quinta-feira, setembro 30, 2010

ELIO GASPARI

A quinta reinvenção de Lula
ELIO GASPARI
O GLOBO - 30/09/10

Dentro de três meses começará um novo espetáculo político: a reinvenção de Lula. O retirante tornou-se operário, inventou-se como sindicalista, reinventou-se como dirigente político e chegou ao apogeu da “metamorfose ambulante” como presidente da República.

A partir do ano que vem, precisará reinventar-se. Se a sua candidata prevalecer, será o primeiro presidente que, tendo apontado o sucessor, prosseguiu na vida pública com um projeto político pessoal. Descobrirá que pedestal não tem escada para descida.

Se lhe foi difícil chegar lá em cima, terá trabalho para descer.

Por um breve período passará pela câmara de descompressão de São Bernardo, vendo os jogos do Corinthians, comendo a chuleta do Gigio e jogando conversa fora. Logo, logo, seja qual for o resultado da eleição, será candidato a presidente em 2014. Sem AeroLula, voltando a carregar sua própria mala (como fazia obsessivamente quando viajava ao exterior), reencontrando-se com as maçanetas (porta abre sozinha para os presidentes). Essa é a parte fácil.

A parte difícil será encontrar o ponto de convergência entre o que ele pensa que é e aquilo que realmente passará a ser. Uma das construções está na sua cabeça. A outra, na dos outros.

Nas reinvenções anteriores, Lula superou obstáculos difíceis e até mesmo certezas de que tentava o impossível.

Esse será seu novo espetáculo.

Não terá mais dezenas de jornalistas acompanhando-o. Muito menos cercadinhos para mantê-los à distância.

Durante toda a sua carreira como oposicionista, Lula teve uma relação privilegiada e até mesmo cúmplice com as plateias. Quem ia ouvi-lo estava ao seu lado ou, pelo menos, dispunhase a entendê-lo. Em oito anos de Presidência, habituou-se a uma forma peculiar de diálogo, permitida pelo cargo. Ele monologa, e a contradita vem depois. Na oposição, quando dizia que Napoleão foi à China ou que Oswaldo Cruz descobriu a vacina da febre amarela, dava-se pouca importância ao absurdo. Na Presidência, quando disse isso, não teve resposta imediata de um interlocutor que corrigisse a bobagem.

Na busca de uma agenda internacional, Lula pretende fazer um roadshow com Dilma Rousseff, mas não se sabe o que fará se o eleito for outro. Nosso Guia andará pelo mundo com duas bolas de ferro. A do companheiro Ahmadinejad mostrou seu peso na indelicadeza da delegação israelense ao boicotar o discurso do chanceler Celso Amorim na última Assembleia Geral da ONU. O estrategista que se meteu no rolo do Oriente Médio, apresentando-se como mais um interlocutor na busca do diálogo, mutilou sua capacidade de conversar direito com uma das pontas do problema. A bola de ferro dos camaradas Castro coloca-o na dependência de uma improvável abertura política em Cuba.

Lula sonha com o que chama de uma “frente de esquerda”. Em 2003, quando entrou no Planalto, essa possibilidade existia, mas o que seria uma frente de esquerda hoje? Que esquerda quer se meter com o Ereniçário, versão decadente do aparelho construído por José Dirceu, que hoje está sub judice no Supremo Tribunal Federal? No jogo de esquerda-direita, o que Nosso Guia conseguiu foi rearticular a direita paleolítica. Como esse bolsão de militância tem tudo, menos votos, Lula tirou partido da fúria de seus adversários.

Daí a chamar de esquerda uma coligação que em São Paulo tem no palhaço Tiririca o puxador de votos de sua legenda para deputado federal, vai boa distância. Nunca é demais lembrar que fenômenos como Enéas e o rinoceronte Cacareco não estavam coligados com outros partidos.

Dá pena pensar na possibilidade de alguns candidatos petistas virem a dever suas cadeiras na Câmara aos votos do deputado Tiririca.

Uma vitória de Dilma Rousseff significará o início da experiência do lulato. Terá que inventar um sistema de mando ao modo Pinheiro Machado: nem tanto que digam que ela faz o que eu digo, nem tão pouco que achem que não me ouve. Podese arriscar a previsão do ponto de onde sairá uma faísca num eventual governo de Dilma: dos interesses de bons amigos na Anac e na Infraero.

Em tese, Lula faria o mesmo que fez Fernando Henrique Cardoso. Aluga um belo prédio e vai organizar seminários.

Afinal, acha que fez isso no Instituto da Cidadania. Entre ele e o tucano há enormes diferenças. Um saiu do governo para não mais voltar. Ele, não. Ademais, o príncipe da sociologia é capaz de passar duas horas trancado, lendo, ou ouvindo. Lula não gosta de fazer qualquer das duas coisas por mais de 15 minutos. FH tem fama de vaidoso, mas o Padre Eterno deu-lhe suficiente paciência para abrandar o egocentrismo. Nisso, foi malvado com Nosso Guia e com o pavão, a quem deu aqueles pés medonhos

GOSTOSA

VERISSIMO

Exageros demais
VERISSIMO
O GLOBO - 30/09/10

Gosto muito da frase do Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, quando lhe contaram que andavam dizendo que ele era homossexual:

– O pessoal exagera um pouco...

O “pessoal” – aí entendido como não apenas os contemporâneos e conterrâneos do grande Stanislaw como a humanidade em geral – tem mesmo uma tendência a exagerar. O exagero simplifica e aguça, tem mais graça, chama mais atenção – enfim, é compreensível. E deve ser tratado com a mesma tolerância com que o Stanislaw tratou os boatos do “pessoal” a respeito da sua sexualidade.
Tomemos como exemplos os exageros que dominam este fim de campanha, todos sobre o papel da imprensa nas eleições. De um lado o dos que dizem que a parcialidade da grande imprensa brasileira chegou a uma espécia de paroxismo com a perspectiva de uma vitória da Dilma com maioria no Congresso, e que há uma conspiração em curso dos grupos que controlam a mídia no país para evitar que isto aconteça. Do outro o dos que veem na vitória da Dilma com maioria uma ameaça à liberdade de pensamento e expressão no Brasil, ainda mais depois do que andou dizendo o Lula – comparado ao Mussolini como líderde uma ameaça populista à nossa democracia – sobre uma grande imprensa “oposicionista”.
Dois exageros perfeitamente compreensíveis, como se vê. O pessoal só exagerou um pouco demais. É difícil imaginar as quatro ou cinco famílias supostamente donas do espaço publicitário no país reunidas para evitar a continuação de um governo que ampliou este espaço como nenhum outro. Já é difícil imaginar as tais famílias juntas por qualquer motivo. E alguém acredita que a Dilma, uma vez eleita, convocaria os barões da imprensa para, embaixo de um retrato do Duce de Garanhuns, ordená-los a publicar só o que o governo quer, sob pena de represálias?
De um lado ou de outro, busca-se uma mobilização contra fantasmas inventados. Ou um pouco exagerados.
Mas sejamos como o grande Stanislaw e perdoemos os que exageram. É época de eleições, grandes questões, para não falar em grandes somas, estão emjogo, a moderação e o senso comum perdem para as paixões e, afinal,
o “pessoal” é assim mesmo. Aconteça o que acontecer, eu estou saindo de férias.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Parecia que eu estava indo para a forca defender o meu marido” 
WESLIAN RORIZ, CANDIDATA-LARANJA DO MARIDO JOAQUIM, AVALIANDO SEU PRIMEIRO DEBATE

SERRA EVITARÁ O ‘TUDO OU NADA’ NO DEBATE DE HOJE 
O candidato José Serra citou ontem “pesquisas internas” do PSDB, em conversas reservadas, para garantir a aliados que a disputa com Dilma Rousseff (PT) vai para o segundo turno. Ele está tão confiante que até desistiu da estratégia do “tudo ou nada”, no debate decisivo desta quinta, na TV Globo. Ele acha que Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) se encarregarão de “desconstruir” a rival do PT.

JOGANDO A TOALHA? 
A decisão de Serra de evitar o “tudo ou nada” também foi interpretada por um dirigente tucano como sinal de que ele “jogou a toalha”.

TÁ FEIA A COISA 
À exceção do Datafolha, todas as pesquisas indicam que Dilma Rousseff vencerá com certeza a disputa já no primeiro turno.

TEMPUS FUGIT 
Dilma confia na militância para reverter a marola contrária na pesquisa. Mas uma coisa é bater bumbo para Lula, outra para a “réplica” do Lula. 

SALADA 
Após dar vexame no debate dos candidatos ao governo do DF, quarta, a “laranja” de Joaquim Roriz, Weslian, virou “mulher-abobrinha”. 

TC-DF EXIGE DE EX-SECRETÁRIOS DINHEIRO DE VOLTA 
O Tribunal de Contas do DF aprovou por unanimidade, dia 23, uma resolução proposta pelo conselheiro Ronaldo Costa Couto citando os responsáveis pelo sumiço de R$ 1,3 milhão da conta bancária do Fundo de Saúde, na Secretaria de Saúde do DF, entre 1997 e 1999. Entre os citados a devolverem dinheiro e se defenderem estão os ex-secretários Maria José Maninha, candidata a deputada pelo PSOL, e Jofran Frejat (PP), vice da candidata ao governo Weslian Roriz (PSC).

RESPONSABILIZADOS 
Citados pelo TC-DF, Maninha foi secretária de Saúde de janeiro de 1997 a abril de 1998. Na época, Frejat ocupou o cargo por 11 meses.

DEU TRABALHO 
O TC-DF levou dez anos investigando a retirada do dinheiro da conta da Secretaria de Saúde sem a identificação de quem o recebeu.

INOCENTES, CLARO 
Maninha culpa o tesoureiro da Secretaria de Saúde e a assessoria de Jofran Frejat diz que “até onde sabe” ele nada tem a ver com o caso.

LÍDER DA RESISTÊNCIA 
Dos senadores “marcados para morrer” por Lula, o único com chances de reeleição é José Agripino Maia (DEM-RN). Há dois anos, ele ajudou a eleger a prefeita de Natal, Micarla Souza (PV), apesar de Lula.

TIRO AO ALVO 
Lula se empenha para derrotar, além de Agripino Maia, senadores que detesta como Arthur Virgílio (PSDB-AM), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), agora em queda nas pesquisas.

TEREMOS MACIEL? 
“A crise é muito grave, mas lembre-se: ainda temos Marco Maciel”. A frase, repetida em situações limite, tem sido lembrada em Brasília por políticos aflitos com o desempenho eleitoral do senador do DEM-PE.

CAINDO NA REAL 
A queda de Dilma tem odor de um velho movimento de institutos de pesquisa. É que, com a proximidade da verdade das urnas, os números das pesquisas, antes manipulados, finalmente caem na real.

ALDO 6565 
Admiradores do jornalista e deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) em todo o País criaram uma “boca de urna virtual”, pedindo votos para ele a eleitores de São Paulo: “Aldo Rebelo é 6565”, diz a mensagem.

‘NUNCA ANTES’ 
Ou o presidente Lula “não sabia”, ou então “não leu” a lei que assinou, sancionando-a, exigindo dois documentos para votar na eleição e que o PT - em nome do lúmpem - derrubou no Supremo Tribunal Federal. 

TUTTI BUONA GENTE 
No DF, o deputado Raad Massouh (DEM) faz propaganda jurando que respeita o contribuinte e a moralidade, mas ele tem apoio de Leonardo Prudente, aquele ex-deputado distrital que enfiou dinheiro nas meias.

MEU CALHAMBEQUE 
A Justiça eleitoral perdeu o show, semana passada, do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE): entrou em seu calhambeque “Roberto Carlos”, pedindo votos no desfile oficial dos 115 anos de Petrolina. 

PENSANDO BEM...
...a ficha do Supremo ainda não caiu. 

PODER SEM PUDOR
TESTE DA PROMESSA 
Respeitável cabo eleitoral e dono de um armazém de beira de estrada em Minas, seu Juca recebeu, certa vez, duas visitas simultâneas: os deputados Afonso Arinos (UDN) e Ovídeo Abreu (PSD), ambos interessados em conquistar seu apoio na reeleição. Juca fulminou:
– Vocês se lembram do que eu pedi na eleição passada?
Os dois pigarrearam, coçaram a cabeça, desconversam e foram embora. Um freguês perguntou a Juca o que afinal eles haviam prometido.
– Que eu me lembre, nada. Só queria ver o que eles diriam...

EU?

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Aborto opõe Marina a Dilma e esquema guerra de candidatas

- Folha: Dilma interrompe queda

- Estadão: Polêmica do aborto faz Dilma se explicar a líderes cristãos

- JB: A última chance

- Correio: Indecisão da justiça põe eleições no limbo

- Valor: Petrobras atrai R$ 21 bi do exterior

- Jornal do Commercio: Cadê a CTTU?

- Zero Hora: STF adia decisão sobre documentos para votar

quarta-feira, setembro 29, 2010

BANDIDO VOTA EM DILMA PARA MANTER ESQUEMA DE CORRUPÇÃO



RENAN CALHEIROS
ESSE BANDIDO VOTA EM DILMA
DILMA PEDE VOTO PARA ESSE BANDIDO

SEU VOTO PODE BARRAR ESTES CANALHAS!

ROBERTO DaMATTA

Notas de um marciano
Roberto DaMatta
O Globo - 29/09/2010

Cheguei ontem à região tropical da Terra. Curiosamente, o planeta é recortado num conjunto do que eles chamam de países: agrupamentos com histórias ridiculamente parecidas, encapsulados por territórios vistos como autônomos, dotados de leis próprias e norteados por um dogma chamado de soberania. Diferentemente de nós que nos sabemos ligados a todos os seres vivos e a todo o universo, pois nele estamos e a ele retornamos depois dos nossos bem vividos 500 anos com vida sexual plena e ativa, eles têm uma aguda consciência do diferente. Embora vizinhos e separados por marcos arbitrários, eles vivem como se fossem estrangeiros. Estão convencidos que são compartimentos coletivos singulares, capazes de praticar e fazer o que quiserem, mas sabem que são parte de um conjunto maior, conforme é claro ao nosso olhar marcianamente distanciado. 

O resultado desta concepção individualista é o constante confronto com o bem-estar geral e coletivo; e um conjunto de dualidades que tem sido a tônica de sua visão de mundo. Pois, para eles, tudo se reduz a oposições do tipo real/ideal, nós/eles, humanidade/animalidade, vida/morte, pobres/ricos... quando - na verdade - sabemos que, quanto mais um lado engloba e recalca o outro, mais esse outro lado retorna assombrosamente fortalecido. Engolfados nessas oposições, os terráqueos tudo pressentem, mas nada podem fazer porque não têm como desmontar o seu sistema e a si mesmos de um golpe. É possível que venham a liquidar-se. De fato, os países que chamam de "mais adiantados" e que consideram superiores são os que mais poluem e destroem e, não obstante, são os que mais exportam o seu modelo de exploração do planeta. Mesmo agora, quando uma consciência planetária os atingiu, eles continuam imitando esse modelo que tem como base uma suposta ilimitada riqueza do que enganadoramente chamam de "natureza". Ademais, começam igualmente a descobrir que tudo tem relação com tudo, pois deles é uma coisa única e milagrosa: o seu planeta é vivo. Nele, conforme observamos há milênios com a nossa marciana inveja, tudo tem um ciclo e esses ciclos vitais se entrelaçam em circuitos complexos, de modo que há sempre um jogo milagroso e comovente entre a vida e a morte. 

Ao chegar num país em forma de presunto, chamado Brasil, observo que estão em tempos eleitorais. Curioso que nem o presidente desta república tenta agir como árbitro, muito pelo contrário, sua visão é primariamente partidária, apaixonada e totalmente centrada no desejo de vencer a eleição a qualquer preço. O que ele aceita na vida (perder e ganhar) ele não aceita na Presidência. Li sua furiosa entrevista no meu computador telepático e fiquei estarrecido porque ele fala do papel dos jornais no Brasil, mas todo mundo sabe que ele próprio não lê. Pior: diz que tem azia quando lê algum jornal. Dei um giro pelo país e constatei que, mesmo tendo proclamado uma república em 1889, os brasileiros ainda não têm noção do que seja uma sociedade democrática. Pois confundem individualismo com egoísmo, e egoísmo com altruísmo. Assim, fazem suas falcatruas em nome do que chamam de "povo"; e mesmo tendo uma visão partidária exclusiva e um tanto fascistoide, a faceta pessoal de suas vidas - seus laços com parentes e amigos - está sempre pronta a vir à tona nas situações nas quais bens coletivos estejam em jogo. Por isso, os brasileiros adoram "coisas públicas", espaços públicos e, acima de tudo, dinheiro público, que para eles pode ser apropriado como se não fosse de ninguém. Como tiveram escravos até um ano antes de proclamarem a república, tudo o que é público é da elite política. O processo eleitoral mostra isso claramente, pois os candidatos não apresentam programas, mas rezam ladainhas e repetem fórmulas mágicas denominadas "promessas eleitorais". Meros engodos para que o candidato seja eleito. Na realidade, hoje em dia eles não têm representantes, mas mediadores - ou padrinhos. Candidatos cuja distinção (como a dos santos) é o acesso que teriam ao presidente, tomado como um Deus nesta terra cheia de papagaios da espécie galvão. 

Quando estava de partida, assisti a um evento notável. Uma reunião de sua Corte Suprema discutindo um projeto de lei que existe em toda e qualquer sociedade civilizada. Trata-se de uma regra que impediria ladrões e corruptos de serem candidatos a cargos públicos e usarem a legislação nacional que lhes permite escapar de tudo em nome de imunidade política definida com má-fé. Fiquei alarmado porque, mesmo diante da obviedade da causa, os magistrados se dividiram. Metade apoiava a lei; uma outra, arguia filigranas legais contra ela. Discutiram por mais de dez horas. Não conseguiram decidir. Repetiram, reiteraram e reafirmaram o que foi chamado de "dilema brasileiro" por um tal de DaMatta, dos mais medíocres estudiosos locais. Aquela indecisão estrutural constitutiva do Brasil que até hoje o faz oscilar entre seguir o caminho da igualdade ou o da aristocracia e da desigualdade. A via habitual que garante aos superiores não cumprir as leis. Devo ainda chamar atenção para... 

[A essa altura, leitor, eu perdi a comunicação mediúnica com o espírito desse marciano. Sinto muito, mas aqui fico com a depressão e a indignação de um velho brasileiro.

MAMADORES NA MAMATA

DORA KRAMER

De Severino a Tiririca
DORA KRAMER
O ESTADO DE SÃO PAULO - 29/09/10


Ditos políticos não são necessariamente sábios nem confiáveis. Na maioria são apenas frases bem sacadas que, por traduzirem bem uma determinada situação, acabam tidas como verdades absolutas sem que haja uma preocupação de cotejá-las com a realidade e principalmente com a evolução dos tempos.

Há exceções. Aquelas que começam a circular com jeito de piada, mas terminam por se revelarem legítimas profecias.
Uma delas adapta o velho lema segundo o qual o Congresso seguinte é sempre pior que o anterior e tornou-se bordão do deputado Luís Eduardo Magalhães - promessa política interrompida por um enfarte fatal em 1998.
“Não há a menor chance de melhorar”, repetia Luís Eduardo, mal entrado nos 40 anos (morreu aos 43), com uma sagacidade de Matusalém.
De fato, em 2011 pelo que se vê nas projeções das eleições parlamentares, sobretudo para a Câmara dos Deputados, não há a menor chance de melhorar a atuação do Poder Legislativo, cuja desmoralização gradativa ganhou especial velocidade nos últimos anos. 
Mais exatamente na última década, a primeira do século 21.
Não que antes o Congresso fosse composto apenas de flores que se cheirassem. O último bom momento mesmo foi há mais de 20 anos, na Assembleia Nacional Constituinte.
Na CPI do PC e depois no processo de impeachment de Fernando Collor houve muito de oportunismo em jogo. Com aquelas acusações (graves), o então presidente poderia muito bem ter se sustentado no poder caso não fosse um analfabeto político e tivesse metade das habilidades do governo atual para enfrentar acusações (gravíssimas).
Até na Constituinte houve a notória instituição oficial do fisiologismo (“é dando que se recebe”) deslavado como instrumento fiador da “governabilidade”.
Mas a derrocada mesmo, a perda total do respeito, uma espécie queima de vestes em praça pública começou no Senado em 2000, quando Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães (pai de Luís Eduardo) pela primeira vez disseram umas verdades um ao outro da tribuna e com transmissão direta pela TV Senado.
Os dois trocaram desaforos nunca vistos naquele ambiente tido por Darcy Ribeiro como o paraíso na Terra.
Foi um choque. Depois disso, nunca mais um senador eleito passou incólume sem escândalos - salvo os eleitos temporariamente, escolhidos exatamente por causa dos escândalos - o mandato inteiro.
A começar por Jader, que, eleito depois da briga com ACM (também presidente), precisou renunciar por causa de denúncias de corrupção. 
Na Câmara é difícil estabelecer um marco, tantos são os casos, mas a eleição de Severino Cavalcanti no início de 2005 para a presidência da Casa é o mais impressionante.
Assinala o início do império do baixo clero, da era dos líderes de bancada desconhecidos, da cessão de destaque e postos importantes a deputados mais conhecidos pelas atividades extracurriculares, da transformação do Legislativo num ambiente de quinta em que perderam espaço os que têm vocação política.
Sim, há uma diferença entre aqueles cujo negócio é a política e os que transformam a política num bom negócio. Estes é que passaram a dar as cartas.
Muitos voltarão. A eles vão se juntar os arrivistas, os oportunistas, os famosos e mais a estrela de todos com a expectativa de se eleger com 1 milhão de votos: o rapaz chamado Tiririca, que aluga sua ignorância para espertalhões que se valem da estupidez de milhares que, se achando espertos, são feitos de bobos.
Manobra decorrente de um sistema eleitoral falido, único no mundo e que a nenhum dos partidos, grandes ou pequenos, nunca interessou genuinamente mudar, bem como não parece realmente interessar ao eleitorado renovar os ares que ficarão ainda mais irrespiráveis.
É uma mistura nefasta: de um lado a patifaria e de outro a alienação. A receita perfeita para formação de um Congresso pronto a confirmar o velho lema da piora gradativa do Parlamento e a acrescentar que a sociedade, conivente, anda muito sem moral para reclamar.

ZUENIR VENTURA

Que lição tirar?
Zuenir Ventura
O GLOBO - 29/09/10


Se Dilma Rousseff for eleita presidente da República, como as pesquisas ainda indicam, muitas crenças sobre comportamento e tomada de decisão dos eleitores terão que ser reavaliadas.

A primeira é se é possível saber o que leva alguém a escolher um candidato e de que é feita essa fidelidade - se é um processo exclusivamente emocional ou se a racionalidade tem também um peso na escolha.

O que faz a nossa cabeça: imprensa, família, amigos ou um pouco de tudo? Ou, em vez disso, é o bolso, ou seja, o acesso ao consumo? Em matéria de entretenimento cultural - filmes, peças, livros, shows - parece que o boca-a-boca funciona mais do que a crítica impressa. Mas em meio às paixões de uma campanha eleitoral não é fácil entender a situação, mesmo quando se pretenda ser mais testemunha do que juiz e se persiga uma posição de equilíbrio e equidistância.

Aparentemente, a principal formadora de opinião de um país é a chamada mídia: jornais, revistas, TV, rádio, internet. Mas se é assim, como é que a candidata do PT mantém seu favoritismo, ainda que em queda, quando a maioria dos veículos está contra ela? E se não é assim, se a imprensa não tem todo esse poder de influenciar, por que Lula se revoltou tanto, desqualificando o seu papel? Quais são as razões pelas quais um líder esperto como ele, no auge da popularidade, capaz de transferir votos e eleger a sucessora, desnorteou-se na reta de chegada e iniciou uma desenfreada escalada de ataques? Por desconhecimento é que não foi. Uma das melhores explicações para a relação poder x imprensa, é dele: "Notícia é o que o governo quer esconder; o resto é propaganda." Pode-se alegar que é da natureza de todos os governantes maldizer a mídia e tentar controlá-la quando são contrariados.

Inclusive os mais liberais. Até o tolerante JK, que aboliu a censura logo após chegar à presidência ("Quero a imprensa desatada, mesmo para ser injusta comigo"), proibiu Carlos Lacerda de falar no rádio. O próprio FHC, também um democrata, saiu do governo queixando-se e insinuando que um ou outro jornal queria o seu impeachment.

Lula talvez tenha sido o que mais xingou e foi xingado pelos jornais e revistas (é impressionante o ódio que desperta em algumas pessoas). O presidente cometeu a besteira de acusar a imprensa de golpista e recebeu a classificação, também injusta, de fascista, quando na verdade falou mais bobagem do que fez - até porque nessa matéria, quando pensou fazer, com o "controle social", a sociedade reagiu.

Não se sabe se alguma lição vai ser tirada dessas eleições. Especialistas em pesquisa disseram que o eleitor não gosta de tiroteio, de troca de acusações. Se isso é verdade, há o que aprender com essa campanha.

GOSTOSA

MERVAL PEREIRA

Mudança de vento
Merval Pereira
O GLOBO - 29/09/10



As atitudes erráticas do presidente Lula nesses últimos dias de campanha eleitoral denotam que os estrategistas da candidata Dilma Rousseff estão tentando digerir as informações contraditórias que chegam com as últimas pesquisas, mostrando uma perda contínua de votos em 15 dias. Ao mesmo tempo em que recuou nos seus ataques à imprensa em determinado momento, diante da constatação de que o clima de animosidade por ele deflagrado estava provocando reações negativas em setores da sociedade, o presidente retornou ao início da campanha, quando valorizar o passado de guerrilheira de Dilma era importante para garantir o apoio da esquerda do partido à neófita política escolhida para ser a "laranja" eleitoral de Lula.

Se os ataques aos meios de comunicação para tentar desqualificar as denúncias que provocaram a demissão da chefe do Gabinete Civil Erenice Guerra produziram inicialmente efeito negativo no eleitorado mais escolarizado e de maior renda, esse efeito hoje já se espalha por todos os setores da sociedade, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, demonstrando que as questões morais e a radicalização política afetam diretamente o setor do eleitorado mais preocupado com o equilíbrio institucional do país.

O elogio da radicalização política que Lula fez no comício de segunda-feira em São Paulo, exaltando o lado guerrilheiro de sua candidata, também incomoda essa classe média, especialmente a ascendente.

O objetivo imediato do presidente parece ser conter uma debandada de parte do eleitorado de esquerda que, desiludido com mais uma leva de escândalos envolvendo a gestão do PT, e mais uma vez no Gabinete Civil no Palácio do Planalto, estaria engrossando as fileiras da candidata verde Marina Silva.

É interessante constatar como a questão moral, que parece nunca atingir o presidente Lula diretamente, alcança inapelavelmente o PT nas últimas campanhas eleitorais.

Em 2006, quase que Lula não encontra ambiente político para se recandidatar por conta do mensalão. No auge do caso, em 2005, a popularidade do presidente caiu vertiginosamente, e as repercussões chegaram até a campanha no ano seguinte.

O caso dos "aloprados" veio apenas relembrar o escândalo do mensalão na reta final da campanha de 2006, provocando a ida da disputa para o segundo turno. Mais uma vez Lula recuperou-se do baque e conseguiu levar sua campanha a uma vitória vigorosa, ainda mais que o candidato tucano Geraldo Alckmin acabou tendo menos votos no segundo que no primeiro turno.

Agora, quando o marasmo da campanha eleitoral parecia levar a uma vitória tranquila no primeiro turno de Dilma Rousseff, dois novos escândalos trouxeram os debates políticos para um campo menos amorfo, fazendo com que setores da sociedade acordassem para o debate político. O presidente Lula escolheu a maneira errada de tentar desqualificar as denúncias contra Erenice Guerra, que pegam diretamente em Dilma Rousseff, sua protetora.

Ao levar para os palanques críticas aos meios de comunicação e garantir à população que as acusações eram mentirosas, Lula incentivou seus "aloprados" a desferir uma guerra contra a imprensa dita tradicional, e uma resposta imediata a favor da liberdade de expressão e da democracia foi articulada por representantes da sociedade civil do calibre de D. Paulo Evaristo Arns e Hélio Bicudo.

O manifesto, que protesta contra diversos indícios de autoritarismo do governo, inclusive a quebra de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao candidato oposicionista José Serra, teve uma aceitação alta da sociedade e já tem mais de 50 mil assinaturas pela internet.

A confirmação, ontem, de que também o sigilo bancário do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, foi quebrado no Banco do Brasil remete a métodos utilizados anteriormente por membros do governo contra o caseiro Francenildo Pereira, que teve seu sigilo bancário na Caixa Econômica violado a mando do presidente da instituição na ocasião, Jorge Matoso, para conseguir dados que, supunha, poderiam ajudar na defesa do então ministro da Fazenda Antonio Palocci.

O conjunto da obra é nada edificante para o PT e demonstra publicamente como o aparelhamento da máquina estatal por sindicalistas e filiados ao PT e a partidos aliados ao governo significa, na prática, muito mais que a simples ineficiência do Estado, uma ameaça para os cidadãos. É esse quadro que está mexendo com os votos do eleitorado, em todas as regiões do país e em todas as estruturas sociais.

A candidata oficial, Dilma Rousseff, ainda vence, mas está vendo sua vantagem sobre a soma dos dois outros concorrentes ser reduzida a cada dia nas últimas duas semanas.

Já está caracterizada uma tendência de queda de sua candidatura, ao mesmo tempo em que a candidata do Partido Verde, Marina Silva, tem uma ascensão na mesma proporção, começando a ganhar a simpatia dos indecisos e partindo para ganhar fatias do eleitorado que hoje está com Dilma.

Marina acredita que a onda verde seja forte o suficiente para levá-la para o segundo turno, superando o candidato tucano José Serra.

Para tanto, porém, terá que arrancar do eleitorado de Dilma os pontos necessários, o que a levará a atacar mais fortemente a candidata oficial no último debate, amanhã, na TV Globo.

A reta final de uma eleição que até agora é a mais modorrenta dos últimos tempos tem ingredientes para ser muito excitante.

A diferença de Dilma para Serra ainda é muito grande, mas a subida de Marina pode levar o tucano ao segundo turno, frustrando o eleitorado que a escolheu.

Parte desse grupo é de petistas desgostosos que podem, porém, retornar ao seio governista, como aconteceu em 2006.

Se realmente conseguir ir para o segundo turno nessas condições, Serra terá que fazer um amplo acordo com o Partido Verde para viabilizar a vitória.

Terá ainda a seu favor uma mudança de situação nos dois maiores colégios eleitorais, São Paulo e Minas.

Se, como tudo indica, a eleição para governador se resolver no primeiro turno a favor dos tucanos nos dois estados, a máquina governamental dos estados não terá constrangimentos para ajudar o candidato do PSDB, ao contrário do que acontece neste momento

MARCO ANTONIO VILLA

Marolinha vermelha
Marco Antonio Villa
FOLHA DE S. PAULO - 29/09/10

Campanha sem ideologia é o que sempre quis o governo; caso ocorra segundo turno, o artifício deverá ter vida curta

A soberba faz mal a política. A eleição não está decidida. A onda vermelha, parece, não passou de uma marolinha.

A avidez dos apoiadores, que já estavam dividindo os cargos do futuro governo, foi contida. A comemoração da vitória, antes do apito final do juiz, pode explicar a violência dos ataques à liberdade de imprensa e à oposição em geral.

É importante para o país uma discussão de programas e propostas. Até o momento, a campanha ficou resumida ao protagonismo de Lula e às graves denúncias envolvendo ministros e aliados do governo. É preciso muito mais que isso.

Os debates entre os presidenciáveis foram inúteis. Viraram monólogos. O enfrentamento democrático entre candidatos acabou se transformando numa repetição enfadonha de promessas, recheadas de números, sem sentido algum.

Ninguém aguenta mais debates que não são debates, onde as grandes questões nacionais são ignoradas. Até os ataques aos adversários são mal elaborados. O cronômetro, indicando que o tempo para a resposta do candidato está terminando, é o melhor aliado do telespectador.

O desinteresse popular é evidente. A ausência de política empobreceu a eleição. A repetição das velhas fórmulas esgotou a paciência do eleitor.

A falsa euforia do corpo a corpo nas ruas, que serve simplesmente para obter imagens para a TV, é a melhor representação de uma campanha pobre de ideias e recheada de marketing vazio.

Para a estratégia do governo é essencial despolitizar a eleição. Transforma-la em um plebiscito. As diferenças políticas devem ser diluídas.

Daí que não causa estranheza a aliança oficial combinar o apoio do empresariado, com os beneficiados pelos programas assistencialistas e os dirigentes sindicais amarelos.

Nesse coquetel infernal deve ser acrescentado o apoio dos oligarcas estaduais. Barbalho, Sarney, Calheiros e Collor servem para obter votos nos burgos podres. Mas é o típico apoio envergonhado: nos grandes centros seriam hostilizados.

Uma campanha sem ideologia sempre foi o desejo do governo. Até este momento conseguiu o seu intento. Caso ocorra um segundo turno, o artifício deverá ter vida curta.

A polarização, com a apresentação de dois projetos para o país, é tudo o que Lula não quer. Os candidatos terão tempos iguais na televisão. E nos debates o confronto será inevitável.

A oposição vai ter um teste de fogo. Terá de apresentar um programa de governo. Mostrar unidade e combatividade. E realizar algo que tinha esquecido nos últimos tempos: fazer política.

SERRA PRESIDENTE

MÔNICA BERGAMO

"ARRUMA UMA DILMA PARA COLOCAR NO SEU LUGAR!"
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10

 Roberto Carlos entra no camarim depois de um rápido banho para se recuperar do show de quase duas horas que ele deu para a plateia de 2.000 corintianos que lotaram o auditório do Anhembi na noite de segunda. "Foi uma honra para mim cantar nesse show do centenário do Corinthians. Inesquecível", diz ele, abraçando o presidente do clube, Andrés Sanchez. "Mas o maior time do mundo tinha que ter na sua festa o maior cantor do Brasil!", responde o dirigente. Gargalhada geral. "O melhor time do mundo eu concordo. Já essa coisa de maior cantor do Brasil... não sei, não", responde Roberto.

"Você fez coisas incríveis no Corinthians. Tem que ficar mais tempo lá", segue Roberto para Sanchez, cujo mandato termina em 2011. "Não, não. Não é bom ficar no poder por muito tempo", diz o cartola. Dudu Braga, filho de Roberto, dispara: "Então arruma uma Dilma para colocar no teu lugar!". Mais gargalhadas.

Na hora das fotos, Dudu, corintiano fanático, coloca o gorro do Timão. "É o gorro de trombadinha dele", brinca o Rei, que torce para o Vasco e, em São Paulo, tem simpatia pelo Palmeiras. "É isso aí! Tira foto do filho maloqueiro do Rei", diz Dudu. Roberto finaliza: "Acho que vou ter que começar a tocar funk".


A VOZ DO VICE Michel Temer, candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT) reservou parte da agenda nos últimos meses para jantares restritos com o empresariado brasileiro. Num deles, reuniu-se com Fabio Barbosa, do banco Santander, com Roberto Setubal, do Itaú, com Daniel Feffer, do grupo Suzano, e com Pedro Parente, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso e hoje na Bunge Brasil. Em outro, esteve com o banqueiro Joseph Safra, com Benjamin Steinbruch, da CSN e da Fiesp, e com Ivo Rosset, da Valisere.

PAZ E AMOR
Em todos, diante das perguntas dos empresários, Temer defendeu a ideia de que o presidente Lula "pacificou o Brasil" e que a sua candidata, Dilma, continuará "no mesmo rumo".

EM GRUPO
E a possibilidade de Gilberto Kassab (DEM-SP) se mudar de mala e cuia para o PMDB no próximo ano está condicionada à mudança na legislação, permitindo que deputados eleitos por um partido mudem de legenda logo no início do mandato. O partido tem especial interesse não apenas na filiação de Kassab, mas nos parlamentares que ele poderia carregar para a agremiação.

A DILMA DE CADA UM
Para driblar a proibição de fazer campanha no horário do expediente, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), tem aproveitado a hora do almoço. Escolhe fazer a refeição em algum restaurante da periferia da cidade, levando a tiracolo sua candidata a deputada estadual, a petista Ana do Carmo.

PADILHA NA URNA
José Padilha, diretor de "Tropa de Elite 2", irá comentar as eleições neste domingo, ao vivo, no "Manhattan Connection", do GNT. Ele também falará do longa que estreia no dia 8 e sobre segurança pública e milícia, temas de "Tropa".

VESPEIRO
A OAB-SP convidou o ex-presidente da Fundação Bienal, Manoel Pires da Costa, para um debate sobre os "limites à liberdade de expressão na democracia", inspirado em uma das polêmicas da mostra deste ano: o pedido da ordem para a retirada da obra em que o artista Gil Vicente "mata" personalidades como Lula, FHC e o papa. "Numa Bienal, poderiam realmente evitar [expor] esse tipo de coisa", diz.

PASSARELA NO TAPETÃO
A modelo baiana Ana Paula Batista, 18, também irá representar o Brasil na final do concurso Elite Model Look, em Xangai, no dia 10. Ana foi eliminada da etapa brasileira do concurso, mas mesmo assim foi escolhida pelo dono da agência, o francês Bernard Hennet, para disputar a final. Ela terá a companhia de Camila Peruzzo, 14, vencedora oficial da premiação no Brasil.

IATE NA AVENIDA
O Ministério da Cultura autorizou a Portela a captar R$ 5,4 milhões para o Carnaval de 2011. A escola carioca, que levará à Sapucaí o samba-enredo "Azul da Cor do Mar; Navegar é Preciso, Sonhar é Muito Mais", sobre a história da navegação, tem até dezembro para arrecadar.

MÁSCARA NO TIRIRICA
No especial de seis anos do "Show do Tom", anteontem, a Record escondeu os rostos de Tiririca (PR-SP) e Pedro Manso (PRB-RJ), humoristas que deixaram o programa porque são candidatos. Como eles apareciam em algumas das cenas dos "melhores momentos" da atração, a emissora cobriu suas caras com fotos de outras pessoas.

LÁ VEM A NOIVA
A empresária de moda Helena Mottin e Eder Pedrosa Veneziani se casaram no fim de semana com uma festa para amigos no Leopolldo Plaza. O ator Paulo Goulart homenageou os noivos cantando "Eu Sei que Vou Te Amar", e sua mulher, Nicette Bruno, fez um discurso. Entre os convidados, o ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira.

CURTO-CIRCUITO
Edro de Carvalho lança o livro "Feliz Dia de Hoje", às 19h, com coquetel na Academia Paulista de Letras.

O Pandoro realiza o segundo show do projeto "Quartaneja", às 22h, com o cantor Rodrigo Reys. A organização é de Ézio Alves e Leonardo Caldi. Classificação etária: 18 anos.

Marina Lima, Fernanda Takai, Família Lima e Elba Ramalho se apresentam hoje, a partir das 20h30, na entrega do 10º Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo.

Os músicos Eduardo e Martin, da banda da cantora Pitty, lançam o disco "Dezenove Vezes Amor" amanhã, às 22h, no Comitê. Classificação: 18 anos.

Eduardo Ribeiro promove amanhã, às 21h, o Grande Baile da Imprensa, no clube Homs, na avenida Paulista.

com DIÓGENES CAMPANHA e LÍGIA MESQUITA

JOSÉ SIMÃO

Marina x Dilma! LUTA NO GEL!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10


E tem mulher fruta em Brasília. A Mulher Laranja! A mulher do Roriz. Laranja, não. Bagaço



BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador-Geral da República! Ereções 2010! Vai dar JACARÉ! Briga de muié! A Marina tá comendo os votos da Dilma! Vai dar jacaré! Muié x Muié! Luta no gel com Marina e Dilma! Hipopótamo x Ema!
E se a Marina ganhar, ela vai ter que pedir autorização pro Ibama pra viajar pro exterior? Rarará. E o Serra devia comprar um estacionamento, só fica estacionado mesmo. E o Plínio tá parecendo o avô do Dom Quixote. E diz que ele vai fazer o remake de Cocoon! Rarará!
E eu vou votar naquele candidato do PP: MAGAL EXTERMINADOR DE INSETOS! Pra exterminar todos os candidatos! Rarará! Indecisos e Indecentes! Votem em mim pra presidente! HOJE: CORPO A CORPO COM A CLEO PIRES!
E se me virem fazendo corpo a corpo com o Serra, pode chamar a polícia que é sequestro. Se me virem fazendo corpo a corpo com a Dilma, pode chamar a policia que é briga. Se me virem fazendo corpo a corpo com a Marina, chama o Ibama! E corpo a corpo com o Plínio, chama o medico que é Alzheimer! Rarará!
E vai ter segundo turno? Petistas histéricos! Tucanos descontrolados! Uma senhora tucana me assediou no supermercado: "Dê uma forcinha! Dê uma forcinha". "Minha amiga, eu não sou VITASAY pra ficar dando forcinha." Rarará!
E vocês já viram as caras dos candidatos? Eles estão esgotados. Eu digo esgotados em todos os sentidos! E eu tô achando que essa Marina tem uma treta antiga com essa Dilma. Tipo a vingança será maligna! E essa: "67% do eleitorado de Marina não sabe seu número". Nem ela sabe! E a Dilma não caiu da esteira, caiu numa areia movediça! E no dia do debate da Record, o Palocci escorregou no palco e caiu. DE NOVO?! Rarará!
A Galera Medonha! A Turma da Tarja Preta! E tem mulher fruta em Brasília. A Mulher Laranja! A mulher do Roriz. Laranja, não. Bagaço. E diz que o Roriz é o Maluf do cerrado! O Maluf do cerrado e a Mulher Bagaço! Rarará!
E tinha um programa bem antigo de televisão chamado "Almoço com as Estrelas". E a avó dum amigo vendo o otário eleitoral: "Isso tá parecendo o "Almoço com as Estrelas": Agnaldo Timóteo, Moacir Franco, Juca Chaves, tem até o Nelson Gonçalves". "Vó, esse não é o Nelson Gonçalves, é o Aloysio Nunes." Rarará! A situação tá ficando psicodélica. Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza.

GOSTOSA

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

A derrota de Chávez
EDITORIAL
O Estado de S. Paulo - 29/09/2010

O autocrata venezuelano Hugo Chávez havia definido a eleição legislativa do último domingo em seu país como um "plebiscito" sobre o seu governo e prólogo do pleito presidencial de 2012, quando disputará o quarto mandato desde 1998. Ele prometeu "massacrar" a oposição e "ganhar por nocaute". Não só não conseguiu nada disso, como sofreu um estrondoso revés político.

É verdade que a legenda chavista, o Partido Socialista Unificado de Venezuela (PSUV), obteve 98 das 165 cadeiras da Assembleia Nacional, ao passo que a oposição, a Mesa de Unidade Democrática (MUD) constituída por 18 partidos, ficou com 65. Mas esse resultado privou Chávez da maioria de 2/3 que lhe permitiria aprovar leis orgânicas e mudanças constitucionais - e, no limite, governar por decreto.

Era o que vinha fazendo com incontestada desenvoltura desde que a oposição cometeu o erro histórico de boicotar a eleição parlamentar de 2005, para não legitimar o que previa ser uma fraude. Sem adversários - e com um comparecimento às urnas de ridículos 25% -, o caudilho teve às suas ordens um Legislativo 100% chavista, reduzido a uma repartição do Palácio Miraflores, a sede do Executivo. Com o tempo, 10 deputados formaram uma dissidência que, evidentemente, não freou a descida da Venezuela para o regime liberticida do "socialismo do século 21".

Quando se deu conta de que não teria a mesma sorte no pleito seguinte, Chávez preparou uma cama de gato para os adversários. Fez aprovar uma nova demarcação dos distritos eleitorais - o sistema venezuelano é o distrital -, para aumentar a representação das áreas chavistas e vice-versa. Para se ter uma ideia, num Estado rarefeito, de maioria governista, passaram a bastar 20 mil votos para eleger um congressista, ante 400 mil num Estado populoso, simpático à oposição. A mudança nas regras do jogo não foi tudo.

O governo reteve o repasse de verbas para as regiões governadas por oposicionistas, transformou legiões de servidores públicos em cabos eleitorais, com abundante infraestrutura, e deu aos candidatos de seu partido praticamente o monopólio da propaganda nas emissoras estatais. Sem falar na multiplicação de sua presença nos comícios do PSUV, religiosamente reproduzida na TV chavista. Chega a ser uma proeza, portanto, o desempenho eleitoral da oposição, refletindo a erosão do prestígio de Chávez.

Com uma taxa de comparecimento de 67% - um indicador do ânimo mudancista do eleitorado em países, como a Venezuela, onde o voto é facultativo -, a frente de oposição obteve, segundo uma contagem extraoficial, 5,4 milhões dos votos válidos, cerca de 190 mil a mais do que a situação. A manipulação das regras eleitorais explica por que os 46% de votos populares pró-Chávez se transfiguraram em 59% das cadeiras na Assembleia e por que os 48% conquistados pela oposição nas urnas não lhe deram mais de 39% das vagas. Estima-se que apenas a remarcação dos distritos adicionou à bancada chavista 30 deputados.

Não há muito mistério no avanço oposicionista. O governo é um rematado desastre. Na contramão da América Latina, a Venezuela está há 15 meses em recessão. A inflação anual é da ordem de 30% e a acumulada nos 11 anos de chavismo chega a 733%, o desemprego é descomunal (cresceu 42% no último ano e meio) e a desigualdade voltou a se agravar. Faltam energia e alimentos. Sobram corrupção e incompetência: 130 mil toneladas de gêneros importados apodreceram nos portos do país. Por fim, a criminalidade atinge níveis aterrorizantes. A violência mata uma pessoa a cada meia hora.

O que não está claro é o que Chávez vai fazer de sua derrota política. Ele tem uma janela de oportunidade de 3 meses - a nova Assembleia só assumirá em janeiro - para se conter ou desembestar de vez, fazendo aprovar nesse período o que queira. Notadamente, a Lei das Comunas, unidades administrativas ditas autônomas, porém diretamente ligadas ao Executivo. Além da reorganização político-territorial do país, poderá surgir uma "assembleia comunal" para retirar poderes do Legislativo. "Chávez é hoje uma fera acuada", compara um observador estrangeiro em Caracas. "Nessas condições, é ainda mais imprevisível."

CELSO MING

Mais controle de capitais 
Celso Ming 
O Estado de S.Paulo - 29/09/2010

Desta vez, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, diverge apenas superficialmente do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Não temos uma guerra cambial no mundo, como Mantega sustentara na véspera, mas temos sério problema de câmbio no Brasil, avisou ele ontem. E completou: "O aumento do IOF na entrada de capitais está em aberto."

São declarações que aparentemente dão como inevitável uma elevação do IOF com o objetivo de desestimular a chamada arbitragem com juros. Trata-se de tomada de empréstimos no exterior a juros no chão para trazer os recursos para o Brasil, trocá-los por reais e tirar proveito de juros substancialmente mais altos no mercado interno.

De janeiro a agosto deste ano, haviam afluído US$ 19,9 bilhões em recursos de estrangeiros para investimento em renda fixa, ou 670% a mais do que no mesmo período de 2009 (veja o Confira).

O IOF cobrado na entrada desses capitais é hoje de 2%. Se Meirelles admite aumentá-lo, pressupõe-se que possa ir para 3% ou 4%. Não está claro se esse aperto vai alcançar também as aplicações em ações. O reforço da entrada de capitais para essa finalidade (até agosto) foi irrelevante. Em princípio, aplicações em ações não devem ser desestimuladas porque ajudam a capitalizar a empresa brasileira.

Boa pergunta consiste em saber até que ponto uma paulada com IOF será decisiva para segurar o tombo do dólar no câmbio interno. Em geral, os investidores encontram mecanismos para burlar esse novo imposto. Se os 2% não foram suficientes para conter a valorização do real, o aumento da dose provavelmente também não será. Afora isso, não é apenas o dinheiro que entra no País que faz arbitragem com juros. O que deixa de sair também faz. E sobre esses capitais, que ficam porque os juros estão altos aqui dentro, não incide IOF. Uma filial de empresa estrangeira, por exemplo, pode deixar de remeter lucros e dividendos para sua matriz no exterior para girar esses recursos no mercado brasileiro a fim de aproveitar os juros. De todo modo, algum impacto imediato sobre a entrada desses capitais essa elevação do IOF acabará produzindo.

O mundo está inundado de liquidez. Apenas parte dela é consequência de emissões de moeda (pelos bancos centrais) ou emissões de títulos (aumento de dívida pelos tesouros). Ela provém do excesso de poupança de um punhado de países asiáticos (Japão, China, Coreia do Sul, Taiwan), dos grandes exportadores de petróleo (Arábia Saudita) e, também, da Alemanha. Em contrapartida, os países de alta renda, especialmente os Estados Unidos, vivem um momento de poupança perto de zero. Pode ser vista, também, como o resultado dos enormes desequilíbrios financeiros globais.

Neste momento em que exibe certificado de grau de investimento, e é um dos poucos países que terão forte crescimento em 2010, é natural que o Brasil atraia capitais ciganos. Essa avalanche contribui para valorizar o real, na contramão do que está acontecendo em outros países, que conduzem a política cambial para produzir efeito oposto, ou seja, para desvalorizar sua própria moeda.

Mas ninguém se iluda. O movimento principal não é de valorização do real, mas de aumento do consumo, que estica o rombo das contas externas (déficit em conta corrente) para perto dos 3% do PIB. Não basta tascar IOF. Será preciso conter o consumo com redução das despesas públicas para desacelerar as importações.

"ISCOLA"

O BURRO E O JUMENTO