sexta-feira, outubro 30, 2009

EMÍLIA MARIA SILVA RIBEIRO CURI

Amadurecer ao sol

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/10/09


A publicidade dos atos administrativos é condição primordial para o exercício do controle social da atuação do Estado e de seus agentes

INSPIRADO EM experiências internacionais, o modelo brasileiro de agências reguladoras completa já mais de uma década.
Nesse período, discussões sobre sua legitimidade formal parecem ter sido superadas, tendo em vista a sólida legislação que lhe dá suporte, cujos preceitos estão em sintonia com os princípios constitucionais aplicáveis.
Não obstante, a garantia de estabilidade do modelo no longo prazo depende não só de uma base legislativa consistente mas também de legitimidade política, conquistada a cada dia.
Nesse esforço, é necessário que suas qualidades sejam amplamente visíveis para a sociedade. Em outros termos, por mais qualificadas, fundamentadas e formalmente regulares que sejam suas decisões, tais aspectos devem restar evidentes.
A transparência assume, assim, o papel de um fator proeminente de legitimação do modelo vigente. Com efeito, só a ampla permeabilidade ao controle social poderá evidenciar a atuação dos agentes de mercado e tornar visíveis as disputas travadas em torno de decisões regulatórias.
Tal constatação aponta para a oportunidade de estabelecer uma agenda de política pública para a transparência dessa atividade, consistente na adoção de procedimentos simples que, não obstante, podem contribuir significativamente para nivelar o acesso às informações pertinentes à atuação das agências reguladoras.
Para tanto, um primeiro ponto a ser abordado é a divulgação de documentos decisórios, bem como de estudos, relatórios, pareceres, análises, votos e outras peças informativas que fundamentem essas deliberações.
Tal procedimento, além de evidenciar o conhecimento da agência acerca do tema, contribui para expor à sociedade os motivos que embasam as opções regulatórias.
A esse respeito, deve ser citado o exemplo positivo dado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) na discussão do novo Plano Geral de Outorgas -os documentos do processo foram digitalizados e publicados no sítio da agência na internet.
Outro ponto importante é a abertura das reuniões ou sessões deliberativas. A prática administrativa contemporânea, em harmonia com o princípio constitucional da publicidade, não mais comporta o sigilo como regra, senão como medida excepcional.
Além de franquear o acesso do público interessado, também se mostra pertinente, para fins de documentação e resgate histórico, que as atas, notas taquigráficas ou gravações também sejam conservadas e divulgadas.
Cabe aqui mencionar a boa prática do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que coloca à disposição do público, em seu sítio na internet, as gravações de áudio de suas sessões.
Em outra vertente, tampouco se pode admitir a criação de subterfúgios que impeçam ou dificultem o acesso das partes e seus procuradores aos processos administrativos que tramitam nas agências reguladoras.
É imprescindível que essas entidades compreendam que o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa tem como pressuposto o acesso desimpedido aos procedimentos administrativos em qualquer grau de deliberação.
Por derradeiro, a prática regulatória acumulada na última década indica a necessidade de rever os critérios adotados para a atribuição de sigilo a processos administrativos.
Nesse sentido, o princípio constitucional da publicidade, orientador da administração pública, somente deve admitir exceções diante das exigências de proteção da intimidade e do interesse público, sempre por intermédio de juízos de proporcionalidade, necessidade e adequação exaustivamente motivados.
A publicidade dos atos administrativos constitui, mais do que um princípio constitucional de observância compulsória, condição primordial para o exercício do controle social da atuação do Estado e de seus agentes.
Com efeito, não se pode negar que a pressão da sociedade, exercida de forma contínua e incansável, tem contribuído para aperfeiçoar o comportamento das instituições e das autoridades públicas. O mesmo deve acontecer com as agências reguladoras.
De introdução recente em nosso ambiente institucional, tais agências precisam aprimorar sua atuação para atender a mercados cada vez mais exigentes no que tange à qualidade das decisões regulatórias.
É imprescindível que esse processo de evolução seja conduzido em ambiente de absoluta transparência, para que possa revestir-se da necessária legitimidade política. Em resumo, as agências devem amadurecer ao sol.

EMÍLIA MARIA SILVA RIBEIRO CURI , 46, é conselheira diretora da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), de cujo Conselho Consultivo foi vice-presidente.

ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK

Deterioração fiscal e aquecimento

O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/10/09


É pouco, mas melhor que nada. Em entrevista ao Estado de domingo, o economista Luciano Coutinho saiu de seu caminho para enfatizar a necessidade de se conter a expansão desenfreada de dispêndio de custeio do governo. Embora tenha qualificado sua opinião como a de "um simples economista e cidadão, que por acaso é presidente do BNDES no momento", a manifestação soou como um pequeno sopro de bom senso em meio à crescente insensatez que vem marcando o discurso do governo sobre a evolução do quadro fiscal.

Os mais otimistas, contudo, devem refrear seu entusiasmo. Qualquer que tenha sido a inspiração da manifestação do presidente do BNDES, não há razões para percebê-la como prenúncio de uma guinada na política fiscal do governo. Primeiro, porque Luciano Coutinho não é exatamente um paladino da austeridade fiscal. Acaba de pespegar uma conta de R$ 100 bilhões no Tesouro Nacional. E quer repetir a dose ano que vem. Segundo, porque o presidente Lula continua comprometido até os ossos com a ideia de um ano eleitoral apoteótico, fartamente regado a gasto público. Conta com isso para enfrentar o desafio de fazer sua candidata decolar. E tudo indica que, se os projetos de investimento do governo continuarem empacados, não hesitará em turbinar ainda mais a expansão de gastos de custeio.

Tampouco há razões para ver na manifestação de Luciano Coutinho o prenúncio de que, não obstante toda a farra fiscal preparada para o ano eleitoral, haveria disposição da candidata Dilma Rousseff de apresentar ao País uma plataforma de governo que fizesse da contenção de gastos de custeio o esteio de um programa de crescimento econômico no próximo mandato presidencial. Seria bom se fosse verdade. Mas o fato é que a trajetória da ministra nos últimos anos inviabiliza a adoção desse discurso, ainda que se leve em conta a incrível capacidade de metamorfose que o PT já mostrou ter no passado. Dessa vez vai ser difícil repetir a mesma mágica.

É preciso lembrar que em 2005, quando o ministro Antonio Palocci defendeu esforço similar de contenção da expansão dos gastos de custeio do governo federal, a ministra Dilma Rousseff, coadjuvada pelo ministro Guido Mantega, fez de tudo para torpedear a iniciativa. E, desde que o presidente Lula se permitiu a extravagância de escolher um ministro da Fazenda que jamais lhe dissesse não, Dilma Rousseff tem formado com Mantega uma imbatível dobradinha na defesa da expansão de gastos de custeio, pronta a recorrer a todo o tipo de mistificação. Por exemplo, rotulando qualquer crítica ao descontrole de gastos do governo como "defesa do Estado mínimo".

É difícil, portanto, que Dilma Rousseff se sinta confortável para defender em campanha um programa de contenção de gastos de custeio do governo, como parte de um esforço de aumento da taxa de investimento no País, como agora prega Luciano Coutinho. O problema, contudo, é que as contas públicas continuam em franca e incômoda deterioração. A Fazenda enfrenta uma combinação perversa de expansão desmesurada de gasto com desesperante dificuldade de reverter a perda de eficiência da máquina arrecadadora que adveio do insensato aparelhamento que Mantega orquestrou na Receita Federal. Não obstante a vigorosa recuperação da economia, a arrecadação federal continua em queda.

Premido pela deterioração do quadro fiscal, o governo tem aventado a criação de um novo tributo a cada mês. Não faz muito tempo, tentou ressuscitar a CPMF, com uma alíquota mais baixa, "para a Saúde". Há poucas semanas lançou o balão de ensaio da taxação de exportações, uma proposta que há muito encanta admiradores locais da desastrosa política neoperonista adotada já há vários anos na Argentina. Mais recentemente, surgiu uma terceira ideia, imediatamente posta em prática. Os 2% de IOF sobre entrada de capitais, por inócuos que possam ser nos seus efeitos sobre o câmbio, trarão um reforço não desprezível à arrecadação. Mas não a ponto de evitar a brutal erosão da situação fiscal que estará evidenciada quando as contas de 2009 forem afinal divulgadas no começo do ano que vem.

Essa perspectiva aponta para um quadro de crescente desconforto de Mantega perante o Planalto nos próximos meses. Para o governo, pode ser conveniente já ter alguém com discurso adequado no aquecimento.

Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio.

GOSTOSA


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DIRETO DA FONTE

De frente para os fundos

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/10/09

Pelo jeito, não é só Armínio Fraga que defende uma reestatização do Estado, como deu ontem o Valor. Também FHC, em entrevista à Conjuntura Econômica, adverte para o surgimento, no País, de grupos de poder ancorados, ao mesmo tempo, no governo e nos fundos de pensão.
E com sinal trocado. Enquanto lá fora esses fundos cuidam de investimento financeiro e não de gestão, aqui dentro - diz o ex-presidente - eles entram pra valer nessa área: são donos de empresas. Lá fora eles não têm partido, aqui têm. "É um só partido, que controla todos os fundos de pensão". E arremata: "A hegemonia não é só política, é econômica, é total".
E para onde isso aponta? Para ele, pode levar a uma taxa de crescimento alta, mas não cria uma sociedade competitiva. "Começa a haver tendência a um dirigismo..."

Trio coragem

Acabou o suspense dos moradores do Itaim e Vila Olímpia: o Shopping Vila Olímpia abre as portas dia 25.
Na véspera, porém, não vão poder dormir. Os grupos Multiplan, Brookfield e Helfer vão fazer festa para 3 mil convidados.

Amém, Padim

Com acesso à documentação do Arquivo Secreto do Vaticano e a 900 cartas, Lira Neto terminou, ao fim de 20 anos, sua biografia de Padre Cícero.
O livro sai em novembro, quando se discute a absolvição canônica do Padim.

Dilma teen

As juventudes do PT, PDT, PSB, PC do B e PMDB fecharam ontem um acordo. Vão marchar juntas na eleição de 2010, com Dilma à frente.
Com os adultos do PC do B, Dilma fecha parceria dia 6, no congresso do partido.

Que pena...

Não convidem para o mesmo jantar os grupos de Marina Silva e José Luiz Penna: o presidente do PV não estaria cumprindo acordo fechado com a pré-candidata.
Qual? O de incorporar à coordenação do partido pessoas indicadas por ela.

Destino Brasil

Juca Ferreira voltou de Paris, ontem, com outro evento internacional no bolso.
Fará em Brasília ano que vem, nos 50 anos da cidade, a 35ª Conferência do Patrimônio Mundial, da Unesco. Da qual ele é presidente.

Tens horas?

A Philip Stein fecha hoje parceria com a brasileira de relógios Magnum. Que passa a fabricar os modelos da americana no Brasil.

Na ponte-aérea

Tem gente pensando em repetir a dose "Sergio Cabral e Eduardo Paes invadem São Paulo".
Para que a dupla conhecesse empresários paulistas dispostos a investir no Rio, André Esteves fez discreto jantar de 30 pessoas em sua casa - antes da tragédia que abateu o helicóptero da PM. Cabral destacou, ali, a segurança da cidade para convidados como Marcelo Odebrecht, Caco Pires, Rubens Ometto, Roberto Setubal, Luiz Trabuco, Carlos Jereissati, Fersen Lambranho e Antonio Bonchristiano.
Agora, a dupla poderia voltar para explicar como vai acabar com a violência...

"Foi uma pauleira"

Fausto de Sanctis cansou a mão, anteontem, autografando seu novo livro - Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro - até quase 11 da noite na Saraiva do Pátio Higienópolis. Na longa fila, além de procuradores e advogados, muita gente de ONGs que ele ajuda, com recursos de produtos apreendidos pela PF. "Preso aqui não tem nenhum, só seus advogados", ironizou um amigo.
Como arruma tempo para outro livro? "Foi uma pauleira, nem deu pra respirar." E fez muita pesquisa? "Temos coisas guardadas e a experiência do dia-a-dia."
Daniel Dantas fez outra representação. O que pretende fazer? "Vamos seguir em frente." (Gabriel Manzano Filho)


Na frente

Terminadas as quase 300 páginas da biografia do espanhol Cabeza de Vaca, Paulo Markun criou um site com o nome do desbravador para colocar historietas e documentos que não couberam no livro.

Pedido feito, convite aceito. Foi em almoço em Paris que Gilberto Braga convocou Glória Pires para sua nova novela. Estreia para daqui um ano.

Mesmo sem apoio do Fundo Setorial, a Ioiô Filmes Etc vai produzir a segunda temporada da premiadíssima série Tudo o que é Sólido Pode Derreter.

Será no histórico Cinema Farnese, construído nos anos 30, o Cine Fest Brasil-Roma. Na Cidade Eterna, dia 5.

Aos 43 anos, Cindy Crawford acaba de tomar uma decisão: vai abandonar as passarelas. Mas não a publicidade.

Toda a poesia de Carlos Drummond de Andrade sai reunida em uma caixa com três volumes. Selo BestBolso, da Record, semana que vem.

Twitteiras criaram um produto personalizado, vendido apenas para usuárias do microblog: meia-calça transparente com a frase em forma de tatuagem: "Siga-me". Preço? US$ 23.

MÍRIAM LEITÃO

É o fim da crise?

O GLOBO - 30/10/09


Não é ainda o fim da crise, mas é oficialmente o fim da recessão americana. No terceiro trimestre, o país cresceu 3,5% em relação ao segundo. Alguns números levantam dúvidas. A renda das famílias caiu 3,4% mas o consumo delas subiu 3,4%. Com uma contradição assim, não se faz um crescimento sustentado. A chave é o desemprego. O fim da crise será no começo das contratações

Mas a notícia de ontem foi boa. O maior país do mundo, e epicentro da crise, colheu o primeiro número positivo do PIB depois de quatro trimestres de diminuição.

Os Estados Unidos, na verdade, entraram em recessão no final de 2007, segundo uma nova forma de fazer o cálculo de períodos recessivos.

“Bem-vindo de volta, crescimento”.

Esse foi o título do vídeo que o “Wall Street Journal” pôs em seu site, assim que os números foram divulgados pelo Departamento de Comércio. Mas na conversa entre os jornalistas, ficou claro que ninguém acredita que isso pode ser apontado como o fim da crise.

De qualquer maneira, para um ano que começou sob o fantasma de 1929, o mundo está chegando ao último bimestre bem mais aliviado.

Já colheram números positivos de PIB a França, Alemanha, Itália, Japão, Brasil.

Ontem, foi a vez dos EUA. A Noruega esta semana já voltou a subir os juros, informando que é a hora de começar a tirar os estímulos fiscais e monetários. Israel, Austrália e Índia também começaram a retirar os estímulos.

Já a Inglaterra continuou no terceiro trimestre com PIB negativo.

O mundo está andando de volta aos trilhos, mas com várias sombras. Uma delas foi registrada em todos os comentários sobre a economia americana ontem: o desemprego continua alto, perto de dois dígitos, e lá permanecerá. As previsões são de 9% em média no ano que vem. As empresas americanas estão esperando a confirmação da retomada da demanda antes de contratar. Isso foi constatado através de uma pesquisa recente feita pelo “WSJ” com vários presidentes de empresas. Eles querem contratar mas preferem esperar um pouco mais para a confirmação da tendência de recuperação.

A segunda sombra é como ficará a economia quando forem retirados os estímulos econômicos. A terceira sombra é o que vai acontecer com a economia americana se não forem retirados os estímulos na hora certa. Os bancos centrais e tesouros pelo mundo afora conseguiram sucesso no que eles se propuseram como prioridade absoluta: evitar um novo 1929. Ainda permanece sem resposta à vista a questão sobre de que forma se fará a retomada sustentada da economia. E o mundo está prisioneiro desse dilema: se os estímulos forem retirados antes da hora, as economias vão de novo deprimir; se eles ficarem mais do que o necessário podem gerar bolhas e pressões inflacionárias.

Na ata do Copom divulgada ontem, o Banco Central brasileiro não encontrava muitos argumentos para manter os juros em níveis tão altos — em comparação com o resto do mundo. A própria ata admitia que o cenário inflacionário é benigno, que o país está crescendo ocupando capacidade ociosa, que a probabilidade de que pressão inflacionária localizada se espalhe é limitada e que é moderada a pressão da demanda.

Com tudo isso, os juros continuaram em 8,75%. O documento aponta três problemas: a existência ainda de mecanismos de indexação na economia brasileira, o impulso fiscal, e o risco de estar se formando no mundo uma nova bolha.

A ata registra desta forma o perigo de se voltar ao cenário anterior à crise: “a recuperação da economia mundial tem em certa medida reproduzido os desequilíbrios observados no período anterior à crise de 2008, poderá ter impacto, ainda que heterogêneo, sobre a dinâmica inflacionária global. A isso se soma a incerteza gerada pelos efeitos da inédita expansão da liquidez em economias maduras, tanto sobre o comportamento de preços de ativos como de commodities.

O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados.” O crescimento do PIB dos EUA foi em grande parte determinado pelo aumento do consumo das famílias, em 3,4%, coincidentemente o mesmo percentual de queda da renda disponível para elas. Ou seja, a renda cai e o consumo aumenta. Isso, segundo o “Financial Times”, se explica pelos subsídios concedidos para gastos específicos, tanto para compra de casa quanto para compra de carro através do programa “dinheiro por sucata”.

A produção automobilística respondeu por 1.66 ponto percentual do aumento.

Outra parte foi determinada pelos gastos do governo.

Nada disso faz um crescimento sustentado. As famílias estão consumindo mais por programas específicos ou com aumento de dívida. O governo já está mergulhado no maior desequilíbrio fiscal da história e a indústria automobilística só anda empurrada por programas assim.

O indicador-chave sairá na semana que vem. É o desemprego. Há sinais de que o ritmo de crescimento do desemprego diminuiu, mas não está havendo aumento da oferta de emprego.

Sem isso, não é ainda o fim da crise.

JAPA GOSTOSA


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JOSÉ SIMÃO

Ueba! Vampiro suga a marginal!

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/10/09



BR é abreviatura de buraco! BR 101 quer dizer que a estrada tem 101 buracos!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Ueba! Mais um feriadão! O brasileiro é um feriado! O Lula tem que lançar mais uma emenda provisória: EMENDA até o fim do ano! E o que abre e o que fecha nesse feriadão? AS PERNAS! As pernas e a porta da geladeira!
E sabe por que a novela tem intervalo? Pra esfriar o pingolim do Zé Mayer! E adorei a charge do Sponholz: saiu o primeiro contemplado do programa Minha Casa, Minha Vida! O Zelaya. "Muchas Gracias. Embajada del Brasil. Tu Casa, Mi Vida!" E notícia de todo feriadão: "Trânsito lento na rodovia Ayrton Senna". "Tudo parado na rodovia Ayrton Senna." Lento e parado? Então muda o nome pra Rodovia Rubens Barrichello! E ainda por cima, a marginal em obras! É o Serra! Vampiro suga a marginal! Rarará!
E essa buemba: "Polícia de São Paulo apreende aranhas vivas". Ainda bem que são vivas. A única aranha morta que eu conheço é a da Hebe! O cara recebeu as aranhas pelo correio direto de Belém do Pará. E sabe onde ele comprou as aranhas? Num site de relacionamento. Rarará. É verdade! Por 400 contos! É que veneno de aranha cura impotência! É verdade!
A Ana Maria Braga mostrou no programa. Quer dizer, mostrou a notícia, não a aranha. Porque Halloween é só no sábado! E precisa ser veneno de aranha viúva-negra! E como disse o outro: "Aranha sempre me deixou excitado, independente do estado civil. Pode ser viúva-negra, loira solteira ou ruiva divorciada".
E péssima notícia pra quem vai pegar estrada: "70% das estradas têm problemas". BR é abreviatura de buraco! BR 101 quer dizer que tem 101 buracos. Já tem buraco esperando no acostamento!
E adorei a charge do Marco Aurélio pro Rio-2016. Faixa estendida no Pão de Açúcar: "FAVOR NÃO ATIRAR NOS ATLETAS!". E esse Zina do "Pânico" tem que se benzer: BENZINA! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que no Rio Grande do Sul tem uma churrascaria chamada Dois Irmãos. Com a faixa "Grelhados no Carvão"! Dois Irmãos Grelhados no Carvão! Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Prolixo": destino dos discursos do companheiro Lula. PRO LIXO! Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. E vai indo que eu não vou!

ARI CUNHA

Lixo e morte

CORREIO BRAZILIENSE - 30/10/09


Segurança e armazenamento seguro para dejetos radioativos é questão sem solução em vários países do mundo. Na Alemanha, foi tema de campanha eleitoral. O Brasil foi usado como depósito de lixo. E não é só aqui, como apareceu a ponta do iceberg, em julho, com as 290 toneladas vindas da Inglaterra. O Mediterrâneo foi usado para descartar lixo radioativo. Destroços de um navio na costa de Cetraro trazem de volta o assunto. O capitão Natale De Grazia, que morreu misteriosamente em 1995, tinha uma lista com nomes de navios, rotas e localizações de cargueiros afundados com carga tóxica, supostamente pela máfia calabresa. Segundo a esposa, De Grazia começou a perceber que as informações poderiam custar a própria vida. Foi o que ocorreu.


A frase que não foi pronunciada

“Eu te ensino a fazer renda, tu me ensina a namorá.”
Conversa nos bastidores sobre a entrada da Venezuela no Mercosul.



Patrimônio
Proprietários de imóveis estão atentos às novas regras da Lei do Inquilinato. Já aprovada, está nas mãos do presidente Lula para sanção. A mudança mais aguardada é que o proprietário tenha o direito de despejar o inquilino mau pagador. A senadora Ideli Salvati quer que os proprietários se sintam mais seguros no momento de disponibilizar o patrimônio.

Mais
Aprovada pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado um desconto na conta telefônica para quem for cadastrado no Bolsa Família. O projeto é do senador Flexa Ribeiro, da oposição. Agora, os R$ 7 bilhões disponíveis serão aplicados na universalização do acesso à telefonia.

Corpo e alma
A todo vapor o Festival de Gastronomia na cidade de Goiás. Hoje começa o evento, com concertos, oficinas e saraus de poesia. Na terra de Cora Coralina, o alimento é para o corpo e a alma.

Ação
Amazônia ou litoral. As terras brasileiras estão sendo vendidas sem restrições a estrangeiros. O problema cresceu tanto, em tão pouco tempo, que o presidente Lula assinou decreto proibindo a compra de propriedades regularizadas pelo programa Terra Legal. A iniciativa é tímida. Mas é também o primeiro passo.

Auxílio
CNT divulga pesquisa que mostra a situação das estradas no Brasil. Das entregues à iniciativa privada, 69% foram avaliadas e reprovadas. O portal estrada.com.br dá todas as informações necessárias para quem pretende viajar.

Luva
Cândido Vacarezza, líder do PT na Câmara, emana otimismo quando o assunto é a aprovação pelos parlamentares da estrutura da nova proposta para a Petrobras. Novo marco do petróleo, concessão para partilha, criação da Petro-sal e de um fundo soberano e capitalização da estatal.

DRU
Investimentos na educação são projetados contando com a nova verba recebida pelo ministério. Fernando Haddad e equipe devem começar os programas suplementares de material didático, merenda escolar e assistência à saúde, além de organizar a colaboração entre União, estados, DF e municípios. O percentual da DRU será reduzido a partir deste ano.

Agora vai
A grande vantagem dessa votação é que uma emenda impede o reaproveitamento dos recursos destinados à educação por outras áreas. O que acontecia com a CPMF não vai acontecer mais.

Mercosul ou OMC
Há dúvidas para os ministros da Camex. Eles vão apelar a tribunais internacionais para questionar a Argentina. O país cobra visto consular na importação de móveis e madeira brasileiros.


História de Brasília

Fugiram do carnaval carioca 80 mil pessoas. Em compensação, mais de 800 mil ficaram sambando na Belacap. De Brasília, fugiram uns 5 mil. Mas uns 30 mil rebolaram em Taguatinga, na Cidade Livre, na Estação Rodoviária e nas superquadras. (Publicado em 16/2/1961)

MERDASUL

MERVAL PEREIRA

A busca da utopia

O GLOBO - 30/10/09


A procura de uma saída para o impasse em que as civilizações ocidental e oriental se encontram, exacerbado pelos ataques terroristas da Al Qaeda aos Estados Unidos, em 2001, continua sendo a principal motivação de diversos organismos internacionais, tais como a Aliança das Civilizações coordenada pela ONU, ou a Academia da Latinidade, que reúne há dez anos intelectuais do mundo latino e pretende ser uma ponte para o entendimento

O ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio, nomeado alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações, prefere falar em apenas uma civilização com diversas culturas que se confrontam.

Na XX reunião da Academia da Latinidade, que acontece no Cairo esta semana, procurou-se prever o que acontecerá além da “pós-laicidade”, no pressuposto de que já se atingiu esse ponto no relacionamento entre os dois mundos.

O ex-secretário-geral da ONU, o egípcio BoutrosBoutros Ghali, cristão copta, uma minoria significativa no país, ressaltou que o tema da conferência é muito atual, já que o Egito e o mundo árabe são confrontados com um choque identitário religioso, “um fundamentalismo agressivo exacerbado pela nova cruzada antiislâmica do mundo ocidental depois dos acontecimentos de 11 de Setembro em Nova York”.

Essa rejeição do outro, “apesar de que a revolução tecnológica nos aproxima, impõe aos nossos problemas uma visão global”, é uma posição anacrônica, na visão de Boutros-Ghali, como se as torres das igrejas e os minaretes fossem contrapostos aos satélites, e a certeza de que “a laicidade, esse fundamento da Declaração dos Direitos dos Homens será substituída por um retorno ao fanatismo, ao obscurantismo, à retomada das guerras de religião”.

Mas o ex-secretário-geral da ONU ainda acredita que, “num mundo cheio de perigos, a vontade superará o imobilismo, a esperança superará a resignação, o espírito de paz a recusa do outro”.

Para ele, esse conceito de pós-laicidade, como uma antevisão do que virá, pode ser a utopia que moverá o motor da História.

Também o presidente da Academia da Latinidade, o exdiretor-geral d a U n e s c o F e d e r i c o Mayor, ressaltou que a laicidade, “fundamento e condição da autêntica democracia”, não existe ainda na maioria dos casos, e por isso o tema da conferência é uma tentativa de avançar nesse campo ainda minado.

É o momento de grandes projetos para o futuro, com associações regionais que permitam estabelecer grandes acordos de cooperação entre Europa, África, América Latina e Liga Árabe.

Para Federico Mayor, a Europa tem que ter uma posição firme para forçar passos nesse sentido, como a normalização da co-habitação entre Israel e a Palestina .

“Diálogo em escala planetária no lugar da imposição, conversa em lugar da força”, pediu Mayor.

Uma das maneiras de superar essa situação, discutida na reunião e que já foi tema de outros encontros, é a adoção dos chamados “projetos d e i d e n t i d a d e s re g i onais”, como a noção reg i o n a l m e d i t e r r â n e a , que está sendo retomada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Essa “noção regional mediterrânea” seria uma maneira de integrar os muçulmanos no mundo europeu a partir da entrada da Turquia na Comunid a d e E u ro p e i a . O u d e aproximar o Marrocos de Portugal e Espanha.

A q u e s t ã o d a u n i ã o mediterrânea foi abordada na reunião do Cairo pelo professor de filosofia François L’Yvonnet, segundo quem os d e b a t e s e m t o r n o d a questão têm como pano de fundo as disputas políticas sobre a entrada da Turquia na Comunidade Europeia.

“O Mediterrâneo não é um teatro neutro, é lugar de tensões inéditas. Não tem apenas um passado glorioso (...)”.

Do seu ponto de vista, o Mediterrâneo tem um f u t u ro co m o p a l c o d e uma “razão política”com uma importância cada vez menos geográfica e cada vez mais metafórica de “uma narração do possível”.

Embora seja uma visão profundamente europeia, e por isso mesmo deixe de lado conceitos mais modernos, como a importância maior que tem o Pacífico nas relações comerciais atuais e n t re o Oc i d e n t e e a Ásia, ela ganhou na reunião da Latinidade um reforço de peso na visão do sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, um defensor da ideia, que vê nela não apenas fatores geográficos e políticos, mas também poéticos.

Para conceber o Mediterrâneo, diz Morin em um dos seus textos sobre o tema, “é preciso conceber a uma só vez a unidade, a diversidade e as oposições; é preciso um pensamento que não seja linear, que abranja ao mesmo tempo complementaridades e antagonismos.

O Mediterrâneo é o mar da comunicação e do conflito, o mar dos politeístas e dos monoteístas, o mar do fanatismo e da tolerância, o mar onde o conflito (...) se tornou debate democrático e filosófico”.

Edgar Morin chama o Mediterrâneo em um de seus textos de “nossa ligação afetiva, místico, religioso” e faz um jogo de palavras em francês com “mer”(mar) e mère (mãe), que “através de tantas dores e misérias, de negações e injustiças, pode nos dar a alegria de sermos mediterrâneos (...) fonte de poesia vital”.

PAINEL DA FOLHA

Vigilância preventiva

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/10/09

No esforço para se proteger da marcação cerrada do Tribunal de Contas da União, que considera dominado pela oposição, o Planalto tem no forno dois decretos de Lula, um sobre a Copa de 2014, outro relativo à Olimpíada de 2016. Por eles ficará estabelecido que todos os gastos públicos realizados na preparação desses dois grandes eventos serão publicados em sites específicos no Portal da Transparência.

Segundo os decretos, a publicidade dos gastos envolverá as fases de empenho, execução e prestação de contas. Além disso, serão criados comitês para decidir e acompanhar a destinação do dinheiro.

Tô fora - Ex-ministro de Lula, José Múcio se declarou impedido de relatar no TCU processos relativos ao Pan 2007, evento que extrapolou o orçamento em quase 800%. ‘Cheguei agora, vindo do Planalto. Qualquer coisa que eu fizesse poderia gerar suspeição.’

Nem me lembro - José Sarney (PMDB-AP), que depois de ter sido salvo por Lula foi progressivamente desembarcando de sua conhecida posição contrária ao ingresso da Venezuela no Mercosul, permaneceu uma esfinge durante a aprovação da matéria, ontem, pela Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Next - Bastante ativo durante a tramitação da matéria na comissão, o lobby das empreiteiras brasileiras com grandes obras na Venezuela já está em campo para garantir a vitória em plenário. A votação deve ocorrer na próxima semana.

A tiracolo - Dada a programação de Lula na Venezuela, fica difícil entender a presença de Dilma Rousseff (Casa Civil) na comitiva, a não ser pelo fator 2010. Ontem, o presidente inauguraria consulado do Brasil e um escritório da Caixa Econômica Federal em Caracas. Hoje, o foco é cooperação com a Embrapa em energia e plantação de soja.

Em turnê - Um assessor palaciano fez a conta: a crer na agenda prévia de Lula para novembro, o presidente passará apenas 6 dias e meio do mês que vem em Brasília.

Encrenca - A despeito do esforço do Planalto para acalmar os ânimos, entidades judaicas se mobilizam para protestar contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que deve ocorrer em novembro. Já exsite uma manifestação marcada para o próximo dia 15, em São Paulo.

Penetra - Chamou a atenção de comensais do jantar Dilma-PP a quantidade de vezes em que a ministra teve de interromper o papo para atender o celular. Era o colega Edison Lobão (Minas e Energia).

Barriga cheia - Muito mais entusiasmado do que os outros dirigentes do PP com a perspectiva de aliança em torno de Dilma, o líder na Câmara, Mário Negromonte (BA), vive situação excepcional. Com o desembarque do PMDB do governo da Bahia, Jaques Wagner (PT) atraiu o PP local ‘a peso de ouro’, nas palavras de um pepista.

Olha eu aqui! - Depois que o popular radialista Mário Kertész o criticou em seu programa por utilizar helicóptero até mesmo em deslocamentos dentro de Salvador (‘o povo quer o ver o seu governador!’), Jaques Wagner não teve dúvida: intensificou o uso de batedores e do carro oficial, este adornado com uma vistosa bandeira da Bahia.

Colegiado - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirma que vai dividir com os líderes dos partidos a decisão de manter ou não na pauta a PEC que acaba com o foro privilegiado.

Restauro. Novo proprietário do "Diário de S. Paulo", o empresário J. Hawilla manifestou a amigos a intenção de devolver ao jornal o seu antigo nome: "Diário Popular".

Tiroteio

Quem reclama de Serra deveria lembrar que ser vice dele é um grande negócio: o último virou prefeito de São Paulo.

Do deputado serrista EDUARDO GOMES (PSDB-TO), em resposta aos aliados que se queixam do governador paulista pela suposta demora em definir o que fará em 2010.

Contraponto

Cada um com seus problemas

Marqueteiro de Lula na campanha reeleitoral de 2006 e provavelmente de Dilma Rousseff na sucessão de 2010, o baiano João Santana encontrou dias atrás no aeroporto de Brasília o conterrâneo Jutahy Jr., um dos deputados tucanos mais próximos de José Serra.

- E aí, o Serra resiste até março?_ perguntou Santana.

- Ele e a Dilma resistem..._ alfinetou Jutahy.

- Mesmo com essa pressão toda que o DEM está fazendo sobre ele? - insistiu Santana.

Jutahy devolveu de bate-pronto:

- Ué, mas vocês também não têm o Ciro?



GOSTOSAS

ELIANE CANTANHÊDE

Que vengan los toros!

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/10/09


BRASÍLIA - A entrada da Venezuela no Mercosul é uma questão econômica e pragmática, não política e ideológica. E, isso, do ponto de vista externo e interno. Assim, ficou sem sentido a polarização entre o governo, fazendo pressão a favor, e a oposição, brincando de impedir, sabendo que não tinha votos e nem mesmo discurso para tanto.
O Brasil foi o principal patrocinador e avalista da entrada da Venezuela no Mercosul, com o argumento objetivo de que o país de Chávez é o quinto produtor de petróleo do mundo. Onde jorra petróleo, jorra dinheiro.
A votação, que se arrasta há anos no Congresso brasileiro e atravanca a decisão também do Paraguai, não deveria ser sobre a entrada ou não de Chávez no Mercosul, mas, sim, sobre a entrada da Venezuela. O ônus político que o presidente pode trazer para o bloco pode ser fartamente compensado pelo bônus econômico que o país trará.
Será o primeiro país de fora a aderir aos quatro originais -Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai-, garantindo um salto de bom tamanho no PIB do Mercosul, que passará para US$ 2,3 trilhões.
Resultado: com Chávez ou sem Chávez, mas com a Venezuela, o Mercosul terá 80% do PIB, 72% da área e 70% da população da América do Sul. Alguns países ricos, principalmente os EUA, podem até fazer muxoxo, mas é improvável que um bloco com esse tamanho seja simplesmente desprezado por antipatias ou idiossincrasias.
Os últimos lances da votação, até a aprovação na Comissão de Relações Exteriores no Senado, mostram o quanto a oposição está desnorteada. Assumiu uma causa equivocada, sabia antecipadamente que iria perder e, ainda por cima, escolheu a pior data para perder: justamente quando Lula estava aos abraços com Chávez na Venezuela.
Foi um presentão para Lula, que tem mais um motivo para rir à toa.
Só que o Mercosul está virando uma arena. Ele que toureie Chávez.

ANCELMO GÓIS

Alô, é Serra?

O GLOBO - 30/10/09


Quarta, José Serra e Aécio Neves tricotaram no telefone de meia-noite à 1h30m. Aparentemente, acertaram os ponteiros.
– Acho que nem com minha namorada eu falo tanto, e a essa hora... – disse Aécio, ontem, a um político tucano.
OS 69 DO SULTÃO
Este jogo de 17 de novembro, em Mascate, entre o Brasil e a modesta seleção de Omã é o ponto alto da festa de aniversário de 69 anos do sultão Qaboos bin Said, manda-chuva de lá.
Omã chegou a ser ocupado por Portugal no século 16.
CALMA, GENTE
A 14ª Câmara Cível do Rio condenou o apresentador Netinho a indenizar em R$ 30 mil o Repórter Vesgo, do “Pânico”.
É que Netinho deu um soco em Vesgo no Prêmio Raça Negra de 2005. O relator foi o desembargador Cleber Ghelfenstein.
ACERVO DE JAMELÃO
Jamelão Netto diz que o encanamento de um vizinho do prédio onde morou o avô, o saudoso cantor da Mangueira, em Vila Isabel, no Rio, estourou, inundou seu antigo apartamento e estragou um terço de seu acervo.
Entre as preciosidades, partituras, letras e instrumentos.
DEU NO ‘W POST’
Acredite. Anúncio publicado esta semana no “Washington Post”, o jornalão dos EUA.
“Procura-se usuário de cocaína para estudos. Se você tem entre 18 e 55 anos e usa cocaína às vezes ou todo dia, precisamos de você para internação ou estudos em ambulatório. Todos os participantes serão pagos”.
CASO MÉDICO
Evandro Mesquita, o cantor e ator boa gente, foi parar no CTI de um hospital no Recreio, no Rio, na madrugada de ontem, por causa de uma intoxicação alimentar.
Pela manhã, foi para um quarto. Já está tudo bem.
PÉ VIP
Quarta, na festa de 30 anos da sandália Melissa, no Rio, Lise Grendene, herdeira do grupo Grendene, era a única vip que não exibia o modelito produzido pela empresa da família.
É que, com o convite, as mulheres receberam uma Melissa para a festa. Lise só calçou a dela para as fotos. Depois, tirou.
CONTA! CONTA! CONTA!
Da travesti baiana Thaynna, que ficou famosa na Itália ao ser envolvida num escândalo sexual com o governador do Lazio, à CNN e à BBC, quarta:
– Já transei com dois ou três jogadores brasileiros famosos, mas não vou revelar quem são. Sou uma bicha discreta!
Ah, bom!
VISTA PARA O MAR
O desembargador Francisco de Assis Peçanha deu liminar na ação popular liderada pelo deputado Otávio Leite e suspendeu a construção de um prédio ao lado do Hotel Intercontinental, em São Conrado, no Rio.
Os moradores do condomínio São Conrado Green, como se sabe, estão todos em guerra contra o prédio da Brascan, que lhes tira a vista para o mar.
OPERAÇÃO VERÃO
A Vigilância Sanitária do Rio começa hoje a Operação Verão em quiosques nas praias da Zona Sul.
Oitenta e oito quiosques serão inspecionados.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

No meio do caminho

O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/10/09

Político a gente deve analisar assim: uma coisa é o que dizem em público, outra bem diferente é o que fazem nos bastidores. Os governadores José Serra e Aécio Neves, ambos pré-candidatos à Presidência da República pelo PSDB, não fogem à regra que nada tem de espúria quando guardados os limites da legalidade e da boa ética na operação da estratégia político-eleitoral de cada um.

Oficialmente, Aécio exige que o partido defina se fará ou não prévias para a escolha do candidato até dezembro. Depois disso, anunciou nesta semana em Brasília, cuidará de Minas e da própria candidatura ao Senado.

Na véspera, já na capital, du rante um compromisso social apresentara o vice-governador de Minas, Antônio Anastásia, aos convidados como candidato a governador. “E o Hélio Costa?”, quis saber uma curiosa em alusão às negociações com o ministro das Comunicações, que é do PMDB. “Será candidato a senador.” E o Itamar Franco? “Também”, informou o governador. Uma de três: ou dissimulava ou posava de candidato a presidente ou admitia a candidatura a vice, já que só haverá duas vagas de senador em disputa.

Serra, por sua vez, para todos os efeitos externos mantém inamovível a posição de só anunciar uma decisão em março. Na verdade, se pudesse, adiaria para junho. Quiçá julho, para ficar o menos tempo possível exposto à luz do sol e às consequências do sereno. Vale dizer, ao contra-ataque do presidente Luiz Inácio da Silva.

Mas, como entre querências e poderências, há uma distância amazônica, a nação tucana trabalha com o meio-termo e considera o mês de janeiro o marco ideal para o início das tratativas públicas dentro de parâmetros mais próximos da realidade.

Isso não quer dizer que não se movimentem nos bastidores. Cada qual faz o jogo que lhe parece mais conveniente no momento. Serra organiza seu efetivo. Aécio administra a desvantagem procurando tirar dela as vantagens possíveis. Ambos seguram os respectivos radicais e o partido cuida da “infra” – treina 2.500 militantes até dezembro e prepara a abertura de novas “turmas” a fim de chegar em julho com 10 mil cabos eleitorais qualificados. Também trabalha o mapa das alianças regionais e apaga incêndios, a maioria produto da ansiedade geral pela definição da candidatura.

“Como Lula antecipou o calendário eleitoral, todo mundo quer entrar na briga logo”, diz o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, um entusiasta da tese do nem tanto ao mar nem tanto à terra. Mas e por que não agora, uma vez que a antecipação contribuiria para apaziguar todos os entornos e não falta tanto tempo assim para a data marcada? Oficialmente, porque é preciso haver um entendimento entre os governadores de São Paulo e Minas construído da maneira mais competente possível a fim de que não haja divisões fatais. Afinal de contas, atrás do cenário da disputa estão os dois maiores colégios eleitorais do país.

Se sem São Paulo não se ganha eleição, São Paulo sozinho – tendo o Nordeste todo como contraponto a favor do adversário – também não. E sem a adesão de Minas muito menos.

Essa versão peca por um detalhe: Serra e Aécio não precisam esperar janeiro para fazer o que podem fazer a qualquer tempo, sentar e acertar os termos do acordo.

O complicador crucial é que, diferentemente de Aécio Neves, que está no fim do segundo mandato, o governador de São Paulo ainda não cumpriu nem o primeiro e ainda carrega o passivo de ter rompido a promessa de não deixar a prefeitura de São Paulo para concorrer ao governo do estado.

Se sair de novo com antecedência para fazer campanha eleitoral, teme que a reação do paulista seja ruim, o que prejudicaria o projeto nacional. Mas, sendo candidato, não sairá de qualquer jeito? Sim, mas se o fizer no prazo legal para representar São Paulo na eleição presidencial terá cumprido a regra do jogo com o eleitorado, que desde o início sabia de suas pretensões nacionais.

Daí a decisão de começar o ensaio geral aberto ao público em janeiro, mas só estrear mesmo o espetáculo em março, último mês antes do prazo final para governantes candidatos deixarem seus cargos.

Chapa puro-sangue? É o que 11 entre dez oposicionistas esperam e 12 entre dez governistas receiam e, por ora, parece a única peça “de trabalho” do PSDB, já que nem nas conversas mais reservadas se cogita uma alternativa.

Mas, e se não der? Se Aécio se mantiver mesmo irredutível, qual será a saída? Caso o DEM não esteja jogando com as mesmas cartas, pode haver confusão à vista, pois o tucanato acha que a dobradinha no modelo dos oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso já deu o que tinha que dar.

Espelho

Falando aos catadores de lixo, o presidente Lula disse que a elite discrimina as pessoas por suas profissões. Muita gente faz isso. Inclusive presidentes da República que elevam o presidente do Senado à condição de “pessoa “incomum”.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Espero que todas as candidaturas possam ficar verdes”
SENADORA MARINA SILVA (AC), PRÉ-CANDIDATA DO PV À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA EM 2010

TERRORISTAS DO IRÃ PODERÃO SE ABRIGAR NO BRASIL
Se a visita do porralouca Mahmud Ahmadinejad, dia 23, sacramentar a isenção de visto para iranianos, estará aberto perigoso precedente na periclitante segurança interna, já abalada pelo poder do tráfico. Cinco funcionários do primeiro escalão do governo do Irã são procurados pela Interpol pelo atentado, em 1994, ao prédio da instituição beneficiente Amia, em Buenos Aires. Morreram 85 pessoas, 300 ficaram feridas.
EM CASA
Um dos procurados é o ministro da Defesa, Vahidi Ahmand, que seria o mentor do atentado que abalou as relações da Argentina com Israel.
PROBLEMA DE TODOS
“É um problema de segurança nacional, não apenas dos judeus”, alerta o cônsul honorário de Israel no Rio, Osias Wurman.
PORTA ABERTA
A isenção de visto, lembra ele, “é porta aberta ao fundamentalismo islâmico, que poderá circular livremente no território nacional”.
PALANQUE
Na Agência Brasil, do governo, o vice-chanceler iraniano, Alireza Salari, disse que “sionistas e israelenses” são “inimigos da democracia na AL”.
PSDB CONSULTA ALIADOS SOBRE PRESIDENCIÁVEIS
FHC e o senador Sérgio Guerra (PE), respectivamente presidentes de honra e nacional do PSDB, iniciam com o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), uma série de “consultas reservadas” com partidos com chances de se aliarem aos tucanos. Eles querem saber qual é o candidato do partido que soma mais e que tem mais chances de vencer a disputa pela Presidência com Dilma Rousseff, em 2010.
EM FAMÍLIA
A resposta do senador Francisco Dornelles está na ponta da língua: o governador mineiro e seu primo, Aécio Neves (PSDB).
CONFORTÁVEL
Em recente encontro com Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Guerra confessou: “Eu me sentiria mais à vontade se Aécio fosse o candidato”.
BEM FEITO
Lula pagará o mico de participar do programa de tevê de Hugo Chávez, em Caracas, em que o semiditador fala sem parar durante horas.
SEM VESTÍGIOS
Amigo do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e frequentador assíduo do Palácio de Ondina, Francisco Mendonça recebeu ordem para pegar leve na sua mansão do condomínio de luxo Alphaville, em Salvador. “Mendoncinha” captou a mensagem. Até os tijolos sumiram.
“RAUAREIÚ”, DEPUTADO?
Relator do Código Florestal, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) recebeu o Greenpeace, e logo perguntou por que a ONG tem nome em inglês. Ele é autor do projeto que protege a língua de estrangeirismos.
INTENSIVÃO BÁSICO
Aldo Rebelo colaborou para a melhoria do nível da turma do Greenpeace, presenteando-a com as obras completas de José Bonifácio, o Patriarca da Independência, primeiro brasileiro a se preocupar com reforma agrária e defesa do meio ambiente.
VALE-TUDO
Só não vale dedo no olho na campanha para presidir a OAB-SP. Um concorrente do atual presidente fez enquete fraudulenta na internet para tumultuar a re-reeleição de Luiz Flávio Borges D’Urso.
FILHOS DA VIÚVA
A UNE, que só faz passeata a favor, ganhou mais uma et pour cause: vai levar R$ 30 milhões de indenização pelo incêndio da sede no Rio, em 1964. O acordo passou na Câmara, por unanimidade.
EVANGELHO PETISTA
Vem de longe a “bíblia”: antes de Lula juntar Jesus a Judas, o governador Marcelo Deda (PT-SE) saudou a posse do superintendente da Sudene como “a história de Lázaro, que Jesus ressuscitou”.
CASA DE FERREIRO
O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) pergunta como parar a violência no Rio, “quando o presidente da República financia com nossos do povo os celerados do MST, UNE, e simpatiza com as Farc?”
NAÇÃO OPEP
A Vipetro, exploradora privada brasileira, informou à Agência Nacional do Petróleo que encontrou indícios de petróleo em um poço no Espírito Santo. É a segunda descoberta no mesmo local em um mês. A portuguesa Galp também encontrou petróleo em Sergipe.
VASSOURADA
Ainda bem que cai no sábado o Dia das Bruxas. Já imaginou-as soltas, inaugurando obra?

PODER SEM PUDOR
PHD SÓ EM ELITISMO
José Serra tinha fama de detestar nordestinos, mas o que ele não entende é de povão. Na sua primeira campanha eleitoral, em 1986, ele combinou encontrar os assessores numa feira típica nordestina no bairro paulistano de Vila Mariana. Chegou e não os encontrou. Achou-os, depois, num bar.
– Como é que vocês me deixam aqui sozinho e ficam aí, em vez de trabalharem? – reclamou o candidato, irritado.
– Serra – respondeu um deles – feira, nordestina ou não, a gente visita de manhã, e não às duas horas da tarde...

E NA PENSÃO DO ZELAYA...

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Equipamento encaixotado; tráfico livre: MP investiga improbidade em gestão de órgão federal


- Folha: Elétricas admitem devolver dinheiro


- Estadão: Senado cede e aprova Venezuela no Mercosul


- JB: Economia americana supera a depressão


- Correio: FAB captura avião do tráfico no entorno


- Valor: Empreiteiras aumentam presença no setor elétrico


- Jornal do Commercio: Celpe admite erro na contra de luz

quinta-feira, outubro 29, 2009

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

O PAC da Conversa Fiada

29 de outubro de 2009

Agora desgraçou tudo, porque agora os home tão ficando nervoso porque nós tamo inaugurando obra”, desandou o presidente Lula num palanque no Rio, espancando a língua portuguesa com especial selvageria. ”Calma, que nós ainda nem começamo a inaugurár o que nos temo para inaugurá nesse país. Tem muita coisa pra acontecêr e tem muita coisa que nós vamo fazê ainda pra frente.” Sempre à frente de uma comitiva de bom tamanho, não vinha de inauguração nenhuma, não estava a caminho de algum canteiro de obras nem aparecera no Rio para inaugurar alguma. Vinha da Procissão dos Pecadores do São Francisco, estava em território carioca para outro comício e, de lá para cá, só inaugurou pela segunda vez uma quadra usada na Mangueira.

Pelo andar da carruagem, Lula corre o risco de terminar o segundo mandato sem ter deixado pronta uma única obra física efetivamente relevante. A transposição do Rio São Francisco, as grandezas do pré-sal, as hidrelétricas do Rio Madeira, pontes, rodovias ─ tudo vai demorar. Acossado pelo tempo cada vez mais curto, o maior dos governantes culpa o Tribunal de Contas da União, o Ibama, o fiscal da esquina, o cartório, qualquer coisa. Quer inaugurar qualquer irrelevância. Até quadras de segunda mão.

Incapaz de criar, o governo não cuida direito nem do que existe, confirmou nesta quarta-feira o levantamento da Confederação Nacional dos Transportes sobre a situação das estradas do país. O estudo abrangeu quase 90 mil quilômetros de rodovias pavimentadas. Desse total, quase 70 % foram reprovados. A rede federal é a mais devastada. Segundo a CNT, a recuperação da malha rodoviária exige investimentos que somam R$ 32 bilhões. Seis vezes mais do que o governo Lula gastou em 2008. O PAC vai acabar programando outra operação tapa-buraco para 2010. E o chefe já prometeu outro PAC para 2011, com prazo de validade até 2015.

Por enquanto, só avança em bom ritmo o PAC da Conversa Fiada.