domingo, junho 13, 2010
SERGIO FAUSTO
Bolívia, problema real
SERGIO FAUSTO
O Estado de S.Paulo - 13/06/10
A seu modo, José Serra apontou para um problema real ao declarar que o governo da Bolívia faz "corpo mole" no combate ao tráfico de cocaína.
Dados do United Nations Office on Drugs and Crimes, para a Bolívia, mostram que a área plantada com folhas de coca tem aumentado sistematicamente desde 2001, passando de 21 mil hectares naquele ano para 30 mil hectares em 2008, um crescimento de 43%. Para o ano de 2009, a Drug Enforcement Administration (DEA), órgão do governo americano, informa que a área plantada teria alcançado 35 mil hectares. Trata-se de área muito superior aos 12 mil hectares permitidos por uma lei de 1988, mesmo quando acrescida dos 3.200 hectares adicionais autorizados para a região do Chapare, no Departamento de Cochabamba, em 2004. O mesmo órgão das Nações Unidas estima que a capacidade de produção de folha de coca, assim como de cocaína, elevou-se em quase 100%, ou seja, praticamente dobrou entre 2001 e 2008. A tendência antecede a posse de Evo Morales, mas se acelerou depois dela, apesar da erradicação anual de 6 mil hectares de plantações de coca, segundo dados da Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico, órgão do governo boliviano.
O país vizinho responde por cerca de 30% das quase 100 mil toneladas da droga que ingressam no Brasil anualmente.
"Coca, sim; cocaína, não" é o lema da política de Evo Morales em relação ao tema. Se a cocaína merece combate, o cultivo da folha de coca para usos lícitos recebe apoio do governo boliviano. Para tanto se invoca a sua importância cultural (trata-se de tradição dos povos do altiplano, considerada pela nova Constituição um patrimônio cultural da Bolívia) e social (é cultivada por pequenos agricultores). A questão tem também dimensão política. Não apenas por serem os "cocaleros" berço político e base de apoio de Morales, até hoje presidente honorário da federação dos plantadores de coca da região do Chapare, mas também porque a folha funciona como símbolo poderoso. Ela faz o elo entre a tradição anterior à conquista espanhola e o projeto contemporâneo de obtenção da verdadeira independência. É elemento essencial de um discurso político que busca no passado pré-colombiano as origens étnicas que permitiriam a refundação da Bolívia como Estado pluriétnico de maioria indígena. O antagonismo principal não é mais com a Coroa espanhola, mas com os EUA, identificados com a criminalização da folha de coca, no plano internacional, e com as ações de erradicação do seu cultivo nos anos 1990, foco de tensões políticas e sociais em meio às quais Morales se projetou da cena sindical para a cena nacional com liderança política.
Em termos práticos, Morales substituiu a política de erradicação - que reduziu drasticamente a área plantada, sem, contudo, estruturar alternativas economicamente viáveis ao cultivo da folha de coca - por uma política de negociação com associações de "cocaleros", que se revelou permissiva em relação à expansão da área plantada. Ao mesmo tempo, seu governo e seu partido, majoritário agora nas duas Casas do Congresso, movimentam-se para ampliar o limite legal para o cultivo de coca. No final de 2008, alegando que os EUA fomentavam movimentos "separatistas" nos Departamentos com governos de oposição, Morales determinou a expulsão dos agentes da DEA, que colaborava com serviços de inteligência no combate ao narcotráfico. À colaboração preferiu, por razões políticas, o confronto.
O crescimento da área plantada encontra justificativa num pretendido aumento futuro da utilização lícita da folha de coca para produção de manufaturados (licores, chás, sabões, remédios, etc.), não apenas para consumo interno, mas também para exportação (de manufaturados e da folha in natura). Daí a solicitação do governo boliviano para que a ONU distinga claramente a cocaína da folha de coca e seus derivados lícitos. De qualquer forma, a viabilidade da industrialização em larga escala da folha de coca é vista com ceticismo por analistas independentes.
Simpatias políticas à parte, a pergunta que se coloca é se é possível combater o tráfico de cocaína com complacência quanto ao aumento do cultivo da folha de coca em volumes muito superiores à sua absorção para fins lícitos e sem a colaboração da DEA, para a qual a União Europeia, mais bem vista que os EUA na Bolívia, não oferece substituto à altura. A resposta deve considerar a lucratividade do tráfico de drogas e o poder do crime organizado, fatores bem mais reais e concretos do que os desejos de industrializar a Bolívia manufaturando produtos à base de coca.
Trata-se de um problema a que o Brasil não pode ficar indiferente, em vista da facilidade de ingresso da cocaína pela imensa fronteira seca que temos com a Bolívia e dos danos que a cocaína e o crack produzem na sociedade brasileira. Acerta o governo ao firmar acordo que facilita cooperação entre a Polícia Federal e as autoridades bolivianas. Medida importante, mas tímida diante do problema. Decisivo seria dar prioridade ao controle de fronteiras, com a extensão do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), que não cobre a fronteira com a Bolívia. Sem dúvida, mais importante para a segurança do País do que ter aviões-caça de última geração. Por fim, cabe à diplomacia brasileira, em nome do interesse nacional, por meios e modos adequados às relações entre países amigos, pôr em questão a política de Evo Morales para um tema que transcende em muito as fronteiras da Bolívia.
Se a declaração de Serra foi "irresponsável", como buscaram caracterizá-la membros do governo e sua candidata, o que dizer da visita do presidente brasileiro à região do Chapare, em novembro de 2009, às vésperas das eleições gerais bolivianas, quando Lula subiu em palanque de Evo Morales ostentando um colar com folhas de coca?
DIRETOR EXECUTIVO DO IFHC, É MEMBRO DO GACINT-USP.
MÍRIAM LEITÃO
Homem biombo
Miriam Leitão
O GLOBO - 13/16/10
O deputado e ex-ministro Antonio Palocci virou o homem-biombo da candidatura Dilma Rousseff. Ele vai na frente, fala com os empresários e os dirigentes do mercado financeiro. Promete que com ela não será diferente na área econômica. Com a garantia do ex-ministro que foi considerado “um achado” na época da transição para o governo Lula, está crescendo o apoio a Dilma nesse grupo.
O enviado especial à elite financeira e econômica repete o discurso que ele aprendeu, e que é música para os ouvidos do empresário e do mercado financeiro.
O problema é que o risco Dilma é diferente do que era visto como o risco Lula. A natureza da ameaça agora é fiscal e de fortalecimento do intervencionismo estatista, que já apareceu no segundo mandato.
Esse modelo é frontalmente contraditório com a estabilização econômica. Ele não provoca uma ruptura imediata, mas mina a médio e longo prazo o que foi construído durante duas décadas.
É um risco implícito.
O risco José Serra está mais explícito. Ele deixou no ar os temores de uma intervenção indevida no Banco Central que poderia abalar um dos pilares da política econômica que estabilizou o Brasil derrotando as altas taxas de inflação.
Não se sabe o que ele fará com o Banco Central porque ele não explicou direito. Sua reação à questão só levantou mais suspeitas e dúvidas.
E elas só acontecem porque Serra tem a imagem de voluntarismo na área da política monetária e cambial construída em declarações e atitudes anteriores. Tem um trabalho a fazer em exorcizar esses fantasmas que só reapareceram porque sempre estiveram de alguma forma relacionados ao candidato do PSDB.
A oportunidade de aproveitamento da fraqueza do adversário foi vista pelo exministro Palocci. Ele foi o calmante dado ao mercado e às empresas em 2002.
Com o discurso aprendido com economistas estrangeiros ao partido, Palocci na época disse que seriam mantidos as metas de inflação, o câmbio flutuante, os contratos, a autonomia do Banco Central, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a normalidade da relação com credores da dívida interna e externa. Isso era o avesso de um programa de governo que na época propunha intervenção no sistema de preços, auditoria da dívida externa, plebiscito sobre pagamento de dívida, centralização cambial, fim do superávit primário.
A nomeação de Palocci para o Ministério da Fazenda, e não de qualquer um dos autores do programa econômico, foi o tranquilizante distribuído ao mercado pelo presidente Lula.
A equipe da Fazenda, toda montada com integrantes da máquina ou economistas de fora do PT, foi a segunda dose do calmante. Seu anúncio de elevar o superávit primário, a terceira. A nomeação de Henrique Meirelles encerrou o ciclo do medo de mudança naqueles pilares mais imediatos da estabilidade. Como resultado, as linhas de comércio voltaram, o risco Brasil caiu, o dólar caiu, a inflação foi baixando.
Hoje, o mercado e os empresários estão renovando sua confiança diante das garantias dadas por Palocci de que tudo será como antes.
Mas os riscos reais são outros. Palocci é o mesmo cuja proposta de déficit zero foi escorraçada pela então ministra-chefe da Casa Civil com a afirmação de que ela era “rudimentar” e que antes era preciso “combinar com os russos”. A proposta não tinha nada de rudimentar, era apenas fazer a boa política de aproveitar a época do boom e de crescimento da arrecadação para conter os gastos e dobrar a aposta fiscal. Isso teria derrubado mais os juros, evitaria a elevação da carga tributária, e criaria um círculo virtuoso.
Dilma por tudo o que disse, fez, decidiu é a favor do aumento extravagante do gasto público e tem uma visão da presença do Estado na economia que é muito semelhante à do período militar, cuja política econômica, ela e Lula citam com indisfarçável saudosismo.
Isso tem um preço alto como já se viu no passado.
Um empresário com conhecimento do assunto garantiu que o final da história de Belo Monte já está escrito: ela custará muito mais do que o orçado — R$ 30 bilhões em vez dos R$ 19 bilhões previstos — e acabará sendo um empreendimento total, inequivocamente, estatal. Hoje, já está claro que os riscos foram estatizados e os lucros serão apropriados em grande parte pelos sócios privados financiados a prazos longos e com juros baixos.
Belo Monte é apenas um dos exemplos, existem vários.
Ninguém que tenha informação sobre o assunto acha que o trem bala Rio-SP terá o preço que o governo calcula. É uma obra de engenharia de complexidade por trafegar entre o nível do mar e 800 metros, entre vários outros desafios tecnológicos.
Seu custo real está sendo calculado como muito mais do que os R$ 36 bilhões. Pode chegar a R$ 50 bilhões, pelo menos com vantagens e retorno não claramente dimensionados.
Essa visão de Estado de tocar projetos de impacto, a qualquer custo, iniciando as obras quando ainda não foram dimensionados os custos fiscais da opção, embute um risco enorme de elevação de carga tributária e de abalo das bases do edifício da estabilização tão duramente conquistadas.
Hoje não basta ouvir as palavras de garantia de apoio a determinadas políticas, é preciso entender o resultado das opções feitas.
Os riscos hoje são mais sutis do que na época do “vou mudar tudo isso que está aí”. Eles não são sequer percebidos em sua totalidade.
Ou são, e poucos gostam de admitir. A maioria das empresas brasileiras hoje é sócia do governo ou dependente químico do dinheiro subsidiado do BNDES.
Mesmo quem acha que há riscos no cenário Dilma prefere não falar. Por outro lado, o risco Serra também não foi exorcizado. Assim vamos para as eleições.
ANCELMO GÓIS
Mulher para chuchu
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 13/06/10
“O Rei Zulu” (1950), marchinha de Nássara e Antônio Almeida, lembra Jacob Zuma, mulherengo presidente zulu sul-africano.
Diz lá: “Rei Zulu-u/ Não paga casa, nem comida e anda nu/ Pode não ter dinheiro pra gastar/ Mas tem mulher pra chuchu.”
Guerra ao jabá
O ministro Juca Ferreira manda a consulta pública, amanhã, o anteprojeto que altera a Lei de Direitos Autorais.
O texto prevê punição a quem suborna rádios e TVs para aumentar a execução de certas músicas. O jabá passa a ser infração à ordem econômica e ao direito à diversidade cultural.
Filho eterno
Um dos livros mais premiados do Brasil, “O filho eterno”, de Cristóvão Tezza, será adaptado para o teatro por Bruno Lara Rezende.
A história da relação entre um pai e seu filho, que tem síndrome de Down, está fazendo sucesso em países como Austrália, Nova Zelândia, França e Itália.
Vem a negócios
O bilionário americano Sam Zell, 67 anos, um dos sócios da BR Malls, que tem 35 shoppings no Brasil, passa dia 24 agora em São Paulo. Visita as obras de três novos shoppings.
A Bracor, outra empresa de Zell por aqui, que atua no mercado imobiliário, anunciou outro dia investimentos de R$ 1 bilhão no Brasil este ano.
Au, au, au
A procuradora Vera Lúcia Gomes, acusada de torturar uma menina de 2 anos, quer levar para Bangu, onde está presa, seu cãozinho.
Anda com saudades do Totó.
O menino Ziraldo
O Menino Maluquinho completa 30 anos em 2010.
O personagem e seu autor, Ziraldo, 77 anos, serão homenageados com um livro pela Editora Melhoramentos. Merece.
Força tarefa
A americana Telefutura comprou da Globo TV Internacional a novela “Caminho das Índias” e a minissérie “Força tarefa”.
Fator Frei Betto
Depois da morte do preso político Orlando Zapata, que fez greve de fome, a ditadura cubana intensifica o diálogo com a Igreja Católica.
Recentemente, o cardeal Jaime Ortega esteve com Raul Castro intercedendo a favor dos “prisioneiros de consciência”.
Na verdade...
A distensão religiosa não é de hoje. O próprio cardeal Jaime lembrou, em recente entrevista à revista católica “Palabra Nueva”, os passos dados depois que saiu o livro “Fidel e a religião” (1985), do brasileiro Frei Betto.
Na época, a Constituição foi mudada para permitir maior liberdade religiosa, e o PC aceitou católicos em seus quadros.
Mas falta muito.
ZONA FRANCA
“Um passaporte húngaro”, de Sandra Kogut, é a atração do “Programa de cinema”, que vai ao ar dia 26, às 23h, na TV Brasil.
Luiz Zveiter, presidente do TJ-RJ, participa de seminário em Jerusalém.
Estão abertas as inscrições para o concurso de curtas da Firjan (www.firjan.org.br/curtacriativo).
A Salinas inaugura loja no Shopping Leblon.
Mombaça lança seu CD quarta no Teatro Rival.
A Stellabella ganhou projeto Levi’s Music e um videoclipe no YouTube.
O escritório Saboya, Direito, Muanis comemora seus 4 anos.
A nova edição da “Revista de História” será lançada amanhã na Biblioteca Nacional, às 16h 30m.
Brasil na moda
O Brasil está na moda — literalmente.
A Ralph Lauren incluiu nas suas coleções de verão o nosso verde-amarelo.
Os blusões unissex, com direito ao famoso logo Polo, custam uns US$ 200.
O velho e o mar
A centenária cadeia de lojas Abercrombie & Fitch, que tinha entre seus clientes Ernest Hemingway, sempre recusou propostas de franquias no Brasil.
Agora, optou por vir por suas próprias pernas. Deve abrir sua primeira loja no Brasil em 2012.
Curso de medicina
A PUC do Rio está pondo os pés na área biomédica.
Em 2011, abre o curso de Biologia, que contará com laboratórios próprios em seu novo espaço, localizado perto do Parque da Cidade. A ideia é que, futuramente, a PUC abra o seu curso de Medicina.
Outra do Capitão
Carlos Alberto Torres, o capitão do tri, no México, em 1970, carrega no bolso em sua estada na África do Sul, para a Copa, um celular cujo final é... 7070.
Qualquer semelhança não é mera coincidência.
MARCEU NA COPA
A Copa do Bundo é nossa
Agora que a Copa começou, e Johannesburgo já é familiar para quem chegou bem antes de a bola rolar, seguem novas e mais seguras impressões de viagem.
Sacolé africano: Em todos os eventos públicos, o governo distribui sacolés de água fresca grátis para o povão. Nos estádios, inclusive. Lembram aqueles de Ki-Suco vendidos por camelôs nas praias do Rio.
Cedae bafana: Aliás, os sul-africanos não filtram a água. A que vai para a geladeira é a da torneira mesmo, potável, pronta para beber.
Tem esquina: Era calúnia. Johannesburgo tem esquinas, sim. A gente demora a reparar porque, em cada uma delas, há um imenso shopping. A África do Sul é o país dos megashoppings. Só em Johannesburgo, há uns 20 BarraShoppings.
Deve ser terrível I: Compositor da África do Sul também sofre. As rádios FM do país da Copa tocam música americana quase o tempo todo e só um punhadinho de ritmos locais.
Deve ser terrível II: Estes dias, um executivo brasileiro de uma empresa de locação de celulares, a negócios em Johannesburgo, falava no telefone enquanto dirigia e... foi parado pela polícia. “O que você pode fazer pelo guarda?”, perguntou o fardado, que levou 100 randes. Há testemunhas.
Mago zulu: Paulo Coelho é amado na terra de Mandela. Mais conhecido aqui do que Lula, acredite. É o único brasileiro não jogador de futebol lembrado como referência do Patropi.
Deu zebra: A África do Sul, já se sabe, é a terra do “big bundo”. Mas Brian Motlafi, produtor do “Big Brother Africa”, zulu boa gente toda vida, depois de ser apresentado, via internet, à Mulher Melancia, declarou, na quinta: “Vocês venceram. Imbatíveis!” �œ No mais I: A Copa do Bundo é nossa, com a Melancia, não há quem possa.
No mais II: Que a integração de pretos e brancos que se tem visto estes dias na África do Sul perdure depois da Copa e para a vida eterna, amém.
CLÓVIS ROSSI
Abaixo a pátria (de chuteiras)
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/06/10
SÃO PAULO - Começou a Copa, começaram as nefandas cenas explícitas de "patrioteirismo".
Nada contra quem gosta de exibir seu fervor a cada quatro anos. Tudo contra a obrigatoriedade de fazê-lo, induzido por um tipo de jornalismo que troca a caneta e, principalmente, o microfone pela vuvuzela. E pela propaganda que diz que só sou brasileiro se for "brahmeiro" e guerreiro.
Que faço eu aqui, que não bebo e ainda por cima sou da paz? Tão da paz que não concebo o futebol como uma guerra de afirmação de uma tribo. É muito mais que isso. É um espetáculo. E, no espetáculo (qualquer um), o fundamental é a beleza, não a cor da camisa que vestem os participantes.
Não faz sentido, para mim pelo menos, torcer para que um filme brasileiro ruim leve a Palma de Ouro em Cannes, se na competição estiver também um filme argentino dos bons (ou iraquiano, ou palestino, ou afegão, para citar apenas tribos que, estas sim, estão necessitando da dose de autoestima positiça que ganhar uma taça traz).
O Brasil, no futebol, não tem mais nada a provar a quem quer que seja. É o único território em que somos, inequivocamente, os melhores do mundo.
Tão melhores que nossos jogadores melhoraram os campeonatos espanhol, inglês, francês, italiano, até turco, meu Deus, ao passo que a ausência deles vampirizou o Campeonato Brasileiro, transformado em cemitério dos elefantes e em território dos que ainda não seduziram os "gringos".
Não, não sou contra o "patrioteirismo" por achar que só vale quando e se o Brasil algum dia ganhar o mundial de saúde, educação ou equidade. Ou um Nobel. Não é uma comparação válida.
O que realmente me incomoda é que, se o patriotismo é o último refúgio dos canalhas (Samuel Johnson, 1709/1784), ser obrigado a tornar-se canalha a cada quatro anos é uma canalhice.
CARLOS HEITOR CONY
Agora, Deus existe
Carlos Heitor Cony
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/06/10
Não lembro onde li, acho que em algum livro de ficção científica, gênero que não aprecio, mas volta e meia dou nele uma ciscada para saber o que estão inventando. Tirante Júlio Verne, que acertou na mosca em muitos lances, o resto é papo furado.
Arthur Clarke, por exemplo, em 2001 – Uma odisseia no espaço, imaginou que nesse ano estaríamos andando pelo espaço ao som de Danúbio Azul e com um computador complicado capaz de ter ciúmes.
Mas a história que queria contar é mais cruel e, ao mesmo tempo, mais provável. Em um ano qualquer do futuro, com os computadores superdesenvolvidos no mercado, uma equipe de técnicos pergunta ao mais sofisticado deles se Deus realmente existe. O computador pede que seja conectado a todos os outros computadores existentes no mundo e aí responde: “Sim, agora existe”.
Por essas e por outras, sempre encaro meu notebook com respeito, o mesmo respeito que dedico às pessoas burras, que podem extrair a raiz quadrada de um logaritmo, mas são incapazes de acertar no bicho, coisa que às vezes eu consigo sem muita dificuldade.
Outro dia, quis achar um amigo que se chama Artur e coloquei o endereço dele sem o “H”. Qualquer carteiro imbecil entenderia que eu queria me comunicar com um Artur, mas o computador declarou que o meu Artur era inexistente.
Pior mesmo foi um sujeito que descobriu só agora que meu nome tem um ipsilone. Mandara uma porção de e-mails para um tal Coni e finalmente postou uma carta comum, dessas com cantoneiras em verde e amarelo, reclamando de minha má educação eletrônica.
Por falar nisso, nenhum autor de ficção científica previu coisas simples como a fita durex e o emplastro Sabiá. Muito menos o famoso e infalível emplastro Brás Cubas.
CLÁUDIO HUMBERTO
“Ele é do Nordeste, fala bem, é jeitoso, brigador”
EX-MINISTRO JOSÉ GREGORI SOBRE JOSÉ CARLOS ALELUIA, PROVÁVEL VICE DE JOSÉ SERRA
ECT: DIRETORES REGIONAIS DENUNCIAM CAOS A LULA Documento assinado por todos os 29 diretores regionais da Empresa de Correios e Telégrafos, em poder da coluna, enviado ao presidente Lula, acusa a diretoria nacional da estatal de não tomar medidas para minimizar a deterioração dos seus serviços. Segundo o documento, que deixou Lula ainda mais irritado com o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, “a falta de decisão foi determinante para a manutenção dos críticos níveis de qualidade dos serviços prestados”.
HELIO CHIOU
Em fevereiro, um duro ofício do ex-ministro das Comunicações Helio Costa exigiu do presidente da ECT um Plano de Contingência.
PLANO DE SALVAÇÃO
O plano de salvação dos Correios, definido em março, previa concurso público e a regularização dos serviços de transporte aéreo.
NEM AÍ
O presidente da ECT ignorou solenemente o Plano de Contingência elaborado pelos diretores regionais com a diretoria de Operações.
EXCEÇÃO
No documento, os 29 diretores regionais dos Correios só livram a cara do diretor de Operações, Marco Antônio Oliveira, que não é de carreira.
‘BAGRINHOS’ DO ITAMARATY QUEREM GREVE NA COPA
Os oficiais de chancelaria - “carregadores de piano” em embaixadas e consulados - ameaçam uma greve sem precedentes no Itamaraty, e durante a Copa do Mundo, se Lula sancionar a MP de promoção dos que entraram em 2009, esquecendo quem tem mais de dez anos no exterior. Os “ofcham” mundo afora querem a regra de transição, praxe na administração, ou será um gol contra a comunidade brasileira.
LEÃO GERMÂNICO
O fisco da Alemanha vigia com mão de ferro os contratados brasileiros na embaixada e consulados. Nosso leão estará de olho nos alemães?
SONHO DE CONSUMO
É tão chique a governanta do empresário e senador Gim Argello (PTB-DF) que seu carro é um Mini-Cooper, sonho de consumo da classe média.
SAI DE PERTO
Os seguranças do presidente vão receber aulas de “Krav Magá”, técnica de defesa pessoal criada antes da independência de Israel.
FORA PILANTRAS
Entre os pré-candidatos majoritários no Paraná, só o deputado Gustavo Fruet (PSDB) e Gleisi Hoffmann (PT) defendem o afastamento da mesa diretora da Assembleia Legislativa, a do desvio de R$ 26 milhões.
IRREGULARIDADES NO DF
O Ministério Público de Contas detectou irregularidades graves em programas da Secretaria de Ciência e Tecnologia do DF, por isso o governador Rogério Rosso os transferiu para a Educação. O objetivo é afastar dos programas o ex-secretário, deputado Izalci Lucas (PR).
CARTÃO MILIONÁRIO
O governo Lula conseguiu torrar quase R$ 6 milhões com cartões corporativos em maio. O total gasto em 2010 subiu para mais de R$ 22 milhões. Só a Presidência é responsável por R$ 6,33 milhões, dos quais mais da metade é classificada como “gastos sigilosos”.
NOVO GOLPE
A imaginação para o crime é inesgotável: falso e-mail do Tribunal Superior Eleitoral convoca o bobonauta a se cadastrar como mesário na eleição. Clicando o link, perderá mais que o título de eleitor.
ELE SABE DAS COISAS
O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) passou seu último fim de semana no Piauí, em companhia da namorada, na pousada da escritora e poetisa Auri Lessa, que fica na beira do mar.
LINHA DE PASSE
O advogado Márcio Thomas Bastos vai defender o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Zveiter, no Conselho Nacional de Justiça, que anulou o concurso para tabelião, em 2008, em que Zveiter teria favorecido duas amigas. Corregedor à epoca, Zveiter nega fraude.
PEDINDO CONFUSÃO
O presidente Lula quer que o Senado aprove uma ajuda de R$ 25 milhões para “reconstruir a Faixa de Gaza”. Esse repasse seria entregue pelo governo brasileiro à Autoridade Nacional Palestina.
CALOR TERRÍVEL
Presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Mecias de Jesus (PR) dá trabalho ao senador Romero Jucá (PMDB). Ele quer desbancar o favoritismo de Jucá e pode até vencer a eleição para o governo.
PENSANDO BEM...
...no Brasil, a vida é bola.
PODER SEM PUDOR
RELAÇÕES COM DEUS
Poderoso chefe da Casa Civil, Sileno Ribeiro jantava com seu chefe, o então governador de Pernambuco, Roberto Magalhães, e resolveu elogiar uma fruta servida na sobremesa: “Este sapoti está dos deuses!” Dra. Jane, influente mulher de Magalhães, censurou:
– Não invoque o nome de Deus em vão!
A reação de Sileno o fez perder o cargo e a amizade do casal:
– Por favor, dra. Jane, não se meta nas minhas relações com Deus.
EX-MINISTRO JOSÉ GREGORI SOBRE JOSÉ CARLOS ALELUIA, PROVÁVEL VICE DE JOSÉ SERRA
ECT: DIRETORES REGIONAIS DENUNCIAM CAOS A LULA Documento assinado por todos os 29 diretores regionais da Empresa de Correios e Telégrafos, em poder da coluna, enviado ao presidente Lula, acusa a diretoria nacional da estatal de não tomar medidas para minimizar a deterioração dos seus serviços. Segundo o documento, que deixou Lula ainda mais irritado com o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, “a falta de decisão foi determinante para a manutenção dos críticos níveis de qualidade dos serviços prestados”.
HELIO CHIOU
Em fevereiro, um duro ofício do ex-ministro das Comunicações Helio Costa exigiu do presidente da ECT um Plano de Contingência.
PLANO DE SALVAÇÃO
O plano de salvação dos Correios, definido em março, previa concurso público e a regularização dos serviços de transporte aéreo.
NEM AÍ
O presidente da ECT ignorou solenemente o Plano de Contingência elaborado pelos diretores regionais com a diretoria de Operações.
EXCEÇÃO
No documento, os 29 diretores regionais dos Correios só livram a cara do diretor de Operações, Marco Antônio Oliveira, que não é de carreira.
‘BAGRINHOS’ DO ITAMARATY QUEREM GREVE NA COPA
Os oficiais de chancelaria - “carregadores de piano” em embaixadas e consulados - ameaçam uma greve sem precedentes no Itamaraty, e durante a Copa do Mundo, se Lula sancionar a MP de promoção dos que entraram em 2009, esquecendo quem tem mais de dez anos no exterior. Os “ofcham” mundo afora querem a regra de transição, praxe na administração, ou será um gol contra a comunidade brasileira.
LEÃO GERMÂNICO
O fisco da Alemanha vigia com mão de ferro os contratados brasileiros na embaixada e consulados. Nosso leão estará de olho nos alemães?
SONHO DE CONSUMO
É tão chique a governanta do empresário e senador Gim Argello (PTB-DF) que seu carro é um Mini-Cooper, sonho de consumo da classe média.
SAI DE PERTO
Os seguranças do presidente vão receber aulas de “Krav Magá”, técnica de defesa pessoal criada antes da independência de Israel.
FORA PILANTRAS
Entre os pré-candidatos majoritários no Paraná, só o deputado Gustavo Fruet (PSDB) e Gleisi Hoffmann (PT) defendem o afastamento da mesa diretora da Assembleia Legislativa, a do desvio de R$ 26 milhões.
IRREGULARIDADES NO DF
O Ministério Público de Contas detectou irregularidades graves em programas da Secretaria de Ciência e Tecnologia do DF, por isso o governador Rogério Rosso os transferiu para a Educação. O objetivo é afastar dos programas o ex-secretário, deputado Izalci Lucas (PR).
CARTÃO MILIONÁRIO
O governo Lula conseguiu torrar quase R$ 6 milhões com cartões corporativos em maio. O total gasto em 2010 subiu para mais de R$ 22 milhões. Só a Presidência é responsável por R$ 6,33 milhões, dos quais mais da metade é classificada como “gastos sigilosos”.
NOVO GOLPE
A imaginação para o crime é inesgotável: falso e-mail do Tribunal Superior Eleitoral convoca o bobonauta a se cadastrar como mesário na eleição. Clicando o link, perderá mais que o título de eleitor.
ELE SABE DAS COISAS
O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) passou seu último fim de semana no Piauí, em companhia da namorada, na pousada da escritora e poetisa Auri Lessa, que fica na beira do mar.
LINHA DE PASSE
O advogado Márcio Thomas Bastos vai defender o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Zveiter, no Conselho Nacional de Justiça, que anulou o concurso para tabelião, em 2008, em que Zveiter teria favorecido duas amigas. Corregedor à epoca, Zveiter nega fraude.
PEDINDO CONFUSÃO
O presidente Lula quer que o Senado aprove uma ajuda de R$ 25 milhões para “reconstruir a Faixa de Gaza”. Esse repasse seria entregue pelo governo brasileiro à Autoridade Nacional Palestina.
CALOR TERRÍVEL
Presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Mecias de Jesus (PR) dá trabalho ao senador Romero Jucá (PMDB). Ele quer desbancar o favoritismo de Jucá e pode até vencer a eleição para o governo.
PENSANDO BEM...
...no Brasil, a vida é bola.
PODER SEM PUDOR
RELAÇÕES COM DEUS
Poderoso chefe da Casa Civil, Sileno Ribeiro jantava com seu chefe, o então governador de Pernambuco, Roberto Magalhães, e resolveu elogiar uma fruta servida na sobremesa: “Este sapoti está dos deuses!” Dra. Jane, influente mulher de Magalhães, censurou:
– Não invoque o nome de Deus em vão!
A reação de Sileno o fez perder o cargo e a amizade do casal:
– Por favor, dra. Jane, não se meta nas minhas relações com Deus.
DOMINGO NOS JORNAIS
- Globo: Cartões de crédito e débito cobram mais de 50 tarifas
- Folha: Governo banca esquadrão de militantes, diz Serra
- Estadão: Candidato oficial, Serra ataca os 'neocorruptos'
- JB: Simon ataca política do Sul
- Correio: O bicho corre solto em Brasília
- Estado de Minas: Belo-horizontinos devem R$ 5 bilhões à Prefeitura
- Jornal do Commercio: Dunga fecha portas depois do bate-boca
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