sexta-feira, março 05, 2010

MÍRIAM LEITÃO

Homens de Atenas 


O Globo - 05/03/2010


O primeiro-ministro grego, George Papandreau, começa hoje a circular por Berlim, Paris e Washington atrás de apoio ao país, depois de anunciar esta semana seu terceiro pacote fiscal. Os dois primeiros não convenceram muito, nem as autoridades dos maiores países europeus a ajudar a Grécia, nem os mercados. Ao fim do périplo, talvez os gregos respirem aliviados.

O ministro da economia, George Papaconstantinou, comparou a manobra que o governo socialista está fazendo, para mudar o rumo dos acontecimentos econômicos e fiscais do país, com o esforço para desviar o Titanic do confronto desastroso.

Posto assim, parece tarefa digna do famoso semideus da Grécia Antiga.

Como nenhum dos dois Georges é Hércules, é melhor apostar em soluções menos olímpicas.

O terceiro pacote descontenta funcionários públicos, comerciantes, taxistas, fumantes, contribuintes em geral, mas apesar disso uma pesquisa indica que 60% dos gregos apoiam os esforços do governo para superar a crise causada pela herança maldita da farra fiscal do governo anterior.

O imposto sobre valor agregado subiu de 19% para 21%, espalhando o impacto nos preços em geral. Aumentou o imposto sobre cigarros, bebidas alcoólicas, carros de luxo e combustíveis.

Os cortes de gastos públicos vão atingir as bonificações recebidas pelos funcionários públicos no Natal, na Páscoa e no verão.

Juntos, esses extras cortados significam um mês de salário. Os aposentados terão suas pensões congeladas.

O combate à sonegação exigirá recibo de todo mundo, até de taxista.

Tudo isso feito com um propósito: convencer os países europeus, especialmente a Alemanha, a dar um empréstimo de US$ 27 bilhões à Grécia para que o país possa pagar seus compromissos de curto prazo, que vencem em dois meses.

Se rolar isso, o governo acha que conseguirá, com mecanismos de mercado, rolar o restante da dívida pública, que vence ao longo do ano, de mais 53 bilhões de euros.

Os europeus, Alemanha à frente, estão prisioneiros de dois medos: ajudar a Grécia e, desta forma, criar um moral hazard que leve todos os outros países com alta dívida, alto déficit e baixa capacidade de financiamento – como Portugal, Espanha, Irlanda, Itália – a apostar que a ajuda virá de qualquer maneira.

Não ajudar, e ver o primeiro caso de um país cuja moeda é o euro a entrar em moratória. Por isso, o terceiro caminho que se busca é apertar as exigências sobre a Grécia para que o país faça todo o esforço fiscal possível, cortando na própria carne, e tendo uma meta de déficit público declinante, como pré-requisito para ter o apoio. Hoje em 12,7% do PIB, o déficit tem que cair para 8,7% no final do ano e ir até 2012 a 3%. Se o cerco não fosse feito aos gregos, todos os outros países em dificuldade iriam bater às portas da Alemanha para pedir ajuda sem disposição para fazer o esforço fiscal. Por isso, a Grécia está firmando o modelo de que a ajuda será possível se houver esforço interno para ajustar as contas.

O caso da Grécia mostra que o mundo não mudou.

Países ricos estão com déficits e dívidas altas, mas continuam rolando suas dívidas a preços baixos; países que não fazem parte dessa elite do planeta não conseguem rolar suas dívidas a baixo preço. Tudo o que Papandreau está fazendo é para ter um objetivo, como disse à imprensa: “Quero rolar minha dívida ao mesmo preço que os outros países do euro.” Ontem, três pacotes fiscais depois, muito protesto nas ruas e greves, ele conseguiu captar 15,5 bilhões de euros no lançamento de novos títulos, mas com juros de 6,4%, dois pontos percentuais acima do que é pago pelos portugueses e o dobro do que paga a Alemanha.

A demanda foi boa porque os investidores estão contando que a ajuda ao país virá.

O mercado está convencido de que, no final das contas, os países da União Europeia vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que um dos seus membros declare moratória.

Se houver dúvida sobre isso, o custo da dívida volta a disparar como nas últimas semanas. A Grécia tem um plano B que é pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e entrar então naqueles velhos programas de austeridade fiscal fiscalizada, em troca de empréstimos cheios de condicionalidades, que conhecemos tão bem. O FMI já disse que está preparado para abrir negociação com a Grécia, mas que entende que os europeus queiram primeiro resolver entre eles a questão dos países com dificuldades fiscais. A conclusão dessa guerra helênica é uma só: de que é apressado e perigoso concluir que a austeridade fiscal, o controle do crescimento da dívida, são objetivos do velho e ultrapassado mundo ortodoxo.

Há muita gente aqui no Brasil entendendo assim o que houve no mundo nos últimos dois anos. Como disse na semana passada o economista José Roberto Mendonça de Barros: “aqui, todos começaram keynesianistas e terminaram gastadores.” O gasto excessivo continua sendo um perigoso desestabilizador das economias.

A crise grega é em si um problema para a proposta de uma moeda comum. Ela se sustentava na ideia construída pelo Tratado de Maastricht, de que todos tivessem o mesmo comportamento fiscal responsável.

Agora se viu que vários dos 27 países não ficaram dentro dos limites fiscais. Isso não aconteceu apenas no tempo da gastança na época da crise.

Mesmo antes, os governos já estavam gastando mais do que era necessário e prudente.

FARSA

JOSÉ AGRIPINO MAIA


O que faz o DEM ser diferente

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/03/10


Gostaria que o Brasil nos compreendesse. Não houve "mensalão do Democratas". A expressão fica preservada como patrimônio de outros

O EPISÓDIO envolvendo dirigentes e parlamentares do Distrito Federal oferece ao país a oportunidade de acompanhar a maneira como um partido pode comportar-se diante de situações de crise.
A oportunidade também de comparar partidos e comportamentos.
Na desfiliação do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do vice-governador, Paulo Octávio, do deputado Leonardo Prudente e na dissolução do diretório regional, o Democratas não deu espaço para conveniências imediatistas ou de ordem pessoal. Optou pelo respeito à ética, encarada pelo partido como um valor permanente da vida política.
Levado a cortar na carne e punir filiados de longo tempo, o DEM mostrou ao Brasil que não convive com a improbidade e não aceita a impunidade.
Em novembro do ano passado, o governador Arruda foi exposto à opinião nacional em imagens que o mostravam na prática de ações inaceitáveis. Diante da gravidade das denúncias então veiculadas, o senador Demóstenes Torres, o deputado federal Ronaldo Caiado e eu apresentamos à Executiva do partido representação com pedido de expulsão do governador em rito sumário.
Como é comum nas democracias, todo partido tem linhas diversas de pensamento. A Executiva acatou o pedido, decidindo pela concessão de um prazo de oito dias para a apresentação da defesa.
Próximo ao final do prazo, confrontado com a iminência da sua expulsão, o governador José Roberto Arruda pediu desfiliação. O vice-governador, Paulo Octávio, e o deputado Leonardo Prudente desfiliaram-se após algumas semanas e o diretório regional do partido foi dissolvido.
Em consequência da ação da Executiva partidária, os envolvidos nos episódios do Distrito Federal não poderão candidatar-se a nenhum cargo nas próximas eleições.
Enquanto isso, impõe-se uma reflexão: onde andam os implicados no escândalo dos aloprados? Onde andam os mensaleiros? Onde andam os camufladores de dólares em roupas íntimas? Seguramente, não são do Democratas. E o povo sabe quem continua a acobertá-los.
Dentro da Executiva, pelo diálogo, chegou-se a um entendimento unânime. Prevaleceu no partido a ideia de que ninguém teria, ao julgar colegas, o direito de agir por meio de sentimentos pessoais.
Ao partido, como instituição, impunha-se a tarefa de dar exemplo, cumprindo sua obrigação, fazendo o que outros, em circunstâncias semelhantes, não tiveram a coragem de fazer.
As atitudes foram guiadas pela convicção de que as instituições devem estar acima dos sentimentos que, por serem humanos, são falíveis.
Todo processo traumático de tomada de posição costuma se transformar em referência. Ficam os exemplos -positivos ou negativos. Impôs-se a decência.
Gostaria que o Brasil nos compreendesse. Não houve, portanto, "mensalão do Democratas". Os ilícitos denunciados circunscreveram-se estritamente ao governo de Brasília e não envolveram filiados de outras unidades da Federação.
O partido providenciou, no tempo adequado, o expurgo exigido pelos fatos no Distrito Federal. Detectado o problema, o corrigimos drasticamente, afastando os envolvidos com irregularidades. Em nenhum momento contestamos as evidências exibidas pelos meios de comunicação ou alardeamos a existência de conspirações.
O futuro vai nos reservar o direito de dizer que fizemos história partidária. A expressão "mensalão" fica, assim, preservada como patrimônio de outros partidos que não souberam ou não puderam distanciar-se do território da corrupção.
Vamos reconstruir o DEM no Distrito Federal. O senador Marco Maciel foi designado para recompor os quadros do diretório regional com homens e mulheres que se orgulhem do que o partido fez na crise de Brasília. Continuaremos nosso trabalho.
Atravessamos uma trilha amarga, mas fizemos o que tínhamos que fazer para nos apresentar como referência de rigor na não convivência com a impunidade. Tenho certeza de que, mais à frente, irão reconhecer esse nosso esforço. Não pelo que eu digo, mas pelos fatos.
JOSÉ AGRIPINO MAIA , 65, engenheiro civil, é senador da República pelo DEM-RN e líder de seu partido no Senado Federal. Foi governador do Rio Grande do Norte (1983-1986 e 1990-1994)

CID HERACLITO DE QUEIROZ


O pacote fiscal de Drácon

O ESTADO DE SÃO PAULO - 05/03/10


"Nunca antes neste País", para usar uma expressão em voga, um governo submeteu ao Congresso Nacional um conjunto de projetos de lei com tantas e tão severas violências contra os contribuintes como os que compõem o que pode ser denominado de o "pacote fiscal de Drácon" ? ou seja, inspirado no duro e cruel legislador ateniense do século VII a.C., que, segundo se dizia, escrevia as suas leis não com tinta, mas com sangue.

Integram o pacote os Projetos de Lei (PL) nº 5.080/09 e nº 5.082/09 e o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 469/09, os quais, sob o pretexto de "modernizar" a legislação atual, instituem diversos instrumentos de tortura e violência, próprios de ditaduras, para pressionar e amedrontar os contribuintes, no pressuposto de que todos sejam sonegadores de tributos. O presidente não deve ter lido tais projetos.

O PL nº 5.080: 1) institui os "atos de constrição preparatória e provisória" a serem "praticados pela Fazenda Pública credora", antes do ajuizamento da execução fiscal, ou seja, a penhora administrativa, assim invadindo a esfera de competência constitucional do Judiciário e propiciando, sobretudo nos municípios, a violência contra os adversários dos governantes; 2) determina o protesto da certidão de dívida ativa, o que é desnecessário, pois esse título já é mais privilegiado que os títulos protestados, além de representar mais um passo burocrático e mais um ônus para o contribuinte; 3) estabelece a responsabilidade subsidiária pela dívida em cobrança de quem, na pessoa jurídica, omitir ou retardar a prestação de informações ("dedurar") sobre o paradeiro e o patrimônio do devedor, violando, assim, as garantias constitucionais à inviolabilidade da intimidade e à livre manifestação do pensamento, que envolve o direito ao silêncio; 4) prevê a criação de cargos de "Oficiais da Fazenda Pública" ? certamente milhares ?, com "as mesmas prerrogativas" atribuídas, pela lei, aos oficiais de justiça, mas sem fixar os respectivos vencimentos e sem indicar a fonte dos recursos para custeá-los, o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal; e 5) com agressão à garantia constitucional, à inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados, autoriza o Executivo a criar o Sistema Nacional de Informações Patrimoniais dos Contribuintes (SNIPC), um verdadeiro "SNI fiscal", para organizar "o acesso eletrônico às bases de informação patrimonial de contribuintes, contemplando informações sobre o patrimônio, os rendimentos e os endereços, entre outras".

Em 294 normas, o Projeto de Lei nº 5.082/09 institui a "transação tributária" como meio de extinção do crédito tributário, muito embora o parcelamento do débito, em condições gerais preestabelecidas, sempre tenha correspondido à espécie de que trata o artigo 171 do Código Tributário Nacional. A transação, como proposta ? uma negociação pessoal entre o contribuinte e os servidores fazendários ?, presta-se a controvérsias sobre a lisura do procedimento, expondo estes a críticas e a suspeitas, ainda que improcedentes e injustas, seja quando o pleito for indeferido, seja quando for atendido. E será um estímulo ao tráfico de influência.

Por sua vez, o PLC nº 469/09 inclui no Código Tributário Nacional o artigo 122-A, a fim de determinar "aos representantes de pessoas físicas e aos diretores, gerentes ou representantes, ainda que de fato, de pessoas jurídicas" que "atuem diligentemente para o cumprimento das obrigações tributárias das entidades que representam", atribuindo-lhes, ainda, o "dever de diligência", para "fazer todo o necessário para o cumprimento das obrigações tributárias, inclusive privilegiar o pagamento de tributos em detrimento de outras despesas ou débitos". Mediante a inclusão do inciso VIII no artigo 134, é estabelecida a responsabilidade solidária do administrador ou gestor que "deixar de provar que empregou, no exercício de sua atividade, o cuidado e a diligência que se costuma dispensar à administração de negócios, cumprindo com o dever de diligência que a lei lhe incumbe". Em síntese, obriga os contribuintes a uma romântica fidelidade fiscal.

Ora, é natural que os órgãos fazendários se preocupem com a colossal quantidade de inscrições no Cadastro da Dívida Ativa da União (7.300.000) e com a soma astronômica em cobrança (R$ 1,5 trilhão) ? eram, há 20 anos, apenas 45 mil inscrições, no valor global de R$ 2,8 bilhões ?, mas essa anômala situação decorre: da elevada carga tributária (40% do PIB); das multas estabelecidas antes do Plano Real, nos porcentuais de 50%, 100% e 150% sobre o valor do tributo, mas que hoje, em face da estabilização da nossa moeda, se tornaram escorchantes; das deficiências dos procedimentos de arrecadação e do abandono da cobrança amigável, pela qual cerca de 30% dos débitos eram liquidados à vista ou em parcelas, conforme a antiga experiência; e do calote nos créditos dos contribuintes contra o erário (precatórios, créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados e da Cofins, lenta restituição do Imposto de Renda, etc.).

Tudo isso exigiria um outro pacote, mas para reduzir a carga tributária e as multas fiscais, aperfeiçoar o processo de cobrança e arrecadação dos tributos, retomar a cobrança amigável da dívida ativa e responsabilizar as autoridades governamentais que não promovam a liquidação integral dos precatórios e outras obrigações da Fazenda perante as pessoas físicas e jurídicas.

O certo é que não se justifica, de modo algum, a adoção de procedimentos inquisitoriais que a Constituição não admite, o regime democrático não autoriza e a sociedade não tolera. Resta aos contribuintes confiar no Congresso Nacional, que certamente rejeitará o pacote fiscal de Drácon.
Cid Heraclito de Queiroz, advogado, foi procurador-geral da Fazenda Nacional

ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK


O enigma de Mantega

O ESTADO DE SÃO PAULO - 05/03/10


Sempre propenso ao esquecimento e à mistificação, o País pode acabar acreditando na história de que foi a crise econômica internacional que abriu os olhos do governo para a importância de reforçar a intervenção do Estado na economia. Na verdade, a crise foi apenas o pretexto. Abriu espaço para que o governo se desinibisse de vez e passasse a defender de forma mais desabrida ideias que sempre lhe foram caras. E que nunca deixaram de estar profundamente arraigadas na visão de mundo da cúpula dirigente do PT.

Em benefício da ministra Dilma Rousseff, o que pode e deve ser dito é que ela jamais se preocupou em esconder o jogo. Nem nos primórdios do primeiro mandato do presidente Lula, quando boa parte do ministério fazia das tripas coração para manter as aparências e não botar a perder o esforço de mudança de discurso econômico, que vinha sendo comandado com competência pelo ministro Antonio Palocci.

É preciso lembrar que, em meados de 2003, a ministra Dilma Rousseff, então responsável pela Pasta de Minas e Energia, anunciou uma proposta de reforma do setor elétrico que simplesmente não fazia sentido. Era um amontoado de visões preconceituosas e "pontos inegociáveis" que não levava em conta princípios econômicos absolutamente elementares. Com o País mais uma vez convertido em dispendioso navio-escola, foi preciso bem mais de um ano para que a ministra se familiarizasse com a realidade do setor e, afinal, cedesse aos argumentos dos especialistas da área, concordando em abrir mão dos pontos mais indefensáveis da proposta que tinha apresentado.

Com os remendos que tiveram de ser feitos, a reforma que afinal se fez ficou muito aquém do que teria sido possível se, desde o início, tivesse sido pautada por visão menos enviesada dos problemas do setor. Diante de uma ampla gama de arranjos possíveis, que iam de pouca a muita presença do Estado, o governo deixou de lado soluções mais parcimoniosas no uso de recursos públicos e optou por um modelo do setor elétrico que reserva ao Estado um papel central. Um papel que nos últimos anos tem ganho importância cada vez maior, à medida que as deficiências do novo modelo vêm sendo evidenciadas.

A resposta do governo às muitas dificuldades que vêm sendo enfrentadas tem sido quase sempre a mesma: carrear mais recursos públicos e paraestatais para o setor, seja aumentando a parcela dos novos investimentos financiada pelo BNDES, seja tornando mais generosas as condições de financiamento concedidas, seja forçando os fundos de pensão de empresas estatais a canalizar mais recursos para o setor, seja capitalizando a Eletrobrás e o próprio BNDES com recursos do Tesouro.

É difícil entender a lógica de um modelo que, no atual quadro fiscal brasileiro, sobrecarrega de tal forma o setor público com a arregimentação dos recursos requeridos para a expansão do setor elétrico. Ainda não há quem tenha conseguido decifrar a inesquecível explicação dada pelo ministro Mantega, em entrevista concedida ao Financial Times quando assumiu a Fazenda, em 2006: como o governo não conta com recursos para investir, a solução é recorrer ao investimento privado financiado com recursos do governo.

É interessante notar que, no novo ambiente que se criou no setor elétrico, a seleção natural logo se estabeleceu. Curvemo-nos todos a Darwin. Como seria previsível, o setor elétrico vem sendo rapidamente dominado pelas empresas mais aptas a lidar com os riscos e as possibilidades de negócios que envolvem relações íntimas com o governo: as empreiteiras.

O pior é que a ideia de que tudo se resolve com mais Estado vai sendo estendida com entusiasmo a outros setores. Há poucos dias o presidente Lula fez defesa candente do "Estado como grande indutor das coisas que devem acontecer". No mês passado já havia proposto ao setor privado uma regra simples para determinar em que áreas o Estado deveria entrar: "Se vocês não forem, eu vou." Aos mais velhos e com boa memória, a regra soa como reedição um tanto extemporânea da empoeirada "doutrina dos espaços vazios", brandida durante o regime militar para racionalizar a intervenção estatal em "setores estratégicos". É o nacional-desenvolvimentismo geiselista redivivo. Agora em embalagem de esquerda.

*
Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

MERVAL PEREIRA


Vale tudo

O GLOBO - 05/03/10


A reação foi tão ruim que provavelmente a intenção de Lula de se licenciar da Presidência da República para entrar de corpo e alma na campanha de sua candidata, Dilma Rousseff, sem os empecilhos da legislação eleitoral não se concretizará.

Até mesmo o senador José Sarney, que teoricamente seria beneficiado pela manobra pois voltaria à Presidência, rejeitou a ideia com um argumento imbatível: um ex-presidente não pode voltar ao cargo como interino de ninguém.

A intenção de Lula de se licenciar do governo já havia sido revelada em algumas ocasiões, inclusive como explicação para seu apoio incondicional ao presidente do Senado durante a crise que quase lhe custou o cargo.

Além da retribuição ao apoio que recebeu de Sarney na crise do mensalão, o presidente Lula queria a garantia de que um aliado confiável assumiria o governo durante sua ausência.

Lula mesmo já havia dito que, se fosse preciso, se licenciaria para apoiar a campanha de Dilma. Portanto, nada de estranho na notícia do Ilimar Franco de que Lula já teria decidido se licenciar nos meses de agosto e setembro.

O que certamente o Palácio do Planalto não esperava era uma reação tão grande a essa manobra, que nada mais é do que uma tentativa de burlar o espírito da lei eleitoral, que pretende colocar os candidatos em igualdade de condições na disputa presidencial.

Esse conceito da legislação é difícil de ser atingido quando um membro do Executivo — tanto faz seja prefeito, governador ou presidente da República — está tentando a reeleição.

Mas vários casos de perda de mandato por abuso de poder político ou econômico estão acontecendo em estados e municípios.

Por muito menos do que o presidente Lula tem feito, vários já perderam o mandato.

O que acontece com a campanha presidencial é que não há ainda a oficialização das candidaturas, e o governo se aproveita desse detalhe técnico para forçar os limites da legislação, com a condescendência do 
Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O presidente Lula já inaugurou a mesma obra várias vezes, ou até mesmo pedras fundamentais de obras que ainda nem começaram, sempre com a sua candidata no palanque.

Deveria bastar um fato desses para ficar evidenciada a tentativa de usar o cargo para promover sua candidata, ferindo o espírito da legislação.

Certa ocasião, Lula disse ao povo presente a um desses comícios que eles deveriam tomar nota dos responsáveis pelas obras — e citou explicitamente a ministra Dilma entre eles — para que, depois, quando eles já não pudessem mais ir a inaugurações, se lembrassem de quem fez aquela intervenção.

Mais ilegal do que isso não é possível. Maior abuso de poder político e econômico é difícil de se ver.

Na verdade, depois que o PT lançou-a como “pré-candidata”, o TSE deveria impedir que a ministra Dilma inaugurasse obras.

Nada acontece com Lula por ser ele o presidente da República e, mais do que isso, ter uma grande popularidade.

Se o PT estivesse na oposição e um presidente tucano fizesse o que Lula faz, já haveria protestos dos chamados “movimentos sociais” por todo o país.

De qualquer maneira, a partir de 3 de abril, com a desincompatibilização dos candidatos, ficará mais difícil a quem quer que seja burlar tão explicitamente a lei.

Quanto ao presidente Lula, licenciando-se do cargo ou não, continuará tendo as mesmas limitações legais, embora licenciado não constrangesse tanto os ministros do TSE.

Como não renunciou ao cargo, Lula continua sendo o presidente, e por isso não poderá pedir votos para Dilma afirmando que ela será a continuidade de seu governo, por exemplo.

Nem poderá fazer campanha em horário de trabalho.

Além disso, há constitucionalistas que não vêem respaldo na Constituição para que o presidente da República se licencie para fazer campanha política.

Mesmo que não se leve em conta o artigo 37 da Constituição, que coloca a moralidade como um dos requisitos fundamentais da função pública, no mínimo porque ao servidor público é permitido apenas o que está explícito na lei. E fazer campanha política não é um dos casos previstos na Constituição para que o presidente se licencie do cargo.

É previsível que teremos boas batalhas jurídicas nesta campanha, porque Lula já disse que só se considerará realizado se conseguir eleger sua sucessora.

Como fala muito, e não tem medidas, chegou a dizer que um governo só é exitoso quando o presidente elege seu sucessor.

Se fazendo o que faz já provoca reações na parte da sociedade que não convive bem com as transgressões, caso se licenciasse do cargo, Lula estaria explicitando na prática o que já disse publicamente, sem nenhum constrangimento: sua prioridade é eleger Dilma Rousseff.

Governar passou a ser secundário neste último ano de mandato.

Essa atitude de Lula, afrontando a legislação com pequenas espertezas, talvez seja uma das piores heranças que ele deixa para o país.

A prática política passou a ser nivelada por baixo, valendo mais quem é mais esperto, não o mais preparado.

Vale maquiar os números do PAC, vale fingir que não é candidata, mas fazer campanha política abertamente, vale trocar apoio político por cargos, vale ter em seu palanque o adversário de ontem apenas porque ele tem votos naquela região.

Como tudo isso dá certo, a prática se dissemina a ponto de não haver uma diferença fundamental entre os principais atores da cena política, mesmo que uns sejam mais comedidos do que outros.

A esperteza passa a ser elemento fundamental da prática política, colocando como secundário o conteúdo dos debates e propostas.

Vale tudo para se alcançar o objetivo político.

O ABILOLADO E A MENTIROSA

LUIZ GARCIA


Polícia mais esperta

O GLOBO - 05/03/10


Um tempo atrás, ladrões entraram em nossa casa. No meio do dia, num sábado de verão. Graças a Deus, só o cachorro estava em casa. Como as verdades devem ser contadas, tratase de um cachorro de madame: aparentemente, aderiu com entusiasmo ao saque das gavetas.

Por sorte, os ladrões foram presos.

Por azar, já tinham se livrado do botim.

Por acaso, ficamos sabendo como a polícia trabalhava na investigação desse e de outros casos: os detetives tinham uma rotina de 24 por 48. Ou seja, trabalhavam 24 horas e descansavam 48. Um sistema obviamente maluco: ninguém trabalha 24 horas sem parar. Escrevi sobre o absurdo do sistema. As autoridades não deram a menor bola.

No fim das contas, os meus ladrões foram presos. Aparentemente, trabalhavam no esquema da polícia, e usaram as primeiras 24 horas para vender os computadores e o mais. A sociedade pode se ter livrado de três marginais; minha mulher ficou na saudade das joias e dos computadores perdidos.

O episódio, imagino, dá-me autoridade ou pelo menos pretexto para aplaudir a adoção pela nossa polícia de uma nova forma de trabalhar. Por enquanto, é apenas experiência: durante um ano, sete delegacias cariocas, de Copacabana a Campo Grande, terão policiais trabalhando num novo sistema: trabalharão oito horas por dia, com descanso semanal.

Segundo a Secretaria de Segurança, a novidade foi recebida com entusiasmo.

Primeiro, porque simultaneamente haverá um reforço de 500 policiais recém-formados — em alguma delegacias, o aumento dos quadros será de cem por cento. Acima de tudo, diversos depoimentos de policiais e seus chefes mostram que todos estão convencidos de que o novo sistema é mais eficiente. Devem ter razão: é assim que funcionam os mais sofisticados sistemas policiais do mundo.

Uma vantagem óbvia da novidade é fazer com que o trabalho da Polícia Civil comece logo em seguida à notificação do crime — liberando para seu trabalho normal de patrulhamento das ruas os policiais militares, que hoje perdem tempo tomando conta dos locais de crimes até a chegada dos policiais civis.

É verdade que o melhor sistema de trabalho é apenas tão bom quanto a eficiência e a dedicação de quem o opera. E a novidade que agora se implanta depende dessas virtudes. Na véspera da implantação da nova distribuição do trabalho policial, podemos apenas torcer para que tudo dê certo. Por dever de ofício, prontos para botar a boca no trombone se não der.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Modabrás 


O Estado de S.Paulo - 05/03/2010

Políticas públicas para a moda? Pelo visto, é o que pretende o governo ao incluir o assunto na 2ª Conferência Nacional de Cultura, que Juca Ferreira abre dia 11, em Brasília. Um dos painéis do encontro tratará de definir possíveis formas de investimento público nas atividades do setor.

Paulo Borges, Graça Cabral, Lino Villaventura e Ronaldo Fraga estão entre os 60 convidados do MinC para debater as primeiras linhas do tema entre domingo e terça, em Brasília.

"A ideia é investir em polos de produção e tirar o artesão da praça para colocá-lo no ambiente global, como designer", diz Paulo Borges.


Modabrás 2

A Conferência de Cultura acontece depois de outras duas que causaram polêmica - a dos Direitos Humanos e a das Comunicações.
Antes, o governo fez a da Juventude. E a próxima reunirá o movimento GLBT.


Velhos amigos

Geraldo Alckmin deu sinais de que vai batalhar a sério ao lado de Serra durante a campanha eleitoral.
Em fórum organizado por Xico Graziano, anteontem, para prefeitos e secretários tucanos, ele apresentou um "eixo" com frases do tipo "Desde 2006 a economia de São Paulo cresce mais que a do Brasil" e "a candidata é Dilma, não Lula".


Gil buarquiano

Chico Buarque deixou a timidez de lado e soltou a simpatia em série a ser distribuída pelo History Channel.
Assunto do bate-papo? O amigão Gilberto Gil.


Sim, eu posso?

Não é só Lula que vai ter que abandonar as cigarrilhas. Obama, que diz fumar "ocasionalmente", acaba de receber ordem semelhante dos médicos.
A bronca foi dada depois de um check-up - o primeiro desde que tomou posse.


Tropa sob controle

Preocupados com a pirataria, os produtores de Tropa de Elite 2 fazem planos de montar e finalizar o filme fora do Brasil.
Para impedir o que aconteceu com o Tropa 1, escalaram uma equipe de confiança encarregada de acompanhar os passos do rolo de filmagem.


Gol de placa

Raí acertou parceria com o Centro Paula Souza. Quer criar, na Gol de Letra, carreira de técnico em esportes.
A ideia é abrir oportunidades para jovens carentes em centros educacionais, clubes e academias.


Lupa na Copa

A Copa de 2014 vai devagar, mas seus fiscais não cochilam. A Câmara define quarta os 12 integrantes - não mais 18 - da Comissão de Fiscalização para 2010.
Paulo Rattes continuará relator e Silvio Torres deve assumir, agora, a subcomissão de Fiscalização.


Mascote

Roberto Medeiros, da Redecard, apresenta hoje o novo ícone da empresa, que estava guardado a sete chaves. O cãozinho, criado pela África, é a estrela do almoço-lançamento com o qual Medeiros reúne, no Parigi, Nizan Guanaes, Faustão, Luiza Trajano e David Neeleman.
A mudança chega com forte campanha publicitária.


Viagem Do Bem

Maitê Proença voou ontem à noite para Les Cayes, no Haiti. Vai dar sua contribuição, durante cinco dias, para um hospital onde atua a ONG brasileira Expedicionários da Saúde.
"Faço questão de colaborar", contou a atriz, que trabalha para a ONG há anos.


Procura-se

Mauro Lima tem um desafio complicado: encontrar alguém que encarne Tim Maia, no longa que vai dirigir sobre o cantor. Um dos possíveis nomes, por enquanto, é Serjão Loroza, no grupo Monobloco.


Caravela

O pessoal do Festival Brasil, que acontece em Londres em julho, está penando para levar Tom Zé. O tropicalista não é lá muito fã de viagens de avião.


NA FRENTE


José Alencar é o convidado, terça, para reunião especial do WTC, onde receberá o título de conselheiro de honra. O encontro inclui palestra do indiano Ravi Ramamurti.

Luciana Temer e Soninha Francine debatem a violência doméstica. No Dia Internacional da Mulher, segunda-feira, em Cidade Tiradentes.

Maria Bethânia volta a São Paulo e faz três apresentações de seu último CD. No Citibank Hall, a partir de terça-feira.

Marcello Novaes desfila com seu filho, Pedro, para a VR Kids. No Fashion Kids, dias 13 e 14, no Iguatemi.

O Sesc Pinheiros celebra, hoje, o centenário de Adoniran Barbosa. Com apresentação de Carlinhos Vergueiro e Quinteto em Preto e Branco.

Esclarecendo: o cargo que Enéas Pestana vai assumir no Pão de Açúcar será o de diretor-presidente.

Marina Abramovic apresenta suas obras de arte na mostra The Artist Is Present. Com abertura, terça, no MoMA, em Nova York.

Estão nas páginas finais as memórias de Francisco Brennand. Aos 82 anos, o artista pernambucano faz planos para lançá-las ainda este ano.

Glória Coelho assina os figurinos do musical Ópera das Pedras - O Espetáculo da Terra, que chega a SP em abril.

Âncora da CNN depois de entrevistar Lady Gaga com máscara que cobria o rosto inteiro: "Essa foi a cantora Lady Gaga. Ou... alguém que diz ser ela."

ELIANE CANTANHÊDE


Úlceras em ebulição

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/03/10



BRASÍLIA - Pelo país afora, as rádios ecoavam ontem o grito de guerra mineiro, na festa que seria para homenagear o passado, com Tancredo Neves, e obviamente badalou o presente e o futuro, com Aécio Neves. "Brasil pra frente, Aécio presidente", ouviu-se o dia inteiro, depois de um locutor atrás do outro registrar "o constrangimento" de José Serra em Minas.
Quem conhece José Serra imagina como ele se sentiu. A velha úlcera deve estar em cruel ebulição.
Mas o sangue calabrês de Serra tem se mostrado de uma frieza incrível. Observa, ouve, analisa, articula e resiste bravamente (ou teimosamente?) às pressões de tucanos, papagaios e periquitos para se lançar logo e botar o bloco na rua.
Deve ter suas razões, pesquisas e conselheiros para seguir essa trilha. Só que ninguém entende. Daí a versão, em ondas, de que vai abandonar o barco e cedê-lo a Aécio, como fez com Alckmin em 2006.
Não faz sentido, porém. Serra completa 68 anos no dia 19 e terá 80 depois de três novos mandatos petistas caso Dilma ganhe agora: quatro anos dela, mais oito com a volta de Lula. É agora ou nunca, pegar ou largar. Por temperamento e por sofreguidão, dificilmente irá largar.
Quanto a Aécio: ele está jogando como deve jogar. Valoriza seu passe e estuda o gramado, sem pressa. Quem tem pressa que tenha.
Mas recusar definitivamente a vice de Serra não é uma decisão simples. Seria segurar Minas, que ele já tem; ganhar o Senado, que não é mais um bom trampolim; patinar na oposição; e armar uma trombada com o candidato Lula em 2014.
Só faria sentido se Aécio estivesse trocando de time, articulando uma vaga com os adversários Lula e Dilma. É uma maldade dizer isso de um governador hábil e experiente, porque, na política, trocar de time não é tão fácil, nem tão lucrativo, como costuma ser no futebol.
Logo, nem Serra nem Aécio têm muito para onde correr. É entrar em campo para ganhar ou perder.

ILIMAR FRANCO

Confiança abalada 


O Globo - 05/03/2010


Os mineiros não são os únicos a sonhar com a candidatura do governador Aécio Neves à Presidência. Esse também é um sentimento generalizado no DEM, onde circula um documento reservado prevendo que a oposição sairá derrotada, e sem rumo, se o candidato for o governador José Serra. O texto “Só não enxerga quem não quer ver: a vez é de Minas”, de três páginas, é de autoria do tesoureiro do partido, Saulo Queiroz.

Saulo: “MG: É onde a porca torce o rabo”

No documento, Saulo, que também já integrou a direção do PSDB, faz uma análise das eleições em todas as regiões do país e nos estados do Sudeste, e conclui: “Dilma é franca favorita na disputa contra Serra”. Prevê um “arraso” da candidatura Dilma-Lula no Rio.

Atribui à petista uma vantagem “na casa de 20% em Minas”: “Dilma é mineira, atiçará a mágoa pelo fato de Aécio ter sido preterido pelo Serra, mais um paulista”. Saulo também não crê em vitória se o candidato for Aécio, mas nesse caso argumenta: “Aécio terá assegurado um grande recall para pleitos futuros. É a vantagem dos seus 49 anos... Em 2014 Serra terá 72 anos”.

“O processo de encarnação de Lula em Dilma está em pleno andamento e tende a se completar ao longo do período eleitoral” 

— Saulo Queiroz, tesoureiro do DEM

TEORIA DAS CIDADELAS. A ilustração acima reproduz trechos do texto de Saulo Queiroz, no qual ele defende que a oposição precisa olhar “com a maior atenção a possibilidade de garantir importantes cidadelas para a defesa de espaço político vital”. E acrescenta que é importante vencer as eleições para governador, “construindo trincheiras, com gente da maior competência, como Serra (SP), Anastasia (MG), Beto Richa (PR), Fogaça (RS), Raimundo Colombo (SC), Paulo Souto (BA)”, entre outros citados.

Visita Assessor do presidente Lula no primeiro mandato, o jornalista Ricardo Kotscho esteve no Alvorada na noite de terçafeira.

No dia seguinte, pela manhã, foi ao gabinete presidencial, no CNBB. “O ambiente estava tão bom...”, resumiu.


Prazo O vice-presidente José Alencar (PRB) pediu um prazo, até dia 18 de março, para anunciar sua candidatura em Minas Gerais.

Nessa data, receberá o veredito de seus médicos. Ele quer o Senado, mas pode ser a solução para o governo.


Cristovam vai disputar GDF O senador Cristovam Buarque (PDT) deve desistir da reeleição e disputar o governo do Distrito Federal. Além do vácuo de poder, contribuiu para a mudança a briga entre os pré-candidatos do PT Agnelo Queiroz e Geraldo Magela. “É um abraço de afogado”, disse o senador. Há ainda o temor entre os aliados de que, para unificar o partido, o PT faça uma chapa puro-sangue. “E eu ando nas ruas e as pessoas dizem que eu serei responsável pela volta do (Joaquim) Roriz”, afirmou Cristovam.

Covas e Luiz Henrique se afastaram Os governadores Mário Covas (PSDB) e Luiz Henrique (PMDB) deixaram o governo para disputar a reeleição.

Para fazer campanha, Covas pediu licença em julho de 1998. Só retornou ao governo em outubro, após o segundo turno. Em 2006, Luiz Henrique renunciou, no prazo legal de desincompatibilização, em abril. E reassumiu a função no ano seguinte, empossado para o segundo mandato. Já o presidente Lula pode ser o primeiro a se afastar para eleger o sucessor.


A EXECUTIVA Nacional do PT decidiu ontem “recomendar” que não haja prévias para escolher os candidatos do partido a governador e senador. A proposta será votada hoje pelo Diretório Nacional.

O PRESIDENTE do PT, José Eduardo Dutra, queria “determinar” que não houvesse prévias. Pressionado pelos diretórios de Pernambuco, Rio, Mato Grosso e Minas, onde há briga, teve que recuar.

O PV decidiu ontem substituir o presidente do partido em Minas. Sai Antônio Roberto, que queria apoiar Antonio Anastasia (PSDB), e entra Ronaldo Vasconcelos. O PV terá candidato a governador.

JOSÉ SIMÃO


Casa dos ALTÊNTICOS e ALTISTAS!
FOLHA DE SÃO PAULO - 05/02/10

Eu adoro quem fala: "Gosto do Dourado porque ele é autêntico". Autêntico homofóbico!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Restaurante em Portugal oferece jantar em homenagem ao Dia da Mulher. Como é o nome dele? TROMBA RIJA! Rarará! "O Tromba Rija quer festejar o Dia da Mulher oferecendo um jantar em cada grupo de quatro mulheres."
E olha esta placa: "Proibido Urinar! SUJEITO A CORTE!". Meu Deus, como o brasileiro é cordial! E diz que antes de proibir xixi nas ruas do Rio, deviam proibir cagadas em Brasília. Rarará! E essa Hillary Clinton tem cara de bisbilhoteira. Ela devia trabalhar em "Friends"!
E duas do terremoto: "Chilena é levada por tsunami e sobrevive". Como é o nome dela? Bernardita VIVES! É predestinação! E tem uma cidade chilena que escapou do terremoto. Como é o nome dela? "Nada é Pior!" Verdade! Tem até foto da placa: "Peor es Nada". Acho que o terremoto recuou, quando viu a placa!
E o Serra? Diz que o garçom perguntou pro Serra: "Governador, cafezinho com açúcar ou adoçante?". "Preciso decidir agora?" Rarará!
E o "BBB"? "Big Bagaça Brasil"? Adoro as pessoas que falam: "Eu gosto do Dourado porque ele é autêntico". Um autêntico homofóbico! O Elieser também é autêntico. Autêntico babaca! E aquelas dançarinas da bundinha? Autênticas. Autênticas barangas! Lá todo mundo é autêntico. ALTÊNTICO E ALTISTA!
E o Iraque tá bombando! Por incrível que pareça, teve eleições no Iraque. Uma explosão de votos. Rarará! Já imaginou a apuração no Iraque? UM. BUM! UM! BUM!
E o cruzeiro do Corinthians? Todo mundo a ver navios. Não tem jantar com o comandante. Tem churras com o Biro Biro. E se acabar o Cynar e a 51, tem rebelião e todo mundo bota fogo no colchão!
E diz que o Centro Sísmico Nacional avisou Coxim sobre possível terremoto: "Urgente, possível movimento sísmico na zona. Muito perigoso, Richter, 4,8. Epicentro a 2 km da cidade. Tomem medidas e informem resultados com urgência". Depois de uma semana chegou o telegrama: "Aqui, é a polícia de Coxim. Richter tentou se evadir, mas foi abatido a tiros. Desativamos as zonas, todas as putas estão presas. Epicentro, Epifanio, Epicleison e outros cinco irmãos estão detidos. Não respondemos antes porque aqui houve um terremoto da porra". Rarará!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula! Mais um verbete pro óbvio lulante. "Epicentro": companheiro que tem o buraco fora do lugar. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

ANCELMO GÓIS

Arigatô, Ivan 


O Globo - 05/03/2010
Ivan Lins, nosso músico que tanto sucesso já faz na Europa e nos EUA, conquista a Ásia.
Toca amanhã e depois em Jacarta, na Indonésia, no Java Jazz Festival, e segue de lá para Tóquio, onde fará shows no Cotton Club dias 9 e 10.

Caso médico
O governador Sérgio Cabral, com uma forte dor de cabeça, procurou ontem à noite o Hospital Quinta D’Or, onde foi submetido a um eletroencefalograma.



BATTISTI CONDENADO 
O italiano Cesare Battisti, que aguarda preso em Brasília uma decisão sobre o pedido de extradição da Itália, acaba de ser condenado a dois anos de prisão em regime aberto pelo o juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Criminal Federal do Rio.
Trata-se de processo em que é acusado de ter entrado no País com passaporte falso.


FORÇA, JOBSON
A Fifa manteve a decisão do STJD brasileiro de suspender do futebol por dois anos o jogador Jobson, 21 anos, ex-Botafogo, pego com cocaína no organismo.
Como é reincidente, a Fifa poderia bani-lo do futebol. Mas optou por seguir o STJD na esperança de que o atleta, viciado em crack, recupere-se e volte a jogar em janeiro de 2012. Tomara.


AGENTE FIFA... 
Aliás, a Fifa vai acabar com os chamados agentes Fifa, pessoas autorizadas a negociar os passes dos jogadores.
O modelo parece que não funcionou, pois 75% das transações já não passam pela categoria.


A VOLTA DA GRADIENTE
Está para sair a homologação da recuperação judicial da Gradiente, aprovada por 71% dos credores de R$ 300 milhões.
Um grupo de investidores formou a Companhia Brasileira de Tecnologia Digital, e o que se diz é que a linha de produção deve ser reativada antes da Copa.


VIDA DE ARTISTA
Dudu Nobre, nosso sambista, comemorou 36 anos de idade e dez de carreira com um show no Canecão, dia 5 de novembro do ano passado, e, até hoje, diz, não recebeu sua parte da bilheteria.


ELEIÇÃO NA ABL
Parece crescer a candidatura do ministro Eros Grau, do STF, para a ABL, na vaga aberta com a morte de José Mindlin.
O ministro também é bibliófilo. Tem na cidade mineira de Tiradentes 20 mil livros catalogados e umas 600 obras raras. 


CAPITAL DOS BLOCOS
O Rio, sei não, tomou de Salvador a coroa do carnaval mais comprido do País.
Amanhã, duas semanas depois da folia oficial, acredite, ainda sai bloco na Lapa. É o recém-fundado Maria Vem Com As Outras, só de mulheres. 


EM CAMPANHA
Lula e Dilma vão hoje a Juazeiro, BA, para a entrega da primeira etapa do perímetro de irrigação do salitre para ocupação de lotes destinados a produção agrícola.


FORA D’ÁGUA 
O ex-nadador Gustavo Borges, medalhista olímpico, mesmo fora das piscinas, ganhou uma medalha internacional. Seu livro, Tchibum!, editado no Brasil pela Cosac Naify, vai receber dia 23 o prêmio Novos Horizontes da Feira de Bolonha deste ano, um dos mais importantes no cenário mundial. O livro infanto-juvenil, ilustrado por Daniel Kondo, descreve a primeira aula de natação de uma criança. 


RIO TOMBADO
A 3ª Vara da Justiça Federal do Amazonas vai julgar ação do Ministério Público pedindo que o Iphan seja obrigado a declarar o tombamento provisório do Encontro das Águas, que ocorre no ponto em que os rios Negro e Solimões se reúnem sem que suas águas, uma negra e outra barrenta, se misturem. Os procuradores querem acelerar o processo de tombamento para evitar que a construção de um empreendimento, o Porto das Lajes, numa área próxima prejudique o fenômeno natural.

DORA KRAMER

Resistência à transparência 


O Estado de S.Paulo - 05/03/2010


Lançando mão do benefício da dúvida, é de se imaginar que a reação de políticos às normas baixadas pelo Tribunal Superior Eleitoral para o pleito de outubro próximo seja fruto de falta de reflexão, atribulados que estão com os preparativos das campanhas eleitorais.

Se não pensaram antes de falar, sempre é tempo de recuar. Mas se as queixas foram produto de firme convicção configura-se generoso com o Congresso o último resultado da pesquisa Datafolha indicando que só 14% dos consultados aprovam a atuação do Parlamento.

De um modo geral suas excelências não gostaram de ver a Justiça Eleitoral obrigar os partidos a fornecer a folha corrida criminal de todos os candidatos nem de serem proibidos de receber doações financeiras sem a identificação de quem doa e de quem recebe.

Para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, as restrições só facilitam o aumento das transgressões. Segundo informou, a experiência lhe diz que o tiro sairá pela culatra. "Sou contrário a qualquer tipo de restrição à doação legal porque isso facilita a doação ilegal."

Ou o senador não entendeu o espírito da coisa ou se fez de desentendido. Como também o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, que desenvolveu um enigmático raciocínio sobre a contradição entre decisão anterior que deu posse dos mandatos aos partidos e o fortalecimento da "estrutura pessoal" da obrigatoriedade de identificação nas doações.

Aos oposicionistas associou-se o líder do governo na Câmara, o petista Cândido Vaccarezza: "A decisão não tem base constitucional, pois está previsto na lei que pode haver doações para os partidos." Pode sim, desde que legais.

O campeão no quesito "João sem braço" foi o presidente do PTB, Roberto Jefferson. Para ele, a "Justiça não tem que se meter na decisão sobre o destino do dinheiro recebido pelo partido".

O ex-deputado denunciante e beneficiário do mensalão do PT sabe melhor do que ninguém que não se trata de examinar o destino, mas de identificar a origem.

É de espantar a resistência de políticos de todos os matizes à transparência, conceito cristalino em que se baseou o TSE para baixar as resoluções sobre doações e fichas criminais. Com uma, busca aumentar o grau de lisura dos financiamentos.

Se os partidos preferem reagir no lugar de contribuir já avisando que ante a existência da lei a única saída é descumprir a lei, realmente vamos mal.

Com a outra resolução, o tribunal tenta ajudar o eleitor na tarefa de limpar o ambiente, já que o Congresso se recusa sequer a examinar a proposta de iniciativa popular que veda candidaturas de gente com contas abertas na Justiça.

Faz também um trabalho que deveria ser dos partidos quando da solicitação de legenda pelos postulantes a candidatos. A uma folha corrida limpa preferem os que podem carrear recursos ou votos para as agremiações. Depois, na hora do escândalo, se fazem de surpreendidos.

Os políticos se queixam da interferência do Poder Judiciário, mas são os primeiros a demonstrar repetidas vezes que a sociedade precisa que lhes sejam impostas balizas.

Se deixados à vontade, fazem da política uma atividade que diz respeito apenas a eles e às suas conveniências.

Agem, e agora deram mais uma prova disso, como quem acredita que quanto pior forem os parâmetros, quanto mais frouxos os critérios, quanto mais desmoralizada fica a política, melhor para o Congresso.

É o contrário. Nesse aspecto o Judiciário tem sido um bom conselheiro.

Resta um

O dia mais provável para o anúncio da candidatura a presidente do governador José Serra é 30 de março.

Examinadas as possibilidades de data, é a única viável. Não fosse o dia da mentira, 1º de abril é véspera de feriado, quando não circula o Diário Oficial. A próxima edição sai no dia 5, já fora do prazo legal para desincompatibilização.

Dia 31 de março marca a passagem dos 46 anos do golpe militar de 1964. Não ficaria bem.

Portanto, se tiver de ser será na terça, 30. O que significa ainda 25 dias de agonia para o PSDB e adjacências.

Cálculo

Se a população de Minas clama pela candidatura de Aécio Neves à Presidência - como se procurou demonstrar ontem com as manifestações durante a inauguração do centro administrativo do Estado -, se acha secundária e ofensiva a Vice-Presidência, por que haveria de se contentar em vê-lo como senador?

Note-se, apenas um entre outros 80 se o PSDB perder a eleição. A menos que Dilma Rousseff, eleita presidente, convença sua base partidária das vantagens de ter a oposição na presidência do Senado.

Na maciota

O governador Aécio Neves disse que empurrado não vai. O que na visão de tucanos esperançosos pode significar que, com jeito, vai.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Essa definição é urgentíssima, já está atrasada”
SENADOR TASSO JEREISSATI (PSDB-CE), SOBRE A CANDIDATURA DE JOSÉ SERRA A PRESIDENTE


MENSALÃO DO PT REVELA NOVOS “PEIXES GRANDES” 
Ofício da juíza federal Margareth Thomaz Rostey (RJ) ao ministro Joaquim Barbosa, do STF, encaminhando relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), cita mais dois figurões no escândalo do mensalão do PT: o dono da Brasif S/A, Jonas Barcellos, e João Carlos Di Gênio, do Objetivo. “Operações atípicas” de ambos, diz ela, “podem, em tese, guardar relação com o ‘Caso Mensalão’”.

MPF NA COLA
O Relatório de Inteligência nº 1092, do Coaf, em poder desta coluna, cita “operações atípicas” de R$ 107 milhões por Barcellos e Di Gênio.

LIGAÇÕES PERIGOSAS
Barcellos e Di Gênio são investigados por terem negócios com o dono do banco BMG, Flávio Pentagna Guimarães, enrolado no mensalão.

FINANCIADOR 
O BMG de Flávio Pentagna Guimarães, banqueiro acusado de crimes contra o sistema financeiro, fez “empréstimos” ao PT e Marcos Valério.

MALUQUICE
Jonas Barcellos ficou perplexo: “Isso é uma maluquice!”. Seu advogado, Técio Lins e Silva, já aprontou um habeas-corpus trancando a ação.

CNJ FAZ ANDAR A INVESTIGAÇÃO DO “FOLIADUTO” 
Começa a andar o processo do escândalo potiguar do Foliaduto, que completou 4 anos no carnaval, depois de uma auditoria do Conselho Nacional de Justiça no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. Em 2006, R$ 2 milhões foram pagos por shows que não ocorreram. A juíza Ada Galvão, da 5ª Vara, mandou citar Carlos Alberto de Faria, irmão da governadora Wilma de Faria, mas isso só foi feito um ano depois.

O GADO PAGOU O PATO 
Cena bárbara na fazenda da mãe do ex-deputado mensaleiro José Borba, em Jandaia do Sul: ladrões tiraram carne nobre do boi, vivo. 

TURMA DA MÔNICA
Os diplomatas brasileiros respiraram aliviados: afinal, Lula não disse a Hillary Clinton que os EUA precisam achar o “ponto G” do Irã.

PERGUNTAR NÃO ELEGE
Por que o presidente Lula se licenciaria do cargo para fazer campanha pela candidata dele, se já faz desde o ano passado?

IDEIA DE JERICO VOADOR 
A menos de dez meses do seu final, o governo gaúcho de Yeda Crusius (PSDB), que havia arquivado a ideia de jerico, indagou da Embraer se receberia imediatamente um jato Legacy, de US$ 30 milhões, caso o adquirisse agora. Recebeu “não” como resposta.

PAÍS RICO 
Depois de Cuba, El Salvador e Haiti, a Faixa de Gaza: está na reta final no Senado a doação de R$ 25 milhões à Autoridade Nacional Palestina. Lula deve ter confundido com falta de gaze nos hospitais brasileiros. 

DINHEIRO NO LIXO
O contribuinte carioca vai pagar R$ 8 milhões por irregularidades na Comlurb, determinou o Tribunal Superior do Trabalho. A empresa descumpriu decisão de concurso público, usando garis terceirizados. 

CAVEIRA DE FRAUDE
Foi em Osasco (SP) onde um estudante tentou fraudar o Exame da OAB. Fica lá também, no bairro de Alphaville, a gráfica da qual em outubro de 2009 foram furtadas as provas do exame do Enem. Em ambos os casos, as provas estavam a cargo do Cespe/UnB. Humm...

AGNALDO COM LULA
O cantor Agnaldo Timóteo, e vereador pelo PR paulistano, foi recebido ontem por Lula durante 40 minutos e o presidente até chamou Dilma para conhecê-lo. Timóteo revelou que é candidato a deputado federal.

DEM EM RUÍNAS
A crise no DEM se espalha. Prefeito de Chapecó (PR), João Rodigues foi condenado a cinco anos de prisão. O partido teme pela candidatura a governador de Santa Catarina do senador Raimundo Colombo, aliás, réu em ação de improbidade por seus atos como prefeito de
Lages.

OS EDUCADORES
O Supremo Tribunal Federal rejeitou ação do PT, PCdoB e PDT, de 1997, contra FHC e o então ministro da Educação, Paulo Renato, por “omissão na garantia de qualidade do ensino”. Que m..., diria Lula.

CURSO DE GENERAL 
Uma “Associação dos Missionários Evangélicos”, em Ituiutaba (MG), oferece cursos de brigadeiro, general etc numa faculdade à distância. Tudo “dentro da lei” e por módicos R$ 300, com desconto. 
PENSANDO BEM... 
... Além de pai dos pobres e mãe dos ricos, Lula é também babá da ministra-candidata Dilma.


PODER SEM PUDOR 
O ESPECIALISTA 
Especialista em factoides, Jânio Quadros era prefeito de São Paulo, quando certa vez telefonou ao gabinete do governador, Orestes Quércia, dizendo que “ficaria honrado” em ser convidado para o almoço: “Tenho algo a dizer-lhe”. Almoço acertado, Jânio vazou a informação para jornalistas, mas, durante o encontro, só conversou abobrinhas. À saída, disse aos jornalistas que caberia ao anfitrião a tarefa de relatar o teor da conversa. Nada havia a relatar, mas ele garantiu as manchetes do dia seguinte.

QUADRILHA

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: STF mantém Arruda preso e impeachment é aberto


Estadão: Grandes empresas ampliam lucros ao aderir ao Refis


JB: O drama de ser usuário do Santos Dumont


Valor: Grandes lojas superam tabu e lucram com cartão híbrido


Estado de Minas: O recado de Minas


Jornal do Commercio: Menos espera por consultas médicas