sexta-feira, março 12, 2010

CARLOS ALBERTO MONTANER


A decepção internacional com Lula

O ESTADO DE SÃO PAULO -  12/03/2010


Para Luiz Inácio Lula da Silva, os presos políticos cubanos são delinquentes como os piores criminosos encarcerados nas prisões do Brasil. Lula adotou, cruelmente, o ponto de vista de seu amigo Fidel Castro. Para ele, pedir eleições democráticas, emprestar livros proibidos e escrever em jornais estrangeiros - os "delitos" cometidos pelos 75 dissidentes presos em 2003, condenados a até 28 anos - equivale a matar, roubar ou sequestrar. Para Lula, Oscar Elías Biscet, um médico negro sentenciado a 25 anos por defender os direitos humanos e se opor ao aborto, é apenas um criminoso empedernido. Dentro de seu curioso código moral, é compreensível a morte do preso político Orlando Zapata ou a possível morte de Guillermo Fariñas, em greve de fome para pedir a libertação de 26 presos políticos doentes.

Os democratas cubanos não são os únicos decepcionados com o brasileiro. Na última etapa de seu governo, Lula está demolindo a boa imagem que desfrutou no começo. Recordo, há cerca de três anos, uma conversa que tive no Panamá com Jeb Bush, ex-governador da Flórida. Ele me disse que seu irmão George, então presidente dos EUA, tinha uma relação magnífica com Lula e estava convencido de que ele era um aliado leal. Isso me pareceu uma ingenuidade, mas não comentei a questão.

Alguns dias atrás, um ex-embaixador americano, que prefere o anonimato, me disse exatamente o contrário: "Todos nos equivocamos com Lula. Ele é um inimigo contumaz do Ocidente e, muito especialmente, dos EUA, embora trate de dissimulá-lo". E, em seguida, com certa indignação, criticou a cumplicidade do Brasil com o Irã no tema das sanções pelo desenvolvimento de armas nucleares, o apoio permanente a Hugo Chávez e a irresponsabilidade com que manejou a crise de Honduras ao conceder asilo a Manuel Zelaya na embaixada em Tegucigalpa, violando as regras da diplomacia internacional.

Na realidade, o comportamento de Lula não é surpreendente. Em 1990, quando o Muro de Berlim foi derrubado, o líder do Partido dos Trabalhadores apressou-se em criar o Fórum de São Paulo com Fidel Castro para coordenar a colaboração entre as forças violentas e antidemocráticas da América Latina. Ali estavam as guerrilhas das Farc e do ELN na Colômbia, partidos comunistas de outros tantos países, a FSLN da Nicarágua e o FMLN de El Salvador. Enquanto o mundo livre celebrava o desaparecimento da União Soviética e das ditaduras comunistas no Leste Europeu, Lula e Fidel recolhiam os escombros do marxismo violento para tratar de manter vigente o discurso político que conduziu a esse pesadelo, e estabeleciam uma cooperação internacional que substituísse a desvanecida liderança soviética na região.

No Brasil, sujeito a uma realidade política que não pôde modificar, Lula comporta-se como um democrata moderno e não se afastou substancialmente das diretrizes econômicas traçadas por Fernando Henrique Cardoso, mas no terreno internacional, onde afloram suas verdadeiras inclinações, sua conduta é a de um revolucionário terceiro-mundista dos anos 60.

De onde vem essa militância radical? A hipótese de um presidente latino-americano que o conhece bem, também decepcionado, aponta para sua ignorância: "Esse homem é de uma penosa fragilidade intelectual. Continua sendo um sindicalista preso à superstição da luta de classes. Não entende nenhum assunto complexo, carece de capacidade de fixar a atenção, tem lacunas culturais terríveis e por isso aceita a análise dos marxistas radicais que lhe explicaram a realidade como um combate entre bons e maus." Sua frase final, dita com tristeza, foi lapidar: "Parecia que Lula, com sua simpatia e pelo bom momento que seu país atravessa, converteria o Brasil na grande potência latino-americana. Falso. Ele destruiu essa possibilidade ao se alinhar com os Castro, Chávez e Ahmadinejad. Nenhum país sério confia mais no Brasil". Muito lamentável

Carlos Alberto Montaner é escritor cubano 

PAINEL DA FOLHA


A reserva do PMDB

RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/03/10


Além de assegurar a manutenção de todas as posições na Esplanada após a saída dos ministros-candidatos, o PMDB resolveu a contento aquela que muitos imaginavam ser a pendência mais complicada do partido nessa área: a substituição de Geddel Vieira Lima (Integração) pelo secretário-executivo João Santana está confirmada, a despeito das queixas do PT baiano.
Mas, apesar da reunião da cúpula do partido ontem com Lula, segue em banho-maria a tentativa de Hélio Costa (Comunicações) de emplacar seu chefe de gabinete à frente da pasta. E, apesar da aposta dos peemedebistas em colocar Wagner Rossi, aliado de Michel Temer, no lugar de Reinhold Stepahnes (Agricultura), a operação ainda encontra resistências no Planalto.


Regras. O PMDB, que tudo tem feito na tentativa de facilitar a eleição do deputado Eunício Oliveira (CE) para o Senado, avisou ao PT em reunião na quinta-feira que o governador Cid Gomes (PSB) só abrirá uma vaga para o partido no chapa: os petistas ou terão o vice, ou lançam o ministro José Pimentel ao Senado.
Protagonistas. As inserções do PT-SP que entram no ar hoje trazem, além de Lula e Dilma, Aloizio Mercadante, cotado para disputar o governo, e Marta Suplicy, provável nome do partido ao Senado.
Caixa. O banqueiro e ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho deve assumir a tesouraria da campanha de José Serra, além de entrar como primeiro suplente de Cesar Maia (DEM) ao Senado pelo Rio. Em 2006, concorrendo à mesma Casa, o tucano foi apontado como o candidato mais rico do país.
Palco. O PSDB negocia o aluguel do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, para lançamento oficial da candidatura de Serra, em abril. Mas há no partido quem desaprove o endereço, por ter abrigado recentemente o congresso do PT.
Roteiro 1. Tão logo a CPI da Bancoop comece a funcionar na Assembleia paulista, a base governista votará requerimento para solicitar à finada CPI dos Correios, no Congresso, dados relacionados ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, pivô do escândalo da cooperativa habitacional.
Roteiro 2. À época do mensalão, Vaccari foi citado em depoimento pelo doleiro Lúcio Funaro, dono da corretora Guaranhuns, como "operador do PT para fundo de pensões, responsável pelas operações das três grandes fundações: Previ, Petros e Funcef".
Vacina 1. Num momento em que a campanha do PT levanta a bandeira do fortalecimento do Estado, o deputado Otávio Leite (PSDB) entrou com duas propostas de emenda à Constituição que, na prática, impedem que Caixa, Banco do Brasil e Petrobras venham a ser privatizados.
Vacina 2. "São PECs dissipadoras de insinuações eleitoreiras", diz o autor, numa referência à campanha de 2006, quando o PT carimbou Alckmin, candidato do PSDB, como privatista. Muitos tucanos consideram desnecessária a iniciativa, mas a proposta recebeu assinaturas de praticamente todos os partidos.
Carona. O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), judeu, acompanhará Lula na viagem a Israel, à Palestina e Jordânia a partir de amanhã.
Mérito. Quatro vezes condenado e ainda réu em 114 ações por suspeita de corrupção, o presidente da Assembleia de Mato Grosso, José Riva (PP), recebeu do governador Blairo Maggi (PR) uma das mais elevadas comendas do Estado. Em nota, o deputado se declarou "feliz pelo coroamento" de seu trabalho.
De volta. O veterano Paulo Duque (PMDB-RJ), que salvou José Sarney (PMDB-AP) dos processos no Conselho de Ética, vai relatar um dos projetos do pré-sal no Senado.
Visita à Folha. Fernando Grella, procurador-geral de Justiça de São Paulo, visitou ontem a Folha. Estava com Márcio Fernando Elias Rosa e Arnaldo Hossepian Junior, procuradores de Justiça, e Marcos Martins Paulino, diretor-adjunto administrativo e financeiro da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio
Serra poderia enviar réplicas de sua maquete às escolas estaduais para que as crianças brinquem de carrinhos sobre a ponte. 

Do deputado estadual ADRIANO DIOGO (PT-SP), sobre o anúncio da construção da ponte Santos-Guarujá, no qual o governador posou para fotos diante da maquete da obra.
Contraponto 
Sem cobertura O deputado Ciro Gomes chegou à Câmara na terça-feira com os cabelos aparados. De tão rente, o corte dava a impressão de máquina zero, e os colegas se puseram a brincar com o deputado do PSB, já bastante calvo.
Quando uma repórter sugeriu que se tratava de novo visual para a campanha deste ano, Ciro desabafou:
-Na verdade, detesto a ideia de parecer que estou escondendo a careca. Mas desta vez acho que exagerei... tá todo mundo falando!

WASHINGTON NOVAES


Eleição - hora de temas à mesa
O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/03/10

À medida em que se aproxima a campanha eleitoral, mais evidente se torna que o eleitorado e o País precisam de uma nova pauta de discussões, para decidir sobre os nossos rumos. Uma pauta que fuja aos limites em que se tem concentrado até aqui - quem fez mais, o atual governo ou o anterior? - e busque resposta para graves questões que estão no cotidiano. A mais urgente é saber como se pretende mudar o quadro social, enfrentar a pobreza extrema e a miséria que ainda abrangem parte importante da população, embora, segundo relatório da ONU, 1,5 milhão de famílias tenham conseguido sair da pobreza extrema no campo - 4 milhões no País todo (Estado, 27/2).

Não será fácil. O próprio relatório menciona que uma nova estratégia terá de passar pelos espinhosos temas da reforma agrária e da reforma tributária. Porque a concentração de propriedades continua forte - 2,4 milhões de pequenas propriedades detêm 2,5% do "território agrícola", enquanto 47 mil grandes detêm 43%. Quanto à reforma tributária, evidencia-se a necessidade diante da informação de que as camadas mais pobres da população têm 46% de sua renda destinada ao pagamento de impostos indiretos (como o ICMS, principalmente, embutido em alimentos, roupas e outros bens essenciais), enquanto nos grupos de maior renda esse índice é de 16%. Algumas das consequências desse cenário: 37,5% das residências sofrem com "insegurança alimentar" (55% no Nordeste, 24% no Sul), quase 2% das crianças padecem de desnutrição, 21% dos brasileiros são anêmicos.

Esses dados podem ser complementados com a visão exposta em texto recente - Uma outra gestão é inevitável - dos professores Ignacy Sachs (consultor de desenvolvimento sustentável em muitos países), Carlos Lopes (subsecretário-geral da ONU) e Ladislau Dowbor (professor no Departamento de Pós-Graduação da PUC-SP). "O futuro chegou", dizem eles. "Trata-se de uma crise civilizatória." E perguntam: qual é o mínimo necessário para evitar a catástrofe e assegurar uma vida digna e sustentável, o que exige também reduzir as desigualdades, assegurar trabalho digno e corrigir prioridades? Seus números também são muito fortes: no Brasil, os 20% de maior renda na população detêm 82,7% do total, enquanto os dois terços mais pobres têm apenas 6%; em 1970, a renda média dos 20% mais ricos equivalia a 70 vezes à dos 20% mais pobres; em 1989, chegou a 140 vezes.

Para eles, mudar esse panorama exige mais democracia, mais transparência nos negócios públicos, abertura das tecnologias de informação, interatividade nas relações do governo com a sociedade. E isso passa por muitos caminhos, que incluem o "resgate da dimensão pública do Estado"; a possibilidade de avaliar resultados econômicos pela contribuição para um "desenvolvimento justo e ambientalmente sustentável"; ocupação intensiva de mão de obra, para assegurar renda básica a toda a população; redução da jornada de trabalho; mudanças na intermediação financeira, com taxação sobre transações especulativas, nova lógica tributária, taxação de grandes fortunas, imposto sobre herança; repensar a lógica orçamentária, inclusive para que se tenha uma alocação de recursos mais produtiva em termos sociais e ambientais; e - tema que anda no centro da polêmica - "democratização da comunicação".

Seja o que for que se pense sobre cada um desses temas, é indispensável que eles cheguem à mesa de discussão na campanha eleitoral. O mundo continua mergulhado em crise grave, que exigirá mudanças radicais. Vai-se continuar pelo caminho de transferir na crise recursos para o sistema financeiro - fala-se até em US$ 15 trilhões, ante US$ 21 bilhões nos programas de ajuda a países pobres - sem que se resolvam problemas como os do desemprego, da pobreza, da especulação nos mercados cambial, de ações, de alimentos? O Brasil não tem como fugir a essas questões, por sua inserção no quadro internacional. Então, a sociedade precisa saber o que se pretende fazer.

O correspondente deste jornal Jamil Chade mostrou há poucas semanas (18/2) o quanto a recessão econômica contribuiu para que os países mais ricos não cumprissem seus compromissos de aumentar a ajuda aos mais pobres. A promessa era de que chegariam a 0,51% do seu produto bruto anual este ano. Mas ficarão longe disso. E pode-se acrescentar que já nos compromissos que assumiram na Agenda 21 global, em 1992, esses países se haviam comprometido a passar a ajuda de 0,36% do produto bruto para 0,70%, de modo a completar, na época, US$ 120 bilhões anuais; hoje, estamos com um sexto desse valor. Só Grã-Bretanha, Irlanda, Espanha e Bélgica foram além do compromisso atual.

E o quadro poderá agravar-se ainda mais, a julgar pelos relatórios que a ONU está divulgando sobre a situação dos alimentos e da fome no mundo, já que o preço dos produtos dobrou entre 2002 e 2008; mesmo descontada a inflação, o aumento real foi de 64%, com efeitos dramáticos nos segmentos mais pobres de cada país e, principalmente, nas nações de menor renda. Mesmo que se consigam algumas soluções, elas não poderão concentrar-se no campo da produção e do consumo. A Organização para a Alimentação e a Agricultura, da ONU, prevê, por exemplo, que para atender à demanda de carne no mundo a produção terá de passar dos 228 milhões de toneladas/ano atuais para 463 milhões; com isso, a população bovina iria de 1,5 bilhão de cabeças para 2,6 bilhões; a de ovelhas e cabras, de 1,7 bilhão para 2,7 bilhões. Como se fará isso sem uma sobrecarga ainda maior nos recursos naturais, cujo uso já está uns 30% além da capacidade de reposição do planeta?

As questões estão todas entrelaçadas, das que envolvem a macroeconomia aos dramas da pobreza. O eleitorado precisa saber o que cada candidato tem a dizer.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Mau contato


O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/03/10


Dados do Procon-SP a serem divulgados hoje deixam no escuro a imagem da Eletropaulo. As reclamações contra a empresa aumentaram 233% em um ano - 1.340, contra 574 em 2008. Nem metade delas foram atendidas em 2009.

Com o recorde, ela saltou do 9º para o 3º lugar no ranking das reclamações, num pódio geralmente habitado por empresas de telefonia.


Bom de gatilho

Ricardo Lewandowski chega à presidência do TSE com fama de ministro prático e bom organizador.
Tirou o atraso nos processos, em seu gabinete, baseado em um tripé de avaliação que denominou GUT.
Gravidade, Urgência e Tendência de cada caso.


Deu samba

A "Fábrica dos Sonhos", versão paulista da Cidade do Samba, do Rio, vai finalmente sair do papel.

Luiz Barreto, do Turismo, bate o martelo hoje, com Kassab, em projeto que custará R$ 15 milhões. A serem divididos entre prefeitura e governo federal.
A "Fábrica" ficará em frente ao Sambódromo.


Para toda obra

Rinaldo Soares, da Usiminas, encontrou-se ontem com Ricardo Teixeira, no Rio de Janeiro.
Motivo? Oferecer aço para as obras de infra-estrutura da Copa de 2014.


Duas patas...

Jorge Gerdau, Eduardo Souza Ramos, Paulo Salles e Norberto Pinheiro Filho estão se unindo. Não, nada de criar novas empresas ou banco.

Para incentivar o hipismo, montam o primeiro circuito nacional de salto nos moldes internacionais, com apoio de outro cavaleiro,João Roberto Marinho.


...ajudam quatro

Ele terá duas etapas em São Paulo e uma terceira em Porto Alegre, começando em 11 de abril, em Ibiúna, na fazenda de Paulo Salles - cujo cavalo Oceano do Top defendeu o Brasil na categoria adestramento, durante a última Olimpíada.

Batizado de Mitsubishi Sportv Riders Cup, distribuirá R$ 400 mil em prêmios.


Entre cristais

Fabio Barbosa revela o próximo passo na busca de um executivo do meio e desvinculado dos bancos, para a presidência da Febraban: "Estamos contratando a consultoria Spencer& Stuart."

Afinal, tudo é muuuiiito delicado neste processo.


Rafale já!

Deu na imprensa francesa: Sarkozy teria pedido a Lula que anunciasse a escolha do Rafale... até amanhã. Está de olho nas eleições regionais de domingo, em toda a França.
O brasileiro vai atender?


Evoluçao

Ao imprimir o programa de Guido Westerwelle, a diplomacia alemã agiu comme il faut. Mencionou na capa o nome do visitante "e do senhor Michael Mronz".

Empresário que vem a ser o companheiro do ministro.


Palco para pagu

A história de Patrícia
Galvão, a Pagu, vai virar peça de teatro. No papel, Renata Zhaneta.


Green card

O PV está esperançoso com a visita de Daniel Cohn-Bendit ao Brasil, em agosto.

Esperam que o deputado alemão, que vem fazer palestra por aqui, declare seu apoio a Marina Silva.


Garçom de luxo

Rubem Fonseca prometeu. Vai na segunda à Livraria da Vila levar comida para Paula Parisot.

A escritora está "morando" na loja, onde ficará mais cinco dias, para promover o livro Gonzos e Parafusos.

Na Frente

Vanusa, que esqueceu a letra do Hino Nacional em apresentação solene no ano passado, tentou de novo. Foi durante a festa Trash 80"s. Mas... não deu certo.
O cearense 
Cesar Asfor Rocha, do STJ, vai virar Cidadão Paulistano. Por iniciativa de Floriano Pesaro, recebe a honraria, dia 15, na Câmara.
Erasmo Carlos autografa, dia 9, sua obra Minha Fama de Mau, na Bienal Internacional do Livro no Ceará.
Roseli Tardelli, da Agência Aids, embarca hoje para Lisboa. Participa de congresso sobre prevenção ao HIV.
O filho de Kadafi, Saif, deve deixar saudades quando voltar para sua casa na Líbia. Mais precisamente, no coração de uma conhecida paulistana.
Corazón partido por Chile

Monica Serra ficou novamente preocupada, ontem, com os novos terremotos. Chilena de Santiago, naturalizada brasileira em 99, ela estava em Frankfurt quando soube do terremoto por lá há 13 dias. E uma de suas preocupações imediatas foi ajudar os chilenos presos em Cumbica.
A senhora ficou nervosa hoje? Tentei falar com meus parentes e consegui. Graças a Deus ninguém mora na parte mais afetada, no sul do país. Desde o primeiro tremor mantenho contato com eles por e-mail quase diários.
Está ajudando? Quando o terremoto aconteceu, há duas semanas, eu estava em Frankfurt representando o Instituto Se Toque, que combate o câncer de mama. O cônsul chileno, Aldo Famalaro, ligou e pediu ajuda. Ele tinha que atender, da noite para o dia, centenas de chilenos em Cumbica que não puderam retornar para casa, já que o aeroporto de Santiago estava fechado. Poucos tinham ainda recursos para procurar hotel.

O que a senhora fez? Entrei em contato com a Sodexo, nossa parceira em programa nas escolas. Ela ofereceu refeições. Da Sabesp, enviaram água em copinhos para todos. Conseguimos cobertores. E a Infraero, com minha equipe de segurança, meu chefe de gabinete e o cônsul, organizaram tudo.

As pessoas têm medo? Nós, chilenos, nos acostumamos a tremores desde pequeno. E pouco falam de medo, para não assustar as crianças. A filha de uma prima minha me contou que, no momento do terremoto, sentou-se, tranquila, no vão da porta principal da casa. E juntou seus dois filhos pequenos. O de 5 anos ria enquanto tentava ficar em pé e caía com a ondulação do chão. Até que falou: "Para mãe, para!!!". PAULA BONELLI

JOÃO MELLÃO NETO


Por que ela?
O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/03/10

O caso Bancoop - a Cooperativa Habitacional dos Bancários, de onde, segundo o 
Ministério Público, teriam sido desviados recursos para ajudar a financiar as campanhas do PT - é mais um que vem à tona sob o mesmo tema. Digo "mais um" porque não é o primeiro nem, certamente, haverá de ser o último. Este, em teoria, é mais inaceitável porque não extraiu dinheiro do detestável "Estado burguês", mas dos próprios "proletários" - as famílias filiadas à cooperativa que investiram os seus sofridos recursos na vã intenção de virem a possuir a casa própria.

Desviar dinheiro público não é considerado pecado por certos esquerdistas. Na prática, representaria algo como "extrair dinheiro da burguesia para usá-lo contra a própria burguesia". Como assim? É simples. No que diz respeito à origem, entende-se que o dinheiro dos cofres públicos foi acumulado a partir de tributos. Tributos esses cobrados em função do direito dos burgueses de exercerem atividades burguesas. Não importa a atividade, pode ser comércio, indústria ou serviços: em qualquer das hipóteses, trata-se de práticas realizadas sob a égide do capitalismo. Envolvem, na sua maior parte, a extração da mais-valia e, assim, exploração dos pobres proletários. Os recursos públicos, portanto, são espúrios porque tiveram como origem a prática de atividades econômicas ilegítimas. Nada mais correto, então, do que tomá-los de volta, em nome da "causa".

No que diz respeito ao destino, a apropriação privada de recursos públicos se justifica porque esses recursos haverão de ser aplicados em atividades revolucionárias. E o que são atividades revolucionárias? Bem, existe um leque amplo, que vai desde financiar eleições públicas e/ou sindicais a incentivar práticas que visem à "educação e a conscientização do povo" e até mesmo garantir um sustento digno aos correligionários enquanto a revolução não chega.

Não haveria, então, crime moral, como se vê, no desvio de dinheiro público. Os "companheiros" que o fazem têm alma socialista e, desse modo, estão previamente vacinados contra baixos impulsos, como ganância, apego ao luxo e outros próprios do capitalismo.

Um ou outro se aproveita do processo e se torna rico. Mas o que se há de fazer? Não se produzem omeletes sem a quebra de ovos.

O raciocínio dialético, adotado pelas esquerdas, é de extrema valia porque com ele se explica e se justifica tudo. Como na expressão criada pelos tropicalistas, é o avesso do avesso, o que, traduzido para a lógica formal, implica que fique tudo na mesma, porém sob rótulos diferentes.

Isso não é marxismo original ou, pelo menos, não é aquilo que Karl Marx queria exprimir. Mas tanto faz. O importante é que o discurso funciona.

É por meio dele, por exemplo, que os ideólogos do lulismo conseguem explicar a manobra contorcionista que praticam ao defender um programa de direitos humanos duro, intransigente e radical para o Brasil e outro, brando e condescendente, para justificar as violências perpetradas pelos governos de Cuba e do Irã contra os seus opositores políticos.

Nessa linha, ainda outro dia um ministro lulista - titular de uma dessas dezenas de secretarias federais que ninguém sabe ao certo para que servem - se saiu com o seguinte raciocínio: "Nós devemos ter cuidado com essas modalidades de "direitos humanos" com vieses judaico-cristãos, que de nada servem quando aplicados a povos que não têm essa origem."

Em outras palavras, conseguiram relativizar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, discutida e aprovada por assembleia plenária das Nações Unidas. Existem, segundo os "companheiros", direitos humanos rígidos para nosso consumo interno e direitos humanos complacentes para uso no exterior.

Conta-se - se é real ou apenas verossímil, não sei - que um importante líder estudantil de esquerda da década de 60 (mas que dá as cartas no Partido dos Trabalhadores até hoje...), naqueles anos, se teria envolvido, digamos, sentimentalmente com uma colega de escola muito atraente, porém filha de pais abastados. Os amigos teriam ido aplicar nele o famoso enquadramento ideológico: "O que é isso, companheiro?!" E teriam recebido a seguinte justificativa: "Camaradas, vocês conhecem uma maneira mais direta do que esta de "ferrar" a burguesia?''

A explicação teria marcado fundo na alma dos colegas. Ninguém mais, a partir dali, implicou com a singular modalidade de interação dialética criada pelo então belo e insinuante ativista juvenil das esquerdas.

Mas a razão deste artigo não é exatamente essa.

O problema é que, a cada dia que passa, tenho passado noites mais e mais difíceis, atormentado por pesadelos envolvendo dona Dilma. O meu pavor noturno é de ordem cívica. Já imaginaram que horror seria se a distinta madame viesse a galgar o posto de presidenta do Brasil?

É de causar arrepios: o comando da Nação nas mãos de dona Dilma e seus red boys. Tremo só de imaginar.

A sra. Dilma Rousseff, sozinha, é como uma andorinha que não faz verão. O problema está no seu entorno. Todo tipo de gente do contra vai acabar por instalar um governo de cunho populista neste país.

O presidente Lula impediu, até agora, que tal fenômeno ocorresse porque tem consciência de que esses grupos não têm brilho próprio. Sobrevivem de orbitar em torno dele. Mas como seria num eventual (vade retro!) governo dilmista?

Por que ela?!

Não se trata apenas de uma palavra de ordem. É uma prece fervorosa que os brasileiros de bem dirigem ao Divino.

SEMPRE FALANDO BOSTA

DORA KRAMER

 Contrato de risco


O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/03/10




A notícia sobre os desvios de dinheiro na Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo não é novidade , diz o PT em defesa do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, apontado pelo Ministério Público como o responsável por um esquema de desvio de dinheiro dos cooperados.

Realmente, o caso está sob investigação há três anos e ganhou destaque de novo por causa do pedido de quebra do sigilo bancário do tesoureiro que, ainda assim, foi posto pelo PT na organização de suas finanças.

Na versão petista, porque não há consistência na denúncia. Trata-se de uma manobra eleitoral urdida pelo PSDB em parceria com o promotor José Carlos Blat, um doidivanas a serviço da oposição.

Ao promotor cabe sustentar sua acusação e embasar com provas o pedido de indiciamento que, já anunciou, pretende fazer ao final do inquérito. 

Ao acusado e ao partido caberia a apresentação de argumentos consistentes para demonstrar que as acusações são falsas. Inclusive porque se o promotor é irresponsável e usa a função para servir de instrumento político-partidário-eleitoral, não deve ser difícil demonstrar.

Nesse caso, o Ministério Público seria o primeiro interessado no desmonte da armadilha.

No lugar disso, o que se vê são ataques que não explicam coisa alguma. A começar pelo fato de o partido escolher como tesoureiro alguém que é alvo de investigação por desvio de recursos. 

João Vaccari pode ser inocente? Evidente que sim, mas um mínimo de zelo pela satisfação devida à opinião pública, e até uma precaução partidária, aconselharia a conveniência de uma outra escolha. Deve haver gente no PT tão preparada quanto Vaccari e que não esteja sob investigação.

O partido resolveu assumir o risco e agora tenta administrar o prejuízo jogando a responsabilidade nas eleições. Argumenta que os advogados de defesa garantem que não há uma só prova contra o tesoureiro. Mas há um inquérito, uma suspeita a ser esclarecida. 

E para isso não contribui em nada alegar a existência de “armação” eleitoral porque a desqualificação do denunciante não inocentará o denunciado. 

A questão é que existem cooperados que pagaram pela construção de seus imóveis e não os receberam; há a denúncia de um rombo de milhões; há, segundo o promotor, indícios de que houve desvio de recursos da Bancoop para financiar campanhas eleitorais.

Denúncias dessa natureza não se enfrentam com ameaças de processos nem com evasivas, muito menos com mentiras. Em entrevista ao Estado, João Vaccari Neto falou, mas não se explicou. Limitou-se a informar que houve um “desequilíbrio financeiro” na cooperativa e responsabilizou os cooperados pelos danos. Não é isso o que os prejudicados alegam na Justiça.

Sobre a suspeita de desvio para o caixa 2 do PT, Vaccari foi sucinto: “Não há caixa 2 no PT.” Não foi isso que disse o presidente Lula ao justificar o mensalão.



Malabares


 - Era difícil, mas o chanceler Celso Amorim conseguiu piorar o péssimo efeito das declarações do presidente Lula em defesa da ditadura castrista.

Deu um jeito de responsabilizar os Estados Unidos pela morte, prisão e tortura dos dissidentes cubanos.

“Muito simples: a receita (para acabar com as greves de fome) é pôr fim ao embargo comercial”, disse.

Por esse raciocínio, mal comparando, o embargo ao regime de segregação racial da África do Sul não teria sido o responsável pelo fim e sim a causa do apartheid.

Pelo que se depreende da tese do chanceler, acabar com a ditadura, instituir um regime em que todos sejam livres para se expressar, fazer política e divergir, nem pensar. Não é aí, na visão dele, que reside o principal. 

É possível que não seja proposital, mas se o governo Lula não se deu conta convém perceber que desse jeito o Brasil entra na rota da chacota internacional.

Com a gentil contribuição da candidata a presidente, Dilma Rousseff, cuja declaração a respeito - “não critico (Lula) nem que a vaca tussa” - revela sofisticada elaboração no que tange à questão democrática no mundo.



Devagar com a louça 


- Esbravejar contra a aprovação na Câmara da emenda que reduz a receita do Rio em decorrência da exploração de petróleo não vai fazer o governador Sérgio Cabral ganhar a parada no Congresso.

Tampouco será a previsão de que “o Rio vai quebrar”, ou a desqualificação da decisão dos deputados - “um deboche” -, que sensibilizará o Senado, agora encarregado de examinar a emenda que altera o sistema de distribuição dos royalties.

O governador confiou na influência do presidente Lula sobre sua base parlamentar, ignorou o peso dos interesses de outros Estados e, sobretudo, desconsiderou o fato de que quando há dinheiro em jogo a regra é outra.

Nesses casos, o caminho não é a força. É o jeito de articular politicamente a melhor solução.




ARI CUNHA

Câncer no trânsito


CORREIO BRAZILIENSE 12/03/10

Foi uma batida comum. A moça desatenta desconhecia a placa e não deu a preferência no balão na saída da quadra. Entrou com a frente do seu Ford na porta do Fusquinha, comprado a duras penas. Trocados os números dos telefones, elogios à desburocratização do boletim de ocorrência feito pela internet. Uma semana se passou. Nada de pagamento. Duas, três. O TJDFT foi a solução. Fusquinha versus Ford. Senhas de atendimento. Tempo revertido para uma chateação atrás da outra. Mesmo sabendo que o acidente fora provocado por ela, na primeira etapa de conciliação a moça disse que a batida foi muito forte e seu pescoço sofreu trauma. Essa é a saída dos espertos para enrolar a Justiça. E assim o câncer da corrupção se manifesta. O que parece nada chega rapidamente a metástase. (Circe Cunha)


A frase que não foi pronunciada
“Uma gota d’água nunca seca se for jogada no oceano.”
Receita de dona Dita para a união de todos por um país melhor.


Presidência do PT

# José Eduardo Dutra eleito presidente do PT. Foi bom para o partido. Não é homem de discussões e tem a certeza da importância do seu trabalho. Não se importa com os demais membros do partido. É pela ordem e pelo entendimento.
Noiva Feliz

# Abandonada por seu amor de maneira pouco cortês, resolve efetuar vingança. Abriu um restaurante com o dinheiro que recebeu como indenização pelo noivado prolongado. A cidade onde morava se reunia para festa permanente. Nome do restaurante: “Noiva Feliz”. Nunca se vendeu tanto champagne.
Protesto

# Raul Jungmann, falando no Congresso, disse que o presidente Lula vive de paixões. Direitos humanos em Cuba são fantasia. Ele enaltece. Amizade com Hugo Chávez põe o Brasil em jogo perante países estrangeiros. Enaltecer a Venezuela, a Bolívia e o Paraguai deixa o Brasil sem ação. A nossa posição, por pensamento de Lula, é democracia. Ele mesmo desmente.
Taxa sindical

# Descontado de uma vez, o trabalhador paga uma diária obrigatória ao governo. Sabe-se que sindicatos dependem desse dinheiro e não é democrática a cobrança. Ninguém, na atualidade, deve ser obrigado a dar uma diária do salário para quem não merece a ajuda. Ademais, os sindicatos não compram briga pelos associados.
Berea College

# Nevasca que encobre Kentucky faz lembrar anos atrás, quando Felipe Dematos chegou aos Estados Unidos. Foi estudar e trabalhar no Berea College. Pagava estudos com trabalho. Recém-chegado do Ceará, passava horas retirando a neve das calçadas. Diz que as nevascas eram tantas que, mesmo colocando sal, ainda ficava um pouco.
Lição

# Quintino Cunha, do Ceará, amigo de Santos Dumont em Paris, deixou este pensamento: “Quem passa pelos outros dizendo arreda / ganha a noção da altura / mas perde a noção da queda”. Aplicou a frase à política do Ceará no tempo de Franco Rabelo.
Perigo

# Governo terá problemas para as pessoas que chegarem pelo Galeão. A briga entre defensores do tóxico e o povo vai ser de difícil controle durante as festas do campeonato mundial de futebol. Lá se mata por brincadeira. A vida humana naquela região pouco vale.
Outro nicho

# Até hoje o governo não indenizou a família dos rapazes mortos na porta dos quartéis. Paulo Abraão, presidente da Comissão de Justiça do Ministério da Justiça, fala em indenização dos militares nos tempos de 1964. Pior é que muitos militares estão na lista e não foram atendidos até então.
Joias

# O escândalo de Brasília chega às joalherias. De tão alto o preço, as madames não pediam nota fiscal. Em consequência, as prestações não estão sendo quitadas. Ocorre que joalherias compraram joias de preço alto e pagaram parte do valor. Falta dinheiro para honrar os compromissos. Há compasso de prejuízo total. As vendas estão sendo restringidas por iniciativa das compradoras antigas.

História de Brasília

Está saindo, finalmente, a iluminação da Praça dos Três Poderes. Ao que se espera, a 21 de abril assistiremos a espetáculo de som e luz, com a Sinfonia de Brasília. Doutor Afrânio, a solução é do senhor. O Setor Econômico está sem luz e o sofrimento é grande. Os moradores de lá estão apelando para a sua boa vontade. (Publicado em 26/2/1961)

JOSÉ SIMÃO


Indy! Caiu num buraco, ganhou!
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/03/10

Se chover, vai que é tua, Aquassab! Essa seria a corrida verdadeira pelas ruas de São Paulo


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Sabe como se chama a noiva do Adriano Imperador, aquela que quebrou quatro carros dos jogadores do Flamengo? Joana MACHADO! Muda pra Joana Desmanche!
E a Cópula África? O presidente africano pediu pra Inglaterra UM BILHÃO de preservativos. Como o Ronaldinho Gaúcho, o Ronalducho Fofômeno e o Adriano não vão, pode cancelar metade!
E sabe o que a filha de cinco anos de um amigo fez? Abriu a camisinha, botou suco de uva e uma pedra de gelo. Vou aderir à novidade. Num guento mais fazer a mesma coisa! Vou lançar na Copa!
E um amigo meu estava trocando de canal, filme pornô, futebol, filme pornô, futebol, até que a mulher gritou: "Deixa no filme. Futebol você sabe jogar". Rarará.
E sabe o que tá acontecendo no "BBB"? A Bibinha tá virando hétera! E a Indy? A Indy é o sonho de todo paulista: conseguir correr na Marginal. Porque, na Marginal, você usa três marchas: parado, paralisado e ponto morto. E eu já sei quem vai ganhar: um motoboy. O único que tem condições de correr pelas ruas de São Paulo. O mensageiro do caos!
E adorei o percurso de Indy do Eramos6: a corrida mais alucinada de todos os tempos. Engarrafamento, flanelinhas terroristas, motoboys do inferno e ladrões de bigode. Os corredores chegam atrasados porque ficaram presos no engarrafamento, flanelinhas cobram R$ 50, um motoboy do inferno aparece na pista e arrebenta a lataria, os corredores param pra abastecer e o frentista é o Sarney. "Brasileiros, passa o capacete pra cá." Aí o carro para, a gasolina era batizada e o finalista cai NUMA CRATERA!
O vencedor é engolido por um buraco. Já sei, ganha quem cair num buraco! E, se chover, vai que é tua, Aquassab! Essa seria a corrida verdadeira pelas ruas de São Paulo. A da televisão é virtual!
Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". É que em Salvador, Bahia, tem um saldão de tecidos chamado Shopping da Bagaceira. Ueba! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante: "Corretora de fundos": companheira que aluga o fiofó. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E vai indo, que eu não vou!

DIONÍSIO DIAS CARNEIRO


Seremos todos gregos?
O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/03/10

O crescimento da dívida pública dos países mais ricos resulta de uma combinação de fatores conhecidos: acumulação de direitos sobre renda futura, garantidos pelo Estado; envelhecimento da população; aumento das demandas sobre bens públicos, cuja provisão requer pelo menos a supervisão do Estado; e expectativas frustradas de crescimento das receitas. A esses problemas estruturais se somou um choque fiscal recente. Políticas fiscais anticíclicas, absorção de débitos incobráveis, gastos irremediavelmente crescentes e recessão prolongada pioram as projeções das dívidas públicas em economias que representam mais de 50% do PIB global. Esse é o problema da próxima década.

Governos que desfrutaram do financiamento externo barato dos últimos anos foram incentivados a postergar os ajustes à nova realidade. Contaram, para isso, com a contribuição da liquidez global abundante e da propensão dos gestores de carteiras a se concentrarem nos riscos de curto prazo.

Com esse foco, projeções otimistas de fluxos de curto prazo substituem as preocupações motivadas com as projeções de balanços, que se tornam assustadores. O desenvolvimento dos mercados de seguro contra default de crédito permitiu prolongar a confiança no uso das poupanças de longo prazo para financiar as dívidas públicas. Há, agora, uma perspectiva de que esses mercados sejam limitados por nova regulamentação.

De fato, nesses mercados, os cálculos dos riscos levam a um comportamento pró-cíclico. Expandem a oferta de financiamento com o prolongamento da bonança e contraem-na quando falta o financiamento. Os eventos de default soberano são raros e, portanto, com distribuições estatísticas que costumam pregar peças nos que usam medidas simples para medir os "prêmios de risco". Esses mercados são, por natureza, altamente "especulativos", pois se baseiam em apostas cujo risco efetivo é muito difícil de mensurar. O resultado é que as métricas se tornam pouco úteis e as decisões instintivas passam a ser dominantes, para o bem ou para o mal dos endividados. Quando é para o bem, todos comemoram os baixos prêmios de seguro. O seguro de uma dívida grega de US$ 10 milhões contra o default custava US$ 12,1 mil em janeiro de 2008. Chegou a custar US$ 134,2 mil no auge da crise de liquidez, em outubro do mesmo ano. Quando voltou o otimismo em relação à crise, em agosto de 2009, às vésperas das eleições, custava US$ 102,7 mil e, em 2 de março custa US$ 342 mil.

Quando esse prêmio é baixo, há um incentivo generalizado para que o sistema político adie a discussão desses problemas até que uma crise paralisante se torne provável. E não há reforma institucional sem ação política capaz de forçar a resistência dos beneficiários da situação anterior.

A combinação de mercados pró-cíclicos com governos pró-cíclicos é parte da nossa realidade atual, que torna as expansões mais prolongadas e as resoluções das crises mais penosas (e adiadas).

A Grécia não pode ser considerada uma exceção. Apenas, dentre as economias mais ricas, a que encontrou um obstáculo quando acabou o financiamento para prosseguir numa trajetória insustentável. A irresponsabilidade fiscal financiada pela bonança externa tem de ser interrompida porque a Grécia não emite moeda, em contraste com Japão, Inglaterra e EUA, por exemplo.

O governo Papandreou usa todos os argumentos para evitar uma derrota política desastrosa anunciada nas ruas de Atenas. Aprovou um orçamento ambicioso, mas pouco crível. Tentou compensar a oposição interna com um contra-ataque à insensibilidade dos demais sócios da zona do euro. Agora se aproveita do desgaste das instituições financeiras para lançar a culpa nos especuladores. Estes, entretanto, só prosperam porque contam com políticos dispostos a encobrir o resultado de suas mágicas.

Em meio aos interesses em conflito dos centros financeiros dos dois lados do Atlântico (e do Canal da Mancha), propostas como a de banir vendas a descoberto não diminuirão as necessidades de ajuste que os governos vão ter de fazer para reverter a dinâmica da dívida pública. Mas uma cruzada contra os especuladores financeiros é bandeira bem mais fácil de levantar para acalmar a multidão do que a má notícia de que todos estão mais pobres do que imaginam. E estarão mais pobres ainda quando tiverem de pagar as contas dos sorridentes políticos inauguradores de novas ilusões. No futuro, mais impostos e/ou mais inflação para sustentar mais do mesmo.

*
Dionisio Dias Carneiro, economista, é diretor da Galanto Consultoria e do IEPE/CdG

LUIZ GARCIA


Ouvir o cacique
O GLOBO - 12/03/10

É muito simples entender o que é a Fundação Cacique Cobra Coral. Trata-se de organização que se declara beneficente — e não há qualquer prova em contrário — que se atribuiu a missão de “minimizar catástrofes” avisando as autoridades com antecedência. Claro, entender é uma coisa, acreditar é outra.

Mas também não falta quem acredite, e, parece, com boas razões.

A fundação foi criada por um certo Angelo Scritori, que morreu em 2002, com alegados 104 anos. Ele recebia os avisos da iminência de desastres naturais do Padre Cícero.

Pouco antes de morrer, avisou à praça que seria sucedido pela filha, Adelaide, cujo contato com o outro lado passaria a ser o Cacique Cobra Coral.

Este se comunica com ela falando com sotaque de caboclo brasileiro, embora seja um índio americano Ao avisar sobre a substituição, Padre Cícero informou que o cacique também teria sido, em outras encarnações (se essa é a palavra certa, tratando-se de um espírito), Abraham Lincoln e Galileu Galilei.

O leitor não deve ver esse dado com estranheza — até mesmo porque, se é cidadão de pouca fé, francamente, não tem qualquer razão para continuar lendo este artigo.

Mas parece que gente de muita fé não falta. O governo de São Paulo, por exemplo, tem contrato — sem valor financeiro — com a fundação desde 2005. Recebe aviso sobre catástrofes naturais a caminho, com tempo de tomar providências.

Se as toma, não se sabe, mas isso não é problema para d. Adelaide.

Ela é bem-sucedida corretora de imóveis, moradora na região próspera dos Jardins de São Paulo. Há algum tempo, definiu com clareza o seu próprio papel como anunciadora de catástrofes: “Funcionamos como uma espécie de air bag. Reduzimos os danos, mas as autoridades têm de fazer a parte delas. O cacique não pode servir de muleta para os homens.” Talvez como prova disso, a fundação já teve convênio com a Prefeitura de São Paulo, mas o rompeu na gestão do prefeito Gilberto Kassab, porque ele acabara com uma verba destinada a combater causas de desastres climáticos.

Seja como for, o prestígio da Cobra Coral vai além de São Paulo. Em novembro de 2008, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou um convite a Adelaide para ir até lá discutir o apagão em 18 estados. Não sei se chegou a ir, não me lembro de notícia disso, mas o convite existiu.

Aqui no Rio, a fundação está discutindo com a Prefeitura a renovação de um convênio — que não envolve qualquer pagamento — pelo qual a fundação profetiza tempestades e assim ajuda a diminuir os seus efeitos. Sendo de graça, por que não ouvir o cacique?

RUY CASTRO

Lavando as mãos


FOLHA DE SÃO PAULO - 12/03/10RIO DE JANEIRO - O garoto se aproxima com ar falsamente compungido e diz: "Eu podia estar roubando, assaltando. Em vez disso, estou pedindo uma ajuda. Compra meu chicletes?". Não sei quem inventou a brincadeira, inspirada nos meninos de rua, mas está sendo usada pelo pessoal do samba aqui no Rio. Um deles diz no palco, com o mesmo ar falsamente compungido: "Eu podia estar roubando, assaltando. Em vez disso, estou fazendo esse show. Compra meu CD?".
Pelo raciocínio do presidente Lula, por suas declarações em Cuba, é tudo uma coisa só. Roubar, assaltar bancos, sequestrar, fazer arrastão em prédio residencial ou chacinar em São Paulo são o mesmo que vender chicletes na esquina, cantar samba na gafieira ou lutar pela liberdade em Cuba e ir preso por isso.
Claro que não é assim, e Lula sabe muito bem a diferença entre um preso político e um preso comum. Faz essa distinção no caso do terrorista italiano Cesare Battisti, condenado em seu país por homicídio, mas que ele vê como um perseguido político, digno de asilo no Brasil.
Sabendo que Lula estaria em Havana, os dissidentes cubanos tentaram fazer chegar às suas mãos um documento pedindo que intercedesse junto aos irmãos Castro para pôr fim às prisões por "crime" de pensamento. Mas Lula alegou não ter recebido o pedido e aconselhou que, na próxima, fizessem uma entrega "protocolada" -certamente com estampilhas, carimbos e firma reconhecida.
Em 1976, o presidente americano Jimmy Carter usou o peso de seu cargo para denunciar os crimes da ditadura brasileira. Pelas ligações entre os governos do Brasil e dos EUA na época, ele podia ter lavado as mãos. Mas o estadista sensível aos direitos humanos superou o mero gestor de corriolas políticas. O povo brasileiro sempre lhe será grato.

MERVAL PEREIRA


Comparações
O GLOBO - 12/03/10

O presidente Lula alardeia sempre que pode que quer fazer uma campanha sucessória plebiscitária, na qual o povo poderá escolher entre “eles” e “nós”, referindo-se ao seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Mas, se a análise histórica for menos imediatista, o seu mandato até o momento sai-se muito mal na foto no que se refere ao crescimento do PIB, a despeito do alto conceito que Lula tem a respeito de si próprio e de seu governo.

O professor titular de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Reinaldo Gonçalves fez um estudo sobre a evolução da renda no Brasil segundo o mandato presidencial, mostrando a performance da economia brasileira em 120 anos de História da República (1890 a 2009), com comparações não apenas a nível interno, entre os períodos, como também em relação à participação na economia mundial.

Em ambos os critérios, o governo Lula pode ser considerado medíocre. A taxa média de crescimento real do PIB brasileiro é, nesse período, de 4,5%, e a taxa do governo Lula é de 3,6%, ficando em 21 olugar entre 29 governos.

Mesmo que em relação ao governo de seu arquiadversário o crescimento tenha melhorado — o governo Fernando Henrique teve uma média de crescimento do PIB de 2,29% — , a participação média do PIB do Brasil no PIB mundial caiu de 2,93% no governo FHC para 2,74% no governo Lula.

Segundo o trabalho do professor Reinaldo Gonçalves, no conjunto de 29 mandatos, o governo Lula (2003-09) tem até o momento ano na taxa mais baixa de crescimento econômico.

O fraco desempenho do governo Lula implica que o país precisaria de 20 anos para duplicar o seu PIB, quando a taxa secular é de duplicação do PIB em 16 anos.

No período 1890-2009, a economia mundial cresceu à taxa média anual de 3,14%, o que significa que, ao longo do período analisado, o Brasil tem conseguido avançar no processo de desenvolvimento econômico, com tendência de crescente participação na economia mundial.

Entretanto, Gonçalves ressalta que este processo somente começou nos anos 1920 devido ao fraco desempenho e à instabilidade da economia brasileira no período que vai da proclamação da República até o pós-Primeira Grande Guerra. O “salto quântico” de desenvolvimento, de acordo com o professor, é dado pelo presidente Getulio Vargas no entreguerras.

“No período de praticamente meio século que vai de 1930 até 1979, a economia brasileira apresenta taxas de crescimento econômico de longo prazo significativamente elevadas”, destaca Reinaldo Gonçalves.

De fato, o país já teve períodos de crescimento de níveis asiáticos: de 1950 a 1959, média de 7,15%; de 1960 a 1969, média de 6,12%; e de 1970 a 1979, de 8,78%.

O maior crescimento do PIB foi de 13,97% em 1973, no auge do “milagre econômico”, mas taxas de dois dígitos são exceções, aconteceram somente em seis anos.

O resultado, afirma Reinaldo Gonçalves, é que a par ticipação do país no PIB mundial aumentou de menos de 1% no final dos anos 1920 para 3,6% em 1980.

Nos últimos 30 anos, no entanto, a economia brasileira tem tido um desempenho relativamente fraco em comparação com o conjunto da economia mundial e, principalmente, com o subconjunto de países em desenvolvimento. De 1990 a 2003, o crescimento médio foi de 1,8%; de 80 a 2003, 2%.

Restringindo a análise ao primeiro conjunto, Reinaldo Gonçalves observa “clara tendência” de queda da participação brasileira no PIB mundial a partir de 1980.

Em 2002, esta participação era de 2,81% e, em 2009, era de 2,79%, “próxima daquela obser vada quase quarenta anos antes, no início dos anos 1970, ressalta Reinaldo Gonçalves.

Na análise do professor de economia da U F R J , o governo Luiz Inácio Lula da Silva se beneficiou de uma conjuntura extraordinariamente favorável no período de 2003 até meados de 2008, mas o fato é que a crise global teve for te impacto sobre a economia brasileira (queda do PIB de 0,2% em 2009 anunciada ontem), em que pese o discurso do governo “completamente descolado da realidade”.

Gonçalves tem uma visão crítica da atuação do governo na crise, atribuindo o PIB negativo a “erros de política de ajuste”, como a instabilidade e o nível da taxa de câmbio, nível da taxa de juros e regressividade do estímulo fiscal.

“Ao fim e ao cabo, a evidência mostra que o desempenho da economia brasileira no período 200309 é medíocre pelos padrões históricos brasileiros e pelos padrões internacionais”, sintetiza.

O professor ressalta que no governo Lula “continua ocorrendo o processo de perda de posição relativa do país na economia mundial”.

Comparativamente ao final do governo Fernando Henrique Cardoso, na opinião de Gonçalves, o governo Lula tem desempenho “igualmente medíocre”.

Em 2002, último ano do segundo mandato de Fernando Henrique, a participação do Brasil no PIB mundial foi de 2,81%, e, em 2009, a participação brasileira ficou em 2,79%.

O professor Reinaldo Gonçalves atribui à “similaridade de modelos de desenvolvimento e de políticas econômicas” o fraco desempenho dos governos FHC e Lula.

ELIANE CANTANHÊDE


Bomba relógio
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/03/10


ESTOCOLMO - Quanto mais o tempo passa, mais os suecos, franceses e americanos ficam nervosos diante da decisão de Lula sobre o melhor pacote para entronizar o Brasil na fantástica era da produção de aviões supersônicos.
O vice-ministro da Defesa da Suécia, Hakan Jevrell, me disse ontem, aqui em Estocolmo, que há muita ansiedade, mas pouca informação, sobre o anúncio, que seria em setembro de 2009, passou para outubro, para dezembro e acabou varando o ano. Até agora, nada.
Jevrell aproveita para rebater duas críticas restantes ao caça Gripen NG: a diversidade de fornecedores estrangeiros e o risco de mudanças no preço final e nos prazos, já que é um produto pronto.
Segundo ele, não há um só avião de caça integralmente produzido e equipado num único país. O francês Rafale -preferido pela área política do governo- tem, inclusive, sistemas dos EUA e da própria Suécia. O motor do Gripen é dos EUA, mas o ministro menosprezou: o avião será adaptável a qualquer motor, de qualquer país. Algum problema de autorização? Basta trocar.
Quanto a prazo e preços, ele repete o que a Saab, do Gripen, sempre diz: a empresa tem um velho histórico de cumprimento de contratos. Não seria agora que iria falhar.
Se Lula anunciar a vitória dos suecos, estará bem ancorado no relatório técnico da FAB e na preferência da Embraer. Mas, se optar pelo F-18, que ficou em segundo lugar, ou pelo Rafale, que ficou em último, Jobim vai ter que se esmerar para produzir e redigir argumentos minimamente convincentes. Falar apenas em "questões políticas" é muito vago, podendo até resvalar para o suspeito.
Como disse Jevrell, o fator político é importante, mas não o único. Se tudo não ficar em pratos limpos, países e empresas vão pensar uma, duas, dez vezes antes de gastar milhões em seleções que, na verdade, eram só para sueco ver.
A bomba está no colo de Jobim.

CLÁUDIO HUMBERTO

“É uma irresponsabilidade”
GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL (RJ), AOS PRANTOS, SOBRE A DIVISÃO DOS ROYALTIES DO PETRÓLEO

CAMPANHA RICA: DILMA ALUGA QUATRO MANSÕES
O comitê de Dilma Rousseff (PT) está alugando quatro mansões no Lago Sul, bairro de classe média alta de Brasília, para os núcleos da campanha. Três delas custarão em média R$ 30 mil mensais por dez meses, sendo 30% pagos à vista, em troca da imediata desocupação dos imóveis. Uma mansão será usada pelo ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, o coordenador, e a “área de inteligência” da campanha.
PR A BORDO 
A mansão mais cara (cerca de R$ 50 mil mensais) tem píer para lancha e terá heliponto, para o presidente Lula chegar e sair sem ser a notado.
DINHEIRO SOBRANDO
Somente na mansão principal, que será ocupada pela candidata Dilma Rousseff, serão gastos R$ 500 mil em obras de reforma e adaptação.
MAU SINAL 
Os contratos das mansões para a campanha de Dilma Rousseff têm sido negociados pelo dono de uma gráfica de Brasília.
BELA ESTRUTURA 
Uma mansão é para o serviço de telemarketing, que vai disparar 600 milhões de mensagens gravadas de Dilma, e outra para estúdio de TV.
AGRICULTORES CRIAM O “PRÊMIO SILVÉRIO DOS REIS”
Entidades ligadas a produtores agrícolas vão lançar o “Prêmio Silvério dos Reis”, para deputados e senadores que votem contra propostas que protejam os interesses nacionais. Em troca de 30 moedas de ouro, Joaquim Silvério dos Reis delatou Tiradentes e os inconfidentes aos colonizadores portugueses. Os produtores desconfiam que ONGs ecopicaretas estariam a serviço de concorrentes do Brasil no exterior.
RESPOSTA 
O “Prêmio Silvério dos Reis” responde à expressão “exterminadores do futuro”, usada por ecopicaretas para designar produtores agrícolas.
TEMPO ESGOTADO
Dissidentes cubanos acreditam que Guillermo Fariñas, em greve de fome há 16 dias na prisão em Cuba, resista, no máximo, até amanhã.
ABALO IDEOLÓGICO
O Chile tremeu ontem, na posse do presidente Sebastián Piñera. Se fosse aqui, o governo diria que foi obra da “imprensa golpista”.
RENOVAÇÃO AMPLA
O governador interino do DF, Wilson Lima, decidiu não ser candidato a nada. E acha que se a eleição fosse hoje haveria renovação de 80% da Câmara Legislativa. “O desgaste é muito grande”, disse a esta coluna.
VOCÊ JÁ SABIA
Jornalões publicaram ontem o que os nossos leitores sabem desde junho de 2008: a Bancoop atrasou a construção do triplex de Lula, no Guarujá. O imóvel está em nome da primeira-dama, d. Marisa.
CHORO SELETIVO 
O governador do Rio, Sérgio Cabral, apareceu ontem indignado e até chorou, reclamando da própria derrota na questão dos royalties do pré-sal. Mas nem sequer foi ao protesto na BR-101 contra a decisão.
NUVENS NEGRAS
Como ninguém jamais verteu lágrimas por derrota política provisória, que até deve ser vetada por Lula, agora é oficial: Sérgio Cabral há dias teve um piripaque e ontem chorou por outras razões, bem mais graves.
AMEAÇA VELADA 
O PMDB ameaça candidatura própria, caso Lula insista em Henrique Meirelles para vice de Dilma. Um líder do partido no Congresso pede anonimato para advertir: “O vice que o PMDB definiu é Michel Temer; por suas qualidades, Meirelles seria nosso candidato a presidente”.
LANÇAMENTO 
O PCdoB apresenta, nesta sexta-feira (12), a pré-candidatura do advogado alagoano Messias de Souza ao governo do Distrito Federal. Militante da causa dos direitos humanos, ele mora em Brasília há anos.
PALÁCIO FORA DA LEI
Enquanto brasilienses ignoram o programa e não pedem a Nota Legal, que reduz o valor pago no IPTU, o restaurante da Presidência da República se nega a emitir o documento, que é lei no Distrito Federal.
CAMPANHA 
Circula e-mail pedindo que a população vista preto, ou pendure faixas pretas nos carros ou em casa, no dia 21 de abril, aniversário de 50 anos da capital. A ideia é “distinguir o povo dos políticos”.
SPA PETISTA 
Se, para Lula, preso político é igual a criminoso e não pode fazer greve de fome, se um dia um “cumpanhêro” for preso, terá que comer à força.

PODER SEM PUDOR
A CUÍCA DE VALADARES
Interventor de Minas, Benedito Valadares contratou um escritor de talento, Mário Mattos, para redigir seus discursos. Já na estreia, ele leu que as reservas de minério do Estado eram as maiores do Brasil, “cuíca do mundo”. Cuíca? Ninguém entendeu. Era “quiçá”, soube-se depois. E inspirou uma marcha de carnaval do compositor Rômulo Paes:
– Benedito/branco da alma preta/deixou de tocar corneta/e aprendeu a tocar cuíca...

O ABILOLADO E A MENTIROSA



SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Lula teve em 2009 primeiro PIB negativo desde Collor

- Folha: Brasil teve o pior PIB em 17 anos

- Estadão: PIB cai 0,2% em 2009, mas já cresce como antes da crise

- JB: Pré-sal: Cabral: ‘Foi um linchamento contra o Rio’

- Correio: STF afasta distritais da votação do impeachment

- Valor: União busca novas fontes de recursos para o BNDES

- Estado de Minas: Homossexual que vive com servidor de MG terá pensão

- Jornal do Commercio: Sob ameaça, cunhada da alemã chega ao Recife