quinta-feira, janeiro 14, 2010

PAINEL DA FOLHA

Plano de voo

Folha de S. Paulo - 14/01/2010
O presidente Lula determinou ontem aos ministros que preparem uma "prestação de contas" sobre programas em andamento e agendou para a próxima quinta-feira uma reunião com toda a equipe da Esplanada. A ideia é ter em mãos já neste mês números atualizados e previsões para elaborar a plataforma eleitoral de Dilma Rousseff, assim como traçar uma agenda de inaugurações de obras pelo país.

No encontro, segundo seus auxiliares, Lula pretende ouvir uma resposta definitiva dos ministros que deixarão o governo para disputar as eleições. Ele também pediu um perfil detalhado de quem são os secretários-executivos das pastas, prováveis herdeiros dos cargos na reta final do governo.


Timing. Reunidos num jantar anteontem na casa da ministra Dilma Rousseff, o seleto grupo engajado na pré-campanha definiu dois momentos cruciais neste início de ano: o congresso do PT (18 de fevereiro) e a despedida da Casa Civil, no "minuto anterior ao prazo definido em lei".

Prioridades. Enquanto o PSOL assiste incomodado à aproximação dos verdes com os tucanos no Rio, um dirigente do PV, de olho no tempo de televisão que a coligação pode dar a Fernando Gabeira, retruca: "Isso não é a preocupação do momento".

Cláusula. O comando verde já impõe condições à aliança: não há hipótese de o vice de Gabeira ser ou ter ligação com o DEM. O PSDB já articula nomes: o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, o prefeito de Duque de Caxias, Zito, ou a vereadora Andrea Gouvêa.

Isola. De volta à cena após dias de fervura do escândalo do mensalão, José Roberto Arruda foi evitado pelos demais governadores e prefeitos na cerimônia do PAC da Copa.

Foto. Antes do início dos discursos, espalhou-se tensão entre os governadores para saber quem se sentaria ao lado de Arruda. O premiado foi Jaques Wagner (PT-BA).

Dr.Dolittle. O deputado ACM Neto (DEM-BA) foi surpreendido ontem por um vereador que chegou a seu escritório com um jacaré, encontrado ferido numa rodovia.

Luto. Foi Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência, quem comunicou à família de Zilda Arns que ela era uma das vítimas do terremoto que devastou o Haiti.

Roteiro. Lula tinha viagem programada ao Haiti na segunda quinzena de fevereiro.

Memória 1. Uma das principais divergências de Zilda Arns com o governo Lula ocorreu logo após a eleição de 2002, quando do lançamento do Fome Zero. Ela criticava a distribuição de cupons prevista no programa porque eles "poderiam levar à corrupção".

Memória 2. À época, Zilda sugeriu: "É melhor dar diretamente o dinheiro às mulheres, que têm uma inteligência difusa maior". Dois anos depois, o decreto que criou o Bolsa Família ordenou que o titular do cartão deve ser preferencialmente a mulher.

Meio termo. Não foi preciso muito suor para convencer Nelson Jobim (Defesa) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) a chegar a um acordo sobre do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos. De um um lado, não interessava a Jobim colar sua imagem à defesa de militares que praticaram tortura. Do outro, tampouco Vannuchi almejava sair do contencioso com a pecha de revanchista.

Baú. O deputado tucano Eduardo Gomes (TO) recolhe assinaturas de líderes dos partidos na Câmara para instalar uma comissão destinada a analisar o texto do programa de direitos humanos. O grupo também ficaria encarregado de juntar projetos já existentes que tratam dos temas contidos no texto, há anos engavetados na Casa.


Tiroteio

"O ímpeto de legislar do governo ultrapassou todos os limites porque esse documento afronta a Constituição em diversos tópicos."

Do deputado CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP), sobre a manutenção de pontos polêmicos no terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos que geraram a crise com segmentos da sociedade.

Contraponto

Tempero baiano O presidente Lula se divertia ontem contando para o governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e um grupo de prefeitos sobre as férias na praia baiana de Inema. Ao narrar as experiências gastronômicas, disse que o ministro Geddel Vieira Lima mandou o prato "cabeça de robalo", feito de caranguejo, à primeira-dama, Marisa Letícia.
-Bem na hora que eu ia começar a comer chegou o Jaques Wagner...-, relatou Lula, sobre os adversários.
Cabral fez ar de preocupado, ao que Lula emendou:
-Mas fui logo avisando que ele não poderia comer porque era presente do Geddel...
No dia seguinte, Wagner enviou um cesto de acarajés.

CLÓVIS ROSSI

Verdade e poder, dois estranhos

FOLHA DE SÃO PAULO - 14/01/10


SÃO PAULO - Roberto Saviano é um jornalista italiano que investigou as máfias de seu país e as conexões com o poder. Produziu um livro, "Gomorra", que lhe valeu uma espécie de condenação informal à morte pelos clãs mafiosos.
No começo de outubro, em ato público de protesto contra os ataques do primeiro-ministro Silvio Berlusconi à mídia, Saviano soltou esta frase: "Verdade e poder não coincidem nunca".
Exagero? Talvez, mas não muito, a julgar por duas notícias dos jornais de ontem, para não pesquisar exemplos anteriores. Primeira: o governo holandês, depois de tomar a decisão de apoiar a invasão do Iraque já em 2002 (a invasão só se deu em 2003), passou a selecionar nos textos dos serviços de inteligência apenas os trechos que se adequassem à linha política já decidida.
Detalhe: estamos falando da civilizada Holanda.
Segunda notícia: o governo grego manipulou estatísticas para tentar esconder o seu formidável deficit público. No dia 2 de outubro, mandou informe à Comissão Europeia dizendo que o deficit em 2009 seria de 3,7%; apenas 19 dias depois, novo informe, em que o deficit saltou para 12,5%.
No Brasil, o Ipea faz questão de dizer que caiu a desigualdade, sem deixar claro que caiu apenas a desigualdade entre salários, que seu próprio presidente, Marcio Pochmann, considera muito menos importante do que a disparidade entre renda do capital e renda do trabalho. Cultiva uma lenda, embaçando a realidade.
São fatos indiscutíveis. Diante deles (e haveria toneladas de outros se espaço houvesse), você decide se vale a pena deixar que o governo (qualquer governo) controle os meios de comunicação, como pretende o Plano Nacional de Direitos Humanos, ou se é mais saudável que você mesmo os controle, mudando de canal ou de jornal na hora em que quiser.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Começou o Big Biba Brasil!

FOLHA DE SÃO PAULO - 14/01/10


Biba, drag, sapata: isso não é uma casa, é uma boate gay! Esse "BBB" devia acontecer na The Week! BBBIBA! BBBAFO!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Olha a placa numa banca da Paulista: "Compro revista erótica usada"!
E fui dormir dando risada! Abriram o açougue! Começou o "BBB 10"! Oba! Adoro uma acefalia televisiva! Big Brodi Brasil. Big Barriguinha do Bial ou BBBIBA! BBBAFO! Biba, drag, sapata. Isso não é uma casa, é uma boate gay. Esse "BBB" devia ser na The Week! E só tem gente da internet. Ops, INFERNET! O Boninho pegou esse povo no Twitter. E esses são os dois neurônios do Twitter: Twico e Tweco!
E olha a fauna: uma bibinha emo que só grita ADOOOORO! Uma drag queen, a Dimmy Kieer, com seu hit no YouTube "Bixa Linda, Mona Luxo". E por que toda drag quando tá de homem é um dragão? Rarará. Dragão Queen! Uma sapata chamada Angelica! Um modelo de Maringá que é da agência da mulher do Galvão Bueno. Adorei o pedigree!
Aliás, eu adoro as perguntas do Bial: "Qual o maior bem do mundo?". A MAQUIAGEM! Rarará. A GELADEIRA! Eu acho que é a geladeira, verdade! O maior bem do mundo é a geladeira! E o Bial para um personal trainer, um rinoceronte de sunga: "O excesso de autoconfiança pode se confundir com agressividade?". E o rino: "AHHNN? Agora você me pegou, Bial". Rarará! Esse tem massa "moscular". E já posou pra capa de revista gay chamada "Cabo Frio". O quê? Revista gay chamada Cabo FRIO?! E foi gogoboy do cruzeiro da Claudia Leitte. Da Claudia Milk!
Ah, e tem uma professora de linguística. Devia ser professora de linguiça. Ia fazer o maior sucesso na casa. Professora leva a linguiça pro "BBB"! Levar linguiça pro "BBB" é como abrir lata de sardinha em casa de gato. Rarará! Enfim, diz que vai ser o "BBB" da diversidade. Detesto esse termo diversidade sexual. Acho muito ONG, muito USP. Prefiro divertimento. Divertimento sexual. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! OU como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que aqui em Sampa tem um açougue chamado Big Brother Brasil. Deve ser quando os BBBs vão pra piscina! Rarará! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. ""Massa moluscar": massa cinzenta de companheiro molusco! Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MERVAL PEREIRA

Democracia direta

O GLOBO - 14/01/10


Uma mudança fundamental na elaboração do Programa Nacional de Direitos Humanos, que o diferencia dos demais divulgados anteriormente, é que, desta vez, o protagonismo ficou com diversas instâncias de representação da sociedade reunidas em infinidades de conselhos e conferências realizadas pelo Brasil afora.

O processo é o mesmo utilizado no governo anterior para auscultar a chamada “sociedade civil”, mas o que antes não passava de sugestões, desta vez, ganhou caráter terminativo, sem que nenhum setor do governo tenha feito uma filtragem das “decisões”.

Esse é um procedimento recorrente no governo Lula na tentativa de ultrapassagem do Congresso, com a criação de diversas instâncias de negociação em que os sindicatos e as ONGs decidem o que o governo vai enviar para uma aprovação quase formal dos deputados e senadores, que passariam a ter um papel meramente simbólico, e são contemplados em troca com quinhões do orçamento e outras benesses governamentais.

A tese de que a democracia representativa já não é suficiente para refletir os verdadeiros anseios populares está por trás desse sistema decisório, e também da defesa da “democracia participativa” ou “direta”, preferida por setores influentes do governo e mais uma vez incluída entre as propostas no plano de direitos humanos.

É claro que democracia não depende apenas do voto direto, também não das consultas populares, mas da criação de um ambiente onde os direitos individuais estejam protegidos e acima da vontade do poderoso da ocasião, seja o guarda da esquina ou o presidente da República.

A democracia representativa está em crise no mundo todo, e a democracia direta surge aqui na América do Sul como uma solução manipuladora de esquerda.

Em diversos textos, o atual ministro da Justiça, Tarso Genro, aborda o que considera ser a falência da democracia representativa, e defende a organização de um novo Estado com “outras formas de participação direta”, surgindo daí a defesa de “instituições conselhistas”.

Entre esses, ele cita especificamente o controle dos meios de comunicação através de “conselhos de Estado”.

O ministro acha que o que chama de “ ritualismo democrático-formal” é uma das causas da decadência do modelo representativo atual.

Também o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, hoje ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo, defende que as camadas mais excluídas da sociedade participem efetivamente das decisões governamentais “através de referendos e plebiscitos”.

Ele considera que as eleições nas democracias representativas sofrem grande influência econômica, o que, na sua opinião, “dificulta a participação das camadas excluídas da população, provocando grandes tensões sociais”.

A questão é que a transformação dessas diversas representações da “sociedade civil” em instâncias decisórias para políticas do governo faz com que apenas os setores mais mobilizados da sociedade surjam como os grandes protagonistas dos tais conselhos, tornando suas decisões representativas não da maioria da sociedade, mas de sua parte mais politicamente ativa.

Seriam interesses fragmentados que ganhariam uma dimensão majoritária que não têm na realidade.

Também as chamadas “consultas diretas”, como referendos e plebiscitos, correm o risco de ter resultados distorcidos, refletindo mais a influência de lobbies e grupos bem financiados do que realmente a vontade majoritária de uma população.

O cientista político Bolívar Lamounier considera que a possibilidade de manipulação é inerente ao instrumento, “pois a autoridade incumbida de propor os quesitos pode ficar muito aquém da neutralidade”.

É por isso que o Congresso, eleito através do voto nacional, deve ser a última instância. A definição de políticas públicas fora da arena congressual não é uma decisão democrática.

Quando o governo negocia com sindicatos o aumento do salário mínimo, por exemplo, e manda ao Congresso uma proposta consensual, consegue impor sua vontade aos parlamentares, que não têm força para discutir um acordo já fechado diretamente entre o governo e os sindicatos.

Mas quando o assunto afeta os interesses da própria base congressual do governo, aí o sistema apresenta suas falhas. O governo tem uma maioria heterogênea que nada tem de ideológica.

É mais uma barreira a que problemas políticos alcancem o governo do que um grupo político unido em torno de um programa. Seria uma maioria “anti-impeachment” montada após a crise do mensalão em 2005.

Estudo do cientista político Gustavo Venturi, citado em recente artigo do ex-porta-voz de Lula André Singer sobre o fenômeno do “lulismo”, mostra que a tendência para a direita do eleitorado de menor escolaridade, associada à renda — já registrada na eleição de 1989 — continuava presente quase duas décadas depois, na eleição de em 2006.

Enquanto os eleitores de escolaridade superior dividiamse por igual entre os campos da esquerda (31%), do centro (32%) e da direita (31%), entre os que frequentaram até a quarta série do ensino fundamental, a direita tinha 44% de preferência, mais do que o triplo de adesão que tinha a esquerda (16%) e o centro (15%).

Assim como a sociedade brasileira, a maioria do Congresso não é de esquerda, o que inviabiliza a aprovação de um programa tão amplo e baseado em ideologia como o apresentado.

Tive a honra de fazer parte do júri do GLOBO que concedeu o Prêmio Faz a Diferença a Dona Zilda Arns em 2003.

Morreu como viveu, ajudando os mais necessitados.

O nome correto do historiador italiano autor do livro “O queijo e os vermes” citado na coluna de ontem é Carlo Ginzburg.

JAPA GOSTOSA

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Robert Downey Júnior?!

O GLOBO - 14/01/10


Há muitos casos de “miscasting” – a escolha de um ator errado para determinado papel – na história do cinema. Dois dos mais notórios foram Gérard Depardieu como um Cristovão Colombo com forte sotaque francês, que só faltou dizer “u-la-la” ao avistar a América, e Marlon Brando como Napoleão Bonaparte. Ainda não vi a nova versão do Sherlock Holmes no cinema mas seria difícil imaginar um ator com menos cara de Sherlock Holmes do que Robert Downey Júnior. Não se trata de exigir respeito ao padrão estabelecido nos anos 30 por Basil Rathbone, o Sherlock Holmes “clássico” cuja figura correspondia à descrição do personagem feita pelo seu autor. Houve outros Sherlocks que desviaram do padrão. Também não se trata de rejeitar a ideia de Sherlock como um homem de ação, em vez de um sedentário cerebral. Numa das suas muitas versões através dos anos (até o Billy Wilder fez a sua) Sherlock, interpretado por Nicol Williamson, era levado pelo dr. Watson a Viena, para curar sua dependência em cocaína com Sigmund Freud, e os três acabavam se envolvendo numa acrobática aventura para salvar uma paciente de Freud das mãos de bandidos. No filme, Freud é Alan Arkin e quem faz o arqui-inimigo de Sherlock, professor Moriarty, é Laurence Olivier. Nada contra Sherlocks atléticos e com caras diferentes,
portanto. Mas Robert Downey Júnior?!
Sherlock Holmes deve sua sobrevida no cinema, mesmo mudando de tipos e de estilos, porque encarna a ideia, que nos fascina, da inteligência superior, do supercérebro, humanizados pela excentricidade. Curioso é que seu criador, Conan Doyle, era o oposto da sua criatura. Era um excêntrico em outro sentido. O inventor do símbolo universal da racionalidade e do pensamento lógico acreditava em duendes. Houve uma época em que milhares de pessoas, na Inglaterra, começaram a ver pequenas fadas com asas voando nos seus jardins e Conan Doyle liderou um movimento para que o fenômeno fosse cientificamente investigado. Não se sabe o que Sherlock Holmes diria das estranhas crenças de Conan Doyle. O fato é que em nenhum dos casos investigados por Sherlock Holmes nos livros há qualquer referência ao sobrenatural. Muitos pacatos autores se soltam em seus livros e fazem seus personagens viverem todas as loucuras que eles nunca viveram. Conan Doyle fez o contrário. Nem nos seus mais distantes devaneios, levado pela cocaína, Sherlock Holmes viu qualquer coisa parecida com uma
fadinha.
Mas Robert Downey Júnior?!

ANCELMO GÓIS

TRADIÇÃO CARIOCA

O GLOBO - 14/01/10


A pedido de uma comissão de sambistas que recebeu outro dia, Eduardo Paes criará o Centro de Tradições Cariocas.
Será construído no Terreirão do Samba, com palcos, botequins, espaço para rodas musicais, etc.
A OBRA DE US$ 20 BI
O projeto da refinaria da Petrobras no Maranhão, que hoje começa a sair do papel, passa a ser a maior obra do Brasil: deve custar US$ 20 bilhões.
Mas o governo garante ter uma oferta firme de um grupo japonês, que promete bancar o negócio e receber o pagamento em petróleo.
A conferir.
NIZAN CONTRA O AXÉ
Em seu Twitter, Nizan Guanaes, o grande publicitário baiano, detonou a banda Chiclete com Banana, liderada pelo vocalista Bell.
“Esta indústria do axé personificada em Bell do Chiclete só destrói a Bahia”.
PENSE NO HAITI
A coleguinha Sônia Nolasco, viúva de Paulo Francis, trabalhou durante anos na missão da ONU no Haiti. Há poucos meses, voltou para Nova York, porque contraiu ameba e outros parasitas na ilha caribenha.
– Os parasitas haitianos me salvaram a vida – dizia ontem.
MAS...
Sônia, naturalmente, está tristíssima:
– A minha preocupação é com vários colegas que são meus amigos queridos, e dos quais não tenho notícias.
AMOR EM PEDAÇOS
Estaria chegando ao fim o casamento de Ronaldo Fenômeno com Bia Anthony.
A relação dos dois balança há tempos, e, na virada do ano, piorou. Bia, como se sabe, está grávida. Os dois já teriam chegado a um acordo de separação.
NO AR
Veja como a derrocada da Varig esfarelou a presença de empresas brasileiras no transporte internacional: na medição passageiros por quilômetros transportados pagos, ano passado, as voadoras nacionais (TAM, principalmente) levaram 21.013.209 mil pessoas (pass X km) em rotas para fora do País.
SEGUE...
Este número é um pouco menor que o transportado em 2008 (21.134.868 mil) e bem inferior ao de 1998 (27.747.000 mil), quando a Varig ainda estava na ativa.
Mesmo com o aumento do número de pessoas que viajam para o exterior.
PARA CONCLUIR...
Quem ganha são as empresas estrangeiras que voam para cá e pouco geram em impostos, salários e divisas para o Brasil.
“PROVA DE FOGO”
Nos bastidores desde o escândalo do mensalão, Zé Dirceu, quem diria, acabou no teatro. É que a peça A Prova de Fogo, dirigida por Vera Fajardo, que estreia hoje na Casa da Gávea, trata da ocupação da USP, em 1968, época em que o ex-ministro era líder estudantil.
PENSE NO HAITI 1
O embaixador Antônio Patriota, secretário-geral do Itamaraty, viveu momentos de tensão por causa do trágico terremoto no Haiti.
É que a americana Tânia, sua mulher, que trabalha na ONU, estava em Porto Príncipe, onde serve. Mas está tudo bem com ela.
PENSE NO HAITI 2
O embaixador do Brasil em Porto Príncipe, Igor Kipman, estava em Brasília na hora do terremoto.
Nossos diplomatas que estavam em Porto Príncipe também nada sofreram.

GOSTOSA

DORA KRAMER

A estaca da barraca

0 ESTADO DE SÃO PAULO - 14/01/10


O presidente Luiz Inácio da Silva aproveitou ato administrativo do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida para dar um aviso geral aos navegantes em seu discurso de estreia no ano eleitoral: não será mais o "Lulinha paz e amor" porque não é candidato.

Depois de confessar que a face amena de 2002 foi uma construção feita ao molde da necessidade da eleição, Lula não informou quem exatamente será durante a campanha de 2010, embora tenha dado uma pista ao informar que está preparado "como capoeirista" para enfrentar os adversários.

Por esse critério, depreende-se que vá sobrar pernada.

Mas mais que isso não se entende a respeito do que fala o presidente. Alude a um cenário de guerra de extermínio quando diz que identifica sinais de que a oposição não terá "discursos programáticos" e que, portanto, distribuirá "chutes do peito para cima".

Em quem, nele ou na candidata Dilma Rousseff ? Lula parece esperar que seja o alvo, mas até pelo receio de fazer um enfrentamento pesado com presidente popular como ele não parece ser essa a intenção dos oponentes.

Avançando para além dos "sinais" de agressão presumida, Lula diz estar "convicto do que vai acontecer neste país no processo eleitoral".

A curiosidade sobre o que "vai acontecer neste país" é aguçada pelo acréscimo que faz o presidente à sua previsão. Segundo ele, haja o que houver nada vai fazer com que perca "um milímetro" do seu bom senso e "desvie o País do caminho em que estamos hoje".

Estaria o presidente se referindo ao caminho democrático? Nesse caso, suas garantias soam como temeridade, pois admitem como raciocínio hipotético a possibilidade de que algo justifique o "desvio" que, apenas por obra de seu "bom senso", será evitado.

"Vocês estão vendo", continuou ele para a plateia, "mais ou menos o perfil do discurso que vai ocorrer, o tipo de agressão, o tipo de insinuação."

Como o presidente joga com a ambiguidade, não fala sobre o que sustenta suas convicções, não diz quais são elas nem explicita quais os sinais de preparativos para "chutes no peito", é de se supor que fale das críticas que são feitas a ele, ao seu governo, à candidata oficial, ao PT, a condutas e a procedimentos erráticos como a edição de um decreto que é um verdadeiro monumento em matéria de abertura de frentes de conflitos.

Por seu discurso inaugural de 2010, o presidente Lula pretende criminalizar o contraditório.

Além de preventivamente transferir ao oponente a responsabilidade da iniciativa que ele mesmo tomou ao vislumbrar sinais de agressão no horizonte e, no lugar de rechaçar a violência, avisar que o "Lulinha paz e amor" era só um figurino passageiro que deu frutos e se acabou.

Olho no lance

Em meados do ano passado, logo que se começou a falar no nome do presidente da Câmara, Michel Temer, para vice de Dilma Rousseff, a cúpula do PMDB dizia que só havia uma possibilidade de se alterar a escolha: se o PSDB fosse de Serra/Aécio e o governo precisasse de Hélio Costa para marcar a presença de Minas Gerais na chapa.

Agora os pemedebistas mais ligados ao Planalto começam a considerar aquela solução, mesmo Hélio Costa sendo o líder nas pesquisas para governador.

Certamente não é porque o PMDB esteja interessado em deixar o espaço aberto para quem venha ser o candidato do PT de Minas.

Mas talvez seja porque identificam chance de Aécio Neves vir a formar dupla com José Serra deixando a vaga ao Senado para o atual ministro das Comunicações tentar a renovação de seu mandato que é exercido pelo suplente Wellington Salgado.

Donos do jogo

Os deputados responsáveis pela montagem das investigações de faz de conta na Câmara Distrital de Brasília, para impedir o julgamento dos pedidos de impeachment contra o governador José Roberto Arruda e evitar a punição dos parlamentares envolvidos, não são ovelhas desgarradas.

Pertencem a partidos: DEM, PSDB, PPS, para citar as legendas de oposição que no Congresso reclamam que são impedidas pela maioria governista de cumprir seu papel de fiscalização.

Considerando que pela lei, reforçada na interpretação recente do Supremo Tribunal Federal, os partidos são os donos dos mandatos, cabe a eles a responsabilidade sobre os atos dos deputados a eles filiados.

Mas nenhuma das direções dos três partidos deu nem foi cobrada a dar palavra a respeito do que pensam da armação ou sobre como - e se - pretendem orientar os respectivos representantes a atuar fora da pauta da farsa.

Missão cumprida

Síntese da solidariedade, Zilda Arns morreu como viveu, trabalhando ao lado de quem precisa. Uma artimanha trágica, mas significativa, do destino.

CLÁUDIO HUMBERTO

“É uma morte bonita, no cumprimento da causa em que acreditava”
DOM PAULO EVARISTO ARNS SOBRE O FALECIMENTO DE ZILDA ARNS, SUA IRMÃ, NO HAITI

HAITI: “DOAÇÃO” PODE ACABAR EM ONGS PETISTAS
O presidente Lula, que até hoje não visitou as áreas devastadas pelas chuvas do começo do ano, aquelas que mataram 52 pessoas só no Rio de Janeiro, anunciou ontem logo cedo a doação de US$ 15 milhões ao Haiti a vítimas do terremoto. A estonteante rapidez pode ter explicação: como em doações a outros países, parte do dinheiro pode acabar em ONGs de “trabalho voluntário” e “humanitário” ligadas a petistas.
CARECA DE SABER
“Ainda não sabemos como esse dinheiro chegará ao Haiti”, confessou ontem o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores). Ele sabe, sim.
CAIXA-PRETA
Apesar da insistência, o governo Lula jamais informou à CPI das ONGs quantas e quais delas recebem dinheiro público brasileiro no
exterior.
INVASÃO DE ONGS
Ao visitar o Haiti em setembro, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da CPI, se espantou com a invasão de ONGs brasileiras.
CORRIDA AO OURO
ONGs de petistas infestam também países como El Salvador, Bolívia, Cuba e Equador, destinos de “doações humanitárias” do governo Lula.
LULA NÃO LIBEROU UM SÓ CENTAVO PARA ANGRA
Rápido na liberação de US$ 15 milhões (R$ 26,4 milhões) para as vítimas do terremoto no Haiti, o governo Lula ainda não depositou um único centavo na conta da prefeitura de Angra dos Reis (RJ) para assistências às vítimas das tragédias que mataram 52 pessoas no Estado do Rio. A informação foi confirmada pela prefeitura, que, para receber os R$ 80 milhões prometidos, precisa “apresentar projetos”.
A PÃO E ÁGUA
A Prefeitura de Angra dos Reis tem se virado como pode, com recursos próprios e com o dinheiro doado por brasileiros de todo o País.
QUE TRAGÉDIA?
Nas trágicas enchentes de Santa Catarina, que matou e desabrigou brasileiros, Lula sobrevoou as áreas atingidas só duas semanas
depois
POUCO CASO
Em Angra dos Reis, somente uma semana após a tragédia apareceu o primeiro ministro. Lula preferiu carregar isopor com cervejas, na praia.
CRÍTICAS ENGOLIDAS
Além de ouvirem calados a decisão de Lula sobre o plano “dos direitos dos mano” que tanto criticaram, Nelson Jobim (Defesa) e os chefes do Exército e da Marinha ainda tiveram de engolir Rogério Sottili, sub de Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) no avião para o Haiti, ontem.
ESTRANHO NO NINHO
Não se sabe ainda o que Rogério Sottili foi fazer no Haiti, mas a sua presença na comitiva chefiada por Nelson Jobim é mal recebida nos meios militares. Foi Lula quem impôs sua presença na viagem.
MEIA PATACA
O novo decreto confirma a criação de uma comissão que, na prática, será a da “meia-verdade”, porque será controlada pelos que propuseram a sua criação.
ESCONDERIJO
O deputado Leonardo Prudente (ex-DEM), presidente da Câmara Legislativa do DF, aquele que fez das meias cofre, escondia grana junto ao motor de sua hidromassagem, onde a PF recolheu R$ 40 mil.
TERRORISTA TRANQUILO
Impressiona o ar de tranquilidade do terrorista italiano Cesare Battisti, hospedado no presídio da Papuda, em Brasília. Quem o viu ontem, por exemplo, reparou que nada no bandido lembra sua suposta depressão.
CORADO E CONFIANTE
Cesare Battisti diz ter ficado dez dias sem comer em protesto por sua possível extradição. Teria comido só uma pera. Mas hoje se alimenta bem e está bastante corado. E contando que não será extraditado.
DELEGADOS UNIDOS
Os delegados das polícias Federal e Civil do DF estão unidos na pressão ao governo para aprovar a Lei Orgânica da classe. Já têm os salários equiparados, agora querem atualizar cargos e remunerações.
NÃO ERA ASSIM
Além das inúmeras alusões ao atual presidente da entidade, destaca-se no Jornal da ABI, da honrada Associação Brasileira de Imprensa, o volume inquietante de propaganda dos governos Lula e Sérgio Cabral.
BRASIL LIMPO
Saiu o anuário Análise Gestão Ambiental, em inglês e português, mostrando as boas práticas das maiores e empresas e bancos do
País.

PODER SEM PUDOR
ZEZINHO E A TV
O mineiro de Barbacena José Bonifácio Lafayette de Andrada deixou sua marca na história da Câmara dos Deputados. Grande articulador, era também um conspirador nato. Diariamente vazava informações preciosas a jornalistas no Congresso, tanto para os mais experientes quanto os mais jovens, como Edilma Neiva, da TV Globo, que ao fim de uma dessas conversas pediu para gravar a entrevista.
– Ah, não. Não falo pra televisão.
Apos insistir muito, a repórter ouviu a confissão da raposa política:
– Minha filha, se gravar pra TV não vou poder desmenti-la depois....

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Haiti: morte, devastação, violência e desespero


- Folha: Terremoto no Haiti mata milhares; Zilda Arns e 14 brasileiros morrem


- Estadão: Terremoto mata pelo menos 30 mil e deixa Haiti em colapso


- JB: Lágrimas no inferno


- Correio: As faces de uma tragédia


- Valor: Com forte demanda, tarifa aérea sobe 46% em um mês


- Jornal do Commercio: Sofrimento, devastação, perdas

quarta-feira, janeiro 13, 2010

TERREMOTO NO HAITI-MORRE ZILDA ARNS

Zilda Arns morre após terremoto no Haiti


Há muitos soldados desaparecidos

O general de brigada do Exército brasileiro Carlos Alberto Neiva Barcellos confirmou nesta quarta-feira, em coletiva de imprensa no quartel-general em Brasília, as mortes de quatro militares brasileiros no tremor de 7 graus de magnitude que atingiu ontem o Haiti. A médica pediatra e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, estava no Haiti para reuniões e também morreu.

"É possível que tenhamos mais mortes", afirmou nesta quarta-feira o coronel Eduardo Cypriano, subchefe da comunicação do Exército.

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JORGE ZAVERUCHA

Justiça de transição

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/01/10


Na Argentina, as Forças Armadas saíram do poder desmoralizadas. No Brasil, todavia, elas não saíram derrotadas do governo


COMO RESOLVER a concepção de justiça em períodos de transição política? Essa questão ainda não foi resolvida pelas ciências sociais. A prova é a crise causada pelo anúncio do governo Lula de criar uma comissão da verdade para lidar com os acontecimentos ocorridos durante o regime militar (1964-1985). Segundo a mídia, comandantes militares ameaçaram entregar os seus cargos. E o presidente Lula recuou ao prometer revisão do texto.
Duas concepções teóricas sobre a justiça de transição competem entre si. Os idealistas procuram tratar o evento com base em conceitos universais. Os realistas analisam a balança de forças política entre os relevantes atores da transição. A partir disso, definem qual é a melhor resposta legal. A justiça seria um epifenômeno da política.
A visão idealista influenciou a criação, depois da Segunda Guerra Mundial, do Tribunal de Nuremberg, que puniu os violadores de direitos humanos. Idem para a Argentina, a partir do presidente Raúl Alfonsín até, recentemente, quando a Lei da Anistia foi abolida pelo Congresso por se chocar com tratados internacionais.
Os realistas argumentam que a punição aos nazistas foi possível porque houve uma clara vitória de um lado sobre o outro. Justiça dos vitoriosos.
Também na Argentina, as Forças Armadas saíram desmoralizadas do poder, seja pelas contumazes violações aos direitos humanos, seja pelo pífio desempenho econômico, seja pela derrota na Guerra das Malvinas.
No Brasil, todavia, as Forças Armadas não saíram derrotadas do governo, tanto é que conseguiram, em 1979, negociar com o Congresso uma autoanistia. Pacto este que contribuiu para uma razoável transição pacífica rumo a uma democracia eleitoral. Além do mais, asseveram os realistas, as Forças Armadas são hoje consideradas pela população brasileira como a instituição laica de maior credibilidade.
Pela Constituição de 1988, a tortura é crime prescritível, mas o Brasil é signatário de convenções internacionais que consideram esse crime imprescritível. Ministros do atual governo almejam uma mudança constitucional para alterar o teor da vigente Lei da Anistia. Um direito deles. Cabe ao Congresso decidir se acata ou não tal proposta. Outros ministros se opõem, por temerem possível reação armada dos militares.
Esse temor "per se" é uma prova de que não há um firme controle civil democrático sobre os militares. Afinal, o presidente da República é o comandante em chefe das Forças Armadas.
O momento da apresentação da proposta da criação da comissão da verdade foi o pior possível, por ser ano eleitoral. Lula abriu a discussão sobre tema tão complexo exatamente em seu último ano de governo. Resultado: setores da oposição detectaram que o projeto prejudica a candidatura da ministra Dilma Rousseff, que militou em organização armada clandestina durante o regime militar.
Foram precisos 25 anos para o surgimento de uma proposta concreta para a criação de um comissão da verdade. Não conheço outro país que tenha demorado tanto a dar esse passo fundamental para a contagem da história verdadeira do país. Todavia, ao contrário de Chile, Peru e África do Sul, não foi proposta uma comissão da verdade e reconciliação. Apenas de verdade. Por quê?
Isso levanta suspeitas do lado militar de que, no fundo, o governo brasileiro estaria mais interessado numa revanche do que em fazer justiça.
Essa desconfiança acentua-se quando o documento governamental menciona como um de seus objetivos estratégicos "promover a apuração e o esclarecimento das violações praticadas no contexto da repressão política ocorrida no Brasil". Poderia ser usada a expressão "conflito político", para deixar claro que a apuração seria para ambos os lados, ajudando na reconciliação nacional.
Uma contribuição da Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul foi não ter feito distinção moral entre violações aos direitos humanos.
Foi estabelecida uma equivalência legal entre os perpetradores, de ambos os lados, dessas violações. O arcebispo Desmond Tutu, presidente dessa comissão, deixou claro que ninguém detinha carta branca para usar o método de ação que mais lhe conviesse.
No Brasil, os militares acreditam que lutaram uma "guerra justa" ("jus ad bellum") contra o surgimento de uma ditadura comunista. A oposição também acreditava na justeza de sua pugna. Há várias verdades em jogo que precisam ser discutidas democraticamente. Corre-se o risco de perdermos uma chance de ouro no avanço desse frutífero debate.

JORGE ZAVERUCHA, doutor em ciência política pela Universidade de Chicago (EUA), é coordenador do Núcleo de Estudos de Instituições Coercitivas e da Criminalidade da Universidade Federal de Pernambuco. É autor de "FHC, Forças Armadas e Polícia: Entre o Autoritarismo e a Democracia", entre outras obras.

GOSTOSA

CELSO MING

Mudança no câmbio e nos juros


O Estado de S. Paulo - 13/01/2010
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, garante que, se a oposição arrebatar a Presidência da República nas próximas eleições, haverá mudanças importantes na política econômica.


Na entrevista publicada nesta semana pela revista Veja, Guerra foi fundo: "Iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. Essas variáveis continuarão a reger nossa economia, mas terão pesos diferentes. Não estamos de acordo com a taxa de juros que está aí, com o câmbio que está aí".

Não é um político expondo sua opinião pessoal. É o presidente do maior partido de oposição, que tem grande possibilidade de eleger o próximo presidente do Brasil, assegurando que dentro de menos de um ano começarão a ser implantadas alterações relevantes para a vida econômica e financeira de todos nós. "Se ganharmos (as eleições), agiremos rápida e objetivamente." Ou seja, não haverá implantação de uma nova política em doses homeopáticas. Isso, por si só, começará a produzir consequências.

Por exemplo: por que fechar um contrato de financiamento habitacional a juros fixos, pelo prazo de dez anos, se em alguns meses os juros poderão mergulhar? Se o real será desvalorizado, convém antecipar importações e até mesmo adiantar o pagamento de contas externas a um dólar ainda barato.

Em compensação, o custo do endividamento em moeda estrangeira pode ficar proibitivo. E não seria esta a hora para fazer um bom pé-de-meia em dólares? Outra boa sugestão seria sair dos títulos de renda fixa e aplicar os recursos em fundos que garantem a variação cambial.

Se essa é uma bandeira partidária é bom que tudo seja rapidamente explicado. Mexer nas regras do câmbio e da política monetária (e, consequentemente, do regime de metas de inflação) não são mudanças cosméticas. Implica alterar "substancialmente" (é o termo utilizado na entrevista) pelo menos dois dos pilares da política econômica implantada pelo governo tucano do presidente Fernando Henrique.

É precipitado concluir que essa seja uma bandeira de ruptura, como era a do PT em 2001. Mas é claramente um discurso que procura enfatizar diferenças.

Uma mudança de layout pode não desarrumar inexoravelmente a economia. Se vier acompanhada de forte ajuste fiscal que, por exemplo, previsse a obtenção do déficit nominal zero - hipótese em que até as despesas com os juros da dívida estariam cobertas; se for assim, os juros despencariam naturalmente.

E a própria inflação ficaria controlada, tornando perfeitamente aceitáveis certos ajustes no sistema de metas. Em todo o caso, as regras de intervenção pretendidas na política cambial teriam de ser imediatamente esclarecidas para evitar especulação e o jogo delineado acima.

Falta saber como reagirá a candidata do governo diante da proposta de "mudanças substanciais" na política econômica feita pelo adversário. Dilma Rousseff faz parte de um governo cuja política econômica é percebida como um sucesso eleitoral. No entanto, na campanha tanto pode migrar para posição semelhante para tentar ocupar os espaços como pode firmar posição contra o candidato que pretende "bagunçar a economia".

Enfim, economia é um assunto sério demais para ser tratado com anúncios pela metade.

Confira

Sob fogo cerrado - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos (cuja função é equivalente ao de ministro das Finanças), Tim Geithner, está sob forte pressão dos políticos.

Está sendo acusado de, na condição de presidente do banco central de Nova York, esconder da Securities and Exchange Commission (SEC), a agência reguladora do mercado de ações, as manobras financeiras ilegais e irresponsáveis produzidas pelos dirigentes da seguradora AIG.

Pipocam pela imprensa americana não apenas pedidos de demissão de Geithner. Pedem que seja processado.

FERNANDO RODRIGUES

Uma boa crise

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/01/10



BRASÍLIA - Parece que foi há cem anos, mas em 1996, quando foi publicado o primeiro Programa Nacional de Direitos Humanos, o Brasil ainda não tinha uma lei classificando tortura como crime.
A lembrança é de José Gregori, principal responsável pela versão inicial do PNDH. "O processo de institucionalização ainda estava no meio", recorda ele.
Ainda está. O país continua refém de vários hábitos e costumes incompatíveis com um regime democrático pleno. Por essa razão, foi boa a crise sobre a política de direitos humanos provocada com a divulgação do documento contendo as propostas do governo Lula.
Há ali muita coisa imprópria. Por exemplo, o despautério de uma comissão ou organismo estatal para monitorar o conteúdo editorial da mídia, produzir um ranking e aplicar punições a empresas que não se enquadrem no modelo proposto pelo governo. O fato é que esse tipo de bobagem frequenta os PNDHs há anos e nunca havia chamado tanto a atenção como agora.
A vantagem da atual crise é o assunto estar sendo debatido. Há tempos a mídia não veiculava tantas reportagens sobre temas como descriminalização do aborto, retirada de símbolos religiosos de prédios públicos ou o acesso à documentação ainda secreta da ditadura militar (1964-1985).
É óbvio que a crise foi ruim para Lula. Também teve efeito negativo sobre os ministros diretamente envolvidos. Sobra a imagem de descoordenação e mau gerenciamento -área em que supostamente Dilma Rousseff se daria melhor.
O saldo provável desse episódio não será uma política ideal de direitos humanos. Aliás, Lula deve até recuar sobre a descriminalização do aborto. Mas o processo de melhorar as instituições - inescapavelmente lento- deu um passo à frente. Discutiu-se nos últimos dias como o país deve ser para aprimorar a democracia praticada.

JAPA GOSTOSA

ROBERTO DaMATTA

A coluna assombrada

O Globo - 13/01/2010


Como somos uma sociedade construída em cima da escravidão; da arrogância e da ignorância aristocrática e senhorial; do poder autoritário e revanchista que pensa primeiro nos nossos; da estadomania que tudo resolve, prevê e legaliza para justamente produzir o oposto, temos sido recorrentemente assombrados por fantasmas bem conhecidos. O maior deles é o da desonestidade governamental que cinde pela raiz o elo entre Estado e sociedade.

Nossas almas do outro mundo aparecem na televisão recebendo o fruto de seu vil trabalho: os pacotes de dinheiro vivo que, escondido na cueca, na meia ou em elegantes sacolinhas, têm o dom de revelar o estado geral da nobre arte de roubar o dinheiro público impunemente. Esse apanágio dos políticos brasileiros de todos os poderes e níveis. Que roubam planejadamente porque têm a mais absoluta certeza de que jamais serão punidos. Entremeados, porém, a esses fantasmas rotineiros surgem os dos desastres que causamos porque não conseguimos, apesar de todas as repúblicas e cidadanias, seguir nenhuma norma. A tragédia dos deslizamentos, que inaugura 2010 contando desaparecidos, é um exemplo flagrante da aplicação de um dos mais ofensivos slogans jamais inventados por um político e ex-prefeito: “É ilegal, e daí?” Esse “estou me lixando” para a lei porque ela é boa para ser escrita, mas não para ser honrada, confirma o nosso caminho hierárquico. Quando o fantasma do roubo do dinheiro público aparece, a culpa é sempre dos subordinados; ou surge na forma de um cinismo ofensivo quando um Arruda, cercado de asseclas, diz que perdoou para ser perdoado de modo que os que estão do topo livram-se automaticamente de qualquer responsabilidade.

É uma ofensa imperdoável aos cidadãos honestos que ele continue tocando as suas 2 mil e tantas obras sem que se faça uma intervenção para investigar o que foi visto em nossas casas.

Que diferença do outro hemisfério, quando o presidente Barack Obama, em face da incompetência dos serviços de segurança antiterrorista do seu país, e diante do fantasma do terror, assume o erro e a responsabilidade que, afinal de contas, é dele menos como “supremo magistrado da nação”, como gostamos de repetir pomposamente no Brasil, e muito mais como o administrador da justiça, da segurança e do cumprimento das leis que, em crises morais dessa magnitude, cabe ao presidente ou à mais alta autoridade assumir e resolver.

No caso de Angra e da Ilha Grande, dos estados sulinos e da Amazônia, a assombração aparece para todos, mas só os inferiores são responsáveis pelas rezas que imploram o cumprimento das promessas.

Os responsáveis evocam a litania mentirosa do “eu não sabia”. No caso americano, o subordinado sabe que vai ser cobrado porque quem assumiu o erro foi o superior.

A mesma atitude de fuga dos problemas permeia outros fatos. Dom João VI abandonou o reino do qual, pelo credo da realeza, era indissociável do seu corpo físico e espiritual (os reis tinham dois corpos), pois eram responsáveis pelo bemestar moral do seu reino (que incluía o povo e também a natureza).

Dom Pedro I oscilou entre ir ou ficar.

Pedro II administrou institucionalmente, como um estrangeiro. Getúlio deu um tiro no Brasil que estava formado no seu coração e reverteu a crise deflagrada pela tentativa de liquidar a oposição liderada por Carlos Lacerda; e Jânio Quadros renunciou à Presidência, para a qual fora eleito portando uma vassoura que limparia o Brasil dos mensalões, lalaus, malufes e arrudas da época, levando a uma crise institucional da qual até hoje não saímos, como revela esse decreto de mudança cultural centralizador assinado pelo presidente Lula, às vésperas do Ano Novo.

Volta e meia, surgem assombrações. Mas vale a pena assinalar que no Brasil elas voltam para pedir orações e cobrar dívidas, pois como disse num livro escrito faz tempo — “A casa e a rua” —, entre nós, a morte mata mas os mortos não morrem. A saudade que exprime os elos perpétuos com eles patrocina o retorno. Eles são a ponte que sustenta a continuidade entre este mundo e o outro. Tal como no plano político a corrupção e a má-fé são o fantasma de um passado familístico e hierárquico ainda não resolvido.

Nos Estados Unidos, porém, quando surge um fantasma, como ocorreu com uma amiga americana numa casa assombrada na Universidade de Brown, ela — ao ver-se em plena madrugada diante do espectro de um jovem que morrera afogado e ficara ligado à residência que hoje serve de mini-hospedaria para professores visitantes — não hesitou em perguntar em alto e bom som um “what do you want?” (o que é que você quer?). O enfrentamento, contou-me, dissipou imediatamente a assombração. Já no nosso caso, as oscilações expressas em continuidades mal resolvidas fazem com que sejamos eternamente assombrados. Pois aí estão, com as vítimas, os fantasmas da covardia e da corrupção, demandando, como é o seu papel, honestidade e transparência.

ROBERTO DaMATTA é antropólogo.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

IBM lidera ranking de patentes nos EUA

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/01/10


A IBM foi eleita ontem, pelo 17º ano consecutivo, líder global em patentes, de acordo com levantamento realizado pelo instituto americano IFI Patent Intelligence, entidade que concede patenteamento mundial.
Só nos Estados Unidos, a empresa recebeu 4.914 patentes em 2009, seguida pela Samsung com 3.611 e pela Microsoft com 2.906. A HP aparece na décima posição, com 1.273 registros de patentes.
No Brasil, a situação ainda é bem diferente. A operação brasileira da IBM possui apenas 20 patentes. Apesar de baixo, se comparado aos registros americanos, o número está em crescimento, desde que a IBM Brasil lançou, no final de 2007, um programa para estimular seus funcionários a registrarem o capital intelectual desenvolvido, segundo Ricardo Pelegrini, presidente da IBM Brasil.
O programa, que inclui auxílio aos profissionais da empresa, treinamentos e concursos de inovação, fez com que o número de patentes recebidas pela IBM no Brasil saltasse de apenas três em 2006 para a atual marca de 20.
Com o trabalho, a empresa afirma que procura mostrar aos seus funcionários que o registro proporciona visibilidade à marca e reconhecimento do profissional no mercado.
Não só na IBM, mas nas empresas brasileiras em geral, o que mantém os índices de registros de patentes tão baixos é -além de um alto investimento financeiro e uma grande burocracia- a cultura do brasileiro, que não está acostumado a registrar suas invenções, de acordo com a empresa.
A cultura norte-americana, por outro lado, já tem enraizado esse pensamento.
"A IBM aplica cerca de US$ 6 bilhões em pesquisa e desenvolvimento anualmente. No Brasil, estamos incentivando nossa força de trabalho", afirma Pelegrini.

"No Brasil, estamos incentivando nossa força de trabalho e já temos 20 patentes registradas, número que pretendemos ampliar"
RICARDO PELEGRINI
presidente da IBM Brasil

CRÉDITO NA AULA
A Redecard fechou parceria com a Anhanguera Educacional para oferecer aos alunos opção de pagamento de mensalidades e matrículas por meio de cartão de crédito da bandeira MasterCard. A Anhanguera Educacional, empresa de capital aberto com ações negociadas na Bovespa, possui 54 unidades e 150 mil alunos.

FRANQUEADO
O mercado de franquias e o de fast food seguem aquecidos, com crescimento de 15% e 16%, respectivamente, em 2009. A rede China In Box, que cresceu 16% no ano passado, planeja ampliar em 10% seu número de lojas, hoje em 140. O Seletti, de culinária saudável, também pretende se expandir por meio de franquias neste ano.

NO CAMPO
A Sociedade Nacional de Agricultura, em parceria com a comissão de agricultura da Assembleia Legislativa do Rio, apresentará em abril, ao governo do Estado, uma proposta de incentivo à produção de diversos setores com base em levantamento, que começou a ser feito neste mês, sobre itens como leite e hortifrúti.

AQUECIMENTO
O Grupo Advento, da área de construção, aguarda respostas de clientes para cerca de R$ 6 bilhões em propostas de obras a serem iniciadas neste ano. Os setores de siderurgia, mineração e petroquímica somam 26% das propostas, seguidos de hospitais e farmacêutico (25%), e de shopping centers e prédios comerciais (20%).

NO PISO
Devido ao excesso de chuvas, a energia elétrica está sendo comercializada a curto prazo no valor mínimo, determinado pela Aneel, de R$ 12,80 por MWh, segundo a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Esse valor está bem abaixo dos R$ 502,45 que eram praticados em janeiro de 2008. Com os reservatórios de água cheios e o preço spot no piso, o mercado de curto prazo deverá ser atrativo para os consumidores livres de energia, de acordo com Marcelo Parodi, sócio da comercializadora de energia Compass.

Mais escritórios ficam vazios em Nova York

A crise no setor financeiro, que nos Estados Unidos teve início no fim de 2007, continuou a abater o mercado de imóveis comerciais em Nova York no final do ano passado.
No quarto trimestre, 11,1% dos escritórios em Manhattan estavam desocupados, o que representa aumento de 38% em relação ao mesmo período de 2008. Somada, a área disponível para locação dá o equivalente a pouco mais de 4 quilômetros quadrados -ou 2,5 vezes o tamanho do parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Para Joseph Harbert, da Cushman & Wakefield (consultoria que realizou o estudo), os números, apesar de negativos, sinalizam que o mercado começou a se estabilizar. Ele disse ainda que as maiores empresas de Manhattan estão aproveitando para adiantar a renovação do aluguel e tomar proveito dos preços mais baixos.
Em média, os proprietários pediram US$ 598 pelo aluguel do metro quadrado, retração de 20% ante o quarto trimestre de 2008. No auge, no terceiro trimestre de 2008, o valor do metro quadrado era de US$ 785.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e ÁLVARO FAGUNDES

GOSTOSA

PAINEL DA FOLHA

Gato escaldado

SILVIO NAVARRO
Folha de S. Paulo - 13/01/2010
Ainda com o episódio da "lista tríplice" a digerir, a ala do PMDB ligada ao presidente da Câmara, Michel Temer (SP), reagiu com desconfiança ao saber que Lula começou o ano dando prioridade a conversas com Renan Calheiros (AL), recebido ontem, e José Sarney (AP), com quem deve se encontrar hoje. O grupo pró-Temer afirmava que o tema "vice de Dilma Rousseff" não seria mais tratado em reuniões isoladas com Lula. Mais: que o assunto será colocado à mesa num jantar amplo com o presidente, neste mês, com ministros e líderes do partido.

Depois do acordo de gaveta em 2009, o grupo agora fala em "ajustar procedimentos" sobre Minas, Bahia e Pará, onde PT e PMDB podem se enfrentar nas urnas.


Veja bem. Depois do encontro no Planalto, Renan disse que telefonaria ontem mesmo para relatar a Temer o teor da conversa. Lista tríplice? "Não, não. A indicação do Michel é natural", diz.

Intenções. Presidente do Banco Central, o neopeemedebista Henrique Meirelles afirmou a interlocutores depois da virada do ano que não tem ânimo para disputar nem o governo de Goiás nem o Senado. Ninguém tocou no assunto de ser vice de Dilma.

Cenários. A direção nacional do PSB se reúne hoje em Brasília para tratar da candidatura de Ciro Gomes (CE)... à Presidência. O deputado, entretanto, não dá nenhum sinal de que pretende tomar alguma decisão antes de março.

Palanque. O DEM do ex-prefeito Cesar Maia avisou que manifestaria apoio na hora se Fernando Gabeira (PV) mantiver em pé a candidatura ao governo do Rio. O PPS também se animou. Mas festa mesmo quem fez foi o PSDB. O presidente da sigla, Sérgio Guerra, tratará hoje do caso.

Hidrante 1. Às voltas com o desgaste em Santa Catarina devido às denúncias de corrupção contra o vice-governador, Leonel Pavan, o comando do PSDB agora administra uma crise na Paraíba.

Hidrante 2. O ex-governador Cássio Cunha Lima declarou apoio à candidatura do prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB), ao governo, mas o senador Cícero Lucena quer disputar o cargo.

Sem parar. A Mesa Diretora da Câmara endossou na última reunião do ano passado pedido do deputado Doutor Ubiali (PSB-SP) para que a Casa reembolse despesas com pedágio e estacionamento.

Estoque 1. Vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Moreira Franco anuncia amanhã em São Paulo que o recolhimento do FGTS em dezembro atingiu a marca de 31,4 milhões de trabalhadores, um recorde histórico de contribuição. Os números são resultado da expansão do emprego formal.

Estoque 2. A Caixa também anunciará que, em 2009, os investimentos do FGTS tiveram taxa de retorno de 14%, percentual elevado por se tratar de fundo de longo prazo.

No papel. Lula orientou ministros responsáveis pelo chamado PAC 2 para que concluam até março as linhas gerais do programa, a tempo de os governadores amarrarem suas contrapartidas.

Prorrogação. O PAC da Copa, que será lançado hoje, também terá segunda etapa. Até o final do semestre, serão anunciados investimentos em saúde e segurança.

Linha. Antes da reunião com Lula, Nelson Jobim (Defesa) disse ao presidente que faria uma prévia com Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) sobre ajustes no programa de direitos humanos.

140 caracteres. A Secretaria de Direitos Humanos recorreu ao Twitter, remetendo para a íntegra do texto com o aviso: "Tire suas próprias conclusões sobre o documento".

Tiroteio

"Vamos ver até quando o comando nacional do DEM vai conseguir manter fechada a caixa de Pandora para proteger o Paulo Octávio."

Da deputada distrital ERIKA KOKAY, líder do PT na Câmara do Distrito Federal, sobre denúncias do Ministério Público Federal contra as construtoras do vice-governador, suspeitas de desvio de dinheiro público.

Contraponto

Baixa rotação


No final do ano passado, um grupo de cantores se reuniu com deputados tucanos na Câmara para pedir apoio à aprovação da chamada PEC da Música, uma emenda constitucional que daria imunidade tributária para gravações com o objetivo de combater a pirataria. Como um dos presentes era Zezé Di Camargo, tucanos aproveitaram para perguntar sobre a cinebiografia de Lula.
-Você está vendendo mais ou menos CDs com a trilha do filme?-, alfinetou Nárcio Rodrigues (MG).
Ao que o cantor desabafou para delírio dos tucanos:
-Pior é que menos...
Apesar do alarde, a bilheteria do filme segue baixa.