domingo, outubro 04, 2009

JANIO DE FREITAS

O lugar no mundo

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09


ACHAR QUE O BRASIL "conquistou cidadania no mundo" porque sediará uma Olimpíada daqui a sete anos não é só uma elaboração mental estapafúrdia, que por si não causaria espanto, é uma demonstração de que Lula não tem noção do que seu governo faz, nem do seu próprio fazer na Presidência.
Com alguns erros menores e inevitáveis, porque na ação política a linha reta é quase inexistente, a verdade é que o governo Lula deu ao Brasil uma projeção na política internacional que o país jamais tivera. Nem a participação da FEB e de um bravo grupo de aviação de caça é lembrada nas histórias da Segunda Guerra, nem ao chegar à dimensão de oitava economia mundial o Brasil se tornara mais considerado nas formulações internacionais.
Auxiliado pelo equívoco dos países desenvolvidos que o supõem um operário autêntico e reformador do Brasil, fantasia da embasbacada imprensa europeia e norte-americana, Lula teve o mérito de operar uma confusa identificação do seu exacerbado personalismo com o país. E estendeu de um ao outro atenções e benevolências que abriram portas e presença em centros de decisão.
Dá uma ideia dessa fusão inovadora, e do seu processo, a comparação com o personalismo de Fernando Henrique, não menos exacerbado, mas que confinou seus objetivos aos limites pessoais dos títulos, condecorações e outras projeções individuais.
A ação externa do governo Lula é parte de um contraste agudo. Lula produz nas relações internacionais um passo primordial e extenso de descolonização do Brasil. No plano interno, porém, a política econômica e suas projeções sociais preservam o colonialismo ante essa espécie de metrópole mundial que são os capitais internacionais combinados, com suas ramificações internas completando o sistema colonizante.
Ainda estamos por saber se tal contraste é uma contradição, decorrente do conservadorismo de Lula, ou se é como um habeas corpus -provavelmente parte das propostas de José Dirceu no planejamento do governo Lula- para tornar aceita a política externa e, em especial, sua realçada face latino-americana.
Sob críticas internas muito azedas, capazes de ver no erro de uma indicação para a Unesco uma condenação de toda a política externa, é no entanto inegável que o Brasil chegou a uma expressão internacional que não depende da safra de soja e dos êxitos da Vale. E não foi a concessão da Olimpíada que lhe trouxe a nova condição. Lula, pelo visto, não sabe, mas foi o contrário, a "cidadania no mundo" já conquistada é que levou o Brasil a obter a Olimpíada. Com a ajuda, isso Lula sabe, de caríssimo marketing e outros recursos menos citáveis.

ARI CUNHA

A troca de elite

CORREIRO BRAZILIENSE - 04/10/09


Tudo começou no primeiro ano em que o Partido dos Trabalhadores ocupou o poder e passou a usufruir o status de elite brasileira. Há exceções, é claro. Mas há os que foram picados pela mosca azul, como disse o Frei Betto. Esses, se transformaram em patrões vermelhos, em ditadores até, em corruptos. Passaram aos olhos do povo a mesma imagem do coronelismo que tanto criticavam. O artigo 67 do estatuto do PT não foi suficiente para assegurar o direito dos deputados Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC). Diz o artigo que o parlamentar poderá ser dispensado do cumprimento de decisão coletiva, diante de graves objeções de natureza ética, filosófica ou religiosa, ou de foro íntimo. Não puderam ser contra o aborto. (Circe Cunha)


A frase que não foi pronunciada

“E minha mãe, fica onde nisso?”

»Marina Lourenço, pensando enquanto acelera na Ponte JK, depois de ser xingada por dirigir a 60km/h.



Indenizações

»“Ao tentar remediar um erro histórico, o esforço reparatório brasileiro acabou gerando injustiças.” A opinião é de Glen da Mezarobba, pesquisadora da Unicamp. Cita como sendo de 150 pessoas o número de desaparecidos. O trabalho de recuperação deve ser orientado nos dois sentidos. Sabendo os erros dos dois lados, o cidadão ficará com capacidade para opinar.

Honduras apenada

»A luta política em Honduras está levando o país à débâcle. Ninguém se entende, e o Brasil está para perder a extraterritorialidade. Polícia local arromba repartição que abrigava dezenas de adeptos de Manuel Zelaya. Estavam sem documentos e sem autorização para entrar na capital. Estão todos presos e incomunicáveis.

Chávez

»Continua o imbróglio na decisão de apoiar a adesão da Venezuela ao Mercosul. O senador Eduardo Azeredo, presidente da comissão, marcou para 29 de outubro a data-limite para resolver o assunto. De um lado, o senador Jucá quer elaborar um voto em separado a favor da adesão. De outro, o senador e relator da matéria, Tasso Jereissati, é contra, e terá o parecer debatido.

Inútil

»Quando a família é desestruturada, a escola passa a desempenhar um papel que não lhe cabe. Os professores não têm preparo para lidar com alunos problemáticos. Apela-se, então, ao Conselho Tutelar, que é o mediador das desavenças. Infelizmente a atuação dos conselhos é fraca, ineficiente e raramente há solução.

Turismo

»Marselha, Nice e Lyon foram as cidades francesas escolhidas pelo Ministério do Turismo para a promoção e exposição ao público das novidades no turismo brasileiro. Brice Massimo, do escritório brasileiro na França, acrescenta que, além de receber turistas franceses, o Brasil quer incrementar o relacionamento com os profissionais do mercado.

Cartórios

»Foi em abril deste ano a briga entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa sobre o processo de inclusão dos donos de cartórios da Justiça paranaense no regime próprio de aposentadoria dos servidores públicos estaduais. Tramita na Câmara proposta que efetiva titulares de cartórios sem concurso público. É a PEC 471/05.

Yes, weekend

»Brincando de plagiar a frase de campanha do presidente Barack Obama, o presidente Lula nem imagina os comentários sobre o assunto. Ele disse, quando defendeu os Jogos Olímpicos no Rio: “Sim, nós podemos” (Yes, we can). E os cariocas rebateram “Yes, weekend!” (Sim, fim de semana!) se referindo ao feriado decretado no Rio pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes.

Cartão de crédito

»Parcelamento de juros e saques motivaram dívidas de R$ 14.56 bilhões nos cartões de crédito. A cada R$ 4 tomados por pessoa física, R$ 1 é no cartão.

Preço alto em Pernambuco

»Porto de Galinhas quer se emancipar de Ipojuca. É pesado para o município pagar R$ 80 mil para vereador. Ipojuca é o maior de Pernambuco. Ao lado, Muro Alto, onde se localiza o Hotel Nannai, espera e participa da decisão. Fora de política, mas em favor do serviço perfeito do estabelecimento.


História de Brasília

Reconheça que os antigos na Rádio Nacional de Brasília não são sabotadores. Vieram ajudando o programa do ex-presidente, vivendo o mesmo entusiasmo dos primeiros dias de Brasília. Como candangos, são dóceis e disciplinados. Não pise, entretanto, nos seus calos! (Publicado em 10/2/1961)

GOSTOSAS DO TEMPO ANTIGO

ELIANE CANTANHÊDE

50 anos em 7

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09



BRASÍLIA - Os EUA descem (do topo), o Brasil sobe (da base emergente). Obama murcha, Lula infla. As mútuas cutucadas continuam, e o contraste diz muito: um chegando cabisbaixo de volta a Washington e outro falando de Copenhague ao mundo. É o retrato do momento e uma projeção do futuro.
Internamente, o Brasil está em festa, recuperando a autoestima, o orgulho, a ambição. Ou seja, as Olimpíadas de 2016 reforçam os projetos de Lula para 2010 e embalam o seu sonho de disputar a Presidência em 2014 e voltar em 2015.
Mas, se o Rio é a "Cidade Maravilhosa, de encantos mis", nem tudo ali é festa. A Olimpíada será em 2016, e os Jogos, porém, começam desde agora: os cem metros rasos para garantir o metrô e o acesso à Barra da Tijuca, o salto triplo para construir e reformar a Vila Olímpica, o revezamento para despoluir a baía de Guanabara e a lagoa Rodrigo de Freitas, quatro sets para duplicar a rede hoteleira.
Sem falar nas modalidades em que o Brasil e o Rio, em particular, não sobem ao pódio: combate à violência, à polícia corrupta, às balas perdidas, às metralhadoras e, ultimamente, até às granadas; e o campeonato de superfaturamento que multiplica misteriosamente os orçamentos, como no Pan.
O desafio é o de 50 anos em 7, para a urbanização das favelas, o ataque ao crime organizado, a inclusão social e soluções para saúde, educação e o menor abandonado.
As Olimpíadas trazem uma profusão de emoções, desde o choro de Lula, a alegria do carioca e "o orgulho de ser brasileiro" até o medo das enormes responsabilidades.
No discurso de Copenhague, forte, emocionado e irônico em relação a Obama, Lula admitiu "alegria e preocupação". Não explicou, nem precisava. A alegria é pela vitória estonteante, com seus efeitos externos e internos. A preocupação é com o que vem por aí. Botar a casa em ordem para uma Olimpíada não é fácil, nem só uma festa.

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Doutora Havanir quer casar!

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09



Aterroriza os eleitores, assusta a oposição e estremece os fumantes: Serra 2010


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
"Caminhos da Índia" 2: indiano detido com dois travestis em Copacabana. Na esquina da avenida Atlântica com a REPÚBLICA DO PERU! Aliás, devia ser República dos Perus! E em Varginha tem um ginecologista chamado O.B. Tavares! E o ministro Minc, Minc Leão Dourado, interrompeu uma obra do PAC para preservar as pererecas. Normal. No Brasil, qualquer um interrompe qualquer coisa por uma perereca.
Diz que é um tipo que tá em extinção. A única perereca em extinção é a da Hebe! E sabe qual a diferença entre rã e perereca? Rã é comestível e perereca é comível.
E as últimas do Egito. Sabe o que eu pensei quando vi uma múmia?
"Que botox maravilhoso, tenho que avisar a Marta." Aí, entrei num hotel na Jordânia. Sabe aqueles chás e cafés que deixam em cima do frigobar?
Peguei um chá e tava lá: marca DILMAH! Mas Dilma com H. Taí um bom slogan pra 2010: DILMA COM H! E o Serra Vampiro Anêmico.
Aterroriza os eleitores, assusta a oposição e estremece os fumantes: Serra 2010. Diz que ele é mais feio que a morte comendo pastel.
Embaixada da Mãe Joana! O Zelaya só dorme. Devia ser ZZZZelaya.
Zelaya, Ratinho ou Professor Girafales. À vontade do freguês. E sabe a campanha que vou lançar? Leve uma quentinha pro Zelaya. Melhor, leve um desodorante pro Zelaya. E sabe como o Lula vai resolver esse impasse internacional? Vendendo a embaixada brasileira pro Chávez. E com o inquilino dentro. E a capital de Honduras mudou de nome: de Tegucigalpa pra TEGUCIGOLPE! E uma amiga minha disse que não daria asilo pro Zelaya, daria asilo pro Zé Mayer! E o Lula vai lançar mais um programa social de ajuda ao Zelaya: Bolsa Golpe Família.
E a doutora Havanir quer casar! Tá procurando marido pela televisão.
Qual o problema de casar com a Havanir? Não tem gente que vai no Playcenter e paga pra levar susto? E já imaginou se na hora do clímax, do orgasmo, ela tem um surto neurótico-político e grita: "MEU NOME É HAVANIR! MEU NOME É HAVANIR!". Então o pré-requisito pra casar com a Havanir é ser deficiente auditivo. E diz que o Enéas vem puxar a perna de quem casar com a Havanir. É mole? É mole, mas sobe!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula! Mais um verbete pro óbvio lulante. "Honduras": contrário de ondas moles. Honduras, Ondas Moles e Ondas Médias. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

ENEM VEM QUE NÃO TEM

ANCELMO GÓIS

Lado verde de Dilma

O GLOBO - 04/10/09


Como os povos da floresta terão palanque próprio em 2010, com Marina Silva, os petistas reforçam o discurso ambiental para compensar o baque.
Dilma Rousseff, candidata chapa branca, tem conversado com Carlos Minc, mais importante quadro verde do PT depois das saídas de Gabeira e Marina.

Agenda verde...

A ideia é organizar, no primeiro trimestre do ano, uma agenda verde para Dilma.
A candidata quer começar pelo Nordeste — uma forma sutil de criticar Marina, tida por alguns verdes como preocupada só com as questões ambientais da Amazônia

A festa é de todos
Eduardo Paes não consegue esconder a felicidade de ver o Rio sede dos Jogos de 2016.
Mas, com jeitinho e discrição, vai trabalhar para tentar evitar o que houve no Pan de 2007, quando a maior parte da conta foi espetada na prefeitura, arruinando o caixa de Cesar Maia

Foi assim
Sexta, às 14h55m, o avião da Gol que fazia o voo 1845 já ia decolar de Aracaju para o Rio.
Mas, antes de acelerar, o piloto viu uma tartaruga cruzando a pista. O avião esperou uns 15 minutos para o bichinho concluir sua travessia. Não é fofo?

No mais Viva o Rio, sede dos Jogos de 2016. Mas a coluna não se cansa de repetir. O preço da vitória é a eterna vigilância da sociedade para que a cidade melhore, de uma vez por todas, sua infraestrutura, muito precária.

‘Yo soy Kaká’
Nosso maestro Kaká, o craque da seleção e do Real Madrid, depois de aprender inglês e italiano, começou a estudar espanhol.
É que o camisa 10 de Dunga gosta de responder aos repórteres no idioma de quem fez a pergunta.

O DOMINGO É de Raquel Fuína, esta lindeza de 22 anos que vai viver Glória na novela “Cama de gato”, que estreia amanhã na TV Globo. Será filha de Rose, personagem de Camila Pitanga.
O sonho de Glória é se tornar modelo. A carioca Raquel começou a carreira aos 14 anos e, aos 17, debutou na Globo.
Recentemente, fez a peça “Samba, choro e poesia” e participou do filme italiano “Natale a Rio”, de Neri Parente

A cura de Dilma
A Igreja Renascer, daqueles bispos que foram presos nos EUA, resolveu faturar em cima da doença de Dilma Rousseff.
Divulgou um texto, dizendo que, “passados 25 dias após o encontro entre os líderes da Renascer e Dilma, chegou a confirmação dos médicos: ‘Ela está livre de qualquer evidência de linfoma’.” Meu Deus.

Comeu da fruta
Em sua vinda no Rio, em março, Sylvester Stallone foi apresentado a uma tigela de açaí.
O fortão adorou. Agora, recebe do Pará uma caixa da fruta com fama de energética.

Fator Abdelmassih
Os deputados do Amazonas discutem projeto que determina que exames ginecológicos no estado sejam acompanhados de enfermeira ou auxiliar mulher.
A proposta, do deputado Angelus Figueira, prevê regras para evitar que médicos fiquem a sós com as pacientes.

ZONA FRANCA

A ONG Fala Bicho estreou o site http://ogritodobicho.blogspot.com/.

Dia 9, o advogado Melhim Chalhub falará na Universidade de Coimbra.

Marcelo Gleiser falará do Gênesis, segundo a física, hoje, no Midrash Centro Cultural, no Leblon, às 19h.

Hermann Baeta e César Brito inauguraram a Praça da Cidadania em frente à OAB, em Brasília.

Amanhã, Aluizio Maranhão, Miro Teixeira e procuradores da República discutem a liberdade de imprensa.

Thiago Bottino, da FGV-Rio, faz palestra na Alemanha.

O Grupo ArcoIacute;ris vai distribuir 500 mil camisinhas na Parada Gay.

Pedro Vasconcellos lançou o site pedrovasconcellos.com.

Hoje, no condomínio Rio2, haverá festa do Dia de São Francisco.

Nosso maestro

Veja como a fama do futebol brasileiro não conhece fronteiras.

A camisa da foto está à venda numa loja de Copenhague, na Dinamarca, e celebra Júnior, um dos nossos craques, que, quando reinava nos campos, tinha o apelido de Maestro. Ele merece.

Blitz no feriado

No feriadão de 12 de outubro, o Detran do Rio vai fazer uma megaoperação de fiscalização em 20 municípios do estado contra os inadimplentes de IPVA.

A lista com o nome das cidades será divulgada amanhã. Segundo o Detran, metade da frota do Rio, uns 2,3 milhões de carros, está com IPVA atrasado.

Tá duro? Para aproveitar a passagem de alguns casais salientes, mas sem dinheiro, pela Via Dutra, um motel pôs um outdoor em que anuncia sua promoção com a seguinte frase: “Tá duro? Motel Blue Sky por R$ 19,90.”

‘Saara fashion week’ Sabe tudo a ex-modelo Bethy Lagardère, viúva de um homens mais ricos da França.

Terça, comprava tecidos na Saara, o shopping popular a céu aberto no Rio.

Dois dias antes, Bethy, depois de ver o preço de um casaquinho numa loja no Shopping Leblon, não quis comprá-lo : “Ah, não, R$ 10 mil é muito caro.”

O tesouro de Dom Pedro I

Os pesquisadores do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio, descobriram um tesouro perdido. São estas duas grandes pinturas do início do século XIX, que seriam da época de Dom Pedro I.

As figuras (a de cima retrata “Diana, a caçadora”; a de baixo, uma cena de jantar) foram encontradas sob o forro de madeira de uma das salas do museu. Os pesquisadores acreditam que o cômodo deveria servir de sala de refeições, depois transformado em sala íntima da imperatriz Teresa Cristina numa reforma feita no palácio por Dom Pedro II.

A historiadora de arte do museu, Maria Paula Van Biene, diz que a descoberta “caracteriza a riqueza decorativa e ornamental do palácio em seu tempo de residência da família imperial”: — Nas obras, fixadas no alto da parede, o pintor (não identificado) usou uma técnica ilusionista, com uma sombra que dá ideia de volume e perspectiva a quem o olha de baixo para cima. Isto prova que foram especialmente produzidas para aquela sala — afirma.

‘Todo pasa’

Júlio Grondona, 78 anos, figura do futebol que parece comandar a AFA, a CBF da Argentina, desde que o general José de San Martín libertou o país, carrega no dedo este anel (veja a foto) com sua filosofia de vida: “Todo pasa”.

Ou seja, até Maradona.

Em Frei Paulo, onde se diz “tudo passa”, a máxima significa que “nada como um dia após o outro”.

COM ANA CLÁUDIA GUIMARÃES, MARCEU VIEIRA, AYDANO ANDRÉ MOTTA E BERNARDO DE LA PEÑA

MERVAL PEREIRA

Estados 'mínimos' e 'máximos'

O GLOBO - 04/10/09


A discussão sobre o papel do Estado no desenvolvimento do país — ressuscitada pelo governo Lula como maneira de rebater as críticas ao gasto público crescente e à tendência estatizante do governo, exacerbada neste segundo mandato — é na verdade uma tentativa de impor uma linha ao debate político, e levar a oposição ao córner na campanha eleitoral.

O governo se coloca como “nacionalista” e “patriota”, e os que são contra a maneira como está enfrentando a crise seriam genericamente “entreguistas” defensores do “estado mínimo” e contra os pobres.

Com supostas medidas anticíclicas, o governo fortaleceu o mercado interno e possibilitou que os pobres ajudassem o país a sair da crise econômica internacional mais rapidamente, na definição do próprio presidente Lula.

Para a ministra Dilma Rousseff, candidata oficial à sucessão presidencial, a tese do “estado mínimo” é própria de “tupiniquins”e está “falida”.

Os que acusam o governo de estar colocando em risco o equilíbrio fiscal com seus gastos crescentes, segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, estariam pura e simplesmente fazendo “terrorismo”, com o objetivo de forçar uma subida de juros.

O fato concreto é que o mercado financeiro já está aumentando os juros futuros por conta do desarranjo fiscal que está sendo montado pelo governo, e o próprio Banco Central já fez advertências sobre os riscos do desequilíbrio das contas públicas.

Nada indica, porém, que existam sinais a curto e médio prazo de que a inflação será pressionada. Na opinião de analistas das mais variadas tendências, a “herança maldita” dos gastos públicos excessivos só será cobrada do futuro governo, que terá que assumir uma série de “maldades” para reequilibrar as contas públicas.

A previsão de subida dos juros não estaria acontecendo por conta dessa sinalização de longo prazo, mas teria sido impulsionada agora pela maquiagem que o governo foi obrigado a fazer por conta da queda acentuada da receita.

Além de receber dividendos das estatais em nível muito acima do normal, o governo ainda teve que contabilizar como receita os depósitos judiciais.

Quanto às chamadas “políticas anticíclicas” do governo, e a participação dos mais pobres no fortalecimento do mercado interno “salvando o capitalismo” na definição de Lula, uma análise detalhada dos gastos governamentais mostra que a distância entre o discurso e a prática é grande.

O economista José Roberto Afonso, em recente palestra em seminário promovido pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), demonstrou que a maior parte dos gastos do governo acabou favorecendo a classe média ou os mais ricos.

Com base em uma análise da MB consultoria, de José Roberto Mendonça de Barros, constata-se que do incremento de renda familiar estimado para 2009, num total de R$ 56,2 bilhões, equivalente a 1,6% do PIB, 49,7% foram provenientes do governo federal, sendo assim distribuídos: 30% funcionalismo federal; 18% benefícios ligados ao salário-mínimo (pensões, seguros); 1% transferência de renda para pobres (Bolsa Família).

Como, segundo estudo do Ipea, o serviço público é concentrador de rendas, a maior parte dos recursos liberados pelo governo como parte da estratégia de combate à crise foi para os de renda mais alta.

Além do mais, a decisão de aumentar o funcionalismo público fora tomada antes mesmo da crise, o que a descaracteriza como medida anticíclica.

O mesmo fenômeno se verifica quando se analisa a política de renúncia de receita prevista para este ano.

Dos R$ 13,6 bi, equivalentes a 0,4% PIB, cerca de 45% foram dedicados às vendas de automóveis, com a redução a zero do IPI.

De acordo com pesquisas de consumo familiar, o décimo mais pobre da população (com rendimentos até dois salários mínimos) gasta 1,6% em compra de veículos, enquanto o décimo mais rico (mais de 30 salários mínimos) gasta 8,2%.

A política governamental de redução de IPI, que fez bater recordes de venda de automóveis, beneficiou mais, portanto, os de maior renda.

Uma comparação com países que usaram a força do Estado para a recuperação da crise financeira mostra que, apesar de o conceito de atuação estatal ser o mesmo, a estratégia é completamente diferente.

Nos Estados Unidos, os gastos governamentais têm um objetivo claro: estimular mudanças estruturais. O melhor exemplo é a luta do presidente Barack Obama na implantação de um sistema de saúde que atinja toda a população, uma medida tão arrojada como se aqui o governo resolvesse reformar a Previdência Social.

Também a inovação científica está sendo estimulada, especialmente pesquisas sobre combustíveis alternativos, para reduzir a dependência do petróleo.

Na China, uma das principais obras de infraestrutura é a construção de uma rede de metrô que pretende tornar-se maior que a dos Estados Unidos a médio prazo.

É a idéia de oferecer transporte coletivo à imensa população chinesa, para reduzir a dependência do petróleo e a poluição atmosférica.

No Brasil, o governo comemorou a pré-existência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como um sinal de que já tínhamos um programa de investimentos em obras de infraestrutura para fazer face à crise econômica.

Mas a maior parte do programa, que já foi o carro-chefe da candidatura da ministra Dilma Rousseff, apelidada pelo presidente de “mãe do PAC”, não consegue sair do papel, por problemas burocráticos e de gestão.

Ao mesmo tempo, passamos a priorizar a exploração do petróleo sem uma contrapartida para pesquisas de combustíveis alternativos, que é um dos nossos fortes. É o “estado máximo” mostrando sua ineficiência.

GOSTOSAS

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FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Petróleo novamente

O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/10/09


Pela terceira vez escrevo nesta coluna sobre a questão do petróleo. Não é para menos: trata-se de recurso fundamental que de riqueza virtual pode tornar-se uma das molas de nosso desenvolvimento futuro.
A chamada Lei do Petróleo, de 1997, preservou o monopólio da União sobre o subsolo, mas autorizou a concessão da exploração, da distribuição, do refino e do transporte do petróleo e seus derivados a empresas privadas, além da Petrobrás, que antes detinha a exclusividade das operações nessas áreas. Para regular o setor criou-se a Agência Nacional do Petróleo (ANP). No mesmo arcabouço aparece o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da Presidência da República. Esse marco institucional, o governo determina o ritmo da abertura de novas áreas de exploração. Outro aspecto importante da legislação atual é a existência de critérios que, nos leilões, favorecem as empresas que se comprometem a comprar produtos nacionais para os projetos de exploração.
É muito bem-sucedida a experiência de mais de dez anos de funcionamento desse modelo. Em 1993 produzíamos 693 mil barris de petróleo por dia; em 2002 alcançamos 1,5 milhão de barris; em 2009 atingimos 2 milhões de barris. O maior salto na produção se deu entre 1997 e 2002. Os recursos obtidos pela União foram substanciais e muito maiores do que os dividendos distribuídos aos acionistas privados. A União recebeu em 1999, como pagamento de bônus de assinatura, royalties ou participações especiais, cerca de R$ 2 bilhões. Em 2007 foram mais de R$ 17 bilhões, a maior parte deles decorrente de participações especiais, passíveis de ser aumentadas por um simples decreto.
Então, por que mudar o regime agora? O tema de fato requer discussão, dado o novo balanço de riscos presumíveis (menores) e receitas esperadas (maiores) que o pré-sal apresenta.
Há um ponto a respeito do qual parece haver convergência: sendo vultosa a renda adicional a ser gerada pela exploração do pré-sal, grande parte dela em dólar, é prudente criar-se um Fundo Soberano. Isso para minimizar dois efeitos negativos: um gasto indiscriminado que impedisse as gerações futuras de se beneficiarem dos frutos de uma riqueza natural comum e uma valorização enorme do real, em detrimento da competitividade de nossa economia, em geral, e da indústria e das exportações, afora o petróleo, em particular.
O melhor é fazer no Brasil algo nos moldes do que faz a Noruega, com o seu Fundo Soberano. Aqui, por que não deixar sua gestão em mãos do Tesouro Nacional e do Banco Central, que possuem equipes altamente especializadas, sob a supervisão de um pequeno grupo de pessoas designadas pelo presidente e aprovadas pelo Senado, que prestassem contas anuais ao Congresso e ao Tribunal de Contas da União (TCU)? A legislação relativa ao fundo poderia prever a destinação de suas receitas financeiras à área da educação, em especial a pesquisas para o avanço científico e tecnológico, particularmente em energias limpas e tecnologias poupadoras de gás carbônico.
Não é por aí, porém, que vai o projeto do governo. Para a gestão do fundo a proposta cria um conselho com pessoas nomeadas pelo presidente da República. Submetido ao Executivo, sem regras claras, o fundo poderá aplicar seus recursos em ativos no Brasil ou no exterior, recursos que poderão acabar por alimentar os orçamentos anuais e plurianuais da União, o que abre espaço à ingerência política na sua destinação. Não é esse, seguramente, o modelo norueguês.
O risco maior de politização, todavia, está na criação de uma nova empresa estatal, a Petro-Sal, diretamente subordinada ao Ministério de Minas e Energia. Será o Ministério que indicará ao Conselho Nacional de Política Energética as áreas nas quais se aplicará o regime de partilha (mesmo fora do pré-sal). Será o Ministério também que indicará a direção executiva da nova empresa. À Petro-Sal caberá a presidência do comitê gestor que supervisionará cada projeto de exploração, sob o regime de partilha. Em suma, o novo arranjo reduz ao mínimo o papel da ANP, cria uma outra estatal, sem que se saiba de onde virá a sua competência técnica, e dá muitos poderes ao Ministério de Minas e Energia.
À Petrobrás são reservados 30% de participação mínima obrigatória em qualquer consórcio, bem como o status de operadora única dos campos do pré-sal. Com isso se força a empresa a fazer investimentos que podem não lhe convir (uma das razões pelas quais a União busca tortuosamente capitalizá-la), fecha-se o espaço à maior participação privada e ampliam-se os incentivos a relações privilegiadas entre fornecedores e a estatal.
E a partilha? Como os custos de operação serão ressarcidos pelo governo, não afetando o lucro operacional das empresas, que dependerá exclusivamente do volume da produção e do preço do barril in natura comprado pelo governo, haverá menor incentivo à eficiência nos projetos de exploração. Haverá ainda, na melhor hipótese, uma tensão permanente entre o comitê gestor dos projetos, de um lado, interessado no menor custo de produção possível, e as empresas (inclusive a Petrobrás), de outro, não necessariamente interessadas. Ainda assim, admitindo que a partilha resulte em maior renda para o Tesouro, o que ainda não ficou provado, resta o problema da comercialização dos barris in natura pelo governo, mais um ponto de potenciais imbróglios político-empresariais.
Conclusão: sobram aspectos pouco claros no projeto, sobretudo quanto às suas consequências, e falta ainda debate profundo e prolongado para que possamos aprovar, com convicção e tranquilidade, uma lei que pretende alterar um regime de exploração até hoje vitorioso. É preciso discutir mais e melhor, no Congresso e na sociedade.

ELIO GASPARI

Um calote cruel, vindo da nata da elite

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09



300 maganos receberam US$ 60 milhões da Viúva e decidiram ficar no exterior depois de concluir seus doutorados


ESTÁ SAINDO a preço de custo a malandragem de 300 professores que receberam bolsas do CNPq e da Capes para cursar doutorado no exterior e calotearam o governo. Cada um deles custou US$ 200 mil e viajou com o compromisso de retornar ao Brasil. Não voltaram nem devolveram o dinheiro. Um golpe de US$ 60 milhões.
A cada seis meses o CNPq, a Capes e o Tribunal de Contas chamam a atenção para esses casos, mas o assunto sai da agenda. Trata-se de uma chaga para a comunidade acadêmica brasileira, envolvendo a nata da elite intelectual do país. O grupo de espertalhões não chega a 4% dos beneficiados pelos programas de estímulo à pesquisa e, na maioria dos casos, essas bolsas foram concedidas antes de 1998.
Alguns doutores não retornaram por falta de empregos decentes por cá. Tudo bem. Bastaria ressarcir a Viúva. O CNPq oferece o parcelamento da dívida em até 60 meses, e esse acordo foi aceito por dezenas de ex-bolsistas, menos pelos 300 caloteiros.
Sugestão: o CNPq e a Capes poderiam colocar na internet e lista dos doutores condenados pelo Tribunal de Contas. Mais: abrindo-se um inquérito, a
Polícia Federal poderia mandar um ofício à universidade que hospedou cada um deles, comunicando que está atrás do magano.

A DIPLOMACIA DAS CANHONEIRAS DE 1894

Está nas livrarias "Comércio e Canhoneiras Brasil e Estados Unidos na Era dos Impérios (1889-1897)", do professor americano Steven Topik. É uma obra excepcional. Ele conta uma história de interesses comerciais e picaretagens internacionais que começou com uma rebeldia naval na baía de Guanabara e transformou-se no primeiro êxito do imperialismo das canhoneiras americanas sobre as potências europeias.
Durante a Revolta da Armada (1893-1894), a Marinha dos Estados Unidos manteve nas águas do Rio de Janeiro um terço de sua frota, ou cinco sextos de sua força do Atlântico Sul. Os americanos eram neutros a favor do marechal Floriano Peixoto, o primeiro ditador da República. Os europeus e a banca, neutros contra. Prevaleceu o almirante Andrew Benham, que detonou o bloqueio da baía imposto pelos rebeldes e, com quase toda a certeza, convenceu Floriano a convocar eleições. (Suas mensagens continuam codificadas.)
Topik mostra um cenário surpreendente para quem vive conformado com a teoria da estagnação brasileira ao fim do século 19: Pindorama tinha a nona rede ferroviária do mundo, superada só pela Índia entre os subdesenvolvidos e, dentre eles, só perdia para a Argentina como captador de investimentos estrangeiros. Seus papéis tinham uma taxa de risco inferior às de muitas nações europeias.
Floriano sai do livro tão nacionalista quanto se acredita que foi e menos férreo do que fizeram crer seus áulicos. Em vez de receber a ajuda estrangeira "a bala", aceitou a mão americana e gastou milhões de dólares armando uma frota de mercenários. Seu principal agente embolsou (como de hábito) uma boa comissão na compra dos armamentos. O livro de Topik traz de volta um interessante personagem. É o magnata americano Charles Flint, que organizou a armada governista. Ele era sócio da companhia que controlava o jornal "The New York Times" e da empresa que mais tarde viria a se chamar IBM.
Como acontece com as grandes obras sobre a história do Brasil, "Comércio e Canhoneiras" mostra que ela é bela e rica, desde que seja contada direito.
P.S.: Está solto pelo menos um maluco que sustenta a teoria segundo a qual há na história do Brasil personagens que mudam de nome, mas são a mesma pessoa. Por exemplo: Diogo Feijó, Floriano Peixoto e Ernesto Geisel. (Geisel admitiu essa possibilidade. Feijó e Floriano não puderam ser consultados.)

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e alistou-se nas brigadas internacionais de combate ao bolivarianismo. (Ele não sabe o que isso quer dizer, mas também não conhece quem saiba.) O idiota entende que são bolivarianos os presidentes Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Todos mexeram na Constituição para prorrogar suas permanências no poder, ad referendum de resultados eleitorais.
Ensinaram-lhe que jamais foram bolivarianos os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, que também mudaram as Constituições de seus países para buscar a reeleição. Por algum motivo, o colombiano Álvaro Uribe, que, pela segunda vez, está fazendo a mesma coisa, também não é bolivariano.
Eremildo é um idiota feliz, mas teme ser internado por conta da última ideia que lhe passou pela cabeça: o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, seria um bolivariano ao defender a mudança da lei da cidade para buscar o direito de disputar o terceiro mandato.

TRAPALHADAS
O governador José Serra, candidato a presidente da República, classificou de "tremenda trapalhada" a ação do Itamaraty no caso do abrigo concedido ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Como diz o doutor Marco Aurélio Garcia: uma pessoa bateu à porta da embaixada brasileira e a porta se abriu. Serra deixou de lado as "minúcias" e esqueceu-se da mãe de todas as trapalhadas: o golpe hondurenho. Logo ele, que teve sua integridade física ameaçada por dois golpes e garantida pelos institutos do direito de asilo e da imunidade diplomática, no Brasil, em 1964, e no Chile, em 1973.

LULA E CUBA
Nosso Guia fez muito bem ao encarar os golpistas hondurenhos, mas pode fazer mais. Como em 2007 sua
Polícia Federal deportou dois boxeadores que tentaram fugir de Cuba, bem que ele poderia dar uma palavrinha ao companheiro Raúl Castro para permitir que a escritora Yoani Sánchez venha ao Brasil para o lançamento de seu livro "De Cuba com carinho". O blog da moça, "Generación Y", é uma das poucas luzes livres da ilha. Cuba vive no regime do sambista Moreira da Silva: "Quem está fora não entra, quem está dentro não sai". (Como diria o comissário Tarso Genro, os dois pugilistas voltaram para Cuba porque quiseram. Pois é. Sem a Polícia Federal a aconselhá-los, voltaram a fugir.)

A CRISE
Uma brasileira viu e conta: "Às 20h do último dia 15 um cidadão estacionou seu carro na calçada da praça em frente ao Hotel Plaza, no coração de Nova York, dobrou uma nota e deslizou-a para a palma da mão de um policial devidamente fardado".

SEGURO DESASTROSO
A seguradora ACE, valendo-se de exigências da burocracia de Superintendência de Seguros Privados, está pegando pesado com algumas famílias de vítimas do desastre da Air France, ocorrido em junho. Enquanto várias seguradoras indenizaram os herdeiros de seus clientes antes mesmo do encerramento das buscas, a ACE não paga o que contratou se os familiares não apresentarem cópias do exame necroscópico (o atestado de óbito não basta, apesar do corpo ter sido identificado). Pior: pede também o Boletim de Ocorrência do desastre e uma cópia completa do inquérito policial.

OTIMISMO

CLÓVIS ROSSI

"Down there" e primeira classe

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09



ESTOCOLMO - Um dia de 1997 aportei em Amsterdã para cobrir uma cúpula da União Europeia. Peguei a credencial, pendurei no peito e fui tentar entender o mapa das tendas instaladas em um parque público da cidade, que seriam o QG do encontro.
Aproxima-se um jornalista holandês, vê "Brazilie" escrito na credencial, abre o olhão e diz: "You came all the way from down there just to this?". Tradução livre: "Você veio lá do fundão do mundo para isto?". Interpretação mais livre ainda: "O que um bugre está fazendo no meio dos brancos?".
Nos 12 anos seguintes, o "Brasil" no meu peito, nas credenciais de cúpulas, passou a ser cada vez menos "down there", em Hokkaido, no Japão, e Áquila, na Itália, em Londres como em Pittsburgh.
Sou, portanto, testemunha viva da história da transformação do Brasil de "down there" para "primeira classe", como disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após "o Rio derrotar Obama", segundo a manchete de ontem do "Financial Times".
Mas, olho, nada de perder a perspectiva: os que fizeram a viagem são poucos, pouquíssimos políticos, um bom número de diplomatas e funcionários públicos graduados, um número crescente, mas ainda pequeno de empresários. É uma vanguarda que, se olhar para trás, verá que a grande massa ainda come poeira "down there".
PS - A partir de amanhã, o titular deste espaço passa a ser Fernando de Barros e Silva, que já o ocupava às segundas-feiras e editava o caderno Brasil. Mas não se entusiasme muito porque eu continuarei aparecendo por aqui aos domingos e quintas-feiras, além de inaugurar uma coluna, aos sábados, no caderno Mundo, o meu habitat predileto desde criancinha (literalmente).
Não por acaso, chama-se "Janela para o Mundo" a coluna eletrônica que assino na Folha Online nos demais dias da semana

PAINEL DA FOLHA

Onde pega

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/10/09

Líderes governistas concentram sua preocupação num ponto do projeto que estabelece o sistema de partilha para a exploração do petróleo do pré-sal: a constitucionalidade da norma que garante à Petrobras o status de operadora única dos campos. Mesmo na base aliada não há consenso sobre o assunto. A pressão das empresas petroleiras privadas é enorme.
Na tentativa de dar aos deputados argumentos para votar a favor do texto tal como está, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, irá na terça à comissão especial que discute o marco regulatório acompanhado pela assessoria jurídica da empresa. Na quarta será a vez de a AGU, que ajudou a estudar o tema e formatar o modelo adotado, comparecer à comissão.


Prazo
. O relator do projeto sobre o sistema de partilha, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pretende entregar seu texto no próximo dia 22, para que haja tempo de discuti-lo e levá-lo ao plenário entre 2 e 10 de novembro.

Santo remédio. De um auxiliar de Lula, sobre a escolha do Rio para abrigar a Olimpíada de 2016: "Esse negócio vai acabar com o bico do Sérgio Cabral por causa dos royalties do pré-sal".

A boa filha... Na semana em que Lula enquadrou Ciro Gomes, levando o deputado a transferir o domicílio eleitoral para São Paulo, Dilma lançou ofensiva para cortejar o PDT, que vinha se oferecendo para ocupar o posto de vice numa chapa presidencial ancorada por Ciro. Sexta, em passagem pelo Rio, a pré-candidata do PT aproveitou para tomar café da manhã com a base governista na Assembleia acompanhada do ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

... à casa torna. E nesta semana Dilma, ex-pedetista, jantará com os deputados federais do partido, de novo escoltada por Lupi. O ministro era o nome que vinha sendo cogitado para vice de Ciro.

Time. Em Ribeirão Preto, Gilberto Kassab (DEM) referiu-se a Aloysio Nunes Ferreira como candidato a governador. A vaga é cobiçada tanto pelo chefe da Casa Civil quanto por Geraldo Alckmin, desafeto do prefeito paulistano.

Em aberto. Enquanto uma das vagas do campo demotucano na eleição para o Senado por São Paulo já é de Orestes Quércia (PMDB), a outra ainda será objeto de muito debate. Hoje, um nome que frequenta a bolsa de apostas é o do secretário da Educação, Paulo Renato (PSDB).

Carimbado. Quem acompanha o processo sucessório na Advocacia Geral da União avalia que a cotação de Luís Inácio Adams, atual procurador-geral da Fazenda Nacional, caiu devido à sua proximidade com o ministro Guido Mantega. Lula estaria inclinado a colocar no posto alguém ligado diretamente a ele.

Por fora. Com a dúvida sobre Adams, no entorno do presidente ganha força o nome de Sérgio Renault, o preferido do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Atestado. Causou espécie a insistência de deputados enviados a Tegucigalpa em tirar fotos ao lado do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Na embaixada brasileira, suspeita-se que elas serão usadas na campanha como prova de "compromisso com a democracia".

Rombo 1. Os técnicos do PSDB estimam que deverá custar R$ 800 milhões por ano aos cofres da União a onda de federalização de funcionários dos ex-territórios. Só com os de Rondônia, o gasto mensal será de R$ 40 milhões.

Rombo 2. A federalização dos servidores de Rondônia aguarda votação em segundo turno na Câmara. No primeiro, só três deputados foram contra. Apesar de a ideia arrepiar os caciques tucanos, o líder José Aníbal (SP), rondoniense, votou a favor.
com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

"Ninguém é obrigado a assinar. Mas retirar assinatura é falta de caráter. Vamos mostrar a cara desses sujeitos que têm voto do produtor rural e traíram suas bases."
Do deputado ABELARDO LUPION (DEM-PR), sobre a manobra governista para retirar assinaturas do requerimento da CPI do MST.


Contraponto

Percepções

Senador da base aliada almoçava com jornalista dias atrás em restaurante de Brasília. Frequentador do local, ele foi abordado pelo garçom em tom familiar:
-Ô, senador, nós temos de fazer o novo presidente, hein? O Lula tem de fazer o novo presidente!
-Claro! Vamos eleger a Dilma. Pode deixar.
-Essa Dilma não, senador. Eu acho que o Ciro Gomes é melhor do que ela.
-Mas por quê? A Dilma é muito boa!
-Ah, ela é muito diferente do Lula, senador! Essa Dilma é daquelas que só viram rio cheio na vida. Ela não sabe o que é um rio vazio.

GOSTOSA


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JOÃO UBALDO RIBEIRO

De bem a pior


O GLOBO - 04/10/09


Diante do portão ainda fechado, olho por entre as grades do edifício e avalio a rua. Poucos passantes, alguns porteiros varrendo a calçada, tudo indica que o temido encontro será evitado novamente. Tem dado um pouco de trabalho, mas venho conseguindo driblá-la com eficácia e faz tempos que não a vejo. Bem verdade que, paradoxalmente, tenho uma certa saudade dela, mas sou obrigado a reconhecer que fico aliviado por não vê-la, é melhor assim. Inspeção concluída, tomo coragem e saio andando em direção à banca de jornal, aonde chego sem problemas e da qual volto devagar, espiando distraidamente as manchetes e sem suspeitar do que me espera, depois de dobrar a esquina de minha rua.

– Ah-ha! – soa uma voz feminina enquanto recebo um puxão na manga da camisa e logo concluo que desta vez não consegui escapar, é ela novamente. – Andava se escondendo, hein?

– Me escondendo? Não, claro que não. Por que eu haveria de me esconder?

– Porque não está cumprindo sua obrigação, é por isso! Eu confesso que não esperava isso de você, mas fato é fato, e o fato é que você não está cumprindo sua obrigação.

– Não entendi, não sei de obrigação nenhuma que eu não esteja cumprindo.

– Sua obrigação de descer o cacete nessa corja, é essa a obrigação que você não está cumprindo.

– Bem, eu não acho que tenho essa obrigação. Além disso, o sujeito cansa de dar murro em ponta de faca sozinho. A impressão que eu tenho, pela leitura de jornais, é que está todo mundo satisfeito, com uma exceçãozinha aqui ou ali.

– Está todo mundo o quê? Satisfeito? Satisfeito com quê, com o governo? Eu pergunto a você: qual é a grande realização desse governo, além de uma Legião Brasileira de Assistência turbinada, qual é? O que é que mudou?

– Bem, assim de cabeça é difícil lembrar.

– Então eu ajudo, vamos lá. Mudou a educação? O ensino público está uma beleza, o povo está cada vez mais educado, os professores são bem pagos, fizeram uma grande reforma, não foi?

– Eu sei que não é bem assim, mas...

– Mas nada, não tem “mas” nenhum nessa conversa, é tudo um horror mesmo e, quando acham um colégio melhorzinho, dá reportagem no Fantástico, é caso de comemoração. E saúde, a saúde vai bem, não vai? Todo mundo atendido, não tem mais esse negócio de dormir na fila ou esperar meses por uma consulta, tem?

– Você está sendo irônica, eu...

– Segurança, tem segurança? Onde é que você está seguro? Dentro de casa, não está seguro. Na rua, não está seguro. No ônibus, não está seguro. No restaurante, não está seguro. No hospital, não está seguro. Nem numa delegacia ou num quartel, porque vão lá e jogam uma bomba! Onde é que não assaltam e, se quiserem, torturam e matam, me conte, onde é? A polícia já aconselha a não sair com documentos, fazer o que o assaltante manda e assim por diante. Agora eu estou esperando que também aconselhem a gente a manter em casa um lanchinho para agradar os assaltantes. Melhor ainda, um brunch, que é mais chique e mais moderno. Uns drinquezinhos, uns brioches, tudo para os assaltantes não se aborrecerem. No futuro vão aparecer manuais e matérias de jornal com cardápios especiais para esse caso.

– Taí, você falou em futuro e me lembrou. Tem o pré-sal também.

– Tem, tem. Ninguém sabe direito se vai dar para extrair esse petróleo e, se der, como é que vai estar o petróleo daqui a dez ou quinze anos. O futuro não era o etanol, não eram as fontes de energia renováveis? Agora não é mais, é o petróleo mesmo, não é? Tão certo quanto as eleições que vêm aí.

– Você não está sendo um pouquinho pessimista, não? As próprias eleições são uma esperança.

– São, são. Esperança de que entrem ladrões novos, para substituir os velhos, isso é importante, é sempre interessante observar as gerações mais jovens se firmando. E os métodos de roubar com certeza vão mudar também, nada de saudosismo, vamos aos novos paradigmas da corrupção, o Brasil não pode ficar para trás.

– Olhe aí, você trouxe outra coisa à baila, o Brasil hoje é outro, no panorama internacional.

– É, eu sei, é o país dos barbudinhos exóticos, os gringos gostam muito, se divertem bastante. E ainda nos empurram os bagulhos deles.

– Que é isso, também não é assim.

– Eu sei, é pior. Agora, com a embaixada brasileira em Honduras transformada em quartel-general da cucarachada, com essa cafajestada diplomática toda, está uma beleza, somos alvo do respeito universal, não é, não? E os gringos também acreditam nesse papo de que “não sei de nada”, “não ouvi nada” etc. e tal.

– É, já vi que você hoje está mesmo com toda a corda.

– Ao contrário de certos escritores que eu conheço. E já que, ao que parece, você também está achando tudo ótimo, pelo menos ponha na sua coluna um título que seja fiel à situação do Brasil de hoje. Eu lhe ofereço um de graça. Que tal “de bem a pior”?

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

A revanche das luas


O GLOBO - 04/10/09

No seu livro Longitude Dava Sobel narra a competição havida no século dezoito para a criação de um método confiável de medir a longitude. A questão era tão importante para a navegação em alto-mar, e portanto para a marinha de guerra e o comércio marítimo da Inglaterra, que o parlamento britânico estabeleceu um grande prêmio em dinheiro para quem encontrasse a solução. Toda a pesquisa nesse sentido foi feita por astrônomos, que buscavam na relação das luas da Terra e de Júpiter com o Sol e com certas estrelas guias as coordenadas que definiriam a longitude, e alguns dos seus métodos tiveram sucesso. Mas quem afinal encontrou a solução definitiva foi um relojoeiro chamado John Harrison, inventor de um mecanismo que, mantendo o horário do porto de partida para ser comparado ao horário de bordo, dava a localização da embarcação, com oscilações mínimas devido ao movimento do mar ou às variações de temperatura. Com a vantagem adicional de continuar funcionando quando o mau tempo encobria as luas, as estrelas e as coordenadas celestes.

Apesar de hoje ser considerado um dos grandes cientistas do seu tempo, Harrison foi boicotado pelos seus pares e sacaneado pela Royal Society, cujos membros, na sua grande maioria, preferiam a astronomia à relojoaria. E no fim, nem lhe deram o prêmio.

O que houve durante a grande competição, portanto, foi uma briga entre o céu e a terra. Entre a engrenagem dos astros e seus divinizadores e um engenho humano que dispensava a ajuda vinda de cima. Durante anos – embora, claro, a medição pelos astros continuasse sendo usada na navegação –, diferentes versões da invenção de Harrison fixaram a longitude e asseguraram a precisão do posicionamento dos barcos no mar.

Aí inventaram o GPS, que, se não me falha o Google, quer dizer Sistema Global de Posicionamento em inglês, e mostra a quem quiser saber exatamente onde está na superfície do planeta, seja na terra ou no mar. Desde que inventaram o controle remoto – ou antes, com a pasta de dente listada –, eu sou um embasbacado pela engenhosidade humana, mas acho que até hoje nada me embasbacou mais do que o GPS. Que não apenas nos mostra como nos diz onde estamos a qualquer momento – na língua que escolhermos! O GPS só é possível pela existência de satélites em órbitas estacionárias sobre nossas cabeças. E os satélites nada mais são do que pequenas luas artificiais.

É o contra-ataque do céu na velha competição. A revanche das luas.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não houve fragilidade da segurança do Enem”
PRESIDENTE-RESPONSÁVEL PELA PROVA, ITANA SILVA, APÓS VAZAREM AS QUESTÕES DO ENEM

PEDOFILIA: DEPUTADO QUERIA SE CASAR COM MENINA
Cassado quinta-feira, o ex-deputado estadual Wallace Souza (PP), do Amazonas, terá de explicar – além de suspeita de assassinatos – acusações de pedofilia. O senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pedofilia, decidiu convocá-lo para explicar mensagens de MSN (mensagens instantâneas), encontradas pela polícia em seu computador, propondo casamento a uma menina de apenas 13 anos.
CRIME ONLINE
A transcrição da conversa no MSN, em posse desta coluna, do ex-deputado com a menor mostra que ele a conheceu na internet.
CIUMENTO
Quando indagada por um amigo sobre a possibilidade de conhecer Souza, a menor reage com medo e avisa do ciúmes do “namorado”.
SEGURANÇA
Em uma conversa com o mesmo amigo, a menor de idade afirma que saía com o deputado Wallace Souza e seus “seguranças”.
MÃE DOS POBRES
O Brasil deu US$ 50 mil à Fundação para a Infância da república africana de Mali, presidida pela primeira-dama Touré Traoré.
COMBUSTÍVEL ‘LIMPO’ VIRA CASO DE POLÍCIA NO SUL
O engenheiro Thomas Fendel pode ir ao Supremo Tribunal Federal contra a apreensão absurda, em Santa Catarina, esta semana, de um de seus “carros limpos”. Movido a diesel e óleo de canola, o carro OV não pode circular, dizem autoridades, porque o diesel (“sujo”, derivado de petróleo) é proibido em carros pequenos. Barato e não poluente, o combustível, roda clandestinamente em centenas de veículos no País.
TIO PATINHAS
O motor de carro movido a óleo de canola é uma uma das invenções de Thomas Fendel, “tio Patinhas” paranaense de 51 anos.
LUCRO PARA TODOS
A polícia mandou retirar o motor OV e trocar por gasolina. O carro faz 20km com óleo de fritura – pequenos agricultores lucrariam produzindo.
NO PAÍS DO PRÉ-SAL
Fendel banca sozinho há 30 anos o sonho da bioenergia, no País do pré-sal distante. A Alemanha tem cem mil carros movidos a OV.
O EXEMPLO DE REBELO
Quando presidiu a Câmara, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB) trancou a PEC da Picaretagem dos Vereadores, barrando a tramitação. “Comigo, isto não passa”. O sucessor Arlindo Chinaglia (PT) tirou-a da gaveta.
DILMA QUEM?
O mar não está prá peixe para a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na Bahia. O governador Jaques Wagner (PT) já preveniu os caciques petistas que a candidata não entusiasma o eleitorado baiano.
DIFERENÇA
Enquanto a indústria automobilística do Brasil comemora recorde de vendas em setembro, nos EUA as três maiores montadoras amargam queda de até 45% nas vendas em relação ao mesmo mês em 2008.
NAS ASAS DO 51
O presidente Lula vai a Estocolmo, dia 6, para um encontro com o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt. O meio-ambiente e a crise financeira e acordos bilaterais serão discutidos.
O ROMBO DO FAT
Enquanto o governo alardeia queda no desemprego, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) acumula um rombo de R$ 7,8 bilhões. Justamente porque foi convocado a bancar o seguro desemprego.
NA ATIVIDADE
Continua ativa a boate Help, na Av. Atlântica, em Copacabana, onde o governo do Rio anunciou que instalaria um museu. O movimento caiu, mas nem tem data para ser fechada, dizem as moças de fino trato.
CAMPANHA 2010
A ministra Dilma Rousseff estava no programa Arena SporTV, do canal pago, enquanto era anunciada a vitória do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas. Aproveitou a alegria e entusiasmo para enfatizar a necessidade de “dar continuidade” ao bom trabalho do governo Lula.
A BOLSA É A VIDA
Bate a Hermès Birkin, de crocodilo e diamantes (R$ 253,4 mil), a The Urban Satchel Louis Vuitton (R$ 316,7 mil) e a Chanel Diamond Classic (R$ 551,2 mil). É a Bolsa-Família: custa-nos R$ 11 bilhões.
PENSANDO BEM...
...Zelaya não tem cabeça, só chapéu.

PODER SEM PUDOR
PROFESSOR ALOPRADO
Jânio Quadros lecionava Português e Geografia no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Era tão exigente que os cadernos dos alunos precisavam estar sempre em dia e bem cuidados. Certa vez, um estudante apresentou um caderno rabiscado e rasurado. Ele manifestou toda sua intolerância:
– Retire-se!
Embaraçado, o aluno se dirigia à porta quando Jânio foi ainda mais ríspido:
– Pela janela! O senhor não é digno de cruzar essa porta!...

DISPUTA

DOMINGO NOS JORNAIS

- Globo: Brasil já tem projeto para multiplicar ouro em 2016


- Folha: 17 milhões de brasileiros admitem ter vendido voto


- Estadão: MEC vai mudar Enem em 2010 para evitar fraudes


- JB: Jogos dobram investimentos


- Correio: Plano de saúde de 250 mil servidores corre risco