sábado, janeiro 22, 2011

MÔNICA BERGAMO

COMISSÃO DE FRENTE
MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/01/11

O creme Ferodelle Seios, que promete aumentar o volume do busto em até 4 cm, está na mira da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Lançado nesta semana, o produto concebido pela Quadrifarma e produzido pela Lamy Química foi registrado como hidratante e firmador da pele. A agência já havia obrigado os responsáveis a alterar a embalagem do produto, que estampava o crescimento das mamas como consequência do uso diário.

PROPAGANDA 
A fabricante, no entanto, continua usando o efeito como estratégia de marketing. "Não posso esconder da minha paciente que seu seio vai crescer", diz José Machado Neto, da Quadrifarma. No site do produto, é anunciado: "Chegou o creme que firma e aumenta seus seios. Experimente, você só tem a ganhar". Custa R$ 89. É recomendado por seis semanas.

BARRACO NA POLÍCIA
A briga de moradores do Real Parque com a prefeitura por causa do projeto de urbanização da favela ficou barulhenta. Os condôminos dos prédios de classe média da região reclamam que a construção está sendo tocada até de madrugada. Na quinta, um deles chamou a polícia, às 2h, incomodado com o barulho da sirene de um caminhão no canteiro de obras.

SEM AVISO 
O escritor João Silvério Trevisan está processando a "G Magazine". Alega ter sido dispensado da revista voltado ao público gay, da qual era colunista, sem explicações, e que deixou de receber por seis meses de colaboração. A editora foi vendida em 2008, e os novos donos atrasaram pagamentos e demitiram funcionários da publicação e do grupo.

COMPENSANDO
A "G"depositou R$ 2.000 para Trevisan nesta semana. E afirma que tem interesse em sua volta. Trevisan diz ainda ter valores a receber.

MULHERES LÁ
Ao receber reivindicações de leitoras da revista "Claudia", anteontem, Dilma Rousseff disse que se surpreendeu, ao chegar ao governo, com a quantidade de mulheres donas do próprio negócio, tema que abre a carta entregue à presidente no Palácio do Planalto. "Muitas delas são chefes de família, o que tem um lado triste. Significa que tem muitas famílias desfeitas, e elas estão sozinhas, tomando conta de tudo", disse Dilma.

IRMANDADE
A ministra Ana de Hollanda, da Cultura, confirmou presença no show da irmã Miúcha, na terça. A cantora se apresenta no Sesc Pinheiros ao lado da Orquestra Sinfônica Municipal.

BAIANOS UNIDOS
Caetano Veloso já produziu oito músicas do próximo CD de Gal Costa.

GAROTA DA MODA
A atriz Alice Braga fotografa na próxima sexta, com Jacques Dequeker, a campanha de inverno da Cori. No domingo, estará na primeira fila do desfile da marca na São Paulo Fashion Week e, na terça, lança o filme "O Ritual", suspense que estrela ao lado de Anthony Hopkins.

TAPAS E SANGRIAS
A inauguração do bar Gràcia, em Pinheiros, foi regada a sangria e tapas. O ambiente e o cardápio da casa são inspirados na região espanhola da Catalunha. A atriz Carolina Ferraz, o stylist Ricardo Benozzati, aarquiteta Maraí Valente, o cabelereiro Luciano Calçolari e a promoter Helô Ricci passaram por lá. 

FILIAL BRASILEIRA
O clube Josephine, original de Washington, abriu suas portas em festa para convidados, entre os quais o cantor Luciano Camargo e sua mulher, Flávia Fonseca. A modelo Daniela Freitas e o empresário Dudu Linhares conferiram o novo local.

CURTO-CIRCUITO

A cantora Isabella Taviani se apresenta no dia 12, às 22h, no Credicard Hall. 14 anos.

O projeto "São Paulo: Seus Povos e Sua Música" começa no dia 29, com debate e apresentação musical sobre a comunidade árabe, na biblioteca Mário de Andrade.

O Jockey Club de São Paulo fará na terça o Grande Prêmio 25 de Janeiro Joesley Batista, com homenagem ao presidente do grupo JBS.

Fred Gelli, da agência Tátil, dará uma palestra na segunda em San Francisco, em encontro da empresa BrainJuicer.

com ELIANE TRINDADE (interina), DIÓGENES CAMPANHALÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

MERVAL PEREIRA

Organizar a ajuda
Merval Pereira
O GLOBO - 22/01/11

A experiência desses dias de tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro está servindo também para que os envolvidos nos trabalhos voluntários de socorro se defrontem com suas próprias fragilidades. Do relato de dificuldades e desencontros entre os voluntários e os serviços do Estado, e entre os próprios voluntários entre si, fica uma certeza: assim como as ações governamentais, também o voluntariado precisa ser aprofundado, organizado e centralizado.

Há o exemplo da dificuldade que a ONG Viva Rio teve em Teresópolis para trabalhar na vacinação da população, quando tinha especialistas que já haviam atuado no Haiti, prontos para entrarem em ação, e a burocracia da prefeitura atrasou a ajuda.

Há o exemplo de Areal, em que a mobilização pessoal do prefeito, com um tosco carro de som, ajudou a população a minimizar as consequências da tragédia, inclusive poupando vidas humanas.

E há o caso da Cruz Vermelha, que pediu ao BNDES para não mandar as doações recolhidas no banco sem já estarem separadas, mas não explicou como separar, e mesmo assim, só o fazer daqui a algumas semanas, pois já receberam muitas doações que ainda precisam ser despachadas.

Há uma sensação de que todo o chamado terceiro setor (das ONGs até as igrejas, passando pela Cruz Vermelha) precisaria montar uma só rede de socorro humanitário, ou no máximo duas ou três.

Não podem continuar a atuar isoladamente como hoje, e muito menos alimentar uma fogueira de vaidades, com todos querendo aparecer, embora se digam avessos à politicagem.

Ou seja, acontece uma tragédia como essa, precisam trabalhar em rede.

Antes da tragédia, precisariam fazer um planejamento estratégico e montar um modo comum de atuação: estudar e definir o papel de cada um tão logo toque a sirene de alerta em algum lugar do país.

Não pode acontecer, como agora, todos acorrerem para o lugar da tragédia sem saber o que está sendo necessário, provocando situações em que muita doação chega em excesso, enquanto faltam produtos de primeira necessidade para uma situação específica.

Alimentos perecíveis, por exemplo, são difíceis de armazenar; se não forem distribuídos na hora, são perdidos.

Há necessidades que são óbvias, mas não percebidas no primeiro momento. Botas de borracha para enfrentar a lama, por exemplo, eram um produto de primeira necessidade escasso. Assim como luvas.

Houve casos nas regiões das enchentes em que o que era preciso eram roupas de baixo para homens e mulheres, e não colchonetes, por exemplo.

Falta desde uma linha de montagem para receber e processar doações, até logística para transportar e distribuir.

O ideal seria ter uma rede social na qual cada ONG tivesse responsabilidade, previamente definida e posteriormente avaliada e cobrada, em relação a uma etapa dessa cadeia de assistência humanitária, que fosse desde a coleta da doação (em espécie ou em dinheiro) até a entrega ao desalojado ou desabrigado.

Em suma, o terceiro setor deveria atuar como uma empresa.

Hoje, atua exatamente como o governo, mas se julga mais honesto e eficaz do que ele, porém, mesmo sem querer, acaba repetindo os mesmos vícios: desorganizados; descoordenados; ineficientes e ineficazes.

Na raiz, as vaidades pessoais ou institucionais, uma ONG querendo ser melhor do que a outra. O ideal seria ter uma rede nacional, com marca genérica, sem grife individual.

É um sonho impossível?

Ora, as ONGs não montam associações para ir a Brasília pedir verbas para o setor?

Anos atrás, quando se criou uma CPI das ONGs, o chamado terceiro setor se uniu de forma impressionante. Raramente se viu uma força pressionar tanto, do governo ao Congresso, de forma tão unida, coordenada, discretíssima e, o principal, eficiente - aliás, o resultado é simples: algo mudou por causa dessa CPI?

Por que não poderiam fazer o mesmo esforço de articulação e coordenação para prestação de ajuda humanitária?

Uma coisa é certa, como alertam todos os especialistas: essa tragédia da serra fluminense se repetirá em outras localidades do Brasil, esperamos que com menos vítimas, mas não há por que se repetirem os mesmos erros - os próprios socorristas (governamentais e não governamentais) precisam de socorro.

O leitor Valmi Pessanha Pacheco, lendo na coluna a referência a supostos "níveis de governo", lembra que não existe hierarquia ou mesmo subordinação entre eles.

Alguns outros autores, inclusive até membros do Poder Judiciário e do Ministério Público, também expressam supostas "instâncias de governo", diz ele.

Talvez fosse mais adequado denominar "esferas de governo", sugere, já que o artigo 18 da Constituição Federal de 1988 determina que "A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição".

Outra curiosidade brasileira destacada por ele na Constituição: dos 250 artigos do seu corpo principal, dos 95 artigos dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, alguns deles introduzidos pelas 56 Emendas Constitucionais (até 2007) e das 6 Revisões Constitucionais (todas de 1994), os verbetes "direito/direitos" estão inseridos 105 vezes, enquanto os verbetes "dever/deveres/obrigação/obrigações", apenas 25 vezes.

O MEU, O SEU...

MÍRIAM LEITÃO

Liga das nações
Míriam Leitão 
O GLOBO - 22/01/11

Era uma vez um mundo bipolar. Ele acabou há muito tempo. Um muro caiu sobre aquele mundo dividido entre duas potências inimigas. Esta semana, os chefes de Estado das duas maiores economias se encontraram: Barack Obama e Hu Jintao. Houve chispas e arestas. Mas a relação entre eles é de conflito e interdependência; de amor e ódio. Eles se separam e se misturam.

Os EUA são o país que mais compra produtos chineses. A China é o maior financiador do déficit público americano. Cerca de 60% das exportações chinesas são feitas por empresas de capital aberto, muitas delas, com participação americana. O yuan desvalorizado ajuda a combater a inflação nos EUA, mas dificulta a recuperação econômica. As duas maiores economias do mundo dependem uma da outra e desconfiam uma da outra.

A corrente de comércio Estados Unidos e China foi de US$450 bilhões nos doze meses terminados em novembro de 2010. É mais que a corrente de comércio do Brasil com o mundo. O déficit para os americanos chegou a US$270 bilhões, e isso dificulta a recuperação econômica. Com os setores privado e público endividados, a saída para os americanos é crescer através das exportações. Os chineses utilizam grande parte do seu superávit comercial com os Estados Unidos para financiar a dívida americana. Os chineses carregam quase US$900 bilhões em títulos do governo americano.

- A relação dos dois países é de dependência econômica mútua. A China usa suas reservas, fruto do superávit comercial, para comprar títulos americanos. Desse jeito, o governo americano pode fazer dívidas e rolar os papéis com juros muito mais baixos - explicou o economista Raphael Martello, da Tendências consultoria.

Entrelaçados por esse novelo econômico, o presidente da maior nação capitalista do mundo, Barack Obama, recebeu o presidente da nação supostamente comunista, Hu Jintao, em Washington. Digo supostamente porque a China é cada vez mais capitalista na economia, mesmo governada pelo Partido Comunista. Para falar para seu público interno, Obama teve que pedir respeito aos direitos humanos na China, país que mantém preso o Prêmio Nobel da Paz. Os Estados Unidos vivem um período de forte radicalização política. A China já fez sua sucessão. Xi Jiping assumirá em 2012 vindo de outra linha do PCC.

Na área econômica, reclamações americanas contra algo que fere a indústria do mundo inteiro: a subvalorização da moeda chinesa. Mas ambos precisam desse saldo comercial.

- A China depende muito dos americanos. Se os EUA pararem de comprar produtos chineses, a economia chinesa entra em colapso. Se os chineses venderem os títulos que já possuem, a economia americana também entra em colapso - resumiu o especialista em comércio exterior Joseph Tutundjian.

A pauta de importações americana de produtos chineses é enorme: vai de manufaturados, como roupas e bolas de basebol, a bens de consumo durável e maquinário. Esses produtos, que chegam a baixos preços aos Estados Unidos por causa da subvalorização do yuan, ajudaram por muitos anos a segurar a inflação americana e a manter os juros baixos durante os anos 2000.

As crises imobiliária e financeira deixaram as famílias americanas endividadas. O consumo, que sempre foi o principal motor da economia, precisa voltar-se para produtos fabricados pelas empresas do país. O difícil é quantificar o quanto a indústria americana depende de produtos chineses.

- O que também complica a relação comercial atual é que a China deixou de ser um vendedor de produtos de baixo valor agregado, como foi por muitos anos, e começou a entrar no setor de alta tecnologia. Os chineses já são os principais exportadores de bens de alta tecnologia para a União Europeia. Então, eles se tornaram um forte concorrente para os produtos americanos - explicou Rodrigo Maciel, da consultoria Strategus.

Ontem, a China divulgou crescimento de 10,3% do PIB em 2010. Ganhou o reconhecimento japonês de que já é a segunda maior economia do mundo. O caminho para o crescimento da China nas duas últimas décadas tem percursos semelhantes aos de outros países asiáticos, como o próprio Japão, nos anos 60 e 70, e Coreia do Sul, nos anos 80 e 90.

- O crescimento da China segue o modelo japonês e coreano. Com a diferença que os chineses têm uma população muito maior e um solo mais rico em matéria-prima. Com a enorme mão-de-obra barata, que migrou do campo para as zonas industriais, e o câmbio desvalorizado, os produtos chineses ganharam o mundo. Além disso, o país exige transferência de tecnologia. Uma empresa estrangeira precisa ser sócia de uma empresa chinesa para atuar no país. É o que acontece com a nossa Embraer - explicou Tutundjian.

O grande entrave para a valorização do yuan é justamente o modelo exportador. O governo chinês sabe que não pode simplesmente valorizar sua moeda, como querem os americanos e o resto do mundo, porque isso seria uma catástrofe para suas indústrias.

- O motor do crescimento da China terá que migrar gradualmente do setor externo para o interno. Com isso, o yuan vai se valorizar devagar, até para conter pressões inflacionárias. É o que já está acontecendo. Depois de ficar muito anos congelado, o yuan se valorizou 3,23% frente ao dólar nos últimos seis meses. É pouco, mas é alguma coisa - explicou Martello.

Era uma vez um mundo em que duas potências faziam ameaças nucleares e dividiam o planeta. Era tosco. Hoje, a guerra de conquista é mais sutil, complexa. Os Estados Unidos perdem percentuais do PIB global e não se conformam. A China não se sacia com o que já engoliu.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Junto e misturado 

RANIER BRAGON - interino

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/01/11

A presidente Dilma Rousseff já informou a PT e PMDB o desenho geral que pretende implantar no setor elétrico, alvo de uma das disputas mais sensíveis no governo. Partindo do entendimento de que a presidência da Eletrobrás é da sua cota pessoal -a preferência recai sobre Flávio Decat-, ela deixará o comando de Furnas e Eletronorte com o PMDB, mas exigiu nomes técnicos. Já as diretorias de engenharia e operações das empresas do setor devem continuar com apadrinhados do PT. Na disputa intramuros, o PMDB rebate a versão de que "comanda" o ramo elétrico e fez chegar a Dilma lista segundo a qual o partido tem apenas 30% dos cargos, contra 60% do PT.

W.O. O ex-vice-presidente José Alencar mandou avisar ao prefeito Gilberto Kassab que pretende comparecer terça à solenidade em que será homenageado com a "Medalha 25 de Janeiro", em alusão ao aniversário da cidade. Caso se confirme, Dilma também deve ir. Isso afastaria o risco de nenhum dos agraciados aparecer, já que o outro, o ex-presidente FHC, está fora do país. 

#prontofalei 1 A consultoria do "guru" americano de ascendência indiana Ravi Singh na campanha de José Serra (PSDB) foi questionada por 9 entre 10 tucanos, mas na Campus Party a coordenadora de internet Soninha Francine foi só elogios: "Eu gostei muito". 

#prontofalei 2 No mesmo debate, na quinta, o coordenador das redes sociais da campanha de Dilma, Marcelo Branco, escancarou feridas: "Tínhamos três equipes de comunicação, trabalhando em locais distintos, com coordenações diferentes e nunca nos encontramos durante toda a campanha." 

Comandos Além das redes sociais de Branco, havia a parte de TV e rádio, comandada pelo marqueteiro João Santana, e o site oficial, sob responsabilidade da empresa Pepper e coordenado pela hoje ministra Helena Chagas (Comunicação Social).

Opção Pedro Abramovay, que deixou ontem a Secretaria Nacional Antidrogas do Ministério da Justiça, recebeu convite para comandar a Secretaria de Reforma do Judiciário antes de oficializar sua saída do governo. 

Replay Na reunião dos secretários-executivos do governo, ontem, o mantra contra as divergências públicas foi devidamente entoado. 

Cronômetro Fotógrafos e cinegrafistas que registraram o encontro de Dilma Rousseff com o governador Antonio Anastasia (PSDB-MG) começaram a ser retirados do gabinete após 32 segundos. Quem mais resistiu ficou 48s, mostram os marcadores de tempo das câmeras. 

Calendário O estafe de Geraldo Alckmin desmarcou ontem agenda festiva prevista para a Baixada Santista neste final de semana. Assessores do tucano avaliaram que não houve tempo hábil para que cada pasta organizasse um pacote de obras e projetos para a região. Só foi mantida a visita a Cubatão. 

Barba e bigode Aliados de Alckmin trabalham para instalar o deputado estadual Pedro Tobias, de Bauru, na presidência do PSDB-SP. Advogam ainda a indicação de um vereador para chefiar o diretório tucano na capital. 

Visita à Folha Guilherme Canela, coordenador de Comunicação e Informação da Representação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, visitou ontem a Folha. Estava com Ana Lúcia Guimarães, assessora de comunicação da representação. 
 LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"O Brasil é mesmo um país singular: aqui escândalo, ao invés de assustar, estimula."
DO CIENTISTA POLÍTICO RUBENS FIGUEIREDO, sobre o aumento em 2010 de 67% nas despesas de cartões corporativos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), gastos que são sigilosos.

Contraponto

Estado de alerta 

Durante a visita que o candidato do PT à presidência da Câmara, Marco Maia (RS), fez ontem ao Rio Grande do Sul, uma jornalista que acompanhava o evento colocou no Twitter o seguinte relato:
- Marco Maia deve andar cansado da maratona eleitoral. Cochila enquanto Temer saúda autoridades.
Minutos depois, o próprio deputado surgiu no Twitter para responder:
- Embora a maratona seja intensa eu não cochilava, mas lia teus tweets.

GOSTOSA

PAUL KRUGMAN

A China vai a Nixon
Paul Krugman

O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/01/11

O país está tentando segurar a inflação com o controle de preços, política que falhou na última vez que foi usada, justamente nos EUA, durante o governo Nixon

Com a visita do presidente chinês Hu Jintao aos Estados Unidos, circulam por toda parte histórias sobre o crescente poderio econômico chinês. E essas histórias são absolutamente verdadeiras. Embora a China ainda seja um país pobre, está crescendo depressa, e tendo em vista seu tamanho, está a caminho de se equiparar aos Estados Unidos como uma superpotência econômica.

O que também é verdade, porém, é que a China está cambaleando para uma confusão monetária que está ficando pior a cada mês. De mais a mais, a resposta do governo chinês ao problema - com a política aparentemente paralisada em deferência a interesses especiais, a falta de clareza intelectual e o recurso à troca de acusações - camufla qualquer noção de que se possa contar com uma ação decisiva e eficaz dos líderes chineses. Aliás, os chineses estão ficando parecidos com, bem..., conosco.

Qual é o perigo disso? As advertências de alguns analistas de que a China poderia desencadear uma crise global parecem exageradas. Mas o fato de haver pessoas dizendo essas coisas é um indício de como a situação parece estar hoje fora de controle.

A causa de fundo do imbróglio chinês é sua política de moeda fraca que está alimentando um superávit comercial artificialmente grande. Como já salientei no passado, essa política prejudica o resto do mundo e faz aumentar o desemprego em muitos outros países, nos Estados Unidos inclusive.

Mas uma política pode ser ruim para nós sem ser boa para a China. De fato, a política monetária chinesa é uma proposta em que todos perdem, simultaneamente, deprimindo o emprego aqui e produzindo uma economia superaquecida, propensa à inflação, na própria China.

Uma maneira de pensar sobre o que está se passando é que a inflação é a maneira que o mercado tem para anular a manipulação monetária. A China está usando uma moeda fraca para manter seus salários e preços baixos em termos de dólares; as forças do mercado reagiram empurrando esses preços e salários para cima, erodindo essa vantagem competitiva artificial.

Algumas estimativas que ouvi sugerem que, com as taxas de inflação correntes, a desvalorização chinesa poderá desaparecer em dois ou três anos - não cedo o bastante, mas mais cedo do que muitos esperavam.

Os líderes chineses estão tentando evitar esse desfecho, contudo, não só para proteger os interesses dos exportadores, mas porque a inflação é mais impopular na China que em outros lugares. Uma grande razão é que a China de fato explora seus cidadãos mediante a repressão financeira (outros tipos também, mas isso não é importante aqui). Os juros sobre depósitos bancários se limitam a meros 2,75%, o que é menos que a taxa de inflação oficial do país - e acredita-se amplamente que a taxa de inflação real da China é substancialmente maior do que o governo admite.

O aumento acelerado dos preços, não obstante compensado por aumentos salariais, agravará muito mais essa exploração. Não espanta que o público chinês esteja irritado com a inflação, e que os líderes chineses queiram contê-la.

Mas seja pela razão que for - o poder de interesses exportadores, a recusa a fazer algo que pareça ceder a demandas americanas ou a pura incapacidade de pensar com clareza -, eles não estão dispostos a enfrentar a razão de fundo e deixar sua moeda subir. Estão, sim, tentando controlar a inflação mediante a elevação das taxas de juros e a restrição do crédito.

Isso é destrutivo de um ponto de vista global. Com boa parte da economia mundial ainda deprimida, a última coisa de que precisamos é de pesos pesados perseguindo políticas de aperto monetário. Mas mesmo do ponto da perspectiva chinesa, isso não está funcionando. A limitação do crédito está se mostrando difícil de aplicar e está sendo solapada também pelo ingresso de dinheiro quente do exterior.

Com esforços insuficientes para esfriar a economia, a China vem tentando limitar a inflação com controle de preços - uma política que raramente funciona. Em particular, é uma política que falhou redondamente na última vez que foi tentada aqui, durante o governo Nixon. (E, sim, isso significa que neste momento a China está indo a Nixon.) O que sobra, então? Bem, a China entrou no jogo de troca de acusações, acusando (erroneamente) o banco central americano (Federal Reserve, ou Fed) de criar o problema imprimindo dinheiro demais. Mas apesar de dizer isso para deixar os líderes chineses se sentindo melhor, isso não mudará a política monetária americana, nem fará alguma coisa para domar o monstro da inflação.

Isso tudo poderá realmente se transformar numa crise de grandes proporções? Se eu não conhecesse minha história econômica, acharia a ideia implausível. Afinal, a solução para o imbróglio monetário da China é simples e óbvio: apenas deixar a moeda subir.

Mas eu conheço minha história econômica, o que significa que sei com que frequência governos recusam, às vezes por muitos anos, fazer a coisa obviamente certa - e em especial quando se trata de valores monetários. Em geral, eles tentam manter suas moedas artificialmente fortes em vez de artificialmente fracas; mas os dois jeitos podem ser problemáticos.

De modo que nossa mais nova superpotência econômica pode de fato estar a caminho de algum tipo de crise econômica, com danos colaterais para o mundo como um todo. Precisávamos disso? 
 TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É ECONOMISTA E PRÊMIO NOBEL

MARCO AURÉLIO NOGUEIRA

O silêncio perdido
Marco Aurélio Nogueira 
O Estado de S.Paulo - 22/01/11

Às vésperas de mais um aniversário, a cidade de São Paulo pode estar ganhando um presente inesperado. Nada extraordinário ou especial, mas nem por isso menos interessante. Na regulamentação para 2011 da Inspeção Veicular Obrigatória, introduziu-se uma novidade. Agora, além da verificação da emissão de poluentes e de itens de segurança como freios, pneus e faróis, será também aferido o ruído dos motores.

Ainda não dá para comemorar. O teste medirá o ruído com o veículo parado e "segundo a percepção auditiva e a experiência do inspetor". Não há, portanto, garantia de que tudo será devidamente ponderado e auscultado. Seja como for, é um começo.

A poluição sonora deveria entrar na pauta urbana. O ruído acompanha a marcha do progresso industrial e da concentração humana nas cidades, o que incluiu a batalha pelo silêncio na plataforma de lutas pelo avanço e pela consolidação da própria ideia de civilização. Ser civilizado seria, assim, ser urbano: polido, educado, não invasivo, discreto, silencioso, responsável, participativo. Como na origem dos tempos, aliás, quando a polis grega foi traduzida na civitas e na urbe romanas, ampliando e entrelaçando seus significados. Palavras como política, cidade, urbanidade, civilização e civismo vieram daí. Cidadão tornou-se o indivíduo com direitos e deveres de cidade, isto é, referidos não somente ao espaço físico, mas também aos espaços públicos, compartilhados em comum com todos os habitantes.

O índice de barulho reflete o padrão de cidadania de uma comunidade e o silêncio funciona como requisito para uma vida mais justa, igualitária e de melhor qualidade, que são precisamente as grandes promessas da civilização. Uma República de cidadãos não cria barulhos superlativos, desnecessários, por sobre os ruídos inevitáveis.

As metrópoles do mundo contemporâneo vivem à procura de silêncio. As mais antigas, sem tantos desníveis sociais e impregnadas de cultura pública, conseguem preservar padrões consistentes de convívio e privacidade. Nelas são muitos os nichos onde há condições sonoras adequadas para a conversa e o repouso. Outras, como São Paulo, que além de novas são também um compósito de formas arcaicas e ultramodernas de vida turbinadas pela miséria e pelo crescimento selvagem, vivem oprimidas pelo ruído, que se converte em fator de risco para a saúde e a convivência.

Não há paulistano que não se incomode com ele. Muitos sofrem sem saber, sem se dar conta de que o barulho invade silenciosamente o sistema nervoso de cada um, desmonta equilíbrios, afeta a audição e o bom humor, perturba o sono e trava a comunicação. Alguns reagem, ora com indignação, ora com violência, quase sempre com a sensação amargurada de impotência. Nada parece deter o ruído crescente.

Barulho intenso, sistemático e abusivo é um sintoma de ausência de regulamentação. Em São Paulo, o poder público não só é omisso na fiscalização dos barulhentos, como dá maus exemplos o tempo todo. O caso dos ônibus paulistanos é emblemático: velhos, sujos, sucateados, são poderosos agentes de poluição sonora. Roncam e guincham pelas ruas da cidade como verdadeiros arautos do apocalipse. O poder público, além do mais, assiste passivamente ao passeio dos caminhões pesados. Só consegue impor restrições inócuas, muitas vezes não respeitadas. Para piorar, não é criativo nem ousado em termos de política de transportes.

À falta de regulamentação soma-se a falta de educação de muitos cidadãos. Ninguém, a rigor, se importa muito com o sossego alheio. Excitados pelo frenesi urbano, os motoristas transformam seus carros e motos em armas contra a vida e o silêncio. Exibem-se uns para os outros o tempo todo, em alto e bom som, como se fossem os únicos donos da cidade. Em casa, exibem sem pudor a potência acústica dos eletrodomésticos. O volume alto é regra na cidade. Os moradores parecem surdos ao problema.

Inexistem campanhas específicas ou mobilizações dedicadas ao assunto. Também não se conhece nenhuma vitória conseguida contra a poluição sonora. O máximo que se obteve, até agora, foi o crescimento das empresas fornecedoras de portas e janelas acústicas, ou seja, o aparecimento de novos negócios e de alguns recursos defensivos, que não atacam a raiz do problema.

É em condições razoáveis de silêncio que se pode ter vida inteligente. Ler e escrever, aprender e ensinar, dialogar e refletir. É no silêncio que se pode descansar. Nada que ver com a paz dos cemitérios, porém. A cidade civilizada reclama o silêncio democrático, no qual tem lugar o ruído das massas e das festas populares, do frenesi da política e das vibrações esportivas. A cidade brasileira, em particular, é alegre, comunicativa e espontânea. Não pode ser cerceada em seu caráter. Que continuemos a ser irreverentes, festeiros, improvisadores, amantes da música, da dança e da batucada, sabotadores criativos das regras tirânicas ou artificiais.

O motorista que buzina alucinado, o ônibus que trafega com o escapamento estourado, o motoqueiro que extrai o máximo de sua moto, a construtora que bate estacas em horários obscenos e o adolescente bem-nascido que barbariza seu prédio não têm relação alguma com o "caráter nacional". Não são exemplos de espontaneidade e alegria, mas de má-educação. Expressam uma coletividade que perdeu consciência de si mesma, que se está tornando indiferente e pulverizada em ilhas de individualismo possessivo. São deformações e caricaturas perversas de uma cultura fundada na informalidade excessiva, produtos da modernização desregrada, excludente e predadora em que vivemos.

O ruído que vem com o progresso não é uma fatalidade, pode ser domado e civilizado. São Paulo tem potência para tanto. Precisa, porém, traduzir essa potência, convertê-la em cidadania ativa, o único fator que pode efetivamente atuar como força propulsora do silêncio democrático, inerente à cidade republicana.

PROFESSOR TITULAR DE TEORIA POLÍTICA DA UNESP.

CONTROLE

PAULO GUEDES

Por que o trabalhador está mal protegido

PAULO GUEDES
REVISTA ÉPOCA

Em plena guerra mundial por empregos, o Brasil tributa com selvageria a criação de vagas de trabalho. A social-democracia brasileira, com todo o seu discurso de inclusão social, tem explorado apenas a via assistencialista e desprezado a integração produtiva dos menos favorecidos. Sua agenda obsoleta não atende às exigências de uma economia mundial cada vez mais competitiva. O trabalhador brasileiro permanece completamente desprotegido para os choques que estão à nossa frente.

A inapetência pela reforma da legislação trabalhista, pela remoção dos abusivos encargos sociais e pela reforma previdenciária revela o despreparo do Congresso Nacional na matéria. E, apesar de essa inércia ser atribuída ao conservadorismo dos parlamentares, ela demonstra que a inclusão social pela via dos mercados de trabalho nunca foi uma prioridade da social-democracia hegemônica no país desde a redemocratização, em 1985.

O traço de continuidade da política brasileira nas últimas duas décadas e meia seria o "peemedebismo, espécie de consenso conservador feito para acomodar todo mundo e deixar tudo como está", conforme o filósofo Marcos Nobre, pesquisador do Cebrap e da Unicamp em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo no último dia 9. O símbolo desse "fenômeno singular da cultura política brasileira", o princípio e o fim dessa mixórdia, seria o ex-presidente José Sarney, atual presidente do Congresso Nacional. É no apoio à inoperância, à blindagem contra escândalos, à manutenção do muito que há do Antigo Regime que se destaca o "peemedebismo".

Além disso, o "peemedebismo" estaria também tornando o sistema político insensível à indignação da sociedade. Basta ver a sucessão de crises e seus efeitos cada vez menores. "A gente pode gritar quanto quiser porque o sistema está começando a se fechar em si mesmo", afirma Nobre.

A análise tem seus méritos, mas o fenômeno é mais complexo. Sarney tornou-se realmente o símbolo de uma transição incompleta. E, sim, há uma inegável continuidade no processo de degeneração da política brasileira nestes 25 anos de social-democracia em suas mais diversas variantes. Mas o problema não é só o conservadorismo fisiológico do PMDB, esse instinto de sobrevivência pela adesão oportunista ao governo descrito por Nobre. É também a inapetência por reformas, a obsolescência da própria agenda social-democrata que permite a criação desse vácuo de poder. É o vazio da "vanguarda" que produz o cortejo do "atraso".
No poder, PT e PSDB seguem a agenda obsoleta - sem fazer as reformas tão necessárias ao Brasil

PSDB e PT se revezam no poder há cinco eleições presidenciais com alianças oportunistas, retrógradas e visceralmente corruptas, conforme acusações recíprocas. Por que não houve uma proposta de reforma política? Por que não se uniram contra tudo isso? Por que as batalhas partidárias têm se limitado à tomada de poder? Por que prossegue ininterrupta a sequência de escândalos de corrupção envolvendo o uso de recursos públicos?

Nunca houve uma agenda positiva de reformas. A disputa política foi sempre uma guerra de extermínio entre espécies semelhantes (tucanos e petistas) pelo domínio de um nicho ecológico: a hegemonia social-democrata. E, uma vez no poder, aí sim vale o "cortejo ao atraso" para manter o vazio de sua agenda, para explicar sua omissão quanto às reformas necessárias, principalmente a reforma política.

O fascinante é que o filósofo se ressente da falta da polarização necessária ao funcionamento da democracia, sem perceber que o problema está exatamente na ausência de alternativas aos partidos social-democratas e aos seus programas obsoletos. Prefere culpar atores secundários que emergiram no vazio das "vanguardas progressistas".

"Cedo ou tarde Dilma terá de entregar ao PMDB o que ele pede", diz Nobre. "É a presidente com possibilidades mais restritas que já assumiu. Suas mãos estão acorrentadas." Discordo novamente. Dilma Rousseff pode escapar desse arranjo que atrasa a modernização do país. De novo, é uma questão de liderança e agenda de reformas

HÉLIO SCHWARTSMAN

A vingança da decoreba
Hélio Schwartsman

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/01/11

SÃO PAULO - Esta vai deixar alguns pedagogos de cabelos em pé. Trabalho publicado anteontem na "Science" mostra que alunos que estudam por métodos do tipo decoreba aprendem mais do que os que utilizam outras técnicas.
O "paper", que tem como autor principal o psicólogo Jeffrey Karpicke, da Universidade Purdue, comparou o desempenho de voluntários que estudaram um texto científico se valendo de um método que enfatiza a memória (leitura seguida de um exercício de fixação mnemônica) com o de alunos que usaram a técnica do mapa conceitual, na qual leem o texto e depois desenham diagramas relacionando os conceitos apresentados.
Desenvolvido por Joseph Novak nos anos 70, o mapa conceitual tem como pressuposto a teoria da aprendizagem significativa, segundo a qual aprender é estabelecer relações relevantes entre ideias.
Uma semana depois, os estudantes fizeram um exame para descobrir quanto haviam aprendido. O grupo da decoreba teve um índice de acertos 50% maior do que o do mapa. A grande surpresa, porém, foi que os memorizadores se saíram melhor tanto nas perguntas que envolviam a mera reprodução das ideias originais como também nas questões que exigiam que eles fizessem inferências, estabelecendo novas conexões entre os conceitos.
Um segundo experimento aprofundou um pouco mais esses achados, explorando, por exemplo, o desempenho de um mesmo estudante com os dois métodos de estudo. Em todas as situações, a decoreba apresentou melhores resultados que o mapa conceitual.
Evidentemente, ainda é cedo para generalizar as conclusões desse trabalho, que ainda precisa ser reproduzido em outros centros para ganhar nível de evidência. Mas já é certo que ele cairá como uma bomba na guerra pedagógico-ideológica que opõe os entusiastas da educação construtivista aos defensores de métodos tradicionais.

GOSTOSA

GUILHERME FIUZA

A presidente na chuva

GUILHERME FIUZA

O GLOBO - 22/01/11

O brasileiro é, antes de tudo, um crédulo. Deem-lhe um pretexto para ter fé em alguma coisa, e ele se lambuza de esperança. Não poderia ser diferente com a sucessão presidencial. Até os críticos de Luiz Inácio da Silva resolveram enxergar um novo tempo com a ascensão da "presidenta". É como se o país saltasse do último capítulo de Sílvio de Abreu para o primeiro de Gilberto Braga. Hora de acreditar em outro enredo.

E eis que a grande vedete desse tal novo tempo é o silêncio de Dilma Rousseff. Mesmo os que se opunham ao truque eleitoral do PT, em que Luiz Inácio tirava sua coelha da cartola e lhe dava corda para governar, estão vendo mudança em tudo. Se Lula falava demais, o silêncio de Dilma significa austeridade e trabalho. O Brasil acordou em 2011 decidido a acreditar na "especialista em gerência". Assim é, se lhe parece. Somos 190 milhões de Gilbertos Bragas.

Na vida real, porém, continua valendo o velho ditado (ou a melhor versão dele): de onde menos se espera é que não vem nada mesmo. Como se viu na campanha eleitoral, e antes dela, a especialista em gerência nem sempre conseguia completar um raciocínio. Tropeçava em números, se confundia com percentuais, torturava conceitos - incidentes não muito típicos de especialistas em gerência.

Para quem não esperava nada de Dilma Rousseff, ela correspondeu plenamente como presidente eleita. Sumiu de cena. Não deu uma palavra nem sobre a guerra nos morros do Rio. E, quando seu governo começou, a presidente continuou firme em seu exílio existencial. Nunca antes na história deste país um mandato presidencial começara assim, com cara de feriado.

Nenhuma medida importante, nenhuma reforma estrutural, nada além de tiradas como o "PAC da miséria", para entreter a imprensa. A julgar pelas manchetes, o futuro inaugurado por Dilma era um lugar onde o PT e o PMDB disputam o balcão estatal, enquanto a vida nacional faz figuração ao fundo. Aí vieram as chuvas.

A tragédia na Região Serrana do Rio veio atrapalhar o script dos novos tempos. A presidente não poderia mais ficar governando em off, regendo a partilha fisiológica do Estado detrás do seu silêncio mitológico. Dilma apareceu. Deu um pulo nas cidades devastadas e, antes de retornar ao exílio, falou aos brasileiros numa entrevista coletiva. Foram 40 minutos inesquecíveis.

A especialista em gerência rompeu seu silêncio para dizer que "o Rio vive um momento muito forte". O país já estava com saudades da precisão de suas mensagens. Mas ela não parou por aí. Declarou que a ocupação de áreas de risco no Brasil é regra, não exceção. Esta foi a afirmação destacada nas manchetes - para se ter uma ideia da densidade do discurso da presidente no meio da catástrofe.

Ao falar em moradias de risco, Dilma fez uma inflexão importante: "Agora vou defender o presidente Lula." De fato, em meio ao flagelo das enchentes, com suas centenas de mortos, feridos e desabrigados, era urgente defender o presidente Lula. A presidente passou então a elogiar as maravilhas do programa Minha Casa, Minha Vida, idealizado por seu padrinho, como uma espécie de pílula do dia seguinte para os desabamentos: "O Minha Casa, Minha Vida não investe em área de risco. Nós não incentivamos a população a construir em área de risco."

Uma informação providencial para uma situação de emergência. Se alguém confundiu esse discurso com comício populista, cumpre esclarecer ao mau entendedor: isso é pura sagacidade gerencial.

Dilma respondeu também sobre o problema da lentidão na liberação de verbas para as áreas devastadas. Explicou que nenhum gestor público está autorizado a não prestar contas de seus gastos. É realmente fundamental, numa hora dessas, a presidente da República informar que está proibido o desvio de verbas federais. Coisa de Primeiro Mundo.

Completando a ação implacável do novo governo, quatro ministros de Estado subiram ao palco da tragédia para falar ao país. Liderados pelo irrevogável Aloizio Mercadante, ministro de Ciência e Tecnologia, eles leram uma lista de boas intenções extraídas de um seminário meteorológico de um ano atrás. Segundo Mercadante, daqui a quatro anos um sistema nacional de prevenção de catástrofes estará pronto, irrevogavelmente. E, daqui a dez anos, uns 20% dos que morreram agora não morrerão mais. Um papo solto, sem stress, para tranquilizar o pessoal da serra.

Com tanta eficiência, essa junta liderada por Mercadante poderia dar uma força ao ministro da Educação na tragédia do Enem - onde o número de vítimas também não para de crescer. Se não for possível, ao menos os estudantes desabrigados e os sem-universidade poderão se orgulhar de ser governados por uma especialista em gerência.

Ao resto dos brasileiros, especialmente depois do pronunciamento histórico da presidente durante a enxurrada, o melhor é continuar louvando o seu silêncio.

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Na vida real, vale o ditado: de onde menos espera é que não vem nada mesmo

ALMIR PAZZIANOTTO PINTO

Terroristas
Almir Pazzianotto Pinto 
O Estado de S.Paulo - 22/01/11

Os brasileiros jamais aderiram ao terrorismo. Bakunin, para quem "o impulso de destruir é também um impulso criativo", não fez escola entre nós. Influenciou um ou outro pervertido. Chacinar autoridades ou pessoas comuns, detonar bombas na multidão, explodir instalações públicas, como sucede rotineiramente em países conhecidos pela irracionalidade de minorias políticas e religiosas, não integram os nossos costumes. O povo mais de uma vez manifestou repugnância a facínoras insensíveis que, em nome de ideologia extremista, ou por mera propensão homicida, não vacilam em sacrificar homens, mulheres e crianças, em sangrentos atentados a tiros ou à bomba.

Marcelino Bispo de Melo, o soldado que, em 5 de novembro de 1897, ao atacar o presidente Prudente de Morais no cais do Rio de Janeiro, feriu de morte o ministro da Guerra, marechal Machado Bittencourt, e o coronel Mendes de Morais, ou Manso de Paiva, desempregado que, em 8 de setembro de 1915, apunhalou pelas costas o senador Pinheiro Machado, integram o diminuto número de terroristas assumidos da nossa História.

A Primeira República (1889-1930) ficou marcada por episódios de rara violência: a Revolta da Armada (1893-1894); a Campanha de Canudos (1896-1897); a Guerra do Contestado (1912-1916); fuzilamentos e a degola, praticada no Sul como forma de eliminação de adversários políticos e soldados inimigos (a vítima indefesa era posta de joelhos, com a cabeça entre as pernas do carrasco, que com golpe de adaga lhe abria o pescoço). Atos terroristas, todavia, foram poucos e isolados.

Jacob Gorender, autor de Combate nas Trevas - A Esquerda Brasileira: das ilusões perdidas à luta armada, descreve o surgimento do terror após 1964, utilizado como instrumento de reação ao regime militar. Em dois capítulos trata da violência dos oprimidos e da resposta sangrenta dos opressores.

A Lei da Anistia, sancionada em 28 de agosto de 1979 pelo presidente João Figueiredo, concedeu perdão aos responsáveis por crimes políticos cometidos entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Tanto os autores do atentado contra o general Costa e Silva, no Aeroporto de Guararapes, em 25 de julho de 1966, quando morreram o almirante Nelson Gomes Fernandes e Edson Regis de Carvalho, chefe do Gabinete Civil do governador de Pernambuco, Paulo Guerra, como os que explodiram carga de dinamite na entrada do quartel-general do II Exército, em São Paulo, em 26 de junho de 1968, provocando a morte do recruta Mário Kozel Filho, ou os assassinos do tenente da Polícia Militar Alberto Mendes Júnior, no Vale do Ribeira, em 10 de maio de 1970, e os militares do Exército que planejaram explodir o Riocentro, em 30 de abril de 1981, foram alguns dos beneficiados pela Lei n.º 6.683. Muitos ganharam a oportunidade de retornar à política, às atividades acadêmicas, ao jornalismo, aos negócios, quase sempre obtendo sucesso.

A legislação, de caráter excepcionalíssimo, justificava-se naquele momento como prova inequívoca do compromisso assumido pelo governo militar com a abertura e o restabelecimento do Estado de Direito democrático. Estava informada pelo objetivo de pacificar a Nação, dividida e traumatizada desde 1964. Em tal circunstância, procurou-se passar a borracha no passado, isentando de culpa, e do cumprimento de pena, réus civis e militares, subversivos e torturadores.

Essa rápida, fragmentada e inconclusa digressão histórica se justifica diante do caso Cesare Battisti. Trata-se de indivíduo sanguinário e premeditado que, a pretexto de pertencer a organização anarquista, matou e mutilou inocentes, não em legítima defesa, mas de forma impiedosa, alimentada por instinto inumano. Era de esperar que, ao ser ouvido no Brasil, o celerado se dissesse inocente, jurasse nunca haver matado, como relatou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que, em mais uma das extravagantes atitudes que o popularizaram, foi emprestar-lhe solidariedade na Penitenciária da Papuda.

Quem tem certa experiência no trato com o assunto crime sabe que nos presídios raramente são encontrados criminosos. Dos encarcerados sempre se ouvirão protestos de inocência, frases chorosas de que não passam de vítimas de erros judiciais. Se se indagar a Fernandinho Beira-Mar os motivos de se encontrar confinado em penitenciária de segurança máxima, não será de estranhar que revele ignorância e afirme que as perversidades que lhe atribuem não são verdadeiras. O criminoso invariavelmente considera-se vítima das desigualdades e despeja sobre a sociedade a culpa por estar condenado à reclusão.

Inocentar Cesare Battisti, como o fez o ex-presidente Lula - cuja incapacidade de entender a grandeza e as responsabilidades do cargo se fez conhecida aqui e lá fora - tem o caráter de anistia individual, extemporânea, em benefício de um criminoso comum condenado à prisão perpétua. O gesto insólito viola tratado celebrado com a Itália, agride o Direito Internacional Público e revela que, em detrimento do Direito italiano, fruto de milenar construção de consagrados juristas, o ex-presidente optou pela Camorra.

O caso Battisti não se presta à construção de filigranas jurídicas. Os fatos são conhecidos: trata-se de criminoso foragido. Fugiu da Itália e também da França, quando o governo deste país determinou que fosse recambiado para Roma, para o cumprimento da pena. Ingressou no Brasil com documentos de identidade falsos. O que mais se faz preciso para que se lhe recuse o privilégio do abrigo?

Liberá-lo significa assumir o encargo de lhe proporcionar, como refugiado político, meios de sobrevivência, mediante recursos do contribuinte. Talvez já se cogite de aproveitá-lo na assessoria do gabinete do senador paulista, em função comissionada de algum órgão público federal ou no Rio Grande do Sul, ao lado do governador Tarso Genro.

ADVOGADO, FOI MINISTRO DO TRABALHO E PRESIDENTE DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (TST)

"UMAS BOQUINHA"

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Consenso duvidoso
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

O GLOBO - 22/01/11

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central aumentou significativamente a taxa de juro básica há poucos dias, em linha com o "consenso do mercado". Consenso duvidoso. Primeiro porque as percepções do mercado são turvadas pelos interesses dos agentes financeiros. Segundo porque suas expectativas são muito influenciadas pelos sinais transmitidos pelo Banco Central. Este, por sua vez, responde em larga medida às expectativas que se formam no mercado. Um jogo de espelhos em que os perdedores são frequentemente o lado real da economia (produção, emprego, competitividade internacional das empresas) e as finanças públicas (o Estado, enquanto principal devedor, é quem arca com os juros básicos elevados).

A decisão do BC tem dois aspectos: a) o aumento da taxa Selic em 0,5 ponto percentual para 11,25%; e b) e o anúncio de que este é apenas "o início de um processo de ajuste da taxa básica".

Com o aumento de 0,5 ponto percentual, o Brasil distancia-se ainda mais do resto do mundo em termos de taxas básicas. Os juros nominais comparáveis estão próximos de zero nos EUA e no Japão e em 1% na área do euro. Segundo levantamento da Cruzeiro do Sul Corretora, a taxa de juro real ex ante (deduzida a inflação esperada para os próximos doze meses) chega a 5,5% no Brasil. Nos EUA e no Reino Unido, a taxa básica é negativa em 1,2% e 3,1%, respectivamente. No Japão, a taxa real está em zero. Na Alemanha, negativa em 0,7%. Com esses enormes diferenciais de juros a favor do real, será difícil evitar que a moeda brasileira continue se valorizando. A expectativa de valorização reforçará a entrada de capitais, tornando-se uma "profecia autocumprida".

As razões do BC serão explicadas na ata da reunião do Copom, que sairá na próxima semana. Sabe-se, em todo caso, que a favor da decisão pesam os sinais de aquecimento da economia, notadamente as pressões inflacionárias e o desequilíbrio crescente das contas externas correntes. São muitos os indicadores preocupantes tanto no que diz respeito à inflação quanto ao balanço de pagamentos. Preocupa, em especial, que com tanto fortalecimento da moeda, a inflação tenha subido de modo tão significativo.

Isto dito, fica ainda a impressão de que o Copom talvez tenha carregado na mão, principalmente por ter combinado um aumento expressivo da Selic com a declaração formal de que isso é apenas o começo.

Não se deve perder de vista que o desequilíbrio externo corrente reflete também, e em grande medida, a sobrevalorização do real. A provável valorização adicional induzida pela alta da Selic agravará ainda mais o problema.

E parte do aumento recente da inflação se deve não a pressões de demanda, mas a choques exógenos (internos e externos) sobre os preços dos alimentos e outros produtos primários.

Além disso, o governo já vinha tomando medidas na área do crédito e anunciando outras na área fiscal. Corre-se o risco de uma overdose em termos de medidas de contenção da economia.

Outro risco (no sentido oposto) é que as autoridades fazendárias decidam moderar ou adiar o ajuste fiscal em face do endurecimento talvez exagerado da política monetária. Isso levaria à perpetuação de uma combinação inadequada entre política fiscal excessivamente flexível e política monetária excessivamente dura. Essa combinação tem implicações adversas para a taxa de câmbio e para as finanças do governo.

O ideal seria enfrentar o aquecimento da demanda com uma variedade de instrumentos: um ajuste fiscal importante, regulação da entrada de capitais externos, contenção dos empréstimos dos bancos públicos, restrições sobre o crédito dos bancos privados e, se necessário, um aumento moderado da taxa Selic.

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. é economista e diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional, mas expressa os seus pontos de vista em caráter pessoal

ANCELMO GÓIS

Doação de casas
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 22/01/11


Veja que legal. Um grupo de construtoras resolveu fazer por conta própria 2.000 casas populares em Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis para doar às vítimas das enchentes. O Estado entrará com terrenos e infraestrutura. 

MINHA CASA... 
O acordo foi selado ontem num almoço com Sérgio Cabral. Estavam presentes diretores das empresas MRV, RJZ/Cyrela, Gafisa, PDG, Rodobens e Rossi. Todas são do programa Minha Casa, Minha Vida. 

O ANÚNCIO... 
O anúncio da doação será feito quinta, no Palácio Guanabara, com a presença de Dilma.

A VEZ DO MORRO 
Eduardo Paes inicia terça novas obras nos complexos da Penha e do Alemão. Coisa de mais de R$ 100 milhões. Só novas creches serão 16. Toda a iluminação pública dos dois complexos e dos bairros do entorno será trocada. Fora intervenções de emergência, como contenção de encostas.

LULA DA ARÁBIA 
Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto, está fora da disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, como se sabe. Mas o ator Rui Ricardo Diaz, 32 anos, que fez o papel do ex-presidente, continua ganhando projeção. O crítico Jack Lyons, do jornal DL News, da Califórnia, onde o longa foi exibido há duas semanas, no Festival de Palm Springs, chegou a comparar a atuação do brasileiro à de Peter O’Toole em Lawrence da Arábia, um dos clássicos da década de 1960.

POVO AMARELO 
Piadinha do economista boa-praça Sérgio Besserman, o irmão do saudoso Bussunda que dirigiu o IBGE, sobre a ida do presidente chinês, Hu Jintao, aos EUA para ver Obama:
– Não resta dúvida: a China amarelou... 

COMÉDIA BRASÍLIA 
Piadinha que circula no Congresso depois que Dilma deu sinais de desinteresse pela reforma tributária:
– Vida de americano é assim: iPhone, iPod, iPad, iMac... Já vida de brasileiro é assim: iPtu, iPva, iCms e iPi...
Faz sentido. 

O PAI DE HILDA 
O escritor Roberto Drummond, autor de Hilda Furacão, vai ganhar um documentário. Sua viúva, Beatriz, cedeu os direitos ao cineasta mineiro Breno Milagres.


CALOR BRASILEIRO 
Numa ação de divulgação do Brasil na Europa, a Embratur criou painéis aquecidos e decorados com imagens de nossas praias para reproduzir o clima tropical e esquentar o frio de janeiro em pontos de ônibus lá. A primeira 
cidade que recebeu a peça inovadora foi Milão, na Itália.

SEM FESTA 
A tragédia na região Serrana levou Martinho da Vila a cancelar a festa que sua terra natal, Duas Barras, ali perto, preparava para celebrar, dia 12 de fevereiro, seus 73 anos de idade. O mestre ganharia uma estátua na cidade, mas alegou que não há clima. Uma nova data será definida. 

MÃE CORAGEM 
Cissa Guimarães, nossa querida atriz, reuniu os amigos de seu saudoso filho Rafael Mascarenhas num bar do Leblon, no feriado de São Sebastião, para homenagear a memória do rapaz pelos seis meses de sua morte. Muito emocionada, Cissa vestia camisa com uma foto do garoto. 

GOSTOSA

ROSELI FISCHMANN

Ao questionar escolas, pais temem constrangimento

ROSELI FISCHMANN
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/01/11

A escolha da escola significa, para os pais, formalizar valores e expectativas, ponderando possibilidades e limites, muitas vezes gerando tensão. Mas se a escola é importante, nada há que substitua, na formação, o papel da família, da dedicação do aluno, dos grupos frequentados.
Mas a estrutura competitiva vigente se imiscui pelo fazer educativo dos pais. Já não basta estudar na "melhor escola", que lhes consumirá muito do salário. É preciso "acompanhar" os demais em vestimentas, lugares que frequentam, viagens. Demonstrar, enfim, que estão "à altura" daquela escola desejada.
Inverte-se, assim, a relação, porque são as famílias que precisam ter certeza quanto à escola estar à altura de seus valores, o que inclui respeito por suas limitações e escuta de suas expectativas.
O caso do material escolar é emblemático. Culturalmente, pode ser utilizado como sinalizador de posses.
Em estrutura competitiva, tenta-se uniformizar por um lado, mas a busca de diferenciais de prestígio escapa por outro. Propor uma taxa, uniformizando material, pode simplificar a vida das famílias, resolvendo uma situação potencialmente tensa.
A falta de transparência, contudo, é problemática. Ao questionar a escola, talvez os pais temam ver seus filhos discriminados por sua família cobrar "migalhas". Ou sintam-se mal, depois de terem lutando para conseguir matricular seu filho ali.
Deixar claro o que os pais estão pagando é atitude que dignifica a escola, criando também melhor ambiente educativo para as crianças, que não precisarão presenciar a aflição parental em casa, depois abafada no contato com a escola, pelos receios que os assombram.
Prestar contas do que se faz (e exigi-lo) é atitude que auxilia o processo formativo, em particular em um país como o Brasil, onde a transparência precisa ser incorporada à cultura, pelo bem da educação e da democracia.

*Roseli Fischmann é docente da Pós-Graduação em Educação da USP e da Universidade Metodista de São Paulo.

CLÁUDIO HUMBERTO

“... (o asilo a Battisti) é motivo de desilusão e amargura para a Itália”
PRESIDENTE DA ITÁLIA, GIORGIO NAPOLITANO, EM CARTA A DILMA PELA EXTRADIÇÃO DO BANDIDO

THOMAZ BASTOS FORÇOU INDICAÇÃO DE ABRAMOVAY 
O ex-secretário Nacional de Políticas Sobre Drogas, demitido ontem pela presidente Dilma, ficou no cargo por 21 dias, mas, se dependesse da vontade do seu chefe imediato, ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), o garotão nem sequer teria sido nomeado. O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que o empregou em seu escritório de advocacia, “forçou” a nomeação, segundo fonte do Palácio do Planalto.

JÁ VAI TARDE 
Abramovay defendia a descriminalização do “pequeno traficante” de drogas, irritando a presidente e o ministro José Eduardo Cardozo.

CONTRAMÃO 
O ministro da Justiça esclareceu que o governo quer o contrário, isto é, o endurecimento da punição a traficantes e, portanto, a
quadrilheiros.

SAIA JUSTA 
Dilma Rousseff não esquece: a revista Veja revelou em outubro que Pedro Abramovay disse receber pressão dela para produzir dossiês contra adversários.

LÍNGUA DE TRAPO
Abramovay contou a lorota dos dossiês a Romeu Tuma Jr, envolvendo também Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do então presidente Lula.

WIKILEAKS SABIA QUE ROSEANA NÃO TINHA CONTA 
Uma semana antes de o Wikileaks informar a suposta conta na Suíça da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e do marido, Jorge Murad, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro enviou por e-mail ao advogado de Julian Assange, dono do site, declaração do banqueiro Julius Baer atestando que o casal nunca teve conta por lá.
Abriram um truste em 1993 e fecharam em 1999 sem movimentação
financeira.

QUESTÃO SUCESSÓRIA 
Roseana e Jorge se recasaram em 1993, e criaram o truste para tratar a questão sucessória, se preciso: ele teve uma filha de outra
relação.

EXTINÇÃO 
O truste de Roseana e Murad, segundo Almeida Castro, o Kakay, acabou extinto porque “a filha não era, nem de longe, um problema”.

O CONTRATO 
Truste é um contrato, reconhecido por lei, em que um indivíduo transfere ativos ou bens para uma ou mais pessoas.

ELA MERECE 
A jornalista Tereza Cruvinel, que preside a EBC, deve ocupar uma função em Paris. O diretor operacional, Roberto Gontijo, tem recebido instruções diretas de Dilma – como no Rio, na visita à região Serrana.

CAJU AMIGO 
O Ministério Público de Aracaju parou nesta sexta-feira. É que começou na capital sergipana o “Pré-caju”, a maior festa pré-carvalesca do País, que só acaba domingo. 

DESMENTIDO 
O abalo no prédio da Advocacia Geral da União, ontem, em Brasília, não foi de maneira nenhuma provocado por consciências pesadas pelos pareceres produzidos em favor do bandidão Cesare Battisti.

TRATAMENTO NO EXTERIOR 
Dois netos de Joaquim Roriz são hemofílicos, mas – ao contrário do que informaram ao secretário de Saúde do Distrito Federal, Rafael Barbosa – não se beneficiam da gratuidade do Fator 8 Recombinante, que custam caro ao governo local. E hoje residem nos Estados Unidos, onde se tratam.

VIGARISTAS 
A turma que subloca apartamentos ou dá calote de R$ 50 no “Minha Casa, Minha Vida – como informou o Estadão – rebatizou o programa do governo federal. Agora é ‘Minha Casa, Meu Negócio’”.

COM MUITA HONRA 
O deputado Paulo de Oliveira Lima (PMDB) concorre à presidência provisória do partido em São Paulo com o deputado
Baleia Rossi, filho do ministro Wagner Rossi (Agricultura), ex-superintendente do Porto de Santos e citado no livro Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória. 

SUBJUGADOS, NÃO 
Para Lourenço Prado, presidente da Contec, entidade de empregados em empresas de crédito, “o sindicalismo não pode ser
subjugado pelo governo ou perde sua essência: a defesa dos trabalhadores”.

DESCONFIÔMETRO 
A multinacional americana Canon – de impressoras e equipamentos fotográficos – doou US$ 200 mil à Cruz Vermelha para os desabrigados do Rio de Janeiro. É notável o “mão de vaquismo” das empresas e empresários brasileiros. Talvez por desconfiarem do destino do dinheiro...

PERGUNTA NO CINEMA 
Quando será rodado o filme “Lula, o rejeitado”? 

PODER SEM PUDOR
TROCANDO AS BOLAS 
Nos dias que antecederam à decretação do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, o clima era agitado nos círculos militares. O deputado Márcio Moreira Alves ocupava o centro das atenções porque poderia ser julgado pelos militares por declarações contrárias ao regime. Dessa forma, o nome do parlamentar foi parar nas manchetes de um jornal. “Márcio Moreira Alves inaugura pista de pouso”, dizia o periódico. Trocaram o Márcio. A notícia se referia ao ministro da Aeronáutica, Márcio de Souza Melo.

TRABALHO

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: Dilma enquadra ministro do Enem, que adia férias
Folha: Escolas de SP cobram taxa ilegal de material
Estadão: Dilma manda reverter venda irregular no Minha Casa
JB: Ajuda que veio de longe
Correio: Gasto secreto da Abin inclui até café
Estado de Minas: STJ derruba todas as liminares contra Enem
Jornal do Commercio: Estado terá mais 2 mil PMs até o carnaval
Zero Hora: Seca já reduz abate em 30% no Estado