'Caminho’ em DVD
O GLOBO - 14/03/10
Está em fase de edição o DVD de “Caminho das Índias”, a novela das oito premiada de Glória Perez.
Aliás, a trama da TV Globo faz uma grande carreira internacional.
Já foi vendida para 70 países.
Coisa de louco
Outro dia, Lula explicava a um dirigente europeu a sua política de aproximação com o Irã: — Vocês aqui na Europa não deveriam isolar o Irã. Muito pelo contrário. Vocês não podem deixar um louco solto. Tem que ir lá, segurar o homem, pelo menos uma vez a cada quatro meses.
É o que eu faço com o Chávez.
De vez em quando, vou lá na Venezuela segurar as pontas.
O que fazer?
Uma pessoa próxima a Lula e a este caso garante: o presidente não sabe ainda o que fazer com Cesare Battisti, o ex-guerrilheiro italiano preso no Brasil.
Manda para Itália ou não?
Ai, que calor
Veja como este verão excede em calor.
A Spirit, fabricante de ventiladores de teto, líder do mercado brasileiro nas classes A e B, fechou as contas da estação e registrou um aumento de 300% nas vendas no país, entre outubro de 2009 e fevereiro de 2010.
Freire é pop
A Livraria da Travessa fez um ranking dos CDs mais vendidos de 2009 em sua rede no Rio. O 1ofoi Roberto Carlos, com 1.523 CDs. Mas, logo abaixo, à frente de Chico, Caetano etc., veio...
Nelson Freire, tocando Debussy! Aliás, chega amanhã às lojas o novo CD do grande pianista (com “Noturnos”, de Chopin), pelo selo londrino Decca.
Tantos anos
Para marcar o centenário de nascimento de Rachel de Queiroz, a Editora José Olympio vai relançar dois títulos: “Não me deixes” e “Tantos anos”.
Casamento forçado
A Previ, como se sabe, não gosta da ideia de casar a Neoenergia, controlada pelo fundo, com a CPFL, controlada pela Camargo Corrêa.
O casório, que tem adeptos no Olimpo lulista, visa a criar uma superelétrica privada sob o comando da empreiteira.
É que...
Na visão do pessoal da Previ, não é justo a CPFL engolir a Neoenergia. Alegam que a saúde financeira da sua empresa, que tem em caixa uns R$ 4 bi, é melhor que a da Camargo.
É. Pode ser.
Visite o Chile
Para tentar conter a perda de turistas, por causa do terremoto, o Chile lançou uma campanha publicitária para lembrar que seus principais destinos turísticos estão intocados.
A propaganda diz que Santiago, a Patagônia e as estações de esqui funcionam normalmente.
ZONA FRANCA
Helena Theodoro lança amanhã, na Travessa do Centro, “Iansã, rainha dos ventos e das tempestades”.
Estreou ontem, no Teatro Ipanema, “As aventuras da família Adams”, dirigida por Oscar Francisco.
Maria Cláudia Chaves se une ao Escritório de Advocacia Cassano, Sá, Alkimim & Rambauske.
O advogado Pedro Trengrouse fez palestra em Berlim sobre a Copa e a Olimpíada (kas.de/wf/de/17.40148/).
Carlos Eduardo Bulhões Pedreira faz workshop sobre Lei das SA — Capital Social, terça.
Quarta, Keila Grimberg e Ricardo Salles lançam “O Brasil imperial”, da Argumento.
O professor Kleber Figueiredo é o novo diretor do Coppead da UFRJ.
‘BBB’ é cultura
Você aí se lembra de Elenita Rodrigues (foto), a ex-big brother deste ano que vivia falando sobre sua inteligência no programa? Está confinada novamente para terminar o livro “O homem ideal e outras conversas”, destinado ao público jovem. Será lançado já no mês que vem.
Brasil negro
Um acervo com mais de mil horas de gravações em VHS de eventos, espetáculos e campanhas institucionais sobre a cultura negra no Brasil será disponibilizado na internet, a partir do dia 23 agora, no site cultne.com.br.
Um ciclo de palestras no cine Odeon e no Espaço Cinema Nosso, no Rio, de 23 a 27, marcará o lançamento. O encerramento será com festa no Estrela da Lapa.
Os evangélicos
A disputa este ano pelas duas vagas do Rio no Senado pode ter três candidatos evangélicos.
São eles: Marcelo Crivella, Benedita da Silva e Manoel Ferreira.
No mais
Nosso Ruy Castro pegou pesado ao lembrar que o deputado Ibson Pinheiro, autor da lei que tungou os royalties do Rio, chegou a ser acusado de ser um dos anões do Orçamento: — Ibsen quer reduzir o Rio à sua categoria de anão. Mas não vai conseguir.
A miséria do funk
O pessoal do funk carioca deveria tomar umas aulas de como ganhar dinheiro com a turma da música da Bahia, onde, como se sabe, há artista até dono de jatinho.
Veja só. Os irmãos MC Leonardo, 34 anos, e MC Jr., 35, autores do funk-fenômeno “Rap das armas”, que tem feito um baita sucesso no mundo inteiro, ganham uma merreca em direitos autorais. Ano passado, a média mensal foi de R$ 1.500. Este ano, nem isso, uns R$ 500.
Os dois irmãos, nascidos e criados na Rocinha (veja a foto deles com a favela ao fundo), acham que os funkeiros são vítimas de preconceito. “Se este sucesso todo fosse com um medalhão da MPB, a mídia falaria, e a gente estaria na TV”, acredita MC Leonardo. “Não há julgamento com o funk. Há uma condenação. As pessoas acham que traficante financia o funk. Não tem isso.
O funk não quer ser marginal. É empurrado para a marginalidade.” Para piorar, a exemplo do filme “Tropa de elite” (“Rap das armas” faz parte da trilha), o funk deles também foi pirateado. Circula na internet uma paródia feita pelos MCs Cidinho e Doca.
“O que deixa triste é que a versão plagiada vai na contramão da gente, que é contra a entrada de armas nas favelas”, lamenta Leonardo.
“A versão faz a apologia do fuzil, da matança, o contrário da gente. Não processamos porque não foi comercializada.” Ouça a original e a paródia no site da turma da coluna (oglobo.com.br/ancelmo).
domingo, março 14, 2010
DORA KRAMER
Credenciais ao candidato
O ESTADO DE SÃO PAULO - 14/03/10
Sinceridade, serenidade, crítica sem agressão, propostas no lugar de promessas, são as linhas gerais da campanha presidencial do governador de São Paulo, José Serra, que já estão delineadas e farão parte do discurso dele no ato oficial de lançamento da candidatura, previsto para o fim da primeira semana de abril em Brasília.
As datas mais prováveis são sexta-feira, 9, ou sábado, 10 de abril, dias considerados mais eficazes em termos de aproveitamento nos meios eletrônicos. A decisão de não fazer o ato no início da semana é porque logo depois do feriado da Semana Santa os convidados poderiam ter dificuldades de estar em Brasília.
Definida a agenda, a hora agora é de Serra preparar a transição administrativa do governo de São Paulo e pensar na melhor forma de se apresentar ao eleitorado com um esboço de seu programa de governo, onde o conceito de “Estado ativo” é o fio condutor.
Questões políticas ficam para depois. A organização das coligações estaduais será feita em abril e maio, mas a definição do candidato a vice-presidente pode só ocorrer perto da realização da convenção do partido, em junho.
Por enquanto, Serra não quer falar _ e gostaria muito que o partido também não falasse _ da questão Aécio Neves. No entendimento dele, a pressão é contraproducente.
Tanto para o êxito da formação da chapa tal como os tucanos consideram o ideal, quanto para a candidatura presidencial, pois fica a impressão de que a vitória depende do vice.
A matriz do discurso de Serra, e consequentemente de seu programa, no lançamento da candidatura é o pronunciamento feito na posse como governador de São Paulo, há três anos.
Na ocasião, José Serra disse que iria governar o estado “voltado para o Brasil”. Foram palavras nitidamente referidas no projeto futuro de voltar a se candidatar a presidente da República e que será retomado agora, no momento da concretização do plano.
José Serra apresenta-se como defensor do “ativismo governamental”, que define como um meio-termo entre “o poderoso Estado Nacional Desenvolvimenista do passado” e o “Estado da pasmaceira, avesso à produção”.
Até porque “aquele Estado ficou no passado, mas a questão nacional e a questão do desenvolvimento continuam no presente”.
“O objetivo de materializar as condições de uma plena cidadania exige políticas nacionais, exige ativismo governamental na procura do desenvolvimento e da maior igualdade social”.
Assistência social? Na visão de Serra, tais políticas são “justas e necessárias”, desde que o Estado se empenhe em promover o desenvolvimento para não transformar os pobres em uma “clientela cativa do assistencialismo”.
E o que falta para aumentar a capacidade produtiva e o emprego? Na opinião do candidato, capital há. O que não existe são oportunidades lucrativas de investimentos, “espantadas pela pior combinação de juros e câmbio do mundo, em meio a uma carga tributária sufocante”.
Serra prega a “necessidade de uma prática transformadora na política brasileira”, começando pelo repúdio ao “mote fatalista e reacionário de que a desonestidade é inerente à vida pública, que o poder necessariamente corrompe o homem. Não é assim, alguns homens corrompem o poder”.
Essa transformação implica o controle firme do Estado por ele próprio, “funcionando como um todo coerente sob o ponto de vista moral, da eficiência e das metas” sem aceitar a banalização do mal na política.
Um instrumento indispensável é o controle do Estado “por uma sociedade atuante, capaz de se defender dos abusos e de influir nas ações públicas”.
Sobre o papel da oposição Serra falava na perspectiva de opositor ao governo federal, mas mantém, como pretendente a presidente, a validade do conceito: “À oposição cabe, óbvio, se opor. A governabilidade é tarefa de quem obteve das urnas o mandato para governar. Quem é altivo na derrota não se sujeita. Quem é humilde na vitória não exige sujeição.”
ELIANE CANTANHÊDE
Curiosa psicologia
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/03/10
BRASÍLIA - Não foi a primeira nem será a última vez que Lula coloca sua imensa popularidade a favor de más ideias e de péssimos atos, numa mistura curiosa e intrigante entre política e psicologia.
Ele disputou cinco eleições e se tornou não só presidente, mas um mito dentro e fora do Brasil: cruzou o país num pau de arara quando criança, não teve educação formal, resistiu à ditadura como sindicalista e se dedica a um país mais justo e a um mundo melhor. Mas defendendo o que sempre condenou? Justificando ditadores que prendem e matam por rotas bandeiras de 40, 50 anos atrás?
O que, afinal, Lula quer conquistar externamente ao desqualificar os manifestantes iranianos (sujeitos a execução sumária) como torcida de time perdedor? Confraternizar alegremente com Fidel justo no dia da morte de um dissidente em greve de fome? Comparar os que resistem à ditadura cubana a criminosos comuns brasileiros?
Não está claro também o que pretende legar internamente ao: trocar risos e abraços com Collor, depois de participar de sua tritura moral; defender o prefeito que bancou jatinho com dinheiro público para ir com mulher, sogra e amigos a Paris no Carnaval; mergulhar de cabeça para salvar Sarney; dizer que "imagens não falam por si" quando elas falavam tudo sobre a crise do DF.
Grandes líderes são amados no seu momento e nas suas circunstâncias, mas não necessariamente sob a perspectiva histórica, despida de calor e de propaganda. Lula parece inebriado com o personagem Lula, que pode falar, fazer e decidir pelo país como lhe vem à telha, com seu coquetel de valores, com o que julga "certo" e "errado".
Mas líderes não são personagens que possam ser reescritos e devem ter profunda noção de responsabilidade, para não embaralhar o "certo" e o "errado" e, assim, a percepção dos liderados e do mundo sobre o país numa área sensível: a dos princípios.
PAINEL DA FOLHA
PAC do palácio
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/03/10
Quem passa pela frente mal consegue acreditar, dado o estágio da obra, mas o governo garante que a reforma do Planalto ficará pronta em 21 de abril. Lula faz questão de voltar a despachar no palácio no aniversário dos 50 anos de Brasília.
Entre outras providências restauradoras, a obra dará fim ao aspecto de "colmeia" que o palácio adquiriu ao longo do tempo, com a multiplicação de divisórias internas improvisadas para acomodar o crescente número de funcionários. Dos 700 que ali trabalhavam antes da reforma, apenas 400 deverão voltar. Os demais passarão a dar expediente em outros prédios.
Entre outras providências restauradoras, a obra dará fim ao aspecto de "colmeia" que o palácio adquiriu ao longo do tempo, com a multiplicação de divisórias internas improvisadas para acomodar o crescente número de funcionários. Dos 700 que ali trabalhavam antes da reforma, apenas 400 deverão voltar. Os demais passarão a dar expediente em outros prédios.
Oração. Uma cerimônia religiosa deverá marcar a reabertura do palácio. O governo ainda não definiu se ela acontecerá no dia 21 ou na noite da véspera, como a missa acompanhada por JK e que selou a inauguração do Planalto.
Susto. Do Executivo ao Judiciário, ninguém quer saber de intervenção federal no DF. No entanto, quem conversa por mais de cinco minutos com o governador interino, Wilson Lima (PR), sai pregando: "Intervenção ontem!".
Tempo... No entorno de Lula e no comando da campanha de Dilma Rousseff (PT), cresce a impaciência com Ciro Gomes (PSB). Mas a ordem do presidente é manter a calma.
...ao tempo. Segundo o raciocínio zen, quando abril chegar e Ciro concluir que apostou no cavalo errado -a saber, na desistência de José Serra (PSDB)-, não lhe restará senão sair da disputa, dada a marcha das pesquisas e a ausência de apoio partidário.
Foi. Para completar, quase não se encontra mais, no Planalto ou no PT, quem acredite na viabilidade da operação Ciro-SP. A candidatura de Aloizio Mercadante é tratada como um dado da realidade.
Longo prazo. Petistas envolvidos na costura da chapa de São Paulo tentam arrancar de Marta Suplicy, que deverá disputar o Senado, o compromisso de dar a Mercadante a preferência na eleição municipal de 2012. Esta, no entanto, está longe demais para acerto tão radical.
No papel. Quem frequenta o BC enxerga na atitude desenvolta do diretor de Normas, Alexandre Tombini, mais um indício de que Henrique Meirelles deixará o banco, até o final do mês, para disputar cargo em outubro. Tombini deverá sucedê-lo.
Em família 1. A candidatura ainda não foi anunciada, mas as especulações em torno do vice de José Serra -caso Aécio Neves rejeite mesmo a oferta- estão a todo vapor. Acaba de entrar para a lista Francisco Dornelles, tio do governador de Minas. O senador teria a vantagem de atrair o PP à aliança oposicionista.
Em família 2. Em fase de levantamento de nomes, alguns tucanos chegaram até mesmo a falar na irmã de Aécio, Andréa Neves.
Três tenores. Na tentativa de selar a paz no segundo maior colégio eleitoral do país, PT e PMDB farão ainda neste mês um evento conjunto em Minas. Mesmo sem um candidato a governador sacramentado, dividirão o palanque os petistas litigantes Fernando Pimentel e Patrus Ananias e o peemedebista Hélio Costa, favorito à vaga.
Zerado. A despeito do que lhe recomendaram os médicos depois da crise de hipertensão em Recife, no final de janeiro, Lula em nada reduziu seu ritmo de trabalho. Mas, desde então, o presidente não fumou nenhuma cigarrilha.
Plataforma. Gim Argello (PTB) será o relator do projeto da Petrosal no Senado. Interessado em concorrer ao governo do Distrito Federal, ele pretende "deixar claro" no texto do projeto que a sede da empresa será em Brasília.
com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio
Sou lulista. Mas, se o lulismo é religião, não sou devoto.
Tiroteio
Sou lulista. Mas, se o lulismo é religião, não sou devoto.
Do governador do Paraná, ROBERTO REQUIÃO, integrante da parcela do PMDB que, ao menos por ora, não aderiu à candidatura de Dilma Rousseff, explicando que, embora reconheça méritos no governo federal, reserva-se "o direito de criticar".
Contraponto
Vista para o mar Durante discurso em evento sobre o pré-sal realizado quinta-feira no Rio, José Alencar recorreu ao baú de histórias humorísticas sobre a falta de acesso de Minas Gerais ao mar "por culpa" do Espírito Santo.
O vice contou que, na década de 50, um fazendeiro de seu Estado resolveu estender as fronteiras de suas terras para dentro do solo capixaba, e o caso foi parar na polícia.
Então governador de Minas, José Maria Alkmin determinou que a cerca fosse imediatamente recolocada na posição original. Inconformado, o fazendeiro protestou:
-Logo agora que eu estava varando aquele lagão...
Contraponto
Vista para o mar Durante discurso em evento sobre o pré-sal realizado quinta-feira no Rio, José Alencar recorreu ao baú de histórias humorísticas sobre a falta de acesso de Minas Gerais ao mar "por culpa" do Espírito Santo.
O vice contou que, na década de 50, um fazendeiro de seu Estado resolveu estender as fronteiras de suas terras para dentro do solo capixaba, e o caso foi parar na polícia.
Então governador de Minas, José Maria Alkmin determinou que a cerca fosse imediatamente recolocada na posição original. Inconformado, o fazendeiro protestou:
-Logo agora que eu estava varando aquele lagão...
MERVAL PEREIRA
Defesa nacional
O GLOBO - 14/03/10
Aprovado por larguíssima maioria, o projeto é um exemplo de como governo e oposição podem cooperar em questões de Estado, para o bem da democracia e do país, define o deputado Raul Jungman, membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa da Câmara, que considera esta a maior mudança em talvez um século, na estrutura da Defesa e das Forças Armadas.
Transformando em realidade a atuação do Ministério da Defesa sob comando civil, um dos artigos da lei determina, por exemplo, que o ministro, que antes era ouvido quando da nomeação dos comandantes militares das três forças, agora os indique ao presidente para sua efetivação.
Já o artigo 7º define que compete ao ministro da pasta indicar a lista de promoção de cada uma das Armas, no tocante aos seus oficiais superiores, inclusive generais.
Antes, isso se dava mediante reunião conjunta entre o presidente, ministro e comandantes militares.
Em outro artigo, extinguese o Estado-Maior da Defesa e em seu lugar é instituído o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.
Este será chefiado por um oficial general no topo da carreira (quatro estrelas), que terá o mesmo status dos demais comandantes, será assessorado pelos chefes dos estados-maiores das três Armas, além de incorporar secretarias estratégicas, antes paralelas.
Todo esse aparato responderá diretamente ao ministro da Defesa. A centralização das decisões de compra de material bélico em uma secretaria do Ministério da Defesa é considerada pelos especialistas medida inovadora, de longo alcance e impacto, superando dois problemas crônicos: a competição das Forças entre si por mais e melhores materiais e equipamentos com exclusividade, e a incompatibilidade entre artefatos, máquinas e tecnologias.
A medida torna mais efetiva a operação conjunta das três Forças, imperativo decisivo da guerra moderna, segundo os especialistas.
A centralização das decisões de compra será de capital importância na redução dos custos, pelo ganho de escala, a redução de estoques e eliminação de supérfluos.
Um objetivo estratégico dessa unificação é incentivar a indústria bélica nacional, atendendo assim a um dos imperativos da estratégia nacional de defesa recentemente aprovada pelo Ministério da Defesa.
Outro ponto fundamental da nova lei é a extensão das prerrogativas de patrulha, revista e prisão em flagrante à Marinha, no mar e águas interiores e à Força Aérea no espaço aéreo, já consignadas ao Exército nas fronteiras, na ausência ou impossibilidade de contar com a Polícia Judiciária.
A medida representa um avanço na luta contra o crime organizado no combate ao tráfico de drogas, armas, crimes ambientais e transfronteiriços, e dá segurança jurídica para a atuação das Forças Armadas em tempos de paz.
A dualidade de foro, civil ou militar, no caso de delitos praticados por integrantes das Forças Armadas quando em missão decorrente de suas atribuições subsidiárias, como a garantia de lei e da ordem e segurança de eventos como Olimpíadas ou eleições, geravam fortes resistências na corporação.
Esses crimes e delitos passam agora a ser competência exclusiva da Justiça Militar, exceto aqueles tipificados como dolosos contra a vida.
A nova lei estabelece também a responsabilidade conjunta do Executivo e do Legislativo pela defesa nacional.
Como define bem o deputado Jungman, “na tradição histórica do nosso hiperpresidencialismo, o Executivo detinha o quase monopólio das iniciativas e decisões na área da defesa”.
Tal realidade gerou um alheamento do Parlamento que tinha reduzidas responsabilidades sobre o tema e nenhum interesse direto, “pois Defesa não dá votos ou cargos”.
Esse distanciamento, ressalta Raul Jungman, se transformava em uma ameaça, pois “a proclamada projeção internacional do Brasil e suas aspirações à governança global irão requerer pesadas e crescentes responsabilidades na área de segurança em escala regional e, posteriormente, global”.
O assunto defesa nacional passará a ser mais e mais responsabilidade de Estado, e não apenas de governo, como até o presente.
O Executivo, destaca Jungman, é a expressão de uma maioria eventual, já o Congresso Nacional representa a toda a Nação.
Com o objetivo de tornar a política de defesa nacional uma política de Estado e não apenas de governo, Jungman propôs ao ministro Nelson Jobim, com o apoio de líderes de todos os partidos, que a estratégia de defesa nacional, atualizada de quatro em quatro anos, fosse enviada, debatida e aprovada pelo Congresso.
E também que o Executivo enviasse ao Parlamento, periodicamente, o Livro Branco da Defesa Nacional, espécie de anuário contendo as principais disposições, composição, organização e condições de preparo e emprego das Forças Armadas.
Essas duas medidas, além de nos equiparar, no plano normativo e institucional, às principais democracias do mundo, representam um avanço extraordinário em termos de transparência e democracia.
Externamente, é um recado explícito aos nossos vizinhos e amigos, sobre as disposições pacíficas do Brasil relacionadas à sua defesa.
JOÃO UBALDO RIBEIRO
Nenúfares e fraldões
O GLOBO - 14/03/10
Aposto que, se eu não lhes dissesse, vocês não saberiam que hoje é o Dia Nacional da Poesia. Pois é, acho que ninguém lembra, é uma ingratidão com os nossos poetas. Pode ser que a pérfida memória me iluda, mas quero crer que antigamente os poetas eram mais estimados e poucos havia que não soubessem recitar uns dois poemas de cor. Até nos bregas da velha Salvador, lá conhecidos como castelos, alguns deles casas de cultura, era de esperar-se, antes de a noite acabar, pelo menos um Augusto dos Anjos caprichado ou um Olavo Bilac com o famoso plangente violão ao fundo. Aí pelo meio da madrugada, emoldurado por garrafas de cerveja e cercado pela admiração geral, um boêmio veterano recordava, com a voz soluçante e semiembargada, que a mão que afaga é a mesma que apedreja, embora o poeta fosse redimido pelo privilégio de ouvir estrelas.
Desde cedo a gente aprendia a admirar os poetas, que tinham até um perfil mais ou menos uniforme. Em primeiro lugar, usavam cabeleira de poeta e creio mesmo que algumas carreiras poéticas promissoras malograram porque o poeta ficou careca ainda moço e onde já se viu poeta careca. Em segundo lugar, traçavam todas as mulheres que decidiam seduzir com suas belas palavras, independentemente de idade, classe social, religião, cor ou estado civil, não havia essa que escapasse. Vários conhecidos meus tinham uma avozinha de cem anos que foi namorada de Castro Alves, era chique. Em terceiro lugar, o poeta passava meses sem ver o sol, era pálido e de saúde frágil, geralmente morrendo tuberculoso, com pouco mais de vinte anos.
A parte do morrer tuberculoso era meio chata, mas a gente se convencia de que o destino abriria uma exceção em nosso caso, conquanto morrer de sífilis ou envenenado por absinto fossem as outras opções. De qualquer forma, tentei muito ser poeta e devo admitir que comecei de forma desairosa, embora em conformidade com uma das mais venerandas práticas dos saltimbancos das letras de minha laia, ou seja, meter o mãozão no trabalho alheio. Bem verdade que eu não sabia direito o que era plágio, quando encontrei, num livro esquecido, um soneto escrito pelo general Osório. Copiei o soneto e o apresentei como meu, o que resultou em vistosa, se bem que efêmera, glória literária. Meu pai descobriu a falcatrua e me fez decorar e recitar o soneto perante a família, não sem antes anunciar que confessava se tratar de obra do general Manuel Luís Osório, marquês de Herval e patrono da Cavalaria. Passei grande vergonha, além de ter sido obrigado a estudar a vida do general.
Pouco depois disso, influenciado por um amigo intelectual, fui muito exortado a perseguir as tais belas palavras. Entre elas, não sei por quê, ele tinha preferência por "nenúfares" e tanto me impressionou que escrevi até uma coleção de besteiras rimadas intitulada "Nenúfares", que, Deus seja louvado, nunca mostrei a ninguém, a não ser a meu pai, que aplicou nova ducha fria em minha trajetória poética, afirmando que nenúfar era coisa de baitola. Trauma de infância e deve ser por isso que até hoje não sei o que quer dizer "nenúfar". Vou ao dicionário, olho e esqueço dez minutos depois, como agora (cartas sobre o que quer dizer nenúfar para o editor, por caridade).
Não cheguei a desistir e, já entrado na adolescência, comecei a ler o que então se chamava "poesia moderna", execrada pelos mais velhos por dispensar rima e metro, mas, para nós, poetastros renitentes, uma benção. Não teríamos mais que procurar rimas nem ficar contando pés de versos, agora era só escrever em linhas de comprimentos desiguais. Foi isso mesmo que pensei, ao perpetrar o primeiro canto de um poema épico que trataria de nossas origens como povo, as famosas três raças tristes de que os livros antigos falavam. Escrevi quase um caderno todo e fui mostrá-lo a meu grande professor de português Antônio Barros, então começando carreira no também grande Colégio Central da Bahia. Acho que pressenti alguma coisa, porque não disse a ele que o autor do poema era eu.
- Ah, eu logo vi que não era você - disse ele, segurando o caderno à distância e fazendo uma careta, como quem pega em algo fedorento. - O autor deste negócio devia ser preso imediatamente, não pode ficar solto por aí. Evite a convivência, isso pega.
- Obrigado, mestre - disse eu e, de lá para cá, tenho contido meus ímpetos poéticos, não sem acentuada mágoa. A cabeleira desde os verdes anos já se foi, as mulheres nunca choveram, o estro continua a escapar-me. Mas isso não me impede de prestar minha homenagem aos poetas. Se nunca pude ser um deles, pelo menos posso exaltar seu papel. Se hoje é o dia deles, lembremos o quanto puseram em palavras o que para nós sempre foi indizível, o quanto nos abriram a sensibilidade, o quanto enobrecem a nossa língua, o quanto nos dão para recordar em comum.
E, se não posso fazer um poema comemorativo, posso pensar em outras celebrações. Ou posso juntar-me a quem esteja também comemorando. Procuro, pois, informar-me sobre o dia de hoje. Mas, com enorme decepção, constato que o Dia da Poesia não é observado no país de onde veio a nossa língua. Mais um golpe contra a poesia. Isto porque, em Portugal, vivendo e aprendendo, hoje não é o dia dela, mas o Dia da Incontinência Urinária.
Acho que estão tentando me dizer alguma coisa, ninguém liga mais para a poesia. Mas não é o caso de abandoná-la. Só aparentemente o Dia da Incontinência Urinária não pode ser conciliado com o Dia da Poesia. De minha parte, me sentirei recompensado se, depois de ler isto, alguém der um fraldão a seu velho mijão favorito, acompanhado de um cartão com versinhos.
O GLOBO - 14/03/10
Aposto que, se eu não lhes dissesse, vocês não saberiam que hoje é o Dia Nacional da Poesia. Pois é, acho que ninguém lembra, é uma ingratidão com os nossos poetas. Pode ser que a pérfida memória me iluda, mas quero crer que antigamente os poetas eram mais estimados e poucos havia que não soubessem recitar uns dois poemas de cor. Até nos bregas da velha Salvador, lá conhecidos como castelos, alguns deles casas de cultura, era de esperar-se, antes de a noite acabar, pelo menos um Augusto dos Anjos caprichado ou um Olavo Bilac com o famoso plangente violão ao fundo. Aí pelo meio da madrugada, emoldurado por garrafas de cerveja e cercado pela admiração geral, um boêmio veterano recordava, com a voz soluçante e semiembargada, que a mão que afaga é a mesma que apedreja, embora o poeta fosse redimido pelo privilégio de ouvir estrelas.
Desde cedo a gente aprendia a admirar os poetas, que tinham até um perfil mais ou menos uniforme. Em primeiro lugar, usavam cabeleira de poeta e creio mesmo que algumas carreiras poéticas promissoras malograram porque o poeta ficou careca ainda moço e onde já se viu poeta careca. Em segundo lugar, traçavam todas as mulheres que decidiam seduzir com suas belas palavras, independentemente de idade, classe social, religião, cor ou estado civil, não havia essa que escapasse. Vários conhecidos meus tinham uma avozinha de cem anos que foi namorada de Castro Alves, era chique. Em terceiro lugar, o poeta passava meses sem ver o sol, era pálido e de saúde frágil, geralmente morrendo tuberculoso, com pouco mais de vinte anos.
A parte do morrer tuberculoso era meio chata, mas a gente se convencia de que o destino abriria uma exceção em nosso caso, conquanto morrer de sífilis ou envenenado por absinto fossem as outras opções. De qualquer forma, tentei muito ser poeta e devo admitir que comecei de forma desairosa, embora em conformidade com uma das mais venerandas práticas dos saltimbancos das letras de minha laia, ou seja, meter o mãozão no trabalho alheio. Bem verdade que eu não sabia direito o que era plágio, quando encontrei, num livro esquecido, um soneto escrito pelo general Osório. Copiei o soneto e o apresentei como meu, o que resultou em vistosa, se bem que efêmera, glória literária. Meu pai descobriu a falcatrua e me fez decorar e recitar o soneto perante a família, não sem antes anunciar que confessava se tratar de obra do general Manuel Luís Osório, marquês de Herval e patrono da Cavalaria. Passei grande vergonha, além de ter sido obrigado a estudar a vida do general.
Pouco depois disso, influenciado por um amigo intelectual, fui muito exortado a perseguir as tais belas palavras. Entre elas, não sei por quê, ele tinha preferência por "nenúfares" e tanto me impressionou que escrevi até uma coleção de besteiras rimadas intitulada "Nenúfares", que, Deus seja louvado, nunca mostrei a ninguém, a não ser a meu pai, que aplicou nova ducha fria em minha trajetória poética, afirmando que nenúfar era coisa de baitola. Trauma de infância e deve ser por isso que até hoje não sei o que quer dizer "nenúfar". Vou ao dicionário, olho e esqueço dez minutos depois, como agora (cartas sobre o que quer dizer nenúfar para o editor, por caridade).
Não cheguei a desistir e, já entrado na adolescência, comecei a ler o que então se chamava "poesia moderna", execrada pelos mais velhos por dispensar rima e metro, mas, para nós, poetastros renitentes, uma benção. Não teríamos mais que procurar rimas nem ficar contando pés de versos, agora era só escrever em linhas de comprimentos desiguais. Foi isso mesmo que pensei, ao perpetrar o primeiro canto de um poema épico que trataria de nossas origens como povo, as famosas três raças tristes de que os livros antigos falavam. Escrevi quase um caderno todo e fui mostrá-lo a meu grande professor de português Antônio Barros, então começando carreira no também grande Colégio Central da Bahia. Acho que pressenti alguma coisa, porque não disse a ele que o autor do poema era eu.
- Ah, eu logo vi que não era você - disse ele, segurando o caderno à distância e fazendo uma careta, como quem pega em algo fedorento. - O autor deste negócio devia ser preso imediatamente, não pode ficar solto por aí. Evite a convivência, isso pega.
- Obrigado, mestre - disse eu e, de lá para cá, tenho contido meus ímpetos poéticos, não sem acentuada mágoa. A cabeleira desde os verdes anos já se foi, as mulheres nunca choveram, o estro continua a escapar-me. Mas isso não me impede de prestar minha homenagem aos poetas. Se nunca pude ser um deles, pelo menos posso exaltar seu papel. Se hoje é o dia deles, lembremos o quanto puseram em palavras o que para nós sempre foi indizível, o quanto nos abriram a sensibilidade, o quanto enobrecem a nossa língua, o quanto nos dão para recordar em comum.
E, se não posso fazer um poema comemorativo, posso pensar em outras celebrações. Ou posso juntar-me a quem esteja também comemorando. Procuro, pois, informar-me sobre o dia de hoje. Mas, com enorme decepção, constato que o Dia da Poesia não é observado no país de onde veio a nossa língua. Mais um golpe contra a poesia. Isto porque, em Portugal, vivendo e aprendendo, hoje não é o dia dela, mas o Dia da Incontinência Urinária.
Acho que estão tentando me dizer alguma coisa, ninguém liga mais para a poesia. Mas não é o caso de abandoná-la. Só aparentemente o Dia da Incontinência Urinária não pode ser conciliado com o Dia da Poesia. De minha parte, me sentirei recompensado se, depois de ler isto, alguém der um fraldão a seu velho mijão favorito, acompanhado de um cartão com versinhos.
ELIO GASPARI
Para Lula, greve de fome sempre foi teatro
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/03/10
No caso dos sequestradores de Abílio Diniz, ele ficou do lado dos bandidos e pressionou FHC
NOSSO GUIA, ou Grande Mestre, como diz a comissária Rousseff, comparou as razões dos dissidentes cubanos que fazem greve de fome às dos delinquentes das prisões nacionais. O aspecto autoritário, intolerante e até mesmo servil da fala de Lula já foi universalmente exposto, mas resta um detalhe: a natureza farsesca de seu próprio recurso à greve de fome. Em 1980, quando penou 31 dias de cadeia que ajudaram-no a embolsar pelo Bolsa Ditadura um capital capaz de gerar mais de R$ 1 milhão, Lula fez quatro dias de greve de fome. Apanhado escondendo guloseimas, reclamou: "Como esse cara é xiita! O que é que tem guardarmos duas balinhas, companheiro?"
Em 1998, quando os sequestradores do empresário Abilio Diniz fizeram greve de fome na cadeia, Lula ligou para o presidente Fernando Henrique Cardoso e intercedeu por eles: "Olha, Fernando, você vai levar para a tua biografia a morte desses caras".
(Dar o mesmo telefonema para Raúl Castro, nem pensar.)
Nesse mesmo ano, quando Lula sentiu-se massacrado pelas denúncias de intimidades imobiliárias com o empresário Roberto Teixeira, saiu em busca de apoios e disse que cogitava fazer uma greve de fome. Não fez, e tanto ele como Teixeira alimentam-se bem até hoje.
Recordar é viver. Em plena ditadura, o presidente Ernesto Geisel foi confrontado por uma greve de fome de 33 presos políticos da Ilha Grande que reivindicavam transferência para o continente. Quando o jejum estava no 14º dia, Geisel capitulou: "Ceder a uma greve de fome é duro, mas eu prefiro ceder".
MASMORRAS DE HARTUNG
Realiza-se amanhã em Genebra um evento paralelo à reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU, durante o qual ficará disponível o "Dossiê sobre a situação prisional do Espírito Santo". Tem umas 30 páginas e oito fotografias de corpos esquartejados que ficarão cravadas na história da administração governador Paulo Hartung.
Na semana passada, neste espaço, foi publicado um texto intitulado "As masmorras de Hartung aparecerão na ONU". O jornal "A Tribuna", de Vitória, que detinha direitos de reprodução da coluna no Espírito Santo, deixou de publicá-la. Diante disso, o signatário encerrou suas relações profissionais com "A Tribuna".
Eremildo, que é um idiota, está convencido de que esse foi mais um passo da ofensiva chavo-petista para instalar o controle social dos meios de comunicação no Brasil. Informado de que o governador do Espírito Santo é do PMDB, já foi tucano, mas nunca passou pelo PT, o cretino pediu 250 anos para pensar no assunto.
O dossiê com as fotos dos esquartejados está no seguinte endereço: www.estadao.com.br/especiais/2009/11/crimesnobrasil_if_es.pdf.
Aviso: é barra muito, muito pesada.
EIKE PIÑERA
Exercício de quiromancia: até 2014 ou, quem sabe, 2018, alguém pensará no lançamento da candidatura Eike Batista à Presidência da República.
A revista Forbes acha que ele é o 8º homem mais rico do mundo. Sebastián Piñera, o homem mais rico do Chile (437º na lista da Forbes) assumiu a Presidência do seu país na quinta-feira passada.
A TUNGA DA TELEFONIA PERDEU UMA PARADA
Vem aí uma boa novidade. Nesta semana a empresa Nexus, associada à Telefônica, lançará um serviço chamado Talky, um avanço sobre a tecnologia do Skype. Ele permitirá a pessoas que têm acesso a um computador ligado à internet ou celulares do tipo smartphone fazer e receber ligações num sistema tarifário que pode custar nada, metade, ou até mesmo 10% do preço convencional.
As operadoras brasileiras enrolaram seus consumidores residenciais, retardando a oferta de tarifas baseadas em transmissões pelo sistema Voz sobre IP. Elas embolsam a economia que ele gera, mas não transferem a dádiva aos clientes. A Telefônica, com 15 milhões de fregueses, quebrou a mandinga e juntou-se a uma pequena empresa nacional (40 funcionários) que utiliza uma tecnologia israelense, pulando à frente dos grandes concorrentes.
Pelo Talky, por R$ 4,90 qualquer pessoa pode obter um número virtual, usando-o para fazer ou receber chamadas no computador. Até aí, é igual ao Skype.
Ele vai além, permitindo que o cliente programe o seu smartphone para funcionar como se fosse o computador, coisa que o Skype já faz para quem tem iPhone.
O minuto de uma ligação de São Paulo para Salvador, de um telefone fixo para outro fixo custa, na média, R$ 0,74. De um aparelho móvel para um fixo, sai por R$ 1,93. Com o Talky custará R$ 0,15, ou nada, se na outra ponta estiver um número do Talky. Em alguns casos a tarifa do Talky custará mais caro, mas o cliente poderá programá-lo, desviando esse tipo de operação para a modalidade mais econômica.
O Talky não rodará em Blackberries. Mesmo assim cobrirá 70% do mercado de smartphones. O pulo da Telefônica não mudará o cenário da telefonia brasileira, pois o nicho de smartphones mal chega a 8% dos 170 milhões de celulares existentes no país.
Abriu-se um buraco no muro que protege os lucros das operadoras deixando os consumidores ao largo das economias trazidas pelos avanços tecnológicos. Cinco anos depois da disseminação internacional do Skype, o muro começou a cair.
VENENO CURRICULAR
A Secretaria de Educação do Rio de Janeiro preparou uma proposta curricular para a disciplina de sociologia das escolas de ensino médio da rede do Estado. Entre os tópicos relacionados com as "desigualdades sociais", está a recomendação para que o professor leve os alunos a "compreender que a dominação europeia expressa pelo colonialismo e pelo imperialismo é a causa fundamental das desigualdades sociais".
Não explicaram como se ensinará o fracasso do colonialismo inglês na América do Norte, onde surgiram nações prósperas e livres como as dos Estados Unidos e do Canadá.
HADDAD REPROVADO
A burocracia do MEC e a realidade passaram uma motoniveladora em cima do ministro Fernando Haddad. Em março de 2009 ele anunciou um Enem nacional que mudaria para melhor a vida de 1,5 milhão de adolescentes que sofrem na máquina de moer carne do vestibular das universidades públicas.
Os estudantes poderiam fazer dois exames, um em agosto, por exemplo, e outro em novembro. Esse sistema diluiria a ansiedade da garotada.
Meses depois, Haddad recuou, decidiu fazer um só exame. Comprou o risco e produziu um desastre de provas roubadas, questões ineptas e colapsos da rede de informações da prova.
Haddad recuou de novo. Neste ano só haverá um Enem. Jogou fora o filé e serviu os ossos.
Como o Enem depende da adesão das universidades federais, é o caso de pensar se não seria melhor voltar ao velho e detestável modelo descentralizado. Quando o MEC estiver preparado para fazer seu serviço, recomeça-se a conversa.
LUIS FERNANDO VERISSIMO
Segunda puberdade
O GLOBO - 14/03/10
“Lá se foi outro romance” dizia o Woody Allen depois de fazer sexo. É antiga a crença de que a energia gasta numa relação sexual diminui a energia criativa do homem – e que portanto impulso sexual represado aumenta a criatividade. Ou seja: abstinência dá boa literatura. Outra crença é que o tesão estimula a mente e a criatividade é um subproduto da libido, e bom sexo também dá bons livros. De qualquer jeito, a ligação entre hormônios e arte seria indiscutível. Lendo um livro do conhecido biógrafo Richard Ellmann sobre o poeta William Butler Yeats, entre outros irlandeses, descobri que Yeats, preocupado com a diminuição do seu vigor sexual, procurou um médico chamado Norman Haire, que fazia uma cirurgia de rejuvenescimento de acordo com as teorias do austríaco Eugen Steinach, cujos pacientes em Viena incluíam o dr. Freud (mas não por problemas sexuais, se apressa a dizer Ellmann). A cirurgia revolucionária era o que hoje se chama vasectomia, mas a teoria de Steinach era que ela aumentava a produção de hormônios e revitalizava o organismo. Yeats fez a operação, que teve pouco efeito no seu desempenho sexual, segundo Ellmann, apesar de ele dizer que passara a viver uma “segunda puberdade”, mas muito efeito na sua poesia, que entrou na sua melhor fase. Devido a – nas suas palavras – “um fermento que se apossou da minha imaginação”. O que fermentava eram os hormônios do dr. Steinach.
Outro efeito colateral da cirurgia em Yeats foi que ele deixou para trás suas simpatias pelo fascismo e se transformou num cético contra toda arregimentação política e todos os dogmas. Ou seja: pelo menos teoricamente, sempre há a perspectiva de que há uma segunda puberdade para salvar poetas do mau caminho.
TEMPO INTEGRAL
Li que os terremotos do Chile causaram um deslocamento do eixo terrestre que atrasou – ou acelerou? – a rotação do planeta em alguns milésimos de segundo. O que pode não ser muito para você mas é importantíssimo para quem não pode desperdiçar um milésimo sequer de vida. São as mesmas pessoas que espremem o gargalo até a última gota, passam o pão no prato até não sobrar rastro do molho, pensam em cada batida do seu coração como um bônus e aceitam tudo que lhes dão na rua, até volante de quiromante. As pessoas que não podem perder nada, ainda mais fração de segundo.
Queremos nosso tempo integral na Terra, e nem um milésimo a menos.
LEMBRA-TE
César tinha aquele cara que, volta e meia, dizia no seu ouvido: “Lembra-te que és mortal”. O Lula poderia ter um cara que, sempre que ele fosse dizer o que não devia, puxasse a sua manga. Mas como prever o que o Lula vai dizer? A solução seria não parar de puxar a manga.
O GLOBO - 14/03/10
“Lá se foi outro romance” dizia o Woody Allen depois de fazer sexo. É antiga a crença de que a energia gasta numa relação sexual diminui a energia criativa do homem – e que portanto impulso sexual represado aumenta a criatividade. Ou seja: abstinência dá boa literatura. Outra crença é que o tesão estimula a mente e a criatividade é um subproduto da libido, e bom sexo também dá bons livros. De qualquer jeito, a ligação entre hormônios e arte seria indiscutível. Lendo um livro do conhecido biógrafo Richard Ellmann sobre o poeta William Butler Yeats, entre outros irlandeses, descobri que Yeats, preocupado com a diminuição do seu vigor sexual, procurou um médico chamado Norman Haire, que fazia uma cirurgia de rejuvenescimento de acordo com as teorias do austríaco Eugen Steinach, cujos pacientes em Viena incluíam o dr. Freud (mas não por problemas sexuais, se apressa a dizer Ellmann). A cirurgia revolucionária era o que hoje se chama vasectomia, mas a teoria de Steinach era que ela aumentava a produção de hormônios e revitalizava o organismo. Yeats fez a operação, que teve pouco efeito no seu desempenho sexual, segundo Ellmann, apesar de ele dizer que passara a viver uma “segunda puberdade”, mas muito efeito na sua poesia, que entrou na sua melhor fase. Devido a – nas suas palavras – “um fermento que se apossou da minha imaginação”. O que fermentava eram os hormônios do dr. Steinach.
Outro efeito colateral da cirurgia em Yeats foi que ele deixou para trás suas simpatias pelo fascismo e se transformou num cético contra toda arregimentação política e todos os dogmas. Ou seja: pelo menos teoricamente, sempre há a perspectiva de que há uma segunda puberdade para salvar poetas do mau caminho.
TEMPO INTEGRAL
Li que os terremotos do Chile causaram um deslocamento do eixo terrestre que atrasou – ou acelerou? – a rotação do planeta em alguns milésimos de segundo. O que pode não ser muito para você mas é importantíssimo para quem não pode desperdiçar um milésimo sequer de vida. São as mesmas pessoas que espremem o gargalo até a última gota, passam o pão no prato até não sobrar rastro do molho, pensam em cada batida do seu coração como um bônus e aceitam tudo que lhes dão na rua, até volante de quiromante. As pessoas que não podem perder nada, ainda mais fração de segundo.
Queremos nosso tempo integral na Terra, e nem um milésimo a menos.
LEMBRA-TE
César tinha aquele cara que, volta e meia, dizia no seu ouvido: “Lembra-te que és mortal”. O Lula poderia ter um cara que, sempre que ele fosse dizer o que não devia, puxasse a sua manga. Mas como prever o que o Lula vai dizer? A solução seria não parar de puxar a manga.
CLÁUDIO HUMBERTO
“O governador Sérgio Cabral, meu estimado amigo, chorar?”
CIRO GOMES, IRONIZANDO A CHORADEIRA DE CABRAL SOBRE A NOVA DIVISÃO DOS ROYALTIES
MENSALÃO: EX-MULHER DE DIRCEU RATIFICA SUSPEITA
Ex-mulher do ex-ministro José Dirceu, Maria Ângela Saragoza confirmou à 2ª Vara Criminal Federal, em São Paulo, que o amigo Silvio “Land Rover” Pereira, personagem do Mensalão do PT, foi quem a apresentou a Marcos Valério, figura central do escândalo, e este a “ajudou” a obter empréstimo do Banco Rural, o banco do mensalão, para adquirir um apartamento, após vender o seu para Ivan Guimarães.
EMPREGADOR
No depoimento, obtido pela coluna, Ângela Saragoza diz que Marcos Valério arrumou emprego para ela no BMG, banco do mensalão.
MEMÓRIA CURTA
Comemorando o fechamento dos bingos, Lula acusou-os de “piores que a prostituição infantil”. Se liberados, ela passará a ser tolerada?
VIDA DURA
Lula abandonou o vício do cigarro há 40 dias. Difícil é abandonar os outros – língua solta, presunção, “amnésia”, cartões corporativos, etc.
COMPANHEIRO EMPRESÁRIO
Lula voltou a criticar a investigação do TCU em obras que inaugura, para não “desempregar trabalhadores”. Doadores de campanha, presidente?
UNB REAGE A CALOTE DE DEPUTADO
O deputado distrital Rogério Ulysses, que saiu do PSB para não ser expulso por ter sido um dos alvo da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, agora está na mira da tesouraria da Universidade de Brasília. Ele fez um curso de especialização em Ciência Polícia, na UnB, que tem duração de dezoito meses, e não pagou as prestações. Sua dívida de R$ 9.300 deve ser executada.
EFEITO MADONNA
De tanto aparecer rodando o País antes da campanha, a ministra-candidata se arrisca ao célebre “lá vem aquela mala da Dilma”.
MUITO CHIQUE
Para a reforma do Palácio do Planalto, a Presidência vai gastar R$ 585 mil para comprar persianas “com acionamento automático”.
NA HORA H
Embaixador em Cuba, Bernardo Pericás escapa de “bomba”, após o vexame mundial de Lula: assume o consulado em San Francisco
(EUA).
NA MOITA
Políticos leais a Anthony Garotinho contam que no Rio o mensalão de empresas de ônibus era entregue no banheiro a um ex-presidente da Assembleia. Onde não havia um Durval Barbosa filmando tudo.
COELHO PAULISTA
O governador José Serra avisou que só começará sua campanha à Presidência após a Semana Santa. Vai estragar a Páscoa do coronel e senador Tasso Jereissati, cada vez mais indócil.
FRAQUINHO DEMAIS
Do alto da autoridade e do talento conferidos a ele por Deus, Gerson, o canhotinha de ouro de 1970, não esconde a opinião: acha o técnico Dunga fraquinho demais, um mero coadjuvante do time que “treina”.
CARNAVAL JURÍDICO
O Conselho Nacional de Justiça investiga o auxílio-moradia de magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Queriam retomá-lo, retroativo, com correção. Decidiram Quarta-feira de Cinzas.
ACORDO ENCAMINHADO
A governadora Roseana Sarney (PMDB) deve ser acompanhada pelo ministro Edison Lobão (PMDB) e o deputado federal Washington Luiz (PT), candidatos ao Senado, na sua chapa para reeleição no Maranhão.
VÃO FUNCIONAR?
O Ministério da Saúde liberou este mês a construção de 39 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Até o fim de 2010, estima concluir 500 UPAs, com um investimento total de R$ 656 milhões.
A PISCINA É DO POVO
Bandido não mora só em favela, diz Lula. Que tal em casas com mansão e piscina? Há muitas nos 29 mil hectares desapropriados esta semana para o MST deitar e rolar no Maranhão, Piauí, Bahia e SP.
O EX-COMPANHEIRO
Deve ter sido erro de destinatário: o vice-presidente da poderosa AFL-CIO, a Associação dos Estivadores Cubanos e outros sindicatos do Sul da Flórida chamaram de “cínica” a atitude de Lula, por não condenar a morte do dissidente cubano Orlando Zapata, informa a agência Efe.
PENSANDO BEM...
... a Bancoop poderia doar o tríplex de Lula ao programa “Minha Casa, Minha Vida”.
PODER SEM PUDOR
O BRAÇO DO VOTO
Médico muito querido, Francisco Badaró era quase unanimidade em Minas Novas (MG). Quase. Seu vizinho, dono de bar, raro adversário, certa vez quebrou o braço. O pai do ex-ministro Murilo Badaró o socorreu e brincou:
- Agora que consertei seu braço, você poderia passar a votar nos Badaró...
- Não vai dar, doutor - respondeu o sujeito - o senhor consertou o meu braço esquerdo, e eu voto com o direito.
CIRO GOMES, IRONIZANDO A CHORADEIRA DE CABRAL SOBRE A NOVA DIVISÃO DOS ROYALTIES
MENSALÃO: EX-MULHER DE DIRCEU RATIFICA SUSPEITA
Ex-mulher do ex-ministro José Dirceu, Maria Ângela Saragoza confirmou à 2ª Vara Criminal Federal, em São Paulo, que o amigo Silvio “Land Rover” Pereira, personagem do Mensalão do PT, foi quem a apresentou a Marcos Valério, figura central do escândalo, e este a “ajudou” a obter empréstimo do Banco Rural, o banco do mensalão, para adquirir um apartamento, após vender o seu para Ivan Guimarães.
EMPREGADOR
No depoimento, obtido pela coluna, Ângela Saragoza diz que Marcos Valério arrumou emprego para ela no BMG, banco do mensalão.
MEMÓRIA CURTA
Comemorando o fechamento dos bingos, Lula acusou-os de “piores que a prostituição infantil”. Se liberados, ela passará a ser tolerada?
VIDA DURA
Lula abandonou o vício do cigarro há 40 dias. Difícil é abandonar os outros – língua solta, presunção, “amnésia”, cartões corporativos, etc.
COMPANHEIRO EMPRESÁRIO
Lula voltou a criticar a investigação do TCU em obras que inaugura, para não “desempregar trabalhadores”. Doadores de campanha, presidente?
UNB REAGE A CALOTE DE DEPUTADO
O deputado distrital Rogério Ulysses, que saiu do PSB para não ser expulso por ter sido um dos alvo da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, agora está na mira da tesouraria da Universidade de Brasília. Ele fez um curso de especialização em Ciência Polícia, na UnB, que tem duração de dezoito meses, e não pagou as prestações. Sua dívida de R$ 9.300 deve ser executada.
EFEITO MADONNA
De tanto aparecer rodando o País antes da campanha, a ministra-candidata se arrisca ao célebre “lá vem aquela mala da Dilma”.
MUITO CHIQUE
Para a reforma do Palácio do Planalto, a Presidência vai gastar R$ 585 mil para comprar persianas “com acionamento automático”.
NA HORA H
Embaixador em Cuba, Bernardo Pericás escapa de “bomba”, após o vexame mundial de Lula: assume o consulado em San Francisco
(EUA).
NA MOITA
Políticos leais a Anthony Garotinho contam que no Rio o mensalão de empresas de ônibus era entregue no banheiro a um ex-presidente da Assembleia. Onde não havia um Durval Barbosa filmando tudo.
COELHO PAULISTA
O governador José Serra avisou que só começará sua campanha à Presidência após a Semana Santa. Vai estragar a Páscoa do coronel e senador Tasso Jereissati, cada vez mais indócil.
FRAQUINHO DEMAIS
Do alto da autoridade e do talento conferidos a ele por Deus, Gerson, o canhotinha de ouro de 1970, não esconde a opinião: acha o técnico Dunga fraquinho demais, um mero coadjuvante do time que “treina”.
CARNAVAL JURÍDICO
O Conselho Nacional de Justiça investiga o auxílio-moradia de magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Queriam retomá-lo, retroativo, com correção. Decidiram Quarta-feira de Cinzas.
ACORDO ENCAMINHADO
A governadora Roseana Sarney (PMDB) deve ser acompanhada pelo ministro Edison Lobão (PMDB) e o deputado federal Washington Luiz (PT), candidatos ao Senado, na sua chapa para reeleição no Maranhão.
VÃO FUNCIONAR?
O Ministério da Saúde liberou este mês a construção de 39 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Até o fim de 2010, estima concluir 500 UPAs, com um investimento total de R$ 656 milhões.
A PISCINA É DO POVO
Bandido não mora só em favela, diz Lula. Que tal em casas com mansão e piscina? Há muitas nos 29 mil hectares desapropriados esta semana para o MST deitar e rolar no Maranhão, Piauí, Bahia e SP.
O EX-COMPANHEIRO
Deve ter sido erro de destinatário: o vice-presidente da poderosa AFL-CIO, a Associação dos Estivadores Cubanos e outros sindicatos do Sul da Flórida chamaram de “cínica” a atitude de Lula, por não condenar a morte do dissidente cubano Orlando Zapata, informa a agência Efe.
PENSANDO BEM...
... a Bancoop poderia doar o tríplex de Lula ao programa “Minha Casa, Minha Vida”.
PODER SEM PUDOR
O BRAÇO DO VOTO
Médico muito querido, Francisco Badaró era quase unanimidade em Minas Novas (MG). Quase. Seu vizinho, dono de bar, raro adversário, certa vez quebrou o braço. O pai do ex-ministro Murilo Badaró o socorreu e brincou:
- Agora que consertei seu braço, você poderia passar a votar nos Badaró...
- Não vai dar, doutor - respondeu o sujeito - o senhor consertou o meu braço esquerdo, e eu voto com o direito.
DOMINGO NOS JORNAIS
- Globo: Vinte anos depois, perdas do Plano Collor somam R$ 50 bi
- Folha: Empreiteiras criam esquema paralelo para repartir licitações
- Estadão: Serra vai se lançar candidato defendendo "Estado ativo"
- JB: Brasil x EUA: a retaliação que ninguém quer
- Correio: Os efeitos da Pandora na sucessão ao GDF
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