sábado, junho 13, 2009

BRASÍLIA - DF

Meirelles ri à toa

LUIZ CARLOS AZEDO

CORREIO BRAZILIENSE - 13/06/09

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ganhou mais uma parada. Foram para o espaço as críticas à política cambial. Luciano Coutinho, presidente do BNDES, por exemplo, defendia uma desvalorização do Real sem acabar com o câmbio flutuante. Como? Baixando a taxa de juros. Os juros foram reduzidos a um dígito pelo Banco Central (9,25%) e o Real continua se valorizando. O dólar, ontem, caiu mais 1,23% . Fechou em R$ 1,927. A moeda americana acumula queda de 17,4% no ano e, em plena crise, faz a alegria de quem gosta de viajar para o exterior, comprar produtos importados e exportar commodities (soja, milho, minérios de ferro, petróleo). Mas deixa no sufoco nossa indústria tradicional.

É a outra face do comportamento anticíclico da economia brasileira . Quando o preço das commodities sobe, o Real valoriza. Ou seja, o dólar cai em relação ao Real. É parte de um fenômeno mundial. O dólar australiano e o dólar neozelandês também variam de acordo com o preço das commodities. A valorização do real também resulta da queda da aversão ao risco. Os investidores correm para Brasil em busca de oportunidades de negócios.

Em maio, ingressaram US$ 2,570 bilhões em recursos externos no Brasil para aplicação na Bolsa de Valores. Os investimentos diretos atingiram US$ 2,750 bilhões. Os recursos estrangeiros aplicados em títulos públicos (renda fixa), atraídos pelo juro, ficaram em US$ 937 milhões. Os recursos externos no mês passado para aplicação em renda fixa não atingiram 15% do total que entrou. E Banco Central comprou U$ 3,63 bilhões dos U$ 3,7% que entraram líquidos no país. Ou seja, quase tudo.

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu não gostou da indicação do presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, como candidato do Campo Majoritário (hoje denominado Construindo o Novo Brasil) a presidente do PT. Avalia que o grupo paulista da antiga Articulação ficará à margem do centro de decisões da campanha de Dilma Rousseff (PT). Dutra foi uma indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vacilou

O prestígio do presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, nunca esteve tão baixo no Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acha que ele amarelou na crise mundial. A forma como a Vale enxugou os gastos da empresa e sustou investimentos, para o governo, ajudou a puxar a economia para baixo. Atrapalhou mais do que ajudou a enfrentar a crise. Além disso, fortaleceu os ministros que defendem a retomada do controle da empresa pelo governo, via fundos de pensão.

Sai daí

Amigos aconselham o diretor-geral do Senado José Alexandre Lima Gazineu a pedir demissão do cargo e botar a boca no trombone. Virou o bode expiatório dos atos secretos e outras coisas erradas da Casa. Além disso, o primeiro-secretário Heráclito Fortes, que ontem fez uma cirurgia bariátrica no Hospital Sírio e Libanês (SP) e passa bem, já tem um nome na manga do paletó para o seu lugar.

Fica

Na conversa que teve com o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), o presidente Lula elogiou Ciro Gomes. Ressaltou sua competência e fidelidade, e disse que ele deve manter a candidatura a presidente da República. Prefere o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci (PT-SP) como candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

No cafezinho

Azebudsman/ República encaminhada ao presidente Lula não foi eleita pela PGR, mas pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Com 482 votos, o subprocurador-geral Roberto Monteiro Gurgel Santos foi o mais votado. Em segundo, ficou o subprocurador-geral Wagner Gonçalves, com 429 votos, mais cotado para o cargo. A subprocuradora-geral Wiecko Volkmer de Castilho teve 314 votos.

Rouanet/ O deputado federal Geraldo Magela (PT-DF), será o novo presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura, que defende a aprovação da PEC 150, que destina 2% dos recursos federais, 1,5% dos recursos dos estados e 1% dos recursos municipais para a cultura. As mudanças na Lei Rouanet também estão nos planos de Magela.

Refugiados/ O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a Agência Espanhola de Cooperação Internacional(AECI) e o Instituto Cervantes promoverão de 18 a 21 de junho, em Brasíliaa I Mostra de Cinema sobre Refúgio e Migração "Cinema sem Fronteiras". Diretores latino-americanos e espanhóis abordam o refúgio e a migração no mundo.

Sobrou/ O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) entrou em risco eleitoral. Para ter o apoio dos petistas, o governador Sérgio Cabral (PMDB) articula uma chapa ao Senado com o presidente da Assembléia, Jorge Picciani (PMDB), e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT).

Desabafo/ Pedro Simon, desconsolado senador do PMDB gaúcho, diante do noticiário policial sobre o Congresso: "O Parlamento era o poder mais transparente, até descobrir que existem 500 atos secretos no Senado."

COISAS DA POLÍTICA

O escândalo que saiu do baú

Villas-Bôas Corrêa

JORNAL DO BRASIL - 13/06/09

Quando a temporada de escândalos do pior Congresso de todos os tempos parecia ter esgotado o repertório para a pré-campanha eleitoral, que começa a esquentar no primeiro trimestre do próximo ano, eis que surge do fundo do baú dos segredos da cumplicidade o que parece disputar o recorde do maior do período do mandato e meio da reeleição do presidente Lula.

A esta altura, a encruada CPI da Petrobras ou a esquálida CPI das ONGs foram rebaixadas das manchetes para os destaques das páginas internas. E desta vez cabe ao Senado o lugar no alto do pódio. Ele não compartilha com a Câmara dos Deputados, apesar das muitas leviandades e trampas do seu repertório, a descoberta que a Mesa do Senado vinha guardando a sete chaves, à espera da melhor hora de divulgar o seu feito histórico.

Vamos aos fatos, antes de mais delongas. A atenta e severa Mesa Diretora do Senado foi informada, com o suporte de dados preliminares, da descoberta de mais de 500 atos secretos, que nunca foram publicados no Boletim Administrativo, como é da rotineira exigência da lei, que distribuem, com a generosidade dos que lidam com o dinheiro da explorada Viúva, favores em cascata para senadores e a sua enorme parentela dos afins, além do cupinchas, cabos eleitorais e amigos do peito e do bolso, de nomeações aos privilégios que podem render mais do que o salário.

Alguns senadores com o queixo enterrado no pescoço mexem-se para a apuração rigorosa do tamanho da trapaça, uma vez que o seu principal responsável é de fácil identificação: o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, genial inventor da fraude dos atos secretos, utilizados pelos ex-presidentes nos últimos dez anos.

E na forma do costume a apuração deslizou como água de córrego, sem bulha, na maior moita. Quando começou a varredura, o otimismo da Mesa do Senado foi alimentado pela avaliação da comissão instalada para investigar os atos secretos, em cerca de 300.

De 300 para 500 é menos que o dobro, uma mixaria. Mas não há como manter o sigilo depois do estouro do traque. E o relatório, final que deveria ser apresentado hoje, ficou adiado para a próxima semana, tempo para recuperar o fôlego. O azar nunca anda sozinho. O Ministério Público vai pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) a anulação dos atos secretos e a devolução do dinheiro que os ex-felizardos embolsaram e, por certo, gastaram com a imprevidente com que se costuma dissipar o que não custou o suor e o esforço do bestunto.

Até aqui, a corriola dos senadores vinha tentando abafar o estrondo da denúncia, com o pinga-pinga da liberação das apurações nas últimas páginas do Boletim Administrativo.

Não será tarefa para amadores encolher escândalo que se alinha entre os recordistas, com o tom de criatividade e ineditismo, da nomeação secreta de meio milhar de parentes, amigos, cupinchas, crias da casa, além de cargos de agentes secretos, aumentar salários ou a mais simples criação de horas extras sem limite.

Afinal, a longa permanência do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, e a sua prosperidade de milionário pródigo, tem a sua explicação exposta à luz dos números na apuração da comissão criada para apurar o milagre. Até prova em contrário, senadores de todos os partidos, do governo e da oposição fartaram-se nos banquetes do ex-diretor-geral. Nada impedirá que contamine a campanha eleitoral e seja um dos destaques da rede nacional de TV e na de rádio para a propaganda eleitoral gratuita.

O líder do DEM, senador José Agripino Maia, antecipou-se na cobrança pública de punições e "com a devolução dos recursos aos cofres públicos". Não é tudo. O freio de mão da cautela aconselha prudência antes de conhecidos os beneficiários com a sangria secreta. Pois, o escândalo tem todo o jeito de ser superpartidário.

Mais afoito, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), adiantou que vai pedir a demissão do ex-diretor do Senado Agaciel Maia, por improbidade administrativa. Com a agravante de ter mentido quando questionado por senadores: "Perguntei ao Agaciel se havia atos secretos nesta Casa, ele respondeu que não. Já pedi as notas taquigráficas para entrar com um processo administrativo por ele ter mentido aos senadores".

Se não perder o embalo, este será o escândalo do ano.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA

Maílson da Nóbrega
O terceiro mandato arruinaria a economia

"O Brasil se distanciaria das nações bem-sucedidas, cuja trajetória de êxito precisamos e devemos emular"

Morreu a ideia de um terceiro mandato consecutivo para Lula. Mesmo que ele quisesse (o que não parece ser o caso), a proposta, de autoria do deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), precisaria estar em vigor até setembro (artigo 16 da Constituição). Não há tempo hábil para aprovar uma emenda constitucional dessa complexidade.

Ainda assim, a ideia não pode ficar insepulta. É necessário enterrá-la. Há que desmontar a tese dos que a defendem com base nas quatro eleições de Franklin Roosevelt. É preciso desmoralizar os que a justificam com a crise e supostos riscos de ruptura na política econômica em caso de vitória da oposição.

Quando Roosevelt venceu pela primeira vez (1932), vigorava regra informal que restringia a dois o número de mandatos dos presidentes americanos. A norma surgiu com George Washington, o herói da guerra de independência e da Constituição (1787), e primeiro presidente. Para ele, cada um de seus passos estabeleceria precedente na nação que então nascia. A posse, a postura no governo e outras ações seriam exemplo para o futuro. Ele renunciou aos honorários, apesar de endividado. Entendia que o exercício do cargo seria a maior recompensa. Por razões óbvias, esse exemplo não vingou.

Reeleito em 1792, Washington rejeitou apelos para disputar o terceiro mandato. Não queria parecer um novo monarca. Diz-se que a recusa teria sido motivada por sua frágil saúde, mas a regra foi seguida por Thomas Jefferson, o terceiro presidente e autor da Declaração de Independência. E ficou até 1932.

As quatro eleições de Roosevelt salientaram a necessidade de institucionalizar o limite. Na era da comunicação de massa (que então surgia) um presidente pode eternizar-se, o que é indesejável. Daí a emenda constitucional 22, de 1951, que restringe o exercício da Presidência a dois períodos, consecutivos ou não. Assim, Roosevelt foi razão para limitar e não para ampliar o número de mandatos.

Lula provavelmente ganharia as eleições de 2010 caso lhe fosse possível concorrer. Viraríamos uma "democracia plebiscitária", em que o líder se comunica diretamente com as massas, sem peias institucionais. Um perigo. Eleições não caracterizam uma democracia. Hitler, Mussolini, Saddam Hussein e Hugo Chávez foram eleitos pelo povo.

A aprovação do terceiro mandato abriria campo para o quarto, e assim sucessivamente. Lula seria o nosso Chávez. Por isso, no presidencialismo há que limitar a reeleição, enquanto no parlamentarismo a regra é dispensável, pois maus governos podem ser destituídos a qualquer tempo. Mesmo assim, já se reivindica o limite de dois mandatos na Inglaterra, o berço do Parlamento moderno.

Na economia, a demanda do terceiro mandato parece estar associada a temores quanto aos instintos intervencionistas do candidato da oposição que lidera as pesquisas. Agentes de mercado sabem lidar com riscos, mas não com incertezas. Na dúvida, prefeririam a continuidade do governo que já conhecem.

Acontece que o crescente prestígio do Brasil se deve à percepção de que nossas instituições políticas e econômicas freiam o populismo. A estabilidade, o potencial de crescimento e o êxito em atravessar a atual crise atraem investimentos e ampliam o otimismo com a economia. Mas o pano de fundo é a convicção de que há restrições institucionais ao continuísmo político, que costuma dar origem ao arbítrio.

É equivocada, assim, a ideia de que o terceiro mandato de Lula seria fundamental para evitar o risco de uma ruptura desastrosa na gestão macroeconômica (pouco provável caso a oposição vença). O terceiro mandato abalaria a confiança construída nos últimos anos. Seria péssimo para a economia. O Brasil se distanciaria das nações bem-sucedidas, cuja trajetória de êxito precisamos e devemos emular.

É necessário estar alerta aos áulicos e ingê-nuos que defendem o terceiro mandato, agora e no futuro. Nos EUA, já existe um movimento para revogar a emenda 22 e tornar possível um terceiro mandato para Barack Obama (www.end22.com). Lá, a solidez dos 220 anos da Constituição e as convicções democráticas bloqueiam a proposta. Aqui, nossa jovem democracia ainda não dispõe dessa couraça. Todo o cuidado é pouco.

PAINEL DA FOLHA

Primeiros passos

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/06/09

A partir do sinal verde dado pelo próprio Ciro Gomes (PSB) para a tentativa de colocar em pé sua candidatura ao governo de São Paulo no ano que vem, começam a sair do armário os partidários da ideia. Além do líder da bancada federal, Cândido Vaccarezza, José Genoino é um dos petistas mais simpáticos à ‘importação’’ do hoje deputado pelo Ceará.
O ‘ok’ dado pelo presidenciável também animou os artífices da tese a rascunhar qual seria a chapa ideal para atender a todos os interesses dos partidos envolvidos. A mais falada hoje incluiria Eduardo Suplicy (PT) para vice, e Aloizio Mercadante (PT) e Aldo Rebelo (PC do B) como postulantes ao Senado.

Viés de baixa - O governo de Goiás já é o plano B de Henrique Meirelles. O presidente do Banco Central não só cogitou seriamente disputar o Planalto como chegou a encomendar pesquisa para medir suas possibilidades.

Churrascaria - Sob o discurso do novo, Beto Albuquerque (PSB) tenta amarrar PC do B, PDT, PP e PTB em torno de sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul. ‘Estamos cansados desse rodízio político que serve as mesmas carnes há 16 anos’, diz o vice-líder do governo.

Prós... - Depois de costurar o apoio do governador Eduardo Braga (PMDB) e do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), à sua candidatura ao governo, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), acena também para Arthur Virgílio.

... e contras - O acordo facilitaria a reeleição do líder tucano, mas deixaria o candidato presidencial do PSDB sem palanque no Amazonas.

Bonde - Paulo Hartung (PMDB) também tenta montar uma aliança ampla no Espírito Santo. A chapa mais provável no cenário atual tem Renato Casagrande (PSB) como candidato ao governo, com o próprio Hartung e o prefeito de Vitória, João Coser (PT), para o Senado.

Carona - O senador Magno Malta (PR) ainda tenta entrar no trem, mas o governador tem restrições a ele.

Curinga - Com quem conversa, Lula só tem elogios para Franklin Martins. O ministro da Comunicação Social desfruta de posição singular: está muito próximo do presidente e igualmente de sua candidata, Dilma Rousseff.

Ai! - Nos últimos dias, Lula voltou a reclamar de fortes dores nas costas.

Nova roupa - Quem conhece a rotina do TSE duvida que Joaquim Barbosa venha a manter, no comando do tribunal, o princípio de não receber advogados, que adota no STF.

Drive-thru - Durante a campanha eleitoral, as decisões precisam ser tomadas com rapidez, o que não raro exige contato direto do presidente com os representantes das partes envolvidas.

Quem sabia 1 - Além de Agaciel Maia e Alexandre Ganizeo, tinham conhecimento dos atos secretos da Mesa os diretores de Recursos Humanos do período, os senadores que tiveram nomeações às escondidas em seu gabinete e o ex-advogado-geral do Senado Antonio Cascais.

Quem sabia 2 - Também estavam cientes de que alguns atos não iam a publicação todos os ocupantes da primeira-secretaria desde que a prática começou a vigorar e os presidentes em cujos períodos foram feitos expedientes secretos. Daí a calma de Agaciel.

Tiroteio

Esta será a CPI da Batalha de Itararé, aquela que nunca aconteceu.
Do deputado CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre declaração do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, segundo quem a oposição concorda em não investigar certos ‘setores da Petrobras’ para não prejudicar os negócios da empresa.

Outro lado - A Petrobras diz que respondeu a todos os requerimentos originários da Câmara e do Senado e encaminhados pelo Ministério de Minas e Energia à estatal. Segundo a Petrobras, de 2003 a 2009 foram respondidos 273 pedidos, de assuntos diversos.

Contraponto

Prendas domésticas

Presidente do PT do Paraná, Gleisi Hoffmann dava entrevista na manhã de ontem a uma emissora de rádio de Paranavaí. Depois de uma bateria de perguntas político-eleitorais, o entrevistador fez menção à data especial:
-E o que a senhora deu de presente para o ministro Paulo Bernardo pelo Dia dos Namorados?
-Ah, eu dei uma nova panela de pressão, que ele andava reclamando muito da antiga.
-Panela de pressão?- estranhou o entrevistador.
Gleisi, que não esconde a falta de traquejo culinário e delega as refeições especiais ao marido, explicou:
-É uma panela japonesa, bonita e muito prática. Acho que até eu serei capaz de usá-la!

GUARANÁ CHAMPAGNE


RUY CASTRO

A sétima corda

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/06/09

RIO DE JANEIRO - Quando algo do dia a dia me intriga ou perturba, e faltam-me as palavras para definir tal incômodo, não vacilo: apelo para os mestres. Eles podem estar nos livros, nos discos ou nas rodas vadias. Não por acaso, Nei Lopes frequenta todos esses veículos. Neste momento, seu novo CD, "Chutando o Balde", é que me tem valido.
Como Nei, acho ridículo que as pessoas usem o boné com a pala para trás. Coisa de americano débil, claro, mas por que a moda tinha de pegar aqui? Agora já sei. Em "Pala pra Trás", ele esclarece: "A pala é a maior proteção/ Pros olhos e a visão/ Quando a luz é demais/ A não ser que a sensibilidade / Em Vossa Majestade/ Venha de trás".
Também como Nei, sou dos que se envergonham de ver certos brasileiros -"fake/ tudo fashion, tudo teen"- comemorando o Halloween. Mas só ele imaginou uma cena em que pseudo-darks e góticos, brincando de chamar coisa ruim num apê de cobertura, invocam justamente quem não queriam -de repente, "a cigana/ rodou a baiana/ riscou fogo no estopim/ Pombajira baixou no Halloween".
E, sempre como Nei, não me conformo ao ver a música popular atrair palavras ingênuas para fora do dicionário e corrompê-las com inglórios novos sentidos. Ele corrige: "No meu dicionário, roqueiro é aquilo/ Que fica lá em cima da rocha/ E fanqueiro é o cara/ Que vende tecido/ De linho e algodão/ Pra mim, sertanejo/ É, antes de tudo, um forte/ E axé é força e boa sorte/ No meu dicionário/ Galera é apenas uma embarcação".
Em outro grande samba do disco, Nei resume tudo ao falar dos oportunistas pouco à vontade dentro do terno de linho e do pisante branquinho, que batem o pandeiro "com mais ódio que amor" e, como só são sambistas porque essa agora é a onda, podem acabar se enforcando na sétima corda.

PANORAMA

REVISTA VEJA

Panorama
Holofote

Felipe Patury


O caso Palocci

Sergio Lima/
Folha Imagem


Uma pesquisa encomendada pelo PT lançou dúvidas no partido sobre a eventual candidatura a governador do deputado Antonio Palocci. Ele já é conhecido por 40% dos paulistas, um bom índice. O problema surge na análise qualitativa. Metade dos que se lembram dele menciona fatos negativos do seu passado, como a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, e não o fato de ele ter sido um ótimo ministro da Fazenda. Marta Suplicy é a petista com maior intenção de votos: 9%. Palocci e o senador Aloizio Mercadante têm 3%. O ministro da Educação, Fernando Haddad, e o prefeito de Osasco, Emidio Souza, 2%. O tucano Geraldo Alckmin tem 53%.

Marcos Ribolli

Dia dos namorados

Neto do bilionário Aloysio Faria, Felipe Faria está montando uma confecção para a namorada, Janaína Barbosa. A JEF, que unirá as iniciais de ambos, custará 2 milhões de reais e terá sua primeira loja no bairro dos Jardins, em São Paulo. Isso é que é namorado...

Bala no trem

Roosewelt Pinheiro/ABR


O projeto do trem-bala entre o Rio e São Paulo conta com a desconfiança do governo paulista, da diretoria do BNDES e do presidente do banco, Luciano Coutinho. Suspeita-se que não haverá passageiros suficientes para justificar o investimento, estimado em 15 bilhões de dólares. Essa é a versão bem-comportada das críticas. Nas mais duras, os tucanos chamam o trem de "fura-fila" de Dilma Rousseff, a candidata do PT à Presidência em 2010. É uma referência ao factoide que ajudou Celso Pitta a se eleger prefeito de São Paulo em 1996.

É terceiro ou é segundo?

Valter Campanato/ABR


Uma pesquisa eleitoral feita pelo Vox Populi na Bahia, no fim de maio, ouviu 3.000 pessoas. Pelos resultados, o governador Jaques Wagner lidera a corrida para um segundo mandato com 34% das intenções de voto. Paulo Souto, do DEM, fica com 24%. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, tem 19%. Os índices de rejeição seguem essa toada. Não votariam em Wagner 24% dos eleitores, em Souto 20% e em Geddel 11%. Uma mudança ocorre quando não se apresenta lista de candidatos aos entrevistados. Nesse caso, Wagner aparece com 12% e Geddel, com 7%, ultrapassa Souto, que fica com 5%.

Resgate holandês

Divulgação


Líder mundial na produção de soja não transgênica, a Imcopa, de Frederico Busato, imergiu na crise financeira e deixou de pagar dívidas de 90 milhões de dólares. A saída depende de uma negociação com a holandesa Nidera, que, há um mês, faz uma auditoria na Imcopa. A Nidera quer comprar parte da empresa em associação com a japonesa Toyota.

Era uma vez uma casa de praia

Jarbas Oliveira

O empresário Tales Cavalcante há anos propala ter a mais espetacular casa de praia do Ceará. Avaliado em 4 milhões de reais, seu refúgio na Prainha do Canto Verde tem 900 metros quadrados e está alojado em um terreno do tamanho de quatro campos de futebol. Dono do maior grupo educacional do estado, Cavalcante orgulhava-se de hospedar celebridades. A apresentadora Xuxa, por exemplo, era uma convidada habitual. Era. Na semana passada, porém, um decreto presidencial transformou sua propriedade em reserva extrativista.

FERNANDO RODRIGUES

Lula e o PIB

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/06/09

BRASÍLIA - Como bem escreveu Oscar Pilagallo na Folha nesta semana, a relação entre economia e política não é tão direta como na frase do marqueteiro James Carville ("é a economia, estúpido").
Há exemplos de políticos se dando bem com a economia em desarranjo. Fernando Henrique Cardoso se reelegeu em 1998 mesmo com o PIB brasileiro estagnado.
Já outros perdem mesmo quando as finanças do país dão sinais de reação. Em 1984, o Brasil cresceu 5,4%. Em 1985, o percentual foi de 7,9%. Ainda assim, o momento era de mudança. O candidato governista a presidente, Paulo Maluf, foi derrotado no Colégio Eleitoral.
Os casos em que políticos sofrem reveses eleitorais apesar de a economia estar andando para a frente são curiosos, porque nada têm a ver com as finanças do país. São momentos em que a população resolve mudar. É uma força difícil de conter. Atropela o establishment.
Mas, quando há um desejo de continuidade, vale a mesma lógica.
Essa é a variável trabalhada pelos lulistas. Propagam a interpretação de cristalização iminente de um desejo continuísta no eleitorado. O PIB reagindo e apontando para um crescimento em 2010 seria só a cereja num bolo político cuja preparação está em curso.
Pela estratégia traçada no Planalto, Lula repetirá o mesmo caminho de outros políticos. Venderá um oximoro ao eleitor: avance parado, não mude para ir adiante. Franco Montoro elegeu Orestes Quércia governador de São Paulo. Paulo Maluf emplacou Celso Pitta prefeito paulistano. Por obra de prestidigitação política, o eleitor de Quércia acreditou estar elegendo Montoro. O de Maluf enxergou em Pitta a perenização do malufismo.
Em todos esses casos, o criador sempre era muito mais popular do que a criatura. Dá-se o mesmo com Lula e Dilma Rousseff. E o petista ainda terá o PIB a seu favor.

LYA LUFT

REVISTA VEJA

Lya Luft
Os vivos e os mortos

"Morrer não é ser deletado: aquele que aparentemente nos deixou está preservado no casulo de seu novo mistério, sem mais risco, doença ou tormentos"

Por mais que as notícias falem de crianças assassinadas com um tiro na cara e de mulheres grávidas estupradas; por mais que ao nosso lado, de todas as formas, se banalize a morte, sempre que ela nos atinge sentimos um grande abalo e fundo estranhamento. Ela nos ronda, e mesmo assim não aceitamos a Senhora Morte, cujo aceno vai nos levar também, inevitável. Ninguém sabe quando virá essa surpresa que não quereríamos ter. Chegará, súbita ou sorrateira, dedo dobrado que sinaliza: "Venha comigo, chega de brincar de vida, agora a coisa é real".

Meu primeiro encontro com ela foi a pomba morta de frio que, menininha ainda, encontrei no pátio de casa: pensei que ela estivesse dormindo e a aconcheguei debaixo do casaco. Quando me fizeram ver que estava morta, chorei inconformada. Muita insônia também sofri naquele tempo, quando morreu o menininho de 2 ou 3 anos, filho de um vizinho nosso. Os gritos de agonia daquele pai vararam a noite e chegaram até meu quarto, trazendo susto e terror só de lembrar, por longo tempo ainda. Mais tarde, eu conheceria intimamente a Velha Dama sobre a qual tanto já escrevi: ela abriu-me as portas do mistério e, embora eu nunca passasse da soleira, me fez valorizar mais a vida, os afetos, o que há de belo e bom na natureza, na arte e no ser humano, e me fez acreditar nos laços de amor que ela, a morte, não desfaz.

No recente desastre de avião, que levou num golpe mais de 200 pessoas, está uma prova dramática do quanto vivemos alienados em relação à morte, e quanto ela pode ser cruel. Sabemos de apenas alguns dramas desse acidente: o casal em lua de mel, pais perdendo filhos, dez funcionários de uma indústria francesa premiados com quatro dias no Rio com acompanhante. A lista é longa e triste. Nem precisamos de um cataclismo de grandes dimensões: basta a vida cotidiana, olhar um pouco para o lado, e lá está a morte, trazendo angústias sem medida.

No começo tudo é horrível: só desespero e dor. No choque inicial, palavras e gestos de conforto, embora essenciais, podem até parecer ofensivos a quem sofre tanto. Paciência com a pessoa enlutada faz parte dos cuidados em relação a ela: a dor é natural e necessária. Mas nossa frivolidade abomina silêncio, recolhimento e tristeza; queremos que o outro não nos perturbe nem ameace com suas lágrimas. Então dizemos: "Reaja! Não chore! Controle-se!", embora seja até perverso exigir isso de alguém que está de luto. Uma jovem reclamou que sua mãe, viúva, não parava de chorar. Desconfiei daquela vagamente irritada preocupação e perguntei: "Quanto tempo faz que seu pai morreu?". A resposta veio imediata: "Quinze dias". Sugeri que ela deixasse a mãe com seu sofrimento, para que um dia ela pudesse se recuperar. Porque, mesmo que não haja verdadeiro consolo, existe a possibilidade de, a seu tempo, cada um se recompor. Ainda que a gente nunca mais seja a mesma, mudar não é tornar-se pior. Faz parte desse processo, entender que a melhor homenagem a quem se foi é viver como ele gostaria que a gente vivesse. Esse é um dos segredos de não sobreviver como vítima que se arrasta indefinidamente, mas como quem reencontrou em si, de uma outra forma, o que parecia perdido.

Quando seus amigos choravam porque ele fora sentenciado, por uma sociedade preconceituosa, a tomar veneno, o grego Sócrates os censurou: "Por que se lamentam assim? Se a morte for um sono sem sonhos, que bom será. Mas, se for um reencontro com pessoas queridas, que bom será também!". O tempo vai preservar e iluminar os melhores momentos havidos. Talvez passemos a valorizar menos o dinheiro, o sucesso, a beleza e o poder. Seremos mais abertos à vida, mais gentis com os outros, mais bondosos conosco mesmos. Morrer não é ser deletado: aquele que aparentemente nos deixou está preservado no casulo de seu novo mistério, sem mais risco, doença ou tormentos. Não vai envelhecer nem sofrer nem se apartar de nós, os vivos. E não o perderemos nunca mais.

GOSTOSA


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ANCELMO GÓIS

As Alagoas

O GLOBO - 13/06/09

Billy Blanco, o grande compositor brasileiro, ficou tão encantado com a beleza de Alagoas que resolveu fazer uma homenagem ao Estado. Criou a sinfonia As Alagoas. Imagina se conhecesse Sergipe. Com todo o respeito.
FLOR PARA OUTRA FLOR
Ontem, Dia dos Namorados, às 15h30m, na Rua Uruguaiana, no Rio, fazia o maior sucesso um camelô que vendia calcinhas dobradas em forma de... rosas.
– Surpreenda seu amor! Dê uma calcinha para ela!
CRAQUE FIEL
Kaká, o craque que trocou o Milan pelo Real Madrid, deu entrevista exclusiva a Luciano Huck. Falou até da Renascer.
– O que a (bispa) Sônia Hernandes fez ou deixou de fazer é problema dela e da Justiça. Ela conhece minha família e a mim desde pequeno, não vai ser agora que vou abandoná-la.
Vai ao ar sábado que vem.
ALIÁS...
Luciano avisou da entrevista no Twitter, a comunidade virtual dos miniblogs. Em 15 minutos, a mensagem foi lida por 8 mil internautas.
JAMELÃO, SAUDADE
Amanhã faz um ano que o Brasil perdeu Jamelão, o Louis Armstrong brasileiro.
Sua memória será lembrada em missa, hoje, às 9h30m, na Igreja de São Jorge, na Rua da Alfândega, Centro do Rio.
FUMAÇA NO SENADO
Tramita no Senado projeto de elevação em 10% do imposto sobre os cigarros, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC).
NO MAIS
O Senado dos EUA aprovou uma lei que obriga os fabricantes de cigarros, a partir de 2012, a estamparem nos maços imagens chocantes contra o fumo. Deve ser terrível... você sabe.
DIÁRIO DE JUSTIÇA
O STJ condenou a Eternit a indenizar em R$ 500 mil e a pagar pensões à família de um trabalhador que ficou exposto de 1977 a 1994 à substância amianto e teve câncer no pulmão.
A vítima vivia perto de uma fábrica no Rio, e fazia fretes para a empresa até ficar doente.
FUSO HORÁRIO
A Comissão de Economia do Senado deve votar terça, em caráter terminativo (sem precisar ir a plenário), projeto do senador Arthur Virgílio que unifica a hora legal em todo o País.
Depois, o texto vai à Câmara.
DEUS É...
Saiu na Inglaterra, no livro Road Movies (filmes de estrada), um artigo elogioso sobre Deus é Brasileiro, aquele do supercineasta Cacá Diegues, estrelado por Antônio Fagundes.
É assinado por Adriana Rouanet, filha do ex-ministro Sérgio Rouanet.
CRIME SEM CASTIGO
José Beltrame, secretário de Segurança do Rio, tem dito a amigos que não se conforma com a decisão da Justiça de soltar o traficante Facão, que aterroriza a Favela da Maré.
Desde que foi libertado, há uns dez dias, 15 pessoas já morreram na comunidade. Três eram policiais.
ANTECEDENTES...
Foi este mesmo Facão que, em 2003, metralhou um ônibus da PM na Tijuca. Na época, o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, até criou um grupo de inteligência na Polícia Federal para atuar no Rio.
Beltrame, ali delegado na PF, foi escolhido para assumir a Missão Suporte, cujo objetivo era investigar, entre outros, Facão.

CLÓVIS ROSSI

Quando a polícia é compreendida

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/06/09

SÃO PAULO - O que mais me impressiona nos episódios da USP não é tanto a ação policial, embora condenável. Não me impressiona pela quantidade de vezes que vi episódios semelhantes -e sofri na pele a violência, embora nada tivesse a ver com o peixe. Estava apenas cobrindo manifestações públicas, no Brasil, na Argentina, no Chile, em Seatle (EUA), na América Central etc.
O que me impressiona é o fato de que pessoas da melhor qualidade, como o professor Dalmo Dallari, aceitem o recurso à polícia para resolver uma pendência interna da universidade. Não estou nem discutindo os argumentos que Dallari apresentou em sua entrevista de ontem à
Folha. O fato é que sou de um tempo em que, em qualquer confronto polícia x estudantes, os Dallaris do mundo estariam do lado dos estudantes.
Impressiona também o fato de alunos condenarem seus colegas e aceitarem a ação policial, como ficou claro em duas cartas publicadas, em dias sucessivos, no "Painel do Leitor". Sou do tempo em que estudantes eram rebeldes, com ou sem causa, e portanto mereciam o apoio integral de seus colegas -ainda que cego, às vezes.
Até entendo que a rebeldia de hoje se dê em torno de questões mais pobres (ou estou sendo apenas saudosista? O que a idade permite, mas o bom senso desaconselha).
O fato é que sempre me encantou um dos slogans-símbolo de 1968, aquele que dizia "seja razoável, peça o impossível". Hoje, o impossível nem passa perto da pauta.
O empobrecimento da agenda talvez explique a desunião no meio estudantil. Até acredito que "entre os 2.000 estudantes que se manifestaram nesta semana estão alguns de nossos melhores alunos", como escreveu ontem Vladimir Safatle, professor da filosofia.
São poucos, não? E ainda resta saber onde estavam os outros melhores alunos.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


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CLÁUDIO HUMBERTO

“Esta semana emprestei 10 bilhões de dólares ao FMI: ‘Pega aí’...”
PRESIDENTE LULA CONTANDO LOROTA AO POVÃO POBRE DE SERGIPE SOBRE SUA “AJUDA” AO FMI

LULA QUER O PT PRIORIZANDO VAGAS AO CONGRESSO
O presidente Lula acha que o PT deve priorizar candidaturas ao Congresso, ciente de que só se consegue governar com o parlamento. Ele disse a um pequeno grupo de amigos de Brasília que os melhores quadros do PT devem disputar o Senado e não os governos estaduais, abrindo mão em favor de aliados como o PMDB, ajudando a conquistar aliados à candidatura de Dilma Rousseff para presidente da República.
CANDIDATO PRÓPRIO
Lula considera que Brasília é um dos poucos lugares onde ele não vê problemas para o PT senão lançar candidato próprio.
NEM UM, NEM OUTRO
O PT do DF, diz Lula, jamais apoiará a reeleição do governador Arruda, por ser do DEM, nem Joaquim Roriz, rejeitado pelos eleitores petistas.
SUBIU NO PALANQUE
Na conversa com amigos do DF, Lula elogiou muito o ex-ministro Agnelo Queiroz, pré-candidato a governador do PT.
NOVO CANDIDATO
Lula quer “aliados confiáveis” no Senado. Ouvindo isso, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) se animou a disputar uma vaga.
RESGATE DO VOO 447: SHOW DE EFICIÊNCIA
Elogiada na França, a eficiência da Marinha e da FAB ganha contornos de heroísmo. Além de fazerem funcionar navios gravemente atingidos pelos cortes de verbas, os militares abrem mão até de suas vidas: a tripulação da fragata Constituição, por exemplo, estava há 70 dias fora de casa, no Rio, retornando de exercício nos Estados Unidos, quando seguiu de Salvador para a área da tragédia. Por tempo indeterminado.
BARROSO
O empenho da Marinha no resgate do voo 477 honra a célebre frase do Almirante Barroso: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”.
OUTRO MILAGRE
A corveta Caboclo, que saiu de Maceió e foi a primeira a resgatar corpos de vitimas, é um milagre da Marinha: funciona há 55 anos.
CUSTO ALTO
As fragatas Constituição e Bosísio consomem, cada uma, 30 mil litros de combustível por dia na operação de resgate.
MUITO ENGRAÇADO
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, sofre de síndrome que o faz disparar a rir em momentos graves, por puro nervosismo. Vai ser uma gargalhada só, na CPI da Petrobras.
O SAQUE CONTINUA
O presidente da Petrobras Biocombustíveis, Miguel Rosseto, liberou mais dinheiro para três cooperativas do MST, ao qual é ligado, da Bahia e Sergipe, acusadas
de não prestar contas de outras verbas.
É UM PAVOR
Baixou o medo, após um soldado matar um cabo, há dias, na Granja do Torto: a presidência vai gastar R$ 15,2 mil em equipamentos de varredura e vistoria em todos os prédios oficiais que Lula usa.
PENSE NUM ABSURDO
Em litígio com o governo petista de Sergipe, motoristas da PM e dos Bombeiros, que trabalham no aeroporto de Aracaju, revelaram que suas habilitações estão vencidas. Decidiram parar de dirigir viaturas.
VEXAME
O Brasil enfrenta um vexame internacional: reclamação na Justiça pela entrega de 24 mil toneladas de açúcar pagas por antecipação à Usina Interiorana, de Pernambuco, e até hoje não efetuada.
ELOGIO À DIPLOMACIA
Completa 636 anos neste sábado a Aliança Anglo-Portuguesa, primeira versão do Tratado de Windsor assinado entre Portugal e Inglaterra. É a mais antiga aliança diplomática entre duas nações ainda vigente.
CARRO NÃO EXISTE
A placa JVZ-1370, de Castanhal (PA), no carro VW Gol, verde-musgo, abandonado há um ano no estacionamento do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, não consta nos registros do Detran do Pará.
ESCOLHA SUA MORTE
O governo do aloprado venezuelano Hugo Chávez retirou do mercado a Coca-Cola Zero por “fazer mal à saúde”. Estão liberados cicuta, água sanitária e afins, embalados por 7 horas do programa “Alô, presidente”.
PENSANDO BEM...
o problema da eleição no Irã é o derrotado reagir com bomba. Nuclear.

PODER SEM PUDOR
CARTA DE AMOR
José Serra era ministro do Planejamento e discutia na Câmara o Fundo Social de Emergência, que não era social nem de emergência. Serra concordou que o nome não era o mais adequado e brincou:
– É como uma namorada chamada Ermenegilda. Como escrever uma carta de amor para uma “Ermenegilda”?
Crítico da política agrícola, o deputado Nelson Marquezelli (PTB) protestou:
– Além de cortar as verbas da agricultura, o senhor ainda quer mandar carta de amor para a minha sogra? Ela se chama Ermenegilda!
A platéia já gargalhava quando Marquezelli arrematou:
– Mande a carta ao meu sogro. O nome dele é Apúlcaro!

DORA KRAMER

Meras marionetes?

O ESTADO DE SÃO PAULO - 13/06/09

Agaciel Maia caiu, João Carlos Zoghbi caiu, Alexandre Gazineo está balançando na diretoria-geral do Senado, todos acusados de operar um esquema de ilicitudes na Casa. Talvez sejam alvos de processos administrativos e podem terminar as respectivas carreiras demitidos a bem do serviço público. Há senadores já imbuídos da disposição de levar adiante essa tarefa.

Falta, contudo, um personagem nesse cenário de malfeitorias: alguém disposto a assumir a missão de zelar pelo bom andamento dos trabalhos da representação pública e, em nome dela, pôr o foco do problema também sobre a atuação dos senadores.

Como bem lembrou outro dia o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a propósito dos afilhados de políticos alojados na estrutura da Infraero, “jabuti não sobe em árvore”. Nem subordinados transgridem impunemente sem o conhecimento – para não dizer, por ordem – das chefias.

A menos que no Senado a regra tenha sido oficialmente subvertida e suas excelências estejam hierarquicamente submetidas às orientações dos funcionários comissionados e dos servidores de carreira.

Fosse assim, se o corpo administrativo mandasse e suas conveniências prevalecessem sobre os bons costumes, seria de se perguntar de que valeriam, então, os senadores. Além de meras marionetes manipuladas por servidores mal-intencionados, haveriam de ser necessariamente cegos, surdos e mudos para não ver, não ouvir falar nem reclamar contra a multiplicação de diretorias, a ampliação do número de cargos, os negócios de crédito consignado, o pagamento de horas extras no recesso, a contratação de familiares pelo sistema de “nepotismo cruzado” e demais absurdos.

Sendo bem diferente a realidade, não faz o menor sentido a solução que se engendra no Senado. Não por acaso, quem faz o esboço da solução é o departamento jurídico da Casa, atuando como defensoria pessoal dos parlamentares. O objetivo, segundo o advogado-geral Luiz Fernando Bandeira de Mello, é encontrar uma saída para “diminuir o estrago para a imagem da Casa”.

Em português mais escorreito, uma solução para livrar os senadores de suas responsabilidades. No caso dos atos secretos – pelo visto, o pecado original do qual todos os outros foram consequência – o advogado já chegou à conclusão de que o culpado é quem os manteve sob sigilo. Ou seja, o dono da assinatura, o diretor-geral.

“Constatada a má-fé”, o ressarcimento das despesas geradas pelas resoluções caberá ao funcionário. O exame de constatação de má-fé pressupõe que possa haver boa-fé na edição de 500 decisões secretas e, só por isso, inconstitucionais.

A convicção de que a responsabilidade cabe exclusivamente ao servidor parte do princípio da isenção liminar de quem nomeou e sustentou politicamente Agaciel Maia durante 14 anos, além de todos os integrantes de Mesas Diretoras nesse período.

Todos festejavam e reverenciavam Agaciel. Como executor de tarefas e produtor de conveniências, bem entendido. Com poder delegado. Demissível a qualquer tempo – tanto é que foi afastado quando a necessidade se impôs – e, portanto, devedor de obediência aos verdadeiros donos da delegação.

Estes nunca parecem se dar conta, mas devem satisfação a uma instância superior que lhes conferiu votos e mandato, tornando-se responsáveis pela condução do Senado. No plenário, nas comissões, nos gabinetes, na administração dos recursos do Orçamento destinados à instituição.

É completamente fora de propósito a tentativa de separar os senadores do Senado. Contraria inclusive a posição de muitos deles que, logo no início da série mais recente de escândalos, foram à tribuna para afirmar as respectivas responsabilidades sobre o que ocorria em seus gabinetes.

Havia acabado de ser descoberto o pagamento indevido de horas extras no recesso. Vários assumiram a defesa dos funcionários, atestaram a legalidade do ato, corroboraram a lisura do dinheiro recebido e repudiaram a hipótese de devolução.

A maioria, de fato, não ressarciu coisa alguma nem foi instada a mudar de opinião. Essa autonomia, conferida pela condição de autoridades máximas dentro do Senado, permitiu-lhes distribuir benfeitorias. Por analogia, a mesma prerrogativa soberana os obrigaria agora a responder pelas malfeitorias.

Pessoal e intransferível

A justificativa do senador Epitácio Cafeteira para a contratação de um neto de José Sarney em seu gabinete é um monumento em homenagem ao princípio da impessoalidade solapada. Diz ele: “Contratei porque devia favores ao Fernando Sarney”, filho do presidente do Senado que havia ajudado na campanha e atuado para reaproximar o contratante do avô do neto contratado.

No afã de livrar Sarney da responsabilidade, Cafeteira nem se preocupou em disfarçar o uso de um recurso público para pagar uma vantagem privada.

BOTANDO NO CU DO POVO SEM CUSPE


SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Senadores sabiam de atos secretos, afirma ex-diretor


- Folha: Presidente do Irã vence reformista e se reelege


- Estadão: Ahmajinejad e opositor se declaram vitoriosos no Irã


- JB: No ritmo do chefe


- Correio: Figurões ganharam aumento em segredo


- Valor: Nova ‘Lei do Bem’ espalha perdões e generosidades