sábado, junho 06, 2009

DIOGO MAINARDI

REVISTA VEJA

Diogo Mainardi
Platitudes e asnices

"Barack Obama apela a um passado remoto do islamismo, um passado mítico, que só se encontra
nas salas de aula da Universidade Colúmbia"

Giotto era do Hamas?

Barack Obama, em sua viagem ao Egito, tentou reconciliar o mundo maometano com os Estados Unidos. Em vez de bombardear os terroristas com um Predator, ele os bombardeou com platitudes: "O ciclo de suspeita e desentendimento tem de acabar... Estou aqui em busca de um recomeço... Baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo... Em princípios comuns – princípios de justiça e de progresso, de tolerância e de dignidade para todos os seres humanos". Dá até para imaginar um carrasco pashtun, subitamente iluminado pelo discurso de Barack Obama, largando suas pedras, um instante antes de apedrejar uma adúltera.

E onde entra Giotto nisso tudo?

Barack Obama, a certa altura de seu pronunciamento, disse: "Como estudante de história, eu aprendi que foi o islamismo – em lugares como a Universidade Al-Azhar – que conduziu o lume da sabedoria por séculos e séculos, pavimentando o caminho na Europa para o Renascimento e o Iluminismo". Ele só pode ter aprendido isso com Edward Said, em seus tempos de estudante na Universidade Colúmbia. Os árabes, na Idade Média, tinham grandes conhecimentos de álgebra e de caligrafia, como citou o próprio Barack Obama, num trechinho tirado diretamente da Wikipédia. Mas o principal papel do islamismo para o estabelecimento do Renascimento e do Iluminismo – está igualmente na Wikipédia – foi o massacre de milhares de cristãos em Constantinopla, que obrigou os helenistas bizantinos a se refugiarem na Europa, com seus clássicos gregos e latinos. O Oriente revitalizou o Ocidente perseguindo-o, aterrorizando-o, assassinando-o.

Barack Obama realmente acredita em sua capacidade de seduzir e desarmar os fanáticos religiosos e os tiranos genocidas que prometem destruir Estados Unidos e Israel. Apesar dos aplausos entusiasmados de editorialistas do mundo inteiro, seu discurso é de uma asnice assustadora: ele apela retoricamente para um passado remoto do islamismo, um passado mítico, que só se encontra nas salas de aula da Universidade Colúmbia. Foi o que ele fez quando se referiu à Universidade Al-Azhar, aquela que teria conduzido "o lume da sabedoria por séculos e séculos". A Universidade Al-Azhar tem uma história antiga e gloriosa. Mas a realidade é que, nos últimos 100 anos, ali se formaram o fundador do grupo terrorista Mão Negra, o fundador do grupo terrorista Irmandade Muçulmana e o fundador do grupo terrorista Hamas. Barack Obama procurou instaurar um diálogo com o islamismo que produziu o Renascimento – que produziu Giotto. Como se Giotto, depois de pintar afrescos numa capela, fosse fabricar um foguete Qassam. É melhor Barack Obama clicar o nome de Giotto na Wikipédia.

O IDIOTA


COISAS DA POLÍTICA

Lula e o PT em caminhos cruzados

Villas-Bôas Corrêa

JORNAL DO BRASIL - 06/06/09

Em política, a desculpa da coincidência geralmente esconde o arrependimento da atitude estabanada ou a tentativa de dissimular a crise miúda dos interesses. Agora, por exemplo, é curiosa a birra do PT com o presidente Lula, o notório dono da legenda que sem ele não existiria e talvez nem sobreviva. Mas não é por simples acaso que o PT entrou com 32 assinaturas de deputados na jogada patrocinada pelos insaciáveis aliados do PMDB para ressuscitar a proposta de emenda constitucional que escancara a porteira do terceiro mandato consecutivo para o presidente da República, governadores e prefeitos. O seu autor é o mesmo deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) que insiste em reabrir a brecha para escapar do esconderijo do anonimato.

E deve estar mergulhado numa banheira morna e com água cheirosa. Merece: a primeira emenda morreu na praia com a retirada de assinaturas de arrependidos e cautos. O autor voltou à colheita dos jamegões de deputados e chegou a 182, 11 a mais das 171 necessárias.

O repeteco não parece ter fôlego para ir longe. É mais uma cutucada no presidente para adverti-lo da necessidade de atender aos pedidos dos aliados, que só pensam na reeleição para garantir mais quatro anos de um dos melhores empregos do mundo.

Certamente o presidente não recuará, sob pena de liquidar com a sua credibilidade. No seu penúltimo giro pelo mundo e na última excursão pela América Latina, aproveitou uma entrevista a um grupo de repórteres para reiterar, em termos que não admitem recuo, que "não é, nem será candidato a um terceiro mandato". E lembrou a sua enfática declaração que correu o país que "não se brinca com a democracia". Na gangorra da calamidade que assola o Norte, Nordeste e o Sul das enchentes que inundam municípios, com milhares de desabrigados que só saltaram a vida e perderam tudo mais, inclusive parentes e a sua consolidada popularidade internacional, a insolência de petistas já recebeu a resposta indireta.

Mostrando que manda quem pode, Lula comunicou ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP) que não vai liberar o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, para presidir o partido a partir de novembro. E, na mesma toada, indicou o ex-senador sergipano José Eduardo Dutra para substituir o atual presidente, que não pode mais ser reeleito. A decisão deve ser referendada neste fim de semana, em São Paulo, no seminário da corrente com o tonitruante nome de Construindo um Novo Brasil.

Com o PT não há mais nada a fazer: ordens dadas e obedecidas.

Não se deve esperar maiores danos, além de alguns arranhões, com a crise que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, vinha cultivando com a bancada ruralista e demais interessados no desmatamento para a formação de pastos para a criação de gado. Lula teve uma conversa dura com o ministro Carlos Minc, mas decidiu mantê-lo no cargo, devidamente enquadrado, sem recuar das suas posições. É briga que rola há dezenas de anos e que continuará enquanto tiver uma moita de capim na região amazônica. Lula assinou o manifesto do movimento Amazônia para Sempre, encabeçado pelos atores Vitor Fasano e Christinane Torloni, que defende o fim do desmatamento na imensa região. E ficou bem com os dois lados.

A ministra Dilma Rousseff, candidata escolhida e lançada por Lula para substituí-lo nas eleições de 5 de outubro de 2010, embora em posição consolidada, foi mais a ser beneficiada pelo enquadramento do PT. A candidata está na metade das sessões de quimioterapia para a cura do câncer linfático, detectado a tempo. Esta semana submeteu-se à terceira sessão de fisioterapia. E em meio ao tratamento com 90% de probabilidade de cura, os novos rebeldes mansos do PT cometeram a indelicadeza de ressuscitar a especulação sobre o terceiro mandato de Lula.

A desenganada reforma política é que parece não ter salvação. O que é a melhor das saídas no momento, pois é evidente que o pior Congresso de todos os tempos não tem autoridade para uma reforma para valer, que começasse por acabar com as mordomias escandalosas, com as vantagens, muambas e mutretas que a cada reforma encontram saídas para driblar os cortes e a mágica para transformá-los em novas regalias. Transferida para este mês, a esquálida reforma deve ficar reduzida a miudezas, ficando o financiamento público das campanhas e a extravagante votação em lista para outra oportunidade. No dia de são nunca.

PANORAMA

REVISTA VEJA

Panorama
Holofote

Felipe Patury

É doce, mas não é mole

Ricardo Lêdo/A Gazeta


Oito grandes bancos informaram ao BNDES que seus empréstimos ao setor sucroalcooleiro somam 30 bilhões de reais. Essa exposição a um único ramo da economia começou com a escalada do preço do petróleo em 2007, que levou os bancos a facilitar créditos para projetos envolvendo o álcool. No fim de 2008, o preço do petróleo caiu e as usinas balançaram. Em maio passado, os bancos pediram ajuda oficial. O BNDES diz que não concederá novos financiamentos, mas pode se associar a alguns usineiros. O banco governamental apresentou um rol dos que pretende ajudar. Encabeça a lista o grupo Caeté, do alagoano Carlos Lyra, que perdeu 350 milhões de reais em derivativos em 2008. O BNDES pode liberar 100 milhões de reais para o Caeté, mas condiciona esses recursos ao fim das disputas entre os filhos de Lyra, Robert e Elizabeth. Os herdeiros cogitam cindir o grupo. O BNDES prefere a profissionalização da gestão.

A ameaça de Roriz

Sergio Lima/
Folha Imagem


Joaquim Roriz
ameaça deixar o PMDB se o diretório do partido no Distrito Federal lhe negar a vaga de candidato a governador no próximo ano. E isso está muito perto de acontecer. Separado de uma parente de Roriz, seu padrinho político, o presidente do PMDB local, Tadeu Filipelli, pretende apoiar a reeleição do governador José Roberto Arruda, do DEM. Roriz quer que a direção nacional do PMDB intervenha no diretório de Brasília para garantir sua vaga. Caso contrário, avisou, trocará de legenda.

Lagostas e Bob Esponja

Joedson Alves/
Folha Imagem


Depois das algazarras com ruralistas e colegas de Esplanada, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc,tem mais uma encrenca pela frente. O ministro da Pesca, Altemir Gregolin, tenta aumentar o número de gaiolas de pesca de lagosta das atuais 40 000 para 50 000. Minc é contra. Motivo: os estudos técnicos do Ibama indicam que a pesca da lagosta já chegou ao limite do sustentável. Se for expandida, poderá erradicar o crustáceo do litoral brasileiro, o que já começa a acontecer com as sardinhas no Sul do país. Será que Minc conseguirá bancar o Bob Esponja e absorver mais esse golpe?

Preferiu ficar em casa

Carol do Valle


Depois de ser muito cortejado por outras editoras, o premiado escritor Cristovão Tezza, autor de O Filho Eterno, fechou contrato com a Record, que o lançou ao estrelato. A editora comprou os direitos do próximo romance de Tezza, Um Erro Emocional, e de um livro de contos. Em ambos, o escritor vai explorar um personagem feminino de nome Beatriz.

Pensão de 100 000 reais

Evelson de Freitas/AE


A ex-mulher do empresário Flávio Maluf, filho do deputado Paulo Maluf, não tem mais a maior pensão judicial do Brasil. Há dez dias, Jacqueline Torresaceitou reduzir a cerca de metade os 217 000 reais mensais cobrados de seu ex-marido – e que ele relutava em pagar. O novo acordo celebrado na 2ª Vara da Família de São Paulo reduziu o valor da pensão para cerca de 100 000 reais. Ah, sim: Jacqueline poderá chamar de seu o palacete no qual o casal morava, no bairro paulistano do Morumbi. O imóvel está avaliado em mais de 20 milhões de reais.

Alan Marques/Folha Imagem


Tristes trópicos

Sabe o que tanto discutem o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador Fernando Collor (PTB-AL) em almoços reservados em Brasília? A candidatura de Collor ao governo de Alagoas. Renan já prometeu apoio ao seu mais novo melhor amigo. Em troca, requereu a vaga de senador na chapa de Collor. E o que se fará com o governador tucano Teotonio Vilela, que foi eleito em 2006 com o empenho de Renan? Bom, Collor e Renan discutem se cederão a segunda vaga de candidato ao senado ao atual governador.

CLÓVIS ROSSI

O Brasil e sua eterna fuga

FOLHA DE SÃO PAULO 06/06/09

SÃO PAULO - A ideia de "torcida única" nos estádios, para evitar selvagerias como a de quarta-feira, é a típica fuga para lugar nenhum, um clássico brasileiro.
Alguns exemplos desta mecânica:
1 - Você não consegue evitar a violência de baderneiros antes, durante ou depois das partidas? Fácil. Foge para a frente e proíbe uma das torcidas de ter o prazer de ver seu time jogar (e nem estou discutindo a viabilidade de reconhecer palmeirenses ou são-paulinos, por exemplo, para liberar uns e segurar outros).
2 - Você não consegue criar uma economia que dê emprego e renda decentes para a maioria? (Para todos, já seria pedir demais). Fácil.
Foge para a frente a cria a Bolsa Família ou outros mecanismos similares de compensação.
3 - Você não consegue ter um sistema de educação pública que abra à maioria oportunidades de acesso à universidade? Fácil. Cria as cotas.
O sistema de ensino continua uma droga, mas alguns escapam da condenação implícita que significa cair nas suas engrenagens.
4 - Você não consegue prover segurança à população? Fácil. Recomenda a ela que renuncie a seus bens (carro, carteira, relógio, celular, o diabo). 5 - Você não consegue dar fluidez ao tráfico de veículos? (O de drogas, este sim, é bem fluido). Fácil. Cria o rodízio.
O aspecto político relevante em tudo isso é que todas as fugas são bem intencionadas. É melhor o Bolsa Família do que matar de fome os muito pobres, por mais que eles continuem, com a bolsa, a ser obscenamente pobres. É melhor perder o jogo do seu time, a carteira, o carro, do que a vida, claro.
Mas melhor mesmo, a sério, seria resolver os problemas em vez de contorná-los eternamente.
O problema é que, se fossem resolvidos, já não estaríamos no Brasil e seu eterno conformismo com a privação de direitos e prazeres.

CLAUDIO DE MOURA CASTRO

REVISTA VEJA

Claudio de Moura Castro
Educar é contar histórias

"Bons professores eletrizam seus alunos com
narrativas interessantes ou curiosas, carregando
nas costas as lições que querem ensinar"

De que servem todos os conhecimentos do mundo, se não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino, constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos nossos gurus faz apenas "pedagogia de astronauta". Do espaço sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.

Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de narrativa.

Há alguns anos, professores americanos de inglês se reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter, vendendo 9 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato, educar é contar histórias. Bons professores estão sempre eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso ignorar as teorias intergalácticas dos "pedagogos astronautas" e aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J.K. Row-ling. Eles é que sabem.

Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando apresentadas a sangue-frio: "Seja X a largura de um retângulo...". De fato, não se aprende matemática sem contextualização em exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula e propor a seus alunos: "Vamos construir um novo quadro-negro. De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E de quantos metros lineares de moldura?". Aí está a narrativa para ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas, estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a amperagem, pois em um cano "grosso" flui mais água. Aprendidos esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.

É preciso garimpar as boas narrativas que permitam empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor "construir sua própria aula", em vez de selecionar as ideias que deram certo alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: "O bom artista copia, o grande artista rouba ideias". Se um dos maiores pintores do século XX achava isso, por que os professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e ajustando (é aí que entra a criatividade). Se "colando" dos melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.

GOSTOSA


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INFORME JB

Como batem asas esses tucanos

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 06/06/09

A cúpula do PSDB tem uma certeza para o futuro do partido, no que concerne à candidatura presidencial: sem Minas ou São Paulo, dois dos maiores colégios eleitorais do país, não há como tocar uma campanha. Daí o esforço de unir cada vez mais os governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). E quem tem feito isso é o presidente da legenda, Sérgio Guerra (PE), por meio de interlocutores. Mas o PSDB também convive com uma verdade incômoda em suas hostes, o trunfo de cada pré-candidato. Serra bate pé pelo consenso em torno das pesquisas. É de fato o nome mais forte hoje. Aécio, além de rodar o país, vai mostrar uma fatura lá na frente: tem PDT, PSB, PTB, PP e boa parte do PMDB com ele. O PSDB terá muito mais que prévias pelo caminho da conciliação.

Itamar, a volta Pajelança

O ex-presidente da República e ex-governador mineiro Itamar Franco acertou sua filiação ao PPS. Assinará a ficha até dia 6 de julho, com festa em Belo Horizonte. Será candidato ao Senado, com apoio de Aécio Neves.

O acordo foi em almoço com a cúpula do PPS mineiro, na quinta, no BDMG, presidido por Itamar. Roberto Freire, maior entusiasta, não foi. Mas parabenizou. Itamar também vai levar para o PPS Henrique Hargreaves, seu ex-ministro, e o presidente da Cemig, Djalma Bastos de Morais.

Ban(ca)da larga

Uma pesquisa de uma agência de comunicação com 235 parlamentares em Brasília mostrou que caiu 5% o índice dos que leem jornais, e aumentou 4% o índice dos que acessam internet. Mas os jornais (91%) ainda são mais usados para informação.

A outra

O STJ determinou que a Justiça potiguar julgue novamente uma ação em que uma mulher requer partilha de bens com o ex-amante – que era casado.

A esposa

A Justiça estadual "deve considerar também como ré na ação a esposa do homem, pois o casamento, além de ser anterior à sociedade constituída, foi celebrado em comunhão universal de bens". Em questão, um apartamento comprado em 1999.

Krajcberg do povo

As obras e o sítio do artista plástico Frans Krajcberg foram doados ao governo da Bahia. O acervo é composto por mais de mil esculturas, entre outros objetos.

Epa, epa, epa

Foi rejeitado na CCJ do Senado projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que determinava que as declarações de imposto de renda dos membros dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário fossem enviadas para a malha fina.

Então tá

Segundo Cristovam, seria uma forma de "evitar que muitas irregularidades praticadas só viessem a ser descobertas anos após os atos de improbidade terem sido praticados". Voto vencido, o senador decidiu incluir sua declaração na malha fina.

Pelo verde

O presidente da Câmara, Michel Temer, prometeu ao ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) colocar em pauta a PEC que transforma a Caatinga e o Cerrado em patrimônios nacionais.

Pelo verde 2

A PEC modifica o parágrafo 4º do artigo 125 da Constituição, que já consagra a Amazônia, a Mata Atlântica e o Pantanal como Patrimônios Nacionais.

É guerra

Em palestra em BH, o secretário de produção energética do Ministério da Agricultura, Manoel Vicente Bertone, disse que na sua pasta existem mais ambientalistas do que na de Minc.

Maioridade penal

Uma enquete no site do Senado pergunta: "Qual sua opinião sobre a PEC 26/2002, que reduz a maioridade penal?". Até às 20h de ontem, com 3574 votos, o resultado estava em: 33,18% concordavam com redução para 16 anos; 48,82% defendiam a maioridade para menos de 16 anos; e 17,99% diziam não concordar com redução.

RUY CASTRO

Praia de Tom Jobim

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/06/09

RIO DE JANEIRO - Em todos os jornais, sites, TVs e rádios do planeta, nos últimos dias, o Airbus da Air France decolou do Aeroporto Galeão-Antonio Carlos Jobim, no Rio, no último domingo, para a queda no oceano Atlântico. Mídia e curiosos também especularam se o avião já não teria saído do Tom Jobim com algum problema, e se o Tom Jobim isto ou o Tom Jobim aquilo na morte das 228 pessoas a bordo.
Obviamente, nada supera a tragédia em si, mas é triste ver o nome de um artista aparecer no noticiário associado a um dos piores desastres na história da aviação. E ninguém merece isso menos que o próprio Tom -seu nome estava apenas batizando um aeroporto, o qual, por sua vez, também não teve nenhuma responsabilidade na desgraça.
Há um certo lirismo no fato de um aeroporto levar o nome de um músico, quando a regra é que essa honra seja privilégio de gente cascuda, como reis, presidentes, militares -aliás, aeroportos são instalações militares. Mas, com isso, o homenageado corre o risco de protagonizar manchetes de sentido dúbio, como já aconteceu por aqui há tempos: "Polícia Federal apreende 200 kg de cocaína no Tom Jobim".
Logo Tom, que não chegava perto de drogas ilícitas, não gostava de aeroportos e tinha horror a avião. Só voava porque era obrigado. Ao compor o "Samba do Avião", em meados de 1962, queria apenas celebrar uma rara chegada ao Rio por esse meio, voltando de São Paulo -ele que, na época, só fazia o dito trajeto de trem.
Sempre achei que acoplar o nome de Tom Jobim ao do antigo Galeão, o que aconteceu meses depois de sua morte, em 1994, era uma falsa boa ideia. Uma homenagem mais a propósito teria sido se, sob as placas indicando sua querida av. Vieira Souto, em Ipanema, uma segunda placa dissesse: "Praia de Tom Jobim".

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


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ANCELMO GÓIS

QUER VER

O GLOBO - 06/06/09

Manmohan Singh, o premier da Índia, solicitou à embaixada do Brasil em Nova Déli uma cópia da novela das oito da TV Globo, Caminho das Índias.
BRASIL MINERAL
O bilionário americano Warren Buffett, considerado o maior investidor do mundo, conversou com um conhecido banqueiro brasileiro.
Está de olho em mineração no Brasil.
MEU DEUS...
Os hackers não economizam maldade nem na tragédia.
Acredite. Começou ontem a proliferar no orkut um recado com links para falsas imagens de “resgates de sobreviventes” da tragédia com o Airbus da Air France. É vírus.
CADERNO E LÁPIS
Dilma Rousseff está treinando francês e inglês.
CINE MULHER
O Festival de Ouro Preto, MG, que começa dia 19 de junho agora, será dedicado à mulher no cinema brasileiro.
Zezé Motta receberá uma homenagem especial e irá a sessões de filmes em que atua.
NA TERRA DE MORALES
“Entre dez petroleiras do mundo todo, a Petrobras é a que mais investirá na Bolívia”, diz reportagem do El Diario.
Segundo o jornal boliviano, a estatal brasileira teria se comprometido a fazer um aporte de US$ 174,54 milhões nos campos de San Alberto e San Antonio, e nos trabalhos de exploração em Ingre.
JORGE SEMPRE AMADO
Gabriela cravo e canela, Dona Flor e seus dois maridos e Capitães de areia, de Jorge Amado, serão lançados na Romênia pela editora Univers.
Na Alemanha, será lançado A descoberta da América pelos turcos”.
A NOVELA DA VARIG
José Antônio Toffoli, advogado-geral da União, prorrogou por 60 dias a comissão que tenta um acordo para encerrar a ação da defasagem tarifária em curso no STF e outras grandes causas da velha Varig contra o governo.
O pessoal da finada pediu R$ 7 bilhões para encerrar o caso. O governo achou caro e pediu mais tempo.
NOSSO JAPONÊS
O ministro Hélio Costa vai estes dias à Venezuela. O Brasil está em campanha para convencer outros países da região a adotar o modelo de TV digital japonês.
Quanto mais países da região adotarem o modelo, maior a economia de escala. O Peru já aderiu. Argentina e Chile podem fazer o mesmo.
PELADÃO
O ator Eriberto Leão, o Zeca da novela Paraíso, da TV Globo, foi convidado para posar nu na G Magazine.
SEGURANÇA EM 2014
Semana que vem, oito delegados cariocas desembarcam na África do Sul para visitar cidades onde haverá jogos da Copa de 2010.
É estágio para os preparativos da segurança da Copa de 2014.
TELA GRANDE
A história do cantor Marcelo D2 e de sua extinta banda Planet Hemp vai virar filme.
Anjos da Lapa será ambientado no Centro do Rio. A ideia é mostrar também o início da fase de revitalização do bairro boêmio. O longa terá roteiro de Nelson Motta e será produzido pela Academia de Filmes.

FERNANDO RODRIGUES

O Fura-Fila de Dilma

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/06/09

BRASÍLIA - Enganado por FHC na aprovação da emenda da reeleição, Paulo Maluf ficou sem opções em 1996. Queria mais um mandato de prefeito em São Paulo, mas o tucanato cronometrou o casuísmo para 1998, quando só serviria ao presidente e a governadores.
Maluf então inventou Celso Pitta para sucedê-lo. Era um de seus secretários mais vistosos. Negro, não era político e foi vendido como honesto e bom administrador -esse último suposto predicado acabou desmoronando na prática.
Pitta saiu quase do zero nas pesquisas. Na campanha, exibia dois ativos. O prestígio de seu chefe, Paulo Maluf, e à época sofisticada propaganda eletrônica maquinada por Duda Mendonça. Uma imagem computadorizada fazia deslizar sobre trilhos suspensos, em São Paulo, o Fura-Fila. O simpático trenzinho acabaria com a agonia dos paulistanos. Nunca deu certo, mas o malufismo elegeu um sucessor.
Nesta semana, Dilma Rousseff fez uma apresentação sobre o PAC, as obras de infraestrutura do governo Lula. Uma delas é o trem-bala entre São Paulo e Rio. A ministra, pré-candidata a presidente, mostrou um filminho com uma linha percorrendo o trecho entre as duas maiores capitais do país.
A apresentação de Dilma foi tão virtual como a de Pitta, em 1996.
Não por coincidência, o publicitário inoculando ideias e estratégias no projeto Dilma-2010 é João Santana, que por alguns anos trabalhou com Duda Mendonça.
O trem-bala lulista sai de São Paulo, passa por Campinas e chega ao Rio atravessando montanhas, voando sobre penhascos e cortando ao meio bairros inteiros nas periferias das cidades. A promessa é colocá-lo em circulação até 2014, ano de Copa do Mundo. Como furar todos esses caminhos para o trem-bala passar? Não importa. Até porque, é sabido, a história se repete muitas vezes como farsa.

VAMOS TOMAR CERVEJA!


CLÁUDIO HUMBERTO

“Continuo (no governo) firme e forte. Tremei poluidores”
MINISTRO CARLOS MINC (MEIO AMBIENTE), GARANTINDO QUE NÃO VAI SAIR DO CARGO.

METADE DO MINISTÉRIO VAI DISPUTAR ELEIÇÃO
O presidente Lula conta com a saída de 18 dos atuais 37 ocupantes de cargos de nível ministerial. Todos devem se afastar dos cargos em dezembro, cedendo lugar a substitutos a serem escolhidos por Lula em comum acordo com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), única a ficar no cargo até a data-limite do prazo de desincompatibilização, a fim de garantir exposição na mídia ao lado do presidente da República.
DROGA DE MINISTRO
Após integrar a marcha de apologia ao consumo de maconha, o ministro do Meio Ambiente ganhou um apelido na internet: Carlos Minconha.
SEU DINHEIRO
O rico governo do Piauí vai investir R$ 1 milhão em um filme sobre a vida do cantor Frank Aguiar, atual vice-prefeito de São Bernardo (SP).
CHUVA DE DÓLARES
A entrada de dólares totalizou 3,13 bilhões em maio (119% a mais, em relação a 2008). Aplicações no setor produtivo somam US$ 2,75 bilhões.
ELEIÇÕES
Cerca de 29 milhões de italianos irão às urnas neste sábado e domingo para eleger o presidente e os parlamentares de 62 províncias do país.
LOBBY POR TERRORISTA ENVOLVE ATÉ A OAB
O presidente da OAB, Cezar Britto, levará à reunião do conselho federal, segunda-feira (8), no Rio, uma proposta para exigir do Supremo Tribunal Federal que julgue logo o caso do terrorista italiano Cesare Battisti, preso em Brasília por ter sido condenado à prisão perpétua pelo assassinato de quatro inocentes, na Itália. Criminoso comum, ele foi aliciado na prisão pela organização terrorista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).
MÃO AMIGA
O STF examinava a extradição quando o terrorista foi beneficiado por uma portaria do ministro da Justiça concedendo-lhe “asilo político”.
FIQUE CLARO
Cesare Battisti não foi julgado e condenado em uma ditadura, mas na Itália, sólida democracia cuja Justiça goza de excelente reputação.
PRAZER SÁDICO
Segundo o testemunho de cúmplices do terrorista na Justiça, César Battisti “sentia prazer ao ver o sangue jorrar de suas vítimas”.
A MAIS LIDA
Pesquisa anual da FSB Comunicação sobre hábitos de leitura dos deputados federais, divulgada ontem pela Folha de S.Paulo, atesta que esta coluna está entre as mais lidas da imprensa brasileira, com 50%. A coluna Painel, da Folha, vem logo em seguida.
DISTORÇÃO
O edital de concurso para analista de sistemas e técnico em computação do Tribunal de Justiça do Paraná reserva 10% das vagas para “afrodescendentes” e apenas 5% para deficientes físicos.
SOSSEGO
A família pernambucana pode dormir sossegada. O presidente Fernando Lugo, bispo que não pode ver um rabo de saia, não viajará ao Recife para o jogo Brasil X Paraguai, quarta-feira (10).
FILA PARADA
Há 7 mil crianças na fila de espera de cirurgia (algumas muito simples), nos hospitais públicos de Brasília, a capital do País cujo presidente diz que o sistema público de saúde é “atingiu a perfeição”.
VERGONHA
Palavra de diplomata: desmentido pelos fatos no caso do sumiço do avião da Air France, o ministro Nelson Jobim teria feito melhor se deixasse o caso para profissionais: oficiais da Marinha e da Aeronáutica.
RARO CONSENSO
Confederação Nacional da Indústria e Fiesp se uniram para sepultar na Câmara projeto permitindo ao credor de precatório receber antes o valor do título com deságio, quando o papel vai a leilão público.
PREPARANDO O RETORNO
O ex-ministro da Justiça e advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, acompanha os passos da ministra Dilma Rousseff, sempre que ela vai a São Paulo para o tratamento quimioterápico no hospital Sírio e Libanês.
PÕE NA CONTA
Passageiros da TAM (vôo 3112), de São Paulo para Belo Horizonte, tomaram um baita susto, ontem: o avião arremeteu quando praticamente tocava o solo. Segundo a empresa, “não houve nenhuma turbulência”.
DIA D
Hoje é comemorado o 65º aniversário do desembarque das forças aliadas na praia da Normandia, na França controlada pelos nazistas.

PODER SEM PUDOR
O CARRO COMO TROCO
Cansados do lero-lero de uma convenção regional do PSDB, em 1990, Fernando Henrique, José Serra, Sérgio Motta e Walter Feldman decidiram matar a fome numa churrascaria. Apertaram-se no carro de Feldman, um Corcel 1970 em petição de miséria. À saída do restaurante, Feldman coçou o bolso e disse que não tinha como gratificar o manobrista. Serjão sugeriu:
– Ofereça o seu carro. Talvez ele aceite...

DORA KRAMER

Fantasmas ao meio-dia

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/06/09

Perfeitamente incorporado à paisagem praiana do Rio de Janeiro, o ministro Carlos Minc causa espécie no ambiente do planalto. Não é o primeiro nem será o último personagem que aparece na capital da República imbuído da convicção de que, sendo peculiar, fará a diferença.

De vez em quando aparece um. Chama atenção, prende todos os interesses, divide opiniões, junta sempre muita gente, é assunto por um tempo, até que começa a pecar pelo exagero e entra na mira da máquina de moer boas imagens.

Carlos Minc está nesse ponto, pronto para a inflexão. No momento, o menor dos problemas do ministro do Meio Ambiente é a possibilidade de uma demissão. Desse mal não morre enquanto atender à necessidade do governo no tocante à concessão de licenças ambientais para as obras do PAC.

Esse risco também não corre enquanto mantiver acesa a chama da briga com os grandes produtores rurais. Coisa recente, segundo parlamentares na bancada que tiveram com Minc conversas “normais e cordiais” no ano passado.

Ao construir essa dicotomia, o ministro dificultou qualquer ação contra ele, pois o menor gesto seria visto como vitória dos “latifundiários”. Fica o presidente Luiz Inácio da Silva de mãos amarradas. Daí a segurança de Minc ao informar sua permanência “até o fim do governo”, antes mesmo da conversa formal marcada com o presidente para tratar da “algazarra” durante a ausência dele. Daí a retomada do ataque, em tom de deboche, sobre o desejo da bancada ruralista de cortar o “pescocinho do Carlinhos”.

Quanto mais tensão se mantiver entre ele e um grupo que não priva mesmo de boa fama, mais seguro fica no cargo, mais constrangimento as ONGs que reclamam da política ambiental do governo têm de ligar a queixa à pessoa de Carlos Minc, mais heroica parecerá sua posição, com mais consagração poderá sonhar na próxima eleição.

Enquanto se assiste ao conflito vazio, não se questiona a eficácia do ministro na administração das questões substantivas relativas ao ministério nem se contesta sua capacidade de acomodar interesses e avançar naquilo que lhe concerne: o manejo racional dos recursos do meio ambiente.

Mas, pelo jeito, Minc já percebeu que essa briga sempre esteve perdida. Ao governo importa pouquíssimo o destino do ambiente. Não é um tema que sensibilize a massa do eleitorado nem é algo que possa fazer frente a um robusto calendário de obras em cima de um palanque.

Se não quiser macular sua bem-sucedida trajetória de político e ambientalista, se não quiser sair por aí com a pecha de carimbador de licenças ambientais, Minc parece convencido de que terá de combater algum dragão da maldade para, no contraponto, ficar no papel de santo guerreiro.

Nada contra, é do jogo atuar para deleite da arquibancada. Apenas é preciso levar em conta aquele velho lema segundo o qual a esperteza, quando é muita, vira bicho e engole o dono. Até agora, a estratégica de Carlos Minc tem dado certo. Mas a falta de sutileza, o imperativo de marcar com tintas muito fortes sua posição, pode levar ao efeito contrário.

Tudo o que é demais, até o factoide, enjoa. E o ministro não tem sido muito hábil na calibragem do estilo carnavalesco, seu maior e mais poderoso inimigo. Muito mais que qualquer integrante da bancada ruralista.

Por ora, ainda há ali alguma intimidação, uma vez que no terreno dos simbolismos Minc é do “bem” e os produtores rurais são do “mal”. Ninguém em sã consciência quer briga com quem, em tese, é soldado do bom combate.

Mas, quando a insistência é muita, o público desconfia. Ele teria se saído razoavelmente bem da mais recente ofensiva – ou “algazarra” no dizer do presidente Lula – se tivesse parado no pedido de desculpas aos ruralistas por tê-los chamado de “vigaristas”.

Mas, não, resolveu insistir. Jactou-se da sustentação recebida para permanecer no cargo e, contrariando a promessa de ser mais cauteloso com as palavras, deu-se à imprudência de recrudescer. E aí já em termos de pura provocação, o que levanta nos eleitos como inimigos a forte suspeita de que ao reagir apenas batem palmas para o ministro dançar.

Minc sabe perfeitamente bem que o objetivo da “turminha” não é exibir como troféu o “pescocinho” nem a “picanha do Carlinhos”. Sabe que a agricultura no Brasil não é um valhacouto de vândalos interessados em transformar “nossos biomas em latifúndios, em monocultura”.

Sabe que o choque real de concepções se dá no governo. As derrotas de que reclama foram todas impostas dentro e não fora do governo. Portanto, Minc está fazendo, e de maneira consciente, uma guerra com fantasmas sob o sol do meio-dia, na impossibilidade de lutar contra os reais adversários, pelos motivos e com as armas certas.

Tenta ganhar a chamada guerra da comunicação, área de sua notória especialidade. Esquecido, porém, de que só existe um personagem na posse do salvo-conduto para exorbitar do verbo impunemente e o nome dele não é Carlos Minc.

O CHEFE DA QUADRILHA

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Após tragédia, Air France troca o sensor de aviões

- Folha: Mensagem indica que o leme do Airbus quebrou

- Estadão: Brasil taxa aço importado para conter invasão chinesa

- JB: Air France sabia de problema no sensor

- Correio: Como blindar seu dinheiro na crise

- Valor: Limite para queda dos juros opõe Fazenda e BC