sábado, dezembro 06, 2008

COLUNA PAINEL

"Burro é quem explica"


Folha de S. Paulo - 06/12/2008
 

Em meio ao furor causado pelo "sifu", passou despercebido um trecho do discurso de Lula, anteontem no Rio, no qual o presidente praticamente chamou seu ministro da Cultura de burro.
Lula começou por "dar os parabéns" a Manoel Rangel Neto, diretor da Agência Nacional de Cinema, pela "exposição didática" sobre o Fundo do Audiovisual. "O Juca [Ferreira] passou três horas comigo e eu não entendi o que era". "Está certo que o Juca teve que explicar 300 outras coisas", ressalvou, "mas esta foi a forma mais didática". E prosseguiu: "Se a pessoa faz a apresentação uma vez e a gente não entende, a gente é burro. Se a pessoa faz a segunda vez e a gente ainda não entende, a gente é meio burro. Mas, na terceira vez, burro é quem está explicando".

Hein?
Muito antes do recuo de Franklin Martins, o arquivo em áudio do discurso de Lula registrava um "sifu" cristalino, na contramão do "inaudível" colocado na transcrição da fala. 

Tarja
Não foi a primeira vez que o site da Presidência "editou" Lula. Em 2003, limou-se de discurso feito na Namíbia o trecho "tão limpa que nem parece a África". Em 2004, foi para o ralo todo um discurso feito durante inauguração de obra ao lado de Marta Suplicy em plena campanha eleitoral. 

Gato
Como alternativa temporária ao porto de Itajaí, semidestruído pelas enchentes em Santa Catarina, o governo federal estuda requisitar terminal privado no município de Navegantes, utilizado sobretudo por construtoras. Segundo a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), há previsão legal. 

Ajuste
Número dois da Funasa, Josenir Gonçalves, apadrinhado de Jader Barbalho (PMDB-PA), caiu como parte da negociação de paz com o ministro José Temporão (Saúde). Seu substituto é Faustino Barbosa, indicado pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN). 

Pressão
O PT fará manifestação dentro do Ministério da Justiça, na segunda, pela demarcação contínua da reserva Raposa-Serra do Sol. O Supremo retoma o caso na quarta. 

Investidores
Itaú e Unibanco, que há um mês anunciaram fusão, injetaram R$ 3,2 mi e R$ 1,2 mi, respectivamente, nas campanhas municipais deste ano. Em São Paulo, o Itaú repassou iguais R$ 450 mil para Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy. O Unibanco nada doou à petista. 

Em pauta
A CCJ do Senado agendou audiências públicas para instruir um projeto de lei que estabelece a independência formal do BC. Na terça-feira serão ouvidos Luiz Gonzaga Belluzzo e Joaquim Levy. Uma semana depois será a vez de Henrique Meirelles, Guido Mantega, Armínio Fraga e Gustavo Loyola. 

Em tempo
Independência do Banco Central é um dos temas em que os senadores do PSDB operam em total falta de sintonia com o principal presidenciável do partido. O projeto de lei é de Arthur Virgílio (AM). José Serra não pode ouvir falar no assunto. 

Grande hotel
O Senado já gastou R$ 88 mil com as duas vigílias promovidas por Paulo Paim (PT-RS) em defesa de seus projetos pró-aposentados. A mais recente custou R$ 45 mil, relativos a hora extra, energia elétrica, lanches e papel para impressão dos discursos no jornal interno. 

Dá que é meu
O PT-SP tenta impedir que Pedro Bigardi, ex-petista hoje no PC do B, assuma cadeira vaga na Assembléia. As duas siglas disputaram coligadas em 2006. O lugar "na fila" seria agora dos comunistas, que ameaçam romper a aliança no Estado se não houver recuo.


Tiroteio 

"Essa lei expõe mulheres à chantagem de maridos ameaçados de perder o emprego, o que incentivaria a gravidez indesejada. Em vez de proteger a família, pode ter o efeito contrário." 
Do deputado 
RONALDO CAIADO (DEM-GO), prevendo uma espécie de "baby boom" caso passe também no Senado o projeto de Arlindo Chinaglia (PT-SP) que dá estabilidade a maridos de grávidas.



Contraponto 

Caneladas

Durante concorrida audiência da Comissão de Orçamento com Henrique Meirelles, deputados tucanos pressionavam o presidente do BC a admitir que a crise global afetará o crescimento no Brasil. Quando chegou a vez de chamar Alfredo Kaefer (PSDB-PR), o presidente da comissão, Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), trocou o prenome do deputado por "Ademir". Mas logo se desculpou:
-É que Ademir Kaefer era meia-direita do Internacional de Porto Alegre nos anos 80...
Como ninguém parecia ter entendido, ele continuou:
-Ademir tinha fama de brigador. Por isso o confundi com o aguerrido deputado Alfredo Kaefer...

CRISTOVAM BUARQUE

Solução definitiva

O Globo - 06/12/2008
 

Não faz muito tempo, o Brasil era um país dividido pelo debate entre idéias: economia aberta ou fechada; privatização ou estatização; democracia ou autoritarismo; socialismo ou capitalismo. Hoje, o debate ideológico se limita a cotas e bolsas. De um lado, os que negam aos pobres e negros o apoio de bolsas e cotas; de outro, aqueles que consideram bolsas e cotas suficientes para resolver o problema da pobreza e do preconceito. Parte da população é contra a distribuição de bolsas para pobres; parte considera que a distribuição de bolsas é suficiente para credenciar um governo. O mesmo acontece com as cotas. Parte é contra usá-las como instrumento para formar uma elite universitária negra; outra parte comemora a existência das cotas como se fosse a solução para todos os problemas que pesam sobre os negros brasileiros. 

Há uma razão que unifica os dois lados do nosso pobre debate: o desprezo aos pobres e excluídos, que caracteriza os formadores de opinião no Brasil. Tanto os que defendem quanto os que criticam bolsas e cotas. 

Aqueles que hoje são contra as bolsas, há séculos são insensíveis à tragédia de um país que condena dezenas de milhões de pessoas à fome e à miséria. Não defenderam no passado a revolução que era necessária para que as bolsas fossem hoje desnecessárias. E os que comemoram as bolsas como o grande mérito de um governo são insensíveis à tragédia de um país que condena parte considerável de suas famílias à necessidade de ajuda. Contentam-se com as bolsas, sem defender a revolução que permitirá abolir a necessidade delas. 

No caso das cotas é ainda mais grave. Os que são contra nunca se sensibilizaram com a exclusão de negros em nossa elite, e temem que vagas da universidade sejam ocupadas por jovens negros com alguns décimos a menos nas notas do vestibular. Os que são a favor de cotas lutam pela reserva de vagas, mas não para que todos terminem o ensino médio em escolas de qualidade; reservam lugares na universidade, mas mantêm a falta de concorrência por causa das multidões excluídas pelo analfabetismo e pela evasão escolar. 

Lutamos para manter privilégios ou incorporar os privilegiados, não para eliminar os privilégios. A crítica ética às bolsas e cotas está na defesa da igualdade educacional: em vez de impedi-las, torná-las desnecessárias. 

A seleção de futebol não precisa de cotas, porque a bola é redonda para todos; chegam lá os mais talentosos e persistentes. Só uma escola "redonda" para todos permitiria abolir a necessidade de cotas e de bolsas. Isso exige uma revolução na educação de base. Mas os defensores e opositores de bolsas e cotas desprezam o radicalismo da solução definitiva: a igualdade de oportunidades para abolir todos os privilégios. Que acabaria com a disputa atual de quem tenta restringir os privilégios ou fazer ter acesso a eles. 

Em um país com ânsia de justiça, bolsas e cotas são necessárias como paliativos, distribuindo pequenas ajudas aos pobres e pingando negros na universidade. Não devemos recusar esses instrumentos de discriminação afirmativos, mas tampouco comemorar a necessidade deles.

O Brasil é um país dividido, com uma sociedade partida. Bolsas e cotas são migalhas necessárias, jogadas de um lado para o outro, mas não levam a uma revolução que abra a porta por onde os excluídos atravessem para a modernidade, vivam plenamente sem necessidade de bolsas ou cotas. Essa porta é a escola igual para todos, capaz de quebrar privilégios e levar o Brasil a um salto civilizatório. 

Diante da pobreza de idéias, divididas na superficialidade e no simplismo, essa opção exige um debate hoje impossível. A prova é que um artigo como este será certamente recusado, tanto pelos que defendem quanto pelos que se opõem às cotas e às bolsas. Acostumados a defender ou condenar migalhas e pingos, lutam para manter os privilégios, sem buscar soluções que permitam dispensar as bolsas e as cotas. Mas isso seria querer demais da elite brasileira: porque não há bolsas nem cotas de lucidez e radicalismo, nem gosto por soluções definitivas. 

CRISTOVAM BUARQUE é senador (PDT-DF).

A CONTA DO CASAL K


O Globo - 06/12/2008
 

Não há país inteiramente preparado para resistir à crise internacional. Alguns estão em melhores condições que outros. Mas poucos estarão tão despreparados como a Argentina, cuja economia já estava debilitada. Ontem, não havia combustível em Buenos Aires. Empresários e trabalhadores dos postos de gasolina deflagraram uma greve de 24 horas, com adesão de 95% e longas filas nas poucas bombas abertas. O setor reivindica rentabilidade mínima e proteção ao emprego - 3 mil postos já fecharam na Argentina, com perda de 40 mil empregos. A dificuldade dos empresários é obter uma resposta do governo, a quem não interessa reajustar preços ou salários por conta de uma inflação de 15% a 25% ao ano, maquiada para ficar nos 8% ou 9%. 

A terapia Kirchner tirou a Argentina do balão de oxigênio na crise de 2001/2002 e permitiu ao país voltar a crescer a partir de níveis de atividade muito deprimidos. O erro foi não ter adaptado o tratamento à melhoria do doente. Insistiu-se no congelamento de preços, na hostilidade ao capital privado e no apoio à estatização, como oposição a medidas vistas como "neoliberais". A situação se deteriorou com a mudança do Kirchner no poder - Cristina assumiu em dezembro de 2007. Hoje, a presidente busca desesperadamente fundos para pagar a dívida e financiar um grande programa de obras públicas que impulsione não só a economia como sua popularidade, estatelada a 20%. 

O casal K parece cego ao bom senso. Em março, quando eram mais elevados os preços das commodities, Cristina conseguiu estragar tudo ao elevar o imposto retido sobre a produção rural, o que resultou num enfrentamento de 102 dias com os produtores, encerrado com a capitulação do governo. 

Em outubro, a presidente obteve do Congresso aprovação para confiscar US$29 bilhões depositados nos fundos de pensão privados - em termos simples, um roubo das aposentadorias dos argentinos. Cristina também baixou legislação com incentivos à repatriação de capitais que fugiram do país, estimados em US$123 bilhões. A Argentina está sem acesso ao escasso crédito internacional em decorrência do calote da dívida de US$95 bilhões em 2001. No momento, suas exportações estão em queda, assim como o preço de commodities como a soja. Por isso, analistas já estimam que haverá dificuldades em relação aos US$28 bilhões de dívidas que vencem nos próximos três anos. A conta dos erros chegou. Para o governo, o melhor será abandonar a arrogância e ter a coragem de fazer os ajustes necessários na economia, inclusive com medidas de austeridade fiscal.

ILIMAR FRANCO

Chororô

 Panorama Político
O Globo - 06/12/2008
 

A bancada do PT na Câmara dos Deputados anda reclamando, mais do que o de costume, de falta de apoio da base governista nas votações e na defesa do governo. Estão ressentidos também da suposta ausência de reconhecimento do Palácio do Planalto dos serviços prestados pelo partido. O Planalto já captou a insatisfação e está organizando jantar com o presidente Lula para agradar aos petistas.

Motivos da insatisfação 

Os desgastes mais recentes foram a tentativa de votação da reforma tributária e a proposta de emenda constitucional, aprovada na Comissão e Constituição e Justiça, que permite a deputados e senadores propor leis sobre assuntos hoje privativos do presidente da República, como criação de cargos, concessão de reajustes para servidores públicos e matéria tributária. O autor é o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), e o relator, que recomendou o voto a favor, foi o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA). "Que base é essa? Com isso o governo vai ser chantageado diariamente", disse o deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ). 

Se houver um amplo entendimento para ajudar o governo, nós não fechamos as portas" - Eduardo Campos, governador (PSB-PE), sobre as eleições para a presidência da Câmara e do Senado 

QUE RACHA? Apesar do impasse no PMDB por causa da presidência do Senado, Pedro Simon (PMDB-RS) afirma que não há um racha no partido. "Briga tem o governador de São Paulo contra o governador de Minas Gerais. Isso é briga", disse ele, referindo-se aos tucanos José Serra e Aécio Neves, que disputam a candidatura do PSDB à Presidência da República. O PMDB está dividido entre lançar candidato e apoiar Tião Viana (PT-AC). 

Arquivado 

O procurador-geral do Ministério Público do RS, Mauro Renner, mandou arquivar o processo que investigava a compra de uma casa pela governadora tucana Yeda Crusius, em dezembro de 2006. A denúncia foi feita pelo PSOL.

Imagem 

Em campanha para a presidência da Câmara, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) tem procurado empresários e representantes da sociedade civil para conversar. Ele quer mostrar que não é um novo Severino Cavalcanti (PP-PE). 

Desconfiança no PT, no PMDB e no PP 

Os petistas não são os únicos estressados com o suposto interesse do ministro José Múcio (Relações Institucionais) na presidência da Câmara. Setores do PMDB e do PP também acham que Múcio quer o cargo. Mas ele nega: "Não tenho deixado margem para que alguém tenha dúvida. Meus candidatos são Tião Viana e Michel Temer". Sobre a conversa com Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que fez um apelo em favor de Tião Viana. 

Maravilhas da natureza 

Faltam 26 dias para o final da votação que escolherá as Maravilhas Mundiais da Natureza, organizada pela fundação suíça New7Wonders. O Pão de Açúcar está na briga e, na terça-feira, o tucano Otávio Leite (RJ) vai instalar terminais de votação na Câmara dos Deputados. A instalação dessas urnas funcionou no caso do Corcovado. O Ministério do Trabalho diz que ganhar títulos como esse podem levar à criação de 250 mil novos empregos e gerar receitas de até R$270 milhões. 

O SENADO aprovou, sem contestação, no silêncio da noite de quarta-feira, a criação de 1.665 cargos no TRT da 1ª Região, no Rio. O projeto é de autoria do TST e foi para a sanção presidencial. 

FECHADO. Os senadores do PT vão eleger, na terça-feira, Aloizio Mercadante (SP) líder da bancada. 

COSTURA no PT da Câmara. Cândido Vaccarezza (SP) iria para a liderança e Paulo Teixeira (SP) ficaria com um cargo na Mesa ou com a relatoria do Orçamento. Isso porque Teixeira é da Mensagem, mesmo grupo do líder do governo, Henrique Fontana (RS).

VILLAS-BÔAS CORRÊA

Coisas da Política 

 Lula perdeu o rumo na reta final


Vá lá que a sentença pessimista peque pelo exagero. Mas não tanto que invalide a especulação sobre as possíveis saídas do presidente para encontrar o caminho limpo e o apoio popular nos altos índices ascendentes das pesquisas, dos sucessos da política econômica com mais R$ 300 bilhões de dólares nas arcas do Tesouro, sob a sovina vigilância do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Na contramão, a bagunça na casa das mordomias, das mutretas do pior Congresso desde a queda do Estado Novo, viciado em levar vantagem na negociação do voto e que não dá segurança e tranqüilidade ao governo, mesmo com o alto preço da barganha de ministérios, autarquias, cargos de confiança, controle de obras de milhões de reais, desperdiçados na angústia da necessidade para adquirir o apoio e o voto das legendas que ornamentam o leviano bloco majoritário.

Por falta de experiência, de apreço pelo jogo parlamentar, Lula cometeu erros que passaram despercebidos no período de bonança e hoje mais atrapalham do que ajudam. Certamente, o presidente não precisaria espichar o atrito com o presidente do Senado, Garibaldi Alves, no final do mandato, com a teimosia de abusar das medidas provisórias para trancar a pauta das votações e disputar com o Supremo Tribunal Federal (STF) o controle dos votos e o direito de legislar atropelando o Legislativo. E era tal a segurança do presidente de que talvez não elegesse um poste, mas faria seu sucessor com uma candidatura feita em casa, que lançou numa seqüência de discursos, entrevistas e conversas com jornalistas a candidatura da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, com 8% na pesquisa divulgada no blog do prefeito Cesar Maia. Os resmungos dos frustrados do PT, que são muitos e com cacife, que sequer sustentam as pretensões a uma vereança municipal.

A ministra-candidata conquistou espaço no Palácio do Planalto e anexos. Um tanto sem jeito, procurou domar o seu temperamento, clarear com sorriso o rosto sempre sério e com a habilidade no manejo do esquema de publicidade oficial operou a mágica de, até agora, espaçar as pesquisas e manter o nome da candidata do presidente fora das listas de aspirantes. Alguns percentuais que furaram o cerco mereceram duas linhas de registros em colunas, e os sinos não bimbalharam. Um dígito não enche o bojo de um candidato a mandato majoritário, de prefeito a presidente.

Mas, sem concorrente em casa, com a oposição a brincar de pique entre as candidaturas do favorito, o governador José Serra, de São Paulo, e o obstinado Aécio Neves, governador de Minas, Lula decidiu apresentar a candidata ao eleitorado, incluindo-a em todas as suas viagens de um campeão de milhagens aéreas no Brasil e no exterior. Com o crachá de responsável pelo Projeto de Aceleração do Crescimento, o PAC de verbas milionárias e obras nas áreas carentes, alem de planos mais ambiciosos de recuperar a malha rodoviária em pandarecos, os portos abandonados nos seis anos dos dois mandatos.

Ora, tanto esforço, empenho, discursos, entrevistas, viagens pelo mundo foi de ladeira abaixo nas enxurradas que castigaram Santa Catarina, Espírito Santo e estado do Rio, com o horror de uma das maiores, senão a maior tragédia da nossa crônica de desleixo com a natureza, de omissão dos governos diante da ocupação de áreas de risco, com casas e favelas equilibradas em morros ou na beira dos rios que costumam inundar amplas áreas nos temporais de anos de enchentes, com mortos, desabrigados, casas destruídas e os milhares de famintos que tudo perderam, menos a vida e não sabem por onde recomeçar.

Lula não se omitiu, demorou a avaliar a dimensão da calamidade. De lá para cá, a corrente da solidariedade da população lota centenas de caminhões com a doação de roupa, calçado, cobertores e sacos de alimento, e complementa a gigantesca mobilização oficial de todo tipo de socorro. A sucessão saiu da primeira página dos jornais, da capa das revistas, do destaque dos noticiários das redes de TV. A ministra-candidata espera a hora de voltar ao palco. Seu lugar continua inabalável na cotação palaciana.

Mas, até que a água escoe, comece o mutirão para a construção de milhares de residências, se normalize o tráfego nas rodovias e na malha ferroviária e os portos retomem parte da rotina, a ministra-candidata terá que esperar.

QUEDA DA BOLSA


por Adão Iturrusgarai

J.R. GUZZO


REVISTA VEJA
Top de linha

"É muito ruim que as suspeitas sejam tantas e tão freqüentes... o Poder Judiciário, pelo menos ele, deveria estar distante desse tipo de confusão"

Numa época de tantas dúvidas em relação ao presente e ao futuro, o cidadão brasileiro sempre pode contar com algumas certezas básicas. Hoje em dia, pelo mundo afora, tudo parece sujeito a virar do avesso de repente, mas nada consegue mudar, no Brasil, um fenômeno com três faces surgido nos últimos anos. A primeira delas é a fascinação dos Tribunais Superiores da Justiça por construir prédios novos para abrigar suas sedes. A segunda é que todos eles têm de ter as dimensões, a pose e o acabamento de palácios. A terceira é que sempre acabam aparecendo, mais cedo ou mais tarde, sinais de que a contabilidade dessas obras apresenta algum tipo de avaria, às vezes avaria grossa. É o que ocorre, segundo se informou na semana passada, com a construção das novas sedes do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e do Tribunal Superior Eleitoral, ambas em Brasília e ambas sob a mira dos auditores do Tribunal de Contas da União. Isso para não falar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais; em outubro, as obras de seu novo edifício, cujos custos já ameaçavam bater nos 550 milhões de reais, foram suspensas.

Tudo começou, como se sabe, com o inesquecível juiz Nicolau dos Santos Neto, que presidiu a construção de um monumento para o Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo na década de 90, foi condenado a 26 anos de cadeia pelo desvio de 170 milhões de reais e hoje cumpre pena em prisão domiciliar. Deu-se, aí, coisa curiosa. O caso, em vez de assustar possíveis imitadores, produziu efeito contrário – na verdade, abriu os olhos dos interessados em ganhar dinheiro com obras do governo para um novo nicho de mercado. Dali para cá, embora ninguém tenha chegado às alturas do juiz Nicolau, formou-se sobre esse tipo de gastos uma nuvem que não foi mais embora. Há denúncias repetidas de sobrepreço, desperdício e estouros de orçamento. Apontam-se falhas em licitações e contratos. Há problemas nos projetos, nos prazos e no custo dos materiais utilizados. As obras vivem metidas em dificuldades com os tribunais de contas e com o Ministério Público.

É muito ruim, naturalmente, que as suspeitas sejam tantas e tão freqüentes – sobretudo quando se leva em conta que o Poder Judiciário, pelo menos ele, deveria estar distante desse tipo de confusão. Mas isso é apenas uma parte do problema. Mesmo que não houvesse irregularidade nenhuma, a situação toda é difícil de engolir quando se olha mais de perto o conjunto da obra – ou, como diriam os corretores de imóveis, o "memorial descritivo" dos edifícios que estão sendo construídos para as cortes mais elevadas da República. É o que há, em matéria de pretensão, ânsia de gastar dinheiro dos outros e deslumbramento em se ver como "top de linha".

No caso do TRF-1, por exemplo, as salas de cada desembargador têm 350 metros quadrados de área útil. Não há como explicar, por nenhum tipo de raciocínio, por que um funcionário público, ou privado, precisaria de 350 metros quadrados para trabalhar. Menos compreensíveis ainda são os 650 metros quadrados destinados ao presidente do tribunal. É coisa para um Luís XV, pelo menos. Barack Obama não tem isso, e daqui a pouco vai ser presidente dos Estados Unidos; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também não. Lula tem um escritório com um quarto desse tamanho, cerca de 160 metros, e já está mais do que bom – como ele próprio sabe perfeitamente bem, muito pouca gente no Brasil dispõe de um espaço desses para morar com a família toda. Pior ainda, essas obras não servem para nada, do ponto de vista do interesse público – nem os prédios em si, nem os mármores que se põem lá dentro, nem a soma de milhares de metros quadrados que os gabinetes de todos os ministros vão acabar ocupando. A Justiça brasileira não fica nem um pouco melhor nem um minuto mais rápida com nada disso.

Naturalmente, tanto os tribunais como as empreiteiras de obras dão longas explicações para o que estão fazendo; todas elas têm em comum o fato de não fazer sentido. O que há de verdade, no fundo e mais uma vez, é a velha prática do poder público brasileiro de construir o prédio e só depois pensar no serviço que será prestado ali – isso quando se chega a pensar, algum dia, no serviço. O que interessa, mesmo, é a construção. (Se tiver um projeto do escritório Oscar Niemeyer, melhor ainda; vai passar por obra de arte e ele custará muito caro – quase 6 milhões de reais, no caso do TSE.) É o que nos ajuda a entender por que o Brasil, possivelmente, é um campeão mundial de hospitais sem equipamentos, museus sem acervo e bibliotecas sem livros.

DIOGO MAINARDI


REVISTA VEJA
Cof, cof, cof...

"Tenho expectorado continuamente desde setembro, quando meu menorzinho me passou uma tosse. Posso não entender nada de recessão, mas me considero um especialista em matéria de expectoração"

Benjamin Steinbruch, dono da CSN, publicou na Folha de S.Paulo um artigo intitulado "Expectadores da recessão". Assim mesmo: "expectadores" com "xis". Tenho expectorado continuamente desde setembro, quando meu menorzinho me passou uma tosse. Posso não entender nada de recessão, mas me considero um especialista em matéria de expectoração. Por isso, o artigo de Benjamin Steinbruch me fez refletir profundamente. Dá para expectorar uma recessão? Interpretei da seguinte maneira: cada pneumococo é um keynesiano em potencial, com seus estratagemas para contaminar os organismos do estado e sufocar as vias respiratórias da economia. É isso?

Se entendi direito, Benjamin Steinbruch pertence ao partido dos pneumococos keynesianos. Cito um trecho de seu artigo: "Até a semana passada, pacotes para estimular investimentos e consumo num total de 3 trilhões de dólares já haviam sido anunciados por diferentes governos. No Brasil, o caminho é o mesmo. Uma vez que não temos por aqui nenhum problema de solidez no sistema financeiro, a tarefa é direcionar recursos a empreendedores públicos ou privados que efetivamente tenham coragem e competência para gastá-los de forma produtiva". Cof, cof, cof. Considerando todos os recursos que, nos últimos anos, o BNDES direcionou à CSN, como os 900 milhões de reais para a Nova Transnordestina ou os 300 milhões de reais para o Porto de Sepetiba, Benjamin Steinbruch só pode ser um desses corajosos e competentes empreendedores privados que, segundo ele próprio, teriam de ser contemplados com ainda mais dinheiro público. Pergunte ao senador petista Aloizio Mercadante o que ele pensa sobre o assunto. Aposto que ele concorda.

Achei que os keynesianos fossem mais obsoletos do que as escarradeiras dos tuberculosos, para continuar com a analogia pulmonar. Mas me enganei. Eles voltaram. E em sua forma mais agressiva: a dos keynesianos em causa própria, como o presidente da GM, nos Estados Unidos, ou o presidente da CSN, no Brasil. Benjamin Steinbruch, o Hans Castorp da siderurgia nacional, internado em seu sanatório de verbas do BNDES – sim, Thomas Mann, A Montanha Mágica–, conclui seu artigo recomendando que os recursos públicos "sejam realmente gastos e não fiquem debaixo dos colchões de apavorados expectadores da recessão". Como eu sou apenas um espectador comum – um espectador com "esse" –, aconselho o governo a fazer o contrário: é melhor ficar sentado na platéia, de mãos dadas com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e assistir aos desdobramentos do espetáculo, deixando o dinheiro prudentemente debaixo do colchão. E se um keynesiano em causa própria expectorar em sua orelha, na poltrona de trás, afaste-o imediatamente: ele é contagioso.

CAGADA ALOPRADA

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: Congresso e governo criam gastos extras em plena crise

Folha: EUA fecham 533 mil vagas em 1 mês

Estadão: EUA cortam 533 mil empregos

JB: Uma cidade contra o crime

Correio: Nomeação de aprovados em concurso corre risco

Valor: União mantém seus planos para pré-sal, apesar da crise

Gazeta Mercantil: Queda acelerada nas vendas deixa 300 mil carros nos pátios

Estado de Minas: Vereadores correm para aumentar IPTU

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Wi-Fi


Blog do ADÃO

DORA KRAMER

Tropa sem cabeça

O Estado de S. Paulo - 05/12/2008


O sinal mais evidente de que o anúncio de uma candidatura do PMDB à presidência do Senado caiu no Congresso como um blefe, foi a decisão do PT de não retaliar, honrando o acordo de apoiar o pemedebista Michel Temer para a presidência da Câmara.

Se era briga o que os senadores queriam, por ora brigarão sozinhos. Se desejam algo mais, precisarão esclarecer o quanto antes qual a natureza da demanda (s) ou, então, ir em frente e pagar para ver.

O problema é este: pagar com qual cacife se o PMDB não tem candidato muito menos consenso na bancada de que esse é realmente o melhor caminho?

Por enquanto, o partido só tem tamanho. A maior bancada, de 20 senadores, revoltada com a hipótese de entregar ao PT - o quarto em número de senadores, atrás do DEM e do PSDB - o poder de fazer chover, brilhar o sol e, sobretudo, assumir os espaços mais relevantes em termos de influência dentro da estrutura do Senado. 

Mais que isso: entregar o posto ocupado pelo partido desde que o mundo é mundo em matéria de governo Luiz Inácio da Silva.

Consta que o senador José Sarney aceitaria a missão, desde que pelo método da aclamação. Geral, não apenas na bancada do PMDB. Se essa é a condição, Sarney apresentou para ficar de fora sem se obrigar a dizer sim nem não, mas deixando no ar preservada a imagem de unanimidade inconteste.

Senão, vejamos a situação retratada na reunião de quarta-feira à tarde, que decidiu pela “candidatura própria” - uma expressão que no PMDB pode ter vários significados, nunca o explícito, conforme nos conta a história recente das candidaturas próprias à Presidência da República. 

Dos 20 senadores reunidos, seis foram declarados fora do páreo. Quatro de maneira voluntária, Geraldo Mesquita, Valdir Raupp, Roseana Sarney e Romero Jucá, este muito mais interessado em cumprir o acordo com a Câmara para suceder a Michel Temer na presidência do PMDB.

Dois de forma compulsória: Renan Calheiros, por causa da renúncia em troca da absolvição das acusações por quebra de decoro parlamentar, e Garibaldi Alves, cuja possibilidade de reeleição encontra obstáculos jurídicos e políticos. Em vias de reexame, é bom que se diga.

Sobram 14. Metade deles são suplentes, o que significa que não tiveram um voto sequer e, portanto, até pelos padrões vigentes seria um acinte levar qualquer um deles à presidência da Casa.

Entre os restantes há os insignificantes e os contestados por problemas de diversas naturezas, incluindo os engates judiciais. Sobra Sarney e sua atitude de esfinge.

Para que fosse aclamado seria indispensável a unidade da bancada que não é a aparente. Os partidários do cumprimento do acordo com o PT ficaram calados na reunião.

Pois se Sarney não tem os votos garantidos entre os correligionários, muito menos os terá dos outros partidos, cada qual cuidando de seu interesse sob o assédio constante, cotidiano e vigilante do candidato petista, Tião Viana.

Macio, aborda os colegas examinando as chances de amolecer seus “duros corações”. Com essa conversa, já conquistou o PSB e o PDT, fora, claro, o PT, parte do PSDB, mais um naco silencioso do PMDB.

Há chance de José Sarney ser ungido à presidência? Há. Mas para isso ele precisaria abrir a guarda, dizer que é candidato. Por enquanto, só insinua e o tempo passa.

Outros compromissos vão se firmando nos bastidores. No momento ainda permanece de pé a idéia de que o presidente Lula possa resolver o problema, apaziguar o PT e dizer ao senador “toma que o filho é teu”.

Nesse caso, seria o patrono da candidatura, empurrando a oposição para longe dela, inviabilizando o plano da aclamação.

As coisas, como se vê, são um tanto mais complicadas quando um partido abre mão de ser o condutor para se acomodar como passageiro no projeto de poder da escolha do alheio. 

Nelson Rodrigues

No caso específico do deputado Paulo Pereira, a absolvição no Conselho de Ética deveu-se ao poder do cargo acumulado de presidente da Força Sindical, com 1.350 sindicatos filiados e 6,5 milhões de trabalhadores representados. 

O Legislativo atua de costas para a sociedade, mas não quer confusão com massa manobrada. 

Agora, de modo geral, as absolvições em massa revelam o medo do juiz de hoje ser o condenado de amanhã. Uma ação preventiva que acabam entregando suas excelências: se temem muito é porque devem muito também. 

O Congresso reclama que é criticado demais, mas convenhamos: a opinião pública às vezes nem sabe porque bate, mas os parlamentares sempre sabem direitinho porque apanham.

Sine die

Acordo entre governo e oposição marcou para março de 2009 a votação da proposta de reforma tributária na Câmara, data que desde logo fica instituída como o Dia Nacional das Calendas Gregas.

GRANDES MÁQUINAS


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MÓNICA BÉRGAMO

BRAÇOS ABERTOS


Folha de S. Paulo - 05/12/2008
 

O Ministério do Turismo e autoridades da área em Santa Catarina vão se reunir na próxima segunda para avaliar medidas de emergência. Em estudo, uma campanha publicitária que mostre aos viajantes brasileiros que o Estado está conseguindo refazer rapidamente sua estrutura, e que as áreas turísticas não foram atingidas de maneira tão drástica.

APOSTA 
O processo Raposa/Serra do Sol volta à pauta do Supremo Tribunal Federal no dia 10. Um dos ministros mais experientes do STF aposta que a reserva indígena de Roraima será mantida em sua forma contínua, mas "com ressalvas".

NEM MORTO 
O governador Aécio Neves, de Minas Gerais, já afirmou a empresas aéreas que pode, no limite, "estadualizar" os aeroportos de Belo Horizonte caso a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) insista em abrir o terminal da Pampulha para vôos diretos da capital mineira para o resto do país. "Só por cima de meu cadáver", disse ele, de acordo com um interlocutor. O governador quer reforçar o aeroporto de Confins como centro distribuidor de vôos no Estado.

CAFÉ ESPIÃO 
A Presidência da República vai gastar cerca de R$ 8.000 para abastecer a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Comprará café em grãos torrados, açúcar e adoçante.

INCLUAM-ME FORA 
O ex-prefeito Celso Pitta está pedindo na Justiça uma liminar que proíba a Polícia Federal de divulgar informações do inquérito da Operação Satiagraha que contenham seu nome ou possam "comprometê-lo". Nos grampos da Satiagraha, Pitta aparece agradecendo a Naji Nahas por tê-lo tirado "do sufoco" depois de ter dado R$ 40 mil a ele, segundo a PF.

O QUINTETO 
E Pitta diz "não ter mais do que cinco fiéis amigos" que o ajudaram a levantar o adiantamento que depositou em juízo para evitar a prisão pelo não-pagamento de R$ 120 mil em pensão alimentícia à ex-mulher, Nicéa. Questionado se Nahas está entre eles, o ex-prefeito de São Paulo diz preferir não revelar nomes.

ELIANE CANTANHEDE

Fora o gasto extra...


Folha de S. Paulo - 05/12/2008
 

Daniel Dantas é um homem riquíssimo, que manipula reais, dólares, bancos, corações, mentes e bolsos privados e públicos com enorme eficiência, mas jamais se ouviu falar num investimento dele produtivo e de interesse para o Brasil e os brasileiros. É um excelente exemplo do admirável mundo dos papéis, agora dilacerado e dilacerando a economia real -os empregos, principalmente. 
Mas, por mais que juízes e delegados justiceiros e a opinião pública exijam, Dantas não pode e não está sendo condenado por ser o que é, com toda a sua carga de simbologia. 
Aliás, não está sendo condenado nem mesmo pelos crimes citados no inquérito, de formação de quadrilha, evasão de divisas e desvio de dinheiro público. Nada disso. 
A condenação a dez anos de prisão e multa pesada foi por algo bem mais prosaico e concreto: tentativa de suborno de policiais federais. 
Seus prepostos deram azar. Escolheram os policiais errados. 
Isso reequilibra o jogo. O único de fato punido era o delegado Protógenes Queiroz, que recebeu um santo justiceiro, passou do ponto e acabou perdendo a missão e até o posto de elite na PF. Agora, Dantas também está punido. 
O bom da história é que, apesar de todos os erros, ou exatamente por causa deles, tudo isso tem servido como uma aula nacional de democracia, sobre limites, excessos, deveres, direitos e o respeito às leis -que não se restringem aos interesses de um indivíduo, mas à coletividade onde ele está inserido. 
E o ruim da história é que a população continua exausta com a impunidade dos ricos e poderosos que driblam as leis e chutam a Justiça para o alto. Como qualquer um é capaz de apostar, Dantas foi condenado à prisão, mas nunca será de fato preso. Continuará vivendo como sempre viveu, administrando papéis e honras, só com esse gasto extra para pagar advogados. Até que a sentença real e concreta chegue. Se é que ela chegará algum dia.

COLUNA PAINEL

Conta conjunta


Folha de S. Paulo - 05/12/2008
 

O governo brasileiro conta com a pressão de outros países da América do Sul para que o Equador reveja a decisão de dar um calote de US$ 243 mi no BNDES (o dinheiro foi usado na construção, pela Odebrecht, de uma hidrelétrica que veio a apresentar falhas sérias).
A esperada solidariedade se baseia no fato de que o empréstimo é garantido não apenas pelo Tesouro brasileiro, mas também pelo Convênio de Créditos Recíprocos, do qual participam todos os países da região. Se não houver pagamento, o Tesouro arcará com uma parte do prejuízo. A maior parte, porém, será dividida entre os signatários do CCR. Nunca houve calote no âmbito do Convênio. A próxima parcela do empréstimo vence em 29 de dezembro.

Pindaíba
O Planalto tem informações de que o Equador enfrenta sérias dificuldades financeiras. Muito dependente do fluxo externo de recursos, o país sofre mais do que outros da região com a queda no preço do petróleo.
Na avaliação do governo brasileiro, o Equador, ao anunciar o calote no 
BNDES, buscou uma saída "político-ideológica" para ganhar fôlego.

Sem tabu
O pente-fino que a Comissão de Orçamento fará nos investimentos de 2009 incluirá as outrora intocáveis obras do PAC. Tudo que estiver abaixo de 20% de execução será passível de corte. A meta é limar R$ 8 bi.

Nem pensar
ministro Paulo Bernardo (Planejamento) tenta evitar a criação de agência que cuidaria exclusivamente de regularização fundiária. Alega que não é hora de inventar despesas permanentes de pessoal. A idéia de Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) demandaria pelo menos 50 novos cargos. 

Cara a cara
Mangabeira preparou roteiro de 11 páginas com perguntas e respostas sobre sua proposta de regularização fundiária na Amazônia. Quer treinar para entrevistas. 

S.O.S
Guido Mantega (Fazenda) recebe na terça representantes da economia de Santa Catarina, combalida pelas enchentes. Cicerone, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) diz que a situação exige "respostas, não papéis".

Os favoritos
A prestação final das contas dos candidatos a prefeito mostra que o PT injetou mais dinheiro em eleições no ABC paulista, Guarulhos e Osasco do que em capitais onde chegou a ter perspectiva de vitória, como Salvador. No entorno paulistano, o partido investiu R$ 12,5 mi por meio de repasses ocultos, ou seja, feitos por seus diretórios. A campanha de Walter Pinheiro na capital baiana deixou R$ 1 mi em dívidas. 

Davi e Golias
O eleito em Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), informou ter arrecadado R$ 17,5 mi, sendo R$ 4 mi sacados de seu próprio bolso. O rival Leonardo Quintão (PMDB), que lhe deu um susto ao forçar o segundo turno, obteve R$ 2,7 mi. 

Lembra?
As contas de Lacerda, que passou a campanha negando envolvimento com o mensalão, registram doação de R$ 50 mil do Banco Rural, instituição que esteve no centro do escândalo de 2005. 

Muito prazer
Dilma Rousseff (Casa Civil) é a convidada especial, hoje, da abertura do seminário do Construindo um Novo Brasil, tendência majoritária do PT, em São Roque (SP). Considerada "independente" dentro da sigla, a presidenciável quer estreitar relações com quem controla a máquina.

Visita à Folha
Antonio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefonica no Brasil, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Fernando Freitas, diretor de Relações Institucionais, e de Emanuel Teixeira Neri, diretor de Comunicação Corporativa. 

Tiroteio

"Isso é bom, porque Michel Temer poderá cuidar da eleição na Câmara. Até agora, ele parecia mais ocupado em resolver a do Senado."
De 
CIRO NOGUEIRA (PP-PI), ironizando a situação do deputado peemedebista, seu adversário na disputa pela presidência da Câmara; Temer foi contrariado pelo anúncio de que o PMDB terá candidato ao comando do Senado, o que pode dificultar sua eleição.

Contraponto
Supremo Machado

Ao encerrar uma aula na noite de anteontem, Gilmar Mendes foi indagado por alunos sobre o fato de o juiz Fausto De Sanctis haver sugerido, na sentença em que condenou Daniel Dantas, que o banqueiro teria um informante no Supremo Tribunal Federal.
Sem mencionar nomes, o presidente da Corte criticou a "ideologia típica de "O Alienista"", em que apenas uma pessoa parece "detentora de todas as qualidades e virtudes da cidadania, e as demais sejam e devam ser consideradas más". E concluiu:
-Vale lembrar que, na alegoria de Machado de Assis, só depois de prejudicar uma comunidade inteira veio à luz o óbvio: tudo não passava de delírio de Simão Bacamarte.

CLÓVIS ROSSI

A rainha e eu


Folha de S. Paulo - 05/12/2008
 

Recebi uma surpreendente chuva de e-mails a propósito da coluna de ontem, em que defendi regras básicas e mais rígidas para que a Folha aceite palpites de economistas. 
Surpreendente primeiro pela quantidade. Temas econômicos mobilizam menos o leitor. Surpreendente também por ter sido a primeira vez na vida em que todos os bilhetes eram favoráveis -até de uma economista (Maria do Rosário Peixoto, do Rio de Janeiro). 
Mas o que me leva a voltar ao assunto é a incrível coincidência de o jornal espanhol "El País" ter dedicado ao tema, no mesmo dia em que saiu a coluna, duas páginas inteirinhas. Conta inclusive que a rainha da Inglaterra fez uma visita solene à mitológica London School of Economics. Depois do protocolo de praxe, sacou da algibeira a seguinte pergunta: "Por que ninguém foi capaz de antecipar o que desabou sobre nós?". 
Pois é, rainha, fico feliz de ter sua nobre companhia. "El País" foi bem além do que meu modesto espaço me permitia, para contar coisas do arco da velha. Como: 1 - Há um ano, pediu a 15 corretoras da Bolsa um palpite sobre o nível em que estaria a Bolsa madrilenha em dezembro. Na média dos palpites, deu 17,3 mil pontos. Na vida real, está em 9.000 pontos. 
2 - Crédit Suisse, UBS, Citigroup, JPMorgan, Deutsche Bank, Goldman Sachs, BNP Paribas são mega-instituições que, em conjunto, analisam ações de 10 mil companhias. 
Em junho (detalhe: um ano depois de eclodida a crise das subprimes), só 13% de seus conselhos eram para vender ações (a propósito, você reviu os conselhos do economista-chefe de seu banco?). 
3 - Saindo do setor privado, o FMI dizia, em janeiro de 2007, que os Estados Unidos cresceriam 3% em 2008. Agora, a nova previsão é de magro 1,4%, a metade, portanto. 
Repito: jogadores de búzios fariam melhor. E mais barato.

GRANDES MÁQUINAS


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RENATO FERRAZ

Este é o nosso Brasil


Correio Braziliense - 05/12/2008
 

Você pode retratar um país a partir do que vê na mídia. Claro que sua formação social, nível cultural e até estado de espírito influenciarão na escolha do que lhe chamará a atenção. Mas, além do que se viu em Santa Catarina, muitas notícias deixaram em mim nos últimos dias a sensação de que este é realmente um país diferente. Vejamos: 

Em Brasília, descobrimos que Luiz Inácio Lula da Silva permite que o gasto estatal com o pagamento de juros seja mais de oito vezes maior do que o total aplicado na formação escolar das nossas crianças. Detalhe: esse digníssimo é um homem sem educação formal, mas historicamente ligado às causas populares. 

Na Bahia, o Tribunal de Justiça decidiu comprar quatro tapetes para colocar na Assessoria de Relações Públicas e Cerimonial. O ministro Gilson Dipp, corregedor nacional de Justiça, proibiu a compra. Detalhe: os tapetes tinham que ser fabricados no Irã (antiga Pérsia), Índia ou norte da Turquia e custariam R$ 48.650. 

No interior de São Paulo, um condenado a 32 anos por roubo de carro-forte, latrocínio e seqüestro foi legalmente liberado pela Justiça para passar o Dia das Crianças em casa. Como outros tantos, não voltou à cadeia. Detalhe: ele não tem filhos. 

Em Brasília, o Supremo Tribunal Federal teve de se mobilizar para evitar a prisão de um contribuinte que devia ao Fisco R$ 189. Detalhe: para ser executada, uma empresa pode dever até R$ 10 mil. 

No Pará, um fazendeiro pediu ao Incra para trocar 2,5 mil hectares por uma área de apenas 500 hectares onde a freira norte-americana Dorothy Stang foi morta em fevereiro de 2005. Detalhe: ele é acusado de ser um dos mandantes do assassinato e sempre alegou não ter motivos para matá-la.

ILIMAR FRANCO

Verba carimbada

 Panorama Político
O Globo - 05/12/2008
 

O Ministério da Defesa levou a melhor sobre a área econômica. O governo Lula vai criar uma verba vinculada para gasto e investimento em defesa nacional. O ministro Nelson Jobim informou aos líderes partidários que, em março, o governo enviará à Câmara "proposta de ato legal que garanta a alocação, de forma continuada, de recursos financeiros específicos". Só não revelou o percentual.

Mais recursos para a modernização 

Além da vinculação orçamentária, a exemplo do que ocorre com a Educação e a Saúde, o Ministério da Defesa está articulando benefícios pelos quais as Forças Armadas poderão fazer uso, para investimentos, das receitas geradas por bens imóveis administrados pelos militares e dos recursos obtidos com a arrecadação de taxas e serviços. O ministro Nelson Jobim informou ainda aos líderes que, neste momento, debatem uma reforma tributária, que em março será enviada uma proposta criando um regime jurídico especial, com incentivos e desoneração tributária para a fabricação de produtos para as Forças Armadas. 

Estou sendo pressionado por todos: Governo e oposição. Estou fora" - José Sarney, senador (PMDB-AP), falando sobre as eleições para a presidência do Senado 

O HOMEM DA JANELA. Ao encontrar o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), o tucano Bruno Araújo (PE) o apresentou ao presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE): "Você não conhece o autor da janela. É este". Dino retrucou, cantarolando música de Gilberto Gil: "É, eu que fiz o "tá me esperando na janela, ai, ai, não sei se vou me segurar"". Araújo falava do projeto que abre uma janela de 30 dias para a troca de partido. 

A tarefa 

O PPS foi encarregado por seus parceiros do Bloco de Oposição, o PSDB e o DEM, de atrair o PV para a aliança. O bloco quer o apoio institucional. O alinhamento político já existe no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte.

Garibaldi 

O PMDB quer que Garibaldi Alves (RN) assuma a presidência da Comissão de Constituição e Justiça depois que ele deixar a presidência do Senado. O PSDB articula Tasso Jereissati (CE) para a Comissão de Assuntos Econômicos. 

Sinais trocados 

O DEM procurou o governador José Serra pedindo que intervenha a favor da candidatura do PMDB à presidência do Senado. No PSDB, Tasso Jereissati (CE), Marisa Serrano (MS) e Mário Couto (PA) estão a favor de Tião Viana (PT-AC). Já na Câmara, apesar das conversas dos deputados do DEM com Ciro Nogueira (PP-PI), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), trabalha pela candidatura de Michel Temer (PMDB-SP). 

Ele está de volta 

Com o imbróglio da sucessão no Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) voltou a ser interlocutor do Palácio do Planalto. Renan esteve com o presidente Lula na noite de anteontem e com o ministro José Múcio (Relações Institucionais) ontem. A líder do PT, Ideli Salvatti (SC), ao vê-lo saindo da sala de Múcio, deve ter pensado: "Será que esses dois estão juntos? O PMDB fica com a presidência do Senado e o José Múcio, com a presidência da Câmara". 

OS COMANDANTES militares decidiram transferir a sede da Escola Superior de Guerra para Brasília. Pelo cronograma, a mudança será feita em junho de 2009. 

A BANCADA do PMDB no Senado volta a se reunir na semana que vem. Desta vez se tentará aprovar a recondução de Valdir Raupp (RO) para a liderança. 

O PRESIDENTE Lula vai voltar a Santa Catarina. Ele está esperando o tempo melhorar e o início de algumas obras de recuperação. Lula quer ir aos locais atingidos pelas cheias e conversar com as pessoas.

ANCELMO DE GOIS

Adoção: dez para um


O Globo - 05/12/2008
 

No Brasil, para cada criança em condições de ser adotada, há dez adultos interessados. É o que revela o recém-criado Banco de Adoção do Conselho Nacional de Justiça. 

O cadastro tem 12 mil famílias legalmente habilitadas à adoção para uma oferta de apenas 1.200 crianças catalogadas. 

Por falar em banco... 

Além do Banco de Adoção, o CNJ já criou mais dois bancos. 

Um vai cadastrar todos os servidores julgados por improbidade administrativa. O outro é o Banco das Condenações, com os nomes de todos os condenados pelos 97 tribunais do país. 

Na terra do fogo 

O Ministério Público Federal cobra na Justiça do diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, R$430 mil que recebeu como servidor do Senado, entre 1995 e 2002, enquanto acumulava a função com um posto de dirigente de uma empresa do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. 

Pagot é apontado como candidato de Blairo, o desmatador, à sua sucessão.

Peço a palavra 

Sérgio Cabral só tem se referido ao novo ministro do Turismo - cujo nome é... não sei - como Fidel Castro. 

É que o rapaz não economiza na hora de fazer discurso.

Diário da crise I 

O consumo de produtos petroquímicos brasileiros caiu uns 30% em novembro em relação ao mesmo mês de 2007. 

Diário da crise II 

A corretora XP Investimentos demitiu 40 funcionários. 

Lula e Ingrid 

Lula recebe hoje a ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt, ex-refém das Farc, em São Paulo. 

O outro lado 

Apesar dos ganhos recentes de US$5 bi do Banco Central com a tal swap cambial reverso, o economista César Benjamin insiste que este tipo de operação custa caro ao país: 

- O BC tem lucros inesperados agora em contratos firmados antes da súbita valorização do dólar. Mas está assinando novos contratos de swap que vão gerar prejuízos adiante.


Ponto Final

"Brasil vende mísseis para o Paquistão"

Tudo bem que no mundo dos negócios parece prevalecer o vale-tudo. Mas vender arma é incensar a morte. Tenho dito.

BRASÍLIA - DF

Estresse no PSDB


Correio Braziliense - 05/12/2008
 

A bancada tucana corre o risco de fechar 2008 mais dividida do que o PMDB. Tudo por causa de uma lista que começou a correr entre os deputados do partido para mudar as normas internas de forma a permitir a reeleição do líder José Aníbal (SP). O deputado Paulo Renato Souza (SP), candidato ao cargo, não gostou e, numa carta aos tucanos, apontou que o movimento tinha “a óbvia intenção” de criar um fato consumado na reunião da bancada, que terminou suspensa. Aníbal respondeu com um bilhete seco. Disse que o deputado não tinha o direito de fazer essa suposição e que o encontro iria discutir a eleição para presidente da Câmara, mas não houve por causa da “bem sucedida” ação contra a reforma tributária. Mas em nenhum momento o líder afirmou não topar a recondução, se o estatuto permitir. Se continuar nesse ritmo, vai rachar. 

***

Em tempo: por causa desse imbróglio, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, preferiram não comparecer ao jantar de despedida dos deputados tucanos eleitos e dos prefeitos de Juiz de Fora, Custódio Mattos, e de Imperatriz (MA), Sebastião Madeira. Ironia, a festa na casa do deputado Eduardo Gomes terminou por unir Aécio, Serra e Fernando Henrique Cardoso. Os três jantaram juntos na mesma noite, só que em São Paulo.


Lula, o árbitro 

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) avisou ao chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que o partido em Minas votará em quem o presidente Lula indicar para comandar o PT Nacional. E aproveitou a conversa para jogar no colo de Lula a crise entre o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, escolhendo qual dos dois será o candidato a governador de Minas em 2010. 

Gato escaldado… 

Depois que várias agências da Nossa Caixa foram fechadas em São Paulo, os deputados do Distrito Federal querem se precaver para evitar que o Banco do Brasil faça o mesmo com o Banco Regional de Brasília (BRB), na hipótese de incorporação. O deputado Chico Leite (PT), por exemplo, quer que o BB garanta o emprego de todos os funcionários concursados do banco e também a criação de uma direção de desenvolvimento regional para o Centro-Oeste. 

Dia de Temer 

Em campanha para a Presidência da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) encerrou a manhã de ontem feliz da vida com o encontro que oficializou o apoio do PT em prol de sua candidatura. Só que o PT não é bobo. A maioria dos presentes, mais de 60, aproveitou para cobrar a parceria com o candidato do governo Lula em 2010, seja quem for. Tudo o que o PT não quer é ver o PMDB no palanque dos tucanos em daqui a um ano e meio. 

Te cuida, Raupp 

Um dia depois de bradar pela candidatura própria dentro do PMDB com um discurso hostil ao governo, o senador Renan Calheiros (AL) foi ao gabinete do líder Valdir Raupp (RO) avisar que irá concorrer ao comando da bancada. Os renanzistas calculam que a reunião de ontem rendeu 11 votos ao alagoano. 

No cafezinho...
Gustavo Moreno/Esp. CB/D.A Press
 
 

O filho é meu? 
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (foto) conversava sobre os trabalhos da Casa neste fim de ano quanto foi perguntado sobre um projeto seu que acabara de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “Esse projeto é meu? Tem certeza?”, responde Arlindo, que já nem se lembrava da proposta que dá estabilidade no emprego, por um ano, aos maridos de mulheres grávidas. Com a ajuda de assessores, Chinaglia logo lembrou: “Ah sim, esse projeto...”. O texto perambulou na Casa por quase 10 anos. 

No embalo 
Na hora dos discursos dos homenageados no jantar do PSDB, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, chamado a falar, aproveitou para explicar o processo e a sua defesa aos deputados e senadores do partido. 

Climão 
Depois de o PMDB decidir concorrer à Presidência do Senado numa reunião tensa, foi meio baixo-astral o jantar do partido na residência oficial do Senado. Renan Calheiros (AL), meio constrangido, fez questão de se sentar ao lado do líder Valdir Raupp (RO). E, depois, ficou a maior parte do tempo tricotando com o líder do governo, Romero Jucá (RR). 

Homenagem 
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, vai ganhar um presentão, depois da série de polêmicas que pipocaram ao seu redor. Na semana que vem, será anunciado como o escolhido do ano para receber o tradicional Prêmio Franz de Castro de Direitos Humanos da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). No passado, personalidades, como, Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Dalmo Dallari e Herbert de Souza, o Betinho, e o ministro do STF Marco Aurélio Mello já receberam essa premiação.

"SE FUDEU"


SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Dólar sobe 42% na crise e já ultrapassa R$ 2,50

Estadão: Dólar passa de R$ 2,50, maior valor desde 2005

JB: Paz no morro e guerra no asfalto

Correio: Farra liberada nos gastos da União

Valor: União mantém seus planos para pré-sal, apesar da crise

Gazeta Mercantil: Queda acelerada nas vendas deixa 300 mil carros nos pátios

Estado de Minas: Lacerda admite adiar projeto de aumento do IPTU

Jornal do Commercio: Estado vai contratar até 3.900 professores