sábado, fevereiro 20, 2010

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Empresário quer evitar retaliação aos EUA

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/02/10


Depois que o presidente Lula assinou, no início deste mês, a medida provisória que possibilita a retaliação cruzada contra serviços e propriedade intelectual dos Estados Unidos, empresários começaram a se movimentar para evitar a ação.
Na segunda-feira, uma delegação de empresários organizada pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) se reunirá com o Departamento de Comércio dos EUA e com congressistas, em Washington, para tentar evitar que o Brasil pratique de fato a retaliação.
Para Gabriel Rico, diretor-executivo da entidade, medidas muito drásticas são ruins para o comércio internacional e para o consumidor.
O direito de retaliar as importações dos EUA foi conquistado pelo Brasil na OMC (Organização Mundial do Comércio) em agosto de 2009, no contencioso do algodão.
"Queremos evitar a medida. Concordamos que o Brasil tem o direito de retaliar, mas essa não é uma boa solução comercial. O melhor é negociar."
A entidade pretende propor que os EUA facilitem a entrada de produtos brasileiros no mercado americano, segundo Rico.
"Vamos tentar sensibilizar as autoridades para que os EUA demostrem boa vontade por meio de compensação, com redução de tarifas aos produtos brasileiros e cotas de produtos que possam entrar sem tarifa."
Empresários também discutirão o tema com o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, na Fiesp, na segunda.

Vamos tentar sensibilizar os EUA para que demostrem boa vontade, com redução de tarifas aos produtos brasileiros e cotas de produtos que possam entrar sem tarifa
GABRIEL RICO
diretor-executivo da Amcham

Mercado farmacêutico de atacado fatura R$ 16 bi, mas sofre com a crise

O mercado farmacêutico de atacado faturou R$ 16,3 bilhões no ano passado, o que representa redução de 2,7% na comparação com o ano anterior, de acordo com levantamento da Abafarma (Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico).
Os reflexos da crise financeira internacional foram apontados como o motivo da retração do faturamento do setor em 2009.
"A julgar pelas baixas margens operacionais e pelos prazos de pagamento engessados pela indústria, o resultado é satisfatório", afirma Luiz Fernando Buainain, presidente da Abafarma.
Enquanto o número de medicamentos vendidos diminuiu no país, o de genéricos apresentou crescimento. No ano passado, mais de 174 milhões de medicamentos genéricos foram entregues às redes varejistas, aumento de 3,8% sobre 2008.

QUILOS A MAIS
Fabricantes de chocolate esperam uma Páscoa farta, para coelho nenhum botar defeito. As indústrias investiram no aumento da produtividade e na contratação de mão de obra para atender a demanda.
"Acreditamos em uma Páscoa forte, a melhor de todos os tempos", disse Stefenson Soalheiro, da Cacau Show. A estimativa da empresa é produzir 1.700 toneladas de chocolate neste ano, com aumento de 42% sobre o ano passado.
"Com os bons indicadores e a expansão da economia, o mercado de chocolates vai acompanhar o crescimento", disse Celso Ricardo de Moraes, presidente do grupo CRM, das marcas Kopenhagen, Brasil Cacau e Dan Top. A Kopenhagen prevê aumento de até 18% na produção e nas vendas deste ano.
A Village investiu em maquinários e aumentou a produtividade da fábrica em 40%, segundo Reinaldo Bertagnon. A previsão da empresa é crescer 10% neste ano, ante os 6% da Páscoa de 2009. "Aumentou a demanda por parte do varejo. Com a economia mais estável, a situação ficou bem favorável", disse Bertagnon.

MOTOR
A primeira ação conjunta entre a Caixa e o PanAmericano financiou 35 mil motos no Brasil. O volume total de empréstimos chegou a R$ 230 milhões. A expectativa das instituições é que o volume de financiamentos alcance 50 mil até março.

TESOURA
As vendas do setor de tecidos tiveram queda de 2,5% na primeira quinzena deste mês na comparação com igual período de janeiro, segundo o Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos de São Paulo.

CAPITALIZAÇÃO 1
O mercado de títulos de capitalização fechou 2009 com faturamento de R$ 10,1 bilhões -alta de 12% sobre 2008, segundo a Federação Nacional de Capitalização. Para 2010, o setor prevê novo aumento de 12% no faturamento.

CAPITALIZAÇÃO 2
São Paulo encerrou 2009 com R$ 3,7 bilhões de faturamento. O Rio registrou R$ 1,1 bilhão. A Bradesco Capitalização distribuiu cerca de R$ 35 milhões em prêmios no ano passado para 1.662 títulos contemplados.

MUNDO EMPRESARIAL
O professor Paulo Roberto Feldmann irá lançar, na segunda-feira, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, o livro "Empresas Latino-Americanas -Oportunidades e Ameaças no Mundo Globalizado" (Editora Atlas, 181 páginas). Neste livro, Feldmann analisa os principais problemas que dificultam a expansão e o sucesso das empresas da região em um mundo globalizado.


com JOANA CUNHA e ALESSANDRA KIANEK

MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA
Maílson da Nóbrega

Inflação: lições não aprendidas

"Aprendemos que a inflação inibe o investimento, conspira contra
o crescimento e é cruel com os pobres. É a mais perversa forma
de tributar. Resta aprender como manter a estabilidade"

A estabilidade de preços tem sido a regra em praticamente todo o mundo, mas a inflação foi recorrente nos anos 1960 a 1980. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, chegou perto de 20% anuais. No Brasil, passou de 100% em 1979.

Duas escolas explicavam o fenômeno, a estruturalista e a monetarista. Para a primeira, a inflação era uma questão distributiva em que grupos sociais mais poderosos se apropriavam da renda criada pelo desenvolvimento. A saída seria enfrentar esse processo. Para a segunda, a inflação tinha origem monetária. A expansão da moeda - provocada por um déficit público financiado pelo Banco Central - aumentava a demanda em um ritmo mais rápido que o da produção. Era preciso controlar a oferta de moeda.

A visão estruturalista era a de economistas que pensavam como os da Cepal. Entre os monetaristas, pontificava Milton Friedman. Os estruturalistas, de esquerda, chamavam os monetaristas de direita. Monetarista era xingamento hoje equivalente a neoliberal.

A esquerda adorava as "políticas de renda", que permitiriam combater a inflação sem dor, preservando o crescimento. Em vez de contrair a moeda, o que provocava recessão, o governo reduziria a demanda via negociação de salários, lucros e aluguéis.

As políticas de renda fracassaram. Não dava para coordenar tantos interesses. Nos anos 1980, os países ricos derrotaram a inflação com medidas monetárias. Os bancos centrais foram fundamentais. Na década seguinte, foi a vez dos países em desenvolvimento.

O caso brasileiro era singular. Aqui havia a inflação inercial. Com a indexação generalizada, a inflação de hoje determinava a de amanhã, que determinava a de depois de amanhã, e assim por diante. Se os períodos de indexação se reduziam, a roda se acelerava e a inflação subia sempre.

Para vencer a inércia, havia que quebrar a indexação para eliminar essa infernal cadeia de transmissão. O recurso ao congelamento de preços e salários não deu certo. Inventamos uma saída: convergir todos os preços a um único indexador, que viraria a própria moeda. Esse foi o desenho do Plano Real (1994), que funcionou.

Antes desse plano, o Brasil esteve próximo dos estruturalistas. O combate à inflação incluía controle de preços, intervenções nos mercados agrícolas e no comércio exterior. Subsidiariamente, havia limites aos empréstimos do Banco do Brasil e do Banco Central. Depois do plano, a estabilidade foi mantida com medidas que antes seriam tachadas de monetaristas.

Em 1999, o Brasil adotou o regime em que o governo fixa metas para a inflação e o BC tem autonomia para persegui-las via manejo da taxa de juros. Tem dado certo. Outros países latino-americanos fizeram o mesmo. A inflação alta está hoje restrita aos casos da infeliz Venezuela e da incompreensível Argentina, onde o BC virou caso de polícia.

Meio século de tolerância à inflação formou aqui uma cultura leniente à subida dos preços, que ainda sobrevive. Nos anos 1950 e 1960, dizia-se que expandir moeda, via crédito, para aumentar a produção não era inflacionário. Tese furada, mas muito aceita. Antes de a produção acontecer, o crédito permitia pagar salários e insumos, elevando a demanda.

Nem todos aprenderam a realidade. Outro dia, conhecido político paulista assinou artigo em que condenou o combate à alta dos preços "via diminuição da demanda". O certo seria o "aumento da produção". Um comentarista defendeu uma tese incrível: o BC aumenta os juros não para combater a inflação, mas porque é contra o crescimento.

Um crítico do BC ressuscitou a "política de rendas". A inflação seria combatida mediante "coordenação entre as políticas monetária, fiscal, cambial e outras, para que sejam coerentes entre si e se subordinem conjuntamente a fins econômicos e sociais definidos pelo poder político da nação". Bonito, mas errado.

O BC vive sob tiroteio intenso. Sugere-se que receba ordens para diminuir os juros. Na Fazenda, onde deveria imperar o silêncio sobre juros, fala-se nisso o tempo todo.

Aprendemos que a inflação inibe o investimento, conspira contra o crescimento e é cruel com os pobres. É a mais perversa forma de tributar. Resta aprender como manter a estabilidade. Não é com ações voluntaristas nem com ideias velhas.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Novo memorial para Tancredo

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/02/10


Terá oito salas, uma das quais com o título de "Habilidade Política", o novo Memorial Tancredo Neves, que o neto Aécio Neves inaugura com toda pompa em São João del Rey no dia 4 de março - centenário de nascimento do mais famoso filho da cidade.

Em outras salas, temas como "Construção da Democracia" e "A Dor", sobre seus momentos finais. A ideia de Marcelo Dantas, autor do projeto, foi montar o memorial "com uma linguagem atual, para os jovens de hoje".

Novo memorial 2

Antes de aparecer em São João, Aécio recebe Lula para outro evento, em Belo Horizonte: a abertura do Centro Administrativo Tancredo Neves, nova sede do governo mineiro.

O centenário de Tancredo será festejado durante... 52 dias. De 1º de março, com emissão de um selo comemorativo, até 21 de abril, que marca o 25º aniversário de sua morte, no Incor.

Na agenda, a criação de um trajeto turístico-religioso pelas ruas de São João, com o título de "Terra de Livres". Que se repetirá no 1º sábado de cada mês.

O jogo das cotas

O pessoal favorável às cotas leva o assunto tão a sério que está fazendo até reunião preparatória. Líderes da causa juntaram-se ontem, na ONG Ação Educativa, para acertar uma estratégia a seguir na audiência pública sobre o tema, no STF.

Marcado para os dias 3 a 5, em Brasília, o encontro juntará figurões como Luiz Felipe de Alencastro e Fábio Comparato, a favor, e Eunice Durham e Yvonne Maggie, contra.

Rei na avenida

Dodi Sirena, empresário de Roberto Carlos, define semana que vem, com a Beija-Flor, como sairá a escola em 2011. Seu tema? Os 50 anos de carreira do Rei.

Sim ou não?

Flávia Arruda, mulher de José Roberto Arruda, vai receber, em breve, uma proposta. Da Playboy.

Haja rótulo

Levantamento patrocinado por uma vinícola argentina e outra chilena apontou um dado estarrecedor: os vinhos delas são vendidos nos restaurantes brasileiros por 350% e até 500% a mais que nas lojas do ramo. E a mesma prática especulativa se aplica aos rótulos italianos e franceses.

Frente e lado

Feliz com a experiência de Avatar, uma rede de cinema decidiu investir pesado na tecnologia em 3D.

Os 16 complexos do grupo UCI, que somam 153 salas, terão o sistema em pelo menos um cinema de cada área.

Em família

O primeiro CD da banda de Wagner Moura, Sua Mãe, vai contar com uma participação mais que especial.

A de seu filho, Ben.

Lições de Arco-íris

Começam em março, em Campinas, as aulas da 1ª escola LGBT do Brasil.

Em vez de aulas de matemática e ciências, os alunos, entre 12 a 18 anos, aprenderão canto, dança e formação de... drag queen.

Quem patrocina? O Ministério da Cultura e o governo paulista. Que gastaram, juntos, R$ 180 mil.

Adeus, abacateiro

Estudantes da Escola de Sociologia e Política de São Paulo fizeram passeata contra a direção. Motivo? A derrubada de um abacateiro, para dar lugar a novo prédio. Era o lugar onde mestres e alunos se reuniam para um vinho, sempre no primeiro dia de aula.

Deu certo. O diretor Aldo Fornazieri vai plantar outro.

Na frente

Luís Cardoso chega no final de março. O autor timorense vem lançar Réquiem para o Navegador Solitário, seu primeiro romance no Brasil.

Mara Gabrilli lança, quarta, o primeiro portal de inclusão e acessibilidade do Brasil.

Convocado como curador da Flip 2010, Arthur Nestrovski quer reunir grandes nomes da música e o Quarteto da Academia da Osesp. E busca um trabalho "capaz de conversar" com a obra de Gilberto Freyre, o homenageado do ano.

Oscar Niemeyer chegou a ser anunciado na Sapucaí. Mas passou a folia no interior do Rio, em Araruama.

Depois de Viver a Vida, Mateus Solano já tem planos: quer viajar e voltar aos palcos.

Cientistas dos EUA identificaram uma relação entre insônia e cérebro menor. O que eles ainda não sabem: é a falta de sono que determina o tamanho do cérebro ou o contrário?

ELIANE CANTANHÊDE

Reviravolta brasileira é o fim da teimosia


FOLHA DE SÃO PAULO - 20/02/2010



O Brasil demorou, mas finalmente cedeu e vai apoiar o presidente Porfirio "Pepe" Lobo, vitorioso em eleições convocadas antes do golpe que derrubou o antecessor Manuel Zelaya e amplamente reconhecidas como legítimas.
A essa guinada brasileira se pode chamar, coloquialmente, de fim da teimosia.
Se teve papel importante na condenação internacional ao golpe e ao governo golpista de Roberto Micheletti, o Brasil também teve uma participação igualmente importante, mas em sentido contrário, para evitar o consenso e suavizar a transição hondurenha para a normalidade.
Foi o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que mais atiçou os ânimos na América do Sul contra a eleição, contra a vitória de Pepe Lobo e, afinal, contra o novo governo.
Bateu de frente, por exemplo, com o governo de Barack Obama, que desde o início vislumbrou e alardeou a nova eleição como a melhor, senão a única, saída da crise política.
Apesar de não admitida, é provável que a nova guinada brasileira a favor do governo Pepe Lobo tenha a ver com o trabalho de convencimento do novo embaixador americano em Brasília, Thomas Shannon, que já na sua primeira entrevista admitiu a articulação para um apoio geral das Américas ao novo governo.
A guinada, porém, não pode ser a seco. Tem de ser devidamente recheada de ressalvas e condicionantes próprios da diplomacia. Significa que o Brasil chegará à reunião do Grupo do Rio, na semana que vem, no México, com uma lista de reivindicações a Lobo.
Coisas assim: ele deve fazer um governo de "conciliação nacional", permitir a volta e o livre trânsito de Zelaya e encerrar o processo contra o Brasil que Micheletti abriu na Corte Internacional de Haia.
Além de, como disse o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, criar uma "comissão da verdade" para destrinchar o golpe e apontar os golpistas contra Zelaya. Seria como exportar para Honduras o maniqueísmo aberto dentro do próprio Brasil pela Comissão da Verdade que vai analisar os crimes cometidos pela ditadura militar (1964-1985).
Mas são só formalidades. O fundamental é que Baumbach anunciou oficialmente a reviravolta brasileira, indicando que Honduras poderá, enfim, suspirar aliviada e de volta aos quadros da OEA.

PAINEL DA FOLHA

Grupo de acesso

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/02/10


A escolha do deputado André Vargas para ocupar a secretaria de Comunicação na nova Executiva do PT foi vitória de última hora de parte expressiva da bancada comandada por João Paulo Cunha (SP). Ao lado dos "Josés" Dirceu, Genoino e Mentor, João Paulo se reuniu na quinta com o novo presidente da sigla, José Eduardo Dutra, que acabou cedendo ao pleito.
A Comunicação não se equipara em importância à tesouraria (cargo para o qual Vargas chegou a ser oferecido, sem sucesso), mas dá a esse grupo alguma oportunidade de influir na campanha de Dilma, até agora conduzida por um círculo muito restrito e pouco permeável às demandas do partido.




Cadeiras. O deputado estadual e ex-presidente do PT Rui Falcão (SP), que de início iria para a Comunicação, ocupará a primeira vice.

Lição de casa. Sobram queixas no Planalto contra as resoluções votadas pelo PT. A ideia no governo é fazer com que o discurso de Dilma, hoje, vire "o" documento do congresso. O texto será impresso e distribuído no evento.

Raízes. Dilma citará os poetas Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Mário Quintana (1906-1994). O primeiro nasceu em Minas, como a ministra. O segundo, no Rio Grande do Sul, onde ela construiu sua vida pública.

Vai... No esforço para levar o PMDB ao congresso, Lula falou com Michel Temer duas vezes por telefone ontem.

...ou não vai? Como alternativa, o PMDB chegou a cogitar enviar uma mensagem a ser lida no evento. Alguém fez piada: "Um boy terceirizado irá entregar".

Fuso. José Eduardo Dutra, que chegou pontualmente às 9h ao congresso, teve de esperar mais de uma hora até o início dos trabalhos. O ex-presidente da BR Distribuidora explicou: "Estou acostumado ao ritmo da Petrobras".

Perspectiva. Do deputado José Genoino sobre declaração de Lula, segundo quem "o PT que chegou ao poder em 2002 não era mais o de 1980, 1982": "Ele está certo. O PT mudou sem mudar de lado".

Gangorra. Prossegue o vai e vem do governador interino do DF, Paulo Octávio. Pela manhã, ele deu a entender aos poucos aliados que entregaria sua carta de desfiliação do DEM ontem mesmo. À tarde, resolveu postergar a decisão para segunda-feira.

Mediador 1. Apesar da pouca identificação com a sigla, Paulo Octávio tinha um papel no DEM: aproximar da cúpula da sigla grandes empreiteiros dispostos a abastecer -por dentro inclusive- o caixa do Diretório Nacional.

Mediador 2. Em 2008, o DEM recebeu R$ 12,7 mi de construtoras (de um total de R$ 32 mi). Dois anos antes, R$ 5,3 mi dos R$ R$ 8,6 mi saíram desse segmento.

Laços. O caso mais emblemático é a parceria do vice com a Via Engenharia, uma das doadoras do DEM. Juntos, eles tocam o megaempreendimento Península Lazer e Urbanismo, uma espécie de novo bairro no DF, com investimento de R$ 1,2 bi.

Cimento. À época do lançamento do condomínio de 2.000 casas de luxo, o presidente da Via, Fernando Queiroz, chegou a dizer que se tratava de "um presente pelos 50 anos para Brasília".

Fiador. Quem assina as prestações de contas do DEM como presidente do conselho fiscal é o hoje senador Adelmir Santana, herdeiro da cadeira de "PO" na Casa.

Chave do cofre. Nos vídeos do Panetonegate, o suposto contato do vice com o grupo do mensalão era Marcelo Carvalho, ex-diretor e homem de confiança em seu grupo empresarial.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

O discurso padrão de Lula é o de esperar pela Justiça antes de tomar qualquer providência. Essa regra só não vale para o processo do mensalão, que ele próprio ajuda a obstruir.

Do deputado PAULO BORNHAUSEN (SC), líder do DEM, sobre o fato de o presidente protelar há três meses o envio de respostas ao STF.

Contraponto

Melhor dizendo Ao circular pelo congresso do PT, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi abordado por um sem número de delegados interessados em gravar um depoimento a seu lado para uso na campanha eleitoral.
Solícito, ele atendeu a todos os pedidos, e o assessor que o acompanhava até ajudou a segurar câmeras e outros equipamentos. De tão presente na cena, porém, o auxiliar do ministro acabou por se tornar alvo de críticas:
-Sai de perto, Sombra!- brincou um dos delegados.
Ao ouvir o apelido de um dos personagens do escândalo que abala o Distrito Federal, Padilha cortou, aos risos:
-Sombra não! O nome dele agora é Silhueta!

CLAUDIO DE MOURA CASTRO

REVISTA VEJA
Claudio de Moura Castro

Sucesso tem fórmula

"Serve para toda competição: qualidade valorizada,
seleção dos melhores, prática obsessiva e persistência.
Quem aplicar essa receita terá os mesmos resultados"

Durante séculos, a Inglaterra dominou os mares e, dessa forma, muito mais do que os mares. Para isso tinha os melhores navios. E, para tê-los, precisava de excelentes carpinteiros navais. Com a tecnologia do ferro, os navios passaram a ter couraça metálica. Impossível manter a superioridade sem caldeireiros e mecânicos competentes. Uma potência mundial não se viabiliza sem a potência dos seus operários.

Ilustração Atômica Studio


A Revolução Industrial tardia da Alemanha foi alavancada pela criação do mais respeitado sistema de formação técnica e vocacional do mundo. Daí enchermos a boca para falar da "engenharia alemã". Mas, no fim das contas, todos os países industrializados montaram sistemas sólidos e amplos de formação profissional. Para construir locomotivas, aviões, naves espaciais.

Assim como temos a Olimpíada para comparar os atletas de diferentes países, existe a Olimpíada do Conhecimento (World Skills International). É iniciativa das nações altamente industrializadas, que permite cotejar diversos sistemas de formação profissional. Compete-se nos ofícios centenários, como tornearia e marcenaria, mas também em desenho de websites ou robótica.

Em 1982, um país novato nesses misteres se atreveu a participar dessa Olimpíada: o Brasil, por meio do Senai. E lá viu o seu lugar, pois não ganhou uma só medalha. Mas em 1985 conseguiu chegar ao 13º lugar. Em 2001 saltou para o sexto. Aliás, é o único país do Terceiro Mundo a participar, entra ano e sai ano.

Em 2007 tirou o segundo lugar. Em 2009 tirou o terceiro, competindo com 539 alunos, de sete estados, em 44 ocupações. É isso mesmo, os graduados do Senai, incluindo alunos de Alagoas, Goiás e Rio Grande do Norte, conseguiram colocar o Brasil como o segundo e o terceiro melhor do mundo em formação profissional! Não é pouca porcaria para quem, faz meio século, importava banha de porco, pentes, palitos, sapatos e manteiga! E que, praticamente, não tinha centros de formação profissional.

Deve haver um segredo para esse resultado que mais parece milagre, quando consideramos que o Brasil, no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), por pouco escapa de ser o último. Mas nem há milagres nem tapetão. Trata-se de uma fórmula simples, composta de quatro ingredientes.

Em primeiro lugar, é necessário ter um sistema de formação profissional hábil na organização requerida para preparar milhões de alunos e que disponha de instrutores competentes e capazes de ensinar em padrões de Primeiro Mundo. Obviamente, precisam saber fazer e saber ensinar. Diplomas não interessam (quem sabe nossa educação teria alguma lição a tirar daí?).

Em segundo lugar, cumpre selecionar os melhores candidatos para a Olimpíada. O princípio é simples (mas a logística é diabolicamente complexa). Cada escola do Senai faz um concurso, para escolher os vencedores em cada profissão. Esse time participa então de uma competição no seu estado. Por fim, os times estaduais participam de uma Olimpíada nacional. Dali se pescam os que vão representar o Brasil. É a meritocracia em ação.

Em terceiro lugar, o processo não para aí. O time vencedor mergulha em árduo período de preparação, por mais de um ano. Fica inteiramente dedicado às tarefas de aperfeiçoar seus conhecimentos da profissão. É acompanhado pelos mais destacados instrutores do Senai, em regime de tutoria individual.

Em quarto, é preciso insistir, dar tempo ao tempo. Para passar do último lugar, em 1983, para o segundo, em 2007, transcorreram 22 anos. Portanto, a persistência é essencial.

Essa quádrupla fórmula garantiu o avanço progressivo do Brasil nesse certame no qual apenas cachorro grande entra. Era preciso ter um ótimo sistema de centros de formação profissional. Os parâmetros de qualidade são determinados pelas práticas industriais consagradas, e não por elucubrações de professores. Há que aceitar a ideia de peneirar sistematicamente, na busca dos melhores candidatos. É a crença na meritocracia, muito ausente no ensino acadêmico. Finalmente, é preciso muito esforço, muito mesmo. Para passar na frente de Alemanha e Suíça, só suando a camisa. E não foi o ato heroico, mas a continuidade que trouxe a vitória.

A fórmula serve para toda competição: qualidade valorizada, seleção dos melhores, prática obsessiva e persistência. Quem aplicar essa receita terá os mesmos resultados.

CLÓVIS ROSSI

Licença para queimar a casa (a sua)


FOLHA DE SÃO PAULO - 20/02/2010


Crise na Grécia é também nova aventura dos corsários da banca; só se tornou aguda com ataque especulativo


VOCÊ JÁ deve ter lido tudo o que a ortodoxia -hegemônica no mundo- tem a dizer sobre a crise na Grécia, que ameaça até o euro, uma das duas únicas moedas de reserva do planeta, atrás do dólar.
Culpa do governo, que gasta demais e é irresponsável ao ponto de falsificar as estatísticas. Foi o governo anterior, conservador, não o atual, social-democrata, mas não adianta: paga o Estado grego, seja quem for o responsável ou o ocupante de turno.
Nenhuma dessas acusações é falsa. Mas elas não contam a história inteira da crise na Grécia.
Ela só se tornou aguda a ponto de ameaçar quebrar o país por conta de um ataque especulativo praticado por instituições financeiras.
O ataque especulativo usou, entre outros, um instrumento muito citado desde que a crise global se instalou, mas é muito pouco compreendido, os tais CDSs (Credit Default Swaps). Trata-se, para simplificar, de um espécie de apólice de seguro contra "default" (calote, em linguagem de gente normal).
Para entender melhor como funciona, recorro a artigo para o "Financial Times" do dia 11 de James Rickards, hoje na Omnis, mas que foi conselheiro da Long-Term Capital Management, que quebrou anos atrás também envolvida em transações nebulosas.
Rickards lembra que, por 250 anos, o mercado de seguros funcionou com base em um preceito básico: o do interesse no bem assegurado por parte de quem fazia o seguro. Escreve Rickards: "Seu vizinho não pode comprar um seguro sobre sua casa porque ele não tem interesse "assegurável" nela. Esse tipo de seguro é considerado não saudável porque causaria no vizinho o desejo de que sua casa queimasse -e ele poderia até acender o fósforo".
O CDS é, basicamente, esse tipo de seguro não saudável, vendido e revendido em troca de gordas comissões. Pior: no caso da Grécia, o "vizinho" (o mercado financeiro) de fato acendeu o fósforo. Só não queimou o país todo porque a União Europeia funcionou como Corpo de Bombeiros, relutante, mas bombeiros ao fim e ao cabo.
Pior ainda: os piromaníacos do mercado financeiro ajudaram a acumular material inflamável na casa chamada Grécia, oferecendo instrumentos para maquiar as estatísticas lá atrás.
Comentário de Angela Merkel, a chanceler (conservadora) alemã: "Seria uma desgraça se for verdade que os bancos que já nos puxaram para a beira do abismo tomaram também parte na falsificação das estatísticas gregas".
Não é apenas a chanceler alemã, no âmbito do conservadorismo, a apontar os riscos. Paul Volcker, hoje aparentemente a voz mais influente no círculos de assessores econômicos do presidente Barack Obama, diz que o ponto de partida para as propostas de contenção da pirataria financeira "é o fato de que adicionar mais camadas de risco aos riscos inerentes às funções dos bancos comerciais não faz sentido, não quando esses riscos surgem de atividades especulativas muito mais adequadas para outras áreas dos mercados financeiros".
Não se trata, pois, de socialismo ou anticapitalismo, mas de puro sentido comum. Resta agora transformá-lo em legislação que contenha os piromaníacos.

ANCELMO GÓIS

O STJ ESTAVA CERTO

O GLOBO - 20/02/10


Veja por que o STJ agiu direito ao devolver à OAB certas listas de advogados indicados para ocupar uma vaga na Corte. Um dos que tiveram o nome devolvido em 2008 foi Flávio Cheim Jorge, do Espírito Santo.
Esta semana, o mesmo STJ indiciou Flávio – pego na Operação Naufrágio, da Polícia Federal – como réu por formação de quadrilha.
PAÍS DO ‘REBOLATION’
A música mais tocada deste carnaval na Argentina e no Uruguai foi, sério, “Rebolation”, do grupo baiano Parangolé.
Em Punta del Este e em Buenos Aires, a turma nos salões pedia bis.
PÉ INCHADO
Zeca Pagodinho não vai à Sapucaí hoje desfilar pela Grande Rio.
É que o sapato usado pelo sambista na avenida apertou tanto seu pé que, até hoje, nosso Zeca sente dores e sofre com inchaço.
ALIÁS...
Zeca também mandou avisar que detestou desfilar em carro alegórico.
Diz que é um tal de sobe e desce insuportável.
E AINDA...
Desde ontem, Zeca é avô. Nasceu seu primeiro neto, Aloah, filho de sua Elisa.
O menino veio ao mundo com 2,225kg e 45cm.
VIROU LOCAL
O estilista Calvin Klein esteve em festa na Le Boy, a boate gay de Copacabana.
PENSE NO HAITI
Carlos Alberto Parreira chega ao Brasil dia 8 de março com a seleção da África do Sul para treinar um mês e fazer alguns jogos contra clubes daqui.
Dia 3 de abril, no Morumbi, os sul-africanos enfrentam o São Paulo, com renda para o Haiti.
GRIPE SUÍNA
Até abril, o Ministério da Saúde vai distribuir 9,4 milhões de caixas de Oseltamivir, o remédio para gripe A.
É para enfrentar a segunda onda previsível da pandemia, que pode chegar com as temperaturas baixas.
PINGABRÁS
O Instituto Nacional de Tecnologia (INT), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, foi acreditado pelo Inmetro para certificar a qualidade da cachaça brasileira.
SEGUE...
A certificação, a ser pedida pelos alambiques que se considerarem aptos, atesta a qualidade da pinga e acompanha todo o processo. Garante até que a fabricação não causou danos ambientais ou sociais, como uso de mão-de-obra infantil.
A primeira pinga brasileira que receberá o selo é de um produtor de Sapucaia, RJ, na divisa com Minas.
ERA DIGITAL
Veja como a tecnologia pode ajudar no combate ao crime. Na sexta de carnaval, por volta de 0h10m, três jovens foram assaltados por dois bandidos na porta de casa, em Búzios, RJ. Perderam dinheiro e três celulares.
Quando os gatunos fugiram, os meninos entraram e, com a ajuda do pai de um deles, acessaram o Google Map.
SEGUE...
Para quem não sabe, Google Map é o serviço do Google que exibe imagens via satélite de todo o planeta com boa nitidez.
Com os ladrões ainda perto, o computador os mostrou, acredite, andando nas redondezas.
É QUE...
O celular de um dos meninos tem um serviço da Apple de rastreamento para iPhones.

O ABILOLADO E A VAGABUNDA

REGINA ALVAREZ

Escolhas


O GLOBO - 20/02/2010


A comparação entre os modelos de desenvolvimento adotados pelo Brasil e pelos países asiáticos, que escolheram o caminho da industrialização para alavancar suas economias — tema abordado na coluna de ontem — provocou manifestações de leitores que merecem um retorno ao assunto. No Brasil, como se sabe, a indústria encolheu nas últimas décadas, resultado de um modelo focado na vocação agrícola e na exportação de produtos primários.

Alguns números levantados pelo professor Renaud Barbosa da Silva, da Fundação Getúlio Vargas, mostram o impacto dessa escolha na nossa balança comercial.

Os números espelham as relações de comércio do Brasil com a China e a Coreia do Sul, os dois emergente asiáticos que se destacam no processo de industrialização e crescimento econômico. E mostram uma relação desigual entre os valores importados e exportados.

Nos últimos três anos, recebemos da China, por tonelada exportada, o valor médio de US$ 115. E no mesmo período pagamos àquele país, por tonelada importada, US$ 2.857. A disparidade é resultado do alto valor agregado aos produtos chineses.

Exportamos minério de ferro e soja. Importamos eletroeletrônicos, partes e peças para a telefonia e uma infinidade de outros produtos valiosos.

Com a Coreia é quase a mesma coisa, com o diferencial que compramos automóveis dos sul-coreanos, item que lidera a pauta de importações daquele país. Nos últimos três anos, recebemos US$ 175 por tonelada exportada para a Coreia e pagamos Mulher no mercado II œ Quando se olha o rendimento, percebe-se uma redução lenta da desigualdade entre homens e mulheres.

Em 2003, as mulheres com curso superior ganhavam, em média, 59,7% do salário dos homens. Em 2009, esse percentual subiu para 62,5%.

— As empresas deliberadamente ainda favorecem a evolução dos homens. Além disso, há a questão das dinâmicas familiares. As mulheres já são provedoras dos domicílios tanto quanto os homens, mas ainda arcam com as tarefas domésticas muito mais do que os maMulher no mercado I œ O IBGE fez novos recortes sobre a participação da mulher no mercado de trabalho. Os números mostram que as mulheres mais escolarizadas estão ampliando seu espaço, mas que a recuperação da renda em relação aos homens tem sido lenta mesmo entre as que possuem curso superior.

Em 2009, de todas as mulheres aptas a trabalhar, 43,6% tinham 11 anos ou mais de estudo. Entre os homens, esse percentual era de 42,3%. Já no universo de mulheres que estavam efetivamente trabalhando, o percentual com 11 anos ou mais de estudo era de 62,1%. Entre os homens, a taxa era 53,7%. “O mercado exige uma escolaridade maior da mulher. É por meio do estudo que ela tem conseguido ganhar espaço”, explica o gerente da PME, Cimar Azeredo.

US$ 4.543 por tonelada importada.

Os números dão uma clara dimensão da importância de agregar valor ao que produzimos e exportamos.

Refletem os ganhos de quem optou pela industrialização, investiu em tecnologia e inovação.

O empresário Pedro Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína, escreve para dizer que o setor agropecuário vive os mesmos problemas da indústria: carga tributária anacrônica, infraestrutura em frangalhos, política de juros altos e suas consequências no câmbio.

E defende o setor que representa, lembrando a contribuição da agricultura para o desenvolvimento nacional, gerando riquezas e empregos.

Camargo Neto diz que o setor agrícola não deve ser menosprezado, mas reconhece que é preciso investir no segmento industrial.

A combinação desses dois motores é o ideal para mudarmos de patamar no caminho do crescimento sustentado, como disse o professor Júlio Almeida na coluna de ontem. Ele aposta que este será o caminho escolhido no futuro pós-crise.

Nós torcemos.

Mulher no mercado I

O IBGE fez novos recortes sobre a participação da mulher no mercado de trabalho. Os números mostram que as mulheres mais escolarizadas estão ampliando seu espaço, mas que a recuperação da renda em relação aos homens tem sido lenta mesmo entre as que possuem curso superior.

Em 2009, de todas as mulheres aptas a trabalhar, 43,6% tinham 11 anos ou mais de estudo. Entre os homens, esse percentual era de 42,3%. Já no universo de mulheres que estavam efetivamente trabalhando, o percentual com 11 anos ou mais de estudo era de 62,1%. Entre os homens, a taxa era 53,7%. “O mercado exige uma escolaridade maior da mulher. É por meio do estudo que ela tem conseguido ganhar espaço”, explica o gerente da PME, Cimar Azeredo.

Mulher no mercado II

Quando se olha o rendimento, percebe-se uma redução lenta da desigualdade entre homens e mulheres.

Em 2003, as mulheres com curso superior ganhavam, em média, 59,7% do salário dos homens. Em 2009, esse percentual subiu para 62,5%.

— As empresas deliberadamente ainda favorecem a evolução dos homens. Além disso, há a questão das dinâmicas familiares. As mulheres já são provedoras dos domicílios tanto quanto os homens, mas ainda arcam com as tarefas domésticas muito mais do que os maridos. Isso faz com que os homens saiam em vantagem — observa a pesquisadora da Uerj Moema Guedes.

Países como EUA, Noruega, Suécia e Dinamarca têm apostado em ações afirmativas e mudanças na legislação para acelerar essa recuperação.

Nos países nórdicos, a ampliação do prazo da licença paternidade virou opção para o casal: — A mulher pode estar num momento bom no trabalho e não querer arcar com o ônus da saída. Nesse caso, o casal pode julgar que é melhor o marido ter a licença.
COM ALVARO GRIBEL

CLÁUDIO HUMBERTO

“Nos anos 90, a crise da Grécia já teria quebrado o Brasil”
PRESIDENTE LULA, AO ELOGIAR A SI MESMO E CRITICAR SEU ANTECESSOR TUCANO FHC

RJ: SINECURA FEZ DEPUTADO TRABALHAR NO CARNAVAL
O governador Sérgio Cabral (PMDB) e os deputados estaduais do Rio de Janeiro estão tão empenhados na indecorosa criação de um terceiro Tribunal de Contas no Estado que a Assembleia Legislativa trabalhou até em pleno carnaval, para cumprir os prazos da proposta de emenda constitucional da safadeza e aprová-la até março. Por que a pressa? É que em abril vence o prazo para nomear conselheiro do novo tribunal.
CONVERSA MOLE
O pretexto para mais um Tribunal de Contas no Rio seria “fiscalizar” as contas dos municípios, o que já é feito, e bem, pelo atual TC do Estado.
A CONTA É NOSSA
Serão gastos R$ 140 milhões só na criação do novo Tribunal de Contas do Rio. Terá sete conselheiros vitalícios, em geral ex-deputados.
ATAQUE AO ERÁRIO
Vai ganhar R$ 25 mil mensais, mordomias e aspones, cada conselheiro do novo Tribunal de Contas do Rio, indicados por Sérgio Cabral.
LEI DESRESPEITADA
A emenda criando o novo TC do Rio ignora a Lei de Responsabilidade Fiscal, que manda indicar a fonte dos recursos para manter a sinecura.
AUTOR DE ‘OLGA’ SE MOBILIZA POR PREFEITO EM MG
É raro, mas acontece: é grande o alvoroço na bela e histórica Mariana (MG) contra a cassação, dia 2, do prefeito Roque Camêllo (PSDB) por suposta perda de prazo para defesa (segundo a candidata derrotada), após ele ser absolvido no mérito pelo Tribunal Regional Eleitoral. Marianense, o escritor Fernando Morais defendeu o prefeito, um sujeito decente “que virou uma página negra na história da cidade”.
LEMBRANÇAS DA DITADURA
Segundo Fernando Morais, o prefeito de Mariana enfrentou poderosos interesses econômicos “desde os tempos do (ministro) Abi Ackel”.
SUSPENSE
O cargo de Camêllo depende agora do ministro Ayres Brito, do Tribunal Superior Eleitoral, que poderá ou não suspender os efeitos da decisão.
VISITA
O governador interino do DF, Paulo Octavio, disse que pretende visitar o governador preso, José Roberto Arruda, mas ainda não sabe quando.
PROMOÇÃO POR MÉRITO
O ex-consultor jurídico Rafael Thomaz Favetti foi convidado pelo ministro Luiz Paulo Barreto para assumir a Secretaria Executiva do Ministério da Justiça. Ele aceitou, só falta efetivar.
CADEIA NELES
Centenas de pessoas invadiram uma área pública, no DF, de proteção ambiental, na expectativa da eventual vitória de Joaquim Roriz (PSC), na disputa pelo governo local. Somente ontem, o delegado Miguel Lucena, da Policia Civil, meteu vinte grileiros na cadeia.
NA MIRA DA POLÍCIA
A Polícia Civil do DF identificou dois supostos líderes da nova invasão de terra pública, que não ocorria há dois anos: o ex-deputado José Edmar, que até já foi preso por isso, e o fiel escudeiro Pedro Barbudo.
HÉLIO LIDERA EM MINAS
Pesquisa Sensus indica que o ministro Hélio Costa lidera a disputa pelo governo de Minas, seja quem for o candidato do PT. O ex-prefeito de BH Fernando Pimentel teria 24,1%; o ministro Patrus Ananias, 18,8%.
ALENCAR DESEQUILIBRA
Segundo a pesquisa do Instituto Sensus, se o candidato apoiado pelo PT-PMDB ao governo de Minas for o vice José Alencar (PRB), como esta coluna revelou em primeira mão, muda tudo. Ele tem 39,9%, contra 19% de Anastásia (PSDB) e 22,2% de Itamar Franco (PPS).
CRACK POR PERTO
Enquete do Ministério da Saúde na internet sobre as drogas mostra que o crack está a cada dia mais perto. Quase 70% dos entrevistados disseram conhecer algum usuário da droga derivada da cocaína.
MUCHAS GRACIAS
O embaixador Antônio Simões foi condecorado ontem em Caracas, pelo “fundamental apoio” à entrada da Venezuela no Mercosul. O chanceler Nicolás Maduro aposta na “identidade de visões e objetivos”.
CAÇANDO ENCRENCA
Novo revés para os franceses: os Emirados Árabes agora exigem trocar os mísseis dos 60 caças Rafale que encomendou, pelos americanos da Boeing. Teriam mais precisão e alcance que a nova versão dos Exocet, e poderiam atingir alvos no interior do Irã.
BOLA DE CRISTAL
Ontem no Estadão, Lula não só elegeu presidente sua candidata Dilma Rouseff, como previu a reeleição dela. Abre o olho, mãe Dinah!

PODER SEM PUDOR
A MEDICINA DE PONTA GROSSA
O escritório do então presidente nacional da OAB, Roberto Busato, em Ponta Grossa (PR), era vizinho ao do advogado José Fernando Rosa, que depois foi juiz e chegou a presidir o TRT do Paraná. O prédio abrigava também vários consultórios médicos. Certo dia, Rosa foi abordado por um homem:
– Doutor, estou com um problema: uma inflamação no testículo esquerdo...
– Me desculpe, o senhor bateu no lugar errado. Sou especialista em Direito.
– A Medicina de Ponta Grossa é muito evoluída – concluiu o apressado “paciente” – tem até especialista em testículo esquerdo e especialista em testículo direito...

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: PT aprova programa radical para a campanha de Dilma


- Folha: PT apresenta programa mais radical para Dilma


- Estadão: Petistas decidem radicalizar projeto de governo de Dilma


- JB: PT puxa Dilma para esquerda


- Correio: Licença para cassar distritais