quarta-feira, outubro 13, 2010

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Oremos
RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/10/10

Embora tenha considerado bem sucedida a visita de Dilma Rousseff, anteontem, ao santuário de Aparecida, a coordenação da campanha presidencial petista avalia que o atrito com a Igreja Católica a propósito do assunto aborto ainda não está superado, demandando novas providências até 31 de outubro. A dificuldade, no entender de aliados, é que na vanguarda da resistência a Dilma estão alguns padres "com mídia", notadamente da Canção Nova.
Como parte do esforço diplomático, a candidata deverá se encontrar, na semana que vem, com o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta.


Pé no freio A vantagem relativamente estreita de Dilma sobre Serra no primeiro Datafolha do segundo turno contribuiu para congelar as negociações em torno de um apoio formal do PP à petista.

Expedição Para aplainar o caminho de Dilma, os peemedebistas Michel Temer e Moreira Franco desembarcam sexta em Minas para conversa com o correligionário Hélio Costa, magoado após a derrota local. Na próxima semana, a dupla irá a Porto Alegre com a missão de engajar prefeitos do partido.

Roupa de missa Rodeado por gente vestida com trajes informais e majoritariamente de vermelho, Temer, de blazer preto sobre camisa branca, destoava no palanque de Lula e Dilma anteontem em Ceilândia (DF). Na plateia, alguém brincou: "O vice veio de padre".

Mix Fala de Temer na propaganda de TV: "O PMDB foi o partido da redemocratização. E Lula é o defensor da justiça social. A síntese da união entre Lula e PMDB é a candidatura Dilma".

Prazo de validade As privatizações, tema predileto da campanha de Dilma, não mereceram nenhuma ênfase na versão do plano de governo entregue anteontem à candidata. O documento deve ser divulgado em breve.

Termômetro Relatório distribuído por analistas do Bank of America Merrill Lynch diz que o desempenho de Serra nas pesquisas mais recentes surpreendeu investidores presentes a uma conferência dias atrás em Washington. "Embora continuem a ver Dilma como favorita para vencer, eles acreditam que o risco de virada aumentou", registra o texto.

Fogo amigo Agora martelado por Dilma, o caso de Paulo Preto, ex-diretor da Dersa envolvido em suspeita de formação de caixa dois para campanhas eleitorais, chegou ao noticiário na esteira de uma disputa interna do PSDB que teve como um dos personagens o vice-presidente Eduardo Jorge.

Já pra oca! Depois que Dilma citou Indio da Costa (DEM-RJ) no debate como propagador de "calúnias, mentiras e difamações", o comando da campanha de Serra fez chegar ao vice um sinal para se recolher.

Sempre... Geraldo Alckmin, que na campanha manifestou intenção de enxugar o número de secretarias do governo paulista, enfrentará demanda para acolher tucanos derrotados nas urnas, como Vanderlei Macris, Arnaldo Madeira, Silvio Torres, Antonio Carlos Pannunzio, Renato Amary, Walter Feldmann e Ricardo Montoro.

...cabe mais um Nem todos, porém, irão para a administração. O mais provável é que Alckmin nomeie deputados eleitos de sua confiança, como Edson Aparecido, Emanuel Fernandes, Duarte Nogueira e Julio Semeghini, abrindo espaço para outros nomes do PSDB na Câmara.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Dilma encontrou a solução ideal para fazer seu tratamento de acupuntura: ela recebe as agulhas, e o povo sente a dor no bolso."
DO DEPUTADO JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA), sobre reportagem da revista "Veja" segundo a qual o chinês naturalizado brasileiro Gu Zhou-Ji foi nomeado assessor técnico quando a Casa Civil era comandada pela atual candidata.

contraponto

A pão e água


Ao discursar, na noite de 3 de outubro, no Expo Barra Funda, José Serra enumerava agradecimentos a aliados e colaboradores pela passagem para o segundo turno quando fez uma pausa ao mencionar o coordenador administrativo da campanha, José Henrique Reis Lobo, cuja parcimônia na liberação de material de propaganda provocou protestos:
-Eu queria agradecer ao Lobo, que foi muito austero. Aliás, por ele a gente não teria hoje aqui nem metade dessas bandeiras e faixas...

FERNANDO JORGE C. PEREIRA

O veneno do marketing
FERNANDO JORGE C. PEREIRA
O GLOBO - 13/10/10



Encerrada a apuração, foi impossível ao PT esconder a perplexidade com os resultados.

A vitória no primeiro turno - tida como certa - não ocorreu, Marina foi muito mais longe do que se supunha, os tucanos - mesmo com baixas significativas - venceram nas unidades da federação de maior peso e, o mais desconfortável, Lula com seus destemperos, vendetas pessoais e desmedida arrogância, acabou apontado como um dos grandes responsáveis pelo revés. Se a vitória pertenceria a Lula, a derrota também, e ficou demonstrado que, longe do que tanto se apregoava, ele não tem nada de imbatível.

Declarações infelizes da candidata sobre aborto e Deus - que pelo visto não é petista - consolidaram uma hostilidade contra Dilma que precisa ser enfrentada, mas o PT se digladia em suas lutas internas e disputas com o PMDB, que é acima de tudo pragmático e fragmentado.

Pouco afeito a contrariedades, Lula submergiu. Há alguns dias quase não fala. Percebendo a disfunção do humor presidencial, muitos o registraram. Até Requião - imaginem - recomendou paz e amor ao presidente. Os críticos aliados, todavia, falaram interna corporis e a solução sobrou para o marqueteiro.

Marqueteiros tradicionalmente recomendam aos candidatos fugir de assuntos controversos e divisivos - como o aborto -, mas, se isso for impossível, aconselham posicionamentos evasivos para minimizar perdas. Assim, temos hoje uma Dilma "cândida" - quem diria! - a dizer coisas tais como "sou a favor da vida" ou "se eu tive um neto é porque sou contra o aborto".

Por óbvio, não convence ninguém.

Tivesse ouvido apenas o bom senso, Dilma saberia que, com tal atitude, perde duas vezes: a primeira entre os que são rigorosamente contra o aborto e a segunda - contingente muito maior - entre os que são contra a mentira, a desfaçatez e a covardia.

Aparentemente esquecida da internet, não contou com a circulação de vídeos e textos onde suas posições anteriores são francamente expostas em toda a sua leniência neste assunto e, no mínimo, favorável à descriminalização do aborto num contexto de pretensas justificativas sociais ou dialogando com um feminismo de bravata.

A desconfiança que se instala na sociedade acerca de Dilma e suas posições contamina os atributos que ela quis construir, e inevitavelmente mistura fatos, significados, boatos, mentiras e suspeitas. A eventual primeira mulher presidente defende o aborto? Com Lula se pode mais do que Deus? E no rastro de seus desmentidos ... ela quer ou não quer o controle (ou censura?) da mídia? Afinal, Dilma esconde o que pensa? A verdade é que quando o marketing leva à troca de convicções por conveniências, é fácil cair num redemoinho sem volta. Hoje, a comunicação de Dilma Rousseff se dedica à ingrata tarefa de recalibrar posicionamentos.

A tentativa de impregnar seu primeiro programa de temas como "a vida" etc é um tiro a sair pela culatra, na esteira do que foi a despropositada visita em Minas à capela do Mercado Central de Belo Horizonte, recentes aparições com o netinho no colo ou ainda sua biografia "mineira"... tchê.

É assim que o excesso de esperteza marqueteira se torna veneno.

Aos olhos do cidadão médio, antes ela figurava apenas como a favor do aborto e, de salto alto, teria afirmado que nem Jesus lhe tiraria a vitória.

Desmentindo peremptoriamente fatos documentados, nos convenceu que também não diz a verdade. Agora vemos que, além de tudo isso, ela ainda pensa que somos bobos, que não notamos seus truques.

José Serra, o outro candidato a presidente, tem muito a ajustar em sua campanha e para isso precisa se lembrar da fala do povo de que "camarão que dorme a onda leva".

Dilma deve entender, porém, que fez o seu remédio tornar-se veneno.

Persistir no erro é opção dela, mas não esqueça: veneno mata e é para sobreviver que jararaca não morde a língua

FERNANDO JORGE C. PEREIRA é sociólogo.

O ESGOTO DO BRASIL E A CABEÇA OCA

CELSO MING

É a privatização
Celso Ming 
O Estado de S.Paulo - 13/10/10



A privatização ou não das empresas estatais aterrissou no debate eleitoral do pior jeito, misturada ora com os preconceitos que ainda permeiam o lado da candidata do PT, ora com uma espécie de vergonha de enfrentar o tema, como às vezes parece ser a disposição do candidato da oposição.
Há várias maneiras inadequadas de lidar com o assunto. Uma delas é tratá-la como deformação da doutrina socialista, que batalha pela estatização dos meios de produção e imagina que empresas devam sempre ser estatais.
Outra, derivada da visão sindicalista, é entender que as grandes empresas nacionais devam ser controladas pelo Estado porque, além da estabilidade de emprego, garantiriam benefícios para os funcionários: plano de carreira, boa aposentadoria e certa imunidade aos riscos de lutas reivindicatórias.
A forte presença do Estado na administração econômica é também apoiada por políticos que veem nela a possibilidade de dar emprego para protegidos. Uma deturpação ainda mais perversa é a daqueles que pretendem usar a estrutura das empresas públicas como oportunidade de aparelhamento do Estado para fins variados, todos eles condenáveis: aumentar o jogo do poder, morder contribuições de financiamento de campanha ou, simplesmente, participar de esquemas de corrupção.

Do outro lado, o combate a essas deformações da estatização leva à defesa da privatização por vários motivos, que podem ser bons ou não.

Alguns políticos podem pretender privatizar também para ter oportunidades de gerar mordidas extras no bolo público. Outros a veem como alavanca fiscal, um jeito de obter mais recursos para projetos de desenvolvimento ou programas sociais. Outros, ainda, o fazem por questões ideológicas que sempre encaram o Estado como mau administrador, mesmo quando não o é.

Ao longo das administrações de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, as privatizações foram intensificadas por uma razão pragmática de fácil entendimento: como o Estado não conta com recursos suficientes para capitalizar as empresas sob sua administração, convém repassá-las para quem tem capital e capacidade administrativa para fazê-lo.

Por esse motivo foram privatizados o setor siderúrgico, o das telecomunicações, o da mineração, o da produção de aviões e uma fieira de bancos estatais. Não fosse a privatização, a Vale do Rio Doce, a Embraer, a telefonia e o setor financeiro não seriam o que são hoje, enquanto produtores de riqueza e de empregos.

O governo Lula sentiu o mesmo problema de escassez de capital, mas tem aumentado a participação do Estado no setor produtivo por meio de mandracarias financeiras e aumento da dívida pública, como se viu na capitalização do BNDES e da Petrobrás. E pretende recorrer aos mesmos procedimentos de qualidade e resultados questionáveis para fortalecer a Eletrobrás e ressuscitar a Telebrás.

Espremer demais as tetas do Tesouro é prática que não pode acabar bem porque os recursos públicos devem se destinar a financiar serviços essenciais: educação, saúde, segurança, benefícios de previdência e, no que couber, investimentos em infraestrutura. Mais cedo ou mais tarde o Estado terá de voltar a intensificar a privatização porque empresas estatais gigantescas exigirão reforços de capital ainda mais gigantescos e, decididamente, o Tesouro não terá recursos para isso.


CONFIRA


Menos por um
Cada dia são precisos menos ienes para comprar um dólar. Ontem a curva cambial fechou assim.

Eu sou você amanhã
Nos anos 90 eram os brasileiros que chamavam os argentinos de "deme dos". Os produtos brasileiros eram tão baratos em pesos que os turistas argentinos invadiam o Sul e levavam tudo em dobro. Agora é a vez dos hermanos: "Gracias al superreal, llega el dê-me dois de los brasileños", dizia ontem o diário La Nación, de Buenos Aires.

MÔNICA BERGAMO

3 X ANDRÉ
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/10/10

O ator André Guerreiro Lopes estreia na sexta, 22, a peça "O Estranho Familiar", no Espaço Ágora, e terá dois filmes na Mostra de SP: ele protagoniza o longa "Luz nas Trevas" e dirige o curta "O Voo de Tulugaq"

ESTÁ PARA PEIXE

O Instituto Butantan desenvolveu uma nova droga de combate à asma, à base do veneno do peixe niquim, conhecido como peixe-sapo. A substância leva vantagem sobre os corticóides normalmente usados no tratamento da doença, que podem causar efeitos colaterais no sistema imunológico, rins e fígado. A droga poderá ser ministrada em quantidades menores do que as normalmente utilizadas pela indústria farmacêutica.

GÔNDOLA
A substância, que já está patenteada, será testada agora para ser usada na produção de medicamentos. O Butantan também deve registrar a patente nos Estados Unidos, União Europeia, Canadá, México, China, Índia, Japão e Coreia do Sul.

QUESTÃO DA MULHER
As pesquisas qualitativas tanto da campanha de José Serra (PSDB) quanto da de Dilma Rousseff (PT) revelaram que o eleitor não aceitou bem o fato de Serra não ter defendido a mulher, Monica, quando a petista a acusou de participar de uma campanha de difamação ao declarar que Dilma é a favor de "matar criancinhas". Na segunda à noite, o programa de Serra saiu em defesa da ex-primeira dama de SP.

TUDO BESTEIRA
Na saída do debate da Band, José Serra minimizou o fato de não ter respondido, no ar, ao ataque de Dilma a Monica Serra. "Defender de quê? De uma besteira dessas?", disse ele à coluna.

CARA A CARA
O resultado da campanha presidencial definirá o desenho do governo de SP. Se Serra vencer, ele ganha força para indicar boa parte dos secretários de Geraldo Alckmin (PSDB-SP), admitem aliados do governador. Caso contrário, Alckmin montará equipe só com a sua cara.

SHOW DE FORÇA
Aécio Neves (PSDB-MG) pretende dar demonstração de força na próxima quinta. A meta inicial de reunir até 300 prefeitos em Minas para pedir empenho na campanha de Serra pulou para 500 nos últimos dias.

SOM E LETRAS
Chico Buarque de Hollanda deve ser a estrela de encontro de intelectuais no Rio com Dilma, no dia 18. Ele assinou manifesto em apoio à petista em que estão também Oscar Niemeyer, Emir Sader, Eric Nepomuceno e Fernando Morais.

EM CAMPO
E o jogador Ronaldo transferiu para sexta o jantar que dará para Dilma em São Paulo. Além de jogadores, ele está convidando jovens empresários para o encontro.

DANCE SEM PARAR
Os atores Claudia Ohana, Mateus Solano, Alexandre Nero e André Ramiro estarão no elenco de "A Novela das Oito", filme de Odilon Rocha que começa a ser filmado no Rio, no mês que vem. O longa, produzido pela Querosene Filmes, aborda o universo da novela "Dancin" Days", de Gilberto Braga, exibida pela TV Globo nos anos 70.

EMPURRÃOZINHO
O filme "Acorda Brasil", com roteiro de Maria Adelaide Amaral inspirado na orquestra sinfônica da favela de Heliópolis e direção de Sérgio Machado, foi autorizado a captar quase R$ 8 milhões via lei de incentivo fiscal. O longa deve ser rodado no primeiro semestre de 2011.

SIM, EU ACEITO
O usineiro José Pessoa de Queiroz e Paula Trabulsi se casaram em uma cerimônia na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, no domingo. A noiva usou um vestido de crochê da estilista Vanessa Montoro. A atriz Ildi Silva e o senador Delcídio Amaral (PT-MS) estavam entre os convidados.

PIANO POPULAR
O compositor e pianista Claudio Goldman, filho do governador Alberto Goldman (PSDB-SP), apresenta o show "Versão Brasileira" no Bourbon Street, no dia 20. Em seu repertório, ele transforma composições de Beethoven e Mozart em versões de chorinho e xote.

CURTO-CIRCUITO

O cantor e compositor Landau estreia a nova temporada de "Correio Elegante Night Show", hoje, no Drosophyla Bar, às 21h30, com repertório que inclui Arnaldo Baptista e Frank Sinatra. Classificação: 18 anos.

Betty Gervitz ministra workshop de dança dos Bálcãs no sábado, às 11h, no espaço Anacã, no Jardim Paulista.

O salão Studio W e a Luxury Marketing Council fazem coquetel e palestra sobre sustentabilidade nas empresas, hoje, no espaço Lounge One, no shopping Iguatemi, às 20h.

A cantora Paula Lima faz show do CD "Sambachic", amanhã, no Memorial da América Latina, às 20h30, com músicas de Seu Jorge, Zeca Baleiro e outros. Livre.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

SERRA PRESIDENTE

JOSÉ NÊUMANNE

Enfim, a verdade sobre a guerra suja pelas teles
José Nêumanne 
O Estado de S.Paulo - 13/10/10


Nos anos 70 a Bloch Editores publicou uma antologia de grandes momentos de nosso jornalismo intitulada As Reportagens que Abalaram o Brasil. O responsável pela seleção escolheu textos marcantes, como as entrevistas do assassino de Euclydes da Cunha, general Dilermando de Assis, a Francisco de Assis Barbosa; de José Américo de Almeida a Carlos Lacerda, um libelo publicado pelo Correio da Manhã que driblou a censura feroz do Estado Novo de Getúlio Vargas; e deste a Samuel Wainer, então repórter de O Jornal, de Assis Chateaubriand, que serviu de pretexto para a volta do ex-ditador à Presidência pelas urnas. Se essa coletânea tivesse de ser publicada hoje, teria de incluir o resumo que a revista Piauí fez do livro do repórter Raimundo Rodrigues Pereira a respeito das Operações Chacal e Satiagraha, da Polícia Federal.



A obra, editada pela Editora Manifesto, de Belo Horizonte, traça um retrato perfeito do "teatro de marketing e bravatas", expressão usada em editorial publicado por este jornal em 15 de abril de 2005, depois da prisão de Daniel Dantas, discípulo de Mário Henrique Simonsen e bem-sucedido administrador do fundo de investimentos Opportunity, e da então presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, subordinada dele, pela Polícia Federal. Eles eram acusados de terem usado detetives particulares da empresa americana Kroll para espionar diretores de uma sócia hostil, a Telecom Italia, e autoridades do primeiro escalão do primeiro governo Lula.

Intitulado O Escândalo Daniel Dantas - Duas Investigações, o livro dá lições de jornalismo investigativo honesto e esclarecedor. Em 315 páginas, reduz a pó argumentos falaciosos e canhestros usados pelo delegado federal Protógenes Queiroz, com o apoio do procurador Rodrigo de Grandis e do juiz Fausto De Sanctis, para levar o financista duas vezes à prisão. E desmascara a participação de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), agentes da Polícia Federal (PF), dirigentes dos fundos de pensão das estatais e jornalistas amigos numa farsa armada para expelir os gestores do Opportunity da Brasil Telecom, da Telemig e da Amazônia Celular, em benefício de seus parceiros estrangeiros, o citado grupo italiano e a operadora canadense TIW. O mais relevante no levantamento exaustivo do repórter é que, ao contrário do que se imaginou até esse relato vir a lume, não houve perseguição ideológica (que poderia ter sido causada pela assessoria de um dos pais do Plano Real, Pérsio Arida, a Dantas) movida pelos novos donos do poder ao "amigo de tucanos", mas mero conflito de interesses: tudo foi só negócio.

Pode-se argumentar que o repórter teve a tarefa facilitada pelo conhecimento do teor da documentação produzida pela Procuradoria de Milão, na qual se esclarece que, na verdade, não era a Kroll que espionava autoridades federais brasileiras, entre elas o então poderoso ministro das Comunicações, Luiz Gushiken. Mas, sim, os sócios italianos hostis a Daniel Dantas, que ousaram grampear até o telefone do então presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Depoimentos de membros do topo da Telecom Italia, sob controle acionário, primeiro, da Olivetti e, depois, da Pirelli, narraram ainda, contando com o benefício da delação premiada, que a Operação Chacal teve como pretexto uma farsa: executivos dos serviços de segurança e de cibernética da operadora italiana produziram em Milão o CD-ROM que apresentaram falsamente à PF.

Mas, enquanto aqui os repórteres de jornais e revistas reproduziam sem questionar a interpretação enviesada da degravação dos grampos telefônicos de Protógenes, Raimundo teve a pachorra de ler, entender e catalogar os documentos italianos para relatar o que de fato ocorreu. E mais: identificou e introduziu no livro cada presepada do delegado encarregado do inquérito, como, por exemplo, a confusão que ele fez entre uma propriedade rural chamada Ponta do Curral e a suspeita "Conta Curral". Ou ainda a determinação aleatória de personagens citadas nas conversas gravadas: certo Giba virou Gilberto Carvalho, secretário da Presidência da República, sem nenhum outro indício que autorizasse a associação entre o apelido e a autoridade.

Raimundo não teve condescendência alguma com o que classifica de "mau jornalismo", que tratou frutos da imaginação do delegado como se fatos fossem. E contou o que não precisou mandar traduzir, pois consta da investigação que, descoberta a farsa de Protógenes, a corporação a que este pertence abriu para identificar suas violações de regras funcionais e leis. Uma destas mentiras que pilhou envolve a encenação de um flagrante de tentativa de suborno de um policial por dois executivos ligados a Dantas, motivo de sua segunda prisão. Ao contrário do que ele reportou aos superiores, tal como o CD-ROM da Telecom Italia que desencadeou a Operação Chacal, o vídeo que embasou a ordem de prisão do réu da Operação Satiagraha não foi produzido por seus agentes, mas por uma equipe da TV Globo a serviço do repórter César Tralli. A emissora nunca se explicou sobre esta flagrante falta de ética.

Antes que se acuse o repórter de parcialidade em benefício de um milionário, esclareça-se que Raimundo Rodrigues Pereira foi repórter da excepcional revista mensal Realidade e um dos fundadores da semanal Veja, além de ter dirigido duas publicações da imprensa alternativa de resistência à ditadura militar - Movimento e Opinião. Tem também laços profissionais e pessoais com o colega Mino Carta, que, na direção da revista CartaCapital, se tornou o mais implacável perseguidor na imprensa do investidor Daniel Dantas, a quem apelidou de "orelhudo" por causa da acusação de que teria mandado espionar desafetos e autoridades da República "pete-lulista".

É salutar que Raimundo lance o livro quando a privatização, que gerou a guerra pelo controle das teles, entra no debate do segundo turno da eleição. E irônico o fato de Protógenes ter virado deputado por obra e graça das sobras de votos do palhaço Tiririca.

JORNALISTA E ESCRITOR, É EDITORIALISTA DO "JORNAL DA TARDE 

ANCELMO GÓIS

O fã de Caetano
ANCELMO GÓIS

O GLOBO - 13/10/10

Na sua última coluna, Caetano Veloso contou que um fã teria lhe chamado de “liberal demais”, e dito que o Brasil precisa de um desenvolvimentista. O fã é André Nassif, 50 anos, professor da UFF e economista do BNDES.

— Fã sou mesmo, vejo e revejo os shows de Caetano desde os anos 1980. Já ouvi a música “Gente” um milhão de vezes.

Liberal

Nassif conta que, de brincadeira, disse a Caetano, após um show no Vivo Rio, que ele estava liberal demais: — Liberal no posicionamento em temas econômicos, não em assuntos políticos.

Desenvolvimentista

O fã acha que o Brasil precisa neste momento, como a China e a Índia, de desenvolvimentismo: — Para mim, Serra e Dilma são desenvolvimentistas. Com uma vantagem para Serra: ele procuraria integrar as decisões do Banco Central às demais instâncias de política macroeconômica, como faz a Índia.

Mausoléu Imperial

Monarquistas tentam trazer de Paris para o Mausoléu Imperial da Catedral de São Pedro Alcântara, em Petrópolis, os restos mortais de dois filhos, uma nora e um neto da princesa Isabel.

A saber: Dom Luís e a mulher, Maria Pia; seu irmão Dom Antônio; e o neto Dom Luís Gastão.

No mais

A repentina religiosidade de Dilma e Serra lembra, em artificialidade eleitoreira, FH na eleição de 1994 comendo buchada de bode em Juazeiro, Bahia.

Com todo o respeito.

Me beija

O próximo livro de Alcione Araújo vai se chamar “Cala boca e me beija”.

O título surgiu durante a briga de um surfista e sua namorada no calçadão do Leblon. Cansada do bate-boca, ela disse a frase a ele. O livro sai pela Record.

Arte no hospital

A PINTURA ACIMA , em breve, vai ocupar a parede que fica ao lado da maternidade do Hospital Miguel Couto, na Gávea. Seu autor, o artista plástico Bernardo Pitanguy, filho do grande cirurgião Ivo Pitanguy, doou a obra para a unidade, que comemora 74 anos agora em outubro. O painel, com 8 metros de largura por 2 metros de altura, não tem nome, e seu objetivo, segundo Bernardo, é transmitir um pouco de paz às pessoas doentes e a seus parentes — além de levar alegria às futuras mamães, que dão a luz ali pertinho. O artista decidiu utilizar cores suaves e relaxantes, para harmonizar a pintura com o ambiente do hospital. Vai ficar bonito

‘Our Home’

Em março, o filme espírita campeão de bilheteria “Nosso Lar” começa uma carreira internacional pelos EUA com o nome “Our Home”.

Boa sorte.

Tropa no mundo

Um executivo do fundo americano de cinema que tem entre seus donos Steven Spielberg passou o dia, anteontem, no Rio, exclusivamente para assistir a uma cópia legendada de “Tropa de elite 2”.

O fundo está interessado na comercialização internacional do filme.

Não fui só eu

Dilma disse no debate da Band que FH também loteou a Petrobras com políticos.

Citou nomes. Mas se esqueceu do engenheiro Delcídio Amaral, na época diretor de Gás, hoje senador pelo PT.

ZONA FRANCA

O Inca precisa urgentemente de doação de sangue.

O secretário Hans Dohmann apresenta no II World Health Summit, em Berlim, a reforma de saúde do município do Rio.

Sexta, o IAB e a Prefeitura lançam o concurso MorarCarioca.

O El Pallomar promove Festival Caliente de Primavera.

Eduardo Ventura estreia exposição em novembro na Almacén da Barra.

O reitor Paulo Alonso foi eleito para integrar o PEN Clube.

Cleodon Coelho lança hoje a biografia de Lilian Lemmertz, na Travessa do Shopping Leblon.

Abre dia 19 o festival de jazz e vinho do Spicy, em Niterói.

Dia 28, a Câmara do Comércio França Brasil promove mostra de Marc Riboud no CCJF

Se a moda pega...

Fábio de Oliveira Vargas ganhou indenização de R$ 5 mil por danos morais contra uma juíza trabalhista federal.

É que ele, de paletó, mas sem gravata, foi proibido por ela de se sentar à mesa numa audiência.

A decisão foi do juiz federal Leonardo de Almeida Aguiar.

Segue...

O autor baseou-se em Mahatma Gandhi, que usava uma veste e teria sido impedido de entrar na festa de um governador inglês por não estar de terno.

Gandhi se foi e mandou um terno ao governador com bilhete dizendo que, se é a roupa que vale, estava enviando seu terno.

UPP no mapa

Pesquisadores vão identificar, com ajuda de moradores, áreas de lazer, cursos e rotas de transporte no Borel.

O retrato da favela tijucana é um projeto da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos com IPP e Banco Mundial.

Livro do Billy

Billy Blanco, o grande compositor, vai ganhar uma biografia, escrita por Amilcar Eduardo.

A ideia é lançar a obra no aniversário do músico, em maio.

Cena carioca

De um senhorzinho a um motorista de ônibus, dia desses: — Quando a morte te escolhe, não tem jeito. Veja a história daquele cara de Niterói. A cartomante disse que ele ia morrer afogado, ele parou de andar de barco, avião, tudo! Aí, numa chuvarada, tropeçou e caiu desacordado numa poça. E se afogou.

Se não é verdade, é bem contado.

Ô DA POLTRONA, hoje é seu dia de sorte — e o nosso também: tem Quitéria Chagas em dose dupla. A musa da coluna, rainha de bateria do Império Serrano, é a estrela do editorial de primavera de um shopping da Zona Norte. Ficou, veja só, um espetáculo!

ELLEN DE LIMA, a grande cantora, confraterniza com Ricardo Cravo Albin no show “O fado e o tango”, de Márcio Gomes, com direção de Bibi Ferreira, no Canecão

COM ANA CLÁUDIA GUIMARÃES, MARCEU VIEIRA, AYDANO ANDRÉ MOTTA E BERNARDO DE LA PEÑA

GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Racional Engenharia constrói nove shopping centers
MARIA CRISTINA FRIAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/10/10

Construção de shopping center continua a ser um dos melhores negócios para construtoras que atuam em grandes obras.
A Racional Engenharia está construindo nove shoppings em São Paulo, na capital e no interior, além de no Rio e em Minas Gerais.
"Temos tido de recusar convites para construir", diz o presidente da Racional, Newton Simões.
O faturamento da Racional Engenharia deve crescer bem em 2010, mas shoppings continuam, como no ano passado, a responder por cerca de 60% das obras executadas pela construtora.
Em abril de 2011, serão entregues o Iguatemi Alpha- ville e o de Indaiatuba (SP). Para 2012, está previsto o VillageMall (RJ).
O setor de "data centers" continua a crescer, porém, muitos dos projetos de maior escala já foram feitos, diz.
Construção de fábrica da Hyundai, em Anápolis, unidades hospitalares (do Albert Einstein, em Perdizes, na cidade de São Paulo, da Unimed, em Piracicaba, SP, e a expansão do Oswaldo Cruz), dois prédios corporativos em SP e duas torres no Rio, uma área da Universidade Ma- ckenzie, além de um centro de logística, completa a carteira da companhia.
Construtoras do porte da Racional costumam pegar apenas obras em que se incumbem da "fiação à elétrica", segundo Simões.
"Cerca de 50% dos clientes demandam também o acompanhamento ainda na fase do projeto", acrescenta.
A empresa entrou em logística e PPP no Rio para ter geração de renda com projetos próprios.
"Para não ter a sazonalidade e melhorar a gestão dos picos", diz Simões.
O Centeranel Raposo, com 40 módulos para aluguel, teve investimento de R$ 120 milhões. Uma segunda etapa do centro está prevista, com aporte de R$ 50 milhões.

Greve e... Eros Grau, recém-aposentado ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), vai participar do 29º Congresso de Advogados Trabalhistas de São Paulo, em Itu, em São Paulo, dos dias 21 a 23 deste mês.

...eficiência A palestra de Grau será sobre greve no setor público. Também serão debatidos no congresso temas como terceirização, dano psicológico e eficiência da Justiça do Trabalho.

Commodities internacionais ditarão o rumo da inflação

O grande enigma para o cenário da inflação daqui para a frente é a trajetória dos preços internacionais das commodities.
"Se a valorização das matérias-primas prosseguir, as distorções dos sistemas de preços vão se aprofundar em escala global. Tal movimento contribuiria para o aumento generalizado da inflação, inclusive no Brasil, e menor crescimento do PIB mundial", diz Fábio Silveira, sócio da RC Consultores.
A expansão acelerada da economia brasileira permitiu o repasse da alta do custo das matérias-primas para os preços dos produtos finais, segundo Silveira.
"Espera-se que o repasse de custo se estenda até o final de 2010. As próximas taxas da variação do IPCA tendem a ficar no intervalo de 0,30% a 0,40% ao mês", de acordo com a consultoria.

ÁRVORE FRUTÍFERA
A Giacometti Propaganda acaba de criar uma nova empresa, a Zhuo -consultoria voltada para a inovação, gestão e estratégia de marca.
"A maioria das empresas no país não sabe como conduzir a inovação, que é peça estratégica da companhia", diz Dennis Giacometti, que preside as duas empresas.
O diferencial da Zhuo é a metodologia customizada para o mercado brasileiro, distinta dos modelos usados por multinacionais, segundo Giacometti.
A empresa recebeu investimento inicial de R$ 2,5 milhões, em infraestrutura, desenvolvimento de metodologia e pesquisas.
"Muitas empresas no Brasil, principalmente as do Nordeste, são conduzidas de forma autocrática, centralizadoras, o que é um limitador para a inovação e, consequentemente, para a obtenção de melhores resultados."
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e FLÁVIA MARCONDES

LEÔNCIO MARTINS RODRIGUES

Quem governará?
Leôncio Martins Rodrigues 
O Estado de S.Paulo - 13/10/10


Uma possível eleição de Dilma Rousseff, juntamente com a maioria de cadeiras já obtidas pela chamada base aliada no Congresso Nacional, tem suscitado muitos receios em setores sociais das classes médias e altas sobre os rumos da próxima administração "esquerdista". Teme-se especialmente que o novo governo aumente a participação estatal na economia, o controle partidário da administração pública e a consolidação de um populismo que, de modo mais radical, teria algumas semelhanças com o fascismo italiano ou com uma "mexicanização". Os dois fenômenos, na verdade, são diferentes entre si e têm pouca chance de vingar no Brasil de hoje, especialmente em razão da divisão partidária e das vitórias do PSDB em Estados importantes. Acho, contudo, que os analistas de nossa política têm dado pouca atenção a um aspecto aparentemente de natureza administrativa - que não diz respeito à ideologia e aos rumos programáticos de um eventual governo de Dilma -, mas que pode complicar o funcionamento do Executivo federal.

Quem efetivamente governará a partir de 2011? Lula ou Dilma?

Quando votaram em Dilma, no primeiro turno, em 3 de outubro, os eleitores foram informados de que, na realidade, não estariam escolhendo Dilma, mas Lula. O ex-metalúrgico, aliás, explicitou claramente o sentido que teria cada voto numa candidata totalmente desconhecida da imensa maioria do eleitorado, escolhida por ele para dar continuidade ao seu governo. Por essa via, os eleitores estariam dando a Lula um terceiro mandato sem alterar a Constituição. Há, porém, outro aspecto não tão virtuoso. A ex-guerrilheira, se chegar ao Palácio do Planalto sem mérito próprio, não terá a legitimidade oriunda do efetivo apoio popular.

Antes da corrida presidencial, para cuidar da administração do governo Lula havia colocado na Casa Civil - e não foi por acaso - alguém que não tinha força política própria. Ou seja, Dilma Rousseff. Era uma posição na administração federal que dava a Dilma muita força e influência, que deixariam de existir, no entanto, no momento em que, por alguma razão, deixasse o cargo. Não seria o caso de um político de algum prestígio próprio que fosse chamado a ocupar algum Ministério. Estamos, pois, diante de uma estranha situação. Se Dilma vencer, e se Lula não for indicado para algum Ministério, o político mais popular do Brasil - em quem os eleitores de facto votaram ao escolherem Dilma - estará fora do governo por quatro anos. Mas ficará de fora da cena política? Pode-se acreditar que se dedicará a assar coelhinhos no seu sítio? Ou, ao contrário, terá alguma sala no Palácio do Planalto ou uma mesa no gabinete da Presidência? Quem mandará de fato?

Caso seja eleita, se Dilma passar a Lula o governo, transferindo-lhe a última palavra nas principais decisões, a ex-chefe da Casa Civil estará desmoralizada e terá sua autoridade diminuída. Mas é pouco provável que se disponha a ser uma figura de segundo ou terceiro escalão e que aceite a função de uma fiel secretária, sem vontade própria.

E, aqui, é preciso considerar que, não importando quão grata e leal Dilma possa ser a Lula, pelas regras do jogo dos regimes presidencialistas quem manda é o presidente. Geralmente, com o correr do tempo, as criaturas revoltam-se contra o criador. Na História brasileira temos muitos casos de padrinhos políticos, impedidos de disputar um novo mandato, que conseguiram eleger o que foi denominado de "poste". Lembremos dois casos.

Adhemar de Barros, então governador, em 1950 lançou o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Lucas Nogueira Garcez para lhe suceder. Todavia, uma vez no governo, Garcez afastou-se de Adhemar e ajudou a eleger Jânio Quadros. Celso Pitta, um desconhecido, eleito prefeito de São Paulo em 1996 com apoio integral de Paulo Maluf, logo rompeu com seu tutor. Note-se que, em ambos os casos, o chefe político dono de votos, para não se arriscar, escolheu alguém sem força eleitoral e política. Um "administrador". Mas isso não impediu que o anterior protegido declarasse a independência.

Não é que as criaturas tenham vocação para a traição, mas sim que não gostam de ser paus-mandados. Mais do que isso, não podem ocupar posições de chefia permanecendo subordinados a alguém que não tem mais poder, situação que Lula experimentará para os próximos anos. Poderia ser contemplado com algum Ministério. Mas seria uma capitus diminutio para quem terminou dois mandatos com a aprovação popular que sabemos. Atividades políticas não admitem mais do que uma grande liderança. Trotsky e Stalin que o digam.

Todos os atos importantes do próximo governo deverão trazer a assinatura de Dilma, se a indicada vencer. Um novo Ministério deverá ser formado. A quem estarão subordinados os novos ministros? Que partidos aliados e facções do PT serão mais beneficiados com Dilma na Presidência da República?

A carreira de Lula e a de seu círculo de relações mais estreito não são iguais à da candidata que ele escolheu. Dilma veio do PDT, aderiu oportunamente ao PT somente em 2001, não passou pelo sindicalismo e não disputou eleições. Se eleita, ficará todo o mandato sob as ordens de Lula?

A ex-guerrilheira está longe de ser caloura na área da política. Na realidade, foi política a vida toda. Começou antes de Lula, mas veio do movimento estudantil e da guerrilha. Ocupou posteriormente altos cargos públicos na administração pública estadual (Rio Grande do Sul) e federal que devem ter-lhe trazido experiência administrativa. Nada na sua personalidade e na sua trajetória indica que tenha vocação para secretária obediente. Se vencer, terá de governar e aprender rapidamente a navegar em águas turvas.

CIENTISTA POLÍTICO 

DILMA CABEÇA OCA

CLÁUDIO HUMBERTO

“Se não tivesse tido a privatização, o País não teria internet hoje” 
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, EX-PRESIDENTE, QUE PELO VISTO NADA ENTENDE DE INTERNET

GOVERNO ENROLA AS FAMÍLIAS DOS MORTOS NO HAITI 
Dez meses após a cerimônia fúnebre na Base Aéreade Brasília, de 21 de janeiro, quando o presidente elogiou em discurso os “destemidos brasileiros” mortos durante o terremoto do Haiti, as famílias dos dezoito militares ainda não receberam um só centavo da prometida indenização de R$ 500 mil para cada uma delas, tampouco a bolsa-educação de R$ 510,00 para dependentes em idade escolar.

EMBROMATION 
Lula prometeu em janeiro amparar as famílias, mas só em 5 de agosto enviou projeto ao Congresso, e não medida provisória, como anunciou.

SÓ SAI NA MARRA 
Familiares de nove dos heróis mortos acionaram na 15ª Vara Federal, em Brasília, a seguradora e a Fundação Habitacional do Exército.

‘CUMPANHERADA’ 
O presidente Lula agilizou doações em dinheiro para Cuba, Bolívia, Equador e Paraguai. E mandou US$ 25 milhões aos palestinos.

OSANA NAS ALTURAS 
Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, testemunhou ontem: se candidatou, tem que rezar. 

SAÚDE DE DILMA ESTÁ ÓTIMA, GARANTE ASSESSORIA 
A aparência de Dilma Rousseff suscita preocupações sobre sua saúde até entre aliados. Ela ganhou peso durante a campanha, quando candidatos emagrecem, e a coloração de sua pele podem sugerir que ela toma medicamentos à base de cortizona. Sua assessoria nega: “A candidata não está com problemas de saúde, não está fazendo qualquer tratamento, e foi declarada curada do câncer pelos médicos”.

PAUTEIROS 
A assessoria de Dilma mal esconde o desejo de determinar o que deve interessar ou não aos jornalistas: “É um absurdo insistir nessa pauta.”

SETE CAPAS 
Para a irritada assessoria da campanha do PT, não é da conta de ninguém o estado de saúde de quem pretende governar o País.

NEPOTISMO 
Dilma criticou no debate a contratação de amigos e parentes Erenice “sem critérios técnicos”. Mas é nepotismo mesmo sob critérios técnicos.

CABEÇAS VÃO ROLAR 
Ao retornar a Foz do Iguaçu, em dezembro, para a cúpula do Mercosul, Lula vai ficar uma arara: o DNIT ignorou sua ordem para recuperar a esburacada Rodovia das Cataratas, no Parque Nacional do Iguaçu.

PROTAGONISMO 
Primeiro, Lula criticou a greve de fome dos cubanos e a revolta da oposição na eleição iraniana. No muro, ofereceu asilo à “adúltera” Sakineh. E agora, cala-se, com o Nobel da Paz a um chinês preso.

AGULHEIRO 
A revelação de que o filho do acupunturista de Dilma trabalha na Casa Civil lembra o rolo do ex-presidenciável tucano Geraldo Alckmin, acusado de liberar verba para a revista de seu... acupunturista.

DE FÉRIAS 
O diretor-geral da Itaipu Binacional, Jorge Samek, tirou férias para se dedicar à campanha de Dilma no Paraná, neste segundo turno. Ele tem a missão de juntar os cacos da frustrada aliança governista no Paraná.

MORTOS DESIGUAIS... 
Testemunha ocular, o coronel aposentado Eduardo Antonio Pereira estranha o sumiço da placa no aeroporto dos Guararapes, Recife, lembrando o jornalista e o almirante mortos no atentado de 1966.

...SEM A “BOLSA-DITADURA” 
Houve vários feridos. Um guarda perdeu a perna ao pegar uma mala perdida. Ele, o jornalista Regis de Carvalho e o almirante reformado Nelson Fernandes nunca foram indenizados com a “bolsa-ditadura”. 

GOLPE PARAGUAIO 
O governo Lula teme que no Paraguai o partido Colorado se alie até ao general Lino Oviedo para apear do cargo o presidente Fernando Lugo, que tem câncer. O vice, Julio Cesar Franco, conspira para afastá-lo.

LENDA GAÚCHA 
A oposição aposta na tradição gaúcha de ser “do contra”: em 1998, o PT elegeu o governador, e FHC ganhou no 1º turno. Em 2002 e 2006, Lula ganhou, e Germano Rigotto e Yeda Crusius levaram o governo. 

PENSANDO BEM...
...só falta a Dilma aparecer de burca e o Serra de padre. 

PODER SEM PUDOR
RANGO EM TEMPO DE CHUMBO 
No início dos anos 90, o bravo jornalista Neiva Moreira participava de um seminário da Escola Superior de Guerra na Fortaleza de São João, no Rio. Na hora do almoço, o comandante da ESG, tenente-brigadeiro Sérgio Ferolla, pediu desculpas pela qualidade da comida. Neiva discordou:
- Para mim está ótima, muito melhor do que a última vez que almocei aqui.
- E quando foi isso? - perguntou o comandante.
- Na década de 60. Eu estava preso aqui na fortaleza e almoçava vigiado por um soldado. Agora, pelo menos, estou acompanhado do comandante...

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Teste reprova segurança de ônibus nas ruas do Rio

- Folha: Com torcida e suspense, Chile começa a içar os 33

- Estadão: Resgate de mineiros mobiliza Chile

- JB: Dilma e Serra abrem guerra na internet

- Correio: Sermão de arcebispo castiga fichas sujas

- Valor: 'Reaposentadoria' deve elevar o déficit do INSS

- Estado de Minas: Minas tem nova corrida aos tesouros do subsolo

- Jornal do Commercio: Suspeito de atropelar e matar jovem é preso

- Zero Hora: Vagas de emprego para o Natal já chegam a 6,9 mil