quarta-feira, setembro 29, 2010

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Universo em desencanto 
Sonia Racy 
O Estado de S.Paulo - 29/09/2010

A uma semana das eleições, o promotor eleitoral Maurício Lopes compareceu ao plantão de fim de semana para tentar apresentar duas denúncias contra a candidatura de Tiririca - por ele ser supostamente analfabeto, o que o tornaria inelegível. "Não encontrei autoridades nem na Procuradoria Regional Eleitoral nem na Corregedoria do TRE, somente funcionários. Tive que deixar um protocolo, o que retarda o andamento do processo", contou à coluna. "Me desencanta ver o sistema judicial eleitoral agir assim, ainda mais na reta final."
Bota desencanto nisso.

Poltrona
Não é só o Brasil que vive da criação de conselho empresarial, como o montado por Lula. Em Xangai, na China, existe o conselho do IBLAC (International Business Leaders Advisory Council). Toma posse lá, dia 9, como único brasileiro convidado a participar, Roger Agnelli.

Na veia
Para quem está estranhando o inchaço de Dilma: a candidata está tomando cortisona por causa da torção no pé.

Plim, plim
Atrapalhado em seus últimos dias de campanha, Sérgio Guerra não programou ir ao debate na TV Globo. Está sendo convencido de que sua presença é importante.
Plim, plim 2

Depois de ter realizado o seu debate no domingo, concorrendo com o Fantástico, a Record resolveu tentar interferir na audiência da Globo. A emissora do bispo Edir Macedo marcou etapa eliminatória do reality show A Fazenda no mesmo horário do último confronto dos presidenciáveis amanhã.

Oficial
Kassab autorizou a montagem de fundo garantidor para a PPP da saúde prevendo, entre outras, a construção de três hospitais novos.
Verba? De R$ 150 milhões, no Orçamento de 2011 que será encaminhando hoje à Câmara.

Felicidade existe
Kassab, aliás, ainda preserva música de sua campanha eleitoral de 2008, como toque de seu celular: "Soooorria, meu bem, sorriiiiia". "É para lembrar da campanha vitoriosa", explica o prefeito.

Dito e feito
A subprefeitura de Pinheiros acabou lacrando a Pulsarte, no Alto de Pinheiros, por falta de alvará de funcionamento. A academia de dança recorrerá na Justiça.

Canja
Por essa os moradores de Paraisópolis e fãs de Billy Paul não esperavam: a estrela do soul cantou, a convite de Wanderley Nunes, ao vivo, na rádio comunitária da favela, domingo.

Back to the future
Mauro Salles está nos finalmentes de um novo livro. Mais precisamente, de poesias.

Vossos pandeiros
O Brasil não é novidade para Zubin Mehta. Sua paixão pelo País, segundo contou, começou em 82 quando desceu o Rio Araguaia.


Balacobaco árabe-israelense
Caetano Veloso arrancou suspiros, anteontem, no Centro da Cultura Judaica. Ao ler, a convite do israelense Izhar Patkin - seu amigo e vizinho de prédio em NY - o poema Violins, de Mahmoud Darwish, imprimiu entonação melódica ao texto árabe, encantando os 50 privilegiados que assistiram ao evento devidamente filmado. O vídeo, dirigido por Fernando Andrade e Monique Gardenberg, fará parte da mostra The Veil Suite, em cartaz no CCJ. Entre os comentários a favor, destacou-se o inglês perfeito do compositor.

Convidados do israelense, como Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli, interpretaram durante a filmagem uma "segunda" plateia "fake". Paula Lavigne, convocada a fazer parte da intervenção, soltou em alto e bom som: "Ah não, Izhar, eu não quero ficar aí porque hoje não estou me sentindo bonita".

Depois, acomodando-se na primeira fila da plateia verdadeira, a ex-mulher do artista se viu às voltas com uma fã estrangeira de Caetano que não parou de elogiar o compositor e de dar pitacos no espetáculo. "Gente, temos mais uma diretora aqui", ironizou a produtora, no comando da situação.

Tanto assim, que logo depois do músico interpretar pela quarta vez o poema, Lavigne encerrou a leitura: "Chega né, Caetano?". E fim de conversa, para tristeza geral do público.

Na frente

Luiz Felipe D''Avila, Nelson Ascher e Luiz Felipe Pondé participam de debate sobre o livro Aforismos, de Karl Kraus, durante lançamento, sexta. Na Livraria da Vila dos Jardins.

A Tiffany&Co promove o Petals for a Cause em prol do Projeto Guri. Amanhã, na loja do Shopping Iguatemi.

Rubens Barbosa e Pedro Parente palestram sobre administração pública e privada. Amanhã, no Sheraton WTC.

José Jantália, candidato a deputado estadual, explora a causa animal. Está fazendo campanha pelas ruas de São Paulo, a bordo de carro de som que emite cacarejos, latidos e mugidos. Os bichos, unidos, agradecem.

MÍRIAM LEITÃO

O tom do recado 
Miriam Leitão 
O Globo - 29/09/2010 - 29/09/10

A pergunta feita a um empresário, numa conversa com várias pessoas, foi: “É verdade que emissários do PT telefonam para empresas avisando que sabem quem não está fazendo doações para a campanha?” O empresário respondeu: “Para mim, telefonaram e foram pessoalmente dizer que notaram que eu não tinha feito doação na última eleição nem tinha feito ainda nesta.”

Eu ouvi essa conversa estarrecedora.

Esse tipo de encaminhamento do pedido de doação, se estiver generalizado, é uma forma de ameaça.

A frase: “Notamos que você não fez doação na última eleição e ainda não fez nesta” pode ser entendida pelo que está embutido: estamos de olho em você.

O Estado, hoje, é quem concede a maioria do crédito; o BNDES aumentou de forma extravagante suas concessões de empréstimo subsidiado e a arbitrariedade de suas escolhas dos “campeões”, que o faz negar créditos a alguns e conceder em excesso a outros que, na visão do banco, estão mais aptos a vencer a competição global. A mistura é explosiva: de um lado, um Estado com poder de vida e morte sobre as empresas; de outro, emissários do partido do governo com uma ameaça embutida na formulação do pedido.

Hoje, um dos grandes riscos que a sociedade brasileira corre é exatamente esse poder excessivo do Estado, controlado como donataria pelo partido do governo. O Estado é o grande comprador, o grande financiador, o grande sócio em qualquer empreendimento. Como ficar contra ele? Por outro lado: ficando a favor dele, que grandes vantagens se pode ter! Os empresários só falam mal do governo se seus nomes não aparecerem; todos eles estão sendo beneficiados por alguma grande obra, algum grande contrato, alguma licença; ou sonham ser beneficiados no futuro.

Um dos maiores empresários do país foi chamado para uma conversa cheia de ameaças indiretas por ele ter feito declarações contra uma das polêmicas obras que promete ser sorvedouro de dinheiro público.

O governo cooptou movimentos sociais, sindicalistas, parte do movimento cultural, através da distribuição de benesses, patrocínios, contratos e financiamentos.

Mas a cooptação dos empresários é mais direta.

Algumas empresas não têm capacidade alguma de bancar os empréstimos que recebem, ou outras são viabilizadas por aderirem aos grandes projetos em que todo o risco é público.

Nas sombras de um Estado gigante, tudo viceja, como os intermediários de negócios, mesmo que eles não tenham delegação para entregar o que prometem. Com um Estado todo poderoso, qualquer espertalhão pode dizer que é a ligação direta com quem decide e pedir uma comissão para isso.

Mesmo que não houvesse casos de corrupção, comprovadamente ligados ao governo, ainda assim, seria o ambiente certo para a propagação dos casos nebulosos de pedidos de propina.

A redução do tamanho do Estado faz esse favor ao país: diminui os guichês nos quais se oferecem favores com dinheiro público e se pedem em troca comissões para enriquecimento pessoal ou para o partido que está no poder. A privatização tirou do Estado um sem número de cargos de distribuição política em empresas siderúrgicas, concessionárias de serviços de energia e de telefonia.

As empresas que o país decidiu manter estatais deveriam ser isoladas das pressões políticas e concederem mais acesso às suas contas e aos critérios de decisão.

Essa seria uma forma de reduzir o risco que o contribuinte e o consumidor dos serviços correm hoje com problemas como os dos Correios.

Já houve tantos casos nebulosos nos Correios no governo Lula — dos indicados do ex-aliado Roberto Jefferson até os indicados da ex-primeira-amiga Erenice Guerra — que não resta dúvida a esta altura: a melhor forma de produzir um colapso postal no país é continuar entregando os cargos de direção da estatal na mão dos políticos e seus afilhados e evitar a administração profissional da empresa. É um espanto que se consiga em tão pouco tempo provocar tanto extravio numa empresa centenária e que sempre teve reputação de eficiência.

Há quem considere que a melhor forma de evitar constrangimentos como o vivido pelo empresário que cito no começo dessa coluna é o financiamento público exclusivo de campanha. Como ser ingênuo a ponto de achar que, se o Estado der ainda mais dinheiro para os partidos, os que estão hoje viciados em caixa dois fecharão o balcão de pedidos impróprios aos empresários? O que ajuda a resolver o problema é, como tenho escrito aqui, a trindade: punição, fiscalização, transparência.

Nada é panaceia contra a corrupção, mas há formas de reduzi-la e outras de aumentála. O gigantismo do Estado é o caminho mais curto para aumentar a corrupção.

Quando ele se torna o parceiro inevitável em qualquer negócio, tudo pode acontecer.

Quando seu poder é usado para amedrontar as empresas, qualquer doação para campanhas políticas pode ser extorquida. E o que houve nos últimos anos no Brasil foi o crescimento descomunal do Estado, primeiro, à sombra do Plano de Aceleração do Crescimento e, depois, sob o pretexto de que era preciso evitar a crise econômica mundial. Conter esse gigantismo é fundamental hoje, não apenas por razões econômicas, mas para melhorar a qualidade da democracia brasileira.

VOTE



JOSÉ NÊUMANNE

Por que os escândalos não tiram Dilma do topo
José Nêumanne 
O Estado de S.Paulo - 29/09/10

Causa perplexidade geral ter a chefe da Casa Civil da Presidência da República sido demitida na reta final da campanha eleitoral sem que isso haja produzido a consequência natural de um escândalo dessas proporções na popularidade do presidente, que a nomeou, nem feito cair do topo da preferência eleitoral sua candidata, que a patrocinou. A falta de proporção de causa e efeito em episódio dessa relevância não se deve apenas à credulidade popular, capaz de aceitar que Lula não assuma a responsabilidade dos atos de sua principal assessora e que Dilma Rousseff se exima de culpa pela ascensão de uma funcionária incapaz de subir na vida por méritos próprios, que ninguém imagina quais possam ser.

É o caso de buscar outras razões para a baixa interferência na preferência do eleitor de notícias de recebimento de propinas ("taxas de sucesso") pelo filho de Erenice Guerra em gabinete a poucos metros do de Dilma, no Palácio do Planalto, onde o chefão dá expediente. Será o caso de admitir que o pleito de 2010 esteja decidido há muito tempo e que será quase impossível mudar tais desígnios? Afinal, a gravidade das acusações que emergiram contra o clã Guerra, que não teriam como não macular a imagem da favorita, supera, com larga vantagem, a das que derrubaram Richard Nixon nos Estados Unidos e Fernando Collor no Brasil e levaram à prisão José Roberto Arruda, que ainda provocou o naufrágio de seu partido, o DEM, da aliança de oposição.

Se assim for, isso se deverá à percepção de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a realidade social e o panorama eleitoral no Brasil real, que domina. Ele mesmo foi a primeira vítima de uma avalanche que, em 1989, se identificou nos dois eles de Collor em verde e amarelo e inverteu as ancestrais relações de hierarquia da política nacional, ao promover aquilo que o último coronel mineiro, Chichico Cambraia, definiu como "estouro da boiada": ao votar no "caçador de marajás", o rebanho pulou cerca e porteira do curral e, para não perdê-lo de vista, os "pastores" saíram correndo atrás. Nesta e em mais duas eleições seguidas perdidas depois, Lula aprendeu que é quase impossível ser eleito presidente da República brasileira sem alianças de peso. E, se extraordinariamente isso ocorrer, nunca será possível governar sem a adesão de grupos poderosos que mandam desde antanho e para sempre nos hoje repovoados currais de votos. Prova-o a defenestração de um dos raros que realizaram a proeza: Collor tentou presidir sem o Congresso, que logo reagiu depondo-o.

Tendo participado da derrubada do adversário que o derrotara, o presidente foi aprendendo ao longo dos anos que ganhar e governar um país deste tamanho exige partilha do butim. Tentou, antes, sem sair da própria esquerda, ao atrair Leonel Brizola para sua chapa, mas deu com os burros n"água. Aceitou, em 2002, por sugestão de José Dirceu, aliar-se a gatos gulosos do PMDB que traíram Serra, cuja vice, Rita Camata, era do partido. Depois, em nome da "governabilidade", loteou o governo para não ser mais um a ganhar e não levar. Como o Fausto da lenda, vendeu a alma aos diabos que antes exorcizava e se deu muito bem. Foi aí que aprendeu a vencer a disputa eleitoral de baixo para cima: abrigou no ninho do poder lideranças locais, prefeitos municipais, deputados estaduais e federais, senadores e governadores. Aí, quando resolveu lançar o "poste" Dilma por achar mais fácil manipulá-la do que se desgastar na luta pelo terceiro mandato, já tinha as bases todas sob controle.

Muita gente boa percebeu a jogada genial do uso eleitoral da Bolsa-Família. Mas nem todos enxergaram o simultâneo fechamento de cofres que irrigam as campanhas políticas com os recursos necessários, favorecendo de banqueiros a empreiteiros de obras públicas, que passaram a ter nele o novo Messias. E ninguém observou que ele tirou do caminho para o palanque adversários que incomodavam. Foram os casos de Cássio Cunha Lima, o tucano da Paraíba, e Jackson Lago, o pedetista do Maranhão, que perderam seu mandato, condenados por crime similar ao de que foi acusado o petista Marcelo Déda, governador de Sergipe, que, no poder, é favorito na disputa por sua sucessão.

Ao contrário de Lula, seu principal adversário, José Serra, não deu sinais de ter aprendido as lições da derrota de 2002. Ao se negar a disputar a indicação em prévias, como pretendia o ex-governador mineiro Aécio Neves, deu-lhe a justificativa de que este precisava para ficar fora da ingrata rinha presidencial. A não insistir com o partido e o próprio Aécio para formar chapa com este, deu outra mostra de que pretendia alcançar o inalcançável: ganhar a disputa pela Presidência sem dever favores. Ao manter fora da campanha um tucano que vencera duas vezes a eleição federal sem disputar segundo turno, Fernando Henrique, emitiu, a quem fosse capaz de entender, o sinal de que não se dispunha a buscar ajuda nem mesmo do próprio passado, e o renegou.

Dilma, cujo currículo desautorizava a aventura de disputar contra um político bafejado pela vitória nas urnas nos maiores município e Estado do País, contou com a ajuda esperada, embora absurda, do adversário. Onze entre dez interlocutores alertaram Serra de que a chave para sua vitória seria manter o presidente popular fora da campanha. Mas ele expôs o retrato de Lula em seu primeiro programa de propaganda na TV e apelidou-se de Zé chamando-o de Silva (de quem terá sido a ideia tola?) no primeiro jingle para rádio. Fez ainda aos adversários o favor de deixar que o atrapalhado presidente nacional de seu partido, Sérgio Guerra (PE), pedisse a impugnação da adversária porque a Receita havia quebrado o sigilo fiscal da filha Verônica.

A possibilidade, aventada pelo Datafolha, do segundo turno pode abalar a empáfia palaciana, mas em nada alterará os fundamentos das evidências citadas. A experiência de 2006 deve ter ensinado aos tucanos que provocar o segundo turno é uma coisa. Mas vencê-lo é outra!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Ancar Ivanhoe investe em novo shopping em Campinas 
 Maria Cristina Frias 
Folha de S.Paulo - 29/09/2010

A administradora de shopping centers Ancar Ivanhoe vai iniciar um projeto em Campinas, no interior de São Paulo, com investimento próprio de R$ 280 milhões. As obras começam no primeiro semestre de 2011.
Com quatro andares, área bruta de vendas de 40 mil m2, para cerca de 230 lojas, em 320 mil m2 de área de terreno, o shopping deve ser inaugurado no final de 2012.
O empreendimento pretende atender as classes A, B e C, diz Marcos Carvalho, co-presidente da empresa.
O objetivo é atrair também consumidores de cidades próximas como Hortolândia, Louveira, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.
"Temos outras expansões em planejamento, reflexo do aumento do consumo. As vendas estão crescendo e as taxas de vacância estão muito baixas", afirma Carvalho.
O aumento das vendas estimula projetos para ampliar shoppings já existentes.
"O mercado está favorável, a ponto de pensarmos em expansão de um empreendimento que abrimos em 2007, em Porto Velho (RO), o que não costuma ocorrer antes de um shopping completar cinco anos."
Além do empreendimento de Campinas, em 2012, a empresa vai expandir dois outros shoppings. Juntos, os três projetos somarão R$ 500 milhões investidos.
No portfólio da Ancar Ivanhoe há atualmente 16 empreendimentos em todas as regiões do país. Dez deles são próprios e seis, de terceiros, gerenciados pela empresa.

RUMO AO NORTE

A rede Bob's avança na interiorização da marca e abre na segunda quinzena de outubro uma nova loja em Palmas, no Tocantins.
Até dezembro, serão inauguradas mais sete unidades na região Norte do país.
Entre elas, em Boa Vista (Roraima), Ariquemes (Rondônia), Ji-Paraná (Rondônia), Marabá (Pará) e duas em Manaus (Amazonas).
As lojas receberão investimentos de R$ 6 milhões. Atualmente, a região tem 57 unidades da marca, que empregam 650 pessoas.

PÉ DE MEIA

A marca de cuecas Mash vai investir mais na produção de meias para ganhar participação de mercado.
Com capacidade ainda limitada, a linha de meias receberá mais US$ 3,5 milhões nos próximos anos, além do US$ 1,5 milhão em maquinário, que foi importado recentemente, segundo o sócio Jaime Hara.
A empresa quer alcançar novos canais de vendas, como redes de calçados e esportes. "Começamos onde já vendíamos cuecas, agora queremos expandir para onde elas não têm presença", diz o diretor Jonas Waisberg.
Na linha de cuecas, a empresa também começa a arriscar a exploração de novos canais. A partir deste mês, coloca produtos à venda em motéis de alta renda da cidade de São Paulo.
Na roupa íntima, que recebeu R$ 3,5 milhões em marketing em 2010, a ideia é acompanhar a tendência de confecção de moda, com até quatro lançamentos por ano.

Fábrica... A Corr Plastik, empresa do segmento de tubos e conexões de PVC, acaba de inaugurar uma unidade de injeção, localizada na planta industrial de Cabreúva, no Estado de São Paulo.

...ampliada Para comportar a unidade, a companhia ampliou o local em mais de 5.000 m2. Agora, a planta possui 15 mil m2 de área construída. O investimento de R$ 20 milhões também abrange dois novos centros de distribuição, um em São Paulo e outro em Alagoas.

Impasse Para que o cinema brasileiro seja economicamente sustentável é preciso mudar a tributação, segundo Walquíria Barbosa, criadora do RioMarket, área de negócios do Festival do Rio. Cerca de 33% do valor de cada ingresso equivale a impostos, informa a empresária.

Musical Bauru receberá em novembro o SP Onlive, um grande festival de música, com investimento de R$ 5 milhões, em uma área de 217 mil m2. Estão previstas as presenças de Zeca Pagodinho, Ana Carolina, Jota Quest e Maria Gadú, segundo a Planmusic Entretenimento e a TV TEM.

MENTES INOVADORAS

Com o objetivo de encontrar propostas de material sustentável para a produção de eletrodomésticos, a Whirlpool fechou parceria com o portal holandês Battle of Concepts.
Estudantes do Senai, que participa desta iniciativa, enviam ideias de inovação.
"O objetivo é buscar alternativas com material de fácil reciclagem, biodegradável e que possa reduzir o consumo de energia", afirma Rogério Martins, vice-presidente de desenvolvimento de produtos e inovação da Whirlpool.
"Uma das vantagens é que os jovens abordam os desafios de maneira não convencional", diz José Cláudio Terra, da consultoria TerraForum, que se tornou sócia do portal. Dez projetos serão premiados.

Macroeconômico Albert Fishlow, professor emérito da Universidade Columbia, dos EUA, participará do 5º Seminário Internacional da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), que acontece amanhã, na cidade de São Paulo.

RELAÇÕES COM INVESTIDORES

Os profissionais da área de administração são os que predominam nas salas de aula de MBA de relações com investidores. Em dez anos do curso Fipecafi/Ibri, 41% dos alunos são administradores, segundo a Fipecafi. Contadores e economistas aparecem em seguida. Os profissionais da área de comunicação ocupam o quarto lugar na pesquisa. A participação das mulheres na sala de aula é de 42%, segundo a fundação.

LEÔNCIO MARTINS RODRIGUES

A via sindical para o poder
Leôncio Martins Rodrigues 
O Estado de S.Paulo - 29/09/10


"Eu sou torneiro mecânico e é a única coisa que eu sei fazer... Não tenho pretensões políticas; não sou filiado a partido político e tenho certeza de que jamais participaria da vida política porque eu não sirvo para político." Essas frases são de Lula e foram pronunciadas numa entrevista ao Programa Vox Populi, da TV Cultura, de maio de 1978, quando era ainda presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. O presidente estava sendo modesto na avaliação de sua capacidade para a política. Para a sorte de alguns e azar de outros, não voltou para a fábrica nem para o sindicato.

A trajetória de Lula não é incomum na história do sindicalismo mundial. Quando os sindicatos eram frágeis e frequentemente clandestinos, a atividade sindical era mais uma missão do que uma profissão, missão que poderia dar cadeia e perda do emprego. Mas, na maioria dos países capitalistas, os sindicatos transformaram-se em poderosas, ricas e complexas organizações de massa. Como uma das mais bem-sucedidas instituições das sociedades capitalistas, transformaram-se numa via de ascensão social e econômica e, em alguns casos, de ascensão política para seus dirigentes.

No Brasil, antes de Lula, outros sindicalistas haviam tentado entrar para a classe política. A maioria o fazia pela via do PTB ou do PCB, portanto, de um modo subordinado às chefias partidárias. O caso do PT inverteu o processo: foram os sindicalistas que criaram o partido. Apesar da presença de outros segmentos sociais que ajudaram a viabilizar o PT - como a ala progressista da Igreja Católica e da intelligentsia de esquerda -, os sindicalistas constituíram sempre a facção dominante do partido. Controlavam a Articulação, considerada de direita pela esquerda petista. Dessa facção, à qual Lula pertencia, saíram os principais dirigentes do PT para as diferentes instâncias da estrutura de poder: Presidência da República, Ministérios, governadores, prefeitos e os vários níveis do Poder Legislativo.

Tomemos como exemplo a Câmara dos Deputados. Refletindo o fortalecimento do sindicalismo e dos partidos de esquerda, a bancada sindical cresceu. Na legislatura de 1991-1995 (pelos dados do Diap) havia 25 ex-diretores de sindicatos no Congresso. Na legislatura seguinte, o número foi para 36. Passou em seguida para 44. Na legislatura que resultou da eleição de 2002 (primeira eleição de Lula) chegou a 74. Para o Senado da República, cinco sindicalistas foram eleitos, todos do PT. Pode-se, de outro ângulo, perceber a forte vinculação do PT e do PCdoB com a estrutura sindical no fato de metade dos deputados desses dois partidos ter sido de diretores de sindicatos (53.ª legislatura, 2007-2010).

Mas na eleição de 2006, contrariando a tendência até então observada, nenhum sindicalista foi eleito para o Senado. Para a Câmara o número caiu para 56: 41 eram do PT, seis do PCdoB e três do PDT. Os demais dividiram-se entre PPS, PV (dois cada), PMDB e PSB (um cada). Um dos fatores que explicam esse declínio da bancada sindical foi a queda da votação no PT. Na eleição anterior, 91 petistas tinham sido eleitos. O PT transformara-se no maior partido da Câmara. Contudo, na legislatura seguinte, o PMDB, com 89 deputados, ultrapassou o PT, que ficou com 83. Uma vez que o PMDB está longe de ser um partido de sindicalistas, seu crescimento, acompanhado do pequeno declínio do PT, provavelmente foi uma das razões da diminuição da bancada sindical.

A manutenção da estrutura corporativa, juntamente com o fim dos controles antes exercidos pelo Ministério do Trabalho, transformou a instituição sindical numa via de entrada "por cima" na classe política. Na 53.ª legislatura (eleição de 2006), quase a metade dos parlamentares do PT e do PCdoB que foram diretores sindicais começou a carreira política elegendo-se diretamente para a Câmara. Apenas cerca de um terço teve uma trajetória mais sofrida, começando pela vereança.

Em princípio, a considerar a denominação oficial dos sindicatos brasileiros, além de representantes do povo, todos os ex-sindicalistas seriam representantes dos "trabalhadores". O termo comumente leva a pensar no operário manual. Na década de 1960, a figura que mais comumente o representava era o João Ferrador, que trazia estampada em sua camisa a frase ameaçadora: "Hoje eu não tô bom."

Mas a composição social das classes assalariadas mudou. E também a do sindicalismo. Os sindicatos em que predominavam trabalhadores manuais do setor privado perderam força. Os sindicalistas na Câmara são em sua ampla maioria de classe média, não manuais, do setor público, em que se destacam professores e bancários. Quase 70% dos membros da bancada sindicalista têm curso superior completo.

Não seria possível analisar mais detidamente a influência desse "fator sindical" na política brasileira, mas avancemos sumariamente duas observações. De um lado, ele aumenta o peso político dos segmentos assalariados das classes médias sindicalizáveis, que no momento, em aliança com o PT, empreendem a colonização do aparelho de Estado. Pode, desse ângulo, ser entendido como um fator de democratização social relacionado a uma mudança na elite política e social e na popularização da classe dos políticos profissionais. De outro lado, uma vez que os ex-sindicalistas vêm das estruturas corporativas, num movimento de retroação, a bancada sindical tende a reforçar o peso das instituições, dos interesses e valores corporativos na sociedade brasileira. Ao fim e ao cabo, se todos os demais fatores permanecerem iguais, o fator sindical tende a enfraquecer a democracia representativa, que sempre convive mal com a política de massas e os impulsos populistas que nela despontam.



EX-PROFESSOR TITULAR DOS DEPARTAMENTOS DE CIÊNCIA POLÍTICA DA USP E DA UNICAMP, É AUTOR DE "DESTINO DO SINDICALISMO"

GOSTOSA

ANCELMO GÓIS

Sujeito esperto 
Ancelmo Góis 
O Globo - 29/09/2010 

É uma figura esse empresário Rubnei Quícoli, estopim da queda de Erenice Guerra e que ontem negou ter dito que a propina era para a campanha do PT.

E não é só porque foi recebido no Palácio do Planalto para tratar de um projeto de energia solar, mesmo já tendo sido condenado e preso por vários crimes.

Segue...

Para posar de bom moço, Quícoli declarou ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, que era filiado ao Greenpeace.

Procura daqui, cata dali, o pessoal da ONG verde descobriu que, em 2000, o empresário se cadastrou como doador de R$ 100 por mês. Mas... ficou só na intenção. Nunca coçou o bolso.

Aliás...

Um cínico, meio sério, meio à brinca, disse acreditar que, finalmente, a geração de energia solar no Brasil vai deslanchar: — Quando o pessoal da roubalheira fica de olho, é sinal de que o negócio tem futuro.

É. Pode ser.

Estatal 51%

A capitalização da Petrobras fez, na prática, o setor público assumir, direta ou indiretamente, 51% do total da empresa.

É que a União e o BNDES passam a ter 47,3%; a Petros, 0,8%; e a Previ, 2,9%.

Um erro emocional

“Um erro emocional”, primeiro romance de Cristóvão Tezza, autor de “O filho eterno”, sairá em outubro pela Record.

Mas, antes do lançamento aqui, já recebeu proposta do exterior.

A oferta chegou ontem da Holanda, pela editora Contact.

Marta na cabeça

Deve ser o cansaço. Lula, segunda à noite, num comício em São Paulo, trocou as bolas.

Errou o número da candidata Marta Suplicy ao Senado.

Ainda por cima, apresentou Michel Temer como vice na chapa de... Marta.

Newton Cruz x Maluf

Newton Cruz, 85 anos, o general que comandou o finado SNI na ditadura militar, saiu vitorioso em segunda instância numa ação movida pelo deputado ficha suja Paulo Maluf.

O juiz Sérgio Seabra Varella negou pedido de indenização por danos morais feito por Maluf, acusado pelo general de, em 1985, ter proposto a ele o assassinato de Tancredo Neves.

É que...

Tancredo era adversário de Maluf na eleição indireta à Presidência naquele ano.

Maluf já havia perdido a ação em primeira instância, em 2004.

Dança das cade

Lula já distribui presentes de Natal no Itamaraty.

Marcos Raposo, seu chefe de cerimonial, será embaixador no México; George Prata, em Praga; Leda Camargo, embaixadora na Suécia; Antônio Mena Gonçalves, na Colômbia; e Sérgio Florêncio, cônsul em Vancouver.

Disputa no Senado

A disputa pelas duas vagas do Senado no Rio foi assunto ontem na reunião da coordenação política do governo, em Brasília.

Lula reafirmou a José Alencar, do PRB, mesmo partido de Crivella, que o ex-bispo e Lindberg são seus candidatos. É que, aproximados por Cabral, na reta final, Lindberg e Jorge Picciani viraram amigos de infância.

Caso Joanna

A promotora Elisa Pitaro teria arquivado este ano uma queixa-crime por maus-tratos contra o técnico judiciário André Rodrigues Martins, pai da menina Joanna Cardoso Marcenal, que morreu mês passado.

A denúncia foi feita pela mãe de Joanna, Cristiane Marcenal.

Minc fashion week

Uma loja da Saara, no Rio, pegou carona na exposição do deputado estadual Carlos Minc com seus coletes multicoloridos no horário eleitoral na TV.

Criou, acredite, a seção...

“Coletes do Minc”.

Viva Xexéo!

Nosso coleguinha Artur Xexéo, além de estrear como autor de teatro, com “A garota do biquíni vermelho”, sobre a vedete Sônia Mamede, debutará também como compositor.

Fez duas canções do espetáculo, que estreia dia 14, no Rio

Calma, gente

Um casal chegou tarde para a peça “Pterodátilos”, com Marcos Nanini, no Teatro das Artes, no Rio, e foi impedido de entrar.

Os dois, irritados, fizeram o maior barraco, com direito até a tapa na cara de uma produtoras.

Só se acalmaram com a polícia.

RUY CASTRO

Inexistente estatístico 
Ruy Castro
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10

Ouço pelo rádio do táxi que falta ao IBGE ouvir 20% da população para completar o recenseamento. Ótimo. Como estou nesses 20% que ainda não foram ouvidos ou cheirados pelos recenseadores, talvez ainda tenha uma chance de ser incorporado à dita população, reforçando com isso meu senso de identidade.
O repórter fala de outras façanhas do IBGE: já foram recenseados 17 mil e quebrados de brasileiros com mais de cem anos; viajando de bote, caiaque e piroga, conseguiram levantar a população das mais remotas comunidades indígenas de Roraima; e, agora, já sabem não apenas o número de dentes na boca do brasileiro mas o de sisos sobreviventes.
Parabéns, parabéns. Mas o fato é que, ainda longe dos cem anos e morando no Leblon – que os recenseadores podem alcançar até de helicóptero, asa delta e windsurf –, continuo a ser ignorado pelo IBGE. E como eles têm certeza sobre o número de sisos restantes do brasileiro se ainda não contaram os meus?
Na verdade, já estou habituado. Desde que saí da casa de meus pais, no Flamengo, aos 19 anos, e fui morar sozinho – ou, casado, na condição de impoluto chefe de família –, nunca fui recenseado. Não é que não me lembre. Posso garantir que, nos últimos cinco censos, jamais um recenseador se apresentou a mim e perguntou sobre estado civil, renda familiar, preferência clubística ou número de pessoas em casa, incluindo os gatos.
Pelo menos, o fato de estar vivendo uma longa vida à margem das estatísticas não me tornou mais ectoplásmico ou menos brasileiro. Em 1970, o Brasil tinha 90 milhões em ação, e eu era um deles. A 31 de dezembro de 1999, 3 milhões de pessoas foram saudar em Copacabana a chegada do ano 2000, e eu estava lá. Hoje, sou um dos 3% de brasileiros que não usam celular. À falta do IBGE, tudo isso me leva a crer que eu sou eu.

O ABILOLADO E A VAGABUNDA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Pai de todos
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10


Como se trata de Lula, ninguém falará isso de público, mas, no PT, muita gente avalia que, se a eleição para o Planalto não se resolver em primeiro turno no próximo domingo, a responsabilidade será ao menos em parte do presidente da República e de sua opção por esticar a corda ao máximo com os adversários e a imprensa na reta final da campanha. 

Como costuma acontecer quando as dificuldades batem à porta, multiplicam-se as explicações. Outra que também diz respeito a Lula é a de que o presidente, dando Dilma por eleita, teria dispersado energia antes da hora para ajudar aliados nos Estados.
Deixa comigo - Na reunião de coordenação, ontem, Lula disse que, se sua própria avaliação e a do governo subirem um pouco mais, Dilma estará eleita no primeiro turno. Por isso, pediu que, daqui para frente, seus subordinados batam ainda mais bumbo sobre as ações comandadas por ele. 
Oremos - Petistas aproveitaram a presença de cerca de 40 prefeitos no comício de segunda em SP para uma rápida reunião: a eles foi encomendado manifesto em defesa de Dilma a ser levado a diferentes segmentos, sobretudo a líderes religiosos. 
Oremos 2 - O boato que mais dor de cabeça deu ao PT foi espalhado via e-mail e atribui a Dilma a frase “nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória”. O partido nega que ela tenha dito isso. 
Blindada - A assessoria petista montou “cercadinho” com grades para a visita de Dilma à rodoviária de Brasília, deixando-a afastada da imprensa e do público. 
Reativa - O núcleo dilmista orientou a candidata a não comprar briga com Marina Silva (PV). Nos bastidores, contudo, o contra-ataque corre solto. Petistas destilam notícias sobre o histórico do marido da senadora e relembram as prisões no Ibama quando ela era ministra. 
Tá vendo? - No PSDB, dissemina-se o temor de que José Serra encare a eventual passagem para o segundo turno como sinal de que sua campanha vai muito bem e não precisa de mudanças. 
Desabafo - Avaliação de um tucano muito próximo do candidato: “Se Serra for para o segundo turno, terá sido por mérito pessoal. Mas, para ganhar, ele precisa, além do mérito pessoal, de aliados”. 
Déjà vu - Ainda sob efeito do indigesto incidente no metrô na semana passada, tucanos de São Paulo já cuidam de politizar a greve dos funcionários da CPTM, que ameaça paralisar os trens da capital na sexta-feira, antevéspera da votação. 
Título 1 - O PT confia que os ministros do Supremo Tribunal Federal concedam hoje a liminar que dispensaria a exigência de dois documentos para votar, introduzida na minirreforma eleitoral deste ano. Para os advogados do partido, a tese dominante na Corte é a de que não se pode impedir um eleitor de exercer seu direito caso compareça à seção em que está cadastrado munido de carteira de identidade. 
Título 2 - Para que a tese petista prospere, é necessária maioria simples entre os ministros presentes à sessão. 
Tiroteio
Teste de alfabetização não quer dizer nada para o Tiririca. A pergunta a responder é se ele acha engraçado eleger mensaleiro. 
DO DEPUTADO JOSÉ ANÍBAL (PSDB-SP), comentando a possibilidade de o palhaço, candidato à Câmara na coligação liderada pelo PT, ser submetido a uma prova de leitura e escrita para atender aos requisitos da legislação. 
Contraponto
Com a mão no bolso 
Em visita à Bienal de SP no domingo passado, Eduardo Suplicy viu o pavilhão do Ibirapuera ser tomado por integrantes do grupo Oficina. Sob a direção de Zé Celso Martinez Corrêa, eles encenavam releitura de “O Bailado do Deus Morto”, de Flávio de Carvalho. 
Vários atores e atrizes estavam nus. Alguns carregavam escultura que simulava um pênis gigante. Observando atentamente a movimentação, o senador petista fez sua resenha particular da Bienal: 
- Tem muita enrolação. Mas isso aqui tá bem feito!

ELIO GASPARI

Chacrinha assumiu um pedaço do Judiciário
ELIO GASPARI
O GLOBO - 29/09/10



Faltam quatro dias para a eleição e pode-se temer que o glorioso Abelardo Chacrinha tenha buzinado uma ideia para alguns magistrados: "Eu vim pra confundir, não pra explicar." A Lei da Ficha Limpa foi sancionada no dia 4 de junho deste ano.

Um mês depois, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação contra a candidatura do ex-senador Joaquim Roriz ao governo do Distrito Federal. Esse caso particular carregava consigo a discussão da constitucionalidade da lei, bem como sua aplicação neste pleito. O TRE de Brasília cancelou o registro de Roriz, seus advogados recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral e perderam. Numa instância a decisão demorou 25 dias, na outra, dezenove.

Em setembro, Roriz levou o caso ao Supremo Tribunal. Foi julgado 20 dias depois e acab ou num empate de 5x5. A eleição será domingo e os cidadãos não sabem o destino que tomarão alguns de seus votos. Consumiramse 64 dias e, nada.

Quem entende de lei são os juízes, mas a patuleia entende de calendário.

Apressando-se o ritual da Justiça estimulam-se decisões sumárias, levadas pela emoção, mas há litígios em que a razão pede um julgamento rápido. Durante a desorganizada sessão em que o Supremo julgou o caso, surgiu a proposta de se esperar a indicação do 11 oministro por Lula. Embutia a decisão de não decidir. Se a lei é constitucional, como entendeu o Supremo, e se o recurso do Ficha Suja não foi concedido (por conta do empate), quanto vale a decisão anterior do TSE? Em 2000, num caso mais premente, o Judiciário americano deu a presidência dos Estados Unidos a George Bush 34 dias depois de uma eleição contestada. Noutra, de 1971, a Corte Suprema derrubou em dezessete dias a tentativa de Richard Nixon de censurar os documentos da Guerra do Vietnam conhecidos como Pentagon Papers.

Em Pindorama está acontecendo o contrário.

Em abril de 2009, provocado pelo deputado Miro Teixeira, o STF mandou ao lixo a Lei de Imprensa da ditadura e decidiu que por cá que não há censura.

Desde então, diversos magistrados proibiram os meios de comunicação de publicar isto ou aquilo. Os humoristas tiveram que ir à rua para defender seu direito de propagar o riso. Ou o STF acabou com a censura para inglês ver, ou há juízes que não acreditam na sua decisão.

A buzina do Chacrinha soou mais alto com a confusão estabelecida em torno dos documentos que o cidadão deverá levar à seção eleitoral.

Desde 1965 a choldra sabe que convém levar o título de eleitor e, necessariamente, um documento de identidade com fotografia. Caso tenha esquecido o título, se o seu nome está listado na seção eleitoral, vota com a carteira de identidade.

É isso que manda o Código Eleitoral. Uma lei do ano passado entrou para complicar: mesmo que o eleitor tenha a carteira com fotografia, precisa do título. Para quê? Se José Rousseff mostrou que é José Rousseff e seu nome está na lista de votação, qual a dúvida? Segui-se a lei básica da burocracia: em dúvida, complique. Os partidos políticos e a Justiça Eleitoral tiveram um ano para consertar o conflito.

Faltam quatro dias para a eleição e ele ainda está de pé. Como diria o Velho Guerreiro, "o mundo está em dicotomia convergente, mas vai mudar".

GOSTOSA

ANTONIO ANASTASIA

Convergência e afirmação de Minas
ANTONIO ANASTASIA
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/09/10


No centro da inovação do nosso modelo está a ideia-força da gestão de qualidade, com planejamento rigoroso e qualidade nos gastos públicos


A ampla aliança que se formou em Minas em apoio ao nosso projeto político não nasceu ontem, apenas para atender a urgência ou as circunstâncias da disputa eleitoral em curso. Não é fruto de intervenções de cúpula, vetos partidários ou imposições travestidas de entendimento, para atender a interesses estranhos a Minas e que nada têm a ver com a vida dos mineiros.
A nossa aliança resulta de grande convergência em torno de um governo sério, solidário, ousado e transformador, que conquistou, nesses últimos anos, com Aécio Neves à frente, a maior aprovação de toda a nossa história, e que agora, se assim os mineiros decidirem nas urnas, terei o desafio de continuar e fazer avançar ainda mais.
Nesse tempo, firmamos parcerias com todos os governos, principalmente com o governo federal, sem qualquer constrangimento político; governamos com todas as prefeituras, mesmo as que estão sob a responsabilidade de prefeitos de oposição; e soubemos compartilhar trabalho, recursos e esforços com múltiplos segmentos da nossa sociedade organizada.
Por isso avançamos tanto.
O amplo reconhecimento sobre a gestão de Minas é ainda mais substantivo porque está respaldado por instituições e autoridades que não estão no nosso campo político. O governo federal, por exemplo, reconheceu a excelência da educação pública de Minas, quando posicionou o Estado em 1º lugar em educação básica, segundo o Ideb.
Na área de assistência social, o ministério de Patrus Ananias apontou Minas como o Estado líder na implantação do Sistema Único de Assistência Social, enquanto o ranking nacional existiu.
Diversas unidades da Federação buscaram aqui ideias e projetos inovadores, testados e aprovados, como solução para antigos problemas ainda renitentes Brasil afora.
No plano internacional, fomos o único Estado subnacional do mundo convidado a apresentar o nosso modelo de gestão na reunião anual de governança do Banco Mundial.
No centro da inovação do nosso modelo está a ideia-força da gestão de qualidade, com planejamento rigoroso, austeridade fiscal, qualidade nos gastos públicos; ação integrada e efetivo controle de resultados. O ponto de chegada nunca foi outro se não o de governar para melhorar a vida das pessoas.
Por isso, nesse período, tiramos o compromisso com a equidade do papel e do discurso e investimos três vezes mais por habitante nas regiões mais pobres. Os investimentos em educação cresceram 277%; em segurança, 500%; em saúde, 732%. A pobreza caiu 46%; a mortalidade infantil, 22%; e a desnutrição caiu pela metade.
Estamos tirando do isolamento mais de 200 cidades ainda ligadas por estradas de terra; o saneamento subsidiado alcança comunidades que nunca contaram com a efetiva presença do Estado; a energia alcança todo o interior, as localidades mais distantes; a telefonia celular não é mais privilégio apenas das grandes cidades.
A economia mineira cresceu quase sempre acima da média nacional e geramos proporcionalmente mais empregos que a média brasileira. Já alcançamos cinco das oito metas do milênio. E o Ipea projeta que vamos erradicar, três anos antes do país, a pobreza extrema.
Esses são resultados de governo e projeto que têm os pés no presente e preparam o futuro sem se afastar, um só instante sequer, dos nossos valores e da nossa história. Tenho convicção de que esta Minas autônoma, altiva e próspera, senhora do seu destino, pode contribuir muito mais com a construção do Brasil do nosso tempo.


ANTONIO ANASTASIA, 49, advogado, é governador de Minas Gerais e candidato à reeleição pelo PSDB.

CLÁUDIO HUMBERTO

“[O diretor dos Correios] pediu dinheiro para favorecer Dilma e Erenice” 
RUBNEI QUÍCOLI, CONSULTOR, CONFIRMANDO NA PF O PEDIDO DE MARCO ANTONIO DE OLIVEIRA

CORREIOS: EX-DIRETOR VAI À FORRA CONTRA “COMPLÔ” 
O ex-diretor de Operações dos Correios, Marco Antônio de Oliveira, que alegou “crise de hipertensão aguda” para adiar seu depoimento na Polícia Federal, previsto para ontem, diz ter sido vítima de um “complô” para apeá-lo da estatal e entregar seu cargo ao lobby de transporte de cargas aéreas, representado pelo ex-diretor Eduardo Arthur Rodrigues, patrocinado por Roberto Teixeira, compadre de Lula. Magoado, o ex-diretor decidiu contar tudo. Mas só na segunda (4), após as eleições.

ARRECADAÇÃO 
Familiares dizem que Marco Antonio piorou seu estado de saúde, após revelar a Veja o esquema da Casa Civil para arrecadação de dinheiro.

ARRUMADINHO 
A demissão de Marco Antônio de Oliveira e a nomeação do substituto, também a pedido do filho Israel, foram definidas por Erenice Guerra.

SINAL DE ALERTA 
Pânico no comitê petista: o monitoramento diário do desempenho de Dilma Rousseff (PT) já a coloca com 42%, em viés de baixa. 

LEI DE AMORIMURPHY 
Até que o Brasil não se saiu mal na libertação da iraniana Sakineh – “aquela mulher”, como disse Lula. Em vez de apedrejada, vai à forca. 

LULA APROVOU LEI DE DOIS DOCUMENTOS PARA VOTAR 
Em vez de entrar com ação no Supremo questionando a exigência do título de eleitor e documento com foto na hora de votar, o PT deveria se queixar ao “patrão”: foi Lula quem sancionou, há exatamente um ano, a lei 12.304, que no artigo 91-A exige os dois documentos. O PT alega risco de “confusão” e “restrição à cidadania” – de olho no eleitorado em rincões do Nordeste, desinformados e com grande abstenção. 

“DESESPERO” 
Para a oposição, é “desespero de um possível segundo turno” a ação do PT, contestada nesta segunda (27) pelo DEM no Supremo.

FIM DA SECA 
Os primeiros chuviscos em Brasília, ontem, após quase 130 dias, foram recebidos pela população com aplausos, inclusive nas ruas.

BENGALADA 
Dilma está de bengala, após torcer o pé. Mas de pé atrás estão seus assessores, com o possível uso, para outros fins, do rijo objeto. 

NINGUÉM MERECE 
Dilma cai nas pesquisas até no próprio comitê de campanha, com seus pitis desproporcionais. Há assessores ainda revoltados pelo derrame sofrido por um colega, ao ouvir dela uma dessas broncas exageradas.

VOTO CONTRA 
O ministro Marco Aurélio foi voto vencido no TSE: é contra exigir dois documentos. Para ele, nem o título seria necessário. Como os votantes estão listados nas seções eleitorais, bastaria documento de identidade. 

GERENTE DE CRISES 
Cresce a cotação do ministro Luis Paulo Barreto (Justiça) para ficar no cargo em eventual governo Dilma. Ele é bem avaliado por sua atuação em crises de governo, como a quase expulsão do jornalista Larry Rohter, do New York Times, e agora no escândalo Erenicegate.

ALMOÇO GLOBAL 
A Rede Globo oferece em São Paulo almoço vip, nesta quinta, data do último debate presidencial, a Leandro Daiello, superintendente local da Polícia Federal – que anda atarefada com inquéritos de Erenice & cia.

NEM AÍ 
Os 2 milhões de eleitores de Alagoas chegam ao final da campanha sem que Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) ou Marina Silva (PV) tenham visitado o Estado – que se mobiliza para anular os votos.

CONSULTA AO CRIMINALISTA 
A recente visita secreta do ex-ministro da Justiça Márcio Tomaz Bastos a Lula foi descoberta graças à inconfidência de Silvio Santos, dono do SBT, que se referiu a ele como “aquele advogado famoso”. Na mosca: apavorado com os escândalos, o presidente consultava o criminalista.

VIAGEM ACIDENTADA 
O prefeito de Nova Friburgo (RJ), Heródoto Bento de Mello, 85, foi à Suíça negociar apoio à festa dos 200 anos do município, e deveria ter voltado no dia 22 de setembro. Ele levou um tombo e os médicos suíços vetaram a viagem. O vice já se assanha para tomar seu lugar.

“INSUBMISSO” LIBERTADO 
O universitário Miguel Mendes de Sousa, 26, foi liberado segunda (27), no Rio, quando esta coluna noticiou sua prisão por “insubmissão” – segundo o Código Militar – ao tentar regularizar-se no serviço militar. Após exames médicos, foi declarado incapaz e dispensado de servir. 

CURRÍCULO 
Para um presidente da República “alfabetizado”, que ignora plural e concordância, até que o palhaço Tiririca se expressa direitinho...

PODER SEM PUDOR
MEU BEM, MEU MAL 
Secretário de Agricultura do governo paulista, Antônio Cabrera promoveu em julho de 1995 um encontro de produtores rurais com o governador Mário Covas. A certa altura, Cabrera recebeu um bilhete que o fez sorrir, enquanto os produtores reclamavam das dificuldades do setor. Dizia:
– Fala aí pro Covas que a nossa situação tá tão ruim, que estamos tão endividados, que não podemos nem chamar nossas mulheres de “meu bem”, senão o banco toma. 

QUEBROU

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Em queda, Dilma pede PT nas ruas e evita briga com Marina

- Estadão: Chance de 2° turno altera estratégias das campanhas

- Correio: Procurador eleitoral dá parecer contra Weslian

- Valor: Reservas crescem rápido e BC acena com mais IOF

- Jornal do Commercio