O Rio em risco O Globo - 18/03/2010 Parte dos royalties do petróleo do Rio é enviada para o governo federal, e assim tem que ser até 2019. É o resultado de uma negociação de dívida em que o Tesouro comprou antecipadamente parte da receita do petróleo e entregou títulos para capitalizar o Rioprevidência. Hoje, R$ 1,8 bilhão vai para Brasília. Se o Rio parar de pagar, o Tesouro pode tomar o ICMS do estado. Imagine só: o Rio de Janeiro tendo que ser obrigado a dar um calote no governo federal, e o Tesouro tendo que ser obrigado pela Lei de Responsabilidade Fiscal a tomar as receitas dos impostos estaduais. A negociação foi feita na época do governo Garotinho e da administração de Pedro Malan na Fazenda. Foi parte dos acertos fiscais feitos para organizar as contas estaduais para a Lei de Responsabilidade Fiscal. O Tesouro emitiu CFT, Certificado Financeiro do Tesouro, títulos especiais para o saneamento do Rioprevidência, um fundo de pensão que se responsabiliza pelo pagamento da aposentadoria dos funcionários municipais. No atual governo, os royalties são usados para capitalizar o Rioprevidência, e uma parte vai para as obras de meio ambiente. Ao concentrar os recursos no fundo dos aposentados, o governo estadual conseguiu, nos últimos três anos, que o Rioprevidência pagasse inteiramente as pensões e aposentadorias, liberando o orçamento do estado para outras despesas. — Quando o petróleo subiu de preço em 2008, nós fomos conservadores e em vez de aumentarmos outras despesas, aumentamos os depósitos no Rioprevidência, para melhorar a situação atuarial do fundo que hoje está saneado, auditado com transparência e livre de todas as instabilidades do passado. E fizemos isso porque sabemos que o preço do petróleo poderia cair, como caiu depois — diz o secretário Joaquim Levy. Esse edifício fiscal desmorona completamente se o Rio perder os royalties do petróleo. E não apenas descapitaliza o fundo dos aposentados, criando uma crise de proporções imprevisíveis, como também provocará um conflito sem precedentes entre o estado e o Tesouro Federal. Pelos termos do contrato, parte dos royalties já foi comprada, antecipadamente, pelo Tesouro até 2019, que em troca entregou títulos que rendem remuneração para o Rioprevidência. A discussão dos royalties do petróleo tem sido feita de forma emocional, mas quem analisa objetivamente o assunto vê que a mudança do modelo de exploração prevista na Lei do Petróleo detonou uma reação em cadeia com reflexos assustadores em vários setores. Estamos agora na seguinte situação: estados do resto do país sendo incentivados por políticos demagógicos a achar que o Rio se apropria indevidamente de uma riqueza que pertence ao país; e o Rio e Espírito Santo se sentindo esmagados por uma federação que usou a força numérica para impor o que está sendo visto como espoliação. Está faltando tudo neste debate: racionalidade, respeito a contratos, respeito às leis do país e principalmente liderança. O presidente Lula não tem o direito de se abster de um conflito federativo dessas proporções provocado unicamente por ele mesmo e seu governo. O pré-sal tem sido parte da propaganda eleitoral desde o começo. O presidente Lula quis ligar sua imagem, a de seu governo e sua candidata à mística da riqueza do petróleo, como se fosse uma segunda independência proclamada graças a eles. Quis aproveitar as descobertas de novas jazidas em águas ultraprofundas como pretexto para mais estatização e centralização de receita. Por isso, o governo inventou uma mudança de modelo, desenhada às pressas, que até agora não foi explicada nem justificada ao país, como se fizesse sentido tanta urgência. A única urgência é a do calendário eleitoral. O regime de concessão funcionou muito bem por 10 anos. Nesse tempo, 70 empresas entraram no país para investir, e isso não enfraqueceu a Petrobras, pelo contrário. A maioria quis se associar à empresa brasileira. As reservas saíram de oito bilhões para 14 bilhões de barris, sem contar o pré-sal. A alta do petróleo e a mudança do modelo elevaram a arrecadação em 100 vezes. A mudança para o pouco transparente e perigoso sistema de partilha foi o primeiro movimento que detonou todos os outros. Com seus projetos de lei, o governo Lula está desorganizando o país. O deputado Ibsen Pinheiro viu a oportunidade aberta pelas brechas da lei e da omissão do presidente e jogou todos contra dois. Assim o deputado tenta salvar sua biografia política formulando uma proposta supostamente justa, mas claramente equivocada. O Rio perderá muito, os outros não ganharão tanto quanto pensam em caso de a emenda ser aprovada. O Espírito Santo também perde, mas menos porque produz menos hoje. Os royalties que deixarão de vir para os estados produtores serão redistribuídos, segundo a emenda Ibsen, para todos os estados segundo as regras do Fundo de Participação dos Estados e Municípios. Hoje, o FPE e FPM distribuem R$ 100 bilhões; os royalties do Rio são R$ 7 bilhões. Não vai alterar muito para quem recebe. Mas hoje, em plena campanha eleitoral, os deputados estão todos indo para seus municípios e estados para dizer que, na Câmara, votaram pela distribuição justa dessa riqueza. O campo está fértil para as demagogias. Quem arou o campo foi o governo federal. O final da história não é boa para ninguém. Se tudo for revogado, a população dos outros estados vai continuar achando que o Rio fica com o “ouro” de todos. Se for mantido, do colapso fiscal do Rio virão outras consequências como esta: o que fazer com o fato de que parte dos royalties foi vendida para a União até o ano de 2019? |
quinta-feira, março 18, 2010
MÍRIAM LEITÃO
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
Empresário prevê alta do material de construção
Folha de S.Paulo - 18/03/2010
Os empresários da construção civil estão preocupados com um possível aumento dos custos dos insumos do setor nos próximos meses.
Foi o que mostrou a sondagem da indústria da construção realizada em fevereiro pelo SindusCon-SP e pela FGV.
No mês passado, o indicador das perspectivas das empresas no país em relação aos custos do material de construção foi de 44,36 pontos, resultado abaixo dos 57,51 pontos de fevereiro do ano passado.
O indicador vai de 0 a 100 pontos, sendo que acima de 50 indica otimismo e abaixo, perspectiva não favorável, ou seja, aumento dos preços.
A paralisação enfrentada por anos pelo setor desestimulou a entrada de novos fabricantes de material de construção e o aumento da produtividade.
"Com a recuperação da atividade em 2006 e com o aumento do crédito, cresceu a demanda por material, mas a indústria não estava preparada", afirma Eduardo Zaidan, diretor de economia do SindusCon-SP.
Muitos insumos da construção civil são produzidos por um pequeno número de fabricantes, o que aumenta o temor de que os preços possam subir, de acordo com Zaidan.
O setor já enfrentou alguns momentos de fortes reajustes de preços. O último foi entre setembro de 2007 e meados de 2008, quando, com a escassez de insumos, alguns produtos chegaram a subir até 25% acima da inflação, diz o diretor do sindicato patronal paulista.
TRENZINHO CAIPIRA
Trens para grandes cidades paulistas entraram no radar. A atuação do secretário estadual de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, foi ampliada para o interior pelo governador José Serra. "Vamos pensar em trens em São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Bauru, Sorocaba...", diz Portella. O secretário planeja oferecer ainda transporte de passageiros nas regiões de Sorocaba, Campinas e Santos, para ligá-las a São Paulo. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) também entrará em estudos para algumas dessas cidades. A encomenda já feita de quase 60 trens para o Metrô e para a CPTM impulsionou a indústria ferroviária. Fábricas estão vindo ao país ou retomando atividades para atender à demanda do governo. Duas estações de metrô estão quase prontas. Em pouco mais de três minutos será possível ir da Paulista à Faria Lima em trens com alta tecnologia, que prescindem de condutores, têm câmeras de vídeo, passagem livre entre os vagões e ar condicionado em todos eles.
NO CARTÃO
A Verifone, especializada em produção de maquininhas POS, de recebimento de cartões, vai ampliar o foco do seu negócio no Brasil. A estratégia da empresa desde o início deste ano é investir também na venda de softwares para o mercado de emissores e adquirentes de cartão de crédito, débito, pré-pago, cartões presente, fidelidade e outros, segundo Heman Molina, presidente da empresa. Há cerca de um ano e meio, a Verifone adquiriu uma empresa no Uruguai, que era responsável pelo suporte da tecnologia do software. A partir deste ano, o suporte passa a ser feito no Brasil. "Acredito que com as novas mudanças de abertura que estão se passando no mercado de cartões no país essa solução terá uma procura maior", afirma Molina.
INTERCÂMBIO
A primeira-dama do Texas, Anita Perry, anunciou ontem, na Fiesp, que o Estado possui US$ 217 milhões em recursos para serem doados a empresas estrangeiras que desejam se estabelecer no Texas. A Santana Textiles é a primeira brasileira a receber a doação.
NO CANUDO
As vendas de refrigerantes podem subir cerca de 10% neste ano, impulsionadas pela Copa do Mundo, segundo a Abir (associação do setor). Em 2009, foram produzidos cerca de 14 bilhões de litros de refrigerante, gerando faturamento de mais de R$ 22 bilhões.
EVENTOS 1
O primeiro centro de convenções e eventos do município de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, está a caminho. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico da cidade firmou convênio com o Ministério do Turismo para a elaboração de estudo de viabilidade socioeconômica e técnica do projeto.
EVENTOS 2
A maior parte dos recursos (R$ 552 mil) virá do Prodetur (Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo). O projeto está em fase de abertura de licitação para a contratação de uma consultoria especializada para realizar o estudo de viabilidade.
REFORMA 1
No Panamá desde 2004, a Odebrecht acaba de ganhar licitação para renovar a área urbana de Curundu, uma das regiões mais pobres da Cidade do Panamá. Com investimento de US$ 94 milhões, a companhia brasileira será responsável pela urbanização do bairro carente.
REFORMA 2
Serão construídos pela Odebrecht 65 edifícios de quatro pisos, 2.000 metros quadrados de áreas comerciais, instalações esportivas, espaços culturais, reforma do sistema de drenagem pluvial e da rede de água potável. No ano passado, a Odebrecht concluiu dois grandes projetos no país: as construções da Cinta Costeira e da estrada Madden-Colón.
MÔNICA BERGAMO
Dá licença!
Folha de S.Paulo - 18/03/2010
O governo de São Paulo lança na próxima semana um sistema para desburocratizar a abertura de pequenas empresas, livrando-as de licenciamentos diversos e permitindo que sejam registradas pela internet. Ele será voltado para empresas de baixo risco -como, por exemplo, uma pequena loja de roupas-, que não precisarão mais de vistoria prévia nem de licença do Corpo de Bombeiros, da Vigilância Sanitária ou de órgãos do meio ambiente para funcionar.
A JATO
A página da web que permitirá o licenciamento já foi batizada de Portal Poupatempo do Empreendedor. De acordo com o secretário Guilherme Afif Domingos, do Trabalho, a estimativa é que 70% das pequenas empresas de São Paulo sejam beneficiadas.
VIDA PRÁTICA
Negócios à parte: os empresários da comitiva brasileira que acompanhou o presidente Lula na viagem a Israel e Cisjordânia -entre outros, Benjamin Steinbruch, da CSN, Daniel Feffer, do grupo Suzano, Fernando Arruda Botelho, da Camargo Corrêa, e Ivo Rosset, da Valisère- estão dispostos a fazer negócios com os dois lados em conflito. "Quando estamos lá e conversamos com as pessoas, as questões religiosas desaparecem", diz Rosset.
MAR DOCE
Além de Arruda Botelho, que apresentou proposta do grupo para transpor águas do Mediterrâneo para o mar Morto, que seriam potáveis depois de um processo de dessalinização, os brasileiros ouviram exposições de empresários israelenses sobre aviões e irrigação, enquanto os palestinos falaram sobre sua produção de mármore. O intercâmbio entre os países é de US$ 1 bilhão.
PERTO DO FIM
Devagar e sempre: das 640 testemunhas do escândalo do mensalão, cerca de meia dúzia ainda não foram ouvidas. Todas de Brasília.
PLURIPARTIDÁRIO
O PR indicou ao PT o nome de Marcos Cintra, secretário do Trabalho de Gilberto Kassab (DEM-SP) na prefeitura, para vice de Aloizio Mercadante (PT-SP) na chapa para o governo do Estado. Também sonha com o vereador Aurélio Miguel (PR-SP) para a vaga.
TEMPORADA DE CAÇA
A rainha Silvia, da Suécia, que visita o Brasil na semana que vem, chamou o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT-SP), para uma audiência nesta manhã, em Estocolmo. Vai falar com o político, que é amigo e ex-ministro de Lula, sobre a compra de caças pela Força Aérea Brasileira. Marinho está na Suécia a convite da Saab, uma das concorrentes no processo. Anteontem, ele voou em um caça no passeio pela sede da companhia.
DANÇA DA MOTINHA
A loja da Harley-Davidson da avenida Europa, nos Jardins, foi multada pela Subprefeitura de Pinheiros por "lançamento de água de lençol freático em via pública", ou seja, um cano vem jorrando água na calçada em frente ao local. A associação de moradores AME Jardins reclama que o escoamento de água está danificando o passeio e causando buracos na rua. A empresa diz que o problema surgiu "após o longo período de chuvas que castigou a cidade" e pediu um prazo de até 30 dias para solucionar o caso.
A QUADRA DO VIZINHO
A Confederação Brasileira de Tênis (CBT) fez proposta para baratear a realização das partidas da Copa Davis em São Paulo, em maio. Sugeriu que, em vez de construir seis quadras no Sambódromo do Anhembi, como previa o plano inicial, a prefeitura fizesse apenas uma, para os jogos, e emprestasse as instalações dos clubes Tietê e Esperia, vizinhos do complexo, para os treinos dos atletas.
TERRAPLANAGEM
E a CBT espera começar a construir, no segundo semestre, sua nova sede, com dez quadras, ao lado do parque Villa-Lobos. O terreno, que hoje é um canteiro de obras do metrô, deve ser devolvido ao governo do Estado e depois cedido à confederação. A ideia dos dirigentes é que o local abrigue a Copa Davis nos próximos anos e também o Brasil Open, que atualmente é na Bahia, mas terá o contrato encerrado em fevereiro de 2011.
CURTO-CIRCUITO
A MOSTRA "Dois", de Carlos Bevilacqua, será inaugurada hoje, às 19h, na galeria Fortes Vilaça, na Vila Madalena.
THELMA GUEDES, autora da novela das seis "Cama de Gato", lança o livro "O Outro Escritor" hoje, a partir das 18h30, na Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim.
A GRIFE Spezzato Teen faz coquetel de abertura de sua nova loja hoje, a partir das 18h, no shopping Iguatemi.
ERIKA DOS MARES GUIA lança nova edição da revista "M&Guia" hoje, a partir das 10h, em sua loja nos Jardins.
O ARTISTA plástico Nelson Leirner abre hoje, às 19h, a exposição "Stripencores e Outros", na galeria Silvia Sintra, no Rio.
A SEMANA DE MODA Capital Fashion Week começa hoje, em Brasília, com desfile da grife Missoni no Teatro Nacional.
O governo de São Paulo lança na próxima semana um sistema para desburocratizar a abertura de pequenas empresas, livrando-as de licenciamentos diversos e permitindo que sejam registradas pela internet. Ele será voltado para empresas de baixo risco -como, por exemplo, uma pequena loja de roupas-, que não precisarão mais de vistoria prévia nem de licença do Corpo de Bombeiros, da Vigilância Sanitária ou de órgãos do meio ambiente para funcionar.
A JATO
A página da web que permitirá o licenciamento já foi batizada de Portal Poupatempo do Empreendedor. De acordo com o secretário Guilherme Afif Domingos, do Trabalho, a estimativa é que 70% das pequenas empresas de São Paulo sejam beneficiadas.
VIDA PRÁTICA
Negócios à parte: os empresários da comitiva brasileira que acompanhou o presidente Lula na viagem a Israel e Cisjordânia -entre outros, Benjamin Steinbruch, da CSN, Daniel Feffer, do grupo Suzano, Fernando Arruda Botelho, da Camargo Corrêa, e Ivo Rosset, da Valisère- estão dispostos a fazer negócios com os dois lados em conflito. "Quando estamos lá e conversamos com as pessoas, as questões religiosas desaparecem", diz Rosset.
MAR DOCE
Além de Arruda Botelho, que apresentou proposta do grupo para transpor águas do Mediterrâneo para o mar Morto, que seriam potáveis depois de um processo de dessalinização, os brasileiros ouviram exposições de empresários israelenses sobre aviões e irrigação, enquanto os palestinos falaram sobre sua produção de mármore. O intercâmbio entre os países é de US$ 1 bilhão.
PERTO DO FIM
Devagar e sempre: das 640 testemunhas do escândalo do mensalão, cerca de meia dúzia ainda não foram ouvidas. Todas de Brasília.
PLURIPARTIDÁRIO
O PR indicou ao PT o nome de Marcos Cintra, secretário do Trabalho de Gilberto Kassab (DEM-SP) na prefeitura, para vice de Aloizio Mercadante (PT-SP) na chapa para o governo do Estado. Também sonha com o vereador Aurélio Miguel (PR-SP) para a vaga.
TEMPORADA DE CAÇA
A rainha Silvia, da Suécia, que visita o Brasil na semana que vem, chamou o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT-SP), para uma audiência nesta manhã, em Estocolmo. Vai falar com o político, que é amigo e ex-ministro de Lula, sobre a compra de caças pela Força Aérea Brasileira. Marinho está na Suécia a convite da Saab, uma das concorrentes no processo. Anteontem, ele voou em um caça no passeio pela sede da companhia.
DANÇA DA MOTINHA
A loja da Harley-Davidson da avenida Europa, nos Jardins, foi multada pela Subprefeitura de Pinheiros por "lançamento de água de lençol freático em via pública", ou seja, um cano vem jorrando água na calçada em frente ao local. A associação de moradores AME Jardins reclama que o escoamento de água está danificando o passeio e causando buracos na rua. A empresa diz que o problema surgiu "após o longo período de chuvas que castigou a cidade" e pediu um prazo de até 30 dias para solucionar o caso.
A QUADRA DO VIZINHO
A Confederação Brasileira de Tênis (CBT) fez proposta para baratear a realização das partidas da Copa Davis em São Paulo, em maio. Sugeriu que, em vez de construir seis quadras no Sambódromo do Anhembi, como previa o plano inicial, a prefeitura fizesse apenas uma, para os jogos, e emprestasse as instalações dos clubes Tietê e Esperia, vizinhos do complexo, para os treinos dos atletas.
TERRAPLANAGEM
E a CBT espera começar a construir, no segundo semestre, sua nova sede, com dez quadras, ao lado do parque Villa-Lobos. O terreno, que hoje é um canteiro de obras do metrô, deve ser devolvido ao governo do Estado e depois cedido à confederação. A ideia dos dirigentes é que o local abrigue a Copa Davis nos próximos anos e também o Brasil Open, que atualmente é na Bahia, mas terá o contrato encerrado em fevereiro de 2011.
CURTO-CIRCUITO
A MOSTRA "Dois", de Carlos Bevilacqua, será inaugurada hoje, às 19h, na galeria Fortes Vilaça, na Vila Madalena.
THELMA GUEDES, autora da novela das seis "Cama de Gato", lança o livro "O Outro Escritor" hoje, a partir das 18h30, na Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim.
A GRIFE Spezzato Teen faz coquetel de abertura de sua nova loja hoje, a partir das 18h, no shopping Iguatemi.
ERIKA DOS MARES GUIA lança nova edição da revista "M&Guia" hoje, a partir das 10h, em sua loja nos Jardins.
O ARTISTA plástico Nelson Leirner abre hoje, às 19h, a exposição "Stripencores e Outros", na galeria Silvia Sintra, no Rio.
A SEMANA DE MODA Capital Fashion Week começa hoje, em Brasília, com desfile da grife Missoni no Teatro Nacional.
DORA KRAMER
| Falso brilhante O Estado de S.Paulo - 18/03/2010 É consenso geral, pelos motivos já expostos em fotos, vídeos e gravações, que o governador José Roberto Arruda não tem a menor condição de permanecer à frente do governo de Brasília. Nesse aspecto, a cassação do mandato dele pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal atende a uma necessidade prática e responde a um .clamor. O fim foi alcançado, mas o meio é discutível. Pelo simples fato de que entre as transgressões cometidas por Arruda não está a infidelidade partidária. Ele saiu do DEM para escapar da expulsão, numa solução negociada com a direção do partido. Nem a defesa de Arruda tem razão quando alega que seu cliente foi vítima de perseguição. Não foi. Contrariando a posição de diversos parlamentares, recebeu da direção o benefício de um prazo para se decidir. Portanto, o TRE cassou Arruda por algo que não fez. E, se a decisão for referendada pelo Tribunal Superior Eleitoral, ficará politicamente impune por aquilo de que é acusado de ter feito. Convenhamos que ter o mandato revogado por infidelidade partidária é muito mais confortável que sofrer processo de impeachment por corrupção. Da maneira como as coisas estão postas, José Roberto Arruda sai do caso na posse de seus direitos políticos. Daqui a quatro anos, em tese, pode se eleger deputado, senador ou governador. Se mudar o domicílio eleitoral, também em tese estará credenciado para se candidatar a prefeito ou vereador de qualquer um dos mais de 5 mil municípios brasileiros. A decisão do TRE não resolve o problema da contaminação do Executivo, do Legislativo e de parte do Judiciário do Distrito Federal por ações de um esquema de corrupção denunciado pelo Ministério Público. Estabelece um precedente esquisito ao devolver mandato eletivo a um partido que não tem como ocupá-lo e cria facilidades a todos os envolvidos. A Câmara Distrital não precisará mais cuidar do impeachment, o Supremo Tribunal Federal não terá a responsabilidade de decidir sobre o pedido de intervenção e o presidente da República fica livre da tarefa de nomear interventor. É o método mais fácil e menos eficaz de se lidar com a questão. A fidelidade partidária, tal como posta em entendimento do TSE corroborado pelo Supremo, refere-se aos que mudam de legenda sem justificativa, quebrando unilateralmente o contrato firmado com eleitor. O princípio de que o mandato pertence ao partido pressupõe a substituição do cassado por outro eleito pela mesma legenda. No caso de Brasília, o vice-governador, Paulo Octávio, deixou o DEM e o cargo. Não há ninguém mais que tenha recebido os votos majoritários dados à chapa do DEM para o governo do Distrito Federal. Se a substituição será feita por meio de nova eleição (indireta), o conceito de posse do mandato inexiste e, portanto, a cassação por infidelidade não faz o menor sentido. Pode ter sido o meio mais rápido e mais fácil. Mas é também imperfeito e uma maneira de encerrar o assunto com uma drástica - e conveniente - redução de danos. Na linha. O PSDB já avisou ao governador José Serra que a escolha de um sábado pela manhã para o ato de lançamento da candidatura requer disciplina. Terá de entregar o discurso aos jornais às 9 horas, por causa do fechamento antecipado das edições de domingo, conversar com as revistas semanais na quinta-feira e, sobretudo, chegar na hora - sem atrasos - para a solenidade. Toda obra. A cartilha da Advocacia-Geral da União não significa necessariamente a última palavra em termos do que é permitido ou proibido ao agente público no período de campanha eleitoral. Fosse, seria dispensável a atuação da Justiça Eleitoral. O próprio advogado-geral, Luís Inácio Adams, deixa isso claro quando conceitua seu cargo como o de advogado de defesa do governo em curso e não do Estado como instituição. |
CLÓVIS ROSSI
A menina, o soldado e o muro
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/03/10
RAMALLAH (Palestina) - Em frente ao hotel Jacir Intercontinental de Belém, no qual se hospedou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um muro exibe uma pintura que vale mais que dez livros sobre o sentimento dos palestinos.
Mostra um soldado israelense com as mãos na parede, sendo vistoriado por uma menina palestina, véu à cabeça. É a completa inversão do cotidiano dos palestinos, meninos e meninas inclusive: para sair de seus territórios, são permanente submetidos à apalpação de segurança, talvez o menor dos tormentos que afetam a vida deles.
O olhar da menina não carrega ódio. Parece distante, como se a rotina a entediasse, como certamente entendia uma menina de verdade submetida a controles que, não raro, são abusivos. Dou um exemplo pessoal: para entrar na segunda-feira no palácio presidencial de Jerusalém, tive que, literalmente, abaixar as calças e exibir a cicatriz da operação para colocação de prótese no quadril (uma peça de titânio que apita sempre que passo nos escâneres de segurança).
É um abuso burro: a cicatriz existe, mas poderia ter sido provocada por um tiro, uma facada, outra operação. Não prova que eu tenho uma peça de metal no quadril.
É esse o drama dos palestinos: precisam provar, uma e mil vezes, que não são terroristas, embora alguns dentre eles o sejam. Mas sofrem todos a "punição coletiva" do jargão diplomático-jurídico internacional e que tanto horroriza os adeptos da legalidade.
Não deu tempo de fazer uma pesquisa ampla para saber se a maioria dos palestinos incorporou o tédio/ conformismo da menina pintada no muro. Os incidentes dos últimos dias, no entanto, dão razão a Avi Issacharoff e Amos Harel, do "Haaretz", quando dizem que "parece que outro substancial choque israelo-palestino, com Jerusalém no meio, está se tornando crescentemente próximo".
JOSÉ SIMÃO
Ueba! Zé Mayer em "Chifrar a Vida"!
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/03/10
O esporte predileto da novela é o chifre. Tourada. Todo mundo traindo todo mundo!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Polícia Ambiental prende traficante com uma tonelada de maconha. De onde é o traficante? CHAPADÃO DO SUL! Ai já é predestinação: nasceu chapadão! Nascido chapadão, fuma uma tonelada de maconha! E sabe qual o pior efeito colateral da maconha? Quando a polícia chega.
E sabe como é restaurante por quilo em Portugal? Eles pesam o cliente. Na entrada e na saída! E avisa pro Kassab que, em vez de ele tirar as motos das marginais, tem que tirar os marginais das motos!
E a novela do Manoel Carlos, "Morrer em Vida"? O escritório de arquitetura não tem clientes, o hospital não tem pacientes, o aventureiro não viaja, a modelo não desfila e a alcoólatra não bebe!
Ficam todos praticando o esporte predileto da novela, segundo o Stycer do UOL: o adultério. O esporte predileto da novela é o chifre. Tourada. Todo mundo traindo todo mundo! O elenco tá levando mais chifre que pano de toureiro. Todos tem que andar em carro de teto solar. Teto solar no Projac! Zé Mayer em "Chifrar a Vida"!
E o babado do pré-sal! Esse pré-sal é um pré no salco! Manifestação no Rio pra não dividir os lucros do pré-sal. E o governador Cabral fica chorando. Então vamos dar um prêmio de consolação pra ele: uma PRÉ-RERECA! Uma pré-rereca, um pré-sal de frutas e depois um pré no salco!
E o Lula vai lançar mais quatro "prés": 1) pré-primário: alfabetização para todos os cariocas, coordenado pessoalmente por ele, depois que ele escreveu o BROG DO PRANALTO! 2) pré-tendente: dentadura para todos os cariocas. 3) pré-claro: celular para todos. E PRÉ-SEPADA: todas as anteriores. Rarará!
E tão dizendo que o Serra é um serráqueo. Terráqueo é que ele não é. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Campos do Jordão tem uma loja perfeita para mulheres: Pinto & Flores! Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Burguesa": companheira viciada em hambúrguer! Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E vai indo que eu não vou!
SONIA RACY - DIRETO DA FONTE
Falha deles
Patrus Ananias está inconsolável. Um erro banal causou o cancelamento - que será divulgado hoje - de 86.963 benefícios do Bolsa-Família.
Trata-se de cadastros que não informaram, no devido campo, os nomes das escolas onde estudam os filhos.
O Ministério do Desenvolvimento diz ter feito tudo para impedir que os beneficiários tivessem problemas. Desde julho, mandou extrato bancário com advertência em letras garrafais.
Jornadas à parte
Para mostrar o grau de amizade entre Aloizio Mercadante e Paulo Skaf, vice de seus sonhos, petistas contam que o senador chegou a criticar, em reunião de líderes, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. O assunto põe em lados opostos a Fiesp e as centrais sindicais, como CUT e Força.
O senador nega a crítica. Mas prefere não dizer o que pensa do assunto. "Em nenhum momento ele se posicionou. Esperamos que apoie as centrais", diz Paulinho da Força.
Welcome
O Metropolitan Opera House convidou e Nizan Guanaes e Donata Meirelles aceitaram.
São os mais novos membros do conselho da casa.
Questão de cor
Na visita ao Haiti, Maitê Proença dormiu nos mesmos lençóis cor-de-rosa que receberam Angelina Jolie, na base do Exército brasileiro.
O que preocupava os soldados, depois, era não esquecer de trocá-los. A visita seguinte seria de um general do Exército.
Raios X verde
A AME Jardins luta por mapeamento da saúde das 2.200 árvores do bairro.
A Eletropaulo aceita pagar o estudo, mas o projeto aguarda sinal verde de Eduardo Jorge há mais de 80 dias.
Mangalô 3 vezes
Márcio Toledo, do Jockey, deu a Dilma, via Marta Suplicy, uma réplica do mesmo pingente com que havia presenteado Lula.
Acha que dá sorte.
Sem trégua
Lula deve ter gostado, inicialmente, do convite que lhe fez o governo de Israel: foi ao Bosque de Jerusalém plantar uma oliveira que levaria seu nome.
Não deu certo. Teve de ouvir loooongo discurso em hebraico, traduzido por alguém que, com toda certeza, não ouvia português há muuito tempo.
Embaixadinha
Marta, a melhor jogadora do planeta, recebeu tratamento vip ao buscar seu visto no consulado dos EUA do Recife. Brindada com filme especial de Michelle Obama, deixou duas bolas assinadas para suas filhas Sasha e Malia.
A campeã joga na equipe do Gold Pride, de San Francisco.
Forza, Itália
O Museu do Bexiga será inteiramente repaginado. Terá R$ 500 mil para ficar novinho em folha até 2011 - o Ano da Itália no Brasil.
Modernidade
Luciano Huck acaba de ganhar apoio para o quadro Lata Velha, do Caldeirão. A atração promove a repaginação de carros gratuitamente.
A Esso se encarrega de fornecer o motor flex-fluel.
Uma noite para Tancredo
Foi uma das filas mais vips dos últimos tempos. Alinhados à espera de uma dedicatória de Rubens Ricúpero, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, anteontem, estavam José Goldemberg, Celso Lafer, Aloisio Araújo, Sérgio Amaral, Emílio Odebrecht, Emanoel Araujo... e muitos outros.
O tom da noite era de nostalgia. As 450 páginas do livro Diário de Bordo contam a história de um governo que começava a ser e que não foi - as breves semanas entre a eleição de Tancredo Neves, em janeiro de 1985, e sua morte às vésperas da posse no Planalto, em março. Um "pré-governo" marcado por visitas a líderes da Europa e dos EUA.
"Eu estava então na Embaixada em Washington", relembra Sergio Amaral. "Me lembro da reunião com Bush pai, quando ele, sentado, já mostrava os incômodos da doença, massageando a barriga constantemente."
Saudades daquele tempo? O próprio Ricupero não hesita: "Olha, os homens públicos que tínhamos então eram um time de primeira. Tancredo, San Tiago Dantas, Ulysses, Walter Moreira Salles, Franco Montoro..."
Comparar com os de hoje? "Ah, é covardia. Aquilo era uma seleção. O que hoje temos equivale, no máximo, a um Olaria."
E Serra, que acabou chegando no final, viu no livro foto da equipe de Tancredo em que, segundo Ricupero, ele aparece "bem mais gordinho". Coçou o queixo e ponderou: "Eu dormia muito pouco naquele tempo..."
GABRIEL MANZANO FILHO
Na frente
Miranda Kassin, cover de Amy Winehouse, faz show hoje na Tabacaria Ranieri.
Felipe Gini é o curador da exposição Passos. Na mostra, criações do estilista Marcelo Sommer viram quadros. Começa sábado, na Bela Vista.
O site Panelinha, de Rita Lobo, completa dez anos. E comemora com lançamento de livro de receitas.
Robert Storr, crítico de arte e reitor da Faculdade de Artes de Yale, dá um pulinho a São Paulo. Participa da Semana de Yale no Brasil, hoje e amanhã, na FAAP.
Ruy Mesquita, diretor de Opinião do Estado, será homenageado dia 8, no Palácio das Laranjeiras, no Rio. Receberá o título de Ícone da Comunicação. Prêmio da Associação Brasileira das Agências de Publicidade.
Fabiana Turci lança o livro Desobjetos, na Martins Fontes da Paulista. Terça.
Chen Xing Dong, economista-chefe do BNP Paribas para a China, chega ao Brasil amanhã. Falará sobre a economia chinesa e suas projeções de crescimento.
Forma física e penduricalhos levam Axl Rose a ser comparado no Brasil com ...Zé Rico. Que faz dupla caipira com Milionário.
ROBERTO MACEDO
A medida da marolinha
O presidente Lula continua às voltas com o problema que criou quando, em recente visita ao companheiro Fidel, comparou dissidentes cubanos a criminosos presos no Brasil. Sem uma explicação capaz de contornar o mal-estar geral criado por suas palavras, vem recebendo críticas contundentes, no .Brasil e lá fora.
Contudo, quanto a outra comparação que fez, dos efeitos da crise nos EUA e no Brasil, a recente notícia de que o nosso produto interno bruto (PIB) caiu 0,2% em 2009 já lhe permite recorrer a uma saída, como outras suas capaz de iludir muita gente. Recorde-se que no início de outubro de 2008, ainda sem saber bem o que vinha pela frente, deixou de lado sua marca registrada, o método Nanp (nunca antes neste país), ou do retrovisor opaco, e voltou-se para o nosso futuro ao afirmar: "Lá (nos EUA), ela (a crise) é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar."
Agora, com esse resultado do PIB, na sua quase-lógica, poderia dizer: "Eu estava me referindo apenas à taxa de variação do PIB em 2009, negativa, mas pequenina." Se contestado com a menção ao vagalhão, que reduziu em cerca de 1,5% o valor que na ausência da crise o PIB poderia ter atingido 2008, mais 5% que, por baixo, seria o crescimento do de 2009 na mesma situação, com sua criatividade poderia dar uma contribuição à ciência dos movimentos do mar com esta proposição: "A cada vagalhão, em algum momento se segue uma marolinha."
Quanto ao vagalhão, ele está muito evidente nos dados que vieram do IBGE a mostrar que as quedas do PIB nos dois trimestres subsequentes à eclosão da crise (o último de 2008 e o primeiro de 2009) foram tão fortes que a economia tomou três trimestres para se recuperar (do segundo até o quarto do ano passado). Mesmo assim, a série encadeada do índice trimestral do PIB, que tem como base 1995 = 100, revela que o índice do quarto trimestre de 2009 (151,2) ainda estava levemente abaixo do índice do terceiro trimestre de 2008 (152,5), o que estaria a indicar que a recuperação completa só se daria no trimestre corrente. Contudo, com o chamado ajuste sazonal, isso já ocorreu no trimestre passado, ainda que também por uma pequena diferença, pois nos mesmos períodos os valores dos índices foram 149,6 e 150,6, respectivamente. Na realidade, portanto, o Brasil foi bastante afetado pela crise, só recentemente saindo dela.
Também não cabe dizer, como faz muita gente dentro e fora do governo federal, que - 0,2% tenha sido uma taxa boa. Quem diz isso se baseia na comparação com os muitos países que se saíram pior que o Brasil, sendo um sinal da mediocridade aqui reinante que comparações sejam feitas com os piores. Isso serve até como justificativa para corruptos: "Sou, mas muita gente é."
Assim, em lugar de achar bom nos sairmos menos mal, por que não olhar os países que se destacaram com um bom desempenho mesmo na crise, e examinar no que precisamos melhorar o nosso, em crises ou fora delas?
Olhando o próprio grupo a que nos orgulhamos de pertencer, o Bric, nele dois países se destacaram ao sofrerem muito pouco em 2009. Na China e na Índia, o crescimento do PIB, que já era bem mais forte que no Brasil, caiu muitíssimo menos do que aqui. No primeiro caso, a queda foi de cerca de 10% para 8% ao ano, e de perto de 8% para 6% no segundo.
Quanto ao que causa essa diferença relativamente ao Brasil, várias vezes já tratei disso neste espaço, e vou continuar por ter fé no velho dito de que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. A grande diferença é que no Brasil é muito pequena a taxa de investimento, aquela parcela do PIB que amplia a capacidade produtiva do País, entre outras formas, via expansão do que já existe ou por meio de novas fábricas, fazendas, atividades de serviços e obras de infraestrutura, entre outros aspectos. Essa taxa, também segundo o IBGE, foi de 16,7% do PIB no ano passado. Mas, na China, por muito tempo ela se tem mantido em torno de 40% e na Índia, próxima de 30%.
Visto de outra forma, nosso desenvolvimento segue hoje um padrão em que, tanto no governo federal como em geral, a ênfase é no consumo, com prejuízo da poupança e do investimento. Predomina uma visão estática e míope do processo produtivo na qual, particularmente no governo Lula, a preocupação maior é redistribuir a riqueza já acumulada, sem equilibrar isso com a necessidade de dinamicamente produzir mais, poupando, investindo e buscando avanços tecnológicos que também acelerem a produção.
Não podemos ficar esperando o tal país do futuro sem nos esforçarmos em bem construí-lo no presente. Hoje continuamos dopados pela visão financista - e a crise mostrou que sempre há gente para financiar tudo, até títulos podres - de que o consumo interno vai se expandir indefinidamente com a ampliação do crédito. E ainda, dada a perspectiva de enormes déficits nas contas correntes com o exterior, de que o País também conseguirá financiá-los com o fluxo de recursos externos, particularmente de investimentos diretos. Ora, esses investidores não são bobos, e aqui vêm buscar remuneração que terá de ser paga. Além disso, seguem com maior vigor para países que se esforçam mais para investir com recursos de sua própria poupança.
Assim, a perspectiva efetiva é a de um futuro com maior dependência externa, aumentando a vulnerabilidade da economia a crises que em algum momento virão, ao mesmo tempo que a capacidade de endividamento interno acabará por se esgotar, impondo limites ao crescimento.
No fundo, muita água vai precisar cair em cima das pedras, pois a dificuldade está nas cabeças duras, em particular a do falso messias e dos que se iludem com ele.
ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), PROFESSOR ASSOCIADO À FAAP, É VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO
MERVAL PEREIRA
Hora de negociar
O Globo - 18/03/2010
Com o sucesso da passeata promovida pelo governo do Rio contra a mudança da regra de distribuição dos royalties do petróleo, e restabelecida a aliança com São Paulo, que, através do governador José Serra, posicionouse firmemente contrário a uma solução que destrua a economia do Rio e do Espírito Santo, chegou o momento de voltar à mesa de .negociações.
Os governadores do Rio, São Paulo e Espírito Santo voltaram a se alinhar na mesma posição, como estavam alinhados no início da discussão sobre os royalties do pré-sal para forçar o governo a aceitar que não fossem alteradas as regras de áreas já licitadas.
Esse compromisso foi assumido pelo presidente Lula, na presença dos ministros Edison Lobão, Nelson Jobim, Dilma Rousseff e Franklin Martins, em uma reunião no Palácio da Alvorada. O projeto do deputado Ibsen Pinheiro fez desandar o acordo.
O governador Paulo Hartung, do Espírito Santo, que veio ao Rio para a passeata, desde o início dos debates acha que a grande solução é política, não jurídica. Para ele, a discussão de mudança de modelo deveria ser o ponto central, “mas ninguém quis debatê-la”.
Com a sinalização de que a discussão sobre alteração do sistema de concessão para o de partilha — “uma mudança profunda, cujos resultados não são previsíveis” — pode ser retomada, na linha do que defende o senador Francisco Dornelles, Hartung coloca a política à frente das questões jurídicas.
“O sistema anterior (de concessão) funciona muito bem, é um sistema vitorioso, ele é que nos trouxe ao pré-sal e à autossuficiência”.
Para Hartung, não pode haver discussão sobre os royalties do pós-sal e das áreas do pré-sal já licitadas, “uma receita que já está em curso”.
Uma mudança desse tipo “quebraria os laços de solidariedade federativa no Brasil”, define o governador, para quem essa solidariedade federativa “é um ponto forte” na estrutura do país.
Ele exemplifica com o fato de que os estados aceitam pagar impostos para ir para o Nordeste, para o Norte, para o desenvolvimento regional.
“O Fundo de Participação dos Estados e Municípios é distribuído desigualmente, dando mais para quem tem menos, e isso foi aceito pelo país. É o retrato da solidariedade federativa”.
Ao contrário, ressalta Hartung, “se você mexe em coisas que estão em produção, que já estão nos orçamentos públicos, rompe os laços de solidariedade”.
Mas ele admite negociar a parte não explorada dessa riqueza nova, e diz que “é em cima dela que temos que produzir um acordo”.
O governador do Espírito Santo acha que partilhar essa nova riqueza com o Brasil, “um país carente de tudo”, faz todo sentido, assim como também é necessário dar um tratamento diferenciado aos estados produtores.
“Dizer que a exploração não tem impacto não é verdade.
Macaé virou um bolsão de oportunidades, mas também de pobreza. É gente do país inteiro que se desloca para lá, exigindo investimentos em emprego, unidades de saúde, escolas, problemas de segurança pública”.
Hartung acha que o presidente Lula, que foi o padrinho do acordo, tem que reassumir essa negociação.
Mas vê uma oportunidade para a retomada do diálogo, pois os apoiadores da mudança “foram com tanta sede ao pote que quebraram o pote”, criando uma situação tão absurda que agora tem que ser consertada.
Na questão jurídica propriamente dita, o secretáriochefe da Casa Civil do Governo do Estado do Rio, Regis Fichtner, rebate a ironia de Ibsen Pinheiro de que o mar territorial seria da União, e que o máximo que o estado poderia usufruir seria a vista do mar, com a decisão unânime do Supremo na ADI 2080-3, de fevereiro de 2002, que decidiu pela “competência tributária dos estados e municípios sobre a área dos respectivos territórios, incluídas nestes as projeções aéreas e marítimas de sua área continental, especialmente as correspondentes partes da plataforma continental, do mar territorial e da zona econômica exclusiva”.
Já o governador de São Paulo, José Serra, que carrega a fama de ser o mentor da lei que cobra o ICMS do petróleo no local de consumo, prejudicando os estados produtores, especialmente o Rio, está tentando mais uma vez recolocar os fatos nos devidos lugares.
Não foi possível cobrar na Constituinte o ICMS na origem, como era a proposta da comissão chefiada pelo hoje senador do Rio Francisco Dornelles e da qual Serra fazia parte, porque a maioria dos estados, importadores de petróleo e derivados e de energia elétrica, perderia, por terem de pagar o ICMS que não pagavam antes da Constituinte.
Na avaliação de Serra, não foi a bancada paulista que zerou a alíquota interestadual do ICMS sobre petróleo e combustíveis dele derivados, até porque São Paulo perdia com isso, pois o estado importava muito petróleo do exterior e vendia o óleo refinado, com alto valor agregado, para vários outros estados.
Reproduziu-se agora na Câmara o mesmo fenômeno ocorrido na Constituinte de 1988, com a grande maiorias dos estados se unindo contra os estados produtores de petróleo.
O fato é que o pagamento de royalties para os estados produtores foi aprovado também para compensar a impossibilidade de cobrar o ICMS na origem.
Um estudo do governo do Rio demonstra que o estado perde anualmente R$ 8,6 bilhões, porque o Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS) é cobrado no local de consumo, prejudicando os estados produtores de petróleo.
Esse é um ponto que tem que entrar na negociação sobre uma eventual redistribuição dos royalties do pré-sal.
Com o sucesso da passeata promovida pelo governo do Rio contra a mudança da regra de distribuição dos royalties do petróleo, e restabelecida a aliança com São Paulo, que, através do governador José Serra, posicionouse firmemente contrário a uma solução que destrua a economia do Rio e do Espírito Santo, chegou o momento de voltar à mesa de .negociações.
Os governadores do Rio, São Paulo e Espírito Santo voltaram a se alinhar na mesma posição, como estavam alinhados no início da discussão sobre os royalties do pré-sal para forçar o governo a aceitar que não fossem alteradas as regras de áreas já licitadas.
Esse compromisso foi assumido pelo presidente Lula, na presença dos ministros Edison Lobão, Nelson Jobim, Dilma Rousseff e Franklin Martins, em uma reunião no Palácio da Alvorada. O projeto do deputado Ibsen Pinheiro fez desandar o acordo.
O governador Paulo Hartung, do Espírito Santo, que veio ao Rio para a passeata, desde o início dos debates acha que a grande solução é política, não jurídica. Para ele, a discussão de mudança de modelo deveria ser o ponto central, “mas ninguém quis debatê-la”.
Com a sinalização de que a discussão sobre alteração do sistema de concessão para o de partilha — “uma mudança profunda, cujos resultados não são previsíveis” — pode ser retomada, na linha do que defende o senador Francisco Dornelles, Hartung coloca a política à frente das questões jurídicas.
“O sistema anterior (de concessão) funciona muito bem, é um sistema vitorioso, ele é que nos trouxe ao pré-sal e à autossuficiência”.
Para Hartung, não pode haver discussão sobre os royalties do pós-sal e das áreas do pré-sal já licitadas, “uma receita que já está em curso”.
Uma mudança desse tipo “quebraria os laços de solidariedade federativa no Brasil”, define o governador, para quem essa solidariedade federativa “é um ponto forte” na estrutura do país.
Ele exemplifica com o fato de que os estados aceitam pagar impostos para ir para o Nordeste, para o Norte, para o desenvolvimento regional.
“O Fundo de Participação dos Estados e Municípios é distribuído desigualmente, dando mais para quem tem menos, e isso foi aceito pelo país. É o retrato da solidariedade federativa”.
Ao contrário, ressalta Hartung, “se você mexe em coisas que estão em produção, que já estão nos orçamentos públicos, rompe os laços de solidariedade”.
Mas ele admite negociar a parte não explorada dessa riqueza nova, e diz que “é em cima dela que temos que produzir um acordo”.
O governador do Espírito Santo acha que partilhar essa nova riqueza com o Brasil, “um país carente de tudo”, faz todo sentido, assim como também é necessário dar um tratamento diferenciado aos estados produtores.
“Dizer que a exploração não tem impacto não é verdade.
Macaé virou um bolsão de oportunidades, mas também de pobreza. É gente do país inteiro que se desloca para lá, exigindo investimentos em emprego, unidades de saúde, escolas, problemas de segurança pública”.
Hartung acha que o presidente Lula, que foi o padrinho do acordo, tem que reassumir essa negociação.
Mas vê uma oportunidade para a retomada do diálogo, pois os apoiadores da mudança “foram com tanta sede ao pote que quebraram o pote”, criando uma situação tão absurda que agora tem que ser consertada.
Na questão jurídica propriamente dita, o secretáriochefe da Casa Civil do Governo do Estado do Rio, Regis Fichtner, rebate a ironia de Ibsen Pinheiro de que o mar territorial seria da União, e que o máximo que o estado poderia usufruir seria a vista do mar, com a decisão unânime do Supremo na ADI 2080-3, de fevereiro de 2002, que decidiu pela “competência tributária dos estados e municípios sobre a área dos respectivos territórios, incluídas nestes as projeções aéreas e marítimas de sua área continental, especialmente as correspondentes partes da plataforma continental, do mar territorial e da zona econômica exclusiva”.
Já o governador de São Paulo, José Serra, que carrega a fama de ser o mentor da lei que cobra o ICMS do petróleo no local de consumo, prejudicando os estados produtores, especialmente o Rio, está tentando mais uma vez recolocar os fatos nos devidos lugares.
Não foi possível cobrar na Constituinte o ICMS na origem, como era a proposta da comissão chefiada pelo hoje senador do Rio Francisco Dornelles e da qual Serra fazia parte, porque a maioria dos estados, importadores de petróleo e derivados e de energia elétrica, perderia, por terem de pagar o ICMS que não pagavam antes da Constituinte.
Na avaliação de Serra, não foi a bancada paulista que zerou a alíquota interestadual do ICMS sobre petróleo e combustíveis dele derivados, até porque São Paulo perdia com isso, pois o estado importava muito petróleo do exterior e vendia o óleo refinado, com alto valor agregado, para vários outros estados.
Reproduziu-se agora na Câmara o mesmo fenômeno ocorrido na Constituinte de 1988, com a grande maiorias dos estados se unindo contra os estados produtores de petróleo.
O fato é que o pagamento de royalties para os estados produtores foi aprovado também para compensar a impossibilidade de cobrar o ICMS na origem.
Um estudo do governo do Rio demonstra que o estado perde anualmente R$ 8,6 bilhões, porque o Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS) é cobrado no local de consumo, prejudicando os estados produtores de petróleo.
Esse é um ponto que tem que entrar na negociação sobre uma eventual redistribuição dos royalties do pré-sal.
PAINEL DA FOLHA
Renata Lo Prete
Folha de S.Paulo - 18/03/2010
Fracassada a operação Ciro-SP e consolidada a candidatura de Aloizio Mercadante ao Palácio dos Bandeirantes, o PT se movimenta rapidamente para atrair apoios, ameaçando deixar sozinho aquele que, em tese, oferecerá a Dilma Rousseff um segundo palanque no Estado: Paulo Skaf (PSB).
Além de ter praticamente assegurados PC do B e PDT (este na dianteira para indicar o vice), Mercadante está adiantado na negociação com o PR, uma das siglas com que o presidente da Fiesp imaginava contar. A outra é o PP, que no momento se faz de difícil para Skaf: Celso Russomanno tem sinalizado que ou bem se lança candidato ou apoia o PT.
Topa?
De Russomanno, 6% no Datafolha mais recente, sobre Skaf, 1%: "Se ele quiser ser meu vice eu aceito".
Endereço. O PT ainda não definiu quem será o tesoureiro da campanha de Dilma, mas já está acertado que as finanças (arrecadação e compra de material) serão centralizadas em São Paulo.
O PSDB tentará evitar excesso de oradores no evento para lançar José Serra, no dia 10 de abril em Brasília. Os mais radicais defendem que, fora o próprio candidato, falem apenas os presidentes dos três partidos que por ora formam a aliança -além dos tucanos, DEM e PPS.
Ação...A ala pró-Dilma do PTB diz que, em 15 Estados, o partido fechará com a ministra, apesar do apoio do presidente da sigla, Roberto Jefferson, a Serra. Em Goiás, base do líder petebista na Câmara, Jovair Arantes, a sigla apoiaria Marconi Perillo (PSDB) ao governo e Dilma ao Planalto.
...e reaçãoEx-padrinho e hoje adversário do petebista Gim Argello, anfitrião do jantar pró-Dilma, Joaquim Roriz (PSC) foi ontem a Jefferson: "Vim aqui lhe dar um abraço". O presidente respondeu: "Obrigado, governador, o abraço é muito bem-vindo".
Transferência 1Detalhamento da pesquisa CNI/Ibope aponta que, daqueles que avaliam o governo Lula como "ótimo", 51% declaram intenção de voto em Dilma, contra 22% em Serra. Já para quem o governo é "bom", 38% declaram preferir o tucano, contra 29% da petista.
Transferência 2Dos entrevistados que manifestam preferência por Ciro Gomes (PSB), 52% afirmam optar, caso ele não concorra, por Serra, e 28% por Dilma.
Que tal?Depois que Lula traçou o perfil ideal para o substituto de Hélio Costa nas Comunicações, um nome passou a ser citado no círculo presidencial: Antonio Palocci.
BatismoDepois do impasse jurídico envolvendo o nome Petrosal, o governo resolveu batizar a futura estatal de Pré-Sal Petróleo S.A -sigla PPSA. Para alguns, lembra a PDVSA de Hugo Chávez.
ParceriaApós intermediação de Nelson Jobim (Defesa) e de Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula, a FAB vai participar no fim de semana de nova missão de resgate de reféns das Farc na Colômbia.
IntercâmbioA ex-secretária da Receita Lina Vieira, que afirmou ter sido chamada por Dilma para tratar de investigação sobre a família Sarney, pediu afastamento do cargo de auditora por três meses. Estudará inglês em Londres.
Roupa do corpoA demora na checagem das bagagens fez a comitiva de Lula embarcar de Israel à Jordânia sem as malas, que só chegaram a Amã horas mais tarde.
Em baixaUm notável fez a conta: do ano passado para este, caiu pela metade o número de ministros na festa de aniversário de José Dirceu. O vice José Alencar também não foi. E havia menos representantes de partidos aliados em meio à maioria de petistas.
Tiroteio
"Quem se aproveita deste momento na verdade só está perdendo seu tempo." De REINHOLD STEPHANES (PMDB), em resposta ao correligionário Eduardo Cunha, segundo quem o ministro "não tem condições de continuar nem indicar sucessor" porque "não consegue controlar nem o próprio filho", que atacou o PT na tribuna da Assembleia paranaense.
Contraponto
De volta para o futuro
O ministro Geddel Vieira Lima, que hoje completa 51 anos, recebeu ontem um telefonema de sua mulher, que por sua vez relatava ter recebido outro, do Palácio de Ondina, residência do governador da Bahia. Uma funcionária lhe informara que alguém havia deixado ali um presente de aniversário para o titular da Integração Nacional.
Presente resgatado, Geddel descobriu que se tratava de uma garrafa de vinho enviada pelo presidente de uma associação de imobiliárias, que apenas errara o endereço.
O peemedebista, que planeja enfrentar o governador Jaques Wagner (PT) na eleição de outubro, ligou imediatamente para agradecer, fazendo somente uma ressalva:
-Eu podia ter deixado no palácio e beber em janeiro!
ANCELMO GÓIS
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O Globo - 18/03/2010
Amanhã faz três anos que Cesare Battisti está preso no Brasil.
O STF, como se sabe, decidiu que cabe a Lula a palavra final sobre o destino do ex-ativista italiano: mantê-lo aqui ou extraditálo para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua.
Lula já disse que decidirá assim que tiver a deliberação oficial do Supremo na mão. Só que, mais de quatro meses depois do julgamento de Battisti, o STF ainda não publicou sua decisão.
No pasarán
Pesquisa do DataRio sobre esta tunga dos royalties do petróleo mostra que 81% dos cariocas sabem do que se trata. Só 8% declararam não saber direito.
Segundo o levantamento, para 87%, é injusto tirar o dinheiro de royalties do estado.
A culpa é do Chávez
Há testemunhas. Papo ontem de manhã entre o motorista e a cobradora de um ônibus 497 (Cosme Velho-Penha): — Essa passeata na Candelária é por causa de quê, hein? — perguntou a cobradora.
— É que querem tirar a Copa e as Olimpíadas da cidade — respondeu o motorista.
Segue...
A cobradora, então, quis saber: “Mas... tirar para onde?” E o motorista: — Sei não. Acho que é para a Venezuela.
Casa cor
O Senado abriu um crédito de R$ 319.999,96 para comprar móveis novos na RD Móveis Ltda., segundo a ONG Contas Abertas, fiscal dos gastos públicos.
Dourado x gays
O Movimento de Gays, Travestis e Transexuais (MGTT), do Rio, decidiu se mobilizar contra Dourado, do “Big Brother 10”.
O grupo reuniu homossexuais de várias regiões do estado, domingo, em Madureira, e iniciou uma campanha para tirar o lutador do programa. Acusam Dourado de “homofóbico”.
Aliás..
O MGTT e outros grupos gays se movimentam para cobrar de Sérgio Cabral uma delegacia especial para homossexuais.
Calma, professor
O TRF 2 condenou o professor Francisco Mauri de Carvalho Freitas a indenizar em R$ 12 mil sua colega Elaine Romero.
É que, num livro, Freitas chamou a mestra de “pedante”, “empafiosa”, “pós-doutora em falácia” e disse que um estudo dela é “de um inaudito charlatanismo, mau gosto irretorquível e pobreza intelectual inequívoca”.
Retratos da vida
O corpo de Dayson Ferreira Evangelista ficou cinco dias numa gaveta do IML do Rio, apesar de identificado pela mãe, a faxineira Sandra Ferreira.
É que Dayson não foi registrado ao nascer, e o Estado não o reconhece. O rapaz morreu por tiro ao tentar apartar uma briga na Favela do Terreirão, na Barra. Será enterrado hoje como “homem desconhecido”.
Sargento de milícias
Cristiano Girão, aquele sargento bombeiro e vereador do Rio acusado de ligação com milícias, foi expulso do Corpo de Bombeiros.
Dinheiro para o Rio
Hoje, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, o ministro Juca Ferreira, da Cultura, e Luiz Fernando de Almeida, do Iphan, assinam um plano de recuperação de cidades históricas do Rio.
Só do Iphan, virão R$ 20 milhões este ano.
Vela na Light
Outro dia, um carioca ligou para a Light com uma reclamação de erro em sua conta e, no meio da conversa, o atendente pediu desculpas porque... acredite: havia acabado a luz na empresa e o sistema tinha caído.
Pizza literária
A pizzaria Fiammetta vai abrir em maio uma filial na Travessa do BarraShopping, no Rio.
Na alegria e na...
Surgiram na Rua Buenos Aires, no Rio, uns camelôs que negociam ouro e gritam assim: — Se seu casamento estiver no fim, compro sua aliança!
VEJA QUE LEGAL: as duas árvores com o tronco protegido, na foto, sobreviveram à implosão do presídio Frei Caneca, no Rio, sábado passado. Mas, desta vez, foi pela (boa) ação humana. Parte da estrutura de um dos oito prédios do complexo penitenciário não veio inteiro ao chão porque nele foi usada carga 30% menor de dinamite. Tudo pela preservação das árvores. Que bom
ANA BEATRIZ Barros, a linda modelo, faz pose em ensaio fotográfico no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, para a campanha de aniversário de um shopping do Rio
MARIANA BALTAR (à direita), a cantora da Lapa, capricha no chamego com a atriz Stella Miranda, depois de show no Teatro Rival
PONTO FINAL
Adelaide Scritori, presidente da Fundação Cacique Cobra Coral, enviou a diversos senadores uma carta em defesa do Rio nesta luta pelos royalties do petróleo. Mas a médium, que teria o poder de controlar a chuva, poderia mandar uns raios sobre certos políticos.
Não para matar, esconjuro, a coluna nem pode ver sangue. Só para assustar. Com todo o respeito.
Amanhã faz três anos que Cesare Battisti está preso no Brasil.
O STF, como se sabe, decidiu que cabe a Lula a palavra final sobre o destino do ex-ativista italiano: mantê-lo aqui ou extraditálo para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua.
Lula já disse que decidirá assim que tiver a deliberação oficial do Supremo na mão. Só que, mais de quatro meses depois do julgamento de Battisti, o STF ainda não publicou sua decisão.
No pasarán
Pesquisa do DataRio sobre esta tunga dos royalties do petróleo mostra que 81% dos cariocas sabem do que se trata. Só 8% declararam não saber direito.
Segundo o levantamento, para 87%, é injusto tirar o dinheiro de royalties do estado.
A culpa é do Chávez
Há testemunhas. Papo ontem de manhã entre o motorista e a cobradora de um ônibus 497 (Cosme Velho-Penha): — Essa passeata na Candelária é por causa de quê, hein? — perguntou a cobradora.
— É que querem tirar a Copa e as Olimpíadas da cidade — respondeu o motorista.
Segue...
A cobradora, então, quis saber: “Mas... tirar para onde?” E o motorista: — Sei não. Acho que é para a Venezuela.
Casa cor
O Senado abriu um crédito de R$ 319.999,96 para comprar móveis novos na RD Móveis Ltda., segundo a ONG Contas Abertas, fiscal dos gastos públicos.
Dourado x gays
O Movimento de Gays, Travestis e Transexuais (MGTT), do Rio, decidiu se mobilizar contra Dourado, do “Big Brother 10”.
O grupo reuniu homossexuais de várias regiões do estado, domingo, em Madureira, e iniciou uma campanha para tirar o lutador do programa. Acusam Dourado de “homofóbico”.
Aliás..
O MGTT e outros grupos gays se movimentam para cobrar de Sérgio Cabral uma delegacia especial para homossexuais.
Calma, professor
O TRF 2 condenou o professor Francisco Mauri de Carvalho Freitas a indenizar em R$ 12 mil sua colega Elaine Romero.
É que, num livro, Freitas chamou a mestra de “pedante”, “empafiosa”, “pós-doutora em falácia” e disse que um estudo dela é “de um inaudito charlatanismo, mau gosto irretorquível e pobreza intelectual inequívoca”.
Retratos da vida
O corpo de Dayson Ferreira Evangelista ficou cinco dias numa gaveta do IML do Rio, apesar de identificado pela mãe, a faxineira Sandra Ferreira.
É que Dayson não foi registrado ao nascer, e o Estado não o reconhece. O rapaz morreu por tiro ao tentar apartar uma briga na Favela do Terreirão, na Barra. Será enterrado hoje como “homem desconhecido”.
Sargento de milícias
Cristiano Girão, aquele sargento bombeiro e vereador do Rio acusado de ligação com milícias, foi expulso do Corpo de Bombeiros.
Dinheiro para o Rio
Hoje, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, o ministro Juca Ferreira, da Cultura, e Luiz Fernando de Almeida, do Iphan, assinam um plano de recuperação de cidades históricas do Rio.
Só do Iphan, virão R$ 20 milhões este ano.
Vela na Light
Outro dia, um carioca ligou para a Light com uma reclamação de erro em sua conta e, no meio da conversa, o atendente pediu desculpas porque... acredite: havia acabado a luz na empresa e o sistema tinha caído.
Pizza literária
A pizzaria Fiammetta vai abrir em maio uma filial na Travessa do BarraShopping, no Rio.
Na alegria e na...
Surgiram na Rua Buenos Aires, no Rio, uns camelôs que negociam ouro e gritam assim: — Se seu casamento estiver no fim, compro sua aliança!
VEJA QUE LEGAL: as duas árvores com o tronco protegido, na foto, sobreviveram à implosão do presídio Frei Caneca, no Rio, sábado passado. Mas, desta vez, foi pela (boa) ação humana. Parte da estrutura de um dos oito prédios do complexo penitenciário não veio inteiro ao chão porque nele foi usada carga 30% menor de dinamite. Tudo pela preservação das árvores. Que bom
ANA BEATRIZ Barros, a linda modelo, faz pose em ensaio fotográfico no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, para a campanha de aniversário de um shopping do Rio
MARIANA BALTAR (à direita), a cantora da Lapa, capricha no chamego com a atriz Stella Miranda, depois de show no Teatro Rival
PONTO FINAL
Adelaide Scritori, presidente da Fundação Cacique Cobra Coral, enviou a diversos senadores uma carta em defesa do Rio nesta luta pelos royalties do petróleo. Mas a médium, que teria o poder de controlar a chuva, poderia mandar uns raios sobre certos políticos.
Não para matar, esconjuro, a coluna nem pode ver sangue. Só para assustar. Com todo o respeito.
DEMÉTRIO MAGNOLI
Não doe para o Haiti
O Estado de S.Paulo - 18/03/10Estarrecido, como todos nós, pela tragédia humana do Haiti pós-terremoto, um amigo converteu a celebração de seu aniversário em evento de captação de doações para os haitianos. O dinheiro arrecadado não chegará nunca às pessoas que perderam o quase nada que tinham. Será desviado para financiar os intermediários entre o mundo e o devastado país caribenho: as ONGs internacionais, às vezes associadas à diminuta, cleptocrática elite haitiana. Já era assim antes do terremoto. Piorou depois.
Estado despido de soberania, o Haiti é um protetorado da ONU governado pelas ONGs. Obviamente, existem ONGs bem-intencionadas, mas não é esse o ponto. O experimento ultraliberal de abolição da soberania e do autogoverno equivale à anulação da cidadania dos haitianos. As pessoas não têm direitos, a não ser o de aguardar na fila até que o funcionário de uma ONG lhes estendam um prato de comida. É assim há anos, bem antes do terremoto.
A soberania haitiana acabou junto com sua recente, turbulenta democracia, em fevereiro de 2004, quando forças americanas e francesas sequestraram o presidente Jean-Bertrand Aristide e o depositaram na República Centro-Africana. Naquele momento, a pedido de George W. Bush, o Brasil assumiu a liderança da Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (Minustah). A ONU não restaurou a democracia, mas forneceu cobertura política e sustentação militar para a instalação de um arremedo de governo emanado de eleições sem liberdade. Em seis anos, realizaram-se uma eleição presidencial e duas parlamentares. Nenhuma teve a participação de Aristide, compulsoriamente exilado, nem de sua organização, a Fanmi Lavalas, o maior partido haitiano, impedido de concorrer por chicanas burocráticas do comitê eleitoral. É como se o PT fosse proibido de disputar eleições no Brasil.
Politicamente, o Haiti atual é fruto do protetorado da ONU. Operam no país 9 mil ONGs, uma taxa per capita inigualada em qualquer outro lugar. Na "república das ONGs", mesmo antes do terremoto, não existia nada parecido com um Estado e quase nenhum sinal de serviços públicos. Perto de 85% das crianças estudam em escolas privadas. O transporte público é privado, assim como a distribuição de água. Contam-se 6 mil policiais em todo o território, mas 15 mil agentes de empresas de segurança. Os serviços de saúde são, na sua maioria, operados por empresas privadas. O Hospital Geral de Porto Príncipe, um dos raros estabelecimentos públicos, encontra-se circundado por clínicas e farmácias privadas, de propriedade dos médicos do hospital. Nenhuma das empresas dedicadas a fornecer serviços públicos está submetida a agências estatais de vigilância. Mas virtualmente todas atuam como tentáculos diretos ou indiretos das ONGs.
Aquilo que se faz passar por um governo nacional não passa de uma coleção de despachantes das entidades privadas internacionais. Todos os ministros haitianos têm conexões com os conselhos locais das ONGs. Muitos deles exercem funções de conselheiros de diversas ONGs. Até o Viva Rio, uma ONG brasileira muito menos poderosa que a britânica Oxfam ou a americana Care, conta com os préstimos de um ministro. A nação sem Estado, sem governo e sem democracia transformou-se em reserva de caça dessas organizações, que funcionam como lagoas de captação dos financiamentos de instituições multilaterais e das doações internacionais. Ninguém conhece de fato os orçamentos dos entes estrangeiros engajados na obra humanitária de salvação dos haitianos.
Um alto oficial das forças brasileiras da Minustah narrou, num encontro acadêmico, um revelador episódio singular. Anos atrás, uma ONG decidiu limpar um canal de águas pluviais a céu aberto de Porto Príncipe que estava entupido por lixo residencial. O oficial militar argumentou que a iniciativa seria inútil, pois inexistia serviço de coleta de lixo e os residentes, encapsulados em moradias de 13 metros quadrados, não tinham alternativa para se livrar do lixo. Os responsáveis ongueiros retrucaram que, após a limpeza, a comunidade se encarregaria de conservar o canal desimpedido. A teoria subjacente é que o Haiti não precisa de Estado, mas da cooperação entre as ONGs e o povo. Meses depois, o canal estava novamente entupido.
O Haiti das imagens da TV é uma massa homogênea de miseráveis salpicada por gangues criminosas. O Haiti de verdade é diferente. O país tem intelectuais, escritores e uma imprensa sem dinheiro, mas com ideias. Entre os haitianos há profissionais qualificados em quase todas as áreas, da medicina à engenharia, passando pela educação e pelas letras. Eles só têm trabalho quando conseguem ingressar na rede das ONGs.
Existe diferenciação social no Haiti. De um lado, em enclaves patrulhados por forças privadas, reside uma elite muito rica, que não participa diretamente da vida política, mas exerce poder por meio de figuras interpostas e beneficia-se da pervasiva, assombrosa corrupção oficial. De outro, nos EUA existe uma classe média formado por exilados haitianos que partiram como reação à absoluta ausência de segurança jurídica na sua pátria. Os cerca de 600 mil imigrantes haitianos nos EUA não investem no Haiti, pois temem perder seus modestos patrimônios, mas enviam dinheiro aos familiares. Os miseráveis das paisagens exibidas na TV subsistem, essencialmente, com as rendas transferidas pelos exilados, que representam algo como um quarto do PIB e circundam o sistema de desvio de recursos das ONGs.
Nos impérios europeus do século 19, as administrações coloniais dedicavam-se a subjugar os "nativos", mas ao menos implantavam serviços públicos básicos, em geral de baixa qualidade. No Haiti sob protetorado da ONU, nem isso se faz. O povo deve mendigar às ONGs cujas sedes ficam em Washington, Paris, Ottawa ou no Rio de Janeiro. Não doe para o Haiti. Você estará doando para as ONGs.
SOCIÓLOGO. E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA. PELA USP. E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@TERRA.COM.BR
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O pré-sal de cada um
O GLOBO - 18/03/10
Essa discussão sobre a divisão da renda do petróleo do pré-sal parece uma briga pela herança de um parente moribundo, mas que ainda não morreu. Há algo de constrangedor na disputa pelo espólio de um vivo, mesmo que seu fim esteja perto. A diferença entre o parente e o pré-sal é que enquanto a morte de um é certa a existência do outro é apenas uma probabilidade. Por enquanto, só temos a palavra da Petrobras de que o petróleo está lá, e só uma especulação sobre o valor a ser dividido. O que não impede o feio espetáculo da guerra precoce pela partilha, equivalente a herdeiros se engalfinhando em cima do moribundo, derrubando o soro, etc. Um pouco de recato, gente.
Mas a verdade é que não posso criticar. Tenho já planejado o que farei quando ganhar na mega-sena, que é o pré-sal sonhado de cada um. É quase uma vida imaginária paralela, só esperando o grande prêmio para se tornar realidade. Conheço gente que tem até a planta da casa que mandará fazer na Côte D’Azur pronta, para a eventualidade de ganhar. A diferença entre esses outros esperançosos e eu é que também sei exatamente como gastar o dinheiro ganho no jogo – só que não jogo. Na minha vida imaginária de apostador vencedor sempre falta o detalhe da aposta. E quem passa o tempo todo sonhando em ser rico tem tempo para detalhes?
No caso do pré-sal fazem um cálculo que eu não entendo: o do que os estados produtores perderão se a sua parte na divisão dos roialtis não for maior. Nada contra o Rio receber tudo a que tem direito, mas há uma sutil distinção entre perder e deixar de ganhar. Se eu pedir um milhão de dólares ao Eike Batista e ele, sensatamente, não me der, deixarei de ganhar ou ficarei um milhão de dólares mais pobre? A questão é semântica, deixa pra lá.
GLAUCO
Sempre achei que, depois do pessoal da Semana de Arte Moderna, ninguém tinha feito literatura paulista como os cartunistas. Claro que apareceram bons autores escrevendo sobre a experiência paulista mas, na minha opinião, ninguém a retratava no seu desvario, com todo o escracho e a loucura aparecendo, como o Angeli, o Laerte e o Glauco nas suas tiras. Não tenho notícia de outro personagem no mundo dos quadrinhos – ou da literatura – parecido com o Geraldão do Glauco, equilibrando copos e seringas na incansável perseguição da sua tara pela própria mãe. Como o Angeli, quando não estava subvertendo a moral e os bons costumes nas tiras o Glauco também era um excelente chargista político. Como o Laerte, que está levando sua arte para zonas nunca antes exploradas, em quadrinhos ou fora deles, o Glauco também era um experimentador genial. É uma triste ironia que ele tenha sido uma vítima do desvario.
O GLOBO - 18/03/10
Essa discussão sobre a divisão da renda do petróleo do pré-sal parece uma briga pela herança de um parente moribundo, mas que ainda não morreu. Há algo de constrangedor na disputa pelo espólio de um vivo, mesmo que seu fim esteja perto. A diferença entre o parente e o pré-sal é que enquanto a morte de um é certa a existência do outro é apenas uma probabilidade. Por enquanto, só temos a palavra da Petrobras de que o petróleo está lá, e só uma especulação sobre o valor a ser dividido. O que não impede o feio espetáculo da guerra precoce pela partilha, equivalente a herdeiros se engalfinhando em cima do moribundo, derrubando o soro, etc. Um pouco de recato, gente.
Mas a verdade é que não posso criticar. Tenho já planejado o que farei quando ganhar na mega-sena, que é o pré-sal sonhado de cada um. É quase uma vida imaginária paralela, só esperando o grande prêmio para se tornar realidade. Conheço gente que tem até a planta da casa que mandará fazer na Côte D’Azur pronta, para a eventualidade de ganhar. A diferença entre esses outros esperançosos e eu é que também sei exatamente como gastar o dinheiro ganho no jogo – só que não jogo. Na minha vida imaginária de apostador vencedor sempre falta o detalhe da aposta. E quem passa o tempo todo sonhando em ser rico tem tempo para detalhes?
No caso do pré-sal fazem um cálculo que eu não entendo: o do que os estados produtores perderão se a sua parte na divisão dos roialtis não for maior. Nada contra o Rio receber tudo a que tem direito, mas há uma sutil distinção entre perder e deixar de ganhar. Se eu pedir um milhão de dólares ao Eike Batista e ele, sensatamente, não me der, deixarei de ganhar ou ficarei um milhão de dólares mais pobre? A questão é semântica, deixa pra lá.
GLAUCO
Sempre achei que, depois do pessoal da Semana de Arte Moderna, ninguém tinha feito literatura paulista como os cartunistas. Claro que apareceram bons autores escrevendo sobre a experiência paulista mas, na minha opinião, ninguém a retratava no seu desvario, com todo o escracho e a loucura aparecendo, como o Angeli, o Laerte e o Glauco nas suas tiras. Não tenho notícia de outro personagem no mundo dos quadrinhos – ou da literatura – parecido com o Geraldão do Glauco, equilibrando copos e seringas na incansável perseguição da sua tara pela própria mãe. Como o Angeli, quando não estava subvertendo a moral e os bons costumes nas tiras o Glauco também era um excelente chargista político. Como o Laerte, que está levando sua arte para zonas nunca antes exploradas, em quadrinhos ou fora deles, o Glauco também era um experimentador genial. É uma triste ironia que ele tenha sido uma vítima do desvario.
CLÁUDIO HUMBERTO
“Ele vetará”
MINISTRO EDISON LOBÃO, AO EXPLICAR O QUE LULA VAI FAZER SE NÃO GOSTAR DA LEI DO PRÉ-SAL
MINISTRO RECEBEU ARRUDA ANTES DA AÇÃO DA PF
Dias antes da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, o governador José Roberto Arruda surpreendeu pedindo audiência ao ministro Fernando Gonçalves, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça. O ministro ficou preocupado: a iniciativa confirmava a quebra do sigilo das investigações. Sabendo da reputação de Arruda, recebeu-o em um ambiente monitorado por câmeras e microfones escondidos.
ALGEMAS A POSTOS
O STJ temia alguma proposta indecente, por isso a audiência com o ministro foi monitorada. Agindo mal, Arruda já sairia de lá algemado.
DILMA EM FLECHA
Apenas Dilma Rousseff (PT) subiu, e muito, na pesquisa Ibope sobre a corrida presidencial, chegando a 30%. Mas só ela está em campanha.
SEM DESESPERO
Para quem não fala, não age e nem se diz candidato, o tucano José Serra até que caiu pouco (de 38% para 35%) na pesquisa do Ibope.
SANTO, DAI-ME
É melhor não dar ideia: e se para justificarem suas lambanças os aloprados alegarem que agiram sob efeito de um chá “esquisito”?
DF: GOVERNADOR AVALIA DEMISSÃO DE SECRETÁRIO
O governador do DF, Wilson Lima, enviou ao corregedor-geral Haendel Fonseca documentos que acusam o secretário interino de Transportes, Gualter Tavares Neto, de ameaçar empresários até de morte por denunciarem o esquema para favorecer empresas amigas dele, na instalação de “lacre eletrônico” nas placas de 1 milhão de veículos, pelo valor de R$ 40 milhões. O governador avalia demitir o secretário.
REPRESÁLIA
Com medo de represálias, Zilda Xavier, que denunciou ao MP ter sido ameaçada por Gualter Tavares Neto, abandonou Brasília.
ESPONTANEIDADE
Chato foi: no showmício de Sergio Cabral, “em defesa do Rio”, ontem, quase só havia faixas produzidas por agências de propaganda.
NADA A TEMER
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) vai relatar a emenda do pré-sal na CCJ do Senado. Ela garante que não deixará o Rio “na mão”.
O “CARA” ESQUECIDO
A inútil e atabalhoada visita de Lula a Israel ignorou um ilustre brasileiro, chanceler Oswaldo Aranha, presidente da Assembleia Geral da ONU, que criou o Estado de Israel, em 1947. Esse Celso Amorim...
CUBA? ONDE?
No auge da crise em Honduras, o Brasil pediu à ONU que investigasse “abusos de direitos humanos” contra os opositores, e pediu proteção para o presidente deposto Manuel Zelaya, “ameaçado” na embaixada.
ZONA DE RISCO
O governo de Sergipe esnobou sua empresa de informática e contratou por R$ 2,4 milhões a Link Data, para criar um software de controle de patrimônio do Estado. Só a migração dos dados custará R$ 688 mil.
A Link Data é citada no escândalo que derrubou o governo Arruda.
JOSÉ DIRCEU S.A.
Sergio Guerra (PSDB-PE) bateu forte no ex-ministro José Dirceu: “Ele faz negócios dentro e fora do governo”, em razão do seu poder junto a Lula. Nenhum governista defendeu o presidente ou seu ex-ministro.
AVIADORES DO BRASIL
O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), fez questão de posar de copiloto antes de voar num caça Gripen, na Suécia, onde está em visita oficial. Pena que seu guru Lula já decidiu pelos franceses Rafale.
FICOU PIOR
Especialista na arte de vestir carapuça, o presidente da Infraero, Murilo Marques, quis que os diretores jurassem fidelidade, após esta coluna revelar que dois se ofereceram para substituí-lo. Mas o de Operações baixou no hospital, o Financeiro anda esquivo e o Comercial macambúzio.
EMENDA VACCARI
Proposta sábia de um leitor: projeto urgente proibindo aportes extraordinários das patrocinadoras de fundos estatais, até as próximas eleições, evitando comissões indevidas que prejudicam participantes.
NA PRESSÃO
Trinta dirigentes de associações representando 15 seccionais, e cinco advogados da Bancoop, se reúnem em Brasília com os senadores tucanos Arthur Virgílio e Álvaro Dias. Depois vão a São Paulo, instruir a CPI na Assembleia que apura suposto desvio de R$ 100 milhões.
PENSANDO BEM...
...depois de Lula, a diplomacia brasileira aderiu à Lei de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. No pior momento e causando o maior dano possível”.
PODER SEM PUDOR
SAÚDE DE TARTARUGA
Marco Maciel era ministro da Educação, no governo José Sarney, quando negou verbas para esportes a um grupo de estudantes que recebia.
– O sr. pratica algum esporte? – provocou uma estudante, contemplando sua finíssima estampa – o ministro deveria cuidar mais da saúde...
– Minha filha, você já viu tartaruga fazendo ginástica? – devolveu ele – E olhe que elas vivem 120 anos...
MINISTRO EDISON LOBÃO, AO EXPLICAR O QUE LULA VAI FAZER SE NÃO GOSTAR DA LEI DO PRÉ-SAL
MINISTRO RECEBEU ARRUDA ANTES DA AÇÃO DA PF
Dias antes da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, o governador José Roberto Arruda surpreendeu pedindo audiência ao ministro Fernando Gonçalves, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça. O ministro ficou preocupado: a iniciativa confirmava a quebra do sigilo das investigações. Sabendo da reputação de Arruda, recebeu-o em um ambiente monitorado por câmeras e microfones escondidos.
ALGEMAS A POSTOS
O STJ temia alguma proposta indecente, por isso a audiência com o ministro foi monitorada. Agindo mal, Arruda já sairia de lá algemado.
DILMA EM FLECHA
Apenas Dilma Rousseff (PT) subiu, e muito, na pesquisa Ibope sobre a corrida presidencial, chegando a 30%. Mas só ela está em campanha.
SEM DESESPERO
Para quem não fala, não age e nem se diz candidato, o tucano José Serra até que caiu pouco (de 38% para 35%) na pesquisa do Ibope.
SANTO, DAI-ME
É melhor não dar ideia: e se para justificarem suas lambanças os aloprados alegarem que agiram sob efeito de um chá “esquisito”?
DF: GOVERNADOR AVALIA DEMISSÃO DE SECRETÁRIO
O governador do DF, Wilson Lima, enviou ao corregedor-geral Haendel Fonseca documentos que acusam o secretário interino de Transportes, Gualter Tavares Neto, de ameaçar empresários até de morte por denunciarem o esquema para favorecer empresas amigas dele, na instalação de “lacre eletrônico” nas placas de 1 milhão de veículos, pelo valor de R$ 40 milhões. O governador avalia demitir o secretário.
REPRESÁLIA
Com medo de represálias, Zilda Xavier, que denunciou ao MP ter sido ameaçada por Gualter Tavares Neto, abandonou Brasília.
ESPONTANEIDADE
Chato foi: no showmício de Sergio Cabral, “em defesa do Rio”, ontem, quase só havia faixas produzidas por agências de propaganda.
NADA A TEMER
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) vai relatar a emenda do pré-sal na CCJ do Senado. Ela garante que não deixará o Rio “na mão”.
O “CARA” ESQUECIDO
A inútil e atabalhoada visita de Lula a Israel ignorou um ilustre brasileiro, chanceler Oswaldo Aranha, presidente da Assembleia Geral da ONU, que criou o Estado de Israel, em 1947. Esse Celso Amorim...
CUBA? ONDE?
No auge da crise em Honduras, o Brasil pediu à ONU que investigasse “abusos de direitos humanos” contra os opositores, e pediu proteção para o presidente deposto Manuel Zelaya, “ameaçado” na embaixada.
ZONA DE RISCO
O governo de Sergipe esnobou sua empresa de informática e contratou por R$ 2,4 milhões a Link Data, para criar um software de controle de patrimônio do Estado. Só a migração dos dados custará R$ 688 mil.
A Link Data é citada no escândalo que derrubou o governo Arruda.
JOSÉ DIRCEU S.A.
Sergio Guerra (PSDB-PE) bateu forte no ex-ministro José Dirceu: “Ele faz negócios dentro e fora do governo”, em razão do seu poder junto a Lula. Nenhum governista defendeu o presidente ou seu ex-ministro.
AVIADORES DO BRASIL
O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), fez questão de posar de copiloto antes de voar num caça Gripen, na Suécia, onde está em visita oficial. Pena que seu guru Lula já decidiu pelos franceses Rafale.
FICOU PIOR
Especialista na arte de vestir carapuça, o presidente da Infraero, Murilo Marques, quis que os diretores jurassem fidelidade, após esta coluna revelar que dois se ofereceram para substituí-lo. Mas o de Operações baixou no hospital, o Financeiro anda esquivo e o Comercial macambúzio.
EMENDA VACCARI
Proposta sábia de um leitor: projeto urgente proibindo aportes extraordinários das patrocinadoras de fundos estatais, até as próximas eleições, evitando comissões indevidas que prejudicam participantes.
NA PRESSÃO
Trinta dirigentes de associações representando 15 seccionais, e cinco advogados da Bancoop, se reúnem em Brasília com os senadores tucanos Arthur Virgílio e Álvaro Dias. Depois vão a São Paulo, instruir a CPI na Assembleia que apura suposto desvio de R$ 100 milhões.
PENSANDO BEM...
...depois de Lula, a diplomacia brasileira aderiu à Lei de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. No pior momento e causando o maior dano possível”.
PODER SEM PUDOR
SAÚDE DE TARTARUGA
Marco Maciel era ministro da Educação, no governo José Sarney, quando negou verbas para esportes a um grupo de estudantes que recebia.
– O sr. pratica algum esporte? – provocou uma estudante, contemplando sua finíssima estampa – o ministro deveria cuidar mais da saúde...
– Minha filha, você já viu tartaruga fazendo ginástica? – devolveu ele – E olhe que elas vivem 120 anos...
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: Petróleo une o Rio
- Estadão: Lula ajuda se pedir ao Irã que se afaste do Hamas, diz Abbas
- JB: União pelo Rio: Com o Rio até debaixo d’água
- Correio: Câmara apressa eleição indireta
- Valor: Depósito compulsório eleva as taxas de CDBs
- Estado de Minas: Casos de dengue sobem 61% em BH
- Jornal do Commercio: Assassinato da alemã: Quarto suspeito preso confessa participação
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