita.

Mas é pedir demais que o BC tenha uma olhar assim tão técnico num governo inicial e já dando voltas no que havia dito durante a campanha, como a afirmação - agora esquecida, felizmente - de que gastos públicos não têm relação com inflação. Por isso, a aposta geral é por aumento de juros nesta segunda reunião do Copom do governo Dilma Rousseff, mas no mesmo ritmo do último aumento.

O economista José Júlio Senna, da consultoria MCM, acha que o Banco Central está atrasado na sua tomada de decisões, porque as expectativas já vêm piorando desde o ano passado. Aliás, elas melhoraram quando o BC elevou os juros e voltaram a se deteriorar quando ele parou de agir, mesmo diante dos sinais de que pressões inflacionárias estavam se acumulando.

Senna acha que o BC não quer mais trazer a inflação este ano para o centro da meta, ou seja, 4,5%. Mas esse deveria ser o objetivo, porque assim é que funciona o regime de metas de inflação. Ele acha também que o BC pode não estar se sentindo com autonomia para perseguir essa meta este ano ou então está convencido de que a economia vai desacelerar a ponto de reduzir a pressão inflacionária.

De fato, a maioria dos economistas prevê hoje um crescimento do PIB de 2011 menor do que previa no começo do ano, e alguns já notam sinais de desaceleração. Aliás, olhando um período mais longo, o crescimento não é alto, pode ficar em torno de 3,5% de média nos últimos três anos. Na visão de Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse, o grande problema, na verdade, é a forte indexação da economia.

- O grande risco não é a demanda mais forte, mas a inércia da inflação no Brasil. Temos muitos contratos indexados, consultas médicas, serviços. Por isso, os repasses de preços acontecem - afirmou.

A queda das previsões de crescimento do PIB em 2011 para níveis de 4% tem duas explicações. De um lado, a base de comparação agora é alta - o número a ser divulgado esta semana deve confirmar um PIB de 7,5% no ano passado. Segundo, está havendo uma desaceleração, que se reflete na revisão do crescimento para baixo. Nilson Teixeira acha que vai haver um pico de inflação na metade do ano, mas o crédito bancário já está crescendo menos, desaquecendo a demanda.

O economista Eduardo Loyo, do BTG Pactual, considera que um aumento maior de juros agora levaria a um ciclo menor de elevação. Acha também que as medidas macroprudenciais - aquelas que reduziram a oferta de crédito - farão uma parte do trabalho e equivalem a um aumento das taxas de 0,75%.

Luis Otávio Leal, do Banco ABC Brasil, lembra que o governo se comprometeu com vários objetivos ao mesmo tempo, em geral contraditórios: gerar 3 milhões de empregos e reduzir o ritmo de atividade; não cortar investimento; impedir a valorização do real e reduzir a inflação. Ele considera que tudo ao mesmo tempo não dá. Mas admite que a produção industrial deve cair, mostrando a desaceleração do PIB. Sérgio Vale, da MB Associados, acha que a produção industrial, que vai ser divulgada hoje, terá queda de 0,5%. Carlos Thadeu de Freitas, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), acredita que a queda da indústria será ainda maior: 0,75%. Ele conta que o comércio também desacelerou, em parte porque a inflação reduziu a renda.

Natasha Daher, do Itaú Unibanco, afirma que a despeito dos dados da indústria, a atividade ainda está acelerada e acha que a inflação de serviços prova isso. Ela está convencida de que a pressão não vem apenas da alta de commodities.

É neste cenário fluído, cheio de dados, de mudanças de ritmos, de ameaças e em início de governo que o Copom decide hoje a taxa de juros. Deve subir meio ponto, mas avisar que o ciclo não acabou. Para complicar uma situação que já é complexa, lá fora a economia mundial vive com medo do risco que a alta do preço do petróleo pode significar.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Servidor de SP cliente do BB poderá tomar consignado no caixa e na internet
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/03/11

Os servidores do Estado de São Paulo clientes do Banco do Brasil poderão tomar crédito consignado direto dos caixas eletrônicos ou pela internet 24 horas.
"Antes, esses clientes tinham de ir à agência, dependiam de consultar o contracheque, fazer análises. Ficou mais cômodo", afirma o vice-presidente da instituição, Paulo Caffarelli.
Os beneficiários são cerca de 1 milhão de funcionários da administração pública direta do Estado e da PM. Muitos são ex-servidores da Nossa Caixa, que foram absorvidos pelo BB, em 2009.
A tendência, segundo o banco, é levar essa metodologia a outros Estados, mas não há nada programado.
O consignado é um tipo de empréstimo que tem como garantia o próprio salário do trabalhador, o que reduz o risco de inadimplência e as taxas de juros cobradas.
Aposentados e servidores públicos representam 86% desses empréstimos, segundo dados do BC.
Ao fazer a operação, o cliente já pode colocar o dinheiro na conta, se não houver impedimentos para a concessão do crédito, afirma. As taxas de juros giram em torno de 1,77% ao mês, segundo o banco.

SEDE

As vendas de água e cerveja neste Carnaval devem ser superiores às de 2010, de acordo com a Nielsen.
"O calor mais intenso e a recuperação da economia brasileira são os principais motivos para o crescimento", afirma Felipe Carrela, gerente da companhia.
A diminuição no tamanho médio das embalagens de cerveja aumentará a quantidade de bebida comercializada, segundo Carrela.
"Já o mercado de água mineral terá evolução mais relevante em valores absolutos, devido ao tamanho cada vez maior das embalagens."

Destinos 
A Copa Airlines passa a operar em junho em Porto Alegre e Brasília, com quatro voos semanais em cada rota. Entre os novos destinos estão pontos na América Latina, no Caribe, nos Estados Unidos e no Canadá.

Comércio 
As consequências das barreiras tarifárias no mercado de trabalho do Brasil são discutidas hoje na FGV-SP pelo economista Rafael Carneiro, da Princeton University.

Expansão 1 
A loja on-line Meu Móvel de Madeira, da Celulose Irani, abrirá centro de distribuição em Recife. A empresa pretende dobrar o volume de compras no site para o Nordeste, atualmente em 12%.

Expansão 2 
A multinacional americana de recrutamento Robert Half abre escritório em Campinas neste mês. A companhia já possui escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

NO POPULAR

A CCDI, incorporadora do grupo Camargo Corrêa, decidiu ampliar o foco no segmento econômico.
O primeiro empreendimento da marca Soul, linha de imóveis residenciais cuja padronização reduz o custo, teve todas as unidades vendidas em 48 horas.
Foram negociados 180 apartamentos, cuja metragem varia entre 49 m2 e 66 m2, na unidade no Jardim Sul, na capital.
Em média, cada unidade foi negociada a R$ 220 mil, segundo Francisco Sciarotta, diretor-superintendente.
A incorporadora também estuda projetos de prédios de escritórios, com salas a partir de 40 metros.
"Temos mais seis projetos nesse segmento residencial popular", diz Sciarotta. "Dois deles já estão com projetos encaminhados para aprovação e quatro deles já têm os terrenos definidos, embora ainda não possa divulgá-los", afirma.

ACESO


A EDP Bandeirante, distribuidora de energia elétrica do grupo no Brasil, trocou 59 pontos de iluminação pública no Estado de São Paulo para tecnologia LED.
Esse tipo de luz é mais econômico e as lâmpadas têm vida útil de 50 mil horas ou até dez anos de duração, de acordo com a companhia.
A tecnologia, oferecida à EDP Bandeirante pela GE Iluminação, também é mais vantajosa do ponto de vista ambiental.
Guarulhos, São José dos Campos e Mogi das Cruzes são as cidades nas quais as trocas de lâmpadas foram realizadas.
Com a mudança, elas terão menos custos com a manutenção dos pontos de luz.

Brasil... 
A Grant Thornton Brasil foi autorizada pela Grant Thornton International, multinacional de auditoria e consultoria, para atuar como IBC (International Business Center), uma unidade de negócios que ficará focada no atendimento das necessidades de clientes que queiram se instalar no Brasil.

...sob consulta
 
Existem atualmente 34 unidades do tipo IBC em 24 países na organização da empresa. Outros países da América que possuem empresas participantes da Grant Thornton Internacional indicadas como IBC são Canadá, Estados Unidos, México, Argentina e Porto Rico.

GÁS GLOBAL
Luiz Mendonça, ex-presidente da Quattor, assume a vice-presidência internacional da Braskem e pretende fomentar a internacionalização da companhia.
De mudança para a Filadélfia, Mendonça cuidará da operação em solo americano, onde a empresa comprou em 2010 a Sunoco Chemical, cujas fábricas estão em Virgínia Ocidental, Pensilvânia e Texas.
"Estamos estudando possibilidades relacionadas ao gás descoberto recentemente nos EUA, em várias regiões do país", diz.
"Continuamos investindo na internacionalização. Acompanhamos o crescimento do Brasil, mas o jogo é internacional, para termos alcance nessa indústria", acrescenta.
"Estamos interessados também em projetos no México, onde já temos um plano em andamento, e na América do Sul."
Além disso, o executivo vai liderar a estratégia dos negócios com base em matéria-prima renovável.
Manoel Carnaúba, vice-presidente de insumos básicos, e Rui Chammas, de polímeros, acumularão as mesmas áreas da Quattor, que foi incorporada à Braskem em janeiro de 2010.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e ANDRÉA MACIEL

MORRE FILHO%$#@& DA PUT$%#&*

ALEXANDRE SCHWARTSMAN

Por quem os juros sobem
ALEXANDRE SCHWARTSMAN
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/03/11
Eles sobem por quem desperdiçou todas as oportunidades de lidar, antes, com o problema

Hoje, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve decidir por mais uma rodada de elevação da taxa de juros básica da economia. Não tenho dúvida de que, até entre os meus 18 leitores, há mais de uma alma se perguntando por que, afinal de contas, se a taxa de juros no Brasil já é tão alta, seria necessário elevá-la ainda mais.
A resposta simples é porque a inflação, não apenas a corrente, mas, principalmente, a esperada, se encontra acima da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
De fato, a inflação nos últimos 12 meses se encontra ao redor de 6%, enquanto o consenso de mercado e as projeções do próprio Banco Central sugerem que a inflação em 2011 e em 2012 deve superar a meta, caso a Selic não suba.
Mas a resposta simples é insuficiente. Uma mente mais inquisitiva poderia perguntar se uma taxa de juros mais elevada é mesmo um tratamento eficaz contra a aceleração da alta dos preços.
Por exemplo, se a inflação resulta de preços de alimentos, por conta da elevação dos preços mundiais de commodities agrícolas, como se ouve aqui e acolá, que bem poderia fazer o aumento da taxa de juros?
A verdade, contudo, é que a inflação decorre de fenômenos bem mais amplos do que os preços de alimentos. O núcleo de inflação (que retira os preços de alimentos, assim como tarifas públicas) indica que os preços estariam aumentando a um ritmo de 6,5% ao ano.
Destaco adicionalmente que o IPCA medido de 16 de janeiro a 15 de fevereiro revela que mais de 73% dos itens não alimentícios sofreram aumento no período, ante 69% em janeiro, revelando que o processo inflacionário se encontra bastante difundido.
E, antes que alguém alegue que se trata de problema sazonal, noto que essa medida de difusão é a mais alta para o mês desde 2003, merecendo a duvidosa honra de ser a segunda maior para o mês de fevereiro desde o estabelecimento formal do regime de metas para a inflação.
Dito isso, se as causas da aceleração inflacionária vão além do comportamento do preço de alimentos, quais são elas? Ainda que setores menos comprometidos com a estabilidade de preços insistam em "problemas estruturais" ou "conflitos distributivos" (que, misteriosamente, se exacerbam apenas quando a economia cresce em ritmo forte), a verdade é que a inflação varia essencialmente em linha com o grau de pressão sobre a capacidade produtiva da sociedade.
Quando o mercado de trabalho aperta, o nível de utilização de capacidade na indústria sobe e os (muitos) gargalos da infraestrutura (como os recentes "apagões") pipocam mais que o David Beckham, os custos unitários se elevam e as condições de demanda permitem seu repasse generalizado.
Sob essas circunstâncias, não há alternativa para conter o processo inflacionário que não passe pela redução da pressão sobre a capacidade produtiva e, goste-se ou não da conclusão, isso requer que o crescimento fique, por algum tempo, abaixo do potencial.
Isso poderia ter sido evitado se o combate à inflação tivesse sido iniciado mais cedo, promovendo a convergência do crescimento para seu potencial (o chamado "pouso suave") ainda em 2010, mas esse leite já se encontra devidamente derramado.
É bom que se diga, também, que essa desaceleração poderia se dar preservando o consumo e o investimento privados, desde que o governo tomasse para si o fardo de reduzir seu dispêndio.
Obviamente, quando o responsável pelo caixa afirma que "os gastos públicos não têm impacto inflacionário no Brasil", fica claro que essa não é a prioridade, ainda mais depois de um "corte" de despesas que, na verdade, implica seu aumento com relação ao observado em 2010.
Assim, leitor, quando perguntar por quem os juros sobem, saiba que eles não sobem por ti, mas por quem desperdiçou (e, parece, desperdiçará) todas as oportunidades de lidar com o problema antes que isso se tornasse necessário.

*ALEXANDRE SCHWARTSMAN , 48, é economista-chefe do Grupo Santander Brasil, doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Centr

JOSÉ NÊUMANNE

Copa de 2014: crônica do mico anunciado
JOSÉ NÊUMANNE
O ESTADO DE SÃO PAULO - 02/03/11
O Campeonato Mundial de Futebol, organizado a cada quatro anos pela Fifa, entidade privada com sede na Suíça, é um negócio arquibilionário para quem vive em torno de futebol: jogadores, técnicos, dirigentes, preparadores físicos e outros profissionais do ramo; acionistas, redatores, narradores e comentaristas de imprensa, rádio e televisão; e, sobretudo, os maiorais da entidade organizadora e seus afilhados pelo mundo. Estes inventam a cada torneio novas regras que tornam necessárias obras civis que exigem grandes investimentos: dos estádios à infraestrutura de transportes urbanos e aéreos, além da adaptação da rede hoteleira para atender à demanda de público aos jogos.

Países que dispõem de caixa para cobrir as deficiências de estações metroviárias, aeroportos, vias públicas e outras instalações físicas necessitadas de reforma para abrigar hordas de aficionados por futebol lutam para sediar espetáculos transmitidos pela televisão para plateias de bilhões. Esse tipo de investimento importa divisas para a sede do torneio quadrienal e também gera impostos que ajudam a engordar o erário, o que poderia, se aplicados com decência e critério, melhorar os serviços públicos, sobretudo em áreas essenciais e carentes, como saúde, educação e segurança pública. Em relação a isso, há três controvérsias. A primeira é que nunca sede alguma de uma Copa do Mundo trouxe a lume um relato confiável dos lucros auferidos ao longo do evento. A segunda é que mais arrecadação nem sempre (ou quase nunca?) representa melhora de atendimento em hospitais, aprimoramento da educação, especialmente a básica, nem redução significativa de índices de violência. Se isso foi medido, está mantido sob rigoroso sigilo. E, no caso do Brasil, que aceitou a condição de isentar os beneficiados de impostos, este segundo efeito será nulo.

Este país sediará a Copa de 2014 daqui a três anos e quatro meses. Um ano antes, como ocorre sazonalmente, será testada parte dos equipamentos para os grandes espetáculos num acontecimento de grande repercussão, mas menor alcance do que o Mundial propriamente dito, a Copa das Confederações. Neste momento, estamos no segundo estágio, no qual governantes começam a assumir compromissos que, de início, renegaram. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (ainda DEM) juraram de pés juntos que nenhum centavo de dinheiro público seria usado na construção de algum estádio para o torneio.

Os juramentos, feitos e reiterados, já começaram a ser sutilmente abjurados. Lula e Goldman saíram de cena, substituídos por Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin. Quem deu o pontapé inicial, não na pelota, mas no traseiro do contribuinte, foi o remanescente do trio, Kassab, sob cuja gestão se anunciou que está em estudos um projeto ardiloso de socorrer o Corinthians na construção de seu estádio em Itaquera para que sirva de palco para a abertura do campeonato. Ao lado de Alckmin, ele ouviu Dilma garantir sexta-feira passada que, sim, o primeiro jogo será no estádio do qual não se conhece sequer projeto de viabilidade.

O trio multipartidário passou por cima de algumas evidências da lógica elementar: nada garante que São Paulo terá mais benefícios do que custos sediando a Copa; a cidade tem estádios demais para atender o Mundial e a agenda futebolística local; e o favorecimento de um clube específico - em detrimento de seus adversários - é acintoso. A excelente drenagem do Morumbi no clássico de domingo deixou claro que o estádio pode ser reformado com relativa facilidade para cumprir as exigências de que a Fifa e sua representante no Brasil (a CBF de Ricardo Teixeira) não abrem mão. Até o Pacaembu, que a Prefeitura por pouco não cedeu em comodato ao mesmo Corinthians, agora beneficiado, e a Arena Palestra Itália, que o Palmeiras está reconstruindo às suas expensas, têm sobre o Piritubão uma vantagem essencial: eles existem. A opção anunciada por Dilma, Alckmin e Kassab de que o jogo inicial será disputado na zona leste equivale à decisão de um diretor de cinema que, precisando de um bebê, incentiva o flerte de um casal para contratar o filho que será gerado, antes sequer de ter início o namoro dos pais. Se vivos fossem, Aristóteles e Santo Tomás de Aquino teriam de recorrer ao Procon para salvar a honra da lógica que descreveram.

O aval da presidente, do governador do Estado e do prefeito de São Paulo à decisão monocrática de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e rei do comitê organizador da Copa no Brasil, só se explica por interesses eleiçoeiros. O Mundial será disputado em ano de eleições e disso querem tirar proveito. Mas, como os três deverão estar em campos políticos opostos nas eleições para governador e presidente em quatro anos e terão de dividir a gratidão do eleitorado (nem sempre tão grato assim) no vale-tudo do marketing eleitoral, pouco importará quem goze da regalia. Importa é que o cidadão pagará as despesas. A conversa fiada de que o contribuinte não bancará o banquete em que se refestelarão os barões do marketing esportivo, dos meios eletrônicos de comunicação de massas e da burocracia federal não o livrará de arcar com o prejuízo, mesmo expulso das arquibancadas pelo alto custo dos ingressos. Relatório insuspeito do Tribunal de Contas da União expõe a carta que os dirigentes da República e dos esportes pretendiam manter escondida na manga: dos R$ 23 bilhões a serem gastos em obras, só R$ 336 milhões ficarão por conta do setor privado, restando 98,5% para o cidadão deixado de fora financiar.

Pelo andar da carruagem, não há garantia de que a Copa de 2014 será disputada neste país sem estádios, aeroportos, vias públicas, hotéis e outros equipamentos exigidos pelos organizadores. Em vez de fazerem o jogo da "cartolagem" só por demagogia barata, Dilma, Alckmin e Kassab seriam mais espertos se saíssem de fininho e devolvessem o mico anunciado à Fifa e à CBF, seus legítimos criadores.

GOSTOSA

ILIMAR FRANCO

Troco 
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 02/01/11

Os deputados Gabriel Chalita (PSB-SP) e Luiza Erundina (PSB-SP) estão negociando a ida para o PMDB. Os peemedebistas prometeram a Chalita que ele seria candidato a prefeito de São Paulo no ano que vem. Chalita e Erundina pretendem deixar o PSB por causa do ingresso do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que inicialmente conversava com o PMDB.

"Não temos preconceitos” — Ana Arraes, deputada federal (PE) e líder do PSB, sobre o ingresso do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (SP), no partido

Chororô
Apesar de estarem pisando em ovos por ser a primeira reunião com a presidente Dilma Rousseff, os líderes da base aliada na Câmara devem reclamar hoje dos cortes das emendas parlamentares ao Orçamento. “Esse vai ser o assunto prioritário”, disse o líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG). O líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), vai reclamar especificamente das exigências feitas pela Caixa Econômica para liberar esse dinheiro. Já Dilma vai agradecer a aprovação do salário mínimo de R$ 545. A intenção
do Planalto é aproximar a presidente do Congresso. “Vai ser para tirar foto”, resumiu um ministro.

NA BERLINDA. A presidente Dilma Rousseff não gostou da forma como foi feito o anúncio do corte de R$ 50 bilhões do Orçamento pelos ministros Guido Mantega e Miriam Belchior. Especialmente a parte do “Minha Casa, Minha Vida”, que perdeu R$ 5,1 bilhões. Dilma reclamou que eles não conseguiram ser convincentes ao explicar que não seria um corte, e sim a reestimativa de uma despesa que não se concretizaria na prática.

Azedou
Contrariada com o corte de R$ 3 bilhões no orçamento do Ministério da Educação, a UNE fará neste mês protestos nas grandes
capitais, que culminarão em uma grande passeata em Brasília, dia 24, rumo ao Palácio do Planalto.

Azedou
Contrariada com o corte de R$ 3 bilhões no orçamento do Ministério da Educação, a UNE fará neste mês protestos nas grandes
capitais, que culminarão em uma grande passeata em Brasília, dia 24, rumo ao Palácio do Planalto.

Guerra de vaidades
Os tribunais de Contas da União e do Estado do Rio estão em pé de guerra. O TCU quer fiscalizar todas as obras das Olimpíadas de 2016, argumentando que a Autoridade Pública Olímpica será um braço do governo federal. Para o TCE, o TCU só pode fiscalizar os investimentos federais. Os tribunais usam parâmetros diferentes de fiscalização. Autoridades temem que a confusão prejudique o andamento das obras.

Repeteco
Não há consenso no PT sobre a reforma política. Enquanto os senadores defendem o voto em lista fechada para deputado, parte
da bancada da Câmara é contra. No governo Lula, a proposta caiu com a ajuda de deputados do PT.

Moldura
Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), os cortes no Orçamento são uma “moldura” de austeridade fiscal. Segundo ele, o governo deixa cada vez mais “restos a pagar” e, neste ano, se endividará para injetar R$ 50 bilhões no BNDES.

 FICO. Mesmo com o esvaziamento da Autoridade Pública Olímpica, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles vai aceitar o posto. 
 TESOURA. Os cortes no Orçamento da União atingiram 103 emendas parlamentares do Rio, em um total de R$ 78 milhões.
 AJUDA. O governador Renato Casagrande (ES) pediu ajuda ontem ao vice-presidente Michel Temer para concluir as obras do aeroporto de Vitória até 2015. Quer a ajuda do Exército.

MERVAL PEREIRA

Morde e assopra
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 02/03/11
O governo vai aumentar em 3 pontos percentuais os juros dos empréstimos do BNDES às empresas privadas nos novos contratos, embora mantenha os aportes do Tesouro para garantir que os investimentos subsidiados continuem ajudando na recuperação da economia.

A medida, a ser anunciada ainda esta semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai reduzir em cerca de R$5 bilhões os subsídios, mas mesmo assim as taxas continuarão abaixo da Selic, que deve ser aumentada na próxima reunião do Copom.

O ministro Guido Mantega recusa a ideia de que o governo esteja fazendo maquiagens nas contas públicas, afirmando que todos os procedimentos são transparentes e legais.

Apesar de esses malabarismos contábeis servirem para aumentar a dívida bruta do governo central para 63,9% do PIB em janeiro deste ano, os números ainda são bem melhores do que o das economias desenvolvidas.

Os Estados Unidos superou os 110% do PIB, enquanto França, Reino Unido e Alemanha estão entre 70% e 90% de seus PIBs.

O Brasil destoa, no entanto, do índice dos BRICs, que têm uma dívida bruta em média de cerca de 30%, média que é puxada para cima pelo índice brasileiro, que se compara com os países desenvolvidos que esparramaram dinheiro em seus mercados para combater a crise financeira de 2008.

Quanto à dívida líquida do setor público, o governo comemora a redução para 37,8% do PIB prevista para este ano, mas não esclarece que ela só não aumenta por que os repasses para os bancos estatais estão sendo feitos por fora do orçamento. Se fossem feitos de maneira tradicional, a dívida líquida teria crescido fortemente. Em janeiro ela está em 40,1%, pequena queda em relação ao ano passado.

O governo brasileiro trabalha com a hipótese de que o país entrou para o grupo de emergentes dinâmicos que passam a liderar a economia global.

A média de crescimento do PIB dos oito anos do governo Lula foi de 4%, com a previsão de crescimento em 2010 de 7,5%.

Nos próximos quatro anos, a média prevista pelo governo para o crescimento do PIB é de 5,9%, colocando o país entre os que crescem a uma média superior a 4% ao ano, embora muito abaixo dos países asiáticos.

Pela previsão do Ministério da Fazenda, com base em dados do FMI, as economias emergentes e em desenvolvimento crescerão em média 7,5%, enquanto a média mundial será de 4,8%, e a das economias avançadas de 2,7%.

Embora preveja uma redução de crescimento do PIB brasileiro para 5% este ano, o Ministério da Fazenda estima um crescimento da economia nos anos seguintes para 5,5%, em 2012, e 6,5%, para 2013 e 2014.

Para tal desempenho, o governo está estimando que o investimento total deve passar dos atuais 19% do PIB para 24% até 2014, o que faria o país voltar a taxas de investimento que teve na época do "milagre brasileiro".

Aumentar os investimentos é também uma razão para o governo persistir na sua política de capitalização do BNDES.

Um dos indicadores do bom desempenho da economia é o crescimento acelerado dos bancos brasileiros, que fica só atrás dos bancos chineses.

O ministro Guido Mantega garante que os cortes anunciados por ele e pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, são para valer, e o objetivo é reduzir o ritmo do crescimento da economia para evitar inflação.

Ele considera que foram acertadas as medidas de indução do crescimento da economia, mesmo que agora tenha que fazer cortes no valor de R$50 bilhões no orçamento para equilibrar as contas públicas e conter a inflação dentro da meta.

O governo já detecta os primeiros sinais de redução do nível de atividade, provocados por medidas prudenciais já adotadas, como a elevação dos juros e o aumento dos depósitos compulsórios.

As vendas no varejo ficaram estáveis no período entre novembro e dezembro do ano passado, e a indústria em dezembro do ano passado teve queda de 0,7% em relação ao mês anterior.

Apesar do aumento, a inflação estaria controlada na visão do governo, e na média dos países emergentes: pior que México (3%) e China (2%) e maior do que Rússia (6,5%) e Turquia (6%).

Segundo a visão otimista do governo, a variação da inflação acompanha o movimento internacional, embora os próprios dados mostrem que estamos entre os países em que a inflação mais cresceu entre 2009 e 2010: um aumento de 1,6 ponto percentual.

Cinco países tiveram aumentos maiores: Estados Unidos (2); Turquia (2,3); Inglaterra (3,9) e Argentina (4,2).

O que pode prejudicar a visão otimista do governo para um crescimento médio de quase 6% é uma crise internacional de petróleo, que provoque a redução dos fluxos de comércio internacional, com o comprometimento da recuperação da Europa e dos Estados Unidos.

O mundo está em turbilhão, em uma região delicada, sobretudo, pela produção de petróleo, e o governo brasileiro não vê motivos para rever suas projeções de crescimento para os próximos anos.

O governo considera que o país está bem preparado para enfrentar uma eventual crise, e o ministro Mantega destaca quatro vantagens comparativas do Brasil: importante autonomia petrolífera; a importação de derivados é feita de países menos instáveis politicamente; o mercado interno pode absorver choques de demanda externa e o fato de sermos o maior produtor de etanol.

Há ainda a crença do governo brasileiro de que no médio prazo o país poderia até mesmo se beneficiar de uma crise, desde que o aumento do preço do petróleo e de outras commodities seja "moderado".

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, está tão otimista com a situação que se declarou contrário à tentativa de ressuscitar a CPMF, o imposto do cheque. Ele diz que não é necessário aumentar a carga tributária e, ao contrário, declarou-se disposto a desonerar a economia, sobretudo a folha de pagamentos das empresas.

MASSACRANDO OS OVOS

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Verdinhas n"água
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 02/03/11

Problemas de... desperdício na casa de Dilma. Levantamento feito pelo próprio governo constatou que o atual sistema de irrigação do Palácio da Alvorada está "totalmente obsoleto e defasado tecnologicamente", gerando alto custo operacional. Coisa a que a presidenta tem alergia. Descobriu-se que boa parte da água, que deveria molhar áreas verdes, é jogada sistematicamente no concreto. Defeito detectado, a Presidência abriu licitação para substituir a velharia. Só para o projeto, segundo o edital, estima-se gasto de R$ 100 mil.

Lista de espera
Enquanto a sua nomeação para APO não sai, Henrique Meirelles cumpre o acertado em dezembro. Em almoço discreto na BM&F, tomou posse como presidente do conselho da Associação Viva o Centro. Quem viu teve a sensação de que o ex-BC quer se lançar candidato a prefeito de SP.

Reforço
A Anac e a Polícia Federal assinam acordo hoje para reforçar o combate ao contrabando, narcotráfico e voos irregulares. Vão compartilhar dados de pilotos, aeronaves, empresas do setor e passaportes. Com isso, a PF terá mais informações e a Anac, ajuda da polícia em casos de apreensões. E um segundo acordo neste sentido será assinado com a Receita Federal no dia 10.

Mau olhado?

Responsável por negociar cortes, Célia Corrêa, secretária do Orçamento Federal, apareceu anteontem de... pé engessado. O esquerdo. Caiu da escada no supermercado, mas diz não ter visto "ministro no topo dela". Célia teve os ligamentos do tornozelo rompidos e está de cadeira de rodas.

Luz do dia
Aos poucos, Fabio Assunção sai da toca. A convite de Milú Villela, gravou depoimento, anteontem, para a Ocupação Haroldo de Campos, no Itaú Cultural. Com Maria Fernanda Cândido, entre outros.

R.S.V.P.

Michelle Alves tomou susto pós-Oscar, domingo. A top brasileira cedeu sua mansão em Los Angeles para Madonna e Demi Moore receberem a turma do cinema. O que a modelo não contava, era com as 600 pessoas que passaram por lá.

CompanheirosEm sua primeira palestra paga no Brasil, da qual se tem notícia, Lula fala hoje para cerca de mil revendedores no LG Digital Experience. Organizado por Sergio Motta Mello, da TV1. Ao que consta, o cachê do ex-presidente foi de... R$ 200 mil.

O tempo e o vento
Ufa. Ariano Suassuna colocou ponto final em um romance que está escrevendo há... 30 anos. Dividido em três partes, O Jumento Sedutor deve ser lançado ainda neste semestre.

Rolo de filme
A extinção dos cinemas de rua em São Paulo ultrapassou as quatro paredes. Ministério Público, vereadores e ONGs se reuniram anteontem na Câmara Municipal e, diante da complexidade do problema, agendam audiência pública. Estão de olho na inclusão do tema no Plano Diretor programado para ser votado ano que vem.

Na frente
Conta com cerca de 30 mil assinaturas um abaixo-assinado online a favor da Campanha pela Memória e pela Verdade. O movimento, que defende a abertura dos arquivos da ditadura, está sendo organizada pela OAB do Rio.

Debora Muszkat expõe Olhares da Alma até o dia 21 no IQ Art Gallery do Espaço Cultural Chakras. São 35 desenhos, sendo 20 deles eróticos.

O espanhol Enrique Vila-Matas vem ao Brasil em maio. Lança aqui Dublinesca, pela Cosac Naify.

Fernando Burjato tem individual na Galeria Virgílio a partir do dia 15. Serão 25 pinturas em tinta a óleo sobre diferentes suportes.

Sylvia Massari e Tadeu Aguiar vão repetir parceria de 20 anos atrás: serão um casal no espetáculo Baby, O Musical. A primeira parceria da dupla foi em Aí Vem o Dilúvio, em 1981.

ELIO GASPARI

De rui.barbosa@edu para dilma@gov
ELIO GASPARI
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/03/11

Estimada presidente, o que a senhora quer fazer com a Casa de Rui, nome dado hoje ao que foi a Vila Maria Augusta, onde vivi de 1895 a 1923, é um caso de filhotismo republicano. Daqui, sei de tudo. O professor Emir Sader pleiteava o Ministério da Cultura. Perdido para D. Ana de Hollanda, acomodaram-no na ubre desse animal multimâmio que ora se chama governo. Coube-lhe a direção da Casa que leva meu nome e cuida tanto de uma humilde memória, como do nosso idioma. Essa não foi a primeira escolha da ministra, nem escolha dela foi.

Eu nada poderia dizer de Sader, pois assim como pouco deve saber a meu respeito, pouco sei dele. Numa entrevista, o professor anunciou o propósito de transformar a Casa de Rui num centro de debates. Consiga um exemplar do livro "Rui Barbosa em Perspectiva", de Rejane de Almeida Magalhães e Marta de Senna, e a senhora verá como sacudi este Brasil fazendo conferências. Aceitei convite até do Abrigo dos Filhos do Povo, na Bahia. Debates fazem bem ao país e está aqui o Raymundo Faoro dizendo-me que nossa última restauração democrática deveu mais ao Café-Teatro Casa Grande, no Leblon, do que à Casa de Rui.

Creio que ele tem razão. Cada coisa no seu lugar. Não é próprio querer transformar um café-teatro num centro de pesquisas, nem um centro de pesquisas em café-teatro. A Casa de Rui conserva minhas roseiras, meus 35 mil livros e outros 100 mil que foram acrescentados à biblioteca. Guarda acervos preciosos, como o do Plínio Doyle e o de Afonso Arinos, que ainda não foi catalogado. Chamemo-la torre de marfim. Que o seja. Essa instituição custou R$ 28 milhões no ano passado e tem 184 servidores (87 dos quais terceirizados). Ela prepara a edição das crônicas de Carlos Drummond de Andrade, cuida da minha obra e atualiza o vocabulário de português medieval, trabalho internacionalmente reconhecido. Ademais, estimula a pesquisa literária e, neste ano, ampara 18 monografias. No dia 15 discutiremos um livro que trata das palavras usadas para designar as moradas das gentes, coisas como bairro, condomínio, apartamento, comunidade ou periferia.

É esse patrimônio que corre risco numa reciclagem para café-teatro. Debates fazem-se em espaços públicos. Pesquisas, em centros de estudo. Aviso-lhe que um terço do quadro de pesquisadores da Casa poderá se aposentar. Balance o arbusto e lá se irão as flores.

Em 2007, a Casa organizou um seminário sobre o filósofo francês Jean-Paul Sartre e convidou o professor Fernando Henrique Cardoso, que, ainda jovem, o acompanhou na visita que fez a Araraquara. O ex-presidente não pôde comparecer, mas enviou o texto de sua palestra. Houve um protesto contra o convite. De quem? Do professor Sader.

Ele diz que pretende levar para a Casa a discussão do "Brasil para todos". Meu receio é que esse Brasil seja o dele, ou, quem sabe, o vosso. A instituição que funciona no que foi a Vila de minha amada Maria Augusta pode ser de valia para estudarmos a obra de Clarice Lispector ou a correspondência de João Cabral de Melo Neto. Sua utilidade para "pensar os limites, as contradições e os potenciais" do aparelho teórico do poder de hoje é apenas física, imobiliária. Na magnífica construção do deputado Romário, peço-lhe: "Inclua-me fora dessa".

Do seu patrício

Rui

GOSTOSA

ALOÍSIO DE TOLEDO CÉSAR

Policiais paulistas migram por salários
ALOÍSIO DE TOLEDO CÉSAR
O Estado de S.Paulo - 02/03/11

Agrava-se no Estado de São Paulo o clima de desânimo na Polícia Civil, sobretudo entre delegados de polícia, em decorrência dos vencimentos e das condições de trabalho inferiores em relação aos congêneres de outros Estados e da própria Polícia Federal.

O resultado dessa atmosfera pessimista pode ser medido pela crescente migração de policiais paulistas, aprovados em concurso, para trabalhar nos outros Estados, onde os vencimentos são bem maiores. Não são só os delegados que se inclinam pela migração: também escrivães e investigadores fazem o mesmo.

O risco deste fenômeno é a perda de cérebros e de profissionais experientes numa área bastante sensível da vida de todos nós. Neste momento, por exemplo, 18 mil advogados de todo o Brasil estão inscritos no concurso em realização pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para o preenchimento de aproximadamente 100 vagas de juiz, com vencimentos iniciais em torno de R$ 17 mil.

Esse enorme interesse dos advogados pela magistratura paulista, que permite a seleção de pessoas qualificadas, decorre, é claro, de vencimentos atraentes e das condições de trabalho. Mas com a Polícia Civil paulista, em especial relativamente aos delegados de polícia, ocorre o contrário.

Com a realização do último concurso em São Paulo, foram aprovados 180 novos delegados de polícia, porém, entre eles, 31 já se exoneraram do cargo para atuar em outros Estados, que remuneram mais adequadamente a atividade.

Não só os novos delegados de polícia, mas também os mais antigos na carreira, passaram a se inscrever em concursos programados nos outros Estados do País e deixam entrever que a migração, lamentavelmente, terá continuidade.

As consequências se refletem diretamente no policiamento e na segurança do mais populoso e mais rico Estado brasileiro. Basta ver, por exemplo, que 31% dos municípios paulistas se encontram sem delegados, ou seja, com as delegacias vazias ou ocupadas tão somente um ou dois dias por semana por algum delegado que acumula o encargo sem nenhuma vantagem pessoal.

O mais preocupante é que o preenchimento das vagas de delegado e de outros policiais civis, decorrentes dessas migrações e das aposentadorias naturais, demora no mínimo dois anos. Se um delegado ou escrivão migra ou se aposenta, não há substituto e a função que vinha exercendo permanecerá em aberto, num cenário que se agrava, sem a menor perspectiva de solução.

Mais grave de tudo é que os vencimentos dos delegados paulistas, com o líquido abaixo de R$ 4 mil, fazem com que muitos deles se sintam humilhados e desprestigiados, uma vez que continuam a ser os salários mais baixos do País. A circunstância de o Estado mais rico pagar o pior salário é vista como afronta e como desprezo à atividade, como se ela tivesse reduzida importância.

Em verdade, aqui já se disse isto e é a pura verdade: mesmo Estados de reconhecida pobreza, como Maranhão e Piauí, remuneram seus delegados com importâncias bem mais elevadas. Isso para não falar da Polícia Federal, em que os delegados recebem aproximadamente R$ 17 mil por mês no início de carreira, para o exercício de atividades similares.

Sem nenhuma dúvida, viu-se que a elevação dos vencimentos federais a esse patamar conferiu nova dimensão àquela polícia, que se mostra muito mais eficaz, embora com o grave comportamento de muitas vezes preferir o espetáculo e a aparição na mídia.

A corrupção de que se tem notícia em muitas delegacias de polícia no Estado de São Paulo não se justifica em hipótese alguma, mas, sem dúvida, os baixos vencimentos ajudam a compreender por que ela ocorre. Os policiais civis, além do risco de vida, convivem no combate ao crime com a escória da sociedade, verificando-se muitas vezes ser tênue, bastante tênue, a linha divisória entre uma atividade e a outra. Aí mora a tentação do abismo.

É evidente que a população do Estado de São Paulo deseja e merece uma polícia muitas vezes melhor. Mas, em virtude das frequentes notícias envolvendo a reputação de policiais civis, os esforços para a melhoria de condições de trabalho e de vencimentos esbarram em dificuldades políticas difíceis de superar.

Uma das principais reivindicações dos delegados de polícia, por exemplo, é a aprovação de um projeto de reestruturação da carreira que tramita pela Assembleia Legislativa do Estado há mais de dez anos sem nenhuma solução. O projeto, se aprovado, reduziria de 14 para 7 as carreiras policiais, criando o ambiente profissional melhor que a classe deseja.

Os delegados, no entanto, têm uma lamentável fragilidade associativa. Não conseguem se unir e dirigir esforços no mesmo sentido, de tal forma que esbarram sempre em dificuldades políticas e em ambições pessoais dentro da carreira.

Nos dias presentes, cresce o clima de tensão da Polícia Civil em relação ao Palácio dos Bandeirantes, tendo em vista a frustração pós-eleitoral de expectativas. Entre os delegados, não há esperança de que o novo governo pretenda constituir uma Polícia Civil melhor e que a aparelhe mais adequadamente. Pelo andar da carruagem, dizem, as prioridades não os alcançam e se refletirão progressivamente na segurança de cada um de nós.

A falta de diálogo cria um clima quase de antagonismo dos delegados em relação ao governador, dando a entender que, se assim se mantiverem as coisas, novos e lamentáveis incidentes poderão se repetir, como a greve de 59 dias em 2008, que levou a um conflito entre policiais civis com militares, bem próximo ao Palácio.

DESEMBARGADOR APOSENTADO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO.

CLÁUDIO HUMBERTO

“A gente não fez política com o Bolsa Família, nas eleições”
PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF SOBRE O PROGRAMA SOCIAL QUE ALAVANCOU SUA CANDIDATURA

DEMISSÃO EM SÃO PAULO EXPÕE BRIGA DE TUCANOS 
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acabou mexendo num vespeiro, ao demitir ontem o sociólogo Túlio Kahn pela acusação de vender consultoria utilizando dados sigilosos do governo sobre criminalidade: o secretário de Segurança, Antonio Ferreira Pinto, ligado a José Serra, estaria por trás do vazamento da denúncia contra Kahn, que foi nomeado na época do seu antecessor no cargo, Saulo Castro. O objetivo da denúncia seria fragilizar Saulo Castro politicamente.

O XIS DA QUESTÃO
O “alckmista” Saulo Castro, secretário dos Transportes, é citado como eventual substituto do “serrista” Antonio Ferreira Pinto na Segurança.

MAIS DO MESMO 
Os tucanos se agitaram no Congresso, ontem. “Alckmistas” e “aecistas” atribuem a crise no governo paulista às “artimanhas” de José Serra.

CLAUSTRO 
Tal como o “companheiro ideológico” Lula e o aspone Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim também faz silêncio sobre Gaddafi, que adulava.

ALMA PENADA 
Ex-chefe do cerimonial de Lula, embaixador Marcos Raposo perambula nos corredores do Itamaraty sem função definida. 

ATO DO DNPM EM FAVOR DA VALE COMPLICA DIRETOR 
O diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral, Miguel Cedraz Nery, se meteu numa enrascada: para beneficiar a Vale S/A, anulando o processo de caducidade da concessão da mina de Carajás da empresa, Nery alegou não terem sido observadas formalidades que o superintendente de fato teria cumprido. Ele afirma ser imparcial e que sua decisão seguiu orientação da procuradoria jurídica do DNPM. 

ESQUEÇAM O QUE ASSINEI 
Nery cita falta de competência do subordinado para declarar caducidade, mas portaria nº 216/10 por ele assinada a delegou.

ALEGAÇÃO FALSA 
Nery acusou o DNPM-PA de não observar o rito para a caducidade, mas a Vale foi punida quatro vezes antes da instauração do processo.

DÍVIDA ELEVADA 
Acusada de não pagar royalties de exploração mineral, a Vale deveria somente ao município de Parauapebas (PA) mais de R$ 400 milhões.

GAVETA ARROMBADA 
Jornalistas da Rádio Senado garantem ter sido arrombada a gaveta que guardava um programa sobre o senador José Sarney, interpretado como um “obituário”. Esse tipo de trabalho é comum na imprensa. 

À LA LULA 
O prefeito de São Bernardo (SP), Luiz Marinho (PT), cisma com o presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski. Chegou duas horas atrasado à inauguração da escola com o nome da mãe dele, Zofia.

FARRA PETISTA COM... 
Em Brasília para uma reunião partidária, 26 militantes do PT do Pará e do Maranhão invadiram há dias o restaurante Scenarius Grill, no Setor Comercial Sul, comeram e beberam à vontade e saíram sem pagar.

... PENDURA ARROGANTE 
Lembrando o tempo todo que agora “estamo no pudê”, os caloteiros petistas ainda desafiaram o atônito gerente do restaurante a “chamar a polícia”. Sobrou para a direção nacional do PT, que pagou o pendura.

OFÉLIA ROUSSEFF 
Um ano após a omelete desandar no Superpop, da Rede TV!, Dilma acertou na Globo, com Ana Maria Braga. Se a inflação continuar subindo, o desafio dela será fazer uma omelete sem quebrar os ovos.

SEGURANÇA INCOMPETENTE 
O jornalista Etevaldo Dias teve a mala roubada na livraria La Selva, do Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Várias pessoas tentaram em vão alcançar os bandidos. O lerdos seguranças só apareceram para criar dificuldades e não importunar os ladrões. Acesso a vídeos, “só com ordem
judicial”. 

ESCOLA DO SADER 
Após escrever “fusilamento” no Twitter, Emir Sader, sociólogo brasileiro da ditadura cubana, tascou “o ódio da direita não é contra mim, mas pelo pânico que lhes gera (sic) um projeto amplo, crítico e pluralista”. 

SÓ BÊBADO 
Deve haver uma mensagem oculta: segundo a Associação Brasileira de Supermercados, as vendas cresceram 6,7% em 2010, puxadas por bebidas alcoólicas, que venderam 15,1% a mais no mesmo
período. 

PENSANDO BEM… 
Os eleitores de Lula e Dilma Rousseff caíram no “conto do PAC”. 

PODER SEM PUDOR
A “VIA-CRÚCIS” DE LULA 
No primeiro governo Lula, o então deputado alagoano João Caldas, do extinto PL, foi buscar na bíblia um paralelo dos movimentos do presidente Lula para fortalecer sua aliança com partidos conservadores:
– Lula vai ter que negar o PT, assim como o apóstolo Pedro negou Jesus Cristo três vezes...

BRAZIU: O PUTEIRO

QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Modernização - Maluf, mensaleiros e Newtão cuidarão da reforma política
Folha: ONU afirma que 140 mil já escaparam da Líbia
Estadão: Despesa do governo com passagens cresce 32%
Correio: GDF também corta gastos e concursos
Valor: Importados terão regras mais duras na alfândega
Estado de Minas: Apartamento encolhe em BH, mas o preço...
Jornal do Commercio: Saúde ganha reforço
Zero Hora: Depois de cortes, Dilma aumenta Bolsa-Família