quarta-feira, setembro 09, 2009

FERNANDO RODRIGUES

Previsibilidade democrática

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/09



BRASÍLIA - Uma das características mais relevantes de um país democrático é a estabilidade das regras. O ambiente fica previsível.
Os três Poderes são responsáveis por um ambiente assim. Durante anos, Congresso e Executivo fizeram o oposto na política. A partir de 1994, houve uma decantação. O Brasil passou a ter uma eleição regular a cada quatro anos para presidente e governadores de Estado.
Nos últimos tempos, o Poder Judiciário assumiu a linha de frente da imprevisibilidade. No recente caso de Antonio Palocci, o Supremo Tribunal Federal rejeitou a denúncia contra o ex-ministro por considerar não haver indícios sólidos de sua participação num episódio de quebra de sigilo bancário.

Mas semanas antes de absolver Palocci o STF decidiu de maneira inversa ao aceitar a abertura de processo contra o deputado federal Lira Maia (DEM-PA). Só havia indícios inconclusivos contra o político paraense (como no episódio de Palocci), e o caso foi avante.
Hoje, o Supremo novamente pode emitir um sinal trocado ao julgar o italiano Cesare Battisti. Acusado de terrorismo na Itália, ele recebeu refúgio do governo brasileiro. Os ministros do STF ensaiam anular essa condição e ordenar a extradição. Se esse for o desfecho, haverá um conflito com julgamento sobre tema similar em 2007.
Há menos de três anos, o STF rejeitou o pedido de extradição para Olivério Medina, acusado de ter conexão com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Tal como Battisti, o colombiano havia obtido refúgio do governo brasileiro.
É direito líquido e certo do Poder Judiciário decidir de maneira livre e soberana. Também é comum e aceitável uma corte evoluir de uma posição para outra. Essas mudanças só não combinam com a previsibilidade jurídica da democracia quando ocorrem de maneira brusca, ilógica e frequente. Aí, é necessário refletir. Algo não anda bem.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


RUY CASTRO

Babette vai à guerra

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/09

RIO DE JANEIRO - Em 1959, os franceses fizeram um filme, "Babette Vai à Guerra", em que Brigitte Bardot vive uma jovem camareira de bordel, contratada pelos Aliados para se fazer passar pela ex-amante de um general alemão na França ocupada. Um agente da Gestapo descobre sua identidade, mas não a impede de continuar espionando o general, que eles suspeitam integrar um complô contra Hitler.
A graça do filme estava em que, pela primeira vez, Brigitte não ficava pelada em cena, e só restava à plateia imaginar o que se escondia sob aquelas fardas de soldado e paraquedista. Havia também o fato de Brigitte, que até então ninguém acusara de atriz, estar representando um papel "sério".
Os franceses devem ter se lembrado de "Babette" ao fechar a venda para o Brasil de 36 aviões de combate, a fabricação de 50 helicópteros de transporte e a parceria na construção de uma base naval, um estaleiro e cinco submarinos, um deles nuclear, pelo módico preço de R$ 31 bilhões. Para realçar seu papel "sério" na parceria, o Brasil não precisará ficar pelado em cena. De tanga, talvez.
Lula justificou a transação, que já se discutia havia 11 anos, como necessária para proteger as reservas de petróleo na camada do pré-sal, descobertas apenas outro dia, e as riquezas da Amazônia. Pelo visto, logo teremos enxames de caças e submarinos varejando o Rio e a bacia amazônica. Era bonitinho também ver Brigitte descendo de paraquedas em meio aos coturnos e capacetes alemães.
A parceria inclui transferência de tecnologia francesa para o Brasil. Espera-se que, no pacote, venham instruções para aperfeiçoar o funcionamento da churrasqueira do Alvorada, cujo fiasco privou o presidente Nicolas Sarkozy de saborear as alcatras, picanhas e maminhas em que, aí, sim, somos craques.

RODRIGO TERRA

Vai uma carteira de estudante aí?

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/09



A solução que deveria atrair a atenção do Legislativo, por se sintonizar com a razão de ser da meia-entrada, é a vinculação etária

A COMPENSAÇÃO da desvantagem econômica de quem ainda não disputa o mercado de trabalho porque não concluiu a vida educacional é a verdadeira finalidade da meia-entrada. Ela fomenta o acesso igualitário à cultura e ao lazer e contribui para a formação de quem ainda não tem economia própria.
Para isso, agremiações estudantis e estabelecimentos escolares têm o poder de emitir a carteira de estudante, único documento previsto em lei para obrigar o exibidor a conceder desconto de 50% sobre o preço do ingresso.
Porém, hoje é comum o uso da carteira de estudante por quem não é estudante ou, pelo menos, já deveria ter superado a situação de desvantagem econômica que justifica o tratamento desigual. Assim, compromete percentuais irreais da bilheteria com descontos indevidos e aumenta a inteira.
A procura indiscriminada pelo documento tem levado à exigência da apresentação de comprovante de matrícula ou histórico escolar, caracterizando ato ilícito. No Rio, a Justiça determinou, em liminar com validade em todo o Brasil, que gigante das redes de cinema pagará multa caso insista na exigência.
Mas é inegável que a "farra da meia-entrada" banaliza o instituto de diversas formas. Recentemente, agremiações estudantis têm celebrado convênios com empresas privadas, transferindo-lhes o poder de emitir a carteira de estudante. Estas, por sua vez, usam como atrativo para as suas promoções o "brinde", sem se responsabilizarem pela comprovação da relação que deve haver entre o seu portador e o titular do direito.
Em alguns Estados tem sido aprovada a proibição legal dessa associação, mas não se tem notícia do seu efeito na diminuição percentual da meia-entrada na bilheteria. A disseminação do hábito já é tão vasta que até pela internet se consegue uma carteira de estudante fajuta, mesmo em nome de Bin Laden ou Mickey.
O apelo do acesso fácil pela metade do preço atrai a multidão. A situação tem mobilizado o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, provocando a reflexão e o debate acerca de soluções que preservem a finalidade do instituto, de inegável relevância sociocultural, e evitem que sua banalização seja pretexto para aumentar a inteira, violando o direito do consumidor de pagar apenas o que é devido.
A centralização da emissão da carteira de estudante pela Casa da Moeda e a reserva de percentual da bilheteria para a meia-entrada são medidas previstas em projetos de lei tramitando no Congresso Nacional.
Não há dúvida de que a adoção de um sistema centralizado e unificado de emissão do documento é imprescindível e urgente, pois padronizará a apresentação em todo o Brasil e dificultará sensivelmente a falsificação.
Já a reserva de percentual da bilheteria para a meia-entrada peca por não contribuir decisivamente para inibir sua utilização fraudulenta, sem impedir que quem chegue primeiro e apresente uma carteira falsa tome o lugar do estudante, mesmo diante da desvantagem econômica. Nesse ponto, perduraria o estímulo à obtenção indevida do benefício.
A alternativa que deveria atrair mais a atenção do Legislativo, por se sintonizar com a razão de ser da meia-entrada, ainda que suscite alguma polêmica, é a vinculação etária. Com a reserva apenas ao estudante que tenha até 24 anos do acesso às atividades mediante o pagamento de 50% do preço do ingresso, ficaria bem diminuída a margem de utilização fraudulenta. Essa solução decorreria da interpretação lógica do sistema, que, em outras situações, reconhece a necessidade de facilitar a formação escolar a quem já tendo atingido a maioridade ainda não ultrapassou aquela faixa etária.
É o caso do direito à pensão alimentícia, que, em geral, se extingue com a maioridade, mas é prorrogado, porém, se o alimentando, até 24 anos, ainda for estudante. Ou o direito de descontar da base de cálculo do Imposto de Renda despesas com quem já é maior, mas mantém a qualidade de dependente, desde que, até 24 anos, ainda não tenha concluído a sua formação escolar.
Vinculando a meia-entrada à idade do seu beneficiário, o desconto se aproximaria significativamente da sua finalidade de estimular a formação de quem ainda se prepara para disputar o mercado de trabalho, reduzindo muito a possibilidade de fraude.
A redução do percentual de meias-entradas na bilheteria abriria o caminho para que o exibidor redimensionasse o seu impacto no cálculo do preço médio do ingresso, que, correspondendo à expectativa do consumidor, o atrairia para as salas de exibição e estimularia atividades culturais de relevância inegável para o desenvolvimento de qualquer povo.

RODRIGO TERRA , 44, mestre em direitos humanos pela London School of Economics, é promotor de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro e presidente da Associação Nacional do
Ministério Público do Consumidor.

O IDIOTA E A MENTIROSA

MERVAL PEREIRA

Candidatura empacada

O GLOBO - 09/09/09

O que menos importa na nova rodada da pesquisa de opinião do Instituto Sensus para a Confederação Nacional do Transporte (CNT) é a queda registrada na popularidade do presidente Lula, simplesmente porque não está caracterizada uma tendência nesse sentido. Na rodada divulgada em junho, 81,5% dos brasileiros aprovavam o desempenho de Lula, e agora esse índice caiu para 76,8%, quase cinco pontos percentuais, acima da margem de erro da pesquisa, que é de três pontos percentuais.

As razões para essa queda são muitas, segundo o Sensus: desde a gripe suína até a disputa entre a ministra Dilma Rousseff e a ex-secretária da Receita Lina Vieira, passando pela crise no Senado. Mas toda a badalação propagandística e o nacionalismo anacrônico da campanha sobre o petróleo do pré-sal podem perfeitamente recuperar a popularidade do presidente.

Provavelmente ele já “precificara” essa perda quando entrou de cabeça na defesa do senador José Sarney, se ligando tão ostensivamente a políticos como Renan Calheiros e Collor e os que formam a “tropa de choque” da base governista.

Se levarmos em conta, no entanto, que Lula já teve, em janeiro, uma aprovação de 84%, veremos que lentamente sua cotação vai caindo, embora ainda se mantenha em patamares bastante altos para a média histórica dos governantes brasileiros.

O que pode indicar que nem mesmo o mito Lula pode abusar da opinião pública como ele vem fazendo.

O mais importante da pesquisa, no entanto, é confirmar que a candidatura oficial da ministra Dilma Rousseff não decolou, e nem o ex-ministro Antonio Palocci nem o deputado federal Ciro Gomes parecem ter condições de vir a preencher essa lacuna petista.

A queda de Dilma — de 23,5% em junho para 19% hoje — é agravada por outros dois dados da mesma pesquisa.

A candidata oficial já é amplamente conhecida do eleitorado — apenas 17,1% dizem não saber quem é — e ela tem um índice de rejeição que a coloca muito próxima da inviabilidade eleitoral.

Os técnicos do Sensus dizem que candidato com 40% ou mais de rejeição não emplaca.

Dilma está na faixa de 37,6%, enquanto Serra tem 29,1%. Heloísa Helena com 43%, Ciro Gomes com 40%, Marina com 39% e Palocci com 46% são os outros candidatos na zona de rebaixamento da pesquisa do Sensus.

Se um dos fatores para a queda de popularidade de Lula foi a disputa entre Dilma e a ex-secretária da Receita, e levando-se em conta que a maioria dos pesquisados acredita mais em Lina Vieira do que na ministra, não é errado inferir que a imagem de mentirosa e arrogante que a oposição colou em Dilma está tendo receptividade na opinião pública, e será preciso um forte trabalho de marketing para que a candidata oficial passe a ter uma imagem mais simpática, o que não é tarefa simples.

Outro dado relevante da pesquisa é que a ministra Dilma Rousseff aparentemente atingiu o teto no que se refere à transferência de votos do presidente Lula. Há dois anos ele vem levando Dilma pela mão de palanque em palanque, primeiro colocando-lhe o título de “mãe do PAC”, o que parece que não deu certo, até mesmo porque as obras do PAC não deslancharam.

Agora, a estratégia é jogar toda a força do apelo nacionalista do pré-sal literalmente em seu colo. Mas aí entrou em cena também a candidatura da senadora Marina Silva pelo PV, que desarticulou completamente a estratégia do lulismo de transformar em plebiscito a eleição do próximo ano.

Além de ser uma petista histórica, o que Dilma não é, a ex-ministra é a encarnação da luta pela preser vação do meio ambiente, o que lhe vale um alto índice de rejeição, mas também muita simpatia.

Certamente não é por acaso que a ministra Dilma Rousseff perdeu de junho para cá 4,5% pontos percentuais, praticamente o mesmo índice registrado por Marina Silva na primeira pesquisa do Sensus de que participa (4,8%).

O governador José Serra manteve-se dentro da margem de erro — de 40,4% para 39,5% —, o que indica que a candidatura “verde” retira mesmo votos da candidatura petista.

Para confirmar essa percepção, quando o candidato tucano é o governador de Minas, Aécio Neves, e a senadora Marina Silva está no páreo, Dilma, embora fique em primeiro lugar, cai 4,8 pontos percentuais, enquanto Marina vai para 8,1%.

Uma das críticas que se fazem ao projeto do governo de exploração do pré-sal é que ele não prevê qualquer atuação mais forte para usar esse “tesouro” para alavancar políticas de defesa do meio ambiente.

O deputado Chico Alencar, do PSOL, lembra que uma vantagem no debate dos projetos do pré-sal, “que inclusive impõe que não seja feito a toque de caixa”, será forçar o Congresso a pensar estrategicamente, a “olhar o futuro, a fazer a grande política, a vincular matriz energética com cuidado ambiental e recursos a serem geridos com transparência e controle público”.

Já o ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn tem sugerido em diversos fóruns que “parte dos recursos de uma fonte de energia finita e suja seja usada para a pesquisa e desenvolvimento de fontes renováveis, onde o potencial nacional é imenso e nosso atraso nos investimentos tecnológicos idem”.

Acontece que o governo e a Petrobras estão trabalhando com a hipótese, que tem base em estudos da Opep, de que não haverá mudanças na matriz energética mundial até pelo menos 2030.

O consumo de petróleo continuará nas mesmas bases de hoje, de 85 milhões de barris/ dia, e a demanda que exceder a esse limite é que será atendida pelas novas fontes renováveis de energia.

O governo, portanto, omitese de atuar com uma visão de longo prazo para a proteção do meio ambiente, e aposta em uma visão estratégica que pode ser boa para a Petrobras, mas não necessariamente para o país.

CLÓVIS ROSSI

Nosso tecido, "nossos" aviões

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/09



SÃO PAULO - Se a a França ganhou a corrida para vender aviões (os "Rafale") ao Brasil porque concordou em transferir tecnologia, pode estar vendendo ouro de tolo. É o que se diz na França.
Christian de Boissieu, presidente do Conselho de Análise Econômica e membro do Conselho Econômico de Defesa, produz a seguinte frase, para a edição on-line de ontem da revista "Le Point": "Supondo que o Brasil queira construir seu "Rafale"... Primeiro, isso não se fará imediatamente e, no dia em que se fizer, me parece que nós já teremos passado ao avião do futuro."
Qual é a graça, então, em comprar aparelhos que são bem mais caros do que os da concorrência se, na hora em que de fato se materializar a transferência de tecnologia, os aviões já serão obsoletos?
É um motivo a mais para cobrar transparência das autoridades e discussão no Congresso, temas que impregnaram todo o noticiário de ontem desta Folha.
Mas, do meu ponto de vista, a dúvida é de outra natureza. Se o objetivo das compras anunciadas é consolidar a hegemonia militar regional, como parece lógico, para que servirá?
Atende uma mentalidade que olha para o passado, para o que Marcos Nobre chamou de "cultura das armas". O Brasil deveria estar olhando é para o que o presidente Barack Obama chamou ontem de "transição para uma economia do século 21" -e que ele pretende pôr no topo da agenda para a cúpula do G20 dias 24 e 25 em Pittsburgh.
Como é essa economia? Responde Obama: "Inovação em alta tecnologia -o que inclui tecnologia verde, educação e treinamento- e pesquisa e desenvolvimento".
Obama citou, entre outros exemplos, que laboratórios médicos de Pittsburgh avançam em regeneração de tecidos. O que você prefere: "Rafales" ou regeneração de tecido humano?

GOSTOSA

TODA MÍDIA

Tietê e os dois irmãos

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/09



Na Record e na Band, os telejornais do início da noite narraram, com helicópteros e câmeras por toda São Paulo, a "tragédia" e o "caos". Abriram pelos alagamentos em diversos bairros, depois focaram a Marginal Tietê, "que há muito não vivia situação assim", segundo o âncora Reinaldo Gottino, no "SP Record". "Faz tempo que não vejo o Tietê transbordar", ecoava José Luiz Datena no "Brasil Urgente".
Mas a tragédia maior estava em outra parte. Com câmera no chão, a Record mostrou o "desespero" nas buscas pelos dois meninos soterrados na Zona Leste, quando "jogavam videogame". Por fim, entrou a imagem do corpo pequeno, levado por bombeiros. A Band surgiu depois, sem a cena, mas com drama, "quem é que devolve a vida dessas crianças?".

Na Globo, primeiro surgiu Fátima Bernardes nos intervalos, com a busca pelos meninos e citando que "os rios Pinheiros e Tietê transbordaram". O "SPTV", depois, começou pelas "duas crianças", ressaltando que a subprefeitura "disse que tentou retirar, meses atrás, mas a família resistiu". No "Jornal Nacional", a prioridade mudou para Santa Catarina.

LIXO
Rodrigo Coca/AE/uol.com.br

No topo do UOL e de outros portais e sites, até a confirmação da morte dos meninos, "Chuva interdita as marginais Tietê e Pinheiros", manchete da Folha Online. Em parte ao menos, pelo lixo acumulado


"TORNADO"
No alto das buscas de Brasil por Yahoo News e Google News, "Tornado e tempestades matam 14 na Argentina e no Brasil", despacho da AP. No espanhol "El País", do correspondente em Buenos Aires, "Pelo menos dez mortos na Argentina e quatro no Brasil, por tornado". O texto começa com um relato feito de San Pedro, "O vento arrancou o bebê dos braços de uma mulher".


LULA CAI, EMPREGO SOBE
No meio do dia, as manchetes on-line anunciavam que a "Aprovação ao governo Lula oscila quatro pontos para baixo", segundo UOL e Folha Online, ou "cai", segundo G1 e Terra, com base na pesquisa CNT/Sensus.
Mas o destaque on-line logo passou para "Emprego na indústria volta a crescer", com o levantamento do IBGE, "após nove meses de queda". E no exterior o "Guardian" noticiou que no "mercado global de emprego", segundo o levantamento Manpower com empregadores ao redor do mundo, a Índia surge como país com maior perspectiva de recuperação, pós-crise. O Brasil é o segundo.


E O DÓLAR AFUNDA
telegraph.co.uk
A moeda, no "Telegraph"
No "Wall Street Journal", "Dólar afunda diante de rivais", com "aposta de que o resto do mundo sai da recessão antes dos EUA".
No britânico "Telegraph", o editor de economia opinou que a ideia da ONU de trocar o dólar por moeda global "devia ter vindo antes". No mesmo jornal, ecoando em sites americanos, a China se disse perplexa com a manutenção pelos EUA da política de imprimir dólares para "liberar crédito".
Ao fundo, destacaram "WSJ" e outros, os EUA foram derrubados do posto de "economia mais competitiva" pela Suíça. E "líderes emergentes como a China e o Brasil elevaram a competitividade, apesar da crise".


"ATOR GLOBAL"
Para o "Le Monde", o acordo Brasil-França sublinha a "corrida armamentista" na região. Como relatou a BBC Brasil , jornais argentinos como "Clarín" e "La Nación" fizeram a mesma avaliação e usaram a mesma expressão, ao informar ontem a compra dos jatos e a parceria.
Também no "Clarín", o analista Rosendo Fraga disse que confirma o Brasil como "único sul-americano com vocação de ator global".

"DESAFINADO"
No editorial "Uma nota de "desafinado" na política de petróleo do Brasil" [A desafinado note in Brazil's oil policy], o "Financial Times" segue no questionamento a Lula "e sua protegida, herdeira e ministra-chefe Dilma Rousseff". Ataca a concentração da exploração do pré-sal na Petrobras, sem a "disciplina do mercado". Diz estar em risco o "esquerdismo pragmático (e bem-sucedido) do Brasil".

DEMÉTRIO MAGNOLI

O dom de iludir

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/09


Sousa Santos é da "nova esquerda". Usa seu dom de iludir para vestir a política de raça com a fantasia de um programa de redenção social

NO VESTIBULAR da UnB (Universidade de Brasília), um hipotético filho do ministro Joaquim Barbosa, do STF, com renda familiar de várias dezenas de salários mínimos, que estudou nos melhores colégios particulares, optante do sistema de cotas raciais, precisaria de menos pontos para ser aprovado que um estudante de escola pública de pele clara, filho de trabalhadores, com renda familiar de três salários mínimos. Como sustentar a constitucionalidade e a justiça disso?
W. E. B. Du Bois, o intelectual americano que fundou o pan-africanismo no início do século 20, interpretava a história como um drama cujos protagonistas eram as raças. Num ensaio que está na origem remota das atuais políticas racialistas, ele formulou a tese de que a raça negra seria salva pela sua elite intelectual: "os talentosos 10%", na expressão escolhida como título do ensaio. Eis aí a única forma intelectualmente honesta de justificar o sistema de cotas raciais na UnB.
Mas a honestidade intelectual é um artigo escasso numa esquerda que não entendeu o significado da queda do Muro de Berlim e continua a hostilizar os princípios sobre os quais se sustenta a democracia.
O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, um dos arautos proverbiais dessa esquerda, invocou a "justiça social" e a "justiça histórica" como argumentos de legitimação do sistema de cotas ("Tendências/Debates", 26/8). É uma opção pelo ilusionismo, que investe na confusão conceitual para ocultar o sentido das políticas de raça.
De acordo com a proposição implícita de Sousa Santos, o hipotético filho de Barbosa figura como representação da massa de pobres pardos e pretos vitimados por uma abolição sem reformas sociais e uma modernização econômica excludente. Sobre essa fundação imaginária, ele apresenta as cotas raciais da UnB como um modelo de ferramenta para o "fim do colonialismo social" no Brasil.
Falta, porém, combinar a justificativa histórica com o antropólogo José Jorge de Carvalho, "pai fundador" do sistema de cotas naquela universidade, que o explicou de um modo singelo: "Aí não há nenhuma discussão do capital, nenhuma proposta socialista, nenhuma proposta renovadora da ordem do capital; todo mundo pode acumular riqueza. Mas, digamos assim, celebra a diversidade. Seja como for, pelo menos alguns passaram a ser bilionários: índios bilionários, latinos bilionários, negros bilionários".
Carvalho é um racialista legítimo, da linhagem de Du Bois. Pretende fazer da universidade um dínamo de geração de elites raciais -e reconhece isso. Sousa Santos é um intelectual da "nova esquerda". Usa seu dom de iludir para vestir a política de raça com a fantasia de um programa de redenção social. E finge desconhecer os inúmeros estudos empíricos que comprovaram, em diferentes países, que os sistemas de preferências raciais beneficiam unicamente a diminuta camada superior do grupo social definido como uma raça.
Relatando a ação de inconstitucionalidade movida pelo DEM contra o sistema de cotas da UnB, o presidente do STF, Gilmar Mendes, sugeriu que a corte reflita sobre o conceito de fraternidade. Sousa Santos enxergou na sugestão uma "inovação importante no discurso do Supremo" e sustentou a ideia de que o programa de preferências raciais institucionaliza uma "fraternidade efetiva". O adjetivo do sociólogo nada significa, funcionando só como um recurso retórico destinado a circundar o dilema de fundo.
A fraternidade invocada por Gilmar Mendes é a da Revolução Francesa.
Antes de 1789, a nação era apenas a aristocracia, entrelaçada por vínculos de sangue e de privilégio que formavam um tipo de fraternidade. Depois da derrubada da Bastilha, a nação foi redefinida como o povo inteiro, unido por um contrato político.
A nova fraternidade proclamada fundou-se na ausência de distinções essenciais entre os indivíduos: a "irmandade dos cidadãos". Eis o motivo pelo qual, no tríptico dos revolucionários, a fraternidade não figurava sozinha, adquirindo significado na companhia da liberdade e da igualdade.
Políticas de preferências raciais podem ser justificadas pelo conceito de fraternidade, mas com a condição de que ele seja traduzido nos termos do "Ancien Régime". A raça é uma fraternidade de sangue: uma irmandade inventada a partir de descendências imaginárias.
Dividir o Brasil em raças oficiais, o pressuposto dos sistemas de cotas raciais, equivale a optar por esse tipo de fraternidade, em detrimento da "irmandade dos cidadãos". É curioso, e um tanto trágico, que se tente sustentar tal programa com um discurso de esquerda. Mas é um sinal dos tempos...

DEMÉTRIO MAGNOLI , sociólogo, é autor de "Uma Gota de Sangue - História do Pensamento Racial" (São Paulo, Contexto, 2009).

O IDIOTA

PAINEL DA FOLHA

Pires na mão

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 09/09/09

Os Estados exportadores ensaiam gritaria contra o veto de Lula a um aporte de R$ 1,3 bi que esperavam ver incluído na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2010 para compensar perdas de arrecadação com a isenção de ICMS nas exportações. Queriam que esse valor fosse adicionado aos R$ 5,2 bi previstos para este ano - totalizando R$ 6,5 bi. São Paulo estima que, sem a dotação, a perda será de R$ 554 mi. Minas fala em R$ 607 mi. O Pará, R$ 350 mi.
O Ministério do Planejamento argumenta que a Lei Kandir, de 1996, previu compensação somente até 2000, e que não há regulamentação para embasar o pleito dos governadores. “Esse debate será feito no Congresso”, diz o ministro Paulo Bernardo.

Ciúme - Nem a Petrobras está satisfeita com o papel atribuído à Petro-Sal no projeto do governo. Assim como as empresas privadas, ela trabalha nos bastidores para derrubar o poder de veto da irmã caçula nos consórcios e a participação em pelo menos 50% dos comitês operacionais de cada bloco de exploração.

Emirado - Dado levado pela indústria aos senadores: os 5 bilhões de barris definidos como valor para a capitalização da Petrobras equivaleriam a tudo o que foi extraído da Bacia de Campos em 32 anos.

Entendeu? - Ontem, na reunião da coordenação política do governo, Tarso Genro disse que alguém “interviu” num determinado assunto. Lula corrigiu prontamente: “Tarso, é ‘interveio’”’. Diante do semblante intrigado do ministro da Justiça, o presidente completou, em tom compreensivo: “Muita gente fala ‘interviu’, mas é ‘interveio’”’.

Libelo - Embora até ontem prevalecesse no Senado a ambiguidade quanto à restrição da campanha eleitoral na internet, estudava-se incluir no texto da reforma um artigo pró-liberdade de expressão.

Militante - Enquanto o PT tenta arranjar meio de impedir a candidatura de Lindberg Farias ao governo do Rio, o prefeito de Nova Iguaçu convoca professores, via Twitter, para uma manifestação contra Sérgio Cabral (PMDB), que em sua opinião paga “uma miséria” aos docentes.

Minerva - Como costuma ocorrer em julgamentos que dividem o plenário do STF, o desfecho do caso Cesar Battisti, hoje, deverá depender em boa medida do poder de convencimento do relator. A previsão é que o ministro Cezar Peluso defenda a continuidade do processo, voto que resultaria pró-extradição.

Antecedente - Em processo que relatou em 2008, a ministra Cármen Lúcia se manifestou favorável a um pedido de extradição apresentado pelo governo do Chile, mas deixou claro em seu voto que a palavra final, nesses casos, cabe ao presidente da República. No caso atual, o Executivo é contra a extradição.

Nada a declarar - Luís Roberto Barroso, advogado de Battisti, nega-se a prever um placar: “Não faço prognósticos desde que, em 1978, ainda no movimento estudantil, escrevi que o mundo caminhava inexoravelmente para o socialismo’’.

Em família - Roseana Sarney (PMDB) nomeou a filha do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), Janaína, assessora de programas especiais do governo do Maranhão. Ela tinha cargo no gabinete do pai, mas teve de sair pós-súmula antinepotismo. Para lembrar: João Fernando, neto de José Sarney e sobrinho de Roseana, também já foi lotado no gabinete de Cafeteira.

Tenho dito - De Campos Machado, presidente do PTB de São Paulo, sobre o esforço de seu correligionário Gim Argello para convencer o tucano Gabriel Chalita a mudar de partido e disputar vaga no Senado: “Respeito o Chalita, gosto demais do Gim, mas o candidato é Romeu Tuma”.

Tiroteio

O governo inventou um factóide de última hora para evitar que a candidatura de Dilma fosse para a camada pré-sal.
Do líder do PPS na Câmara, FERNANDO CORUJA (SC), sobre o fato de o marco regulatório ter sido anunciado uma semana antes da divulgação da nova pesquisa CNT/Sensus, que aponta recuo na intenção de voto de Dilma Rousseff.

Contraponto

Pressão alta

Em meio ao acalorado debate sobre a divisão dos royalties do petróleo a ser extraído da camada pré-sal, deputados governistas e de oposição discutiam no plenário da Câmara a questão da urgência na tramitação dos projetos.
As bancadas do PSDB e do DEM bradavam que as matérias não podiam ser votadas a toque de caixa. Rita Camata (PMDB-ES) reclamava da “pressão de outros Estados” para mudar a partilha. Chico Alencar (PSOL-RJ) resolveu interceder em favor da colega:
- Nós que somos de regiões litorâneas sabemos que sal eleva a pressão. Imagine o que está debaixo dele...

FERNANDO CALAZANS

Ataque de nervos

O GLOBO - 09/09/09

Depois do elogio que fiz ao trabalho de Dunga na seleção brasileira, ouvi dizer que ele teve outro de seus “ataques” durante uma dessas inacreditáveis entrevistas coletivas de técnicos de futebol. Foi quando introduziram o tema da fragilidade da defesa argentina, o que, na mente atormentada do treinador, representava uma depreciação da imprensa ao seu trabalho.
Ainda bem que eu — graças a Deus!!! — não tenho obrigação de presenciar conversas tão sem graça, tão desprovidas de ilustração, de interesse, de algo instrutivo ou de algum conteúdo humano, quanto as conversas dessas tais entrevistas.
Se tivesse a obrigação, talvez lembrasse que não é só a defesa argentina que tem se mostrado frágil, mas também seu meio de campo e até o ataque. Pois foi o que vimos no jogo de sábado — sem querer desmerecer o que Dunga tem produzido na seleção brasileira.

Se já não sinto mais tanto prazer com o jogo da atual seleção brasileira, mesmo vencendo, em comparação a seleções brasileiras de épocas variadas que vi jogar, pior ainda é a comparação entre as diversas seleções argentinas. Não é à toa que a de hoje anda em situação desconfortável na classificação para a Copa.

Messi, um dos melhores jogadores do mundo, está sendo criticado, mas eu, por exemplo, tenho pena de sua solidão no time. E fico também um pouco chocado com elogios que lia e ouvia em relação à dupla Tevez-Mascherano, quando atuava no Corinthians. Tevez, é verdade, ainda vi jogar bem na época. Mas, em relação a Mascherano, cheguei a me considerar um intruso no círculo do futebol, ou um neófito, diante das apaixonadas louvações ao seu futebol de pontapés.


No mais, a seleção argentina tem (bons) jogadores fazendo força para chegar aos 40 anos ainda em atividade, e mais nada. Torço para que se classifique, porque, bem ou mal, da mesma forma que a brasileira, mal ou bem, faz muita falta a qualquer Copa.

Neste momento, porém, a seleção argentina só faz falta aqui porque a qualidade do futebol nas eliminatórias sul-americanas é algo absolutamente lamentável.

Pontapés de Mascherano... E os pontapés de Aírton e Willians, do Flamengo, sem falar em David, que jogou durante pouco tempo domingo.
Diz o Flamengo que Willians será multado por mais uma expulsão. Não creio que multas a jogadores tenham qualquer efeito prático na mudança de comportamento desses jogadores. Assim como não creio que suspender juízes de futebol por um e dois joguinhos, ou por três semaninhas, possa ensinar esses mesmos juízes a apitar jogo de futebol.

Acredito numa conversa séria, numa chamada, num pedido de explicação, numa cobrança, numa exigência severa de que o jogador mude de comportamento e de que o juiz imponha sua autoridade (???) para coibir, por exemplo, a violência no campo e os gestos tresloucados de técnicos à beira deles.
Mas, nos dois casos, é exatamente autoridade o que falta, seja no departamento de futebol do Flamengo, seja na comissão de arbitragem da CBF.

Uma velha (e sábia) raposa do futebol, de laços estreitos com o Tricolor das Laranjeiras, diz que o antigo e grande Clássico Vovô, entre Fluminense e Botafogo, já está sendo chamado de Clássico Gagá.
Vamos ter um no próximo domingo. Será que os seguintes serão na Segunda Divisão? Ela (a raposa) e eu torcemos para que não seja, mas está difícil.

GOSTOSA


TOSTÃO

O revolucionário Dunga

JORNAL DO BRASIL - 09/09/09


Uma das máximas do futebol, que vem desde a época em que se amarrava cachorro com linguiça, e que persiste até hoje, é que um jogo se ganha no meio-campo, dominando o setor, trocando passes e impondo seu ritmo.

Segundo meu irmão, que entende muito do assunto, Dunga está revolucionando o futebol ao formar um ótimo time sem meio-campo. Ironias e exageros à parte, o Brasil venceu novamente a Argentina, com inquestionáveis méritos, sem dominar o meio-campo, sem trocar muitos passes e sem impor seu ritmo. Futebol não é mais imposição.

O Brasil formou novamente uma muralha de volantes na frente dos zagueiros. Recuperava a bola e entregava a Kaká. Assim, saiu um gol e mais dois de bola parada, outra grande virtude brasileira, que independe do meio-campo.

O Brasil não faz muitos gols de bola parada porque treina mais e melhor que os outros. Todos os times e seleções treinam bastante essa jogada. O Brasil faz muitos gols de bola parada porque tem um ótimo cobrador de faltas e escanteios (Elano) e vários outros atletas fortes, altos e bons na cabeça.

Se Mascherano não tivesse marcado bem Kaká, além de fazer muitas faltas, e se Robinho, auxiliar de Kaká nos contra-ataques, jogasse melhor, o Brasil teria feito mais gols desse jeito, como na goleada sobre o Uru guai.

Na véspera do jogo, Maradona e os jogadores diziam que iam pressionar o Brasil, mas que teriam muito cuidado nos contra-ataques e nas bolas paradas. Já estava escrito, há mais de mil anos, como diriam Raul Seixas e Nelson Rodrigues, que o Brasil ganharia o jogo dessa forma.

Muitos vão dizer que a Seleção joga um futebol moderno. É verdade. Mas ainda não é a única maneira de atuar bem e vencer. Outras ótimas e vitoriosas equipes, como o Barcelona, a Espanha e alguns times ingleses, têm uma estratégia oposta à do Brasil. Privilegiam a troca de passes no meio-campo. Fica mais bonito. Mais importante que o estilo é a qualidade dos jogadores.

A turma do oba-oba já começou a ficar eufórica. Dunga está sendo tratado como o novo Bernardinho, o que nunca relaxa. Se o Brasil perder a Copa, mesmo jogando bem, por um lance ocasional ou por um erro do árbitro, muitos dos que exaltam Dunga vão dizer, no mínimo, que o Brasil nunca teve um técnico tão inexperiente em uma Copa do Mundo.

O sucesso, até agora, de Dunga, que nunca tinha sido treinador nem auxiliar de um técnico famoso, é mais uma demonstração de que, para ser um bom e vitorioso treinador, não é necessário, obrigatoriamente, ter experiência, cursar faculdade, fazer um cursinho de técnico pela internet nem ser um obsessivo frequentador do Google.

Mais importante ainda é o técnico saber comandar e saber observar. Dunga mostra, cada dia mais, que sabe. A maneira atual de jogar do Brasil foi planejada ou aconteceu naturalmente, por causa das características dos jogadores?

Deve ter sido as duas coisas. Ninguém descobre nada do nada. As coisas surgem, alguns percebem e vão atrás. Dunga enxerga bem com quatro olhos. Os seus dois e mais os dois de Jorginho.

ANCELMO GÓIS

DESAFIO DILMA

O GLOBO - 09/09/09

Não é só esta pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem que revela queda nas intenções de voto em Dilma.
O pessoal do PMDB circula com uma outra pesquisa, atribuída ao Ibope, em que as intenções de voto na ministra teriam caído de 18% para 13%. O cenário seria assim: Serra, 42%; Ciro, 14%; Dilma, 13%; Heloísa Helena, 7%; Marina Silva, 3%.
NOS EMIRADOS
Vencida a odisseia das Eliminatórias, a seleção brasileira jogará seu primeiro amistoso de preparação para a Copa em Doha, no Qatar, em novembro.
BOA VIAGEM
O casal de historiadores José Murilo de Carvalho e Norma Cortes partiu para temporada de seis meses em Madri.
Ela vai pesquisar lá o pensamento de Ortega y Gasset.
VOZ DA AMÉRICA
O governo americano lutou até o fim para evitar a escolha brasileira pelos caças franceses.
Obama prometeu tentar junto ao Congresso dos EUA mudar a legislação que, na prática, impede transferência de tecnologia de seus aviões. Mas, parece, Inês é morta.
NO MAIS
Está tudo muito bom, tá tudo muito bem, com 36 aviões de guerra franceses a pátria está protegida dos inimigos do pré-sal.
Mas pela bagatela de US$ 26 bilhões, a turma da coluna preferia ter à disposição 36 vagões do TGV, o belíssimo trem-bala francês, para poder ir a São Paulo. Com todo o respeito.
OLHA EU AQUI!
Fora dos holofotes há algum tempo, Popó, ex-campeão mundial de boxe, estava ontem em todos os lugares onde a seleção passava em Salvador.
À falta de outros famosos, fez a alegria da imprensa que foi à Bahia para o jogo com o Chile.
CLUBE DO MILHÃO
O filme Os normais 2, há 13 dias em cartaz, é um sucesso absoluto de público.
A história estrelada pelos ótimos Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães bateu ontem um milhão de espectadores.
INIMIGO AO LADO
Ontem, o senador Álvaro Dias ficou um tempão falando com uma pessoa com crachá de imprensa sobre os planos dos tucanos na CPI da Petrobras.
Era uma jornalista contratada pela assessoria da estatal.
VIDA NOVA
Hoje, o cirurgião José Camargo, da Santa Casa de Porto Alegre, está comemorando um feito: os dez anos do primeiro transplante de pulmão intervivos realizado fora dos EUA.
O transplantado Henrique Busnardo, de 22 anos, recebeu parte do pulmão de seus pais aos 12 anos. Hoje, ele leva vida normal.
ORDEM E LIVRO
Alguns escritores, entre eles Ferreira Gullar, trocaram de mal com o prefeito Eduardo Paes.
Reclamam que, às vésperas da Bienal do Rio, o prefeito até agora não regularizou o comércio de livros nas ruas.
VEJA SÓ...
No Largo do Machado, por exemplo, fiscais da prefeitura teriam sido agressivos com Virgínio, um dos vendedores queridos do lugar, além de tomar todos os livros do rapaz.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


DORA KRAMER

Recados ao Planalto

O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/09/09

Os números da nova rodada de pesquisas CNT/Sensus em si não comunicam más notícias para o governo. Já os recados subjacentes a eles não se pode dizer que sejam tranquilizadores para o panorama visto a partir do Palácio do Planalto.

Comecemos pelo que sempre chama mais atenção: os índices de aprovação do presidente Luiz Inácio da Silva. Houve ligeira queda de quatro pontos porcentuais. Nada que abale a condição de campeão de popularidade de Lula em relação aos antecessores. Avaliação positiva de 76,8% no sétimo e penúltimo ano de mandato, com crise econômica e escândalos para dar e vender, é capital político talvez inédito em regimes democráticos mundo afora.

Portanto, a perda de alguns pontos não se explica pela chamada fadiga de material. Tanto que Lula continua sendo o mais lembrado como candidato a presidente em 2010 na pesquisa espontânea. O brasileiro não parece farto do presidente. Mas demonstra aborrecimento com algo.

O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, levanta três hipóteses: a gripe A (suína), o episódio da briga com a ex-secretária da Receita Lina Vieira e o fato de o presidente “ter deixado de lado o discurso popular, falando mais sobre dificuldades na economia e na crise do Senado”.

Especialista, Guedes deve saber do que fala. Mas, de maneira impressionista, parece que ele reserva ao item “crise no Senado” um lugar menos importante do que deveria. Nada de ruim, da última pesquisa (em maio) para cá, aconteceu para o presidente da República, a não ser a sua defesa apaixonada do presidente do Senado, cujo repúdio popular está expresso numa outra pesquisa em que 76% apoiam punição a Sarney. Em outras palavras, Lula errou a mão.

As outras motivações para a queda não se sustentam. A gripe não tem culpa, pois na opinião de 52,4% , está sendo enfrentada de forma correta pelo governo. As escaramuças com Lina Vieira dificilmente poderiam justificar a oscilação de humor dos pesquisados porque simplesmente metade deles (50,2%) não acompanhou ou nunca ouviu falar no assunto.

O problema para o governo reside entre os que acompanharam. Destes, 35,9% acreditam que a ministra Dilma Rousseff realmente pediu para a então secretária da Receita que interferisse nas investigações relativas aos negócios da família Sarney. Muito menos que isso, 23,6%, acha que a ministra diz a verdade quando nega.

Quer dizer, problemas sérios no quesito confiabilidade. A alegada candidata de Lula tampouco demonstrou eficácia no tocante à conquista de eleitores. Caiu quatro pontos na simulação de segundo turno com o governador de São Paulo, José Serra – cuja liderança não sofreu abalos – e ficou na casa dos 19% das preferências.

É pouco na comparação, por exemplo, com os 7% obtidos pelo deputado Antônio Palocci. Ele estreou nas pesquisas presidenciais, ninguém sabe se é ou não candidato e acabou de se livrar de um processo criminal numa votação apertada e numa sessão em que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal disseram claramente que a quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa aconteceu para favorecer o então ministro Palocci.

Nesse quadro adverso, os 7% dele representam mais que os 19% de alguém que desde fevereiro de 2008 está todos os dias no noticiário sendo apresentada como a predileta do rei. Isso sem contar os 40 pontos porcentuais (51% a 11% ) de dianteira de Serra sobre Dilma em São Paulo e a vantagem de 13 pontos do tucano no Nordeste, reduto de Lula.

Como diz o velho chavão, é cedo para tirar conclusões. Em um ano tudo pode acontecer: a oposição errar o bastante para perder e o governo acertar o suficiente para ganhar. Mas, pelo quadro atual, haverão ambos de se esforçar muito para tal.

Nome à pessoa

Segundo a pesquisa, 53,9% rejeitam a volta da CPMF. No entanto, 49,4% reclamam dos serviços de saúde pública. Ou seja, não relacionam uma coisa à outra, o que dizima o principal argumento governista em favor da retomada do imposto: a necessidade de verbas para a saúde.

Túnel do tempo

Revirando a coleção de artigos, um de julho de 2002 sobre a final da Copa do Mundo no Japão – quando Diego Maradona atribuiu a vitória do Brasil sobre a Alemanha à “sorte” da equipe –, remete ao silêncio eloquente do agora técnico da seleção argentina ante a derrota de sábado último. “Diego Maradona chamou a todos de medíocres e aos brasileiros de sortudos. Só perdeu em elegância para os brincos de brilhante limitados ao norte pela negra cabeleira e ao sul pela papada já desprovida de fronteiras com as bochechas. De fato, nosotros moreninhos damos uma sorte danada.” Com a vantagem de que implicamos com os argentinos, mas não os invejamos.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Se é questão estratégica de energia, não importa o calendário”
ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB-AM), DESCARTANDO O REGIME DE URGÊNCIA DOS PROJETOS DO PRÉ-SAL

PLANO B DE LULA É MESMO CIRO GOMES
O presidente Lula se recusa a conversar sobre uma alternativa a Dilma Rousseff para sua sucessão, mas ele disse a um parlamentar, velho companheiro petista, que só tem duas certezas: a primeira é a de que o ex-ministro Antônio Palocci jamais será chamado a substituir a ministra Casa Civil nessa disputa; a segunda é que, na “pior hipótese” (Dilma fora da disputa), ele enfrentará o PT e apoiará Ciro Gomes (PSB).
GRANDE ELEITOR
Lula aprecia o estilo agressivo e a lealdade de Ciro Gomes, mas o grande eleitor dele junto ao presidente é o governador Eduardo Campos (PE).
AMIGO DO PEITO
Vice dos sonhos de Lula em 2014, quando pensa voltar ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos é também presidente nacional do PSB.
QUEDA PARA O ALTO
A aprovação de Lula caiu de 81,5% para 76,8%, segundo pesquisa CNTSensus. É o mesmo que cair de paraquedas do 6° andar para o 5°.
DUCHA
A Seleção que se cuide, hoje à noite. Lula recebeu o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Sinal de frente fria se aproximando.
VILLELA FOI PARA CASA 2 HORAS DEPOIS DA MULHER
A polícia do DF somente ontem esteve no escritório do advogado e ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, assassinado com 38 facadas em casa, com a mulher e uma empregada. Como esta coluna advertiu, as câmeras do edifício Denasa tinham muito a revelar: Villela saiu do trabalho às 19 horas do dia em que foi morto, duas horas após sua mulher. Portanto, uma só pessoa pode ter esfaqueado as três vitimas.
PASTOR NA VICE
Petistas tentam convencer Lula a emplacar um evangélico como vice de Dilma Rousseff, como o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).
CAÇA TROUXA
Comentário de leitor francês no Journal Du Dimanche sobre a compra dos Rafale: “Coitado dos brasileiros, compraram o que ninguém quer”.
PINTORES DE RODAPÉ
E de outro, no mesmo jornal, surpreso com a altura de Lula junto ao “tampinha” Sarkozy no palanque: “O brasileiro tem menos de 1,70m?”.
AFIRMAÇÃO DO STF
O Supremo Tribunal Federal decidirá hoje se o governo pode interferir, com uma portaria, em um processo sob julgamento na Corte. Decidirá se o asilo concedido pelo ministro Tarso Genro (Justiça) ao terrorista homicida Cesare Battisti extingue ou não o processo de extradição.
DEU BANDEIRA
Merece um passeio em Cabul o estilista da primeira-dama no desfile do Dia 7: persiste na cafonice de cores da bandeira. Carla Bruni, no 14 de julho em Paris, usou um tailleur violeta. Nada bleu, blanc ou rouge.
SÓ PARA ASSOCIADOS
João Dória Jr nega a cobrança de R$ 30 mil de interessados no café da manhã com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dia 24, em São Paulo. É exclusivo para afiliados à Lide Grupo de Líderes Empresariais, que já pagam anuidade para participar de eventos assim.
FUGINDO DO FRACASSO
O Palácio do Planalto excluiu Salgueiro (PE) da visita do presidente Lula sexta-feira a Pernambuco, para inspecionar obras de transposição do Rio São Francisco, que estão para lá de atrasadas.
CONTA OUTRA
Institutos de pesquisa adoram brincar com o perigo, incluindo o risco da desmoralização: pesquisa CNT/Sensus indica que 37% dos brasileiros aceita pagar a nova CPMF. Nessa, definitivamente, não dá pra acreditar.
BURACO SEM FUNDO
Um terreno onde a Cooperativa Habitacional dos Bancários construiu casas em São Paulo foi penhorado para pagar dívida trabalhista. Fundada por petistas, a Bancoop é investigada por suposta fraude.
SEM AMBIENTE
O Sindicato dos Servidores Públicos Federais suspendeu na Justiça novo concurso para temporários, que consomem R$ 1,3 milhão mensais só no Instituto Chico Mendes, do Ministério do Meio Ambiente.
MISSA POR VILLELA
Amigos, ministros de tribunais superiores e advogados ilustres mandam celebrar missa, hoje, na Igreja São Pedro de Alcântara, em Brasília, às 20 horas, em memória do casal Maria e José Guilherme Villela.
PENSANDO BEM...
... Depois das “mães” Lula e Dilma, o Brasil ganha a “avó” d. Marisa, com seu xale de d. Benta.

PODER SEM PUDOR
TUCANOS USAM CANGA?
No calor da discussão sobre a reforma tributária, em 2003, o então presidente do PSDB, José Aníbal, estava preocupado com as traições na bancada do seu partido:
– Tem que botar uma canga no pessoal do PSDB!
O deputado tucano Eduardo Paes (RJ) não entendeu:
– Vai ser difícil, Zé...
Para o carioca Paes, “canga” é só aquela manta que o mulherio usa como saída de praia.

POSTE PESADO


QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Lula decidiu comprar caças franceses sem parecer da FAB


- Folha: Chuva recorde mata e paralisa São Paulo


- Estadão: Chuva causa 7 mortes no Sul e em SP


- JB: Solução para os royalties


- Correio: Trama para confundir a polícia


- Valor: Bancos estão com sobras de R$ 444 bilhões


- Estado de Minas: Natal sem risco


- Jornal do Commercio: Feriadão com mais mortes nas estradas