quarta-feira, janeiro 06, 2010

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

As turbulências do presidente

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/01/10


A incontinência verbal do presidente Lula, que fala duas vezes antes de pensar nos efeitos de suas palavras, acaba de criar um problema político para o seu governo e um potencial problema diplomático para o Brasil. Numa atitude inconcebível para qualquer governante que se paute, como é devido, pelo princípio da precaução ao se manifestar sobre decisões de Estado a respeito da defesa nacional, Lula não esperou o parecer da Aeronáutica sobre as alternativas para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira, com a compra de 36 caças de última geração. Ele não apenas declarou a sua preferência pelo Rafale, da francesa Dassault, em detrimento do Gripen NG, da sueca Saab, e do F-18, da Boeing americana, como assinou com o presidente Nicolas Sarkozy, em visita ao País no 7 de Setembro do ano passado, uma nota conjunta sobre a abertura de tratativas com a empresa fabricante para a consumação de um negócio da ordem de R$ 10 bilhões.

Lula, portanto, comprometeu o Brasil com a França, a partir de uma escolha pessoal cujos motivos se prestam a toda sorte de indagações. Faltou combinar com os militares. Ontem, a Folha de S.Paulo revelou que, em relatório técnico com mais de 30 mil páginas de dados, ratificado pelo Alto Comando da Força, a Aeronáutica apontou o Gripen como o avião mais vantajoso, seguido do F-18. O Rafale foi considerado a opção menos interessante. O fator preço foi crucial: o caça da Saab custa a metade do modelo francês. Quando esteve no Brasil, Sarkozy prometeu reduzir o valor do aparelho, como se fosse o CEO da Dassault e não o presidente da França, uma diferença essencial que Lula aparentemente achou que não precisava levar em conta. Agora a FAB o contrariou de duas maneiras. Primeiro, com as conclusões em si. Segundo, ao ordenar as suas preferências. Instado pelo presidente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, levara aos militares o pedido absurdo para que não fizessem um ranking dos aviões.

Por definição, chefes de governo têm a última palavra em matérias dessa natureza pelas óbvias implicações políticas internas e externas de cada uma das opções em jogo. Mas quando as Forças Armadas do país em questão apresentam um parecer taxativo, só excepcionalmente o governante deixa de adotá-lo. Faz sentido. Ao chefe de Estado cabe definir a política de defesa nacional. Aos militares cabe escolher os instrumentos para executá-la. Lula, no entanto, quis impor a sua vontade em relação aos meios a serem adotados por uma delas. E o pior é que, antes mesmo de subir a rampa do Planalto pela primeira vez, ele tomou a si o processo de modernização da FAB, o chamado projeto FX-2, pressionando o ainda presidente Fernando Henrique a adiá-lo sob a alegação de que estava em final de mandato. Agora, ou Lula se rende à análise profissional, que virtualmente o desmoralizou, ou empurra o assunto para as calendas: este, afinal, é o derradeiro ano de seu segundo período.

A primeira hipótese é improvável, não menos do que a de obrigar a Aeronáutica a aceitar o Rafale. Bater o martelo em favor do Gripen deixaria Lula perder a face diante de um país cujo presidente, ele sim, trabalhando pelo interesse nacional, se comporta como o grande paparicador de Lula nos foros internacionais, como ocorreu na conferência do clima em Copenhague. De todo modo, a ideia de que a aquisição do Rafale é indispensável à parceria estratégica entre o Brasil e a França não se sustenta. Essa parceria já foi estabelecida no caso da fantástica compra de submarinos, inclusive o que seria o casco de um submarino nuclear com tecnologia francesa. Deixar o assunto em banho-maria pode ser, para Lula, a escolha menos onerosa, embora signifique deixar o País, sabe-se lá por quanto tempo, à mercê de uma frota obsoleta de combate aéreo. Decerto ele fará o mesmo em relação a outro problema relacionado aos militares, no qual também meteu os pés pelas mãos.


Trata-se do decreto que cria o Programa Nacional de Direitos Humanos ? e que ele admitiu ter assinado sem ler. Contrariando um acordo arduamente negociado entre a Defesa, as Três Forças e o Ministério da Justiça, endossado por Lula, o texto abre caminho para a revisão da Lei de Anistia, a partir das ações de uma Comissão da Verdade que já está sendo equiparada a uma "CPI da ditadura". Este é o presidente cujos adoradores não sabem nem querem saber como se conduz.

GOSTOSA

ELIO GASPARI

O choque de ordem de Maria Moita

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/01/10


Vinicius de Moraes ensinou o caminho a Cabral: "Pôr pra trabalhar Gente que nunca trabalhou"

O RIO DE JANEIRO precisa de um choque de ordem. Em pouco mais de 24 horas o governador Sérgio Cabral passou do descaso à empulhação e assumiu uma postura de dragão de festa chinesa para rebater as críticas de que sumira diante das tragédias de Angra dos Reis e da Ilha Grande.
Cabral anunciara que passaria a última noite de 2009 em sua casa de Mangaratiba. Dispondo de acesso a uma marina, estava a 40 minutos da praia do Bananal ou da encosta da Carioca. Por terra, são 57 quilômetros, lembrou o repórter Ricardo Noblat, que passou o dia 1º procurando-o.
O tempo consumido por Cabral para chegar a Angra seria justificável se os desmoronamentos tivessem ocorrido em abril passado, quando estava de férias em Paris. Caso tivesse recebido a notícia no hotel (o George 5º, apreciado por Greta Garbo) no início da manhã, teria como pousar no Galeão no meio da madrugada seguinte, debaixo de aplausos.
Sempre que um governante entra atrasado na cronologia de uma catástrofe, procura oferecer uma explicação racional. George Bush está explicando até hoje por que acordou tarde no episódio do furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005. Cabral justificou-se com uma aula de ciência política autocongratulatória:
- Tenho discernimento e seriedade. Em uma situação de crise, quem tem que estar no local são as autoridades que de fato podem assumir o comando do problema. Você jamais vai me ver fazendo demagogia. No momento de crise, estavam aqui os dois secretários da pasta. Qualquer exploração política a respeito chega a ser um deboche com a população. Isso é ridículo.
Ridículo é pagar impostos para ouvir coisas desse tipo. Se não havia o que fazer na região do desastre na quarta-feira, por que ele foi lá na quinta? Discernimento? Seriedade? Demagogia? Pode-se dizer o que se queira do marechal-presidente Castello Branco (1964-1967), menos que ele fosse bonito ou demagogo. Pois na enchente de 1966 ele foi à rua de Laranjeiras onde desabara um edifício.
Cabral saiu do ar na quarta-feira, dia 31. Às 15h daquele dia estavam confirmadas as mortes de 19 pessoas na Baixada Fluminense e em Jacarepaguá, com pelo menos 600 desabrigados. (No dia seguinte seriam 4.000.)
Admita-se que as visitas a locais de desastres (todas, inclusive as do papa) são gestos simbólicos, pois o que conta é a qualidade da gestão.
Nesse aspecto, a de Cabral é pré-diluviana. Em 2009 seu Orçamento tinha R$ 152,7 milhões alocados para obras de controle de inundações.
Numa conta, de seus técnicos, gastou 67% desse valor. Noutra conta, gastou nada.
Se não fez o que devia, o que não devia fez. Em junho, o governador afrouxou as normas de proteção ambiental da região do litoral e das ilhas de Angra, beneficiando sobretudo o andar de cima e seu mercado imobiliário. O Ministério Público entrou na briga e o caso está na mesa do procurador-geral Roberto Gurgel.
O choque de ordem de marquetagem que Cabral, seu prefeito e sua polícia aplicam espetaculosamente no Rio de Janeiro vale de cima para baixo. Pega mijões, camelôs e barraqueiros. O alvo é sempre o "outro".
Um dia, virá o choque de Maria Moita, trazido por Vinicius de Moraes e Carlos Lyra:
"Pôr pra trabalhar Gente que nunca trabalhou".

SIMON TISDALL

Iêmen vira peão-chave do xadrez diplomático

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/01/10


Ainda não está claro até que ponto o presidente Barack Obama considera a possibilidade de intervir no Iêmen, mas não há dúvida de que os EUA intensificarão seu envolvimento no país. O problema é que a questão iemenita não pode ser tratada com uma política de isolamento. A proposta de Obama de garantir o sul do Península Arábica sob sua proteção pode desestabilizar a região como um todo, como ocorreu depois das invasões do Afeganistão e do Iraque. Obama é muitas coisas, mas não um Lawrence das Arábias.

Como seu colega Hamid Karzai, do Afeganistão, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, não é o mais confiável nem o mais entusiástico dos aliados. Seu poder é contestado por facções tribais do norte e sul do país. Para Saleh, a Al-Qaeda não é particularmente ameaçadora. O que ele mais teme é ser tachado de títere dos EUA.

E, como o presidente Asif Ali Zardari, do Paquistão, cujo governo foi desestabilizado pelos ataques americanos lançados do outro lado da fronteira, Saleh tem boas razões para minimizar o grau de cumplicidade de seu governo. As forças dos EUA ajudaram e em muitos casos participaram diretamente de incursões aéreas iemenitas contra supostos campos de treinamento da Al-Qaeda. A Arábia Saudita também realiza operações no território iemenita.

O envolvimento saudita é um dos aspectos do efeito cascata que a questão iemenita provocaria. Ele desperta mais um fantasma da era George W. Bush: a perspectiva de introduzir tropas americanas nesse país, sejam elas forças especiais, paramilitares da CIA, ou civis, arrastando-as para uma guerra por procuração com o arqui-inimigo de Riad, o Irã. Teerã apoiou milícias xiitas no Iraque ocupado e agora é acusada do mesmo tipo de ingerência em seu apoio aos rebeldes houthis no Iêmen.

Segundo a imprensa árabe, em novembro, membros da Guarda Revolucionária do Irã e do Hezbollah reuniram-se com líderes houthis para discutir a escalada do conflito na fronteira iemenita-saudita. Além disso, o Irã estaria contrabandeando armas para grupos do Iêmen e da Somália via Golfo de Áden.

As implicações do envolvimento direto dos EUA nessas intrigas regionais são preocupantes. Desafiar o Irã no Iêmen não facilitaria o objetivo mais importante do Ocidente: garantir um acordo nuclear com Teerã. Aprofundar o envolvimento saudita no Iêmen poderia ainda frustrar os esforços de Riad para promover a reconciliação entre o Fatah e o Hamas e, desse modo, facilitar um acordo árabe-israelense - um dos principais objetivos de Obama.

O impacto negativo da internacionalização dos múltiplos conflitos do Iêmen para os países vizinhos do Chifre da África também deveria fazer com que Washington parasse um pouco para pensar. A milícia islâmica al-Shabaab da Somália anunciou na semana passada que enviará reforços ao Iêmen se os EUA decidirem atacá-lo.

A decisão sobre um novo front na guerra ao terror é delicada. Com a atual situação, não levará muito para que se desencadeie uma intervenção americana e, assim, uma nova tempestade no deserto.
*
Simon Tisdall é analista de questões do Oriente Médio

UM CHURRASCO DO CARALHO!

BRASÍLIA -DF

Direito à boa morte

CORREIO BRAZILIENSE - 06/01/10



O senador petista Augusto Botelho, de Roraima, que é médico, deu parecer favorável ao projeto de descriminalização da ortanásia (boa morte), de autoria do senador capixaba Gérson Camata (PMDB), que deve entrar em pauta para votação no Senado tão logo os trabalhos legislativos recomecem. Na prática, é uma espécie de eutanásia, assunto polêmico, que costuma gerar celeuma entre religiosos e familiares de doentes terminais. Para emitir o parecer, Botelho conversou com monges budistas, pastores e padres. Fez audiências públicas com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, da União dos Advogados Católicos do Brasil, do Conselho Federal de Medicina e de outras entidades. Porém, enfrenta o poderoso lobby da saúde privada, que lucra com os recursos do SUS ao manter pacientes terminais internados por longos períodos sem necessidade.
Botelho confessa que já deixou pacientes irem morrer em casa porque eles manifestavam essa vontade. “Os médicos só deixam quando há uma grande confiança entre o médico, o paciente e seus familiares. Porém, nós já fazemos sabendo que corremos o risco de haver um processo, algum problema. Porque a lei não permite que se faça isso”, ressalva. Segundo Botelho, é um direito da pessoa não querer sobreviver à custa de aparelhos se tem uma doença incurável.

Poupança

O deputado federal Raul Jungmann, do PPS-PE, resolveu comemorar a decisão do governo de não mexer na caderneta de poupança, atitude pela qual batalhou. Ontem, abriu uma caderneta de poupança no Banco do Brasil. “Abro essa caderneta de poupança como um ato simbólico, na certeza de que esse governo não vai mais mexer no dinheiro do pequeno poupador.”


Afinou O ministro da Aeronáutica, Juniti Saito, garantiu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que a Força Aérea Brasileira não pretende manifestar preferências em relação aos aviões de caça que vai adquirir. A escolha final será do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem saia justa, porque o relatório técnico do Programa FX-2 não fará comparações entre os aviões SAAB Gripen NG (sueco), Boeing F/A18 E/F Super Hornet (norte-americano) e Dassault Rafale (francês).

Atraso O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, inspecionou ontem as obras da nova Cidade Administrativa, complexo de prédios do bairro Serra Verde, região norte de Belo Horizonte. As chuvas constantes provocaram pequenos atrasos em algumas obras e no paisagismo, mas foram um bom teste. O complexo projetado por Oscar Niemeyer abrigará 18 secretarias e 25 órgãos, totalizando 16 mil servidores.

Revanche O presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Henrique Maués, repudia a alteração do texto do decreto que criou a Comissão da Verdade, para investigar a tortura e os arquivos do período da ditadura militar (1964-1985) em virtude da pressão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e dos comandantes militares. “Ninguém em sã consciência pode acobertar atos de tortura, prisões ilegais, desaparecimento por perseguição política e assassinatos. Esses atos são criminosos em qualquer regime político.”


Escaldado

Pego no contrapé durante a epidemia da gripe suína — comprou tamiflu a granel e não conseguiu distribuir os kits à população em tempo satisfatório —, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, resolveu antecipar os preparativos para a campanha de vacinação contra o vírus pandêmico A (H1N1). Custará R$ 1 bilhão e distribuirá 83 milhões de doses de vacina. Candidato a deputado federal, Temporão sabe que perderá o cargo e a eleição se a situação fugir ao controle.


Risco

A propósito, a gripe ronda a aldeia Yanomami no alto Rio Negro (AM), onde um curumim está doente, e a Casa Civil da Presidência, pois a ministra-chefe Dilma Rousseff (PT), candidata petista à sucessão de 2010, também anda gripada. Ambos fazem parte do grupo de risco do vírus A (H1N1): grávidas, trabalhadores de saúde envolvidos no atendimento aos pacientes, crianças entre 6 meses e 2 anos, indígenas e pessoas com doenças crônicas preexistentes (cardíacas, pulmonares, renais, metabólicas etc.).


Meta

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), bateu a meta de sua administração para ampliação do ensino profissional com a criação de mais seis escolas técnicas estaduais na região metropolitana de São Paulo, num total de 173 unidades em todo o estado. No total, foram criadas 100 mil vagas

Desconstrução

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), se queixa de estar sendo crucificado porque desembarcou em Angra dos Reis às 8h30 de 2 de janeiro, só depois que teve a exata dimensão da tragédia do ano-novo, na qual morreram 52 pessoas. Porque estava com familiares e amigos em Mangaratiba, estaria está sendo tratado como se fosse o comandante do Bateau Mouche, o barco que naufragou na Baía de Guanabara em 31 de dezembro de 1988.

Absoluto

O deputado Fernando Ferro (PE) será mesmo o novo líder da bancada do PT na Câmara, com o apoio do atual ocupante do cargo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que marcou para 2 de fevereiro a reunião na qual passará a liderança. Até agora, não apareceu outro candidato

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Entramos em 2010 ou 2012?

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/01/10



Quero saber quando o Kassab vai inaugurar a hidrelétrica do Anhangabaú! Dilúvio!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Socuerro! Dilúvio! Catástrofe! Enchentes! O Brasil tá parecendo um "DISASTER MOVIE"! Entramos em 2010 ou em 2012? É cada foto! E um leitor quer saber se, para chegar ao Ibirapuera vindo do Anhangabaú, ele vira para estibordo ou para bombordo.
E eu quero saber quando o Kassab vai inaugurar a hidrelétrica do Anhangabaú. E IPI quer dizer Imposto sobre Paredes Irrigadas! E uma amiga minha está usando pé de pato com salto 15!
E em Campinas tem um proctologista que se chama sabe como? Dédalo. É verdade! O DÉDALO DE OURO! E o site Eramos6 lança um filme sobre a vida do Sarney: "Doze Parentes e Um Bigode!". E eu só voltei da praia porque botaram a rede para lavar. Fui despejado da rede! Eu quero aposentadoria por tempo de Havaianas. Troco uma Havaianas por uma galocha! E vocês viram a foto do Lula indo para a praia com uma caixa de isopor na cabeça? O Lula vai vender cerveja na praia? Ia à falência. Porque ia beber a caixa inteira com isopor e tudo! "Vou isopor tudo na goela." Rarará. Agora já sabemos o que o Lula vai fazer quando terminar o governo: vender cerveja na praia. Rarará!
E aquele Anhangabaú já foi chamado de buraco do Maluf, buraco da Erundina, buraco da Marta e agora é o buraco do Kassab. O buraco muda de dono, mas continua alagado! E uma amiga minha é tão insegura, mas tão insegura, que escreveu na calcinha: você me ama mesmo ou só quer me comer? Rarará!
E o ano fiscal? Não aguento mais pagar tributo. Tô ficando triputo. Triputo da vida. Por isso que a árvore símbolo do Brasil é o ipê: IPÊva, IPÊtu, IPÊca e Iporra nenhuma. Esse é o único imposto que eu vou pagar: Iporra nenhuma! Rarará. E no Guarujá tem uma sorveteria com a placa: "Self-service, solicite ao atendente". Começamos bem o ano. É mole? É mole, mas sobe. Ou como disse aquele outro: é mole, mas rela para ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". É que em Duque Bacelar, no Maranhão, tem um inferninho chamado SOBRA ROLA! As rolas devem ser todas dos parentes do Sarney. Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. Hoje não tem. Férias escolares! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA

MERVAL PEREIRA

O processo

O GLOBO - 96/01/10


Mais uma reportagem estrangeira, desta vez no respeitável “Washington Post”, entoa loas ao sucesso do governo de Lula, mostrando o crescimento da classe média brasileira. O sentido é o mesmo de outras reportagens recentes, como a do espanhol “El País”.

Mostrar que o Brasil afinal deixou de ser o país do futuro. A importante revista inglesa “The Economist” já havia colocado o Brasil na sua capa, com uma bela montagem da imagem do Cristo Redentor decolando feito um foguete, numa alusão à conquista da sede das Olimpíadas de 2016 pelo Rio de Janeiro.

Aliás, por esse feito pelo qual foi sem dúvida um dos responsáveis, se não o maior, Lula foi colocado também como um dos dez expoentes dos esportes olímpicos no mundo em 2009.

Todo esse reconhecimento internacional ao momento que o país vive deveria servir de orgulho para nós, mas um orgulho com um projeto de país que vem se processando nos últimos 16 anos, e não um projeto personalista, que nos coloca não como uma sociedade que atingiu condições perenes de desenvolvimento, mas um país que depende do líder providencial para atingir seus objetivos.

Todas as reportagens internacionais que louvam a situação atual do país, por sinal, destacam esse processo de desenvolvimento que estamos vivendo, uma continuidade de políticas econômicas e sociais como nunca antes se vira neste país.

O próprio “Washington Post” ressalta que “a fundação para o sucesso de hoje foi assentada no governo de Fernando Henrique Cardoso, um acadêmico tornado político mais conhecido por controlar a inflação na metade dos anos 90. O homem que ficou com a maior parte do crédito foi seu sucessor, o presidente Luis Inácio Lula da Silva, que como líder sindical um dia combateu a globalização”.

O “El País” destacou, falando de Lula: “Das mãos deste homem, seguindo o caminho aberto por seu antecessor na Presidência, Fernando Henrique Cardoso, o Brasil, em apenas 16 anos, deixou de ser o país de um futuro que nunca chegava para se converter em uma formidável realidade, com um brilhante porvir e uma projeção global e regional cada vez mais relevante”.

A “Economist” lembra que a estabilidade do Brasil não veio de repente, é fruto de uma disciplina numa trajetória que começou nos anos 90, numa referência ao Plano Real “quando a inflação foi domada, os bancos foram saneados, e o país se abriu aos investimentos estrangeiros”.

Cita ainda a autonomia do Banco Central como um dos fatores do sucesso da política econômica.

Mesmo as homenagens que o presidente Lula vem recebendo, sendo considerado pelo inglês “Financial Times” como um dos líderes que moldaram a década passada, ou a sua escolha como o “homem do ano” pelo francês “Le Monde”, deveriam ter outra conotação, que não a de revanche, como certos setores governistas gostam de passar.

Uma vitória pessoal do líder operário sobre seu antecessor, o intelectual Fernando Henrique Cardoso. Ora, o ex-presidente também tem recebido diversas homenagens internacionais, e mesmo agora, pelo segundo ano consecutivo, já fora do poder há sete anos, foi colocado pela revista de política internacional “Foreign Policy”, editada pelo “Washington Post”, em 11º lugar entre os cem pensadores globais de 2009, pela defesa da mudança do combate às drogas no mundo.

O fato de que dois presidentes brasileiros são reconhecidos internacionalmente, e que os 16 anos de continuidade produzem efeitos tão significativos, deveria ser festejado como uma vitória de um projeto de país, e não como uma vitória pessoal deste ou daquele líder.

Vivemos um processo virtuoso nos últimos anos, e existem vários indicadores de que o progresso tem sido feito pela continuidade das políticas econômicas e sociais.

Assim como a análise do professor Claudio Salm dos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1996 a 2008 mostra “uma linha de progresso contínuo, sem inflexão petista” nas políticas públicas, como mostrou Elio Gaspari no domingo, a Fundação Getulio Vargas do Rio, por exemplo, compara a redução da pobreza ocorrida no início do Plano Real à ocorrida entre 2003 e 2005, na era Lula.

A pobreza caiu 18,24% entre os anos de 1993 e 1995, contra 19,18% entre 2003 e 2005. Também o índice de Gini, que mede a distribuição de renda num país, revela que, embora ainda sejamos um país desigual, evoluímos nos últimos 16 anos.

Quanto mais perto de zero, o índice mostra uma melhor distribuição de renda. Era de 0,600 em 1993, antes do Plano Real, e, em 1995, caiu para 0,585. Houve um retrocesso em alguns anos de crise econômica, e a partir de 2001 o índice melhorou novamente, e, em 2008 chegou em 0,544.

É possível que tenhamos regredido novamente no ano passado, devido à crise internacional, mas a perspectiva é de recuperação da economia este ano.

Por fim, uma consideração sobre o júbilo, aliás justificável, com que os seguidores do presidente Lula receberam as diversas reportagens elogiosas dos últimos dias.

A exaltação a Lula e seu governo vem justamente da grande imprensa internacional, dificultando a tese do próprio governo de que a “mídia”, especialmente os jornais impressos, refletem apenas a visão de uma elite da sociedade, e por isso perderam a relevância política, sendo hoje largamente superados pelos novos instrumentos tecnológicos como a internet, os blogs e demais meios de comunicação social, que permitiriam à maioria da sociedade se informar e tomar decisões próprias sem a influência “perniciosa” dos grandes grupos de mídia que querem “fazer a cabeça” dos eleitores.

Ora, é na Europa e nos Estados Unidos que os novos meios tecnológicos têm maior propagação, e também onde a crise da indústria de jornais se mostra mais aguda.

Para serem coerentes, os lulistas não deveriam levar tanto em consideração essas honrarias da “grande imprensa” internacional.

JOSÉ NÊUMANNE

Eles não arriscavam a pele pela democracia

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/01/10


Já que o secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, está tão interessado em investigar a violação de direitos humanos pela ditadura militar que provocou uma crise interna no governo federal por propor a tal Comissão Nacional da Verdade, talvez fosse útil esclarecer algumas meias-verdades, que também são meias-mentiras, a respeito desse delicado assunto. A primeira delas é a motivação da iniciativa: conforme o proponente e seu patrono na Esplanada dos Ministérios, Tarso Genro, ministro da Justiça, não há intenção de ofender os militares nem de revogar a Lei da Anistia, que extinguiu os crimes políticos eventualmente cometidos na vigência do regime de exceção. A dificuldade para quem (como o autor destas linhas) não é fluente na algaravia ideológica de ambos é compreender como o dito cujo texto será blindado se ele vige desde 1979 e a proposta é revogar as leis que possam ter permitido tais violações entre 1964 e 1985.

"Criar a Comissão da Verdade é a favor das Forças Armadas, que são formadas por oficiais militares das três Armas, pessoas dedicadas à Pátria, ao serviço público, com sacrifícios pessoais, das suas famílias. Esses oficiais não podem ser misturados com meia dúzia, uma dúzia ou duas dúzias de pessoas que prendiam as opositoras políticas, despiam-nas e praticavam torturas sexuais, que ocultaram cadáveres. É um grande equívoco e eu tenho certeza de que o ministro da Defesa (Nelson Jobim) sabe disso", disse Vannuchi em entrevista à Agência Brasil (oficial). Circulam na internet manifestos pedindo a adesão dos brasileiros à iniciativa e citando os "verdadeiros" heróis militares, caso do líder da revolta contra o uso da chibata para punir infratores nos navios da Marinha brasileira, em 1910, o marujo João Cândido. Ainda bem que os autores de tal manifesto tiveram o cuidado de evitar citar outro marinheiro, o cabo fuzileiro naval Anselmo, um agitador que depois se descobriu ter sido agente provocador dos quadros da inteligência militar que lutava contra os grupos da esquerda armada na guerra suja travada com o regime nos anos 70 do século passado. Isso, contudo, não impede a observação de que essa lisonja às instituições armadas é um mero e sórdido truque retórico.

É difícil crer que o secretário de Direitos Humanos ignore um tema de sua pasta a esse ponto. Pois qualquer aluno iniciante de algum cursinho mambembe de História recente do Brasil sabe muito bem que os agentes da repressão nos órgãos encarregados de combater a guerrilha não eram loucos solitários e isolados das instituições militares. João Cândido, assim como o capitão Carlos Lamarca, que fugiu do quartel de Quitaúna, na Grande São Paulo, com um caminhão de armamentos para liderar um grupelho guerrilheiro, é que pode ser considerado à margem dos quadros fardados. A repressão à esquerda armada - e todas as suas consequências - foi uma decisão de governo, cumprida pelas Forças Armadas, e desconhecer essa verdade histórica só pode resultar de crassa ignorância ou asquerosa má-fé. Portanto, qualquer tentativa de investigar violações de direitos humanos no regime de exceção sob comando militar mexerá, sim, com vespeiros em muro de quartel. Se isso é necessário ou não, são outros 500 cruzeiros. Mas não nos venham os atuais detentores do poder com tantos borzeguins ao leito.

A reabertura dessas chagas neste momento pode até contemplar o princípio legal vigente em vários países e recentemente adotado no Brasil de que a tortura é um crime que nunca prescreve. A medida legal será até salutar se a denúncia dos torturadores impedir que tais práticas continuem sendo cometidas em delegacias de polícia contra presos comuns ainda hoje. Mas urge considerar outras questões, que vão além dessa meia-verdade, simplória apenas na aparência. Isso poderá suscitar um longo debate jurídico, histórico, político e ético. Pois a lei que torna a tortura um crime imprescritível é posterior à anistia, sem a qual não teria havido o arranjo institucional que permitiu a volta da democracia clássica e a ascensão da esquerda desarmada ao poder.

Só isso poderá encerrar o debate, que talvez nem devesse ter sido iniciado. Mas ainda há mais a considerar, já que a palavra verdade está sendo utilizada de maneira, digamos, leve na denominação da iniciativa, que mais parece retaliação ou um gesto comparável a urinar no poste para marcar posição. As vítimas da ditadura assenhorearam-se do poder e agora fazem questão de mostrar quem manda neste Brasil de uma democracia pouco solidificada, onde ainda vige uma norma consensual, não inscrita na tradição jurídica, mas perfeitamente adequada aos hábitos e costumes, segundo a qual "manda quem pode, quem tem juízo obedece".

Convicta de que a História é escrita por vencedores, em detrimento dos vencidos, o que justificaria até os atos bestiais de Hitler e Mussolini, por exemplo, a esquerda quer reescrever a ata deste nosso tempo porque perdeu a guerra suja, mas subiu ao poder. Ainda que não tenha êxito no Parlamento, pois, ao que parece, senadores e deputados não estão muito dispostos a remexer no lixo dos porões da ditadura, os patronos da Comissão Nacional da Verdade já conseguiram algumas conquistas. A primeira delas foi expor os atuais comandantes militares à humilhação pública de serem forçados a devolver seus cargos ao presidente. A segunda será refinar outro combustível para anabolizar a crescente popularidade de Lula, que poderá ostentar a láurea de "vingador dos torturados".

E a maior de todas será elevar ao panteão dos heróis da democracia militantes que não arriscavam a pele pela liberdade, mas por sua forma favorita de tirania. Se conseguir ungir tal mentira como verdade, a proposta terá prestado um imenso desserviço à história e à democracia.

José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

NOCAUTE

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Depois da chuva

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/01/10

Em várias reuniões no Bandeirantes, as áreas de Cultura, do Trabalho e da Habitação, entre outras, estão sendo convocadas para montar um plano a ser consolidado, dentro de alguns dias, para recuperar São Luiz do Paraitinga.
Algumas tarefas já ficaram claras. No Patrimônio Histórico, a saída é muito mais reconstruir, para recuperar o antigo padrão arquitetônico, do que restaurar.
E o Banco do Povo, ao lado da Nossa Caixa/BB, vai cuidar de missões estratégicas como a reforma das casas e o apoio aos microempresários. Que, afinal, sustentam o turismo na região.

Depois da chuva 2
Estradas fechadas e filas enormes não foram os únicos problemas para quem voltou do litoral norte.
Quem entrou na rodovia Oswaldo Cruz, nos dias pós-dilúvio, só ficou sabendo que ela estava interditada ao deparar com os cones no pé da serra. Policiais para orientar? Nenhum.

Ambiente e meio
Corre entre petistas a acusação de que a campanha de Marina Silva está com um pé no serrismo. Nos últimos dias do ano, o cientista político Carlos Novaes deixou o time de coordenação da campanha verde e foi substituído por Eduardo Jorge - que é ligado a Serra e secretário de Meio Ambiente de Gilberto Kassab.
Além de deixar a coordenação da campanha, Novaes se desfiliou do Partido Verde.

Avisa lá que eu vou
Essa ninguém imaginaria quando Lula tomou posse em 2003: ele vai ao Fórum Econômico de Davos, dia 29, mas não volta para falar no Fórum Social Mundial.
Que será no Sul do Brasil - mas não em Porto Alegre. O pessoal acha inoportuno fazê-lo sob a gestão do antipetista Antonio Fogaça.

Avisa lá 2
A saída, para os organizadores, é fazer o Fórum em cidades da região metropolitana gaúcha - onde as prefeituras estão nas mãos do PT.

Riso legal
O TJ-Rio disse não à Globo. A Record pode continuar com as paródias dos personagens de seus programas.

Gritaria
Pastores evangélicos da Igreja Mundial do Poder de Deus, fechada pela Prefeitura por não ter alvará, estão prometendo uma "grande marcha até a Prefeitura", para pressionar Kassab.
Levam na mochila uma pergunta: por que as igrejas evangélicas não podem fazer barulho mas as escolas de samba podem?

A grade e a lei
O STJ tem dilema de bom tamanho para começar 2010: os dois acusados do furto milionário na agência do BC em Fortaleza, em 2005, pedem habeas corpus.

Na frente

Rodrigo Sant"Anna estreia em Sampa a comédia Os Suburbanos. Sábado, no Teatro das Artes.

Caro Francis, de Nelson Hoineff, tem pré-estreia hoje, no Reserva Cultural.

Alcione e Margareth Menezes começam os ensaios do movimento Afro Pop Brasileiro. Quinta, em Salvador.
Marcos Flaksman, Martha Alencar e Heloisa Rezende já desembarcaram em Fortaleza para as filmagens do longa de Hugo Carvana, Não Se Preocupe Nada Vai Dar Certo.

Lourdes Maria, filha de Madonna, está namorando. Não consta que o moço seja da turma de Jesus Pinto da Luz.

Interinos: Doris Bicudo, Gabriel Manzano Filho, Marilia Neustein e Pedro Venceslau.
Estão presos há mais de três anos. O prazo limite, dizem, seria de 81 dias.

RUY CASTRO

Sorvete no açougue

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/01/10


Há anos, numa de suas incontáveis administrações, o então prefeito Cesar Maia entrou em um açougue no Rio e pediu um sorvete. O açougueiro, constrangido, teve de admitir que não trabalhava com o produto. Mas a imprensa, que, por algum motivo, acompanhava o prefeito nessa expedição, fez a festa. Imagine entrar num açougue e pedir um sorvete!

As coisas mudam. Outro dia, um turista entrou numa banca de jornais da avenida Ataulfo de Paiva e perguntou se vendiam havaianas. O jornaleiro disse que não e apontou a peixaria no outro lado da rua. E, de fato, no lugar dos robalos e garoupas, a porta da peixaria ostentava um farto estoque de sandálias de dedo, de todos os tamanhos e cores. Acho que vendia também pescado e frutos do mar.

Foi-se o tempo em que as bancas tinham até 15 jornais locais para vender. Hoje têm três ou quatro, asfixiados pela população de revistas, e todos lutam por espaço contra os cigarros, chocolates, dropes, jujubas, picolés, batatas fritas, incenso, bolas, bonés e camisetas que as bancas também vendem. E algumas, efetivamente, vendem sandália de dedo.

As farmácias, você sabe. Oferecem refrigerantes, bombons, fortificantes, tênis, calcinha, pneu, escafandro – tudo, menos remédio, o que dispensa a figura do farmacêutico experiente e conhecedor dos medicamentos. Na maioria delas, o atendente não consegue distinguir um band-aid de um supositório e está ali só para consultar a tela do monitor e dizer se tem ou não tem. As farmácias são tão bom negócio no Brasil que estão sendo incorporadas por bancos, grandes investidores, e até supermercados. Não demora e será tudo uma coisa só.

O irônico é que, hoje, o ex-prefeito Cesar Maia já pode entrar num determinado açougue chique aqui do Leblon e pedir um sorvete.

GOSTOSA

MÍRIAM LEITÃO

À moda brasileira

O GLOBO - 06/01/10


O ano começa com a criação de um monopólio e uma reestatização. A compra da Quattor pela Braskem dará ao grupo formado pela Odebrecht e Petrobras o controle de todas as centrais petroquímicas e a maioria da produção das resinas plásticas. A operação em que a Cemig está comprando ações dos sócios da Rio Minas Energia é na prática a volta da Light a mãos estatais.

A privatização da Light não foi privatização de fato.

Na época, quem comprou foi uma estatal francesa, a EDF. Logo após, o Rio viveu uma onda de apagões. Em seguida, melhorou, mas os grandes prejuízos levaram a empresa francesa a vender a Light. O grupo de investidores que se formou para comprar dizia que estava enfim trazendo a administração da empresa de volta ao Rio. Agora, o controle será da estatal mineira. Os novos donos já avisaram que não há garantia de que os apagões vão acabar. Todos os donos justificam o baixo investimento com os mesmos argumentos: no Rio, é difícil combater o roubo de energia e isso mina a receita da empresa. Além disso, é um mercado estagnado.

O consumo continua 1% menor do que há dez anos.

A petroquímica nasceu no Brasil por decisão do Estado, mas não para ser estatal. Era um modelo tripartite: cada uma das três centrais de produção de matéria-prima era controlada por um consórcio diferente, formado por capital estrangeiro, um grupo privado nacional e a Petrobras.

A segunda geração de produtos derivados da matériaprima nasceu incentivada e financiada pelo Estado, mas em vários grupos privados.

Décadas depois, o governo decidiu retirar a Petrobras do setor e privatizar suas participações. Nos últimos anos, no entanto, a Petrobras voltou a crescer, comprando participações ou empresas e aprofundando sua sociedade com a Odebrecht.

Com a compra da Quattor, a Braskem vai controlar todas as centrais e um altíssimo percentual de produção das resinas termoplásticas: polietilenos, polipropilenos, poliestirenos e PVCs. Hoje, o Brasil produz 5,5 milhões de toneladas de resinas. Quando a Petrobras inaugurar a Comperj, em Itaboraí, serão mais dois milhões de toneladas.

Só a resina Pet não é produzida pelo grupo, e sim por outro monopólio, o grupo italiano MG.

A Braskem argumenta que mesmo tendo todo esse controle, isso não produz riscos para o mercado.

— Esse é um mercado internacional, as resinas são facilmente importadas, os produtos viajam bem. Isso significa que se algum produtor local, formador de preço, quiser reajustar o produto além da cotação internacional vai incentivar a importação — diz Marcelo Lyra, vice-presidente Institucional da Braskem.

Ontem de manhã, a Braskem informou à CVM que a compra da Quattor ainda não havia sido fechada. E até à tarde, quando falei com a empresa, as negociações continuavam para contornar a resistência de um dos familiares. Uma das vantagens do negócio será resgatar a Quattor das brigas da família Geyer, paralisante para qualquer grupo.

O negócio tornará a Braskem a maior empresa do Mercosul. A Dow Química e a Solvay operam na Argentina, mas são bem menores do que a empresa petroquímica brasileira.

Lyra disse que os clientes da empresa não veem a operação como uma ameaça.

— A consolidação dará ganhos de escala que beneficiarão os clientes com mais competitividade e inovação — disse.

Ter um grupo nacional forte é bom sim, desde que o tamanho da empresa não crie distorções de mercado.

No caso das resinas plásticas, de fato, outros especialistas confirmam a visão da empresa. O Brasil exporta 25% do que produz e importa 20% do que consome de resinas.

A economia brasileira é cheia de grandes empresas que dependem excessivamente do financiamento estatal, ou se associam a estatais, ou justificam o controle do mercado onde atuam com o argumento nacionalista.

Isso cria uma espécie de capitalismo à moda brasileira.

No caso da Light, os erros já começaram na privatização.

Ela foi a leilão antes de haver órgão regulador. Os apagões tiveram o agravante do processo decisório lento de uma estatal francesa.

A esperança nasceu quando se formou um grupo de investidores privados, mas no fim do ano passado novos apagões revelaram a crônica falta de manutenção. Agora, o negócio será assumido por uma estatal mineira.

Algumas estatais são bem geridas, algumas empresas privadas são mal geridas.

O problema é que as estatais bem geridas, dependendo de quem assume o governo, podem ser entregues a interesses políticos.

Monopólios são sempre um perigo, mas quando há chance de importação há como evitar abuso de poder de mercado.

ARI CUNHA

A marca do insucesso

CORREIO BRAZILIENSE - 06/01/10


O presidente da Câmara Legislativa do DF, Leonardo Prudente, não se preocupa com o que possa advir. Aparentando respeitabilidade, surge à vista dos colegas como se fosse virgem. Como a mulher de César. Havia pedido licença por metade do ano. Seu propósito é suspendê-la e reassumir o cargo. O espelho da verdade mostra o desejo em plena agitação. Barão de Itararé tinha senso de humor e via a vida pelos olhos da maldade. “Negociata é o bom negócio ao qual estamos ausentes.” Era crítico mordaz. Sentia a maldade nas intenções dos que dela se aproximavam. Revelava pensamento dos outros. A vida do país está em mãos de quem deseja o poder por qualquer razão.


A frase que não foi pronunciada

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”
» Político pensando em se regenerar enquanto lê Clarice Lispector.




Prédios históricos
» A preocupação do governador José Serra é salvar “e recuperar os prédios históricos de São Paulo”. Ideia é boa, não para a atualidade. Morre gente por toda a parte. A vida humana desvalorizada não terá cidadãos para honrar essas tradições.

Ciem
» Tempos atrás, a Universidade de Brasília tinha cursos para ensinar tudo aos alunos. Decisão final seria deles. O Ciem era a melhor educação. O livre arbítrio fez cada um escolher seu destino. Uns, para a maldade ou lucro fácil. Outros, pela dignidade humana. O homem segue o destino desejado.

Supremo
» Assaltado no Rio, Gilmar Mendes era vice-presidente do STF. Acompanhava a presidente Ellen Gracie. Segurança não reagiu. Recuperou o automóvel abandonado. Nos feriados, em companhia da mulher, Guiomar Mendes, fez percurso tranquilo de bicicleta pela Península Norte.

Bravura
» Caseiros no Lago Norte receberam homenagens dos moradores. Ao perceberem a entrada de um ladrão na residência vazia, os trabalhadores se telefonaram e aguardaram o meliante do lado de fora. Assim que saiu, foi rendido, amarrado e exposto no gramado para exibição pública antes da prisão. Faixas de agradecimentos dos patrões foram espalhadas pela rua.

Briga feia
» Newton Cardoso, ex-governador de Minas Gerais, mexe os pauzinhos para recuperar o PMDB mineiro. Com os olhos em 2010, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, não gosta da ideia. Pode haver tumulto.

Embratur
» Ontem, João Mendes Santana tomou posse no Escritório Brasileiro de Turismo em Madrid. Chega com uma responsabilidade importante. Ultrapassa o turismo, ao mostrar o Brasil como parceiro comercial viável.

ONU
» Divulgada a oportunidade de o Brasil ocupar por dois anos uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. O presidente Lula vê êxito na primeira etapa do lobby. O próximo passo é acrescentar uma cadeira permanente para um representante da América Latina, Europa Oriental e África.


História de Brasília

O Departamento de Limpeza da Prefeitura tem outro lugar para ver: é a S-2MW, cuja pista de asfalto está sendo coberta de entulho, por empreiteiros sem escrúpulos. (Publicado em 22/2/1961)

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

GUSTAVO M. BAPTISTA

O planeta está realmente esquentando?

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/011/10


A mudança do clima, para mais quente ou para mais frio, ocorrerá com ou sem o nosso consentimento. Quem viver verá


ACABAMOS de assistir às principais lideranças mundiais reunidas em Copenhague para discutir os destinos do planeta diante da ameaça do aquecimento global antropogênico. Ironicamente, foram necessários muitos agasalhos, pois o frio de um inverno rigoroso já se anunciava.
A tese defendida pelo IPCC, de que o aquecimento é provocado pelo homem, baseia-se em três grandes pilares: as séries históricas dos desvios de temperatura global, as séries históricas de concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO2) e uma previsão de clima baseada no dobro da concentração de CO2.
As séries históricas dos desvios de temperatura global, nas quais se baseia o IPCC, mostram que, nos últimos cem anos, a temperatura média do planeta aumentou 0,6, mas, ao analisarmos os dados, notamos que esse crescimento não foi constante nem linear, pois houve períodos em que ocorreu redução da temperatura do globo.
Além disso, e mais curioso ainda, observamos na análise dos mesmos dados que, nos momentos em que a temperatura subiu, não há relação de proporcionalidade com o aumento de CO2, ou seja, não é possível, com base nessas séries históricas, afirmar que a temperatura aumentou em decorrência do aumento das emissões de dióxido de carbono.
Outra observação inquietante desses dados mostra que, entre 1943 e 1966, período em que o processo de urbanização se consolidava no mundo, associado ao crescimento econômico expressivo do pós-guerra, ocorreu redução de 0,18 na temperatura global.
Mais recentemente, a partir de 2005, os dados de temperatura média global baseada em dados de satélites divulgados pela Universidade do Alabama Huntsville (UAH) mostram uma tendência de resfriamento global. Contrariando as previsões dos ambientalistas, o planeta viveu entre 2007 e 2009, no Hemisfério Norte, invernos bastante rigorosos, com direito a uma nevasca histórica em Washington no último mês de dezembro e a inacreditáveis 34,6 negativos na Alemanha, onde, de acordo com o Serviço Alemão de Meteorologia, o inverno está sendo classificado entre os cinco ou dez mais frios dos últimos cem anos.
Os outros dois pilares do aquecimento antropogênico estão relacionados à concentração de CO2 na atmosfera. Segundo os que anunciam essa pseudocatástrofe, essa concentração nunca foi tão elevada quanto agora. Será?
Essa afirmação baseia-se inicialmente nos estudos de Guy S. Callendar, que, a partir de 1938, passou a pregar a influência humana no incremento da temperatura do planeta em decorrência da queima de combustíveis fósseis. É dele um estudo publicado em 1958 que afirma que a concentração média de CO2 atmosférico no século 19 era de 290 ppm (partes por milhão) e, no século 20, chegou a 320 ppm.
Estudos posteriores dos cientistas Fonselius, Koroleff e Wärme lançaram dúvida sobre a tese de Callendar, mostrando que, na verdade, ele teria escolhido a dedo seus dados.
A manipulação teve o objetivo de estabelecer uma suposta tendência de crescimento exponencial nos índices de concentração e de desprezar concentrações superiores ao patamar eleito por ele.
Nos dados desprezados, encontram-se concentrações superiores a 500 ppm já no século 19, mas elas tiveram de ser ignoradas para tornar defensável seu ponto de vista.
Afirma-se que o grande vilão do aquecimento global é o homem, por sua parcela de contribuição para o efeito estufa -retenção do calor pelos gases que apresentam concentração variável na atmosfera, entre eles o dióxido de carbono.
Um dado que tem sido ignorado, no entanto, é que 95% do efeito estufa é decorrente da concentração de outro gás: o vapor d'água. O CO2 corresponde somente a 3,6% do total. Mais grave ainda é que, desse percentual, o homem e suas máquinas respondem por apenas 0,1%. Por essa razão, o climatologista Marcel Leroux disse que "na atmosfera do IPCC não há água".
Entramos recentemente numa nova fase fria do oceano Pacífico e enfrentamos um ciclo de manchas solares que tem apresentado uma atividade muito baixa, como se esperava com os ciclos de Gleissberg.
Isso deve nos levar, ao contrário do que anunciam os profetas do apocalipse climático, a um novo período de resfriamento global, apesar do El Niño deste ano.
O fato é que as temperaturas globais são reguladas por fenômenos naturais de âmbito sistêmico. A mudança do clima, para mais quente ou para mais frio, ocorrerá com ou sem o nosso consentimento. Quem viver verá!

GUSTAVO M. BAPTISTA, 40, doutor em geologia, é professor adjunto da UnB (Universidade de Brasília) e autor do livro "Aquecimento Global: Ciência ou Religião?"

ANCELMO GÓIS

O MORRO NA NOVELA

O GLOBO - 06/01/10


Veja como a pacificação da favela Dona Marta, no Rio, ainda rende frutos. A TV Globo planeja rodar no morro a sua próxima novela das 18h, “Entre dois amores” (nome provisório).
‘BBB’ GAY
De Jane Di Castro, a transformista, eufórica, ao saber que haverá uma drag queen no próximo “Big Brother”, da TV Globo:
– Vou preparar uma caravana numa van cor de rosa rumo ao Projac nos dias de paredão! Finalmente, a TV abre espaço para as bibas que se montam. Não vejo travesti nem de sacoleira de supermercado!
OS NAVIOS DE EIKE
A OSX, a empresa noviça de Eike Batista que pretende construir um estaleiro em Santa Catarina, lança mês que vem uma oferta pública de ações (IPO). Planeja captar entre US$ 2,5 bi e US$ 3 bi.
MTT BANCO
Até agora o BC analisa a criação do MTT Banco, do empresário Eugênio Holanda, anunciada em março de 2009, a partir da compra da filial brasileira do Dresdner Bank. O sócio de Holanda é Luiz Cezar Fernandes, que ajudou a criar o Pactual e o Garantia.
CALMA, PINTINHO
De Pintinho, craque tricolor nos anos 1980, que há 29 anos vive na Espanha, sobre Kaká, do Real Madrid e da seleção:
– Kaká é mais valorizado do que merece. Nunca nos deu título importante. Cristiano Ronaldo (português do Real) é melhor.
Mãe África Lula nomeou uma mulher para comandar nossa embaixada na Etiópia. O posto será da embaixadora Isabel Cristina de Azevedo Heyvaert.
LÁ E CÁ
Roberto Carlos, o lateral pentacampeão do mundo que vai jogar no Corinthians de Ronaldo Fenômeno, decidiu entrar com processo na Fifa para receber salários atrasados no Fenerbahçe, da Turquia. Deve ser terrível... você sabe
PROCOPA HOTÉIS
O BNDES vai investir R$ 1 bi na reforma e na construção de hotéis para a Copa de 2014. O programa, batizado de ProCopa Hotéis, só vai até o fim de 2012, ou seja, tudo tem de estar pronto até o Mundial.
UM PAÍS DE TODOS
Os presidentes dos clubes Naval, Militar e de Aeronáutica divulgam hoje nota de apoio ao ministro Nelson Jobim e aos três comandantes militares “ante o lançamento inoportuno da Comissão Nacional da Verdade”. A nota elogia a democracia e pede “um País de todos, sem preconceitos nem revanchismos contra qualquer facção”.
A FALTA DE MÍRIAM
Até no PT deram falta no filme “Lula, o filho do Brasil” do romance do presidente com Míriam Cordeiro, mãe de Lurian. O ministro Paulo Bernardo, na revista petista “Teoria e Debate”, escreve que “seria natural que o assunto estivesse no filme, já que é por demais conhecido”.
MEMÓRIAS DO CÁRCERE
Dona Vilma Andrade, 80 anos, viúva do bicheiro Castor, acaba de ganhar da ex-nora Beth Andrade, viúva de seu filho Paulinho Andrade, ação de posse de três casas na Ilha Grande. Castor se apaixonou pela ilha na temporada que passou no... presídio, implodido em 1994.
MADEIRA DA AMAZÔNIA
Aliás, as casas, erguidas em 1993 com madeira da Amazônia e jardins de flores importadas da Holanda, têm 400 m², cada. Quase todo o material foi trazido de barco em cerca de 1.000 viagens, como contou, na época, o arquiteto José Zanini Caldas, autor do projeto.

A PORCA

DORA KRAMER

Enquanto Serra não vem

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/01/10


Depois de muita conversa entre a cúpula do partido nessa virada de ano, o PSDB resolveu inverter o enunciado do problema segundo o qual o início dos trabalhos eleitorais dependia da definição oficial do candidato a presidente.

De agora até março passa a vigorar o oposto: o partido dá a largada exatamente para preservar o candidato, ocupando todos os espaços de ataque, defesa e organização da logística a fim de reduzir as pressões para que o governador de São Paulo, José Serra, assuma a condição de porta-voz da oposição no processo de sucessão do presidente Luiz Inácio da Silva.

Trata-se, no dizer dos dirigentes, da "montagem de uma retaguarda" composta pelos parlamentares, diretórios e as estruturas das campanhas estaduais.

São eles os encarregados de falar sobre as posições do partido, comentar as notícias do dia a dia, criar fatos políticos, denunciar ações do governo que se prestarem a denúncias, enfim, chamar sobre si todas as atenções.

Com isso, atendem a uma reivindicação de Serra, que há tempos vinha aborrecido com o fato de o PSDB achar que a tarefa do embate caberia exclusivamente àquele que na eleição vai representar a voz e a face do partido.

Como isso o governador não queria nem podia fazer, inclusive porque havia outro pretendente (Aécio Neves), o campo oposicionista simplesmente não se mexia, vivia uma espécie de compasso de espera permanente.

A nova linha de ação foi facilitada por dois fatores que, na visão dos tucanos, fizeram o PSDB "fechar" 2009 em situação favorável: a desistência do governador de Minas, Aécio Neves, de pleitear a candidatura presidencial e a permanência do governador de São Paulo num primeiro lugar praticamente sem oscilações.

A retirada de Aécio livrou o PSDB da formalidade da dúvida sobre o candidato e a vantagem consolidada (até agora) dá ao partido desenvoltura para contrapor a versão do governo de que a ministra Dilma Rousseff está em situação privilegiada.

"Não está, com toda a popularidade de Lula, Dilma tem 23% no melhor cenário, aquém dos 30% previstos para o fim do ano pela expectativa divulgada pelo PT em meados de 2009", diz o deputado Jutahy Magalhães, que tem participado dessas avaliações sobre a agenda do PSDB nesse vácuo até a saída de Serra do governo de São Paulo, em 2 de abril.

Na pauta, além de "bater o bumbo" sobre a vantagem nas pesquisas, o PSDB inclui a "denúncia" dos comerciais de empresas privadas cujos textos são muito semelhantes ao discurso do governo. Ou seja, não vendem seus produtos, mas o "mood" publicitário do governo.

Qual prejuízo isso imputaria ao campo do adversário?

Além de desvendar a manobra, "alertar", principalmente multinacionais como a Ambev e a GM, sobre a politização de suas filiais.

Nessa agenda há, no entanto, um tema interditado: a formação da chapa puro-sangue. Pergunte-se mil vezes a respeito ao presidente do partido, Sérgio Guerra, e mil vezes ele responderá: "Por enquanto é tempo de calar."

Processo (in)decisório

Para quem não gosta de arbitrar, preferindo pairar acima de qualquer conflito, Lula tem paradas duras para resolver antes de passar a faixa presidencial: a escolha dos novos aviões caças da FAB (ele prefere os franceses, a Aeronáutica os suecos), a querela entre os Ministérios da Defesa e Justiça sobre os crimes da ditadura e a extradição de Cesare Battisti.

Aos dois primeiros assuntos o presidente sempre poderá aplicar seu habitual método de impulsão com a parte mais protuberante do abdome.

Já sobre Battisti, a partir da publicação do acórdão do Supremo Tribunal Federal, prevista para fevereiro ou março, o presidente tem 40 dias para dar o veredicto.

Perdas e ganhos

Prefeito do Rio, Eduardo Paes começou se inspirando em projetos de ordenamento urbano de São Paulo, mas, pelo resultado de seu "choque de ordem" na cidade apinhada de turistas, pode terminar exportando tecnologia.

O projeto foi um sucesso na virada do ano e no cotidiano tem feito, pelo menos da zona sul, um espaço de convivência mais civilizada. Barracas de praia padronizadas, ambulantes uniformizados, guarda municipal em todo canto, frescobol, futebol e assemelhados banidos da beira do mar, aplicação rigorosa da lei seca, fiscalização das regras de estacionamento, presença do poder público, enfim, é o melhor remédio.

O governador Sérgio Cabral, cuja ação na ocupação dos morros livrou parte deles do domínio do tráfico, ficou em desvantagem no quesito menção honrosa por seu sumiço nas primeiras 24 horas da tragédia de Angra dos Reis, onde seis meses antes havia autorizado construções em área de proteção ambiental.

Se, como disse ele, a tragédia era "anunciada", Cabral é réu confesso do crime de omissão.

CLÁUDIO HUMBERTO

“(...) até o presente momento não encaminhou’ ”
A FAB NEGANDO ENTREGA DE RELATÓRIO À DEFESA OPTANDO PELOS CAÇAS SUECOS GRIPEN

LULA NA PRAIA: REFORMA DA CASA CUSTOU R$ 2 MI
A Marinha do Brasil gastou mais de R$ 2 milhões para reformar a casa agora utilizada pelo presidente Lula e família em sua temporada de férias na Praia de Inema, da Base Naval de Aratu, litoral baiano. As despesas para deixar a casa como queriam os inquilinos provocam grande revolta na Marinha, em razão dos problemas de manutenção das instalações e navios da própria Base Naval, por falta de dinheiro.
OUTRO LADO
A Marinha prometeu resposta “o mais breve possível”, após checar a informação “junto a outras organizações militares”.
DO JEITO DELE
Lula também passou férias na Base Naval de Aratu, em 2008. Mas a casa não parecia estar do jeito que ele e sua família gostam.
CANSEI
O presidente, que também levou amigos, ficará na praia até segunda (11), descansando de tantas viagens mundo afora e de ser “o cara”.
SILÊNCIO NO PARAÍSO
Ponte cai no Sul, calamidade pública no Rio e em São Paulo, e Lula continua mudo al mare, com um isopor na cabeça, cheio de guaraná.
SINAL AMARELO NA EDUCAÇÃO
A Conferência Nacional de Educação, que será realizada em Brasília, em março, já acendeu o sinal amarelo na Confenem (Confederação dos Estabelecimentos de Ensino Particular). É que os burocratas de esquerda, os “cumpanhêro”, em cargos de direção no MEC e seus aliados planejam criar o Fórum Nacional de Educação como instância máxima de deliberação de política educacional, acima do próprio MEC.
PROPOSTA DERROTADA
Essa proposta foi derrotada na Assembleia Constituinte e nos debates anteriores à Lei de Diretrizes e Bases de 1996.
ORÇAMENTO NA BERLINDA
O Fórum teria poderes para controlar a execução orçamentária na área. É inconstitucional. Vai dar rolo.
VELHOS COMPANHEIROS
Adivinha quem seriam os integrantes do Fórum? Representantes dos sindicatos e ONGs de sempre, inclusive do clandestino MST.
ANO-NOVO, GENTE NOVA
No dia do seu aniversário, ontem (5), o governador do DF, José Roberto Arruda, reuniu seu secretariado, com um quadro completamente diferente de quando assumiu. Ele tenta manter a governabilidade.
DIAMANTES DEMAIS
O garimpo na Reserva Roosevelt, em Rondônia, está a todo vapor mesmo com a extração proibida desde 2004. Os índios Cinta-Larga, que vivem na região, são cúmplices dos garimpeiros.
CADÊ O MP?
Agora o Ministério Público quer que o Ministério da Justiça invista em programas sociais para os índios no mesmo valor que aplica no combate ao garimpo: R$ 7 milhões por ano. Só assim fechariam a área.
RIO 2016
A Agência Fields, contratada pelo Ministério dos Esportes para fazer a campanha da candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016, explica que estava licitada quando saiu a suplementação orçamentária do governo.
NA PAZ
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, acionou o “deixa disso”, após o governo federal e a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) se estranharem na Conferência de Comunicação (Confecom). Costa garantiu que até fevereiro lança o sistema de rádio digital.
BOLÃO DE CRISTAL
Um popular vidente mexicano conhecido como “Bruxo Maior”, garantiu que o presidente deposto Manuel Zelaya “desaparecerá qualquer dia da embaixada do Brasil e não voltará mais a Honduras”. Será?
PRIMEIRO AQUI
A notícia nos jornalões de ontem saiu aqui, em novembro: ambientalistas protestaram contra o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que autorizou novas construções na Ilha Grande, ignorando órgãos técnicos.
PENSANDO BEM...
O DEM leva na meia, o PT na cueca, e o povo no lugar de sempre.

PODER SEM PUDOR
AO PÉ DA LETRA
Monoglota convicto, o ex-prefeito de São Mateus (ES), Amocim Leite, durante viagem aos Estados Unidos, resolveu traduzir o próprio nome ao – digamos – “pé da letra”. Apresentava-se assim:
- Muito prazer, meu nome é I love Yes Milk...

TERÇA NOS JORNAIS

- O Globo: Governo vai cortar impostos para beneficiar exportador

- Folha: Ponte desaba em rio do Sul; dez pessoas desaparecem

- O Estadão: Planalto descarta parecer da Aeronáutica sobre caças

- JB: Manobra de Paes sob fogo na Câmara

- Correio: A inflação dentro de casa