segunda-feira, fevereiro 21, 2011

MÔNICA BERGAMO

COLOMBINA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/02/11

A promotora de eventos Fernanda Barbosa conhece o "dono da noite" Ricardo Amaral há 25 anos e só agora trabalhará com o empresário; ela cuidará da lista de convidados do baile de gala de Carnaval no Píer Mauá, no dia 3, e da feijoada do Amaral, no dia 5, no Rio

DESCANSO DE CRAQUE
Uma enquete com 1.000 paulistanos feita pela APPM (Análise, Pesquisa e Planejamento de Mercado) perguntou o motivo de Ronaldo ter se aposentado. Dos entrevistados, 35% atribuíram a decisão à dificuldade dele em emagrecer. Já 29% apontam a pressão da torcida alvinegra -entre os torcedores do Palmeiras, esse número sobe para 38%, contra 32% dos corintianos.

HORA CERTA
Quando questionados sobre quem mais perde com a saída do ex-jogador dos campos, 28% afirmam que é o Corinthians e 26%, o próprio Ronaldo. Para 53%, o Fenômeno se aposentou na hora exata. Esse percentual chega a 68% entre os corintianos.

MODERNO

José Sarney começou a usar o tablet iPad e deseja ter uma página pessoal na rede social Facebook.

MARINA EM PELÍCULA
A cineasta Sandra Werneck ("Cazuza" e "Sonhos Roubados") está conversando com Marina Silva (PV-AC) para levar a vida da ex-senadora às telas. O longa seria baseado na biografia "Marina - A Vida Por Uma Causa".

SOBREPESO
O programa mundial Obesidade Zero, que trabalha pela redução da obesidade, firmou uma parceria com o Exército brasileiro. O projeto, que é comandado no país pelo cardiologista Daniel Magnoni, terá acesso a dados de estatura e peso dos últimos 20 anos de todos os jovens que se alistaram na região Sudeste do país, quando completaram 18 anos. "Trabalharemos com números reais e não estatísticas, para mostrar a mudança no peso do brasileiro", diz Magnoni.

REPETECO
Estão avançadas as negociações entre a Riachuelo e Oskar Metsavaht, da Osklen, para que o estilista assine novamente uma coleção de verão para a loja de departamentos, no fim do ano.

SÓ AMIZADE
Kaká Marques, um dos diretores da RedeTV!, nega que Marlene Mattos o tenha procurado para pedir emprego. "Seria um prazer tê-la conosco, mas ela está com outros projetos", diz.

PARCEIROS
Grazi Massafera não conta com um preparador de elenco para seu primeiro grande trabalho no cinema em "Billi Pig", de José Eduardo Belmonte. O próprio diretor ensaia o personagem da atriz com ela, antes das filmagens começarem, no mês que vem, no Rio de Janeiro. "Acho que eu e a Grazi nos escolhemos porque vimos o que cada um pode trocar com o outro", afirma Belmonte.

CAMINHADA
O site de pesquisa Google estuda criar um "street view" do LHC, o acelerador de partículas, em Genebra. Será possível "caminhar" por dentro das instalações, que ficam cem metros abaixo da superfície.

E AGORA, HEBE?
Saia justa à vista na festa que a RedeTV! oferecerá a Hebe Camargo, em março, quando a loira estreia seu programa no canal. Lucilia Diniz, uma das melhores amigas da apresentadora, terá que dividir espaço com executivos da Nestlé caso os dois lados aceitem o convite da emissora para participar da celebração.

A empresária processa a multinacional de alimentos.

TRAÇO PRÓPRIOO ilustrador José Luiz Benicio lançou a exposição e o livro de mesmo nome, "Sex & Crime", com edição de Ricardo Antunes. O evento aconteceu na galeria Cartel 011, de Fábio Matheiski, em Pinheiros.

JARDS MACALÉ: "PODE ME CHAMAR DE MACALEIA, A PRIMEIRA-DAMA"

O músico Jards Macalé se define como "parceiro e amigo profundo há mais de 15 anos" de Ana de Hollanda. Ele brinca que comentários sobre seu relacionamento quase causaram "uma briga entre Brasília [onde Ana está] e o Rio [onde ele vive]". "Nós temos uma vida particular, saudável -pelo menos até agora." Sobre a gestão dela no Ministério da Cultura, avisa: "Acabou a sopa!".

Folha - Você e a ministra compõem juntos?

Jards Macalé - Vou gravar um DVD agora. Eryk Rocha, filho do [cineasta] Glauber Rocha, é meu diretor. Vai ter Bethânia, Gal, Frejat, Luiz Melodia, talvez Angela Ro Ro. E a Ana vai cantar uma música nossa -letra dela, música minha: "Um Filme". Temos outras: "Canção para Aninha" e "Balada".

E a ida dela para o ministério?
Ela é capacitada, eficiente. Fez uma bela gestão do Centro Cultural SP [como diretora musical]. Me recebeu com ramalhete de rosas amarelas, que dava para os artistas.

E você se lembra até hoje?
É um fato gentil.

Vocês são casados?

[Com voz afetada] Depende muito, sabe? Digamos assim: o Hélio Oiticica dedicou a última obra dele, os Penetráveis, "ao meu músico Jards Macalé". Como ele chamava os masculinos pelo feminino -Caetanete, Gilete, Wallyca, Macaleia-, se você quiser me chamar de alguma coisa dentro da política nacional, você pode dizer "Macaleia, a primeira-dama".

Primeira-dama da cultura?
Primeira-dama, ponto.

Ana está indo bem?
A minha classe é bunda-mole. Taí esse commons, como é que é? Creative Commons. Porra! A nossa ministra segurou a onda lá. Onde já se viu uma organização não governamental encrustada no governo? Se é tão livre assim [a licença], você pode abrir uma creative no botequim e gerenciar dali. É que nem jogo do bicho! Nego tá brigando por causa do lugar, porque era dentro do ministério. Acabou a sopa! [Ana tirou o selo do Creative Commons do site do MinC.]

Como a família reagiu ao convite para o ministério?
O Carlinhos Brown [marido de Helena, sobrinha de Ana] adorou.

E o Chico?
Que Chico?

Buarque [irmão da ministra].
Não conheço.

É um incômodo sempre perguntarem do Chico?
Não sei. Não sou irmão.

CURTO-CIRCUITO

O colégio Dante Alighieri promove, de hoje a 21 de março, a exposição "A Beleza na Escultura de Michelangelo", com réplicas e painéis fotográficos, nos Jardins.

Juscelino Pereira e Gerardo Landulfo lançarão o livro "Itália - Para Comer e Beber Bem", na Livraria da Vila da alameda Lorena, nos Jardins, hoje, a partir das 19h.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

GOSTOSA

CARLOS ALBERTO DI FRANCO

A ameaça das drogas sintéticas
Carlos Alberto Di Franco 
O Estado de S.Paulo - 21/02/11

Acabo de regressar da Europa. Uma intensa semana, na Itália e na Espanha, é sempre formidável. Da magia da Piazza Navona ao encantamento da Gran Via, sempre vale a pena. Impressionou-me, na leitura dos jornais e nas conversas com jornalistas e professores, a presença de uma nuvem escura que, aos poucos, vai toldando o horizonte da juventude europeia: o avanço das drogas. Na Europa, e aqui no Brasil, uma nova droga destruidora ameaça a juventude: a cápsula do vento. Trata-se de um pó branco, de aparência comum, mas demolidor. É um derivado da anfetamina e tem propriedades alucinógenas. Seus efeitos podem durar horas. Existem relatos de pessoas que ficaram até uma semana sob efeito alucinógeno dessa substância. O usuário pode ter alterações cardíacas, convulsões, fortes alucinações e chegar à morte.

O uso de drogas ilícitas no mundo vem crescendo, apesar dos esforços mundiais de controle. O aumento no consumo das drogas sintéticas é considerado atualmente pelo Escritório da ONU de Combate ao Crime e às Drogas (Unodc), como "o inimigo público número um". Ao contrário das drogas tradicionais, feitas à base de plantas, as drogas sintéticas são feitas com produtos químicos facilmente obtidos em laboratórios improvisados. O combate é, por isso, muito mais difícil.

O uso das drogas sintéticas hoje é uma questão de moda. Assim como vimos, nos anos 60, o crescimento do uso de LSD e heroína ligado ao movimento hippie, hoje há a cultura da música tecno, que incentiva o uso de drogas como o ecstasy. Essa situação preocupa, porque vai mudar o paradigma do combate às drogas. A prevenção vai ganhar uma importância muito maior do que a repressão.

Nessa década, o maior problema que nós vamos vivenciar é a droga sintética. Principalmente o ecstasy. As prisões de traficantes são um forte indicador da presença das drogas sintéticas e, ao mesmo tempo, revelam um novo perfil do tráfico: jovens universitários, de classe média e alta, compõem o novo mapa do crime. O rosto do usuário também vai sendo perfilado: boa escolaridade, inserido no mercado de trabalho e pertencente às classes sociais mais privilegiadas.

O ecstasy é uma droga estimulante e alucinógena. Segundo o professor Ronaldo Laranjeira, da Universidade Paulista (Unifesp), "ela foi sintetizada para ser um novo moderador de apetite, mas foi descartada pelo laboratório químico que a produziu porque era muito tóxica. Ficou na prateleira por várias décadas e foi redescoberta na década de 70 para ser a droga do amor. Depois se transformou na droga mais usada em discotecas". O ecstasy desencadeia transtornos psiquiátricos como síndrome do pânico e depressão. Costuma vir acompanhado de taquicardia e aumento da temperatura do corpo e tem sido a causa de inúmeras mortes. Segundo Ronaldo Laranjeira, "o grande problema do ecstasy é o dano cerebral que a droga produz, principalmente nos neurônios responsáveis pelo prazer".

O cardápio macabro das baladas, infelizmente, tem sempre novidades. Duas novas drogas foram introduzidas no menu das raves: a ketamina e o GHB. A ketamina, também conhecida por cetamina, ou special K, é um anestésico usado em cirurgias e animais. É um parente químico do ácido lisérgico, o LSD. "O principal efeito que provoca é o desprendimento corporal, o sujeito consegue se dissociar do corpo. O uso frequente da droga pode causar danos na atenção, na memória, no estômago, coração e fígado", alerta o psicólogo Murilo Battisti. O GHB, também chamado de ecstasy líquido, não tem cheiro nem gosto. É perigosíssimo, principalmente quando misturado com álcool. Ambos - GHB e álcool - diminuem muito a atividade do cérebro. Associados, o efeito é ainda maior. O GHB é uma droga fortemente depressora. Pode levar ao coma e induzir ao suicídio.

Como vê, caro leitor, a escalada das drogas é um fato assustador. Enfrentá-la só é possível com informação correta, prevenção e recuperação. Meu objetivo, neste artigo, é ajudá-lo a dar os dois primeiros passos: conhecer o que se passa no ambiente rarefeito de inúmeras discotecas e raves e entender as características devastadoras das novas drogas sintéticas. Só assim, com informação clara e sem eufemismos, você poderá captar eventuais mudanças comportamentais e dar uma orientação segura aos seus filhos. A família, um espaço de carinho, diálogo e firmeza, exige presença do pai e da mãe. Ela é, de fato, o pré-requisito da prevenção. Quando a família fracassa, as políticas antidrogas acabam se transformando no cemitério de boas intenções.

O terceiro passo, a recuperação, é uma indeclinável responsabilidade dos governos. É preciso que os governantes ajudem para valer os serviços especializados e as instituições idôneas que, anonimamente e com grande sacrifício, investem na recuperação de dependentes químicos. Trata-se de um problema de saúde pública. Recuperar é salvar vidas e multiplicar aliados na luta contra as drogas. Um dependente recuperado é o melhor prosélito das campanhas preventivas. Impõe-se que os responsáveis pelo combate às drogas abandonem o conforto de seus gabinetes e entrem em contato com o verdadeiro drama dos adictos. Eu fiz isso. Não considero correto escrever e opinar a respeito de uma realidade distante. Conversei com especialistas, ouvi relatos de dependentes químicos, visitei comunidades terapêuticas que apresentam elevados índices de recuperação, desenvolvi, enfim, um trabalho de reportagem.

Espero que o governo faça a sua parte. Segundo me consta, o Congresso Nacional está decidido a arregaçar as mangas e entrar num autêntico mutirão em prol dos que lutam pela recuperação. A iniciativa, se confirmada, merece os aplausos da sociedade. A dependência química não admite politicagem. Reclama, sim, seriedade e realismo.

DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO

FABIO GIAMBIAGI

Pré-sal na terra de Macunaíma
FABIO GIAMBIAGI
O GLOBO - 21/02/11
"Nem agora nem em outras épocas, as Nações detentoras do melhor clima e do melhor solo têm sido as mais ricas ou as mais poderosas" (John Stuart Mill, 1848)

Inicio hoje um convívio regular com os leitores do GLOBO. Embora tenha sido um articulista bissexto nesta página desde que comecei a escrever para jornais há quase 25 anos, agora passarei a frequentar com assiduidade este espaço. Pretendo fazer desta possibilidade que o jornal me brinda um espaço de divulgação de ideias e propostas de fundo econômico, mas expressas de uma forma que - espero - o leitor leigo possa compreender, procurando minimizar os vícios de linguagem próprios do "economês". O tempo dirá se tiver sido bem-sucedido.

Escolhi como primeiro tema deste nosso encontro mensal o aproveitamento das receitas do pré-sal, o que é natural, considerando que ele moldará os destinos do país pelos próximos 20 a 30 anos. Resumidamente, minha mensagem é: o país corre o risco de cometer um erro maiúsculo. Para que o leitor entenda a explicação, leve em conta os seguintes dados: a) o setor público brasileiro tem uma dívida líquida (tirando os ativos financeiros) de 40 % do PIB e o Governo tem uma dívida bruta de 55 % do PIB; b) o déficit público este ano deverá ser de mais de 3% do PIB, maior que o do ano passado; c) a despesa de juros da dívida pública em 2011 deve ser da ordem de 6% do PIB; e d) o Governo se endivida no mercado pagando a taxa Selic ou, dependendo do título, às vezes até mais do que isso.

Nessas circunstâncias, a descoberta dos recursos do pré-sal aproxima o país da situação de um indivíduo que todo mês ganha 100, gasta 103, tem uma dívida enorme no cheque especial e um belo dia ganha na loteria (embora tenha ainda que resolver o problema de que o bilhete premiado está enterrado bem fundo no jardim...). O que as boas práticas de prudência financeira recomendariam fazer nesse caso? Não é preciso ser nenhum especialista em finanças para saber a resposta: sair do cheque especial.

Pois bem, se o Brasil enveredar pelo caminho no qual muitos querem que transite nos próximos anos, o que estaremos fazendo equivalerá na prática a usar ainda mais o cheque especial. Por que? Ouçam-se as propostas que circulam na boca cheia de mel de muitos políticos e vai-se perceber que, quando eles usam palavras adocicadas para soarem elegantes aos ouvidos do (e)leitor, a rigor o que podemos estar assistindo é à reprise de tantos outros casos em que, sob a justificativa de que "há demandas que precisam ser atendidas", diversos países, ao longo da História, desperdiçaram a chance de colocar um fim a uma longa era de problemas fiscais. Vale, a propósito, citar a frase pertinente de um ex-ministro do Petróleo da Venezuela, na euforia do país nos anos 70 e antevendo o desperdício de gastos pouco criteriosos que viria: "Daqui a 20 anos, o petróleo será a nossa ruína." Dito e feito...

Se o Governo paga 6% do PIB de juros, é porque a) tem uma dívida alta; e b) o mercado não está convencido que seja um bom negócio emprestar ao Governo a juros muito baixos. Diante disso, não há nada, rigorosamente nada, olhando para o conjunto dos fatores como um todo e pensando não apenas no presente, mas também no futuro, que seja mais conveniente para o país do que o Governo pagar as suas dívidas. Com isso, ele depois vai ter uma carga de juros menor e ajudará por sua vez a minorar o risco de emprestar ao próprio Governo, contribuindo assim para diminuir a taxa de juros. Qualquer outra alternativa será equivalente a que o indivíduo que recebe 100 e gasta 103, ao ganhar na loteria, acabe por gastar mais, aplique os recursos na caderneta de poupança e continue "pendurado" no cheque especial. Sim, porque ter um déficit público de 3% e utilizar recursos extras da receita para aumentar o gasto público é exatamente equivalente a isso. Governo que tem déficit e uma dívida elevada e recebe recursos extras não deveria criar um fundo de seja lá o que for. Governo que tem déficit e recebe recursos extras deveria, pura e simplesmente, fazer superávit fiscal e pagar as suas dívidas.

Será que, em 2040, depois do fim da festa e já sem petróleo, nossos filhos terão que reconhecer que, mais uma vez, a frase de John Stuart Mill, dita em torno de 200 anos antes, terá se revelado profética?

O país corre o risco de cometer um erro maiúsculo

GOSTOSA

GEORGE VIDOR

Mínimo da minoria
GEORGE VIDOR
O GLOBO - 21/02/11
Exercício de futurologia, mesmo em economia, tem enorme probabilidade de dar errado, mas de fato é bem possível que o governo Dilma e o que vier a seguir serão os últimos no qual haverá necessidade de uma regra matemática para fixação do salário mínimo no país. Com a evolução da economia e do mercado de trabalho é provável que o mínimo passe a ter outra função.

Hoje o piso salarial ainda funciona como uma imposição política para evitar situação degradante que trabalhadores sem qualificação estariam sujeitos por falta de opção para sobreviver. O mínimo retrata um quadro de desequilíbrio estrutural, em que a oferta de mão de obra não qualificada supera a demanda devido a vários fatores (elevada taxa de expansão demográfica em décadas passadas, desigualdades regionais acentuadas, êxodo rural, baixa escolaridade da população, falta de políticas de formação profissional e longo período de crescimento econômico minguado).

No entanto, todos esses fatores estão perdendo força. Tudo indica que a economia brasileira conseguirá sustentar um crescimento da ordem de 5%, em média, nesta década e, por isso, a geração de empregos continuará se expandindo a taxas que superam em duas ou três vezes a evolução da população em idade de trabalhar (até porque, com a mudança do perfil demográfico do país, essa faixa populacional tende a se estabilizar até 2020 e a partir daí passará a encolher).

Desde meados da década de 90, o percentual de crianças na escola se mantém acima de 94% e já não está mais distante o dia em que chegarão ao mercado poucas pessoas sem instrução.

Dessa maneira, o mínimo perderá a sua função de impor ao mercado um piso salarial capaz de influenciar a remuneração da maioria dos trabalhadores (mesmo os que ganham acima do piso). Passará a proteger uma minoria de trabalhadores sem qualquer qualificação e também as empresas sérias contra um tipo de concorrência predatória que se apoia no dumping social, com custos de produção - mão de obra, principalmente - que não se coadunem com a realidade dos mercados formais.

Quando a política de valorização forçada do salário mínimo se tornar desnecessária, devido a essas transformações em curso, o piso de benefícios da Previdência Social deverá ganhar também rumo próprio.

Como o projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados estabelecendo as regras de correção do salário mínimo vai até 2015, a renovação ou não desses parâmetros se dará no Congresso, e na sociedade brasileira, sobre contexto bem diferente da atual. É claro, se a economia brasileira continuar crescendo.

A Transpetro publicou nos jornais um anúncio provocativo, convocando oficiais de marinha mercante que estejam interessados em tripular a frota da empresa, em expansão. Há uma polêmica no setor, pois, de um lado, os armadores dizem que há falta de profissionais e, de outro, o sindicato dos marítimos argumenta que o mercado está equilibrado, sem sobra nem escassez de mão de obra. O anúncio pode tirar a prova dos nove, pois, se não aparecerem interessados em número suficiente para preencher as vagas, o déficit ficará evidente. Se não aparecerem, alguma providência terá de ser tomada.

José Otávio Carvalho, presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, diz que 2011 ainda será um ano de crescimento expressivo no setor por causa da construção civil e da continuidade de obras de infraestrutura. No ano passado, a demanda cresceu mais de 10%, com as vendas superando o volume de 60 milhões de toneladas, recorde absoluto. Para que não houvesse qualquer possibilidade de falta do produto, a própria indústria importou cerca de 700 mil toneladas, não só para assegurar a oferta mas, principalmente, para impedir a entrada de cimento de má qualidade no mercado brasileiro. Em 2011 talvez essa importação não se faça mais necessária, pois os investimentos estão maturando e haverá um significativo aumento da capacidade de produção.

O consumo de cimento cresce em todo o país, mas, em algumas regiões, a demanda chega a ser espantosa, como, por exemplo, na Região Metropolitana de Recife, por causa dos investimentos em andamento junto ao porto de Suape.

A Rolls Royce ainda não divulgou o local que abrigará sua nova unidade industrial no Estado do Rio de Janeiro, mas é provável que a área escolhida fique próxima a outras fábricas na Zona Oeste da capital. Com essa nova unidade, voltada para o setor de petróleo, a Rolls Royce aumentará os índices de nacionalização dos equipamentos e serviços das empresas que estão investindo no setor. Nas licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a empresa ou consórcio vencedor se compromete com um determinado índice e, para atingi-lo, às vezes encontra dificuldade por falta de fabricação nacional. A própria Petrobras, que formou uma cadeia de fornecedores, esbarra nessa dificuldade.

Ao tomar a iniciativa, a Rolls Royce também está atenta às incursões de seus concorrentes no mercado brasileiro (como a GE, por exemplo).

Esta semana entram na pauta do mercado financeiro os palpites e prognósticos sobre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, marcada para o começo de março. Na ata da reunião anterior, o Banco Central já indicou que deverá elevar novamente a taxa básica de juros. As especulações vão girar, então, sobre a dosagem da alta, que, no momento, variam de 0,25 a 0,75 ponto percentual. Em janeiro a alta foi de 0,5 ponto, decidida por unanimidade no Copom.

MARIA INÊS DOLCI

A herança maldita da inflação
MARIA INÊS DOLCI
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/02/11
O retorno da inflação é o castigo de governos gastadores; contudo, eles fazem, nós pagamos

"TEM SEMPRE UM DIA em que a casa cai/ pois vai curtir seu deserto, vai./ Mas deixe a lâmpada acesa/ se algum dia a tristeza quiser entrar." Belíssimos versos da música "Regra Três", de Toquinho e Vinícius de Moraes, sintetizam o que enfrentamos com o retorno da inflação.
Que se alastrou rapidamente enquanto o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dedicava integralmente a eleger sua sucessora: está nos serviços, na comida, no lazer, nos transportes, na saúde, em tudo, lamentavelmente.
É, sem dúvida, o castigo de governos gastadores, populistas, que pensam no hoje, no agora, parodiando outro gênio da música, Renato Russo, "como se não houvesse amanhã". Castigo, contudo, que é repartido com quem não ordena, não decide, não contrata desbragadamente e não cria factoides em forma de programas de aceleração do crescimento.
Ou seja, "eles" fazem, "nós" pagamos, principalmente o consumidor mais pobre. Porque são os que ganham menos que comprometem a maior parte de sua renda com comida, com transporte coletivo, com saúde e com educação.
Então, dá-se com uma das mãos reajustes reais do salário mínimo, programas de transferência de renda e se retira com outra, pela carestia generalizada.
Apesar disso, enquanto o Banco Central aumenta os juros e o governo federal jura que corta gastos, temos de fazer algo. Não nos esqueçamos de que, pelas redes sociais, o mundo elegeu o presidente do país mais importante (Barack Obama) e apeou do poder, após três décadas, um ditador (Hosni Mubarak).
Em primeiro lugar, temos de boicotar, sempre que possível, empresas e prestadores de serviço que aumentarem preços em 20%, 30% ou 40%. Cartão vermelho para eles, pois a inflação ainda não chegou aos dois dígitos -ao menos oficialmente.
Vamos postergar compras a prazo com juros exorbitantes. Pesquisar preços, hoje, é muito mais fácil do que nos anos 1980 e 1990, quando a inflação era soberana absoluta do mercado. Basta entrar em sites especializados, ou nas próprias lojas virtuais.
Em relação a serviços, a situação é mais complicada. Aí, tem de funcionar a negociação prévia, pois a conta pode ser salgada demais para o seu bolso.
Muita atenção, também, à alimentação fora de casa. Como o custo da carne bovina disparou, é evidente que churrascarias e demais restaurantes os repassaram a seus clientes. Não significa, contudo, que devamos aceitar e torrar o dinheiro tão difícil de ganhar.
Talvez tenhamos de fazer o churrasco em casa, com cortes como a costela bovina, enquanto o preço da picanha passeia na estratosfera.
Compras coletivas, com cautela e sem consumismo, podem ajudar a obter descontos, bônus e outras promoções, com os devidos cuidados.
Denunciar abusos no Twitter, no Facebook e em outras redes sociais também fortaleceria essa reação anti-inflacionária.
É óbvio que não domaremos a inflação sem que os governos federal, estaduais e municipais façam seu trabalho corretamente. Idem os parlamentares e o Judiciário.
Um exemplo: os preços da gasolina são "aditivados" pelo ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), pelo PIS (Programa de Integração Social), pela Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e pela Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).
Quando a cotação do barril de petróleo despencou mundialmente, continuamos pagando caro nos postos de gasolina, financiando a gastança. Então, quem vota em criadores ou aumentadores de impostos é indiretamente responsável pelo crescimento do custo de vida.
Quem paga qualquer preço por um produto e serviço também.
Temos de nos preparar para rebater pressões de reajuste de mensalidades escolares e condomínio.
Se o consumo consciente é atributo da cidadania e da proteção ambiental, em momentos como o que vivemos agora é ainda mais importante gastar com planejamento e com cuidado. O que os senhores do poder não fizeram. Para nós, a verdadeira herança maldita.

*MARIA INÊS DOLCI, 54, advogada formada pela USP com especialização em business, é especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da ProTeste Associação de Consumidores. 

CABEÇA OCA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Exportadoras reclamam de demora da Receita para receber incentivo
MARIA CRISTINA FRIAS 
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/02/11

Empresas exportadoras estão insatisfeitas com a lentidão da Receita Federal para devolver créditos tributários referentes a PIS, Cofins e IPI.
A demora é de até dois anos e algumas companhias entraram na Justiça para tentar receber os incentivos.
"Recuperar os créditos é o maior problema que enfrentamos", diz o diretor da Três Marias Exportação e Importação Roberto Ticoulat.
No começo do ano, o governo diminuiu as exigências para que as empresas exportadoras tenham direito a receber seu saldo credor.
Desde então, as companhias precisam vender para outros países 15% da sua produção nos últimos dois anos.
Apesar de benéfica, a mudança não diminuiu os encargos trabalhistas que dificultam a competitividade dos produtos brasileiros, afirma o advogado tributarista Ives Gandra Martins.
"A medida tem brechas que permitem o não pagamento pelo governo", diz a diretora do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo, Regina Terezin.
A principal reclamação é com o trecho que prevê que o reembolso dependerá da "disponibilidade de caixa do Tesouro Nacional".
O ressarcimento do saldo credor é dividido em duas partes de 50%, diz o subsecretário de tributação da Receita, Sandro Serpa.
"A primeira é recebida em dinheiro pelas empresas que têm perfil exportador e histórico de boas práticas com a Receita. Os outros 50% só são liberados após análise mais criteriosa", explica Serpa.

NAS BANCASA Bradesco Seguros começará a vender apólices em bancas de jornal a partir do final do primeiro semestre deste ano.
A iniciativa faz parte da estratégia do grupo de tentar aumentar sua base de clientes entre as camadas mais populares.
"Não há dúvidas de que é a área em que mais podemos crescer. A expectativa é vender 50 mil apólices em bancas de jornal em 2011", afirma o presidente da Bradesco Seguros, Marco Antonio Rossi.
Serão comercializados os mesmos seguros lançados no ano passado: contra morte acidental e auxílio-funeral. O preço máximo será de R$ 5,50.
A empresa estuda criar mais tipos de apólices populares, para residências.
Outros pontos de venda, como postos de gasolina, também estão na pauta da empresa, segundo Rossi.
"Buscamos novos nichos de mercado para consolidar o processo de popularização do setor de seguros no país."
No primeiro ano de comercialização dos seguros populares, o grupo firmou 600 mil contratos.

MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES
Os desembolsos do BNDES às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) continuaram crescendo em 2011.
Em janeiro, atingiram R$ 4,3 bilhões, com total de 55 mil operações. Isso representa aumento, em valor, de 17% na comparação com os R$ 3,6 bilhões desembolsados no mesmo mês do ano passado.
Em 2010, as liberações do BNDES às MPMEs atingiram recorde, com R$ 45,6 bilhões em financiamentos e participação de 27% no total das liberações do banco.
O Cartão BNDES também apresentou aumento no número de operações nos últimos dois anos.
O valor desembolsado em janeiro passado foi de R$ 423,7 milhões, quase o dobro dos R$ 223,7 milhões do mesmo mês de 2010.

SEM ESTÍMULOS
Mais da metade das empresas que desenvolvem programas sociais ou fazem doações não reivindica os incentivos fiscais a que têm direito, segundo a ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil).
Apenas 47% das companhias aproveitam o benefício. Desses, 61,7% recebem estímulos da Lei Rouanet, voltada para a promoção de atividades audiovisuais.
ONGs, escolas e universidades são as parceiras mais procuradas para a realização de programas sociais, com 61%, de acordo com a pesquisa da ADVB.
Para 63% das 8.930 empresas ouvidas pelo estudo, suas ações necessitam de algum tipo de aprimoramento.
Sobre aumentar seus projetos sociais, 42% disseram que têm essa preocupação, enquanto 16% responderam que não a têm. O restante, 42%, afirmou não saber.

Devedores 
Foram protestados 49.362 títulos em São Paulo no mês de janeiro, número 16,3% menor que o de dezembro. Ante janeiro de 2010, houve aumento de 26,6%. O levantamento foi feito com os dez tabeliães da capital pelo Instituto de Protesto da Seção São Paulo.

Marca própria 
O Grupo Pão de Açúcar vai lançar nesta Páscoa um ovo de marca própria para competir com outras marcas de chocolate do segmento premium.

Cartilha... 
A CNSeg (Confederação Nacional de Empresas de Seguro) participará do Projeto de Microsseguros para América Latina e Caribe, comandado pelo BID, com uma cartilha e um filme didáticos para clientes de baixa renda.

...de seguro 
A meta é preparar o mercado para quando for aprovada a legislação do microsseguro, que tramita no Congresso. A regulação pode atrair 100 milhões de pessoas que estão fora do mercado segurador, segundo a CNSeg.

UE... 
Executivos de empresas brasileiras que mantêm negócios com a União Europeia poderão conhecer melhor as regras do organismo por meio de um treinamento, que será realizado a partir de maio.

...em curso 
Serão quatro dias, dois no Brasil e o restante na Bélgica, em iniciativa do Azevedo Sette Advogados com a International Center for Promotion of Enterprises (ICPE).

Moda 
Entre as lojas Diane Von Furstenberg no mundo, a do shopping Iguatemi, em SP, foi a que mais faturou em janeiro. O resultado supera o da loja da grife em Nova York.

Etileno 1 
A holandesa LyondellBasell será a fornecedora de tecnologia de processo para o projeto da Braskem-Idesa de desenvolvimento do Etileno XXI no México.

Etileno 2 
O projeto da joint venture entre a petroquímica brasileira e a mexicana Idesa produzirá 300 mil toneladas de polietileno de baixa densidade. A unidade deve começar a operar em 2015.

Vagas 
Empresas de TI pretendem contratar 34 mil profissionais até o final do ano, segundo a Brasscom (associação de empresas de tecnologia da informação).

CAMINHO ALTERNATIVO
Quase R$ 405 bilhões seriam o mínimo necessário para que o Brasil solucionasse suas deficiências em infraestrutura relacionadas a logística e transporte no longo prazo.
A conclusão é do novo plano nacional de logística da CNT (Confederação Nacional do Transporte).
Segundo o estudo, o sistema rodoviário seria o destino da maior parte dos recursos. Mais de R$ 190 bilhões seriam necessários para desafogar as vias do país.
O valor do PAC é mais baixo porque privilegia necessidades imediatas e o que precisa ser feito para que o Brasil se torne competitivo, segundo Flávio Benatti, da CNT.
"O plano não prevê o aporte todo no curto prazo. Estuda a integração completa, a recuperação da malha rodoviária e construções novas."
Em ferrovias seriam gastos mais de R$ 150 bilhões.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e ANDRÉA MACIEL

AMIR KHAIR

Soluções milagrosas
AMIR KHAIR
O ESTADO DE SÃO PAULO - 21/02/11
Várias análises apostam na elevação da Selic e nos cortes de despesas do governo federal como a solução para conter a inflação neste ano. Não creio.

O País já está acompanhando a elevação da inflação que está ocorrendo em todos os países, desde setembro do ano passado, por causa da elevação dos preços dos alimentos e commodities. Infelizmente, não deveremos ser uma exceção diante dessa realidade internacional.

Na China, a inflação nos últimos 12 meses atingiu mais de 10% nos alimentos; 4,9%, ao consumidor; e 6,6%, ao produtor. Os países desenvolvidos, no entanto, estão mais preocupados em retomar o crescimento. O banco central britânico praticamente abandonou a luta no curto prazo. As autoridades americanas estão ignorando tanto a queda da taxa de desemprego como a inflação de 4,1% nos preços de atacado. O Banco Central Europeu apenas registrou a elevação da inflação, que passou de 0,9% para 2,4% nos últimos 13 meses.

Como agravante, neste início de ano a inflação no Brasil é sazonalmente mais elevada, por causa das chuvas que afetam a produção de alimentos in natura, dos reajustes das tarifas do transporte coletivo e das despesas com material escolar e o IPTU e IPVA. Em 2010 a inflação do primeiro quadrimestre respondeu por 44,8% da inflação anual. Se não houvesse sazonalidade, seria de 33,3%.

Essa sazonalidade pode levar a equívocos nas projeções da inflação anual, ficando o Banco Central (BC) pressionado pelo mercado financeiro a elevar a taxa de juros. Caso resista a essa pressão, é acusado de agir com atraso, o que exigiria uma dose mais forte de elevação da taxa para compensar essa "falha".

Fato interessante ocorreu no ano passado, quando aconteceu, no último quadrimestre, uma escalada de preços de alimentos e commodities no mundo todo. O BC foi pressionado a elevar a taxa de juros e, como não se dobrou à pressão do mercado financeiro, foi acusado de ter agido politicamente por causa das eleições. Fato é que o BC em sua ata de 8 de dezembro ressaltava que "os efeitos do ajuste na taxa Selic ainda não foram inteiramente incorporados à dinâmica dos preços. Adicionalmente, medidas macroprudenciais recentemente anunciadas, um instrumento rápido e potente para conter pressões localizadas de demanda, ainda terão seus efeitos incorporados à dinâmica dos preços".

O BC sempre manifestou em suas atas que a alteração da Selic leva mais de seis meses para produzir efeito sobre a inflação. Como as elevações da Selic ocorreram de maio a julho, só no início deste ano se poderia ter uma avaliação do efeito. Por outro lado, foram criadas a partir do dia 6 de dezembro as medidas macroprudenciais, cujos efeitos precisavam ser apurados.

Isso, no entanto, não foi suficiente para satisfazer o mercado financeiro e a pressão sobre o BC se elevou ainda mais, forçando, já a partir de 20 de janeiro, a primeira elevação da Selic, numa perspectiva de novas elevações nas próximas reuniões do Copom.

Discute-se muito a questão da autonomia operacional do BC em relação ao governo federal, especialmente em relação ao Ministério da Fazenda. Mas a verdadeira pressão, que empana essa autonomia, está no mercado financeiro, o maior interessado em manter a Selic em níveis elevados e crescentes como solução milagrosa para domar a inflação.

A única forma eficaz de atuação da Selic, para evitar uma escalada maior da inflação, tem sido a valorização do real que reduz os preços dos produtos importados. Mas essa saída está esgotada por causa dos prejuízos causados na indústria nacional e nas contas externas. O argumento muito utilizado nas decisões sobre a Selic - formar as expectativas dos agentes do mercado para indicar o rumo da inflação - vem sendo frustrado, ante a realidade maior que é a inflação vinda de fora dos alimentos e commodities - que respondem por mais da metade da inflação - e da indexação da inflação ocorrida no passado, como no caso do reajuste dos aluguéis, baseado no IGP-M, que cresceu 11,5% em 2010.

Outra solução milagrosa é acreditar que o corte de R$ 50 bilhões nas despesas do governo irá contribuir para reduzir a demanda, permitindo ao BC o conforto de elevar menos a Selic. Esse corte, embora necessário, representa apenas 1,2% (!) da demanda.

Além do mais, essas duas "soluções" se contradizem, pois, com o aumento da Selic, previsto para este ano, aliado à elevação das reservas internacionais e de aportes ao BNDES, que elevam a dívida bruta do governo, é possível que os juros gerados atinjam mais da metade (!) desse corte de R$ 50 bilhões.

Embora talvez não resolvam o problema da inflação mais elevada nesse ano, as medidas macroprudenciais são mais eficazes e rápidas do que as soluções milagrosas da Selic e do corte das despesas federais. Essas medidas atingiram o cerne de uma das pernas do impulso da demanda que é a expansão e o custo do crédito, como ficou demonstrado pelo BC no dia 9 de fevereiro.

É fundamental aprofundar as discussões sobre as causas da inflação para evitar soluções que, aparentemente, têm significado, mas que, na prática, não funcionam. Todo cuidado é pouco com as soluções milagrosas.

AMIR KHAIR É MESTRE EM FINANÇAS PÚBLICAS E CONSULTOR.

GOSTOSA

MELCHIADES FILHO

Cota merecida
MELCHIADES FILHO
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/02/11
Brasília - No momento em que o debate sobre o sistema de cotas patina no Congresso, a Universidade de Campinas prepara um salto nos projetos de ação afirmativa: a introdução firme da meritocracia como critério de concessão de benefícios.
Começam no mês que vem as aulas da primeira turma do ProFis, programa que destina 120 vagas para estudantes do sistema público do município paulista. O critério de escolha é a nota no Enem. O melhor aluno de cada escola pública da cidade tem matrícula garantida. Simples. Nada de vestibular, análise curricular, avaliação de patrimônio etc. Se o primeiro colocado numa escola abrir mão, a chance é passada ao segundo -e assim por diante.
Os inscritos terão dois anos de aulas nas áreas de humanas, exatas e biológicas, além de cursos de informática e inglês. Serão 1.600 horas em classe. Quem enfrentar dificuldades terá a ajuda de monitores.
Trata-se de um colchão multidisciplinar para capacitar esses egressos do sistema público para a etapa seguinte do ProFis: a matrícula instantânea em qualquer um dos cursos regulares da Unicamp, de acordo com a preferência do aluno.
O projeto não tira o lugar de ninguém. Serão criadas vagas adicionais para acolher os que terminarem o primeiro ciclo e quiserem/puderem continuar os estudos.
Para estimular que o escolhido cumpra os dois primeiros anos, o ProFis distribuirá vale-transporte, auxílio-alimentação e uma bolsa pouco acima do salário mínimo.
A ideia nasceu de um diagnóstico inquietante. Nos vestibulares de 2008 e 2009, 70% das escolas públicas de Campinas não conseguiram colocar nem um aluno sequer na maior universidade local.
Hoje, mais de 70% das universidades federais e estaduais públicas do país já oferecem algum programa de inclusão. A ação afirmativa é realidade. O desafio é aprimorá-la -e, de preferência, associá-la ao ensino médio público. A iniciativa da Unicamp mostra um caminho.

CLÁUDIO HUMBERTO

DF: governo rompe megacontrato de R$ 290 mi
CLÁUDIO HUMBERTO
JORNAL DO COMMÉRCIO - 21/02/11

O governo do DF decidiu sustar pagamentos e denunciar um contrato firmado na gestão de José Roberto Arruda, que previa o pagamento de inacreditáveis R$ 290 milhões à empresa Sangari, ligada ao argentino Jorge Werthein, ex-representante da Unesco. O contrato presumia a instalação de laboratórios de ciências em 500 escolas públicas do DF e, segundo fonte do governo, cada um custaria espantosos R$ 600 mil.

No ato
Já no ato de assinatura do contrato com a Sangari, o governo do Distrito Federal fez um pagamento de R$ 30 milhões.

É tucanagem...
O contrato foi assinado pela ex-secretária de Educação do DF Maria Helena Castro, depois secretária do governo José Serra em São Paulo.

Dinheiro fácil
Outro contrato, de R$ 20 milhões, foi firmado com uma Ritla (Rede de Informação Latino-Americana), ONG que seria da mulher de Werthein.

CPI em gestação
Deputados aliados do governo de Agnelo Queiroz (PT) devem propor a criação da CPI da Sangari, para investigar o contrato milionário.

De volta para o aconchego, nas asas da FAB
Gaúcho de Santa Maria, como ministro da Defesa Nelson Jobim não tinha muito o que fazer por lá, exceto visitar familiares e amigos. Mas ele deu um jeito: em 2010, foi à cidade natal pelo menos duas vezes, como admite a assessoria, sempre nas asas de jatinhos da FAB. Ele desembarcou em Santa Maria, garboso, no final de setembro, para um seminário, e no final de outubro, em visita a centros de instrução militar.

Folia de Dilma
A presidenta Dilma decidiu descansar durante o carnaval. Escolheu fazer isso à beira-mar, em instalações militares perto de Natal.

Folia de Lula
Lula vai cair na gandaia, no carnaval. No sábado (5), vai ao Galo da Madrugada, no Recife, e no domingo ao circuito de axé em Salvador.

Colombo do bem
Após várias conversas com o governador de Santa Catarina, o pernambucano Eduardo Campos (PSB) não esconde seu conceito sobre o colega: “[Raimundo] Colombo é uma pessoa do bem...”

Novela aérea
Fará três anos no Supremo, em novembro, a ação bilionária de defasagem tarifária da Varig com o Plano Sarney, após a Advocacia-Geral da União concluir que a dívida é maior que o eventual crédito com a União. A última movimentação, dia 17, foi de juíza do Trabalho.

Maçã bichada
A agência Bloomberg revela que o metro quadrado dos escritórios no Rio pela primeira vez superou Nova York, até então o mais caro das Américas. Um aumento de 47% em 2010. Alugue quem puder...

A César o que é de Battisti?
Às voltas com o terrorista Cesare Battisti, protegido por esquerdopatas, o STF decidirá também sobre a extradição de Cesar Enciso, matador que agia na ditadura argentina. E agora, a César o que é de Battisti?

Não te apuras, tchê...
Conterrâneos de Jobim juram que ele foi a Santa Maria outras vezes, a pretexto de viajar ao Uruguai e Argentina. O ministério não

O ESGOTO DO BRASIL

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Deputados do Rio têm verba para percorrer 300km por dia
Folha: Revolta se alastra; Líbia pede ordem ‘a qualquer custo’
Estadão: ONG cobra para implantar programa do Esporte
Correio: Brasileiros sitiados em conflito na Líbia
Valor: Smartphone está prestes a destronar PC em vendas
Estado de Minas: Receita Federal deve pegar mais gente na malha fina este ano
Jornal do Commercio: Santa volta ao topo
Zero Hora: Revolta árabe avança sob repressão brutal