domingo, abril 11, 2010

ELIO GASPARI

A Febraban teve um apagão moral de 24 horas
FOLHA DE SÃO PAULO - 11/04/10

O Rio estava de joelhos e a banca informou aos cariocas que cobraria a multa-inundação


O PRESIDENTE da Federação Brasileira de Bancos, Fábio Barbosa (Santander), e seus dois vice-presidentes, José Luiz Acar (Bradesco) e Marcos Lisboa (Itaú Unibanco), deveriam marcar um almoço para responder à seguinte pergunta: "Que tal fecharmos nossa quitanda?"
O Rio estava de joelhos (a sede da guilda fica em São Paulo), os mortos já beiravam a centena, os desabrigados eram milhares, e a Febraban emitiu uma nota oficial informando o seguinte:
"Somente em caso de decretação de calamidade pública é que os bancos poderão receber contas atrasadas sem cobrar os juros de mora estabelecidos pelas empresas que emitiram os títulos e boletos de cobrança." (Havia a calamidade, mas faltava o decreto.)
Nenhuma palavra de pesar, muito menos misericórdia. Recomendavam aos clientes que usassem o telefone, a internet ou recorressem aos caixas eletrônicos, sem explicar como chegar a eles. Centenas de agências bancárias estavam fechadas.
Exatas 24 horas depois, a Febraban voltou atrás. Aliviou as multas, os juros e ofereceu os serviços dos bancos para orientar as vítimas que porventura já tivessem sido mordidas.
Recuou com a mesma arrogância da véspera. Nenhuma palavra de pesar. Ao contrário. Em tom professoral, a guilda dos banqueiros ensinou: "Cabe lembrar que a cobrança é um serviço que os bancos, sob contrato, prestam às empresas titulares dos valores a serem pagos". Se é assim, por que recuou?
A Febraban deve ser fechada porque, tendo sido criada para defender os interesses de uma banca que gostava da sombra, tornou-se um ativo tóxico. Numa época em que as grandes casas de crédito gastam fortunas para divulgar seus compromissos com a sociedade, a Febraban arrastou-as para um apagão moral.
Há uma diferença entre banqueiro e usurário. Amadeo Giannini, por exemplo, era banqueiro. Em 1906, logo depois do terremoto e do incêndio de San Francisco (3.000 mortos), ele foi ao cofre de sua pequena casa bancária, tirou cerca de US$ 40 milhões (em dinheiro de hoje) e montou uma bancada no meio da rua. Enquanto os magnatas de colarinho engomado fechavam suas agências, Giannini concedia empréstimos, pedindo apenas a garantia de um aperto de mão. Ele morreu em 1949, rico, famoso e respeitado, dono do Bank of America. Pelas suas memórias, recebeu de volta até o último centavo. Na terça-feira, não havia banqueiro na Febraban.
DINHEIRO, HÁ
O prefeito Eduardo Paes pediu R$ 270 milhões ao governo federal para acabar com o alagamento da praça da Bandeira.
Faria melhor destinando à prevenção de enchentes os R$ 120 milhões que separou para gastar em publicidade. Depois, pediria ao governador Sérgio Cabral que lhe desse R$ 150 milhões do ervanário de R$ 180 milhões que pretende encharcar em propaganda. Secaria a praça e sobrariam R$ 30 milhões.
COTAS
Um novo manifesto defendendo as cotas nas universidades públicas brasileiras. No gênero, é inovador. Em vez de partir de um texto coletivo, subscreve o parecer apresentado pelo historiador Luiz Felipe de Alencastro na audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal, em cuja pauta está a discussão da constitucionalidade da iniciativa. Até agora o manifesto recebeu a adesão de 103 professores de universidades, na sua maioria especialistas em história da escravidão e do período posterior à abolição. Entre eles: João José Reis ("Rebelião Escrava no Brasil"), Manuela Carneiro da Cunha ("Negros, Estrangeiros: Os Escravos Libertos e sua Volta à África"), Lilian Schwarcz ("O Espetáculo das Raças"), Flávio Gomes ("A Hidra e os Pântanos") e Sidney Chalhoub ("Machado de Assis, Historiador").
É um texto longo, com 3.600 palavras. Alencastro, que leciona na Sorbonne, descreve o aparelho da escravidão e a estrutura do contrabando em que se assentou o tráfico a partir de 1818. Na segunda metade do trabalho, contesta a arguição de inconstitucionalidade das cotas, interposta pelo DEM. Vale mais lê-lo na internet do que resumi-lo.
DESFEITO O MISTÉRIO, MAXWELL ESTAVA CERTO
A turma do National Security Archive, instituição dedicada à pesquisa de documentos do governo americano, encontrou o elo perdido para entender a conduta do então secretário de Estado Henry Kissinger diante da Operação Condor, às vésperas do assassinato do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, em setembro de 1976.
Letelier vivia em Washington e foi morto a poucos quilômetros da Casa Branca, quando seu carro explodiu. A bomba foi colocada por um agente do serviço secreto chileno, mas restava um mistério: o crime poderia ter sido impedido?
A CIA descobrira a Operação Condor e informara ao Departamento de Estado que se tratava de um esquadrão da morte montado por ditaduras latino-americanas para exterminar oposicionistas que viviam no exílio.
O secretário-assistente de Estado para a América Latina, Harry Shlaudeman (que mais tarde viria a ser embaixador no Brasil), levou o caso a Kissinger e, no dia 18 de agosto, ele determinou que os embaixadores americanos no Chile, no Uruguai e na Argentina buscassem um contato "no mais alto nível" para denunciar e condenar a organização. Dois embaixadores refugaram. Shlaudeman queria insistir, mas, inexplicavelmente, no dia 20, uma segunda-feira, ele próprio cancelou as gestões. Na terça, o carro de Letelier explodiu.
Em 2004, o professor Kenneth Maxwell, autor de "A Devassa da Devassa", obra clássica sobre a Inconfidência Mineira, publicou na revista "Foreign Affairs" uma resenha do livro "O Dossiê Pinochet", de Peter Kornbluh, mencionando a intimidade de Kissinger com as ditaduras latino-americanas. Maxwell dirigia o programa latino-americano do Council on Foreign Relations, que publica a revista, e foi contestado por uma carta. Como não lhe foi dado o direito de réplica, demitiu-se do Council, indo para Harvard.
O mistério persistia. Os amigos de Kissinger defendiam-no, argumentando que ele "não teve nada a ver" com o telegrama de Shlaudeman de 20 de agosto. Maxwell sustentou por seis anos que o embaixador jamais revogaria uma ordem de Kissinger a seu bel-prazer. Pedia, sem sucesso, que o ex-secretário de Estado esclarecesse a questão.
O elo perdido foi achado no meio de dezenas de milhares de telegramas oficiais. Datado de 16 de setembro e expedido pela embaixada em Zâmbia, onde estava Kissinger, foi curto: "A respeito desse assunto não devemos tomar novas iniciativas".
Foi Kissinger quem cancelou as gestões. Agora a dúvida será outra, eterna: se Pinochet tivesse recebido o recado americano, a bomba teria explodido?

PEDRO S. MALAN

Confiança e credibilidade
O Estado de S.Paulo - 11/04/10

O saber simular (parecer aquilo que não é) e o saber dissimular (não parecer aquilo que é) há séculos são considerados expressões de sabedoria política. São três as grandes vantagens da simulação e da dissimulação - escreveu Bacon há 400 anos. "Primeiramente, fingir uma oposição adormecida, e surpreender. Pois se as intenções de um homem são anunciadas, segue-se um toque de alarme para reunir todos os que a elas se opõem. A segunda é resguardar para a própria pessoa um refúgio satisfatório. Pois se um homem se compromete com alguma declaração, ou bem ele avança ou cai. A terceira é descobrir o que se passa na mente do outro."

Há também três desvantagens - nota o mesmo autor. "A primeira, que a simulação e a dissimulação costumam ter um aspecto de receio, que costuma estragar o encaminhamento de qualquer negócio. A segunda, que ambas confundem e desorientam a disposição de muitos, que talvez se dispusessem a cooperar. A terceira desvantagem, e a maior de todas, é que elas privam o homem de um dos principais instrumentos de ação, isto é, confiança e credibilidade."

Na verdade, Bacon sintetizou uma tradição milenar do realismo político, muito anterior a Maquiavel, que sempre considerou que ao governante fosse lícito aquilo que Bodin denominou "a mentira útil, como se faz com as crianças e os doentes". Todavia, como notou Bobbio, "a comparação de súditos (ou eleitores) com crianças e doentes fala por si só: as duas imagens mais frequentes nas quais se reconhece o governante autocrático (ou de instintos e propensões a tal), são aquelas do pai e do médico: os súditos (ou eleitores) não são cidadãos livres, saudáveis e responsáveis. São ou menores de idade que devem ser cuidados e educados, ou doentes que devem ser curados e cuidados." Esse tipo de político - continua Bobbio - pode simular e dissimular, "tanto mais impunemente quanto mais os (eleitores) não têm à sua disposição os meios necessários para controlar a veracidade daquilo que lhes foi dito".

Essas observações abriram um artigo que publiquei neste espaço já lá se vão alguns anos (Descolamentos Preocupantes, 8/7/2007). Volto a elas por duas razões. A primeira, porque, relendo recentemente os Analects de Confúcio, fiquei mais impressionado do que na primeira leitura, décadas atrás, com a recorrência e o papel central, no confucionismo, da importância de uma pessoa ser confiável naquilo que diz, viver de acordo com suas palavras e de ser mais rápida e eficaz nas ações que realiza que no uso do seu palavreado - que não deveria variar conforme a audiência e as circunstâncias do momento.

A segunda razão tem que ver com o fato de que faltam apenas seis meses para uma eleição de crucial importância para nosso futuro. Uma eleição que não será disputada por um ex-presidente e por um quase ex-presidente (ambos respeitáveis e aos quais o País tanto deve), mas por candidatos (também respeitáveis) que se apresentam ao eleitorado como alternativas para governar o País no futuro, mirando os próximos quatro anos. É sobre esses últimos - nomes, biografias, experiências, propostas, pessoas e forças que os apoiam - que deveria estar o foco do eleitor e dos meios de comunicação. Tentando avaliar quem poderia, governando, fazer mais - e melhor - na prática, não na quantidade de promessas de campanha.

Não se trata tanto da tradicional demanda por um "programa de governo". Mas de claras definições, não genéricas, sobre a natureza dos desafios a enfrentar e das prioridades da hora e para o próximo quadriênio - de maneira que possam ser percebidas, pelo leitor, como algo que lhe diga respeito, que para ele faça sentido, que o ajude a avaliar e refletir sobre sua circunstância, sua comunidade, seu país, seu mundo e seu futuro.

Não deveria ser impossível apresentar ao eleitorado uma visão mais ou menos coerente sobre o muito que há por fazer para tentar assegurar o desenvolvimento econômico, social e tecnológico de forma sustentada. O que exige a consolidação de avanços na área macro, uma visão fiscal de médio e de longo prazos, além de muitos avanços adicionais em infraestrutura, bem como nas áreas micro, regulatória, educacional, de reformas e de meio ambiente.

Não é fácil fazê-lo. Nunca foi e nunca será, mas o debate talvez pudesse ajudar a separar discussões e propostas sérias de charlatanismos e demagogias. A distinguir ações efetivas de voluntarismos que se dissolvem no ar. A avaliar a consistência dos IGPPr"s (como citou Elio Gaspari) os "índices gerais de promessas presidenciais" nas suas versões A, de ampliadas, e E, de expurgadas de promessas não cumpridas ou simplesmente esquecidas, porque não eram mesmo destinadas a sobreviver o curto espaço de uma campanha.

Afinal, "ninguém mais hoje acredita que dois mais dois podem ser cinco desde que haja vontade política". Como disse o ilustre ex-ministro Delfim Netto ao se referir ao aparente abandono das ilusões voluntaristas que tanto marcaram o debate econômico e político no Brasil. O próprio ministro acha que seu "ninguém mais" talvez seja um exagero. Mas o fato é que os brasileiros, hoje (talvez em sua maioria), não acreditam mais em mágicas, messianismos, rupturas e bravatas. Graças em larga medida a um quarto de século de democracia e, particularmente, a uma grande imprensa livre e independente que permite o diálogo do País consigo mesmo, o Brasil, quero crer (espero que não ingenuamente), acredita hoje mais em trabalho sério, persistência, coerência, continuidade do que deva ser preservado, mudança pensada do que deva ser mudado, mais ação operacional consequente, resultados efetivos, mais ética na política. E em candidatos que tenham o dom "confuciano" de parecerem, e serem, "confiáveis naquilo que dizem" - e se propõem a fazer.

ECONOMISTA, FOI MINISTRO DA FAZENDA NO GOVERNO FHC

ELIANE CANTANHÊDE

O partido das massas cheirosas

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/04/10

BRASÍLIA - "Estarei a seu lado, governador José Serra, onde quer que eu seja convocado", discursou Aécio, saudado aos gritos de "vice, vice, vice" no lançamento de Serra à Presidência ontem.
PSDB, DEM e PPS deliraram, mas a alegria durou pouco, até Aécio, curiosamente, explicar que disse uma coisa querendo dizer outra. Primeira leitura: se convocado, ele aceitaria ser vice. Explicação posterior do próprio: se convocado, vai desfilar pelo país com Serra. Típica tucanice, que reacende a suspeita de que Aécio vá lavar as mãos mais uma vez para o candidato tucano.
Afora isso, a festa de Serra foi surpreendente. Quem está acostumado a comparar a energia petista e a chocha elegância tucana nesse tipo de encontro ficou impressionado com a inversão. O lançamento de Dilma Rousseff foi um show protocolar; o de Serra foi uma bagunça, com pessoas aos berros por espaço, suadas, espremidas e animadas.
Pode nem ser, mas o PSDB evidentemente se esforçou para parecer um partido de massas. Para não deixar dúvidas, porém, um velho assessor ironizou: "Mas de massas cheirosas..." De fato, até os ônibus que carregaram a militância eram novinhos em folha.
Outro dado: se nos bastidores a cúpula tucana chegou a discutir se FHC deveria ou não discursar, o que equivale a questionar se devem ou não escondê-lo, na convenção ocorreu o contrário: ele foi um dos mais ovacionados.
Serra, contido, fez comparações com Lula e com o PT. Usou verbos no plural para elencar os avanços brasileiros, que não são de hoje, mas dos últimos 25 anos, condenou "bravatas" e defendeu que governos devem "unir nações", "não estimular disputas de pobres contra ricos" nem "jogar governo contra oposição". Devem "servir ao povo, não a partidos e a corporações".
Ao dizer que os êxitos "não são de um só homem [Lula] ou de um só governo", lançou a marca de sua campanha: "O Brasil pode mais".

SERRA PRESIDENTE

PAINEL DA FOLHA

Discurso da inclusão
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 11/04/10

"Não aceito o raciocínio do nós contra eles." "Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão." "Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo." Repetidas vezes no discurso com que se lançou candidato à Presidência, José Serra martelou a tecla da inclusão. Com ela, quer rebater a narrativa desenhada pela campanha de Dilma Rousseff, que aposta numa divisão na qual o lado "ruim" é o PSDB, cuja volta ao poder seria necessário evitar.
Não houve combinado prévio, mas Aécio Neves foi na mesma linha ao criticar os petistas por terem sempre "priorizado o partido", colocando-se contra avanços da história recente do país como a eleição de Tancredo, a Constituição de 1988 e o Plano Real.


Tá vendo? Louca para acreditar na possibilidade de Aécio aceitar ser vice, a plateia se agarrou especialmente na seguinte frase do discurso do ex-governador, que se dirigia a Serra: "Estarei a seu lado onde eu for convocado".
Convincente. Petistas que assistiram ao discurso engajado de Aécio passaram a duvidar um pouco da ideia de que o mineiro vá "lavar as mãos" na campanha presidencial.
Para o brejo. De um petista maldoso, sobre o momento do discurso em que Aécio dá os louros do Plano Real a FHC: "Ih, agora eles perderam o Itamar de vez..."
Aprovado. Já Fernando Henrique gostou. Nessa hora da fala de Aécio, comentou baixinho: "Ele é bom".
Hino nacional. "Olê, olê, olê, olá", grito de guerra histórico das campanhas de Lula, virou suprapartidário na eleição deste ano. Depois de ser adaptado para Dilma, ontem ganhou versão tucana, terminando com "Serra, Serra".
Casual. Foi por recomendação do marqueteiro Luiz Gonzalez que Serra se apresentou ontem de camisa esporte. No palco, apenas o presidente do PPS, Roberto Freire, surgiu de terno e gravata.
Deu pau. A transmissão via internet pelo site do PSDB perdeu feio para a que o PT fez no lançamento de Dilma Rousseff, no final de fevereiro. Caía o tempo todo, além de "mastigar" as imagens -de baixa resolução, aliás.
Longo alcance. Nesta primeira semana pós-anúncio da candidatura, Serra fará uma bateria de entrevistas para emissoras de rádio do interior do país. Haverá um núcleo específico para cuidar de rádio.
Orelha quente 1. Em jantar dias atrás na casa de Nelson Jobim (Defesa) do qual participaram quatro ministros do Supremo e/ou do TSE, rolaram duras críticas ao descaso público de Lula para com as multas que lhe foram aplicadas pela Justiça Eleitoral por fazer campanha antecipada para Dilma Rousseff.
Orelha quente 2. Presente à mesa, o ministro do Supremo José Antonio Toffoli ouviu tudo um tanto embaraçado. Em dado momento, lembrou que não era mais o advogado-geral da União.
Minha casa... Dilma gostou tanto do imóvel alugado pelo marqueteiro João Santana em Brasília que acabou por "desalojá-lo". O endereço passará a servir de escritório à pré-candidata petista.
...minha vida. O site pessoal de Dilma, ativo a partir desta semana, mesclará textos em primeira pessoa, notícias e agenda da campanha. Trará ainda biografia alentada da ex-ministra. Os posts serão abertos a comentários, numa tentativa de criar comunicação direta com ela.
Batalha naval. Inaugurada em 24 de março passado por Dilma e pelo então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), a rampa flutuante do porto de Humaitá (AM), obra de R$ 15 milhões no rio Madeira, cedeu e está afundando.
Avatar. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Giovani Cherini (PDT), viajou à Bahia para ter aulas de "transmutação da consciência", o que lhe permitiria "estar em vários lugares ao mesmo tempo". De acordo com a Casa, o curso de mago e a viagem foram pagos pelo próprio deputado.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio 
Dilma ainda está muito verde. Sonhar com os votos do adversário todo mundo sonha. Mas o que ela falou em Minas não é coisa que se fale. 

Do deputado ACM NETO (DEM-BA), sobre a declaração da candidata do PT sugerindo que o eleitor mineiro vote nela para presidente e no tucano Antonio Anastasia para o governo.
Contraponto 
Mão Santa, o breve Mão Santa (PSC-PI) chegava na quarta ao plenário do Senado quando soube que, em razão da viagem de Lula hoje aos EUA, José Sarney assumiria interinamente a cadeira que ocupou entre 1985 e 1990 -o que acabará não ocorrendo, pois na sexta o vice José Alencar resolveu tomar posse, mesmo sabendo que isso o tornará inelegível em outubro.
Ao cruzar com Sarney, Mão Santa, conhecido pelos longos discursos contra "Luiz Inácio", pediu:
-Por que o sr. não me faz líder do governo por dois dias?

GAUDÊNCIO TORQUATO

PSDB e PT, olhos da mesma cara

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/04/10

Nos ciclos eleitorais, o verbo costuma jorrar solto. Lembrar erros de adversários, principalmente na esfera da ética e da moral, costuma fazer parte de perorações de candidatos. O reino da fantasia acaba se instalando na arena. E, não raro, expressões fortes, denúncias associando atores e histórias escabrosas e até termos chulos, pensados para obter eco, passam a frequentar as falas de palanques. A despedida de José Serra e Dilma Rousseff de seus afazeres administrativos para começarem a pré-campanha presidencial pareceu um aperitivo da aspereza verborrágica que virá. O ex-governador pinçou a questão do caráter e da honra como coluna de seu estilo de governar. Verberou contra "escândalos, malfeitos e roubalheiras". A ex-ministra acusou tucanos de serem "lobos em pele de cordeiros". O fato é que os dois principais competidores tentam fixar fronteiras entre seus territórios e marcar diferenciais. Donde emerge a questão que permeará o pleito: há diferença entre pontos de vista de ambos sobre a maneira de governar o País?
À primeira vista, imagina-se uma distância oceânica entre PT e PSDB. Ledo engano. São mais próximos do que aparentam. A acusação de Rousseff de que o governo "neoliberal", comandado por FHC, mantinha um Estado "omisso" é um chamamento à base partidária que carece de motivação para enfrentar nova batalha. O PT não faz (nem fará) a "revolução socialista", tão apregoada nas cartilhas doutrinárias, não somente porque a promessa encalhou no calendário da história, mas por participar da vida de um país cuja índole abomina modelos importados, principalmente os de viés autoritário. Na década de 80, Darcy Ribeiro, senador e antropólogo, chegou até a pintar o conceito com a tinta verde-amarela, oferecendo a Leonel Brizola um "socialismo moreno" como doutrina do PDT. O achado linguístico foi esquecido. Já a recente insinuação de Fernando Henrique sobre o "autoritarismo burocrático com poder econômico-financeiro" ou, noutros termos, "o DNA do autoritarismo popular, que vai minando o espírito da democracia constitucional", carga jogada sobre o governo Lula, abriga também retórica eleitoreira. O ex-presidente, na verdade, denuncia o excessivo domínio petista sobre os fundos de pensão, enxergando nas castas partidárias que manobram grandes recursos ameaça à saúde do Estado. Sob esse prisma, a crítica tem fundamento.
As gramáticas escritas por tucanos e petistas, porém, quando expurgados exageros, descrevem abordagens semelhantes na forma de conceber o papel do Estado e a administração do governo. As duas siglas, como se poderá constatar, conservam parentesco. Mais ainda: a estrada em que correm seus trens tem o nome de social-democracia. Em 1989 o tucanato delineou seu primeiro traçado com o documento Os desafios do Brasil e o PSDB, em que pôs, lado a lado, densa pauta definindo o papel do Estado na condução de programas econômicos e sociais. O PT, fundado em 1980, repudiou, no primeiro momento, a social-democracia, considerando-a inepta para vencer o "capitalismo imperialista". Passou bom tempo, mesmo após a queda do Muro de Berlim, cultivando a velha utopia, até aceitar, não sem resistências internas, a realidade imposta por novos paradigmas. O mundo deu uma guinada ideológica, integrando escopos do reformismo democrático, do realismo econômico e dos avanços do capitalismo. Sob esse pano de fundo, o PT produziu, em junho de 2002, a Carta ao Povo Brasileiro, peça-chave para a vitória de Lula, pavimentando, assim, sua entrada no território da social-democracia.
O documento foi decisivo no processo de descarte de dogmas que não resistiram aos ventos da modernidade. Vejamos. A revolução marxista permanece viva apenas no campo da literatura. O socialismo utópico evapora-se nos ares da abstração. As ideologias cedem lugar aos ismos da modernidade: pragmatismo, capitalismo (mesmo sob um Estado controlador) e liberalismo social. Os modelos alternativos, de economias assentadas na solidariedade, cedem lugar a programas reformistas, voltados para atender a demandas pontuais e urgentes. As autonomias nacionais passam a se impregnar de ares globalizados. O crescimento desordenado e a qualquer preço é balizado por metas de inflação. Os programas de privatização (combatidos pelo PT no ciclo FHC) integram a pauta dos contextos econômicos. O nacionalismo, bandeira recorrente na América Latina, abre espaço para ingresso de capitais internacionais. Gastos a fundo perdido são, agora, regrados por normas de responsabilidade fiscal. Ações radicais, como programas reformistas no campo, nos termos que exige o MST, são substituídas por ações racionais com foco na agricultura familiar. O respeito aos contratos, princípio fundamental para a credibilidade de um país, ganha força, retirando da parede a corroída moldura da moratória. (Em fevereiro de 1987, no governo Sarney, o Brasil anunciava a suspensão do pagamento de sua dívida interna. Tempos insanos.)
O que significam tais reconfigurações de padrões? Nada mais que a implantação de um modelo de gestão responsável e eficaz, comprometido com crescimento, preservação da estabilidade macroeconômica, atendimento às demandas sociais, enfim, administração equilibrada das relações entre Estado, mercado (capital) e sociedade. Esse é o eixo que a social-democracia vem tentando aprofundar em seu berço, o continente europeu, e que por essas bandas é visto com simpatia tanto pelo PSDB quanto pelo PT. Portanto, a distância oceânica que ambos procuram demonstrar é a mesma entre o olho esquerdo e o olho direito. Um olho pode até querer enxergar o norte e o outro, o sul. Ambos, porém, habitam a mesma cara. Estão próximos. Vez ou outra os olhares se cruzam.

AUGUSTO NUNES

A oposição tem discurso de sobra

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Seis discursos, três dos quais de improviso, e nenhum plural exterminado, nenhum pontapé na gramática, nenhum raciocínio esganado pelo cérebro baldio, nenhum frase perdida no deserto de neurônios - nenhuma agressão à lógica e ao idioma. Tanto bastaria para que se saudasse com fanfarras e fogos de artifício a festa de lançamento da candidatura presidencial de José Serra. Mas o conteúdo superou a forma, e a celebração política ocorrida em Brasília neste sábado excitou o Brasil que pensa com a sensação de que pode estar perto do fim a Era da Mediocridade instituída há mais de sete anos.
O presidente Lula atravessou o verão com Dilma Rousseff no colo e um par de certezas na cabeça: a oposição iria passar a campanha sem discurso e tentando esconder Fernando Henrique Cardoso. Acaba de descobrir que flutuou na estratosfera. Aplaudido de pé pela multidão, FHC foi louvado por todos os oradores, finalmente despertados para a evidência de que o ex-presidente só é impopular entre milicianos petistas e cabeças contaminadas por versões companheiras da história do Brasil. A segunda fantasia foi rasgada ao longo do encontro e ficou em frangalhos com o pronunciamento de José Serra. A oposição tem discurso de sobra.
Quem não tem é Dilma, reafirmou a fala de Serra, radiografada com brilho e precisão por Reinaldo Azevedo no seu blog em VEJA.com. Na convenção do PT, a sucessora que Lula inventou produziu só mais um capítulo do Discurso sobre o Nada. Reverenciou seu Senhor particular mais de 60 vezes e prometeu que, se virar presidente, vai seguir disciplinadamente o caminho que ele ensinou — sejam quais forem o traçado e o destino. Neste sábado, em menos de uma hora, Serra escancarou o abismo que separa um político com história pessoal, biografia política e currículo administrativo de uma principiante de passado fosco, presente bisonho e futuro escurecido pelo perigo.
Desprovida de ideias próprias ou expropriadas, estreante em disputas eleitorais, Dilma anda produzindo platitudes, obviedades ou maluquices em quantidade suficiente para matar de tédio a mais gentil das plateias. Reduzida a apêndice de Lula, terá de enfrentar um adversário com sólida formação política, ampla autonomia de voo, larga milhagem em comícios, testado em muitas disputas eleitorais e capaz de dizer o que pretende com clareza e consistência.
Não é um panorama alentador para quem só precisou de uma viagem a Minas para oferecer a Aécio Neves a provocação que faltava para cimentar a parceria eleitoral com Serra com um discurso que, simultaneamente, implodiu outro equívoco de Lula. Convencido de que Aécio reprisaria a performance ambígua das eleições presidenciais anteriores, o Grande Estrategista decidiu que Dilma visitaria o túmulo de Tancredo Neves em São João del Rey e, no meio de alguma entrevista, proporia ao neto do homenageado a aliança promíscua.
Deu tudo errado, deixou claro Aécio neste sábado. Incisivo, contundente, lendo na memória o texto com requintes mineiríssimos, o melhor orador da festa lembrou os piores momentos da feroz oposição feita pela companheirada a Tancredo Neves, Itamar Franco e Fernando Henrique. Depois de cumprimentar Lula por ter mantido as linhas gerais da política econômica do antecessor, informou que o PT sempre colocou os interesses partidários acima dos interesses do país. Cumpre à oposição fazer o contrário.
Foi um discurso sem volta. Ainda que insista em disputar o Senado, Aécio vai comandar a campanha de Serra em Minas com a energia que faltou em 2002 e 2006. O neto de Tancredo aparentemente compreendeu que, desta vez, o triunfo individual talvez seja insuficiente para preservar o sonho de chegar ao cargo que o avô não pôde assumir.

DORA KRAMER

Desdita oficial

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/04/10

É natural – necessário até – que cause espanto e provoque protestos quando um presidente da República declara que acha um absurdo os políticos ficarem “subordinados a decisões de um juiz a cada eleição”.
Realmente, como disse o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, a atitude do presidente Luiz Inácio da Silva é “assustadora e incompatível com a responsabilidade do cargo”.
Mas, conforme acrescentou o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Fernando César Baptista de Mattos, “não é a primeira vez que comentários dessa natureza são feitos pelo presidente”.
Nem será a última. Isso a despeito de há quatro dias ele mesmo, Luiz Inácio da Silva, ter dito em entrevista a uma rádio, que o Poder Judiciário deve ser respeitado e que, se erros forem cometidos por ele no curso da campanha, merece ser punido por isso.
Naquele mesmo dia havia ordenado ao ministério extremo cuidado com a lei eleitoral e condenando veementemente o uso da máquina pública em campanhas eleitorais.
Portanto, com todo o respeito devido à necessidade de se registrarem os protestos, é tempo perdido. A impressão que se tem é a de que o interlocutor em questão não as escuta. Ou se ouve, não registra.
Como de resto não parece reter no pensamento nem as próprias palavras ditas, as quais não conecta com os raciocínios pretendidos.
Prometeu, quando sair da presidência, “gritar, perturbar” para mudar essa situação. Como opositor do governo Dilma? Como líder do movimento dos sem-juiz?
No caso da declaração do “juiz”, obviamente quis dizer que a Lei Eleitoral não pode mudar a cada ano. Mas, isso se infere, porque no afã produzir o panfleto oral que supostamente mobiliza, simplifica demais e erra.
E aí sai o coordenador da campanha de Dilma Rousseff, Marco Aurélio Garcia, a dar as explicações.
Ponderando que o presidente só quis defender a reforma política. Poderia tê-lo feito ao longo de oito anos, tinha força para tanto.
Atacando o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, por ter dito que não se deve “brincar com a Justiça”. Aconselhou o ministro a falar mais aos “autos e menos aos microfones”.
Ora, se alguém fugiu às balizas republicanas foi o presidente ao debochar aos microfones das multas recebidas quando a Justiça falou nos autos e o condenou por campanha antecipada.
Bom entendedor
O apoio do ex-governador Anthony Garotinho a Dilma Rousseff foi fechado no ano passado diretamente pelo então ministro dos Transportes Alfredo Nascimento.
Ele explicou que apesar da aliança do presidente Lula com o governador Sérgio Cabral, inimigo de Garotinho, o palácio avaliava que Cabral não teria votos suficientes no Estado para eleger Dilma.
E foi franco: disse a Garotinho, candidato do PR ao governo, que o governo federal não poderia lhe dar um só voto. Mas teria meios de lhe tirar muitos se necessário fosse.
Meia palavra dita, tudo entendido, acordo fechado.
Roque
Da desistência do vice-presidente José Alencar de concorrer ao Senado decorre uma certeza e algumas hipóteses em matéria de desdobramentos.
O certo é que o presidente Lula pode viajar e se licenciar do cargo, se for o caso, sem que seja necessário o presidente do Senado, José Sarney, assumir a Presidência.
As hipóteses guardam relação com as eleições em Minas, estado de Alencar. Sem ele no páreo, a vaga ao Senado pode ir para os petistas Patrus Ananias e/ou Fernando Pimentel.
Numa possibilidade remota, para o pemedebista Hélio Costa. Ou, quem sabe, o PT consegue ficar com uma vaga para o Senado, com a candidatura ao governo e, em troca, Hélio Costa fica com a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff.
Este último lance, que tiraria o lugar de Michel Temer, estaria reservado para o caso de Aécio Neves mudar de ideia e vir a compor a chapa puro-sangue com José Serra.
Seria o reforço mineiro governista para neutralizar a jogada oposicionista.

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Mediterranizemo-nos

O GLOBO - 11/04/10

Alex Ross escreve sobre música para a revista The New Yorker. Tem um livro publicado, que eu saiba: O Resto é Barulho. Num dos capítulos do livro ele comenta a enorme influência de Richard Wagner não só na música mas no teatro, na literatura, nas artes plásticas e na política do seu tempo, uma influência que perdurou depois da sua morte em 1883 e invadiu o século vinte. Wagner era o compositor preferido de Hitler e convencionou-se que na mistura de misticismo, espetaculosidade e triunfalismo teutônico das suas óperas está uma das raízes do nazismo – o que não impediu que também influenciasse Theodor Herzl, fundador do sionismo, que, segundo Ross, teria tido a sua visão de um estado judeu depois de assistir Tannhauser.
Outro alemão influente, Friederich Nietzsche, foi um admirador fanático de Wagner (e, como ele, considerado uma das vertentes intelectuais do fascismo) mas mudou de ideia e passou a ser um dos seus maiores críticos. Para Nietzsche, Wagner se convencera que era mais do que um compositor, era um oráculo, “o ventríloquo de Deus”, na sua frase, e era preciso libertar a estética da época daquele pesado domínio. Nietzsche passou a pregar uma reação a Wagner, uma volta da música às suas raízes populares e à simplicidade. “Il faut méditerranizer la musique”, escreveu. Era preciso mediterranizar a música.
A reação já estava acontecendo. Principalmente entre os franceses, velhos ressentidos com a prepotência alemã. Bizet, Faure, Satie, Debussy e outros anti-Wagners “mediterranizaram” a música, cada um a seu modo. Mas fiquei pensando em como a exortação do Nietzsche ainda serve, não necessariamente na música mas em todas as ocasiões em que a vida parece ficar wagneriana demais. Deveríamos mediterranizarmo-nos todos, o que significaria evitar dramas ruidosos, megalomanias épicas e arrebatamentos místicos e nos concentrarmos nos simples prazeres possíveis. Não seria uma receita para a frivolidade, ou para a insensibilidade com a tragédia e a injustiça, mas uma correta avaliação de prioridades. E pode-se ser mediterrâneo em qualquer lugar da Terra.
O problema é que o exemplo maior de vida mediterrânea é a Itália da doce vida, mas que também é a insensata Itália do Berlusconi. Talvez o ideal devesse ser mediterranizarmo-nos, mas não demais.

CLÁUDIO HUMBERTO

“É assustadora e incompatível com a responsabilidade do cargo”
PRESIDENTE NACIONAL DA OAB, OPHIR CAVALCANTE, SOBRE AS CRÍTICAS DE LULA AO JUDICIÁRIO

ECT SABIA DA QUEDA DE QUALIDADE DOS SERVIÇOS
A diretoria dos Correios e Telégrafos sabia da queda na qualidade de serviços como Sedex, Sedex-10 e PAC, apesar dos relatos ufanistas do seu presidente, Carlos Henrique Custódio. Comunicado do diretor de Operações, Marco Antonio Oliveira, de 23 de fevereiro, em poder da coluna, relata um segundo semestre de 2009 “marcado por forte degradação da qualidade operacional do serviço de encomendas”.

ELES SABIAM
Antes do comunicado, a Diretoria de Operações já havia enviado onze avisos à Diretoria Colegiada sobre os péssimos serviços da ECT.

NÃO É SÓ TRANSPORTE
Segundo documento da Diretoria Operacional da ECT, “variáveis além do transporte contribuíram para a redução da qualidade do serviço”.

QUEDA BRUSCA
Os Correios já sabiam que entre julho e dezembro a distribuição interestadual de Sedex e e-Sedex caiu de 92,13% para 69,24%.

LADEIRA ABAIXO
A má qualidade dos serviços refletiu na queda de encomendas na ordem de 6%, segundo dados dos próprios Correios e Telégrafos.

MINISTRO ITALIANO COBRA EXTRADIÇÃO DE TERRORISTA
Imbróglio diplomático para Lula (mais um): na próxima semana, chega ao Brasil o ministro da Justiça da Itália, Angelino Alfano. Ele vem para um congresso sobre cooperação internacional em Salvador, mas marcou reunião em Brasília para tentar compreender por que o governo brasileiro não decide sobre a extradição do cruel terrorista Cesare Battisti, condenado duas vezes à prisão perpétua em seu país.

BANDIDO COMUM 
Criminoso comum na Itália, acusado por assalto e até estupro, Battisti foi recrutado na cadeia por terroristas de esquerda para ser “matador”.

CRIMINOSO SÁDICO
Transformado em terrorista, Cesare Battisti assassinou quatro pessoas e gargalhava diante de vítimas ensanguentadas, segundo testemunhas.

FILMINHO CHINFRIM
O filme Lula, o Filho do Brasil é fracasso de público até nas sessões com entrada franca do cineclube do Sindicato dos Bancários do DF.

OU DÁ OU DESCE
Sem espaço político junto ao governador pernambucano Eduardo Campos, o secretário Fernando Bezerra Coelho quer ser ministro de Lula ou presidente da Codevasf. Ou poderá apoiar o amigo José Serra. 

A FICHA NÃO CAI
O governo do DF vai licenciar mais quinhentos taxistas. O edital exige que todos eles tenham ficha-limpa para transportar suas excelências, os fichas-sujas, nas avenidas da bela capital.

APOIO PÓSTUMO
Candidato a presidente no colégio eleitoral com José Sarney, em 1984, o então governador Tancredo Neves dizia esperar o apoio do PT e do PDT à sua campanha. Recebeu resposta apenas na semana passada, no túmulo, com as flores de Dilma Rousseff, ex-PDT e atual PT.

HERANÇA MALDITA
Passou despercebida uma (outra) gafe da presidenciável petista Dilma Rousseff. Há dias, chamou de “guerra fratricida entre irmãos” a briga dos governadores pelos royalties do pré-sal que ainda é só “pré-visão”. 

“SPAM” DA DILMA 
O PT começa a encher a caixa-postal dos internautas, à cata de “novos militantes”. Só não diz que é para a campanha de Dilma Rousseff, o critério, nem o nome da empresa que fornece o cadastro dos nomes. 

CIRO PODE TER DIA D... 
Cada dia mais queixoso de Lula, o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) tenta aparentar firmeza na candidatura à Presidência, mas o alto tucanato deve se reunir neste fim de semana para discutir outra possibilidade.

...COM OS TUCANOS
O tema da reunião do PSDB é a eventual adesão do “paulistense” Ciro Gomes, apesar do declarado horror do deputado a tucanos em geral. Será oferecida a ele a candidatura ao Senado, apoiando o PSDB.

O ESTADO NADA
A proposta para ajudar áreas atingidas por enchentes, do deputado Sabino (PSC-RJ), estabelece repasse imediato de verba federal a municípios que declarem calamidade ou emergência por enchentes. O governo estadual definirá e viabilizará os projetos, com os municípios.

SINISTRO
“Minha casa, minha vida”, é o que clamam os desabrigados no Rio. 

PODER SEM PUDOR
BATEU, LEVOU
Em geral cuidadoso quando abre a boca, Pedro Malan presidia o Banco Central, no governo Itamar Franco, e foi a Londres proferir palestra para um grupo de investidores. Disse, então, que Fernando Henrique Cardoso deixara a contragosto a “boa vida” de ministro das Relações Exteriores para virar ministro da Fazenda. Arrancou risos da platéia. Presente, o embaixador do Brasil, Rubens Barbosa, pediu a palavra e deu o troco:
- Você não imagina como é difícil explicar aqui fora o que vocês fazem lá no Brasil...

LULA E SUA BARANGA

DOMINGO NOS JORNAIS

Globo: Rio tem 18 favelas que cresceram sobre lixões

Folha: Serra critica PT por dividir o país e defende diálogo

Estadão: Serra defende união e diz que Brasil não tem dono

JB: Leis antifumo na mira do STF

Correio: Serra ataca governo dos petistas