quinta-feira, junho 24, 2010

MERVAL PEREIRA

Apoios fragmentados 
Merval Pereira 

O Globo - 24/06/2010

O balanço dos acordos regionais que estão sendo fechados nesses últimos dias, para a campanha presidencial, demonstra com assustadora clareza em que pé está nosso “presidencialismo de coalizão”, expressão cunhada há mais de 20 anos pelo cientista político Sérgio Abranches para tentar explicar o tipo de regime que utilizamos no país

E o que surge no cenário é uma reunião incongruente de siglas que nada tem a ver com a teoricamente avassaladora maioria parlamentar que abriga a base governista.

Se a base partidária do segundo governo Lula é das mais fragmentadas já registradas na História do presidencialismo brasileiro, essa fragmentação torna-se maior ainda na formação da base de apoio da campanha da candidata oficial, Dilma Rousseff, nos estados.

Em nível nacional, o governo perdeu o apoio oficial de dois partidos de sua base, o PP e o PTB, que não entraram na coalizão governista utilizando táticas distintas.

O PP ficou oficialmente neutro, pois os governistas que apoiam a candidatura Dilma não têm maioria para convocar uma convenção nacional do partido para formalizar a decisão, mas têm força suficiente para impedir que o partido aderisse à candidatura Serra.

Com a nova pesquisa do Ibope divulgada ontem, é possível que os dilmistas ganhem nova força e consigam reverter essa decisão já anunciada.

No PTB, o processo foi justamente o contrário: a direção nacional do partido tem o controle da convenção e aprovou a formalização do apoio a Serra, mas vários setores do partido estão com Dilma.

Os minutos de propaganda gratuita do PTB vão para Serra, os do PP são subtraídos de Dilma e divididos entre todos os partidos.

Uma medida para se ter a exata noção do tamanho da tropa de cada um, em nível nacional, é o tempo de televisão na propaganda gratuita que cada grupo acabou obtendo com suas alianças.

Se o governo conseguisse manter unida sua base partidária, o placar seria uma goleada para a coligação da candidata oficial, alguma coisa como o dobro de tempo em relação ao adversário Serra.

Com as negociações ocorridas, a diferença será de cerca de dois minutos a favor de Dilma, a não ser que o PP retorne ao seio governista com seu minuto e pouco.

Um bom exemplo é o Rio Grande do Sul, onde atribuí na coluna de terça-feira o apoio do PDT ao PT na campanha nacional para presidente que parece não ser tão simples.

O PT, que tem o ex-ministro da Justiça Tarso Genro como candidato ao governo do estado, está praticamente limitado ao apoio do PSB, do deputado Beto Albuquerque.

O PDT no Rio Grande do Sul está aliado oficialmente com o PMDB, cujo candidato é José Fogaça, que tem como vice o deputado Pompeu, que se caracteriza por se vestir normalmente com roupas gauches case é membro do PDT.

Há, no entanto, uma ala do partido apoiando a candidatura de Dilma, liderada por Alceu Colares, que, quando governador, foi o primeiro a dar um cargo a Dilma Rousseff, de secretária de Energia.

Com o rompimento de Brizola com o governo do PT de Olívio Dutra, Dilma saiu do PDT e se filiou ao PT, assumindo logo em seguida o Ministério de Minas e Energia do governo Lula.

Dilma não se esqueceu do seu padrinho político, e Alceu Colares foi nomeado consultor da Itaipu Bi-Nacional.

Embora esta ala do PDT seja fiel a Dilma, é muito discutível seu apoio ao PT de Tarso Genro.

Já o peemedebista José Fogaça alega que ficará neutro na eleição presidencial, chegando a argumentar que muitas vezes ficar neutro é um sinal de coragem na política.

Essa “coragem”, no entanto, conta a favor do candidato tucano José Serra, alimentando as dissidências regionais dentro de seções importantes do PMDB.

Na verdade, a partir do segundo governo Lula, o funcionamento da coalizão parlamentar melhorou em relação ao poder proporcional que cada partido recebeu.

O cientista político da Fundação Getulio Vargas Octávio Amorim Netto define que um governo multipartidário, em um regime presidencialista, para se assemelhar aos gabinetes de coalizão formados nos sistemas parlamentaristas, precisa que o presidente obedeça às seguintes normas: Usar um critério eminentemente partidário de seleção dos ministros; alocar os ministérios aos partidos em bases proporcionais ao seu peso dentro da maioria legislativa do governo; usar mais projetos de lei do que medidas provisórias; e dar poder de veto aos seus parceiros de coalizão sobre os projetos a serem apreciados pelo Congresso.

Com relação à distribuição de cargos e ministérios na proporção do poder de cada partido, Lula, para manter o apoio do PMDB e garantir não apenas os cinco minutos de propaganda eleitoral gratuita na televisão, mas também a capilaridade da atuação política do partido pelo país — é o que tem maior número de prefeitos e vereadores —, deu prioridade a suas reivindicações, forçando o PT a abrir mão de disputar governos importantes como o de Minas, ou intervindo no Maranhão para garantir apoio a Roseana Sarney.

O resultado da pesquisa Ibope, colocando pela primeira vez a candidata oficial, Dilma Rousseff, à frente da corrida presidencial, fora da margem de erro, é um banho de água fria na campanha tucana.

Eles contavam com a campanha na televisão para consolidar a posição de José Serra, e o que aconteceu foi uma subida da adversária.

Prova de que a campanha da candidata petista acertou ao criar fatos alternativos à propaganda tucana, como a viagem de Dilma Rousseff ao exterior, que garantiu a ela exposição pública, embora falsa.

Mesmo tendo sido mais um exemplo de uso da máquina governamental em favor da candidatura oficial.

PAINEL DA FOLHA

Dias & Dias 
Renata Lo Prete 

Folha de S.Paulo - 24/06/2010

Além da dianteira conferida pelo Ibope a Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) enfrenta agora o assédio do correligionário Álvaro Dias. O senador tenta se impor como vice alegando que só assim os tucanos conseguirão atrair no Paraná, sexto colégio eleitoral, o apoio de seu irmão Osmar Dias (PDT), que há meses negocia simultaneamente com o PSDB (para se reeleger senador na chapa de Beto Richa) e com o PT (para disputar o governo e dar palanque a Dilma).

Embora petistas ainda confiem em amarrar o oscilante Osmar, ele lhes disse, nesta semana, estar impedido, pois Álvaro "será" vice de Serra. Mas há quem ache que a faca no pescoço não irá funcionar.
E aí?
Como Osmar Dias marcou sua convenção para este sábado em Curitiba, Serra é pressionado não apenas a decidir em favor de Álvaro, mas também a fazê-lo já.
Não fui euEm suas tratativas com os tucanos, Osmar procura transmitir a ideia de que não é ele, e sim Álvaro, quem exige a vice como pré-requisito para a aliança.
Prós...Uma ala da campanha de Serra defende que a escolha da ex-nadadora, vereadora e presidente do Flamengo Patrícia Amorim pode criar fato novo e positivo no momento em que Dilma o ultrapassou no Ibope. Sem falar na potencial ajuda no Rio, onde os tucanos correm risco de deslizamento.
...e contras
Outra ala, porém, considera "loucura" indicar uma principiante para uma disputa que se desenha cada vez mais difícil. Esse grupo inclui, é claro, quase todos os demais cotados para a vaga de vice.
Janela
O comando da campanha de Serra atribui a subida de Dilma, em boa medida, aos três dias seguidos de "Jornal Nacional" faturados com o giro europeu da candidata do PT. Um deles coincidiu com a data de exibição do programa do PSDB, estrelado por Serra -mas menos visto do que o "JN", argumentam os tucanos.
Calculadora
O dado da pesquisa Ibope que mais animou os petistas não foi a intenção de voto de Dilma, e sim o crescimento da rejeição de Serra de 25% para 30%. O entendimento é que isso demonstraria resistência ao discurso do tucano, recentemente mais duro contra o governo, Dilma e Lula.
Com você
O presidente Lula telefonou para Dilma na segunda-feira e disse que, se o Brasil for para a final da Copa, ele quer levá-la a tiracolo para assistir in loco à partida.
Rei da rimaDo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), fazendo trocadilho no Twitter com o sobrenome do meio de Dilma Rousseff para comemorar o resultado do Ibope: "Os cães ladram e a cara Vana passa..."
PênduloTudo caminha para que Clésio Andrade (PR) seja o suplente de Fernando Pimentel (PT) na chapa ao Senado, o que configuraria mais uma intervenção do PT nacional em Minas. O diretório local havia aprovado resolução, segundo a qual a indicação do suplente caberia ao próprio partido.
Conexão
Parte dos R$ 30 milhões desviados no esquema de fraude de licitações no Ceará, desmontado ontem em operação da Polícia Federal, estava vinculado a emendas de parlamentares. O caso chegou à porta do gabinete do deputado estadual Zezinho Albuquerque (PSB-CE), muito próximo do governador Cid Gomes (PSB).

Visita à Folha Alan Charlton, embaixador do Reino Unido no Brasil, visitou ontem a Folha.
Tiroteio
"O problema é que na sabatina Dilma não poderia usar teleprompter. Nem posar ao lado de Lula."
BR-101 
Os senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Heráclito Fortes (DEM-PI) travavam discussão acalorada sobre a partilha dos royalties do pré-sal, até que o segundo resolveu buscar uma saída contemporizadora:

-O Rio de Janeiro perdeu, mas continua lindo. O Espírito Santo perdeu, mas continuará crescendo. É preciso dar ao Nordeste a oportunidade de crescer!

Candidato ao governo capixaba, Casagrande pediu:

-Dá pra acrescentar "lindo" ao meu Estado?

Disposto a fazer acordo, Heráclito topou e ainda fez questão de dizer que Guarapari era sua praia favorita.

MAMADORES

CELSO MING

Bandeira para a oposição 
Celso Ming 

O Estado de S.Paulo - 24/06/2010

A pequena (mas significativa) reação dos minoritários na última assembleia da Petrobrás e a trajetória negativa dos preços das ações na Bolsa sugerem que o aumento de capital da empresa em setembro, nas condições em que será realizado, terá impacto político às vésperas das eleições.

A diretoria da Petrobrás cada dia diz uma coisa, demonstra improvisação, cria incerteza e desconfiança. Há menos de um mês, acusava os senadores de fazerem corpo mole na aprovação da lei, travando o processo. Agora se viu que o atraso se deve à omissão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que não providenciou a tempo a certificação das reservas de petróleo da União que entrarão como subscrição da parcela do Tesouro.

Em maio, a diretoria da Petrobrás garantia que não era necessária a certificação da ANP e que bastaria a avaliação de volume e preço a ser fornecida pela consultoria que ela própria contratara. Agora, reconhece que a ANP tem de dar a palavra final, embora seus termos já estivessem, preto no branco, no projeto de lei.

Ainda em abril, a diretoria da Petrobrás assegurava que o aumento de capital sairia em julho, "de qualquer maneira". Mas, terça-feira, editou fato relevante que adiava a realização da subscrição para setembro, uma vez que poderia contar com a certificação da ANP apenas ao final de agosto, o que ainda precisa de confirmação. Na véspera, o presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, ministro Guido Mantega, declarara que o governo estaria estudando um plano B, baseado na apropriação pela empresa dos bônus de assinatura devidos a partir da adoção do sistema de partilha, ainda não aprovado pelo Congresso. Apesar do tombo das cotações das ações, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o xerife do mercado, não cobrou esclarecimento oficial.

Se, apesar dessas e outras informações desordenadas, a megassubscrição acontecer de uma só vez (e não em duas ou três), como quer o governo, a Petrobrás sairá do processo mais estatal e mais estrangeira, pois os minoritários nacionais não terão poder de bala para subscrever sua parte.

O descontentamento manifestado na assembleia da última terça-feira proveio de um grupo de acionistas esclarecidos. Quando os demais tomarem consciência de que o governo quer descarregar sobre eles a maior parte do peso dos investimentos da Petrobrás (porque a União só entrará no negócio com petróleo futuro), a gritaria tem tudo para ser multiplicada.

Exigir que os interessados façam provisão para enfrentar os encargos de subscrição não tem cabimento, porque faltam informações para calcular o desembolso que terá de ser feito em questão de dias.

O volume de direitos de subscrição não exercidos será enorme e essas sobras acabarão sendo aproveitadas pela União (que não entrará com dinheiro vivo) e pelos interessados estrangeiros (que têm dinheiro em caixa).

Dois serão os resultados: forte diluição da participação dos minoritários nacionais no capital da empresa e substancial diminuição da receita com dividendos, na medida em que só dentro de cinco ou seis anos esses investimentos darão retorno.

Às vésperas das eleições, o governo Lula está entregando de mão beijada para a oposição uma importante bandeira de descontentamento da classe média.

CLÓVIS ROSSI

Suave veneno
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SÃO PAULO - 24/06/10


SÃO PAULO - Até outubro, a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva é uma bênção para Dilma Rousseff. É, a rigor, o seu único ativo eleitoral. Tanto que foi suficiente para torná-la a candidata favorita, a julgar pela pesquisa Ibope divulgada ontem.
Mas, a partir de novembro e, especialmente, a partir de 1º de janeiro, se eleita, a bênção se transformará em cálice envenenado. Dilma terá que competir não contra adversários, mas contra o seu próprio padrinho. Terá que repetir os índices de popularidade de Lula, sob pena de sofrer um nível de desgaste maior do que aconteceria com governantes sem a sua gênese e sem tão imensa sombra.
Se conseguir chegar perto, tudo bem. Ninguém razoável é capaz de supor que Dilma possa repetir os índices de Lula, ainda que faça uma excelente gestão. Lula tem uma empatia com o público que responde por uma parte importante de sua popularidade. Dilma não tem e não terá. Faz parte do DNA dele, mas não aparece no dela.
Se o índice de aprovação começar a ficar bem abaixo do de Lula, já dá até para ouvir o pessoal do PT do Maranhão resmungando algo assim: "Foi para isso que tivemos que engolir o Sarney?". A turma do PT mineiro dirá mais ou menos o mesmo, em relação à aliança (imposta) com o PMDB.
É óbvio que com José Serra ocorrerá algo parecido. Mas com uma diferença essencial: não haverá inversão de bênção para desafio. Como candidato, Serra já concorre contra a popularidade de Lula, ao contrário de Dilma. Como presidente, continuará concorrendo.
No caso de Marina Silva, suponho que será diferente. Sua vitória criará uma situação política tão diferente do que vem sendo usual há 16 anos que o paradigma em tese deixará de ser Lula.
Passará a ser a adoção (ou não) do novo modelo de desenvolvimento que é o cerne de sua pregação.

GOSTOSAS

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Copa em Sampa 
Sonia Racy 

O Estado de S.Paulo - 24/06/2010

São Paulo volta a colocar o pé na Copa de 2014. Kassab acaba de avisar aos membros da Fifa que fechou o projeto e a equação financeira -incluindo as garantias bancárias necessárias- para construir novo estádio em Pirituba, segundo apurou Sonia Racy, de Johannesburgo.

A oficialização desta conquista só deve ser confirmada depois de terminada a Copa da África do Sul.
Copa em Sampa 2
Caso o novo Piritubão emplaque, a capital paulista pode voltar a sonhar até em sediar a partida de abertura do mundial de futebol.

A ideia havia sido enterrada depois da decisão da Fifa de vetar o Morumbi.
Copa em Sampa 3
O desenho original do Piritubão previa uma arena multiuso com capacidade para 45 mil pessoas.

Como a Fifa exige que o estádio da abertura da Copa Mundo tenha pelo menos 60 mil assentos, o modelo e o orçamento certamente já passaram por adaptações.
Meninos rebeldes
Depois do fiasco da França na Copa, Sarkozy usará mãos de ferro. A partir da Eurocopa, em 2012, atletas convocados para seleção terão que assinar um compromisso de ética.

A péssima atuação do time também trouxe consequência aos dirigentes: uma auditoria foi contratada para investigar as contas da Federação Francesa de Futebol.
Reumatismo
O Instituto Agronômico de Campinas completou 123 anos com festa ontem.

Pena que falte até combustível para o pesquisador ir a campo. A escassez de recursos humanos também é queixa frequente por lá.
Almas gêmeas
O PV escolheu e Ricardo Young aceitou. Marco Mróz será seu suplente no Senado.

Já no caso de Fernando Pimentel, tudo indica que Clésio Andrade, presidente do PR de Minas, fica com o posto.
Al mare
O Colégio Dante Alighieri ousa na comemoração dos seus 100 anos. Em janeiro, um navio zarpa com 1.500 alunos, ex-alunos e professores para um tour pela costa brasileira.

Não há mais vagas.
Os eleitos
O conselho administrativo temporário da Bienal foi renovado anteontem em 20%. São nove os novos integrantes do colegiado formado por 45 membros -mais 15 vitalícios. Quatro deles vão ocupar cadeiras que estavam vagas. E outros cinco substituem conselheiros que deixaram o posto.

Os "calouros" são: Antonio Bonchristiano, Claudio Sonder, Fersen Lembranho, Jackson Schneider, Jean-Marc Etlin, Jorge Gerdau, Marcelo Araújo, Marisa Moreira Salles e Nizan Guanaes.
Topa ou não topa
Regina Casé, se aceitar o convite de Anna Muylaert, vai interpretar uma babá baiana que, depois de morar anos em SP, volta à terra natal para recuperar a relação com a filha pequena.

No próximo longa da diretora Que Horas Ela Volta?.
Na frente
Fabrício Carpinejar lança hoje o livro Mulher Perdigueira. No Centro Cultural Barco.

Com show de Mallu Magalhães acontece amanhã a formatura da Escola São Paulo.
Milton de Arruda Martins, lança Saúde a Hora É Agora. Hoje, na Livraria da Vila da Lorena.

Gabriel Cury faz jantar para Marco Ricasoli, da vinícola Montegrossi. Hoje, no Arola.

Interinos: D. Bergamasco, G. de Almeida, M.Neustein e P. Bonelli.
Sonia Racy viajou à África do Sul a convite da Coca-Cola.
"Kaká tem que se defender"
Rosto pouco conhecido, Simone Leite recusa o rótulo de "bom moço" para seu filho Kaká. Diz que o camisa 10 da seleção é apenas um ser humano que "se irrita, chora, sente dores e alegria".

Sobre a suposta mudança de comportamento do craque tanto no jogo pesado no gramado, quanto nas caneladas com a imprensa, explica: "Ele tem que se defender". A coluna conversou anteontem com a mãe do jogador durante testemunho de fé de sua nora, Caroline Celico, para 40 mulheres cristãs em apartamento no Morumbi.

Em entrevista coletiva, Kaká se queixou de ser perseguido por jornalista por propagar sua religiosidade. Concorda com ele?

Às vezes as pessoas confundem o jogador com a fé. Nós nunca falamos: "Faça isso ou aquilo". Respeitamos, amamos as pessoas e falamos do amor de Deus.
Acha que ele se excedeu no desabafo de anteontem?

Acho que foi na medida certa. Tem pessoas que falam o que querem, isso é uma falta de respeito total. Nós não vamos na televisão difamar ninguém. As pessoas têm que ter limites. Acho bacana o que ele falou e o apoio. Ele está certo.
O que você achou da Fifa ter proibido comemorações com frases religiosas nos estádios?

Acho que se eles colocaram isso é para cumprirmos...Tudo bem, não tem problema. Jesus não está só numa camiseta.

Kaká está bravo com a imprensa assim como Dunga?
Não. Ele tem uma ótima relação com a imprensa. Eu respeito o Dunga. É uma pessoa de caráter firme e personalidade bacana. O Dunga é assim. Outro técnico é de outra forma. E se alguém mais aberto assumir, vamos na do outro.

Como está a saúde dele?
Ele está ótimo, não sente mais dores. Estamos vendo sua evolução a cada partida. Jogou muito bem na última, deu passes importantes. Está recuperado, trabalhando duro pelo preparo físico.

E o que achou da expulsão?
Triste. Não foi merecido, foi um jogo violento. Diante da pancadaria, até que não aconteceu nada grave. O Elano se machucou e o Kaká foi expulso, mas poderia ter sido pior.

Você acha que ele está mais agressivo em campo?
O Kaká tem que se defender. É natural. É ser humano. Ele também se irrita, chora, sente dor, alegria e brinca.

Mas ele continua sendo o "Kaká bom moço"?
Pra mim ele é o Kaká. O bom moço fica por sua conta.

MARIO CESAR FLORES

Social-democracia rural 
Mario Cesar Flores 
O Estado de S.Paulo - 24/06/10

O Brasil chegou ao século 21 com alguns problemas dos séculos 19 e 20 ainda pendentes. Entre eles, a construção do mundo rural social-democrático da pequena propriedade, fornecedor e consumidor ajustado ao desenvolvimento industrial-urbano. Sua não-construção oportuna e a sedução do desenvolvimento urbano estimularam a migração para as cidades, contribuindo para a miséria, a desordem e a violência urbanas, a favelização caótica e sua agressão ambiental, deixando no campo uma população marginalizada e pobre.

Até cerca de 50 anos atrás a questão rural não fora considerada no Brasil. O mundo rural da pequena propriedade só ocorreu com algum sucesso de São Paulo ao Rio Grande do Sul, destino de imigrantes europeus na segunda metade do século 19 e início do 20. O Estatuto da Terra de 1964 teria estimulado a reforma agrária sadia, mas foi neutralizado por interesses fortes. Resultado: nossa tardia reforma agrária, atropelada pela dimensão a que chegou o problema, vem produzindo intranquilidade e dúvidas sobre seus procedimentos e objetivos. Vem instituindo duas categorias singulares: a dos acampados à espera do assentamento e a dos assentados malsucedidos, por motivos razoáveis ou porque inaptos para o campo. Distribui a terra, mas está aquém do conveniente no apoio financeiro ? deficiência mitigada pelo programa de assistência à agricultura familiar criado em 1995 ?, assessoria técnica, acesso ao mercado e apoio social (saúde, escola). Sujeita assentados - com exceções bem-sucedidas - à vida insatisfeita e acampados ao assistencialismo e à odisseia das invasões. Enfim, o modelo vem sendo apenas limitadamente útil à criação do pequeno capitalismo social-democrático rural, como existe nos países democráticos desenvolvidos.

Cooptada no campo (homens rurais autênticos "sem terra"), mas também nas cidades (homens rurais inventados), a massa de manobra do tumulto rural vem sendo usada para seu propósito racional - a reforma agrária -, mas também como instrumento da ideia de mudança do eixo político e socioeconômico do País. Na crise de 2008-2009 um líder do MST afirmou que o aumento do desemprego urbano reforçaria o movimento rural, obviamente com gente não adequada ao campo, fadada ao insucesso e à revolta ressentida. Gente útil, portanto, à turbulência política porque, se bem-sucedida a reforma agrária, improvável com pessoal inapto ao campo, o pequeno proprietário "vira" um kulak social-democrata, tanto assim que eles foram eliminados na URSS.

Nesse cenário político e socioeconômico nebuloso, a causa da reforma agrária vem ensejando a jihad rural em desafio à lei e suas instituições, no estilo delituoso da "cultura da ação" dos movimentos fascistas nos anos 1920. Inserem-se aí as invasões de propriedades, pretensamente travestidas de ocupação pacífica, como se fosse pacífico intimidar com foices e facões, manter cárcere privado, destruir máquinas, benfeitorias e plantações e matar gado. Vem ensejando-a à sombra da complacência do poder público ? por ideologia ou interesse político ? e da demora no cumprimento de sentenças de reintegração de posse, que fazem das invasões esbulhos tolerados. Problema que será agravado se institucionalizada a recomendação do Decreto 7.037, de 21/12/2009, que preconiza a negociação prévia à Justiça, criando a figura da copropriedade "na marra"...!

A ambiguidade da situação, que mistura causa correta com prática delituosa para atingi-la, é bem refletida em frase do presidente da República (Estado, 15/7/2003) sobre incidente em princípio irrelevante (o boné do MST na cabeça do presidente): "Não esperava que o preconceito contra os sem-terra fosse de tamanha envergadura; eles têm uma reivindicação justa." Não se trata de preconceito contra os sem-terra e sua reivindicação justa, mas da não menos justa contrariedade com a metodologia delituosa.

Todo esse tema diz respeito à pergunta: interessa ao Brasil acompanhar a produtividade vitoriosa na grande propriedade, pela inclusão política, social e econômica do pequeno proprietário rural?

Sua resposta transcende a ideologizada satanização da grande propriedade, necessária à produção de commodities de consumo interno e para exportação (o agrobusiness responde por cerca de 40% da nossa exportação). Nossa vedete agrícola deste início de século, que já o fora nos anos 1600, a cana, agora relacionada com os biocombustíveis, é necessariamente agrobusiness! Em país com território utilizável da extensão do brasileiro, a grande propriedade é compatível com a pequena. Aquela, produtora de commodities; esta, de alimentos, em destaque crescente com a propensão ao consumo de produtos orgânicos, exigentes de mais atenção humana e coerentes com a pequena agricultura. É preciso desenvolver tanto o agrobusiness, vital à macroestrutura econômica, como a pequena agricultura, necessária à alimentação da população brasileira, imensa e crescendo ? e responsável por cerca de 70% da mão de obra rural!

Há que dar vida à compatibilização no respeito ao direito, sem se engajar na fantasia ideológica antiagrobusiness, indutora de ânimo prejudicial à reforma agrária. Existem realmente casos em que a defesa da propriedade perde consistência e sentido diante da sua função social. Mas essa avaliação não cabe ao arbítrio dos movimentos salvacionistas, cabe à lei e seus instrumentos: num Estado de Direito democrático não há sentido racional em glorificar o delito como meio de fazer justiça!

O encaminhamento dessa questão dirá se o campo continuará contribuindo para a vida nacional como contribuiu na nossa História; dirá se vamos ter um pequeno capitalismo social-democrático rural, útil à tranquilidade democrática do País, ao lado do grande agrobusiness. Ou se o campo continuará palco da desordem que se vale da justa meta da reforma agrária e das agruras da massa rural, com vista ao eixo político-ideológico

TREVAS

MÍRIAM LEITÃO

Avatar de Belo Monte 
Miriam Leitão 

O Globo - 24/06/2010

O presidente Lula simplifica propositadamente a questão de Belo Monte. Homem inteligente que é, sabe que o que sustenta a barragem de dúvidas sobre a usina não tem a ver com a vinda de um “cineasta gringo”. Simplificações são ótimas em épocas eleitorais, mas a verdade é que a usina está sendo tocada sem quaisquer dos cuidados ambientais, fiscais, econômicos necessários

Na democracia, é preciso convencer a opinião pública.

Belo Monte está sendo empurrada de forma autoritária ao país, numa pressa desprovida de sentido, exceto o agrado às empreiteiras que vivem de fazer barragens. Curioso é que até elas não querem entrar no negócio em si. Preferem ficar de fora, como prestadoras de serviço.

Uma conversa sincera com qualquer uma delas mostrará que o empreendimento não foi devidamente precificado. O modelo de “modicidade tarifária” inventado pela então ministra das Minas e Energia Dilma Rousseff está fazendo água.

Cria ficções. Está apenas mudando o público pagante.

Se a energia de Belo Monte for vendida por aquele preço, o consumidor teria supostamente uma vantagem, mas o contribuinte estará pagando a festa. Ou seja, o que não sair de um bolso dos brasileiros sairá do outro bolso.

Supostamente a obra custaria R$ 19 bilhões. Mas a informação mais precisa eleva o preço a pelo menos R$ 30 bilhões. A diferença será paga de diversas formas.

A primeira, com os juros a 4% em empréstimo de 30 anos, num governo que se financia a títulos de poucos meses e juros de 10%. A segunda, em excessiva participação de empresas públicas, fundos de pensão de estatais. Ninguém tem dúvidas no mercado de energia que a usina é na prática estatal e que os grupos privados terão o benefício de ficar com o bônus, deixando o ônus para o setor público. A terceira, o futuro verá várias revisões de custos da obra que serão crescentemente bancadas com dinheiro público. Como negócio, tem retorno econômico duvidoso.

Há dúvidas de engenharia não sanadas. Não se deu tempo para os estudos de viabilidade pela pressa de se ter mais uma obra deslanchada antes da saída da então ministra da Casa Civil para a sua corrida presidencial.

Não ouço isso de ambientalistas, ouço de engenheiros.

Ninguém sabe exatamente como será feito o tal canal para desviar o rio Xingu na Grande Volta que vai movimentar mais terra do que para construir o Canal do Panamá. Isso só para citar uma das várias dúvidas de engenharia.

As dúvidas ambientais foram esmagadas sob o peso do cala-boca que saiu da Casa Civil na reunião de 7 de janeiro da qual falei aqui na coluna. Mostrei aqui no dia 17 de abril os fac similes dos documentos internos do Ibama com funcionários assinando que o tempo estabelecido pela Casa Civil para dar a licença não era suficiente, publiquei também as trocas de mensagens entre o Ibama e a Eletrobrás sobre a reunião da Casa Civil para cumprir os prazos. Esses documentos são um atestado inequívoco de que a agência reguladora do meio ambiente foi constrangida a conceder a licença.

Isso é uma irregularidade administrativa que eleva muito o risco de um desastre ambiental em Belo Monte.

O medo de que só um consórcio disputando desse a impressão de que a obra não tinha atraído os investidores fez o governo se envolver diretamente na formação do outro consórcio, mudando regras para aumentar as vantagens para as empresas. E mesmo depois do leilão, dúvidas sobre participação de um dos integrantes do consórcio vencedor permaneceram.

Enfim, por onde se olhe há dúvidas em Belo Monte.

De índios e não índios, de ambientalistas e engenheiros, de especialistas em energia e economistas. Cada um do seu ponto de vista tem questões que não foram suficientemente debatidas e esclarecidas antes de se bater o martelo de um leilão estranho e um empreendimento açodado.

O presidente Lula simplifica quando compara com Itaipu. A maior hidrelétrica das Américas foi imposta como fato consumado pelo poder do arbítrio militar. Lula não deveria querer comparações com aqueles métodos. A democracia ajudou a reduzir e muito o impacto ambiental exigindo da usina compensações que ela tem cumprido.

O medo de a usina ser uma arma contra a Argentina, com o risco de alagamento de parte das terras dos vizinhos, foi superado em demoradas negociações que consumiram anos da competente diplomacia brasileira daquela época. Os debates sobre se seria melhor ter construído um pouco acima, poupado o patrimônio turístico das Sete Quedas, ou ter feito uma usina só brasileira foram esmagados pelo poder ditatorial. Hoje, a usina é fundamental para o país, mas ela já investiu muito em compensação ambiental, permanecemos sob o risco constante das pressões paraguaias e ainda se paga sua interminável dívida externa. Itaipu é uma obra com mais facilidades por estar perto do centro consumidor, ao contrário de Belo Monte. Não há comparações entre as obras. O fundamental a reter é que os métodos de imposição de Itaipu à opinião pública não podem ser transpostos para os dias de hoje pelo simples — e excelente — motivo de que o país é democrático e o governo deveria ter dedicado mais tempo ao convencimento da opinião pública e levado mais a sério as dúvidas. Belo Monte sofre de falta de planejamento, estudos de viabilidade, precaução ambiental, segurança fiscal, análise econômica.

Mas seu erro fundamental é a falha democrática.

ANCELMO GÓIS

Estaleiro no Rio 
Ancelmo Góis 

O Globo - 24/06/2010

Sérgio Cabral e Eike Batista estão conversando para trazer de Santa Catarina ao Rio o megaprojeto de um estaleiro orçado em R$ 3 bilhões.

O empreendimento da OSX, que tem 10% da sul-coreana Hyundai, seria no Porto de Açu, onde o empresário já atua.
Segue...
A ideia inicial de Eike, construir o estaleiro na região de Biguaçu, perto de Florianópolis, enfrenta resistência do Instituto Chico Mendes de Meio Ambiente, do governo federal
Guerra do golfo 
O navio-plataforma FPSO Seillean, depois de trabalhar para Petrobras no campo de Golfinho, no Espírito Santo, zarpa hoje para o Golfo do México.

Vai se juntar à brigada naval que luta contra os efeitos do desastre ambiental causado pela explosão da plataforma Deepwater Horizon.
Vampiro baiano 
No filme francês“Mademoiselle Chambom”, de Stéphane Brizé, vê-se na parede do quarto de um menino o pôster de Daniel Alves, jogador do Barcelona e da seleção.

O craque de 27 anos é baiano de Juazeiro, terra de João Gilberto e Ivete Sangalo.
Marketing emboscada 
A pedido da CBF, o TRF do Rio mandou a Caixa retirar do ar o anúncio no qual utiliza bonecos chamados de “poupançudos”.

Segundo os advogados da entidade, Rodrigo Torres e Marcelo Mazzola, as camisas eram semelhantes à da seleção e com escudo que remete ao da CBF.
Noturno indiano
Antonio Tabucchi, o escritor italiano autor de “Noturno indiano”, está com um problema de coluna que pode tirá-lo da escalação da Flip, em agosto.

Espera-se que, como Elano, o meia da nossa seleção, ele se recupere a tempo.
Marceu na Copa 
A desclassificação da seleção Bafana Bafana da Copa não fez a rotina voltar ao normal na África do Sul. Mas começa a haver espaço na festa para a vida real.

Junho é mês de negociações salariais no país de Mandela — e, ontem mesmo, um dia após a eliminação, surgiu um embate entre patrões e empregados
Segue... 
Trabalhadores de um hotel em Pretória iniciaram uma greve.

Num protesto, jogaram numa loja um bujão de gás em chamas.

Ninguém se feriu
Aliás...
É a segunda greve na Copa.

A primeira, reprimida com violência, foi a de seguranças contratados para tomar conta dos acessos aos estádios.

O governo de Jacob Zuma havia pedido a Zwelinzima Vavi, secretário-geral do Cosatu, espécie de CUT sul-africana, uma trégua no Mundial.
Caetano na Sapucaí 
Dezessete anos após ser enredo da Mangueira, Caetano Veloso voltará ao Sambódromo.

Sua vida será tema da Paraíso do Tuiuti no carnaval 2011.
Anarriê virtual 
Gilberto Gil criou um site exclusivo para as festas juninas do Brasil em geral — e as do Nordeste, em particular.

Confira: www.circuitosaojoao.com.br.
Maracanã 2014 
Pousou no BNDES o pedido do Estado do Rio de acesso à linha de crédito de R$ 400 milhões para o projeto da Copa de 14.

São juros camaradas e 15 anos para pagar.
Flailegal 
Cinco painéis publicitários dentro do Flamengo são ilegais
Prêmio Alquimista
Paulo Coelho fez uma parceria com a secretária estadual de educação do Rio, Teresa Porto.

Haverá concurso para alunos e o vencedor do Prêmio Alquimista ganhará mil euros. Os melhores textos vão virar livro.
Batalhão legal 
As relações do funk carioca com a polícia nunca foram muito amistosas.

Mas o 12º BPM, de Niterói, vai abrir os portões dia 17 de julho para uma roda de funk.

Rio de Clarice A Secretaria municipal de Cultura promove domingo o tour “O Rio de Clarice”, por lugares que marcaram vida e a obra de Clarice Lispector.

GOSTOSA

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Conspirações
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO - 24/06/10


A África do Sul precisava ganhar com uma diferença de quatro gols e torcer para o Uruguai ganhar do México. Fez metade dos gols de que precisava no primeiro tempo, e o juiz ainda expulsou um jogador da França. Pela cabeça de mais de um conspiracionista deve ter passado a lembrança do jogo em que a Argentina tinha que ganhar do Peru por sete ou oito a zero para continuar na Copa de 78, em que era a anfitriã – e ganhou. A situação era parecida. Tratava-se de evitar o vexame e o baque econômico do time da casa ser eliminado. Ninguém convence um conspiracionista convicto – e até alguns céticos – que a ditadura militar argentina da época não sugeriu, respeitosamente, mas com uma metralhadora em cima da mesa, que o resultado desejado se produzisse, e que o goleiro do Peru naquele jogo não esteja vivendo até hoje da renda do que ganhou.
As teorias conspiratórias prosperam porque não dependem muito de evidências razoáveis. Conspirações acontecem num mundo crepuscular em que nada é o que parece, portanto nada é evidência. Onde há evidências razoáveis, não há uma conspiração, há no máximo coincidências suspeitas. Por isso nenhum conspiracionista precisa explicar como se tece a imensa trama de cumplicidades necessária para que uma conspiração 
dê certo.
A própria improbabilidade da trama é prova de que houve a conspiração. No caso da suspeita de arranjo para favorecer a África do Sul – uma suspeita que só durou um tempo, porque a África do Sul não ganhou de quatro e acabou eliminada – o objetivo da trama já bastaria para desmoralizá-la. Que o Kennedy foi assassinado pela CIA, tudo bem. Que o homem nunca pisou na lua, foi tudo montado num estúdio em Hollywood, perfeito. Mas uma grande conspiração para a África do Sul ir para as oitavas?!
Eu me preocupo com outra conspiração, esta real e ameaçadora. No gol do Cristiano Ronaldo contra a Coreia do Norte, um dos sete, ele chuta a bola e o goleiro defende, mas em vez de ir para longe do gol a bola desce no pescoço do Cristiano Ronaldo. A bola se aninha na nuca do Cristiano Ronaldo. Ele chega a olhar para trás, surpreso com a sua presença ali. Uma presença carinhosa. Se pudesse, a bola morderia a orelha do Cristiano Ronaldo. Depois ela desce e se oferece ao seu pé, e Cristiano Ronaldo – que até ali não tinha feito nenhum – faz o seu gol. Quer dizer, a bola infiel, que anda enganando todo o mundo, aparentemente escolheu seus favoritos. É um escândalo. 

CLÁUDIO HUMBERTO

“Quebra ilegal de sigilo fiscal é um comportamento de marginais”
SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR) E A VIOLAÇÃO DO SIGILO DO EX-MINISTRO EDUARDO JORGE

RECEITA DISPERSA O ESQUEMA DE ARAPONGAGEM 
A Receita Federal pulverizou por vários setores funcionários lotados na Coordenação Geral de Pesquisa e Investigação, que seria encarregada de vasculhar a vida fiscal alheia, sem mandado judicial, por ordem da Presidência da República. O objetivo da dispersão seria dificultar eventual investigação da quebra de sigilo fiscal de generais, revelada nesta coluna em 10 de maio, e do ex-ministro de FHC Eduardo Jorge.

HORA EXATA
A quebra de sigilo dos militares foi ordenada às 15h37 de 18 de janeiro pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

INVESTIGAR É PRECISO
O PSDB quer investigar a violação do sigilo fiscal do ex-ministro de FHC Eduardo Jorge Caldas Pereira, denunciado na Folha de S. Paulo.

APARELHOU DE VEZ
Agora, a Coordenação Geral de Pesquisa e Investigação só tem “gente de confiança” do PT, e os controles de acesso ficaram mais rigorosos.

RESISTIU, DANÇOU 
O ex-secretário da Receita Jorge Rachid, dizem ex-auxiliares, jamais aceitou pressão do Planalto para violar a vida fiscal de adversários.

CPI QUER ENTENDER AS ‘FINANÇAS’ DA BANCOOP
É grande a expectativa da audiência da diretora honorária do Sindicato dos Bancários (SP) Ana Maria Érnica, na CPI da Bancoop, na Assembleia paulista. Ela faltou, na terça (22), com outros três convocados, mas terá que responder sobre R$ 40 milhões captados dos fundos de pensão, venda de terrenos sem construção de prédios, e o destino das multas da cooperativa, investigada por desvio para o PT. 

LÁ NO FUNDO 
Expert em finanças, Ana Érnica deverá explicar também a origem de R$18 milhões aplicados em “Fdics”, fundos de investimento de estatais. 

CANSEI 
A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), que substituiu a droga de ministro Carlos Minc, mal entrou em 31 de março, pediu férias em julho. 

VALE DE LÁGRIMAS 
A enchente em Pernambuco e Alagoas comoveu mais os estrangeiros que o governo Lula: é destaque na imprensa internacional há três dias. 

TRAGÉDIA ‘POLITIZADA’
O ex-ministro da Integração Geddel Vieira Lima, que, candidato a governador, levou para a sua Bahia 56,8% das verbas de prevenção contra enchentes, argumenta que “faltam bons projetos” aos demais estados. E fez pouco dos críticos: “querem politizar a tragédia”.

DEU CHABU 
Jutahy Magalhães (BA), deputado influente no tucanato, achava que no fim de junho José Serra estaria liderando novamente as pesquisas. O Ibope, ontem, sepultou suas esperanças: Dilma 40 x Serra 35.

LULA É O CARA 
O crescimento de Dilma no Ibope tem sido atribuído ao aparecimento de Lula no último programa do PT, em rede nacional. Os candidatos claramente ligados a ele, nos estados, tiveram crescimento idêntico.

CHAPA FORTE
Na disputa pelo Senado, no Piauí, o deputado milionário Ciro Nogueira (PR) terá como suplente o rico empresário João Claudino. A dupla soma cerca de 70% do patrimônio imobiliário urbano de Teresina.

VICE SEM CHANCES
Esta coluna antecipou dia 11 que Paulo Skaf (PSB), candidato sem chances ao governo paulista, queria como vice Mariane Pinotti, filha do falecido Aristodemo Pinotti. A assessoria de Skaf desmentiu. Estava desinformada: Mariane será anunciada vice de Skaf domingo que vem.

POVO ESQUISITO 
O juiz que derrubou a moratória de seis meses, imposta por Barack Obama à prospecção de petróleo submarino no Golfo do México, tem ações em empresas de óleo e gás, diz a Associated Press. Que coisa...

CALADA!
Aliado de Lula, o governador Sérgio Cabral deve ter tido um troço: Dilma disse ontem, numa rádio paulista, que “no Rio, o crime se concentra nas favelas”. A propaganda de Cabral diz que as tais “unidades pacificadoras” botaram os bandidos para correr. Anrã.

LIMA DUARTE 
O motorista de uma van da Fifa, que atende a seleção brasileira, é sósia do ator Lima Duarte. Indiano residente em Joanesburgo, ele até já atende quando chamado pelo nome do consagrado ator brasileiro.

PENSANDO BEM... 
...só falta Lula inaugurar castelo de areia, depois do terreno baldio de uma fábrica no Pará, ontem. 

PODER SEM PUDOR 
VIVO, UMA VÍRGULA
Delegado em Rio Claro (SP), Joaquim Alves Dias viveu recentemente um episódio de filmes de Zé do Caixão: sem documentos, o cadáver encontrado num canavial se levanta no camburão:
– Para onde estão me levando?
Em meio a susto e correria, Dias se irrita com o BO do escrivão de “morte aparente”. Como explicar à imprensa a “ressuscitação”?
O escrivão caprichou na vírgula: “Encontrado num canavial um cadáver, vivo”.
O delegado quase infartou.

PROCISSÃO DOS SUICIDAS

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Transporte já pesa no bolso o mesmo que alimentação

Folha: 17 cidades destruídas já sofreram com as cheias

Estadão: Ibope mostra Dilma à frente de Serra pela primeira vez

JB: Dilma abre 5 pontos sobre Serra

Valor: Produtividade sobe mais que salários na indústria

Jornal do Commercio: Armados contra saques

Zero Hora: Reajuste do mínimo regional será de 6,9%