terça-feira, dezembro 30, 2008

MINHAS LEMBRANÇAS DE 2008


ALGUMAS GOSTOSAS QUE PASSARAM AQUI NA VARANDA 







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ELIANE CANTANHÊDE

Se lá é assim...


Folha de S. Paulo - 30/12/2008
 

BRASÍLIA - Espionagem, às vezes (muitas vezes), é como o jornalismo: surge uma dica, uma "fonte de informação" ou um documento secreto, e, a partir daí, é preciso "preencher lacunas" e "criar um todo plausível". E é assim que se cometem as maiores barbaridades, como ensina um livro-reportagem sobre os inacreditáveis erros e absurdos da CIA e da DIA (EUA), do BND (Alemanha) e do MI6 (Inglaterra) que serviram de pretexto para a invasão do Iraque. 
O livro "Curveball" (algo como bola de efeito), do norte-americano Bob Drogin, relata detalhadamente como um engenheiro iraquiano amalucado e viciado em internet manipulou os órgãos de inteligência dos três países até que Bush e Colin Powell caíram alegremente na esparrela de denunciar um rocambolesco projeto de fábricas móveis de bactérias. 
Curveball, o iraquiano, inventou a história, traduzida do árabe para o alemão, do alemão para o inglês e, enfim, resumida. Em cada etapa, perdia ressalvas e desconfianças até desembarcar nos altos escalões com ares de veracidade. Sabe como é: a "fonte" precisa ser importante, o agente quer valorizar seu achado, o chefe tem que justificar a invasão de um país alheio. Cada um fala, vê, ouve e lê o que quer. 
O livro não apenas destrói o endeusamento dos órgãos de segurança dos países ricos como vem bem a calhar no Brasil de hoje, em que todos grampeiam todos, chefes são chutados para o alto, "lacunas" são preenchidas ao gosto do freguês e os fins justificam os meios para "criar um todo plausível" -contra o seu inimigo, certo? 
Ao ser despachado como adido policial do Brasil em Lisboa (?!), o delegado Paulo Lacerda leva o principal na bagagem: as gravações da operação Satiagraha e sabe-se lá quantos segredos -e de quem. Da oposição? Ou do próprio governo? No mítico mundo da espionagem, operam pessoas de carne, osso, ideologias e ambições. Saber é poder. Lacerda sabe muitíssimo. 

ELEVE SEU ASTRAL EM 2009


COLUNA PAINEL

Papel carbono


Folha de S. Paulo - 30/12/2008
 

Na véspera do Natal, Garibaldi Alves ganhou de presente o parecer até agora mais favorável à sua pretensão de se recandidatar à presidência do Senado. Encomendado pela liderança do PMDB e produzido pela consultoria da Casa, o texto diz que o atual mandato de Garibaldi, iniciado após a renúncia de Renan Calheiros, é "tampão". Acrescenta que há lacuna constitucional sobre o tema e que o regimento interno não veta a possibilidade. "A Constituição não pode abrigar interpretação contrária à razão ou ao senso comum."
Na própria bancada do PMDB, porém, há quem diga que o papelucho se destina apenas a dar sobrevida à aventura de Garibaldi enquanto não entra em cena o verdadeiro candidato do partido, José Sarney.



Clã. Segundo o parecer da consultoria do Senado, vetar a reeleição na mesma legislatura não seria mais necessário nos dias de hoje. A medida serviu, no passado, para "combater as oligarquias políticas regionais que tiveram marcante presença na história política do país". O texto apenas esquece de mencionar que a família de Garibaldi mandava e continua a mandar no Rio Grande do Norte. 

Calendário1. Em conversa ontem com o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), Lula marcou para 12 de janeiro um encontro com a cúpula do partido. Em pauta, a sucessão nas duas Mesas do Congresso. 

Calendário 2. Ao se agarrar à cadeira da presidência, a turma do Senado dificulta a vida do correligionário Michel Temer (SP), que espera se eleger na Câmara com o apoio irrestrito do PT. 

Olheiro. Ainda na conversa de ontem, Lula acertou com Raupp uma visita, no final de janeiro, à área onde serão construídas as duas hidrelétricas do rio Madeira. O presidente não foi ao lançamento das obras de Jirau em Rondônia devido ao litígio empresarial que se seguiu ao leilão. 

Sem chance. Gritaria à parte, os partidos de oposição sabem que dificilmente arrancarão uma palavra do Supremo, durante o recesso do Judiciário, sobre a MP que destinou recursos ao recém-aprovado Fundo Soberano. Numa ação direta de inconstitucionalidade (adin), a liminar é quase sempre colegiada. 

Eu recomendo. Empresários que conversaram recentemente com Antonio Palocci (PT-SP) se impressionam com as palavras elogiosas do deputado a respeito da ex-colega de ministério e presidenciável Dilma Rousseff.
Cubo mágico 1. As concessionárias de transporte em São Paulo já foram avisadas: em 2009, o teto das transferências de recursos da prefeitura para o sistema ficará nos mesmos R$ 600 milhões deste ano. Isso num período em que a tarifa de ônibus não poderá subir, em obediência à promessa de campanha de Gilberto Kassab (DEM). 

Cubo mágico 2. Diante da necessidade, já anunciada pelo prefeito, de congelar o Orçamento, a maior preocupação dos técnicos é estimar corretamente a queda de arrecadação, de modo a não comprimir demais áreas estratégicas. No caso da saúde, a idéia é destinar de 17% a 18% do total de recursos -ainda acima do piso legal de 15%. 

Despejo. Andrea Matarazzo continuará secretário das Subprefeituras, mas teve de limpar as gavetas e deixar a sala de vice, que ocupava desde a ida de Kassab para o lugar de José Serra. Vice na chapa reeleitoral, Alda Marco Antônio (PMDB) será a dona do pedaço a partir desta quinta. 

The book is... A notícia de que José Dirceu fará um curso de inglês nos EUA em janeiro foi recebida com algum ceticismo por quem o conhece de longa data. O ex-ministro fala em aprender o idioma desde o tempo da guerrilha. No momento, ele descansa na praia do Carneiro (PE). Já almoçou com o governador Eduardo Campos (PSB) e com o prefeito de Recife, João Paulo (PT).



Tiroteio 

"Com o exílio de Paulo Lacerda em Lisboa, vai para além-mar a caixa-preta de todos os escândalos do primeiro mandato de Lula." 
Do deputado 
JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA), sobre a nomeação do ex-diretor-geral da PF, derrubado da Abin na esteira da Operação Satiagraha, para o cargo de adido policial da embaixada em Portugal.



Contraponto

Galo cantou

Encerrada a famosa sessão pré-recesso na qual os senadores atravessaram a madrugada e aprovaram 32 projetos, Arthur Virgílio chegou em casa exausto e, antes de se deitar, orientou a mulher a acordá-lo às 10h em ponto.
-Eu provavelmente vou reclamar, mas você insista. É muito importante-, advertiu o líder da bancada do PSDB.
O pedido foi acatado. O tucano de fato esperneou, mas, diante dos esforços da mulher, saiu da cama. Curiosa, ela perguntou o que havia de tão importante a fazer.
-Preciso estar preparado. Daqui a pouco você saberá...
Horas depois, com a base aliada desatenta, a oposição conseguiu derrubar os R$ 14,2 bi para o Fundo Soberano. Foi, porém, uma vitória efêmera. Dias depois, o governo providenciou o crédito por meio de medida provisória.

EDITORIAL - ESTADÃO

A crise do etanol

O Estado de S. Paulo - 30/12/2008
 

Alguns meses atrás, as atividades vinculadas à cana-de-açúcar eram tidas como as mais atraentes da economia nacional. Hoje, atravessam grave crise, especialmente as unidades que se dedicam à produção de álcool. Alguns projetos em fase de implantação foram suspensos, muitas empresas estão inadimplentes e poderão pedir concordata e a cana-de-açúcar plantada em grandes áreas pode não ser colhida.

O setor sucroalcooleiro não foi vítima direta da crise financeira internacional. Dela não sofreu mais que efeitos marginais. Essa crise tem origem no excessivo otimismo com que os produtores de etanol encararam suas possibilidades de exportação, incentivados pelo presidente Lula, certo de que convenceria os países ricos a importar um combustível que reduz a poluição e permite substituir em parte o petróleo - cujo preço, no início de 2008 apresentava uma curva de alta que parecia projetar-se por vários anos à frente.

Tanto a campanha pró etanol brasileiro não teve o êxito almejado quanto o preço do petróleo entrou em declínio.

O malogro deveu-se essencialmente à incapacidade do governo brasileiro de convencer os governos estrangeiros de que a produção da cana-de-açúcar não ocupava área suscetível de reduzir a oferta de alimentos, num momento em que, em razão da queda da produção alimentícia, o mundo se deparava com escassez de gêneros. Para a opinião pública externa, a área ocupada pela cana no Brasil poderia ter sido usada para aumentar a oferta de outros produtos. Além disso, era difícil que alguns movimentos de ecologistas esquecessem das disputas, no País, em torno dos malefícios da monocultura em certas regiões. O Brasil deveria ter-se preparado também para as críticas no exterior de que o corte da cana é obra de trabalho escravo, enquanto, na verdade, parte importante da colheita é feita por máquinas.

Teria sido necessário que, antes mesmo de querer exportar grande quantidade de etanol, o Brasil fizesse investimentos no exterior para promover os motores flex ou para exportar automóveis desse tipo e assim comprovar as vantagens desse combustível.

Os investidores certamente foram seduzidos pelos resultados potenciais. O preço médio do etanol em 2006 era de US$ 469,69 por m³, mas caiu para US$ 418,58 em 2007. Essa variação deveria ter sido observada pelos produtores que, no entanto, preferiram olhar os dados das exportações em 2008, que alcançaram US$ 2,227 bilhões nos 11 primeiros meses do ano ante apenas US$ 1,380 bilhão no mesmo período de 2007. O que não previram foi a rapidez da queda dos preços do petróleo, fator decisivo, pois o etanol só pode ser competitivo se o petróleo custar mais do que US$ 35 o barril, e que os usuários desse combustível precisam de uma faixa de segurança maior. Por outro lado, é preciso levar em conta também a evolução das exportações de açúcar, cuja produção é ligada à de álcool e que estão sofrendo também queda de preços.

A crise do setor pode ter efeitos sociais graves além do desperdício de investimentos que, em muitos casos, foram financiados com recursos externos e que, com a desvalorização do real, podem ter dificuldades de reembolso.

O problema maior, no entanto, será de caráter social. Os cortadores de cana-de-açúcar já sofrem atrasos no pagamento de salários e enfrentam a perspectiva de falta de trabalho na safra 2008/09, uma vez que os grupos produtores poderão, segundo o ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues, passar dos 200 atuais para 50 nos próximos cinco anos.

O governo não conseguiu, como esperava, transformar o etanol em commodity cotada no mercado internacional, como o petróleo. No entanto, não pode permanecer apenas como simples espectador da crise atual.

Se realmente acredita que o etanol tem futuro no mercado internacional, e que o preço do petróleo voltará a subir, sem, porém, alcançar o nível absurdo do início de 2008, deve constituir estoques de etanol e melhorar o marketing do produto. A compra de uma refinaria no Japão representa um passo positivo nessa direção.

CELSO MING

Os pinotes do petróleo


O Estado de S. Paulo - 30/12/2008
 

Quem aprecia os pinotes de barriga e de traseira que as bestas exibem nos rodeios deve ter se impressionado com o que aconteceu ontem no mercado global do petróleo.

Os preços saltaram logo no início do dia, foram valentes corcovadas que ultrapassaram os US$ 42 por barril em Nova York - alta de 11,9%, uma enormidade para um único dia. Mas, depois, voltaram a despencar para os US$ 37,50. No entanto, quando tudo parecia ficar por aí, fecharam o dia pouco acima dos US$ 40, com alta de 6,2%.

Essas convulsões têm alguma coisa a dizer a quem se interessa por economia e assuntos afins. Nos últimos cinco meses, as cotações do petróleo haviam despencado 75%. Foi a ação devastadora da crise que, com golpes de variada importância, atingiu não só o petróleo, mas praticamente todas commodities. (Veja o gráfico.)

Quem é do setor do petróleo está sendo obrigado a operar com estoques quase zerados. Isso vai sendo determinado por duas principais razões. Primeira, porque a crise derrubou o consumo, os preços derreteram, como ficou dito, e trabalhar com estoques elevados, quando a tendência dos preços é de baixa, equivale a perder dinheiro. É ter de comprar mais caro hoje para revender mais barato amanhã.

A segunda razão pela qual os estoques globais estão zerados ou perto disso é o bloqueio global do crédito. Estoque exige financiamento e, com financiamento estancado, não há como financiá-lo ou fica caro demais.

Estoques muito baixos numa terra em transe econômico provocam fenômenos como o visto ontem. 

A primeira reação dos agentes do petróleo, que estão com estoques baixos, foi de quase pânico porque a violência dos ataques na Faixa de Gaza poderia provocar dois problemas: destruição de instalações (poços, oleodutos, reservatórios e refinarias) e brusca interrupção no fornecimento a título de revide por parte de alguns importantes fornecedores árabes.

Além disso, reforçaram-se os rumores de que a China já começou a aproveitar os preços mais baixos para fazer provisões físicas de petróleo.

A estocada de ontem também demonstrou que o mundo vive hoje um vácuo de poder no país mais importante do mundo, o que deixa soltas algumas das bruxas mais raivosas. 

Depois, os preços recuaram porque, agora se vê, tanto pânico talvez não se justifique. Quase tudo isso é muito subjetivo.

Alguma coisa do que foi dito acima não vale apenas para o mercado do petróleo. Vale para a maioria das commodities, especialmente alimentos. No mundo inteiro os negócios estão sendo administrados de maneira a manter os estoques o mais baixo possível. Qualquer traço fora das projeções pode provocar solavancos. 

Curiosamente, ninguém mais gasta argumento acusando os dirigentes políticos ou os produtores de desviarem terras antes destinadas à produção de alimentos ou de desviarem matéria-prima (milho) para a produção de biocombustíveis (especialmente álcool). Os preços dos alimentos caíram 29% de junho até agora, ninguém está se queixando de falta de alimentos e, no entanto, os biocombustíveis continuam sendo produzidos como antes. 



Confira

Bom sinal - A queda da inflação medida pelo IGP-M traz duas boas notícias: a de que a alta do dólar está sendo neutralizada pela baixa das commodities e a de que o custo de vida (IPCA) pode apontar inflação mais baixa nesta virada de ano.

ILIMAR FRANCO

Fato consumado

Panorama Político

O Globo - 30/12/2008
 

O governo apostou mais uma vez no fato consumado ao editar medida provisória para capitalizar o Fundo Soberano. Mesmo que o STF aceite pedido da oposição e considere a MP inconstitucional, o governo já vai ter garantido os R$14,2 bi para a poupança fiscal. "A oposição está chorando o leite derramado, quer fazer terceiro turno", diz o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). 

Quanto pior, melhor? 

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirma que o governo tenta driblar o Legislativo e o Judiciário ao editar essa medida provisória. Apesar de ter recorrido ao STF, ele minimiza a criação do Fundo Soberano. "Esse pessoal não gasta nem o dinheiro que tem, não consegue nem executar o PAC, imagina esse fundo", disse o tucano. Já a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) reclama que a oposição faz discursos acusando o governo de minimizar a crise e agora estaria contra um instrumento para minimizar seus efeitos. "Comparado com o que os outros países fizeram, isso não é nada. O que são R$14 bi fiscais?", questiona ela. 

Não se cassa um governador de estado como quem tira água do pote" - Domingos Dutra, deputado (PT-MA), elogiando o TSE por ter adiado o julgamento do pedido de cassação do governador Jackson Lago (MA) 

Chopinho 

E o governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, está fazendo escola. Seu colega José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, curtiu o domingo no Rio. Bateu ponto no Bracarense, tradicional botequim do Leblon. 

Reforma política 

No momento em que o presidente Lula voltou a cobrar ontem contrapartida dos prefeitos em áreas como saúde e educação, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, diz que o problema é a falta de comunicação entre os 
orçamentos dos municípios com os de estados e o da União, no que diz respeito a investimentos. E defendeu a coincidência de mandatos entre prefeitos, governadores e presidente da República. 

De olho no Senado 

O presidente Lula está acompanhando de perto o imbróglio que virou a sucessão no Senado. Vai marcar nova reunião com a cúpula do PMDB, na segunda semana de janeiro, e quer ouvir o senador José Sarney (PMDB-AP) antes, separadamente. Vai perguntar mais uma vez se ele não quer ser candidato à presidência do Senado. O presidente Lula tem pedido relatos sobre a disputa, que, por enquanto, é entre Tião Viana (PT-AC) e Garibaldi Alves (PMDB-RN). 

MESMO COM a crise, o Ministério do Turismo comemora aumento de R$400 milhões em seu
orçamento de 2009, graças a emendas parlamentares. 

O SENADOR Romero Jucá deu o troco ontem ao 
ministro Paulo Bernardo, que pegou no seu pé ao vê-lo em um shopping, sexta-feira. Ligou às 13h30m, mas o ministro estava em trânsito. "Ele engavetou meio expediente", disse Jucá, brincando. 

O DEPUTADO Otávio Leite (PSDB-RJ) penava ontem em Brasília tentando empenhar suas emendas ao 
Orçamento de 2008. "Natal é o nascimento de Jesus, mas isso aqui é a Via Crucis", disse ele.

Sem polêmica 

O presidente Lula pretende visitar as obras das usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, até o início de março. Ele não foi ao lançamento por causa da contestação, pela Odebrecht, da mudança do local de Jirau após a licitação. 

TUDO IGUAL


TERÇA NOS JORNAIS

JORNAIS NO BRASIL E NO MUNDO


Jornais nacionais

Folha de S.Paulo
Israel se declara em "guerra total"

Agora S.Paulo
Explode concessão de aposentadoria por invalidez em 2008

O Estado de S.Paulo
Israel avança em 'guerra aberta' contra o Hamas

Jornal do Brasil
Estradas matam 180% a mais no feriadão

O Globo
Israel decreta guerra total; ataques já mataram 350

Correio Braziliense
Mais turistas de Brasília caem no golpe do abadá

Estado de Minas
Lacerda anuncia a demissão de 250 assessores

Diário do Nordeste
Estado reduz IPVA e muda pagamento dos servidores

Extra
Financeiras, bancos e lojas oferecem vantagens para quitação de dívida

Correio do Povo
Inter e Grêmio garantem projetos

Zero Hora
Câmara de Vereadores aprova projetos dos novos estádios da dupla Gre-Nal

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Não há fim próximo para "guerra total" contra o Hamas em Gaza

The Washington Post (EUA)
"Guerra-total" declarada ao Hamas

The Times (Reino Unido)
Israel quer varrer Hamas do poder

The Guardian (Reino Unido)
"Eu não via nenhuma de minhas meninas, somente uma pilha de tijolos"

Le Monde (França)
O exército israelense preparado para uma ofensiva terrestre

China Daily (China)
Mortes em Gaza passam de 360 no terceiro dia de ataque israelense

El País (Espanha)
"Guerra-total contra o Hamas"

Clarín (Argentina)
Um kirchnerista duro na frente da AFIP

segunda-feira, dezembro 29, 2008

SANDRA CAVALCANTI

Pobres alunos, brancos e pobres...

Estado de São Paulo 29/12/08

Entre as lembranças de minha vida, destaco a alegria de lecionar Português e Literatura no Instituto de Educação, no Rio. Começávamos nossa lida, pontualmente, às 7h15. Sala cheia, as alunas de blusa branca engomada, saia azul, cabelos arrumados. Eram jovens de todas as camadas. Filhas de profissionais liberais, de militares, de professores, de empresários, de modestíssimos comerciários e bancários.

Elas compunham um quadro muito equilibrado. Negras, mulatas, bem escuras ou claras, judias, filhas de libaneses e turcos, algumas com ascendência japonesa e várias nortistas com a inconfundível mistura de sangue indígena. As brancas também eram diferentes. Umas tinham ares lusos, outras pareciam italianas. Enfim, um pequeno Brasil em cada sala.

Todas estavam ali por mérito! O concurso para entrar no Instituto de Educação era famoso pelo rigor e pelo alto nível de exigências. Na verdade, era um concurso para a carreira de magistério do primeiro grau, com nomeação garantida ao fim dos sete anos.

Nunca, jamais, em qualquer tempo, alguma delas teve esse direito, conseguido por mérito, contestado por conta da cor de sua pele! Essa estapafúrdia discriminação nunca passou pela cabeça de nenhum político, nem mesmo quando o País viveu os difíceis tempos do governo autoritário.

Estes dias compareci aos festejos de uma de minhas turmas, numa linda missa na antiga Sé, já completamente restaurada e deslumbrante. Eram os 50 anos da formatura delas! Lá estavam as minhas normalistas, agora alegres senhoras, muitas vovós, algumas aposentadas, outras ainda não. Lá estavam elas, muito felizes. Lindas mulatas de olhos verdes. Brancas de cabelos pintados de louro. Negras elegantérrimas, esguias e belas. Judias com aquele ruivo típico. E as nortistas, com seu jeito de índias. Na minha opinião, as mais bem conservadas. Lá pelas tantas, a conversa recaiu sobre essa escandalosa mania de cotas raciais. Todas contra! Como experimentadas professoras, fizeram a análise certa. Estabelecer igualdade com base na cor da pele? A raiz do problema é bem outra. Onde é que já se viu isso? Se melhorassem de fato as condições de trabalho do ensino de primeiro e segundo graus na rede pública, ninguém estaria pleiteando esse absurdo.

Uma das minhas alunas hoje é titular na Uerj. Outra é desembargadora. Várias são ainda diretoras de escola. Duas promotoras. As cores, muitas. As brancas não parecem arianas. Nem se pode dizer que todas as mulatas são negras. Afinal, o Brasil é assim. A nossa mestiçagem aconteceu. O País não tem dialetos, falamos todos a mesma língua. Não há repressão religiosa. A Constituição determina que todos são iguais perante a lei, sem distinção de nenhuma natureza! Portanto, é inconstitucional querer separar brasileiros pela cor da pele. Isso é racismo! E racismo é crime inafiançável e imprescritível. Perguntei: qual é o problema, então? É simples, mas é difícil.

A população pobre do País não está tendo governos capazes de diminuir a distância econômica entre ela e os mais ricos. Com isso se instala a desigualdade na hora da largada. Os mais ricos estudam em colégios particulares caros. Fazem cursinhos caros. Passam nos vestibulares para as universidades públicas e estudam de graça, isto é, à custa dos impostos pagos pelos brasileiros, ricos e pobres. Os mais pobres estudam em escolas públicas, sempre tratadas como investimentos secundários, mal instaladas, mal equipadas, malcuidadas, com magistério mal pago e sem estímulos.

Quem viveu no governo Carlos Lacerda se lembra ainda de como o magistério público do ensino básico era bem considerado, respeitado e remunerado. Hoje, com a cidade do Rio de Janeiro devastada após a administração de Leonel Brizola, com suas favelas e seus moradores entregues ao tráfico e à corrupção, e com a visão equivocada de que um sistema de ensino depende de prédios e de arquitetos, nunca a educação dos mais pobres caiu a um nível tão baixo.

Achar que os únicos prejudicados por esta visão populista do processo educativo são os negros é uma farsa. Não é verdade. Todos os pobres são prejudicados: os brancos pobres, os negros pobres, os mulatos pobres, os judeus pobres, os índios pobres!

Quem quiser sanar esta injustiça deve pensar na população pobre do País, não na cor da pele dos alunos. Tratem de investir de verdade no ensino público básico. Melhorar o nível do magistério. Retornar aos cursos normais. Acabar com essa história de exigir diploma de curso de Pedagogia para ensinar no primeiro grau. Pagar de forma justa aos professores, de acordo com o grau de dificuldades reais que eles têm de enfrentar para dar as suas aulas. Nada pode ser sovieticamente uniformizado. Não dá.

Para aflição nossa, o projeto que o Senado vai discutir é um barbaridade do ponto de vista constitucional, além de errar o alvo. Se desejam que os alunos pobres, de todos os matizes, disputem em condições de igualdade com os ricos, melhorem a qualidade do ensino público. Economizem os gastos em propaganda. Cortem as mordomias federais, as estaduais e as municipais. Impeçam a corrupção. Invistam nos professores e nas escolas públicas de ensino básico.

O exemplo do esporte está aí: já viram algum jovem atleta, corredor, negro ou não, bem alimentado, bem treinado e bem qualificado, precisar que lhe dêem distâncias menores e coloquem a fita de chegada mais perto? É claro que não. É na largada que se consagra a igualdade. Os pobres precisam de igualdade de condições na largada. Foi isso o que as minhas normalistas me disseram na festa dos seus 50 anos de magistério! Com elas foi assim.

EDITORIAL - FOLHA

Corte em reforma

Folha de S. Paulo - 29/12/2008
 

Inovações legais, renovação e pressão social atuam para que o STF se dedique mais a julgamentos relevantes

A LENTA mas firme transição por que passa o Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos é uma prova de que reformas destinadas a modernizar instituições quase sempre ocorrem aos poucos. Paulatinamente, a corte deixa de ser o depósito final de um amontoado de ações que dificilmente se resolvem.
Em 2008, reduziu-se em mais de 40% o total de processos distribuídos aos ministros do Supremo. Se o número absoluto ainda espanta -65.880 ações, quase 6.000, em média, para cada um dos 11 integrantes do colegiado-, alguns fatores concorrem para que a diminuição gradual se instale como tendência.
A corte se vale cada vez mais das inovações oferecidas pela reforma do Judiciário, que foi votada aos poucos pelo Congresso nos últimos anos. O Supremo editou, em 2008, dez súmulas vinculantes, contra apenas três no ano anterior.
O instrumento obriga as instâncias inferiores da Justiça e os órgãos da administração pública a seguirem o conteúdo de decisões reiteradas do Supremo sobre os mesmos temas. Desse modo, a súmula vinculante inibe a proliferação de recursos repetidos e agiliza a solução de conflitos que, de outro modo, se arrastariam por anos a fio.
Outro mecanismo inovador que produz efeito semelhante é a chamada repercussão geral. Processos considerados dessa natureza, uma vez julgados no Supremo, eximem a corte de aceitar ações ou recursos de idêntico teor. Neste ano, 14.400 decisões do STF versaram sobre assuntos de repercussão geral, parcela já significativa em relação ao total de 100.970 julgamentos em caráter definitivo no período.
Tão importante quanto o uso crescente de recursos que conferem mais celeridade aos trâmites judiciais tem sido a ênfase do Supremo no exercício de seu papel de corte constitucional. Uma mudança geracional na composição do colegiado -associada à demanda crescente da sociedade em favor de uma instância que decida sobre os temas nacionais de maior relevância- está na base desse movimento.
A opção por utilizar a energia poupada com a burocracia processual no enfrentamento desse gênero de assuntos produziu decisões marcantes em 2008. Foi o caso da liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias, do estabelecimento de critérios para a demarcação e a administração de terras indígenas, da restrição à criação de despesas por medidas provisórias e da súmula que proibiu o nepotismo na administração pública.
Há muitos outros julgamentos de importância extraordinária que aguardam na fila do Supremo. O aborto de fetos anencéfalos, o poder de investigação do Ministério Público, a exigência de diploma para o jornalismo e a titularidade dos serviços de saneamento em áreas metropolitanas são apenas alguns exemplos.
Por isso, é importante que os ministros continuem a livrar-se do entulho processual.

O IDIOTA


RUY CASTRO

Ser jovem e continuar vivo


Folha de S. Paulo - 29/12/2008
 

Em 12 de novembro último, sob pretexto fútil, dezenas de alunos de uma escola do Belém, zona leste de São Paulo, promoveram um quebra-quebra das salas de aula. Ameaçaram as mestras, destruíram móveis e quebraram vidros arremessando cadeiras. Nas paredes, segundo o noticiário, picharam desenhos de armas, citações do Código Penal e a sigla do PCC, principal facção criminosa de São Paulo e, agora, do país. A escola chamou a polícia, também recebida com violência pelos jovens.
Oito dias depois, em Londrina, PR, 40 estudantes de medicina da universidade do Estado foram comemorar sua formatura num bar. De cara cheia, tarde da noite, invadiram o hospital universitário aos gritos, bebendo pelo gargalo, despejando nuvens de spray de espuma, soltando foguetes e ofendendo os pacientes petrificados. As câmeras identificaram 14 deles, que, supunha-se, não poderiam colar grau.
Na semana passada, um cruzeiro para universitários entre Santos e Rio foi palco do terror em tempo integral. Rapazes e moças jogaram malas de passageiros no mar, urinaram nos corredores, vomitaram sobre o bufê, fizeram sexo a céu aberto e lotaram a enfermaria com dezenas de intoxicações por álcool, ácido, cocaína e ecstasy.
Mas, desta vez, houve um acidente de percurso. Com a viagem ainda no começo, uma estudante de direito, Isabella, 22 anos, apareceu morta, talvez asfixiada pelo próprio vômito. O corpo foi removido em Ilhabela, e o passeio continuou, com a mesma e desesperada euforia.
Nunca foi tão difícil ser jovem e continuar vivo. Os apelos ao prazer são muitos e a facilitação, presente em todos os setores, maior ainda. Os vândalos de Londrina, por exemplo, colaram grau -pelo diploma, são médicos. Uma tragédia como a de Isabella talvez não sirva para nada.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Por que o mundo financia os EUA?


O Estado de S. Paulo - 29/12/2008
 

Nos momentos mais difíceis da crise financeira, muita gente acreditou que o mundo estava diante de uma grande mudança, o fim do capitalismo. Dizia-se: a quebra do Lehman Brothers está para o capitalismo assim como a queda do Muro de Berlim esteve para o socialismo. Mais ainda, que o processo de derrocada do capitalismo começaria em sua maior pátria, os Estados Unidos.

O que se passou?

A crise não era só dos Estados Unidos, muito menos só de Wall Street. Espalhou-se pelo mundo todo, por uma razão simples: todo o mundo havia se beneficiado do capital abundante e barato gerado pelo sistema financeiro. As bolsas não haviam subido no mundo inteiro? Quando esse capital desapareceu, todos tinham uma conta a pagar.

E com a crise espalhada, como reagiram as pessoas? Comprando dólares e títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Isso mesmo, o mundo inteiro comprou a moeda e os papéis americanos, numa demonstração clara de que pensava o seguinte: se o capitalismo acabar, o último lugar será nos Estados Unidos.

Convém ressaltar este ponto: o consumidor americano é o mais endividado do mundo (as famílias devem o equivalente a 140% de sua renda); o governo tem um déficit nas suas contas que, se fosse um país normal, estaria já nas mãos do FMI; idem para o déficit nas contas externas nacionais.

Por que o mundo continua, mesmo assim, financiando esse país?

Porque a moeda nunca mudou, embora seu valor tenha tido altos e baixos ao longo do tempo. Porque os contratos sempre foram respeitados. Porque nunca houve calotes ou confisco de dinheiro ou congelamento de contas bancárias. Porque o país sai fortalecido das crises e sai mais rápido que os demais. Tudo isso considerado, continua sendo mais seguro ter papéis americanos, tal o comportamento global.

Obtendo, assim, o financiamento do mundo todo, os Estados Unidos tiveram como injetar dinheiro no mercado financeiro e agora têm fundos (ou dinheiro tomado emprestado) para iniciar um enorme programa de obras de infra-estrutura e modernização tecnológica.

Reparem de novo: o governo americano já tem um déficit grande e mesmo assim vai aumentar os gastos, com o que o rombo vai encostar nos 7% do Produto Interno Bruto (PIB), quando todas as normas de prudência dizem que não deve ultrapassar os 3%. A dívida pública, que já estava em 60% do PIB, ou seja, US$ 8,4 trilhões, pode crescer mais US$ 1 trilhão por conta dos novos gastos.

E ninguém pensa em calote. Se houvesse desconfiança, o Tesouro americano teria de pagar juros cada vez maiores para colocar seus títulos. E os juros estão caindo, perto de zero.

Em resumo, todo mundo acredita quando Barack Obama diz que precisa gastar agora, mas que vai, sim, reequilibrar as contas quando a crise passar.

Resumo da ópera: o mundo todo está financiando Obama para que ele resolva a crise dos Estados Unidos, porque se entende que essa é a condição básica para a solução do problema global.

Lula, o neoliberal - Foi certamente uma boa notícia para o presidente Lula e seu pessoal. Numa relação das 50 lideranças globais mais influentes, a revista Newsweek colocou Lula numa posição mais que honrosa, um significativo 18º lugar.

A esquerda brasileira comemorou. Muitos de seus representantes jogaram na cara dos neoliberais. Estão vendo? O centro do capitalismo se curva ao... ao o que mesmo? Ao socialismo? Aos programas assistenciais? Ao Bolsa-Família?

Longe disso. No curto texto em que explica a posição de Lula, a revista elogia o “bom senso fiscal” do presidente, que levou o Brasil a ter a inflação mais baixa entre os emergentes (na verdade, uma das mais baixas) e a acumular reservas externas de US$ 207 bilhões.

O que estão elogiando? Que Lula colocou as contas públicas sob controle (acumulando superávit primário suficiente para reduzir o endividamento), dominou a inflação (com os juros altos do Banco Central), comprou dólares para as reservas e não as gastou. Aliás, comprou maciçamente títulos do Tesouro americano.

Espere aí. Não são as virtudes que o pessoal chamava de neoliberal?

Eis o ponto, Lula é considerado o mais sensato dos líderes que vieram da esquerda, por ter mantido a política que busca a estabilidade macroeconômica. Quando Lula pagou antecipadamente tudo o que o Brasil devia ao FMI e manteve as bases da política econômica, só faltou o Fundo instalar uma estátua para o presidente brasileiro.

Mas agora a Newsweek fez justiça. Mais uma vez, a ortodoxia premiada.

Imigrando para o imperialismo - As diversas cúpulas latino-americanas realizadas na Bahia este mês foram um festival de ataques ao imperialismo americano. Os líderes alardearam diversas vezes que a América Latina e o Caribe são independentes dos Estados Unidos e que vão tocar suas vidas e seus negócios à sua maneira. Não querem saber do modelo capitalista americano, ainda mais agora, com a crise financeira.

Mas esperem um pouco: por que esses mesmos líderes, nos seus comunicados, reclamaram da política de imigração dos Estados Unidos? Eles querem garantir que os cidadãos latino-americanos tenham o sagrado direito de se mudar para os Estados Unidos e lá trabalhar legalmente.

Os líderes da América Latina também reclamaram das restrições que os Estados Unidos impõem à importação de diversos produtos latino-americanos, como, aliás, ao etanol brasileiro.

Portanto, retórica antiimperialista à parte, eis o contencioso América Latina-Estados Unidos, imigração e comércio.

É por isso, aliás, que os governos americanos não se incomodam com a retórica. Quanto tempo perdido nessas cúpulas.

COLUNA PAINEL

Finanças dos juízes


Folha de S. Paulo - 29/12/2008
 

O Conselho Nacional de Justiça decidiu, por maioria, que é inadmissível juízes dirigirem cooperativas de crédito de magistrados, mesmo sem salários ou vantagens financeiras. O ministro Cesar Asfor Rocha, voto vencido, não vê incompatibilidade e acha que a entidade de crédito fechada, formada por membros da magistratura, auxilia a organização da vida pessoal do juiz. O CNJ não editou resolução, mas a decisão abre precedente para impedir a atuação de juízes em instituições de crédito de entidades da magistratura.
A Associação dos Magistrados Brasileiros faz gestões no Supremo Tribunal Federal para permitir o exercício de cargo de direção nas cooperativas.

No posto
O CNJ rejeitou pedido do juiz Pedro Luiz Pozza para suspender processo de que é alvo por presidir a cooperativa de crédito dos magistrados gaúchos. Ele diz que sua atuação não poderia ser vedada, pois é extensão do trabalho associativo. O conselho facultou a Pozza cumprir o atual mandato até 2011. 

Turma do etc
Os ministérios que não estão nem no PAC nem na área social acabaram sendo castigados pelo governo na tesoura de R$ 10 bilhões no Orçamento de 2009. O programa de Educação Ambiental, da pasta do Meio Ambiente, terá R$ 6,9 milhões, contra R$ 14,9 milhões de 2008. Já o Brasil Patrimônio Cultural, da Cultura, vai receber R$ 81 milhões (R$ 91 milhões em 2008). 

Liberal
O Orçamento reduziu a verba prevista pelo governo para "promoção da ética pública". Em 2008, foram destinados R$ 380 mil para essa rubrica, que sustenta a Comissão de Ética Pública da Presidência -responsável por fiscalizar o comportamento de altas autoridades do Executivo. No ano que vem, serão R$ 352 mil. 

Novos ares
O Ministério da Fazenda inclui o impacto psicológico da posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos entre os itens que ajudarão na recuperação da economia brasileira. "A incerteza nos EUA está atrasando a recuperação", diz um assessor da pasta. 

Gentileza
No finalzinho de sua gestão na presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) lançou um serviço de "acompanhamento de deputados", pelo qual notícias sobre determinados congressistas são enviadas por correio eletrônico a eleitores que se cadastram no site da Casa.

Ponteiros 1
O Conselho Nacional do Ministério Público arquivou pedido do procurador da República Mário Ferreira Lima, do Paraná, que pretendia ver regulamentado o horário de funcionamento de todos os ramos do Ministério Público. O Conselho entendeu que isso é atribuição de cada órgão e que só exerce controle em caso de abusos. 

Ponteiros 2
Em outubro, Ferreira Lima foi muito criticado no Ministério Público Federal ao ajuizar uma ação civil por improbidade contra o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, devido a portaria que instituiu o "regime de sobreaviso" no MP, reduzindo a jornada dos servidores de 40 horas semanais para 35 horas. Na época, Souza não comentou. 

Popeye
O presidente Lula deve fazer uma série de viagens a plataformas da Petrobras e campos de pré-sal, em alto-mar, durante o ano de 2009. Já avisou a auxiliares que tem medo de ir de helicóptero, embora seja mais confortável e mais rápido. Diz que vai de navio mesmo. 

Reciclável
Entre os debates previstos para o Fórum Social Mundial, que ocorre no fim de janeiro em Belém (PA), haverá um organizado pelo Sindicato dos Servidores do Banco Central. Tema: uso das cédulas de real como adubo orgânico para plantas. 

Tiroteio

"É bom lembrar que a Casa que eu pretendo presidir não se chama Câmara da Cúpula dos Deputados. Acordos fechados por lideranças são tão seguros como gols antes da partida." 

Do deputado federal 
ALDO REBELO (PC DO B-SP) , candidato a presidente da Câmara, sobre os apoios recebidos por seu adversário Michel Temer (PMDB-SP).

Contraponto

Tudo a seu tempo

Um grupo de deputados e senadores acompanhava a visita dos chefes das Forças Armadas ao Congresso, pela comemoração do Dia do Marinheiro, quando Garibaldi Alves (PMDB-RN) apareceu mancando.
-Foi futebol?-, perguntou Romeu Tuma (PTB-SP).
-Pior que não... Eu caí mesmo...
-Cuidado! Já imaginou se alguém ouve e publica: "Caiu o presidente do Senado"?-, provocou o líder da bancada do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF).
Garibaldi, que tem mais de um mês de mandato pela frente e ainda pleiteia a reeleição, descartou a idéia:
-Ah, não! Me deixa cair só em fevereiro!

FERNANDO RODRIGUES

2009 de cara feia


Folha de S. Paulo - 29/12/2008
 

Como se ainda fosse preciso dirimir alguma dúvida, Dilma Rousseff se submeteu a uma plástica facial. No apagar das luzes de 2008, uma fumaça branca na chaminé do Moinhos Plastic Center anunciava: habemus candidata!
Há quem torça o nariz diante dessas frivolidades. Mas o espetáculo da boa aparência artificial talvez seja o que de menos dissimulado a política atual possa nos oferecer.
Longe daqui a praga do machismo. Serra também já fez os seus retoques e se renderá às máquinas de bronzear no momento adequado.
Feia, de verdade, promete ser a carranca de 2009. É possível que o ambiente de incertezas venha precipitar e acirrar o debate sucessório. Sim, mas entre os efeitos reais da crise, a sua percepção pelas diferentes classes sociais e as eventuais conseqüências políticas disso há muitas variáveis em jogo.
Lula está nos píncaros da glória. Acumulou muita gordura para queimar. A erosão de sua popularidade, se e quando ocorrer, deve ser o último indicador a nos dizer que o mundo já não é mais azul.
A aposta do governismo em Dilma tira o gás de Ciro Gomes, e Aécio, o menino das Gerais, segue agindo como quem quer, sim, disputar a sucessão... de Sérgio Cabral.
No fim, 2009 tende a afunilar a disputa entre Dilma e Serra, os candidatos da cara feia. É difícil imaginar a primeira sem a sombra carismática do pai. Ela, a estatólatra que sobreviveu à queda do Muro e se projetou no vácuo da débâcle moral do PT, quando as estrelas do partido foram pelo ralo do mensalão, será mais do que a gerentona do PAC?
Já Serra, de cuja capacidade ninguém duvida nem esquece de citar, parece ser aquele político invariavelmente melhor do que o governo que é capaz de realizar.
Cheios de convicções, mas quase nenhum molejo, Dilma e Serra são o oposto de Lula -como Macunaíma, herói da nossa gente. Será uma encrenca sucedê-lo.

Entro em férias. Desejo a todos um feliz Ano-Novo. Até fevereiro.

EDITORIAL - ESTADÃO

Dinheiro fácil

O Estado de S. Paulo - 29/12/2008
 

A sabedoria popular diz que o que vem fácil vai fácil. É o esforço na obtenção que leva à contenção - enquanto o que é dado escoa rápido. Isso se confirma, plenamente, com a gastança das centrais sindicais brasileiras. Elas foram presenteadas com pródiga dinheirama desde 31 de março, quando o presidente Lula as reconheceu, assegurando-lhes o direito ao repasse de recursos correspondentes a 10% do Imposto Sindical arrecadado, ao mesmo tempo que vetou o dispositivo do projeto que obrigava à fiscalização de suas contas por parte do Tribunal de Contas da União (TCU).


Matéria publicada sexta-feira no Estado dá conta de que a compra de prédio inteiro, pronto, para abrigar a sede de uma delas, o aluguel de salas, o pagamento de dívidas, o reembolso de viagens e até uma insólita “sardinhada” de protesto contra os juros altos, em frente ao Banco Central, foram as formas que as centrais encontraram para gastar parte substancial dos R$ 61 milhões gentilmente ofertados pelo governo federal, mas compulsoriamente retirados do bolso dos trabalhadores, sindicalizados ou não, que têm de contribuir, anualmente, com o equivalente a um dia de trabalho. O prédio-sede, no caso, foi comprado pela Força Sindical - uma “casa nova”, como a ele se referiu seu presidente, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força. 

Essa parcela do bolo arrecadado do Imposto Sindical tornou-se a principal fonte de recursos das centrais sindicais, que também recebem mensalidades dos sindicatos filiados. Os 10% da arrecadação total do Imposto Sindical, mesmo porcentual retido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, são divididos entre a Central Única dos Trabalhadores (CUT) - maior beneficiária, que recebeu este ano R$ 21,5 milhões -, a Força Sindical - a segunda aquinhoada, com R$ 16,5 milhões -, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

A legalização dessas entidades e a transferência dos mencionados recursos para elas sempre gerou muita polêmica. Tramita no Supremo Tribunal Federal uma ação direta de inconstitucionalidade, impetrada pelo DEM, questionando a base constitucional tanto do reconhecimento das centrais quanto de sua participação na arrecadação do Imposto Sindical. Agrava a controvérsia o fato de o presidente Lula ter vetado o artigo da lei que obrigava as centrais a prestar contas, ao TCU, do dinheiro arrecadado. Quais os motivos que levaram à eliminação do controle financeiro e contábil do dinheiro público, pois arrecadado sob a forma de imposto, proveniente do esforço dos trabalhadores, a não ser manter os sindicatos atrelados às tetas do governo? Foi o que fez a ditadura getulista, que criou o famigerado imposto e, com ele, os chamados “pelegos sindicais”. 

Merece atenção especial a participação da CUT nesse processo. Primeiro porque a central que mais arrecadou informa que nada gastou. Seu secretário-geral, Quintino Severo, afirma que a entidade preferiu utilizar esses recursos numa ampla campanha de sindicalização. Entende-se o projeto, especialmente porque o próximo ano será decisivo no campo político - e ninguém ignora a grande participação sindical nos embates eleitorais. Além disso, a CUT sempre teve por bandeira a eliminação do Imposto Sindical - embora, paradoxalmente, sempre repetisse não ser possível acabar com essa fonte de financiamento sem abalar o sistema sindical. De fato, a proposta encaminhada pela CUT à Casa Civil, de substituir o Imposto Sindical por uma “contribuição negocial” - fixada em assembléias -, não passa de uma troca de seis por meia dúzia. 

Considerando-se que os sindicatos são quase sempre dominados por “panelas” que decidem tudo - e nem sempre de conformidade com os interesses da maioria -, a “contribuição negocial” terá as mesmas características compulsórias do Imposto Sindical. E não tendo poder de decisão diante dos eternos “donos do clube”, os trabalhadores contribuintes poderão até ter que pagar “contribuições negociais” mais caras que o dia de trabalho do imposto.

ANCELMO GÓIS

A vida como ela é


O Globo - 29/12/2008
 

Pesquisa nacional da ONG SOS Mulher, publicada pela Fiocruz, revela que, de cada dez mulheres agredidas pelos maridos, três continuam em casa, na esperança de que o relacionamento melhore. 

Foram ouvidas 884 mulheres que sofreram algum tipo de violência em 2009 - 85%, agredidas dentro de casa. 

Segue... 

As causas mais relatadas das agressões foram vício em álcool ou outras drogas (36,9%) e ciúme (19,9%). Deus as proteja. 

Bola da fortuna 

Ronaldo Fenômeno acaba de vender sua Ferrari vermelha a um empresário de São Paulo por R$ 800 mil. 

Menino do Rio 

Eduardo Suplicy, o senador paulista, de sungão azul-marinho e tênis, tomava sol estirado na areia do Posto 9, em Ipanema, ontem, enquanto lia "Leila Diniz, uma revolução na praia", do nosso coleguinha Joaquim Ferreira dos Santos. 

Depois, ainda foi correr no calçadão. 

Tango na gafieira 

Thiago Soares, o carioca que é primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, gravou participação especial em "Caminho das Índias", próxima novela das 20h da TV Globo, de Glória Perez. 

Na cena, dança tango numa gafieira. 

Tapas e beijos 

Lula deu entrevista para a revista "Piauí" sobre as suas relações com a imprensa. 

Tente outra vez 

Polêmica à vista na MPB. O compositor Luciano Lopez, o Bird, entrou com ação contra a Warner Chappell para incluir seu nome na parceria de "Tente outra vez", clássico de Raul Seixas, Paulo Coelho e Marcelo Motta. 

Diz que é co-autor. 

Legenda da foto: O JARDIM BOTÂNICO do Rio é festa para os olhos o ano todo. Veja o flagrante conseguido no parque pelo leitor Laizer Fishenfeld. É um saíra lagarta (Tangara desmaresti), penoso lindo e raro na cidade. Bem-vindo 

Camile e Daniela 

Camile Paglia, 60 anos, a intelectual lésbica americana considerada uma das principais vozes do feminismo no mundo hoje, vem para o carnaval da Bahia. 

Aceitou convite de Daniela Mercury para o Camarote Contigo, que a baiana vai comandar. Camile, professora da Universidade da Filadélfia, é fã de Daniela. Chegou a publicar o artigo "Daniela Mercury, a diva brasileira que Madonna queria ser". 

Miúdas vão bem 

Apesar da crise, que já causou desemprego nas grandes empresas, as miúdas vão bem. 

Segundo pesquisa Sebrae/FGV, o índice de pessoal ocupado nas micro e pequenas empresas do Rio caiu 0,3% neste fim de ano. Apesar da pequena queda, o percentual é 0,7% superior ao do mesmo mês de 2007. 

Cônsul Moniz 

Moniz Bandeira, o cientista político e historiador, foi nomeado pelo Itamaraty cônsul-honorário do Brasil em Heidelberg, na Alemanha. Merece. 

A bailarina Nora Esteves operou o joelho com o médico Luiz Antonio Martins Vieira, do Into, e passa bem. 

Yacy Nunes e Daniel Zarvos entrevistaram as filhas e o filho do Marechal Lott para o filme "Os herdeiros de Vargas". 

O jornalista Vinícius Martins recebeu a Medalha José Cândido de Carvalho. 

Sonho dos Pés abriu loja no Plaza. 

As Meninas e Allez Allez lançam coleção de alto verão. 

A Confraria inaugurou filial no Fashion Mall. 

Os Alcoólicos Anônimos do Largo do Machado e do Leblon estarão de plantão neste réveillon. 

Ponte Paris-Búzios 

O "Le Monde", da França, e o "Peru Molhado", daqui, anunciaram erradamente, pelo menos até ontem, a presença de Carla Bruni e Sarkozy em Búzios. 

O jornalzinho francês descreveu o lugar como um balneário chique, freqüentado no passado por Brigitte Bardot. Já o jornalão brasileiro pôs na capa uma foto antiga da ex-modelo... pelada (veja a reprodução). 

Aliás... 

Carla, oba!, deve voltar em setembro de 2009. Sarkozy aceitou convite de Lula para as festas do nosso Dia da Independência, no Ano da França no Brasil. 

Dinheiro na praça 

Nestes dias de crise, boa nova para o empresariado. A Investe Rio, agência de fomento do governo Sérgio Cabral, vai ampliar sua atuação. Além de financiar as micro, pequenas e médias empresas, agora estenderá sua linha de crédito às graúdas. 

A Investe Rio tem R$1 bi disponível para empréstimo, com juros de 2% ao ano. Só falta a sanção de Cabral. 

Classificados 

Dez títulos do Country Club de Ipanema estão à venda. 

Parece, mas não é 

A grife Complexo B contratou para desfilar com suas roupas no encerramento do Fashion Rio 2009, dia 16 de janeiro, uma modelo... travesti.

O IDIOTA


SEGUNDA NOS JORNAIS

JORNAIS NO BRASIL E NO MUNDO


Jornais nacionais

Folha de S.Paulo
Israel prepara ataque terrestre a Gaza

Agora S.Paulo
Saiba se os seus atrasados do INSS vão sair em 2009

O Estado de S.Paulo
Israel prepara ofensiva terrestre

Jornal do Brasil
Curso médio ganha perfil modernizado

O Globo
Israel volta a bombardear Gaza e prepara a invasão

Correio Braziliense
Israel ignora apelo da ONU e Gaza afunda no caos

Estado de Minas
Crise adia projetos pessoais

Diário do Nordeste
Seqüestro acaba em prisões

Extra
Oficiais não tinham autorização para levar armas da PM a rave

Correio do Povo
Fim de ano sangrento em Gaza

Zero Hora
Pacote federal prevê duplicação de três estradas no Estado

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Israel aumenta ataques a Gaza; raiva árabe aumenta

The Washington Post (EUA)
Ataques a faixa de Gaza continuam; Israel está preparado para uma longa batalha

The Times (Reino Unido)
Tropas israelenses se posicionam para ataque terrestre a Gaza

The Guardian (Reino Unido)
Israel considera ataque terrestre uma vez que mobiliza mais tropas

Le Monde (França)
Em Gaza, os ataques continuam e o equilíbrio piora

China Daily (China)
Ataque mais sangrento em 60 anos

El País (Espanha)
Israel prepara tanques e soldados para entrar em Gaza

Clarín (Argentina)
Gaza: Israel voltou a golpear e ameaça atacar por Terra

domingo, dezembro 28, 2008

CLÓVIS ROSSI

O horror e a ternura

Folha de São Paulo 28/12/08 

SÃO PAULO - O leitor César Danilo Ribeiro de Novais puxou ontem Guimarães Rosa para falar das touradas na Espanha. "Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?", perguntam Guimarães Rosa e César Danilo.
Os ataques do Hamas a Israel e a resposta violentíssima e desproporcionada de Israel permitem deduzir que os homens (e a mulheres) daquela parte do mundo não inspiram a menor ternura uns aos outros. "O que houve com os homens [sejam judeus, sejam palestinos]?" (há várias outras parte do mundo em que a pergunta cabe igualmente, mas o espaço é pouco).
Faço coberturas esporádicas em Israel e nos territórios palestinos, a cada tanto. Uma só vez, em 1987, antes da primeira intifada, havia o que, para os parâmetros locais, se poderia chamar de paz.
Depois, foi ficando crescentemente inviável tentar encontrar um mínimo de racionalidade de parte a parte, porque ambos os lados pensam com o fígado e com os respectivos livros sagrados à mão (nada contra religiões, mas, definitivamente, não dá para repartir um território com base na Torá ou no Corão ou na Bíblia).
Na última vez, em 2002, Israel havia invadido os territórios palestinos e sitiado, entre outras cidades, a Belém em que, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus. O administrador do hospital local contou que encontrara 28 cadáveres de pessoas mortas pelos israelenses. Os corpos haviam sido enterrados no jardim, porque as tropas ocupantes não permitiam a entrada de ambulâncias que os retirassem.
Em outro momento, houve um atentado no Mahane Yehuda, popular mercado de Jerusalém. Vi pedaços de massa encefálica misturados a tomates esmagados.
Nessas circunstâncias, os homens (e as mulheres) naquela região não podem mesmo sentir ternura. Apenas reproduzem o horror que leva a mais horror e a menos ternura.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Admirável ano novo

O Globo 28/12/08

Era comum, talvez ainda seja, que o infeliz plantado numa redação na véspera de Natal, com uma página somente esperando uma matéria dele para rodar, não resista ao título que, em temível concerto telepático, também vem à cabeça dos outros na mesma situação, e taque lá “Admirável Mundo Novo”, tirado, como sabemos, do livro do mesmo título de Aldous Huxley.
Aqui, fiz uma inovação, na esperança de que ela não ocorra também a mais de dez por cento dos aflitos.
Boto “ano”, em vez de “mundo” porque é cada vez mais assim. O que era para acontecer somente daqui a décadas acontece amanhã e, descontada a crise, creio que certos setores, notadamente do mercado de eletrônicos, às vezes pisam no pé das novidades, para que elas não terminem embotando a capacidade de absorção ou compra do consumidor.
Quando eu entrei em jornal, encontrei vários colegas bem coroas, já a poucos anos da aposentadoria. Os muito mais velhos se lembravam de grandes jornalistas que escreviam seus artigos incendiários à caneta e a mais ousada inovação que adotavam era a caneta-tinteiro. Ríamos deles, mas a única novidade tecnológica que incomodava os jornalistas “modernos” era uma periódica troca de marcas de máquina. De Underwood para Remington, quase um motim; de Remington para Olivetti, resistências tão severas que as duas marcas às vezes coexistiam nas redações.
Aquela IBM de bolinha nunca passou das escrivaninhas de secretárias chiques.
Aliás, ninguém mais sabe o que era a IBM de bolinha. Uma vez, há muitos, muitos anos, quando chegando de volta dos Estados Unidos, falei sobre as máquinas de bolinha e fui tido na conta de mentiroso cínico. Outra vez, faz poucos dias, quis descrever uma máquina de bolinha a uma moça de 25 anos e ela não me chamou de mentiroso, só não entendeu nada e ficou com um ar de pena de mim.
Estava pensando em abordar doenças novas que nos ameaçam, mas aí pensei de novo e não achei essa conversa lá muito estimulante, para um dia de Natal. Só faço menção a uma delas porque é chique e esta coluna não vai correr o risco de deixar escapulir de seus leitores uma nova doença chique, para a qual já devem estar-se formando alguns especialistas. A doença a gente já conhece, novidade é o nome: ortorexia. Não é sinônimo, é só parenta da Ano. Ortorexia vem a ser, mais ou menos, a mania exagerada de ingerir a comida correta, segundo seu conteúdo nutritivo, a hora em que é ingerida, mastigação, o ambiente, o estado de espírito, a origem dos alimentos e, enfim, os inesgotáveis problemas que podem acometer o ortoréxico, que no futuro, dizem-me cá, deverá andar com uma espécie de pochete ortoréxica, contendo o mínimo essencial para o laborioso ato de comer: balança, analisador de teor de acidez, detetor de agrotóxicos, detetor de hormônios e quem mais ousa adivinhar o quê. Talvez uma empresa lance o Eat-Rite, sucesso absoluto de vendas, até que a Apple anuncie o iPot e todo dia pinte um modelo novo, vai ver um que possa até almoçar pelo dono, se faltar tempo, em época na qual ele é tão escasso e, assim mesmo ou por isso mesmo, gastamse fortunas para matá-lo.
Imagino que pensem que vai chiste nisto, mas não vai. Por exemplo, talvez a “degola” demore mais alguns anos, mas o casamento, segundo o conhecemos, mesmo na pluralidade de formas com que vem tentando adaptar-se, vai acabar, já deve ter começado a acabar. Isto porque muitos casamentos, suponho que a maioria deles em nossa sociedade e em diversas outras, se apóiam, ainda que por vício, em conceitos como a fidelidade, a sinceridade ou lealdade e a confiança.
Tudo isso está indo rapidamente para o beleléu, porque nenhuma dessas virtudes é integralmente observada por homens ou mulheres, pois que ninguém vira santo apenas porque casou. Se começar a haver sensores, como já existem e não são tão raros assim, que monitorem certos dados vitais, o(a) ciumento(a), ambos vão saber, através de um programinha esperto que processe esses dados, o que foi que ela sentiu quando dançou com fulaninho e o que foi que se passou nele, na hora da bitoquinha em sicraninha. Palavras de arrependimento, que terrível engano, não foi nada disso que você pensou — vai tudo isso para o espaço, ciência é ciência.
Em setores, digamos, acessórios, existe de tudo, grande parte já à venda no Japão, muitas vezes com versões diversas. Celular com localizador é manjadíssimo. O moço ou a moça no motel e o corno ou a corna sabendo de tudo, ou até assistindo, porque uma hora destas aparece celular com filmadora de controle remoto.
Chips minúsculos emitindo sinais para localização, embutidos no cós da cueca ou da calcinha. Ou seja, periga surgir próspero negócio para quem precisa faturar uns extras no escritório: aluguel de estacionamento de cueca ou calcinha. Tokomoyo chega ao escritório, sabe que está de cueca grampeada, paga a Toshito para trocarem de cueca no fim de tarde, porque Tokomoyo vai finalmente traçar Fushita, e Fushita, que também finge que não sabe que está de calcinha grampeada, já fez o mesmo acerto com Okomoko, porque Fushita também está muito a fim de traçar Tokomoyo. E, assim, as horas extras de um são extras diversas das de outro.
Imaginem que mercado, imaginem que revolução de costumes. Claro, haverá quem resista e surgirão inúmeras tribos urbanas monógamas e fiéis, mas logo virarão exóticas e objetos da cobiça dos grampeados.
Vencer a virtude de uma desgrampeada deverá render um prazer sedutor meio pervertido, meio “Ligações perigosas”. E pegar um desgrampeado há de ser façanha igualmente valorizada.
Mas, com a localização e a espionagem de todos por todo mundo, acabará de vez a privacidade, não só de atos, como também de emoções muito íntimas, desconhecidas, talvez, do próprio portador. Continuo preferindo não estar aqui nessa época.

RETROSPECTIVA


DOMINGO NOS JORNAIS

JORNAIS NO BRASIL E NO MUNDO

Folha de S.Paulo
Israel faz maior ataque contra Gaza

Agora S.Paulo
Confira sete novas revisões do INSS garantidas

O Estado de S.Paulo
Israel faz bombardeio a Gaza e mortos chegam a 225

Jornal do Brasil
Tudo pronto para 2009

O Globo
Bolsa no Brasil perde US$ 835 bi em 2008

Correio Braziliense
Ataque a Gaza põe mundo em alerta

Estado de Minas
2008 - O ano que não terminou

Diário do Nordeste
Conheça as dicas de investimentos para o seu bolso

Extra
Confira tabela dos reajustes do funcionalismo para 2009

Correio do Povo
Faixa de Gaza é bombardeada

Zero Hora
Como ficam as rodovias sem pedágios prorrogados

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Israel diz que ataques contra o Hamas vão continuar

The Washington Post (EUA)
Caças israelenses ataca Gaza

The Sunday Times (Reino Unido)
Caças israelenses matam "ao menos 225" em ataques de resposta em Gaza

The Observer (Reino Unido)
Ataque aéreo em Gaza mata 225 e Israel busca Hamas

Le Monde (França)
Situação dos sem-teto se agrava na Europa

China Daily (China)
Marinha manda navios para combater piratas

El País (Espanha)
Israel golpeia cidade de Gaza

Clarín (Argentina)
Registro por pontos: iniciam radares desde Ano Novo