quinta-feira, abril 29, 2010

BRASIL S/A

Bodes expiatórios
Antonio Machado

CORREIO BRAZILIENSE - 29/04/10

Grécia é o Lehman Brothers das nações, ambos punidos como exemplo. Um trouxe ruína. A Grécia trará o quê?


Completamente abatida, sem qualquer chance de chegar ao mês que vem sem ajuda dos parceiros da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Grécia não é só o último elo rompido da cadeia de infortúnios iniciada em setembro de 2008 com a quebra do Banco Lehman Brothers. Ela é o Lehman Brothers das nações.

Um e outra são vitrines de um processo ensandecido de acumulação de riqueza criada, primeiro, por deficits e dívidas nacionais, com EUA à frente. E, depois de 2000, potencializada pelo endividamento maciço de bancos, empresas e pessoas, culminando, na fase terminal da ciranda, que continua ativa, com a securitização de dívidas e a sua conversão em ativos financeiros re-empacotados e vendidos.

São os tais derivativos, que geraram novas dívidas, mas cada vez mais distantes do fato real que as sustentavam no início da cadeia de alavancagem. Tal sistema, que permitiu a ascensão das economias emergentes, a chinesa em especial, mas também a brasileira, graças à pressão dos derivativos sobre os preços dos metais e alimentos no mercado de commodities, nunca foi bem compreendido antes da crise.

Quase três anos depois, continua misterioso para a maioria dos economistas do “main street” — ou a rua principal. Os empresários, políticos e governantes condenam a especulação dos bancos, realçam o poder saneador do Estado, mas seguem ignorando o que precipitou a onda de prosperidade que vinha do início da década de 2000.

A economia global, e em maior ou menor escala os países em geral, ganhou musculatura ingerindo o anabolizante dos derivativos, meio de multiplicação do crédito para além de seu fato gerador. Quem o usou para criar capacidade produtiva, como a China, continua bem na fotografia da economia internacional. Quem o usou para bancar o consumo, mas sobre uma base produtiva consolidada, está avariado, mas pode reerguer-se, caso dos EUA, apesar da jogatina de seus bancos.

Enfim, quem o usou para sustentar o consumo e a renda assentada sobre bases econômicas estagnadas ou não competitivas, como é o caso da União Europeia, está no mato sem cachorro. O desemprego já passa de 10%, atinge 20% na Espanha, e, segundo o consenso, levará uma década até voltar ao nível pré-crise. Alemanha e Grécia — seguida de Portugal, Itália, Irlanda, Espanha — são as situações extremas.

A cigarra da fábula
Potência industrial e até 2008 o maior exportador do mundo, posto perdido para a China, a Alemanha tem força para levantar a Europa. A questão é se o fará para salvar o euro, se a maioria da população reprova o socorro aos vizinhos combalidos, sobretudo a Grécia.

A Grécia é a cigarra da fábula: gastou mais do que podia, fajutou as contas nacionais para ocultar sua situação terrível — tal como a banca de Wall Street —, o que só foi revelado pelo novo governo eleito em outubro de 2009, do primeiro-ministro socialista George Papandreou, de quem se cobra um programa de corte de gastos como condição para o país ser resgatado pela força tarefa da UE-FMI.

Alemanha como bedel
A Grécia está para o sistema monetário comum europeu como o Lehman Brothers estava para os EUA. Ele foi a pique não só por esgarçar a jogatina no cassino do mercado financeiro e ser a peça mais fraca de Wall Street e com menos conexões políticas em Washington.

O governo Bush julgava necessitar de ação exemplar para aplacar a crítica ao socorro mais ou menos sub-reptício até então concedido à banca. Começa aí a ruína seriada. Na Europa, há um juízo parecido quanto à Grécia: tem que aceitar penitência fiscal para ter ajuda.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, repetiu o veredicto nesta quarta-feira: a Grécia deve aceitar um “programa ambicioso”. Pelo que diz, um horizonte radiante espera a Grécia, se for boazinha.

Uma lição reprovada
É aí que a Grécia volta a se assemelhar ao Lehman Brothers: quer-se dela o exemplo para, assim, convencer outros governos europeus com o pires na mão a fazer o que também lá atende pela expressão “lição de casa”, ou seja, navalhar o gasto público. Vai conseguir?

Com deficit fiscal de 13,7% do PIB em 2009, o governo Papandreou promete cortá-lo para 8,7% este ano e 3% até 2012, padrão na Zona do Euro, mas relaxado desde a grande crise. Só que o país tem hoje necessidade de financiamento em relação à receita fiscal de 118%, segundo a Leto Research. A austeridade pedida pela União Europeia é recessiva. A base exportadora do país é ínfima. Tem algo errado. A receita vai cair, a dívida, aumentar. Está bem é para Alemanha & Cia.: poderá evitar um dominó de quebras e salvar a cara do euro.

Sacrifício por nada?
A receita clássica de corte de gasto público funciona onde há uma base produtiva para ocupar o espaço aberto pela retração estatal e se expandir, gerando as divisas que vão solver o estoque de dívida, acrescido da refinanciada. Foi assim que o Brasil saiu do buraco escavado pelo expansionismo do período militar. No meio do processo, houve a moratória de 1987, que levou à renegociação da dívida externa. O custo baixou. E a recessão criou “excedente” exportável para solver a retomada do fluxo externo de pagamentos.

A Grécia, dependente do turismo para gerar moeda forte, tem essas condições de produção doméstica para exportar? Essa é a questão. A Europa pede aos gregos um sacrifício que pode arruiná-los mais do que já estão. Um preço alto para evitar o estigma da insolvência.

EDUARDO PARAJO

A quem interessa controlar a internet?
EDUARDO PARAJO
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/04/10

Há uma movimentação das empresas de telefonia para que sejam tratados de forma unificada dois serviços hoje distintos para acesso à rede


NA ÉPOCA da privatização da telefonia, a comunicação dependia de linhas que, de tão caras, eram declaradas em Imposto de Renda. Ninguém imaginava que, hoje, as chamadas seriam via internet, muito menos que o cidadão viria a ter voz ativa na rede ou poderia aprender à distância, por meio de simples cliques.
Essa mudança dos hábitos dos brasileiros, embora benéfica, não é simpática às empresas tradicionais de telefonia, acostumadas que estão a operar no Brasil sem concorrência. Há, por exemplo, uma movimentação dessas empresas para que sejam tratados de forma unificada e mantidos em única estrutura, verticalizada, sob seu controle, os dois serviços hoje distintos para o acesso à internet.
São eles o serviço de conexão, chamado SVA (serviço de valor adicionado), prestado por provedores que, dentre outras utilidades, promovem a segurança na rede e disponibilizam serviços como e-mail, blogs, fotoblogs e chats e, de outro lado, o serviço de telecomunicações, a banda larga, prestado pelos detentores da infraestrutura de telefonia, que promove o acesso "físico" à rede.
É perceptível o objetivo dessa estratégia: garantir às telefônicas, que, não por acaso, lideram os rankings de reclamações de consumidores, o controle pleno do acesso à internet.
E esse movimento dá continuidade à falsa propaganda sobre a "desnecessidade de provedor".
Mas provedor é sempre necessário, pois tudo que não é o "meio" de telecomunicações é SVA, inclusive serviços de endereçamento lógico (e não físico) dos bites e os que permitem a correta e segura movimentação das informações na rede, além de outros ligados às demandas da era digital.
Na época da internet discada, os serviços necessários ao acesso eram claramente identificáveis, não se cogitando essa falsa confusão entre o SVA, prestado pelos provedores, e o serviço de telefonia.
Hoje, na era da alta velocidade, as telefônicas não só exigem o consumo casado do serviço de banda larga com o de voz como também impuseram aos provedores contratos de adesão para o aluguel "forçado" de alguns dos principais serviços para a conexão à nuvem, justamente buscando um controle maior dos serviços relacionados ao acesso à internet.
O que não está acontecendo, mas deveria, é a transparente classificação e cobrança de cada serviço, ainda que ofertado em "combos". Não é demais relembrar: não existe serviço "grátis".
A conta sempre aparece, em um ou em outro lugar. A questão é muito simples: o internauta tem ou não o direito de escolher quem faz o quê com sua navegação, seus dados e informações e decidir quanto quer pagar por esses serviços?
Cabe também perguntar quem tem incentivos econômicos para prestar um SVA eficiente: as telefônicas, monopolistas, ou os provedores independentes, que operam em livre concorrência no mercado?
A resposta é óbvia: mais concorrência tende a melhor qualidade. Ademais, o foco das empresas de telefonia é (ou pelo menos deveria ser) investir na qualidade das redes, e não "abocanhar" outros serviços. O que se pretende com essa estratégia, portanto, é que não mais exista a figura dos provedor independente -hoje são mais de 1.700, que geram mais de 200 mil empregos diretos e indiretos- e que as telefônicas possam ser as únicas a fornecer os serviços necessários ao acesso à internet.
Permitirá a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que todos esses serviços sejam prestados unicamente pelas telefônicas, que hoje colocam o Brasil entre os piores países em qualidade da banda larga, e que sejam erradicadas as sementes da concorrência na era digital?
Nosso legislador havia optado por excluir das telecomunicações o SVA.
Faz sentido: estudos como os do Massachusetts Institute of Technology concluíram ser determinante, para a proliferação da internet, a segregação adequada dos serviços, para dinamizar a participação em serviços de alto potencial de desenvolvimento -evitando assim o oligopólio-, além de minimizar os malefícios da falta de incentivo à inovação e desrespeito ao consumidor.
Eventual revisão da legislação deve servir para retrocedermos?
O que está em jogo é a liberdade de acesso satisfatório ao conteúdo gerado na rede mundial de computadores. É permitir que se troquem dados e informações, sem discriminação pelas empresas de telefonia.
Por isso, é fundamental que não se alterem as normas que hoje permitem a coexistência dos dois serviços. A sociedade merece respeito.
EDUARDO PARAJO é presidente da Abranet (Associação Brasileira de Internet).

JAPA GOSTOSA

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

Bravatas de Lula e o leilão de Belo Monte
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/04/10

Para ter êxito no leilão de Belo Monte, o governo usou os mesmos instrumentos que condenava quando estava na oposição a FHC



O RESULTADO final do leilão da concessão da hidrelétrica de Belo Monte permite avaliação profunda dos chamados anos Lula.
Nesse ato do Executivo estão presentes questões políticas, administrativas e, principalmente, de comportamento ético e moral que precisam ser devidamente entendidas. A mídia centrou sua cobertura nos detalhes técnicos mais pontuais, como a questão ambiental, a questão financeira e a questão de viabilidade técnica da concessão.
Na esteira do debate que vai se seguir, certamente estarão presentes reflexões de natureza mais abrangente. Essa é a dinâmica natural em uma democracia aberta, como a brasileira. É com esse objetivo que escrevo hoje sobre o leilão de Belo Monte. Por ter participado como ator do processo de privatizações no governo FHC, creio ter uma contribuição muito particular na avaliação da ação do governo no caso de Belo Monte.
Durante mais de dez anos estive envolvido em uma série de procedimentos -no nível administrativo do Tribunal de Contas da União e no legal em vários níveis da Justiça brasileira- em relação às regras que a Constituição brasileira estabelece no caso da alienação de bens públicos, e meus comentários a seguir nascem exatamente desse caráter especial de minha relação com as privatizações.
O que mais chama a atenção neste caso é que, na busca de realizar com êxito o leilão de Belo Monte, o governo usou os mesmos instrumentos operacionais que condenava quando estava na oposição ao governo FHC.
Interferiu diretamente na formação dos consórcios, manipulando o comportamento dos fundos de pensão públicos, pressionando empresas privadas como a Vale para participar da licitação e até colocou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como agente ativo do processo.
Foi ainda mais longe em sua ação para viabilizar o leilão: deu isenção de 75% do Imposto de Renda para o empreendimento e mandou o BNDES financiar 80% do valor do investimento. O leitor da Folha precisa saber que, nas normas operacionais do BNDES, o valor do financiamento de qualquer projeto pode chegar no máximo a 60% do total.
Quando Lula e o PT usavam -como confessou mais tarde nosso presidente- bravatas para pressionar o governo tucano, todas essas ações eram apontadas como um crime contra a Constituição.
Alguns juristas engajados na luta política da oposição de então nos acusaram -publicamente- de estarmos quebrando o princípio da impessoalidade ao agir de tal forma. Segundo eles, o governo tinha que ser isento, deixando que os interessados no processo agissem de forma totalmente livre. Aliás, foi a partir desse entendimento legal que vários procuradores federais iniciaram processos judiciais contra nós.
E agora, como caracterizar esse arsenal de ações do governo para viabilizar a concessão de Belo Monte? Onde estão os juristas que foram a público acusar de maneira incisiva os ilícitos cometidos pelos membros do governo FHC responsáveis pelas privatizações? Terão eles a mesma leitura de Antonio Gramsci, de que, no caso de um governo popular, todas as ações na busca do poder político em nome do povo são justificáveis?
Vou ainda mais longe nos meus questionamentos: será que, após executarem as mesmas ações que condenavam no caso de FHC, vão os petistas trazer novamente as denúncias contra as privatizações tucanas nas eleições que se aproximam? Vão ainda falar na privataria tucana?
Os responsáveis pela realização do leilão de Belo Monte não correm, todavia, os riscos de serem processados na Justiça como fomos nós em 1998.
Recentemente, o Tribunal Regional Federal de Brasília confirmou -por unanimidade de seus membros - a decisão da Justiça Federal de primeira instância que considerou absolutamente legais os procedimentos adotados pelo BNDES na privatização da Telebrás em 1998.
Temos agora uma jurisprudência formada sobre como deve proceder o administrador público em casos como o leilão de Belo Monte.
A tese de quebra do princípio da impessoalidade, levantada pelos juristas petistas em 1998, não passou de uma justificativa muito pobre e oportunista para permitir a luta política contra o governo Fernando Henrique Cardoso. Que a opinião pública seja mais uma vez lembrada disso.
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 67, engenheiro de produção pela USP e doutor em economia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é colunista da Folha e economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e ministro das Comunicações (governo Fernando Henrique).

MÍRIAM LEITÃO

Última escalada 
Miriam Leitão 

O Globo - 29/04/2010

Chegou ao fim o ciclo de juros mais baixos da história recente do país. Por mais de um ano, de janeiro de 2009 a abril de 2010, o Banco Central reduziu e manteve a Selic entre 12,75% e 8,75%. Pela primeira vez, tivemos juros nominais de um dígito. Foi em junho de 2009, quando a taxa caiu de 10,25% para 9,25%. Depois, foi a 8,75%, ficou assim por nove meses, até ontem, quando voltou a subir a 9,50%.

Bancos e consultorias estão revendo o crescimento do PIB brasileiro para cima. Os dados mostram que a inflação está se distanciando do centro da meta e o país está bem aquecido. O estranho é que ao mesmo tempo que os juros sobem, o Ministério da Fazenda ainda mantém estímulos fiscais ao consumo, o BNDES aumenta o subsídio embutido nos juros, os bancos oficiais se esforçam para ampliar ainda mais o crédito.

O governo age como se o país ainda estivesse precisando de empurrão, quando o Banco Central já começou a puxar o freio.

O Morgan Stanley revisou a previsão de crescimento do PIB deste ano de 5,8% para 6,8%. O banco americano diz que o ritmo dos três primeiros meses deste ano está tão forte quanto o dos últimos três do ano passado. Com isso, o carregamento estatístico daqui para frente já estaria em 4,8%. Ou seja, se a economia ficasse estagnada a partir de abril — algo que não vai acontecer —, isso já garantiria um crescimento de 4,8% em 2010, na comparação com 2009.

A consultoria Tendências subiu a previsão de 5,2% para 6%. Outros bancos e consultorias têm feito isso nos últimos tempos.

O Itaú Unibanco subiu para 6% e o Bradesco, para 6,4%. Isso eleva o risco inflacionário: numa economia com a inflação subindo, a economia se acelera, o governo dá sinais desencontrados na área fiscal e a eleição criará naturalmente um ambiente de incerteza sobre a manutenção da política monetária. Isso tornou a alta dos juros de ontem inevitável. Triste foi a coincidência de subir a taxa, quando os Estados Unidos mantiveram os juros em zero.

— O Brasil está crescendo a um ritmo quase chinês, então é normal que a gente comece a subir os juros antes dos países que estão enfrentando problemas — diz o economista Elson Teles, da Máxima Asset.

A última queda da taxa de juros foi motivada pela recessão que chegou ao país abruptamente ao final de 2008. Atingido de frente pela crise bancária internacional, o país teve dois trimestres consecutivos de retração no PIB.

Com menos crescimento, houve também menos inflação.

O Banco Central reduziu a taxa para incentivar a retomada.

Os bancos e consultorias pesquisados pelo boletim Focus do Banco Central apostam em média em um aumento de três pontos percentuais nos juros ao longo desta temporada. A alta de ontem foi só o começo, nas próximas reuniões deve continuar subindo.

A aposta é que os juros ficarão em 11,75%. Isso num ano eleitoral é uma dose suficiente para muita polêmica.

A dúvida é: até quando os juros vão continuar subindo levando-se em conta as eleições? O Morgan Stanley acha que o BC vai dar uma pausa só em outubro. Eu acho que ele vai parar bem antes para não provocar ruídos no momento mais quente do debate político. O professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, acha que não foi resolvido ainda um problema: os sinais contraditórios da comunicação do Banco Central.

Mais um conflito entre o que o BC diz e o que faz, e o professor acha que ele vai virar biruta de aeroporto.

Mesmo se acontecer esse cenário previsto pelo mercado, de alta até 11,75%, ainda teremos juros menores do que no período anterior à crise, quando a taxa chegou a 13,75%, no dia 10 de setembro de 2008, apenas cinco dias antes da quebra do Lehman Brothers.

Naquele mês, a inflação acumulada em 12 meses era de 6,25% e a expectativa para a inflação nos próximos 12 meses era de 5,19%.

Hoje, o cenário é melhor: o IPCA acumulado em 12 meses fechou o mês de março com 5,17%, e a expectativa para os próximos 12 meses é de 4,73%.

Esse será o último ciclo de aperto da política monetária do governo Lula.

No início do governo, em 2003, o Banco Central subiu juros para 26,50% para combater a crise detonada pelo medo de mudança na política econômica. Depois disso, voltou a subir juros de setembro de 2004 a maio de 2005. Foram oito aumentos seguidos da Selic, que levaram a taxa de 16,25% para 19,75%. Logo após, houve dois anos inteiros de baixa, entre setembro de 2005 e setembro de 2007, que fizeram a Selic cair para 11,25%. Nada menos que 18 cortes consecutivos.

Depois de oito meses com a taxa nesse patamar de 11,25%, entre setembro de 2007 e abril de 2008, houve nova guinada para o alto. De julho a setembro de 2008, já em plena crise, a Selic saltou de 11,25% para 13,75%.

A conclusão desse histórico é que mesmo em períodos de calmaria, sem crise externa e com inflação contida no Brasil, os juros são espantosamente altos.

Os mais baixos da nossa história são altos demais para qualquer país. Essa agenda é parte do longo processo de estabilização brasileira que precisa ser tocada pelo próximo governo. Não adianta voluntarismo. Há um dever de casa para fazer antes: reduzir gastos, carga tributária, fazer reformas para criar uma folga fiscal e derrubar os juros sem risco inflacionário.

O Brasil será normal quando os juros estiverem em patamares parecidos com o resto do mundo.

Enquanto isso não acontecer, o país vai carregar essa última cicatriz do tempo da inflação alta.

ENCALHADA

ANCELMO GÓIS

Removendo a sujeira 
Ancelmo Góis 

O Globo - 29/04/2010

Amanhã, às 10h30m, o pintor de paredes Paulo Souza dos Santos, 28 anos, que pichou o Cristo Redentor, vai ajudar a remover as pichações do Túnel do Pasmado, no Rio.

Será no lançamento da campanha que Eduardo Paes iniciará contra os que emporcalham os prédios da cidade. Eu apoio.
Vou apertar...

O juiz Luiz Gustavo Grandinetti concedeu habeas-corpus em nome de Renato Cinco, autorizando a Marcha da Maconha 2010. A ordem é extensiva a todos que estiverem no evento, domingo, às 14h, no Jardim de Alah, no Rio.

Pela decisão, ninguém pode apertar, nem fumar baseado de lá até o Arpoador. Ah, bom!
Crime e castigo A 7ª Câmara Cível do Rio condenou o jogador Luciano Siqueira de Oliveira, revelado no Palmeiras, a pagar R$ 100 mil a Eriberto da Conceição Silva.

Acredite. Por seis anos Luciano viveu na Itália com o nome e documentos de Eriberto, que tinha sido seu vizinho.
Deputado Fasano Vitor Fasano, que foi secretário de Proteção dos Animais do Rio, é filiado ao DEM.

O partido quer que o ator seja candidato a deputado este ano.


As máscaras na Copa Em clima de Copa, Cláudia Leitte embarca semana que vem para gravar seu primeiro clipe em 3D na África do Sul.

Fará dueto, com a estrela sul africana Lira, do seu sucesso “As máscaras”, em versões em português e inglês.
Melão estragado Renata Frisson, a Mulher Melão, que pretende disputar a eleição, começou mal a campanha.

Ontem, fiscais do TRE apreenderam na favela Águia de Ouro, em Inhaúma, no Rio, 19 faixas com propagandas dela, que nesta época são ilegais.
Feijão, arroz... ação As obras estão adiantadas.

Após a Copa, será inaugurado um cinema popular no Carrefour, em Sulacap, Zona Oeste do Rio.

Também no segundo semestre a filial do supermercado francês no bairro do Limão, em São Paulo, terá seu cinema.
Cine Carrefour O projeto de espalhar cinemas pela rede Carrefour é tocado pela Inovação Cinemas, que tem como sócio Adhemar Oliveira, o criativo diretor dos circuitos Espaço e Arteplex.
Ficaram de fora Até amanhã algumas grandes empreiteiras deverão formalizar a intenção de aderir ao grupo que venceu a disputa para construir a usina de Belo Monte.

O leilão dia 19 mostrou, como se sabe, fato inédito: as grandes do concreto ficaram de fora de uma obra orçada em R$ 19 bi.
Problema sem fim Os urubus que assustam pilotos nos pousos e decolagens no Galeão parecem ter se multiplicado nos últimos tempos.

O Sindicato Nacional dos Aeroviários e a Associação de Moradores de Tubiacanga, bairro pegado ao aeroporto, decidiram se unir para pressionar as autoridades (Infraero, prefeitura e estado) a resolverem o problema.
Pancadaria Nos últimos três fins de semana, teve briga na boate Baronneti, em Ipanema. Sábado passado, a pancadaria foi promovida por um grupo liderado pelo filho de um bicheiro.
Ninguém deu queixa.

Festa no Tribunal O TCM enviou projeto de lei número 602/10 para a Câmara Municipal do Rio, criando 50 novos cargos nas categorias de técnico de controle externo, engenheiro e analista de informação.

A casa quer aumentar também o salário de quem tem nível superior e ocupa cargo efetivo.

Se aprovado, passará de R$ 4.658,35 para R$ 8.605,15.
Homenagem Eduardo Eugenio, presidente da Firjan, recebe em Paris, dia 6, no Hotel George V, o título de personalidade do Ano da Câmara do Comércio do Brasil na França.
Alice pirata Os camelôs da rua Uruguaiana, no Centro do Rio, estão vendendo a R$ 20 o DVD do filme “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton.

Acredite. O piratão é anunciado em 3D e vem com óculos.

DORA KRAMER

Ficha limpa na pressão 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 29/04/2010

O Congresso Nacional, primeiro a Câmara e, se for o caso, mais adiante o Senado, tem uma chance esplêndida, senão de se reconciliar de todo com a opinião pública, ao menos de amenizar o desgaste de imagem que vem construindo ao longo de uma trajetória de gradativa desqualificação e distanciamento da sociedade.


O Poder Legislativo está, como diz a expressão cara ao senso comum, com a faca e o queijo nas mãos.

Cabe aos parlamentares decidirem se cortam, se lancetam essa ferida aprovando na próxima terça-feira o regime de urgência para o projeto de lei complementar que veta a participação em eleições de candidatos condenados por crimes dolosos graves, ou se deixam tudo como está.

Sem receio de cometer uma enorme injustiça, é de se afirmar com tranquilidade que se dependesse exclusivamente da vontade do colegiado venceria a hipótese, a velha força da inércia.

Inclusive porque é a que vem prevalecendo há muito tempo, considerando que não é de hoje que tramitam propostas no Legislativo para alterar a lei no que tange à presunção da inocência para fins de inelegibilidade.

Essa mesmo de que se trata agora estava celeremente caminhando em direção ao buraco negro do esquecimento. Foi posta convenientemente em pauta no início de abril, sem acordo de líderes, voltou para a Comissão de Constituição e Justiça. Apesar de os partidos de oposição terem apresentado pedido de urgência para votação em plenário, continuou girando no mesmo ponto porque isso só poderia ir em frente com o apoio da maioria dos partidos.

Até então PT e PMDB se recusavam a assinar a urgência. Ontem de manhã parecia que o "deixa que eu chuto" paralisante continuaria quando um grupo de deputados apresentou pedido de vista ao relatório. Manobra protelatória clara.

Quando, no início da tarde, PT e PMDB mudaram de tática e assinaram a urgência. Com isso, o pedido de urgência será votado terça-feira próxima em plenário ? voto aberto ? e, espera-se, o projeto propriamente dito, no dia seguinte.

E o que operou semelhante mudança?

As eleições. Não as de deputados, que não guardam uma relação direta entre o voto dado e o eleito. Mas a de governadores e principalmente de presidente.

Como a oposição vota a favor do projeto ficha limpa, o PT e o PMDB avaliaram que se continuassem contra poderiam acabar prejudicando a campanha de Dilma Rousseff, pois em algum momento os eleitores passariam a cobrar dela uma posição.

A alteração tática não significa necessariamente garantia de aprovação: há água aos potes para rolar.

Dote. A vantagem do tempo que terá a candidata do PT em relação ao adversário do PSDB na propaganda eleitoral no rádio e da televisão explica o esforço para fazer aliança formal com o PMDB.

No melhor cenário simulado para Dilma Rousseff, a petista terá 11m37s e José Serra 5m36s; na pior hipótese para ela e melhor para ele, de cada bloco de 25 minutos exibidos três vezes por semana duas vezes ao dia, Dilma ficaria com 9m32s e Serra com 7m41s.

Os tucanos certamente argumentarão que nas duas eleições anteriores em que foram derrotados eram eles a contar a vantagem do tempo maior. Portanto, esse não seria um fator determinante. Agora, pergunte-se se não gostariam de continuar contando com essa primazia. Claro que sim.

E o que pesou para desequilibrar o tempo a favor do PT? O PMDB. Não só por isso, mas também por isso o fato de nem Lula conseguir impor suas vontades ao parceiro.

Falanges. Em matéria de descalabros produzidos na internet a tropa oposicionista é apenas mais discreta que a governista, dado que o way of life petista nesse tipo de batalha antecede ao advento da web.

Mas, do jeito que a coisa anda, logo ou haverá alguma interferência dos comandos a fim de se instaurar a civilidade ou se locupletarão todos numa guerra de extermínio moral.

GOSTOSA

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Uma tradição
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO 29/04/10


Quando Catarina, czarina de todas as Rússias, convidou o enciclopedista francês Denis Diderot para ser uma espécie de filósofo em residência no palácio Hermitage, em São Petersburgo, estava seguindo uma tradição que começara anos antes com o convite da rainha Cristina da Suécia a René Descartes para ir dar uma sacudida intelectual no seu reino. Anos mais tarde, Frederico, o Grande, da Prússia, também quis ter seu francês e mandou buscar Voltaire para ser seu interlocutor e consultor literário e legitimizar sua pretensão a rei-filósofo, um legítimo produto do Iluminismo.
Descartes, com sua ideia doida de que o homem inventara Deus com a razão que Deus lhe dera, foi hostilizado pelos pensadores locais como já tinha sido combatido pela Igreja na França. Escreveu de Estocolmo para um amigo: “Me parece que aqui as ideias congelam, exatamente como a água”. Foi o frio da Suécia que o matou, embora se desconfie que os médicos da corte, inspirados pelo ciúme que ele provocava, tenham ajudado um resfriado a se tornar mortal.
Denis Diderot ficou dois anos em São Petersburgo. Seu relacionamento com a czarina e sua corte foi no mínimo pacífico e a separação amigável. A visita de Voltaire ao palácio de verão de Sans Souci, perto de Berlim, se estendeu para três anos e foi feliz enquanto durou – ou até Voltaire ser preso a mando do rei quando tentava voltar para casa, acusado de quebra de contrato e corrupção e de ter roubado alguns dos seus poemas eróticos, provavelmente a acusação que mais doeu. Mas é curioso como os três (entre outros, como Rousseau, Condorcet, D’Alembert, que também levaram conselhos franceses a poderosos de outras terras) foram adotados por monarquias absolutas justamente por serem notórios hereges, cuja crítica à ortodoxia religiosa implicava, por tabela, numa crítica a todo poder absolutista, e cujas ideias mais tarde dariam origem às revoluções republicanas. (É de Diderot a frase “A humanidade só será livre no dia em que o último déspota for enforcado com as tripas do último padre”).
Talvez os monarcas intuíssem que mostras de inquietação intelectual e credenciais progressistas os salvariam da onda racionalista que se aproximava, ou talvez apenas quisessem intelectuais iconoclastas aos seus pés, como animais domados. Mas qual era a razão dos intelectuais para aceitarem os convites? Na época não se recusava um bom patrono, ainda mais um patrono como verbas reais, mas mesmo assim... Já era, então, a questão, que atravessaria a História, da relação dos intelectuais com o poder e do poder com os intelectuais. Onde termina o fascinação e a vaidade e começa a cumplicidade, onde termina a admiração e começa a cooptação. 

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não está prevista sucessão a curto prazo na Venezuela”
O VENEZUELANO HUGO CHÁVEZ, QUE, APESAR DISSO, NÃO É CHAMADO DE DITADOR NO BRASIL

ACORDO PT-PMDB TIRA MENSALEIROS NO PALANQUE 
O acordo que PT e PMDB costuram em Brasília prevê a exclusão dos deputados distritais enrolados nos recentes escândalos do mensalão do DEM. Pelo acordo, a ser cumprido especialmente pelo PMDB, será negada legenda a políticos como a deputada Eurides Brito, líder do partido na Câmara Legislativa, que aparece em vídeo metendo maços de dinheiro na bolsa. O acerto objetiva neutralizar resistências no PT.

LULA NO VAREJO
O acordo PT-PMDB é coordenado pelo próprio Lula. Ele tem dito a petistas históricos locais que a vitória no DF “é questão de honra”.

CHAPA FORTE
Como esta coluna antecipou, o candidato a governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), terá como vice o deputado Tadeu Filippelli (PMDB).

“PLOMESSA” 
Dilma afirmou a caminhoneiros que “o Brasil não pode voltar à época da roda presa”. Da língua presa, não avisou quando escaparemos. 

BEM PASSADOS
Servidores têm aumento retroativo, mas são os aposentados que “vão arrombar o cofre” com reajuste de 7,7%, diz o governo Lula.

UNB: GOVERNO QUER DE VOLTA PAGAMENTO ILEGAL
Professores e funcionários emendaram férias com greve, impedindo o início do ano letivo na Universidade de Brasília, a pretexto de exigir o pagamento, considerado ilegal, do que chamam de “gratificação” – uma espécie de abono pontual, ordenado pela Justiça em 2006, que depois a UnB estendeu de forma indiscriminada. O governo apelou à Justiça para suspender o pagamento ilegal e obter a devolução do dinheiro.

CULPA DO REITOR
O Ministério do Planejamento verificou pagamento indevido ao pessoal na UnB durante uma auditoria à folha de pagamento, a pedido do reitor.

GARANTIA DE MINISTRO
Pode ser difícil obrigar o pessoal da UnB a devolver o que recebeu indevidamente, porém de boa-fé. Mas o pagamento não será retomado.

INDIGNAÇÃO PERSISTE
Faixa exposta no Eixão Sul, a maior avenida de Brasília, que corta a capital de Norte a Sul: “Brasília 50 anos: Prisão para os Corruptos”.

NO PT MANDA ELE
A ojeriza de Lula pelo deputado Geraldo Magela (DF) o levou a fechar-lhe as portas para disputar o Senado pelo PT. Preferiu concordar com a aliança que tentará reeleger o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), por quem jamais morreu de amores.

ARRUDA REAPARECE
José Roberto Arruda reapareceu em Brasília, às 18 horas de terça, na clínica do dr. Chico Agulha – de acupuntura, obviamente. Ele próprio dirigia sua camionete Hylux. Embora abatido, já usa a barba no cárcere.

SENADORA GLEISI 
Lula bateu o martelo no Paraná: Gleisi Hoffmann (PT) não abrirá mão da candidatura ao Senado nem que a vaca tussa. Assim, se cumprir a ameaça, o senador Osmar Dias (PDT) desistirá de disputar o governo.

NOMENCLATURA
Defensor da CPI do Dnit, o senador Mario Couto (PSDB-PA) é processado por ter chamado o diretor do órgão, Luiz Antonio Pagot, de “corrupto”. Couto avisou então que vai substituir “corrupto” por “ladrão”.

METENDO O BEDELHO
Ao deixar o Hotel Meliá para encontrar Lula, ontem, o seboso tiranete Hugo Chávez declarou que “sua” candidata era Dilma. Só lembrou que não estava em seu quintal quando o indagaram sobre o tucano José Serra: “Não vou opinar sobre assuntos internos do Brasil”. Ah, bom.

VALEI-NOS, SÃO DANIEL!
O doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que denunciou ao Ministério Público o que chama de “uma das maiores fraudes financeiras de todos os tempos” na Bancoop, topou uma acareação na CPI com João Vaccari, ex-presidente da cooperativa e atual tesoureiro nacional do PT. 

POLUIÇÃO AMBIENTAL
Ontem foi “O Dia da Caatinga”. Talvez só uma coincidência com os “vapores” que o paulista de Pindamonhangaba Ciro Gomes emitiu na imprensa contra meio mundo. 

NADA CONSTA 
O Grupo Alusa, de energia, construção civil e gás, nega problemas em contratos com a Petrobras. A estatal não comentou a notícia da coluna “por questões contratuais”. 

PERGUNTA NO CARTÓRIO
Afinal, a presidenciável petista é Dilma, Wanda, Estela, Luísa ou Norma Bengell? 

PODER SEM PUDOR
RESPEITO AO NÉCTAR
Pai do deputado Ricardo Rique (PL-PB), Newton Rique presidia o BNDES e visitou um velho amigo, chefe político do interior. Foi recebido com festa. O anfitrião, homem simples, resgatou um champanhe guardado há anos para aquela ocasião. Mas perguntou, cuidadoso:
– O senhor prefere champanhe misturado com Fanta ou com Coca-Cola?
A elegância de Rique não deixou o amigo perceber a própria ignorância:
– Cabra macho bebe isso puro, sem misturar!

SERRA PRESIDENTE

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: PM ocupa sete favelas da Tijuca sem nenhum tiro

- Folha: BC aumenta juros após 19 meses

- Estadão: Planilha do caixa dois de Arruda cita 'Sarney'

- JB: A crise europeia: A vez da Espanha

- Correio: Viagra genérico está liberado a partir de junho

- Valor: Fundos populares já são superados pela poupança

- Jornal do Commercio: Timbu decide com o Leão

quarta-feira, abril 28, 2010

SERRA PRESIDENTE

JOSÉ SIMÃO

Fla e Timão! O clássico da balada
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/04/10

Sabe por que o ministro se chama Temporão? Porque só aparece de tempos em tempos!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
"Ministro da Saúde recomenda sexo contra hipertensão." Aí não é mais hipertensão, é HIPERTESÃO! E o ministro arruma mulher? Rarará! Não adianta só recomendar. De repente o cara é hipertenso, mas não arruma mulher!
E o Blogdobonitão revela o alerta do ministro: "Mas com a mulher dos outros o SUS não cobre!". Então não tem graça. Prefiro continuar hipertenso. E sabe por que o ministro da Saúde se chama Temporão? Porque só aparece de tempos em tempos! E hipertenso é o cara que paga imposto. IPI, IPVA, IPTU e IPERTENSO! Rarará! E a Padrefolia!? Papa aceita renúncia do bispo irlandês. E sabe o que o bispo irlandês pedófilo falou para o papa? "DÁ PRA DEVOLVER O MEU DVD?" Rarará!
E mais uma da minha morenanta predileta, Lucianta Gimenez: "Tem gente que é que nem Maomé, tem que ver pra crer". Maomé, são Tomé, tudo termina em "é" mesmo. BÉÉÉ! E Flamengo X Corinthians? Ronaldo, Roberto Carlos, Vagner Love, Adriano. Se sair gol, não vai ter dancinha, vai ter BALADA! O clássico da balada! Ronaldo e Adriano vão lutar sumô. O clássico do sumô! E o Kaká é tão fino que tem lesão no púbis.
O Romário tem lesão na virilha, o Ronaldinho tem lesão no saco, o outro tem lesão na panturrilha. Mas o Kaká, como é fino, tem lesão no púbis! E um amigo meu foi assistir a Santos e Santo André numa birosca em Vila Margarida, em Santos. E olha a pichação na parede do banheiro da birosca. "Proibido cagar e cheirar.
Sujeito a MURRO E PONTAPÉ." O brasileiro é cordial. Assim como o Ciro. Ops, o TIRO GOMES! Rarará! E a Susan Boyle vai cantar para o papa! Se eu encontrasse com a Susan Boyle, eu diria: "Sou da paz! Leve-me ao seu líder".
Ela não é uma mulher, é uma IPP. Indivídua Portadora de Perereca! Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse o outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece. Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanes. É que em Manaus tem um campo de futebol chamado Arranca Dedo! Ueba! Inclui na Copa 2014! Mais direto, impossível. Viva o Brasil! Viva o antitucanês!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro meu óbvio lulante. "Corneta": associação dos cornos que vão pra Copa. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA

ELIO GASPARI

Lula e o risco do pitoresco ao ridículo 
Elio Gaspari 

O Globo - 28/04/2010

O Nosso Guia precisa pisar no freio de seu desembaraço internacional. Quem viu algumas das expressões de perplexidade no plenário da reunião com chefes de Estado caribenhos, em Brasília, quando anunciou que "depois da Presidência, vou continuar fazendo política" teve uma ideia do efeito que a ligeireza verbal do Grande Mestre provoca em reuniões internacionais. Noves fora a platitude, o que desconcertou parte da audiência foi a utilização de uma reunião desse tipo para um improviso de palanque municipal.

Na política internacional sempre há lugar para personagens improváveis. Alguns, como o Mahatma Gandhi (um "faquir seminu", segundo Winston Churchill) ou Nelson Mandela, um prisioneiro sem rosto nem voz durante 27 anos, tornam-se figuras da história. Outros, como o jovem capitão Muammar Gaddafi, que destronou o rei senil da Líbia em 1969 e, quase septuagenário, ficou parecido com Cauby Peixoto, nas palavras de Lula.

A distância do improvável ao pitoresco é pequena e quase sempre benigna. Do pitoresco ao ridículo é imperceptível, porém maligna. O operário pobre que chega à Presidência de um país de 190 milhões de habitantes é uma história de sucesso em qualquer lugar do mundo. Não se pode dizer o mesmo do monoglota que tem o seu nome oferecido para a Secretaria-Geral da ONU, ou do latino-americano que sai pelo Oriente Médio oferecendo uma mediação desconexa, "risivelmente ingênua", na opinião pouco protocolar atribuída à secretária de Estado Hillary Clinton.

No auge da crise financeira de 2008, Lula sugeriu que partisse da ONU "a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças", com uma reunião dos presidentes dos Bancos Centrais e ministros da Fazenda dos 192 países-membros da organização. Do presidente do Federal Reserve Bank americano ao ministro das Finanças do reino de Tonga, Otenifi Matoto.

Pode-se entender que o Brasil tenha negócios com a Venezuela e que Nosso Guia e seu comissariado tenham afeto nostálgico por Fidel Castro. Daí a abrir uma embaixada no campo de concentração do "Querido Líder" norte-coreano ou a receber em Brasília o cleptocrata uzbeque Islam Karimov, cuja polícia ferveu dissidentes, vai grande distância.

Toda política externa tem algo de teatral, mas o embaixador Marcos Azambuja ensina, há décadas, que "os diplomatas são produtores de blá-blá-blá, mas não são consumidores". A maior negociação diplomática ocorrida nos quase oito anos de diplomacia-companheira foi a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio. O chanceler Celso Amorim trabalhou pelo seu êxito, deu um drible de última hora na Índia e na China, caiu numa armadilha da delegação americana e amargou um fracasso.

Quando uma diplomacia acredita no próprio teatro, deixa de ser associada a uma política externa e é vista como uma companhia de espetáculos. Sobretudo quando essa diplomacia gira em torno de um personagem-ator. Ainda falta algum chão para que Nosso Guia ganhe um retrato na galeria dos governantes pitorescos, como Silvio Berlusconi ou Boris Yeltsin de seus últimos anos, mas o caminho em que entrou pode levá-lo até lá.

Serviço: nas próximas quatro quartas-feiras o signatário usufruirá o abuso adquirido (expressão tucana) das férias.

CELSO MING

O rombo pesa 
Celso Ming 

O Estado de S.Paulo - 28/04/2010

Faz seis meses que a encrenca grega atormenta os mercados e as autoridades do mundo inteiro. Cúpula após cúpula, comissão após comissão, os dirigentes europeus produzem notas oficiais em que manifestam intenções, mas não conseguem acabar com o problema.


Ontem, foi um desses dias de turbulência e de impaciência cujo deflagrador foi o rebaixamento da qualidade das dívidas de Portugal e Grécia. As bolsas europeias despencaram, o euro perdeu 1,5% do seu valor em dólares (veja o Confira) e, a despeito dos pronunciamentos em contrário, mais e mais gente passou a temer pelo calote grego.

A solução não se viabilizou até agora aparentemente pela ferrenha oposição da opinião pública da Alemanha. Mais de 70% da sua população é vigorosamente contra qualquer ajuda "a essa gente folgada da Grécia".

Por isso, a chanceler Angela Merkel dispara uma declaração dura atrás da outra com o objetivo de aplacar os demônios germânicos. Tudo se passa como se a atual manifestação da crise devesse se aprofundar a ponto de derrubar a cotação do euro a níveis assustadores para que se possam criar condições políticas para um socorro eficaz à Grécia e a Portugal.

Tudo parece bem mais complicado do que parecia lá por outubro e novembro de 2009, quando esta crise começou a ser percebida. O rombo da Grécia é bem maior do que fora admitido. Em meados do ano passado, seu governo reconhecia um déficit público de cerca de 6,0%. Depois, foi obrigado a revê-lo para 12,7%. E, na semana passada, a Eurostat, organismo encarregado das estatísticas europeias, puxou os números negativos ainda mais para acima, para 13,6%. Essas seguidas revisões levantam a suspeita de que mais esqueletos podem aparecer.

Em segundo lugar, a letra G não está sozinha. No turbilhão estão as demais que formam o acrônimo original Pigs (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) e sabe-se lá se o contágio não vai arrastar outras mais para a crise.

Esse não é caso de fobia pura e simples. A deterioração das finanças dos países de alta renda, entre os quais estão pelo menos mais três europeus (Reino Unido, Itália e Hungria), pode se transformar na mais nova subprime das finanças globais.

Não é verdade que esses rombos tenham aparecido apenas com a crise dos Estados Unidos. Ela não cresceu apenas porque exigiu novos gastos com socorro aos bancos, com seguro-desemprego e políticas anticíclicas, numa paisagem geral de recessão e de queda de arrecadação.

A atual escalada das despesas públicas começou lá atrás. Nos Estados Unidos tem como causa a cobertura das despesas de guerra do período Bush-2 e a baixa disposição a poupar por parte do consumidor americano. E na Europa está relacionada ao forte crescimento das despesas com seguridade social (welfare state).

O Brasil não pode se fiar no efeito marolinha do ano passado. Se o agravamento da crise financeira global se confirmar, os mercados para o produto brasileiro se estreitarão. E o afluxo de capitais também se reduzirá num momento em que o investimento é cada vez mais vital para garantir a expansão futura. O crescimento do PIB nacional deste ano, da ordem de 5,5% a 6,0%, pode ser considerado garantido. O problema será 2011 em diante.
Confira
Moeda ameaçada 
Ontem o euro atingiu sua menor cotação em 12 meses. Você tem acima a trajetória do euro diante do dólar.
Mico grego 
O novo rebaixamento da dívida da Grécia deixa o Banco Central Europeu (BCE) em uma sinuca de bico. Se nas suas operações com os bancos continuar aceitando como garantia (colateral) os títulos gregos, como se fossem tão bons quanto os alemães, o BCE perderá credibilidade e essa perda de credibilidade será repassada para o valor do euro. Mas, se não aceitar, afundará de vez a Grécia, depois Portugal, Espanha...

O ABILOLADO E A MENTIROSA

STEVE BALLMER

Oportunidades da computação em nuvem
STEVE BALLMER
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/04/10

A nuvem permitirá maior acesso a serviços de saúde e serviços públicos em geral e ampliará para todos as oportunidades educacionais

ESTOU entusiasmado em voltar ao Brasil nesta semana para ver de perto o progresso econômico e social que transformou o país. Desde que a Microsoft abriu aqui o seu primeiro escritório, há 21 anos, o Brasil se transformou em modelo global de desenvolvimento econômico e em centro de eventos internacionais, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
É fácil entender a atratividade do país. Uma democracia forte e estável combinada com um setor industrial avançado, abundância de recursos naturais e um sistema educacional que tem feito enormes progressos nos últimos 20 anos contribuíram para colocar o Brasil no caminho de se tornar uma das principais economias do mundo nos próximos anos.
Essa transformação não poderia ocorrer em melhor hora. Com o Brasil focado na construção de um futuro melhor, uma nova onda de inovações tecnológicas está criando oportunidades para as pessoas ficarem mais conectadas, produtivas e criativas, estejam em comunidades rurais ou em bairros urbanos.
No centro da mudança está o surgimento da computação em nuvem. Ao combinar o poder de aparelhos digitais inteligentes com a capacidade de armazenamento e processamento de enormes "datacenters", a computação em nuvem está redefinindo a maneira como usamos a tecnologia. Na Microsoft, olhamos a computação em nuvem como uma oferta de novos recursos e experiências que terão impacto positivo na vida das pessoas em casa, na escola e no trabalho.
Uma plataforma que ajudará empresas de todos os tamanhos a transformar ideias brilhantes em excitantes novos negócios, capazes de atingir clientes ao redor do mundo.
Acreditamos que a nuvem dá a um empresário jovem e inteligente em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Recife, com uma ideia de negócio inovadora, a capacidade de competir quase de igual para igual com as maiores empresas globais.
Igualmente importante, a nuvem permitirá maior acesso a serviços de saúde e serviços públicos em geral e ampliará as oportunidades educacionais em todos os níveis da sociedade.
Embora a compreensão do potencial da computação em nuvem esteja só no começo, ela já revoluciona a forma como interagimos. O Messenger da Microsoft, usado por 46 milhões de pessoas no Brasil, é um exemplo de software muito bem-sucedido baseado em nuvem.
Aqui no Brasil, mais de 11 milhões de PCs foram vendidos em 2009. Os PCs hoje têm incrível variedade de tamanhos e configurações, mas com características comuns: são mais inteligentes, poderosos e acessíveis. E oferecem mais recursos do que nunca.
O mesmo ocorre com milhares de aparelhos, de celulares a consoles de jogos, tocadores de música portáteis, sistemas de GPS para carro, leitores eletrônicos de livros e muito mais.
Assim como a nuvem transforma a maneira como usamos essa rica variedade de dispositivos para trabalhar, jogar e se comunicar, também revolucionará a forma como o software é desenvolvido e distribuído.
Um aspecto essencial da computação em nuvem é fornecer base para um software que pode ser acessado instantaneamente de qualquer aparelho e experiências que fluem diretamente de aparelho a aparelho.
Enquanto a computação em nuvem cria novas oportunidades, traz também novas responsabilidades. Mais informações pessoais são armazenadas on-line, e surgem ferramentas mais sofisticadas para analisar o comportamento das pessoas.
Isso significa que as empresas terão de prestar atenção especial às questões de privacidade e segurança.
Na Microsoft, temos a responsabilidade de liderar o movimento para assegurar que essa nova geração de tecnologias seja projetada para dar às pessoas controle sobre suas informações pessoais e seu modo de uso.
Ao longo da nossa história, a Microsoft tem trabalhado em estreita colaboração com consumidores, governos e empresas para compreender os impactos da tecnologia na privacidade. Aqui no Brasil e ao redor do mundo, estamos comprometidos em assegurar a privacidade e a segurança pessoal, com base na transparência e no respeito às leis locais.
Estamos comprometidos com um desenvolvimento aberto dessas novas tecnologias, trabalhando em permanente colaboração com empresas e desenvolvedores de software para garantir que produtos e serviços possam se conectar automaticamente e que as informações possam fluir eficazmente entre sistemas.
Quando se trata de computação em nuvem, estamos todos dentro. Estamos muito animados em trabalhar com nossos parceiros no Brasil para ajudarmos a liberar ideias inovadoras, chave para novas oportunidades e para um crescimento sustentável.
STEVE BALLMER, 54, é presidente mundial da Microsoft.