domingo, outubro 18, 2009

ELIANE CANTANHÊDE

Ao sabor dos ventos de campanha

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/10/09



BRASÍLIA - Aperte o cinto porque o piloto sumiu! Aliás, o piloto, o copiloto, a tripulação inteira voa por aí em campanha aberta, deixando Brasília entregue... Entregue a quem mesmo?
O presidente Lula viaja tanto ou mais pelo mundo do que "Fernando Viajando Cardoso", lembra? E passa três dias "fiscalizando" as obras de transposição do rio São Francisco, enquanto tira fotos pescando com a candidata Dilma.
Aliás, Dilma também viaja por aí, enquanto a Casa Civil fica por aqui, em Brasília, com os atos e programas do governo em segundo plano.
Além deles, o ministro Tarso Genro assume a campanha no Rio Grande do Sul e até o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é candidato a alguma coisa, não se sabe exatamente ao quê.
Já há ministros reclamando. Desses ministros chatos, de áreas técnicas, que têm de tomar decisões, assinar atos, tocar o bonde -e não os aviões- adiante. Cadê o Lula? Não está. Cadê a Dilma? Não está. E aí, o que fazer? Fácil: chama o bispo!
Tudo pela campanha, até um recuo atrás do outro. Num dia, o governo diz que pretende taxar a poupança. Dá uma confusão danada, aí recua. No outro, o repórter Leonardo Sousa descobre a mutreta de empurrar com a barriga a devolução do IR da classe média para compensar a queda de arrecadação. Dá uma confusão danada, aí recua.
Nessa campanha descarada, todo recuo vale. Até na Vale mesmo, uma empresa privada. Antes, Lula falava mal da Vale, Dilma cobrava a companhia, ambos deixavam claro que, se dependesse do Planalto, a permanência de Roger Agnelli na presidência estava por um fio. Até que o megaempresário Eike Batista entregou o jogo: que tal botar no lugar do técnico Agnelli o político Sérgio Rosa, do PT?
Deu no que deu: uma confusão danada. Aí, todo mundo recuou, ficou o dito pelo não dito, e Agnelli ganhou sobrevida. Mas só "no momento", como bem disse Eike.

ANCELMO GÓIS

O DOMINGO

O GLOBO - 18/10/09

É de Élida Muniz, 20 anos, esta lindeza de mulata que se prepara para entrar na nova fase da novela “Malhação”, da TV Globo, em novembro. A atriz será a recatada Tati, modelo iniciante e uma das meninas mais populares do colégio. Tati sofrerá com paixões arrebatadoras.
Para compor a personagem, Élida perdeu alguns quilos e encaracolou ainda mais os cabelos. Nem precisava

‘El hijo de Brasil’

O filme “Lula, o filho do Brasil” deve seguir carreira no exterior, na carona do prestígio internacional do presidente.
A Argentina, onde uma pesquisa concluiu que, se Lula fosse filho de lá, seria eleito presidente com 52%, deve ser a primeira parada.

Aliás...

O filme pode marcar a estreia de uma nova distribuidora, voltada ao mercado latino, com sede em Buenos Aires.
A empresa deve ser uma sociedade entre Luiz Carlos Barreto e o argentino Eduardo Constantini Filho, que já investe em filmes brasileiros.

Lá doeu

Aécio Neves, que esteve outro dia na Itália, ficou impressionado com o fato de os três ministros com quem conversou terem abordado o mesmo tema.
Todos manifestaram desconforto com a decisão do governo brasileiro de conceder status de refugiado político ao ex-terrorista Cesare Battisti.

Tá chegando lá

Ainda faltam uns R$ 8 bi para o patrimônio da Previ, fundo de pensão do BB, chegar aos R$ 138 bi que tinha antes da crise.

No tempo da vaselina

Quarta, algumas senhorinhas que foram ao show “Divinas divas”, na Sala Baden Powell, estranharam um “kit seguro”, até com camisinha, dado na porta.
Uma vovó, ao abrir o kit, que incluía um pirulito, perguntou à amiga a utilidade do gel lubrificante.
“Acho que é para passar no cabelo”, disse, inocente. Né não, vovó. É para... deixa pra lá.

Nelson Mandela

As editoras brasileiras estão numa acirrada disputa na feira de livro de Frankfurt pelos direitos aqui do livro “Conversations with myself”, os diários de Nelson Mandela.
O leilão deve chegar a uns US$ 100 mil.

Alô, é da Anac?

A Anac soube que algumas companhias têm impedido os passageiros de usar iPhone, BlackBerry e outros celulares modernosos nos voos, e atribuem a proibição à agência reguladora.
Mas o veto é delas próprias.

É que...

Estes celulares têm um modo “avião” ou “voo” que mantém o aparelho ligado, mas sem linha para não interferir na aeronave.
Neste modo, é possível escrever textos, ouvir música, jogar etc. durante o voo. Exceto na decolagem e no pouso.

Varão cansado

Do ítalo-americano Michael Stefano, 40 anos, estrela do cinema pornô mundial, num papo que o canal de saliência Sex Hot vai pôr no ar no lançamento do site clubesexyhot.com.br, terça: — Hoje, só transo cinco vezes por semana. A gente vai ficando velho. Pelo cansaço, devo me aposentar em cinco anos...

A praia de Jéssica

Outro dia, ao fechar a compra de uma mansão por R$ 4,5 milhões no Condomínio Disegno, à beira da Apa de Marapendi, no Rio, um empresário do setor de tecnologia impôs sua condição.
Exigiu a construção na sala de uma praia artificial para Jéssica, sua... tartaruga de estimação.

Banco imobiliário

O velho prédio da LBV na Avenida Venezuela, no Rio, que já abrigou a Rádio Tupi, foi vendido a um grupo ligado às Lojas Americanas por R$ 6 milhões.

Cena carioca

Será que vai longe (que bom!) o tempo em que PM fazia exercício na rua, cantando refrões de guerra ao tráfico? Terça, por volta das 9h30m, uma tropa passou num cooper pela Rua Cardoso Júnior, em Laranjeiras, puxando os seguintes versos antigos: — Eu quero me casar/Mas não acho ninguém/Casar com mulher gorda não convém, não convém...

‘P... velhas’

A antiga sede do finado jornal “Última Hora”, na Rua Sotero dos Reis 62, no Rio, virou, acredite, um prostíbulo. A velha redação e outras dependências foram divididas em tabiques para as sessões de saliência.
Quem descobriu foi o coleguinha Benício Medeiros numa visita sentimental ao prédio da falecida “UH” para escrever o livro “A rotativa parou — os últimos dias da ‘Última Hora’ de Samuel Wainer”, que lança dia 4 agora.

Aliás...

Faz sentido. Nas redações, é comum se chamar jornalista veterano de “p... velha”.

Duda Mendonça do Império Romano

A campanha presidencial de 2010 está nas ruas e, com ela, o bloco dos marqueteiros políticos, gente que promete fazer do limão uma limonada.
Quem foi o primeiro Duda Mendonça da humanidade? O super-historiador José Murilo de Carvalho desconfia que foi Quinto Túlio Cícero, irmão mais novo do famoso Marco Túlio Cícero.
Quando Marco se candidatou a cônsul, no ano de 64 a.C., recebeu do irmão uns conselhos para a campanha eleitoral.
Para ganhar o povo, o candidato deveria, entre outras coisas, chamar os eleitores pelo nome, prestarlhes favores, cobrar os favores feitos, fingir que possuía qualidades que não tinha, adaptar-se às opiniões de cada um, não ter vergonha de adular nem de fingir amizades, prometer o que não podia cumprir etc.
— Não prometer fazer o de que não se é capaz é próprio de um homem bom. Prometer é próprio de um bom candidato — ensinava Quinto.
De lá para cá... deixa pra lá.

RIO2016

Zero pobre em 2016

Com base na Pnad, o economista André Urani fez umas contas e concluiu que, entre 2003 e 2008, caiu de 3 milhões para 2 milhões o número de pobres na Região Metropolitana do Rio: — Que tal estabelecer a meta zero pobre nos Jogos de 2016? Em tempo: por este critério, pobre é aquele que tem renda domiciliar per capita de até R$ 215.

ZONA FRANCA

Rosane Araújo lança o “Manual do pequeno atleta”, quarta, na Travessa do Shopping Leblon, às 19h.

Começa dia 23 “Encontro com Clarice”, com Ester Jablonski, no Casarão de Austregésilo.

A chef Cris Leite lançou o blog www.chefcrisleite.com.

Dom Orani Tempesta celebra hoje, às 10h, missa na Igreja Santa Teresa de Jesus, a convite do padre Silmar.

O cirurgião plástico Altamiro Rocha Oliveira será homenageado pelo Hospital da Lagoa.

O Festival de Jazz de Rio das Ostras agora integra o calendário turístico do estado como evento oficial.

“Caçadores de dinossauros”, de Laura Velho, ganhou o prêmio de melhor montagem do Festival de Filmes de Aventura e Turismo.

COM ANA CLÁUDIA GUIMARÃES, MARCEU VIEIRA, AYDANO ANDRÉ MOTTA E BERNARDO DE LA PEÑA

GOSTOSA


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MÍRIAM LEITÃO

Tudo no clima

O GLOBO - 18/10/09


Cape Farewell faz eventos culturais ligados à mudança climática. Futerra é uma agência de marketing sobre o tema. IPPR é um centro de estudos com várias pesquisas sobre o problema. The Climate Group, criado por Tony Blair, identifica negócios na área. The Carbon Trust dá selo de qualidade de baixo carbono. Na casa do príncipe Charles se organiza um fundo de proteção de florestas tropicais.

Os negócios, empresas, instituições ligados à mudança climática em Londres estão em todas as áreas, e ao visitá-las, não ouvi falar em crise econômica. O diretor de Cape Farewell, David Buckland, me contou que sua agenda está lotada até 2011.

O grupo se define como “um centro de resposta cultural” ao risco da mudança climática.

Com um ar de rebelde eterno, usando pantufas cor de laranja, numa enorme sala de trabalho com paredes cobertas por cartazes de eventos, David conta que põe juntos para pensar, como numa expedição ao Ártico, cientistas e artistas. Desses encontros saem exposições, produções musicais, peças de teatros, programas de rádio, festival de filmes.

— Este não é um problema científico apenas. É político, econômico, social. É o maior problema que a humanidade enfrenta e eu convoco os artistas ao trabalho — diz.

Solitaire Towsand era atriz e traz a vivacidade do palco para o mundo dos negócios.

Criou a Futerra em 2001, que hoje já é uma multinacional. É uma empresa especializada em comunicação da mudança climática. Tem negócios em vários países e ensina empresas, órgãos governamentais e instituições a passar de forma viva e convincente a mensagem da mudança climática. Em estudos com psicólogos e sociólogos em grupos focais, identificou resistências ao tema. Razão? Ninguém quer ouvir falar do fim do mundo: — Pode falar da tragédia, mas prometa o céu primeiro.

Dê ao ouvinte a visão de como pode ser o futuro. Mostre que a Humanidade já mudou várias vezes, ela pode mudar. A narrativa tem que ser diferente. Os especialistas falam em derretimento de gelo, elevação do nível do mar, e tragédias que vão acontecer em 30 anos. Ninguém quer saber. As pessoas não têm empatia por um bloco de gelo.

Tem por pessoas, por animais.

O sonho mobiliza. Por isso, é preciso primeiro mostrar o sonho e mostrar que o estilo de vida sustentável é mais elegante e desejável — explicou ela.

Dimitri Zenghelis chegou pedalando sua bicicleta, trocou o tênis por sapato, e veio para um almoço comigo.

Ele é economista-chefe da Cisco Systems e foi contratado pelos trabalhos em mudança climática que desenvolve no grupo de Nicholas Stern e na London School of Economics.

— Londres é a capital da mudança climática — me disse ele.

Se não é, parece. Na semana que passei em Londres, vi uma sucessão de negócios e iniciativas que estão surgindo debaixo do guarda-chuva da mudança climática. Para Dimitri, a mudança climática é uma questão econômica.

O Institute for Public Policy Research (IPPR) é considerado o melhor think tank (centro de estudos) do Reino Unido. Nos últimos tempos, ele tem se concentrado em estudos relacionados à área de mudança climática, como pesquisas com consumidores, projeções sobre criação de emprego verde, estudos de problemas sociais como migração em massa.

Andrew Pendletton, coordenador da Rede de Mudança Climática, contou que em suas pesquisas, tem sido detectado que o cidadão comum se preocupa com o tema, mas não apoia certas políticas para combatê-las.

Uma é a transferência de recursos para outros países.

O Carbon Trust é uma instituição criada por fundos governamentais e privados e que presta uma série de serviços para acelerar a transição da economia para um padrão de baixo carbono. Se alguns desses serviços parecem abstratos, outros são bem concretos.

Um dos participantes da diretoria chegou com uma grande bolsa para a reunião.

Abriu e foi tirando embalagens de leite, de suco de laranja, de batata frita e enfileirando em cima da mesa.

O que elas tinham em comum? O selo do Carbon Trust que exibe o cálculo de quanto cada produto emitiu de carbono e como estava compensando.

Essa é a nova informação que o consumidor procura nas embalagens.

No The Climate Group, criado por Tony Blair, fala-se de negócios. Eles identificam oportunidades que surgem na nova era do baixo carbono e fazem as ligações entre quem está interessado em negócios como eficiência energética, novas fontes de energia, construção de prédios sustentáveis. Eles montam as redes entre empresas, cidades e governos interessados nessas soluções.

Na Clarence House, casa do Príncipe Charles, funciona outro projeto de enorme dimensão.

É o The Prince’s Rainforests Project, projeto da Floresta Tropical que projeta transferir recursos em volumes gigantescos: de 15 a 25 bilhões de euros para países que preservem as matas.

O fundo ainda está sendo formatado, mas o endereço não podia ser mais real. Uma escada em caracol leva ao terceiro andar onde conversei com o diretor executivo do projeto, Tony Juniper.

A ideia não é emprestar recursos, mas transferi-los para países por serviços prestados pela conservação, através de mecanismos financeiros que podem ser o REDD (Redução de Emissão por Desmatamento Evitado) ou outros. Recentemente, o príncipe Charles se reuniu com 35 países para avançar no projeto.

A Clarence House tem perto de 200 anos e é vizinha do Palácio St. James, de 500 anos. Com o sólido alicerce desse passado, se discute a proteção do futuro do Planeta.

Tudo a partir do pedaço da Terra onde estamos.

O Brasil tem a maior floresta tropical do mundo, e como ouvi insistentemente por lá: pode e deve ter papel de liderança na luta contra a ameaça que paira sobre a Terra.

COM ALVARO GRIBEL

DIRETO DA FONTE

Responsabilidade social

Sonia Racy

O ESTADO DE SÃO PAULO - 18/10/09

Onorato Fiorentino, que já foi dono do Amici Miei e do Briciola, entre outros, volta ao ramo. Associado a Fred Campos, abre no fim do mês a Olea Muzzarela Bar. E promete agradar ao paladar tanto de seus conterrâneos italianos quanto dos paulistanos. ''A pizza italiana é feita com menos mussarela. Já a paulista é mais pesada e fará mais sucesso'', aposta o pizzaiolo, que pretende estender projeto para rede de franquias.Lulu Santos e a Orquestra Arte Viva fazem show em prol da Childhood Brasil. Dia 30, no HSBC Brasil.

Escolas públicas de Paraty podem inscrever projetos de incentivo à leitura, até o dia 6, no Concurso Escola de Leitores. Parceria do Instituto C&A com a Associação Casa Azul.

A La Vie en Douce por Carole Crema abre, hoje, sua fábrica de chocolate para uma visita gratuita às crianças. Cada uma deve levar um brinquedo a ser doado ao Instituto Tia Soninha, no Capão Redondo.
O Ibirapuera fica cor-de-rosa, hoje, em benefício da prevenção do Câncer de Mama. Além de palestras, haverá a participação de Thiago Lacerda. Promoção do Instituto Avon.

A Sociedade Brasileira de Infectologia, em parceria com a Bristol-Myers Squibb, anuncia hoje, em Maceió, os vencedores do Prêmio de Incentivo à Prevenção e Tratamento do HIV/Aids 2009. Os contemplados receberão R$ 60 mil para viabilizar seus projetos.

João Doria Jr, do LIDE, já começa a organizar a 7ª edição do Natal do Bem. A expectativa é arrecadar R$ 4 milhões, a serem destinado a oito instituições. O evento acontece dia 15 de dezembro, no Grand Hyatt. Com show de Claudia Leitte.

A Operação Sorriso do Brasil promove jantar beneficente dia 29, no Sofitel. A renda dos convites, vendidos a R$ 300, vai para a organização.

Terá a presença de Carlos Minc a inauguração do Espaço Israel Pinheiro, que será dedicado à divulgação de conteúdos sobre sustentabilidade. Quarta, em Brasília.

O 1º software em português para transcrição de partituras em Braille será lançado quarta, na sede da Emesp Tom Jobim. Parte do projeto Musibraille.

PIT STOP
Max Mosley sai oficialmente do cargo, na sexta, na assembleia da FIA em Paris.
Para o seu lugar, sobe Jean Todt, ex-Ferrari. Que conta, entre outras, com a torcida de dois grandes jogadores de futebol: Edson Arantes do Nascimento e Michael Schumacher.
É, o amigo de Pelé é mesmo bom de bola.

FÉRIAS FOLGADAS
Os juízes avisaram a Câmara: não aceitam, na rediscussão das férias do Judiciário, abrir mão dos 18 dias de recesso de final de ano. Que, somados às coletivas de janeiro e às individuais, dão 78 dias.
O senador Demóstenes Torres quer tirar ao menos uma dessas fatias. Mozart Valadares, da AMB, admite perder os 18 dias - mas não vai ser fácil enquadrar a turma.

A CHUVA E O CACIQUE
Preocupado com tanta chuva, Eduardo Paes vai à luta para evitar que ela atrapalhe a vida do Rio de Janeiro.
Diante de uma visita nada ilustre, tirou do baú um retrato do Cacique Cobra Coral - famoso como controlador das chuvas - e, com três batidinhas na madeira, apontou para a imagem de N.Sª Aparecida que tem na estante, ao lado de sua mesa.

AVESSO DO AVESSO
Maurílio Biagi anda espantado. Enquanto o new-ruralista Reinhold Stephanes propõe intervir no preço do álcool, o comunista Haroldo Lima, da ANP anuncia que o governo não interferirá.
O usineiro lembra que o consumidor brasileiro é o único a ter escolha na hora de abastecer. E enquanto o álcool tem preço, a gasolina ainda tem... Tarifa.

BETHANIA BOYS
Especialistas do Brasil inteiro se reunirão em fevereiro, em Salvador, para o 1º Congresso Brasileiro de... Maria Bethânia.
Promovido pelo Fã-Clube Rosa dos Ventos Bahia, o evento não será só de cantoria. Os experts debaterão os aspectos socioantropológicos e científicos em torno do repertório da musa. Que faz 45 anos de carreira em 2010.

COMENDO NA RUA

TOSTÃO

Medo das duas linhas de quatro

JORNAL DO BRASIL - 18/10/09

O abraço e o choro convulsivo, depois do jogo, entre Maradona e Bilar do e as palavras de Ma radona, negando que ele e Bilardo não conversavam, contrariam o que dizia a imprensa argentina e o que repetimos no Brasil. Ou foi uma reconciliação, uma demonstração de que os dois podem ainda formar uma boa dupla no Mundial? Conversar sobre detalhes burocráticos é também bem diferente que conversar sobre detalhes técnicos e táticos.

Será que a maioria dos argentinos que queria a saída de Ma radona vai agora, em mais uma atitude apaixonada, supersticiosa e mística, pedir a permanência do técnico e dizer que o sofrimento para conseguir a vaga foi o ruído, o instante mágico, que muda uma vida e que pode fazer a Argentina ganhar o Mundial?

Torci para a Argentina se classificar e vou torcer para Maradona ser o técnico na Copa. Não sei o que é pior, a sincera grosseria de Maradona ou o falso bom comportamento de tantos. Se Ma radona aprender com os erros e conversar mais com Bilardo, poderá ser ainda um bom técnico na Copa. Além disso, os treinadores não têm a enorme importância que tantos acham que eles têm.

Contra o Uruguai, a Argentina jogou com duas linhas de quatro, recuadas, além de dois atacantes. É a melhor maneira de se atuar defensivamente e no contra-ataque. Será que Maradona conversou com Bilardo ou com Bianchi? Só não funcionou bem o contra-ataque.

Não há também nenhum segredo para armar essa estratégia. Qualquer treinador pode desenhá-la em uma prancheta.

As duas linhas de quatro se tornaram sinônimo de retranca. Não é bem assim. Se as duas li nhas avançam, o time fica ofensivo. Os meias, pelos lados, passam a ser atacantes, pontas, e os armadores pelo meio (volantes) se aproximam dos dois atacantes. A maioria das seleções da Europa atua dessa forma.

No Brasil, só os times pequenos, quando querem fazer uma retranca, atuam com duas linhas de quatro. Os grandes não fazem isso porque perderiam as duas principais características táticas do futebol brasileiro, que são o meia de ligação e o avanço dos laterais. A seleção e os times brasileiros não jogam com duas linhas de quatro e, ainda, têm medo e não sabem como enfrentá-las.

Jogar com laterais, que marcam e apoiam, ou com jogadores pelos lados, que atacam e defendem, só é possível no futebol de hoje, de muita velocidade e preparo físico. A cada dia, são mais valorizados os jogadores táticos, que correm muito e jogam pouco. São os craques da prancheta.

Contra a Venezuela, o Brasil teve novamente grandes dificuldades para enfrentar uma equipe defensiva e com duas linhas de quatro. A seleção não sabe marcar por pressão, troca poucos passes e não há um excepcional armador. O time joga bem contra adversários do mesmo nível. Aí, é o Brasil que coloca dois marcadores na frente dos zagueiros (Gilberto Silva e Felipe Melo) para contra-atacar.

Kaká, por seu enorme talento e estilo, foi quem definiu a maneira de jogar da seleção ou é a falta de um craque no meio de campo que faz o time atuar melhor no contra-ataque?

ELIO GASPARI

As teles dormiram e acordaram a BandaBrás

O GLOBO - 18/10/09



A entrada do Estado na mercado da banda larga não seria um retrocesso e pode até vir a ser um avanço

AS OPERADORAS de telecomunicação deram-se conta de que, na copa do Planalto, cozinha-se a criação de uma rede estatal de acesso à internet por banda larga. Condenando a ideia, Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, sócia da Oi, disse que em 1998, quando a União vendeu o controle do Sistema Telebrás, fez opção pelo modelo privado de telecomunicações e concluiu: "O retrocesso não faz sentido".
Calma. A criação de uma BandaBrás pode ser um erro, mas essa conversa de "retrocesso" embute uma satanização do Estado que fez a desgraça da privataria tucana, para alegria de alguns gatos gordos. Onze anos de gestão privada resultaram numa fenomenal expansão da rede de telefonia e também no seguinte:
Segundo a União Internacional de Telecomunicações, o Brasil tem o serviço de celular mais caro do mundo. As operadoras respondem que isso é consequência de um carga tributária de 40% sobre o valor da ligação. Tudo bem, tirando-se 40% do indicador da UIT, o minuto brasileiro sai pelo preço do argentino com os impostos e custa oito vezes mais que o indiano.
O Brasil tem 5,3 ligações de banda larga na internet para cada cem habitantes. A Argentina e o Chile têm 8,8. As leis do mercado fizeram com que o número de paulistas ligados à rede veloz (2,4 milhões) seja maior que o de todos os clientes das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste (2 milhões). Metade dos municípios brasileiros está fora da rede.
Os teletecas do governo planejam utilizar uma base já existente de 31 mil quilômetros de fibras ópticas para levar a banda larga a 87% da população, em 4.245 municípios. Comparando-se esse projeto com os resultados e os preços oferecidos pelas operadoras, retrocesso seria deixar as coisas como estão. A ideia de o governo concorrer com a rede privada não faz mal a ninguém.
O que prejudicou o país, e muito, foi o monopólio da rede estatal. Em 1995, a Embratel tinha uma fila de 15 mil pessoas esperando acesso a um provedor de internet. Um telefone valia US$ 10 mil na Barra da Tijuca e 2.000 votos no interior do Estado do Rio.
Se as operadoras não conseguem, ou não querem, ir além do filé mignon do negócio da internet, o melhor que pode acontecer é a entrada do Estado.

POVO DE OBAMA
Se os dispositivos de segurança não blindarem a visita do companheiro Obama ao Brasil, ele atrairá multidões só comparáveis às das visitas dos papas e aos grandes comícios pelas Diretas em 1984. O último presidente americano a ver povo durante sua passagem pelo Brasil foi o general Eisenhower, escoltado por JK.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e sabe que a Ordem dos Advogados do Brasil não paga salários a seus dirigentes. Nos seus tempos áureos, ser presidente da Ordem era encrenca, nada mais. O idiota não entende é por que se gasta dinheiro nas campanhas dos candidatos à presidência de seções estaduais da
OAB. Eremildo ouviu falar de pedidos de doações na escala dos R$ 200 mil. No Rio, ao aumento dos custos eleitorais correspondeu uma queda no nível da disputa.

EM SILÊNCIO
O prefeito Gilberto Kassab prometeu que durante seu governo não instituiria o pedágio urbano em São Paulo. A insistência da burocracia dos transportes para exigir que os carros novos saiam das fábricas com "chips" indica que a promessa poderá até ser cumprida, mas Kassab deixará tudo pronto para a cobrança. Felizmente o Ministério Público Federal foi atrás do caso dos "chips" e ganhou uma liminar na Justiça. Os "chips" permitirão que uma rede de antenas espalhadas pela cidade monitore a passagem de um veículo. É propaganda enganosa chamá-los de "rastreadores" e é impreciso tratá-los como "localizadores". O sinal do "chip" não permite que se localize um carro, muito menos rastreá-lo com alguma precisão.

APARELHO ERRADO
De um sábio: "A diretoria da Vale não errou quando demitiu o economista Demian Fiocca. Errou quando contratou o ex-presidente do BNDES para uma de suas diretorias". Fiocca saiu do banco em 2007 e um ano depois assumiu as funções de diretor de gestão da Vale. Deixou a cadeira em maio passado. À mesma época, deixou a Vale o diretor de relações institucionais, Walter Cover. Em 2004, Cover chefiava a Sala de Investimentos que o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, montara no Planalto. Cover e Dirceu foram companheiros de cadeia em 1968. Fiocca é o atual presidente da Nossa Caixa.

FORDLÂNDIA
"Fordlândia - Ascensão e Queda de Henry Ford na Cidade Perdida da Selva", do professor americano Greg Grandin (New York University), entrou na lista dos 20 finalistas do Prêmio Nacional do Livro, um dos mais prestigiosos do gênero nos Estados Unidos. É um retrato minucioso e perspicaz da aventura amazônica do pai do capitalismo industrial americano. O fracasso de Henry Ford, contado por Grandin, é uma aula para todos os sábios que têm uma solução para o progresso da Amazônia.
Entre os concorrentes não há um favorito óbvio. No palpite, o título mais forte é "O Primeiro Magnata" ("The First Tycoon"), uma vasta biografia (meio chata) de Cornelius Vanderbilt (1794-1877), famoso por ter montado o maior império ferroviário e marítimo dos Estados Unidos. Hoje talvez seja mais lembrado como trisavô de Anderson Cooper, o astro da CNN. A edição brasileira de "Fordlândia" chegará às livrarias no ano que vem.

ÀS VEZES A PATULEIA ENSINA AOS SÁBIOS

Uma pessoa capaz de lembrar que "o mundo tem problemas, mas as universidades têm departamentos" deveria ganhar algum prêmio. Elinor Ostrom ganhou o Nobel de Economia sem ser economista e escreveu um livro onde só há algarismos na numeração das páginas. Seu estilo pode ser seco, mas entende-se tudo o que diz. Chama-se "Governing Commons" (Governando Comunidades com Áreas de Uso Comum, numa tradução livre).
A professora Ostrom dissecou comunidades de pescadores do Japão, sistemas de irrigação espanhóis e grupamentos de suíços. Seu objetivo foi desmentir a ideia segundo a qual a propriedade comum acaba em colapso econômico e destruição do meio ambiente. Pelo contrário, desde que sejam respeitados alguns princípios (e ela ensina quais) a propriedade comum funciona, e bem.
Quem acredita na eficácia da criação das regiões metropolitanas e na centralização das delegacias educacionais pode ler na internet um trabalho da professora (infelizmente, em inglês), intitulado "A Análise de Políticas no Futuro das Boas Sociedades".
Ostrom mostra como essas ideias perderam adeptos, diz porquê e recomenda, entre outras coisas, que se acredite menos em reformas concebidas por sábios e mais naquilo que as comunidades têm a dizer.
Chega-se ao artigo passando "Policy Analysis in the Future of Good Societies" e "Elinor Ostrom", no Google.

VIVALDINO

FERNANDO CALAZANS

Jogo ou jogão?

O GLOBO - 18/10/09

O jogo de hoje (ou jogão?) entre Palmeiras e Flamengo pode ser considerado o maior duelo entre paulistas e cariocas deste Campeonato Brasileiro. É jogo (ou jogão?) para reacender antigas rivalidades — e estou tratando de rivalidade, não de inimizade ou de hostilidade. Digamos assim, uma antiga e bela rivalidade que já proporcionou alguns dos mais belos clássicos do futebol brasileiro.
Nem o Flamengo nem o Palmeiras de hoje se equivalem a outros Palmeiras e Flamengo que já tivemos o prazer de contemplar, mas a verdade é que, ainda assim, o encontro dos dois logo mais é de parar campeonato, parar tudo.
Antes do jogo com o São Paulo, o técnico Andrade, que está longe, muito longe de ser bravateiro, disse que para ganhar do Flamengo, no presente momento, é preciso jogar muito. Quando um cidadão sereno e comedido como o Andrade diz isso, é preciso respeitar seu ponto de vista.
E ele está certo, pelo menos até aqui. Tanto que o São Paulo NÃO jogou muito naquele dia e por isso saiu derrotado do Maracanã. Muito bem. O que Andrade precisa ter em mente hoje é que, parafraseando ele próprio, eu digo que para ganhar do Palmeiras, líder do campeonato, também é preciso jogar muito. (Aliás o Muricy Ramalho, se não disse, deve pensar o mesmo que eu).
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Isso que o Andrade disse e que o Muricy pelo menos pensa só serve para aumentar ainda mais a propaganda em torno do jogo. Porque a conclusão é esta: quem quiser ganhar vai ter que jogar muito. Muito mesmo.
O Palmeiras tem uma dupla respeitável no seu setor de criação: Diego Souza e Cleiton Xavier. O Flamengo tem outra dupla respeitável no eixo criação-ataque: Petkovic e Adriano. Sem falar, naturalmente, em mais dois ou três de cada lado que vale a pena a gente ver jogar.
O Palmeiras tem uma coisa ruim para quem sabe apreciar bom futebol: faz faltas como o diabo. Já fazia antes e faz mais com o Muricy Ramalho, adepto daquilo que é chamado — com ironia, presumo — de “falta inteligente” ou “falta tática”. Entre alguns recursos de reconhecidas eficiência e qualidade, Muricy adota também este de fazer faltas propositais para parar o jogo e a jogada do adversário. Imaginem só que o líder do campeonato é também o time que faz mais faltas na competição.
O Flamengo também tem uma coisa ruim para hoje: como Dênis Marques não acerta nem por decreto, Zé Roberto provavelmente será adiantado para jogar ao lado de Adriano, e assim o meio de campo fica com um armador só — Petkovic — e com três volantes. É volante demais. Não deve ser o que Andrade prefere, mas é o que ele tem de fazer.
Se eu fosse o Flamengo, em vez de proibir a presença de Obina no Palmeiras, faria exatamente o contrário: pagaria para que ele fosse escalado. Parece até que a diretoria do Flamengo não conhece o Obina.
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Mesmo com um homem a mais durante todo o segundo tempo e toda a prorrogação, a seleção brasileira sub-20 não saiu de um 0 a 0 miserável na final do Mundial da categoria. Na disputa de pênaltis, perdeu o título para... Gana. O goleiro Rafael fez a proeza de defender dois pênaltis, mas de que adiantou se três de nossos futuros craques perderam suas cobranças?

DORA KRAMER

Sinuca de bico

O ESTADO DE SÃO PAULO - 18/10/09


As ações políticas – todas, portanto – do presidente Luiz Iná cio da Silva sempre precisam ser analisadas por prismas diferentes: levando em conta a ética ou considerando apenas a eficácia imediata do gesto. Pelo primeiro critério, raras passam pelo controle de qualidade. Já pelo segundo, o grau de aproveitamento é bem superior. Nesse caso enquadra-se o revide do presidente a comentário do governador José Serra sobre o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.

Serra criticou a falta de investimentos federais em projetos de irrigação às margens do rio. Lula bateu com força ironizando a preocupação do governador com o Nordeste – extemporânea e eleitoreira, segundo ele – e mandou que o tucano ficasse “esperto”, pois, daqui em diante haverá muitas inaugurações na região.

Foi a primeira vez desde a campanha eleitoral de 2002 que Lula atacou diretamente seu oponente da época. Apresentou as armas e chamou o adversário para a briga. Criou para a oposição, para José Serra em particular, uma situação assaz complicada: a escolha entre calar, e parecer covarde ante a popularidade presidencial, ou reagir no mesmo tom e fugir do roteiro previsto de só iniciar a campanha propriamente dita no ano que vem.

Num primeiro momento, a opção de Serra foi fazer o elegante: “Se o que eu disse ajudar a ter um metro a mais de irrigação, fico feliz”. Um tanto sutil demais, hermético até para a conversa nos termos propostos por Lula.

Setores mais pragmáticos da oposição, como o DEM, saíram a campo pedindo que o tucanato – senhor da candidatura – deixe de manejar floretes e entre logo no embate com luvas de boxe. Ponto, portanto, para o presidente, que conseguiu fazer a oposição voltar a expor suas divergências em público, discutir uma mudança de agenda adaptando-a ao ritmo que interessa ao adversário e ainda dar margem à interpretação de que reina o desespero nas hostes oposicionistas.

A oposição tem dois candidatos, um deles posicionado na liderança das pesquisas, que em tese sai na dianteira com o apoio dos dois maiores colégios eleitorais do país. No entanto, se espreme de ansiedade ante um adversário cuja candidatura é construída a poder de artificialismo e sob o risco de, de repente, sofrer impugnação da Justiça Eleitoral, que cassou mandatos de governadores por delitos até menos evidentes no tocante ao uso da máquina.

Por ora, parece que o governador de São Paulo pretende seguir resistindo às pressões dos correligionários. Impõe a regra do cálculo frio e da lógica pura: “Lula não é candidato e eu não sei se serei candidato”, diz. A questão é até quando a oposição resistirá a entrar na guerra quanto antes como parece desejar o presidente Lula. A resposta seria fácil se consequências fossem senhoras obedientes. Co mo saber se a estratégia de Serra não fará seu favoritismo minguar? Ou se a mudança de rumo é que renderá prejuízos?

Lula joga seu jogo: não tendo cão, resolveu caçar com gato e, para todos os efeitos, conseguiu transferir a angústia de uma situação adversa para o adversário que, em tese, teria tudo para navegar com o vento a favor.

Filosofia

A definição é de autoria do presidente Lula, exposta durante a franciscana – dando (show) que se recebe (voto) – turnê: “No go verno você não pensa, não acredita, você faz ou não faz”.

Para todos

O senador João Pedro (PT-AM) fez uma “denúncia” na sessão de sexta-feira de manhã: que parte da imprensa faz oposição ao governo. Por essa ótica, a crítica, a opinião e até a tomada de posições quando exercidas fora do âmbito partidário se configuram uma ilegalidade. “A imprensa não permite que o presidente visite um canteiro de obras do seu governo”, disse o senador João Pedro.

Não. A imprensa critica o uso partidário que o presidente faz do governo de todos os brasileiros. E a esse tipo de coisa se opõe sim, com a legitimidade que lhe confere o preceito constitucional da liberdade de expressão. Não fosse o livre exercício do contraditório, deve se lembrar o senador, o PT não faria carreira nem teria chegado à Pre sidência.

Eike

De neófitos na área que se movimentam em excesso políticos experientes em geral dizem o seguinte: “Para cachorro novo, fulano está entrando no mato com muita pressa”.

Sungão

Diante do uso que se faz do artefato – guarda-volumes de dólares não contabilizados e gabaritos de provas fraudadas –, o desfile do senador Eduardo Suplicy de cuecas vermelhas sobre o terno escuro nos corredores do Congresso só seria quebra de decoro se decoro ainda houvesse para ser quebrado.

GOSTOSA

ARI CUNHA

Olha para o céu, Frederico!

CORREIO BRAZILIENSE - 18/10/09


Falcon é o nome do menino que protagonizou as cenas cinematográficas no estado de Colorado, Estados Unidos, quinta-feira. O balão que estava amarrado no quintal subiu. Logo apareceu alguém para dizer que o menino estava dentro. Redes de televisão transmitiam ao vivo o resgate. Jornalistas dedilhavam passo a passo o acontecido. Outros, perguntavam daqui e dali e olhavam para os olhos dos telespectadores pela lente sem vida. O país se mobilizou assistindo às chamadas de plantão. Quando o balão foi alcançado, não tinha menino dentro. Ele estava no porão de casa, com medo da bronca por ter soltado o balão. Depois disso, ventilou-se a possibilidade de o pai ter feito tudo pela fama, o que ele negou veementemente. Assim são as notícias. Uma hora com balão cheio, outra, vazio. (Circe Cunha)


A frase que não foi pronunciada

“Na hora de extrema solidão, atrase um pagamento.”
Autoajuda divertida


Limpeza
A Feira do Guará recebeu a visita da Vigilância Sanitária. Depois de um programa feito em parceria com a Secretaria da Pesca, os empregados e empresários obtiveram informações para melhorar as vendas. As autoridades ficaram satisfeitas com o transporte, a distribuição e o acondicionamento dos frutos do mar.

Célere
Mudanças no Código Civil devem dar maior celeridade a processos na Justiça. Uma das propostas é reduzir os atuais 40 recursos que estendem o tempo para a solução dos casos. O presidente do Senado, José Sarney, anuncia que em 180 dias o Brasil vai conhecer o novo código.

Leitura
Márcia Leite, gerente de cultura do Sesc, compartilha com o senador Cristovam Buarque o sucesso da Bibliosesc. É uma biblioteca itinerante que chega às periferias das capitais brasileiras. Como diz Luiz Amorim, o brasileiro adora ler. O que falta é ambiente para isso.

1973
Espanta a atualidade dos textos de Dias Gomes na novela O bem amado. Qualquer assunto da atualidade não escapa da Rádio Sucupira reapresentada pela CBN, desde a transposição do Rio São Francisco até o atraso na restituição do Imposto de Renda. Todos os que governaram o país já tiveram a voz na garganta de Odorico Paraguaçu.

Metralhadora
O deputado Rodrigo Maia atacou a reforma no cafezinho da Câmara. Não é um sofá de R$ 2 mil que vai tornar esse ambiente melhor. A mudança precisa começar na moral e na ética, atira o deputado.

PEC
O fim da paciência do contribuinte é acalmado pela PEC dos Precatórios. Deve ser votada na Câmara dos Deputados na quarta-feira. O deputado André Vargas, relator da matéria, começa analisando a conta de estados que gastam mais com publicidade que com o pagamento das dívidas do governo.

Denúncia
Na terra de Itamar Franco, a Telemar nada de braçada. Qualquer número telefônico possui uma caixa de mensagens. O usuário não pode acessar os recados. Bem que o ministro Hélio Costa poderia dar um basta no abuso.

Básico
A ONG Viva Rio apresentou um Mapeamento do Tráfico Ilegal de Armas no Brasil. Revelou que os estados não estão capacitados para identificar armas e munições. Com a base de dados diferente, falhas de segurança nos depósitos e despreparo dos policiais, o país está longe de controlar as armas e munições que possui.

De graça
De segunda a quinta-feira desta semana, pianistas da cidade vão se apresentar na Escola de Música. Os concertos serão sempre às 9h30, 15h30 e 20h15, de segunda a quinta. Soledade Arnaud, que coordena os concertos, reservou espaço para homenagear as professoras Neusa França, Moema Craveiro e Francisca Aquino.

História de Brasília

A Novacap assinou um convênio com o Hospital Distrital e, até agora, não pagou um tostão. Com isso, o hospital não recebe mais suas ordens de consulta médica, exigindo que a guia venha por intermédio dos institutos para os quais os funcionários contribuem. Esses institutos, por sua vez, negam-se à concessão dessa guia, sob a alegação de que a Novacap não recolhe a importância descontada. No círculo vicioso, o funcionário está no lugar da ostra, na luta entre o mar e o rochedo. (Publicado em 11/2/1961)

JOSÉ SIMÃO

Ueba! O Zé Mayer derruba todas!

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/10/09


E tem uma amiga que vai mudar o nome pra Helena pra ver se ele se anima!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Continuo com a minha série Os Predestinados! Uma amiga levou o pai no geriatra e adivinha o nome dele? José Carlos Aquino VELHO! E o superintendente da Pirelli Pneus?
Carlos REDONDO! E o delegado de entorpecentes de Campinas? APOCALYPSE JOIA! E um amigo gaúcho tem um urologista chamado Giorgio RABOLINI! É o que eu digo: não é vocação, é predestinação!
E a última da Igreja Universal: Edir Macedo é o nosso pastor e NADA NOS SOBRARÁ! E sabe o que significa ENEM? Eu Não Estudo Mais! ENEM eu! Rarará! E o Zé Mayer, hein? Toda novela ele já entra derrubando todas. Eu vou escrever a biografia do Zé Mayer, o comedor.
Na casa do Zé Mayer nem o azeite é virgem! E o Zé Mayer deu palestra pra um auditório lotado e espirrou.
Foram registrados 42 orgasmos. O Zé Mayer pra dormir não conta carneirinhos, conta Helenas. E Deus disse: "Faça-se a luz!". E o Zé Mayer gritou: "Deixa essa porra desligada que eu tô transando". E aí o homem falou pra esposa: "O Zé Mayer disse que transou com todas as mulheres do prédio, menos uma". E a mulher: "Então deve ser a nojentinha do sexto andar". Rarará! E tem uma amiga que vai mudar o nome pra Helena.
Pra ver se o Zé Mayer se anima!
E o Zelaya ganhou um prêmio.
Prêmio NONDURAS 2009! E Honduras vai levar o Zelaya pra Copa.
Porque ele é especialista em embaixada. Vai ficar fazendo embaixadinhas. A Embaixada da Mãe Joana.
La Embajada de La Madre Juana!
E o lançamento dos bonecos Obama e Michelle? O Brasil também podia lançar. Boneca Marta, já vem com botox! Boneco Serra versão Drácula com gripe. E a dona Marisa, uma Hello Kitty. Porque ela é uma boneca muda. Aliás, eu acho que a dona Marisa não é muda, é ATÔNITA! Ficar ouvindo o Lula falar! O boneco mais caro é o do Sarney, vem com a família inteira. E o mais barato é o do Lula; vem faltando um dedo. Um dedo e um cérebro. Rarará!
E adorei o senador Mão Santa: "Não tem voo aéreo internacional em Teresina". E a pergunta num programa de rádio da Bahia: "Como é o nome do tráfego aéreo intenso entre duas cidades?". E o baiano: "SALVADOR!". Rarará! Adorei esse baiano!
É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: "É mole, mas trisca pra ver o que acontece!".
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. Hoje não tem. ENEM nunca mais! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza.
Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

CLÓVIS ROSSI

De vira-latas e emoções

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/10/09



SÃO PAULO - Por muito que esteja ficando cachorro grande, o Brasil não consegue livrar-se do complexo de vira-lata, como dizia Nelson Rodrigues, talvez o maior escafandrista da alma brasileira.
Prova mais recente: a deferência com que foram tratados nesta semana dois dos consultores da campanha de Barack Obama, como se tivéssemos algo a aprender em matéria de marketing político. Quero dizer, sempre se aprende algo com alguém, mas, nessa matéria, somos é mestres, não alunos.
Basta lembrar que há 60 anos, antes que existisse marketing (político ou comercial), já tínhamos um Jânio Quadros a espalhar caspa pelo paletó para fazer-se "do povo". E era um campeão de votos.
Eis que agora ouvimos Jason Ralston, cérebro da publicidade de Obama na campanha, dizer o seguinte: "É sempre preferível ter o apoio de um líder popular a não tê-lo". Brilhante. Ralston ainda acrescentou: "A popularidade de um líder não é transferível para outro candidato".
Sei, não. Orestes Quércia elegeu um virgem em disputas eleitorais, Luiz Antônio Fleury Filho, assim como Paulo Maluf o fez com outro virgem, Celso Pitta.
Pulemos agora para Ben Self, o rapaz da campanha on-line de Obama, para quem "emoção e doação estão definitivamente ligados". Só se foi na campanha de Obama. No resto do mundo, doação está ligada, definitivamente, a intere$ses bem concretos. Podemos ser vira-latas, mas ingênuos não somos.
Ah, por falar em emoção, vou sentir muito falta de Lula na campanha de 2010, pelo menos como candidato. Para o bem e para o mal, Lula põe a gota de emoção em campanhas que vão se pasteurizando crescentemente, inclusive as do PT.
A emoção agora é "by appointment" dos Duda Mendonça da vida. Muita gente dirá que estamos amadurecendo. Talvez. Mas sem emoção não há solução.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Lula atira para todo lado por não ter o que mostrar”
Senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC), insatisfeito com o governo do presidente Lula

Lula ofereceu ministério do Esporte a Rebelo
Apesar do chororô e dos abraços emocionados em Copenhague, com a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas, o presidente Lula ofereceu o cargo do ministro Orlando Silva (Esporte) a um ilustre correligionário dele, o deputado e ex-ministro Aldo Rebelo (PCdoB-SP), torcedor fanático do Palmeiras. Caso raro de político que não é ambicioso, Rebelo recusou o convite. Prefere se dedicar à reeleição, em 2010.
PCdoB enquadrado
O presidente Lula enquadrou o PCdoB: chamou para uma conversa com seu presidente, Renato Rabelo, e o colocou na aliança pró-Dilma.
Rabos amarrados
Antes de garantir o PCdoB na aliança que apoia Dilma Rousseff, Lula amarrou o rabo do PMDB e colocou o PDT na linha.
O moderno antiquado
O Tribunal Superior Eleitoral abriu concorrência para a compra de 250 mil urnas eletrônicas para 2010. Elas virão até com bobinas de papel.
Maggi fica
O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), deve permanecer na vida pública ao final do mandato para candidatar-se ao Senado, em 2010.
Precatórios: CNJ quer acabar a novela
O Conselho Nacional de Justiça deve editar uma resolução vinculando a agilização dos processos de cobrança de imposto com o pagamento de precatórios – uma novela que se arrasta há anos, vergonhosamente. A iniciativa, do conselheiro e tributarista Ives Gandra, quer estimular os juízes a agir com mais rapidez nas execuções fiscais, aproveitando parte dos recursos delas para quitar as dívidas da União com os cidadãos.
Dinheiro
tem O CNJ estima em 18 milhões os processos de cobrança de impostos, mais da metade deles dormindo na Justiça há mais de cinco anos.
Devo, não nego
O conselheiro Ives Gandra criticou o Estado por “cobrar impostos com dureza” e por não ter hora para quitar dívidas com o contribuinte.
Alto lá!
Chega a R$ 785 mil o valor das apreensões de mercadorias feitas pela Receita nas encomendas do Correio. Na maioria, objetos eletrônicos.
Nem te ligo
Lula se recusa a explicar seu milagre da restituição que recebeu, apesar de três fontes de rendimento (salário de presidente e duas aposentadorias) e não gaste com nada, nem mesmo com dependentes.
Mineiro apressado
O governador Aécio Neves anda tão apreensivo com a eleição de 2010 que já externou à direção do PSDB sua preocupação com a decisão de adiar para março a escolha do candidato tucano à sucessão de Lula.
Sobrou para nós
Um tal “Coletivo” que defende cotas raciais decidiu com o reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo, o “Zé do MST”, editar um folheto de 10 mil exemplares atacando o DEM, por ter ido à Justiça contra as cotas e a racialização do País. O contribuinte pagará a conta.
Políticos babões
Uma estonteante morena caboverdiana, funcionária da prefeitura de Campina Grande (PB), tem provocado o aumento do fluxo turístico à cidade. Fluxo constituído sobretudo de figurões da política nacional.
Corrida ao ouro
O governo Lula contratou por R$ 10 milhões, em 2008, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura e o PNUD para atuar no empacado PAC. Entidades que têm “licença para matar”: o dinheiro é público, mas não dão a mínima ao Tribunal de Contas da União.
Caixa preta
Escolas particulares montam fortíssimo lobby na Câmara para barrar o projeto que as obriga a divulgar balanços financeiros semestrais, e dar transparência ao reajuste de mensalidade dos alunos.
Cafetão no Tribunal
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo terá de rescindir um contrato para degustação do café servido aos magistrados. Entre os advogados capixabas o degustador ganhou o apelido de “cafetão” e muitas piadas.
Que preguiça...
Lituânia e Brasil lideram em duração de férias e número de feriados, segundo a consultoria internacional Mercer: 41 dias. A China não dá moleza: cinco dias de férias pagas após um ano de trabalho.
Pensando bem...
depois do vale-cultura, está em gestação o vale-Eike, para o contribuinte levar ferro.

PODER SEM PUDOR
Coisinha à toa
O ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha (PT-SP), encontrou certa vez um experiente antecessor, Mauro Benevides (PMDB-CE), e desabafou:
– Você já viu alguém enfrentar tantos problemas como eu, nesse cargo?
Benevides, o mais mineiro dos cearenses, coçou o queixo e respondeu:
– Claro que não. No meu tempo, só tivemos impeachment de um presidente e cassação de alguns deputados...

GUERRA CIVIL

DOMINGO NOS JORNAIS

- Globo: Brasileiros gastam com cultura como europeus


- Folha: Brasileiro paga a mais por luz há 7 anos


- Estadão: Cresce número de juízes investigados


- JB: FMI dá munição a Lula contra a Vale


- Correio: Mais um desvio em fundação da UnB