quinta-feira, setembro 02, 2010

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Tributos
VERISSIMO
O GLOBO - 02/09/10


Eu estava ouvindo a Jane Monheit cantando Rio de Maio, o belo tributo outonal do Ivan Lins ao Tom Jobim (ela canta em português, com a participação do Ivan), e pensei em como alguém poderia fazer um CD – enquanto ainda existem CDs – só com músicas que homenageiam músicos. Há outro belíssimo tributo ao Tom composto pelo Gerry Mulligan, Tema para Jobim, que se ouve no filme 
The Player, cantado pela Joyce e pelo Milton Nascimento. Letra da Joyce. O próprio Mulligan gravou o tema tocando piano, com vocal da Jane Duboc.
Há muito anos, quando estava recém-começando, o Quarteto de Jazz Moderno gravou uma composição do seu pianista John Lewis chamada Django, homenagem ao legendário guitarrista cigano Django Reinhardt. Foi o primeiro grande sucesso  do Quarteto e a sua primeira experiência com uma estrutura musical mais elaborada, apenas sugerida no seu uso inicial do contraponto e de outras formas eruditas, e que eles expandiram de maneira notável ao longo dos anos. Muita gente que nunca tinha ouvido falar do Django tratou de conhecê-lo depois 
da homenagem do John Lewis.
O trompetista Clifford Brown era considerado a maior revelação do jazz dos anos 50 quando morreu, em 1956, num acidente de carro, com 25 anos. O saxofonista Benny Golson o homenageou com uma trenodia comovente intitulada I Remember Clifford, que foi gravada por muita gente, incluindo o Ray Charles.
Não sei se o saxofonista japonês Sadao Watanabe chegou a tocar com a Elis Regina ou sequer a conhecê-la, mas a admirava tanto que fez uma música para lembrá-la depois da sua morte. Elis é um samba, gravado pelo próprio Watanabe e, que eu saiba, inexplicavelmente, por ninguém mais.
Também tem uma música do Sérgio Bittencourt em homenagem ao seu pai, Jacob do Bandolim. E, claro, o Chico Buarque homenageia todo o mundo no seu Paratodos: Caymmi, Jackson do Pandeiro, Ary Barroso, Vinicius, Nelson Cavaquinho, Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Noel, Cartola, Orestes Barbosa, Caetano, João Gilberto, Erasmo Carlos, Benjor, Roberto Carlos, Gil, Hermeto, Edu Lobo, Milton Nascimento, 
Nara, Gal, Bethânia, Rita Lee, Clara Nunes... E seu maestro soberano, Antônio Brasileiro. Para terminar por onde o CD sonhado começa, pelo Tom. 

CLÁUDIO HUMBERTO

“São profissionais da mentira”
JOSÉ SERRA, CANDIDATO DO PSDB, SOBRE A QUEBRA DO SIGILO FISCAL DE SUA FILHA, NA RECEITA

DERROTA DO FICHA LIMPA NO STF SEPULTARÁ O TSE 
Os ministros do Supremo Tribunal Federal estarão diante de um grave dilema, ao examinarem a aplicação da Ficha Limpa já este ano: se o plenário adotar entendimento diferente do Tribunal Superior Eleitoral, postergando a vigência da lei para as eleições seguintes, na prática isso representaria uma derrota para da Justiça Eleitoral e o começo do seu fim, com o TSE desautorizado como instância máxima no setor.

FOI ARRASADOR 
O eloquente placar de 6x1 no julgamento do caso Joaquim Roriz, com os votos de ministros do STF, calou fundo na mais alta Corte do País.

CRISE EXISTENCIAL 
Um revés do TSE no STF pode dar força àqueles que questionam a necessidade da Justiça Eleitoral do Brasil, caso único no mundo. 

FAVORITISMO 
Observadores do comportamento do Supremo Tribunal Federal já preveem vitória da Lei do Ficha Limpa por 5x4, na pior hipótese.

PERGUNTA SEM SENHA 
Já imaginaram se em plena campanha de Obama violassem o sigilo fiscal do filho do rival John McCain? 

RORIZISTAS DISCUTEM A DESISTÊNCIA DE SEU LÍDER 
Com viés de baixa nas pesquisas e impugnado na Justiça Eleitoral, os aliados do candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) discutem a alternativa da desistência como uma saída honrosa. Ele é aconselhado a tentar sair como “vítima” e escolher um aliado “ficha limpa” para substituí-lo. Os mais cotados são os deputados Jofran Frejat (PR), seu vice, e Laerte Bessa (PSC), fiel escudeiro.

FAMÍLIA, NÃO 
Oficialmente, Joaquim Roriz não admite desistir e já descartou sua substituição por alguém da família, como a filha deputada Jaqueline.

TORTILLAS 
“Los Zetas” aterrorizam o México com o tráfico de drogas. “Los Picaretas” atazanam o Brasil com a droga do horário eleitoral. 

UM SÁBIO 
Lula criticou a greve dos médicos peritos do INSS: “daqui a pouco vão querer ganhar sem trabalhar”. Isto é que conhecimento de causa...

É SÓ LEI PENAL 
Alguns “juristas” deveriam fazer como o jornalista Alexandre Garcia: ler a Constituição. No “Bom Dia, Brasil”, ontem, ele liquidou a lorota da “retroatividade” da Lei do Ficha Limpa, lembrando o artigo 5º, alínea XL, da Carta: só “a lei penal não retroagirá salvo para beneficiar o réu”.

LULA, O COORDENADOR 
Foi ideia de Lula o comício em Valparaizo, no entorno de Brasília, dia 6, com Dilma. O presidente ligou para Agnelo Queiroz (PT), candidato ao governo do DF, lembrando que é hora de a campanha “pegar fogo”.

NÓS APOIAMOS 
Primeiro, foi a “adúltera” do Irã, agora a primeira-dama da França vira “prostituta” pela boca do porralouca Ahamadinejad. Não está na hora de o “amigo” Lula também oferecer asilo no Brasil à bela Carla Bruni?

CARTELADA 
Em sessão considerada histórica, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) multou ontem, em R$ 2 bilhões, a gigante White Martins por formação de cartel de gases com outras cinco empresas. 

SEM EUTANÁSIA 
Enquete no portal do Senado indicou que 90,13% dos entrevistados são favoráveis ao projeto do senador Affonso Camargo (PSDB-PR), que substitui o sacrifício de animais de rua por esterilização ou adoção.

DONA BENTA 
Receita do dia: pegue duas ou três senhas, insira no computador ainda quente com duas dúzias de declarações, até formar uma pasta consistente. Separe as mais “carnudas” para o recheio. Coloque em banho-maria até o computador apitar. Sirva quando o patrão mandar.

CAIXOTE 
O Tribunal de Contas do Ceará derrubou medida que suspendia a assinatura do contrato do governo com a VMI-Nutec para compra de 5 scanners, por suposta fraude. Teriam custado R$ 15 milhões a mais. 

MERECIDO DESCANSO 
Após entregar a presidência do Superior Tribunal de Justiça, nesta sexta, o ministro Cesar Asfor Rocha só pensa naquilo: curtir a família e sua casa em Fortaleza, como há muito tempo não o faz.

PENSANDO BEM... 
...ufa, pelo menos problema de vazamento é com bombeiro, não com torneiro-mecânico. 

PODER SEM PUDOR
OLHA O NÍVEL 
Tempos atrás, já na era Lula, o deputado Celso Russomano (PP-SP) comentava as semelhanças do projeto do governo, de inspiração fascista, de criar um “conselho” para patrulhar jornalistas, com o seu projeto sobre o tema, que prevê até os trajes a serem usados pelos jornalistas. O deputado Professor Luizinho (PT-SP), deu seu palpite:
– Para mim, o melhor traje para as jornalistas é minissaia e blusa decotada.

BANDALHEIRA

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Fraudes em série levam à quebra do sigilo fiscal da filha de Serra

Estadão: Receita tentou abafar violação do sigilo fiscal da filha de Serra

Correio: Agnelo lidera corrida ao Buriti

Valor: Importação do país cresce mais que a da China

Jornal do Commercio: Assaltos com bombas

Zero Hora: Documento falso é usado para quebrar sigilo da filha de Serra

quarta-feira, setembro 01, 2010

A RECEITA DO PT

PT: UM PARTIDO DE BANDIDOS

ROBERTO DaMATTA


Da ideologia ao personalismo


ROBERTO DaMATTA

O GLOBO - 01/09/10

O PT foi o partido mais ideológico do Brasil. Ele se estruturava em teses socialistas, mas era também banhado por um lado social-democrata que se ampliou depois que o Lula virou o Lulinha paz e amor e, graças a um marketing genial (a Cesar o que é de Cesar...) penetrou no imaginário dos segmentos elitistas, tornando-se um candidato viável. Pois, como o próprio Lula teoriza, com sua conhecida sensibilidade sociológica, pobre não vota em pobre. Hoje, porém, graças ao que ele dramatiza na sua figura, pobre vota em pobre votado e admirado por seus patrões. Foi essa convergência cultural que permitiu a aceitação do operário candidato radical no operário pleno de paz e amor como presidente.

No primeiro governo havia uma herança maldita, mas os fundamentos do sistema econômico implantado com o Plano Real prosseguiram. Depois veio o mensalão, que implodiu o PT como partido, promoveu um expurgo e uma ascensão dos petistas possíveis.

Agora, debaixo da batuta do único sobrevivente o próprio Lula o partido antes ideológico depende de uma pessoa.

Lula salvou-se a si mesmo invocando, como Cristo, a traição de alguns companheiros que, no mensalão, exageraram a dose, dentro de um sistema político de resto igualmente marcado pela corrupção e antiliberal.

Há uma transformação crucial. O candidato que representava o operariado nacional e era um duríssimo opositor torna-se presidente e, neste papel, ele representa o trabalhador e o pobre. Mas é preciso não esquecer que ele próprio foi um pobre. Ele é a dramatização de si mesmo como um operário sem escolaridade e diploma, como sempre enfatiza, do mesmo modo que provoca dizendo que tem azia quando lê. Mas, como presidente de uma sociedade hierarquizada até o gargalo, ele sabe que pode dizer e fazer tudo quando se mora num palácio. Faz então um governo de coalizão e amplia sem limites as suas bases realizando alianças nas quais os partidos e os movimentos sociais não são mais peçaschaves, mas atores subordinados às personalidades e às relações sociais mais do que políticas dos seus membros e donos.

O universo da casa, das simpatias pessoais, domina a cena e começa a canibalizar o campo econômico em nome de um retorno de um estado forte, que servirá como instrumento de aristocratização. A coalizão compadresca começa a abalar aquilo que o poeta William Blake chamava de moinho satânico, porque o mercado capitalista autorregulado não para diante de ninguém. Menos, é obvio, neste Brasil que se faz e desfaz de tempos em tempos.

No palco nacional, a ênfase no ideológico típica dos movimentos populares é paralisada. E os velhos coronéis da política marcada pelas teias de relações pessoais retornam ao puder. Mas com uma diferença: agora, a esquerda oficial e a direita mais reacionária estão juntas. Formam um time de futebol e o seu técnico e principal craque é o Lula, um misto raro de atacante matador e de goleiro perfeito. No ataque, o PT atua nominalmente ao lado dos sindicalistas e dos empresários fornecedores do Estado estruturado pelo PAC. Na defesa, jogam os sarneys, os barbalhos, os collors os políticos personalistas que governavam na base do aos inimigos a lei; aos amigos tudo! Articulam-se assim, tendo como figura-chave um ator magistral e central um Rei Lear da política nacional.

O velho e bom personalismo que forma a espinha dorsal do nosso sistema social, como eu tenho dito na minha modesta e largamente ignorada obra sociológica, volta a englobar as regras democráticas liberais e as marcações ideológicas.

Com Lula tudo iria mudar e eu mesmo pensei que o governo do PT, como o do Brizola, no Rio, iria realmente promover uma transformação na administração pública. Mas a inércia cultural e a ausência de análise e percepção promoveram o retorno da linguagem da casa, de modo que me assusta (e diverte) ver o fruto de um partido ideológico, como o Lula, criar e impor uma candidata, usando metáforas da casa, da família e do parentesco.

Dilma não vai ser apenas uma presidenta; ela será a mãe inventada pelo Lula, que, como tal, vai cuidar diretamente do povo e não administrar os recursos produzidos por este povo.

Como um bloco de carnaval, demos alguns passos para a frente, mas agora ensaiamos um retorno ao ponto de partida. O que chamei de dilema brasileiro o mal-estar entre leis que valem para todos e as obrigações pessoais que só se aplicam aos amigos faz o seu freudiano retorno. Lula reencarna Getúlio. Mas, diferentemente de Vargas, poderia se quisesse ser aclamado presidente perpétuo do Brasil. Louvo-o por seu desprendimento. Pena que um craque do seu calibre jogue contra uma oposição que joga contra si mesma e, assim, atropela e inviabiliza um liberalismo decente entre nós.

E, sem oposição e uma consciência de limites do poder, vamos ter um longo campeonato no qual haverá apenas um campeão. No esporte isso representa o fim do próprio jogo. Na vida pública, isso significa o fim da política como ação social e o início de um domínio à la Casa Grande & Senzala: repleto de confraternizações e agregados. De vez em quando alguém leva uma chibatada, mas não por mal; recursos serão sempre esbanjados, mas o Brasil é rico. Afinal, como resistir a um personalismo que funda parte do sistema e jamais foi discutido em seus confrontos com o nosso lado liberal e igualitário? Paciência. Só fomos ideológicos para trazer de volta um habitual personalismo que deve eleger este sim é um fato jamais visto na nossa história não uma mulher-presidenta, mas (como quer o Lula) a mãe do Brasil.

ROBERTO DaMATTA é antropólogo.

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

O loteamento dos Correios

EDITORIAL
O ESTADO DE SÃO PAULO - 01/09/10

Excetuados os episódios iniciais do "mensalão", o fisiologismo nos Correios nunca foi tão evidente como agora. O aparelhamento dos Correios resultou na queda do padrão dos serviços postais e na desordem administrativa da empresa. A situação chegou ao limite do suportável - até para o governo - em julho deste ano, depois que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) criou um site que se propunha a ensinar a candidatos como fazer campanha eleitoral. O governo resolveu então demitir o presidente da empresa, Carlos Henrique Custódio. Para substituí-lo foi nomeado David José de Matos, ex-funcionário da Eletrobrás. Em junho, fora dispensado o diretor de Operações, Marco Antonio Oliveira, permanecendo vago o cargo até a nomeação para o posto de Eduardo Artur Rodrigues Silva, conhecido como "coronel Artur", ao que parece apoiado pelo advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula.


Como o coronel era presidente da Master Top Linhas Aéreas (MAT), cuja certificação fora suspensa pela Agência Nacional de Aviação Civil, foi preciso esperar que essa penalidade fosse anulada, o que ocorreu na véspera da nomeação. Mas era conveniente também que o novo diretor de Operações dos Correios tivesse um verniz do PMDB, já que o Ministério das Comunicações pertence à cota do partido. Divulgou-se então que ele era apadrinhado pelo senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Não consta que tenha sido considerado conflito de interesses o fato de a MAT ter sido recentemente contratada pela ECT para transporte de mala postal, como vencedora de uma licitação de R$ 44,9 milhões. Isso foi resolvido em família, sendo a presidência da empresa transferida na undécima hora para uma filha de Artur. Assim, em 2 de agosto, o coronel tomou posse na diretoria dos Correios, tornando-se, simultaneamente, contratado e contratante de serviços postais.
O senador Quintanilha nega a indicação, o PMDB também não a perfilha, a empresa de advocacia de que Teixeira é sócio diz nada ter a ver com o caso e o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, diz não ter tido conhecimento prévio da ligação de Artur com o setor aéreo, prometendo uma investigação. Antes bem apadrinhado, o coronel ficou "pagão".
As licitações nos Correios têm obedecido a um padrão, do qual não fugiu a que premiou a MAT. Veja-se, por exemplo, como têm sido complexas as licitações para a renovação de contratos entre os Correios e as lojas franqueadas. A ECT tem 1.415 franquias, que representam 15% dos seus postos de atendimento e respondem por 40% de sua receita. Por decisão judicial, foi fixada a data de 10 de novembro de 2010 para serem realizadas licitações, o que só abrangerá 187 lojas. As demais preferiram recorrer à Justiça, sob a alegação de que os novos contratos não ofereciam remuneração adequada.
Os problemas não param aí. Um concurso para 5.565 vagas, marcado para setembro, foi adiado para o fim de novembro, devendo ser feitas admissões em 2011. Para suprir a falta de pessoal, serão recrutados, segundo Matos, 4 mil funcionários "provisórios". A saída aventada é a adoção de plano de contingência, que poderá custar R$ 550 milhões.
Com os serviços postais à beira do colapso, teme-se que as provas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para 6 e 7 de novembro, não possam ser distribuídas em tempo hábil.
Não há melhor exemplo dos efeitos desastrosos do loteamento de cargos no governo federal do que a crise dos Correios. Há evidente necessidade de uma reforma, que não pode ser conduzida com a distribuição de cargos com endereço certo. Não faltam os que advogam a privatização da ECT, mas, como isto dificilmente ocorrerá, a empresa precisa ser modernizada, sob critérios rigorosamente técnicos, para justificar a sua permanência como empresa pública. Se os Correios continuarem sendo tratados como cabide de empregos políticos, só se pode esperar que a ineficiência se agrave, os serviços se deteriorem e os déficits operacionais sejam ainda mais elevados.

SERRA PRESIDENTE

MÔNICA BERGAMO

À FLOR DA PELE 
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/09/10

A atriz Grazi Massafera foi eleita a mulher mais sexy de 2010 pela revista "IstoÉ Gente", que fez festa anteontem, na Daslu. A lista, com outros 49 nomes, conta também com a atriz Christine Fernandes, o modelo, DJ e namorado de Madonna, Jesus Luz, e o capitão do Corinthians, William.

TRILHA MONETÁRIA 

Depois de mirar a sinalização das ruas e a aplicação de multas na Marginal Tietê, a Promotoria da Habitação de São Paulo quer saber qual é o destino de todo o dinheiro arrecadado com as infrações de trânsito na cidade. Questiona se a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) está cumprindo a legislação e investindo os valores em fiscalização, educação de trânsito -e, principalmente, sinalização, tema dos inquéritos recentes do Ministério Público.

TRILHA 2 
A promotora Maria Amélia Nardy considera insuficientes "os R$ 15 milhões previstos para a sinalização neste ano". Diz que a prefeitura arrecada muito mais do que isso com as multas.

VÁRIOS CAMINHOS 
A Secretaria dos Transportes afirma que arrecadou R$ 494 milhões com as infrações em 2009 e que 95% desse valor é investido na melhoria do trânsito -os 5% restantes vão para a União. Prevê que o dinheiro não será gasto apenas em sinalização (R$ 15,5 milhões previstos para sinalizar 350.000 m2 de solo) mas também na renovação de frota da CET, na implantação de ciclovias e na motofaixa da rua Vergueiro.

BÊNÇÃO 
Em sua passagem pelo Brasil, neste mês, à frente da Orquestra Filarmônica de Munique, o maestro indiano Zubin Mehta vai reger também parte de um concerto da Sinfônica Heliópolis.
A apresentação acontecerá no dia 26, na Sala São Paulo. Será a última da orquestra brasileira antes de os músicos saírem em turnê pela Europa, em outubro. Tocarão na Alemanha e na Holanda. 

MUNDO CÃO 
Mesmo depois da suspensão da imunização contra a raiva, em 19 de agosto, o Centro de Controle de Zoonoses de SP continua recebendo em média oito ligações por dia de pessoas cujos cães e gatos tiveram reações adversas à vacina, como convulsão, vômitos e dores locais.

COMO CÃES E GATOS 
No período entre 16 e 24 de agosto, quando o CCZ montou operação especial para o recebimento das ocorrências, foram registrados 2.198 casos, a maioria com gatos (1.655 animais, contra 543 cães). Os números superam de longe os de 2009: no ano passado, foram notificadas reações em 51 cães e em apenas dois gatos. As vacinas estão sendo analisadas pelo Instituto Pasteur para identificar a causa dos incidentes.

MALHAÇÃO 
A banda Dave Matthews Band pediu para a produção do show no HSBC Arena, no Rio, no dia 8 de outubro, instalar uma academia de ginástica no camarim. O espaço terá esteiras, aparelhos de musculação e halteres. Os músicos americanos querem estar preparados fisicamente, já que na última apresentação na cidade, em 2008, tocaram por mais de três horas. 

CURTO-CIRCUITO

Anna Muylaert e Marcelino Freire participam hoje, às 11h, de debate sobre o festival de curtas de direitos humanos Entretodos, no Cinesesc.

Helena Linhares e Cacá Garcia inauguram hoje, a patir das 15h, uma loja da Pelu no shopping Cidade Jardim.

Acontece hoje o recital de Jean-Louis Steuerman, às 21h, no Teatro Cultura Artística. Classificação etária: livre.

A cantora Mona Gadelha apresenta o show "Salve a Beleza", hoje, às 20h30, no Sesc Vila Mariana. Classificação etária: 12 anos.

O restaurante General Prime Burger inaugura uma unidade na rua Oscar Freire, hoje, a partir das 12h.

com DIÓGENES CAMPANHA (interino), LEANDRO NOMURA e LÍGIA MESQUITA

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO!


DORA KRAMER

O dilema Battisti 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 01/09/2010

O presidente Luiz Inácio da Silva está decidido a manter o ex-ativista italiano Cesare Battisti no Brasil, apesar da extradição concedida pelo Supremo Tribunal Federal no ano passado.
Obteve o sinal verde do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, mas antes precisa resolver dois problemas: arrumar uma justificativa que não seja política e sondar se não criaria um confronto com o STF.
Oficialmente o caso Battisti não frequentou o encontro entre Lula e Berlusconi, no fim do último mês de junho em São Paulo.
Na verdade o presidente e o primeiro-ministro conversaram sobre o assunto e o italiano disse que o Brasil poderia "ficar" com Battisti. Não impunha reparos se Lula negasse a extradição, não faria pressão no período eleitoral, mas impunha uma condição.
Pedia ao Brasil para não alegar que a extradição seria negada porque Battisti poderia ser perseguido na Itália.


Ocorre que o acordo de extradição entre o Brasil e a Itália prevê duas possibilidades de negativa de extradição: em caso de doença ou perseguição política. Como Battisti não está doente, restaria apenas a alegação vetada por Berlusconi.

No momento, o caso está nas mãos do advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams.

Cesare Battisti foi condenado (à revelia) na Itália a prisão perpétua por quatro homicídios na década dos 70, quando integrava a organização Proletários Armados pelo Comunismo.

Fugiu para a França, depois para o Brasil, onde foi preso em 2007 e desde então está na Penitenciária da Papuda.

Em janeiro de 2009 o então ministro da Justiça Tarso Genro contrariou posição do Comitê Nacional para os Refugiados e concedeu refúgio político a Battisti, baseado no princípio do "fundado temor de perseguição por opinião política" repudiado pela Itália.

As autoridades italianas contestaram a decisão de Tarso Genro no Supremo Tribunal Federal, que julgou o caso no ano passado, decidindo que Battisti deveria ser mandado de volta para a Itália. Ao mesmo tempo, o STF remeteu a decisão final para o presidente Lula.

Na época o julgamento estremeceu as relações entre Brasil e Itália. Lá, as autoridades reclamavam veementemente da permanência de Battisti e aqui o presidente pedia "respeito a uma decisão soberana" do País. No caso, a soberania circunscrevia-se a Tarso Genro.

O Comitê para Refugiados e o Supremo achavam que Battisti havia sido julgado pela Justiça italiana por crime comum e a ela deveria obediência.

O acórdão da decisão do STF foi publicado em 17 de abril de 2010. Em tese haveria um prazo de 60 dias após o qual a Itália poderia cobrar o cumprimento da sentença, mas já se passaram quatro meses e meio e não se tocou mais no assunto. Em público.

Nos bastidores, Adams atua na administração da contenda.

Sim, porque o relator do caso e um dos mais ferrenhos defensores da extradição foi o ministro Cezar Peluso, hoje presidente do Supremo.

O dilema que se impõe é o seguinte: como Battisti está preso por ordem do STF, o que ocorrerá se Lula resolver negar a extradição e o Supremo decidir não soltar o preso?

O governo acha que poderia criar uma crise entre Poderes e que, por isso, antes de o presidente da República anunciar a decisão é preciso consultar o Judiciário para medir o grau de disposição ao confronto.

Nada, contudo, ocorrerá antes da eleição.

Último suspiro. É consenso no meio jornalístico que jornais levam pelo menos uma década para morrer. Pois o Jornal do Brasil levou mais de três. De fato o JB não morreu ontem quando circulou sua última edição em papel.

Acabou mesmo em 2001, quando a marca foi arrendada por gente mais interessada em usar o jornal como plataforma de negócios.

Não podia dar certo. Se algum dia houve a ilusão de que o JB velho das melhores guerras poderia renascer, nunca houve empenho, propósito e competência para isso.

Daí não valer a pena agora a missa de corpo há muito ausente, esplêndido e insubstituível.

SENADOR JOSÉ AGRIPINO

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Indústria deve desacelerar no 3º trimestre, diz Credit 
Maria Cristina Frias

Folha de S.Paulo - 01/09/2010

A esperada aceleração do PIB no terceiro trimestre pode não ser o cenário mais provável para a economia brasileira, de acordo com análise econômica realizada pelo Credit Suisse.
A aceleração do PIB sobre o segundo trimestre demandaria forte crescimento da atividade econômica em agosto e setembro. Porém, o banco prevê desaceleração da produção industrial.
"Para que o crescimento da produção industrial no terceiro trimestre seja similar ao do trimestre anterior, de 1,3%, seria necessária uma expansão muito forte em agosto e setembro, o que não parece ser o caso que se apresenta no momento", diz Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit.
"O cenário mais provável para a produção industrial nos próximos trimestres é de crescimento mais moderado em relação ao do período de recuperação da crise", segundo o relatório.
Dados sobre o desempenho de alguns setores reforçam a análise de que uma forte elevação da produção no curto prazo não é o cenário mais provável.
"Os estoques de veículos aumentaram de 202,8 mil unidades em março para 330,8 mil em julho, o que equivale a 33 dias de venda ante a média de 24 dias entre 2007 e 2009", afirma.
O banco também cita o aumento dos estoques de aço nos distribuidores, que, em julho, estavam no maior nível desde dezembro de 2008.

DE CRISTAL

A designer Sarah Chofakian, conhecida por seus sapatos sofisticados e feitos à mão, vai à Micam Shoevent, uma das maiores feiras internacionais de calçados, que ocorre em Milão, com nove pontos de venda internacionais já conquistados, apenas neste ano.
Chofakian, que exporta apenas uma pequena parte de sua produção, quer ver o número de clientes crescer ainda mais no evento europeu, de onde sua produção alcançou Cingapura e Japão.
"Quero estar na Europa no mercado que atende consumidoras que buscam sapatos com design, feitos artesanalmente e com matéria-prima de primeira, mas que não aceitam pagar o preço de uma grife Prada", diz Chofakian. Está difícil, porém, entrar na Europa, ainda em crise, conta ela. "Ainda mais agora que está fácil vender no Brasil. A demanda é tanta que não consigo atendê-la."

COBRANÇA

O Latin Cob, que reúne representantes das empresas de cobrança de toda a América Latina, terá neste mês um encontro no México.
Empresários brasileiros do segmento, reunidos pelo Instituto Geoc, levarão um novo modelo de qualidade. Foi criado um selo de qualidade, que servirá de exemplo a países vizinhos.
A certificação foi desenvolvida em parceria com a FGV e é aplicada pela Fundação Vanzolini.
O modelo avalia critérios como experiência da empresa, portfolio de clientes, processos de cobrança administrativa e judicial, obediência à legislação, tecnologia etc.
Os brasileiros visitarão empresas mexicanas do setor imobiliário. "O crédito imobiliário está em alta no Brasil. O México já é maduro neste processo. É aprendizado", diz Adilson Melhado, presidente do Igeoc.

Relações comerciais entre Brasil e Índia se intensificam

O intercâmbio comercial entre Brasil e Índia já alcançou o montante de US$ 6 bilhões e a tendência é de alta, segundo Ricardo Paranhos, presidente da Câmara de Comércio Brasil Índia.
O país asiático investe hoje US$ 480 bilhões em sua infraestrutura interna e tem buscado parcerias no Brasil para os projetos, especialmente os de energia, de acordo com Paranhos.
Os setores de TI, de autopeças, farmacêutico e agrícola também são áreas de conexão. A eliminação de barreiras comerciais e a associação de empresas estão em negociação, segundo o executivo.
"A Índia apresenta crescimento sustentável, com condições de consumo e investimento interno, além de juros mais baratos e alto índice de poupança", diz Paranhos.
A economia indiana cresceu 8,8% no segundo trimestre deste ano ante o mesmo período de 2009, segundo dados divulgados ontem pelo governo do país. O setor manufatureiro se destacou, com alta de 12% no período.

Redução... Até o final do ano, o Brasil terá reduzido em 3,9 bilhões o uso de sacolas plásticas desde 2007. Os dados são do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas.

...de sacolas O programa já envolveu 135 lojas de 27 redes varejistas e foi implantado em SP, Porto Alegre, Salvador, Goiânia, Brasília, Rio e Recife. Até o fim do ano, incluirá Florianópolis e Belo Horizonte.

Interligada A CPA Associates International fechou parceria com a carioca Cifali e a brasiliense Audiger. Antes, a empresa era representada no Brasil somente pela pau- listana MAP Auditores Independentes.

Carioca... A consultoria especializada em recrutamento de executivos de alta gerência 2GET inaugura neste mês escritório no Rio de Janeiro. O investimento foi decidido em razão da expectativa de que o mercado carioca cresça proporcionalmente mais que o de São Paulo, sobretudo em infraestrutura e indústria pesada.

...e paulista Para os consultores, uma prova do aquecimento é a equiparação dos salários de executivos do Rio de Janeiro e de São Paulo, que, antes, eram cerca de 30% superiores na capital paulista.

Madeira... A Wisewood Soluções Ecológicas acaba de inaugurar a primeira fábrica de madeira plástica ecológica do Brasil. O investimento é de R$ 20 milhões.

...plástica A empresa adquiriu três novas máquinas para a planta industrial. A expectativa é aumentar a capacidade de produção de 90 toneladas/mês para 200 toneladas/mês de dormentes, além de 80 toneladas/ mês para 150 toneladas/mês dos demais produtos.

No mapa 1 Do total de financiamentos liberados pela Agência de Fomento Paulista/Nossa Caixa Desenvolvimento em julho, 83% são provenientes da indústria, cerca de 10% do comércio e 7% da área de serviços.

No mapa 2 O interior do Estado também registra expansão de seus negócios. Cidades como Santa Barbara D'Oeste, Campinas e Ribeirão Preto estão entre as que mais têm participação nos desembolsos da agência.

Parceria 1 A Carbono Química amplia acordos com fornecedores chineses para importação de dióxido de titânio, usado na fabricação de pastas de dente, papel, lubrificantes e tintas.

Parceria 2 O objetivo da empresa é atender a demanda do mercado nacional que, segundo a companhia, conta com apenas dois fornecedores internos e ficou desabastecido com a queda de 5% na capacidade produtiva mundial do item após a crise.

GOSTOSA

RUY CASTRO

Velha magia 

Ruy Castro

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/08/10


Ex-funcionários e leitores do Jornal do Brasil encontraram-se ontem na Cinelândia para lamentar o fim da versão impressa do jornal, que circulou pela última vez depois de 119 anos. Por motivo de viagem, não compareci. Melhor assim. Quando o Correio da Manhã se despediu, em junho de 1974, eu estava também a alguns milhares de quilômetros. 
O JB se junta agora ao Correio e aos outros jornais do Rio que contaram a história do Brasil em boa parte do século 20, mas que há muito desapareceram das bancas: Diário de Notícias, O Jornal, Diário da Noite, A Noite, Diário Carioca, A Luta Democrática, A Notícia, Gazeta de Notícias, O Radical, Última Hora e Tribuna da Imprensa. Quase todos fecharam nos anos 60. Daquela geração restam apenas O Globo, O Dia, o Jornal dos Sports e o Jornal do Commercio. 
O problema não é só do Rio, mas do mercado em geral. Concretamente, 90% dos jornais que circulavam em Nova York, Paris ou São Paulo até meados daquela década também deixaram de existir, e muito antes que alguém sonhasse com a internet. Mas, em vez de invocar uma suposta doença crônica, a pergunta deveria ser: por que, diante da mesma crise, outros jornais sobreviveram? 
Algumas respostas seriam: seus administradores acertaram mais do que erraram, tiveram capacidade de renovação e foram criativos diante da concorrência, inclusive a das outras mídias. O Jornal do Brasil tem sido algoz e vítima de si mesmo há pelo menos 30 anos. 
A edição de ontem minimizou o fato de ter sido a última em papel. Preferiu enfatizar que a de hoje será a sua primeira 100% digital e que, em 25 anos, todos os outros jornais o terão acompanhado. Pode ser. Mas algo da velha magia de ler jornal vai se quebrar. Teremos de levar o laptop para a mesa do café da manhã e, pior, para o banheiro?

SERRA PRESIDENTE