quinta-feira, fevereiro 11, 2010

ROLF KUNTZ

O show e o projeto poder

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/02/10


Boneca de ventríloquo? Nem sempre. Nenhum ventríloquo, a não ser por gozação, teria chamado Governador Valadares de Juiz de Fora duas vezes na mesma visita. Nem teria mencionado o ambiente como "ameaça ao desenvolvimento", especialmente em Copenhague durante a conferência do clima. Também não teria respondido a uma repórter de forma truculenta, usando com ar de superioridade a expressão "minha filha". Tudo isso é Dilma Rousseff na sua mais autêntica expressão. O problema não é falta de carisma nem de liderança. A escassez é de atributos mais básicos. Também é puro Dilma Rousseff o desafio lançado na terça-feira: "Se quiserem, vamos comparar número por número, obra por obra, casa por casa, escola por escola, emprego por emprego."

Partindo de Lula, esse desafio seria apenas mais uma esperteza, rasteira como tantas outras. Na boca da ministra, ganha um tom diferente: ela parece acreditar na relevância e no valor informativo desse confronto de números e de obras. Também essa crença é indicativa do padrão da Mãe do PAC.

A comparação relevante é outra, mas não é assunto para palanque nem proporciona grande novidade ao público razoavelmente informado. O crescimento econômico do período Lula simplesmente não teria ocorrido sem o governo anterior - de fato, sem os dois governos anteriores.

A economia brasileira foi reformatada entre 1994 e 2002. Nenhum avanço teria ocorrido a partir de 2003, se não se tivesse eliminado a hiperinflação e não se houvessem criado as bases para uma política monetária eficiente e para um controle maior das contas públicas.

Tudo isso é bem conhecido e realizações desse tipo não são comparáveis com números de obras e de empregos. São condições para a execução sustentável de programas de obras e de criação de empregos.

O presidente Lula sabe disso. Evita reconhecê-lo, mas poderia ter contado essa parte da história à ministra Dilma, para instruí-la um pouco mais sobre os fatos. Ela tem um diploma de economista e essa conversa poderia trazer-lhe sugestivas lembranças da vida escolar.

Foram cometidos, é claro, alguns erros graves no governo de Fernando Henrique Cardoso. A valorização cambial prolongada foi um desses equívocos. Funcionou como âncora dos preços durante algum tempo, mas acabou prejudicando o equilíbrio externo. Economistas do governo confiaram demais na poupança estrangeira como fator de crescimento e o fizeram no pior momento, num mundo cheio de turbulências.

A crise cambial de janeiro de 1999 foi o preço desse erro. Mas a recuperação foi rápida e as inovações implantadas no mesmo ano - câmbio flutuante e metas de inflação - tornaram-se elementos essenciais da política econômica, juntamente com o compromisso do superávit primário. O presidente Lula manteve esse conjunto de instrumentos. A Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada em 2000, e a disciplina imposta a Estados e municípios, quando suas dívidas foram renegociadas nos anos 90, completaram o balizamento da política econômica.

Inovações desse tipo foram imensamente mais complicadas, em termos técnicos e políticos, do que qualquer realização a partir de 2003. Além do mais, a abertura da economia brasileira, no começo dos anos 90, a privatização de atividades típicas de mercado e a modernização da política do petróleo aumentaram a eficiência e a competitividade da produção. O sucesso do governo Lula - e isso inclui a redução da pobreza - foi um desdobramento dessas mudanças.

Quando se examina a história recente a partir desse ponto de vista, fica evidente o absurdo da comparação de obras e números, embora também os avanços na redução da desigualdade e na universalização do ensino fundamental tenham começado bem antes de 2003. As séries históricas do IBGE não deixam dúvida quanto a isso.

Alguns dos petistas mais articulados, como o recém-eleito presidente do partido, José Eduardo Dutra, falam em continuidade, prometem a manutenção das bases de uma economia saudável e desafiam os tucanos a detalhar seus planos de mudança. Esse é o desafio sério, não o da comparação estapafúrdia proposta pela ministra Dilma Rousseff. Mas o presidente Lula escolheu a ministra como candidata, embora nada, em seu currículo administrativo ou político, a recomende para o cargo. Que plano de poder dá sentido a essa escolha? Eis um tema de reflexão para o eleitor preocupado com a democracia.

*Rolf Kuntz é jornalista

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

LUIZ FELIPE LAMPREIA

Imaginação voluntarista


O Globo - 11/02/2010

Informam os jornais que o Partido dos Trabalhadores decidiu incluir em seu programa a criação de um “conselho de política externa” paralelamente ao Ministério das Relações Exteriores. A proposta sugere que o referido conselho seja integrado por representantes de ONGs, sindicatos e movimentos sociais.

A ideia é preocupante por várias razões. Em primeiro lugar, porque visa a colocar o Itamaraty sob a tutela de alguns segmentos da sociedade brasileira, que têm suas próprias credenciais, sem dúvida, mas não podem arrogar-se o direito de serem os únicos porta-vozes legítimos da nação.

A Casa de Rio Branco — fundada por Dom João VI em 1808 — tem uma folha de duzentos anos de serviços prestados ao país sob a forma da definição perpétua e pacífica do território nacional, de bom convívio com nossos dez vizinhos e de múltiplas batalhas em defesa do interesse nacional nos mais variados planos. É reconhecida em todo o mundo por ser conduzida por profissionais de alto gabarito e integridade. Levantar dúvidas sobre sua competência como instituição ou sua dedicação ao Brasil é uma postura espúria.

Em segundo lugar, a proposta é facciosa porque afirma que só no atual governo o Itamaraty procurou ouvir e dialogar com representações categorizadas da sociedade civil. No governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem tive a honra de ser por seis anos o ministro das Relações Exteriores, este exercício foi constante.

Cito alguns exemplos.

Em maio de 1996, em Belo Horizonte, reuni-me com representantes de todas as principais organizações sindicais para discutir a posição brasileira na Alca.

Com os representantes do setor produtivo nacional, tivemos diálogo regular no Conselho Empresarial, que buscava examinar os interesses econômicos do país nas negociações da OMC e da integração regional. Com representantes das ONGs ambientais, tivemos amplas e frequentes reuniões antes e depois da Conferência de Kyoto, sobre o Protocolo que resultou daquela conferência, na qual a delegação brasileira chefiada pelo ministro José Israel Vargas teve atuação marcante. Falei inúmeras vezes em universidades, escrevi muitos artigos na imprensa de prestação de contas à opinião pública. Dialoguei constantemente com representantes de diversas denominações religiosas. Por fim , mantive em mais de uma ocasião um diálogo aberto e respeitoso com o professor Marco Aurélio Garcia, na própria sede do Itamaraty ou fora dela. Todas estas afirmações são factuais e comprováveis, não resultam da imaginação ou de propósito ideológico.

O aventado “conselho” — que pretende implantar um novo modelo radicalmente mais aberto na representação da sociedade brasileira — é apenas mais um passo na busca de desconstrução do passado que, na área da política externa, como em diversas outras, tem caracterizado o presente governo.

Em terceiro lugar, esta é também uma tentativa de abalar as próprias colunas do Estado forte, ao qual tantas loas são tecidas por aqueles que agora o exaltam como um requisito do progresso do Brasil.

Existe um consenso universal de que relações exteriores e defesa são os dois campos em que há competência básica do Estado. Subordinar políticas públicas, como a externa, a um comitê de posições apriorísticas e pouco representativo do conjunto da nação resultará inevitavelmente em debilitar o Estado, tolhendo-o de uma das mais essenciais atribuições da soberania: representar o país na cena internacional.

Resta torcer para que a inoportuna ideia deste “conselho de política externa” permaneça no rol das fantasias que nunca se concretizam por que resultam apenas da imaginação voluntarista de alguns e, como dizia Fernando Pessoa, “não têm relação com o que há na vida”.

MERVAL PEREIRA

2010 e a classe C

O Globo - 11/02/2010


A pesquisa que a Fundação Getulio Vargas divulgou ontem mostrando que os efeitos da crise financeira internacional frearam a mobilidade social que o país vinha desenvolvendo nos últimos anos revela também a fragilidade do processo de inclusão social na base do consumo popular, fomentado pelos programas assistencialistas e o aumento do salário mínimo.

O avanço permanente desde 2004 da classe média foi paralisado pela crise, fazendo com que a classe C — famílias com renda de R$ 1.115 a R$ 4.807 — permanecesse praticamente no mesmo patamar de dezembro de 2008 a dezembro de 2009: representava 53,58%, uma queda de 0,4% no período.

O crescimento da “nova classe média”, no entanto, continua formidável. Em dezembro de 2003, a classe C representava 42,99% do total da população.

A notícia boa é que a recuperação, tanto da classe AB — que cresceu 2% — quanto das demais, ocorreu no mesmo ano da crise, recuperando perdas que foram mais sensíveis no último trimestre de 2008 e no primeiro semestre de 2009.

No trabalho da Fundação Getulio Vargas há uma parte dedicada para prospecções dos próximos quatro anos, até 2014, período do futuro mandato presidencial pós-Lula.

Embora otimista, o trabalho não se alinha a um outro, divulgado meses atrás pelo Ipea, que previa o fim da pobreza no país nos próximos anos.

O economista Marcelo Neri, coordenador do trabalho, acredita que seja possível reduzir a pobreza pela metade nesse período, caindo de 16,02% da população para 7,96% em 2015, com a seguinte previsão por classes sociais: queda da classe D d e 24,35% para 19,9%; aumento da classe C para 56,48%; e aumento da classe AB de nada menos que 50%, passando a representar 15,66% da população.

Marcelo Neri reforça a constatação de que se a pobreza cai pela metade, a classe AB dobra. Com esses números, cerca de 2,6 milhões de cidadãos seriam incorporados ao mercado consumidor, somando um total de 36 milhões de brasileiros a mais na classe média desde 2003.

Esse cenário de longo prazo, se analisado apenas pelo ano de 2010, traria números excelentes para o governo em pleno ano eleitoral, segundo a previsão de Neri. A pobreza cairia 10% este ano, por exemplo.

Na sua análise, Neri não vê fatores restritivos à expansão da economia em curto prazo, prevendo que a redução generalizada de estoques em 2009 mostra que os empresários temeram uma recessão pior do que a ocorrida, e isso terá um efeito expansionista neste ano, assim como a retomada dos empregos ajudará a fortalecer o mercado interno.

Além de todos os efeitos econômicos, inclusive os estatísticos que ajudarão a aumentar o PIB de 2010, o economista Marcelo Neri vê uma razão bastante pragmática para prever um bom ano: “Se 2010 seguir a tradição de todos os anos eleitorais da nova democracia brasileira, há que se esperar ganho em todas as fontes de renda e nas transferências públicas em particular”, comenta ele.

A importância política dessa recuperação é fundamental para os planos do governo de eleger como sucessora a ministra Dilma Roussef. O cientista político e ex-porta-voz de Lula André Singer, professor da USP, já havia divulgado um trabalho em que definia o lulismo como baseado no subproletariado beneficiado pelos programas assistencialistas do governo e pelo aumento do salário mínimo dentro da lógica conservadora, “que identificou no governo um fiador da estabilidade econômica e garantidor de sua nova situação financeira”.

Na definição do sociólogo mineiro Rudá Ricci, que está lançando o livro “Lulismo, Da Era dos Movimentos Sociais à ascensão da Nova Classe Média Brasileira”, o surgimento dessa nova classe “é o fenômeno sociológico mais significativo por que passou o país na primeira década do século XXI e que formatou o lulismo enquanto programa de modernização e gerenciamento político”.

Mas ele constata que a inserção se deu “pelo consumo e não pelas práticas políticas ou sociais”.

Ele não vê o lulismo como a volta do populismo clássico, mas “como um novo processo de inclusão social a partir do Estado como tradutor dos interesses sociais desorganizados”.

Para ele, “o fato relevante é que o lulismo gerou e se alimenta da emergência da nova classe média brasileira”. Segundo o sociólogo, essa mobilidade social dá sentido ao estilo discursivo e ao projeto estataldesenvolvimentista do governo.

“Lula fala para esta nova classe média, milhões de brasileiros que rompem com histórias familiares de exclusão do consumo de massas”.

Os componentes dessa nova classe, que durante o pico da crise internacional teve redução sensível na sua composição, especialmente devido ao desemprego, são, segundo Rudá Ricci, “brasileiros pragmáticos como o lulismo.

Não são afetos a teorias ou ideologias. São descrentes da política.

Seus vínculos sociais são comunitários, muitas vezes familiares”.

Esse pragmatismo e o conservadorismo da nova classe, identificados pelos dois cientistas políticos, podem representar também uma armadilha para a candidatura oficial.

Se esse eleitorado, teoricamente cativo do “lulismo”, não sentir na candidata oficial a melhor garantia de continuidade, abre-se campo para outros candidatos, que explorarão a inexperiência da ministra Dilma e as posições mais à esquerda que seu programa de governo sinaliza.

GOSTOSA

MÔNICA BERGAMO

Menina Travessa

Folha de S.Paulo - 11/02/2010


Herdeira de uma rede internacional de hotéis, a socialite americana Paris Hilton, que vem para o Carnaval do Rio, foi escolhida como garota-propaganda de uma nova cerveja da marca Devassa. O filme da campanha, criada pela agência Mood, de Augusto Cruz Neto e Aaron Sutton, foi produzido em Los Angeles pela O2 e as fotos foram feitas por J.R. Duran

TV Globo contrata coral para dublar foliões
Sabe aquele som contagiante dos foliões dos carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo, diretamente da Sapucaí e do Anhembi, que o público ouve em casa ao sintonizar a TV na Rede Globo? Pois é. Trata-se de uma dublagem feita por corais contratados pela emissora.

Há anos, a Globo recruta, a cada temporada, cerca de cem pessoas em SP e mais cem no Rio. O grupo passa a madrugada em área reservada do sambódromo entoando o samba-enredo de cada uma das escolas. Esse áudio é captado ao vivo e mesclado ao som real da folia. Assim, a música fica mais nítida para o telespectador.

Nos bastidores do Carnaval, contudo, algumas escolas se queixavam de perda de espontaneidade da folia. A Globo defende o recurso. Procurada na segunda-feira, só ontem confirmou a existência do coral, mas disse que ele não será mais utilizado neste ano.

"A TV Globo tem o compromisso de oferecer sempre uma transmissão de qualidade do Carnaval. Recursos artísticos e tecnológicos são utilizados para garantir a grandiosidade da festa (...) Porém, [o coral] não é mais utilizado. Hoje em dia, com a evolução tecnológica, isso, quando necessário, é feito digitalmente", diz a Central Globo de Comunicação. Os corais são compostos de amadores, em proporções iguais de homens e mulheres, jovens e velhos etc. Todos ganham cachê (por volta de R$ 100 por pessoa) e têm à disposição lanches e bebidas não alcoólicas a noite toda. Recebem também CDs das escolas para que se familiarizem com as letras em casa. Antes da transmissão, recebem apostilas com as letras.

GRANA NA GRAMA
O governo federal contratou por R$ 5 milhões a Fundação Getúlio Vargas para mapear a atividade econômica gerada pelo futebol brasileiro e a situação financeira (especialmente as dívidas) de 738 clubes de todo o país.

Os dados servirão de base para uma política pública de incentivo, que prevê uma linha de crédito oficial, estimada em R$ 5 bilhões, para sanear o caixa de agremiações problemáticas.

VALE O QUANTO PESA 1
Em operação realizada no litoral de SP na última semana de janeiro, o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) visitou 60 supermercados e realizou 36 autuações, principalmente devido a alimentos (como carnes, queijos e frutas) que continham menos conteúdo do que o apontado nas embalagens.

VALE O QUANTO PESA 2
Das 36 autuações, 31 aconteceram em supermercados da rede Companhia Brasileira de Distribuição (formada por Pão de Açúcar, Extra e Compre Bem), que teve 25 unidades inspecionadas.

A rede diz que considera "o fato pontual e decorrente de uma série de fatores que incidem sobre a operação na alta temporada" e que intensificou o treinamento das equipes na venda de produtos fracionados.

PÁGINAS DA VIDA
O juiz Fausto De Sanctis está colocando pontos finais em um novo livro. De ficção.

MORRO POP 1
Diretores que gravam com seus artistas no morro Dona Marta, no Rio, costumam fazer doações à associação de moradores local. "A produção do "Tropa de Elite 2" deixou R$ 1.000. Os organizadores do evento de uma bebida energética deixaram R$ 2.700. A Globo deixa uns R$ 2.000 a cada vez que vem gravar a novela "Viver a Vida" aqui", diz o líder comunitário José Mário Hilário.

MORRO POP 2
A cantora americana Alicia Keys, que grava videoclipe por lá, ainda não fez sua doação. Mas movimenta a economia local: pagou R$ 300 a um morador pela utilização de sua laje.

TESTE ÉTICO
O humorístico "CQC", da Band, está gravando quadro novo, no qual, em vez de pegar no pé de políticos e de celebridades, aponta o canhão para o cidadão comum. Na estreia, um ator finge tomar uma garrafa de pinga num restaurante do centro de SP e, apesar da aparente embriaguez, ninguém o aconselha a evitar o volante.

"Teve gente que ajudou o motorista bêbado a abrir a porta da van escolar. É muita indiferença", diz Marcelo Tas, líder do programa.

MARTINHO DA CHINA
Martinho da Vila foi convidado para se apresentar na China, acompanhado de uma escola de samba, depois do Carnaval.

A COBRA VAI FUMAR
A Lei Antifumo colocará seu bloco na rua durante o Carnaval de São Paulo.

Fiscais da Vigilância Sanitária e do Procon irão a clubes e sambódromos, em todo o Estado, para flagrar foliões com a boca na botija.

ELIANA VOADORA
A apresentadora Eliana usará em seu trio elétrico, em Salvador, roupas da Neon inspiradas na vida selvagem.

Tradução: "Um minicaftã em forma de borboleta pink e um vestido tubinho que simula uma arara azul", explica sua assessoria de imprensa.

DOUTORA CAYMMI
Stella Caymmi, neta de Dorival Caymmi, está fazendo uma tese de doutorado sobre a obra do avô e a era do rádio. Com base na trajetória da música "O Que É Que a Baiana Tem?", quer analisar a cultura brasileira no início do século 20.

CURTO-CIRCUITO
O CANTOR MATISYAHU apresenta o repertório do CD "Light" em show no Via Funchal, no dia 11 de abril. Os ingressos custam de R$ 100 a R$ 180. Classificação: 12 anos.
A BANDA DREAM THEATER faz turnê por várias cidades brasileiras. Em São Paulo, toca no dia 19 de março, no Credicard Hall, com ingressos de R$ 80 a R$ 300. 14 anos.
A CAIXA CULTURAL da avenida Paulista recebe a partir de amanhã a exposição "Lothar Charoux: Entre Vida e Obra". Hoje, acontece a abertura para convidados.
MARCOS Z , dono do clube Audio Delicatessen, recebe convidados para o seu aniversário, hoje, a partir das 23h, na balada da rua Mourato Coelho. Classificação: 18 anos.
A FESTA DE CONFRATERNIZAÇÃO da segunda temporada do reality show "A Fazenda", da Record, com presença dos participantes do programa, acontece hoje no restaurante Red Angus.

MARIO CESAR FLORES

Democracia participativa, possibilidades e riscos

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/02/10


A "interação democrática entre Estado e sociedade civil como instrumento de fortalecimento da democracia participativa" (Decreto 7.037, de 21/12/2009, referenciado aos direitos humanos) ativou na agenda brasileira o tema da participação do povo em decisões nacionais por referendo, plebiscito e consulta popular direta ou via intermediação de assembleias ou conselhos - tema eivado por possibilidades, limitações e riscos.

A participação do povo tem, de fato, algum sentido racional. Ela promove o engajamento popular na prática da cidadania e é adequada para auscultá-lo em assuntos locais e simples que o afetam diretamente e estão ao alcance de sua compreensão e avaliação. Mas em comunidades maiores e heterogêneas e/ou para assuntos complexos corre o risco de deturpação por cooptação viciosa, que se vale da apatia ou do despreparo da massa vulnerável ao engodo - vulnerável até à redação capciosa da consulta, condicionadora da resposta. A democracia participativa de Péricles e a de Rousseau, 2.500 anos depois, eram adequadas a Estados pequenos, de população e "religião cívica" homogêneas, como a Atenas de Péricles e a Genebra de Rousseau, e mesmo nelas a participação era seletiva (Atenas era escravocrata...). Não foi cogitada para o voto universal em Estados extensos, com grandes populações heterogêneas, em parte despreparadas em assuntos complexos.

Nessas circunstâncias, a participação prescindente da intermediação da representação política - que, embora com defeitos, grandes no Brasil, é portadora de delegação do povo e inclui na sua processualística mecanismos de correção de seus erros - acaba servindo ao redentorismo populista para instituir uma ficção de democracia, viciada por cooptação tendenciosa. Quando o processo ocorre via intermediação de conselhos ao estilo dos soviets, que "escanteiam" o sistema representativo constitucional clássico, a participação supostamente popular tende a ser pautada pelas facções orquestradas pela vontade messiânica do poder orquestrante, que decidem "no grito" a suposta vontade coletiva.

A democracia participativa é, portanto, válida nos limites de suas possibilidades locais e simples, em que a percepção e o interesse direto do povo são capazes de protegê-lo da mobilização viciosa (um exemplo simples: o gabarito em determinada área urbana). Excepcionalmente, também para assunto mais amplo, até nacional, mas isso é raro e deve ser precedido por esclarecimento isento. Como regra geral, é imprópria para territórios e contingentes populacionais imensos e heterogêneos, de limitada capacidade para avaliar e opinar com conhecimento de causa sobre assuntos complexos, alheios ao dia a dia cultural e local. Qual o porcentual de brasileiros aptos a opinar com convicção sobre, por exemplo, parlamentarismo versus presidencialismo (o que são e se ajustam, ou porque não se ajustam às circunstâncias brasileiras), autonomia do Banco Central, câmbio flutuante, superávit primário e células-tronco? Com certeza, pouco expressivo, indicativo da inadequabilidade em assuntos complexos, por vezes exigentes de conhecimento especial.

Em países de razoável nível cultural e democracia consolidada, a participação universal direta é pouco praticada: suas credíveis representações políticas eleitas atendem à conveniência e ao sentimento nacional (exemplo relevante da excepcionalidade: os referendos nacionais ao estatuto da União Europeia, viabilizados pelo bom padrão cultural médio das populações consultadas). Já o voluntarismo populista messiânico inerente às democracias mambembes tende a ver nela ferramenta útil ao autoritarismo salvacionista plebiscitado, em que prevalece o redentorismo ideológico, quando não o personalista à Hugo Chávez, sobre as instituições representativas pluralistas. Tende a ver ferramenta útil nela e em seus associados: as pressões das manifestações desordeiras, corporativas ou populares, similares às praticadas pelo fascismo italiano e pelo nazismo alemão nos seus períodos de ascensão e pelo governo João Goulart nos primeiros anos 1960, que invocavam a massa manipulada em apoio às intenções vanguardeiras. O Brasil está sujeito a esse tipo de política falsamente democrática porque a isso o predispõe a vulnerabilidade do seu povo à cooptação pelo esbulho.

Em suma: é razoável admitir que, embora a democracia participativa possa ser um instrumento complementar, seletivo e limitado da democracia representativa clássica, não é seu substituto em qualquer circunstância ou situação. Quando além de suas possibilidades racionais, suas consultas assembleístas ditas populares, seus plebiscitos e referendos tendem a se transformar em instrumentos supostamente democráticos, de apoio ao Poder mais bem capacitado - capacitação financeira, reguladora, normativa e fiscalizadora/coativa - para usar a paranoica máquina persuasória da comunicação moderna e os mecanismos da administração pública, em prol de seus desígnios. Naturalmente, o Executivo, com o consequente eclipse relativo dos demais Poderes e a deterioração da democracia.

Usada comedidamente nos limites de sua adequabilidade sensata, dependente da compatibilidade do assunto com a capacidade popular de discernir sobre ele imune à cooptação viciada, a democracia participativa é democracia. Extrapolada além de suas possibilidades e limitações, é farsa supostamente democrática, útil ao embuste da democracia popular, que transforma instituições representativas clássicas em instituições de fachada, desconsidera a democracia em seu processo tradicional e adjudica a virtude democrática às vanguardas, acima do sistema judicial e das representações políticas escolhidas pelo voto.

A diretriz do decreto é, de fato, simpática e sedutora, mas exige atenção criteriosa: seria perigoso aceitá-la sem o cuidado que impeça seu uso vulnerável ao redentorismo utópico ou populista demagógico, prejudicial à democracia.

Mario Cesar Flores é almirante de esquadra (reformado)

O CIRCO

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

"Não descartamos fusão", diz Camargo Corrêa

Folha de S.Paulo - 11/02/2010



"Não descartamos a possibilidade de fazer fusão dos ativos de cimento no Brasil e na Argentina com a Cimpor", disse à Folha Carlos Pires Oliveira Dias, membro do Conselho de Administração da Camargo Corrêa e um dos acionistas da companhia, sobre planos futuros após a compra de 22,17% da construtora Teixeira Duarte na cimenteira portuguesa Cimpor. O preço oferecido foi de 6,50 por ação.

A participação poderá ser acrescida de até mais 3% do capital da Cimpor detidos por pessoas físicas ligadas a Teixeira Duarte, segundo Pires Dias, que acompanhou as negociações. "Nem todos os familiares puderam ser contactados a tempo", disse Vitor Hallack, presidente do Conselho.

A aquisição torna a Camargo Corrêa, até então considerada à parte na disputa pela Cimpor, a maior acionista individual da empresa portuguesa, diz Pires.

A Lafarge, que tinha 17,28% na Cimpor, acabou vendendo a sua participação para a Votorantim. Segundo Pires, não existia um acordo entre acionistas da Cimpor.

"Há sinergia entre a Cimpor e a Camargo Corrêa. Uma fusão [com a companhia portuguesa] nos tornaria um player importante, o que é visto como interessante pela administração da Cimpor", disse Pires.

Por ora, a companhia aguarda as próximas manifestações da CSN com relação à OPA (Oferta Pública de Ações), em que oferece 5,75 por ação da cimenteira portuguesa, valor inferior ao pago pela Camargo.

A siderúrgica não pode desistir da oferta, mas pode melhorá-la até amanhã. Dia 17 vence o prazo para os acionistas aceitarem ou rejeitarem a proposta. O Conselho de Administração da Cimpor já recomendou aos acionistas que recusassem a oferta.

Há muita sinergia entre a Cimpor e a Camargo Corrêa
CARLOS PIRES OLIVEIRA DIAS
membro do Conselho de Administração da Camargo Corrêa

Se familiares de Teixeira Duarte, que têm 3% da empresa, venderem, nós já compramos
VITOR HALLACK
presidente do Conselho da Camargo Corrêa

Fazenda posterga alta de tributação em bebidas
O Ministério da Fazenda, em reunião com representantes do setor de bebidas frias, decidiu postergar a adoção de nova tabela que implicaria aumento da tributação.

A nova tabela, que deveria entrar em vigor em março, foi calculada pela Receita Federal para pagamento de impostos e foi feita em conformidade com o setor.

A lista leva em conta os diferentes volumes e embalagens dos produtos. Pela primeira vez, representantes das empresas alegaram que este será um ano de muitos investimentos e que, com o aumento de tributação, teriam de subir preços de produtos ou reduzir o ritmo de expansão.

O ministro Guido Mantega, diante do setor que compareceu em peso e unido, pela primeira vez, ficou de estudar o tema. Declarou que considera importante o volume de investimentos previstos pela indústria e que gostaria de marcar outra reunião do setor, desta vez, com o presidente Lula. Por ora, e possivelmente neste semestre, a nova tabela não será aplicada.

CHUVA, SUOR E CERVEJA
"Carregamos muito os outros setores. Nosso aumento de tributação pagou a isenção de IPI de outros setores", diz João Castro Neves, presidente da AmBev. Se não houver aumento da carga tributária, o investimento neste ano, será de R$ 2 bilhões, sem contar despesas com vendas, um recorde na companhia. Novas fábricas estão sendo construídas nos mesmos terrenos das unidades já existentes para dobrar a produção em ao menos três delas. A planta de Minas já está pronta e a de Manaus será inaugurada até março. Em São Paulo, a unidade de Agudos também terá a produção duplicada.

Uma fábrica totalmente nova será construída em local que ainda será definido. As chuvas até que atrapalham um pouco a distribuição de bebidas, mas o consumo segue alto com todo o calor neste verão e a chegada do Carnaval, diz Neves. A companhia tem em estudos 40 inovações de produtos para lançamento nos próximos anos, sendo que um deles deve sair entre março e abril.

A Copa do Mundo também vai inspirar novas embalagens e promoções que, segundo a AmBev, pode gerar um aumento de volume superior em junho e julho, quando as vendas recuam devido ao inverno.

TIJOLO 1
A construção civil brasileira fechou 2009 com crescimento de 10,21% no nível de emprego do setor, na comparação com dezembro do ano anterior. O saldo ficou positivo com 213 mil trabalhadores contratados no ano e chegou a 2,298 milhões de empregados em dezembro do ano passado, segundo o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo).

TIJOLO 2
Houve demissões em dezembro de 2009, sob efeito sazonal, segundo o SindusCon-SP. A construção civil dispensou 53,5 mil trabalhadores com carteira assinada, o que representa queda de 2,28% no nível de emprego do setor na comparação com novembro. No Estado de São Paulo, foram demitidos 8.818 trabalhadores, queda de 1,34%. No ano, o setor criou 58,2 mil novos postos de trabalho no Estado, alta de 9,82%.

DESACORDO
Na reunião de terça-feira entre o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e representantes da indústria, liderados pelo presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, sobre a PEC da redução da jornada de trabalho, Robson Andrade, o provável sucessor de Monteiro na presidência da CNI, disse que a redução de encargos da folha de pessoal já é bandeira antiga do empresariado, indicando que o argumento não seria aceito como moeda de troca, segundo um participante da reunião.

VIDRO VERDE
Está em tramitação na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado o projeto de lei que responsabiliza as empresas que vendem e instalam vidros automotivos a darem destinação final adequada ao produto, como a reciclagem. A iniciativa partiu do Instituto Autoglass Socioambiental.

Minas Gerais apresenta programa nos Estados Unidos
O programa de inovação do governo mineiro, que criou um sistema de polos de desenvolvimento de pesquisa e tecnologia focados em setores, gerou interesse no governo dos Estados Unidos.

No próximo dia 25, o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais, Alberto Duque Portugal, irá a Washington para fazer uma apresentação para oficiais da Casa Branca, membros do Departamento de Energia e Comércio, agências federais e representantes de laboratórios e de universidades americanas.

Portugal falará sobre o projeto implantado em 2006 pelo governo mineiro. "O trabalho de Minas abrange atração de investimento para gerar valor agregado, fortalecer incubadoras, acelerar inclusão digital e fechar parcerias com centros de pesquisa particulares."

O exemplo brasileiro será apresentado em um simpósio que pretende orientar o projeto da administração de Barack Obama, que está investindo em "clusters" de alta tecnologia, para o desenvolvimento de setores como energia para acelerar a produção de combustíveis solares e melhorar a eficiência energética por meio de design.

EUGÊNIO BUCCI

Ética partidária e renovação

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/02/10


Numa entrevista que concedeu a Antônio Gois e Angela Pinho, do jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, reconheceu, em termos bastante claros, a mediocridade ética no espectro partidário brasileiro. "E em relação à ética?", perguntaram os entrevistadores. Ele respondeu: "Ninguém está se saindo bem nesse quesito do ponto de vista de opinião pública, nem PT, nem PSDB, nem DEM. Não se trata de um prejulgamento jurídico, mas de uma observação de caráter político. Ninguém se sai bem perante o eleitorado nessa questão, o que é muito ruim para a democracia porque o adiamento da reforma política já não se justifica em virtude do constrangimento que os próprios partidos estão passando perante a opinião pública."

Três aspectos ganham especial relevo nessas palavras. O primeiro deles é que o ministro não se antecipou a defender o seu próprio partido, o Partido dos Trabalhadores (PT). Ele não procurou estabelecer as diferenciações de ocasião, no mais das vezes, infantis. É muito comum que dirigentes partidários se saiam desse tipo de pergunta com acusações genéricas aos adversários: "Ah, mas foram eles que começaram com isso." Ou, numa variante equivalente: "No caso deles foi muito pior."

Não. Sobriamente, o entrevistado apenas reconheceu o que todo cidadão já sabe: nenhum dos principais partidos brasileiros se mostrou de fato diferente no que se refere às condutas que adotam. Sem dúvida, há diferenças individuais dentro de cada uma das agremiações, mas, em seu conjunto, todas elas escorregaram para "dinheiros não-contabilizados", para dizer o mínimo, tanto em suas campanhas financeiras para fins eleitorais como no prolongamento que elas costumam ter no interior da administração pública. De maços de dólares na cueca a pacotes de reais na meia, nós já tivemos de tudo muito. Aliás, no recente escândalo do governo do Distrito Federal, é particularmente chocante o ar de rotina com que as autoridades empalmam a bufunfa e começam a distribuí-la pelas cavidades da vestimenta, como se já tivessem repetido aquele ritual uma infinidade de vezes.

Fernando Haddad parece falar a partir de um ponto de vista que se situa fora da máquina partidária, aproximando-se do ponto de vista da opinião pública, o que, para o leitor de jornais, é um alento.

O segundo ponto a ser observado é que em nenhum momento ele se refugia em críticas fáceis à imprensa. Em vez de condenar exageros na cobertura jornalística, em vez de reclamar, em tons calculadamente indignados, de prejulgamentos de pobres inocentes - que quase nunca são inocentes e muito menos pobres -, ele simplesmente admite o que é notório, ainda que possa ser cobrado depois pelos correligionários. A escapatória de criticar o repórter, em lugar de enfrentar o mérito da indagação, veio se tornando tão corriqueira que já enfadou o cidadão. Ainda nesta semana, quando questionado pela reportagem da TV Brasil sobre a falta de água em bairros paulistanos, o governador José Serra permitiu-se um comentário de reprovação à linha jornalística da emissora, em lugar de simplesmente esclarecer dúvidas legítimas da sociedade. Também por isso a postura do ministro se diferenciou.

O terceiro aspecto é que não há na entrevista nenhuma menção a soluções mágicas - necessariamente demagógicas - inspiradas em falsos moralismos. Quanto a isso, Haddad poderia ter dito mais. Falou apenas em reforma política, que, por certo, é uma necessidade estrutural no Brasil, mas é claro que o atraso dessa reforma tem servido de desculpa a homens públicos que insistem em agir fora da retidão. Ora, uma reforma política não produz honestidade na política. Ao contrário, é necessário um mínimo de compromisso com a ética pública para que a reforma seja realizada. Pense bem o leitor: por que será que ela demora tanto?

De toda forma, o ministro da Educação é uma voz que destoa do seu entorno, o que não há de ser do agrado de setores avessos a mudanças. Para onde ele vai agora? O noticiário dá conta de que seu nome vem sendo lembrado para concorrer ao governo do Estado de São Paulo este ano. Militantes petistas colhem assinaturas entre os filiados para credenciá-lo como pré-candidato. De outro lado, as resistências a ele são nítidas entre dirigentes do PT paulista, que não o veem como alguém da turma.

Na mesma entrevista, Haddad foi perguntado sobre essa possibilidade e se limitou a dizer que, hoje, o senador Aloizio Mercadante é quem desfruta das preferências majoritárias. Ficou bem claro que, se Mercadante aceitar a candidatura, receberá seu apoio.

Mas há uma chance de que o senador desista, dando preferência à sua reeleição para o Senado, que, ao menos em tese, estaria mais à mão. Da perspectiva dos que esperam renovação na cultura política nacional, a renúncia de Mercadante viria em boa hora. Seria um caso típico de ausência que preenche uma grande lacuna. Nessa hipótese, o candidato ao Palácio dos Bandeirantes poderia ser Fernando Haddad e, com isso, o discurso e o método que prevalecem na política poderiam passar por algum amadurecimento. Mas a escolha pertence ao partido - e este, infelizmente, vem se pautando por insistir nos mesmos erros e também por fugir, com artifícios mais do que manjados, a qualquer esclarecimento de seus desvios. Não se sabe se o PT ainda tem coragem para mudar a si mesmo. Tudo indica que não, mas a incógnita persiste.

Cada partido tem o seu próprio caminho para sair da mediocridade ética, o que passa pela renovação de gerações, de mentalidades e de práticas. No PT, a oportunidade de mudança tem que ver com a fala do ministro da Educação. Agora, cabe a seu partido a dignidade de endossá-lo.

Eugênio Bucci, jornalista, é professor da ECA-USP

JAPA GOSTOSA

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

A conta voltou


O Globo - 11/02/2010

Sob pressão para apresentar um programa crível de redução de seu déficit, o governo grego está propondo, entre outras maldades: aumentar a idade mínima de aposentadoria, uma elevação imediata dos impostos sobre combustíveis e o congelamento dos salários do funcionalismo. Para tentar conter a ira popular, promete cortar os vencimentos de governantes e dirigentes de estatais.

Governos de Espanha e Portugal lidam com o mesmo dilema. É preciso cortar gastos e aumentar impostos, pois déficits e dívidas públicas passaram dos limites, mas isso se opõe a compromissos e ideologias.

Eis o ponto: a conta chegou mais cedo do que se esperava. Na verdade, lá na Europa, como aqui, muita gente acreditava ter eliminado esse tipo de conta. O gasto público parecia ter se tornado o principal motor da economia. Assim, quem se preocuparia com essas coisas tão aborrecidas quanto austeridade e equilíbrio fiscal? Desgraçadamente, porém, mais uma vez se verificou que dinheiro não sai do nada. É preciso financiar o déficit e amortizar a dívida. Podese, é claro, antes de aplicar as maldades, tomar dinheiro emprestado no mercado internacional (aquele mesmo que causou a confusão em 2008). O mercado exige juros proporcionais à confiança que deposita na capacidade e na disposição do governo de pagar suas contas.

Hoje, por exemplo, o governo grego paga juros bem maiores que o governo brasileiro. Ou seja, o mercado confia no presidente Lula.

É fato. Cuidado, porém, com as conclusões.

Na gestão da crise, aproveitando o embalo internacional, o governo Lula aumentou ainda mais os gastos e a intervenção do Estado na economia. As contas pioraram, a dívida aumentou. Se ainda assim o mercado continua financiando o Brasil e se o presidente ganha prêmios no exterior, isso prova uma mudança de paradigma, certo? Errado.

Na prática, o pessoal do mercado financeiro se preocupa pouco com essas políticas. Quer é receber o seu em dia. Empresta dinheiro quando acredita que o devedor tem condições de pagar. Não importa, por exemplo, se o governo obtém o dinheiro aumentando o imposto da gasolina ou demitindo funcionários ou cortando aposentadorias.

Nem se é um governo de direita ou esquerda. Claro que um regime democrático, no império da lei e dos contratos, é um fator essencial para atrair investimentos.

Mas, digamos, o mercado cobra juros enormes de Chávez não por causa do socialismo bolivariano, mas porque ele conseguiu a proeza de quebrar um país que ganhou rios de dinheiro com o petróleo.

Tudo considerado, a confiança no governo Lula se baseia na crença generalizada, aqui e lá fora, de que as contas públicas serão reorganizadas neste ano, que a dívida voltará a cair, que a inflação ficará na meta e a estabilidade será preservada.

Não se pode concluir simplesmente que o mundo autorizou os governos a gastarem mais. Olhem para Grécia, Espanha e Portugal.

Mesmo estando dentro da Europa, se beneficiando da credibilidade do euro, precisam recorrer às maldades de urgência para acertar contas.

Não é, pois, questão de o governo gastar mais ou menos, mas de manter suas finanças equilibradas.

Os acontecimentos europeus de hoje reforçam a lição de que um equilíbrio permanente acaba sendo menos custoso.

Em resumo, é um erro, sim, o festival de aumento de gastos públicos que continua em andamento por aqui. Estão abusando da confiança.

Estão esquecendo de uma lição que não é nem econômica, mas humana: perde-se a confiança num gesto. E o mercado vota todo dia útil. Os juros sobem em instantes.

E sabem de mais outra coisa? É uma lástima que ainda se discuta esse tipo de coisa. É um atraso para o país. Basta sair da teoria e cair na prática para se perder o efeito negativo. Por exemplo: enquanto se discute se aeroportos devem ser públicos e privados, continuamos todos amontoados nas filas e atrasados.

PAINEL DA FOLHA

Caça-palavras

Renata Lo Prete -

Folha de S.Paulo - 11/02/2010


Reunidos ontem para discutir o programa de governo a ser apresentado no congresso do PT, na próxima semana, os incumbidos da tarefa divergiram sobre três pontos. O primeiro é a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, que consta da minuta elaborada sob a coordenação do assessor presidencial Marco Aurélio Garcia. Há na sigla quem tema descontentar o setor empresarial em plena pré-campanha.

Sem prejuízo da defesa da presença do Estado na economia, uma ala petista pondera ser necessário frisar no programa também o papel da iniciativa privada. Por fim, foi detectada a necessidade de editar o trecho sobre a política de direitos humanos.

Santinho!
Dilma chegou a bater na mesa ontem ao saber que foi convocada para explicar o Programa Nacional de Direitos Humanos no Senado.

Sumiram
Chamou a atenção do Planalto as ausências dos peemedebistas Romero Jucá, líder do governo, e Renan Calheiros, líder da bancada no Senado, na votação que manteve o veto de Lula ao sinal vermelho do TCU para quatro obras da Petrobras.

Balanço 1
Em cerimônia no Ministério da Justiça, Lula parabenizou Michel Temer pela "unidade" expressa na convenção do PMDB. O presidente da sigla respondeu que, para mantê-la, é preciso resolver as disputas com o PT em Minas, Pará e Bahia.

Balanço 2
Um deputado peemedebista atalhou: "E o Rio Grande do Sul?". Temer arrematou, em tom brincalhão: "Lá já está resolvido".

Tá quente...
Resolvido ou não, há abundantes sinais de que o PMDB gaúcho, outrora computado como certo pelos tucanos, está flertando com Dilma. Depois de dizer que o diretório "deve" seguir a aliança nacional, o prefeito e pré-candidato ao governo José Fogaça abriu ontem a torneira dos elogios: "A convivência com a ministra tem sido altamente produtiva, frutífera e boa para Porto Alegre".

...tá frio
Mas e José Serra? "Na verdade não tenho muita convivência com ele", desconversou Fogaça. "Nós fomos colegas no Senado".

Dois gumes
Enquanto isso, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, esteve com Joaquim Roriz e Mão Santa para acertar o apoio do PSC a Serra. Os tucanos ganharão um sempre útil acréscimo ao tempo de TV. Em compensação, terão de exibir seu candidato no palanque de Roriz.

Oriente-se
Depois de ouvir Dilma Rousseff confundir Governador Valadares com Juiz de Fora, o líder do PSDB na Assembleia, Domingos Sávio, resolveu dar ao colega do PT, Padre João, um GPS e um mapa de Minas para ser entregue à ministra, nascida no Estado.

Cartas na mesa
O vice-governador do DF, Paulo Octávio, levou Marcelo Toledo, suspeito de ser um dos operadores do mensalão candango, para uma conversa com o governador José Roberto Arruda. Em tom ameaçador, Toledo teria admitido aceitar o benefício da delação premiada.

Pé do ouvido
Nélio Machado, criminalista contratado para defender Arruda, bateu um papo em São Paulo, na semana passada, com Tarso Genro, àquela altura ainda ministro da Justiça e portanto chefe da Polícia Federal.

Magoei 1
O governo Evo Morales não gostou de ouvir Lula dizer que o Brasil continuará a importar gás, mesmo sem necessidade, para "ajudar a Bolívia, um país pobre".

Magoei 2
O ministro da Presidência, Óscar Coca, respondeu que, independentemente de "sentimentos de bondade, afeto ou desafeto", há um contrato de fornecimento para o Brasil que vai até 2019. Também o vice-presidente, Álvaro Garcia Linera, registrou que o acordo tem "cumprimento obrigatório".

Tiroteio
A gestão de José Serra em São Paulo fez água: na zona leste por excesso, na zona sul por falta.
Contraponto

Trilha sonora
Um grupo de amigos do deputado Paulo Maluf (PP) se reuniu na semana passada num restaurante na zona sul paulistana para festejar os 90 anos do cantor Pedro Miguel. Hélio Bastos, que esteve na Casa Civil quando Maluf ocupava o Palácio dos Bandeirantes (1979-1983), resolveu palpitar no repertório do aniversariante:

-Lembra da música predileta do doutor Paulo?

-Claro, mas ninguém vai acreditar...- devolveu o cantor, para em seguida levantar a plateia com a canção de Chico Buarque e Vinícius de Moraes:

-Maestro, vamos de "Gente Humilde"!

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Carnaval! Baiano não tem osso!

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/02/10


E uma amiga vai passar o Carnaval transando com segurança: com o segurança da avenida!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
É hoje! Carnaval! É PROIBIDO PENSAR! De hoje em diante é proibido pensar. A não ser que você vá passar o Carnaval jogando xadrez. E uma amiga vai passar o Carnaval transando com segurança: com o segurança do salão, com o segurança da avenida e, se der sorte, com o segurança da Madonna! Faça sexo seguro! Transe com o segurança. Faça sexo seguro. Segure no meu sexo. Rarará! E os dois pensamentos básicos de todos os Carnavais: 1) transar com uma mulher só é trair todas as outras. 2) e se a Gretchen soltar um pum num saco de confete, é Carnaval o ano inteiro. UEBA! Tá Tudo Certo Pra Dar Merda! Como diz aquele bloco do Rio. E eu adoro os blocos de Olinda: Cumero Mãe, Tem Culpa Eu, Só Vai Quem Chupa e o Boi de Mãinha! Sutileza Absoluta!
E esse, direto de BH: As Virgens do Formigueiro Quente! Parece filme trash! DVD Pirata! Hoje no Telecine Pirata : "As Virgens do Formigueiro Quente". Com Luma de Oliveira, Sabrina Sato e Monique Evans!
E o Carnaval é mesmo um formigueiro quente! Principalmente na Bahia. E diz que a Ivete pula tanto que vai acabar botando um ovo elétrico. Rarará! E de tanto ver baiano pular, cantar, dançar e requebrar, chego a uma conclusão: baiano não tem osso! Rarará!
E já tão chamando a Beyoncé de Bionça. Cuidado que a Bionça avonça! Rarará! E eu adoro aquelas peladas na avenida: "Quero agradecer ao estilista tal por ter criado minha fantasia". Aí você vai ver e é um fio dental de strass. Estilista de perereca! Aliás, as peladas fazem tanta plástica que ficam parecendo um OSNI! Objeto Sexual Não Identificado! É mole? É mole, mas sobe. Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece.
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Pirassununga, interior de São Paulo, tem o bar do Gospe Grosso! Eu não vou lá corrigir senão ele me dá uma gusparada grossa na cara. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Pulular": companheiros pulando atrás do Lula. Vão levar cada morteiro. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza.
Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E Vai-Vai indo que eu não vou!

ANCELMO GÓIS

Samba, suor e cerveja

O GLOBO - 11/02/10


A venda de cervejas da AmBev cresceu mais de 10% neste verão calorento.

TEMPO DE ELEIÇÃO
Até ontem, Lula não havia confirmado sua ida à Sapucaí.
MAS...
Madonna, que esteve ontem com José Serra, em São Paulo, deve se encontrar com Dilma Rousseff, domingo, no camarote de Sérgio Cabral na Sapucaí.
ALIÁS...
Em entrevista a Caras, Jesus Luz, o namorado de Madonna, disse sobre o romance:
– Somos duas energias que se encontraram.
Isto quer dizer... não sei.
LARES GERAIS
De Aécio Neves sobre a ida de Lula e da candidata Dilma a Minas, terça, para inaugurar apenas 98 casas:
– Eu não consigo tempo nem para inaugurar 500...
O governador construiu, até agora, 23 mil casas pelo programa Lares Gerais.
PENSE NO HAITI
Começa a ganhar forma um grande show, dia 6 de março, na Praça da Apoteose, no Rio, em prol das vítimas do Haiti.
JAGUARIBE EM LONDRES
O novo embaixador em Londres será Roberto Jaguaribe.
GALVÃO EM TÓQUIO
O novo embaixador em Tóquio será Marcos Galvão.
HÁ TESTEMUNHAS
Domingo, na sessão de 15h55m do filme High School Musical no Cinemark Downtown, no Rio, um guri de uns 6 anos virou-se para a mãe e disse alto, para a gargalhada geral:
– Mãe, cadê o controle remoto para mudar o canal?!
VANDRÉ É POP
Um turista brasileiro é testemunha. A música Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, na voz de Simone, é a mais tocada nas boates de Ibiza ultimamente.
O sucesso é tanto que o público espanhol pede bis.
OU SEJA...
Uma música de protesto, que nasceu em plena ditadura militar brasileira, se transforma, com o tempo, numa canção inocente, como aconteceu com Che Guevara, que virou pop.
PARIS É UM PERIGO
Segunda, no saguão do Hotel Pullman, quatro estrelas, em Paris, às 19h30m, uma brasileira esperava condução para o aeroporto quando... Pega ladrão!
Um larápio levou sua mochila com laptop, iPod, câmera, passaporte, dólares... tudo. No lugar, o ladrão deixou outra mochila com uma toalha velha dentro. Deve ser terrível... Você sabe.
DIA DA DEDADA
A vereadora Tânia Bastos quer criar o dia da... Dedada.
É sério. O projeto de lei número 190/2009 institui o Dia Municipal de Combate e Conscientização do Câncer de Próstata no calendário oficial de eventos do do Rio. Deve ser votado após o carnaval.
POLO RIO CINE, VÍDEO
Está em fase conclusiva na 3 Vara Cível do TJ do Rio um processo da construtora Carvalho Hosken contra a prefeitura. O litígio se refere a uma área na Barra, onde, nos anos
1980, foi construído o complexo Polo Rio Cine, Vídeo.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Pátio de escola

O GLOBO - 11/02/10


Pastores de igrejas fundamentalistas americanas que combatem o governo do Barack Obama estão dizendo a seus fiéis que é permitida a chamada prece imprecatória. Ou seja, rezar pela morte de alguém. Alguns milhares de cristãos devem estar pedindo a Deus que leve o Barack e salve os Estados Unidos do socialismo e de outras obras do diabo, como assistência médica para todos. Consolemo-nos, portanto. Mesmo no começo de um ano eleitoral não se tem notícia de ninguém no Brasil que esteja rezando pela morte de um adversário. Talvez uma crisezinha de pressão, mas nada além disso. Na verdade, mais do que moderado, o debate político brasileiro está decididamente infantil. O artigo do Fernando Henrique convidando à comparação entre seu governo e o do Lula e a resposta do Planalto reduziram o embate a um desafio de pátio de escola. Meu social é maior do que o seu! Vai acabar com todo o mundo no gabinete do diretor.
O PT não quer outra coisa do que a comparação. Em primeiro lugar porque Serra representando o governo FHC é menos preocupante do que o Serra como novidade. E também porque, como mostrou aquela insuspeita reportagem da Folha de São Paulo na terça feira, no puro cotejo de números com números, reconhecidos todos os méritos do governo anterior, o atual leva vantagem. E seu social é maior.
Mas o importante é que o ano eleitoral começa sem ninguém querendo morder a carótida de ninguém. Ou pedindo que Deus intervenha no processo.
LÍNGUAS
Certa vez fizeram uma pesquisa entre 15 mil ingleses que concluiu que a palavra mais bonita do seu idioma é “serendipity”. Tradução imprecisa: a sensação de descobrir algo desejável por acidente. Entre as outras palavras bem votadas, algumas obviedades – “love”, “peace”, “hope”, “faith”, “compassion”, “home” – amor, paz, esperança, fé, compaixão, lar, tudo o que a gente quer – e algumas curiosidades, como “onomatopoeia” e “football”. E “Jesus” e “Money” empatados em décimo lugar. Acho que os ingleses votaram mais na coisa (“fuck” não fez feio) do que no seu nome. “Football” bonita? Pensando bem, uma palavra terminada em “dipiti” a mais bonita de todas? É preciso ser inglês.
Como seria uma lista parecida no Brasil? Meu voto para a palavra mais bonita do português iria para “sobrancelha”. Segundo lugar, “sândalo”. A mais feia? “Seborréia”. Pior, até, do que “onomatopéia”. Desconfio que nós, os latinos, pesquisados, tenderíamos mais para o nome do que para a coisa, para o som da palavra mais do que para o que ela representa. Nossas línguas seriam mais abstratas do que o utilitário inglês e o preciso alemão, que nunca são falados com o gosto, com o puro prazer de saborear a pronúncia, que os italianos falam a sua, por exemplo. Mas teses sobre os povos e sua relação com seus idiomas são sempre arriscadas. O Jorge Luis Borges flagrou um paradoxo: os escritores mais representativos de cada país são sempre pouco característicos do seu povo. Nada menos típico da Inglaterra do “understatement” do que o espalhafatoso Shakespeare, que Borges considerava mais italiano ou judeu do que inglês. Nada menos alemão, com sua tolerância, seu antifanatismo e sua indiferença ao conceito de pátria, do que Goethe. Victor Hugo, com seus “grandes cenários e vastas metáforas”, segundo Borges, tem pouco do especifismo francês. E a Espanha é representada por Cervantes, um contemporâneo da Inquisição tolerante, um espanhol que satirizava a paixão. No fim todo o mundo, quando pensa formalmente na língua que fala, pensa em outra língua.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Time que não joga não forma torcida”
PRESIDENCIÁVEL CIRO GOMES (PSB), SOBRE O “SILÊNCIO” DO PSDB NA DISPUTA À PRESIDÊNCIA

STJ DEVE AFASTAR ARRUDA DO GOVERNO DO DF
O Superior Tribunal de Justiça deve conceder medida cautelar, a qualquer momento, determinando o afastamento do governador José Roberto Arruda de suas funções. A prisão preventiva por enquanto está descartada. A tentativa de obstruir a instrução criminal da Operação Caixa de Pandora, atribuída a Arruda, provocou grande revolta no STJ. Ministros acharam um “deboche” a tentativa de subornar testemunha.
BLINDAGEM DE LATA
A medida cautelar do STJ supera a Lei Orgânica do DF, que condiciona ação judicial contra o governador à autorização da Câmara Legislativa.
DECISÃO TOMADA
A decisão de adotar medida dura contra o governador do DF é anterior à iniciativa da OAB de pedir o afastamento e até a prisão dele.
INTERFERÊNCIAS
O afastamento Arruda do cargo, segundo entendimento consensual no STJ, será suficiente para impedir novas interferências no processo.
HC PREVENTIVO
Pelo sim, pelo não, a defesa de Arruda ingressou ontem no STJ com um pedido de habeas-corpus preventivo para impedir sua prisão.
DEPOIS DA MANSÃO, A UPA DE SÉRGIO CABRAL
O desembargador Bernardo Garcez Neto, do Tribunal de Justiça do Rio, concedeu liminar obrigando o secretário de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, a fornecer em 24 horas cópia da licitação e o valor pago por cada Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O mandado de segurança é do advogado Jamilton Damasceno, o mesmo que pediu reabertura do da investigação da mansão do governador Sérgio Cabral (PMDB).
FECHADO
Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, assumiu o controle da Constran, ex-Olacir de Moraes, uma das dez maiores construtoras do País.
TIRO NO PÉ
O Produto Interno Bruto do agronegócio caiu 6% em 2009 – ou R$ 45 bilhões a menos que os R$ 764 bilhões de 2008. Já as ações do MST...
ANÁLISE ENERGIA
Saiu o anuário Análise Energia 2010, edição bilíngue com tudo sobre biodiesel, eólica, etanol, gás natural, hidrelétrica,
nuclear, petróleo, etc.
CUMPLICIDADE
São uns artistas: o sistema de ponto do Senado permite que diretores e chefes de gabinete que faltem ao trabalho tenham o ponto abonado pelo subordinado que receber essa delegação do próprio faltoso.
SEM OPOSIÇÃO
O deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) aposta que Dilma Rousseff “vai ganhar fácil” a eleição para presidente: “A oposição não tem discurso e ainda precisa que FHC entre em cena para se motivar. Assim não dá”.
FANTASMA DAS “CAIXINHAS”
A condenação da ex-vereadora Myrian Athié (PPS) envolve Gerson Bittencourt, secretário de Transportes de Campinas (SP) ligado ao deputado Jilmar Tato (PT), por suposto favorecimento de empresa de ônibus quando presidia a SPTrans, na gestão de Marta Suplicy.
CARO REBOLADO
Rebolado de sambista mudou de nome: a Ceade, estatal de águas do governo do Rio, pagará R$ 309,9 mil pelo patrocínio e “exposição institucional” em um concurso de mulatas na Barra da Tijuca.
PASTILHA DE MENTA
“Assessor especial” da popstar, foi Jânio Quadros Neto quem intermediou o encontro ontem de Madonna com o governador tucano José Serra, sem avisar que ela dá umas baforadas de vez em quando.
ÍNDIO QUER APITO
Após negociar com os americanos a venda de crédito de carbono por US$ 600 milhões durante meio século – como revelou a coluna, em março de 2009 –, o indígena Eliezio Marubo agora quer ser deputado.
LUSOFONIA
O 1º Congresso dos Advogados de Países de Língua Portuguesa, de 22 a 24 de março em Lisboa, debaterá a construção da democracia em países recém-saídos de guerras, como Angola e Moçambique.
BYE, BYE, AYISSI
Há três dias em Brasília, o chanceler de Camarões, Henri Eyebe Ayissi, aparentemente sem ter o que fazer, gastou a quarta-feira atrapalhando o trânsito. Por onde andou, o tráfego era paralisado pelos batedores.
PENSANDO BEM...
...Lula vai ao Sambódromo porque Deus não pode ser ofuscado por Madonna e Jesus.

PODER SEM PUDOR
UM BARÃO NO PCDOB
Era deputados na mesma época, no início dos anos 90, e em comum só o fato de residirem no mesmo prédio, em Brasília. O direitista Cunha Bueno (PP-SP), monarquista fanático, e Haroldo Lima (BA), um dos mais barulhentos esquerdistas da História da Câmara. Numa rara conversa entre eles, Lima revelou um segredo: “meu avô era barão”. Buenos gargalhou:
– Então estamos conversados: quando a monarquia for restabelecida no Brasil, você voltará a ser chamado de barão. Barão Vermelho!

VIDA DE GADO

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Receita simplifica o IR para 10 milhões e aposenta papel


- Estadão: Irã sofre sanções unilaterais dos EUA


- Correio: Juros em alta no cheque especial e no crediário


- Valor: BNDES amplia apoio às múltis verde-amarelas