sexta-feira, novembro 19, 2010

MÍRIAM LEITÃO

Meirelles convidado 
Miriam Leitão 

O Globo - 19/11/2010 

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi convidado para permanecer no cargo. Segundo fontes do governo, o convite não foi feito em caráter provisório, de ficar só alguns meses. A conversa está em andamento, ele está inclusive fora do país, mas Meirelles só permanecerá se tiver garantias de ter a mesma autonomia que teve nos oito anos do governo Lula.

Logo no início do novo governo, o Banco Central pode ter que subir juros: a inflação está subindo aqui dentro e está aumentando muito os preços das commodities no mundo, indicando que pode estar se formando uma bolha. O Copom teria que elevar os juros para garantir o cumprimento da meta de inflação. Isso será um teste para o compromisso da presidente eleita, Dilma Rousseff, de defender a estabilidade como tem dito.

Fontes que acompanham a formação do novo governo garantem que o convite feito a Henrique Meirelles não foi por um tempo determinado. Mesmo se a intenção da presidente eleita for a de mantêlo apenas pelo tempo de transição, o convite não foi feito nesses termos. Foi convidado a permanecer. O que está sendo conversado é que tipo de organização a presidente quer dar à área econômica. Há pressões para que Dilma mude a forma de atuação da equipe que vigorou até agora e que o Banco Central e o Ministério da Fazenda passem a atuar de forma conjunta na tomada de decisões. Se for isso, é o mesmo que decretar o fim da autonomia. Não existe meia autonomia, nem conciliação de posições no combate à inflação.

O assunto ficou em suspenso para conversas futuras, até porque Meirelles viajou para Frankfurt onde participou ontem de uma reunião de um grupo restrito de banqueiros centrais para discutir a crise mundial. Estão no encontro o presidente do Fed, Ben Bernanke, o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, e o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Khan, além do presidente do Banco Central do Brasil. Durante a crise financeira que atingiu o mundo em 2008, o BC brasileiro ganhou mais projeção por ter sido apontado como um exemplo na administração de crises. Até o episódio Banco PanAmericano está sendo considerado no exterior um exemplo de como lidar com as incertezas do mercado financeiro, ainda que o problema não tenha derivado da crise.

O Banco Central no governo Lula enfrentou momentos de teste de autonomia várias vezes. Uma delas foi logo no início do primeiro mandato quando os juros foram elevados por duas reuniões seguidas, em uma delas a taxa subiu um ponto percentual. Outro momento decisivo foi no lançamento do PAC, anunciado como a garantia de aumento do ritmo de crescimento no segundo mandato. Na primeira reunião após o lançamento do PAC, o Banco Central subiu novamente os juros. Mesmo com todas as pressões e críticas, o presidente Lula não desautorizou o BC.

Será assim no governo Dilma? Não se sabe. O pensamento da presidente eleita é desconhecido nessa área, como de resto em várias outras áreas. A campanha não ajudou a esclarecer o que a presidente pensa a respeito de temas como política monetária, política cambial, relação de política fiscal com taxa de juros. Até agora ela tem feito as declarações previsíveis, do tipo: “vou manter o tripé macroeconômico”, referindo-se ao trio superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante. Ou do tipo: “meu compromisso é com a manutenção da estabilidade”, que não ajuda em nada porque ninguém em sã consciência diria que não manteria a estabilidade da moeda.

A confirmação do ministro Guido Mantega na Fazenda aumenta a incerteza em relação a esses compromissos. Se no Banco Central o governo Lula manteve a coerência de respeito à autonomia, no Ministério da Fazenda houve três fases. A primeira foi a de Antonio Palocci, de rigor fiscal e reformas microeconômicas. A segunda fase foi a do começo de Guido Mantega com afrouxamento fiscal e alguns retrocessos. A terceira é a iniciada na crise de 2008/2009 de aumento mais acelerado dos gastos, benefícios a setores escolhidos, perda de consistência e credibilidade dos indicadores fiscais com as manobras contábeis no superávit primário, e incentivo ao aumento da participação dos bancos estatais no mercado bancário e de crédito.

O fato de Meirelles ter sido convidado não significa que ele ficará. Fontes que participam das conversas de preparação do novo governo dizem que dificilmente ele aceitaria retroceder a uma situação em que o Banco Central teria que receber orientações sobre como conduzir a política monetária ou como perseguir a meta de inflação.

A situação internacional está se complicando visivelmente. Ontem, houve uma rara boa notícia: o sucesso da oferta inicial de ações (IPO) da General Motors, empresa estatizada durante a crise americana. Mas na Europa os sinais são de agravamento da crise. No front irlandês os bancos estão enfrentando uma corrida e é por isso que o governo admitiu precisar de socorro.

O dólar em queda livre, muita liquidez, uma crise de confiança em relação a bancos de alguns países europeus e a formação de bolha no mercado de commodities são confusão suficiente. Se não houver melhora a tempo, é com este pano de fundo que a nova presidente assumirá.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Contas a pagar 
Renata Lo Prete 

Folha de S.Paulo - 19/11/2010

A pedido do governador eleito Geraldo Alckmin, a bancada tucana na Assembleia paulista prepara emendas ao projeto do Orçamento-2011 para lastrear duas de suas promessas de campanha logo no início do mandato: a destinação de R$ 1 bilhão para a abertura de 200 mil vagas em creches e a criação imediata da Secretaria de Gestão Metropolitana.
Os dois projetos foram concebidos para contemplar particularmente o chamado "cinturão vermelho", composto pela capital e pelos polos de Campinas, ABC e Baixada Santista, onde o PSDB teve pior desempenho nas urnas e procura recuperar prestígio.

Caderninho Aliados sublinham que Sidney Beraldo e Linamara Battistella, primeiros secretários de José Serra mantidos no novo governo, foram fiéis a Alckmin no racha tucano das eleições paulistanas de 2008.

Fauna Na reta final do mandato, o governador Alberto Goldman diversifica sua agenda de inaugurações. O tucano lança hoje projeto de um aquário interativo no Parque da Água Branca, sede do Fundo Social, presidido por sua mulher, Deuzeni.

Geladeira No dia em que Guido Mantega foi confirmado para permanecer no Ministério da Fazenda, diminuíram as chances de o mesmo ocorrer com Henrique Meirelles. Ontem, Dilma mandou recados de que está à procura de um novo nome para o Banco Central.

Última palavra Mantega recebeu os primeiros cumprimentos ainda na viagem que fez de São Paulo a Brasília, na terça, com a presença dos peemedebistas Michel Temer e Henrique Alves. Esse último disse que "todos ficariam satisfeitos". Mas o Ministro retrucou: "É, todos... Menos a minha mulher!"

Off José Dirceu tomou café ontem com Lula no Palácio da Alvorada. O ex-ministro da Casa Civil também pediu audiência a Dilma.

Blindagem Na reunião da Executiva do PT, ontem, foi preciso esforço do presidente José Eduardo Dutra para conter os que pretendiam transformar o encontro de hoje do diretório em uma plenária de discussão de "esqueletos" de campanha e da participação no governo. O plano da cúpula petista é resumir o evento de hoje a uma "celebração" a Dilma.

Alvo O episódio "bloco da Câmara" deixou dilmistas mais irritados com PP e PTB do que com o PMDB. Eles afirmam que os dois partidos não apoiaram Dilma formalmente e, mal fechadas as urnas, já criam problema.

Carreira Lula formaliza em dezembro a nomeação de Marcos Raposo Lopes para embaixador do Brasil no México. Chefe do Cerimonial da Presidência e diplomata de carreira, Lopes era uma espécie de ajudante-de-ordens de luxo do presidente. Antecessor no posto, Paulo Cesar de Oliveira Campos virou depois embaixador em Madri.

Distância Até ontem, nem Hélio Costa (PMDB) nem Patrus Ananias (PT) haviam telefonado a Antonio Anastasia (PSDB) para parabenizá-lo pela vitória na disputa pelo governo de Minas.

Outro lado O ministro Márcio Fortes (Cidades) nega que a exoneração do diretor de Mobilidade Urbana, Deusdith Júnior, tenha sido uma retaliação ao líder do PP na Câmara, João Pizzolatti (SC). Segundo Fortes, que está em pé de guerra com parte da bancada de seu partido, a exoneração foi a pedido do secretário Luiz Carlos Bueno, aliado do deputado Mário Negromonte (PP-BA).

tiroteio

"Os tucanos estão acostumados com a aprovação automática. Não fizeram a lição de casa e tomaram bomba no Saresp."

DO DEPUTADO ANTONIO MENTOR, líder do PT na Assembleia paulista, sobre os erros detectados ontem pelo governo nas provas de avaliação aplicadas a alunos da rede pública em São Paulo.
contraponto

Abalo sísmico

A movimentação do PMDB para formar um bloco partidário com o objetivo de se fortalecer na disputa pela Presidência da Câmara encontra paralelo em 2007, quando Aldo Rebelo (PC do B) tentava unir quase uma dezena de legendas, a maioria nanica, para se contrapor ao peso da dupla PT-PMDB.
Na ocasião, o deputado, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) reagiu imediatamente à notícia:
-Se eles fizerem isso para tentar virar maioria, nós vamos formar não um bloco, mas uma placa tectônica.

CAGÃO

DORA KRAMER

O papel de Palocci 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 19/11/2010

No início da semana o presidente Luiz Inácio da Silva e a presidente eleita Dilma Rousseff tiveram uma longa conversa sobre a montagem do futuro ministério. Repassaram nomes, revisaram critérios, fizeram algumas escolhas e mantiveram o que foi tratado ali sob reserva.

Ela permanece "fechada em copas" - como diz um interlocutor constante do eixo São Paulo-Brasília - e ele respeita o estilo. Bem diferente da armação das equipes de Lula nos dois governos, quando as informações eram compartilhadas sem muita cerimônia.

Até agora o que se ouve são versões, expressões de desejos, tentativas de pressão. A partir daquela conversa entre Lula e Dilma, as definições começarão a ser ventiladas com um grau razoável de confiabilidade.

Antônio Palocci, por exemplo, já foi citado para integrar a equipe econômica, para comandar a pasta da Saúde e para ocupar o Ministério das Comunicações. É "escalado" até como alvo de José Dirceu, que estaria trabalhando para ver Palocci longe do Palácio do Planalto.

Mas e ele, onde gostaria de ficar? Note-se que Palocci hoje é, depois de Lula, talvez a pessoa com maior ascendência sobre Dilma Rousseff.

Recentemente o ex-ministro da Fazenda, até outro dia cabeça da campanha e agora comandante-chefe do processo de transição, revelou a um conselheiro o que de fato o deixaria satisfeito: a Casa Civil desidratada de algumas funções de gerência, como a administração do PAC, ou a Secretaria-Geral da Presidência, recuperada em algumas funções que exercia à época do governo Fernando Henrique Cardoso, acrescida de tarefas hoje na jurisdição da pasta das Relações Institucionais.

Funções políticas de intermediação com o Congresso e com os demais ministérios. O que Dirceu tirou da secretaria-geral, deixando Luiz Dulci praticamente reduzido a redator de discursos presidenciais nunca lidos, Palocci gostaria de recuperar e acrescentar a elas a interface com o empresariado.

O essencial para ele seria estar no palácio: ficaria acima da disputa de cargos dos partidos da coalizão, um patamar sem acesso aos assentos do Planalto; reforçaria o grupo mais próximo da presidente, e de certa forma ficaria longe de vidraças passíveis de ser mais atingidas na hora do tiroteio.

Registre-se que Palocci ainda não está politicamente absolvido do caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Agora mesmo o PT teve de desistir de lançá-lo candidato ao governo de São Paulo porque as pesquisas indicavam rejeição ainda por causa do escândalo.

A expectativa é que a passagem de Palocci pelo governo Dilma sirva também para "fechar" o episódio e polir a imagem dele de modo a deixá-lo eleitoralmente zerado. Seja para a prefeitura paulistana em 2012, o governo paulista em 2014 ou para a sucessão de Dilma.

"É pejorativo". O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, diz que não houve revés algum no "blocão" de deputados governistas para atuar em conjunto no Congresso. Ao contrário, "agora quando falar com o governo, Michel Temer fala em nome de mais de 200 deputados", informa.

Segundo ele, o bloco será formalizado no início da próxima legislatura, em fevereiro. Henrique Eduardo, aliás, não viu razão para tanta reação. "Não houve intenção de pressionar", garante.

"Apenas resolvemos organizar a base que estava se desentendendo por causa de cargos. Governo de coalizão funciona assim, não sei por que chamam de fisiologismo, é pejorativo."

Afinal, acrescenta, ninguém quer expandir, só manter os territórios atuais. "A presidente não podia encontrar um campo conflagrado. Agora entregamos a ela o tabuleiro de xadrez com as peças postas. Ela joga como achar melhor."

Muito embora o líder considere mais prudente ela jogar conforme espera o PMDB, preservando os atuais espaços. "Dilma precisará de uma base mais unida e fiel que Lula porque está construindo sua trajetória agora, junto conosco."

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Receita tributária de SP cresce 11,8% no acumulado do ano ante 2009 
 Maria Cristina Frias 

Folha de S.Paulo - 19/11/2010

No acumulado de janeiro a outubro de 2010, a receita tributária do Estado de São Paulo totalizou R$ 88,3 bilhões, com expansão de 11,8% em relação a igual período do ano anterior.
Os dados, que serão divulgados hoje, são da Secretaria da Fazenda paulista.
Em outubro, atingiu R$ 8,6 bilhões, com crescimento, em termos reais, de 4,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O indicador de tendência apresentou crescimento de 11,9%, muito próximo da taxa de crescimento registrada no acumulado do ano.
Em relação ao mês anterior, a receita tributária manteve-se estável, com arrecadação real ligeiramente inferior à de setembro.

ICMS
A receita acumulada no ano de ICMS foi de R$ 75,1 bilhões, ante o mesmo período de 2009. Houve crescimento de 13,7%, abaixo dos resultados dos cinco últimos meses. O ICMS representou 85% da arrecadação do ano.
A arrecadação de ICMS em outubro subiu 5,3% em relação ao período em 2009.
Em outubro, a receita do IPVA (líquida do PPD) foi de R$ 267 milhões, com queda real de 0,5% no comparativo com igual mês do ano anterior. No acumulado em 2010, a arrecadação com IPVA chega a R$ 8,9 bilhões e registra alta de 1,6% no período e elevação de 3,3% no indicador dos últimos 12 meses.

TAXAS
O recolhimento de taxas foi de R$ 338 milhões no mês passado e de R$ 3,091 bilhões no acumulado deste ano, com aumento real de 7,4% ante 2009.

CHOCOLATE DA FLORESTA
A baiana Amma, de chocolates orgânicos, fechou parceria com o Salão do Chocolate, o maior evento mundial do setor, realizado em dez cidades como Paris, Moscou, Nova York e Tóquio, para fazer uma edição brasileira.
"Pela primeira vez, o evento será realizado em um país produtor de cacau", diz Diego Badaró, sócio da Amma. O salão está marcado para julho de 2012, em Salvador.
Em paralelo, acontecerão debates sobre o futuro do mercado. Apesar da recente alta do preço do cacau, o que os produtores recebem está longe do ideal, segundo ele.
"Muitos estão abandonando a cultura. Em dez anos, teremos um colapso no mercado, devido à falta de matéria-prima."
Badaró, a quinta geração de uma família de produtores do sul da Bahia, criou a Amma em sociedade com o americano Frederick Schilling, fundador da Dagoba Organic Chocolate.
Cerca de 50% da produção é exportada. A fábrica produz quatro toneladas de chocolates por mês.
"Escolhemos cada grão, cada safra. É como elaborar um vinho", diz Badaró.

Em queda no ano, preços de frango e peru sobem no Natal

O aumento no consumo de aves nas festas de Natal vai elevar seus preços, que tiveram queda ao longo do ano.
O frango especial e o peru, aves mais consumidas nesta época, tiveram respectivamente queda de 17,9% e 11,7% no acumulado até outubro ante o mesmo período de 2009, segundo o Índice de Preços dos Supermercados, que será divulgado hoje pela Apas (Associação Paulista dos Supermercados).
O aumento da demanda pelas classes de renda mais baixa deve estimular um volume 10% superior nas vendas ante o registrado no ano passado, na expectativa do setor supermercadista.
A pressão no preço, porém, pode aparecer na véspera. Entre os consumidores de renda baixa, que não têm freezer, a dificuldade de acondicionar congelados impulsiona a demanda nos dias que antecedem a noite de Natal, de acordo com a Apas.
A alta demanda desencadeará preços 9% mais altos entre a primeira semana de dezembro e a véspera da ceia, segundo a entidade.
Outro dado do indicador de preços mostra que em outubro os supermercados paulistas tiveram alta geral de 2,4% nos produtos, saindo de uma trajetória de queda entre junho e agosto, para uma alta consecutiva entre setembro e outubro.
No acumulado do ano o índice mostra alta de 6,8%.

Consumo A BRMalls amplia investimentos em São Paulo. Na próxima semana inaugura o Granja Vianna, primeiro shopping no município de Cotia, na Grande São Paulo. Os investimentos foram de R$ 175 milhões. A BRMalls inaugura no ano que vem um shopping na Mooca, na capital.

Atendimento... A Algar Tecnologia, empresa do Grupo Algar, acaba de fechar um contrato com a Light para fazer a gestão e a operação integrada dos canais de relacionamento. Serão atendidos mais de 4 milhões de clientes da distribuidora de energia, que atua em 31 municípios do Estado do Rio de Janeiro.
...no Rio Na operação, foram investidos pela empresa R$ 4,3 milhões. A Algar começou a atuar no Estado em agosto, com a operação de "customer services" para a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Refrescante A Halls investiu R$ 2,5 milhões na produção e na promoção do Halls XS Xtra Sound. No ano passado, a marca vendeu cerca de 110 milhões de unidades.

Heliópolis O número de trabalhadores contratados pelo comércio na favela Heliópolis, no Ipiranga, em São Paulo, já representa 10% da população local, de 120 mil moradores, segundo o Sindicato dos Comerciários. No local funciona o pequeno comércio, onde a informalidade chega a 80%.

Embreagem... A Indiana Seguros, do Grupo Liberty, fechou parceria com a chinesa Chery para a venda de seguros de carros nas concessionárias da marca no Brasil.

...chinesa "Crescemos 22% ao ano com os negócios de distribuição de seguros no varejo automotivo", diz Marcos Machini, vice-presidente do grupo. Os produtos já começam a ser distribuídos nas lojas autorizadas da Chery que operam no país.

Sala de aula A Porto Seguro lança um seguro para as instituições de ensino. O objetivo da apólice é garantir assistência aos alunos do estabelecimento segurado em casos de acidente, com coberturas válidas 24 horas, independentemente dos horários das atividades escolares.

Comércio deve contratar 50 mil para o fim do ano em SP

Cerca de 50 mil novos trabalhadores devem ser contratados entre setembro e dezembro na cidade de São Paulo, de acordo com estimativas do Sindicato dos Comerciários.
A maior parte das vagas aparece em shoppings, revendas de veículos e supermercados.
O número equivale aos trabalhadores com carteira assinada, mas como a informalidade ainda é grande no setor, são estimados pela entidade outros cerca de 10 mil trabalhadores sem registro.
No ano passado, devido à crise econômica, esse número não alcançou 30 mil trabalhadores contratados com carteira assinada.
O sindicato estima que mais de 50 mil tenham sido contratados na informalidade, muitos para trabalhar apenas por um mês.
Neste ano o mercado está aquecido, as vendas estão em alta e as contratações acompanham.
A associação dos shoppings estima 100 mil no Estado.

GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Panamericano 
Sonia Racy 

O Estado de S.Paulo - 19/11/2010

Há uma pedra no caminho de quem quer arrematar o Panamericano. O Banco Central, pelo que se apurou, se posiciona contra o repasse do empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito a Silvio Santos, de R$ 2,5 bilhões - um atrativo gigante. Afinal, o FGC deu ao apresentador três anos de carência e dez para pagar. Juros? Abaixo da Selic: 8% ao ano.
Fica a pergunta: sem esse financiamento a la Boa Noite Cinderela (quadro do SBT) o dono do banco consegue comprador?

Dúvidas
Há quem jure que o Panamericano, em 2006, vendeu para dois bancos diferentes o mesmo crédito consignado. Será?
A CEF montou a Caixapar com intuito de adquirir participações em banco. Vai se limitar ao Panamericano?
No IPO feito pelo banco de Silvio Santos, em 2007, foi detectado um CDB de R$ 380 milhões, pagando 28% ao ano. Dizia-se à época que o papel pertencia ao próprio SS. O que não deve ser verdade. A dúvida: o papel ainda existe? Seria o mesmo que está circulando hoje em nome de Adalberto Salgado?
Cadê os R$ 720 milhões pagos pela CEF por 49% do banco?

Urucubaca
Houve problema, anteontem, com as provas do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp), aplicado pelas escolas estaduais, segundo antecipado no blog da coluna.
Descobriu-se 18 casos em Assis, nos quais a numeração das provas não bateu com o número do seu respectivo gabarito. Diretoria de ensino local tentou contornar o problema. Como? Copiando da internet cartões de resposta em branco. Ou seja, sem a numeração devida.
Paulo Renato, secretário da Educação do Estado, recebeu garantia da Vunesp que o percalço foi pequeno. E sem danos para nenhum aluno.

Home, sweet
O primeiríssimo ato de Barros Munhoz, governador em exercício, publicado no Diário Oficial de quarta, foi a liberação de R$ 2 milhões para a região de Itapira.
Assim, o ex-prefeito da cidade fez sua base eleitoral vibrar.

Mineiro
Indagado pela coluna, anteontem, sobre o resultado do jogo Brasil e Argentina, o atacante Ronaldo saiu de escanteio: " Não vi a partida".


Ela, la Bruni
Carla Bruni abre exceção. Fará em São Paulo, show exclusivo para 300 convidados de Henrique Prata. Tudo em prol do Hospital de Câncer de Barretos. Quando? Na semana depois da inauguração da nova ala do complexo de Prata, no dia 22 de abril. Mme Sarkozy é "embaixadora" do hospital.

Bocão
Enquanto a Neoenergia não vem, a CPFL coloca os olhos em novo ativo. Mais precisamente, na cobiçada Eletropaulo.

Descobridora
Foi na Daslu que Daniella Issa Helayel mostrou pela primeira vez suas peças no Brasil. A estilista, xodó da futura princesa Kate Middleton, é motivo de orgulho para Eliana Tranchesi. "Amo quando um brasileiro se projeta internacionalmente. Há dez anos, percebi em Paris que Daniella era talentosa", revela Eliana.

Dupla dinâmica
Lula e Dilma estarão juntos nos festejos da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, presidida por Manuel Tavares de Almeida Filho. Segunda, na Hípica Paulista.

Discreto
Sem alarde, Stephen Zack, presidente da Ordem dos Advogados dos EUA, fez rasante pelo Brasil esta semana. Foi ciceroneado pelo escritório Mattos Muriel Kestener Advogados.


Na frente

O Havaianas Summer conta com Flávio Saretta, no tênis, Rivellino e Dunga, no futebol, e shows de Lulu Santos e Gilmelândia. A partir do dia 1º, no Club Med Itaparica.

Marina Silva fecha o evento Políticas para uma Economia Sustentável, uma parceria Iedi/ FGV. Na terça-feira.

Lou Reed autografa Atravessar o Fogo. Hoje, na Cultura do Conjunto Nacional.
Renato Parada abre mostra de fotos. Hoje, na Livraria da Vila da Fradique.
A São Paulo Companhia de Dança faz temporada popular no Teatro Sérgio Cardoso no fim de semana.

Esquentando os tamborins, o Ponto do Livro exibe hoje Outros Carnavais. Seguido de debate com Luiz Paulo Lima, diretor do documentário.

A mostra de fotos O Lado de Lá - Angola, Congo, Benin, de Ricardo Teles, começa amanhã. Na Pinacoteca.

A exposição Verdade Fraternidade Arte abre, amanhã, no Museu Lasar Segall.
A festa carioca Bailinho rola solta pela primeira vez em Sampa. Hoje, na Barra Funda.

Há quem Jure - maldade pura - que Pilar del Río é a mais nova... Yoko Ono.

MERVAL PEREIRA

Múltiplas visões 
Merval Pereira 

O Globo - 19/11/2010

Os dois scholars chineses que participam da Conferência da Academia da Latinidade, que está sendo realizada este ano no Rio, na Universidade Candido Mendes, Tong Shijun, vice-presidente da Academia Social de Ciências de Xangai, e Wang Ning, professor das Universidades de Xangai e de Tsinghua, trataram a questão democrática como uma consequência da modernidade, mas defenderam a tese de que não existe um modelo único de modernidade, assim como pode haver múltiplas democracias.

O modelo de modernidade chinês seria uma alternativa ao conceito globalizado de modernidade e daria margem à existência de diversos tipos de democracia.

Na sua palestra, o professor da Universidade de Xangai Wang Ning definiu as diversas características das modernidades chinesas, uma das quais é ser o contrário do modelo ocidental, que seria centralizado.

O modelo chinês sofre intervenções também da periferia, com seu centro monolítico se dividindo em diversos centros. Isso é explicável pelo fato de que a China vem se desenvolvendo de maneira assimétrica.

Em Pequim, Xangai, Shenzhen e em outras cidades costeiras, surgem sintomas pós-modernos, como se essas cidades fossem metrópoles ocidentais desenvolvidas.

Mas várias cidades médias no interior do país ainda estão em processo de modernização.

Outra característica chinesa é que a modernidade pode ser paradoxal.

No plano doméstico, ainda está por ser construída, mas em termos internacionais já é uma realidade.

O processo de globalização permitiu à China uma mudança rápida rumo ao desenvolvimento, mas a globalização não se completa se não for assimilada localmente.

Nesse contexto, o professor Wang Ning admite que economicamente a China tem que observar as regulamentações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e de outras instituições globalizadas das quais participa; mas, política e culturalmente, a China ainda tem suas idiossincrasias próprias e únicas tradições e condições, e, por isso precisa atuar nos dois campos, local e global.

O professor acha que a reconstrução da modernidade chinesa, embora desigual e diversificada , servirá como grande contribuição para a realização de um projeto global que ainda está incompleto.

Complementando esse pensamento, o professor Tong Shijun parte do princípio de que a democracia é uma forma de convivência em sociedade que pode ser definida como o exercício de uma “autonomia responsável” pelo cidadão.

Sendo assim, se existem “múltiplas modernidades”, a democracia, como um elemento fundamental da modernidade, pode também ser decupada em múltiplas facetas, de acordo com as condições particulares de cada nação.

Ele usa a definição do filósofo chinês Feng Qi, que dizia que toda ação m o r a l d e v e o b s e r v a r dois princípios básicos: o da razoabilidade e o do livre-arbítrio, que definiriam a “autonomia responsável”.

Mas esses dois princípios recebem diferentes prioridades no Ocidente e na China, ressalta o professor Shijun, o que justificaria a existência de “múltiplas democracias”.

Uma das maiores tarefas dos chineses nos tempos modernos tem sido, ressalta Feng Qi, aprender com o Ocidente o respeito pela livre escolha individual, ao mesmo tempo em que valoriza o papel positivo da tradição que leva a que o cidadão baseie seu livre-arbítrio no critério da razoabilidade, que para os chineses tem precedência sobre a vontade individual.

Essas “condições particulares” de cada nação é que justificariam o modelo de “múltiplas democracias”.

O professor Tong Shijun diz que na China, por exemplo, há a tradição de respeitar o professor e valorizar a educação, e o modelo professor- aluno tradicion a l m e n t e é mu i t o i nfluente na sociedade.

Uma boa consequência disso é que pessoas mais bem educadas e com experiências ricas podem mais facilmente ganhar o respeito de outras pessoas, e a maioria das pessoas pode mais facilmente ser convencida de que deve ouvir aqueles que são mais sábios e virtuosos.

Na China, o nível de democracia em uma comunidade tende a ser m e d i d o p e l o g r a u d e atendimento dos reais interesses do cidadão e pela eficiência de seus líderes nesse atendimento, muito mais do que pelos procedimentos formais através dos quais os interesses da população são encaminhados.

As diversas formas de decisão coletiva estão em discussão na China, destaca o professor Tong Shijun, e também o interesse individual pela sua comunidade e o nível de confiança que os cidadãos têm em suas próprias opiniões.

Ele ressalta que nos últimos anos existe um grande empenho para que se adote no país uma forma de “democracia socialista com características chinesas”, embora essa ainda seja uma questão em debate.

Assim como se debatem experimentos como a “democracia intrapartidária” ou a “democracia consultiva”, que seria a democracia direta.

SEM PROTETOR

ILIMAR FRANCO

A primeira mulher 
Ilimar Franco 

O Globo - 19/11/2010

A principal assessora da presidente eleita, Dilma Rousseff, na coordenação do PAC, Miriam Belchior, está com um pé no Ministério do Planejamento. Ela é o segundo nome da equipe econômica, depois de Guido Mantega (Fazenda) praticamente definido. Dilma também decidiu que seu braço-direito no Palácio do Planalto será Antonio Palocci, que já foi investido, na transição, de funções de coordenação que são próprias da Casa Civil.

Antonio Palocci na Casa Civil

Mesmo os que torciam o nariz para a escolha da presidente eleita, Dilma Rousseff, reconhecem que Antonio Palocci será seu braço direito. Os mais próximos da futura presidente dizem: “Seria um desperdício confinar a experiência de Palocci numa pasta setorial”. Sobre o risco dele fazer sombra, os amigos afirmam: “A insegurança e a falta de confiança em si são males dos quais Dilma não padece”. Palocci acompanha todos os passos da presidente. “É com ele que ela conversa tudo, é ele quem executa as tarefas mais delicadas e é dele que lhe chegam as informações estratégicas”, relatou um interlocutor da futura presidente.

Novo alvo

Além de disputar ministérios, as Presidências da Câmara e do Senado, e cargos de segundo escalão com partidos aliados, o PT quer a liderança do governo no Senado. A função é exercida atualmente pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Miscelânea
Depois de lançar Marina Silva para presidente e ficar independente no segundo turno, o PV discute a formação de um bloco parlamentar com o PT na Câmara e participou da reunião do Conselho Político do presidente Lula, anteontem.

Xadrez na Fazenda
Com Guido Mantega garantido no Ministério da Fazenda, a incógnita é sobre sua equipe. Desgastado com o episódio da quebra do sigilo fiscal de tucanos, o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, não vai continuar no cargo. E o secretário do Tesouro, Arno Augustin, será secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul. Já o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, deve ocupar outro cargo de destaque na futura administração.

O apetite do PT baiano
O PT da Bahia quer emplacar o secretário estadual de Saúde, Jorge Sola, no Ministério da Saúde; o chefe de gabinete do governador Jaques Wagner, Fernando Schmidt, que é do PSB, na Secretaria dos Portos; manter Sérgio Gabrielli na Presidência da Petrobras ou deslocá-lo para o Ministério da Integração; o deputado federal reeleito Luiz Alberto no Ministério da Igualdade Racial; e a chefe da Casa Civil, Eva Chiavon, se for preciso para cumprir a cota de mulheres no Ministério.

O LÍDER do PT no Senado e candidato ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, está em campanha para ocupar o Ministério da Educação no governo Dilma Rousseff.

O CHEFE de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, vai permancer no Palácio no governo Dilma Rousseff. Seu nome está sendo pensado para a Secretaria-Geral da Presidência.

O LÍDER do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE), disse ontem que seu partido não dará apoio a nenhuma iniciativa que permita a políticos sem mandato serem escolhidos para representar o Brasil no Parlamento do Mercosul.

CELSO MING

Autonomia para quê?
Celso Ming 
O Estado de S.Paulo - 19/11/10



Troca de governo é sempre uma boa hora para rediscutir um punhado de princípios. Um deles, permanentemente sob ameaça no Brasil, é o da autonomia operacional do Banco Central.

Autonomia do Banco Central não significa infalibilidade dos seus dirigentes. Nesse ponto, o ex-candidato da oposição à Presidência da República, José Serra, tem razão: "O Banco Central não é a Santa Sé."

Essa autonomia não é capricho neoliberal, como tanta gente ainda imagina. É a vacina que garante um mínimo de independência em relação aos políticos, que adoram gastar. Se tiverem alguma ingerência sobre as impressoras de moeda, vão produzir dinheiro do nada e deteriorar a principal garantia do crescimento e do emprego, que é a estabilidade do valor intrínseco da moeda.

Se, no uso de sua prerrogativa de autonomia operacional, o Banco Central errar na condução de sua política monetária (política de juros) e não corrigir a tempo, logo virão prejuízos à sua credibilidade. E uma grave lesão na credibilidade o impede de garantir a estabilidade dos preços.

A campanha eleitoral foi pobre em debates sobre questões econômicas. Em todo o caso, algo esparsamente foi dito que o futuro governo deveria exibir permanente sintonia entre o guardião do cofre (Ministério da Fazenda) e o guardião da moeda (Banco Central).

É óbvio que muito bom seria se as políticas públicas pudessem contar com essa harmonia. O problema está em que, assim como foi enunciada, essa exigência pareceu indicar que o Banco Central deve se submeter às determinações da Fazenda. Ou, então, que, na condução de sua política de juros, o Banco Central deve levar em conta a opinião dos condutores da política fiscal, que uma hora podem entender que é necessário preservar o equilíbrio orçamentário e, em outra, que prevaleçam objetivos meramente eleitoreiros - como aconteceu recentemente.

Ou seja, é preciso entender que a precondição de entrosamento entre Fazenda e Banco Central indica que o Banco Central não tem autonomia.

No Brasil, esse princípio não está garantido por lei. Ao contrário, no organograma institucional, o Banco Central está sob jurisdição do Ministério da Fazenda. E o mandato dos seus dirigentes não é estável. Qualquer diretor do Banco Central do Brasil é demissível "ad nutum", bastando para isso o uso da caneta presidencial ou, mesmo, do ministro da Fazenda.

Em fevereiro de 1999, no governo Fernando Henrique, o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, arguiu a ascendência funcional sobre o presidente interino do Banco Central, Francisco Lopes, para destituí-lo do cargo e assumir a condução da mesa de câmbio. Ou seja, no governo Fernando Henrique, o Banco Central não gozava de plena autonomia, ao contrário do que aconteceu, na prática, durante os dois períodos do governo Lula.

Isso significa que, na falta de dispositivo legal, a autonomia operacional para a condução da política monetária ainda é um trato, do tipo fio de bigode, entre chefe de governo e diretoria do Banco Central. Ou seja, é o presidente da República quem opta pelo grau de autonomia e, consequentemente, é quem opta pelo grau de credibilidade que terá o Banco Central.

A presidente eleita, Dilma Rousseff, ainda não deu indicações claras do que pretende. A nomeação do presidente do Banco Central não implicará apenas a definição de um nome. Implicará a escolha do tipo de administração que prevalecerá.


Pobreza teórica
Em discurso pronunciado ontem na abertura da Conferência dos Bancos Centrais, em Frankfurt, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, passou recibo da precariedade da teoria econômica. Avisou que a Economia Política, não importando a diversidade de suas escolas, é ferramenta insuficiente para se entender a atual crise. E recomendou que os analistas busquem inspiração também em outras disciplinas: Física, Engenharia, Psicologia e Biologia.

Pensar mais amplo
Trichet sugeriu que se alargasse o campo de visão: "Os cientistas desenvolveram ferramentas sofisticadas para analisar sistemas que levaram ao entendimento de fenômenos complexos, como epidemias, padrões climáticos, psicologia das massas e campos magnéticos. São disciplinas usadas com certo sucesso na administração de carteiras que podem ser empregadas nas análises do mercado financeiro e do comportamento dos canais de transmissão da política monetária."

GOSTOSA

VINÍCIUS TORRES FREIRE

A orelha sangrenta do PMDB
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO - 19/11/10




É possível ao menos conter a avacalhação da barganha de ministérios com a "base aliada" e seus oportunismos




É VERDADE que uma pessoa pode passar por idiota ao fazer uma pergunta dessas, mas até para não se render de vez à avacalhação político-programática a gente tem de inquirir: o governo de transição não vai exigir programa ou qualificação de quem vai assumir os ministérios loteados para a "base aliada", para o "blocão" ou, em suma, para o PMDB e similares menores?
É também verdade que o entendimento comum e correto a respeito do assunto é aquele muito bem estilizado pelo cartunista Scabini, na página A2 de ontem da Folha. Na caricatura, uma Dilma Rousseff boquiaberta ouve de um assessor as exigências da "base aliada", demandas que vinham acompanhadas mafiosamente de uma orelha sangrando. Mas precisamos aceitar sem mais a chantagem?
Em parte, nós jornalistas temos culpa nesse cartório, pois condescendemos com tais comportamentos "coisa nossa" e tratamos apenas de relatar as "negociações do resgate", entregues a um cinismo terminal, ainda que por vezes até inconsciente. Mas poderia ser uma promessa de final de ano da presidente eleita, e do jornalismo exigir que a "base aliada" passe a apresentar programas de governo.
É óbvio que o deboche não vem de agora; que os governantes têm pouco espaço de manobra, dado o nosso "presidencialismo de coalizão" com o atraso. Fernando Henrique Cardoso, com seu pragmatismo bem pensado, notou logo o problema e tomou a decisão cristalina de reservar uma parte do ministério para um projeto de governo. O resto foi mais ou menos "seja o que Deus quiser", limitado por projetos "transversais" de governo, como privatizações e agências reguladoras.
FHC reservou para si as pastas econômicas, comunicações, saúde e educação. O mais foi quase todo "peemedebizado" a sangue-frio, pois sem isso haveria caos no Congresso. Lula não teve tal previdência e, no seu primeiro mandato, a emergência do petismo de resultados misturada a uma coalizão parlamentar fraca acabou dando no escândalo do mensalão.
A solução do problema obviamente não depende de "vontade política". Há determinantes políticos, históricos e sociais fortes para o fato de os gabinetes dos governos pós-1985 terem sido retalhados e dilapidados pelo altíssimo baixo clero da política. Mas é possível fazer alguma coisa. Não entregar os ministérios de "porteira fechada" pode ser um meio de atenuar danos.
Por exemplo, o novo governo poderia reduzir o número de nomeações arbitrárias para cargos federais, mais de 20 mil. Isso diminui a barganha e fecha a porteira para muito oportunista. Outra saída é reforçar o poder de agências reguladores, tidas como "instrumento neoliberal" ou de "terceirização" do serviço público. Mas agências podem ter projetos vários; serviriam de contrapeso à invasão dos bárbaros. Enxugar a miríade de fundações e estatais também ajuda -imprensa e o centro do governo teriam mais facilidade de fiscalizar o restante.
Aparentemente mais ingênuo, mas talvez politicamente esperto, é inventar metas, momentos de prestação de contas para o ministério e penalidades para o ministro. Metas públicas e prestação de contas no Congresso, com uma guilhotina metafórica sobre a cabeça do ministro inepto e/ou bandalheiro.

ANCELMO GÓIS

O FEBEAPÁ DE LULA 
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 19/11/10

O pessoal da Presidência da República, ao vistoriar ontem o toldo nos jardins do Palácio Laranjeiras, no Rio, onde Lula recebe hoje da ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, o prêmio Personalidade França-Brasil, ordenou que se cobrissem os seios das estátuas de bronze existentes ali, antiga residência da família Guinle.
Alegaram que Lula poderia ser objeto de deboche, caso fosse fotografado ao lado de uma estátua pelada.

ÚLTIMA FORMA... 
Mas, no começo da noite, a missão precursora presidencial voltou atrás, diante dos argumentos do ridículo da censura.

A VOLTA DO IMPERADOR 
Adriano já decidiu: volta para o Brasil em janeiro. 
Mas não convém os rubro-negros se animarem. Um lobby pesado aproxima o Imperador do Corinthians.

GUERRA DA CULTURA 
Corre na internet um abaixo-assinado pela indicação de Wagner Tiso para ministro da Cultura de Dilma. Ontem, chegava a 600 assinaturas. Veja em peticaopublica.com.br/?pi=P2010N3612.
Há também muitos artistas se mobilizando pela permanência de Juca Ferreira.

OPONENTE AO LADO 
Dilma andou lendo o livro Team of rivals (Time de rivais), biografia de Abraham Lincoln que conta como o presidente americano formou um gabinete com seus oponentes.
Mas, aqui, quem azucrina joga no próprio time.

APAGÃO DO NATAL 
Anac, Polícia Federal e Infraero se reúnem segunda, às 11 horas, no Rio, com dirigentes das companhias aéreas para acertar um pacote de medidas para o fim do ano nos aeroportos. 
Querem evitar o caos ocorrido no passado nesta época.

ÀS COMPRAS 
Tem gente que garante ter visto o empresário Abílio Diniz, dono da maior coleção de supermercados do País, entrando ontem, por volta do meio-dia, no Zona Sul do Leblon, no Rio.

MUITA CALMA NESSA... 
Muita calma nessa hora, primeira incursão de Bruno Mazzeo como produtor, passou dos 350 mil espectadores na sua primeira semana nos cinemas.
Só perde para Tropa de elite 2. Mazzeo prepara mais quatro filmes em parceria com o produtor Augusto Casé.

POXA, ALÊ 
Alexandra Richter, a Jackie da novela Passione, da TV Globo, furou fila, quarta, no lançamento do livro Fora de mim, de Martha Medeiros, na Travessa de Ipanema.

SALVE A RUA BELA! 
Veja só. A coluna publicou um apelo de Denise Bergier, a dona da marca Mercado Infantil que pôs plantas em frente à sua fábrica, na Rua Bela, em São Cristóvão, no Rio, para que outras empresas dali fizessem igual.
Ontem, a Cavendish, grife de moda feminina, resolveu aderir.

TEMPORÃO DA VIOLA 
A Biscoito Fino lançou um CD do Sereno da Madrugada.
Vem a ser o grupo de Fernando Temporão, filho do ministro da Saúde, José Temporão.

SAUDADE 
Tim Lopes, o querido repórter barbaramente assassinado por Elias Maluco e seu bando, em 2002, teria feito 60 anos ontem.

JUMENTA

JOÃO MELLÃO NETO

Lula e Geisel, iguais?!
João Mellão Neto 
O Estado de S.Paulo - 19/11/10



Meu caro Lula, agora que seus oito anos de governo estão chegando ao fim já dá para fazer um balanço realista do que foi obtido de concreto nesse período. Não há risco de que seus acólitos argumentem que tudo o que digo a seguir tenha finalidades inconfessáveis ou de fundo eleitoreiro. Você já logrou consagrar nas urnas a sua sucessora e nada mais pode mudar isso... Vamos, então, falar com franqueza.

Eu bem me recordo de ter tomado ciência de sua existência no longínquo ano de 1977, quando ingressei na faculdade e me entusiasmei com o movimento estudantil. Você já era uma celebridade, pois exercia o posto de presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ao que tudo indicava, estava se iniciando - como nunca antes se vira neste país - um "movimento sindical independente".

Nós, universitários, acreditávamos piamente em tudo o que você e os professores simpáticos à sua causa diziam. Mais do que acreditar, nós nos dispúnhamos a sair às ruas para manifestar o nosso desagrado com "tudo aquilo que estava aí"... Eram os tempos do famigerado "regime militar" - a "ditadura" que vocês não se cansam de execrar. O presidente de plantão era o general Ernesto Geisel e, bem me lembro, tudo o que ele fazia era recriminado no mesmo dia, em sala de aula.

Agora, passado tanto tempo, dou tratos à memória e percebo que quase tudo o que vocês tanto repudiavam foi realizado quando chegaram ao poder. Não dá para "pedir meu dinheiro de volta". Nós, então jovens, não investimos dinheiro em vocês. Muito mais que isso, investimos nosso tempo, nosso empenho e nossos sonhos nas suas causas. Essas coisas não há como recuperar.

Comecemos pela questão sindical: vocês alegavam que todos os líderes sindicais de até então eram "pelegos" - ou seja, faziam o jogo dos patrões e do governo. Já vocês eram diferentes. Pois bem, é com grande pesar que a gente se dá conta de que, de uns anos para cá, todas as centrais trabalhistas se uniram. E todas apoiam o governo... Cadê aquela altivez e a independência a que vocês se propunham?

Até mesmo a União Nacional dos Estudantes (UNE), que sempre foi de oposição, agora se declara a favor... Não foi para isso que, naquela época, a gente se empenhou tanto...

Tudo se repete. Pois não foram justamente os governantes militares, que vocês não se cansam de detratar, que apelaram exaustivamente para o discurso fácil do nacionalismo triunfalista?

"Brasil potência", "Nação emergente", "o Brasil, agora, é respeitado lá fora": tudo isso não lhe soa familiar? O seu pessoal e também você vivem repetindo esses mantras. Mas essas expressões eram típicas do regime militar. Basta reler o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), da gestão Geisel. Estão todas lá.

Será possível que vocês agora tenham dado de ressuscitar coisas da era Geisel? E as semelhanças não se revelam só no campo da retórica. Tem muito mais.

A política externa dita independente foi um dos trunfos de Geisel. O general assumia publicamente o seu antiamericanismo e o exercia, na prática, voltando os esforços do Itamaraty para o continente africano e demais países "subdesenvolvidos". Como não dava (e ainda não dá) para viver sem nenhum país rico por perto, o Brasil, à época, voltou-se para a Alemanha, definida, então, como "parceira estratégica".

A "parceira estratégica", agora, é a França. A ideia, desde sempre, é a de fustigar os Estados Unidos.

Você, presidente Lula, se aliou ao Irã. Esse país, além de estar sob uma ditadura, está sendo condenado pela comunidade das nações porque vem desenvolvendo um programa nuclear paralelo com vista à bomba.

Pois nos tempos do general Ernesto Geisel quem era recriminado pelo conjunto das nações pelo mesmo motivos éramos nós, os brasileiros. E pagamos caro por isso. Alguns anos depois, já na década de 1980, a conjuntura econômica internacional mudou e o Brasil, com isso, quebrou. Fomos lá, pedir ajuda, justamente àquelas nações ricas de que antes tripudiávamos.

Os governos militares, como agora com você, Lula, também acreditavam no "Estado forte". E no texto do II PND deixavam isso muito claro. Cabia ao Estado criar mecanismos para "distribuir renda" e também "nortear e impulsionar o desenvolvimento". Como? Por meio dos investimentos das empresas estatais e também do crédito abundante para as poucas empresas privadas que - aos olhos deles - "reuniam condições de se tornarem grandes".

Exatamente como o seu governo vem fazendo - valendo-se do BNDES e de outros meios. Está certo isso?

Como dizia, em 1977, um professor de Economia lá da minha faculdade - que, mais tarde, seria um político bem-sucedido do PT, "este tipo de política é danoso para a economia e também muito questionável, no campo moral. Para a economia é ruim porque cria "oligopólios" em cada um dos setores do mercado. Três marcas de carros, três marcas de sabonete, três grandes bancos, etc. Oligopólios são preguiçosos e seus membros nunca concorrem entre si. E, portanto, não inovam. No campo moral o problema é que cabe exclusivamente ao governo decidir quais as empresas que podem ter crédito subsidiado e a longo prazo. As suas concorrentes que afundem no mar. No caso, o mercado. E os critérios serão sempre subjetivos e nada transparentes. Para que investir em eficiência? Vale mais ter bons contatos no governo e ser amigo do rei."

Mudando de assunto, qual é, afinal, a diferença entre o II PND e o PAC? Não só os argumentos, como também as palavras e expressões são idênticos...

É isso aí, Lula. Você está prestes a descer a rampa e se juntar a nós, mortais comuns, na planície. E eu lhe pergunto: como faço, agora, para resgatar a minha juventude? Mande parar o Brasil, porque eu quero descer!

WASHINGTON NOVAES

Energia - mitos que custam caro
Washington Novaes 


O Estado de S.Paulo - 19/11/10
É preciso prestar atenção ao estudo que acaba de ser divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (Estado, 11/11), segundo o qual a indústria brasileira pode economizar 25% da energia que consome, a começar pela indústria siderúrgica, seguida pelos setores de cerâmica, química, papel e celulose e cimento. É um trabalho na mesma direção do estudo feito em 2006 pela Unicamp, WWF e outras instituições, mostrando que o País pode viver tranquilamente com metade da energia que consome hoje: pode economizar 30% com conservação e eficiência energética (tal como fez no "apagão de 2001, sem nenhum prejuízo para o País); mais 10% com ganhos nas linhas de transmissão (que hoje perdem entre 15% e 17% da energia que transmitem); e mais 10% repotenciando geradores antigos de usinas, hoje com baixo rendimento, e a custos muitas vezes menores que o da construção de mais hidrelétricas. Esse estudo está sendo revisto neste momento por um grupo no Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, coordenado pelo ex-ministro e ex-secretário José Goldemberg, que está preocupado com o processo de licenciamento de novas usinas na Amazônia, principalmente nas regiões dos Rios Teles Pires e Tapajós, que implicam problemas em terras indígenas, parques e áreas federais de conservação - sem falar no projeto de Belo Monte, que recebeu no próprio Ibama mais dois pareceres contrários ao início das obras.
Curiosamente, o planejamento federal no Brasil continua a trabalhar com a premissa de que o País, para crescer 7% ao ano nos próximos 12 anos, precisa dobrar seu consumo per capita de energia (Agência Brasil, 7/7). E para isso precisaria acrescentar mais 5,1 GW ao seu potencial energético a cada ano, até 2022. Planejamento provavelmente comandado pelo oligopólio das grandes construtoras de usinas, geradoras e distribuidoras de energia - levando em conta seus interesses específicos, não exatamente os de todo o País. Não por acaso, o governo federal inicia neste momento o leilão de mais dez hidrelétricas, com potência total de 3.820 MW, metade das quais nas bacias dos Rios Teles Pires e São Francisco e metade na do Parnaíba (Maranhão e Piauí). As hidrelétricas do Teles Pires serão altamente complicadas, por incluírem terras indígenas e parques nacionais, da mesma forma que as da bacia do Tapajós, que deverão vir logo a seguir.
Se ainda fosse pouco, o setor de energia está dando prioridade nos novos leilões a usinas termoelétricas, altamente poluidoras, sob o pretexto de poupar água nos reservatórios de hidrelétricas. Por essas e outras, o consumo médio de energia termoelétrica em setembro último chegou a 12,5 vezes mais que em setembro do ano passado (Folha de S.Paulo, 7/10). Tem mais: o governo federal dobrou o subsídio para uso de energia termoelétrica na Região Norte do País, que este ano vai para R$ 4 bilhões - distribuídos pelas contas de todos os consumidores no País, inclusive dos que eventualmente estejam lendo este artigo. Algo tão abstruso que o Tribunal de Contas da União já sentenciou que a Aneel não tem nenhum controle sobre o consumo real de combustível nas 301 termoelétricas da região (Folha de S.Paulo, 14/8) - enquanto destina a energia hidrelétrica de Tucuruí, muito mais barata, quase toda para os conglomerados de exportação de alumínio, com altíssimos subsídios (que também vão para a conta de todos os consumidores no País). Da mesma forma que provavelmente fará com a energia da vergonhosa Usina de Belo Monte. E por essas e outras a produção de energia termoelétrica passou de 5,6% do total em junho do ano passado para 7,8% em junho deste ano (idem, 7/7).
A iniciativa do estudo da Confederação Nacional da Indústria, por isso, é muito bem-vinda. Outro estudo, do IFC, que é órgão do Banco Mundial, mostrou há poucos dias que os edifícios comerciais e públicos no Brasil consomem 80% da energia total (reforçando a tese da possibilidade de redução enfatizada pela Unicamp/WWF). A economia de energia fica ainda mais decisiva se se atentar para números divulgados por este jornal (3/9): 54,8% da energia consumida no País não provém de fontes renováveis, só o petróleo e derivados respondem por 40% (hidrelétrica, 13,9%).
Também adquire importância excepcional iniciativa da Hidrelétrica de Itaipu de estimular e financiar a implantação de sistemas geradores de energia em pequenas propriedades rurais a partir do biogás derivado de dejetos animais (bois, porcos, frangos). Além de reduzirem seus gastos com o pagamento de energia da rede, principalmente nos horários de pico (quando ela é mais cara), os pequenos produtores podem colocar o excedente da produção de energia na rede estadual de distribuição e ser remunerados por isso. É um exemplo a ser seguido em todo o País.
A cada dia são mais alarmantes as notícias sobre desastres climáticos, intensificados pela emissão de gases que se concentram na atmosfera, bem como sobre a insustentabilidade dos atuais níveis de consumo de recursos no mundo. O relatório sobre "pegada de carbono" na China divulgado pelo WWF (Agência EFE, 16/11) diz que, se o mundo usasse recursos e gerasse resíduos como a China, "necessitaria de um planeta 1,2 vez maior que a Terra". E nesse país "a construção e o transporte, associados ao avanço no nível de vida, contribuíram em grande medida para que as emissões de dióxido de carbono atingissem 54% do impacto ecológico nacional". Já como a maior emissora de poluentes no mundo, a China compromete-se a reduzir sua "intensidade de carbono" (emissões totais divididas pelo PIB) entre 40% e 45% até 2020, calculada sobre 2005.
Lá, como em toda parte, o setor da energia é o maior responsável por emissões. Por isso o mundo terá de caminhar rapidamente para a redução do consumo de energia e para o uso de combustíveis renováveis e não poluentes. Não se deve perder tempo.

GOSTOSA

LUIZ ALBERTO WEBER

Ministério com "cara de Dilma" começa com nome de Lula
Luiz Alberto Weber 
O Estado de S.Paulo - 19 /11/10



Como o personagem Zelig, o inseguro homem-camaleão criado por Woody Allen que mimetiza a aparência e o modo de agir das pessoas que o cercam, o ministério que começa a emergir da prancheta de Dilma Rousseff aos poucos adquire as feições da Esplanada do coração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A escolha de Guido Mantega, ministro da Fazenda de Lula, para se manter no mesmo e estratégico cargo, indica que não há fronteiras de opinião entre sucedido e sucessora. Inventada por Lula, catapultada por Lula, Dilma aparenta dificuldades em ser Dilma.

Pajeada nesse período de transição pelo presidente- que interveio para resgatá-la da manobra parlamentar do PMDB e dos apetites dos aliados - Dilma, até aqui, não revelou sua histórica identidade e personalidade.

Há 15 dias, o presidente, preocupado com a imagem uma presidente eleita e tutelada por ele, organizou uma entrevista coletiva para anunciar que o governo que o sucede teria "a cara da Dilma". E emendou: "Pela minha experiência de vida e de montagem de governo, o governo da Dilma tem que ser a cara e a semelhança da Dilma".

Mas o rol de ministeriáveis de Dilma é uma coleção de nomes lulistas. Certo para o novo governo, o ex-ministro Antonio Palocci foi integrante da primeira equipe de Lula e só saiu na esteira do escândalo da violação de sigilo do caseiro Francenildo Costa.

Lula busca um lugar de relevo, cogita-se um ministério, para seu secretário particular, Gilberto Carvalho. Mais do que qualquer reivindicação dos aliados, as escolhas de Lula começam a se impor à Esplanada de Dilma.

Até mesmo as antipatias do presidente servem para rifar postulantes que gostariam de permanecer colados em suas pastas. Agastado com problemas na reta final de seu governo em áreas como Educação e Saúde, Lula emite sinais de veto branco aos ocupantes.

Na ficção, a personagem Mia Farrow, uma psiquiatra, usa hipnose para descobrir que Zelig anseia tão fortemente por aprovação que se transforma nos outros. Com mais de 80% de aprovação popular, Lula é politicamente inigualável pelos seus pares petistas. E, agora, a protagonista é Dilma.

CLÁUDIO HUMBERTO


Moreira deve ser confirmado no governo
 
O ex-governador do Rio Moreira Franco deve ser confirmado como um dos representantes do PMDB no ministério do futuro governo. Além de muito próximo do vice-presidente eleito Michel Temer, ele integrou a coordenação da campanha de Dilma. Esta semana, em conversa com Temer, a presidenta eleita se derramou em elogios a Moreira. Ele quer ser ministro de Cidades, mas pode acabar nas Comunicações.


Amigo na
praça

Amigos de Michel Temer, o deputado Henrique Eduardo Alves deve presidir a Câmara e o paulista Wagner Rossi pode até virar ministro.


Ministério 38

Para acomodar todos os interesses, Dilma teria de dobrar o número de ministérios, mas ela pretende criar só o de Micro e Pequenas Empresas.


Lobão de volta

O senador Edison Lobão (PMDB-MA) continua o favorito para retornar ao Ministério de Minas e Energia. Mas o PT também quer o cargo.


Mais do mesmo

O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, deve ficar no emprego "pelo menos até a consolidação do pré-sal", diz um dirigente petista.


Na Copa

Brasília ainda não desistiu de sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014. O Estádio Nacional já começou a ser construído e ficará pronto em dezembro de 2012, seis meses antes da Copa das Confederações.


Vingança

O senador Cristovam Buarque (DF) se vingou mandando demitir três assessores da liderança do PDT no Senado, ligados ao presidente do partido no DF, Ezequiel Nascimento. Foi a retaliação pelo fato de Ezequiel revelar o financiamento secreto do PSDB à sua campanha presidencial, em 2006. Fortalecendo sua candidatura, os tucanos esperavam tirar votos do presidente Lula, que disputava a reeleição.

Guerra aberta

Ezequiel reagiu a Cristovam, revelando o acordo secreto com o PSDB, quando o senador se aliou ao grupo que pretende destituí-lo do PDT.


Tempo na TV

Adversários acusam Ezequiel de usar em seu benefício todo o tempo do PDT na TV. Ele atribui a decisão à executiva do partido.


Deu certo

O PDT-DF também deu todo o tempo disponível para a candidatura de Antonio Reguffe, o deputado federal campeão de votos.


Poço de mágoas

Ontem, no enterro da mãe, falecida aos 81 anos, a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra estava muito abatida. E magoada com a ausência de ex-colegas do governo e o mal que o escândalo fez a sua família.


Rei posto

Acabou a era José Serra no PSDB. O governador eleito de São Paulo Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves, de Minas, retomaram a antiga aliança que deve reduzir o espaço dos serristas na estrutura tucana.


Promoção

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), deve ter seu salário reajustado dos atuais R$ 9,6 mil para perto de R$ 22 mil. Reeleito quase por unanimidade, é quase uma questão de mérito.


Lugar certo

O secretário de Educação do governo do DF, Sinval Lucas, nomeou a cunhada, Rejane Lucas, para chefiar o núcleo que examina a prestação de contas de escolas e diretorias regionais de ensino. Humm...


FRASE DO DIA


"Nós não podemos forçar a barra"

Ministro Carlos Lupi, do Trabalho, jogando a toalha sobre sua presença no governo Dilma

PODER SEM PUDOR

Pena estatizante
O Congresso discutia a pena de morte, em 1990, quando o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) revelou ao amigo e colega Guilherme Palmeira (AL) que votaria a favor da pena de morte para assassinos:
- Mas como, Jorge? Vai trair os seus ideais? - reagiu Palmeira.
- Que ideais? Religiosos?
- Não, os liberais - brincou Palmeira, completando a gozação - Você quer estatizar uma das poucas instituições privadas no Nordeste?

NOVO SABOR

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: De Silva para Rousseff - Dilma convida, mas Meirelles só fica com autonomia no BC

- Folha: Mantega aceita convite de Dilma e fica na Fazenda

- Estadão: Mantega fica e Meirelles exige autonomia para continuar

- JB: A classe C levanta vôo

- Correio: Dilma vai definir bancos, estatais e área econômica

- Valor: Empresas têm resultados recordes no 3º trimestre

- Estado de Minas: Meirelles deve deixar BC. Mantega fica na Fazenda

- Jornal do Commercio: Cai a liminar do novo Enem

- Zero Hora: Yeda volta a ser ré em ação para reaver verbas do Detran