sexta-feira, abril 02, 2010

MARCIO AITH

O açúcar do PAC

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/04/10

SÃO PAULO - Dois países devolveram recentemente navios com açúcar importado do Brasil. Motivo: não era açúcar, mas areia. Uma quadrilha que agia nos portos nacionais fazia a troca do produto in natura antes do embarque, numa fraude de curiosa complexidade que, ao que tudo indica, funcionou por anos e lesou exportadores e importadores.
Investigado com discrição pelas autoridades, o crime eleva ao patamar do absurdo o caos logístico e a falência da infraestrutura brasileiros. Ele se soma à burocracia, à corrupção, à carga tributária, às estradas esburacadas e ao funil portuário na lista de obstáculos enfrentados pelo produtores nacionais.
Entre 2002 e 2009, o valor das vendas externas brasileiras aumentou de R$ 60 bilhões para R$ 152 bilhões. No mesmo período, a malha ferroviária brasileira manteve-se nos mesmos 30 mil quilômetros, o percentual de rodovias pavimentadas ficou em pouco mais de 10% e os custos de logística subiram.
Perdíamos, e continuamos perdendo, em quase todos os quesitos de eficiência logística para Índia, China, Rússia, Argentina e África do Sul, entre outros tantos.
Diante disso, questiona-se se os tais PACs, os dois programas de obras da ministra Dilma Rousseff, estão funcionando. Estão, mas não no que interessa ao país. Sua eficácia parece mais cênica. Ainda que não nos convençam, o barulho que se faz em torno deles, a artificialidade das apresentações oficiais e o ar concretado da ministra ao pronunciar "obras estruturantes" embaralham a percepção da realidade.
Não se fala mais de ferrovias e rodovias em frangalhos, mas de obras a serem criadas no futuro. O esforço nunca feito em infraestrutura deixou de ser passivo eleitoral para transformar-se numa "carteira de projetos para o sucessor". Os problemas reais foram substituídos pelo mundo do powerpoint.
No universo de Dilma, cuja candidatura talvez seja a única obra visível dos dois PACs, areia sai pelo preço de açúcar.

MÍRIAM LEITÃO

Porque ele ficou
O GLOBO - 02/04/10
Henrique Meirelles ficou no Banco Central e saiu da política. Assim ele avalia.“Não me vejo daqui a quatro anos disputando eleição.” Sobre subir juros em ano eleitoral, Meirelles disse: “O que afeta voto é inflação. Selic dá conversinha de alguns políticos e reação de empresário.” Se o presidente Lula não concordasse com isso, disse, ele teria saído do governo agora.

Meirelles me disse que foi difícil a decisão dos últimos dias: — Eu sou de Goiás, e claro que a ideia de governar meu estado sempre esteve no meu horizonte desde que eu entrei na política.

Quando disputei o mandato de deputado pelo PSDB, (Marconi) Perillo estava a par desse plano. Eu teria seguido a minha carreira política em Goiás, mas o presidente Lula me chamou para o Banco Central e isso mudou tudo.

Agora, no fim desse segundo mandato, ele voltou a pensar no mesmo projeto: — O PMDB era a melhor opção para Goiás, por isso eu tratei desse assunto lá no meu estado e conversei com a direção do partido apenas na véspera sobre a minha filiação.

Meirelles nega que tenha sido seu sonho ou que tenha trabalhado a possibilidade de ser candidato a vice-presidente.

— Esse assunto surgiu e claro que me envaidece, mas eu não articulei. Ontem mesmo quando saí daqui e fui a um restaurante pessoas vieram falar comigo sobre essa possibilidade.

Mas eu sou o primeiro a concordar que o PMDB é que tinha que buscar suas opções. Eu, o que quis, era ter me candidatado a governador de Goiás. Agora as portas estão fechadas para a política e eu não me vejo daqui a quatro anos disputando uma eleição.

Meirelles disse que agora se concentra no Banco Central: — A minha grande motivação é a de colaborar para que os resultados desses sete anos permaneçam.

O mercado e os analistas entenderam o último Relatório de Inflação como um movimento do Banco Central de aceitar um pouco mais de inflação agora, neste ano eleitoral.

Meirelles disse que isso é um erro de avaliação: — É uma raridade estatística fechar o ano calendário com a inflação no centro da meta. Ela tem é que convergir para a meta sempre, e esse é o trabalho do Banco Central. As projeções do mercado mostram que no horizonte de 12 meses a inflação está no centro da meta.

E para isso vamos trabalhar.

Meirelles explicou que nos dois cenários com os quais se trabalha, o cenário de mercado e o cenário de referência, não há diferença na projeção da inflação. O que significa, tecnicamente, que o mercado não vê impacto da política monetária a curto prazo: — E é isso mesmo porque há uma defasagem. Houve um choque de preços de commodities e a inflação está mais elevada. O importante é trabalhar agora para levar a inflação para a meta em 12 meses. Seria um erro adiar essa correção por motivos políticos. Não abandonamos a meta. Ela está na mão.

Lembrei a Meirelles que ele tem tanto a cabeça do político quanto a do presidente do Banco Central, e cruzando esses dois mundos perguntei como ele imagina que ocorrerá esse cenário de o BC iniciar agora um ciclo de elevação de taxa de juros, quando os políticos estão mais sensíveis às pressões e críticas aos juros altos. Ele foi taxativo: — O que afeta o voto não é a Selic, o que afeta o voto é a inflação. Erro seria deixar a inflação subir.

Depois de dizer que Selic provoca é conversinha de alguns políticos, reação de empresário e assunto na mídia, Meirelles insistiu que a inflação sob controle é que traz o maior ganho eleitoral: — Se não fosse assim, como é que se explica o resultado eleitoral de 2006, quando os juros subiram? Em 2004, entre o primeiro e o segundo turno da eleição municipal, nós elevamos os juros.

O que tem impacto eleitoral é a inflação. Essa é a minha convicção, e se o presidente da República não concordasse com isso teria me incentivado a sair.

Meirelles também discorda completamente da ideia de que o BC possa adiar a elevação dos juros: — Atrasar o ciclo seria um suicídio, isso elevaria a inflação e o Banco Central iria acabar tendo que subir juros no meio da eleição com a inflação alta. Atrasar não faz sentido algum.

O mercado acompanhou com expectativa essas últimas horas, alguns acreditando que as metas de inflação já tinham amadurecido o suficiente para que a saída de Meirelles nada significasse. Mas no final das contas, quando saiu a notícia de que ele tinha decidido ficar, relatórios dos bancos para seus clientes aqui e no exterior foram expedidos tratando a decisão como uma notícia que confirma o cenário de uma política monetária forte.

O presidente do BC fez a análise correta, o que afeta a política é a inflação. A economia aquecida, o choque de alta de preços das commodities, e a elevação dos preços dos alimentos, tudo isso apontava um cenário de risco para o aumento da inflação. E ela subindo tira renda das pessoas; queda de renda afeta o humor do eleitorado.

Mesmo assim será um duro teste da autonomia do Banco Central nos próximos meses.

A notícia de ontem é que sem espaço na política, Meirelles se voltou ao seu trabalho no Banco Central. Lá ele só poderá ter uma cabeça: a da autoridade monetária.

ANCELMO GÓIS

Ultrapassagem
O GLOBO - 02/04/10
 
A CBF, que é patrocinada pela Volkswagen, vai acionar a Hyundai por causa deste anúncio.
Alega que a coreana, apesar de patrocinar a Fifa, não pode usar este boneco verde e amarelo na promoção “Sua frase no ônibus da seleção brasileira”.

Ovos de Páscoa 
A juíza Luciana Losada Albuquerque mandou a Casa e Vídeo suspender a venda do ovo de Páscoa com a marca do Flamengo e a inscrição “Fla12 — Torcida que joga”.
O clube alegou, pelo escritório Montaury Pimenta, que a fabricante Oficina do Cacau não foi autorizada a usar a marca.

Cartão vermelho 
Um pedido de indenização feito por juízes de futebol cariocas e paulistas pelo uso de suas imagens nos jogos foi negado pela 3ª Câmara Cível do Rio. A decisão se baseou na Lei Pelé, que dá ao clube o direito de negociar a transmissão dos jogos.
Segundo o desembargador Ricardo Couto de Castro, relator do caso, os árbitros e auxiliares não são atletas e já recebem remuneração por atuação.

A coadjuvante 
Nem só de bacalhau é feita a Semana Santa.
O Grupo Pão de Açúcar comprou 1.300.000t de batatas para abastecer suas lojas Brasil afora ao longo desta semana.

Assalto ao BC 
Em duas semanas, começa a filmagem de “Assalto ao Banco Central”, que marca a estreia do ator Marcos Paulo como diretor de cinema.
O filme é baseado na história real de um assalto ocorrido em Fortaleza, em agosto de 2005.

Polícia na fronteira 
Ficarão no Pará as duas primeiras bases de policiamento especial de fronteira, parte do programa nacional de segurança pública, para combater contrabando de armas, crimes ambientais, roubo de cargas e veículos.
O projeto também terá bases em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima.

Alto-forno 
A gigante Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Rio, será inaugurada dia 4 de junho.

Sassarica, senador 
Domingo, numa apresentação do musical “Sassaricando” em Goiânia, o carioca Eduardo Dusek avistou na plateia a careca do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e mandou: — Senador! Reze pelos royalties do meu Rio no Senado! Olhe com carinho os royalties! A plateia caiu na risada. Inclusive Demóstenes.

ZONA FRANCA 
Daysi Lúcidi e Gerdal dos Santos participarão do lançamento do Prêmio Roquette-Pinto, dia 5.
Hoje tem Chico Caruso no Café Pequeno, no Leblon às 21h 30m.
A Lume Arte fechou com o produtor Luiz Carlos para coordenar as operações dos palcos do Viradão Carioca.
A 11|21 vai participar do Festival de Cannes 2010.
Barra Grill serve bufê especial hoje.
Alice Bastos dá nome ao prêmio criado pela Secretaria estadual de Saúde para homenagear seus funcionários mais dedicados e antigos.
Rodrigo Penna assina a trilha sonora de “Doidas e santas”, de Marta Medeiros, dirigida por Ernesto Piccolo.
Simone faz show amanhã na quadra da Beija-Flor.

Rio Branco 
Eduardo Paes apresentará, semana que vem, o projeto de fechamento da Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, para virar área de pedestres.
Mas a decisão ainda não é definitiva. A ideia é fechar provisoriamente em junho e ver como fica o trânsito. Se aprovada no teste, virão as obras de infraestrutura no meio da rua, com quiosques, bancas de jornais, pérgulas etc.

É que... 
Para se ter uma ideia da complexidade do projeto, a prefeitura identificou 115 linhas de ônibus que passam hoje por ali.
Há um ônibus que vem até de Juiz de Fora, MG.

Casa nova 
O Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, no Flamengo, no Rio, ganhará novo endereço.
A nova sede terá mais de 33 mil metros quadrados, no Porto do Rio, graças a acordo entre estado e município.

Tiros no samba 
Um dos filhos do presidente da Vila Isabel, Wilson Moisés, teve o carro alvejado por tiros, no início da semana, quando saía da Cidade do Samba.
O jovem, ainda bem, não se feriu.

Meu Deus... 
Sexta passada, às 7h 30m, um rapaz entrou armado no campus Barra da Universidade Estácio de Sá, no Rio, à procura da namorada. Dizia que ela o traía.
Professores interferiram e pediram calma ao jovem. A moça, ufa, não estava, e ele partiu.
Não houve queixa em DP.

CLAUDIA RAIA, a atriz, vai aparecer assim em “A grande família”, da TV Globo: será Vânia Lira, cantora que verá em Tuco (Lúcio Mauro Filho) um talento para a música

O GAIATO DA FOTO é Lulu Santos, que gravou participação no próximo “Casseta & Planeta” como Lulula, em uma paródia do filme “Lula, o filho do Brasil”

PONTO FINAL
Eduardo Paes não pode tolerar este tipo de erro.
É grave, muito grave.
Mas a prefeitura não tem de ter dó ou piedade com motorista que comete infração. Há muito crime sem castigo no trânsito do Rio.

MERVAL PEREIRA

Lula incomodado
O GLOBO - 02/04/10

O presidente Lula, surpreendentemente, está se debatendo em sentimentos conflitantes na hora de deixar o poder. Desde que Dilma Rousseff saiu do ministério para dar início a sua campanha à sucessão presidencial, Lula não deixa espaço para ela, ocupando todo o noticiário com a mensagem surpreendente: não quer deixar o protagonismo político.


Mesmo que tenha sido ele o inventor de Dilma, e que ela faça questão de exibir sua dependência a cada palavra que pronuncia, assumindo o papel de sua criatura eleitoral, Lula não se mostra satisfeito.


Ela chegou a usar 28 vezes o tratamento de “senhor” ao se referir ao presidente Lula no seu discurso de despedida do ministério, o que é um sinal de subserviência não condizente com o papel de candidata à Presidência da República.


Dilma não se preocupa em explicitar sua subalternidade em relação a Lula, e o presidente não se preocupa em liberá-la para uma atuação mais autônoma.


Um das qualidades do presidente Lula é a de ser espontâneo no seu relacionamento com o distinto público, pois revela suas emoções e se torna um íntimo dos eleitores. Pois ele não está escondendo a dificuldade com que está lidando com a perspectiva do fim do poder.


O presidente Lula está parecendo até aqueles funcionários que não querem se aposentar, mesmo que a lei os obrigue a isso.


Impedido de disputar o terceiro mandato consecutivo de presidente da República, ele está se colocando na disputa de maneira direta, sem ao menos tomar cuidado com o que isso possa causar de prejuízo à candidatura de Dilma.


Pela segunda vez em dois dias, o presidente Lula se colocou como agente direto da disputa presidencial. Na quarta-feira, na despedida dos ministros, surpreendeu a todos quando disse que, “para me derrotar”, os adversários terão que trabalhar mais, “meter o pé na lama”.


Ontem, retomou o tema dizendo ter certeza de que “muita gente não vai conseguir” derrotá-lo nas eleições de outubro, porque seus adversários terão que trabalhar muito mais do que ele para executar ações que estão em curso no governo federal: “Eu ainda tenho nove meses de trabalho. Vou trabalhar que nem um desgraçado.


Quem quiser me vencer terá que trabalhar mais do que eu, fazer mais do que nós fizemos”.


Trata-se de uma reação natural de reafirmação de seu poderio, pois Lula não tem se mostrado tão bom de voto quanto sua popularidade atual indica.


Perdeu duas vezes no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso, o que certamente é sua maior frustração, e venceu duas vezes no segundo turno.


É o segundo dia seguido que Lula afirma que vai “trabalhar que nem um desgraçado”, prenunciando um esforço inaudito de fim de governo para se impor a seus adversários.


Dá a impressão de que não acredita que Dilma sozinha possa enfrentar o tucano José Serra. Mais do que isso, passa a ideia de que, se sua candidata for derrotada, ele será derrotado, apesar da popularidade espetacular com que vai terminando o governo.


Lula já havia dito que fazer a sucessora seria o fecho de ouro de uma administração bem avaliada, sem levar em conta que alguém que gosta de seu governo pode não concordar com sua escolha.


Encarar a alternância de poder como uma derrota é uma maneira de querer continuar no poder eternamente, como, aliás, já desconfiavam a senadora Marina Silva, a candidata do PV à Presidência, e o ministro Ayres Britto, do Supremo.


Mas o mais grave, tanto para Dilma quanto para Serra, é que Lula, se desdizendo, afirmou que não será apenas “um ex-presidente”, anunciando pela primeira vez sua disposição de continuar na atividade política.


Ele já havia feito diversas declarações sobre ser ex-presidente.


Quando seu adversário preferido, Fernando Henrique Cardoso, dá suas opiniões, Lula sempre reclama indiretamente, dizendo que ele não se comporta como um ex-presidente.


Esquecendo-se de seu aliado José Sarney, que continuou na vida política se elegendo senador depois de sair da Presidência e tendo uma atuação política importante nos anos seguintes a seu mandato.


Outras vezes, o presidente Lula dava a entender que poderia ter uma atuação política internacional, e era comum a crença de que ele estaria, a partir de 2011, no comando de uma ONG para cuidar da fome no mundo, a exemplo do que fazem os ex-presidentes dos Estados Unidos.


Os mais otimistas o viam à frente da ONU, como secretáriogeral, ou pelo menos na OEA.


O próprio presidente havia dito certa vez que não se meteria num eventual governo Dilma, e que ela não era candidata para um mandato só, negando assim que se dispusesse a disputar novamente a Presidência da República em 2014.


Mas ontem Lula disse que os que pensam que ele será um simples “ex-presidente” ao final de seu segundo mandato vão “quebrar a cara”, pois, garantiu, está “apenas no começo de uma caminhada”, já que “falta muito” para o governo fazer no Brasil.


Quem pensava que a primeira referência na primeira pessoa, colocando-se como o centro da disputa, poderia ter sido um ato falho, ontem teve a confirmação de que tudo foi dito de modo pensado.


Pode ser uma estratégia para grudar a imagem da candidata Dilma à sua. Pode ser que queira garantir que ele estará por trás da candidata oficial caso ela vença a eleição. Ou pode ser simplesmente uma reação de quem não está aceitando o fato de que o poder estará passando para outras mãos dentro de nove meses.


Se Dilma vencer, vai querer tutelá-la. Se vencer Serra, Lula vai comandar uma oposição ferrenha contra aquele que o tirou do poder.

JOSÉ SIMÃO

Páscoa! O coelho comeu a galinha!
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/04/10

O coelho entrou no galinheiro, deu uma rapidinha na galinha e nasceu o ovo de Páscoa!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Feriadão da Páscoa! Foi todo mundo viajar. Não sobrou um coelho pra dar uma coelhada rápida!BR> E chega de ovo! Esse é o slogan da Semana Santa: menos ovo e mais galinhagem! E eu não disse que detesto aquele monte de ovo pendurado em supermercado, túnel de ovo? A gente tem que fazer compra de quatro, de gatinhas! Pois diz que nas Lojas Americanas da zona leste desabou um túnel de ovo em cima do povo. O povo levou um chocolate. E aquele ovo "A Princesa e o Sapo"? Vem com a Dilma e o Lula juntos!
Aliás, sabe o que quer dizer PAC? Primeiro de Abril, Companheiro! E sabe o que o Lula deu pra Dilma? Um ovo de PÁCoa! Ai, infame! A Dilma botou um ovo de PÁCoa! E a comercialização da Páscoa é tão grande que o menino perguntou pro pai: "Pai, Jesus era um coelho?". Era. E fez a multiplicação dos ovos de Páscoa no Carrefour. Rarará!
E a origem do ovo de Páscoa: o coelho comeu a galinha. Pronto! O coelho encontrou a porta do galinheiro aberta, entrou, deu uma rapidinha na galinha e nasceu o ovo de Páscoa! Menos ovo e mais galinhagem. E uma amiga botou um cartaz na porta da casa: "Procuro um coelho pra dar uma coelhada rápida". E o cartaz numa banca de peixe em Salvador: "Aqui até o peixe-espada é fresco".
E sabe o que o garçom da Santa Ceia perguntou pra Jesus? "O senhor vai pagar a conta toda ou cada um paga a sua?" E tinha garçom na Santa Ceia? Tinha. Ou você acha que era por quilo? A Ceia do Quilão! E sabe o que Jesus falou pro crucificado da esquerda? "Chega mais perto pra sair no santinho". Rarará! Eu blasfemo, mas sou católico apostólico baiano. ACREDITO EM TUDO!
E um amigo meu vai passar a Páscoa rezando, "porque se Deus fez aquilo com o filho dele, imagine comigo, que ele nem conhece". E diz que um rabino falou pra Deus: "Mandei meu filho para Jerusalém estudar e ele voltou padre". E Deus: foi o que aconteceu comigo também! É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que na Semana Santa, um pescador de Mato Grosso botou uma placa na porta da casa dele: VEDE PEXE! Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Apóstrofos": companheiros que participaram daquela jantinha oferecida por Jesus e fotografada por Da Vinci. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

PAINEL DA FOLHA

Sujou
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO



Michel Temer (PMDB-SP), que toureava entidades de aposentados pela votação de um reajuste à classe, passou de interlocutor a vilão. Após não ter sido recebida, a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas fez cartazes: “Aposentados prometem dar o troco ao deputado que almeja ser vice-presidente da República”. 

Mão na massa
Agora que José Serra (PSDB) anunciou a saída do governo de São Paulo para iniciar a campanha ao Palácio do Planalto, lideranças do DEM e de outras siglas que devem apoiá-lo pressionam o tucano a se envolver pessoalmente na solução de divergências nos palanques estaduais.
Na lista de problemas, Rio, Bahia, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Nas quatro praças, o litígio envolve candidaturas de “demos” e de peemedebistas que fazem oposição ao governo Lula, além do PV de Fernando Gabeira, que não topa chapa com Cesar Maia (DEM) para o Senado no Rio. A direção do PSDB resiste à intervenção direta de Serra. “Não é hora de ele ficar perto de problema”, diz um dirigente.
Escala - O PSDB nacional acertou que uma das primeiras viagens de Serra será a Pernambuco. Tucanos aguardam o retorno do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) do exterior para que ele anuncie a candidatura ao governo.
Holofotes - Já fora da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) foi convidada a ser a atração na segunda de evento na Câmara organizado pelo PR para empossar Alfredo Nascimento na presidência da sigla. Ele deixou o Ministério dos Transportes para disputar o governo do Amazonas, dando a ela palanque no Estado.
Tromba d’água - Candidato ao Senado, o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), foi surpreendido anteontem no meio do seu discurso de despedida do cargo, feito na parte externa da sede do governo, por um forte temporal. O peemedebista e aliados tiveram de correr para se abrigar num salão.
Em progresso 1 - Fechado o acordo PT-PDT no Paraná, os partidos buscam atrair outras siglas em torno da candidatura do pedetista Osmar Dias ao governo. PR, PC do B e PSC já estão no barco.
Em progresso 2 - De uma dessas siglas sairá o vice, já que o PT terá a candidata ao Senado: Gleisi Hoffmann.
Complementar - Em conversa com Lula anteontem, Osmar Dias ponderou que o vice deve ser um nome de expressão em Curitiba, já que ele tem mais força no interior.
Fôlego 1 - Deputados próximos a Marta Suplicy, que já respiravam aliviados com a opção da ex-prefeita por disputar o Senado, pois uma candidatura à Câmara tenderia a “matar” outras à sua volta, festejaram a liderança folgada (43%) registrada por ela no Datafolha. Avaliam que ela carregará vários correligionários com sua votação, especialmente na capital paulista.
Fôlego 2 - Animado com os 25% na mesma pesquisa, Romeu Tuma (PTB) mandou o filho Robson deixar uma diretoria da Liquigás (sistema Petrobras) para concorrer à Câmara, até então seu plano B, caso a candidatura ao Senado começasse a patinar.
Regente - Preterido na disputa pela vaga do PSDB paulista ao Senado, Paulo Renato enviou e-mail anteontem para a equipe na Secretaria da Educação anunciando a decisão: “Se é para o bem de todos, digam ao povo que fico”.
Parceiro - O presidente do PT-SP, Edinho Silva, diz que a perspectiva de unidade partidária em torno de Aloizio Mercadante foi o que levou Eduardo Suplicy a abdicar da pré-candidatura ao governo.
De fora - Paulo Skaf (PSB), 1% no Datafolha, desligou-se de conselhos vinculados ao governo paulista, cargo que almeja disputar, e à União - entre eles o “Conselhão”.
Tiroteio
Se a oposição pensa em ganhar a eleição montada no caso Bancoop, vai dar com os burros n’água.
Do deputado paranaense ANDRÉ VARGAS , secretário de Comunicação do PT, sobre o modorrento depoimento do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, ao Senado.
Contraponto
Homens de boa vontade

Em reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, na terça passada, José Genoino (PT-SP) propôs um acordo sobre a ordem de votação das matérias, imediatamente endossado por Mendonça Prado (DEM-SE).
O presidente da CCJ, Eliseu Padilha (PMDB-RS), saudou o entendimento entre um deputado governista e outro da oposição, fenômeno que atribuiu ao “espírito da Quaresma”. Logo em seguida, porém, Colbert Martins (PMDB-BA) divergiu do combinado, o que levou Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) a brincar:
- Realmente, o espírito da Quaresma opera milagres. Hoje o PT está mais perto do DEM que do PMDB!

DORA KRAMER

Dois na gangorra
O ESTADO DE SÃO PAULO - 02/04/10


  Os discursos de despedida de Dilma Rousseff e José Serra, respectivamente dos cargos de ministra da Casa Civil da Presidência da República e do governado de São Paulo, desmentem a versão de que ambos são praticamente iguais. Pois nas cerimônias de adeus aos cargos duas pessoas absolutamente diferentes se apresentaram ao público. A começar pela escolha dos sujeitos das cerimônias.

Dilma mais uma vez preferiu exaltar a figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, celebrar os feitos do governo do qual fez parte até anteontem e ao qual aspira dar continuidade. Dilma Rousseff não fala de si, a não ser de forma genérica, quando informa ter sido preparada “para coisas mais duras do que disputar uma eleição”. Emociona-se, mas a referência é sempre Lula, não abre o coração, não se dá a conhecer, como se nada a seu respeito houvesse para ser revelado além da já conhecida fidelidade ao presidente da República.
Reafirmou sua luta contra a ditadura, relatou as lições aprendidas com Lula, a ser otimista, a vencer a pobreza, a ter coragem, a resistir, a não ser submisso, a ser digno, não ser conformista. Mas, sobre Dilma mesmo, além da “competência extraordinária”, a única frase foi Lula quem disse: “Dilma é o que ela é”. 
Terá tempo ao longo da campanha para dizer o que é.
Mas o adversário, José Serra, aproveitou o momento inicial para expor não um programa de governo, mas um rol de valores pessoais Para quê? Marcar a diferença e se dar a conhecer no detalhe. Falou a respeito de coisas que há muito não se fala: valorização de caráter, condenação de malfeitorias, coerência, índole, brio, solidariedade, austeridade nos gastos, sensibilidade, mérito e aproveitou para discorrer sobre alguns aspectos de sua personalidade que ao longo de sua carreira formaram uma imagem sem sempre positiva.
“Sou sério, não sisudo; realista, não pessimista; monitor, não centralizador”, e por aí foi. É como ele se vê, não necessariamente como eleitor o vê. Mas pelo menos são conceitos, aqui bastante resumidos, que podem ser examinados, discutidos, checados, confrontados, aceitos ou não.
No segundo momento, quando do lançamento da candidatura, em 10 de abril, será apresentado o esboço sobre o programa de governo e aí as ideias para novo escrutínio da população.
Dilma poderá continuar sustentando seu discurso apenas na repetição do orgulho de ser aprendiz do mestre Luiz Inácio? Não terá que em algum momento de se apresentar como algo mais que fiel seguidora?
E não se trata de currículo, mas de pensamento a respeito da vida e de suas circunstâncias. Por exemplo, daqueles valores como índole, solidariedade, brio, austeridade. Ou defendê-los é crime de lesa-PT, como já foi coisa da direita defender a estabilidade da moeda?

Outra freguesia 

- Justiça se faça ao PMDB. Com toda popularidade do presidente Lula, o partido não se dobra as vontades do Palácio do Planalto. Tem consciência da sua força e, goste-se ou não de seus métodos, sabe se impor. Até mais que a oposição. 
Não foram poucas as tentativas do presidente de se imiscuir nas decisões internas do partido. Agora mesmo, querendo fazer de Henrique Meirelles o vice de Dilma Rousseff. Levou duas invertidas que poucos têm coragem de dar. Primeiro Michel Temer, presidente e predileto do partido para ocupar a vaga, disse em entrevista que o PMDB não se sentiria representado por Meirelles Depois, no dia em que deixou o ministério da Integração Regional, Geddel Vieira Lima, remeteu o presidente do BC à convenção do PMDB: “É só ir lá e ganhar”. É o tal negócio: as pessoas podem até achar que o PMDB é a casa da mãe joana. Mas o partido tem todo o direito de achar que não é.

Questão de uso 

- Maria Izabel Noronha, líder da greve dos professores do Estado de São Paulo, não está errada quando raciocina que se o governador pode representar um partido, no caso o PSDB, ela pode ser explicitamente militante do PT.
O que não se pode é manipular o mandato sindical em prol de uma causa político eleitoral.