quinta-feira, janeiro 21, 2010

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Verdade às escuras

O ESTADO DE SÃO PAULO - 21/01/10


Está dando um apagão na... investigação sobre o apagão. Dois meses e dez dias depois de metade do Brasil ficar às escuras, o pessoal das Minas e Energia avisa que, por lei, não pode dar um prazo para a Aneel entregar seu relatório.
A Aneel se comprometeu publicamente, logo depois de ter recebido o informe do ONS, a entregar o seu em 30 dias. O prazo já expirou. Indagada ontem, no entanto, a agência jura que a mídia errou e que ela não prometeu nada.

Verdade 2
Por outro lado, o Ministério de Minas e Energia, ao menos, vem com uma novidade: a principal constatação dos levantamentos feitos até agora é que custaria R$ 600 milhões por mês a manutenção de uma quarta linha de transmissão em Itaberá, tida como fonte da pane.
Vão construí-la?

Road to USA
Depois de algumas indagações da coluna, o consulado americano em São Paulo acabou admitindo a suspensão de vistos somente quando o problema estava resolvido. Isto é, ontem.
A emissão, que ficou suspensa mais de uma semana, volta a ser feita por ordem de datas de viagem e urgência.

Memória ao vivo
Terá R$ 70 milhões e funcionará ainda em 2010 o Fundo de Inovação do Audiovisual. Segundo Alfredo Manevy, o interino de Juca Ferreira, o programa quer abrir caminho no mercado para documentários, memória e restauro.

Saindo do papel
Carlos Ermírio de Moraes e Lula se reúnem na terça, em Brasília. Segundo o Planalto, escolhem data de inauguração da maior fábrica de celulose do mundo, pertencente ao Grupo Votorantim.

Holofote
Só falta autorização médica.
Mário Bortolotto, baleado em dezembro, avisou: quer voltar aos palcos, com sua banda Saco de Ratos, no fim de fevereiro.

A vida sem chão
A Embaixada americana em Porto Príncipe, um prédio de quatro andares, foi o único edifício da cidade a ficar em pé, segundo fonte do governo brasileiro no Haiti, com quem a coluna conseguiu contato ontem.
E mais: essa mesma fonte registrou grande diferença no modo como soldados do Brasil e dos EUA circulam pelas ruas. Os brasileiros, informais e conversadores. Os americanos, parecendo prontos para a guerra.
Tristeza total, ainda segundo o relato, é a entrada do aeroporto. "Foi eleita como porta da esperança", diz o brasileiro. Desesperados, os haitianos se amontoam nas proximidades, à espera de algum avião que os leve embora.
Comida? Além da escassez absurda, a distribuição em família funciona assim: primeiro come o pai, depois a mãe, o filho mais velho... e o mais novo fica no fim da fila. Para onde vai, também, quem estiver doente.

Luxo só
Quem esteve em Aspen, nesta temporada, percebeu a melhora resultante do investimento de U$8 milhões nas pistas.
Bem como a finalização da primeira fase da reforma de US$ 18 milhões do luxuoso The Little Nell, repaginado pela designer Holly Hunt.,

Cinquentonas
Branca de Neve, deprimida, toma Prozac. Cinderela se rebela, abandona o príncipe e vira vegetariana.
Loucura? Não, sucesso. A Cinderela Que Não Queria Comer Perdizes, de Nunilla Salamero, é um dos campeões de venda nas livrarias da Espanha.

À revelia
Oscar Niemeyer decidiu: não vai desfilar na Beija-Flor, que vai homenagear na avenida os 50 anos da construção de Brasília.
Aparecerá no camarote? Só avisa em cima da hora.

Novos ares
Luciano Szafir sacode a rotina: vai se aventurar na direção de filmes. Só aceitou convite do diretor Ricardo Zimmer para atuar em Fronteira de Sangue com uma condição: em troca, quer aprender com ele o ofício.
Zimmer topou e vai deixá-lo dirigir um núcleo do filme.

Na parede
Com curadoria de Ivald Granato e Jacob Klintowitz, 14 artistas consagrados entram em clima de Copa. A exposição Os Onze - Futebol e Arte - mostra simultaneamente, na África do Sul e no Mube, 11 painéis. A partir de junho.

Direto Da SPFW

A agitação do terceiro dia na Bienal tem nome e sobrenome: Jesus Luz. Reverenciado como popstar, o namorado de Madonna atraiu uma multidão quando se arriscou a sair do camarim para tentar ir ao banheiro. Gritinhos, apertos... e sobrou para uma empresária que, de muletas, deixava a toalete: "Bloquearam a entrada e quase me atropelaram".

Ao lado dela, uma amiga se orgulhava: "Ele é lindo mesmo! Agora, assim não dá. Tratam o moço como deus só porque ele pertence à Madonna."

No entanto, durante o desfile da Ellus para o qual Jesus foi contratado reinou o silêncio. Sem aplausos, alguns se divertiram, irônicos, na plateia:"Tanta Luz e ela se apagou na passarela..."
Lotada, no melhor estilo caos aéreo, a sala da Ellus sucumbiu ao overbooking. Gente com lugar marcado teve que se conformar em ficar em pé.

Fora das passarelas, Preta Gil atravessou o vaivém geral puxando gente para seu novo programa sobre sexo. Irreverente, decidida a vingar-se de Marcelo Tas - que se habituou a ironizá-la no CQC -, perguntou-lhe qual a receita de um bom strip-tease. Tas perdeu a graça: "Bom, o equilíbrio entre ousadia e elegância?"

E, para as tietes de plantão, Jesus, o da Luz, fica em Sampa até sábado para clicar a campanha da Ellus. Endereço? Casa de Nelson Alvarenga.

ELIANE CANTANHÊDE

Razão e emoção

FOLHA DE SÃO PAULO - 21/01/10


BRASÍLIA - Mais do que projetar resultados eleitorais no Brasil, a sucessão presidencial no Chile relativiza o oba-oba brasileiro. Lula tem seus 80% de popularidade, mas a chilena Michelle Bachelet tem até mais, e o colombiano Alvaro Uribe está perto disso.
Além dos méritos dos três, há dados objetivos: nunca antes, não só no Brasil, mas na América Latina, houve crescimento médio, inflação baixa e investimentos como nesta década. O reflexo, lógico, é nos indicadores sociais. Só em 2005 e em 2006, 13 milhões de latino-americanos saíram da linha de miséria. O Brasil não é uma ilha. É parte desse contexto.
Nem os mais de 80% nem a onda da economia (estancada na crise de 2009, mas sem recuo) foram suficientes para Bachelet fazer o seu sucessor. Ganhou o empresário mais bem-sucedido do Chile, Sebastián Piñera -de "direita", por óbvio. Isso, por si, já justifica que analistas independentes e assessores engajados quebrem a cabeça para entender o processo e transportar lições para o Brasil. Mas sem certezas, por favor.
Aqui no Brasil, como diz didaticamente Mauro Paulino, do Datafolha, só os mais ricos e mais escolarizados já estão antenados para a eleição e se alinham, majoritariamente, com Serra ou com Dilma. A eleição só vai começar a ser definida quando os da outra ponta -os mais pobres e menos escolarizados- passarem a se interessar e a conhecer os candidatos. O que depende da razão e da emoção.
Aí entra Lula, que não é Bachelet e, na análise de Paulino, é uma faca de dois gumes. Como ídolo, tanto pode transferir votos para Dilma como pode ser uma sombra, evitando que ela brilhe, que o eleitor preste atenção, confie e vote nela. Dilma, assim, além de disputar com Serra os ganhos que não são só do Brasil, mas da região, terá de calibrar o apoio de Lula, para ser forte o suficiente para alavancá-la, mas não tanto a ponto de sufocá-la.

JAPA GOSTOSA

ARI CUNHA

Mundo torto

CORREIO BRAZILIENSE - 21/01/10


Política brasileira, terremotos, vendavais, desentendimentos e fuxicaria. Não vai bem o mundo. A acomodação das placas tectônicas ameaça agravar a fome no mundo. No Brasil, a política domina com prepotência, egoísmo, uso do dinheiro público. A candidata Dilma Rousseff não aparece em companhia de nenhuma pessoa da família. Pouco se conhece de sua biografia. Não se sabe da sua atividade em administração sem a tutela de Lula. Nem se sozinha, caso eleita, terá discernimento para comandar a administração. Presidente vai de seca a Meca com a candidata a tiracolo. Não apareceu outro candidato. Em Brasília, a erva daninha se enraíza na administração. Mesmo assim, se quer o povo a favor. Pelo visto, há placas tectônicas querendo acomodação também na superfície da política.


A frase que não foi pronunciada

“Aonde Lula vai, a Dilma vai atrás.”
Comentário de Juca Franco, operário, estudando a modernidade da língua


Shoppings
Brasília está vendo pronta a construção de edifícios de shoppings. São muitos, com bastante lugar para estacionamento. Não se sabe se a área é pública ou privada. Pode-se entender que moradores da Península Norte não terão meios de se locomover. Para isso, nenhuma providência está sendo tomada para o trânsito na área.

Forasteiros
Destaque que antes Brasília desfrutava está nas nossas costas. Havia a informação de que brasileiros de toda parte aqui chegavam com a intenção de arrebanhar dinheiros públicos. Passa o tempo e Brasília tem gangue própria para dominar até dinheiro do Legislativo e do Executivo, com rebarbas partindo ao redor do Judiciário.

Previdência
Jarbas Passarinho dirigiu a Previdência. Feitas as contas, eram despesas acrescidas e não controladas. Ministro Passarinho fez revisão na entrada e saída de dinheiro. O rombo foi descoberto. Hoje é da ordem de R$ 42,9 bilhões. A culpa é do governo, que usou dinheiro do trabalhador em atividades impróprias.

Transferência
Lula da Silva transmite para a candidata Dilma Rousseff a força que ela não pode receber. O presidente brasileiro deseja a menor referência ao seu mando. Pior é que, depois de 2010, nós é que vamos pagar pelo orgulho que ele empenha para provar que fez tudo sozinho.

Chineses
Dominando mal o português, pequena comunidade chinesa ocupa um shopping não aceito pelos ambulantes da Rodoviária. A área está quase deserta. Chineses foram chegando, alugando caro apartamentos no Cruzeiro e lojas do shopping abandonado. Com isso se cria comunidade irregular de arrivistas desafiando nossas leis.

Comunidade
Por falar nisso, estrangeiros que entraram no Brasil até 1º de fevereiro de 2009 têm a chance de regularizar a situação se quiserem permanecer no país. Agora é lei. Segundo o senador Eduardo Azeredo, essa população chega a 40 mil.

Abocanhou
Apropriação indevida fez calote das empresas no Fundo de Garantia chegar a R$ 10,9 bilhões em 2009. A cobrança judicial está no encalço dos que ficaram com o dinheiro.

Ah, bom
Não é preciso ter 18 anos para iniciar os exames para obter carteira de motorista. A informação animou a meninada. Mas o projeto de lei do deputado Vital do Rego prevê que a 90 dias de completar os 18 anos o jovem já pode iniciar o trâmite burocrático. Aulas de direção, só depois da maioridade.

Novidade
UnB inova. A intenção do diretor do câmpus de Planaltina, Marcelo Bizerril, é construir um Museu de Ciência moderno e interativo. Além dos mil alunos e 70 professores, o objetivo é atingir a população da área. A MBA Cultural será a responsável pela construção. Tem como referência os museus da Mata Atlântica e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

História de Brasília

As quadras 31, 32 e 33 da Fundação da Casa Popular estão ameaçadas de ruir, em virtude da infiltração de água das últimas chuvas. Uma enxurrada com força extraordinária invadiu a maioria das casas, causando prejuízos enormes. (Publicado em 23/2/1961)

MERVAL PEREIRA

Parcerias estratégicas

O GLOBO - 21/01/10


A disparidade de preços do Rafale francês em licitações em andamento em países como a Índia e os Emirados Árabes está introduzindo uma nova variável na concorrência brasileira para a compra dos caças da FAB, que já estava na berlinda diante da informação de que a Aeronáutica prefere o avião sueco Gripen, por ser o mais barato de todos. A explicação oficial de que a compra brasileira seria decidida não por critérios de preço, mas sim por adequação a uma estratégia de política externa brasileira, fica abalada pela diferença de preços oferecido pela França ao Brasil e aos outros países

A Índia está comprando nada menos que 126 aviões pelos mesmos US$ 10 bilhões que o Brasil está pagando por 36, sendo que desses 108 serão produzidos na Hindustan Aeronautics no próprio país, com programa de transferência de tecnologia até onde se sabe igual ao prometido ao Brasil.

Os Emirados Árabes, por sua vez, estão comprando 60 jatos Rafale, num negócio estimado entre US$ 8 a US$ 11 bilhões.

A prevalecer essa diferença de preços, estaríamos diante de um “parceiro estratégico” que se aproveita de nosso interesse para cobrar mais caro pela parceria.

O governo brasileiro, que já deixou claro, através do próprio presidente Lula, sua inclinação para comprar os jatos da empresa Dassault, resolveu fazer uma consulta formal à França para saber quais são as diferenças entre o pacote brasileiro e os outros que justificariam preços tão desiguais.

A única explicação seria o pacote tecnológico, mas as primeiras informações são de que a Índia também terá um programa de transferência de tecnologia.

Para complicar o jogo, que já parecia definido, a Boeing está oferecendo para a Embraer a participação no programa de desenvolvimento do avião, chamado de Global Super Hornet, o que significa uma mudança de atitude inédita no governo americano em matéria de transferência de tecnologia.

Também o Congresso americano, que tem que aprovar os programas de transferência de tecnologia, deu a autorização prévia em setembro.

No final de dezembro passado o Ministro da Defesa Nelson Jobim recebeu por escrito uma proposta da Boeing, assinada pelo presidente e CEO Dennis Muilenberg, detalhando a oferta, que já havia sido chancelada pela Secretária de Estado Hillary Clinton em carta ao ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.

A proposta da Boeing é transformar a indústria brasileira “no único fornecedor de peças críticas da célula para a linha de produção do Super Hornet para o Brasil e todas as aeronaves da Marinha dos Estados Unidos”.

A empresa se compromete também a entregar “os primeiros pacotes de dados de engenharia” junto com a assinatura do contrato.

Será criada uma estrutura de gerenciamento para a transferência de tecnologia da Boeing para o Brasil, e para demonstrar confiança de que o contrato será cumprido, a empresa americana aceita pagar uma penalidade financeira de 5% “com base em qualquer obrigação não concretizada”.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já falou três vezes com o Presidente Lula para dar o apoio ao projeto, e a Secretária de Estado Hillary Clinton garantiu, na carta a Amorim, “o apoio total do Departamento de Estado dos Estados Unidos à oferta da Marinha americana, com a Boeing, do F/A – 18/F Super Hornet à Força Aérea Brasileira como parte da concorrência brasileira”.

Para dissipar dúvidas sobre a transferência de tecnologia, que é o calcanhar de Aquiles da proposta americana, a secretária Hillary Clinton escreveu que “este é um importante momento para uma aliança estratégica Estados Unidos-Brasil e estamos interessados em expandir a cooperação bilateral não apenas através de venda de armamentos, mas também através de uma crescente cooperação na indústria de defesa, inclusive na área de transferência de tecnologia”.

A Boeing se compromete também a financiar cerca de 100 mil homens/hora para a Embraer participar do programa internacional de desenvolvimento do Global Super Hornet, o que tornaria o caça “financeiramente acessível, viável e capaz para além de 2020”.

A desconfiança de setores do governo brasileiro em relação à nova postura dos Estados Unidos sobre transferência de tecnologia, porém, continua.

Há um trecho na carta da secretária Hillary Clinton em que ela garante que o Departamento de Estado apoia integralmente “a transferência de toda informação relevante e a tecnologia necessária”, o que é interpretado como uma limitação a essa transferência.

Os Estados Unidos definiriam, de acordo com seus interesses particulares, o que seria tecnologia “relevante” e “necessária”.

Até mesmo a multa de 5% em caso de não cumprimento do acordo é visto por esses setores não como uma demonstração de boa-fé, mas de dúvidas da própria Boeing sobre o cumprimento dos compromissos assumidos.

Se não antes, na próxima visita da Secretária de Estado Hillary Clinton ao Brasil, em março, o governo brasileiro poderá esclarecer essas dúvidas.

Isso se não anunciar sua decisão antes. Há especulações de que faria isso nos próximos dias, embora agora a questão do preço esteja em destaque e precise de uma explicação pública.

Se o governo brasileiro não anunciar sua decisão oficial antes do Carnaval, no entanto, certamente quando o Congresso voltar a funcionar o tema provocará um amplo debate, a começar pelas razões por que o governo brasileiro insiste em fazer uma parceria estratégica com a França mesmo a custa de pagar mais que o triplo do preço pago pela Índia, ou quase o dobro dos Emirados Árabes.

E por que a parceria estratégica proposta pelos Estados Unidos não é tão interessante para o Brasil quanto a da França. As vantagens e desvantagens de cada uma terão que ser dissecadas em público.

GOSTOSA

DORA KRAMER

Comparação incomparável

O ESTADO DE SÃO PAULO - 21/01/10


O presidente Luiz Inácio da Silva faz o estilo caudilho, quer mandar em tudo e em todos. Ao PT impôs uma candidata que o partido carrega contrariado, mas conformado, refém de duas crises: de identidade e de baixa estima.

Abriu mão de decidir sobre o próprio destino porque não sabe mais quem é nem o que quer a não ser se manter no poder tendo como referência única a popularidade de Lula. A conquista desse capital por meio de um trabalho de construção do mito fez com que o partido transferisse ao chefe todo poder de escolher seus caminhos.

Como se ele fosse o único dono de discernimento, habilidade política e capacidade estratégica entre milhares de petistas.

Em grau menor, os outros aliados ao presidente agem da mesma forma. Não só deixam que Lula interfira em suas decisões, como pedem sua interferência para resolver pendências.

Já houve ocasião em que a assessoria de comunicação do Palácio do Planalto quis dar a impressão de que Lula poderia até influir nas decisões dos oposicionistas. Foi quando divulgou que o presidente daria "um jeito" de convencer o governador de Minas, Aécio Neves, a insistir na candidatura presidencial para "forçar" o governador de São Paulo, José Serra, a optar pela reeleição.

Lula muda o calendário eleitoral, transgride a legislação sem pejo nem contestação, faz candidatos desistirem de concorrer a governos de Estados, determina quem vai disputar o Senado, transforma um político de dimensão nacional como Ciro Gomes em estafeta de suas conveniências, quer mandar na escolha do candidato a vice do PMDB e, no ápice da convicção de ser absoluto, vive a convicção de que pode comandar a vontade do eleitor que o seguiria independentemente da qualidade da candidatura por ele sustentada.

Em resumo, transita como um coronel em seu hábitat, o curral eleitoral.

Feito o longo enunciado da premissa, vamos ao ponto: só esse modo de agir de Lula já seria suficiente para marcar a especificidade do processo eleitoral brasileiro e a impossibilidade de compará-lo a qualquer outro na tentativa de estabelecer paralelos com resultados de eleições já concluídas.

Especificamente a do Chile, onde Sebastián Piñera derrotou o ex-presidente Eduardo Frei, candidato da presidente Michele Bachelet, dona de 81% de aprovação popular.

Como raciocínio hipotético à falta de uma discussão mais consistente, até vale o cotejo. Mas a conclusão de que é "prova" de que voto não se transfere e, portanto, Dilma teria necessariamente o destino de Frei é falha. E rasa.

Não leva em conta as diferenças abissais entre os dois países, seja no histórico, na formação educacional de suas populações, na definição ideológica dos partidos, na identificação entre eles na formação das coalizões, na natureza da popularidade de um e de outro presidente (aqui fruto de um bem montado esquema de culto à personalidade) e, principalmente, no papel dos chefes de ambas as nações no processo eleitoral.

Ao contrário de Lula, Bachelet não carregou um "poste". Uma por questão de estilo e circunstância, outra porque Eduardo Frei tem história no Chile.

Lá, a transferência de votos não foi questão decisiva como será aqui nem a presidente da República galvanizou as atenções tomando ela o lugar do candidato. Tampouco são semelhantes as razões do eleitorado para decidir.

Essas observações não pretendem montar uma equação a respeito de vantagens ou desvantagem comparativas, mas apenas pontuar uma obviedade: impossível comparar situações diferentes e pretender chegar a uma conclusão razoavelmente condizente com a realidade.

O que vai definir o desempenho de Dilma é o grau de empatia que ela conseguir, ou não, estabelecer com o eleitor.


Cartada

Tanto o PT quanto o PSDB de Minas acham que o ministro Hélio Costa blefa quando diz que será candidato ao governo do Estado do PMDB, mesmo sem o apoio dos petistas.

Nenhum dos dois lados acredita que Hélio Costa ignore a hipótese de sua candidatura minguar se estiver imprensado entre duas fortes estruturas nacionais. O PT tem Lula e Dilma e o PSDB a campanha presidencial de José Serra.

A esperança de Costa é que Lula faça o PT desistir de candidatura própria ou dê ao ministro a vaga de vice na chapa de Dilma. A torcida dos tucanos é que isso não aconteça e Hélio Costa concorra ao Senado em aliança com o PSDB.

Palanque múltiplo

A divisão do palanque estadual do Rio entre os candidatos presidenciais Marina Silva e José Serra pode acabar confundindo o eleitor.

Fernando Gabeira diz que fará campanha "unicamente" para Marina. Mas, como titular da coalizão com PSDB, PPS, PV e DEM que lhe dará de seis a oito minutos na televisão, terá de aceitar que todos os demais partidos façam campanha "unicamente" para Serra.

ANCELMO GÓIS

Lenda urbana

O GLOBO - 21/01/10


Veja como a internet tem hora que vira coisa de doido. O Plaza Shopping, em Niterói, reclama ser vítima de corrente falsa que dissemina informações de que o prédio cairia por causa do incêndio na véspera do Natal. Só que a direção do shopping já tem laudos da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, atestando que não há risco.

SEGUE...
O Plaza Niterói pertence ao grupo BR Malls Participações, que detém uma rede de 35 shoppings no País. Aliás, o grupo ontem anunciou a saída do GP Investimentos da sociedade. Sem o GP, que tinha uns 7% do capital, o maior acionista individual do BR Malls deve ser o grande investidor imobiliário americano Sam Zell, 67 anos, dono também dos jornais “Chicago Tribune” e “LA Times”.
PARA CONCLUIR...
A GP entrou no BR Malls no fim de 2006 colocando US$ 75 milhões. Três anos depois, vendeu sua parte por US$ 250 milhões. Nada mal.
PETROBRAS E ITAÚ
O empresário Sebastián Piñera, presidente eleito do Chile, disse em entrevista à TV local querer estimular as empresas chilenas a ter uma presença maior na América do Sul “tal como o Brasil atua hoje no Chile, com marcas fortes como a Petrobras e o Banco Itaú”.
ZAGALLO ETERNO
Será inaugurado amanhã no Maracanã um busto de Zagallo. É o segundo que o Velho Lobo ganha em vida. O outro fica em Duque de Caxias. Ele merece.
FEITIÇO DA VILA
Sérgio Cabral, o coleguinha e pesquisador da nossa MPB, começa a escrever uma biografia da cantora Aracy de Almeida, que morreu em 1988. Nascida no subúrbio carioca do Encantado, ela é considerada a maior intérprete de Noel Rosa, com quem, aliás, tomava cerveja na Taberna da Glória.
PINTANDO O SETE
Cabral, no momento, também conclui uma biografia de Carlos Manga, 82 anos, diretor de cinema e TV responsável pelas grandes chanchadas da Atlântida.
DEPOIS DE COPENHAGUE
O sociólogo Sergio Abranches fechou com a Editora Record a publicação do livro “Depois de Copenhague”, uma análise da situação ambiental do mundo a partir do debate da conferência, em dezembro. O livro deve ser lançado até agosto.
SALA DO CHORO
O Cine Íris, na Rua da Carioca, que completou 100 anos em outubro, será desapropriado pelo governador Sérgio Cabral. A ideia é transformar o mais antigo cinema carioca na Sala Pixinguinha.
CRIME DO AFROREGGAE
A 2ª Câmara Criminal do TJRJ negou o pedido de exclusão da acusação de furto qualificado feito pelos PMs suspeitos de envolvimento na morte de Evandro João da Silva, coordenador do AfroReggae, ocorrida em outubro. Com isso, Dennys Leonardo Bizarro e Marcos de Oliveira Sales continuam respondendo pelos crimes de prevaricação e furto.
TEM BOI NA LINHA
As ações da combalida Refinaria de Manguinhos, encravada na Av. Brasil, subiram uns 100% em uma semana. A empresa é dirigida por Marcelo Sereno, polêmico ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Planos e direitos

O GLOBO - 21/01/10


Só li do tal Plano Nacional de Direitos Humanos o que saiu, em fragmentos, nos jornais. Se entendi bem, o que eu duvido, este plano é uma versão revisada de um anterior, que por sua vez era uma revisão de um mais antigo. O que sugere que ou o novo plano altera radicalmente as propostas dos outros ou o escândalo que se faz com ele é indefensável. Por que o escândalo, e só agora? Pelo que li, não são grandes as diferenças entre o terceiro plano e os dois anteriores, inclusive o que é dos tempos do Fernando Henrique. E não há discrepância entre suas propostas e o que está em discussão, hoje, no resto do mundo civilizado. Coisas como a descriminalização do aborto e o casamento de gays são debates modernos, mesmo que não impliquem em mudanças imediatas. A proibição de símbolos religiosos em repartições públicas é consequência lógica do velho preceito da separação de igreja e estado, que não deveria melindrar mais ninguém – pelo menos não neste século. A ideia de novos anteparos jurídicos para mediar os conflitos de terra é de uma alternativa sensata para a violência de lado a lado. E a obrigação de proteger os direitos e a integridade de qualquer um da prepotência do estado e do excesso policial, alguém é humanamente contra?
O novo plano peca pela linguagem confusa e inadequada, em alguns casos. A preocupação com o monopólio da informação de grandes grupos jornalísticos, e com a qualidade da programação disponível, também é comum em todo o mundo. Muitos países têm leis e restrições para enfrentar a questão sem que configurem ameaças à liberdade de opinião e de expressão. E sem sugerir o controle de redações e o poder de censura que o tal plano – em passagens que devem ser imediatamente cortadas, e seus autores postos de
castigo – parece sugerir.
Sobra a questão militar. Em nenhum fragmento do plano que li se fala em anular a anistia. O direito humano que se quer promover é o do Brasil de saber seu passado, é o direito da Nação à memória que hoje lhe é sonegada. Só por uma grande falência da razão, por uma irrecuperável crise semântica, se poderia aceitar verdade como sinônimo de revanche.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O PT é doutor em terrorismo eleitoral”
PRESIDENTE DO PSDB, SENADOR SÉRGIO GUERRA (PE), AO AFIRMAR QUE O PAC É UM PALANQUE

BANDIDO VENDIA DINHEIRO FALSO NO CONGRESSO
Um estelionatário preso em Brasília, esta semana, atuava também no Congresso. A Polícia Civil apreendeu com Aurino Benjamin de Barros, 47, além de “milhões” em cédulas falsas, fotos dele até nos plenários da Câmara e do Senado, insinuando livre trânsito. Servidores disseram à coluna que há anos Aurino oferecia, até a parlamentares, a troca de dinheiro falso por real, à base de “três por um”. E fez muitos negócios.
ESSES POLÍTICOS...
Parlamentares usariam o dinheiro falso para pagar a cabos eleitorais nos Estados, segundo funcionários do Congresso.
SEM SUSPEITA
O delegado Aélio Caracelli, da 5ª DP de Brasília, que investiga o caso, garante que não averigua o envolvimento de políticos no estelionato.
LIVRE TRÂNSITO
Os diretores das polícias do Senado e Câmara, onde o estelionatário fazia negócios, afirmam ignorar completamente o assunto.
ARREPENDIMENTO
A polícia prendeu o bandido após denúncia de um comerciante do Maranhão, que trocou R$ 250 mil por R$ 1 milhão em cédulas falsas.
CÂMARA INVESTIGA ONGS QUE FATURAM COM ÍNDIOS
O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ex-presidente da Câmara, anunciou ontem que convocará para depor na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional as representações indígenas que, em um manifesto, acusaram as Organizações Não-Governamentais (ONGs) estrangeiras de se aproveitarem deles para ganhar milhões de dólares obtidos junto a governos e a financiadores internacionais.
CONTRA A REFORMA
A acusação dos índios contra ONGs estrangeiras está no manifesto deles contra a reforma administrativa em curso na Funai.
NOMES AOS BOIS
A bronca principal dos índios é contra as ONGs Instituto Socioambiental (ISA) e Centro de Trabalho Indigenista (CTI).
MÁ PUBLICIDADE
Estranho, o tratamento em spa chiquérrimo da Serra Gaúcha, a que se submeteu Dilma Rousseff: ela não emagreceu, como dizem; engordou.
MALDADE
E-mail de ataques a Lula, na internet, inclui “Franklin Goebbels Martins”, ministro da Propaganda de Lula, entre os destinatários. O sobrenome enxertado é de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler.
TORNEIRO GLOBALIZADO
Quem diria, Lula ganha, dia 29, em Davos, Suíça, o inédito prêmio de Estadista Global, do Fórum Econômico Mundial. Para quem começou no radical Foro de São Paulo, é a verdadeira “metaformose ambulante”.
OS ‘BATTISTI’ DO PARAGUAI
O governo paraguaio reiterou ao jornal ABC Color que reforçará o pedido de captura de Anúncio Martí, Juan Arrom e Victor Colmãn, refugiados no Brasil, acusados do sequestro de uma milionária paraguaia. Arrom é contraparente do atual presidente, Fernando Lugo.
ESSA COCA COLA
Deve ter sido excesso de chá de coca: o presidente maluquete da Bolívia, Evo Morales, vai pedir à ONU que rechace a “ocupação militar” dos EUA no Haiti. Se bobear, o papagaio de Chávez declara guerra...
BOLHA
Em entrevista à revista Business Week, o presidente da construtora Gafisa, Wilson Amaral, disse esperar que os preços de imóveis no Rio e em São Paulo aumentem em 40%. A culpa é da economia estável.
PARTIDO DOS DESEMPREGADOS
Uma ducha de água fria oficial: o governo Lula criou 995 mil e 110 empregos em 2009 – o pior resultado desde o início do mandato do candidato do PT, que prometeu dez milhões, na campanha de 2002.
PASSAPORTE
A Polícia Federal mudou o formato do passaporte há quatro anos, mas mesmo assim demora muito para um cidadão conseguir renová-lo. Em Brasília, chega a um mês a espera para agendar atendimento.
TUDO AZUL
Em Guajará-Mirim (RO), na fronteira com a Bolívia, Viagra é vendido sem receita a R$ 2,50 e R$ 50 a cartela de cinqüenta comprimidos. O remédio é contrabandeado livremente do Paraguai e da Bolívia.
PENSANDO BEM...
é por medo de vaias nos aviões de carreira que certos ministros preferem a “milhagem” nos jatinhos da FAB.

PODER SEM PUDOR
AMEAÇA EXPLÍCITA
Foi pesado o clima da reunião ministerial que discutiu o projeto que autoriza os transgênicos. Coube ao ex-todo-poderoso chefão José Dirceu encerrá-la:
– Na semana que vem discutimos o projeto novamente. Mas, com a reforma ministerial, eu não sei se estarei aqui... – brincou.
Todos sorriram, exceto a então ministra Marina Silva (Meio Ambiente), que afirmou:
– Pois quem não garante que estará aqui sou eu, se o texto do relatório ficar do jeito que o Aldo (Rebelo) deixou.
Foi a primeira vez que a ministra ameaçou demitir-se.

UM PUTEIRO CHAMADO BRASIL

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Novo terremoto dificulta ações de socorro no Haiti


- Estadão: Brasil tem déficit externo recorde


- JB: Sempre é possível piorar


- Correio: Pânico aumenta com novo tremor no Haiti


- Valor: Consumo faz disparar os investimentos no varejo


- Jornal do Commercio: Luz mais barata para 8,5 milhões de pessoas

quarta-feira, janeiro 20, 2010

VINICIUS TORRES FREIRE

O zum-zum do álcool importado

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/10

Parece piada ou pelo menos esquisito, mas voltou a conversa de que há empresas dispostas a importar álcool. Sim, o preço está alto. Mas até hoje se discutem, por exemplo, as restrições americanas à importação do produto brasileiro -o problema é vender, não comprar álcool do exterior. Sim, o preço é assunto de curto prazo; a exportação para o mercado americano é um problema estratégico. Ainda assim, é esquisito. Ainda mais porque o álcool viria dos EUA, famosos por subsidiarem a produção de seu álcool careiro.

De resto, a gasolina é um substituto quase perfeito para o
álcool, pois a frota brasileira é em grande parte "flex".

Foi em outubro do ano passado que o zum-zum sobre a importação de
álcool ficou audível para o público que não vive o cotidiano desse mercado. Na época, o litro do álcool na porta das usinas ameaçava chegar a R$ 1 (preço sem impostos etc.). A história parecia ficção, mas havia chegado aos ouvidos do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior.

Foi em outubro também que o governo decretou a cobrança de IOF sobre aplicações financeiras de não residentes ("estrangeiros") a fim de evitar que o real continuasse a se valorizar. Os negociantes que então pensavam em levar adiante o negócio reclamaram do imposto, pois contavam tanto com o aumento de preço do
álcool até meados deste ano como com a alta do real (que baratearia o produto importado).

Segundo o governo, não houve importação, como ainda não haveria pedido de importação. Mas empresas querem redução da tarifa de importação. O governo não comenta. Desde outubro, o real de fato parou de se valorizar. Porém, o preço do
álcool continuou a subir. O preço do litro do álcool hidratado, na porta das usinas, subiu 64% no período (considerada a média semanal dos preços daquele mês comparada à média de janeiro, do Cepea-Esalq).

Um experiente ex-diretor da Unica, associação dos usineiros, diz que o negócio "parece um pouco arriscado". Os preços são voláteis, e se desconhece o tamanho da reação do consumidor à carestia do
álcool. Alguém pode acabar com um estoque importado a preços não convidativos -isso se achar álcool e frete a um preço bom o bastante para trazer o produto para o Brasil.

A história da importação, porém, não é nova. Em 2006, diante de outra onda de alta de preços, o governo baixou temporariamente de 20% para zero o Imposto de Importação de
álcool anidro, misturado à gasolina, e para o hidratado, que vai para o tanque dos carros; também baixou a mistura de álcool à gasolina, como agora. Então, os especialistas emálcool, dentro e fora do governo, consideravam a medida inócua -não haveria álcool barato e em quantidade relevante no mercado mundial.

O
álcool está caro porque a produção baixou. Porque choveu demais, o que atrapalhou a colheita e a qualidade da cana. Porque provavelmente se vendeu mais açúcar, que está com bom preço no mercado mundial, por ora. E o álcool subiu devido ao velho problema dos estoques (piorado neste ano porque no início de 2009 as usinas fizeram jorrar álcool barato no mercado, para fazer caixa). Fazer estoque custa dinheiro, e as empresas estão mal das pernas, incapazes de tomar crédito.

MÔNICA BERGAMO

Enquanto isso, no Suriname...

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/10

Continua forte a tensão entre brasileiros e os surinamenses "maroons", descendentes de quilombolas que agrediram a pauladas mais de cem garimpeiros do Brasil em Albina, em dezembro. Na noite de segunda-feira, duas brasileiras foram estupradas durante assalto a um supermercado no interior do país. A embaixada do Brasil no Suriname confirma a informação.

VERSÕES
Rumores de conflitos causados por brasileiros pipocam nos jornais do Suriname, mas o embaixador brasileiro, José Luiz Machado e Costa, diz que as notícias são falsas. "Os jornais publicam reportagens sobre crimes liderados por brasileiros, baseados apenas em relatos de "maroons". Quando procuramos a polícia, descobrimos que aquilo não aconteceu."

BOLSA RETORNO
Entre os garimpeiros agredidos em Albina, cerca de 60 continuam em hotel em Paramaribo pago pelo Itamaraty. E 20 já fizeram uso de uma oferta da embaixada brasileira para que voltem ao país -passagem paga até Belém mais R$ 35 para despesas de viagem (lanche, cartão telefônico etc.).

IMPEDIMENTO 1
A Prefeitura de SP vetou a construção de uma área VIP corintiana no Sambódromo do Anhembi que, batizado de Camarote do Centenário, prometia até a presença do atacante Ronaldo. Em avaliação preliminar, considerou que a exibição de marcas ligadas ao clube poderiam ferir outros contratos, como o da TV Globo.

IMPEDIMENTO 2
A academia de ginástica que promoveria o Camarote do Centenário, entre os setores D e E do complexo, diz que vai reformular o projeto para tentar emplacar a aprovação.

CORDINHA Gilberto Kassab vai agraciar os pescoços do presidente Lula e do governador José Serra com as duas primeiras medalhas 25 de Janeiro, nova distinção inventada pela prefeitura.

EXPRESSO BSB O grupo Fasano chega a Brasília. Abrirá um Gero Caffe no shopping Iguatemi da capital.

MADONNOU
Jesus Luz faz filantropia hoje. Toca no clube Royal em festa com renda destinada ao Haiti, batizada de "Luz para o Haiti".

RATAVA O efeito 3-D sumiu numa sessão do filme "Avatar", no sábado, no Cinemark do shopping Pátio Higienópolis. Espectadores só conseguiam ver o longa em três dimensões se colocassem seus óculos de ponta-cabeça. O cinema diz que uma queda de energia inverteu a polaridade do projetor digital e que a falha foi corrigida.

PARA DEPOIS
Foi adiado o show que reuniria 13 cantoras da MPB, como Sandy e Fafá de Belém, para homenagear Zilda Arns na próxima segunda-feira. Segundo a organização, não havia tempo para os ensaios. O show deve acontecer após o Carnaval ou na Virada Cultural, em abril.

URNA
O promotor Marcio Christino também disputará a eleição para procurador-geral de SP.

NO HALL, COM A FACA
Os convidados do desfile da grife 2nd Floor, que acontece hoje na SPFW, receberam com o convite o jogo "Detetive", da Estrela. A coleção de inverno da marca tem o jogo como uma de suas fontes de inspiração.

"UÓSHITO E GREICE"

Escola de inglês dá bolsa para "nomes estranhos"

A escola de inglês Cultura Inglesa iniciou ontem uma campanha, em sua nova unidade de Sorocaba (SP), focada em pessoas com "nomes estranhos". O anúncio, criado pela agência de publicidade Lew Lara TBWA, diz: "Se você se chama Uóshito, Maico, Bredi, Uélito ou Greice Kelly, o primeiro semestre na Cultura Inglesa é grátis. Afinal, você deveria falar inglês desde que nasceu".

A TERRORISTA MENTIROSA

ALEXANDRE SCHWARTSMAN

O sonho de Odisseu


FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/10


BCs independentes foram criados para evitar que um bem público fosse ameaçado por conveniências políticas

A CRISE recente na Argentina serviu de pretexto para a abertura da temporada de disparates de 2010. É bem verdade que a criação de bobagens jamais respeitou o calendário gregoriano, mas desta vez seu escopo foi substantivamente alargado: deixamos o domínio da economia para adentrarmos, com tração nas quatro, no pantanoso terreno da democracia.
Recapitulando, o governo argentino ordenou ao banco central (BCRA) que transferisse cerca de US$ 6 bilhões de suas reservas para um fundo destinado ao pagamento da dívida. O presidente do BCRA, Martín Redrado, recusou-se, baseado na legislação vigente, que assegura que as reservas só podem ser utilizadas para pagamento de obrigações do próprio BCRA (aliás, esse argumento -de que os dólares do BCRA pertencem a ele, e não ao Tesouro argentino- é o que impede credores de sequestrarem as reservas para pagamento das dívidas em default).
Devido à recusa de Redrado, o governo o demitiu, embora a lei argentina estabeleça que o presidente do BCRA só possa ser demitido pelo Congresso. Baseado nisso Redrado conseguiu, num mandado de segurança, ordem que o mantém no cargo, deixando o BCRA na curiosa situação de possuir dois presidentes (se cada um pudesse ficar com a responsabilidade por só metade da inflação, até que não seria tão ruim). Esses são os fatos. Passemos às tolices.
Há quem reconheça que as regras existem e foram descumpridas pelo governo argentino, mas argumenta que regras "ilegítimas" não devem ser observadas. Simultaneamente, porém, assegura que "insubordinação se pune", posição esquizofrênica, pois prega a obediência a uma decisão que desobedece à lei.
Leis existem, entre outras coisas, para limitar o poder do soberano. Não é difícil imaginar o que cada governante (ou cada indivíduo) faria se os limites da lei pudessem ser violados com base no que cada um considera "legítimo". Duvido, por exemplo, que o autor do argumento tenha apoiado a decisão do governo Bush de manter prisioneiros em Guantánamo, ainda que os formuladores da "guerra ao terrorismo" achassem seus motivos e, logo, suas ações perfeitamente "legítimas", apesar de sabidamente ilegais. Acredito também que não endosse a ação dos que acham "legítimo" assassinar médicos que praticam o aborto nos EUA.
Outros clamam que a medida não violaria a independência do BC porque esta diria respeito somente à política monetária, quando o caso se refere à política fiscal. Não veem (ou fingem não ver) que essa linha de argumentação limitaria qualquer ação do BCRA que tenha efeitos fiscais. Uma elevação de taxa de juros, por exemplo, poderia ser questionada com base na mesma lógica.
Defendem ainda que o princípio da independência plena dos bancos centrais seria "antidemocrático", embora todas as grandes democracias deste lado da galáxia adotem nada menos que a independência plena dos bancos centrais (e, não, o Federal Reserve não tem uma "independência razoável" como o BC brasileiro: seus diretores têm mandatos fixos e escolhem sua própria meta de inflação).
Esse arranjo não surgiu por acaso. Da mesma forma que a lei limita o poder do soberano, BCs independentes foram criados exatamente para evitar que um bem público, a estabilidade de preços, pudesse ser ameaçado pelas conveniências políticas do príncipe. Democracias descobriram que certas amarras autoimpostas são cruciais para prevenir que o canto das sereias produza resultados que lhes causem danos às vezes irreparáveis, mas parece haver quem ainda não tenha amadurecido o suficiente para compreender isso.

Alexandre Schwartsman, 46, é economista-chefe do Grupo Santander Brasil, doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central.

GILLES LAPOUGE

Ação de Washington expõe lentidão da UE

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/01/10


O desembarque dos EUA no Haiti deixou a Europa estupefata. O que aconteceu com Barack Obama, que há um ano vem sendo descrito como um homem indeciso e hesitante? Em poucas horas, ele encontrou 10 mil soldados, 19 helicópteros, 1 hospital flutuante com 12 salas cirúrgicas e instalou tudo isso no Haiti, tomando, de passagem, o aeroporto de Porto Príncipe.

Aviões humanitários franceses, brasileiros e italianos tiveram de dar meia-volta e pousar em outro país, o que provocou a cólera de Alain Joyandet, secretário de Estado da França. Ele disse que "protestaria", mas, em seguida, o presidente Nicolas Sarkozy o desmentiu.

Entretanto, é verdade que o "golpe" de Obama despertou as desconfianças antiamericanas. As imagens de Porto Príncipe suscitaram lembranças desagradáveis: a exibição de força, a arrogância dos soldados, a mania dos generais americanos de colocar os generais europeus em sua insignificância. A irritação foi tão gritante que Obama divulgou uma espécie de justificativa: "Não viemos para submeter os outros, mas para ajudá-los a se reerguer."

As críticas dos "antiamericanos" seriam mais audíveis se a Europa tivesse tido um bom comportamento. Ocorre que a União Europeia se limitou a dar o espetáculo que ela representa melhor: o de sua impotência e de suas discórdias.

O novo presidente da União Europeia ficou mudo. A nova ministra das Relações Exteriores, a britânica Catherine Ashton, não foi ao Haiti. Ela achou que poderia se esquivar fazendo críticas indiretas a Hillary Clinton, que, no entanto, estava lá. "Catherine Ashton não pretende fazer turismo de desastre", era o que se dizia.

A opinião pública já começa a se cansar. Esses haitianos estão ficando monótonos. Só se fala neles. Todos esses mortos, essas crianças desfiguradas. Nós amamos esses pobres coitados, mas é que o Haiti é um país maldito! Por outro lado, a França mostrou, mais uma vez, que tem coração. O ministro da Imigração, Brice Hortefeux, disse que o país não mandará de volta os haitianos que estão em situação irregular na França. Pelo menos por enquanto.

O público se cansa. Ontem, uma rádio apresentou uma transmissão sobre o Haiti. Com o testemunho do poeta haitiano Metellus, que falava de sua dor, de todos os crimes que a ilha sofreu pela mão de estrangeiros, de Napoleão a Jules Ferry, sem falar nos crimes americanos. E, durante, todo o tempo, não paravam de chegar e-mails dizendo: "Chega de Haiti! Nós, franceses, também temos nossos problemas!"
*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Crise e alta do ouro elevam a procura por penhor de joias

folha de são paulo - 20/01/10


A procura por penhor de joias cresceu no ano passado. A linha de crédito da Caixa Econômica Federal realizou empréstimos que somaram R$ 5,4 bilhões em 2009, o que representa aumento de 6,3% em relação ao ano anterior.
Em dezembro, o saldo da carteira de penhor (o volume contratado menos as liquidações) era de R$ 758 milhões, 18% acima do de dezembro de 2008.
A procura por esse tipo de crédito aconteceu "em consequência da crise financeira e da valorização do preço do ouro", de acordo com Jorge Pedro de Lima Filho, gerente nacional de aplicação de pessoa física da Caixa. Os números também revelam que houve aumento da permanência do contrato por mais tempo, diz Lima Filho.
Como uma das linhas de financiamento mais tradicionais e populares, o penhor é atrativo graças às facilidades de acesso ao crédito e juros baixos.
O empréstimo corresponde a 85% do valor de avaliação da joia, e o limite máximo de financiamento é de R$ 50 mil. Por ter o bem como garantia, a inadimplência é baixa, de 0,2%.
As taxas de juros cobradas são abaixo da média do mercado. No micropenhor, para empréstimos até R$ 1.500, os juros são de 1,68% ao mês, com prazo máximo para pagamento de 180 dias. Já na modalidade tradicional, acima de R$ 1.500, as taxas são de 2,05% ao mês.
Para o final de 2010, a expectativa da Caixa é que o saldo da carteira atinja R$ 900 milhões. Para facilitar o acesso ao crédito, o banco quer aumentar o número de agências que oferece o serviço, de 438 para 500, e ampliar a base territorial de atendimento. O banco está expandindo o penhor itinerante, que permite que o crédito chegue a microrregiões, por meio de um avaliador que transita entre as agências.
Segundo pesquisa da Caixa, o penhor de joias é usado na maioria das vezes por mulheres, entre 30 e 45 anos, e para o pagamento de dívidas pessoais. A maioria dos empréstimos acorre no primeiro semestre, quando as pessoas enfrentam mais dificuldades financeiras, segundo Lima Filho.

PASSO A PASSO
A Calçados Bibi vai ampliar os investimentos na linha de calçados fisiológicos. Hoje 60% da produção da empresa de calçados infantis é feita com a tecnologia patenteada chamada Fisioflex. Com base em estudos com médicos especialistas em ortopedia e pediatria, a companhia criou uma palmilha que não interfere no desenvolvimento dos pés, ativando pequenos músculos do corpo. Os calçados custam nas lojas, em média, de R$ 60 a R$ 140. A Bibi deve crescer 23% neste ano, puxada, principalmente, pelas vendas dos calçados fisiológicos, segundo Marlin Kohlrausch, presidente da companhia. A expectativa da empresa é comercializar 3,2 milhões de pares neste ano, com faturamento de R$ 115 milhões. Segundo pesquisa realizada nos EUA, pelo grupo NPD, o mercado de calçados fisiológicos está em alta. Eles geram quase 25% do volume do setor calçadista no país.

OTIMISMO 1
Ao contrário do início de 2009, neste ano, o índice de confiança do consumidor, medido pela Fecomercio SP, abriu janeiro com patamar recorde. O indicador alcançou 158,7 pontos, alta de 2,2% em relação ao fechamento de dezembro, quando registrou 155,2 pontos. Acima de cem o índice é considerado otimista.

OTIMISMO 2
Na comparação com janeiro de 2009, quando o comportamento do consumidor foi afetado pela crise, o índice apresentou crescimento de 27,5%.

DETERGENTE
A Abipla (associação das indústrias de produtos de limpeza) espera registrar economia de US$ 38 milhões nos próximos 12 meses, devido à manutenção da redução da alíquota de 10% para 2% do Imposto de Importação de algumas mercadorias usadas como matéria-prima na indústria.


ÁGUA SANITÁRIA
O setor de produtos de limpeza registrou faturamento superior a R$ 12 bilhões em 2009, com crescimento de 7% ante o ano anterior. Para 2010, a previsão é de 10%, segundo a Abipla.

GOTA A GOTA
Neste ano, a AmBev irá investir R$ 20,3 milhões em projetos ambientais. A empresa pretende monitorar todo o volume de água gasto na sua cadeia produtiva, desde a produção de cevada até o ponto de venda.

MACA
Autoridades de vigilância sanitária de todo o mundo se reunirão entre os dias 26 e 29, em SP. Na pauta: a harmonização regulatória global dos produtos para a saúde. Haverá representantes de EUA, Austrália, Argentina, Canadá, México, Japão, Holanda, Bélgica e outros.

DOS PÉS À CABEÇA
O evento anual São Paulo Prêt-à-Porter, que será inaugurado em janeiro de 2011, paralelamente à feira de calçados e acessórios Couromoda, terá como parceiro o grupo italiano responsável pelas feiras Pitti Uomo/Donna, de Florença.

CALENDÁRIO
Francisco Santos, presidente do Grupo Couromoda, quer trazer 1.500 expositores para a primeira edição do evento. O objetivo do grupo, que também é dono de feiras de beleza e saúde, é promover uma semana internacional de moda e negócios.

com JOANA CUNHA e ALESSANDRA KIANEK