quarta-feira, janeiro 26, 2011

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Aluguel de imóveis corporativos de alto padrão tem valorização de 14% em SP
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 26/01/11

Os preços dos aluguéis dos escritórios de alto padrão subiram, em média, 14% no ano passado na cidade de São Paulo.
O valor médio cobrado pelo metro quadrado atingiu R$ 112 -um dos maiores valores da história já cobrados na cidade-, segundo a consultoria Binswanger Brazil.
A valorização é reflexo do excesso da demanda e da falta de oferta.
"Nos últimos quatro anos, poucos imóveis corporativos novos foram entregues no município. E, do outro lado, muitas empresas procuraram novos espaços", diz Rafael Camargo, sócio-diretor da Binswanger.
A oferta, porém, deve aumentar nos próximos anos. A consultoria projeta que até 2012 serão entregues cerca de 500 mil metros quadrados de edifícios de alto padrão, sendo 293 mil ainda neste ano.
Esses números estão acima da média histórica, de 120 mil metros quadrados ao ano, segundo Camargo.
"Com essa retomada, os preços de locação devem sofrer um pequeno ajuste para baixo, de 10% a 15%, no segundo semestre do ano que vem", afirma.
A taxa de vacância (relação entre o número de imóveis disponíveis e o volume total construído) de edifícios de alto padrão fechou o ano passado em 5,7%, abaixo dos 6,4% em 2009, de acordo com a consultoria.
A região da cidade com o valor do aluguel mais alto no ano passado foi a Faria Lima, que registrou R$ 180 pelo metro quadrado. A Berrini ficou em segundo lugar, com valores de até R$ 130.

CAMINHO DA BOLSA
O advogado Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da CVM e sócio do Motta, Fernandes Rocha, vai assumir a presidência da recém-criada Câmara Consultiva da Bovespa, para mandato de dois anos.
O objetivo da entidade será discutir formas de atuação da Bolsa para estimular a listagem de empresas de diferentes tamanhos e segmentos, segundo Cantidiano.
"Hoje existem setores que há algum tempo não tinham participação forte no mercado. A área de infraestrutura deve caminhar para essa direção com mais força. Vamos verificar as regras e propor algum aperfeiçoamento", afirma.
Também será debatido o desenvolvimento do Bovespa Mais, para companhias que queiram adotar uma estratégia gradual de acesso ao mercado de capitais.

INVESTIMENTO

O Brasil será um dos países que vão oferecer as melhores oportunidades de investimento durante o ano. É o que revela pesquisa feita pela Bloomberg com mil tomadores de decisões financeiras.
O país ficou em terceiro lugar, apontado por 23% dos investidores. Com 37%, os EUA ficaram no topo, seguidos pela China (26%).
A União Europeia foi vista por 40% dos entrevistados como o mercado que oferecerá os piores retornos.
Segundo a pesquisa, 45% estão otimistas com o governo de Dilma Rousseff. Outros 22% estão pessimistas.

Capital... 
A Agência de Fomento Paulista/Nossa Caixa Desenvolvimento quer ampliar a atuação nos Fundos de Capital Semente, com apoio a pequenas companhias.

...criativo
Terão prioridade as empresas que usem tecnologias inovadoras em biotecnologia, nanotecnologia, TI e manejo de resíduos.

Construção...
 
Para suprir a demanda das construtoras por material reciclado, a Alcoa começou a produzir perfis extrudados de alumínio com 80% de metal reaproveitado.

...sustentável 
A empresa prevê para 2011 um aumento de mais de 50% no número de toneladas de perfis verdes usadas no país. Foram vendidas 600 toneladas em 2010.

NO CARTÓRIO
O volume de títulos protestados ficou em 720.611 em 2010 em São Paulo. O número é mais de 20% inferior ao registrado em 2009.
Em dezembro, foram protestados 59.207 títulos, alta de 2,95% em relação ao mês anterior, segundo levantamento do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos da Seção São Paulo junto aos dez tabeliães da capital.
Dos títulos protestados em dezembro, 14,3% foram cheques. As duplicatas aumentaram e as notas promissórias caíram.
"O resultado pode ser considerado uma expressão de que a economia vai bem e que as pessoas estão pagando", diz José Carlos Alves, presidente do instituto.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

CORRUPTO

ALOÍSIO DE TOLEDO CÉSAR

O efeito Tiririca no Supremo
Aloísio de Toledo César 
O Estado de S.Paulo - 26/01/11

As instituições às vezes refletem contradições capazes de deixar atordoado o mais sereno dos brasileiros. Uma delas, bastante recente, está na circunstância de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, detentor de linda carreira, com quase 40 anos de magistratura sem a mais leve mancha, a partir de 1.º de fevereiro passar a receber subsídios iguais aos do comediante Tiririca, eleito deputado federal.

O País acompanhou o fenômeno Tiririca, o mais votado de todos os tempos, apesar de sua claudicante alfabetização, tão controversa que tornou duvidosa a conclusão final do Judiciário a respeito de ser ele alfabetizado ou não. É pessoa simpática e detentora de talento próprio para as graças que costuma fazer e das quais se alimenta. Mas, sem dúvida alguma, a equiparação assusta.

A imagem do comediante não se confunde com a do Congresso Nacional, integrado por muitas pessoas de bom nível intelectual e cultural. Mas, com a decisão do final do ano passado, que vinculou os vencimentos dos deputados federais e senadores aos recebidos pelos ministros do STF, Tiririca e Cezar Peluso estarão empatados nos respectivos contracheques.

Em verdade, é pior do que isso, porque os deputados federais e senadores, por força daquelas vantagens extraordinárias para pagamento de despesas pessoais e de assessores, acabam recebendo bem mais do que um ministro do Supremo.

Isso tende a criar situação bastante constrangedora. Os representantes do povo detêm o poder de aprovar as leis e por isso lhes é dado decidir se portadores de mandatos eletivos devem receber subsídios iguais ou maiores que os dos ministros do STF e vice-versa.

O que não parece adequado é a equiparação, porque representa o risco de se perpetuar, ou seja, cada vez que houver aumento dos subsídios dos ministros do STF, o precedente poderá levar os congressistas e votarem nova lei em causa própria, promovendo outra vez a equiparação.

A Constituição federal, em seu artigo 37, inciso XI, determinou com toda a clareza que os subsídios dos ministros do Supremo devem ser os mais elevados, tanto que representam o valor máximo para cálculo dos demais. A equiparação levada a efeito no final de 2010 introduziu um aleijão na Carta Magna, ou seja, fez surgir um arremedo de paradigma, representado pelos valores que serão recebidos por deputados federais e senadores.

Sem nenhuma dúvida, não foi isso o que pretendeu o legislador constituinte de 1988 ao colocar o STF no topo da escala de vencimentos dos agentes do Estado. Se a moda pega, outros ocupantes de cargos, funções e empregos públicos, na administração direta e indireta, poderão postular a mesma equiparação a ministros e congressistas, uma vez que o precedente está cristalizado.

Após seguidas eleições, pacificamente realizadas, a democracia brasileira mostra-se efetivamente consolidada, sobretudo com a escolha, agora, de uma mulher para presidente da República. Mas todos sabemos que a democracia tem os seus inimigos. A equiparação de vencimentos de deputados federais, senadores e ministros, dando a ideia de uma nobreza intocável e favorecida, será sempre um prato cheio para aqueles que gostariam de estatizar até mesmo os banhos de praia.

Os vencimentos dos subsídios dos ministros do STF são fixados por lei federal. A última, de 2005, fixou-os em R$ 21.500, com elevação ao patamar de R$ 24.500 a partir de 1.º de janeiro de 2006. Pela Resolução n.º 423, legalmente prevista, esses valores foram elevados pelo STF para R$ 26.723,13. Com base neles são calculados os vencimentos dos ministros dos outros tribunais, juízes e promotores de Justiça, federais e estaduais.

Está prevista para o início da atual legislatura a votação pelo Congresso do projeto que concede ligeira majoração aos vencimentos dos ministros do Supremo. Isso ocorrerá pela primeira vez num momento em que ministros e congressistas recebem os mesmos subsídios e, claro, poderá provocar constrangimentos.

A equiparação efetivada ocorreu levando em conta tão somente os valores recebidos pelos ministros da Suprema Corte, ou seja, não houve alteração do princípio constitucional que coloca os subsídios dos ministros do STF na condição de os mais elevados do País. Isso significa que a possível aprovação do reajuste pretendido pelo Supremo não se estenderá automaticamente aos congressistas, muito embora, dado o precedente, fique em aberto a possibilidade de estes iniciarem nova corrida para igualar os subsídios. Vê-se que se trata de questão tormentosa, capaz de repercutir desastrosamente entre a população espectadora.

O acesso ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal representa o coroamento de qualquer carreira jurídica. É uma honra ser escolhido, porém a escolha não representa um agradável desfecho de vida profissional, representando, ao contrário, servidão interminável, decorrente do inacreditável volume de processos que cada ministro tem a obrigação de julgar.

Respeitadas as exceções, os ministros da Supremo Corte trabalham muitas vezes mais do que a maioria dos deputados e senadores. E, muito embora ocupem o cargo máximo na hierarquia dos agentes públicos, não será confortável para eles receberem os mesmos subsídios que serão pagos aos parlamentares no Congresso Nacional - inclusive ao deputado federal Tiririca.

A equiparação em favor dos deputados federais e senadores ocorreu por decreto legislativo, no final do ano passado, aprovado em regime de urgência e resultando em majoração de 61,68% nos seus subsídios, ou seja, índice bastante superior ao da inflação no período. Como se efetivou por decreto legislativo, nem houve necessidade de sanção do presidente da República.

DESEMBARGADOR APOSENTADO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (TJ-SP)

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Mercado futuro
RANIER BRAGON - interino
FOLHA DE SÃO PAULO - 26/01/11

Ainda que aliados de Marco Maia (PT-RS) não enxerguem perigo na candidatura avulsa de Sandro Mabel (PR-GO) à presidência da Câmara, articuladores políticos da presidente Dilma Rousseff demonstram preocupação. Se Mabel mantiver-se na disputa e ultrapassar 130 votos, isso não evita a vitória do petista, mas indica grau de insatisfação perigoso para o caso de votações como a do salário mínimo.
Mesmo diante do desagrado palaciano, Mabel procurou Michel Temer e os ministros Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Alexandre Padilha (Saúde) para pedir isonomia. "O Marco Maia pode ser Dilma como eu. Mais, não é."


Guerra...
Adversários de Mabel -e alguns correligionários- dizem que problemas de sua empresa (Biscoitos Mabel) com o Fisco também motivam suas atitudes. O deputado nega.

...de bastidor 
Hoje Mabel promete iniciar a campanha com a distribuição de material gráfico. Slogan: "O sonho contra a imposição".

Foice 
De Walter Pinheiro (BA), sobre a reunião da bancada de senadores do PT, amanhã, para definir a disputa entre Marta Suplicy (SP) e José Pimentel (CE) pela vice-presidência do Senado: "Queremos céu de brigadeiro, não briga de picadeiro. Mas por enquanto, o que está previsto é o couro comer".

A postos 
Ala do PMDB do Senado tenta emplacar o ex-ministro das Comunicações José Artur Filardi no comando da Dataprev, empresa de tecnologia e informações da Previdência. Há resistências. Não só do PT, que apadrinha o atual ocupante.

Águas...
 
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) reunirá na segunda a bancada do partido no Rio para tirar três opções de nomes para presidir Furnas. E enviará a lista a Dilma Rousseff. Ontem o peemedebista recebeu ligação de Odair Cunha (PT-MG), apontado como interessado em retirar-lhe o poder de influência sobre a estatal.

...de Minas 
Odair diz que a demanda do PT do Estado se resume à manutenção da diretoria que tem hoje. "Não há pleito meu ou do PT pela presidência de Furnas. Só uma opinião, minha, de que ela deve voltar a ser presidida por um mineiro".

Agente duplo 
Não foi coincidência a semelhança de estilo entre o discurso lido ontem por Dilma em São Paulo e os que o ex-presidente Lula proferia quando não improvisava. A redação ficou a cargo da equipe do jornalista Carlos Tibúrcio, que já exercia a função no governo anterior. Mas o "ghost writer" mudará em breve. Tibúrcio deve ir trabalhar no instituto que Lula criará em SP.

Cordão 
Wagner Rossi (Agricultura) ainda tinha, na semana passada, a foto do ex-presidente Lula pendurada no gabinete. E afirmava que manteria o retrato -só iria movê-lo à sala ao lado.

Afago 
Após preteri-lo na montagem do secretariado, Geraldo Alckmin convidou Alberto Goldman (PSDB) para compor o conselho de administração do Metrô. O ex-governador deve receber propostas para integrar outros órgãos consultivos.

Assim não 
Aliados de José Serra se mostram contrariados com os primeiros movimentos de Herman Voorwald na Secretaria de Educação. Consideram que o sucessor de Paulo Renato Souza admite fazer concessões aos sindicatos de professores que podem comprometer o programa de promoção por mérito implantado na gestão anterior.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

Tiroteio

"Alckmin colocou uma rede de investigadores no quintal do Paulo Preto, mas esqueceu de investigar a ficha de assessores próximos."
DO LÍDER DO PT NA ASSEMBLEIA PAULISTA, ANTONIO MENTOR, estabelecendo analogia entre a equipe de promotores e policiais destacada para a Secretaria dos Transportes e os processos contra José Ortiz, escolhido para a Fundação para o Desenvolvimento da Educação.

Contraponto

Múltipla escolha

Antes da posse, Paulo Maluf (PP-SP) encontrou-se com Geraldo Alckmin e o cumprimentou pela escolha de três secretários egressos do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) -segundo ele, a "segunda melhor escola de engenharia do país". Ex-aluno da Politécnica da USP, Maluf brincou: "Segunda. Depois da Poli, claro". O tucano reagiu:
-Olha, Maluf, o Emanuel [Fernandes, secretário de Planejamento], aqui do lado, está me dizendo que ele discorda. Ele passou nas duas e optou pelo ITA.

GOSTOSAS

ILIMAR FRANCO

Aperto de mão
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 26/01/11

O vice Michel Temer e o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) acertaram anteontem que, nos primeiros dias de fevereiro, será definido o segundo escalão do governo. O objetivo é acelerar as nomeações para evitar marolas. No dia seguinte à eleição do presidente da Câmara, os líderes Renan Calheiros (PMDB-AL) e Henrique Alves (PMDB-RN) sentarão à mesa com o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais) para fechar um pacote completo.

Desenvolvimento tecnológico
A revelação de telegrama do Departamento de Estado norte-americano em que fica clara a oposição a um programa brasileiro de produção de foguetes não surpreendeu o governo federal. Em 2003, uma autoridade ucraniana mostrou a um integrante do governo documento no qual os EUA “consentiam” que a Ucrânia firmasse acordo com o Brasil, embora continuassem entendendo que o país não precisava ter programa espacial. A Iridium foi uma das empresas proibidas pelo Departamento de Estado de firmar entendimento com a Alcântara Cyclone Space, porque o Brasil não assinou acordo de salvaguardas tecnológicas com os EUA.

Alcântara

O governo Dilma vai adotar o acordo interministerial, costurado pela AGU na gestão Lula, sobre a Base de Alcântara (MA). A base vai dobrar de tamanho, e os quilombolas serão compensados com empregos, escola e acesso ao mar.

Intervenção
Sem poder mudar o comando da Funasa, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) tem ido todas as semanas despachar na instituição. Nas viagens, também se reúne com as direções regionais. O órgão responde por R$1 bi do PAC.

Mabel quer se cacifar como líder da Casa
Os aliados mais otimistas de Sandro Mabel (PR-GO) dizem que ele pode ter entre 130 e 200 votos nas eleições para a presidência da Câmara. Ocorre que, na última disputa, Ciro Nogueira (PP-PI) teve 129 votos e Aldo Rebelo (PCdoBSP), 76. Poucos acreditam que ele possa surpreender o candidato oficial, Marco Maia (PT-RS). Mesmo assim, o vicepresidente Michel Temer tentou, sem sucesso, demovê-lo da candidatura.

Um acordo impossível
Os líderes governistas garantem que é impossível um acordo com as centrais sindicais, envolvendo um reajuste menor do salário mínimo com a correção da tabela do Imposto de Renda. Um deles esclarece que se trata de públicos diferentes.

Os 50% dos trabalhadores que têm sua remuneração vinculada ao mínimo são isentos do IR. Já a correção da tabela, de acordo com um líder, beneficiaria fortemente só 2% da massa assalariada, aqueles que recebem R$10 mil mensais. 

FICHA LIMPA provoca nova baixa. O deputado Marcos Montes (DEM-MG) retirou sua candidatura a líder. Ele tem uma condenação em primeira instância.

DE FÉ. O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, entrou anteontem no gabinete do vice-presidente, Michel Temer, defendendo o voto em lista e saiu falando bem do distritão.

COM A SAÍDA de Sandro Mabel (GO) da liderança da bancada do PR, os deputados Milton Monti (SP), Luciano Castro (RR) e Lincoln Portela (MG) são candidatos ao posto de líder.

ILIMAR FRANCO com Fernanda Krakovics, sucursais e correspondentes
E-mail para esta coluna: panoramapolitico@oglobo.com.br

Minha sorte mudou depois que passei a trabalhar 90 horas por semana” — Sandro Mabel, deputado federal (PR-GO),
em uma de suas citações preferidas. Ele é contra a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas.

VINICIUS TORRES FREIRE

Desta vez vai ser diferente?
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO - 26/01/11
Balanço das contas externas de 2010 foi melhor que o esperado. Brasil agora pode crescer com deficit maior?

No terço final de 2010, houve uma surpresa positiva nas contas externas do Brasil: a deterioração no saldo das transações correntes foi menor do que a estimada. Além do mais, o deficit foi coberto por investimento externo dito produtivo.
O saldo em transações correntes é a diferença entre entradas e saídas de dinheiro relativas a pagamentos de juros, lucros, serviços e comércio, grosso modo. Considera-se saudável, em tese, que o deficit nas transações correntes seja financiado por capital externo "produtivo" (não por dívida) -desde que o deficit não cresça rápido demais e não passe de um certo nível em relação ao PIB. Mas qual é esse nível?
A discussão desse trauma histórico da economia brasileira ressuscitou em 2008, quando o país voltou a apresentar deficit externos após raros anos de superavit. De modo recorrente, o Brasil entrava em crises ou mesmo quebrava depois de um ciclo de crescimento, de consumo e endividamento externo excessivos. Seguiam-se uma debandada de investidores externos temerosos de calote, desvalorizações radicais da moeda, inflações, recessões e pedidos de esmola ao FMI. A última crise desse tipo ocorreu no final de 1998 (em 2002, o rolo deveu-se também ao medo da vitória do PT).
Nos anos Lula, mas apenas em parte devido ao governo Lula, o estado das contas externas melhorou muito. O valor das exportações cresceu rápido, houve superavit externos e a dívida externa foi, na prática, paga por volta de 2007. Na rubrica "rendas" das contas externas, o pagamento de lucros e dividendos para o capital externo superou em muito o pagamento de juros a partir de 2006 (quando essa relação foi inversa, quase sempre o Brasil esteve no bico do corvo). Melhorou a composição do "passivo externo".
Na conta de rendas, os pagamentos ora pois devem-se mais a investimentos, não a dívidas: à renda do capital "produtivo", o que implica também vantagem "cíclica". Numa economia em recessão, a remessa de lucros e dividendos também tende a cair, o que não é o caso de juros de dívida, o que tanta vez obrigou o país a tirar leite de pedra a fim de tentar honrar seus compromissos.
A incógnita maior nas contas externas segue sendo o tamanho financiável do deficit externo e sua velocidade aceitável de crescimento. O deficit foi de zero no final de 2007 a 2,28% do PIB no final de 2010. O Brasil quebrava quando o deficit chegava a uns 4% do PIB.
Mas então a economia e o setor público eram muito desarrumados. E não havia a perspectiva de crescimento do PIB, das exportações de commodities que o Brasil produz (efeito China-emergentes) e dos investimentos externos associados a tal fenômeno (mas não só a ele).
Deficit em conta-corrente significa que um país consome e/ou investe excessivamente. O excesso tem de ser coberto por dinheiro ou produção do exterior. Estima-se que o deficit chegue a quase 3% do PIB neste ano, mesmo com o esfriamento da economia. Mas o resultado de 2010 permite alguma dúvida positiva sobre o deficit e seu financiamento (excluída a hipótese de quebras na Europa ou na China). A pergunta que fica é se também teria mudado de forma duradoura o problema do financiamento do deficit externo: poderemos crescer durante muitos anos com um deficit grande? Desta vez seria diferente?

DILMA CABEÇA OCA

MARIO MESQUITA

Para não contar com a sorte
MARIO MESQUITA
FOLHA DE SÃO PAULO - 26/01/11
Trazer a inflação de volta à meta em período razoável requer reduzir o crescimento para algo abaixo de 4%

O BANCO CENTRAL AVISOU no final do ano passado que iniciaria um processo de ajuste da taxa de juros no início de 2011 e cumpriu a promessa na semana passada. A decisão de voltar a elevar a taxa de juros visa promover a convergência da inflação à trajetória de metas, como manda o arcabouço legal vigente.
A tarefa da autoridade monetária é difícil, haja vista a deterioração das expectativas e a evolução dos preços internacionais de commodities, que, por opção do governo, não podem mais ser compensados pela apreciação do real. A tarefa é dificultada, também, pelo fato de que as promessas de maior austeridade fiscal ainda não se materializaram.
Uma dificuldade, porém, foi vencida. O Banco Central, com o apoio eloquente dos dados, parece ter tido êxito em convencer a maioria do governo de que a inflação é mesmo o principal problema conjuntural a ser enfrentado. Com isso passamos, enfim, da fase de negação, característica de todos os surtos inflacionários da nossa história recente, para a fase do enfrentamento.
Ainda há, contudo, importantes elementos de negação no debate público sobre a política anti-inflacionária. Um diz respeito ao que precisaria acontecer para a inflação voltar à meta. O segundo refere-se ao aspecto aparentemente indolor de certas políticas que podem ser adotadas com esse objetivo.
Para não contar com a sorte, isto é, com um choque desinflacionário externo salvador, como um segundo mergulho recessivo das economias maduras, a política econômica teria que promover uma substancial desaceleração da atividade para colocar a inflação de volta na trajetória definida pelo CMN.
Alinhar a economia ao crescimento potencial, que, dada a estrutura econômica atual, certamente é bem inferior aos quase 8% verificados em 2010, poderia até bastar para estabilizar a inflação no patamar atual, próximo a 6% ao ano, mas provavelmente seria insuficiente para reduzir a inflação para a trajetória de metas estabelecida pelo governo, mesmo que esta permaneça no elevado patamar de 4,5%.
A desagradável verdade é que desinflacionar a economia de forma a trazer a inflação de volta à meta em período razoável requer reduzir o crescimento abaixo do potencial, para algo provavelmente abaixo de 4%, talvez até mais próximo a 3%.
Desaceleração não é recessão. Mas, se não existir a famosa ""vontade política" de pagar esse custo, então o mais provável é que o BC consiga apenas, e a duras penas, estabilizar a inflação -uma estabilidade que pode se mostrar precária, haja vista a tendência à elevação dos preços de matérias-primas, que poderia levar nossa inflação a patamares ainda maiores.
Outro aspecto de negação refere-se às tão comentadas, e talvez pouco entendidas, medidas macroprudenciais, que atuam para reduzir a expansão do crédito. De fato, as ações macroprudenciais devem contribuir, via desaceleração do crédito, para desaquecer a demanda e reduzir a inflação. Mas esse mecanismo também tem impactos sobre a atividade econômica.
Em economia, a despeito dos avanços da modelagem nos últimos anos, não há experimentos de laboratório. Os economistas recorrem então a informações baseadas em eventos passados, que, com as devidas adaptações, podem servir de guia para o futuro.
Temos um experimento bastante recente de forte desaceleração do crédito, a que se seguiu ao pânico global de 2008. Evidentemente o ""experimento" de 2008 não foi resultado da política monetária e, sim, das repercussões da grave crise financeira internacional. Mesmo assim, o ocorrido na ocasião, quando a desaceleração econômica foi rápida e intensa, serve de exemplo, um caso limite, do potencial contracionista de restrições de crédito.
Para encontrar um exemplo de restrição induzida de crédito, temos que voltar ao final de 1994 e início de 1995, quando a autoridade monetária, entre outras medidas, impôs depósitos compulsórios sobre ativos bancários -isto é, sobre os próprios empréstimos. Naquela ocasião a desaceleração também foi intensa, com variação negativa do PIB no segundo e terceiro trimestres de 1995.
As alternativas do BC são complexas, e sua tarefa seria certamente um tanto menos difícil se contasse com a solidariedade das autoridades fiscais. O ponto é que, seja qual for o instrumento de política predominante, altas das taxas de juros ou medidas creditícias, o público deveria começar a se preparar para uma pausa para arrumação na atividade econômica. Ou então deveríamos começar a nos acostumar com taxas de inflação mais elevadas.
MARIO MESQUITA, 44, doutor em economia pela Universidade de Oxford

ANCELMO GÓIS

Au-au a bordo
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 26/01/11

Segunda, no voo 3952 da TAM, que saiu às 19h de São Paulo para o Rio, uma comissária deu o seguinte aviso pelo microfone:
— Atenção, senhores passageiros! Temos um cachorro solto aqui perto da cabine do comandante! Por favor, o dono do animal se identifique.

Segue...

Um senhorzinho, meio constrangido, assumiu a propriedade do au-au. Foi perdoado por uma salva de risos dos passageiros. 

Dedo na tomada

Hélio Costa deve mesmo assumir Furnas. 

Imersão cultural

Sábado e domingo agora, a ministra Ana de Hollanda vai se reunir com a nova equipe do Ministério da Cultura. A pajelança será no Museu da República, no Rio. 

Jorge na Universal
Acredite. Surgiu nas praias do Rio o cachorro-quente... General, com logomarca igual à do tradicional Geneal.

Calma, Rubinho
Segunda à noite, Rubinho Barrichello jantava em Orlando, EUA, quando foi reconhecido por algumas crianças. Os meninos fizeram festa, pedindo fotos e autógrafos. O piloto, mal-humorado, recusou qualquer contato. Ô, Rubinho...

Cone Sul

O jornalista José Antonio Severo entregou à Record um romance épico em dois volumes. “Rios de sangue” e “Cinzas da América” falam dos conflitos no Rio Grande do Sul, na Argentina, no Uruguai e no Paraguai entre 1760 e 1870.

Cinzas no parque
Comoveu o pessoal do Jardim Botânico do Rio a foto aqui ontem da nossa Cissa Guimarães, mãe coragem, abraçada a uma árvore onde havia depositado as cinzas de seu filho Rafael. Mas a administração do parque espera que isto não incentive outros a fazerem o mesmo.

É que...
As cinzas, segundo técnicos, causam danos às plantas. Por isso, a prática é proibida ali. 
— Cinzas de cremação contêm resíduos que podem intoxicar as plantas, levar à necrose da parte contaminada ou à morte da planta toda — diz Luiz Antonio Silva, agrônomo do parque.

Heleno
Michael Semanick, americano dono de dois Oscar de melhor mixagem (“King Kong” e “Senhor dos anéis”), está no Rio, a convite de José Henrique Fonseca. 

Veio dar palpites na finalização de som do filme “Heleno”, do amigo brasileiro. 

Danilo Caymmi diz que não cantará com Roberto Leão no Café Pequeno.

Cinédia oferece em fevereiro cursos sobre Beatles, samba, clássicos etc.

Gustavo Braga dará curso de roteiro de cinema, a partir do dia 3.

Fundação Darcy Ribeiro lança ama-nhã, na UnB, por iniciativa de Paulo Ribeiro, a “Coleção Darcy no bolso”.

A Velha Guarda da Mangueira estará hoje, às 19h, no Teatro Sesi.

Nanda Teixeira lança o site nandateixeira.com/casamento.

A peça “O poderoso chef” estreia a-manhã no Rosita Café, no Downtown.

Hoje, entra no ar o infolink.com.br.

Rio 40º de Vila Isabel fez decoração com motivos do Rio, com a Devassa.

André Balbi foi eleito presidente de conselho da CMI.

Tio Sam pão-duro
A rede de solidariedade em prol das vítimas da Região Serrana do Rio ultrapassou as fronteiras do Brasil. Dados computados pelo governo do estado mostram que já veio socorro financeiro ou técnico de Portugal, Alemanha, EUA, Reino Unido, Equador, Comissão Europeia, BID e Banco Mundial. Fora países e instituições estrangeiras cuja ajuda ainda não foi definida.

Mas...
É grave a crise nos EUA. É que chama a atenção a doação enviada pelo governo Obama. O States, acredite, mandaram... US$50 mil — menos que o Equador (US$100 mil), por exemplo. Com todo o respeito.

Liga da Justiça

O juiz Fábio Uchoa, da 1ª Vara Criminal do Rio, decidiu que o ex-deputado estadual Natalino Guimarães; o ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho; seu filho Luciano Guimarães; Leandro Viegas; e Ricardo da Cruz, o “Batman”, acusados de integrar a milícia conhecida como Liga da Justiça, irão a júri popular. 

Centro de crise

Dilma, amanhã, no Rio, vai conhecer esse novo Centro de Operações criado por Eduardo Paes, que reúne uns 30 órgãos municipais que vigiam a cidade.

Cena carioca
Um mendigo com um vira-lata faz sucesso no Catete. Pede dinheiro não para ele, mas... “para matar a fome do cachorro”. Está vencendo de longe, em arrecadação, a concorrência com outros mendigos da área.

GOSTOSA

JOÃO CAPIBERIBE

Soberania popular ameaçada
João Capiberibe

FOLHA DE SÃO PAULO - 26/01/11

A concentração de poder nas mãos de magistrados não eleitos ameaça o equilíbrio dos três Poderes e esvazia o princípio da soberania popular

O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) é acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção e evasão fiscal. A Justiça tem indícios de que ele movimentou ilegalmente mais de US$ 400 milhões no exterior. No ano passado, seu nome foi incluído, por solicitação dos EUA, na lista de procurados pela Interpol.
Eleito em outubro, Maluf se livrou de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já que o Tribunal de Justiça de São Paulo revertera uma condenação anterior por irregularidades na compra de frangos pela Prefeitura de São Paulo no ano de 1996.
Dois ex-governadores do Amapá, Waldez Góes e Pedro Paulo Dias, foram presos e indiciados na Operação Mãos Limpas da Polícia Federal por suspeita de participação numa organização criminosa que desviava recursos da União.
Esses recursos eram repassados à Secretaria de Educação do Amapá, provenientes do Fundeb e do Fundef. Segundo a PF e a Receita Federal, o esquema desviou recursos superiores a R$ 300 milhões.
Góes e Pedro Paulo não conseguiram se eleger ao Senado e ao governo do Estado, respectivamente, mas até agora podem ser considerados políticos de "ficha limpa".
Já eu e a deputada Janete Capiberibe fomos cassados em 2004 sob a acusação de termos comprado dois votos por R$ 26, em duas prestações (!!). Em 2010, nos candidatamos novamente e os registros foram aceitos pelo TRE do Amapá, mas cassados pelo TSE, que nos enquadrou na Lei da Ficha Limpa.
Eleitos -Janete com 28.147 votos, a deputada mais votada do Estado-, fomos impedidos de ser diplomados. O crime de que nos acusam foi uma armação perpetrada pelo PMDB dos senadores Gilvam Borges e José Sarney.
Isso ficou evidenciado pela denúncia de um comparsa de Borges, o cinegrafista Roberval Coimbra Araújo, que depois sofreria tentativa de assassinato. Mesmo que fôssemos culpados (e não o somos), a decisão do TSE nos deixa na insólita situação de pagar duas vezes pelo mesmo crime -o que representa subversão completa dos preceitos do Estado democrático de Direito.
No Brasil, a morosidade da Justiça tem obrigado os legisladores a criar novas leis para garantir um mínimo de transparência nos processos eleitorais. Foi o caso da Lei da Ficha Limpa, que nasceu de um justo clamor popular.
O projeto foi aprovado pelo Legislativo e sancionado pelo presidente da República no ano passado. Mas houve polêmica sobre a aplicabilidade da lei já nas eleições de 2010 e o caso está parado no Supremo Tribunal Federal. Uma vez que houve empate (5 x 5), a questão só será resolvida depois da nomeação de um novo ministro.
Mas seria o caso de perguntar: se políticos acusados de corrupção e de outros crimes já tivessem sido julgados em última instância, haveria necessidade de uma lei como essa? Não seria mais fácil agilizar a Justiça? Em muitas democracias, o descrédito do Executivo e do Legislativo provocou a migração do centro de gravidade do poder para o Judiciário -o que estudiosos denominam "judicialização da política".
Essa concentração de poder nas mãos de magistrados não eleitos ameaça o equilíbrio dos três Poderes e, mais grave ainda, esvazia e neutraliza o princípio da soberania popular, que constitui a pedra de toque de toda democracia.
O fato é que, se não enfrentarmos o desafio da "judicialização da política", corremos o risco de ver a soberania popular desfigurada e sacrificada no altar do formalismo.

*João Capiberibe é senador eleito pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) no Amapá, Estado do qual foi governador de 1995 a 2002.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não existe alguém que seja mais da base do que eu”
Sandro Mabel (PR-GO), candidato a presidente da Câmara, avisando não é oposição

Bastos perde força no governo e na Justiça 
Com discrição, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) se livra dos indicados do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos para postos chave no ministério. Após a queda da droga de ex-secretário Pedro Abramovay, que defendia pena branda para “pequenos traficantes”, Cardozo ignora a pressão da turma do ex-ministro e escolhe Vinícius Carvalho, conselheiro do Cade, para ocupar a Secretaria de Direito Econômico.

Ex-eminência parda 
Agindo à sombra, no governo Lula, Thomaz Bastos indicou amigos para cargos e influiu na escolha de ministros de tribunais superiores.

Tio ilustre 
Vinicius Marques de Carvalho é sobrinho do ministro Gilberto Carvalho e integra o Conselho Administrativo de Defesa Econômica desde 2008.

Perdeu, doutor 
O ex-presidente do Cade Arthur Badin, ligado a Thomaz Bastos, não queria a recondução de Vinícius Carvalho ao Cade em agosto de 2010.

Promoção 
Assessor do Ministério da Defesa, José Ramos será nomeado para o cargo de Secretário de Imprensa da Presidência da República.

CNJ: sistema milionário vira entulho cibernético 
O milionário contrato assinado pelo Conselho Nacional de Justiça para modernizar a comunicação entre os tribunais, com tecnologia de voz via internet, apesar de pago e entregue, não vem sendo utilizado. O delay da voz é enorme e, ou seja, o sistema não funciona como o CNJ esperava e como os fabricantes prometem. O CNJ não informou o valor do contrato. Outra compra da Viúva que vira entulho cibernético.

Enciclopédia 
O pesquisador Francisco Reynaldo Amorim de Barros lança nesta quarta-feira versão digital (via web) da enciclopédia ABC das Alagoas.

“Orra, meu” 
Dilma, que nasceu em Minas e quase virou gaúcha, mostrou ontem que também é paulista: sua agenda presidencial era de feriadão total. 

Melhor prevenir 
A Câmara dos Deputados vai gastar R$ 24 mil com novas chaves para os apartamentos funcionais em Brasília. É o novo “auxílio-pega ladrão”. 

Rico puxadinho 
A estatal Infraero continua envergonhando o setor de aviação civil com seus “puxadinhos”. O de Viracopos (SP), iniciado estes dias, vai custar R$ 5 milhões. Só não ganha com isso o passageiro
desrespeitado. 

My name is Patriota 
Em Davos, a partir de quinta, o chanceler Antonio Patriota terá agenda de chefe de governo, em reuniões bilaterais com representantes de dez países, além de Pascal Lamy, da Organização Mundial do Comércio.

Mr. Acácio 
Vazamento de telegrama da diplomacia dos EUA no WikiLeaks ironiza o astronauta-camelô Marcos Pontes, pela “carona no espaço por US$ 10,5 milhões, em ano eleitoral”. Ah, conselheiro Acácio...

Tropa, a missão 
Arapongas ironizam a “remilitarização” da Abin, chamando de “Tropa de Elito” a Agência Brasileira de Inteligência. Referência ao chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito Siqueira.

Milagres do poder 
O poder é afrodisíaco, como o definiu o ex-ministro Fernando Lyra, e até afina a silhueta: o deputado federal eleito Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) perdeu as formas arredondadas e até o medo de avião.

Podres poderes 
A ONG Justiça Global lamenta que, dois anos após o assassinato do advogado Manoel Mattos, por um grupo de extermínio na Paraíba, a mãe dele não foi à missa por falta de escolta prometida pelo governo federal e determinada pela OEA. A investigação está em ponto morto. 

Até o fim 
Cotada para assumir um posto em Paris, a jornalista Tereza Cruvinel pretende cumprir até o fim, em outubro, seu mandato de quatro anos na presidência da EBC, estatal de comunicação do governo federal.

Farinha pouca 
A Assembleia de Rondônia aprovou a equiparação salarial de seus advogados e procuradores do Estado a de ministros do Supremo. O Ministério Público quer acabar com a farra, inconstitucional. 

Receita da pergunta 
Lula pode cobrar até R$ 200 mil por palestra. Com ou sem nota? 

PODER SEM PUDOR
POÇO DE MÁGOAS 
Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) era o candidato oficial à presidência da Câmara dos Deputados, a caminho de ser derrotado por Severino Cavalcanti (PP-PE), quando, na ânsia de livrar do assédio dos repórteres, deixou escapar:
– O deputado João Paulo Cunha chega tarde à minha campanha... 
Referia-se ao então presidente da Câmara, mensaleiro que relutava em apoiá-lo. Mas depois, advertido por assessores, Greenhalgh apressou-se em corrigir:
– E quis dizer que ele chega à tarde para a minha campanha...

TREINO

QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Senadores poderão receber até R$ 50 mil, acima do teto
Folha: Presidente do TCU recebe de órgãos que deve fiscalizar
Estadão: Investimento externo bate recorde e cobre déficit
JB: O terror das filas
Correio: Vítimas do descaso
Valor: China lidera investimento no país
Estado de Minas: Farra no exterior com dólar barato
Zero Hora: Conflito entre médicos e prefeitura amplia o drama da Saúde