Fator Eike
| O Globo - 28/01/2009 |
Do total de US$45 bi de investimentos estrangeiros no Brasil, ano passado, US$9,6 bi, quase um quarto, têm as digitais de Eike Batista. O dia D Pobre Maranhão Boi na linha |
| O Globo - 28/01/2009 |
Do total de US$45 bi de investimentos estrangeiros no Brasil, ano passado, US$9,6 bi, quase um quarto, têm as digitais de Eike Batista. O dia D Pobre Maranhão Boi na linha |
| O Estado de S. Paulo - 28/01/2009 |
Noves fora o já notório senso de (des) proporção do ministro da Justiça, Tarso Genro, ele se faz lógico quando assegura que o sistema político brasileiro não desaba se o PMDB ganhar as presidências da Câmara e do Senado. |
| Folha de S. Paulo - 28/01/2009 |
Depois de um superávit inédito registrado em dezembro, a Previdência já se prepara para fechar janeiro com déficit. O ministro José Pimentel afirma que a queda na arrecadação ainda não reflete o desemprego do mês anterior. E sim medidas como o adiamento do pagamento do Simples, de janeiro para fevereiro, e o desembolso de R$ 3 bilhões em acordos judiciais. GRAMADO |
- Globo: Crise faz governo bloquear R$ 37,2 bi do Orçamento
- Folha: Ganho dos bancos cresce; inadimplência é recorde
- Estadão: Itália chama embaixador de volta e agrava crise com Brasil
- JB: O reboque voltou
- Correio: Niemeyer na trincheira: “Não abro mão”
- Valor: Governo vê 'barbeiragem' e vai mudar licenças prévias
- Gazeta Mercantil: Arrecadação é maior que o PIB do agronegócio
- Estado de Minas: BH confirma 20 casos de dengue
| Folha de S. Paulo - 27/01/2009 |
O governo editará um decreto até sexta-feira estabelecendo cortes no Orçamento-2009, mas faz questão de avisar à sua base no Congresso que, por enquanto, se trata de uma mera formalidade -a lei exige que o chamado "contingenciamento" ocorra até o fim do mês. O detalhamento de onde a tesoura vai agir de verdade sairá apenas depois das eleições para a presidência da Câmara e do Senado, no dia 2. No aguardo Em recente conversa por telefone, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) consultava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) sobre a orientação da bancada do PSDB na eleição à presidência do Senado. Na ocasião, já era fato que José Sarney (PMDB-AP) entrara na disputa contra Tião Viana (PT-AC). |
| Panorama Econômico |
| O Globo - 27/01/2009 |
As contas externas voltaram a ser uma restrição, na visão do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga: "Não são uma restrição como no passado, mas com as commodities caindo de preço e a recessão no mundo, são sim um problema." O déficit em transações correntes fechou o ano passado em US$28 bilhões, 1,7% do PIB. Altamir Lopes, do BC, acha que o déficit cai em 2009, por causa da crise. |
| O Globo - 27/01/2009 |
Está em curso um verdadeiro leilão pelos cargos da Mesa do Senado e pelas presidências das comissões. Para consolidar o apoio do PSDB e do DEM à candidatura José Sarney (PMDB-AP), o PMDB deve abrir mão das presidências das Comissões de Constituição e Justiça e Assuntos Econômicos. O ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) deve levar a Comissão de Relações Exteriores e a primeira vice-presidência está indo para o PSDB. Está definido |
| O Estado de S. Paulo - 27/01/2009 |
Autor do anteprojeto do Código de Ética interno que o PT começa a discutir, o secretário-geral do partido e deputado federal José Eduardo Martins Cardozo integrou a CPI dos Correios e transitou na contramão da decisão majoritária de deixar quase por isso mesmo as malfeitorias da direção do partido com o lobista Marcos Valério. Sempre pregou uma posição mais rigorosa e defendeu a ideia de que o PT jamais sairia totalmente ileso dos escândalos de 2005 se não fizesse uma autocrítica de procedimentos e não aplicasse punições de fato. Persona non grata no Palácio do Planalto e na seção petista de seu próprio Estado (SP), comandada pelo grupo de Marta Suplicy, Cardozo foi voto vencido na época e hoje, levado pelas circunstâncias (uma candidatura à presidência do PT com votação e apoios expressivos) à cúpula da Executiva, está a cavaleiro para propor a regulação de condutas. No papel, está tudo lá, previsto e até redundante em relação às leis em vigor e às regras da convivência civilizada: veto ao uso do caixa 2; proibição de "exploração de detalhes da vida íntima de adversários" em disputas eleitorais; obrigatoriedade de quebra voluntária do sigilo de dados pessoais; quarentena para quem ocupar cargo público de confiança; proibição de acúmulo de cargo público com função na estrutura partidária. Pelo código, o PT fica obrigado a divulgar mensalmente na internet doações de pessoas jurídicas, não pode patrocinar "filiações em massa" e está proibido de participar ou promover "manobras parlamentares ou escusas". Tudo, segundo a proposta, para assegurar uma boa imagem pública ao partido. Ótimo, já não era sem tempo, antes tarde do que nunca, estava mesmo na hora de o partido da ética abandonar a lassidão de comportamento que presidiu suas ações desde a ascensão ao poder, em contradição com a trajetória de uma vida partidária dedicada, na oposição, à cobrança da elevação dos padrões no exercício da política. É um avanço o debate do tema. O PT, entretanto, só fará diferente das legendas que ignoram o tema - todas elas - se, além de debater e escrever o código, se dispuser fazer da teoria uma prática corriqueira, abandonando a lógica da "transparência assim é burrice" em voga nos tempos em que Delúbio Soares era tesoureiro. Não fala em favor do partido o fato de as normas - apesar de propostas anteriormente - começarem a ser cogitadas na última metade do governo Lula, quando poderiam ter sido implantadas ao longo do segundo mandato, a tempo de o PT mostrar apreço à ética estando no poder ou fora dele. Este, ademais, é o eterno problema dos códigos, regulamentações e leis em geral. Só são fortes se as pessoas estiverem dispostas a obedecê-las. Se não, tendem a ter o mesmo destino do Código de Ética Pública, por exemplo, ignorado explícita e oficialmente. O que está em elaboração pelo PT virará letra morta se, uma vez aprovado, a direção do partido, encarregada de aplicá-lo, mais uma vez optar pela proteção de uns poucos em detrimento da regra geral. É uma chance de restauração e retomada da boa imagem perdida. Caberá ao partido aproveitá-la ou não. Mão e contramão O Palácio do Planalto já deve ter percebido que contratou uma enrascada no caso Cesare Battisti. Inclusive porque se o Brasil não leva em conta as razões da Itália não poderá esperar que tenha as suas respeitadas numa eventualidade futura. Além do horizonte Auxiliar muito próximo do governador José Serra com gabinete no Palácio dos Bandeirantes diz que não sabe qual é a posição do chefe sobre a eleição para a presidência do Senado. Apenas põe as coisas nos seguintes termos, considerando a hipótese de Serra ser mesmo o candidato do PSDB e ganhar a eleição, que é como ele raciocina: "Sarney eleito agora provavelmente seria reeleito em 2010, bem como Michel Temer na Câmara. Será que Serra acha bom ou ruim ter o PMDB - Sarney em particular - no domínio total do Congresso na campanha e durante os primeiros dois anos de governo?" A resposta certa é, no entender do serrista em questão, "ruim". Mas, pensando na mesma situação em relação a Tião Viana, do PT, a alternativa poderia ser péssima. A menos que no Palácio dos Bandeirantes se considere um PT na oposição potencialmente menos danoso que um PMDB na pressão. Por tabela Na viagem na semana passada à Colômbia, o governador Serra esteve uma hora e meia com o presidente Alvaro Uribe, que busca um terceiro mandato. Uribe não tocou no assunto, mas o governador de São Paulo registrou sua posição junto a amigos do presidente: melhor sair bem depois de dois mandatos. Redobrar a aposta é mais que um risco, é fracasso certo. |
- Globo: Obama fixa meta verde para reduzir emissões da frota
- Folha: Governo aumenta burocracia para frear importação
- Estadão: Multinacionais anunciam 86 mil demissões pelo mundo
- JB: 70 mil perdem emprego em menos de 24 horas
- Correio: Xô, terceirizados
- Valor: Brasil impõe licença prévia para 60% das importações
- Gazeta Mercantil: Desemprego avança e mostra o tamanho da crise no mundo
- Estado de Minas: Mundo investe mais no Brasil
Foi infernal a última quinta-feira do ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger. Naquele dia, em O Globo, ele criticou o programa Bolsa Família, provocando grave mal estar dentro do governo.
Mangabeira telefonou para se explicar ao ministro da Comunicação Social Franklin Martins. Que sugeriu que ele se explicasse ao ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias, responsável pelo programa.
Depois de dizer a Ananias o que não disse exatamente ao jornal, Mangabeira saiu-se com uma desculpa notável:
- O repórter não entendeu direito o meu sotaque.
Ex-professor da Universidade de Havard, Mangabeira é o brasileiro que melhor fala português como se americano fosse.
BLOG DO NOBLT
| Jornal do Brasil - 26/01/2009 |
A BANCADA DO PSDB NO SENADO reúne-se esta semana para definir, finalmente, se seus 13 senadores devem votar em Tião Viana (PT-AC) ou em José Sarney (PMDB-AP) para a presidência da Casa. E o tabuleiro formado para 2010 permeará cada entrelinha da conversa. Preocupados em não desagradar o disputado PMDB, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, têm usado a máxima cautela para tratar do assunto. "Me deixe fora dessa", disse outro dia Serra ao presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), quando perguntado sobre sua opinião. Mas, para avaliar o que pensam os tucanos, deve-se lembrar que o PSDB torce mesmo é pelo divórcio entre PT e PMDB. Serra, por exemplo, andou encorajando Tião Viana a permanecer no páreo. Tucanos em alerta A sombra da crise |
| Folha de S. Paulo - 26/01/2009 |
A disputa interna no PSDB pela vaga de candidato a presidente em 2010 tem 60 dias importantes pela frente. A acomodação de forças na legenda até o final de março indicará uma possível atrofia das chances do governador mineiro, Aécio Neves -e o consequente fortalecimento do paulista José Serra como o nome dos tucanos para a sucessão de Lula. Aécio deu um prazo para o PSDB regulamentar as prévias no partido. |
| Folha de S. Paulo - 26/01/2009 |
Criado em 2007 na gestão de Marina Silva (PT) no Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Chico Mendes gastou R$ 1,8 milhão com cartões corporativos em 2008, 78% de tudo o que foi desembolsado por meio desse mecanismo na estrutura do ministério e todas as suas autarquias juntas (R$ 2,3 milhões). Do tesoureiro da sigla, PAULO FERREIRA, criticando a proposta de divulgação mensal de doadores, que está no projeto de código de ética do PT. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) finalizava uma votação durante sessão da Comissão de Ciência e Tecnologia quando o colega Gilvam Borges (PMDB-AP) entrou na sala de surpresa e foi imediatamente questionado sobre como votaria. Gilvam pediu alguns minutos para analisar a matéria, enquanto Salgado coçava o queixo, pensativo: |
- Globo: Pacote acaba com firma reconhecida mais uma vez
- Folha: Crise reduz arrecadação e afeta planos dos Estados
- Estadão: FMI prevê pior ano desde a 2ª Guerra
- JB: Mais de mil vetos dormem na gaveta
- Correio: Dois carros clonados a cada três dias no DF
- Valor: Vendas e produção de PCs, caem, após anos de recorde
- Gazeta Mercantil: Descontos seguram importações em alta
- Jornal do Commercio: Defensor de direitos humanos executado
A reação dos aliados do governador Aécio Neves à incorporação de Geraldo Alckmin ao governo José Serra é definida por auxiliares do governador como “pouco profissional”. Até mesmo a ironia de Aécio ao dizer que se sentia “homenageado” com a nomeação de Alckmin para secretário de Desenvolvimento foi vista como desproporcional.
Por mais razão, concluem os paulistas, o lance aconteceu na hora certa. O motivo da irritação dos mineiros – explicitada, contrariando o dogma político regional – se o grupo de Serra sabe qual é não diz.
Manifesta apenas a suspeita de que Alckmin e Aécio Neves teriam alguma combinação “mais profunda” que foi interrompida com a ida do ex-governador para a secretaria e, por consequência, sua integração ao grupo que arquiteta a candidatura Serra para presidente em 2010.
Ninguém no Palácio dos Bandeirantes acredita que o governador de Minas Gerais pudesse de fato imaginar que Alckmin simplesmente desse as costas ao partido em São Paulo e aderisse à candidatura de Aécio, seja nas prévias ou mesmo na convenção para a escolha do candidato.
Por isso é que, diante do evidente susto e da assumida exasperação dos mineiros, levanta-se a dúvida sobre os termos das tratativas entre Aécio e Alckmin. Entre as suposições está a de que talvez os dois estivessem conversando sobre uma possível mudança de partido ou criação de nova legenda.
Se é fato ou ficção, no tocante a Alckmin o “para trás” é dado como vencido. Sobre o “para a frente”, a posição do governo estadual é a seguinte: Serra mostrou que comanda o partido em São Paulo, lidera o processo de construção da candidatura a presidente e tem duas opções para a eleição paulista: uma eleitoralmente mais viável e outra politicamente mais palatável.
Geraldo Alckmin tem votos e Aloysio Nunes Ferreira atrai PMDB e DEM, antipáticos a Alckmin. A composição de grupos não é considerada difícil porque, pelo combinado, quem não disputar o governo teria vaga assegurada no ministério, se Serra for eleito.
Nos acertos de gabinete leva-se em conta que ele só será candidato mesmo com uma boa margem de segurança de vitória, o que significa ótima situação nas pesquisas, unidade no partido e alianças partidárias consistentes.
Em relação a Aécio, nota-se a presença da tensão, pois é lógico que os aliados do governador paulista prefeririam os mineiros silenciosos e ambíguos. Para eles seria muito melhor que o assunto não fosse levado para o campo da disputa interna em torno da sucessão presidencial. Até porque na cabeça de José Serra não há disputa, embora diga a fim de não se agastar com Aécio e pôr em risco os votos do segundo colégio eleitoral do país.
Para o Palácio dos Bandeirantes – onde evidentemente não se reconhece isso – muito mais conveniente um Aécio paralisado pela jogada de Serra. Quando reage e finca o pé na porta, tira do gesto na pretendida naturalidade de uma nomeação administrativa feita para propiciar apenas uma leitura positiva e isso, é claro, incomoda.
Alma mineira
Ex-governador de Minas Gerais, ex-senador, Francelino Pereira envia mensagem sobre o lance da nomeação de Geraldo Alckmin que, na opinião dele, foi um desastre. “E por quer uma articulação saudada por todos como genial me parece tão desastrosa? O governador de São Paulo perdeu a oportunidade de fazer uma jogada de mestre, convidando o governador mineiro para estar ao seu lado no momento do anúncio. Esse simples gesto garantiria ao governador paulista, ao invés da reação e da cristalização da antipatia dos apoiadores de Aécio, uma avaliação positiva unânime.”
“O tempo e a energia que o governador paulista parece dedicar às tentativas de enfraquecer o governador Aécio seriam mais bem empregados na busca de um caminho de aproximação.”
“Uma frase muito repetida em Minas diz: desconfie da força de quem precisa demonstrar que é forte. Paradoxalmente, Serra não precisa de um Aécio mais fraco, pois pode vir a depender – e muito – dele. É hora de o governador Serra definir se sua prioridade é viabilizar-se como candidato ou vencer as eleições de 2010.”
“Os que conhecem a alma mineira – acredite, ela existe – sabem que equívocos assim podem acabar tornando irreversível a candidatura do governador Aécio. Mesmo porque, independente da vontade pessoal do governador, os mineiros jamais perdoariam um candidato que parecesse ter tirado de Minas a oportunidade de terminar a caminhada dramaticamente interrompida de Tancredo em direção ao Planalto.” Argumentos assim, se ouvirão a mancheias daqui em diante.
Diretas e indiretas
Mais saudável seria o ambiente da comemoração dos 25 anos das Diretas Já, não fossem as constantes indiretas em defesa da mudança do curso institucional, aí incluídas todas as propostas de alteração do tempo de mandatos.
Jornal do Brasil 25/01/09
O nocaute dos farsantes
Misericórdia seletiva – As mãos que aplaudem Battisti não se estenderam a Rigondeaux e Erislandy
Por que o silêncio que endossou a deportação dos pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, perguntam os que não se renderam ao cinismo, tirou para dançar esse berreiro que avaliza a promoção a "refugiado político" do terrorista em recesso Cesare Battisti? Por que não foram estendidas aos fugitivos da ditadura cubana as mãos que afagam o foragido da democracia italiana?, perguntam brasileiros honrados aos jornalistas que se tornaram cúmplices, por ação ou omissão, das duas abjeções consumadas pelo ministro Tarso Genro com o apoio explícito do presidente da República.
Jornalistas que têm compromisso com a independência intelectual aprendem muito cedo que a misericórdia seletiva é um dos sintomas que identificam portadores de esquizofrenia conveniente. A disfunção se manifesta em 10 a cada 10 colunistas federais, mas nenhum se curva ao que é evidente. Preferem costurar fantasias e gaguejar desmentidos que só reafirmam uma lição antiga como o mundo: a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono.
"De acordo com o noticiário da época", escreveu um integrante da tribo, os boxeadores que desertaram da delegação enviada por Cuba aos Jogos Pan-Americanos do Rio renunciaram espontaneamente à liberdade que os aguardava na Alemanha. Acharam melhor voltar ao marco zero da fuga "por naturais razões familiares".
"Noticiário da época" deve ser o novo codinome de Tarso Genro, pai da versão que reduz dois passageiros do medo a marujos sem juízo nem rumo, enganados por empresários gananciosos, mas socorridos a tempo por policiais brasileiros e enfim resgatados da criancice pela saudade do lar abandonado alguns dias antes. Bonito, isso.
E tão verossímil como uma cédula de três reais, tão consistente como um prédio de Sérgio Naya. A versão já nasceu grogue. Foi nocauteada pela segunda, e desta vez solitária e bem-sucedida, escapada de Erislandy Lara. Escaldado, percorreu a rota que evita a perigosa escala no Brasil e o risco da derrapagem em "naturais razões familiares".
Enfim na Alemanha, durante a entrevista que não houve no Brasil por ordem dos carcereiros, Erislandy traduziu para língua de gente a expressão misteriosa. Enquanto permaneceram confinados na Polícia Federal, à espera do avião cedido a Fidel Castro pelo companheiro Hugo Chávez, os cubanos foram proibidos de conversar com jornalistas e advogados. Só não perderam completamente o contato com o mundo exterior porque pressurosos policiais apareciam a cada 15 minutos com notícias recém-chegadas de Cuba.
Souberam, primeiro, que foram declarados "traidores" por Fidel, que alguns parentes já haviam perdido o emprego e que os amigos não paravam de ouvir ameaças por telefone. Mas em seguida souberam que seriam perdoados pelo ditador caso voltassem imediatamente. Confusos, assustados, embarcaram sem barulho. Já no aeroporto de Havana souberam que nunca mais voltariam a lutar.
Todos haviam mentido. Só Fidel admite sem constrangimentos ter feito o que fez. Os outros continuam mentindo.
Temporão luta contra o rebaixamento
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, declarou guerra à Unicef no começo da semana, inconformado com a agressão oficializada pelo relatório Situação mundial da infância 2009. Divulgado anualmente, o documento reúne informações, colhidas nos 12 meses anteriores, que mostram como andaram as coisas em 2007. Temporão exige a remontagem do ranking que mede as taxas de mortalidade infantil no universo das crianças com até 5 anos. O Brasil aparece na 107ª colocação entre 197 países, com 22 mortos para cada mil nascidos vivos. A comparação com os dados de 2006 informa que o país perdeu seis posições. Temporão engoliu sem queixas o índice que não deixa o país bem no retrato. O que o incomoda é a queda.
O relatório informa que, em um ano, a taxa subiu de 20 para 22 mortes. Estudos feitos pelo próprio ministério garantem que a taxa de 2006 foi de 23,1 para cada mil nascidos vivos. O Brasil, portanto, subiu no ranking. "Nossos critérios são mais confiáveis", diz Temporão. "Já me reuni com representantes, e até eles concordam". Os autores do estudo não emitiram nenhum sinal de que pretendem alterar a classificação divulgada há dias. Nem Temporão parece disposto a esquecer a posição no campeonato e concentrar-se na redução da mortandade ultrajante.
A História do Brasil republicano informa que é mais difícil montar o pior que o melhor ministério desde 1889. O governo Lula ainda vai chegar lá.
Faltou imaginação ao bandido nativo
Fernandinho Beira-Mar agora sabe que perdeu em 2001 a chance de trocar o uniforme de prisioneiro pela fantasia de revolucionário comunista e entrar para a história como o Cesare Battisti brasileiro. Bastaria jurar que pousara na Colômbia para entender-se com as Farc – e traficar armas e drogas em paz – mas acabou entendendo que não haverá salvação para o mundo sem a destruição do capitalismo explorador. Continuava na bandidagem não para embolsar os lucros, mas para financiar a guerrilha. Os dois ou três que matara no mês anterior eram contra-revolucionários.
Se o ministro da Justiça fosse Tarso Genro, Beira-Mar hoje desfilaria na ala dos anistiados à espera da indenização.
O ex-governador de Minas Newton Cardoso está bravo com a revista Veja: jura que seu patrimônio foi subestimado pela reportagem publicada na edição desta semana. E está bravo com a deputada federal Maria Lúcia Cardoso: jura que seu patrimônio foi superestimado pela ex-mulher, que reclama na Justiça metade da fortuna. "Tenho duas ou três empresas de reflorestamento, praia na Bahia, mais de 150 automóveis, 145 fazendas com declaração, documentos e taxas do Incra. É fazenda pra chuchu", garante. "Não tenho hotel em Paris. Tenho só seis quartos, recebidos como pagamento da dívida que uma empresa européia tinha com uma das minhas usinas de ferro-gusa". Tudo somado, qual o valor dessas imensidões?
"A revista diz que descobriu R$ 150 milhões, mas só no Banco do Brasil tenho R$ 200 milhões aplicados", desconversa. "Como é que eu posso ter essa merda de dinheiro só?". Depois de discorrer com ironia sobre outras cifras divulgadas pela reportagem, avisa que vai ficar ainda mais rico com a bolada que espera juntar ao fim do processo que promete mover contra a revista. Também encara com otimismo a disputa judicial. Acha que Maria Lúcia não vai levar um único centavo. "Tenho pena dela e dos meus filhos", capricha na voz.
Não é esclarecimento. É confissão. Agora é só a Justiça apurar o tamanho exato do patrimônio e descobrir como se faz para transformar em bilionário um pobretão de nascença.
- Globo: Judiciário ignora crise e quer mais R$ 7,4 bi para pessoal
- Folha: Inadimplência de empresas registra maior alta desde 99
- Estadão: Queda veloz na exportação assusta governo e indústria
- JB: A desordem mora ao lado
- Correio: Praça na Esplanada inflama Brasília
- Valor: Término de concessões nos portos preocupa empresas
- Gazeta Mercantil: Reestruturada, TIM vai brigar pela liderança