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AS JAZIDAS de petróleo do pré-sal, mais uma dádiva natural do Brasil, são uma riqueza expressiva e um diferencial competitivo no comércio exterior. Se o cronograma de extração não sofrer alterações e se viabilizarem os elevados investimentos previstos, a produção deverá iniciar-se em cerca de dez anos, conferindo sobrevida à velha economia baseada nos combustíveis fósseis, persistente em numerosos países sem alternativas viáveis para alterar a matriz energética. | |||
| JOÃO SAMPAIO , economista e empresário do setor agrícola, é o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea). | |||
segunda-feira, outubro 05, 2009
JOÃO SAMPAIO
J. R. GUZZO
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O Brasil é o terceiro país do mundo em número de advogados. Não falta gente qualificada para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Por que escolher alguém que peca em todos os requisitos? | |||
FERNANDO ABRUCIO
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A situação política de Honduras é um bom exemplo da dificuldade de muitos países latino-americanos em assimilar a democracia por inteiro. Os dois lados não são integralmente democratas. Um porque quis passar por cima das instituições para aumentar seu poder. E o outro, que efetivamente deu o golpe e tomou o poder, porque usou subterfúgios legalistas para romper com a ordem democrática e evitar o que mais teme: a inclusão de grupos sociais que vão demandar um país mais justo e igualitário. Nesse contexto, quem venceu foram os militares, os verdadeiros comandantes do país. Com o fim de um longo ciclo de regimes autoritários, a democracia se tornou o principal ponto da agenda política da região. A principal novidade é que as eleições ganharam primazia sobre os golpes. Não obstante o período atual ser o mais democrático da história latino-americana, há um enorme obstáculo a transpor: como conjugar o respeito às instituições democráticas com a necessidade de incluir milhões de pessoas à plena cidadania? | |||
PAULO RABELLO DE CASTRO
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Imagine uma pacata cidade do interior do Brasil. A capital hondurenha – Tegucigalpa – não será muito diferente. Honduras é um país pequeno, com 8 milhões de habitantes, incrustado na verde cordilheira da América Central. Pode parecer um cenário convidativo para aqueles filmes americanos com mestres da valentia de mentirinha, como Sylvester Stallone. Pois é lá que o governo brasileiro resolveu exercitar, de maneira desajeitada, sua musculatura diplomática. | |||
ROBERTO ZENTGRAF
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Aproveitando que na próxima segunda, dia 12, comemorase também o Dia das Crianças — além do Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida — optei por um de meus assuntos preferidos, o tema “Finanças e Filhos”. Leitor fiel e que me acompanha desde cedo, sabe que nesta época costumo contar “causos” financeiros dos meus, o Rodrigo, de 10 anos, e a Maria Luiza, de 14, que desde pequenos foram acostumados a lidar e a conversar sobre dinheiro sem qualquer censura, obviamente respeitados aí os devidos limites: não precisam, por exemplo, saber sobre saldos de contas, senhas e outros detalhes, até mesmo para sua própria segurança! Bem, e qual é a ideia central de tudo isso? Sinceramente? Acho que me sentiria estupidamente irresponsável se, após anos de vivência na área financeira e presenciando diariamente histórias de adultos mal resolvidos quando o assunto é dinheiro, deixasse passar essa oportunidade e, desta forma, desperdiçasse a ótima relação que temos, não os orientando ou não os ajudando a formar bons hábitos. | |||
LOURDES SOLA
Autoritarismo Eleitoral
| O Estado de S. Paulo - 05/10/2009 |
Nos últimos anos vários governos latino-americanos eleitos democraticamente têm recorrido a fórmulas antidemocráticas com o objetivo de controlar a arena política e, assim, minimizar a concorrência eleitoral preexistente. Buscam livrar-se de um dos atributos da democracia eleitoral que lhes garantiram o acesso ao poder. É justamente esse impulso regressivo que chama a atenção como uma das características dos experimentos de "governo popular" em curso na Venezuela, na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Insisto: uma das marcas. Pois esse caráter regressivo se combina com o componente popular, inaugurando uma lógica e uma dinâmica política novas, das quais as noções de "populismo" ou "neopopulismo" não dão conta. Ao cientista social cumpre observar o fenômeno novo sem se esquivar da tarefa de nomeá-lo adequadamente, recorrendo a uma inovação conceitual, se necessário. Pode ser útil para refletir sobre as fórmulas de terapia preventiva mais adequadas. Esses governos governam sob a égide de duas contradições que convém analisar melhor, pois delas derivam sua força e suas fraquezas. A primeira diz respeito à atitude para com a concorrência eleitoral: por um lado, são levados a jogar o jogo de eleições multipartidárias regulares, minimamente competitivas, para continuarem se legitimando - é que o otimismo democrático que varreu a América Latina desde 1980 e o resto do mundo a partir dos anos 90 fixou a preferência popular por eleições como o principal critério de legitimação para acesso ao Poder Executivo e ao Legislativo; por outro, onde há concorrência e, portanto, oportunidade de contestação, eleva-se o teor de incerteza quanto aos resultados das urnas. A contradição incômoda é resolvida pelo controle da arena eleitoral, que pode assumir várias formas: cerceamento dos direitos políticos e das liberdades civis, restrições aos meios de comunicação de massa e de financiamento quando em mãos oposicionistas, regras eleitorais discriminatórias. Acabo de listar as características típicas de um novo animal: o autoritarismo eleitoral. É uma variedade de regimes cujo traço distintivo é uma profunda ambiguidade institucional. Têm eleições multipartidárias, socialmente inclusivas, porque baseadas no sufrágio universal, e são minimamente pluralistas, pois a oposição tem direito a concorrer e, embora nunca ganhe, obtém votos e cadeiras no Congresso. O autoritarismo eleitoral, em suma, caracteriza-se por fazer de eleições competitivas um instrumento de poder autoritário, não de democracia. A lista cobre países da antiga União Soviética, inclusive a Rússia; do Oriente Médio e do Norte da África, como Egito, Argélia e Tunísia; alguns do Leste e do Sul da Ásia, como Cingapura, Camboja e Malásia; além de vários da África subsaariana. Os experimentos latino-americanos de autoritarismo eleitoral são uma espécie singular desse gênero porque resultam de uma dinâmica política regressiva - ao contrário dos demais, que em sua grande maioria nunca experimentaram instituições representativas e/ou sistemas de contrapesos entre Poderes. Estes têm matrizes autoritárias e são experimentos de liberalização política embrionários. Uma segunda contradição, remete ao controle da arena política, graças à instrumentalização da participação popular. Por um lado, o recurso a eleições competitivas implica o reconhecimento institucional de um princípio de cepa liberal: a "vontade do povo soberano". Por outro, implica conceder ao eleitor e às oposições os recursos institucionais - e os valores - que os capacitam a contestar as eleições e o próprio regime. Com isso a coalizão dominante corre riscos de se deslegitimar, vendo-se obrigada a optar entre duas alternativas indigestas: arrochar o controle da arena política ou ceder mais espaço às oposições. Essa caracterização vale para o gênero, mas a espécie dominante na nossa região se distingue pelo fato de que os governos relevantes têm (ou tiveram) raízes populares. É essa condição que lhes serve de incentivo para erigir a parcela majoritária do eleitorado em "vontade do povo soberano". Daí o impulso revisionista (das Constituições) e a vocação para legitimar-se por meio de plebiscitos. O problema é que, em condições mínimas de concorrência eleitoral e de liberdade de informação, periga que a "vontade do povo soberano" se revele volátil e, além disso, se apresente dividida. Por isso o controle da arena política passa necessariamente pelas restrições à liberdade de imprensa e pela tendência ao monopólio da informação. Deve-se isso a dois conjuntos de problemas, inerentes à democracia de massa e que a liberdade de imprensa contribui para atenuar - a par de instituições que obrigam os governantes a prestar contas. O primeiro é que a operação ideológica pela qual a vontade do eleitorado é convertida em "vontade do povo soberano" passa ao largo do xis da questão: quanto o eleitorado e a opinião pública sabem ou podem saber dos assuntos de interesse público? Mas há um segundo problema que se torna agudo nos países periféricos. Nas democracias de massa há uma enorme defasagem entre a democratização das informações, às quais a população tem acesso via rádio, TV, jornais, internet, e a capacidade que a população tem de elaborar as informações. No curto prazo, é à imprensa que cabe reduzir o espaço dessa defasagem, sempre e quando apresenta e divulga as formas possíveis e alternativas de elaboração da mesma informação por diferentes atores políticos. Nessas circunstâncias exerce um papel pedagógico. A fórmula complementar para minimizar a defasagem, no longo prazo, é apostar na educação de qualidade. |
JENI KLUGMAN
Um novo acordo para a migração
| Folha de S. Paulo - 05/10/2009 | |
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CARLOS ALBERTO SARDENBERG
Meirelles, terrorista?
| O Estado de S. Paulo - 05/10/2009 |
"Terrorismo fiscal" - essa é nova. Designa qualquer comentário ou crítica ao aumento de gastos do governo federal. Qual seria o objetivo de um "terrorista fiscal"? Provocar uma subida dos juros. E por que esses terroristas estariam interessados em subir os juros? Para ganhar no mercado financeiro. Tal foi a teoria expressa pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, em entrevista na quinta-feira. Foi uma resposta aos seguidos comentários segundo os quais a forte expansão dos gastos públicos, promovida pelo governo federal, é uma fonte de pressões inflacionárias. Quer dizer, se fossem apenas comentários, teses, digamos, seria o caso de discutir. Mas como se trata de "crítica baseada no fim do mundo", como disse Barbosa, não há o que debater. "Não negociamos com terroristas", decretou. Tem sido uma atitude comum no governo Lula. Para ficar em dois temas da semana: quem considera equivocado o modo como a diplomacia brasileira trata do caso Honduras é "golpista"; e quem considera ruim o modelo do governo para a exploração do pré-sal é "entreguista". Mas sem dúvida o secretário Barbosa foi, digamos, criativo - sem considerar, é claro, a qualidade da criação. Há boas e más. E levar o golpismo e o terrorismo para a esfera da política econômica está mais para bobagem do que outra coisa. Seria para deixar de lado, se não houvesse uma circunstância extraordinária: a touca Ninja de terrorista cabe na cabeça do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Pois está lá, no último Relatório de Inflação do BC, a observação de que o aumento dos gastos públicos é fonte de pressões inflacionárias. Verdade que Nelson Barbosa respondeu negativamente quando os jornalistas perguntaram, na lata: o BC é terrorista? Mas, afirmou, são terroristas os analistas privados que tratam desse assunto. Ora, esses analistas começaram a discutir o tema justamente por causa da referência feita no Relatório de Inflação. Logo... Além disso, não é de hoje que há diferenças importantes entre o Ministério da Fazenda de Guido Mantega e o BC. Por exemplo: para Mantega, foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ato da Fazenda, que salvou a venda de automóveis. Já Meirelles observa que foi a recuperação do crédito, promovida pela política anticrise do BC. "De que adiantaria o preço menor se não houvesse crédito para comprar carros?" - como tem repetido o presidente, aliás, com uma boa dose de razão. Há algum tempo, Mantega tentou se apropriar da política de compra de dólares, que havia sido iniciada pelo BC em 2003, muito antes da entrada dele na Fazenda. Eis por que o debate em política econômica não pode ser completamente ideológico. Pode-se atribuir até com facilidade a acusação de golpista a uma crítica da diplomacia. Trata-se de uma discussão que fica no nível do que "poderia ser". Mas na economia há números em torno dos quais não pode haver dúvidas. É certo que os gastos do governo estão aumentando. E aumentando mais do que em anos anteriores. É o relatório do Tesouro, do Ministério da Fazenda, que mostra isso todos os meses. Mostra também que o superávit primário é cada vez menor. É oficial e pública a decisão do governo de reduzir a meta do superávit primário. (Estão mudando o alvo para poder acertá-lo). Também são oficiais os números que mostram o aumento da dívida pública como proporção do Produto Interno Bruto. Por outro lado, a teoria econômica diz que aumento de gasto público - a expansão fiscal - é uma pressão inflacionária. Claro, há discussões sobre o modo como se processa essa relação. Discute-se, por exemplo, quanto de gasto público gera quanto de inflação. Mas não se discute a natureza da relação. A teoria também aceita sem problemas que, em certos momentos, a expansão do gasto público pode ser uma coisa boa, mesmo que provoque pressões ou impactos inflacionários. É quando se aumenta o gasto para combater uma recessão ou desaceleração econômica, como estão fazendo quase todos os governos pelo mundo afora. E, para falar a verdade, quase todos os analistas, aqui e lá fora, estão achando perfeitamente tolerável e perdoável o aumento do gasto público brasileiro neste momento. A maioria desses analistas acha mesmo que o governo não vai conseguir cumprir nem a meta rebaixada de superávit primário, mas que isso não será problema neste ano de crise. É um endosso bastante amplo ao que a Fazenda está fazendo. Então por que a bronca tão ácida de Mantega e seu pessoal? Por que chamariam de "terroristas" os caras que consideram positivo o modo como o Brasil está saindo da crise? Por causa dos próximos passos. Os analistas, os "terroristas" têm dito que essa forte expansão do gasto público não pode continuar e que, em 2010, o governo deveria voltar a fazer um superávit primário mais elevado. Também o BC acha isso. Quando monta os cenários para os próximos anos - e declara que a inflação está bem comportada dentro da meta -, o BC está considerando que a Fazenda vai voltar ao superávit pré-crise. Ao dizer que isso é terrorismo, a Fazenda passa um péssimo recibo. Barbosa disse que os críticos estão querendo de volta o "Estado mínimo" e que não veem saída sem o emagrecimento do Estado. Ora, ninguém está dizendo isso. Críticos e comentaristas neutros, como o BC, estão dizendo apenas que a continuidade da expansão do gasto público, neste nível, é ou pode ser uma pressão inflacionária, assim como o é a redução dos juros. Trata-se de observação mais que razoável. Mas, ao acusar todo mundo de terrorista, a Fazenda parece estar dizendo que o aumento do gasto público veio para ficar, que o governo aproveitou a crise para tirar uma licença permanente para gastar. Como Mantega - antes de ser ministro, como economista desenvolvimentista - nunca gostou dessa história de superávit primário, a suspeita faz sentido. |
FERNANDO RODRIGUES
Desolação
| Folha de S. Paulo - 05/10/2009 |
Os locais reservados para senadores e deputados tomarem café propiciam uma das imagens mais fantasmagóricas de Brasília. As enormes vidraças do edifício permitem observar vasto gramado em frente ao Congresso. É um local quase sempre vazio, sem vida e pouco hospitaleiro. |
RICARDO NOBLAT
É só o que falta
| O Globo - 05/10/2009 |
" Dilma será presidente do Brasil. Sei que vão me acusar de ingerência, meu coraçãozinho é que está falando" (Hugo Chávez) A coleção de êxitos de Lula é notável. A economia cresceu com distribuição de renda e atravessou veloz a crise financeira mundial. O governo balançou com o escândalo do mensalão, mas não caiu e hoje é sustentado por 14 partidos. O País nunca teve presidente tão popular. A Copa do Mundo de 2014 é nossa e os Jogos Olímpicos de 2016 também. O que falta para Lula proclamar do alto de sua reconhecida modéstia que realizou a obra perfeita? Eleger seu sucessor. Jamais na história democrática do País um presidente da República passou a faixa para quem escolheu. Itamar Franco passou para Fernando Henrique, seu ex-ministro das Relações Exteriores e da Fazenda. Mas quem elegeu Fernando Henrique não foi Itamar – foi o Plano Real que acabou com a inflação. Em visita ao Maranhão, o ex-ministro José Dirceu, articulador “ad hoc” da candidatura da ministra Dilma Rousseff a presidente, soprou para colegas a fórmula que imagina capaz de garantir a eleição dela. Primeiro há que se comparar à exaustão as realizações do atual governo com as do seu antecessor. Segundo há que se massificar a informação de que Dilma é a candidata de Lula. Cerca de 40% dos brasileiros ainda ignoram isso. E o mais importante: a certa altura da campanha, Lula haverá de se afastar das tarefas prosaicas da administração para se dedicar com exclusividade a percorrer o País carregando Dilma debaixo do braço. Dilma não tem e dificilmente terá votos próprios. Com a entrada em cena da senadora Marina Silva (PV-AC), perdeu a condição de ser a única mulher candidata a presidente. Vencerá se o eleitor se convencer de que ela é Lula de saias. Tanto melhor se o eleitor acreditar que Dilma na verdade é candidata a um mandato tampão. Uma vez que se eleja, cederá o lugar depois de quatro anos a quem não pôde concorrer ao terceiro mandato consecutivo. Lula costuma dizer que será mais fácil tentar voltar em 2014 no caso de derrota de Dilma em 2010. Bobagem! Na prática, o mandato de presidente, governador e prefeito é de oito anos – com uma confirmação pelo meio. Enfraquecido ao final do seu governo, Fernando Henrique sabia que seu candidato estava condenado à derrota. De sua parte, José Serra sabia que chegara a hora de Lula. Nem Fernando Henrique suou a camisa para eleger Serra, nem Serra quis que ele suasse. Preferiu manter distância. Jogou na mesa uma carta implausível, a única que tinha: apresentar-se como o candidato da mudança, talvez mais confiável do que Lula. Não deu certo. A ninguém Fernando Henrique confessou que apostava no insucesso de Lula para subir outra vez a rampa do Palácio do Planalto. Mas não é de todo um disparate especular que ele apostava, sim. Lula poderia ter cedido à tentação de mexer com a política econômica. Havia conselheiros de sobra ao seu redor sugerindo que mexesse. Era desprovido de experiência para governar – Dilma não é. E foi atropelado por mensaleiros e aloprados. Fernando Henrique é um retrato na parede. Lula recusa tal destino. Desistiu de brigar pelo terceiro mandato consecutivo porque a idéia pegou mal no seu círculo íntimo de assessores e aliados. Contudo, a candidatura de Dilma foi concebida por ele para ocupar espaço à espera da ocasião ideal do lançamento de algo parecido com o movimento “queremista” que devolveu Getúlio Vargas ao poder em 1950. Mas aí veio a crise dos bancos. A crise despachou o “queremismo” para o freezer. Enquanto espera que Dilma volte a subir nas pesquisas de intenção de voto, Lula deixa Ciro Gomes (PSB-CE) brincar de candidato a presidente. Ciro só será candidato para valer se abrir uma razoável vantagem sobre Dilma. Então Lula poderá até trocar Dilma por ele. Do contrário, acabará forçado a abandonar o páreo e a disputar o governo de São Paulo se quiser. Falta cacife político e financeiro a Ciro para enfrentar Dilma contra a vontade de Lula e do seu próprio partido. |
DIRETO DA FONTE
Ajudando, com o Instituto Ayrton Senna, a dar mais qualidade à educação, Viviane Senna avisa: escola pública não foca o resultado
Depois da morte do irmão, Viviane Senna pensou que a Fórmula 1 nunca mais faria parte de sua vida. Estava enganada. Desde que seu filho Bruno entrou no circo da velocidade, há cinco anos, ela não só voltou a assistir corridas como passou a participar ativamente das negociações com escuderias e patrocinadores. Apesar da apreensão, sempre que o caçula entra no carro fica comovida com os olhos dele por trás da viseira - são idênticos aos de Ayrton.
Fora das pistas, Viviane comanda uma das mais bem sucedidas organizações sociais do país, o Instituto Ayrton Senna, que desde 1994 ajudou a capacitar 468.483 educadores. A irmã do piloto mais querido - e bem sucedido - do automobilismo brasileiro usa ferramentas do mundo corporativo para administrar sua ONG. Que em 15 anos movimentou R$ 183,5 milhões, investidos em 1.372 municípios de 25 Estados. E no qual descobriu que a cultura pública "não é como a empresarial, que trabalha com foco".
A psicóloga junguiana, mãe de outros dois filhos, mais uma vez homenageia o irmão e autografa, dia 13, na Livraria da Vila do Cidade Jardim, o livro Ayrton Senna-uma lenda a toda velocidade, de Christopher Hilton.
Seu marido morreu em um acidente de moto e o Ayrton, na pista. Agora seu filho, o Bruno, é piloto. Você fica apreensiva?
Foi uma surpresa?
Sem dúvida. Bruno não falava sobre isso desde o acidente do Ayrton, quando ele tinha 10 anos. Quando me contou que queria ser piloto, achei que isso poderia passar. Não passou. Não adiantou eu insistir para ser jornalista, engenheiro, chefe de equipe... (risos).
Como foi essa trajetória?
Em quatro anos o Bruno chegou onde outros precisam de 15 para chegar. Começou no kart, mas como é alto e magro vivia quebrando a costela e cada vez ficava dois meses parado. Chegou a quebrar seis costelas em um ano. Aí o (Gerhard) Berger disse que o Bruno não podia andar de kart porque não desenvolveu musculatura. No dia seguinte ele arrumou um teste na BMW.
E a Fórmula 1?
Estávamos com um contrato da Honda na mão, de três anos. Aí veio a crise mundial e eles saíram da Fórmula 1. Se tivessem ficado, o Bruno estaria correndo.
Vai ser feito um filme sobre Ayrton?
Demorou três anos para aprovarmos, mas agora ele vai sair, pela produtora americana Working Title. Um documentário, com estreia em 2010. A Warner ia fazer, com o Banderas no papel dele. Ele queria muito o papel. Veio aqui, no escritório, convencer a gente.
Por quê não deu certo?
A Warner queria 100% da decisão final. Não quisemos dar essa liberdade total e ficar sem o menor controle do que vai sair. Ficamos dois anos negociando. O Banderas ficou superfrustrado. Outro dia ele ligou e disse que agora está muito velho para fazer o Ayrton (risos).
Depois do acidente com o Felipe Massa, falou-se muito de como a morte do Ayrton levou a uma mudança de paradigma na segurança da F-1...
Mudou sim. A própria pista mudou. A cabeça não fica mais para fora, antes ficava. O Bruno diz que não vê a ponta do carro. Ele mesmo já teve um acidente feio, na F-3.
Como você faz para administrar tanta gente e tanto dinheiro no instituto?
A gente funciona como uma empresa. A diferença é que produzimos gente de qualidade.
O que faz o instituto?
Trabalhamos muito com escolas públicas, ajudamos governadores e prefeitos a melhorar a qualidade da educação. Fazemos diagnóstico e combinamos as intervenções necessárias. Fazemos capacitação de equipes usando uma linha de gestão.
Que tipo de problema existe na área?
O problema é a gestão. A escola pública é pouco eficiente porque não tem foco no resultado. A cultura pública não é como a empresarial, que trabalha com foco e meta. Queremos trazer a cultura empresarial para dentro da área pública. O setor público precisa da lógica do setor privado. Uma escola é uma fábrica de crianças.
O poder público está perdendo a guerra da educação?
De cada dez crianças que entram na primeira série, só cinco saem no final da oitava. E só três no final do ensino médio. Entre a 1º e o 3°ano do ensino médio, perdemos 70% das crianças.
Você é a favor da aprovação automática?
Ela não consegue, sozinha, resolver o problema da repetência. A qualidade da escola é muito ruim. A taxa de sobrevivência escolar é de 30%. Perguntei para médicos se existe alguma doença com índice de letalidade como esse. Não existe. É como se só 30% dos pacientes de um hospital sobrevivessem. Um indice absurdo.
Já pensou em fazer política?
Me ofereceram vários cargos; de deputada até ministra. Nunca quis. Não confundo o público com o governamental. E, pelo estatuto, não posso ter vínculo com partidos.
PAINEL DA FOLHA
Apontado pelo TCU como um dos responsáveis por superfaturamentos no Pan-2007, cujos processos ainda tramitam no tribunal, o funcionário do Ministério do Esporte Ricardo Leyser Gonçalves cuidará agora das obras do Rio-2016. Leyser é hoje um dos homens fortes na estrutura do PC do B. Chegou ao poder público na administração de Marta Suplicy (PT) em São Paulo, como chefe de gabinete da então secretária de Esportes, Nádia Campeão. Na época, coordenou reforma no autódromo de Interlagos para o GP de F1.
Instalado na Esplanada, Leyser continuou a gerenciar orçamentos e contratos com empreiteiras. A preparação para a Olimpíada envolverá investimentos da ordem de R$ 26 bilhões.
Contas 1. De janeiro a agosto deste ano, Leyser usou R$ 230 mil em diárias de viagens -há casos de viagens que ultrapassam R$ 80 mil.
Contas 2. O TCU também investiga contratos do Ministério do Esporte firmados sem licitação. Um deles é com a FIA (Fundação Instituto de Administração), que elabora estudos de impacto econômico. Entre 2008 e 2009, a entidade faturou R$ 12 milhões a título de consultoria.
Confraria 1. Um jantar na casa do presidente da Câmara, Michel Temer, amanhã, vai fechar a estratégia do PMDB para o encontro com Lula, que deve ocorrer nesta semana. Os peemedebistas esperam selar nessa conversa o tal pré-acordo eleitoral em torno de Dilma Rousseff.
Confraria 2. Participarão do concílio peemedebista, além do presidente da Câmara e potencial vice de Dilma, os ministros da sigla, o presidente do Senado, José Sarney, e líderes no Congresso.
Quadrado. Por trás do discurso de obediência a Lula e subordinação ao projeto Dilma-2010, é grande o desconforto no PT-SP com a possibilidade de o partido vir a apoiar Ciro Gomes (PSB) para o governo estadual. O velado mal-estar não se restringe aos pré-candidatos petistas e seus aliados. Pelo interior afora, prefeitos do partido alegam que causaria ruído pedir votos para Ciro em suas bases.
Deixa disso. Os lulistas mais engajados tentam acalmar os correligionários dizendo que, se tudo sair conforme esperado, no final Ciro não aportará em São Paulo, e sim na chapa de Dilma, como vice. Só não explicam como a ministra escapará de subir ao altar com o PMDB.
Argumento. Aliados de Geraldo Alckmin circulam com uma pesquisa na qual o ex-governador tucano obtém na região metropolitana de São Paulo, coalhada de administrações petistas e área de influência de Gilberto Kassab (DEM), vantagem ainda mais expressiva do que em algumas regiões do interior do Estado.
Espécie... Cresce dia a dia o pânico dos deputados do PSDB com o "chapão" que terá, além de tucanos, candidatos à Câmara do PPS, talvez do PMDB e principalmente do DEM, estes escolhidos a dedo e turbinados por Kassab.
...ameaçada. Os otimistas projetam 35 eleitos pelo "chapão". Os céticos duvidam do número e apostam que nenhuma das outras siglas perderá tanto quanto o PSDB.
Chefinho. Carlos Lupi ficou apenas cinco dias fora, mas já foi o suficiente para que servidores do Ministério do Trabalho mandassem colocar duas faixas em seu gabinete: "Bem-vindo, ministro" e "Sentimos sua ausência".
Troco. Após o naufrágio da CPI do MST com a retirada de assinaturas de deputados governistas, a bancada ruralista, com maioria "demo", preparou panfletos com o nome dos que desistiram para enviar aos produtores nos Estados. A oposição promete reapresentar o pedido de CPI nesta semana com novas adesões.
com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO
Tiroteio
"Como não é mais capaz de enganar a população depois de três anos, Jaques Wagner teve de recorrer a bodes e cabras para fazer propaganda de um governo que não tem o que mostrar."
Do deputado ACM NETO (DEM-BA), sobre o programa criado pelo petista Jaques Wagner de pregar a logomarca do governo baiano na orelha dos rebanhos no interior da Bahia.
Contraponto
Quase a mesma coisa
A Câmara realizou na terça-feira passada uma sessão em homenagem aos 60 anos da revolução chinesa e aos 35 do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e aquele país. Depois uma série de discursos, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) iniciou sua fala lamentando ainda não ter podido visitar a China. Em seguida, quis citar Jô Moraes (PC do B-MG), uma das idealizadoras da homenagem, e escorregou:
-Gostaria de parabenizar a deputada Jô Soares...
Diante do riso geral, Temer consertou como pôde:
-Peço desculpas. De qualquer maneira, são dois grandes personagens do cenário nacional...
RUY CASTRO
De olho nos cariocas
Será uma sacudida na economia e, de um jeito ou de outro, todos ganharão, do vendedor de amendoim na praia e empregado de loja e aos tubarões que construirão os hotéis. Indiretamente, a saúde, a educação, a segurança pública e a habitação serão beneficiadas. Dirão vocês que não é nada disso, que a roubalheira vai campear e os recursos públicos irão para os bolsos privados, porque o carioca, vou te contar.
A turma tem razão. É preciso fiscalizar de perto os cariocas, e não faltará gente para isto. O problema é que, segundo pesquisa Datafolha em todo o país, veiculada ontem no Mais!, 83% dos brasileiros admitem já ter “cometido alguma prática ilegítima”, de sonegar impostos e subornar o fiscal a estacionar em fila dupla e piratear programas de computador.
Como já roubei livro em Paris e às vezes compro pente Flamengo no camelô, considero-me parte desses 83% e, por isso, não tenho moral para vigiar ninguém.
SEGUNDA NOS JORNAIS
- Globo: Obras de transporte para 2016 começam este ano
- Folha: Emigração é maior para países em desenvolvimento
- Estadão: Vazamento faz MEC substituir consórcio do Enem
- JB: Rio 2016: lição de casa para os jogos começa em novembro
- Correio: Lojistas ainda ignoram a lei dos puxadinhos
- Valor: Pré-sal exigirá revolução na logística da Petrobras
- Estado de Minas: Olimpíada traz negócios e 2 milhões de empregos
domingo, outubro 04, 2009
PARA....HIHIHIHI
O MARIDÃO
O marido acorda, vira para a mulher, dá um beliscão na bunda dela e diz:
- Se você fizesse exercício para firmar essa bundinha,
poderíamos nos livrar dessa calcinha!
A mulher se controlou e achou que o silêncio seria a melhor resposta.
No outro dia, o marido acorda, dá um beliscão nos seios da mulher e diz:
- Se você conseguisse firmar essas tetinhas poderíamos nos livrar desse sutiã!
Aquilo foi o limite, e o silêncio definitivamente não seria uma resposta.
Então ela se virou, agarrou no pênis do marido e disse:
- Se você conseguisse firmar esse pauzinho, poderíamos nos livrar do carteiro, do jardineiro,do personal trainner, do meu chefe e até do seu irmão!
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