sábado, dezembro 13, 2008

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO


REVISTA VEJA
À moda antiga

"Enfim, um jogador sem a compulsão de sair do Brasil ou de mudar de time. Rogério Ceni confere ao São Paulo um lastro que está na base de sua hegemonia no futebol"

Fala-se que o São Paulo, entre os clubes brasileiros de futebol, é o mais bem administrado, o que mais atenção devota ao planejamento e o que oferece melhor estrutura aos jogadores. Deve ser verdade. Mas, mais que isso, as vitórias que se acumulam, nestes últimos anos, culminando com a conquista do Campeonato Brasileiro pela terceira vez consecutiva, devem-se, na opinião do colunista que vos fala, a uma única, singular e indivisível pessoa: o goleiro Rogério Ceni. Com sua competência, liderança e dedicação ao clube, ele é o retrato deste vitorioso São Paulo. Mas, sobretudo, Rogério personifica uma resistência solitária e heróica a um estado de coisas que empobrece e apequena o futebol brasileiro.

O fato de tal papel ser exercido por um goleiro já é, em si, sintomático da era sombria que vivemos nos gramados. Goleiro é um ser esquisito. Num jogo cuja especificidade é ser jogado com os pés, ele trabalha com as mãos. Num espetáculo em que o que se espera, o tempo todo, é o momento apoteótico do gol, ele está lá para impedi-lo. Não seria certo dizer que pratica o antijogo, porque a expressão está associada ao jogador especializado nas botinadas na canela do adversário. Mas dá para dizer que o que pratica é o contrajogo. Para que isso fique bem claro, usa roupa diferente. Num esporte em que a movimentação e a corrida são a alma do negócio, a ele incumbe ficar parado. Goleiro é um ser tão singular que convida a cismar sobre que estranhos imperativos do destino, ou que especiais características de alma, levariam uma pessoa a abraçar tal ofício.

Ora, direis, Rogério Ceni se distingue por também fazer gols. Com sua habilidade para cobrar faltas e pênaltis, já fez quase 100, um recorde mundial para os de sua posição. Isso é certo, e boa parte de sua mística vem da fama de goleiro-artilheiro. Nem por isso deixa de ser um goleiro. Na maior parte do tempo está parado, entre as traves, com a missão de pegar a bola com a mão. E é muito sintomático, para retomar o fio deste arrazoado, que um goleiro, ou seja, um rebento da família dos praticantes do contrajogo, seja hoje o mais festejado, e talvez o melhor, entre os jogadores em atividade no Brasil. É sintoma de que entre os jogadores de linha, os dribladores, os artistas do passe preciso e da arrancada mortífera em direção ao gol –; personagens que fizeram a glória do futebol brasileiro –; sobra pouca coisa boa, se é que sobra alguma, nos gramados nacionais. Muito cobiçados no mercado internacional, eles vão logo embora.

O futebol brasileiro atual é o reino do volátil e do impermanente. Vá um menino querer montar um álbum de figurinhas. Como, se o time de hoje não será o mesmo do mês que vem? Não pode mais haver álbuns de figurinhas. E como pode haver bom futebol sem álbum de figurinhas? Para esse estado de coisas concorrem o desnível entre os mercados da Europa e do Brasil, uma certa cultura, mais forte a cada ano, de que jogador bom tem de sair do país e, claro, a boa e velha corrupção –; ela não podia faltar, num ramo de atividade movido a tantos milhões de dólares e euros.

Rogério Ceni, contra esse pano de fundo, representa os valores contrários da solidez e da permanência. Ele fez toda a carreira no Brasil. Mais ainda, fez a carreira no São Paulo, onde está há dezoito anos. Em parte tal constância se deve ao fato de ser goleiro, posição cujos expoentes, por brotar mais ou menos por igual em toda parte, não são tão bem cotados no mercado mundial quanto os jogadores de linha que, únicos, brotam no Brasil. Em outra parte se deve às características pessoais de gostar de jogar onde joga e não sofrer da doença do bicho-carpinteiro que não sossega o jogador enquanto não obtém um contrato no exterior.

Rogério forma com seu time um casamento digno dos formados no passado entre Pelé e o Santos, Zico e o Flamengo, Ademir da Guia e o Palmeiras, Nilton Santos e o Botafogo. Esse valor antigo, triunfo do sólido contra o fluido, do fiel contra o inconstante, é a grande contribuição que, ao lado do talento, ele oferece ao São Paulo. Não há empresa, repartição pública, igreja ou trupe de teatro que resista a um entra-e-sai de motel. Time de futebol não haveria de ser exceção. A presença de Rogério no São Paulo confere ao time um lastro de que outros não gozam. É daí que, em boa parte, derivam os títulos.

CLAUDIO DE MOURA CASTRO


REVISTA VEJA
Aprovar quem
não aprendeu?

"O medo da repetência leva o aluno de classe
média a estudar, para evitar os castigos. Nas famílias
mais modestas não há medo nem pressão para que
os filhos estudem"

Para chamar atenção sobre pesquisas irrelevantes, um bando de gaiatos de Harvard criou o prêmio Ignobel (um brasileiro já foi agraciado, por estudar o impacto dos tatus na arqueologia). De fato, esse é um problema clássico da academia. Como às vezes aparecem descobertas de valor na enxurrada de idéias que parecem bobas, todos se acham no direito de defender as suas. Diante disso, é reconfortante encontrar pesquisas colimando assuntos palpitantes e com resultados precisos e definitivos. Esse é o caso da tese de Luciana Luz, orientada pelo professor Rios Neto (UFMG), que examinou um problema fundamental: no fim do ano, o que fazer com um aluno que não aprendeu o suficiente? Dar bomba, para que repita o ano? Ou deixá-lo passar? O uso de dados longitudinais permitiu grande precisão na análise. A autora tratou os números com cuidado e sofisticação estatística. O cuidado aumenta a confiança nos resultados. Mas a sofisticação impossibilita que se faça aqui uma explicação acessível da análise estatística.

Contudo, a interpretação das conclusões é clara. A tese permite comparar um aluno que repetiu o ano por não saber a matéria com outro que foi aprovado em condições similares. Os números mostram com meridiana precisão: um ano depois, os repetentes aprenderam menos do que alunos aprovados sem saber o bastante. Tudo o que se diga sobre o assunto não pode ignorar o significado desses dados, que, aliás, corroboram o que foi encontrado pelo professor Naércio Menezes e por pesquisadores de outros países.

Ao que parece, para os repetentes, é a mesma chatice do ano anterior, somada à frustração e à auto-estima chamuscada. Andemos mais além da tese. Não reprovando, a nação economiza recursos, pois, com a repetência, o estado paga a conta duas vezes. E, como sabemos por meio de muitos estudos, os repetentes correm muito mais risco de uma evasão futura. Logo, ganha-se de três lados. Como a "pedagogia da reprovação" não funciona, a "promoção automática" é um mal menor.

Ilustração Atômica Studio


A história não acaba aqui. A angústia de decidir se devemos aprovar quem não sabe torna-se assunto secundário, diante da constatação de que o aluno não aprendeu. Esse é o drama mais brutal do ensino brasileiro. Por isso, a discussão está fora de foco. Precisamos fazer com que os alunos aprendam. De resto, não faltam idéias nos países onde a educação dá certo. Por exemplo, na Finlândia – e mesmo no Uruguai – há professores cuja tarefa é dar uma atenção especial aos mais fracos. Por que se digladiam todos contra a "promoção automática", quando a verdadeira chaga é o fraco aprendizado? De fato, há uma razão. Grosso modo, três quartos da população brasileira é definida como de "classe baixa". Dada essa enorme participação, o que é verdade para seus membros é verdade para o Brasil como um todo. Mas há os 20% de classe média e alta. Para esses pimpolhos, a situação é diferente. Famílias de classe baixa são fatalistas, assistem passivamente à reprovação dos seus filhos. Se não aprenderam a lição, é porque "sua cabeça não dá". Já na classe média a regra é outra. Levou bomba? Antes zunia a vara de marmelo, depois veio o confisco da bola, da bicicleta ou do i-Phone. Santo remédio!

Reina a "pedagogia do medo da repetência". Essa é a arma dos pais para que o filho se mantenha por longo tempo colado à cadeira e com os olhos no livro. Cá entre nós, eu estudava por medo da bomba. É também a ameaça da bomba que permite aos professores forçar os alunos a estudar. Sem ela, sentem-se impotentes. Portanto, estamos diante de um dilema. O medo da repetência leva a minoria de classe média a estudar, para evitar os castigos. Pode não ser a pedagogia ideal, mas ruim não é. Já nas famílias mais modestas não há medo nem pressão para que os filhos estudem. O que há são as bombas caindo do céu e criando repetência abundante e disfuncional. Pouquíssimos países no mundo têm níveis tão altos de repetência como o nosso. Ao contrário de outros dilemas, esse tem solução clara, ainda que difícil. Basta melhorar a qualidade da educação para todos.

ANDRÉ PETRY


REVISTA VEJA
A besta está solta

"Há um ano, Carlos Rodrigues Junior, 15 anos, foi 
morto sob tortura, dentro de casa, por seis policiais. 
Todos estão soltos e ainda fazem parte da polícia"

A besta humana precisa ser contida em qualquer lugar. Em Nova York, em São Paulo, em Mumbai. Ela está à espreita em qualquer cidade, qualquer tempo, qualquer povo. Existe em médicos, pedreiros, padres, jornalistas, policiais. E precisa ser contida. A besta humana pôs a cabeça para fora no dia 15 de outubro numa estação de metrô em Nova York. Um policial capturou um rapaz de 24 anos que fumava maconha e sodomizou-o com seu cassetete retrátil. Foi um escândalo. O prefeito Michael Bloomberg teve de vir a público dar explicações sobre a aparente lentidão com que a polícia apurou o caso. (A investigação durou um mês e meio!) Disse que, no início, o caso não parecia tão óbvio como ficou depois. O governador foi instado a se explicar para que a besta não volte a atacar.

Nesta semana, faz um ano da morte de Carlos Rodrigues Junior, 15 anos. Ele foi assassinado de madrugada por seis policiais dentro de sua própria casa, em Bauru. A repercussão foi grande na época. Os policiais foram presos em flagrante. O governador José Serra veio a público condenar a "brutalidade inaceitável" e, num gesto exemplar, mandou indenizar a família da vítima, mesmo antes da decisão judicial. Queria mostrar que a besta humana tinha de voltar para a jaula.

Passado um ano, o que se tem? Os policiais, todos os seis, estão soltos. Os cinco praças foram libertados em abril. O oficial, um tenente, foi solto um pouco depois, no fim de junho. Estão afastados do serviço de rua, mas – um ano depois! – todos ainda integram a Polícia Militar. Não foram expulsos. O governador que mandou indenizar a família da vítima parece que estava mais interessado nos aplausos ao gesto exemplar do que na brutalidade da besta. Tanto que, no assassinato do mecânico Jorge Lourenço Junior, 22 anos, também cometido por policiais, também em Bauru e também no ano passado, a família não recebeu um centavo. O caso é tão descarado que a polícia, apesar de seu tradicional corporativismo, já expulsou os três matadores. É pena que o governador, pelo que se vê, não o tenha achado tão descarado assim. O certo é que o assassinato do mecânico, por alguma razão, repercutiu muito menos.

Isso tudo quer dizer que ninguém tem o direito de ficar surpreso se a polícia de Bauru se sentir autorizada a soltar a besta humana de novo. A de Nova York, não. O policial agressor logo irá a julgamento. Pode pegar 25 anos de cadeia. Se um policial nova-iorquino voltar a agredir alguém sexualmente, as conseqüências serão rápidas e severas. Houve um caso parecido há dez anos. Um imigrante haitiano foi detido e sodomizado dentro do prédio da polícia com um cabo de vassoura. O crime teve ampla repercussão e o policial pegou trinta anos de cadeia. Talvez por isso a besta tenha levado dez anos para reaparecer agora, no metrô de Nova York.

Seria um consolo pensar que a polícia passará dez anos sem matar ninguém em Bauru.

DIOGO MAINARDI


REVISTA VEJA
E Machado virou circo...

"A série Capitu tem um aspecto circense. É Machado de Assis encenado por Orlando Orfei. É Bentinho imitando Arrelia no picadeiro de Fausto Silva: ‘Como vai, como vai, vai, vai? Eu vou bem, muito bem, bem, bem’"

Machado de Assis é Bentinho. Nós somos Capitu. A analogia é simples: nós abastardamos a obra de Machado de Assis. No centenário da morte do escritor, Dom Casmurro e seus outros romances perderam qualquer sinal de paternidade machadiana. Eles parecem gerados por Escobar, o amante de Capitu.

Luiz Fernando Carvalho, diretor da série televisiva Capitu, é o mais perfeito Escobar que surgiu até agora. Seu "Dom Casmurro" tem o nariz de Luiz Fernando Carvalho, tem o sorriso de Luiz Fernando Carvalho, tem a mentalidade de Luiz Fernando Carvalho. Nada nele recorda o "Dom Casmurro" de Machado de Assis, apesar de reproduzir diálogos do romance. Na série, Bentinho aparece estranhamente caracterizado como Dick Vigarista, do desenho animado Corrida Maluca: nas roupas, no bigode, na magreza, no temperamento e, acima de tudo, na canastrice do ator que desempenha seu papel. Qual é o melhor candidato a Muttley? O agregado José Dias.

A série Capitu tem um aspecto circense. É Machado de Assis encenado por Orlando Orfei. É Bentinho imitando Arrelia no picadeiro de Fausto Silva: "Como vai, como vai, vai, vai? Eu vou bem, muito bem, bem, bem". Luiz Fernando Carvalho usa uma linguagem grotesca, afetada, espalhafatosa, cheia de contorcionismos e de malabarismos. Machado de Assis é o oposto. No livro Dom Casmurro, o relato de Bentinho é espantosamente seco e desencantado. Ele narra sua história apenas para combater o tédio: sem drama, sem sentimentalismo, sem teatralidade. Quando Bentinho descobre que o filho bastardo de Capitu com Escobar morreu de febre tifóide, ele comenta simplesmente: "Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro".

Luiz Fernando Carvalho só foi autenticamente machadiano na metalinguagem. A atriz que interpreta Capitu está grávida de se-te meses. Quando um repórter lhe perguntou se o pai do menino era Luiz Fernando Carvalho – o Escobar de Jacarepaguá –, ela se recusou a responder, limitando-se a declarar, como uma Capitu do funcionalismo público: "Não vou dizer a identidade e o CPF dele".

A literatura brasileira tem um escritor. Um só. O que fizemos com ele, nos últimos cinqüenta anos, foi traí-lo com todos os Escobar que apareceram. Desde que Helen Caldwell, em 1960, negou o adultério de Capitu, moldando Dom Casmurro às suas teorias feministas, Machado de Assis foi raptado pela crítica esquerdista. Em particular, por John Gledson e Roberto Schwarz, que o transformaram ridiculamente num agente da luta de classes, empenhado em denunciar os abusos da classe dominante. Na realidade, Machado de Assis é mais complicado do que isso. Ele é um satirista conformista e resignado, que zomba da mesquinhez de nossa sociedade e acredita que, quando ela muda, muda sempre para pior. A série Capitu festeja o abastardamento da obra machadiana. Machado de Assis sabe bem: de agora em diante, isso só pode piorar.

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: AI-5 entre o falado e o escrito

Folha: Governo decide garantir a operação de banco pequeno

Estadão: Arrecadação cai e Receita faz blitz em grandes empresas

JB: AI-5 40 anos

Correio: Aprovado aumento do IPTU e do IPVA

Valor: Renúncia de R$ 8,4 bilhões busca estimular consumo

Gazeta Mercantil: Renúncia fiscal vai liberar R$ 8,4 bilhões à economia

Estado de Minas: IPVA cai até 16%

sexta-feira, dezembro 12, 2008

VAI REZAR?


VISÃO DO PARAÍSO


Clique na fptp para Ampliar

COLUNA PAINEL

Entre sem bater


Folha de S. Paulo - 12/12/2008
 

Os militares não poderiam estar mais satisfeitos com as deliberações do Supremo sobre a reserva Raposa/Serra do Sol. Com ou sem arrozeiros ali, o fato é que "não existe mais condomínio fechado para índios", define um integrante da cúpula da Defesa. Ao endossarem o voto de Carlos Alberto Direito, os ministros enterraram as dúvidas jurídicas sobre a atuação das forças de segurança em reservas.
Foi particularmente festejada a crítica de Direito, secundada por Cezar Peluso, à Declaração da ONU sobre Povos Indígenas. No entender dos militares, o texto, aprovado no ano passado, abria caminho para a autonomia política de grupos étnicos.

Congelado
Além de Dourados (MS), a Funai tinha engatilhados pelo menos outros dois projetos de ampliação de reservas indígenas já demarcadas, em Avaí (SP) e Paraty (RJ). Com as ressalvas impostas pelo Supremo, vai ter de colocar tudo no freezer. 

Só pra contrariar
"Cadê o Benjamin?", perguntou Lula pouco antes do início da reunião com grandes empresários. Benjamin Steinbruch, da CSN, estava para chegar. "Não foi ele que falou mal dos juros?", disse o presidente a um auxiliar. "Então, coloque ele sentado bem na frente do Meirelles". A frase ilustra o mau humor de Lula com a decisão, tomada na véspera pelo BC, de não baixar a taxa Selic.

Que fase!
O dia não estava bom para Meirelles. Esqueceram de incluir seu nome na lista de participantes do encontro no Planalto, lapso depois corrigido pelo cerimonial. O bordão "com essa Selic não dá" foi repetido por vários dos empresários presentes. E a fala do presidente do BC teve "pouco brilho", na resenha de um auxiliar direto de Lula.

Dublê
Autor de projeto que cria alíquotas intermediárias para o Imposto de Renda, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) tentará relatar a MP de teor semelhante anunciada ontem pelo governo dentro de um pacote de medidas para estimular o consumo. 

Sortido
O pacote anticrise que o governo Serra anuncia hoje inclui um projeto de lei, quatro decretos e dois protocolos a serem assinados com a Abimaq e o Sindipeças. 

Geografia
Foi na CNI, em Brasília, o encontro entre Aécio Neves e o presidente da confederação, Armando Monteiro Neto, para tratar de crise e reforma tributária.

À casa torna
O PT realiza hoje seu encontro de prefeitos eleitos no hotel Blue Tree (rebatizado de Brasília Alvorada), símbolo da tesouraria de Delúbio Soares.
Quando estourou o escândalo do mensalão, em 2005, o partido prometeu nunca mais usar o local para seus eventos.

Eu não
Na contramão de relatos de correligionários, o deputado Vicentinho nega ter sondado terreno para se candidatar à presidência do PT. 

Arquibancada
O Senado colocou no ar seu "sistema VIP", que permitirá a transmissão via qualquer computador da Casa das sessões das comissões e do plenário. Na lista de 17 canais, os senadores incluíram o "Sportv". 

Bolada
Envolvido no escândalo da compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, em 1997, o ex-deputado Chicão Brígido (PMDB-AC) está cobrando da Câmara os salários do período em que ficou esperando para tomar posse na vaga de Ronivon Santiago (PP-AC), que havia sido cassado pelo TSE. O total se aproxima de R$ 200 mil. 

Precedente
A Câmara consultou o TCU sobre o pleito. Se a indenização for concedida, poderá ser aplicada também a Major Fábio (DEM-PB), suplente do "infiel" Walter Britto (PRB-PB). Apesar de decisão da Justiça, Britto ainda não foi cassado.

Tiroteio

"Espero que o processo sucessório retorne ao seu curso normal, para evitarmos trazer a público algo que poderia manchar a imagem de nossa bancada e do próprio PSDB."


Do deputado 
PAULO RENATO, que postula a liderança da bancada a partir de 2009, contestando abaixo-assinado que o atual líder, José Aníbal, afirma ter recebido para permanecer no cargo.

Contraponto

Tinta fresca

Pouco antes da aprovação, anteontem, de 42 projetos numa única sessão da Câmara paulistana, o vereador Francisco Chagas fazia um inflamado discurso na tribuna contra a reestruturação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que ganharia 39 novos cargos.
-Esse projeto é o verdadeiro trem da alegria do PSDB!-, esbravejou o petista.
Até então quieto no seu canto, Tião Farias, tucano que mais se expôs ao longo da campanha eleitoral deste ano na defesa da candidatura própria, e portanto contra a aliança com Gilberto Kassab, não resistiu:
-Protesto! Esse trem é "demo"! É "demo"!

MÓNICA BÉRGAMO

Pacote mineiro


Folha de S. Paulo - 12/12/2008
 

O governador Aécio Neves, de MG, anuncia na próxima semana a ampliação da linha de crédito com juros subsidiados, oferecida pelo BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), de R$ 300 milhões para R$ 600 milhões para as grandes empresas -em especial as siderúrgicas.
Vai também propor ao presidente Lula que os cafeicultores do Estado paguem suas dívidas com o governo com sacas do produto -e não mais com dinheiro.

PORTAS FECHADAS
E o governador mineiro decidiu escancarar a queda de braço com Solange Vieira, presidente da Anac, que quer abrir o aeroporto da Pampulha para vôos entre capitais. "Se isso for adiante, eu fecho o aeroporto", diz ele. Aécio afirma que essa discussão só existe "porque a Azul [nova empresa aérea] quer ter o privilegiozinho de voar por lá, quer ter o filezinho". E que, se quiser voar em Minas, vai ter que ser pelo aeroporto de Confins.

EM FRENTE
Aécio afirma que já investiu "R$ 400 milhões" para facilitar o acesso a Confins e que Solange não pode "interferir assim na vida dos Estados". A Azul afirma que seu interesse pelos aeroportos centrais é o mesmo que o das demais empresas aéreas. A Anac diz que segue a lei e que não pode restringir o uso de aeroportos, a não ser por razões de segurança.

NO EMBALO
E as concorrentes da Azul preparavam ontem documento para oficializar queixas de que a empresa está tendo "facilidades" na Anac. A agência nega.

TÔ BESTA
O pedido do ministro Juca Ferreira, da Cultura, para que José Serra (PSDB-SP) ajudasse a libertar a pichadora Caroline Pivetta da Mota deixou o governador um tanto perplexo. "Isso é assunto da Justiça", comentou Serra com quem estava ao lado dele no momento do telefonema. "Se um governador puder soltar, pode começar a mandar prender também!". Ao ministro, Serra disse que as coisas não eram "bem assim", mas afirmou que, de qualquer forma, pediria informações à Secretaria da Segurança.

ELIANE CANTANHÊDE

Volta ao passado?


Folha de S. Paulo - 12/12/2008
 

O governo FHC passou anos preparando a desmilitarização da aviação civil, com o fim do DAC, que cuidava de aviões e vôos, e a passagem da Infraero, responsável pelos aeroportos, para civis. Foi o que ocorreu no governo Lula. 
O DAC virou Anac, com Zuanazzis, Denises, políticos derrotados, falsas normas, uma grande confusão, e a Infraero virou alvo prioritário em tiroteios contra corrupção. A desmilitarização das cúpulas aguçou as ambições das bases, e os sargentos controladores de vôo articularam algo comum para civis, mas absurdo para militares: greves e mobilizações de caráter sindical. 
Vieram o acidente do Gol 1907, no qual os controladores tiveram papel decisivo, e depois o do TAM 3054, que expôs deficiências da Anac e uma briga infernal no setor. 
Anos depois da desmilitarização, o governo está nomeando interinamente, mas por bom tempo, um militar da mais alta patente da Aeronáutica e da ativa para a presidência da Infraero. Depois do ex-governador Carlos Wilson, do brigadeiro da reserva J. Carlos Pereira e do ex-deputado Sérgio Gaudenzi, assume o brigadeiro-do-ar Cleonilson Nicácio Silva, que era diretor de Operações e deverá ser substituído aí pelo major-brigadeiro também da ativa Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, chefe de gabinete do Comando da Aeronáutica. 
Com férias, Natal e Ano Novo, o governo não quis improvisar. Pôs de lado questões filosóficas e optou por técnicos que conhecem o setor -que são os militares, porque os civis não souberam ocupar o vácuo. De certa forma, uma derrota. 
O ideal é desmilitarizar as áreas políticas e despolitizar as áreas essencialmente técnicas. Na aviação, os militares foram formados e estão lá há décadas. A troca tem que ser lenta, gradual e segura, como a própria passagem do poder político dos militares para os civis há 20 anos. 
Até porque o que está em jogo, com aviões, pistas e vôos, são vidas humanas. De militares e de civis.

ILIMAR FRANCO

Os aliados e Dilma

Panorama Político
O Globo - 12/12/2008
 

A fixação do presidente Lula no nome de Dilma Rousseff para sua sucessão ainda não encantou os aliados. Hoje, enquanto Dilma é apresentada aos prefeitos do PT, o PSB vai embalar a candidatura de Ciro Gomes. Anteontem, após reunião com Lula, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, declarou que "diante da crise e, se o governo souber enfrentá-la bem, pode existir uma exigência espontânea da população para que Lula continue". 

Garantir a Petrobras e o pré-sal 

O principal objetivo do governo Lula, ao colocar as reservas internacionais à disposição das empresas brasileiras que possuem dívidas contraídas no exterior (que vencem em 2009), é o de garantir que a Petrobras invista pesado no pré-sal. As empresas vão poder dispor de até R$20 bilhões das reservas de US$206 bilhões. Essa foi a forma encontrada para contornar a falta de liquidez internacional e a excessiva cautela do sistema bancário nacional. Feito isso, o governo Lula vai anunciar, em janeiro, o modelo de exploração do petróleo do pré-sal (partilha de produção) e a criação de uma estatal para gerir as receitas obtidas. 

Antes o tucanato decidia o candidato à Presidência; agora é a vez de a tucanada escolher" - Nárcio Rodrigues, deputado federal (PSDB-MG), em defesa de prévias no PSDB 

AÉCIO VAI À LUTA. O governador Aécio Neves não se abateu com a pesquisa Datafolha. Sua avaliação é a de que o desempenho do governador José Serra é apenas "recall", e que ele crescerá à medida que for mais conhecido. No primeiro trimestre de 2009, Aécio Neves vai percorrer o Brasil, começando pelo Nordeste. O comando de sua campanha está convencido de que ele precisa de uma vitrine para decolar e, por isso, aposta nas prévias. 

Insaciável 

No prazo de um ano que ganhou para a regularização das reservas legais, a bancada ruralista vai aproveitar para tentar aprovar, no Congresso, a redução dessas áreas de 80% para 50% das propriedades na Amazônia.

Socorro 

O presidente Lula anuncia hoje, quando visita áreas atingidas pelas cheias, a liberação de mais R$71 milhões para a recuperação de Santa Catarina. A autorização do gasto foi assinada ontem pelo ministro Geddel Vieira Lima.

Depois do déficit zero, as estradas 

A governadora Yeda Crusius e o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) estão em queda-de-braço. A tucana quer prorrogar os contratos de pedágio de estradas sem licitação, com redução de 20% nas tarifas. Em troca, as concessionárias seriam obrigadas a investir R$1 bilhão na duplicação e modernização das rodovias. Como algumas são federais, é preciso anuência do governo, o que não ocorreu. 

Ronaldo na mira 

Em meio a análises sobre a crise internacional e a desvalorização do real, o presidente Lula encontrou uma brecha, em reunião com o PCdoB, para analisar a contratação de Ronaldo pelo Corinthians. "Ele vai ter que apresentar resultado", cobrou o presidente. Um deputado até tentou contemporizar, dizendo que a simples contratação já tinha um efeito positivo na auto-estima do time, mas não teve jeito. "A auto-estima só vai ser recobrada fazendo gols", disse Lula. 

AMBIENTALISTAS receberam com desânimo o decreto que dá um ano para a regularização das reservas legais. "Mais uma vez, a legalidade faz concessão ao fato consumado", criticou Sarney Filho (PV-MA). 

ALIADOS do governador Jackson Lago (MA), cuja cassação será julgada pelo TSE, distribuíam ontem, no aeroporto de Brasília, panfleto que diz: "Nosso voto tem valor, cassação é um golpe". 

O SENADOR Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu a reitores que pressionem o governo Lula a apresentar sua candidatura à diretoria-geral da Unesco.

ANCELMO DE GOIS

Lugar para Carlos


O Globo - 12/12/2008
 

Pouco antes da reunião de Lula com a elite empresarial brasileira, ontem, o dirigente de uma grande companhia foi desconvidado pelo palácio para ceder lugar a Carlos Jereissati, da Oi. 

O outro sócio da Oi, Sérgio Andrade, na lista desde o início, também compareceu. 

Segredo militar 

Ontem, antes de iniciar a primeira reunião do Conselho Nacional de Defesa em seis anos de governo Lula, na qual o ministro Jobim apresentou o plano de defesa nacional, todos os assessores foram dispensados da sala. 

Participaram só mesmo os ministros do conselho.

Ponto para o Rio 

O jornal "Chicago Tribune" deu matéria sobre o temor de reflexos negativos do caso de corrupção do governador Rod Blagojevich na candidatura de Chicago a sede dos Jogos de 2016. 

É que o governador prometeu dar US$150 milhões ao projeto. 

No mais... 

Quem imaginaria que a candidatura do Brasil a 2016 se beneficiaria do fato de um político de país concorrente, logo os EUA, ser acusado de corrupção?

Juros altos 

Com base no ranking oficial do Banco Central, referente ao período de 24 a 28 de novembro, o senador Tasso Jereissati diz que os dois bancos estatais, Caixa Econômica e Banco do Brasil, cobram mais juros que alguns privados. 

Na modalidade capital de giro para empresas, a Caixa ficou em 7º lugar, com taxas de juros acima das cobradas, por exemplo, por Santander e UBS Pactual. 

Já o BB... 

A situação do Banco do Brasil neste ranking é ainda pior. Ficou em 16º lugar. Cobra mais do que Bradesco, Itaú BBA etc., etc... 

Pé no jato 

Em duas semanas, o ministro Temporão viajou 12.800km, reuniu-se com 11 governadores e quase 500 prefeitos. 

Na pauta: dengue.

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Pacote pró-consumo reduz IR e isenta carro popular de imposto

Folha: Pacote reduz IR e incentiva consumo

Estadão: Classe média vai pagar menor imposto de renda

JB: Contra a crise, menos imposto

Correio: Natal do Lula tem crédito e carro zero

Valor: Renúncia de R$ 8,4 bilhões busca estimular consumo

Gazeta Mercantil: Renúncia fiscal vai liberar R$ 8,4 bilhões à economia

Estado de Minas: Para iluminar o Natal e salvar 2009

quinta-feira, dezembro 11, 2008

PARA SONHAR

Karissa e Kristina Shannon
Clique na foto para ampliar

PARA DORMIR

Karissa e Kristina Shannon

Clique na imagem para ampliar

TESTE DE CONHECIMENTO

Qual das palavras é feminina?

( ) Bandeira
( ) Galinha
( ) Diretoria
( ) Farinha
( ) Matemática

A resposta está abaixo… Mas pense primeiro!

Pensou? Já sabe a resposta? Não?

Lá vai respostai a resposta então...

BANDEIRA
Não é feminina porque tem pau.

GALINHA
Não é feminina porque tem pinto.

DIRETORIA
Não é feminina porque tem membro.

FARINHA
Não é feminina porque tem saco.

MATEMÁTICA
É a única feminina. Tem regras, tem problemas demais e ninguém entende

CHEIROU E MORREU

Ex-marido de Susana Vieira é encontrado morto no Rio

Marcelo Silva foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira em frente a um flat na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio).

Policiais civis realizam na tarde desta quinta-feira uma perícia no carro onde estava o ex-policial Marcelo Silva, ex-marido de Susana Vieira. Ele foi encontrado morto na manhã de hoje. O veículo --um Polo-- está na garagem de um flat na Barra da Tijuca (zona oeste)

Segundo o Corpo de Bombeiros, Marcelo entrou no prédio por volta das 7h e não chegou a sair do veículo. Sua mãe pediu ajuda em um posto do Grupamento Marítimo, mas os bombeiros não conseguiram reanimá-lo. Os bombeiros não souberam precisar onde a mãe dele estava.

Até por volta das 12h30, o corpo de Marcelo permanecia no local.

Segundo a Polícia Militar, há suspeitas de overdose. As causas da morte, no entanto, ainda serão investigadas.

COLUNA PAINEL

Mais embaixo


Folha de S. Paulo - 11/12/2008
 

O governo falou ontem em R$ 10 bilhões, mas a Comissão Mista de Orçamento cortará ainda mais da peça de 2009: R$ 13 bilhões. Tamanha tesourada parte de uma previsão de crescimento de 3,5% feita pelo relator de receitas, Jorge Khoury (DEM-BA). O governo trabalha oficialmente com o percentual de 4%.
Para atingir tal redução, serão cortados R$ 10 bilhões em custeio, R$ 2,4 bilhões em investimentos e R$ 600 milhões em pessoal, adiando a contratação de 
servidores temporários. A disposição draconiana de deputados e senadores tem uma explicação simples: eles querem enxugar mais a proposta vinda do Executivo de modo a garantir espaço para suas emendas.

Em resumo
Interpretação de um ministro do STF sobre o conjunto de ressalvas que a sessão de ontem impôs à reserva Raposa/Serra do Sol: "O Supremo decidiu que demarcação é coisa séria demais para ficar nas mãos da Funai". 

Despertador
Durante o longo voto de Carlos Alberto Direito, bedéis do STF tiveram de cutucar mais de um dorminhoco na platéia.

Reforço
A administração da Funai em Boa Vista comprou, no final de outubro, 383 facões, 240 foices, 337 machados e 474 enxadas, além de 36,5 km de arame farpado. Tudo para um "projeto de produção agropecuária" em comunidades indígenas da reserva Raposa/Serra do Sol. 

Fico
Segundo o dado mais recente do Incra, 117 famílias que vivem na reserva, "entre elas os grandes arrozeiros", não procuraram o órgão até agora para solicitar sua realocação em outras áreas. 

Notável
O presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Frederico Pimentel, foi preso pela PF no dia em receberia, da Associação do Ministério Público do Estado, uma comenda por seus esforços no combate à corrupção. 

Circuito
Depois de discutir crise e reforma tributária em jantar com José Serra, o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, fez o mesmo programa com Aécio Neves no Palácio das Mangabeiras.

S.O.S.
Por determinação de Lula, o ministro Guido Mantega (Fazenda) finaliza um pacote de troca de dívida para ajudar o governo de Teo Vilela em Alagoas. O modelo é o mesmo adotado meses atrás para socorrer outra tucana em dificuldades: Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. 

Assim não 1
As críticas feitas à política econômica em seminário no fim de semana racharam o grupo Construindo um Novo Brasil, majoritário no PT. Deputados federais que boicotaram o evento não gostaram de ver quadros da burocracia partidária atacando a gestão do Banco Central. 

Assim não 2
Do ex-ministro e deputado Antonio Palocci, em reunião partidária anteontem: "Se essa for a opinião da tendência, estou fora". 

Hoje...
Ao tomar posse na presidência do TCU, Ubiratan Aguiar disse que "o sucesso das instituições públicas só será pleno se acreditarmos em um mesmo projeto". Recomendou ao governo ver o tribunal "como um aliado". 

...e ontem
Em 2006, Ubiratan foi o autor das "ressalvas" que quase impediram a aprovação das contas de Lula. Apontou "falta de controle" do governo na fiscalização de obras e falhas em convênios. 

A favor
A direção do PTB decidiu ontem apoiar: a) Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara; b) o fim do fator previdenciário tal como aprovado no Senado. 

Visita à Folha
Tião Viana (PT-AC), candidato à presidência do Senado, visitou ontem a Folha. Estava com Antônio Oscar Guimarães Lossio, chefe-de-gabinete. 

Tiroteio 

"Já é um avanço. A AGU poderia ter demorado menos para perceber que não é só ela quem fala pelo governo na discussão sobre a tortura." 

De 
PAULO VANNUCCHI , secretário nacional de Direitos Humanos, comentando a decisão da Advocacia Geral da União de não mais tomar partido no debate a respeito da revisão da Lei de Anistia.

Contraponto

Sem olheiras

José Serra dava entrevista a uma emissora de rádio, anteontem, quando veio a inevitável pergunta sobre 2010.
-Sei que não vou dar a manchete, mas vamos deixar isso para o final de 2009...-, desconversou o governador.
-O rádio tem essa vantagem comparativa de não precisar de manchetes-, observou o entrevistador.
-Sem querer despertar ciúmes, o rádio é o meu meio de comunicação preferido-, confessou Serra.
Como a resposta foi muito bem recebida pelos jornalistas no estúdio, o tucano resolveu se alongar:
-O rádio dispensa maquiagem. E não tem o problema de sua tia dizer depois: "Como você estava abatido..."

CLÓVIS ROSSI

O velhinho da Barão de Limeira


Folha de S. Paulo - 11/12/2008
 

Se morreu a "velhinha de Taubaté", me assumo como o velhinho da Barão de Limeira (a sede da Folha, para quem não sabe). Explico: eu acredito no presidente Lula. Ou melhor, não acredito nem nunca acreditei em presidente nenhum, nacional ou estrangeiro. Mas sou tonto o suficiente para acreditar na pregação de Lula segundo a qual o Brasil não será muito machucado pela crise.
Explico melhor: não acredito em retração no trimestre final do ano (2009, é outra história, a ser contada depois), ao contrário do que prevêem consultorias que falam em queda de até 1,3%. Minha credulidade não se baseia em ciência (até porque economia não é ciência; vide, a propósito, o artigo de ontem de Delfim Netto).
Baseia-se, primeiro, nos erros que as consultorias cometem o tempo todo. O caso do PIB é apenas o mais recente: o consenso de mercado era de crescimento de apenas 6%. Deu 6,8%, um erro, portanto, superior a 10%, que deveria desqualificar quem errou para o resto da vida.
Baseia-se também numa certa lógica, tosca, mas lógica. Não dá para acreditar que o país passe de um crescimento tão bacana para retrocesso. Que haverá desaceleração, é óbvio. Eu mesmo, bobinho como sou, já mencionei a hipótese de freada, mais que desaceleração.
Mas o que se está prevendo agora não é freada, e sim cavalo-de-pau, hipótese não autorizada nem pelos números ruins já divulgados.
Por fim, meus termômetros usuais (de novo, nada científicos) são o shopping em cujo banco tenho conta há 30 anos, o que me obriga a freqüentá-lo regularmente, e o supermercado da esquina. O ambiente que se respira em um e no outro não é de catástrofe. Diria até que é de "business as usual".
Posso estar completamente enganado, mas acho melhor me equivocar sozinho do que na companhia de quem erra habitualmente.

ELIANE CANTANHÊDE

Só cumpre quem quer


Folha de S. Paulo - 11/12/2008
 

"Buraco negro" não há, nem os pilotos norte-americanos desligaram o transponder para se divertir com o brinquedinho novo em folha, conforme os controladores cogitaram desde o acidente com o Gol 1907, que matou 154 pessoas em 29 de setembro de 2006.
Mas há outros "buracos negros" e brincadeiras com a vida alheia, como se viu pelo relatório técnico final divulgado ontem. Se a comissão garante que os radares e equipamentos funcionavam perfeitamente, o mesmo não disse quanto às pessoas que operavam o sistema.
Os controladores se revelaram despreparados desde o primeiro elo da cadeia, quando um jovem de Brasília nem sequer se deu ao trabalho de consultar o plano de vôo do Legacy e falou de qualquer jeito com um experiente colega de São José (SP). Este sabia que eram três altitudes, mas passou uma, e ainda citou "Eduardo Gomes", o aeroporto de Manaus, induzindo os pilotos a descartarem o plano original e seguirem o plano autorizado.
Daí em diante, uma sucessão de tragédias dentro da tragédia. Os controladores, por exemplo, não atualizaram a freqüência de rádio a partir de Brasília. Com a freqüência errada, como o avião e o controle se comunicariam?
E os pilotos não desligaram o transponder para brincar, mas andaram brincando com fogo. Não conheciam o avião nem as regras brasileiras de aviação. Queriam saber a quantidade de combustível e o peso do avião para o pouso em Manaus, mas provavelmente acabaram inserindo números errados e desligando o transponder, que salvaria 154 pessoas.
Bem, mas essa história a 
Folha vem contando direito há bastante tempo. Agora é esperar que as 65 recomendações de segurança geradas pelas investigações dêem em alguma coisa. Pelo andar da carruagem, isso é uma incógnita. A impressão é que cumpre quem quer. Mas a gente tem de andar de avião, querendo ou não...

MÓNICA BÉRGAMO

Ar fresco


Folha de S. Paulo - 11/12/2008
 

O governador José Serra anuncia até o fim da semana um pacote de "alívio fiscal" para as indústrias do Estado. As medidas estavam sendo finalizadas ontem por sua equipe econômica.

AR FRESCO 2
O governador deve fazer o anúncio ao lado de Paulo Skaf, da Fiesp, para mostrar que o governo trabalha em sintonia com as demandas do setor.

FUMAÇA
E Serra já trabalha com um cenário de queda na arrecadação, comprometendo as metas de crescimento imaginadas antes da crise. Os investimentos no Estado, no entanto, serão mantidos já que o dinheiro para eles vem de outras fontes -como a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil e o pagamento pela concessão de estradas.

NA TRAVE
E o governo de SP vai monitorar, a partir de janeiro, a situação do emprego em cada município do Estado. O trabalho será feito com a Fipe. "A idéia é atuarmos para ajudar os que precisam, sem chutes", diz o secretário do Trabalho, Guilherme Afif Domingos.
TCHAU Lino Kieling, presidente da Dataprev (empresa de tecnologia da Previdência Social), entregou o cargo ontem -mas sua saída só será anunciada oficialmente nos próximos dias. A cadeira dele já tinha sido oferecida a Marco Antônio de Oliveira, então presidente do INSS, que acabou sendo exonerado do antigo cargo ontem antes mesmo de dizer se aceitava a missão.

EM VÃO
A demissão de Marco Antônio, por sinal, causou desconforto no PT: ele imaginava que poderia apenas ser transferido do INSS para a Dataprev, já que tinha sido sondado para isso; mas soube que sairia definitivamente do cargo pelo Diário Oficial. Além disso, Marco Antônio é ligado a Luiz Marinho (PT-SP), ex-ministro da Previdência que, ao sair, pediu ao substituto, José Pimentel (PT-CE), que ele fosse mantido no cargo. A equipe de Dilma Rousseff também tentou interferir. Em vão.

LULA E OBAMA
Em evento na Câmara Americana de Comércio, em SP, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, disse que a equipe do novo presidente americano, Barack Obama, estuda a possibilidade de o presidente Lula ser recebido por ele em março, na Casa Branca.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Lula: fé ou propaganda?


O Globo - 11/12/2008
 

O presidente Lula parecia sincero, lá em Colinas, Tocantins. Tirou o boné da cabeça, movimentou o corpo para acentuar as palavras e quase gritou: "Não tem nenhum país do mundo mais preparado para enfrentar essa crise." A cena ficou boa, deu televisão na terça à noite. 

Ora, há muitos países em condições semelhantes às do Brasil e muitos mais bem preparados para enfrentar a tormenta. E isso coloca as alternativas. 

Será que o presidente acredita no que diz? Ou será que está, conscientemente, fazendo agitação e propaganda, não importa a verdade? 

Na primeira hipótese, é grave. Indicaria um presidente mal preparado e, pior, mal assessorado. Mostraria também um governo despreparado para enfrentar a crise, se não consegue nem entendê-la. 

Na segunda, também é grave. O presidente tem a obrigação de dizer aos cidadãos qual a situação exata do país e quais as políticas necessárias. Mas se Lula quer "passar" para a população uma informação positiva, e falsa, seu governo vai acabar adiando determinadas medidas porque elas poderiam dar a impressão contrária. 

Talvez já esteja acontecendo. Informações de Brasília dão conta de que o governo hesita em tomar medidas para amenizar o desemprego, como o aumento do seguro, porque isso seria como confessar que haverá desemprego. O que esperam? Que a torcida e a propagação de falsas mensagens positivas levem as empresas a não demitir? Que as companhias acreditem no presidente e não nas vendas em queda? 

E, de fato, Lula tem reclamado com os empresários, acusando-os de medidas precipitadas e de não confiar no Brasil, ou seja, no governo dele. 

Objetivamente, qual a força do Brasil nessa crise? Eis um bom exemplo: em novembro, o mercado de câmbio registrou um déficit de US$7,1 bilhões, a maior saída de dólares desde o déficit de US$8,5 bilhões de janeiro de 99, quando mudou o regime de câmbio no Brasil, com uma maxidesvalorização. Aliás, também houve uma máxi agora. 

Mas comparem: em 99, o comércio externo brasileiro total era de US$100 bilhões/ano, com 50 de exportações e 50 de importações. 

Neste ano, o comércio externo deve atingir US$379 bilhões, com um superávit de US$23 bilhões. Ou seja, a capacidade do país de obter dólares bons, com a venda de mercadorias, é quatro vezes maior. 

As reservas do BC em dezembro de 98 eram de US$44 bilhões; hoje, algo como US$205 bilhões. Resumo da ópera: uma fuga de 8 bilhões em 99 era crise no balanço de pagamentos; hoje, não chega nem perto disso. 

Portanto, primeira e maior força, o bom estado das contas externas - o país e o governo são credores em dólares, de modo que a dívida não aumenta com a desvalorização do real. 

Segunda força: a inflação controlada com o regime de metas. Terceira: contas públicas equilibradas, com superávit primário e pagamento de juros, de modo a reduzir o endividamento público. 

Ou seja, desta vez, o Brasil sofre, mas não quebra. 

Mas há muitos países com condições semelhantes naqueles três quesitos. E muitos em condição superior. A China, por exemplo, tem mais reservas, mais exportações e mais superávit cambial e nas contas públicas. Idem para boa parte dos emergentes asiáticos. 

E muitos não têm os pontos fracos brasileiros. O Brasil entrou na crise com: 

- o real muito valorizado, o que intensificou a atual desvalorização; 

- a taxa de juros muito elevada, o que dificulta a política de estimular o crédito; 

- carga tributária muito elevada (37% do PIB, contra 22% da média dos emergentes) e gasto público muito alto em custeio, pessoal e Previdência, o que impede aumentar os investimentos; 

- inflação indexada, com contratos reajustados anualmente, o que impede a queda forte da inflação, o que, de sua vez, impede a queda maior da taxa de juros. 

Todos esses são fatores que o governo Lula poderia ter reformado se não tivesse simplesmente apanhado a boa onda mundial, aproveitando a base deixada. Vai ver o presidente acreditou mesmo que tudo de bom que aconteceu no Brasil deve-se apenas a ele, assim como acredita agora ser capaz de segurar a crise com seus discursos. 

NAS ENTRELINHAS

O conselho de Lula


Correio Braziliense - 11/12/2008
 


O problema para o governo é que a crise desembarca na economia real com uma velocidade surpreendente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos brasileiros que continuem a comprar e a recorrer ao crédito. Segundo ele, é a melhor maneira para manter a economia em movimento e evitar que a crise financeira se agrave. Boa idéia. O único problema é que vem de alguém que mora no Palácio da Alvorada, anda de carro oficial, recebe restituição do Imposto de Renda, tem todas as despesas pagas e não deve assinar um cheque pelo menos desde 1º de janeiro de 2003. Lula não vai comprar um carro em 60 prestações, nem se comprometer com um financiamento imobiliário. E certamente não vai ter de enfrentar os juros do cheque especial. Segundo a declaração de renda que apresentou ao candidatar-se à reeleição, em 2006, seu patrimônio dobrou durante o primeiro mandato, chegando a R$ 839 mil. 

A diferença entre o Brasil real e o oficial pode ser um dos maiores obstáculos para o governo enfrentar a crise. Em resumo, o que o presidente está pedindo é que nós gastemos o nosso dinheiro para salvar a economia do país. Do ponto de vista macroeconômico, faz sentido. Mas coloca uma questão dramática: salvar o país ou o próprio bolso? Confiar no discurso otimista e enfrentar a fila do crediário neste Natal ou deixar o dinheiro guardado e preparar-se para um ano-novo que pode ser de tempestade? 

A chave para esse dilema está na capacidade do governo passar confiança ao país. E, quando se fala em governo, fala-se em Lula. Ele é a cara de sua administração e o dono do discurso. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, podem ser bons para falar a públicos específicos, mas é Lula quem se dirige ao país. Se ele conseguir convencer o Brasil de que a crise é passageira e que as coisas vão melhorar nos próximos meses, as pessoas irão às compras. Afinal, essa é a nossa vocação. Se a desconfiança dominar, cada um vai cuidar de si. 

O problema para o governo é que a crise desembarca na economia real com uma velocidade surpreendente. Planejamentos financeiros feitos para o ano que vem perdem o sentido em algumas semanas. Cada vez mais setores começam a demitir. E, quando o emprego está em risco, as pessoas tendem a adotar a postura mais cuidadosa. A última coisa que o sujeito quer é ficar sem emprego e com um monte de prestações para pagar. 

O governo tem um papel importante, e ele vai além da retórica de Lula. A manutenção dos investimentos federais é um instrumento importante para manter a economia irrigada. O mesmo acontece com a rede de benefícios sociais. O Bolsa Família se mostrou um excelente instrumento para distribuição e circulação de renda, especialmente no interior do país. A política de juros e os empréstimos oficiais são instrumentos básicos de ação do governo na economia. 

Mas tudo depende, e muito, do clima que se instalar no país. Lula vem suando a camisa para manter a confiança. Até aqui, parece estar se saindo bem. Sua popularidade continua em alta e os números da economia para o terceiro trimestre do ano foram surpreendentemente bons. O problema é que as coisas podem estar piorando, apesar disso tudo. Os próximos meses serão decisivos. 

Talvez o presidente devesse comprar uma geladeira a prazo. Vê-lo com um carnê nas mãos nos deixaria, no mínimo, com um sentimento de solidariedade. Afinal, o governo está gastando seu prestígio e a conta pode ser cobrada em 2010. 

Mudando de assunto 
No meio de tantos problemas, a passagem dos 40 anos da edição do Ato Institucional nº 5, o AI-5, pode receber menos atenção do que deveria. Seria uma pena. É uma chance para refletir sobre o país. Há quatro décadas, o governo militar fechava o Congresso e assumia seu caráter mais autoritário. As conseqüências daquele momento persistem até hoje. Um país é tão maduro quanto a sua democracia. A nossa começou a ser reconstruída há menos de duas décadas, com a volta das eleições diretas. 

Os problemas de nosso sistema político, a fragilidade dos nossos partidos e a seqüência de escândalos podem fazer parecer que avançamos muito pouco. Honestamente, discordo. Consolidamos um sistema que permite alternância no poder, eleições livres e a investigação desses escândalos. Andamos muito desde o Congresso fechado pelo AI-5.

DORA KRAMER

Illinois é aqui


O Estado de S. Paulo - 11/12/2008
 

Rod Blagojevich, governador de Illinois, foi preso não só, mas também, por pôr à venda a cadeira de senador do presidente eleito dos Estados Unidos, no conhecido mercado do toma-lá-dá-cá. 

Corrupto de outros carnavais, há mais de um ano ele vinha sendo investigado pelo FBI, que não teve dificuldade para decodificar o significado das gravações de conversas em que o governador expunha abertamente seus propósitos em relação à vaga de Barack Obama no Senado.

“Eu quero é ganhar dinheiro. Essa cadeira no Senado vale muito. Não é o tipo de coisa que se dê para alguém em troca de nada”, dizia Blagojevich em uma das gravações.

Se não conseguisse um bom preço, planejava assumir ele mesmo o lugar do presidente eleito. “Você está escutando o que estou dizendo? Se eu não conseguir o que quero, vou ficar com essa vaga para que eu tenha uma possibilidade de barganha”, informava ao interlocutor, supostamente um dos candidatos à indicação, um pretendente a comprador.

Mais explícito impossível. Ousado até, para nossos padrões de conversas truncadas, mais ou menos em código, que de quando em vez aparecem nos grampos da Polícia Federal.

O preço incluía um salário de US$ 300 mil anuais em alguma fundação benemerente, um emprego em conselho corporativo para a mulher, financiamento de campanha eleitoral e um cargo no Senado para um afilhado político.

O governador Blagojevich já carregava em sua folha corrida a ameaça de cortar o acesso do jornal Chicago Tribune a verbas públicas por causa de reportagens críticas a ele. 

Nessa altura do relato do episódio, o leitor já identificou familiaridades a mancheias: pressão (implícita ou explícita, financeira ou política) contra a imprensa, abuso de poder, manejo privado do patrimônio público, financiamento de campanha em troca de favorecimento mediante o uso das prerrogativas do cargo, solicitação de “boquinha” para si e para a mulher, além de uma sinecura para apaniguado.

Nada nesse rol ecoa extravagante aos ouvidos do brasileiro habituado ao convívio cotidiano com todas essas práticas - corporativismo, fisiologismo, nepotismo - às quais se acrescenta a similitude (parcial, porém) com o método de substituição de senadores que enseja negociatas e atos de lesa-representação.

Difere a maneira desabusada do governador, a rapidez da providência e a reação do Partido Democrata pedindo a renúncia do filiado. Por aqui os partidos costumam proteger os correligionários a despeito de todas as evidências e só em último caso (quando se põe em risco a agremiação) repudiam-lhe as malfeitorias. Se o réu for importante, um governador, um senador, o espírito de corpo não fala, grita.

No tocante à substituição do senador, a semelhança é apenas parcial, embora pareça igual por dispensar a participação do eleitorado.

Aqui, o substituto já vem acoplado ao titular, mas por escolha individual e exclusiva dele, sem o voto do eleitor que quase sempre desconhece a identidade do suplente. O candidato indica quem quiser: um parente, um aliado político, um funcionário, um amigo, um financiador de campanha.

Ou seja, o escândalo está embutido, camuflado. Se Rod Blagojevich pôs a vaga de Obama à venda no mercado, aqui quem cedeu a suplência para o financiador de campanha, por exemplo, fez a mesma coisa, mas de forma sub-reptícia e absolutamente legal.

Em Illinois, o governador indica o substituto quando a cadeira fica vaga. Isso, no mínimo, impõe alguma transparência ao processo. A escolha é de alguma forma acompanhada, o que reduz a chance de a negociata passar despercebida.

Os episódios, se não gêmeos, são primos-irmãos. 

Antanho

O projeto que proíbe as empresas de demitir funcionários cujas mulheres estejam grávidas, aprovado na Câmara e remetido ao Senado, esgota-se na boa intenção.

Segundo o autor, o hoje presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, “nessa fase da vida, a tranqüilidade financeira e a segurança em relação ao emprego do chefe da família são de extrema importância para a saúde da gestante e do feto”.

Até aí, morreu neves. A partir daí, o que se têm é um Legislativo desprovido de visão coletiva, atento apenas ao benefício individual, desconhecendo as demais conseqüências. 

Acrescenta amarra às relações formais de trabalho e não apresenta solução para problemas tais como o custo do exame de DNA, já que o empregador obviamente exigirá comprovação de paternidade.

Tudo soa antigo nesse projeto: do protecionismo inconseqüente ao conceito já revogado do homem como “chefe da família”. 

Conserto

O governador Aécio Neves informa que, ao contrário do publicado aqui, jamais defendeu que os tucanos definissem o quanto antes a candidatura presidencial. “Por uma simples razão: isso não faz o menor sentido.”

ILIMAR FRANCO

Primeiro ato

 Panorama Político
O Globo - 11/12/2008
 

Azarão na disputa pela presidência da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI) está pedindo votos anunciando que seu "primeiro ato no cargo será aprovar projeto tornando impositiva a execução das emendas individuais". Promete também a democratização das relatorias de projetos importantes. Seu objetivo é levar a disputa com Michel Temer (PMDB-SP) para o segundo turno, e diz que "é o céu" uma candidatura do Bloco de Esquerda. 

Está chegando a hora. Sarney é ou não é? 

Os partidos de oposição (PSDB e DEM) vão fechar questão contra a candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado. Até quarta-feira, quando o PMDB reunirá a bancada para escolher seu candidato, o senador José Sarney (PMDB-AP) será pressionado a concordar com sua candidatura. Receberá esse apelo tanto da oposição quanto de peemedebistas como Valdir Raupp (RO) e Renan Calheiros (AL). Senadores dizem que isso será irresistível para Sarney. Ele seria o presidente do Senado, e com direito à reeleição, no período de formação do governo que vier a ser eleito nas eleições presidenciais de 2010. 

Se dependesse do alto clero, Hillary Clinton seria o presidente dos Estados Unidos e não o Barack Obama" - Ciro Nogueira, deputado federal (PP-PI) 

CANDIDATO A GERENTE. No fim da tarde de ontem, o prédio da Câmara foi tomado por bonecos de papelão, em tamanho natural, do deputado Milton Monti (PR-SP), que está em campanha para a presidência da Casa. Os clones do candidato seguram uma placa em que está escrito: "Quem manda é você". Esse tipo de material de campanha não era usado desde a eleição de Severino Cavalcanti, em 2005. 

Insuflado 

O senador Paulo Paim (PT-RS) tem sido estimulado por senadores da base aliada a se lançar candidato a presidente da República. Alegam que o fim do fator previdenciário e sua histórica defesa do salário mínimo o credenciam.

Sem acordo 

Os líderes partidários da Câmara desistiram de buscar um acordo prévio com o Senado para votar a reforma tributária. Os senadores procurados demonstraram que preferiam consertar a proposta dos deputados. 

Um corte feito em parceria 

O relator da Comissão de Orçamento, senador Delcídio Amaral (PT-MS), anuncia amanhã um corte de R$2,7 bilhões no Orçamento da União para 2009 em relação à proposta do Executivo. O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) mandou um relatório indicando onde não se deve e onde é possível cortar gastos. A tesoura vai atingir custeio e investimento, nesse caso quando houver obstáculos ambientais e judiciais. 

Coisas da política municipal de Alagoas 

O TRE de Alagoas decidiu impedir a diplomação dos prefeitos eleitos de Joaquim Gomes e Mata Grande. Dona Cristina Brandão, a mãe, e Jacob Brandão, o filho, são acusados de compra de votos. Já o pai, Hélio Brandão, havia sido impedido de concorrer a deputado estadual em 2006. Em Joaquim Gomes será diplomado o tucano Toinho Batista e em Mata Grande vai manter-se no cargo o peemedebista Fernando Lou, que concorria à reeleição. O caso vai para o TSE. 

O LÍDER do PMDB, Henrique Alves (RN), foi reconduzido pela terceira vez ao cargo. Ele teve o apoio de 91 dos 94 deputados da bancada. 

O DEPUTADO Paulo Teixeira (PT-SP) afirma desconhecer acordo para eleger Cândido Vaccarezza (SP) líder da bancada e diz que continua no páreo. 

O GOVERNO brasileiro não acredita que o Equador dê um calote no financiamento do BNDES. Ocorre que o presidente Rafael Corrêa está negociando um financiamento do BID.