sexta-feira, fevereiro 05, 2010

ARI CUNHA

Saudade do amigo


Correio Braziliense - 05/02/2010

Doutor Ernesto Silva acompanhou o general José Pessoa em 1955, quando se sonhava com Brasília. Foi o primeiro a ser nomeado por Juscelino Kubitschek na Novacap, como diretor administrativo. A época era de política braba. O diretor financeiro era da UDN e sentia a necessidade de fiscalizar as construções. Ernesto Silva era o trabalho, o entusiasmo jovem de quem deseja realizar na vida. Embutido no interesse pela cidade criada na prancheta, embrenhou-se no cerrado para ver a construção surgir. Morava aqui desde o começo da construção. Começou no escritório no Rio, para depois vir para Brasília, na sede de madeira da antiga Novacap. Viveu trabalhando e feliz. Cuidando da saúde, existiu até os 95 anos, quando se despediu da vida.


A frase que não foi pronunciada

“A dúvida é o princípio da sabedoria.”
» Regra para votar certo em 2010.

Suor

»
Falta d’água durante o carnaval é o pesadelo de muitas cidades no Brasil. Chega a notícia de que tudo será diferente em Olinda. Os foliões podem esperar a evolução de 70 para 130 litros por segundo. O Galo da Madrugada promete.

Qualidade

»
Lançada a família de cédulas do real. São realmente encantadoras. Excelente qualidade. Mas isso não quer dizer que os falsificadores terão dificuldades para reproduzir as notas. Em Atlanta, alunos do ensino médio reproduziram o dólar nos equipamentos da escola. Deram uma dor de cabeça danada ao FBI.

Alegria

»
Em 10 dias, Renata Jambeiro vai gravar o samba exaltação em homenagem aos 50 anos de Brasília. Neusa França compôs letra e música, em que cita Ernesto Silva, JK, Niemeyer e Lucio Costa. Neusa, autora do Hino de Brasília, continua com a energia de sempre dedicada à cultura da capital.

Tristeza

»
“Contra o desmando, a exploração, fora o bando da corrupção! Vamos além! Seja onde for, prendam também o corruptor. Nossa cidade especial quer igualdade e justiça social.” Esse é o trecho final do Auto do pesadelo, de Dom Bosco, criativa ópera do maestro Jorge Antunes. Na peça, não cai o pano.

Solução

»
Faz tempo que Luziânia é local de desaparecimento de jovens. Estatísticas do estado de Goiás mostram que mais de 40% dos casos acontecem na pequena cidade. O caso não é de CPI, com políticos dando declarações. De casos assim é que se vê a necessidade de polícias integradas: civil, militar e federal.

Calma

»
Depois de engolir vários sapos indigestos, o presidente do PSDB chamou de terrorista o texto do governo sobre possíveis alterações no programa Bolsa Família. Exagero. Outras leituras indicam a humildade do PT em reconhecer que alguma coisa pode mudar.

Prevenção

»
Por falar em terrorismo, usando equipamentos modernos, a polícia de São Paulo simulou ataque a avião brasileiro. É um ensaio para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Plantações

»
Vendo o Haiti com o mundo mobilizado para ajudar, vem à mente a carta do cacique Seatle. Além da lição inesgotável do amor à natureza, aplicada ao Haiti, valeria o trabalho pela comida que nasce do chão. Plantar é a salvação mais rápida.

Popular

»
Justamente por ser ano eleitoral, o Congresso deveria apreciar o projeto sobre os candidatos com ficha suja. Um milhão de assinaturas renderiam muitos votos. O deputado federal Carlos Willian concorda, mas acha que não há tempo hábil para a votação.

História de Brasília

Já estão se acostumando os funcionários públicos com o novo horário. O professor Carvalho Pinto é que perdeu com a história, porque desde o começo do mandato, esse era o intuito dele. E agora não pode alterar o horário de trabalho, porque vão dizer que o “professor está recebendo lição do discípulo”. (Publicado em 24/2/1961)

RUY CASTRO

O mergulhão morreu em vão

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/02/10


RIO DE JANEIRO - Há dez anos, a foto (por Domingos Peixoto) de um mergulhão todo sujo de óleo, saindo com dificuldade da água escura e lutando para respirar numa praia também manchada de óleo, comoveu o mundo. Ele era uma das vítimas do vazamento de 1,3 milhão de litros de um duto da Petrobras na baía de Guanabara, que matou milhares de aves e toneladas de peixes, contaminou manguezais sem conta e influiu diretamente na cadeia de vida no mar. Foi a maior tragédia ambiental na história da baía.
A imagem do mergulhão asfixiado era uma dura condenação da ação miserável do homem, de seu devastador domínio sobre a natureza. Conheço gente que ficou sem dormir por isso. Não se tratava apenas de um ser em agonia, mas do que ele representava -as muitas famílias, humanas ou não, que, como ele, tinham perdido seu ambiente e sustento. Algumas dessas famílias nunca se recuperaram, e boa parte do óleo continua até hoje no fundo da baía.
Onze funcionários da Petrobras foram processados. Dez anos depois, o processo terminou, e com o resultado que se esperava: todos, de um jeito ou de outro, absolvidos. Nem a angustiante figura do mergulhão conseguiu sobrepujar as firulas e tecnicalidades jurídicas que levaram à absolvição.
Ouço dizer que, na época da calamidade, os sistemas de controle dessas agressões pelo Ibama eram muito mais tíbios e que, hoje, a Petrobras não se safaria tão facilmente. Leio também que a própria Petrobras, prevenindo zebras, passou a investir mais na gestão ambiental.
Quero crer. Até lá, vale o que um cético disse outro dia: exceto se for pobre, ninguém vai preso no Brasil; se preso, não será julgado; se julgado, não será condenado; e, se condenado, não terá de cumprir a pena. O mergulhão morreu em vão e pelos pecados de todos nós.

DINHEIRO PARA CAMPANHA

LUIZ GARCIA

Com meia tromba

O GLOBO -05/02/10

Entende-se que um pai dê mais atenção aos filhos que gerou, e olhe menos pelos que a mulher trouxe do primeiro casamento. Mas não muito menos: afinal, a união é um pacote fechado. Não é justo deixar de lado os meninos, mesmo que tenham cara e jeito daquele cafajeste com quem madame teve o azar ou o mau gosto de se juntar.

Isso também vale para administradores públicos: sempre, ou quase sempre, a obra que o antecessor começou e deixou quase pronta, mesmo que seja o equivalente de uma manada de elefantes brancos, deve ser levada até o fim.

A não ser que fique mais barato para o contribuinte botar tudo no chão. Não parece que seja esse o caso com a Cidade da Música, que o ex-prefeito César Maia teve a má ideia e o mau gosto de plantar no meio de um cruzamento na Barra da Tijuca — e que o seu sucessor aparentemente prefere fingir que não existe.

Um levantamento apresentado pela vereadora Andréa Gouvêa Vieira, aproveitando dados apurados por uma CPI, é um bom retrato do problema. O dado obviamente mais importante é o financeiro. A obra já consumiu R$ 440 milhões, e os empreiteiros pedem mais R$ 230 milhões.

O prefeito Eduardo Paes só se dispõe a gastar R$ 50 milhões.

O arquiteto — um francês chamado Christian de Portzamparc, aparentemente contratado por César Maia devido à falta de bons profissionais brasileiros — alega que sua supervisão é indispensável para a conclusão da obra, e Paes se recusa a contratá-lo. No que até pode ter alguma razão: visto de fora, o elefante branco parece mesmo, como diríamos, paquidérmico.

Gosto não se discute, mas o destino de verbas públicas certamente merece atenção. A construção da Cidade da Música, ao preço previsto de R$ 670 milhões (se os empreiteiros acabarem obtendo da Prefeitura tudo o que pedem), é investimento altamente discutível.

No fim das contas — se as contas realmente chegarem ao fim — os poderes municipais terão de decidir o que é mais barato e vantajoso para a cidade. Completar a obra? Ou deixar o elefante branco do jeito que está, com meia tromba, como uma espécie de monumento à incompetência, ou coisa pior, de nossos administradores?

NELSON MOTTA

O eixo da insanidade


O Globo - 05/02/2010

Como uma tendência da vontade popular e esperança de progresso, em vários países da América Latina a esquerda está no poder. Mas há esquerdas e esquerdas, como no PT. Brasil e Chile, e os não esquerdistas México, Colômbia e Peru, mostraram que a estabilidade, a democracia, o respeito à Constituição e aos contratos permitiam manter e ampliar políticas que levam ao desenvolvimento econômico e à diminuição da pobreza. E atraem investimentos internacionais.

Mas Chávez não acredita nisso.

Acha que pode atropelar a lógica, a ética e a matemática, e transformar a Venezuela em um Cubão. Com seu petróleo e meia dúzia de países pequenos e atrasados — de grande só a Bolívia, que é atrasadíssima — criou sua aliança bolivariana pelo socialismo, a Alba, onde manda e desmanda.

A Nicarágua sandino-bolivariana vai muito mal. E a vizinha Costa Rica, muito bem. Por que será? Cuba continua racionando comida, energia e liberdade, sem a menor esperança de alívio. A tentativa de bolivarizar Honduras deu no que deu.

Na Argentina, os Kirchner, que receberam maletas com milhões de dólares de Chávez para a eleição de Cristina, perderam a maioria no Congresso e enfrentam uma grave crise econômica, sufocados pela dívida externa e pelo ambiente de confronto que criaram com a mídia e a oposição.

Evo, coitado, foi reeleito, deu mais poder aos indígenas, mas, sem dinheiro nacional ou internacional, a Bolívia vai continuar vivendo de coca e gás.

Rafael Correa não é um boçal como Chávez: formado em economia nos Estados Unidos, conhece por dentro o sistema que quer mudar. Gosta de uma bravata, mas se mostra mais civilizado e menos autoritário na sua ação política. Mas, sem investimentos, o Equador não cresce.

Qualquer idiota sabe que as chaves do desenvolvimento — capitalista ou socialista — são investimentos maciços em educação e infraestrutura.

E quem vai investir em países que odeiam o capital e não respeitam contratos, em nome da pátria, do socialismo ou da muerte? Como num Rei Lear de sombrero, são cegos guiados por loucos. Em vez do socialismo do século 21, Chávez criou o eixo da insanidade.

GOSTOSAS

REGINA ALVAREZ

Sinais da ata

O Globo - 05/02/2010


Não é só o desejo do mercado. A ata do Copom deixou claro que o Banco Central prepara o terreno para a elevação dos juros no curto prazo. O mercado discute agora se a primeira alta será em março ou abril, mas os sinais do BC indicam que a decisão já estaria tomada. Assim, o que parece cada vez mais difícil de se concretizar é o desejo da outra banda da equipe econômica, contrária à elevação dos juros

A ata divulgada ontem tem um sentido de urgência que não estava na anterior.

Cresceu a preocupação com as pressões sobre a demanda e a trajetória da inflação. Como destaca a análise da Consultoria LCA, os trechos em que o BC avaliava essa trajetória como “contida” e “benigna” foram substituídos por uma nova redação que alerta para os riscos de elevação da inflação.

A avaliação sobre a ocupação da capacidade instalada na indústria também mudou, mostrando com mais nitidez a preocupação com o esgotamento da ociosidade decorrente da retomada da demanda doméstica. “Nesse ambiente, cabe à política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos”, diz um dos trechos do documento.

Ao tratar da política fiscal, o BC incorporou informações novas à ata, que apontam para uma pressão maior dessa variável sobre a demanda, explica Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil. O BC passou a trabalhar com um superávit primário de 2,18% do PIB em 2010, descontada a parcela relativa aos gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da meta global de 3,3% do PIB. Isto porque resolveu contabilizar não apenas a parcela de gastos do Orçamento de 2010, mas também os restos a pagar de 2009 transferidos para este ano. Somadas, essas despesas chegariam a 1,12% do PIB. Na ata de dezembro, a estimativa era de que fossem descontadas despesas de 0,68% relativas ao PAC da meta cheia.

— Se alguém tinha alguma dúvida de que o BC pretende elevar os juros no futuro próximo, pode dirimila com a leitura da ata.

Agora a discussão é outra: quando (março ou abril) e de quanto será a alta — afirma Leal.

Aversão ao risco I
Produzido pela Galanto Consultoria, o gráfico acima mostra o comportamento dos títulos públicos nos países da Europa que enfrentam grave crise fiscal. A situação da Grécia, Portugal e Espanha contribuiu fortemente para as turbulências de ontem nas bolsas do mundo. Os investidores estão cobrando um prêmio maior do governo para comprar esses títulos: — Esse aumento mostra que os governos terão dificuldade para se financiar e honrar compromissos. É uma crise semelhante a que o Brasil enfrentou nos anos 90 — explica Monica de Bolle, economista da Galanto.

Aversão ao risco II
O gráfico acima é outro sinal de que a crise global não chegou ao fim. A cotação do ouro, considerado um dos ativos mais seguros pelos investidores, permanece alta.

Os preços estão acima dos registrados em dezembro de 2008, indicando que a aversão ao risco está forte. Se em 2008 a onça estava cotada na casa de US$ 800, este ano se mantém acima de US$ 1.100. A projeção da RC Consultores é uma cotação de US$ 1.050 no final do ano.

MÔNICA BERGAMO

Dá até dó

Folha de S.Paulo - 05/02/2010


Sabrina Sato, apresentadora do programa "Pânico na TV", é a capa da revista "RG Vogue" que chega às bancas hoje. A madrinha de bateria da Gaviões da Fiel emula o discurso de nove entre dez famosas consideradas beldades: diz que nem se toca da condição. "Na maioria das vezes, me acho horrorosa. Sou superinsegura, fui um pau de magra na adolescência. Coloquei silicone porque parecia uma formiga, com nada em cima e uma bunda grande."

Lindsay na lista
Além de Madonna e Paris Hilton, a atriz Lindsay Lohan também é presença aguardada no Carnaval do Rio. Ela confirmou presença no camarote da Brahma.

FÓRUM APAGADO
O Fórum Criminal da Barra Funda vive às voltas com faltas temporárias de luz. Na segunda-feira, a energia elétrica caiu 11 vezes. No dia 26 de janeiro, a queda durou das 17h45 às 22h25. O Tribunal de Justiça de SP diz que o problema se deve a fatores externos e que o prédio tem geradores para amenizar os apagões.

ANTES DO TEMPORAL
As enchentes com hora marcada (sempre por volta das 17h) que atingem SP há mais de 40 dias mudaram os hábitos dos visitantes dos museus da cidade. "Desde o início dos dilúvios, 70% das pessoas passaram a vir até as 14h e os grupos preferem agendar as visitas para a parte da manhã", diz Antonio Carlos Sartini, diretor do Museu da Língua Portuguesa.

DEPOIS DO TEMPORAL
No Masp, onde a maior parte dos visitantes chegava depois das 15h, a frequência passou a ser mais diluída ao longo do dia. O museu também verificou que, às quintas-feiras, quando fica aberto até as 20h, as pessoas têm esticado o passeio, para fugir da chuva e do trânsito.

COPA DA PLACA
No Rio, a Coca-Cola foi notificada pelo Ministério Público pelos outdoors da chegada da Taça Fifa, mas em SP, terra da Lei Cidade Limpa, a divulgação nas ruas está liberada. A prefeitura permitiu decoração de uma passarela na praça da Bandeira e a réplica de um cofre na praça do Patriarca com as cores da marca e indefectível silhueta das garrafas do refrigerante.

PARA A CIDADE
"Os eventos que são importantes para a cidade são tratados de forma diferenciada", diz Regina Monteiro, presidente da comissão municipal de paisagem urbana, que delibera sobre a aplicação da Lei Cidade Limpa e que liberou os anúncios, com a condição de que não exibissem a marca Coca-Cola.

GP DA PLACA
E a comissão deve discutir nos próximos dias o pleito dos patrocinadores de outro evento "importante para a cidade": a corrida da Fórmula Indy, em torno do Anhembi.

EM SANTOS E NO OSCAR
Marcelo de Moura, o paulista de Santos que produziu boa parte da animação "The Secret of Kells", indicada ao Oscar 2010, prepara em parceria com Diler Trindade um longa nacional: "Max, o Menino Mágico".

DE: LULA
Já está nas mãos do presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, a carta em que o presidente Lula pede para que o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 48, não seja executado no país asiático.

Trata-se de um reforço para o segundo pedido de clemência no caso, ainda não respondido, em que Lula pede "generosidade" na avaliação.

PARA: YUDHOYONO
Moreira foi condenado à morte em 2004 após tentar entrar com 13,4 kg de cocaína na Indonésia. Tenta reverter a pena para prisão perpétua. Carolina Archer, 70, mãe de Marco, diz que está esperançosa. "Agora é esperar. Vamos ver o que acontece", afirma.

SAMBA ATRAVESSADO
Líder da turma do pagode na seleção brasileira, Robinho vai ter que passar seu primeiro Carnaval na volta ao Santos longe da batucada. O técnico Dorival Júnior não deu folga para a equipe no feriadão. Marcou treino para a segunda-feira de Carnaval, porque o Peixe joga na quinta, dia 18, contra o time do Bragantino.

DISCRETA
Uma assessoria de imprensa disparou releases anunciando que a Mulher Samambaia (Danielle Souza) foi eleita "o bumbum mais bonito do Brasil" na pesquisa de uma revista, mas sonegou a "plataforma de campanha" da candidata. Nos e-mails, só enviou fotos da modelo de frente.

CURTO-CIRCUITO
A PEÇA "Corte Seco", de Christiane Jatahy, estreia hoje, às 21h, no teatro do Sesc Consolação. Classificação etária: 14 anos. A FESTA Tô Mara, com discotecagem de integrantes das bandas Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê e cover de Bon Jovi, estreia hoje, às 23h, na FunHouse. Classificação: 18 anos.
A CANTORA Wanderléa se apresenta hoje, às 21h, no projeto "Influências", no Sesc Vila Mariana. Classificação: 12 anos.
O CANTOR Nando Reis faz show hoje, às 23h, no Sesc Oi Noites Cariocas, no Píer Mauá, no Rio. Classificação: 18 anos.
O GRUPO de cinemas Espaço/Arteplex recebeu pela segunda vez o prêmio de melhor equipe de programação e melhor empresa exibidora de 2009 do Sindicato dos Exibidores.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ADRIANO PIRES

A volta da gasolina


O Globo - 05/02/2010

Desde os choques do petróleo ocorridos na década de 70 que o mercado de combustíveis no Brasil é caracterizado por uma ciclotimia. Nos anos 60, antes dos choques do petróleo, a gasolina era dominante no uso veicular e o Brasil exportava excedentes de diesel. O primeiro choque do petróleo, no início da década de 70, trouxe alterações marcantes.

O governo, preocupado com o impacto do preço dos derivados sobre a inflação, transferiu o aumento do petróleo no mercado internacional somente para os preços da gasolina, subsidiando o diesel. Essa política levou a um fenômeno que ficou conhecido como a “dieselização”.

Em 1975 ocorreu o lançamento do Programa Nacional do Álcool — PróÁlcool.

Inicialmente, o governo obrigou a mistura de álcool anidro à gasolina e, diante do segundo choque do petróleo ,em 1979, incentivou as vendas dos veículos a álcool hidratado, o que serviu para reduzir ainda mais o mercado da gasolina. Assim, as décadas de 70 e 80 foram caracterizadas pela perda do mercado de gasolina para o álcool e o diesel.

Com a queda do preço dos derivados de petróleo no contrachoque do petróleo, a partir da segunda metade dos anos 80, o álcool começou a perder competitividade frente à gasolina.

O golpe final veio com o desabastecimento do produto no fim da década, que desacreditou o veículo a álcool. Com isso, a gasolina voltou a recuperar uma parcela do mercado durante os anos 90.

Nos primeiros anos da primeira década de 2000, três fatores trouxeram uma nova fase para o mercado nacional de combustíveis: o retorno dos altos preços do petróleo, a expansão das redes de distribuição de gás canalizado viabilizada pela chegada do gás natural da Bolívia e o surgimento dos veículos flex-fuel. Nesta nova fase houve o aparecimento do GNV, um combustível até então desconhecido do consumidor brasileiro, e o retorno do crescimento do consumo de álcool.

A diferença nesta nova fase é que a competição entre os três combustíveis se dá na hora de o consumidor reabastecer, já que os novos veículos podem utilizar qualquer um deles.

Ao invés de deixar o mercado funcionar fixando políticas que promovessem a competição entre os três combustíveis, o governo ao primeiro sinal de uma possível falta de gás natural passou a não incentivar mais o uso do GNV. Agora, assustado com o aumento dos preços do etanol hidratado e com uma possível crise de abastecimento, anunciou que vai reduzir a mistura de etanol anidro de 25% para 20% na gasolina a partir de primeiro de fevereiro até primeiro de maio de 2010. Em 2009, os preços do etanol hidratado acumularam valorização de aproximadamente 50% e o seu consumo cresceu 24,4% em relação ao ano de 2008, enquanto o da gasolina, apenas 0,04%. Tudo isso impulsionado pela enorme venda de carros flex. Essa redução da mistura de etanol anidro na gasolina trará algumas consequências imediatas no mercado e podem significar o inicio de um novo ciclo nos combustíveis liderado pela gasolina. A primeira consequência imediata é o aumento do preço da gasolina na bomba. A segunda é que a Petrobras se beneficiará dessa mudança na mistura. Isso porque venderá mais gasolina no mercado interno, que atualmente tem preço mais elevado que no mercado externo. Atualmente, a gasolina no Brasil é 20% mais cara do que no mercado internacional. As distribuidoras também serão beneficiadas, já que as margens da gasolina são melhores do que as do etanol.

E por que um novo ciclo da gasolina? Porque descobrimos o pré-sal. O anúncio da construção de seis refinarias pela Petrobras para processar o petróleo produzido ameaça o etanol e as demais fontes renováveis, pois a promessa do governo de que os derivados produzidos serão exportados pode não ser cumprida. O mercado mundial de derivados apresenta sazonalidades no consumo e volatilidade de preços, e há sempre o risco de essas refinarias passarem por momentos de ociosidade. Nesta situação, pode ser mais interessante para a estatal inundar o mercado interno com derivados a preços artificialmente baixos, trazendo enormes prejuízos aos investidores de etanol. Esta ameaça torna-se ainda mais concreta se houver políticas governamentais populistas de subsídios aos derivados, o que não é raro no Brasil. A conferir.

JOSÉ SIMÃO

Sampa! Depois de "Avatar", "ALAGAR"!

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/02/10


E as novas cédulas do real vêm em tamanhos diferentes, pra caber na meia e na cueca! Rarará!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Direto de Barretos: "Loja de piscina pega fogo"!
E o torpedo da Marta pro Kassab: Relaxa e NADA! E a versão paulista de "Avatar": "ALAGAR"! Em 3D. Rarará! Será que a Beyoncé sabe nadar? E como disse a Nair Bello do Twitter: já estou de capa de chuva na janela aguardando o helicóptero do Datena. Hoje eu apareço na TV! Rarará! Visite São Paulo antes que afunde!
E as novas notas do real? Sabe por que as novas cédulas do real vêm em tamanhos diferentes? Pra caber na meia e na cueca. As menores enfia na meia, e as maiores, na cueca!
A nota de um real devia vir com a cara do Tiririca! E a de quatro reais, a cara do Lula. E a de 171 reais, a cara do Collor. E a nota de R$ 1 milhão? A cara do Silvio Santos. E a nota de R$ 1 trilhão? A cara do Maluf. Gritando de boca aberta!
E nota de cem reais não precisa fazer nova porque toda nota de cem reais é nova! Rarará!
E faltam seis dias pra Grande Festa da Esculhambação Nacional! Na Bahia já é Carnaval. Há anos! Aliás, acabo de receber um e-mail de um amigo da Bahia: "O Carnaval já tá quase acabando e você ainda não veio?". Rarará!
E Belém do Pará vem com a versão de Filhos de Gandhi: Filhos de Glande. O bloco mais democrático do mundo. Todo mundo é filho de glande!
E o prefeito da cidade de Paulista, em Pernambuco, que chamou a Dilma de Dilma Hussein. Ela é prima do Sadam? É! Rarará!
E o grande hit na casa do Kassab é: bolinho de chuva! E cadê o Moisés pra abrir a marginal pra gente passar! Chama o Moisés! Chama o Noé! Chama o César Cielo! Chama o Corpo de Bombeiros. Eu já tô ficando com cara de ácaro! Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Itapissuma, Pernambuco, tem uma rua denominada rua do Caga Ligeiro. Ueba! Parece Dias Gomes. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Hipertensão": companheiro que tem falta de hipertesão! Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
E vai nadando que eu não vou!

O ABILOLADO E SUA CADELA AMESTRADA

MERVAL PEREIRA

Estado forte

O Globo - 05/02/2010


Conversando recentemente com um investidor estrangeiro interessado no que acontecerá no país na sucessão presidencial, me surpreendi com uma pergunta: “Dilma vencendo, não pode ser como na Rússia, com Lula ficando por trás manejando os cordões?”. Se fôssemos uma República parlamentarista, o presidente Lula poderia fazer como Vladimir Putin, que depois de presidir o país por dois mandatos, transformou-se em primeiro-ministro e indicou Dimitri Medvedev para presidente

O que a oposição brasileira acusa como um defeito da candidata oficial, ser um mero títere de Lula, era a esperança desse investidor — dos grandes — de que tudo continuará como está na economia brasileira, com Lula dando seu suporte à sua sucessora.

O modelo “Dilmedvedev” sonhado pelo investidor é o mesmo vendido subliminarmente por Lula ao eleitorado, mas de difícil implementação. É mais provável Dilma, se eleita, ficar dependente de partidos como o PT e o PMDB do que de Lula, pois o presidencialismo brasileiro dá muitos poderes ao presidente da República.

Mesmo o modelo autoritário russo de desenvolvimento só é comparável ao do Brasil para efeitos dramáticos.

Tanto no sistema político quanto no econômico, o modelo russo aproxima-se mais do da Venezuela. Putin pegou a Polícia Política e a transformou no grande esteio do país, com as Forças Armadas.

Na privatização do país, criou uma nova oligarquia econômica, com membros do antigo Partido Comunista, da polícia secreta (KGB) e do Exército. No Brasil, o governo trabalha mesmo com a velha oligarquia.

O que une Rússia e Venezuela é que nos dois vigora o “hiperpresidencialismo”, uma ditadura disfarçada, cuja fronteira para a ditadura é a liberdade de imprensa, que não existe em nenhum dos dois países.

No Brasil, há tentativas seguidas de controle dos meios de comunicação, mas todas até o momento fracassaram com a reação da sociedade civil e do próprio Congresso, que, embora esteja submetido ao Executivo, aceitando essa situação em troca dos mais diversos favores, ainda encontra espaço para reações.

Há uma verdadeira separação dos poderes, com o Judiciário tendo um papel independente mesmo Lula tendo indicado oito dos seus 12 componentes.

Mas o Estado forte tanto serve a um esquerdismo, que ainda viceja em setores do governo, quanto ao nacionalismo estatizante do qual Lula é tão adepto como foi o general Geisel, cujo planejamento estratégico sempre admirou.

Não foi à toa que quando era chefe do Gabinete Civil, o exdeputado José Dirceu, que voltou hoje ao centro do poder no PT e na candidatura Dilma, rejeitou certa vez a comparação com o general Golbery do Couto e Silva, considerado o grande artífice político do governo Geisel, e disse que queria mesmo ser o Reis Velloso de Lula.

Como agora, o governo Geisel acreditava que o Estado tinha que dirigir o desenvolvimento do país. Como não se cansa de repetir Lula, o governo tem que ser o indutor do desenvolvimento.

Foi através do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) que o então ministro do Planejamento, Reis Velloso, estabeleceu as diretrizes econômicas pós-milagre.

Nesse modelo, o governo escolhe as companhias que acredita que, juntamente com o Estado e se possível com multinacionais, criariam um setor hegemônico do ponto de vista econômico, sempre com financiamento do BNDES.

Um modelo semelhante ao de países asiáticos cujos exemplos seriam o Japão, a Coreia, a Indonésia e a Malásia.

Há diversos exemplos, e em quase todos as grandes empreiteiras estão envolvidas: na indústria bélica, a Marinha comprou submarinos da França com a inclusão da Odebrecht como construtora do estaleiro exigida pelos franceses.

A criação da maior multinacional de carne, a JBS, foi estimulada pelo financiamento do BNDES, assim como a fusão da Sadia e Perdigão e a compra da Brasil Telecom pela Oi, que tem como sócio a Andrade Gutierrez.

Mas os maiores lances estão sendo dados através da Petrobras.

A criação de uma empresa para administrar o pré-sal (a Petrosal ou que outro nome venha a ter) aumenta o controle governamental de um setor com fundamental importância estratégica e faz da Petrobras a ponta de uma política industrial que tende a concentrar negócios na cadeia produtiva.

A necessidade de capitalizar a Petrobras só existe porque o governo decidiu que a estatal terá a participação obrigatória mínima de 30% de cada campo do pré-sal, o que exigirá a contrapartida em investimentos que a empresa não é capaz de fazer hoje, e simultaneamente manter a exploração e produção de outros campos fora do pré-sal, que são a nossa realidade no momento.

O discurso ideológico do governo vende a ideia de que é preciso aumentar sua participação acionária, admitindo até mesmo voltar a ser majoritário no capital total da empresa, para que nosso tesouro do pré-sal não seja controlado por investidores privados, especialmente os estrangeiros.

Um falso argumento, pois, nas ações nominativas, de controle efetivo, a União sempre foi e será majoritária.

Segundo José Gabrielli, presidente da Petrobras, as necessidades de investimento da estatal, não apenas no refino, afetam, diz ele, “a capacidade mundial de produção de equipamentos”.

Diante da maior descoberta de óleo no Ocidente em muito tempo, no pré-sal brasileiro, Gabrielli defende que a necessidade de expansão da capacidade mundial de produção de equipamentos para essa indústria ocorra no Brasil. “E para isso o Estado é necessário”.

O governo defende a necessidade de “integração vertical” na indústria do petróleo, dominar da extração à produção de derivados, incluindo a petroquímica e a química. Há também a visão de que é preciso a “verticalização para atrás”, com participação em empresas que são fornecedoras da indústria do petróleo.

Com essa política, todos os grupos nacionais petroquímicos desaparecerem — Ipiranga, Suzano, Unipar, Mariani etc — engolidos pela Petrobras e pela Odebrecht com dinheiro subsidiado do BNDES. O dinheiro não foi para nenhuma fábrica nova e sim para comprar ativos já existentes.

Este é um governo que critica os monopólios, mas adora criá-los.

PAINEL DA FOLHA

Aqui e agora

RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 05/02/10

Com a discussão sobre o vice de Dilma Rousseff em banho-maria, o PMDB, que amanhã realiza convenção para reconduzir Michel Temer à presidência, cuida de assegurar objetivo mais imediato: a manutenção de todas as suas posições na Esplanada depois da saída dos ministros-candidatos. Está decidido que Reinhold Stephanes (Agricultura) será substituído por Wagner Rossi, próximo a Temer. Hélio Costa (Comunicações) transformará o preposto José Artur Filardi Leite, atual chefe de gabinete, em secretário-executivo. O Planalto não morre de amores pela ideia, mas, com o palanque de Minas Gerais em negociação, ninguém quer arranjar encrenca com Costa.




Pré-condição. A cúpula peemedebista admite a possibilidade de Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) não conseguir emplacar o aliado João Santana, atual secretário-executivo, desde que o partido indique o substituto.

Mais um. Para o lugar de Edison Lobão (Minas e Energia) irá seu secretário-executivo, Marcio Zimmermann.

Os outros. Ainda do PMDB, José Gomes Temporão (Saúde) deve permanecer no cargo. O mesmo se diz no Planalto sobre Nelson Jobim, na contramão de seguidos relatos segundo os quais o titular da Defesa estaria de saída.

Deixa pra lá. Lobão teve a ideia de convidar Dilma para a convenção, mas foi demovido, dado o esforço do partido para desvincular a eleição da nova diretoria da tentativa de emplacar Temer na vice.

Rebolado. Do líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves, sobre a dificuldade de acerto com o PT no Pará: "Para a Dilma, a gente deu um bambolê e melhorou muito. Para a Ana Júlia, vamos ter de mandar um monte deles". Em tempo: em 2008, fazendo piada sobre a falta de jogo de cintura de Dilma no trato com os parlamentares, Alves deu-lhe um bambolê de presente.

Paz e amor. Duda Mendonça, que já cuida da imagem da Fiesp, será o marqueteiro da campanha do presidente da entidade, Paulo Skaf (PSB), caso este venha mesmo a disputar o governo paulista.

Tabuleiro. O PSDB fechou um acordo branco com o PMDB do Paraná para não lançar candidato ao Senado, o que facilitará a vida de Roberto Requião. Em troca, o governador promete manter distância de Dilma Rousseff e centrar fogo no PT local.

Palanque. Tucanos anunciam na próxima semana, à revelia de Alvaro Dias, a candidatura do prefeito de Curitiba, Beto Richa, ao governo. "É um encontro de amigos que não tem valor legal nenhum", protesta o senador.

Produções 1. Quem acompanha os bastidores do Arrudagate desconfia da versão segundo a qual o jornalista Edson Sombra recebeu uma oferta de suborno de R$ 200 mil para "moldar" seu depoimento à Polícia Federal.

Produções 2. Amigo de Durval Barbosa, o gravador-geral do DF, Sombra tem cópia de todos os vídeos do mensalão. O dinheiro teria sido ofertado para comprar o material, objeto do desejo de uma longa lista de envolvidos.

Ficha. Luiz Paulo Barreto, provável sucessor de Tarso Genro (Justiça), foi vetado em 2006 quando Lula o indicou ao Superior Tribunal Militar. À época, a OAB argumentou que ele tinha se filiado à entidade havia poucos meses -e um dos requisitos era ter experiência como advogado.

Braços. Uma das principais diferenças entre o perfil de Tarso e o de Barreto é a ligação do substituto com a Abin.

Pires. As frentes de prefeitos já têm um novo mote para protestar contra a União: o piso salarial para agentes de saúde, que deverá causar impacto de R$ 858,5 mi por ano no caixa dos municípios.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

Em breve esses surfistas de enchente vão fazer "top-top" para as vítimas da chuva.

Do deputado MENDES THAME (PSDB SP), sobre as críticas de petistas ao governo de São Paulo diante dos estragos causados pelas chuvas.

Contraponto

Primeira pedra Na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o deputado Paulinho da Força (PDT) foi o anfitrião ontem do último evento da Caravana da Anistia comandado por Tarso Genro, que na semana que vem deixa o Ministério da Justiça para se candidatar ao governo gaúcho.
-Vivi pouco a ditadura, mas lembro de um choque entre 200 cavalos da PM e 200 estudantes!
Diante da plateia atenta, Paulinho continuou:
-Eu mesmo atirei um tijolo nos policiais!
Quando todos esperavam ouvir o relato da prisão do jovem manifestante, Paulinho concluiu, quebrando o clima:
-Mas aí corri rapidinho pra dentro da igreja...

GOSTOSA

ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK

O lulismo e o pulo do gato

O ESTADO DE SÃO PAULO - 05/01/10


Vem dando o que falar o artigo de André Singer - Raízes sociais e ideológicas do lulismo - publicado na revista Novos Estudos, do Cebrap, disponível em http://novosestudos.uol.com.br/acervo/download.asp?idMateria=1356. O autor, professor do Departamento de Ciência Política da USP, foi porta-voz da Presidência da República durante o primeiro mandato do presidente Lula.

Uma preocupação central do artigo de Singer é entender o "pulo do gato" que levou à espetacular votação que Lula teve entre eleitores de "baixíssima renda" em 2006, em contraste com o que havia ocorrido em eleições anteriores, inclusive na de 2002. Votação providencial, porque "salvou o presidente da morte política a que parecia condenado pela rejeição da classe média", na esteira dos escândalos do primeiro mandato.

André Singer está convicto de que, além do Bolsa-Família e dos reajustes do salário mínimo, o compromisso de Lula com a manutenção da estabilidade macroeconômica cumpriu papel fundamental na conquista desses votos. Não chega a ser uma constatação nova. Tendo em vista que famílias de baixa renda são particularmente vulneráveis à instabilidade macroeconômica, isso já deveria ser ponto pacífico. Mas a verdade é que, para boa parte do PT, ainda não é. Persiste no partido resistência visceral à ideia de que os mais pobres possam ter sido os grandes beneficiários da decisão de Lula de manter - e aprofundar - a política macroeconômica de FHC. E é essa resistência que talvez explique a defesa alongada que Singer faz de tal ponto no artigo.

Repisado o ponto, Singer propõe que o duplo compromisso de Lula - com a estabilidade e com a ação distributiva do Estado - seja visto como o traço distintivo do que rotula de "lulismo". Neologismos à parte, a caracterização não parece fora de propósito, desde que restrita ao primeiro mandato de Lula. Mas mostra-se pouco aderente à realidade se estendida ao segundo mandato, quando, de um lado, o compromisso com a estabilidade se vem esvaindo a olhos vistos e, de outro, a ação distributiva em favor dos mais pobres vem sendo ofuscada por farta e crescente distribuição de benesses aos mais ricos nos guichês de favores do governo. O lulismo de 2010 já não é o de 2006.

No início de 2006 Antonio Palocci ainda era ministro da Fazenda. Muita coisa mudou desde então. Em meados de 2008 o compromisso com a estabilidade havia quase desaparecido. Resistia com grande dificuldade, acuado num último reduto no Banco Central, enfrentando a hostilidade escancarada da Fazenda, da Casa Civil e do resto do governo, em meio a notícias de que Henrique Meirelles estava prestes a ser substituído. Não fosse a injeção de bom senso que adveio da apreensão com os possíveis desdobramentos da crise financeira mundial, esse derradeiro reduto poderia ter sido subjugado.

Mas a crise trouxe também outras mudanças. Foi a desculpa que faltava para o governo relaxar de vez a política fiscal e montar às pressas ampla bateria de programas "pró business", movidos a dinheiro público e favores do Estado. Comparado aos generosos subsídios implícitos e explícitos envolvidos nesses programas, que hoje se estendem do BNDES ao pré-sal, o Bolsa-Família perde expressão. É o governo tentando minorar a concentração de renda com a mão esquerda enquanto alegremente a agrava com a direita.

Com o avanço do ano eleitoral, o governo vem tendo de lidar com as tensões da busca de dois objetivos incompatíveis. De um lado, quer a todo custo viabilizar a vitória de sua candidata com nova e vigorosa expansão de gasto público. De outro, está agora preocupado em manter as aparências e tentar restaurar, na reta final, parte da velha imagem de compromisso com a estabilidade macroeconômica que tanto lhe valeu em 2006. Até mesmo o ministro Mantega achou de bom-tom passar a desfilar seu recém-estreado lado austero.

Mas não vai ser tão fácil. Inclusive porque, desde 2005, a candidata oficial vem tendo atuação persistente e conspícua na resistência à condução de uma política macroeconômica coerente. Em vista dessas dificuldades, tem sido aventada até a possibilidade de que Henrique Meirelles, filiado ao PMDB, seja convocado para ser o candidato a vice-presidente da chapa governista. Seria um desfecho irônico. Mas improvável. Não é bem esse o papel que o PMDB espera que seu candidato desempenhe na coalizão com o PT.

*Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

ANCELMO GÓIS

Apagão aéreo

O Globo - 05/02/2010


Ontem, Ricardo Teixeira mal chegou a Zurique, onde fica a sede da Fifa, e já foi recebido por Jérôme Valcke, secretáriogeral, bastante ansioso: — Ricardo, estou começando a ficar muito preocupado com a questão dos aeroportos para a Copa de 2014.

O presidente da CBF concordou: “Jérôme, se você está preocupado, imagine eu.”

Copa que segue...

Aliás, dia 9 de março, as reformas do Maracanã e do Morumbi para a Copa de 2014 serão discutidas numa reunião na Fifa.

Ruy Ohtake, o arquiteto do projeto de reforma do Morumbi, integrará a delegação paulista.

Na delegação carioca, além de técnicos, irão os secretários Régis Fichtner e Márcia Lins

Eu não disse?
No início de 2009, por temer o esvaziamento do Galeão-Tom Jobim, Sérgio Cabral foi contra a decisão da Anac de autorizar mais voos no Santos Dumont.

Ontem, pousaram na mesa do governador dados que parecem confirmar seu temor. No período 2009-2008, o movimento de aeronaves no Galeão caiu 9%. No Santos Dumont, aumentou 34%. No Rio, como um todo, cresceu 7%. No Brasil, 8%.

Para concluir...
Cabral diz: “Eu me senti como aquele personagem do desenho: ‘Eu te disse, eu te disse

Deputado Amorim
Celso Amorim se encontrou ontem com o presidente do PT do Rio, deputado Luiz Sérgio, para tratar de sua provável candidatura a deputado federal.

Sobrou para Lula
Lula apanha no samba deste ano do bloco carioca Vem Cá Me Dá, por causa da aproximação com Sarney e Collor.

Diz: “Cara pintada, cadê você?/(...) Larga dos homi, tira esse véu/No povo é sempre créu, créu, créu, créu”... Faz sentido.

O CEARENSE ANTÔNIO
Rodrigues, 46 anos, garçom da churrascaria Porcão de Ipanema, reencontrou, finalmente, seu ídolo, o atacante Fred — que, no fim do ano, lembra?, deu a ele de presente um cheque de R$ 30 mil. Antônio usou o dinheiro para realizar seu sonho: a compra de um Meriva 2006. Mas ainda não pôde tirar o possante da garagem. É que não teve dinheiro para pagar nem o IPVA e nem o seguro do carrão.

Ah, bom!

Titanic DiCaprio
O ator Leonardo DiCaprio chega ao Rio no fim de semana para passar o carnaval.

O ex de Gisele Bündchen vai ficar no Hotel Fasano.

‘No one’...

Quem também tem reserva no Fasano é Alicia Keys, a cantora americana que ganhou 12 prêmios Grammy.

Vem gravar um clipe com Beyoncé na cidade e deve ficar para o carnaval.

E por falar...

Madonna pretende levar sua filha, Lourdes Maria, ao show de Beyoncé, domingo, no Rio.

Gringo que segue...
Dita Von Teese, ex-mulher do cantor americano Marilyn Manson, conhecida por seus shows eróticos, reservou mesa na boate gay Le Boy, no Rio, amanhã

ZONA FRANCA

Hoje se apresentam na quadra do Império Serrano Marquinho Sathan, Lecy Brandão e Reynaldo.

Termina amanhã a temporada do Sesc Rio Noites Cariocas, com shows de Mariana Aydar e Frejat, além da festa Barrados no Baile.

Helena Vieira faz shows de hoje a domingo no Espaço Sérgio Porto.

Fitá oferece promoções no Twitter.

A Kindle ganhou a concorrência da conta de publicidade da Ativa.

O Bloco da Saara sai amanhã com homenagem aos imigrantes do Oriente.

Amanhã, Paulo Renha vai reunir amigos em Angra para festejar os 24 anos do estaleiro Real Class.

Nam Thai oferece à noite serviço de manobrista com garagem.

Abriram inscrições para o concurso de residência da Santa Casa do Rio, dirigido pelo professor José Galvão-Alves

Mercado do crime
Foi assaltado sexta, por volta de 19h, o posto de informações turísticas que a Riotur abriu na Praia de Copacabana.

E o que é pior: o lugar foi escolhido por ladrões que sabem que ali é ponto de turistas. É a lei da oferta e da procura a serviço do crime. Meu Deus...

Osório na prefeitura
A convite do prefeito Eduardo Paes, o atual secretário-geral do Comitê Organizador das Olimpíadas de 2016, Carlos Roberto Osório, será o primeiro titular da recém-criada Secretaria de Conservação.

A secretaria cuidará, entre outras coisas, da limpeza urbana e da iluminação pública.

Gustavo Capanema
Paulo Betti e Cristina Pereira foram os primeiros a pôr os nomes num abaixo-assinado coordenado pelo deputado petista Alessandro Molon contra a ideia de Sérgio Cabral de usar o Palácio Gustavo Capanema, onde hoje estão os escritórios cariocas dos ministérios da Cultura e da Educação, como sede do Comitê dos Jogos de 2016.

Os signatários consideram que “o despejo é um desrespeito com a história da cultura e da educação”.

Até 2011
Paulo Barros, o carnavalescosensação, renovou com a Unidos da Tijuca até 2011.

Só pensa naquilo
De tanto pensar em mulatas, a turma da coluna trocou ontem de irmão.

Quem está internado é o querido Fábio e não Bruno Barreto, claro. Erro nosso. Desculpe.

HELOÍSA PÉRISSÉ, nossa atriz, prova o vestido de noiva de sua personagem Taís na novela “Cama de gato”. O casório de Taís com Bené (Marcello Novaes) vai ao ar dia 12


PONTO FINAL

A Comlurb, mais uma vez, viva ela!, ouviu as preces da coluna e deu uma guaribada na praça da Rua Conde de Azambuja, em Maria da Graça, motivo de foto aqui ontem. Deus lhe pague.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ELIANE CANTANHÊDE

Nas estrelas

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/02/10



BRASÍLIA - Como estava escrito nas estrelas (e previsto pelos quatro estrelas do Alto Comando da Aeronáutica), Jobim, Amorim e uma fila de autoridades negaram a informação de ontem da Folha de que o presidente Lula e o ministro da Defesa já tenham batido o martelo a favor dos caças Rafale.
Mas isso já iria acontecer mesmo e finalmente aconteceu depois que a francesa Dassault aceitou um desconto de US$ 2 bi no seu pacote, que inclui 36 aviões, logística, armamento e transferência de tecnologia para transformar o Brasil em futuro produtor de aviões supersônicos. Como também prometiam a Suécia e os EUA, mas com menores preços, entre outras vantagens.
Vale a pena até registrar o cuidado da Aeronáutica para "desmentir" sem mentir. Diz a sua nota que não houve "comunicado oficial" -o que não exclui um comunicado pessoal e verbal sobre a decisão.
A questão é que os desmentidos foram protocolares, e nem o governo americano, nem o sueco, nem a Boeing, nem a Saab são bobos. Se o Brasil mandou renegociar só o preço dos franceses, depois de fechada toda a etapa de propostas e avaliações, os outros dois, a Suécia e os EUA, também querem.
Se, como dizem Jobim e Amorim, não há decisão e tudo ainda está em estudo, que se mantenha o teatro, ops!, o ritual de dar as mesmas chances, iguaizinhas, para todos. Assim são processos de seleção sérios e justos, de países sérios e justos. E que se arrogam líderes.
O resultado é que a decisão já está tomada, mas a agonia continua, com Jobim quebrando a cabeça e manejando a pena para criar argumentos lógicos, racionais e convincentes para explicar por que foi um e não o outro, indicado por quem entende desse riscado.
Ele vai precisar de muita imaginação. Do contrário, é melhor justificar a decisão numa única linha: "Vão ser os Rafale e pronto". Ou mais curto ainda: "Porque eu, Lula, e eu, Jobim, queremos".

CLÁUDIO HUMBERTO

“A tensão pré eleitoral de Ciro Gomes é uma coisa compreensível ”
SENADOR RENAN CALHEIROS (PMDB-AL), IRONIZANDO O PRÉ-CANDIDATO À PRESIDÊNCIA

OAB EXIGE O AFASTAMENTO IMEDIATO DE ARRUDA
A prisão de um amigo e suposto operador do governador José Roberto Arruda, tentando subornar uma testemunha da operação Caixa de Pandora, provocou profunda indignação no presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante. Nesta sexta (5), ele convocará uma coletiva para exigir o afastamento imediato do governador. “Chegamos a um quadro de falência múltipla dos órgãos do Distrito Federal”, afirmou.
REPUGNÂNCIA
Para Ophir Cavalcante, “cabe à Justiça encontrar meios para pôr um basta à situação no DF, que repugna e deixa perplexa a sociedade”.
RELAÇÃO NEGADA
O governo do DF negou relação com Antônio Bento, preso ao oferecer R$ 200 mil à testemunha Edson “Sombra”, amigo de Durval Barbosa.
TUDO BEM
Já foram superadas as restrições de setores do Ministério da Justiça à escolha de Luís Paulo Barreto para o lugar de Tarso Genro.
DEFINIDO
Se for confirmado novo ministro da Justiça, Luís Paulo Barreto manterá no cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa.
LULA DECIDIU PELOS RAFALE EM JULHO, NA FRANÇA
A “ideia fixa” de Lula pelos 36 caças Rafale instalou-se há sete meses, quando comemorou o 14 de julho em Paris ao lado do colega francês Nicolas Sarkozy. Como informou a coluna à época, o jornal La Tribune vazou que Lula prometera reforçar a “parceria estratégica” com a França na visita de Sarkozy ao Brasil, em 7 de setembro. No dia 24 de julho, Sarkozy garantiu na TV francesa que o contrato estava fechado.
LULA, O MASCATE
O preço – US$ 10 bilhões – empacava a negociação. Lula e a Dassault negaram redução do valor em 40%, noticiada na coluna em novembro.
MOMENTO DE DECISÃO
O ministro Jobim (Defesa) nega a compra, noticiada pela Folha ontem, mas revelada por esta coluna em janeiro. O lote saiu por US$ 6,2 bi.
ENFIM, L’ARGENT
O negócio beneficia, além da claudicante Dassault – que nunca vendeu Rafale, a Thalès, fabricante dos tubos Pitot da tragédia com o AF 447.
VICE, NÃO
O governador de Minas, Aécio Neves, rechaçou a fofoca de que teria sido “convencido” por FHC a ser vice de José Serra. Ontem, na zona da mata mineira, reafirmou a intenção de disputar o Senado.
CAMINHO LIVRE
O ministro Carlos Lupi (Trabalho), presidente de fato do PDT, ouviu de Lula e repassou a Cristovam Buarque (DF): o presidente não veta e até estimula o apoio do PT à sua reeleição para o Senado. Ele acreditou.
DECIDIDO
O PDT definiu que o deputado Antônio Reguffe (PDT), uma das honrosas exceções na Câmara Legislativa, não vai mais disputar o governo do DF. Ele será candidato a deputado federal.
FALA, PUCCINELLI
A bancada do PT na Assembleia de Mato Grosso do Sul está exigindo do governador André Puccinelli (PMDB) que ele mostre onde estão aplicados, e a que taxa de juros, R$ 850 milhões das transferências voluntárias ao Estado. Tais reservas totalizariam R$ 2,4 bilhões.
TROCADILHO
Ao saber que Lula cancela visitas ao Paraná só para não encontrar o governador-mala, o deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR) não perdeu o trocadilho infame: “Requião não é Perón, mas o presidente o Evita...”
TV DE MENTIRINHA
A EBC diz que ainda não gastou “um centavo” do programa da Central Única das Favelas na TV do Lula, mas os R$ 3,2 milhões foram pagos, segundo nota de empenho 2008NE002658. O contrato expirou em 2009.
MISSÃO-BOMBA
O Diário Oficial da União publicou o acordo de cooperação técnica do Brasil com a república islâmica do Afeganistão. Não faltará contingente para integrar o projeto. Sugestões ao Planalto...
SOBROU PARA A TITIA
Barack Obama avisou: não moverá um dedo para safar da Justiça a tia queniana, imigrante ilegal desde 2004 nos EUA, quando rejeitaram seu asilo político. Vive num abrigo, a coitada. Esses americanos...
PENSANDO BEM (À FRANCESA)...
..mais vale um Lula na mão que dois Rafale voando (e caindo)

PODER SEM PUDOR
PEQUENA DIFERENÇA
Batiam papo, no início de 1991, os secretários de Cultura do município de São Paulo, Marilena Chauí, e do Estado, Fernando Morais. Ela contou sua reação ao ser convidada para o cargo pela prefeita Luiza Erundina:
– Erundina, eu não posso aceitar, eu não devo aceitar, eu não quero aceitar.
Morais disse quase a mesmo coisa ao governador Orestes Quércia:
– Eu não posso aceitar, eu não devo aceitar, mas quero muito aceitar.

O ABILOLADO E A NOSSA CHAVEZ

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Governo só vai privatizar aeroportos após eleições


- Folha: Crise na Europa e incerteza nos EUA derrubam bolsas


- Estadão: Plataforma do PT para Dilma amplia papel do Estado


- JB: Senado cobra Jobim sobre caças da FAB


- Correio: Filhos desaparecidos, mães desamparadas


- Valor: Investimentos elevam demanda de bens de capital


- Jornal do Commercio: Basta de vandalismo