terça-feira, janeiro 12, 2010

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Plano de direitos humanos desagrada à indústria

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/01/10


Empresários da indústria de base começaram a demonstrar insatisfação com o Programa Nacional de Direitos Humanos.
Entre as propostas do plano, há um ponto que sugere a inclusão das centrais sindicais no processo de licenciamento de obras de impacto ambiental comprovado. A medida atrasará os projetos de infraestrutura no país, segundo Paulo Godoy, presidente da Abdib (associação da infraestrutura e indústrias de base).
"Não consigo entender por que inserir um novo agente, sem conhecimento específico sobre o assunto, no processo. Essa discussão está descolada do foco de um plano que tem vistas aos direitos humanos", afirma Godoy.
Na prática, a possibilidade de inclusão das centrais já foi comprovada, pois a medida, inserida agora no programa de direitos humanos, já foi tema de uma portaria conjunta do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama, publicada no "Diário Oficial da União" em agosto de 2009. A portaria dá aos sindicatos participação na elaboração dos Rima (Relatórios de Impacto Ambiental) e do licenciamento para novos empreendimentos das empresas.
Godoy também sugere que a medida poderá tornar-se uma ferramenta de barganha nas mãos das centrais sindicais. "Isso dá margem a arbitrariedades. Que tipo de poder de veto essas instituições teriam? Não há respaldo legal."
Para Carmen Foro, secretária de meio ambiente da CUT Nacional, entidade que deu origem à iniciativa junto ao ministério, a inclusão é uma "conquista, pois vai permitir a intervenção dos trabalhadores em espaços políticos a que não tinham acesso". Foro informa que a partir deste mês as centrais devem começar a elaborar planos de ação. "É da maior importância garantir que os sindicatos possam analisar se as empresas têm políticas ambientais adequadas à saúde dos trabalhadores e das comunidades no entorno."

"É da maior importância garantir que os sindicatos possam analisar se as empresas têm políticas ambientais adequadas"
CARMEN FORO
secretária de meio ambiente da CUT

"A inclusão desse novo ator no já demorado processo de licenciamento ambiental cria mais obstáculos e conflitos"
PAULO GODOY
presidente da Abdib

NA ESCOLA

O Grupo Ometz, dono das redes de escolas de inglês Wise Up, Lexical, You Move e Go Getter, vai abrir neste semestre uma unidade em Bogotá. A inauguração faz parte do processo de expansão internacional da empresa, que alcançou 400 unidades em 2009 e já está presente em Buenos Aires. Também estão previstos investimentos de R$ 28 milhões em marketing para 2010, segundo Flávio Augusto da Silva, presidente do grupo. No ano passado, o grupo faturou R$ 103 milhões, crescimento de 67% em relação ao ano anterior, e superou 65 mil novos alunos. No último final de semana, o grupo anunciou o lançamento de uma nova bandeira, a Wise4U, de ensino à distância.

Emenda constitucional do perfil da dívida interna deve ser o foco

O contribuinte brasileiro deve olhar atentamente para a regulamentação jurídica da emenda constitucional que alongou o perfil da dívida interna, segundo Paulo de Barros Carvalho, titular de direito tributário da PUC-SP e da USP. "Essa decisão poderia mexer com a imagem do país no exterior, caso o Brasil não estivesse vivendo momento histórico tão favorável."
Por outro lado, segundo Carvalho, "a famosa reforma tributária, que não avança nem tem condição de avançar, é algo com que o contribuinte não precisa se preocupar".
"Tratando-se de ano eleitoral, não deverá haver sustos na alta da carga tributária."

LÍDER EM DESISTÊNCIA

O consumidor brasileiro desistiu de comprar, em média, US$ 152 nas festas de fim de ano. Esse valor coloca o Brasil no topo do ranking de pesquisa feita em 11 países. Na média global, o valor das compras não realizadas foi de US$ 109. Os principais motivos apontados pelos consumidores foram a insatisfação com o produto, a falta de desconto, o mau atendimento, a indisponibilidade no estoque e a demora na hora de pagar. O levantamento foi realizado com 4.534 consumidores, entre os dias 25 de novembro e 20 de dezembro, pelas empresas e-Rewards e TNS International, em parceria com a Motorola.

com JOANA CUNHA e ALESSANDRA KIANEK

GOSTOSA

ARI CUNHA

Privilégios

CORREIO BRAZILIENSE - 12/01/10


Deixar a lei de banda é o privilégio dos favorecidos. Esbanjam poder perante autoridades. Está em circulação a notícia de que a maioria da construção de casas na orla pitoresca e bela não tem fiscalização. Autorizações para construção, outra deficiência. A natureza, sentindo-se invadida, pune os responsáveis. Não interessa saber se pobres ou ricos. Nesse caso, se locupletam de construções maravilhosas, em afrontamento aos governantes. Se o rico pode, o pobre não corre atrás. Podendo, aproveita a beirinha. É daí que provêm os erros propositais. Impunidade diante das autoridades. Falta de fiscalização. Desobediência às leis de construções. Impostos sonegados. O mundo se acaba, e os culpados não são punidos. Fraca, a lei dos vivos.


A frase que não foi pronunciada

“Tudo o que vale realmente a pena pode ser divulgado.”
» Fernando Pessoa, pensando em atualizar sua frase.




População sofrida

» Angra dos Reis tem 75% da população localizada em lugar de risco. A situação pode ser considerada grave. Detalhe: a maioria desses moradores, pobres ou ricos, tem assistência às vésperas de eleição. Explica-se: políticos não desejam discutir esse assunto em período eleitoral.

Lula nos três poderes

» Presidente Lula assume poderes sobrenaturais no fim do mandato. No Congresso, mete a colher, usa o poder do cargo e do desejo para dizer como deve funcionar o Judiciário. Quanto ao Executivo, faz de conta que deseja não parar nunca seu poder de governo. Lá há brigas permanentes entre as várias facções. Lula espera sucesso da sua varinha de condão ligada diretamente ao Tesouro.

Assessoria

» Ninguém despreze a assessoria do presidente Lula. Aquela foto despretenciosa do presidente transportando na Bahia um isopor à cabeça deu o maior ibope. Está percorrendo o mundo. Está divulgada em toda parte. Importante é que não se sabe o que havia dentro. Nem é necessário.

Argentina

» Está um tiroteio o país vizinho. A presidenta tentou derrubar o presidente do Banco Central. Ele tem mandato. Avisou que só sai quando terminar seu tempo de lei. O país sofre com a briga do governo, a moeda aumenta e o povo se defende. Cristina Kirchner está sofrendo.

Brasil

» Presidente Lula disse que “nós pagamos as dívidas e temos boa base financeira”. Neste momento, é hora de volver olhos para a dívida interna, que aumenta aos galopes. Ela é a sustentação dos bancos. E isso rende bons reais a eles.

Pausa

» Pelo andar da carruagem, a Câmara Legislativa passa por prova de fogo. Nunca foi tão útil à sociedade brasiliense. Acostumada à política, a população candanga está decidida. Para voltar aos trabalhos, não será fácil.

Descanso

» Feichas Martins compara Arruda a Wenceslau Brás Pereira Gomes e Aureliano Chaves. Todos cresceram politicamente com o apoio incondicional de Itajubá. Arruda só não vai ocupar cargos mais altos do que já ocupou porque não soube contornar as seduções do poder. Isso os mineiros não perdoam, conclui o jornalista.

Precaução

» Vale lembrar a necessidade de cautela no uso de ar-condicionado durante o verão. A limpeza é essencial, já que o aparelho aloja ácaros, bactérias, fungos, vírus e transmissores de doenças. Paralisia facial é o perigo maior para o desequilíbrio da temperatura entre o ambiente interno e externo.

Conseguiu

» Quase 10 anos foram necessários para que uma consumidora tivesse a sentença do processo que encaminhou à 1ª Vara da Fazenda Pública do DF. Seu carro caiu em um bueiro que não tinha proteção. A indenização foi por danos morais, materiais e estéticos. Ela ficou com uma cicatriz na perna.


História de Brasília

“Então volte para o seu lugar, mas pague a passagem”, disse o presidente, ao se despedir do amigo que preferiu servir ao governo paulista. (Publicado em 22/2/1961)

KÁTIA ABREU

Direitos humanos ou gato por lebre?

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/01/10


O PNDH-3 é uma tentativa típica de camuflar delírios de dominação autoritária com aparentes manifestações democráticas


HÁ MUITAS maneiras de impedir que o cidadão recorra à Justiça para defender seus direitos. Uma delas, que os brasileiros conhecem bem, foi ensinada aos militares pelo jurista Chico Campos em abril de 1964: consiste em, pura e simplesmente, decretar que é vedada à Justiça apreciar os atos em que o governo ditatorial alegar estar exercendo poderes revolucionários. Agora, estamos diante de uma nova conspiração. Trata-se da ameaça explícita do governo de criar versão própria da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, de 1948.
Um pretexto para estabelecer atalhos e criar entraves ao reconhecimento até de direitos humanos consagrados, como a propriedade e a liberdade de imprensa, que, de princípios indiscutíveis, passam a depender de instâncias administrativas ou sindicais, antes que a Justiça possa reconhecê-los ou preservá-los. A propriedade privada, um dos 17 artigos da primeira Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Revolução Francesa, de 1789, perderá a proteção da Justiça brasileira se persistir a versão do decreto.
Outra medida inédita prevê um ranking, dominado por grupos sindicais e administrativos, para avaliar se os órgãos de comunicação podem receber propaganda ou patrocínios, numa confissão tácita de que a distribuição de verbas publicitárias oficiais não é feita por critérios técnicos em que se avaliam a eficácia dos veículos.
Assim, não avançamos. Democracia é privilégio de sociedades desenvolvidas que compreendem o valor da tolerância, a importância dos direitos humanos e a necessidade de respeitar o princípio da igualdade de todos os cidadãos perante a lei.
E, no Brasil, justiça, democracia e direitos humanos são valores consensuais. Tanto que, sob o comando do ex-ministro da Justiça José Gregori, nosso país conquistou prêmio internacional, concedido pela ONU, por ter feito, de forma competente, a implantação, em 1996, de um consistente programa nacional de direitos humanos. Em 2002, o segundo programa deu continuidade aos avanços, reconhecidos internacionalmente.
No novo Programa Nacional dos Direitos Humanos, PNDH-3, o desenho é outro: saem a democracia, a justiça, a tolerância e o consenso e entra a velha visão esquerdista e ideológica que a humanidade enterrou sem lágrimas nas últimas décadas, depois de muito sofrimento e muita miséria.
Direitos humanos, na forma aprovada pelo decreto 7.037, parece ser apenas a máscara benigna e traiçoeira que oculta a face terrível dos demônios que grupos radicais e sectários se recusam a sepultar.
Aproveitando-se do sucesso da economia capitalista e globalizada do Brasil, para o que em nada contribuíram as ideias, os valores e a visão do mundo de setores radicais do PT e dos movimentos que o sustentam, atiram aos brasileiros essa plataforma totalitária. Com que propósito?
Duas ideias me ocorrem: uma possível "satisfação", em fim de governo, a velhos aliados da esquerda ideológica ou então, e seria mais grave, uma tentativa de envenenar e dividir a sociedade brasileira com um debate (esquerda revolucionária x democracia) que, no resto do mundo desenvolvido, é coisa do passado, assunto de museus ou de faculdades de história.
O documento, cuja íntegra tem mais de 80 páginas, contém equívocos inaceitáveis. Ali, o agronegócio é considerado instituição suspeita e desprezível. Tanto que até liminares, um dos instrumentos jurídicos mais essenciais no caso de invasões de terra por terem efeito imediato, só poderão ser concedidas depois de realizados procedimentos administrativos e "conciliatórios". Não há prazos previstos aqui, e os procedimentos poderão ser tão numerosos que tornarão inócuas as providências de urgência reclamadas quando há desrespeito ao direito de propriedade.
Cumpre lembrar, a propósito, que o acesso à Justiça com a devida celeridade é um dos direitos humanos garantidos na Constituição a todos nós, brasileiros e brasileiras.
Dificultar a reintegração de posse é estimular invasões de terra. Não podemos esquecer, igualmente, que os procedimentos "conciliatórios" e burocráticos estariam à mercê de integrantes do MST, que hoje controla, acintosamente, postos de comando no Incra e no Ministério do Desenvolvimento Agrário. A Justiça não pode, em nenhuma circunstância, ser refém de burocracia alguma.
Não é por acaso que só as questões específicas que reafirmam os artigos da Declaração dos Direitos Humanos da ONU, que são parcela mínima no texto, merecem apoio. Os demais pontos não passam de uma tentativa típica de camuflar delírios de dominação autoritária com aparentes manifestações democráticas.

KÁTIA ABREU é senadora da República pelo DEM-TO e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

JAPA GOSTOSA

LUIZ GARCIA

Retalhos da colcha

O GLOBO - 12/01/10

Por que e para que o presidente Lula assinou decreto criando um Programa Nacional de Direitos Humanos? Em diversos pontos suas metas são pouco mais do que tomadas de posição: consequências práticas dependem de aprovação do Legislativo. E, num ano eleitoral, como já foi dito, é quase impossível que o Congresso faça o jogo do PT e de seus aliados. E há propostas que dependem do Supremo Tribunal Federal, que é bastante cioso de sua independência, e não costuma adotar docilmente as prioridades do Executivo — particularmente quando elas têm odor eleitoreiro.

Uma explicação possível é a de que o programa tem intenções puramente domésticas: seria, por assim dizer, um cala a boca destinado a acalmar as áreas xiitas do PT. As mesmas que, na primeira eleição de Lula, tentaram impor ao candidato um programa de governo radical.

Um dos pontos em que isso parece evidente é o que se refere aos meios de comunicação. O programa inclui “criação de um marco legal estabelecendo o respeito aos direitos humanos nos serviços de radiodifusão e a criação de um ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios de direitos humanos”.

Não se fala em censura — claro, ninguém é idiota — mas o movimento em direção ao constrangimento da mídia é evidente. Na prática, e se fossem práticos, o “marco legal” e o tal ranking intimidariam principalmente os veículos de pequeno e médio porte. Não é bem o que o PT pretende.

Outro ponto curioso é o que se refere ao estabelecimento de “acesso universal a um sistema de saúde de qualidade”.

A proposta não se preocupa com melhoria e ampliação das redes públicas de hospitais, em sua maioria estaduais e municipais: propõe simplesmente tornar mais baratos os planos de saúde privados.

Na verdade, é quase perda de tempo examinar um a um os retalhos dessa colcha. Ela parece destinada quase exclusivamente a acalmar setores petistas e aliados — ou, pelo menos, fazer desaparecer argumentos negativos que prejudiquem a sucessão no fim do ano.

Vamos ver quantas vezes dona Dilma vai falar no programa ao longo da campanha.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Corrida contra a paz

O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/01/10


O pessoal que produz equipamentos militares está rindo à toa. Só em dezembro estiveram no País, em contatos com Embraer, Avibrás Aeroespacial e outras, quatro delegações - duas da América do Sul, uma da África e uma da Ásia.
Os visitantes foram objetivos: não se discute preço se o prazo de entrega das encomendas for curto.
Outra leitura, preocupante, dessa informação: vem mais conflito por aí?
Velho mas novo?

Roupa Nova
O BNDES vai bancar a restauração e reorganização dos 40.000 volumes da Biblioteca Brasiliana, de Guita e José Mindlin, doada à USP em 2006.
O processo aguarda apenas aprovação da diretoria.

Bem na fita
Guido Mantega chegou lá. Pesquisa com 300 economistas da América Latina, realizada pela América Economia Intelligence, o colocou no topo entre os ministros da Fazenda. Com 7,4, bateu por pouco os 7,3 dados a Andrés Velasco, do Chile.

Grito-denúncia
Nos próximos dias, o Ministério da Justiça vai pegar pesado, nos aeroportos e rodoviárias, em campanha contra o tráfico de crianças.
Uma das ideias é montar, em locais à vista de todos, caixas com tapumes de onde se ouvem gritos de socorro e socos na parede, simbolizando vítimas do tráfico.

Grito-denúncia 2
O que preocupa as autoridades é que a a proporção de denúncias é muito baixa.
O Disque 100 anotou apenas 42 em 2009 e 95 em 2008.

Verde moda
Gloria Coelho monta passarela solar em seu desfile da São Paulo Fashion Week, dia 20, no Shopping Iguatemi.
Com direito a coletor de energia ultratecnológico, a estilista mostra sua coleção inspirada... nos raios de sol.

Quarta via?
Tony Blair está na mira Bernard Arnault, da Louis Vuitton. Não, ele não será convidado para garoto-propaganda da marca.
A aposta é para assumir alto cargo na empresa.

Derretendo
Um paulistano surpreendeu-se, dias atrás, ao ver que o calor do Rio não afastava o pessoal da piscina do Copa. O hotel mantém no máximo, todos os dias, o ar condicionado do restaurante, com vista para a Avenida Atlântica. E ele fica lá, meio vazio.
O pessoal quer mesmo é curtir os 40 graus lá fora.

Correnteza
Alberto Goldman comandou na sexta reunião com o pessoal das represas próximas a São Paulo, para avaliar o nível das águas e as ações a serem desencadeadas em caso de risco de transbordamento.
No sábado, o senhor das águas do governo Serra completou a tarefa, fazendo sobrevoo por toda a região.

Primeiro Mundo
Empresa responsável pelas exposições de Rodin e Chagall no Brasil, a Base 7 está com agenda cheia em 2010.
Deverá trazer mostras de Caravaggio, Giacometti e Botero, além de uma de Tarsila do Amaral.

TropiQUARENTÃO
Gilberto Gil, Rita Lee, Gal Costa e Tom Zé subirão ao palco no Anhangabaú, para festejar - ainda sem data - os 40 anos da Tropicália.
Com eles, herdeiros musicais do movimento, como Lenine, Arnaldo Antunes e Marisa Monte.

Dieta forte
Faustão deixa a sociedade do restaurante japonês Shaya, no Itaim Bibi.
E Marcus Buaiz e Felipe Faria, que continuam no negócio, vão abrir franquia bem longe, em Natal.

Na frente

O Ministério do Turismo de Israel aprovou a concepção criada por Walcyr Carrasco para o núcleo judaico de Caras & Bocas. Vai levar o autor para conhecer in loco a Terra Santa.

A Nestlé, patrocinadora do show da Beyoncé no Brasil, já avisou. Vai fechar alguma balada para uma festa pós-show. A cantora será convidada.

Acontece hoje a pré-estreia do longa O Homem Que Engarrafava Nuvens. No Espaço Unibanco Augusta.

O DJ Diego Moura se apresenta quarta, no club Disco.

A Santa Estação Cia. de Teatro apresenta A Tempestade e os Mistérios da Ilha, sexta, no Espaço Parlapatões.

O MAM abre, hoje, a mostra coletiva Dez Anos do Núcleo Contemporâneo.

Azedou a perspectiva de Thalia vir para o carnaval da Viradouro. A cantora mexicana até aceitou o convite. Desde que a escola carioca mandasse um jatinho particular "buscá-la em casa".

Victoria Beckham admitiu ter hábitos, digamos, extravagantes. Gastou mais de 350.000 euros em um rasante por Milão.

Comentário de gaiato carioca: "Sorte de Lula que não circulou com o isopor pelas praias do Rio. Seria enquadrado no Choque de Ordem..."

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ARNALDO JABOR

Consciência social de brasileiro é medo da polícia

O GLOBO - 12/01/10


Nelson Rodrigues previu a onda atual de neocanalhas

Uma das obsessões de Nelson Rodrigues era o canalha. Ele dizia: "Ninguém sai na rua e bate no peito berrando: ‘Eu sou um canalha’". O maior dos pulhas se achava um santo de vitral. Mas isso mudou muito.

Hoje, o canalha se orgulha de sê-lo. Veste-se de canalha, bigode e gravata de canalha, cabelo pintado, carantonhas ferozes.

Antes, o canalha se ocultava pelos cantos, escondido da própria sombra. Hoje, os sem-vergonhas ostentam orgulho pelo que chamam de "realismo político" ou necessidade de alianças. Roubar são ossos do oficio. A pornopolítica tomou conta de tudo e Nelson é que tem fama de pornográfico - logo quem... um moralista que corava diante de um palavrão. Mas, hoje, Nelson, revisto como estilo e como visão de mundo, traz uma lição política.

Filho do jornalismo policial com o fundo talento de Dostoiévski caboclo, Nelson mostrava como um escritor deveria se posicionar diante do texto neste país. Uma vez ele me disse ao telefone que o "problema da literatura nacional era que nenhum escritor sabia bater escanteio". Ensolarada imagem esportiva para definir muito literato folgado.

Formado nas delegacias sórdidas, vendo cadáveres de negros plásticos e ornamentais e metido no cotidiano marrom do jornal do pai, Nelson flagrou verdades imortais que estavam ali, no meio da rua, na nossa cara, e que ninguém via.

Uma vez ele me disse: "Se Deus perguntar para mim se eu fiz alguma coisa que preste na vida para entrar no céu, eu responderei a Deus: ‘Sim, Senhor, eu inventei o óbvio!’".

Sua literatura nos ensina o óbvio e isto é profundo numa literatura eivada de ambiciosos engajamentos "corretos" ou cheia de intenções formais desesperançadas que transformam o cinismo debochado numa visão de mundo.

Como criar (querem uns) sem denunciar o "mal latino" e a miséria, como o chatola García Márquez, ou como criar (querem outros) sem babar o ovo de Joyce, Kafka ou Beckett?

Ele foi o primeiro a sacar o futuro dos marxistas de galinheiro do passado, que hoje lutam por boquinhas e roubam no mensalão.

Até hoje, muita gente não entendeu que sua grandeza está justamente na sincronia com os detritos do cotidiano. A faxina que Nelson fez na prosa é semelhante à que João Cabral fez na poesia. Nelson baniu as metáforas a pontapés "como ratazanas grávidas" e criou o que podemos chamar de antimetáforas feitas de banalidades condensadas.

Suas comparações sempre nos remetem a um "mais concreto" que denota comicamente a impotência da literatura. Shakespeare tinha isso, Cervantes também. Suas frases famosas nunca aspiravam ao sublime. Exemplos: "o torcedor rubro-negro sangra como um César apunhalado", "a mulher dava gargalhadas de bruxa de disco infantil" , "seu ódio era tanto que ele dava arrancos de cachorro atropelado", "seu peito se encheu de um ar heroico como anúncio de fortificante", "a bola seguia Didi com a fidelidade de uma cadelinha ao seu dono", "o juiz correu como um cavalinho de carrossel", "a virtude é bonita, mas exala um tédio homicida. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera", "o sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura"...

Às vezes, ele dá lições de arte e literatura: "Enquanto o Fluminense foi perfeito, não fez gol nenhum. E vem a grande verdade: a obra-prima no futebol e na arte tem de ser imperfeita. A partir do momento em que o Fluminense deixou de ser tão elitista, tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões".

Gilberto Freyre sacou sua "superficialidade profunda", assim como André Maurois entendeu que a genialidade de Proust era "a épica das irrelevâncias...". E isso é muito saudável num país onde ninguém escreve um bilhete sem buscar a eternidade.

Em meio a essa crise, dominados pela mídia, sem projeto político claro, "somos uns Narcisos às avessas que cuspimos na própria imagem", "vivemos amarrados no pé da mesa bebendo água numa cuia de queijo Palmira", "hoje o brasileiro é inibido até para chupar um Chicabon".

E uma das razões para estarmos "mergulhados em negra e cava depressão" é a visão épica, generalista, ideológica ou ambiciosa demais nos projetos e programas e utopias para o Brasil.

Se bem que ele mesmo dizia: "Sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo".

A lição política de Nelson é que talvez as coisas sejam muito mais simples. Não adianta nem nos "atolarmos em brutais euforias" nem vivermos com "complexo de vira-latas", atravessando a "aridez de três desertos".

O Brasil não se salvará com planos messiânicos ou ideias gerais de "epopeias de Cecil B. de Mille", sejam elas epopeias operárias ou epopeias neoliberais.

O "óbvio ululante" é limpar a casa e cuidar do detalhe, do enxugamento do Estado, "chupando a carótida dos chefes das estatais como tangerinas" quando se mostrarem obviamente ladrões ou favorecendo correligionários, como vemos todo dia.

Salvar o Brasil é óbvio, tão simples e puro como a prosa de NR - é só pensar no presente e não sonhar com um futuro impossível. O PMDB, por exemplo, é um partido que extirpou o canalha e instituiu o pragmatismo dos delitos permitidos, de modo a nos anestesiar com a impossibilidade de solução ou de punições.

A extraordinária entrevista de Jarbas Vasconcelos há tempos, que previu tudo que está acontecendo, foi fundamental para o país, teve até o sabor de algo arcaico, nostálgico dos parlamentos do Império.

Seus colegas velhacos até riram da "inatualidade" de seu gesto - que coisa "antiga" denunciar ladrões...

Ao menos, creio que nossa opinião pública está se aprofundando, porque como Nelson dizia: "consciência social de brasileiro é medo da polícia".

O colunista está de férias até 27 de janeiro de 2010. Na sua ausência, republicaremos artigos escolhidos pelo próprio autor.

JOSÉ SIMÃO

PVA! Meu carro é implacável!

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/01/10


E fala pro Lula mudar aquele Plano Nacional dos Direitos Humanos para Direitos dos Manos!


B UEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Sabe qual é a praia predileta dos argentinos em Floripa? PRAIA DA ARMAÇÃO! E sabe por que os israelenses e palestinos se odeiam tanto? Porque ainda não conhecem os argentinos. Rarará. Sacanagem!
E duas manchetes de piada pronta: "Chuva em Atibaia! Rua Amsterdã vira canal". "Odor suspeito em avião fecha aeroporto de Boston!". E esse surto de diarreia no Guarujá? É o ACAGÃO! Rarará. Acagão no Guarujá! E essa: pesquisadora americana afirma que gordo vive melhor. Qual é o nome da pesquisadora? LINDA BACON! Rarará. Além de predestinada, tá legislando em causa própria! E as férias do Lula acabaram. Agora ele já pode começar a viajar. Rarará! E fala pro Lula mudar aquele Plano Nacional dos Direitos Humanos.
Muda tudo. Muda pra Plano Nacional dos Direitos dos Manos. Pra torcida corintiana! O mano não pode ser torturado! E o IPVA, macacada? O IPVA é impagável. E o meu carro é IMPLACÁVEL! IPVA, IPTU, IPI, é tanto IP que eu já to IPERTENSO! IPERTENSÃO! Rarará! E com esse calor um amigo foi dormir pelado no terraço e perguntou pra mulher: "Querida, se eu aparecer pelado no terraço, o que os vizinhos vão pensar?". "Que eu casei por dinheiro." Rarará! E São Paulo tem tanto gay que as bibas já tão chamando a cidade de SÃO PAULA! Rarará!
E volta o rodízio em Sampa. Jangadas e botes nos dias pares e boias e banana-boats nos dias ímpares! E, se continuar chovendo desse jeito, no Carnaval não vai ter carro alegórico, vai ter barco alegórico! E hoje eu vi uma cena incrível: um sem-teto lendo a "Caras"! Pra ele deve ser revista de ficção! É mole? É mole, mas sobe! OU como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Porto Alegre tem uma academia com promoção: Barriga TAMQUINHO! Rarará.O cérebro deve ficar como a barriga, cérebro tanquinho! Ueba! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Hímen": aquilo que o companheiro gruda na porta da geladeira. Hímens de geladeira. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! DIET! Pra evitar olho gordo!

TERRORISTAS

MERVAL PEREIRA

Visões distintas

O GLOBO - 12/01/10


Quando os porta-vozes do governo, oficiais e oficiosos, alegam que o Programa Nacional de Direitos Humanos é apenas uma continuação de um projeto iniciado em 1996 sob o governo Fernando Henrique Cardoso, estão dizendo a verdade, embora queiram com ela encobrir o caráter autoritário do plano apresentado no final do ano passado. O caráter de continuidade do governo tucano, que tanto incomoda os petistas, não foi nem mesmo esquecido quando do lançamento do programa que, além de ser chamado de III Programa Nacional dos Direitos Humanos, deu direito a um pronunciamento, através de vídeo, do autor do I Programa em 1996, o hoje secretário de Direitos Humanos de São Paulo, ex-ministro da Justiça José Gregori

Foi ele quem sugeriu que o governo Fernando Henrique Cardoso, ao lançar o segundo plano, em 2002, ampliasse o seu escopo, adaptando-o à Conferência de Viena de 1993 na qual todos os países, através da ONU, estabeleceram o princípio de que os direitos humanos abrangem, além dos direitos civis e políticos — que foram a base do primeiro plano — os aspectos sociais, culturais e econômicos, e constituem uma unidade.

Como os dois são governos de esquerda — embora o PT trabalhe há anos para empurrar o PSDB para a direita do espectro político brasileiro —, é natural que tenham visões semelhantes sobre questões tão díspares quanto corretamente unificadas sob o guarda-chuva dos Direitos Humanos como o aborto, a proteção das minorias, os meios de comunicação ou a agricultura familiar.

Só que no plano do PT há um viés ideológico e um autoritarismo que não estão presentes nos planos anteriores, embora os temas sejam semelhantes.

O que parece é que, enquanto nos planos tucanos a preocupação com as palavras foi grande no sentido de encontrar os caminhos do consenso e não criar inviabilidades, no atual plano, que tanta polêmica está causando, houve uma tentativa de usar a linguagem para estabelecer diretrizes ideológicas.

O governo tucano, quando elaborou o Primeiro Programa, havia acabado de fazer a Lei dos Desaparecidos, que era o reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas em razão de participação política na luta contra a ditadura, pela qual o Estado brasileiro reconheceu sua responsabilidade e concedeu indenização aos familiares das vítimas.

Para sua elaboração, houve momentos de negociações com militares, tanto da parte do então ministro Nelson Jobim quanto da de José Gregori, já então secretário nacional de Direitos Humanos.

A Comissão reconheceu cerca de 450 desaparecidos e mortos pela repressão política, entre eles os guerrilheiros Lamarca e Marighella, o que demandou cuidados especiais.

Na elaboração do Programa dos Direitos Humanos, os cuidados com a questão militar foram grandes, pois sabiam onde as feridas estavam abertas.

O que não impediu, no entanto, que, em decorrência do programa, avanços importantes fossem dados, como a transferência para a justiça comum dos crimes dolosos contra a vida praticados por policiais militares, o que permitiu o julgamento de policiais militares em casos como os massacres de Carandiru, Corumbiara e Eldorado dos Carajás, e a tipificação do crime de tortura, marco para o combate contra essa ação criminosa do Estado no Brasil.

Gregori hoje continua convencido de que, do ponto de vista do histórico da anistia no Brasil, e até lembrando frases que eram corriqueiras nos comícios da época — “colocar pedra em cima”, “um recomeço” e “reconciliação” —, a anistia era recíproca.

Por razões politicamente interessante para eles, analisa, os militares aceitaram que o então ministro da Justiça Petrônio Portella dialogasse com a oposição para chegar a um texto que fosse aceitável pelas duas partes.

Já o ex-deputado federal e advogado Marcelo Cerqueira, que participou à época de algumas negociações a mando de Ulysses Guimarães, acha que não: “Embora o sentimento geral da época fosse a anistia recíproca, ela não se deu”, diz Cerqueira, que lembra uma frase do jurista Aliomar Baleeiro, que dizia que a vontade do legislador é para ser interpretada por psicólogos e não por juristas.

Segundo a visão de Marcelo Cerqueira, independentemente de convenções internacionais, a Constituição não recepcionou a tortura como crime imprescritível, cabendo às famílias das vítimas o processo por improbidade — uso de aparelho de Estado para o crime — este sim imprescritível.

Para ele, a verdadeira questão é “o direito de de as famílias dos desaparecidos enterrarem os seus mortos”, e por isso os arquivos devem ser abertos e casos como onde foram enterrados os corpos dos guerrilheiros do Araguaia devem ser esclarecidos, deixandose para o Supremo a decisão jurídica sobre a abrangência da anistia e a prescritibilidade dos crimes de tortura.

Voltando ao Programa de Direitos Humanos, mesmo a maneira de elaboração deles foi diferente, neste e nos governos anteriores, denotando cuidados e intenções distintas.

O Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, dirigido na ocasião por Paulo Sérgio Pinheiro, que também participou da elaboração desse último plano, consolidou as propostas das diversas instâncias em que foram discutidas, mas havia um texto básico elaborado pelo governo.

Agora, o vezo assembleísta do governo petista parece ter invertido as prioridades, transmitindo diretamente as decisões das assembleias para o plano, sem o cuidado político que os temas abordados exigiam.

Embora de ramos da mesma família da esquerda política, e mesmo que o exercício do poder tenha levado o governo Lula a se aproximar em muitos setores mais da social-democracia do que se poderia prever, a visão de mundo de setores da esquerda radical encrustados no governo ainda prevalece em momentos como esse.

Em vez da proteção dos direitos do cidadão, o III Programa Nacional de Direitos Humanos reflete muito mais um desejo de tutela do Estado sobre o cidadão.

PAINEL DA FOLHA

Linha de frente

SILVIO NAVARRO(interino)

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/01/10

Depois de ouvir os ministros Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e Nelson Jobim (Defesa) nos próximos dias sobre o texto do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, o presidente Lula deverá indicar integrantes do alto escalão para compor o grupo encarregado de elaborar o projeto de lei para instituir a comissão da verdade, pivô da crise com militares. “Até para depois ninguém dizer que não leu o documento”, diz um auxiliar do presidente.

Como o decreto prevê que o grupo seja chefiado pela Casa Civil, o nome mais forte em circulação no Palácio do Planalto para comandar o debate é o de Erenice Guerra, secretária-executiva da pasta e desde sempre braço direito da ministra Dilma Rousseff.

Zíper - O vice-presidente José Alencar foi o único a mencionar a discórdia sobre o programa de direitos humanos ontem na reunião da coordenação do governo. Falou em tom elogioso a Vanncuhi. Mas Lula cortou o assunto.

Gaveta - A polêmica dos direitos humanos também bate à porta do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Desde fevereiro do ano passado, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pressiona para que ele emita um parecer sobre uma ação que questiona a amplitude da Lei de Anistia, de 1979. A entidade reclama que a tortura seja considerada crime sem prescrição.

Ultimato - Presidente da OAB, Cezar Britto aproveita a discussão para levar o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público em fevereiro. Depois de analisado pela Procuradoria, que alega não ter prazo para a entrega, a ação segue para julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Na pele - Antecessor de Paulo Vanucchi no ministério, o petista Nilmário Miranda afirma: “Não existe revanchismo no debate nem ele pode ser partidarizado. Os militares hoje têm sentimento nacional e público, mas são contra a revisão histórica”.

Escola - Na reunião de coordenação, Lula comemorou o fato de, segundo ele, ministros terem adquirido “papel relevante” no exterior. Citou Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Diplomacia - Apesar do propalado crescimento da popularidade internacional de Lula, a contabilidade do Planalto registra 32 visitas de chefes de Estado ou de governo ao Brasil no ano passado. Em 2003, foram 40.

Check-in - No ano em que estourou o escândalo da farra aérea na Câmara, a economia dos deputados com passagens foi de R$ 32, 4 milhões em relação aos gastos de 2008.

Em marcha 1 - As centrais sindicais darão início nos próximos dias à nova rodada de negociações com empresários para tentar retomar a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Se nada acontecer até o Carnaval, prometem uma onda de paralisações.

Em marcha 2 - Os sindicalistas também elaboraram um calendário de mobilizações que começará tão logo o Congresso volte do recesso. A ideia é aproveitar o apelo do ano eleitoral para tentar emplacar alguns pleitos.

Ninho 1 - A cúpula tucana, FHC inclusive, voltou a se reunir com o governador Aécio Neves (MG) ontem em São Paulo. Mas, antes que a palavra “chapa pura” fosse pronunciada, o mineiro repetiu que sua prioridade, por enquanto, é cuidar da eleição do vice, Antonio Anastasia.

Ninho 2 - No encontro, Tasso Jereissati (CE) afirmou que quer disputar a reeleição ao Senado a despeito de pressões para concorrer ao governo. Os tucanos também debateram o quadro no Paraná, cujo diretório estadual dará início, na segunda, ao processo de escolha do candidato: o prefeito de Curitiba, Beto Richa, ou o senador Alvaro Dias.

Outro lado - O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) nega que tenha pressionado o vice, Leonel Pavan (PSDB), a apresentar logo sua defesa contra denúncias de corrupção.

Tiroteio

A Dilma já aprendeu com o Lula e quando resolver comentar o programa de direitos humanos vai dizer que não sabia de nada.

Do senador SERGIO GUERRA (PE), presidente do PSDB, sobre o silêncio da ministra da Casa Civil diante da polêmica causada pelo terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos.

Contraponto

O que é isso, companheira?

Ao chegar a Copenhague para a conferência do clima em dezembro, a candidata verde Marina Silva (AC) foi recebida por uma comitiva e levada em seguida ao hotel para descansar. Presidente do PV do Rio, o vereador Alfredo Sirkis não se conteve diante da simplicidade dos quartos, cuja mobília se resumia à cama, com um par de cadeiras e uma mesinha:

- Isso aqui parece mais um aparelho da época da clandestinidade! -, brincou Sirkis.

GOSTOSA

ELIANE CANTANHÊDE

PT e PSDB no mesmo time

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/01/10


BRASÍLIA - Engraçados, esses tucanos. Combinaram assistir de camarote toda a encrenca e a agonia do governo Lula em torno do terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, como se possível fosse. Não é, não, senhores. Os tucanos não estão e não podem estar no camarote, nem na arquibancada, confortáveis, à distância. Eles estão em campo desde muito tempo nessa área, pelejando junto com os petistas. Antes, no governos FHC; agora, nos governos Lula.
Mais partidários da causa dos Direitos Humanos do que propriamente do PSDB ou do PT, ex e atuais ministros dessa área concordam: o plano é como corrida de revezamento, indo de uma mão para outra, do plano um para o plano dois, até chegar no plano três, filho do casamento tucanos-petistas.
"Com toda essa polarização entre os governos Lula e FHC, se há uma área em que há absoluta continuidade é justamente essa, a dos Direitos Humanos. São 16 anos de continuidade, desde FHC, sem partidarismos", me disse Paulo Vannuchi, o homem dos Direitos Humanos de Lula, principal responsável pelo terceiro plano e coberto de razão.
O plano é a "Geni" do momento, apanhando de militares, ruralistas, Igreja Católica e entidades de comunicação, uns com mais e outros com menos razão, mas todos no legítimo direito de se esgoelar.
Suscetível a pressões, especialmente em ano de eleição, Lula promove a revisão do decreto pensando no melhor equilíbrio para não perder a esquerda que lidera os Direitos Humanos nem o poderoso eleitorado militar (que ficou à míngua nos anos tucanos e detesta FHC); os movimentos de mulheres nem a velha aliada Igreja Católica; agricultores nem o agronegócio.
Mas, depois do decreto, vêm os projetos-de-lei. Que vão cair onde?
No Congresso, onde, dê Serra, dê Dilma, uma aposta é certa: PT e PSDB serão os maiores defensores do plano e de seus desdobramentos.

ANCELMO GÓIS

"Avatar” caboclo

O GLOBO - 12/01/10


A onda de filmes em 3D, tecnologia que transmite truques óticos capazes de fazer astros e objetos saltarem da tela, chega ao cinema brasileiro. Três projetos de longas em 3D estão em andamento. Se vão adiante ou não, ainda não se sabe. Porque os filmes ficam entre 30% e 50% mais caros.

SÃO ELES...
Quem tem medo de fantasma, dirigido por Cris D’Amato e produzido por Júlio César Saraiva Uchôa; Tainá 3, de Pedro Rovai; e um longa sobre o Rio, feito pelo músico americano Quincy Jones em parceria com Luiz Carlos Barreto.
ISTO É BARRETÃO...
Por falar em Barretão, o produtor, de 81 anos, foi ontem ao Largo da Carioca, no Rio, disposto a dar um flagra na venda de cópias piratas de Lula, o filho do Brasil nos camelôs. Comprou uma por R$ 10. Pediu desconto e não conseguiu. O camelô disse que não podia porque “20% vai para o guarda”.
NO QUE...
Barretão tentou o resto do dia falar com a cúpula do Ministério da Justiça. O ministro Tarso Genro está de férias. Irado, foi dormir certo de que o Conselho Nacional de Combate à Pirataria não existe: “É Conselho a Favor da Pirataria”.
J@RDIM BOT@NICO
O Jardim Botânico do Rio vai pôr internet sem fio de graça para seus visitantes. Será instalada ainda este mês e deve começar a funcionar no início de fevereiro. Vai abranger uma área de 70 m em torno do Centro de Visitantes.
GRANDE HOTEL
O Ministério do Turismo prepara uma nova classificação dos 28 mil empreendimentos de hospedagem do País. As novidades sairão de oito encontros nas cinco regiões brasileiras, a partir do fim de fevereiro, com técnicos do ministério, do Inmetro e da Sociedade Brasileira de Metrologia.
SEGUE...
As reuniões definirão critérios para oito tipos de hospedagem: resorts, pousadas, hotéis urbanos, flats, hotéis-fazenda, hotéis de selva, hotéis históricos e os chamados “cama e café”.
FUTURO DA LÍNGUA
Brasília será sede, em março, da Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa. Deve ser o maior debate sobre o tema depois do novo acordo ortográfico.
DEMOCRACIA VISUAL
A Petrobras, que investe R$ 3 milhões neste ano na difusão de longas-metragens, vai exigir dos filmes que receberão dinheiro da estatal a produção de cópias especiais para deficientes visuais e auditivos. Os inscritos são obrigados a distribuir, no mínimo, uma cópia do filme com áudio-descrição e duas com legendagem para que estas pessoas possam estar entre o público dos longas.
CHINA NA AMAZÔNIA
O governo chinês vai instalar um Instituto Confúcio para difundir a língua e a cultura chinesa em plena Belém do Pará como cotrapartida da instalação de um Instituto de Estudos Amazônicos, na China. O acertou foi feito pela governadora Ana Júlia e o embaixador da China no Brasil Qiu Xiaoquipara, num encontro no qual discutiram também parcerias comerciais na indústria e educação. Aliás, o Pará já é um Estado irmão da província de Sichuan, a maior do Oeste da China.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Exercício de recreação

O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/01/10

Ou bem o Programa Nacional de Direitos Humanos não é nada além de um compêndio de intenções que serve à recreação de certa esquerda ou o presidente Luiz Inácio da Silva não preside de fato o País.

A primeira hipótese chega a ser reconfortante considerando o caráter aterrador da segunda.

Se Lula assinou sem ler um plano de mais de 500 metas que abre frentes de conflito com Deus e o mundo e, segundo seus defensores, põe o Brasil na rota do futuro; se a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, conforme reza a versão do palácio, não tem nada com isso, é de se perguntar quem se responsabiliza pela tomada de decisões de governo.

Impressiona a naturalidade com que é aceita a premissa de que o governo tenha se proposto a executar um projeto que altera o desenho da Constituição brasileira e reformula a base sob a qual se sustentou o processo de redemocratização, sem que o presidente da República nem sua candidata a presidir a República tivessem conhecimento do pretendido.

Muitos foram os penitentes pelo fato de a imprensa não ter dado a devida atenção ao conteúdo das propostas quando do lançamento do Programa Nacional de Direitos Humanos, duas semanas antes de José Casado, do jornal O Globo, esquadrinhar as 73 páginas do decreto assinado pelo presidente Lula e revelá-lo na íntegra.

A penitência, na verdade, caberia ao governo, por preparar e apresentar à sociedade um plano dessa envergadura sem explicar exatamente do que se tratava.

Na cerimônia de divulgação do programa, o presidente em seu discurso não disse palavra sobre as proposições. Pela conformação do ato e a reação seguinte do ministro da Defesa e dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, contra o que seria o descumprimento de um acerto relativo à criação da Comissão da Verdade para discutir os crimes cometidos durante o regime militar, parecia apenas a insistência (mal conduzida) em tema que meses antes havia provocado polêmica entre os mesmos personagens.

Celeuma esta que o presidente Lula encerrou na base da ordem unida sem dizer qual era sua posição, daquela vez também dando a impressão de que o assunto nascera ou por geração espontânea ou por obra de demandas autônomas de setores do governo. De qualquer forma, ficou patente a ausência de eixo como seria natural de uma ação de governo.

Tão centralizador e “dono” não só de todos os atos, mas também de seus efeitos - quando positivos, bem entendido -, o presidente Lula simplesmente se manteve alheio à essência do assunto. Agora ocorreu o mesmo.

A justificativa apresentada diante de tantas reações negativas foi a de que o Programa de Direitos Humanos é uma versão ampliada de projeto elaborado no governo anterior e que representa “uma construção fundamentada em elementos essenciais para a democracia”, na definição do secretário Paulo Vannuchi.

Pois bem. Se são essenciais, fundamentais, cruciais para a consolidação institucional do País, como é que o presidente Lula não sabia do que se tratava? E por que quando do lançamento do programa não se explicou nem se falou coisa alguma sobre a abrangência do decreto?

Quando é para valer, um projeto que mexe nas atribuições dos Poderes, altera relações, modifica regras, derruba preceitos e estipula novas regras para os mais diversos setores, deve no mínimo ser elaborado de forma consistente, bem negociado mediante articulação com os setores atingidos, a fim de reunir condições para ser executado.

No lugar disso, o que se faz? Monta-se uma cerimônia toda voltada para a ministra Dilma Rousseff estrear o novo visual com um discurso emocionado no papel de vítima da ditadura Tudo certo, não houvesse, além disso, uma série de propostas de abrangência descomunal que o serviço de comunicação do Planalto achou por bem ignorar. Acabou deixando que assumissem a aparência de contrabando.

As reações contrárias por parte dos que foram pegos de surpresa com decisões que contemplam uma visão de mundo específica, ignorando a pluralidade da sociedade, a natureza da coalizão governamental e até o pacto subjacente ao sentido da Carta aos Brasileiros, não poderiam ser diferentes. Isso independentemente do mérito de tão ampla reforma de leis e de procedimentos.

Inclusive porque ao governo já parece importar pouco o destino das propostas, visto que fez seu lance sem combinar com os outros jogadores e já abandona a cena à francesa como de hábito.

A última vez que Lula deixou a esquerda do PT levar adiante sua necessidade de afirmação perante a arquibancada foi na disputa pela presidência da Câmara, em 2005, com a candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh.

Ignorou as condições políticas objetivas e subjetivas, enrolou-se todo e acabou abrindo espaço para a eleição de Severino Cavalcanti.

CLÁUDIO HUMBERTO

“...é um direito constitucional e tenho um dever a cumprir”
LEONARDO PRUDENTE, PRESIDENTE DA CÂMARA DO DF, IGNORANDO O DEVER DA RENÚNCIA

DF: CONTRATO MILIONÁRIO SEM LICITAÇÃO NA SAÚDE
A Secretaria de Saúde do DF mantém contrato há mais de seis anos, recém-prorrogado sem licitação, com a empresa Sanoli Ind. e Comércio de Alimentação, para fornecer refeições a pacientes, acompanhantes e funcionários de hospitais. Segundo o Sistema Integrado de Gestão Governamental do DF (Siggo), só em 2009 foram pagos R$ 64 milhões. Renovado em novembro até maio, o contrato renderá R$ 35,5 milhões.
DIGITAIS
O contrato foi prorrogado na gestão de Augusto Carvalho, deputado do PPS enrolado na Caixa de Pandora. A Sanoli garante que é tudo legal.
SILÊNCIO
Ao expirar, em 2009, o contrato já havia rendido R$ 200 milhões, estima o deputado Chico Leite (PT). A Secretaria de Saúde não se pronunciou.
O SEM-VOTO
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) não será candidato nem a deputado. Seus amigos do PDT temiam uma votação medíocre, no Rio.
BANDITISMO
Hackers tentaram invadir o portal de Veja, para inviabilizar o acesso às criticas da revista aos costumes políticos. Foram barrados.
DECRETO DE LULA IGNORA VÍTIMAS DO TERRORISMO
O “3º Programa de Direitos Humanos”, que Lula assinou sem ler, não prevê a revisão de casos como o de Mário Kozel, um garoto de 18 anos morto em junho de 1968 pela Vanguarda Popular Revolucionária, que explodiu um caminhão com 15 kg de dinamite na porta do 2º Exército, em São Paulo. Mário era só um sentinela. Seu pai morreu de desgosto e a mãe passou a receber pensão de R$ 330 apenas 40 anos depois.
INDIGNIDADE
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça premiou os algozes do sentinela Mário Kozel: R$ 400 mil de “atrasados” e R$ 1.700 de pensão.
INJUSTIÇA
Orlando Lovecchio teve a perna arrancada por uma bomba da Aliança Libertadora Nacional em 1968. A Comissão de Anistia não o indenizou.
DISTORÇÃO
A pensão especial de Orlando Lovecchio, de R$ 571, é um terço do valor da indenização atribuída pela Comissão de Anistia a seus algozes.
VIAGEM NA MAIONESE
Dentre as coisas mais bizarras, no decreto do “3º Programa de Direitos Humanos”, está a “regulamentação” de mandados judiciais de reintegração de posse. Esses sujeitos são loucos. Ou ignorantes?
CLANDESTINO
Em nota oficial, o secretário Paulo Vanuchi disse que o decreto de sua distorcida visão sobre direitos humanos resultou de “amplo debate na sociedade”. Lorota. A menos que tenha ocorrido na clandestinidade.
OUTRA CASCATA?
Em discurso colérico, o senador tucano Arthur Virgílio previu em outubro de 2008 que o governador do Amazonas, Eduardo Braga, estaria preso por corrupção “em 18 meses”. Já se passaram quinze.
ALHEAMENTO
O número de manifestantes contra o governador, ontem, em Brasília, foi constrangedor de tão pequeno, uns quinze. Vexame igual só o dos apoiadores, laçados na periferia e levados à Câmara como gado.
MISSÃO IMPOSSÍVEL
Para o inquérito policial da Operação Caixa da Pandora virar processo contra José Roberto Arruda, será necessária a autorização da Câmara presidida pelo deputado da grana nas meias. Sem chances.
VISITA FRUSTRADA
O governador José Roberto Arruda convidou os representantes das redes de televisão para visitar ontem as obras da antena de TV digital de Brasília. Ele não apareceu. Tampouco os principais convidados.
SUCESSÃO
Com o retorno dos trabalhos no Ministério Público do DF, começam as discussões para a sucessão do procurador-geral, Leonardo Bandarra. Promotores querem que o próximo fique longe do governador Arruda.
JOVEM DECEPÇÃO
Leonardo Bandarra era muito admirado pelos colegas, por ser jovem e cheio de projetos e sonhos, mas agora ele enfrenta um inferno astral por sua aproximação de Arruda. A escolha será em maio.
É FRIA
Está na hora de uma demorada visita dos eco-picaretas aos ursos que, segundo eles, estariam ameaçados pelo “derretimento da calota polar”.

PODER SEM PUDOR
CANDIDATO DORMINHOCO
Chefe da UDN em São José do Egito (PE), Inácio Valadares atacava Jarbas Maranhão, candidato do PSD ao governo do Estado em 1958:
– Como o homem que levanta com o sol a pino pode governar Pernambuco?
Na eleição seguinte, em 1962, Valadares resolveu apoiar o mesmo Maranhão, o dorminhoco, candidato ao Senado. Num comício, explicou-se:
– Eu dizia que não podia votar no Maranhão porque ele acorda tarde. Mas, para o Senado, pode. Eles só começam a trabalhar depois das 11 horas.

O ABILOLADO

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: O megadecreto dos direitos humanos: Lula reclama de Stephanes e recua sobre aborto e tortura


- Folha: Gasolina terá mais álcool para segurar alta de preço


- Estadão: Plano dos direitos humanos será esvaziado, diz líder do PT


- JB: China ameaça mercados do Brasil


- Correio: Distritais instalam CPI


- Valor: Ford usará motor feito no Brasil para carro nos EUA


- Jornal do Commercio: Tremor no RN é sentido até no Recife