quarta-feira, janeiro 28, 2009

ALCELMO GOIS

Fator Eike


O Globo - 28/01/2009
 

Do total de US$45 bi de investimentos estrangeiros no Brasil, ano passado, US$9,6 bi, quase um quarto, têm as digitais de Eike Batista. 

É a soma dos US$5,5 bi que a Anglo American pagou por ativos da MMX, mais US$4,1 bi captados no exterior via IPO da OGX. 

Só que... 

Com a crise, acabou-se o que era doce. Estas captações de grana, por IPO na bolsa, por exemplo, secaram. 

Olha elle aí... 

O PTB acertou com o PMDB que, caso José Sarney seja eleito no Senado, ficará com a presidência da Comissão de Relações Exteriores. O cargo deve ir para o senador Fernando Collor. 

Negras e negros 

Belém, por causa do Fórum Social Mundial, atrai outros eventos. É o caso da IV Assembleia Nacional do Congresso Nacional de Negras e Negros. 

Amanhã, às 8h, um jato da FAB decola do Rio com umas 50 pessoas para o encontro, que deve reunir cerca de 300 militantes do movimento negro.

O dia D 

Dia 16 de março, depois de uma apresentação para investidores em Nova York, Lula segue no AeroLula rumo a Washington, ao encontro de Obama.

Pobre Maranhão 

A inspeção feita pelo Conselho Nacional de Justiça no Maranhão, que disputa com Alagoas os piores indicadores sociais brasileiros, revelou que cada desembargador local dispõe no gabinete de 18 cargos de confiança e que eles têm à disposição 160 policiais militares. 

E mais... 

A inspeção do CNJ, liderada pelo corregedor Gilson Dipp, revelou ainda que o TJ do Maranhão paga R$1.000 de diária nas viagens dos seus desembargadores.

Boi na linha 

A megausina de aço que a Thyssen constrói em Santa Cruz, no Rio, esbarra num problema com a termelétrica. 

A Gerdau recuou e não autorizou que as linhas de transmissão passem num terreno, de sua propriedade. A alternativa que a CSA negocia é passar por outro terreno, da Petrobras.

DORA KRAMER

O que não faz sentido


O Estado de S. Paulo - 28/01/2009
 

Noves fora o já notório senso de (des) proporção do ministro da Justiça, Tarso Genro, ele se faz lógico quando assegura que o sistema político brasileiro não desaba se o PMDB ganhar as presidências da Câmara e do Senado.

De fato, nada vai acontecer que abale o anacronismo de uma engrenagem tão enferrujada. A organização (no sentido empresarial) fica no comando da máquina de produzir fisiologismo em que se transformou o Congresso Nacional, enquanto PT e PSDB vão tratar da sucessão presidencial.

Cada um com seu cada qual de modo a que as tarefas e os quinhões fiquem distribuídos como sempre. Ganhando a presidência da República PT ou PSDB, o PMDB estará cumprindo o seu destino do camarote.

Michel Temer da presidência da Câmara, José Sarney no comando do Senado, um elogio ao mesmo, zero de possibilidade de algo se modernizar. Portanto, o que menos pode haver é ruptura, abalos contundentes.

Pois se é isso, se o ministro da Justiça ainda assim vê necessidade de enunciar o óbvio, se o presidente do PT quase admite que o candidato do partido à presidência do Senado concorre por honra da firma, se o PT acha mesmo que é praticamente impossível ganhar a parada de José Sarney, por que a confusão, por que insiste em concorrer? 

Só pelo prazer do conflito? Não faz sentido. Se o partido obedece a Lula e cala sobre candidaturas à Presidência em 2010, acomodando-se sob o guarda-chuva Dilma Rousseff, não é de se imaginar que contrarie a vontade do chefe porque resolveu fazer afirmação partidária com a candidatura de Tião Viana ao Senado. 

Da mesma forma foge à percepção a razão pela qual o PT mantém acesa a chama da possibilidade de “traição” do acordo firmado com o PMDB na Câmara, se oficialmente seu presidente garante os votos da bancada em Michel Temer.

Caso seja uma jogada, de duas uma: ou está muito bem engendrada e, no fim, revelar-se-á genial ou por algum motivo o PT resolveu dar ao PMDB um pretexto para briga, à falta de algo melhor para fazer em plena crise econômica e início de um processo eleitoral que pode significar a volta para a oposição.

Uma terceira hipótese é a de que o desentendimento seja apenas um desentendimento, fruto de inexperiência, desconexão, ausência de rumo. É improvável, porém, visto que suas excelências não brincam nesse tipo de serviço.

São ciosas do poder. José Sarney, por exemplo. Não negaria a candidatura peremptoriamente para depois entrar na disputa apenas, como dizem seus - nessa altura, mais prudente qualificá-los como supostos - adversários dentro do partido, porque foi convencido por Renan Calheiros a confrontar.

Aos 80 anos de idade, uma Presidência da República e mais de cinco décadas dedicadas ao exitoso ofício de dar nó em pingo d’água, é difícil acreditar que José Sarney possa ser convencido por alguém a entrar numa enrascada da envergadura de uma rasteira no presidente da República.

Presidente este com 80% de popularidade e dois anos de mandato pela frente. Não faz o menor sentido, mas algum sentido há de haver. 

Aparências

Reunião ministerial marcada para 2 de fevereiro para “discutir a crise financeira” não influi nos efeitos da crise nem contribui para o real objetivo: dar a impressão de que o governo labuta, distanciado das eleições das novas Mesas da Câmara e do Senado.

Um lance é inútil e o outro, por pueril, resulta ineficaz.

No limite

A proposta do subsecretário de Relações Exteriores da Itália, Alfredo Mantica, de cancelamento do jogo amistoso com o Brasil em protesto contra o refúgio concedido a Cesare Battisti, põe o governo italiano na fronteira do perigoso terreno da boçalidade.

Daí para cair no ridículo e perder a razão é um passo. 

Estatutos

Talvez os ministros Reinhold Stephanes, da Agricultura, e Carlos Minc, do Meio Ambiente, não saibam, mas o Código de Ética da Alta Administração Pública proíbe “a crítica pública sobre a honorabilidade ou desempenho funcional de qualquer autoridade do Executivo”.

É provável que os ministros desconheçam as normas porque muito possivelmente nem saibam que, no ato das respectivas posses, juraram obediência ao código.

Dois pesos

É a diferença entre o compromisso e o falta de compromisso. A ministra Dilma Rousseff não participará do Fórum Econômico Mundial em Davos, mas fará palestra no figurino de candidata à Presidência da República em Belém, no Fórum Social Mundial.

Na Suíça não caberia uma performance; seria preciso que Dilma fosse, sob todas circunstâncias, a candidata do presidente Lula à sucessão e assim, sacramentada, parecesse ao mundo onde a objetividade dos fatos fala mais alto que o voluntarismo ideológico.

MÓNICA BÉRGAMO

Mais embaixo


Folha de S. Paulo - 28/01/2009
 

Depois de um superávit inédito registrado em dezembro, a Previdência já se prepara para fechar janeiro com déficit. O ministro José Pimentel afirma que a queda na arrecadação ainda não reflete o desemprego do mês anterior. E sim medidas como o adiamento do pagamento do Simples, de janeiro para fevereiro, e o desembolso de R$ 3 bilhões em acordos judiciais.

ESTOQUE
Até o fim do ano, diz Pimentel, serão desembolsados outros R$ 6 bi para acordos em 5.800 ações que a Previdência tem contra ela na Justiça.

GRAMADO
Ricardo Teixeira, da CBF, desembarca hoje em São Paulo para almoçar com o governador José Serra (PSDB-SP). Depois vai a Brasília, onde se encontrará com o presidente Lula. Em pauta, a Copa de 2014.

NA TRAVE
Serra chamou o governador Eduardo Braga (PMDB-AM), do Amazonas, para o almoço com Teixeira. Foi uma retribuição à gentileza do governador amazonense, que emprestou um avião ao colega paulista depois que a aeronave em que Serra viajava rumo à Colômbia deu pane, na semana passada. Braga disputa para que Manaus seja uma das sedes dos jogos da Copa de 2014.

GRANDE AMIGO
E, em fase de "Serrinha paz e amor", o governador de São Paulo fez elogios rasgados a Paulo Skaf, presidente da Fiesp, na posse de Geraldo Alckmin na Secretaria de Desenvolvimento. Skaf, que sempre foi próximo de Alckmin mesmo quando ele estava às turras com Serra, foi chamado de "grande companheiro" e "parceiro" pelo governador.

O IDIOTA


QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Crise faz governo bloquear R$ 37,2 bi do Orçamento

 

Folha: Ganho dos bancos cresce; inadimplência é recorde

 

Estadão: Itália chama embaixador de volta e agrava crise com Brasil

 

JB: O reboque voltou

 

Correio: Niemeyer na trincheira: “Não abro mão” 

Valor: Governo vê 'barbeiragem' e vai mudar licenças prévias

 

Gazeta Mercantil: Arrecadação é maior que o PIB do agronegócio

 

Estado de Minas: BH confirma 20 casos de dengue

terça-feira, janeiro 27, 2009

COLUNA PAINEL

Para inglês ver


Folha de S. Paulo - 27/01/2009
 

O governo editará um decreto até sexta-feira estabelecendo cortes no Orçamento-2009, mas faz questão de avisar à sua base no Congresso que, por enquanto, se trata de uma mera formalidade -a lei exige que o chamado "contingenciamento" ocorra até o fim do mês. O detalhamento de onde a tesoura vai agir de verdade sairá apenas depois das eleições para a presidência da Câmara e do Senado, no dia 2.
A redução dos gastos -que deve superar R$ 20 bilhões- recairá principalmente sobre investimentos incluídos no 
Orçamento por congressistas. Aliados do deputado Michel Temer (PMDB-SP) respiram aliviados, já que um corte gigantesco agora seria um convite à traição ao candidato do governo.

No aguardo
O argumento do Ministério do Planejamento para o adiamento do real "contingenciamento" é que o impacto da crise nas contas públicas ainda não está claro. 

Não fecha
Um líder partidário que teve acesso aos mapas de votação dos candidatos a presidente da Câmara somou todos os apoios prometidos a eles e chegou a quase 1.200 deputados -mais do que o dobro do universo de votantes, que é 513. 

Em todas
De um deputado federal: "No mesmo dia tomei café com um candidato, almocei com outro e jantei com um terceiro. Agora apareço como apoiador dos três". 

Bifinho
No vale-tudo para conseguir espaço na Mesa, o deputado Régis de Oliveira (SP), do nanico PSC, enviou ontem convite aos colegas para um churrasco numa mansão em Brasília, na sexta, em busca de apoio para levar a segunda-vice-presidência ou a Corregedoria da Casa. 

Eu, não
Apontado por colegas como uma possível defecção no apoio a Michel Temer, o deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) diz que é um "homem de partido" e, por isso, votará no peemedebista. 

Varejão
O PSDB ouve hoje o tamanho da oferta de Tião Viana (PT-AC) antes de encaminhar voto pró-José Sarney (PMDB-AP) no Senado. "É a etapa da inteligência política. O voto deve ser tratado com cuidado", diz Viana. 

Zen
O acupunturista Jou Eel Jia estava ontem na solenidade de posse de seu cliente Geraldo Alckmin. A relação entre os dois ganhou destaque em 2006 diante da notícia de que a gestão Alckmin em São Paulo deu patrocínio a uma revista editada por Jia.

Seguro-desemprego
Ex-secretário da Receita Federal demitido pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), Jorge Rachid deve receber um belo prêmio de consolação. Foi oferecido a ele o cargo de adido tributário da embaixada do Brasil nos EUA. 

Classificados
Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, aposenta-se obrigatoriamente em outubro, aos 70 anos, mas as especulações sobre seu sucessor no estratégico posto, o segundo da instituição, já começaram. Entre os cotados estão os atuais embaixadores na Argentina, Mauro Vieira, e nos EUA, Antônio Patriota. 

Jeitinho
Guimarães, mesmo aposentado, deve ser contemplado com uma embaixada. Há ainda ala do Itamaraty que defende mudança nas regras para permitir que diplomatas aposentados exerçam a secretaria geral, o que poderia mantê-lo no cargo. 

Vermelho
O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), promoverá uma partida de futebol beneficente, no sábado, com um time organizado pelo piloto de F-1 Felipe Massa. O prefeito é próximo da família do piloto, cujos amigos trabalharam no ano passado em sua campanha. 

Pop
Marinho, aliás, fará hoje jantar para o elenco do filme "Lula, o Filho do Brasil", que começa a ser rodado no ABC. 

Tiroteio

"É um erro o PMDB buscar a presidência do Senado depois de tantas negativas do senador José Sarney. Gera um estresse desnecessário para o governo Lula." 
Do ministro peemedebista 
GEDDEL VIEIRA LIMA , da Integração Nacional, sobre a sucessão das Mesas Diretoras do Congresso.

Contraponto

Tucanês

Em recente conversa por telefone, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) consultava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) sobre a orientação da bancada do PSDB na eleição à presidência do Senado. Na ocasião, já era fato que José Sarney (PMDB-AP) entrara na disputa contra Tião Viana (PT-AC).
-Fique tranquilo, todos os senadores do PSDB paulista votarão no Tião -, respondeu o ex-presidente, segundo relato de Cristovam.
A conversa depois enveredou para outros temas e os dois se despediram cordialmente.
O problema é que não há senador tucano por São Paulo.

MÍRIAM LEITÃO

Luzes de alerta

Panorama Econômico 
O Globo - 27/01/2009
 

As contas externas voltaram a ser uma restrição, na visão do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga: "Não são uma restrição como no passado, mas com as commodities caindo de preço e a recessão no mundo, são sim um problema." O déficit em transações correntes fechou o ano passado em US$28 bilhões, 1,7% do PIB. Altamir Lopes, do BC, acha que o déficit cai em 2009, por causa da crise. 

As contas externas mostram o momento de extremos: com recordes e números altos tanto em entradas como em saídas de capital. O déficit foi maior que o previsto, mas o investimento direto também surpreendeu. Altamir Lopes, diretor do BC, acha que a crise fará com que as empresas remetam ao exterior pelo menos US$13 bilhões a menos só em lucros e dividendos. 

- Mesmo excluindo-se a operação da CSN, de venda de participação acionária da Namisa aos japoneses por US$3,1 bilhões, o investimento direto, só em dezembro, foi de US$5 bilhões, e isso é muito bom para um momento de crise - diz Lopes. 

Há boas e más notícias nos dados divulgados pelo Banco Central, mas a deterioração na área externa foi muito rápida, e agora é que vem o pior da crise, com queda do investimento das grandes empresas e queda de volume e valor dos produtos que o Brasil exporta. Altamir acha que as empresas farão menos remessas de lucros e dividendos este ano, porque haverá menos lucros. Em janeiro, a remessa foi de US$480 milhões e, no ano passado, havia sido de US$ 3 bilhões. Haverá menos exportação, mas, por outro lado, menos importação também. Haverá menos saídas do mercado de capitais, porque os estrangeiros já remeteram bastante, o valor das ações caiu fortemente e o dólar subiu. Por tudo isso, ele acredita que o déficit de conta corrente vai cair de US$28 bilhões para US$20 bilhões. Mas é um ajuste pelo lado negativo. 

Comparada a outras crises, a situação de composição de passivos e ativos da área externa é completamente outra, como lembrou ontem Altamir, na conversa que eu tive com ele. Mas o que Armínio Fraga alerta é que a situação internacional continua confusa e pode ficar pior. 

- Está havendo uma revisão para baixo da perspectiva das principais economias do mundo. Bem para baixo. Os Estados Unidos podem ter uma queda de 2% a 3% do PIB, a Europa de 2%, o Japão de 4%. A China está desacelerando fortemente, a previsão de crescimento hoje está mais para 5% a 6% do que para 7% a 8%. Nós estamos bem comparativamente, mas há um consenso de que cair de 5,5% para 2% não é agradável. 

Por isso, do ponto de vista da resposta, nas áreas fiscal e monetária, Armínio diz que o governo deveria aumentar menos o gasto para que os juros caiam mais rapidamente. 

- A impressão que eu tenho é que a Fazenda acha o Banco Central conservador, e por isso aumenta mais os gastos, e que o BC acha a expansão do gasto excessiva e, por isso, corta menos os juros. O melhor seria ser menos agressivo na parte fiscal, para ser mais flexível na monetária. 

A crise externa não terminará tão cedo e há vários riscos à espreita. O déficit americano crescente é um deles, na visão de Armínio. 

- O déficit é alto hoje, sem contar os prejuízos, e pode ficar mais alto no médio prazo, pelos gastos que o governo terá que fazer. 

Hoje, o déficit público americano está indo para 10% do PIB, mas há promessas de campanha do presidente Barack Obama de ampliar a assistência pública à saúde. 

- Há, no prazo de anos, o risco de uma deterioração fiscal americana em mais cinco pontos percentuais do PIB - diz Armínio Fraga. 

Isso pode levar a uma onda de queda do valor do dólar, que subiu muito na primeira fase da crise atual. O economista Nouriel Roubini, que acertou tantas previsões, errou ao considerar que o dólar se desvalorizaria na crise. Ele se valorizou. 

- Talvez seja o caso de dizer que o dólar não se desvalorizou ainda - acredita Armínio Fraga. 

As incertezas fiscais americanas, a expansão da crise para outros países além dos EUA, a oscilação gigantesca de valor dos ativos que ainda não acabou, tudo mostra uma crise ainda em expansão. O pacote do presidente Obama não esclareceu, ainda, que ações vai adotar, além das duas ferramentas mais convencionais, de política fiscal e de expansão do gasto, e financeira, a capitalização do sistema bancário. 

- Ele ainda está muito descapitalizado - diz Armínio Fraga. 

No balanço da área externa feito pelo Banco Central, há vários pontos de preocupação. Um deles é que as empresas não estão conseguindo rolar suas dívidas de curto prazo. O ajuste forçado está provocando uma queda forte do endividamento de curto prazo, ressalta Altamir Lopes, mas o custo dessa parada brusca tem sacudido as empresas. 

- A taxa de rolagem da dívida de curto prazo era de 126% em outubro. Isso quer dizer que havia mais empréstimos do que o necessário para pagar as amortizações. Em dezembro, foi de 47%, o que significa que as empresas estavam tendo que pagar mais do que as amortizações devidas. A queda foi tão brusca que, mesmo chegando a dezembro com esta taxa, a média do ano foi de 109% - diz Altamir. 

Com a crise ainda em andamento, é hora de ficar de olho no painel.

ILIMAR FRANCO

Quem dá mais?


O Globo - 27/01/2009
 

Está em curso um verdadeiro leilão pelos cargos da Mesa do Senado e pelas presidências das comissões. Para consolidar o apoio do PSDB e do DEM à candidatura José Sarney (PMDB-AP), o PMDB deve abrir mão das presidências das Comissões de Constituição e Justiça e Assuntos Econômicos. O ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) deve levar a Comissão de Relações Exteriores e a primeira vice-presidência está indo para o PSDB. 

Governo vai incluir obras novas no PAC 

Apesar dos problemas burocráticos, de licenciamento ambiental e as delongas jurídicas com o TCU e o Ministério Público, o PAC continua sendo o carro-chefe do segundo mandato do presidente Lula. No dia 4, a ministra Dilma Rousseff deve anunciar a inclusão de novos empreendimentos na área de geração de energia, 16 ações em petróleo e gás e a inclusão de novas obras rodoviárias, entre as quais a duplicação do contorno da BR-101 em Recife. Dilma tem dito que "vão quebrar a cara" os que dizem que o PAC parou. Ela diz que "esse discurso só vale no Congresso, pois não dá para fazê-lo nos locais onde as obras são feitas". 

Acho inverossímil que o Temer perca na Câmara e improvável que Sarney perca no Senado" - José Dirceu, sobre as eleições para as Mesas das duas Casas 

ELE TEM A FORÇA. A produtora GW, do jornalista Luiz Gonzales, que fez a campanha à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é quem está fazendo o programa do DEM que vai ar, em rede nacional de televisão e rádio, na noite de quinta-feira. As atrações do programa serão o governador José Roberto Arruda (DF), Kassab e o ex-governador da Bahia Paulo Souto. A grande ausência será o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia. 

Direitos Humanos 

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos quer incluir o tema na grade curricular dos ensinos fundamental e médio. O conteúdo seria incluído de forma transversal, perpassando as demais matérias. O MEC analisa a questão. 

Um comício contra o neoliberalismo 

Para uma plateia de 8 mil pessoas, os presidentes Lula, Hugo Chávez, Evo Morales e Fernando Lugo farão um verdadeiro comício contra a globalização, na quinta-feira à noite, em Belém, no Fórum Social Mundial. A crise econômica vai embalar os discursos. O público que participa do fórum espera críticas eloquentes contra o neoliberalismo. Na última edição do fórum, com seu discurso radical, Chávez levou a melhor sobre Lula. 

Acerto de contas 

O documento final do 5º Fórum Mundial de Juízes, encerrado anteontem em Belém, apoia a tese defendida pelos ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) de que a Lei da Anistia não abrange o crime de tortura. A chamada Carta de Belém pede que o Ministério Público monte força-tarefa para responsabilizar criminalmente autores de crimes contra a humanidade praticados durante a ditadura militar. A polêmica divide o governo Lula.

Está definido 

O presidente Lula vai indicar a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, para a vaga que será aberta em junho com a aposentadoria de Marcos Vilaça no TCU. José Múcio será mantido no Ministério das Relações Institucionais. 

FREIO. O recuo da Força Sindical na negociação com a Fiesp para a redução da jornada de trabalho e de salários teve o dedo do ministro Carlos Lupi (Trabalho), que era contra o acordo. 

O SENADOR Eduardo Suplicy (PT-SP) pede hoje ao ministro do STF Cezar Peluso que autorize Cesare Battisti, preso na Papuda (DF), a dar entrevistas. 

A PRÉ-CANDIDATA do PT à presidência, Dilma Rousseff (Casa Civil), fará palestra no Fórum Social Mundial, na quinta-feira à tarde, em Belém, sobre "A participação da mulher na política".

DORA KRAMER

De lei forte e carne fraca


O Estado de S. Paulo - 27/01/2009
 
Autor do anteprojeto do Código de Ética interno que o PT começa a discutir, o secretário-geral do partido e deputado federal José Eduardo Martins Cardozo integrou a CPI dos Correios e transitou na contramão da decisão majoritária de deixar quase por isso mesmo as malfeitorias da direção do partido com o lobista Marcos Valério.

Sempre pregou uma posição mais rigorosa e defendeu a ideia de que o PT jamais sairia totalmente ileso dos escândalos de 2005 se não fizesse uma autocrítica de procedimentos e não aplicasse punições de fato.

Persona non grata no Palácio do Planalto e na seção petista de seu próprio Estado (SP), comandada pelo grupo de Marta Suplicy, Cardozo foi voto vencido na época e hoje, levado pelas circunstâncias (uma candidatura à presidência do PT com votação e apoios expressivos) à cúpula da Executiva, está a cavaleiro para propor a regulação de condutas.

No papel, está tudo lá, previsto e até redundante em relação às leis em vigor e às regras da convivência civilizada: veto ao uso do caixa 2; proibição de "exploração de detalhes da vida íntima de adversários" em disputas eleitorais; obrigatoriedade de quebra voluntária do sigilo de dados pessoais; quarentena para quem ocupar cargo público de confiança; proibição de acúmulo de cargo público com função na estrutura partidária.

Pelo código, o PT fica obrigado a divulgar mensalmente na internet doações de pessoas jurídicas, não pode patrocinar "filiações em massa" e está proibido de participar ou promover "manobras parlamentares ou escusas". 

Tudo, segundo a proposta, para assegurar uma boa imagem pública ao partido. 

Ótimo, já não era sem tempo, antes tarde do que nunca, estava mesmo na hora de o partido da ética abandonar a lassidão de comportamento que presidiu suas ações desde a ascensão ao poder, em contradição com a trajetória de uma vida partidária dedicada, na oposição, à cobrança da elevação dos padrões no exercício da política.

É um avanço o debate do tema. O PT, entretanto, só fará diferente das legendas que ignoram o tema - todas elas - se, além de debater e escrever o código, se dispuser fazer da teoria uma prática corriqueira, abandonando a lógica da "transparência assim é burrice" em voga nos tempos em que Delúbio Soares era tesoureiro.

Não fala em favor do partido o fato de as normas - apesar de propostas anteriormente - começarem a ser cogitadas na última metade do governo Lula, quando poderiam ter sido implantadas ao longo do segundo mandato, a tempo de o PT mostrar apreço à ética estando no poder ou fora dele.

Este, ademais, é o eterno problema dos códigos, regulamentações e leis em geral. Só são fortes se as pessoas estiverem dispostas a obedecê-las. Se não, tendem a ter o mesmo destino do Código de Ética Pública, por exemplo, ignorado explícita e oficialmente. 

O que está em elaboração pelo PT virará letra morta se, uma vez aprovado, a direção do partido, encarregada de aplicá-lo, mais uma vez optar pela proteção de uns poucos em detrimento da regra geral. É uma chance de restauração e retomada da boa imagem perdida. Caberá ao partido aproveitá-la ou não. 

Mão e contramão

O Palácio do Planalto já deve ter percebido que contratou uma enrascada no caso Cesare Battisti. Inclusive porque se o Brasil não leva em conta as razões da Itália não poderá esperar que tenha as suas respeitadas numa eventualidade futura.

Além do horizonte

Auxiliar muito próximo do governador José Serra com gabinete no Palácio dos Bandeirantes diz que não sabe qual é a posição do chefe sobre a eleição para a presidência do Senado.

Apenas põe as coisas nos seguintes termos, considerando a hipótese de Serra ser mesmo o candidato do PSDB e ganhar a eleição, que é como ele raciocina: "Sarney eleito agora provavelmente seria reeleito em 2010, bem como Michel Temer na Câmara. Será que Serra acha bom ou ruim ter o PMDB - Sarney em particular - no domínio total do Congresso na campanha e durante os primeiros dois anos de governo?"

A resposta certa é, no entender do serrista em questão, "ruim".

Mas, pensando na mesma situação em relação a Tião Viana, do PT, a alternativa poderia ser péssima. A menos que no Palácio dos Bandeirantes se considere um PT na oposição potencialmente menos danoso que um PMDB na pressão. 

Por tabela

Na viagem na semana passada à Colômbia, o governador Serra esteve uma hora e meia com o presidente Alvaro Uribe, que busca um terceiro mandato.

Uribe não tocou no assunto, mas o governador de São Paulo registrou sua posição junto a amigos do presidente: melhor sair bem depois de dois mandatos. Redobrar a aposta é mais que um risco, é fracasso certo.

GRANDE BOSTA


TERÇA NOS JORNAIS

Globo: Obama fixa meta verde para reduzir emissões da frota

 

Folha: Governo aumenta burocracia para frear importação

 

Estadão: Multinacionais anunciam 86 mil demissões pelo mundo

 

JB: 70 mil perdem emprego em menos de 24 horas

 

Correio: Xô, terceirizados

 

Valor: Brasil impõe licença prévia para 60% das importações

 

Gazeta Mercantil: Desemprego avança e mostra o tamanho da crise no mundo

 

Estado de Minas: Mundo investe mais no Brasil

segunda-feira, janeiro 26, 2009

PORTUGA

Culpa do sotaque

Foi infernal a última quinta-feira do ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger. Naquele dia, em O Globo, ele criticou o programa Bolsa Família, provocando grave mal estar dentro do governo.

Mangabeira telefonou para se explicar ao ministro da Comunicação Social Franklin Martins. Que sugeriu que ele se explicasse ao ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias, responsável pelo programa.

Depois de dizer a Ananias o que não disse exatamente ao jornal, Mangabeira saiu-se com uma desculpa notável:

- O repórter não entendeu direito o meu sotaque.

Ex-professor da Universidade de Havard, Mangabeira é o brasileiro que melhor fala português como se americano fosse.

BLOG DO NOBLT

PARA VOCE


45 minutos do segundo tempo, o jogo é duro, estamos perdendo de 1 X 0, martelamos o adversário, a bola teima em não entrar. Escanteio a nosso favor. Todos dentro da área, confusão, empura-empura. O centro avante procura espaço e grita;
- Mete na minha cabeça, na minha cabeça...
O lateral direito toma posição para bater o escanteio, seria nossa última chance.
O centro avante continua louco, gritando, pedindo na cabeça.
O lateral, corre, baixa a cabeça, fecha os olhos e explode...
-CABEÇA PORRA NENHUMA!!!!
A bola não foi cruzada, parecia um tiro de meta, de tão forte que foi chutada.
O centro-avante, fez o gol de cabeça, um lindo gol!
      O meu lateral, mesmo, tenso, nervoso ou de olho fechado, sempre tentou empurrar o centro-avante para o caminho gol. Um caminho que não é simétrico como uma grande área, mas, cheios de curvas perigosa e adversários.
O meu lateral é APOLONIO SILVA FILHO, O APOLO, a quem presto minha modesta homenagem, com muito carinho e respeito a essa figura, Parabéns pelo seu aniversário, desejo muitas felicidades, voce merece.abraços.

PS- No gol que nós levamos, faltou apoio e solidariedade do centro-avante, para cobrir a subida do lateral.



INFORME JB

O Senado e o sutil xadrez para 2010


Jornal do Brasil - 26/01/2009
 

A BANCADA DO PSDB NO SENADO reúne-se esta semana para definir, finalmente, se seus 13 senadores devem votar em Tião Viana (PT-AC) ou em José Sarney (PMDB-AP) para a presidência da Casa. E o tabuleiro formado para 2010 permeará cada entrelinha da conversa. Preocupados em não desagradar o disputado PMDB, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, têm usado a máxima cautela para tratar do assunto. "Me deixe fora dessa", disse outro dia Serra ao presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), quando perguntado sobre sua opinião. Mas, para avaliar o que pensam os tucanos, deve-se lembrar que o PSDB torce mesmo é pelo divórcio entre PT e PMDB. Serra, por exemplo, andou encorajando Tião Viana a permanecer no páreo.

Tucanos em alerta 
Assegurado de todas as formas de que, sim, vai haver prévias para decidir o candidato do PSDB à Presidência da República em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, prepara agenda de viagens por todo o país para fortalecer seu nome fora do estado. 

Valium
 
Para acalmar o ânimo do tucano mineiro depois da boataria em torno de uma decisão antecipada favorecendo o governador de São Paulo, José Serra, o presidente do partido, Sérgio Guerra, convidou-o a começar o périplo pelo seu estado, Pernambuco. 

Me dê motivos
 
O presidente da Câmara, Ar- lindo Chinaglia (PT-SP), vai empurrar com a barriga a resposta ao Supremo sobre a PEC dos vereadores. Em dezembro, o STF pediu à Casa explicações sobre a não aprovação da proposta de emenda à Constituição. 

Herança
 
Chinaglia quer deixar a batata quente para o sucessor, que assume o comando semana que vem. 

Irmão camarada
 
Ex-superintendente do porto de Paranaguá e ex-secretário de Transportes do governo paranaense Eduardo Requião, irmão do governador do Paraná, Roberto Requião, assumiu há pouco a representação do estado em Brasília. 

Ataques
 
Enquanto estava no Paraná, Eduardo foi alvo de ataques sobre a suposta prática de nepotismo contida nas suas nomeações para cargos no governo. O STF, contudo, entendeu que não havia nada demais e encerrou o assunto.

A sombra da crise 
O Ministério do Desenvolvi- mento recebeu do Palácio do Planalto a missão de levantar os principais entraves aos 50 maiores projetos em andamento para investimentos no país. 

Dinheiro na mão...
 
Em dezembro, quando a cam- panha pela presidência do Congresso começava a esquentar, os gastos com verba indenizatória do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), somaram R$ 43.901,27. Só sob a rubrica "divulgação de atividade parlamentar" foram R$ 33.024,44. Em novembro, gastou R$ 4.500. 

...é vendaval
 
Para efeito de comparação, o candidato petista, senador Tião Viana (AC), somou R$ 11.466,23 em dezembro de 2008 em gastos com verba indenizatória. Dos quais, R$ 5,4 mil foram gastos com "locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes". 

Enquanto isso...
 
O candidato ungido pelo Pa- lácio do Planalto, José Sarney (PMDB-AP), gastou R$ 4,6 mil em novembro e outros R$ 3,6 mil em outubro, enquanto ainda estava "indeciso" sobre sua candidatura.

FERNANDO RODRIGUES

O dilema de Aécio


Folha de S. Paulo - 26/01/2009
 

A disputa interna no PSDB pela vaga de candidato a presidente em 2010 tem 60 dias importantes pela frente. A acomodação de forças na legenda até o final de março indicará uma possível atrofia das chances do governador mineiro, Aécio Neves -e o consequente fortalecimento do paulista José Serra como o nome dos tucanos para a sucessão de Lula. Aécio deu um prazo para o PSDB regulamentar as prévias no partido. 
Em fevereiro, a Executiva Nacional tucana produz uma proposta. Em março, publica as normas sobre como os militantes, por meio de consulta direta, decidirão quem será o candidato a presidente. As prévias são a única chance (remota) de Aécio ser o escolhido. No caso de derrota, o tucano também poderia usar o clássico "venceu a democracia" para se justificar diante de seus correligionários. 
Se o partido ignorar o ultimato e não definir as regras da disputa interna até março, o mineiro fica encalacrado. Sua opção de risco é o caminho da rua, assinando a ficha em outro partido. A outra saída seria resignar-se ao manjado axioma sobre a fila da política. Serra, 67 anos, estaria na frente de Aécio, 49. 
Se política tem fila, também tem momento. Ulysses Guimarães teve o seu. Em 1988, seria até rei do Brasil. Foi convencido a esperar um ano. "Um ano é nada", diziam. Em 1989, Ulysses amargou menos de 5% na disputa presidencial. 
Aécio está enfrentando uma funesta conjunção astral na política. Seu melhor momento coincide em 2010 com a última chance de Serra se viabilizar para o Planalto. Esperar um pouco sempre é possível. Mas ser o governador mais bem avaliado da história de Minas Gerais por dois mandatos seguidos é um cenário difícil de repetir. O dilema do mineiro é espinhoso. Sacrifica-se pelo PSDB e por Serra ou faz um voo solo sem segurança sobre o local da aterrissagem.

COLUNA PAINEL

Cartão verde


Folha de S. Paulo - 26/01/2009
 

Criado em 2007 na gestão de Marina Silva (PT) no Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Chico Mendes gastou R$ 1,8 milhão com cartões corporativos em 2008, 78% de tudo o que foi desembolsado por meio desse mecanismo na estrutura do ministério e todas as suas autarquias juntas (R$ 2,3 milhões).
Ao todo, 227 servidores usaram os cartões. As despesas foram feitas em mercadinhos, postos de gasolina e na compra de passagens de ônibus em Açailândia (MA), além de uma série de saques. A fatura lista gastos repetitivos, nos mesmos estabelecimentos, o que, pelas regras da CGU, seriam casos de licitação por não se tratar de despesa emergencial.

Corneta
Quando foi lançado, a partir do desmembramento do Ibama, o Chico Mendes foi alvo de críticas da oposição, para quem o órgão seria um "cabide" para empregar petistas. 

Outro lado 1
A diretora de Planejamento e Administração do órgão, Silvana Canuto, afirma que as despesas com os cartões "foram feitas em trabalhos de campo, em local de difícil acesso", e foram destinadas à alimentação de brigadistas e voluntários, apoio e manutenção de imóveis e de conselheiros. 

Outro lado 2
Ela diz também que "vários contratos nacionais" entrarão em vigor a partir de 2009, mas que, "em razão da peculiaridade da missão do instituto, mesmo tendo contratos previamente licitados, o cartão continuará sendo a alternativa para atendimento das demandas". 

Bunker
Com medo de atentados após a ofensiva sobre a faixa de Gaza, a Embaixada de Israel decidiu reforçar suas instalações em Brasília. Um escritório que a embaixada mantém num centro comercial está ganhando placas de aço nas portas. 

Dissidentes
Apesar do apoio declarado do PR à candidatura de Tião Viana (PT-AC) a presidente do Senado, os aliados de José Sarney (PMDB-AP) contabilizam pelo menos dois votos na bancada: César Borges (BA) e Expedito Júnior (RO). 

Consolo
Na entrevista ao programa "Jogo do Poder", da CNT, que foi ao ar na semana passada, Arlindo Chinaglia (PT-SP) diz que acha "razoável" a tese de compensar o PT no ministério caso perca o Senado para o PMDB. "Mas quem decide é o presidente Lula", afirmou.

Propaganda
O primeiro evento organizado pela milionária assessoria de imprensa do Brasil no exterior, contratada pela Presidência, será um seminário em parceria com o jornal norte-americano "Wall Street Journal", em Nova York (EUA), no dia 16 de março. Lula e vários ministros estarão presentes, apresentando o Brasil como um dos países menos afetados pela crise internacional. 

Esqueleto
O deputado que se eleger presidente da Câmara no próximo dia 2 terá como primeira tarefa descascar um pepino deixado por Garibaldi Alves (PMDB-RN). A medida provisória do perdão às filantrópicas, que o presidente do Senado "devolveu" ao Executivo, ainda está no Congresso, aguardando julgamento de recurso. Pelas regras da Constituição, "tranca" a pauta da Câmara no dia 4, data da primeira sessão de votação na Câmara em 2009. 

Fechadura
"Trancar" a pauta significa que nenhum outro projeto pode ser votado antes dela. Ou seja, a Casa pode ficar engessada por um bom tempo, já que terá que aguardar o Senado resolver o problema. Ou devolve a MP ou a envia à Câmara. 

Em série
Superado esse problema, há outro. A polêmica MP que autoriza BB e Caixa a adquirir instituições e empresas em dificuldades também bloqueia a pauta.

Tiroteio

"O PT tem que cumprir o que diz a legislação. O que não dá é para ter uma regra de prestação de contas individualizada para o partido."

Do tesoureiro da sigla, PAULO FERREIRA, criticando a proposta de divulgação mensal de doadores, que está no projeto de código de ética do PT.

Contraponto

Big Brother Senado

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) finalizava uma votação durante sessão da Comissão de Ciência e Tecnologia quando o colega Gilvam Borges (PMDB-AP) entrou na sala de surpresa e foi imediatamente questionado sobre como votaria. Gilvam pediu alguns minutos para analisar a matéria, enquanto Salgado coçava o queixo, pensativo:
-Eu aguardo! Aliás, estava pensando agora como nós andamos dentro desta Casa... Está ali o Romeu Tuma, cada vez mais fininho porque está em todas as comissões. Eu mudo o canal da TV e ele está sempre lá!

VELOCIDADE DA LUZ


SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Pacote acaba com firma reconhecida mais uma vez

Folha: Crise reduz arrecadação e afeta planos dos Estados

Estadão: FMI prevê pior ano desde a 2ª Guerra

JB: Mais de mil vetos dormem na gaveta

Correio: Dois carros clonados a cada três dias no DF

Valor: Vendas e produção de PCs, caem, após anos de recorde

Gazeta Mercantil: Descontos seguram importações em alta

Jornal do Commercio: Defensor de direitos humanos executado

domingo, janeiro 25, 2009

ÚLTIMO RECURSO


Essa mensagem foi enviado(a), por um cara que estava no último grau na escala da pré-viadagem. Dizem as boas línguas, que depois dele receber esta menssagem, ele recuou três graus na escala, que vai de zero a mil.


Mensagem enviada por APOLO.

Hihihihihihihi, fale mal do meu FLA, fale!

A INVEJA MATA



TEM UNS CARAS QUE MORREM DE INVEJA DO MAIOR E MELHOR TIME DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. O GRANDE, O ÚNICO, O FLAMENGO.

DORA KRAMER

Caroço no angu 

O estado de São Paulo 25/01/09


A reação dos aliados do governador Aécio Neves à incorporação de Geraldo Alckmin ao governo José Serra é definida por auxiliares do governador como “pouco profissional”. Até mesmo a ironia de Aécio ao dizer que se sentia “homenageado” com a nomeação de Alckmin para secretário de Desenvolvimento foi vista como desproporcional.

Por mais razão, concluem os paulistas, o lance aconteceu na hora certa. O motivo da irritação dos mineiros – explicitada, contrariando o dogma político regional – se o grupo de Serra sabe qual é não diz.

Manifesta apenas a suspeita de que Alckmin e Aécio Neves teriam alguma combinação “mais profunda” que foi interrompida com a ida do ex-governador para a secretaria e, por consequência, sua integração ao grupo que arquiteta a candidatura Serra para presidente em 2010.

Ninguém no Palácio dos Bandeirantes acredita que o governador de Minas Gerais pudesse de fato imaginar que Alckmin simplesmente desse as costas ao partido em São Paulo e aderisse à candidatura de Aécio, seja nas prévias ou mesmo na convenção para a escolha do candidato.

Por isso é que, diante do evidente susto e da assumida exasperação dos mineiros, levanta-se a dúvida sobre os termos das tratativas entre Aécio e Alckmin. Entre as suposições está a de que talvez os dois estivessem conversando sobre uma possível mudança de partido ou criação de nova legenda.

Se é fato ou ficção, no tocante a Alckmin o “para trás” é dado como vencido. Sobre o “para a frente”, a posição do governo estadual é a seguinte: Serra mostrou que comanda o partido em São Paulo, lidera o processo de construção da candidatura a presidente e tem duas opções para a eleição paulista: uma eleitoralmente mais viável e outra politicamente mais palatável.

Geraldo Alckmin tem votos e Aloysio Nunes Ferreira atrai PMDB e DEM, antipáticos a Alckmin. A composição de grupos não é considerada difícil porque, pelo combinado, quem não disputar o governo teria vaga assegurada no ministério, se Serra for eleito.

Nos acertos de gabinete leva-se em conta que ele só será candidato mesmo com uma boa margem de segurança de vitória, o que significa ótima situação nas pesquisas, unidade no partido e alianças partidárias consistentes.

Em relação a Aécio, nota-se a presença da tensão, pois é lógico que os aliados do governador paulista prefeririam os mineiros silenciosos e ambíguos. Para eles seria muito melhor que o assunto não fosse levado para o campo da disputa interna em torno da sucessão presidencial. Até porque na cabeça de José Serra não há disputa, embora diga a fim de não se agastar com Aécio e pôr em risco os votos do segundo colégio eleitoral do país.

Para o Palácio dos Bandeirantes – onde evidentemente não se reconhece isso – muito mais conveniente um Aécio paralisado pela jogada de Serra. Quando reage e finca o pé na porta, tira do gesto na pretendida naturalidade de uma nomeação administrativa feita para propiciar apenas uma leitura positiva e isso, é claro, incomoda.

Alma mineira

Ex-governador de Minas Gerais, ex-senador, Francelino Pereira envia mensagem sobre o lance da nomeação de Geraldo Alckmin que, na opinião dele, foi um desastre. “E por quer uma articulação saudada por todos como genial me parece tão desastrosa? O governador de São Paulo perdeu a oportunidade de fazer uma jogada de mestre, convidando o governador mineiro para estar ao seu lado no momento do anúncio. Esse simples gesto garantiria ao governador paulista, ao invés da reação e da cristalização da antipatia dos apoiadores de Aécio, uma avaliação positiva unânime.”

“O tempo e a energia que o governador paulista parece dedicar às tentativas de enfraquecer o governador Aécio seriam mais bem empregados na busca de um caminho de aproximação.”

“Uma frase muito repetida em Minas diz: desconfie da força de quem precisa demonstrar que é forte. Paradoxalmente, Serra não precisa de um Aécio mais fraco, pois pode vir a depender – e muito – dele. É hora de o governador Serra definir se sua prioridade é viabilizar-se como candidato ou vencer as eleições de 2010.”

“Os que conhecem a alma mineira – acredite, ela existe – sabem que equívocos assim podem acabar tornando irreversível a candidatura do governador Aécio. Mesmo porque, independente da vontade pessoal do governador, os mineiros jamais perdoariam um candidato que parecesse ter tirado de Minas a oportunidade de terminar a caminhada dramaticamente interrompida de Tancredo em direção ao Planalto.” Argumentos assim, se ouvirão a mancheias daqui em diante.

Diretas e indiretas

Mais saudável seria o ambiente da comemoração dos 25 anos das Diretas Já, não fossem as constantes indiretas em defesa da mudança do curso institucional, aí incluídas todas as propostas de alteração do tempo de mandatos.

PRAIA LIMPA


AUGUSTO NUNES

Sete Dias

Jornal do Brasil 25/01/09

O nocaute dos farsantes

Misericórdia seletiva – As mãos que aplaudem Battisti não se estenderam a Rigondeaux e Erislandy

Por que o silêncio que endossou a deportação dos pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, perguntam os que não se renderam ao cinismo, tirou para dançar esse berreiro que avaliza a promoção a "refugiado político" do terrorista em recesso Cesare Battisti? Por que não foram estendidas aos fugitivos da ditadura cubana as mãos que afagam o foragido da democracia italiana?, perguntam brasileiros honrados aos jornalistas que se tornaram cúmplices, por ação ou omissão, das duas abjeções consumadas pelo ministro Tarso Genro com o apoio explícito do presidente da República.

Jornalistas que têm compromisso com a independência intelectual aprendem muito cedo que a misericórdia seletiva é um dos sintomas que identificam portadores de esquizofrenia conveniente. A disfunção se manifesta em 10 a cada 10 colunistas federais, mas nenhum se curva ao que é evidente. Preferem costurar fantasias e gaguejar desmentidos que só reafirmam uma lição antiga como o mundo: a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono.

"De acordo com o noticiário da época", escreveu um integrante da tribo, os boxeadores que desertaram da delegação enviada por Cuba aos Jogos Pan-Americanos do Rio renunciaram espontaneamente à liberdade que os aguardava na Alemanha. Acharam melhor voltar ao marco zero da fuga "por naturais razões familiares".

"Noticiário da época" deve ser o novo codinome de Tarso Genro, pai da versão que reduz dois passageiros do medo a marujos sem juízo nem rumo, enganados por empresários gananciosos, mas socorridos a tempo por policiais brasileiros e enfim resgatados da criancice pela saudade do lar abandonado alguns dias antes. Bonito, isso.

E tão verossímil como uma cédula de três reais, tão consistente como um prédio de Sérgio Naya. A versão já nasceu grogue. Foi nocauteada pela segunda, e desta vez solitária e bem-sucedida, escapada de Erislandy Lara. Escaldado, percorreu a rota que evita a perigosa escala no Brasil e o risco da derrapagem em "naturais razões familiares".

Enfim na Alemanha, durante a entrevista que não houve no Brasil por ordem dos carcereiros, Erislandy traduziu para língua de gente a expressão misteriosa. Enquanto permaneceram confinados na Polícia Federal, à espera do avião cedido a Fidel Castro pelo companheiro Hugo Chávez, os cubanos foram proibidos de conversar com jornalistas e advogados. Só não perderam completamente o contato com o mundo exterior porque pressurosos policiais apareciam a cada 15 minutos com notícias recém-chegadas de Cuba.

Souberam, primeiro, que foram declarados "traidores" por Fidel, que alguns parentes já haviam perdido o emprego e que os amigos não paravam de ouvir ameaças por telefone. Mas em seguida souberam que seriam perdoados pelo ditador caso voltassem imediatamente. Confusos, assustados, embarcaram sem barulho. Já no aeroporto de Havana souberam que nunca mais voltariam a lutar.

Todos haviam mentido. Só Fidel admite sem constrangimentos ter feito o que fez. Os outros continuam mentindo.

 Temporão luta contra o rebaixamento

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, declarou guerra à Unicef no começo da semana, inconformado com a agressão oficializada pelo relatório Situação mundial da infância 2009. Divulgado anualmente, o documento reúne informações, colhidas nos 12 meses anteriores, que mostram como andaram as coisas em 2007. Temporão exige a remontagem do ranking que mede as taxas de mortalidade infantil no universo das crianças com até 5 anos. O Brasil aparece na 107ª colocação entre 197 países, com 22 mortos para cada mil nascidos vivos. A comparação com os dados de 2006 informa que o país perdeu seis posições. Temporão engoliu sem queixas o índice que não deixa o país bem no retrato. O que o incomoda é a queda.

O relatório informa que, em um ano, a taxa subiu de 20 para 22 mortes. Estudos feitos pelo próprio ministério garantem que a taxa de 2006 foi de 23,1 para cada mil nascidos vivos. O Brasil, portanto, subiu no ranking. "Nossos critérios são mais confiáveis", diz Temporão. "Já me reuni com representantes, e até eles concordam". Os autores do estudo não emitiram nenhum sinal de que pretendem alterar a classificação divulgada há dias. Nem Temporão parece disposto a esquecer a posição no campeonato e concentrar-se na redução da mortandade ultrajante.

A História do Brasil republicano informa que é mais difícil montar o pior que o melhor ministério desde 1889. O governo Lula ainda vai chegar lá.

 Faltou imaginação ao bandido nativo

Fernandinho Beira-Mar agora sabe que perdeu em 2001 a chance de trocar o uniforme de prisioneiro pela fantasia de revolucionário comunista e entrar para a história como o Cesare Battisti brasileiro. Bastaria jurar que pousara na Colômbia para entender-se com as Farc – e traficar armas e drogas em paz – mas acabou entendendo que não haverá salvação para o mundo sem a destruição do capitalismo explorador. Continuava na bandidagem não para embolsar os lucros, mas para financiar a guerrilha. Os dois ou três que matara no mês anterior eram contra-revolucionários.

Se o ministro da Justiça fosse Tarso Genro, Beira-Mar hoje desfilaria na ala dos anistiados à espera da indenização.

  O milagreiro de Minas Gerais

O ex-governador de Minas Newton Cardoso está bravo com a revista Veja: jura que seu patrimônio foi subestimado pela reportagem publicada na edição desta semana. E está bravo com a deputada federal Maria Lúcia Cardoso: jura que seu patrimônio foi superestimado pela ex-mulher, que reclama na Justiça metade da fortuna. "Tenho duas ou três empresas de reflorestamento, praia na Bahia, mais de 150 automóveis, 145 fazendas com declaração, documentos e taxas do Incra. É fazenda pra chuchu", garante. "Não tenho hotel em Paris. Tenho só seis quartos, recebidos como pagamento da dívida que uma empresa européia tinha com uma das minhas usinas de ferro-gusa". Tudo somado, qual o valor dessas imensidões?

"A revista diz que descobriu R$ 150 milhões, mas só no Banco do Brasil tenho R$ 200 milhões aplicados", desconversa. "Como é que eu posso ter essa merda de dinheiro só?". Depois de discorrer com ironia sobre outras cifras divulgadas pela reportagem, avisa que vai ficar ainda mais rico com a bolada que espera juntar ao fim do processo que promete mover contra a revista. Também encara com otimismo a disputa judicial. Acha que Maria Lúcia não vai levar um único centavo. "Tenho pena dela e dos meus filhos", capricha na voz.

Não é esclarecimento. É confissão. Agora é só a Justiça apurar o tamanho exato do patrimônio e descobrir como se faz para transformar em bilionário um pobretão de nascença.

DOMINGO NOS JORNAIS

Globo: Judiciário ignora crise e quer mais R$ 7,4 bi para pessoal

Folha: Inadimplência de empresas registra maior alta desde 99

Estadão: Queda veloz na exportação assusta governo e indústria

JB: A desordem mora ao lado

Correio: Praça na Esplanada inflama Brasília

Valor: Término de concessões nos portos preocupa empresas

Gazeta Mercantil: Reestruturada, TIM vai brigar pela liderança