sábado, janeiro 23, 2010

DIOGO MAINARDI

REVISTA VEJA
Diogo Mainardi

Obama, Dilma e tia Clélia

"Quando os Estados Unidos bandearam para
a direita, nós também bandeamos. Melhor para nós.
Até na América Latina a esquerda está encrencada"

Barack Obama só durou um ano. Ele ia mudar tudo. Qual foi o resultado? Os americanos endireitaram. O maior sinal disso ocorreu na semana passada, quando a candidata democrata em Massachusetts, um dos maiores currais eleitorais do partido, foi derrotada por um republicano. Ele tomou a cadeira no Senado que por mais de quarenta anos pertenceu a Ted Kennedy, prometendo opor-se à reforma do sistema de saúde proposta por Barack Obama. O sistema de saúde americano pode ser perdulário. Ele pode criar desigualdades. Mas é melhor do que morrer num corredor do SUS.

O regressismo terceiro-mundista, que no último ano acometeu os Estados Unidos, foi detido. Chega de rombo fiscal. Chega de estatizar companhias falidas. Chega de financiar montadoras de carros. Chega de pacotes para o setor público. Chega de aumentar os impostos das empresas poluidoras. Chega de multilateralismo. Depois da posse de Barack Obama, até Lula se sentiu legitimado a teorizar sobre o capitalismo americano. Ele mesmo: Lula. A surra que os republicanos deram nos democratas, em Massachusetts, poderá conter o bolor bananista. Chega de Lula teorizando sobre o capitalismo americano.

Quando os Estados Unidos bandearam para a direita, nós também bandeamos. Melhor para nós. O programa eleitoral de Barack Obama, comemorado em todos os cantos do planeta, já foi enterrado. O aquecimento global é tratado com chacota. A temperatura média nos Estados Unidos diminuiu na última década: o maior poluidor do mundo está esfriando. No Haiti, os americanos atropelaram a ONU e militarizaram as áreas arrasadas pelo terremoto, salvando centenas de milhares de pessoas. O corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos é mais útil do que qualquer ONG. Até na América Latina a esquerda está encrencada. Hugo Chávez deflagrou uma guerra contra o PlayStation. E Lula está sendo apagado da memória. A média de espectadores de Lula, o Filho do Brasil foi menor do que a dos jogos do Macaé. Dilma Rousseff, sua candidata presidencial, está destinada à derrota. Porque ela, como Lula, personifica o passado. De fato, ela se assemelha cada dia mais à minha tia Clélia:

Quanto tempo Dilma Rousseff ainda poderá durar? Menos de um ano. Menos do que Barack Obama.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Com nova lei, mais 3 milhões de imóveis devem entrar para locação

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/01/10


A partir de segunda-feira, quando entra em vigor a nova Lei do Inquilinato, cerca de 3 milhões de imóveis devem ingressar no mercado de locação brasileiro entre 2010 e 2011.
A previsão é do Cofeci (Conselho Federal de Corretores de Imóveis), com base em pesquisa realizada nas capitais brasileiras com 250 imobiliárias, 600 corretores independentes e empresários do setor.
O estudo aponta que, antes da lei, muitos proprietários preferiam manter seu imóvel fechado a alugá-lo, segundo João Teodoro da Silva, presidente do Cofeci.
"Uma ação de despejo podia levar até dois anos, com um prejuízo crescente. Nesses casos, além do aluguel, o locatário deixa de pagar IPTU e condomínio. Com a nova lei, esse tempo se reduz para até quatro meses. Quando houver inadimplência, por exemplo, a nova lei prevê que o juiz tem de dar uma liminar de despejo em até 15 dias após o ingresso da ação pelo proprietário", diz Silva.
Para Jaques Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Secovi-SP, existia no Brasil um temor das leis de locação, que afastava investidores.
A pesquisa mostra que 70% dos proprietários só têm dois imóveis no máximo para locação e até então não podiam correr risco de ter prejuízo. O perfil são pessoas que pouparam para ter renda de aluguel na aposentadoria. Com a redução dos riscos e a agilidade na ação de despejo, esses proprietários devem retornar ao mercado.
"A Lei do Inquilinato era paternalista com o inquilino. Em grande parte dos casos, o proprietário necessita do recurso advindo do aluguel para seu próprio sustento", diz Silva.

A demora no processo judicial afastava o proprietário que investe em aluguel, pois, se houvesse inadimplência, o despejo demorava e o imóvel ficava congelado
JAQUES BUSHATSKY
diretor do Secovi-SP

GUMEX
A semana de moda masculina de Milão apontou para a volta do uso do gel nos cabelos dos homens. O efeito, que remete aos penteados dos anos 1950, pode ser obtido com cosméticos como pomadas e finalizadores com brilho. A tendência em Milão foi um aumento da sobriedade no prêt-à-porter masculino do outono/inverno 2010/2011. Em reação à crise, Dolce & Gabbana realizou desfile sem ostentação. Ternos colados ao corpo, camisas brancas e com pequenos colarinhos. A Prada também mostrou peças muito justas, com malhas pequenas e curtas.

VOLTA ÀS AULAS
A diferença de preços entre um mesmo item da lista de material escolar pode chegar a mais de 1.000%, segundo levantamento do site BuscaPé. É o caso da pasta plástica com elástico, com variação de 1.236%. A mochila da Hello Kitty foi o produto mais procurado neste mês.

NA PRATELEIRA
Lars Olofsson, presidente mundial do Grupo Carrefour, disse ontem ao presidente do Carrefour Brasil, Jean Marc Pueyo, que Brasil e China serão o foco dos investimentos do grupo francês nos próximos anos. No fim de 2009, o "Monde" publicou reportagem que dizia haver pressão de um bloco de acionistas minoritários do Carrefour para que as unidades de Brasil e China fossem vendidas.

NUVEM PASSAGEIRA
Os investidores não devem se preocupar com a desvalorização da Bovespa que ocorreu nesta semana, na opinião de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. "Dois fatores isolados causaram a queda: o aperto monetário da China e a declaração de Obama de que vai impor novos limites às operações dos bancos." Segundo o economista, esses efeitos tendem a dissipar-se nos próximos dias.

Renda maior eleva demanda por cadernos de capa dura

As vendas de material escolar estão em ritmo acelerado neste início de ano. No varejo, o desempenho até agora supera em até 15% o resultado do ano passado. O crescimento é explicado pelo aumento do emprego e pela melhora da renda do consumidor.
A Kalunga registra alta de 15% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Devido ao aumento da demanda por cadernos, a empresa teve de definir novos lotes de fabricação dos produtos com marca própria, diz Hoslei Pimenta, gerente comercial da rede.
O produto que mais se destaca em vendas é o caderno de capa dura. Para Pimenta, com a melhora da renda, a procura pelos de capa dura está maior, enquanto os outros estão sobrando nas lojas.
Wagner Jacob, diretor comercial da Tilibra, acredita que o aumento da renda favoreceu o acesso da classe C a esses produtos. "As mães passam a presentear os filhos com um caderno bom, de qualidade", afirma Jacob.
A Tilibra vê grande demanda por reposição de vendas, acima da de 2009, principalmente por cadernos com ilustrações licenciadas e por fichários.
No Armarinhos Fernando, a estimativa é que as vendas cresçam cerca de 6% na volta às aulas deste ano. "A linha inteira de cadernos está vendendo bem. Não esperávamos esse movimento", afirma Ondamar Ferreira, gerente de loja da rede.

com JOANA CUNHA e ALESSANDRA KIANEK

JAPA GOSTOSA

CLÓVIS ROSSI

Banqueiros, talebans e o Haiti

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/01/10


Fundamentalistas da banca ameaçam sucesso da gestão Barack Obama mais do que a guerra no Afeganistão

A GUERRA que verdadeiramente poderá arruinar a administração Barack Obama não é a do Afeganistão, mas aquela que Vinicius Torres Freire batizou, com a habitual competência, de "guerra contra a banca", em sua coluna de ontem nesta Folha.
O Afeganistão é remoto demais. Qualquer desfecho acabará sendo absorvido, salvo um improvável desenlace tipo Vietnã.
Já na guerra contra a banca, Obama enfrenta um grupo de talebans muito mais fundamentalista e muito mais bem armado para afetar a parte mais sensível do corpo humano (o bolso) e para fazê-lo cotidianamente.
Do extremismo dos gatos gordos da banca e de sua insuperável desfaçatez, diz tudo a tentativa em curso de convencer o mundo de que o tsunami financeiro que varreu o planeta a partir de 2007 é igual ao terremoto do Haiti: nada mais que um fenômeno natural.
É o que fez, entre outros, Lloyd Blankfein (Goldman Sachs), em depoimento ao Congresso dos EUA, durante o qual comparou a crise financeira a um furacão que ninguém poderia ter previsto.
De fato, não foi prevista por nenhum dos economistas-chefes das grandes instituições financeiras, inclusive as brasileiras, incapazes de enxergar um milímetro à frente enquanto se armava a crise. Agora que ela amainou, voltam à arrogância habitual, arrotando caviar depois de comer apenas mortadela.
A estes, vale o conselho de Paul Krugman na sua mais recente coluna, ele que é Nobel de Economia, ao contrário de seus arrogantes colegas do sistema financeiro: "Agora que o Congresso e o governo estão tratando de reformar o sistema financeiro, deveriam ignorar os conselhos provenientes dos supostos sábios de Wall Street, que não tem nenhuma sabedoria a oferecer". Acrescento eu: nem de Wall Street nem da avenida Paulista.
Aos banqueiros, vale a observação de Phil Angelides, presidente da comissão do Congresso que os ouvia: "A crise financeira não foi um ato divino; foi consequência de atos de homens e mulheres".
Tais atos levaram até os executivos-chefes de 50 países, em pesquisa a que a
Folha teve acesso, a afirmar que foi a indústria financeira a que sofreu a maior erosão em credibilidade junto ao público, seguida pelo ramo de seguros, parente próximo.
Mas é justo culpar também os bancos centrais, que deixaram um imenso buraco negro na regulação do sistema, o que permitiu aos gatos gordos da banca fazer uma farra de dimensões épicas que só poderia mesmo terminar em uma crise avassaladora.
Volto a Krugman: "Antes ou depois, esse sistema sem freios estava destinado a estourar. E, se não fizermos mudanças fundamentais, voltará a repetir-se".
O que Obama está tentando fazer agora é uma parte das "mudanças fundamentais" a que se refere Krugman. Os gatos gordos reagirão, já estão reagindo, aliás, como mostram os movimentos nas bolsas e no câmbio. É uma reação silenciosa, ao contrário do ruído dos atentados fundamentalistas, mas o perigo é muito maior para Obama -e para todos, como ficou evidente na crise de 2007/2009.

ARI CUNHA

Veículo leve sem horário

CORREIO BRAZILIENSE - 23/01/10


Brasília está propondo a aquisição de veículo leve sobre trilhos. O cálculo diz que esse veículo leve deve sair do aeroporto, passar pelos hotéis credenciados para receber visitantes, jogadores e membros dos organismos mundiais que comandam o futebol. A primeira ideia é evitar demora, como vai acontecer em São Paulo, onde seria impossível esse tipo de transporte. Por economia, o de Brasília circulará com percurso alterado pelos carros. Se o nosso fosse em linha elevada, teria os segundos registrados na tabela de horários. Qualquer passageiro saberia com precisão o tempo de viagem. Como está, não será possível. Trata-se de outro transporte que não pode ter horários previsíveis conforme desejo dos moradores ou visitantes.


A frase que não foi pronunciada

“A pobreza não nasce da diminuição dos haveres, mas da multiplicação dos desejos.”
» Faixa de protestos na Câmara Legislativa




Divinópolis

»
Cidade de Minas, Divinópolis tem raridades para um museu. Dirigida por leis, hoje sem nexo. São antigas. É proibido, por exemplo, vender galinhas de cabeça para baixo. Há outras leis ainda em vigor. O trabalho agora é limpeza em toda coleção de leis. Os textos são arquivados para que em futuro todos conheçam as decisões da comunidade.

Acidentes

»
Todos os dias aparecem os mais terríveis acidentes nas nossas estradas. Há carta do diretor nacional de Transportes falando em carros, automóveis e ônibus sem manutenção. E esclarece que, se veículos fizessem anualmente uma revisão, nada mais poderia acontecer de horrível.

Zico demitido

»
Mesmo colocando seu time na Grécia em boa posição, o galinho recebeu em casa um oficial de Justiça. O clube o coloca na rua, sem indenização. Seus direitos foram negados. A direção do time não se responsabiliza pelo treinador demitido. Sentiu a humilhação e não reclamou. No Brasil vai ser homenageado inclusive com os pés descalços na galeria dos nobres do esporte. Mais uma honra no seu país.

Bronca

»
Piloto internacional brasileiro está insatisfeito com os controladores de voos. A TAM faz 800 decolagens por dia. Controladores provocam espera nos aeroportos do Rio e S.Paulo. Duas a três horas de espera provocam alto consumo de combustível que daria para chegar até a Europa.

Banco Central

»
Sai Maria Celina Bernardelli Arrais, substituída por Carlos Vasconcelos de Araújo, funcionário de carreira. Circula a notícia de que Mario Mesquita foi apontado como demissionário. Há desentendimentos na área financeira do país.

Dificuldades

»
Alimentos prontos e higienizados são distribuídos no interior do Haiti. O processo é por intermédio de paraquedas, que têm acesso à população. A alimentação é esterilizada e sem possibilidades de falsificação. Autoridades de saúde americana aprovaram o sistema.

Candidata

»
Ministra Dilma Rousseff faz obras além de qualquer partido. A busca por votos vai levar o país a uma eleição difícil. Se dona Dilma vencer, vai haver especulação sobre o apoio de Lula.

Agenda

»
Boa pedida para o Procon é fazer ligações para a SKY. Tudo o que está na Lei do Call Center a Sky contradiz com a prática. Se não houver punição, o abuso vai continuar.

Piauí

»
Comer caranguejo nas praias de Salvador já não é a mesma coisa. O estrago nos mangues foi tão grande e a fiscalização tão pequena que a quantidade de caranguejo foi reduzida à metade em relação ao ano passado. A situação tem sido compensada com a importação do crustáceo piauiense.



História de Brasília

E diz muito bem o construtor: “Não é possível o arquiteto trabalhar ao sabor das conveniências de cada Mesa que venha a ser eleita em cada legislatura”. (Publicado em 23/2/1961)

CAIXÃO E VELA PRETA

MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA
Maílson da Nóbrega

Banco Central antidemocrático

"Como Lula provou, politicamente esperto é o cara capaz
de abandonar velhas visões e atribuir ao BC a missão
de manter a estabilidade, fonte básica de popularidade"

A autonomia operacional dos bancos centrais é a norma nos países desenvolvidos, mas é rejeitada em países de instituições fracas, baixo conhecimento econômico e rala percepção das vantagens do capitalismo. A Argentina deu recentemente um bom exemplo dessa última categoria.

De fato, sem prévia autorização do Senado (como manda a lei), a presidente Cristina Kirchner demitiu o presidente do Banco Central, Martín Redrado, porque ele se recusou a cumprir sua ordem de transferir 6,5 bilhões de dólares das reservas internacionais para um fundo de resgate da dívida externa. A confiança no país foi abalada.

No Brasil, considerou-se absurdo que alguém sem mandato se insubordinasse contra uma presidente eleita e, por isso, com poder legítimo para tomar decisões. Falou-se que criticar Cristina seria coisa de "mercadistas alucinados" que querem o BC como um quarto poder. Resistir à demissão seria atropelar a democracia.

Conceitos esquisitos, esses. Por eles, um chefe de governo, desde que eleito democraticamente, pode tomar qualquer decisão. Na verdade, a democracia surgiu, entre outros motivos, da limitação de poderes dos governantes. Presidentes não recebem cheque em branco do eleitorado.

A autonomia operacional dos bancos centrais é uma inovação institucional do século XX. Começou com o Federal Reserve americano, na lei de sua criação (1913). Na Europa e no Japão, a autonomia também existia, mas foi confirmada em lei apenas nos anos 1990.

A ideia é evitar que governantes despreparados usem o BC para expandir gastos com objetivos políticos. Há abundante evidência de que as correspondentes emissões de moeda produzem inflação e nefastas consequências sociais. O Brasil que o diga.

Antes, no padrão-ouro, a oferta de moeda era em função do estoque do metal. Bancos privados eram autorizados a emitir moeda, desde que observada a regra. Os governantes não tinham poder para financiar gastos de forma inflacionária.

Esse arranjo limitava o crescimento econômico. Nas crises, as saídas de ouro diminuíam o meio circulante. Havia contração violenta da economia, da renda e do emprego. O poder de barganha dos sindicatos de trabalhadores – que dificultava a queda dos salários nominais – foi uma complicação adicional. Na grande crise dos anos 1930, sofreu mais quem mais demorou a abandonar o padrão-ouro.

Com o fim do padrão-ouro, o estado assumiu a exclusividade das emissões. Sem lastro, as notas eram simples papel pintado. Para evitar abusos e inflação, criou-se uma regra para fornecer a mesma credibilidade do velho regime: a autonomia operacional do BC, com mandato para a diretoria e proibição de financiar diretamente o Tesouro.

Cabe ao BC zelar pela estabilidade da moeda, precondição para o desenvolvimento. Ele não pode receber ordens para baixar juros ou gastar reservas internacionais com o objetivo de expandir irresponsavelmente a economia. A lei de autonomia o obriga a prestar contas ao Congresso, que pode demitir seus diretores em caso de falta grave.

O BC é, pois, uma instituição deliberadamente antidemocrática. Sem mandato eletivo, seus diretores tomam decisões que repercutem no crédito, na atividade econômica, no emprego e na renda. Ocorre que esse status lhe é concedido por representantes da sociedade, eleitos pelo povo. Ou seriam idiotas os parlamentares que assim o fizeram no mundo rico e em muitos países emergentes?

Na prática, o BC brasileiro é autônomo. É uma consequência natural das mudanças mentais da maioria da sociedade. Como Lula provou, politicamente esperto é o cara capaz de abandonar velhas visões e atribuir ao BC a missão de manter a estabilidade, fonte básica de popularidade. Não é neoliberal nem afronta a democracia.

Melhor seria uma lei específica, mas o apoio é escasso. A julgar pelas manifestações em defesa de Cristina, ainda se pensa em um BC "desenvolvimentista", que receba ordens para baixar juros.

Formados de seres humanos, os bancos centrais erram. Por isso, precisam ser transparentes e previsíveis, e prestar contas. Devem ser monitorados para evitar erros ou sua repetição. É melhor assim do que ter um BC "democrático", que cede a caprichos de políticos, empresários e comentaristas.

PAINEL DA FOLHA

Facilidades

SILVIO NAVARRO

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/01/10


Relatório final da Polícia Federal elaborado durante a Operação Castelo de Areia aponta indícios de interferência de Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União, para liberar obras da eclusa do Tucuruí (PA), tocada pela empreiteira Camargo Corrêa. O nome dele aparece em manuscritos apreendidos na sala de um executivo da empreiteira. Os papéis se referem à negociação de um aditivo de R$ 155 milhões pagos à empresa. Cita também o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, e o PP -partido ao qual Nardes era filiado quando deputado federal.
No caso de Pagot, aparece grifado o termo "compromisso", estipulando o valor de R$ 500 mil.




Operação. Sobre o ministro, conclui o relatório: "Não é só à obra do Tucuruí que o nome de Nardes aparece atrelado". Na sequência, ele é mencionado como responsável pelo acórdão que permitiu repasses às obras do Rodoanel, também via Dnit, "apesar das irregularidades apontadas pela equipe técnica do TCU".

Outro lado. À época da liberação da verba à Camargo Corrêa, Nardes negou ter relações com a empresa e disse que sua decisão foi técnica.

Contatos. Na investigação, a PF também encontrou um e-mail com o número apontado como "celular sigiloso" do ministro Edison Lobão (Minas e Energia). Está relacionado a Gianfranco Vitorio Perasso, dono de empreiteiras investigadas em outra operação da PF, a Boi Barrica.

Laços. Perasso foi flagrado em escutas da Boi Barrica (rebatizada de Faktor) em conversas com Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Segundo a PF, as empresas de Perasso foram usadas para desviar dinheiro de obras públicas no setor elétrico.

Palanques. Tucanos mineiros afirmam que, apesar da ausência nos eventos desta semana, o governador Aécio Neves pretende acompanhar Lula nas próximas inaugurações no Estado. Mas desde que a ministra-candidata Dilma Rousseff não esteja presente, o que nem eles mesmos acreditam que será atendido.

Moldes. Aécio afirma que fará "pelo menos 30 viagens" com Antonio Anastasia, seu candidato em Minas, para inaugurar "um número enorme de obras". Sobre a briga PT x PSDB, disse que a sigla tem de mostrar que "o Brasil não foi descoberto em 2003".

Ideia fixa. Depois de chamar o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, de babaca, Lula se atrapalhou todo ontem ao discursar em Itapira (SP). Ao citar o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia), trocou o nome pelo do governador Sérgio Cabral (RJ).

Diretriz. Uma das bandeiras da campanha de Dilma, o programa Minha Casa, Minha Vida terá continuidade garantida no chamado PAC 2.

Figurino. Dilma vai aproveitar a visita a obras no interior de São Paulo hoje para uma reunião com prefeitos.

Arranjos 1. Um dia depois depois de articular a antecipação da convenção do PMDB para a escolha do novo presidente, Michel Temer (SP) se encontrou ontem com o ex-governador Orestes Quércia.

Arranjos 2. Quércia, que comanda o partido em São Paulo e tem acordo com os tucanos, avisou que não irá à convenção de fevereiro. Mas teria assegurado que não pretende criar problema para a reeleição de Temer.

Memória. Membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social vão prestar homenagem à pediatra Zilda Arns, vítima do terremoto no Haiti. Amanhã eles atenderão a uma sugestão antiga dela e farão um passeio pela floresta amazônica.

com LETÍCIA SANDER e MALU DELGADO

Tiroteio

Em vez de culpar são Pedro e propor estudos, "demos" e tucanos deveriam gastar menos com propaganda e investir para prevenir enchentes.

Do deputado estadual ENIO TATTO (PT), sobre as declarações do prefeito Gilberto Kassab (DEM), segundo quem foi contratado um estudo para mapear áreas de risco na cidade, e do governador José Serra (PSDB), de que se trata de "um ano anômalo".

Contraponto

Papo reto O presidente Lula encontrou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), neste mês, durante evento em Brasília. Após a cerimônia, num canto reservado, Lula perguntou sobre as articulações para a eleição ao governo do Distrito Federal após o estouro do Arrudagate.
Cristovam devolveu prontamente:
- Pois é, presidente... De vez em quando chega aos meus ouvidos a notícia de que o senhor não quer me ver eleito de jeito nenhum!
- É sacanagem -, disse Lula, constrangido, encerrando logo o assunto com um tapinha nas costas do ex-petista.

GOSTOSA

CLAUDIO DE MOURA CASTRO

REVISTA VEJA
Claudio de Moura Castro

Na Idade das Trevas

"A infindável batalha entre os formuladores
de políticas de desenvolvimento tecnológico
e a nossa impenetrável máquina burocrática"

Cruzando um corredor da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia), o impetuoso diretor é alvejado por uma pergunta à queima-roupa, formulada com ironia: "Há quanto tempo você trabalha aqui?". Isso porque ele tinha proposto que os pedidos de empréstimo fossem processados em um prazo máximo de um mês. Ousou arrostar a pachorrenta burocracia. Era mais um capítulo de uma infindável batalha entre os formuladores de políticas de desenvolvimento tecnológico e a nossa impenetrável máquina burocrática. As políticas para criar tecnologia brasileira sugerem a existência de vida inteligente nas agências de fomento. Em contraste, as regras para implementar tais políticas permanecem na Idade das Trevas.

Ilustração Atomica Studio


Nossos formuladores revelam argúcia. Há ideias inteligentes e um mínimo de continuidade na sua implementação. Nota-se também um saudável aprendizado, ao entender os equívocos e procurar corrigi-los. A Lei da Inovação criou engenhosas pontes entre universidades e empresas, tornando possível oferecer subsídios monetários aos empresários inovadores. Ademais, o governo agora pode virar parceiro, entrando com capital de risco. Houve um crescimento vertiginoso das publicações científicas. Hoje o Brasil é o 13º maior produtor de ciência em periódicos respeitáveis. Se publicações no exterior podem ser vistas como exportação de conhecimento, exportamos mais ciência (2% do total mundial de publicações) do que mercadorias (pouco mais de 1% do comércio internacional).

Somos um dos três únicos países a extrair do próprio subsolo e refinar urânio. A meteorologia está pronta para enfrentar os desafios do aquecimento global. Não há nenhuma empresa de petróleo no mundo com o mesmo domínio tecnológico da Petrobras. É respeitada a nossa aeronáutica. Somos os primeiros em alguns setores do agronegócio (por exemplo, no etanol). Quase todos os grandes produtos de exportação têm ampla dose de tecnologia tupiniquim. Ou seja, há vida inteligente no governo, pois algumas iniciativas privadas dependem de políticas públicas. Porém, as discussões de políticas tecnológicas são engolfadas pelos ruídos de gente que nada entende. Jorram palpites desencontrados.

Mais grave é o terrorismo dos sistemas de controle. São necessários, é certo. Contudo, Advocacia-Geral da União, Ministério Público, Receita Federal e tribunais de contas fazem coro para encontrar minudências técnicas que atrasam ou impedem o fluxo de pedidos de grande interesse para a nação. Em vez de entenderem e apoiarem quem merece, esses órgãos garimpam tecnicalidades impeditivas e presumem a desonestidade dos postulantes. Segundo advogados empresariais, usar a Lei da Inovação tornou-se um risco para todo e qualquer projeto. Melhor não usar o que promete a lei, para não se arriscar aos humores de algum fiscal iracundo.

Atolam pesquisas de importância estratégica, derrotadas na maratona surrealista de importar reagentes ou equipamentos para os laboratórios das universidades públicas. Não há correspondência entre fúria controladora e volume de recursos, pois tendem a ser quantias irrisórias. Foram abandonadas (exceto na Saúde) as políticas de compras públicas, responsáveis pelos sucessos passados da nossa indústria bélica e aeroespacial (por exemplo, a Embraer).

Os papéis engarrancham na burocracia, independentemente do talento do cientista ou da promessa do projeto. Licitações públicas escolhem propostas baratas mas frágeis, por medo das punições dos tribunais de contas (essa foi uma das razões da debacle do Enem). As regras do serviço público são incompatíveis com a agilidade exigida pela ciência e tecnologia. Daí a abundância de mecanismos - como as fundações - para oferecer a velocidade imprescindível. Mas, tão logo aparecem, os órgãos de controle fazem tudo para destruir esses atalhos administrativos. Na área ambiental, um parecer equivocado dá processo criminal. Ir para a cadeia por uma licença ambiental? Quem se arriscaria? Mas é o paraíso dos burocratas do "não" e dos crentes com visões simplórias.

A vida inteligente colide com órgãos de controle que permanecem na Idade das Trevas. Ou seja, temos boas políticas e as empresas estão aprendendo as artes da inovação (muito tarde, até). Mas, na hora de implementá-las, os entraves e os riscos se multiplicam. Bons quadros públicos se acovardam, com razão. As empresas não têm tempo, recursos nem competência para vencer as forças malignas da inércia. É até surpreendente que tenhamos conseguido alguns sucessos.

Claudio de Moura Castro é economista
claudiodemouracastro@positivo.com.br

ANCELMO GÓIS

NÃO É SÓ O GALEÃO

O GLOBO - 23/01/10


Ontem, as companhias aéreas se reuniram na sede do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, no Rio. Decidiram botar a boca no trombone. Vem aí um documento para alertar que a infraestrutura nos aeroportos do Brasil está uma m...
CAOS QUE SEGUE...
Segundo um dos presentes, o problema não é 2014, com a Copa: “É este ano mesmo.”
SARAVÁ
Um despacho com uma galinha viva amanheceu ontem na porta do BC, em Brasília. A penosa estava amarrada com fitas coloridas. Saravá.
A CONFERIR
As relações entre Dilma Rousseff e o marqueteiro João Santana estão ótimas. O resto, segundo políticos próximos à ministra, é intriga de Duda Mendonça.
CALMA, GENTE
A Central Única de Favelas apresentou notícia-crime no MP de São Paulo contra o cônsul do Haiti, George Samuel Antoine, a quem acusa de “crimes de preconceito racial e religioso”. É que Antoine disse na TV, lembra?, que o terremoto “teve seu lado bom”, pela visibilidade dada a seu país, e que a culpa seria da “macumba” praticada por parte da população, descendente de africanos “amaldiçoados”.
NA VERDADE...
Este cônsul pode se dar mal, pois não tem imunidade diplomática. É cônsul honorário. Ou seja, de mentirinha.
EU ME AMO
Do Velho Lobo Zagallo, 78 anos, ontem de manhã, no Maracanã, na inauguração de um busto em sua homenagem, depois de sapecar um beijo na estátua:
– É gostoso dar um beijo em mim mesmo...
DIA D DE GAÚCHO
Dunga divulgará dia 9 de fevereiro, no Rio, os convocados para o último amistoso da seleção antes da Copa, contra a Irlanda, em março, em Londres. A lista já deve ser quase 100% formada pelos jogadores que vão à África do Sul. A dúvida é Ronaldinho Gaúcho, que parece ter redescoberto o futebol nos últimos jogos do Milan.
ÚLTIMO TREM
Será lançado no Brasil “Último trem para Hiroshima”, livro que narra o drama dos sobreviventes aos ataques de Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra e tem dado o que falar nos EUA, porque teve seus direitos para o cinema vendidos ao diretor de “Avatar”, James Cameron. Por aqui, o livro sai em julho, pela Editora Leya.
CHEGA DE SAUDADE
Segunda, o Quiosque Quase 9, na Praia de Ipanema, vai pôr um piano no calçadão para celebrar os 83 anos de nascimento de Tom Jobim. Canções do saudoso maestro serão executadas pelos músicos Marcos Ariel, Vítor Biglioni, Wilson Meirelles e outros.
A TURMA DO BARRIL
Ontem à noite, o Twitter Lei Seca RJ, que informa os locais das blitzes, pôs à venda uma camisa com a seguinte frase: “Lei Seca RJ — Eu twitto”. Em dez minutos, foram vendidas mais de 600.
ALIÁS...
Tem gente que acha que há muita coisa errada no Brasil do governador Arruda, mas não com ela mesma. É o caso desta turma que sabota a Lei Seca (eu apoio).

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Parceria de adversários

O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/01/10


Desde que anunciaram a disposição de disputar a eleição presidencial em regime de coalizão formal, o PT e o PMDB só têm feito blefar um com o outro.

Não se pode dizer que seja uma relação fundada na confiança. Até porque a suspeita mútua é explícita.

O PT acha que o PMDB pode pular fora a qualquer momento, se sentir no adversário a possibilidade de um porto mais seguro. O PMDB desconfia que o PT só o chamou à dança para valorizar a candidatura de Dilma Rousseff, e teme ser deixado no meio do salão assim que, e se, a ministra cair no gosto do eleitorado.

Assim que terminou a eleição municipal de 2008, em que naufragou a maioria das tentativas de acordos entre PT e PMDB, o presidente Luiz Inácio da Silva prometeu aos aliados que o mesmo não se repetiria em 2010, pois ele pessoalmente se encarregaria de enquadrar o PT nos Estados.

Blefe. O tempo passou, não houve enquadramento algum e Lula só resolveu a pendência do Rio de Janeiro, tirando o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, do caminho do governador Sérgio Cabral. As outras complicações permaneceram complicadas e o PMDB deu-se conta disso logo.

A fim de se precaver, no segundo semestre do ano passado, a direção do PMDB forçou um pré-acordo segundo o qual o PT se comprometia a reservar a vaga de vice ao partido alegando que, com isso, demonstravam sua fidelidade ao presidente Lula.

Blefe. Na verdade, o que os pemedebistas queriam era afastar a hipótese Ciro Gomes do caminho e assegurar o lugar na chapa nacional com o objetivo de se fortalecer nas montagens das candidaturas estaduais aos governos e ao Senado.

Queriam apressar o processo e produzir o fato consumado.

O PT disse ok. Montou-se um encontro com o presidente Lula e foi sacramentado o acordo em torno do nome do presidente do PMDB, Michel Temer.

Blefe. O que se ouve mais falar no PT é em nomes de outros vices que não do PMDB. Além disso, o presidente Lula pouco depois de consagrado o acerto pediu uma lista com três nomes para escolha. Quer dizer, ignorou solenemente a posição do aliado em favor de Michel Temer.

O PMDB reagiu alegando interferência indevida nas decisões do partido. O PT recuou sob a alegação de que o presidente Lula havia apenas se livrado de uma saia-justa quando lhe perguntaram se preferia Edison Lobão ou Temer para a vaga.

Blefe. Na reunião de ministros, na quinta-feira, Lula repetiu a ideia da lista tríplice.

Menos de 24 horas antes o PMDB havia decidido antecipar de março para fevereiro sua convenção para reconduzir Temer à presidência do partido sob a alegação de que com o partido unido em torno dele fica reforçada sua autoridade para negociar com o PT a vice e estabelecer "regras claras" para as composições nos Estados.

Blefe. Com a realização da convenção, estrategicamente marcada para duas semanas antes do Congresso do PT que consolidará Dilma Rousseff como candidata, o PMDB pretende que sejam explicitados vários aspectos que a direção nacional não pode vocalizar.

Por exemplo, a dimensão da resistência à aliança e o quanto ela poderá ser maior quanto mais o tempo passa e se aproxima a hora de a oposição assumir a candidatura de José Serra.

Nenhum dirigente pemedebista pode dizer isso de público, mas nada impede de os convencionais manifestarem o sentimento do partido de que o PT não tem para onde correr e que no PMDB, embora a tendência seja de ficar com o governo, há alternativa.

Resumindo, lance a lance, ambos pagam para ver o jogo do parceiro. E nesse ambiente de cismas recíprocas é que se firma uma aliança para governar o Brasil.

Tributo

A extinção da CPI do panetone da Câmara Distrital de Brasília não influi nem contribui para a impunidade do governador José Roberto Arruda, porque a CPI existia exatamente para não influir nem contribuir com qualquer possibilidade de punição.

Agora, o juiz que provocou a reação deu uma excelente contribuição: expôs a farsa, estabeleceu um contraponto à desfaçatez, rompeu com a rotina de aceitação às burlas do Legislativo e serviu de exemplo a outros Parlamentos. Inclusive, e principalmente, o nacional.

Nó de marinheiro

Se o vice-presidente José Alencar decidir mesmo, como parece que decidirá, concorrer ao Senado, o espaço em Minas Gerais fica mais estreito.

Mantida a candidatura de Aécio Neves, em tese as duas cadeiras existentes já estariam praticamente ocupadas, pois ambos, cada qual em seu campo, são tidos como imbatíveis.

Nesse caso, as vagas não poderiam ser negociadas nem para aliados de Lula - Hélio Costa ou os petistas que porventura fossem levados a desistir da candidatura a governador - nem para correligionários de Aécio Neves, mais especificamente Itamar Franco.

Sobraria o lugar de vice. Nas chapas estaduais ou nacionais.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não vou perder meu tempo com tititi, fofoca”
Governador de São Paulo, José Serra, principal candidato tucano à Presidência

Dinheiro para ‘calamidades’ vai pelo ralo
Morro abaixo, água acima, nem sempre a verba federal para governos e prefeituras é aplicada em casos de “calamidade pública”, como atesta o Tribunal de Contas da União: foram 65 casos em 2007, 59 em 2008 e 66, em 2009. A restauração de uma rodovia em São Paulo de Olivença (AM) ficou no papel, e a “simulação de uma situação de emergência” ficou só na simulação mesmo, em São Borja (RS). A Receita investiga.
Onde mora o perigo
A Controladoria-Geral da União diz que fiscaliza a aplicação dos recursos, mas quem analisa e aprova é o ministério que os repassou.
Assim caminha a multa Todos os 190 processos analisados pelo TCU nos últimos dois anos resultaram em multa. Pagá-la é outra questão calamitosa...
Caça-fantasmas
Ainda bem que Lula não é Getúlio Vargas, como tenta sugerir. Teria que enfrentar Carlos Lacerda nos desaforos. Seria muita
covardia...
Turista acidental
Enciumado com o protagonismo do ministro Nelson Jobim (Defesa) no Haiti, o chanceler Celso Amorim inventou sua viagem a Porto Príncipe.
Liminar no DF cria a figura do ‘meio deputado’
A liminar da Justiça que retirou dez deputados das investigações do mensalão do DEM, em Brasília, gerou uma anomalia: uma espécie de “meio deputado”. Como continuam no mandato, os afastados exercerão funções parcialmente, e os substitutos terão cerceadas as atribuições plenas, sem participar das demais decisões. O petista Sérgio Carneiro (BA), procurador da Câmara Federal, também vê anomalia na
liminar.
Nulidades
Esse tipo de decisão pode caracterizar nulidades e favorecer a defesa, pondera Sérgio Carneiro, “e as pessoas comuns ficam sem
entender”.
Detran S/A
O Detran-DF aumentou de R$ 100 para R$ 128 milhões, em 2009, seu faturamento cobrando “taxas”. Nem tráfico de drogas dá tanto dinheiro.
Queimando pestanas
Mais de sete mil cartórios estão sem titular, mas para assumi-los o Conselho Nacional de Justiça determinou concurso.
Voz da experiência
A reação do PSDB, chamando Dilma Rousseff de “mentirosa”, mostrou que o presidente Lula tinha razão ao se irritar, em Minas, quando a ministra atacou o senador Sérgio Guerra. Deu holofotes ao tucano.
Depoimento mantido...
O presidente interino da Câmara Legislativa do DF, Cabo Patrício (PT), afirma que o depoimento de Durval Barbosa está mantido para terça-feira. Mas o caso pode sofrer nova reviravolta antes mesmo disso.
...mas só por enquanto
Os deputados ligados ao governador Arruda, vão destituir Leonardo Prudente, o da grana nas meias, da presidência da Câmara, caso ele não renuncie. Elegerão um substituto e Cabo Patrício perderá o posto.
Anticandidatura
O deputado Chico Leite (PT), uma das honrosas exceções na Câmara Legislativa do DF, deverá ser lançado pela oposição minoritária como uma espécie de “anticandidato” a presidente, só para marcar posição.
Já nasceu grande Marcelo Odebrecht se associou à Petrobras e presidirá o conselho de administração da petroquímica BRK, que nasce como a oitava maior do mundo. Com a aquisição da endividada Quattor, a Odebrecht investirá R$ 1,2 bilhão imediatamente. À estatal caberá aplicar R$ 2,5 bilhões.
O circo chegou
Não basta ter um “mestre sem cerimônia”, que fala o que dá na telha: a Presidência da República vai contratar um mestre de cerimônia, tantas são as “inaugurações” do PAC e outros espetáculos. As propostas serão abertas no próximo dia 3, já beirando o Carnaval. Tudo a ver.
Ameaça musical
O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya anunciou que ficará “temporariamente” no México. Com aquele chapelão, poderá empregar-se num grupo de mariachis. E continuar enchendo o saco do mundo...
Nosso chapéu
O Brasil recebeu só US$ 67,3 milhões dos US$ 150,4 milhões que a Nigéria devia há mais de 20 anos. O resto foi perdoado. A Nicarágua obteve perdão de 95% da sua dívida de US$ 141 milhões. Sem pedir.
Pensando bem...
falando “merda”, “babaca” e outras expressões impublicáveis, qualquer dia o presidente Lula só poderá ser exibido após as 21h.

PODER SEM PUDOR
Luigi Lula da Silva
O presidente Lula é da Silva e nasceu num distrito de Garanhuns (PE), mas desconfia que sua origem é italiana. Disse isso a um jornalista que recebeu para jantar, em fevereiro de 1991, na sua casa de São Bernardo do Campo. Ainda resolveu “provar”, colocando um disco de Luciano Pavarotti para tocar. Quando o tenor atingiu o clímax da música, a plenos pulmões, Lula se aproximou do jornalista apontando o próprio olho, cheio d’água:
– Tá vendo? Não entendo uma só palavra do que ele canta, mas me emociono. Só posso ser descendente de italiano!

O ABILOLADO E A MENTIROSA

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Metade dos cartórios do país está ‘sem dono’


- Folha: Exame de SP reprova 40% dos docentes temporários


- Estadão: Petrobrás cria gigante petroquímico


- JB: Concurso vai definir titulares de cartórios


- Correio: Guerra à fome no Haiti


- Jornal do Commercio: Licença maternidade maior começa a valer