quinta-feira, novembro 27, 2008

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Lula sobrevoa SC e libera R$ 2 bi

 

- Folha: Terror mata 86 e faz reféns na Índia

 

- Estadão: Obama cria comitê para enfrentar a crise

 

- JB: 97 mortos, 78 mil desalojados e socorro de R$ 2 bilhões

 

- Correio: Depois do puxão de orelha, BB baixa juros

 

- Valor: FGTS terá participação em empresas de saneamento

 

- Gazeta Mercantil: Crise ajuda empresas na recompra de bônus

 

- Estado de Minas: Dengue põe sete cidades em risco

quarta-feira, novembro 26, 2008

NATAL-RATOS EM FIM DE FESTA


NATAL-PREFEITURA QUEBRADA

PREFEITURA DE NATAL SOFRE UM ATAQUE DE RATOS, EM BUSCA DE SOBRAS DO FIM DE FESTA DA ADMINISTRÇÃO DE CARLOS EDUARDO.

ELIANE CANTANHÊDE

Facadas, foices e martelos
Folha de São Paulo 26.11.08

A nova moda é debater, furiosamente, se o presidente do Equador, Rafael Correa, está certo ou errado no que está fazendo com o Brasil. Em primeiro lugar, é preciso entender o que ele "está fazendo com o Brasil", certo?

Correa, um cara jovem, bem intencionado e bem formado, começou direito. Botou a boca no trombone e exigiu reparação da construtora Odebrecht, responsável pela construção da segunda maior usina do país, a São Francisco, que em um ano já estava toda bichada e parou de funcionar. A empresa brasileira respondeu que a culpa toda foi da erupção de um vulcão. Sim, e o projeto não previu isso? E o desgaste prematuro das turbinas, o que tem a ver com vulcão?

Na época, até escrevi uma coluna na "Folha de S.Paulo" terminando assim: "Respeito é bom, e o Equador merece". Mas... Correa ficou extasiado com seus 15 minutos de glória e transformou a justa indignação contra uma empresa privada numa guerrinha política contra os "yankees" do Sul, que somos nós, o Brasil.

Depois de um decreto expulsando a Odebrecht e vetando a saída do país de quatro dos seus funcionários (pelo menos um deles já estava fora), Correa foi num crescendo contra o Brasil: deixou de atacar não apenas uma empresa privada e estendeu a ira para Furnas, que nem tem negócios no Equador, para a Petrobras, que tem muitos projetos lá, e, enfim, passou para a ameaça do calote no BNDES. São três entes públicos. O governo brasileiro não poderia fazer ouvidos moucos.

Se foram condescendentes --até, talvez, em demasia-- com a Bolívia de Evo Morales, Lula e o Itamaraty começaram também leves com Correa, quando a coisa era exclusivamente contra uma empresa privada e com um motivo aceitável. Mas não dava para ver a escalada e continuar oferecendo a outra face para sempre. A reação brasileira foi dura com a suspensão de uma missão técnica a Quito e mais dura ainda agora, com a volta do embaixador Antonino Marques Porto. E precisava ser assim.

Lula ficou irritado com Correa no conteúdo, mas mais ainda na forma. Diplomacia se faz assim: Correa avisa a Lula, ou manda avisar ao chanceler Celso Amorim, que está danado da vida, pensando em recorrer à arbitragem internacional para dar o calote no BNDES. Passo seguinte, o Brasil se informa, analisa o caso e pede tempo, para ver o que é negociável, sem chegar ao ponto de jogar a crise para Paris. E os dois sentam, põem as cartas na mesa e tentam chegar a um acordo.

Mas Correa não é assim, não faz assim. Conversa com Lula, muy amigo, num dia. No dia seguinte, anuncia uma bomba contra o Brasil. Depois, manda seus assessores conversarem com o embaixador brasileiro num dia, sem falar nada da arbitragem, e no dia seguinte, pimba!, anuncia nova bomba e se gaba publicamente de estar confrontando o gigante da região.

A isso se chama, no governo, de "facada nas costas". E, se Lula e Amorim estiverem sempre oferecendo a outra face e aceitando placidamente facadas nas costas do Equador, podem ir se preparando para um efeito-cascata. Evo Morales (Bolívia) vai afiar a sua, o bispo Fernando Lugo (Paraguai) vai sacar uma foice e Hugo Chávez (Venezuela) sempre terá a espada de Bolívar para eventualidades. Se é que alguém não vai aparecer com um martelo...

O Brasil, portanto, não pode aceitar a condição de saco de pancada, sob o risco de se transformar em inimigo número um não dos governos, mas das populações vizinhas; de enfraquecer a Unasul (uma espécie de ampliação do Mercosul); e de ver esgarçada sua posição de liderança regional e de mediador de conflitos.

Como diria o outro, é melhor prevenir do que remediar. E há muito espaço para conversar com Correa, sem surpresas, facadas e guerras de poder. Até porque é melhor para o próprio Equador. Mal ou bem, a Venezuela tem petróleo, e a Bolívia tem gás. Têm suas "armas". O Equador tem o quê? Portanto, ele ganha muito rechaçando atitudes gananciosas de empresas privadas, mas ao mesmo tempo mantendo uma boa relação com o Brasil e com a Unasul. Isso é sempre fundamental. Com uma crise econômica global, vira questão de vida ou morte.

MÓNICA BÉRGAMO

Fui


Folha de S. Paulo - 26/11/2008
 

Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras, deve deixar o cargo até janeiro. Ele já manifestou o desejo a amigos, para quem afirma que não interessa ficar na prefeitura sem ter "condições" de realizar o trabalho que vinha tocando. Homem mais poderoso da administração Gilberto Kassab (DEM-SP) até agora, Matarazzo vem sendo bombardeado pelo prefeito, que já falou mal dele até para adversários políticos. O secretário só está até agora no posto porque o governador José Serra (PSDB-SP) intercedeu por ele.

QUEM MANDA? 
Quem entende de Kassab acredita que o prefeito de São Paulo fala mal de Matarazzo por questões políticas, e não pessoais. Responsável pelas subprefeituras, o secretário acaba comandando o coração da administração - com grande autonomia em relação ao grupo de Kassab.

ALERTA 
A segurança do Senado enviou ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) a gravação de um telefonema recebido há cerca de um mês, em que um homem pedia que se "alertasse" o governo de que Lula sofreria um atentado numa de suas viagens ao Nordeste. Foi aberta uma investigação que descobriu que a chamada partiu de um telefone público do bairro de Bodocongó, na cidade de Campina Grande, na Paraíba.

EM CASA 
A gravação, por tabela, confirmou ao GSI que a central do Senado pode gravar conversas feitas a partir de seus telefones. Há quem defenda, no gabinete, a tese de que o suposto grampo que interceptou conversa do senador Demóstenes Torres (DEM-TO) com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, pode ter sido feita no próprio parlamento.

BULA
O ministro José Gomes Temporão, da Saúde, desembarca hoje em Santa Catarina levando mais de 50 mil kits com antibióticos como amoxicilina, pomadas para dermatite, reidratantes e glicose injetável. Eles serão distribuídos às vítimas das enchentes no Estado.

O IDIOTA


COISAS DA POLÍTICA

O sacador de talões mais ágil do Brasil

Jornal do Brasil - 26/11/2008
 

EM PAÍSES QUE FAZEM SENTIDO, basta uma única evidência material indesmentível para abreviar o processo judicial e apressar a condenação do autor da delinqüência. Como o Brasil não faz, 35 mil provas contundentes do crime praticado na primavera de 2006 pelo governador paraibano Cássio Cunha Lima, candidato à reeleição pelo PSDB, foram insuficientes para anabolizar o andamento do caso.

Só neste mês, mais de dois anos depois da consumação do delito, o Tribunal Superior Eleitoral anunciou a merecidíssima cassação do mandato conquistado com a ajuda dos 35 mil cheques emitidos por um programa assistencial criado por Cunha Lima e entregues na casa dos beneficiados junto com os cumprimentos do responsável pelo donativo ilegal (e o aviso de que o favor deveria ser retribuído nas urnas). "Não entendo por que desta vez a Justiça agiu com tanta pressa", espantou-se o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

Em países que fazem sentido, o parlamentar pernambucano seria remetido ao hospício mais próximo ­ ou, na hipótese mais clemente, a uma clínica especializada na recuperação de cínicos. Como o Brasil não faz, Guerra falou pela nação. Pelos padrões nativos, um pai da pátria só é julgado (e, em 899 a cada 900 casos, absolvido) depois de, no mínimo, cinco anos  seja qual for a lei que tenha estuprado. Mesmo que seja a lei que trata de crimes contra a vida, comprova a saga lastimavelmente exemplar do pai de Cássio Cunha Lima.

Anistiado no começo dos anos 80, o ex-militante estudantil Ronaldo Cunha Lima ressurgiu na paisagem política da Paraíba como um saudável contraponto para os donatários da capitania. Enquanto o jovem esquerdista se opunha à ditadura, os coronéis de paletó continuaram segurando as rédeas do poder, pessoalmente ou pelas mãos de afilhados obedientes. Poeta imortalizado na Academia Paraibana de Letras, repentista eventual, ainda moço se comparado a veteranos velhacos, elegeu-se prefeito de Campina Grande e virou governador em 1990. Como administrador, não foi diferente dos outros.

Como atirador, nunca houve algum pior, soube-se em 5 de novembro de 1993. Bravo com os ataques que lhe fazia o antecessor Tarcísio Buraty, o governador resolveu honrar o que há de pior nos usos e costumes da terra, e resolver a pendência a bala. Encorajado por algumas doses a mais, encerrou o expediente no meio da tarde, botou um revólver na cintura e saiu no encalço do desafeto. Encontrou-o num restaurante, aproximou-se e disparou duas vezes. Atingido pelos dois tiros, Burity não demorou a recuperar-se dos ferimentos.

Morreu 10 anos depois, vítima de doenças sem vínculos evidentes com o ataque promovido pelo pistoleiro trapalhão. Mas Cunha Lima havia atirado para matar, e ficara claramente configurada a tentativa de homicídio. Primeiro refugiado no Senado, depois na Câmara dos Deputados, o réu valeu-se do direito ao foro privilegiado para conseguir que o processo tramitasse em terrenos mais amistosos. Desde 1995 em repouso no Supremo Tribunal Federal, o caso estava a quatro dias do julgamento quando, em outubro de 2007, Ronaldo Cunha Lima renunciou ao mandato de deputado federal e se devolveu à Justiça comum.

Mais de 14 anos depois da tentativa de assassinato, estacionado na 1º instância, espera serenamente a prescrição do crime. "É um escárnio para com o Judiciário", indignou-se há um ano o ministro Joaquim Barbosa. Se não pôde evitar que o pai lhe enfiasse uma bola entre as pernas, o time da toga tem 30 mil motivos para neutralizar o drible desmoralizante ensaiado pelo filho, que bateu à porta do STF para livrar-se do castigo que lhe foi imposto por "abuso do poder econômico e político e prática de conduta vedada a agente público". (Traduzido para língua de gente, o palavrório em juridiquês cabe em três palavras: compra de votos.) Basta rejeitar a ação encaminhada pelo PSDB, destinada a pelo menos adiar a posse do senador José Maranhão, o candidato do PMDB derrotado em 2006.

Apesar da ordem de despejo, Cássio continua no gabinete, despachando pecados. O mais recente foi a concessão de aumentos salariais a milhares de servidores públicos. Transferida para o sucessor, a conta será bancada pelos paraibanos. Pai e filho estarão em casa, com tempo de sobra para planejar a próxima campanha. Isto é o Brasil.

ÉLIO GASPARI

A perigosa diplomacia das empreiteiras


O Globo - 26/11/2008
 

A transformação de um litígio comercial do governo do Equador com a construtora Odebrecht numa crise diplomática com o Brasil expõe os riscos da privatização do Itamaraty. 

A briga se relaciona com a construção da hidrelétrica de San Francisco, responsável pela produção de 12% da energia consumida pelo Equador. Um pedaço da usina desabou, seu funcionamento foi temporariamente interrompido e a construtora foi expulsa do país. 

Houve lances de truculência do companheiro-presidente Rafael Correa e há um debate técnico em torno da encrenca. A Odebrecht sustenta que o desabamento foi provocado pela erupção de um vulcão próximo. Como ela está no consórcio Via Amarela, o da cratera do metrô de São Paulo, e a tragédia foi atribuída ao movimento de uma rocha de 15 mil toneladas, tudo é possível. Até mesmo que a empreiteira esteja perseguida por uma urucubaca geológica. 

Em setembro, quando começou o litígio, a ministra Dilma Rousseff colocou as coisas no seu lugar, circunscrevendo-o às relações da Odebrecht com o governo equatoriano. O BNDES respaldou financeiramente a obra com o empréstimo de US$243 milhões, mas isso não pode significar que o Equador esteja condenado a quitar com dinheiro de primeira uma mercadoria de segunda. 

Nosso Guia se aborreceu porque o presidente Rafael Correa recorreu à Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional para discutir a fatura da empreiteira. Pois foi exatamente a essa instância que o consórcio Via Amarela aceitou submeter um litígio com o Metrô de São Paulo. O que vale para o Metrô não vale para o Equador? 

É comum que o Itamaraty seja colocado a reboque das empreiteiras. 

Quando isso acontece, o governo brasileiro sai emprestando dinheiro pelo Terceiro Mundo afora, toma calotes e deixa para a nova administração a tarefa de esquecer dívidas. Nosso Guia já perdoou cerca de US$1 bilhão de compromissos de Nigéria, Congo, Gabão e outras cleptocracias africanas. Tudo em nome de novas obras e de futuros calotes, bem como de alianças que acabam em traições, como no caso do apoio à pretensão brasileira de entrar para o Conselho de Segurança da ONU. 

A diplomacia das empreiteiras fez coisas do arco-da-velha no Iraque. 

Basta dizer que em certa ocasião o próprio Saddam Hussein reclamou de um empresário paulista que lhe oferecia material para construir uma bomba atômica. A aventura iraquiana levou à bancarrota uma das maiores construtoras do país, a Mendes Junior. Em 1980, a Odebrecht se meteu num tortuoso fornecimento da hidrelétrica chilena de Colbún-Machicura. 

Nesse episódio alguns amigos do general Pinochet perderam suas esperanças graças ao desassombro do embaixador do Brasil em Santiago, Raul de Vincenzi. Ele narrou a armação num telegrama ao Itamaraty e detonou a trama. 

A agenda dos empresários é uma coisa e a política externa de um país é outra coisa. Quando as empresas arrastam a diplomacia, reescreve-se a crônica de desastres das donatárias americanas na América Latina durante o século passado. 

No início do governo de Lula os americanos da concessionária de energia AES se encrencaram com uma dívida de US$1,2 bilhão com o BNDES. Em vez de enrolar o litígio nas bandeiras dos dois países, diplomatas, companheiros e empresários acertaram um perdão dos juros do calote (US$193 milhões). Graças ao trabalho dos profissionais, George Bush e Nosso Guia se tornaram amigos de infância.

ANCELMO DE GOIS

A vez do morro


O Globo - 26/11/2008
 

Lula e Tarso Genro anunciam semana que vem o projeto Território de Paz, de segurança em favelas conflagradas país afora. 

As primeiras... 

As comunidades de Santo Amaro, em Recife, Complexo do Alemão, no Rio, Itapoã, em Brasília, e Zona de Atendimento Prioritário 5, em Rio Branco, serão as primeiras beneficiadas. 

Será assim... 

Policiais, que serão conhecidos antes pelos moradores, farão rondas diárias nas favelas. 

Cada um terá bolsa-formação de R$400 mensais e financiamento para a casa própria. 

E ainda... 

O projeto formará ainda "Mulheres de Paz", que receberão bolsas de R$190 com a missão de afastar jovens do crime. 

Lado negro da Força 

A Procuradoria-Geral pediu ao STF a abertura de novo inquérito sobre Paulo Pereira da Silva. 

A suspeita agora é de contratação de uma fundação para dar cursos com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador. 

Lembrai-vos de 1929 

Por dever de ofício, Henrique Meirelles minimiza a crise atual. 

Mas, na reunião dos ministros, na Granja do Torto, usou a expressão "Crash de 2008". 

No mais 

Obama deu uma entrevista coletiva segunda, outra ontem e conversará hoje novamente com os jornalistas. 

Já Lula... você sabe. 

Se liga, Simon 

O promotor Rodrigo Terra, que é tricolor, decidiu abrir inquérito para apurar erros de juízes no Campeonato Brasileiro. 

Terra tem um DVD com "inúmeros erros", um deles o pênalti não marcado por Carlos Eugênio Simon no Flamengo x Cruzeiro. 

Morte a economistas 

Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE, questionou Jorge Guimarães, presidente da Capes, agência que financia a ida de brasileiros para mestrado e doutorado lá fora. É que, em declaração ao GLOBO sobre a redução de recursos da agência, Guimarães viajou: 

- Neste quadro de hoje, a pergunta sobre a formação de doutores na área de economia é: vamos continuar mandando alunos para formar doutores num modelo que faliu o mundo? 

O troco... 

Schwartzman, em seu blog, ironizou Guimarães: 

- Imagino que a Capes usará o mesmo critério para a área de energia, responsável pelo aquecimento global; e das ciências médicas, responsável pela explosão populacional.


Dmitri em campo 

Na visita de ontem ao Maracanã, Dmitri Medvedev foi à butique do estádio e comprou uma camisa azul da seleção e outra do... Flamengo. 

O presidente russo comprou ainda uns bonequinhos do Fluminense e do Vasco. Só faltou um brinde do Botafogo. No fim, ainda experimentou um copo de guaraná natural. 

Só que... 

Este russo parece estar no Brasil mais interessado em churrasco e futebol. Veio aqui só para fazer escala aérea. 

Importante é hoje, quando visita Hugo Chávez. Os russos levaram até um submarino nuclear para exercícios militares com os venezuelanos. 


CLÓVIS ROSSI

Há mocinhos nessa história?

Folha de S. Paulo - 26/11/2008
 

O afastamento do delegado Protógenes Queiroz do Departamento de Inteligência da Polícia Federal deveria reativar uma pergunta que o ombudsman desta Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, tem feito com freqüência, mas que não encontrou resposta até agora. A saber, se Carlos Eduardo me permite a tradução livre de sua inquietação: qual é o jogo político em torno da tal Operação Satiagraha, talvez o mais confuso episódio dos muitos em que a Polícia Federal gerou manchetes? 
A única coisa que parece clara até agora é que há uma disputa na PF, supostamente entre seu atual chefe, Luis Fernando Correia, e seu antecessor, Paulo Lacerda, diretor (afastado provisoriamente) da Agência Brasileira de Inteligência. 
Qual é o fundo da divergência? 
Ciúmes funcionais? Desacordo sobre métodos operacionais? Estranhamento político? 
No meio do caminho ainda apareceu a divergência Abin-PF. Antes, aliás, as duas instituições cooperaram na tal Satiagraha, quando a investigação estava a cargo de Protógenes. Depois, entraram em rota de colisão, a ponto de a PF ter apreendido material da Abin, talvez sigiloso, talvez de interesse da segurança nacional, em episódio que torna sem graça a série de TV "Agente 86". 
Qual é, afinal, o pecado de Protógenes? Num primeiro momento, chegou a ser aclamado como o vingador da moral e dos bons costumes, supostamente (ou realmente) ofendidos por Daniel Dantas, o banqueiro que, para fechar o círculo das dúvidas, diz estar seguro, no âmbito da Justiça, apenas nos tribunais superiores, que, aliás, de fato lhe deram não um, mas dois habeas corpus. 
A imensa confusão armada em torno da Satiagraha exigiria que as autoridades, mais até que a mídia, aliás, viessem a público para explicar quem é mocinho e quem é bandido, sob pena de ficar a impressão de que não há mocinhos.

DORA KRAMER

De papel passado


O Estado de S. Paulo - 26/11/2008
 

Se havia alguma dúvida de que Cássio Cunha Lima é um político capaz de abusar de suas prerrogativas quando lhe convém, ele mesmo tratou de dirimi-la no epílogo do exercício de seu mandato como governador da Paraíba.

Na quinta-feira, 20, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por unanimidade cassar Cunha Lima por uso dos recursos do Estado para obtenção de benefícios eleitorais. 

Na segunda-feira, 24, a maioria governista na Assembléia Legislativa de João Pessoa fez dez sessões extraordinárias e aprovou um festival de aumentos nos gastos do estado. 

Reajustou salários do funcionalismo (em alguns casos à razão de 100%), autorizou contratação de novos servidores, adiantou a aprovação do Orçamento de 2009 e, como já havia anunciado a antecipação do pagamento do 13º, deixou toda a bomba armada para estourar na mão do sucessor.

Um gesto realmente à altura do veredicto do TSE. Em português rude, o governador foi condenado à perda do mandato porque, no entendimento da Justiça, usou dinheiro público para comprar votos.

Na campanha pela reeleição, em 2006, a Fundação Ação Comunitária distribuiu 35 mil cheques no valor total de R$ 4 milhões, a título de benemerência social. Cunha Lima defendeu-se alegando completo desconhecimento a respeito da distribuição do dinheiro, uma iniciativa da diretoria da fundação ligada ao governo do Estado. 

Os ministros do TSE não acreditaram na independência da entidade, cujos propósitos fizeram-se ainda mais suspeitos quando se descobriu que os recursos não se destinaram necessariamente a minorar as agruras da pobreza. 

Foram achados rastros da verba no pagamento de planos de saúde, na contratação de artistas, no pagamento de TV a cabo (algo aqui soa familiar), uma situação elegantemente definida pelo ministro Eros Grau como de “marcante descontrole na distribuição de valores financeiros na proximidade do pleito”. 

Ainda assim, no fim de semana, entre a decisão judicial e a farra final da abertura dos cofres às corporações amigas, Cássio Cunha Lima deu entrevistas dizendo-se injustiçado: “Fui condenado pelo que não fiz.” 

Recebeu a solidariedade dos companheiros de partido, o PSDB, foi simbolicamente abraçado da tribuna do Senado por parlamentares de muitas agremiações, correlatas e adversárias.

Todas deixadas com cara de tacho diante do monumental recibo que Cássio Cunha Lima resolveu passar, corroborando que de fato não tem pudor em usar a máquina pública como propriedade privada.

Aproveitou os últimos momentos de posse da prerrogativa de manipular verbas públicas para armar um legado em forma de arapuca ao substituto - o segundo colocado na eleição, ex-governador José Maranhão, também alvo de processos na Justiça Eleitoral - e preparar as bases para a campanha de senador em 2010. 

Pela sentença, fica inelegível só até 2009.

Popular, Cássio Cunha Lima certamente terá a legenda do PSDB garantida, votos a mancheias assegurados, cabos eleitorais desde já arregimentados entre os favorecidos pelos aumentos, um mandato praticamente conquistado e nenhuma responsabilidade sobre as contas públicas estouradas.

Seu partido, o legítimo dono do mandato, conforme recente determinação judicial, não impôs nenhum reparo. Isso a despeito de ter sido o inventor, fiador, propagador e guardião da responsabilidade fiscal.

Mas, como na política vale a regra da aplicação da lei a cada um de acordo com suas amizades, o tucanato fez-se de morto. Não deu sinal de considerar a folia paraibana nem de longe parecida com a gastança patrocinada pelo governo federal. 

Quando a coisa se refere ao PT é chamada de irresponsabilidade, aparelhamento, aproveitamento, ultraje ao pudor e qualificativos assemelhados. Bem merecidos, note-se.

Agora, quando um governador do partido faz o que fez Cássio Cunha Lima pelo pior dos motivos (porque quis, podia, tinha a caneta, o Diário Oficial e a maioria na Assembléia) à disposição na praça, o PSDB chama de injustiça e presta solidariedade.

No partido que se pretende em breve de volta à Presidência da República, há os esforços dos governadores José Serra e Aécio Neves para construir a imagem de responsabilidade e eficiência. Mas há o empenho de um Cássio Cunha Lima em alimentar a face do atraso que, não tendo o repúdio da direção, lícito concluir que mereça dela aprazível acolhimento.

Quase garoto, 24 anos, Cunha Lima chegou à Assembléia Nacional Constituinte, em 1987, como uma grande promessa da nova geração de líderes. Vinte anos depois, é a materialização do espírito carcomido da velhíssima política em sua mais anacrônica expressão.

Em 1988 nascia o PSDB, produto da revolta dos modernos contra os retrógrados do PMDB. Chegou ainda verde ao poder, produziu os grandes avanços da estabilidade, das privatizações, das regras de Estado acima das circunstâncias de governo, mas quando o assunto é prática política, reza pela cartilha arrivista dos velhos coronéis.

VERGONHA


QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: EUA dão mais US$ 800 bi para estimular consumo

 

- Estadão: EUA: mais US$ 800 bi para reativar crédito

 

- JB: US$ 800 bi

 

- Correio: Ação para desafogar saúde pública no DF

 

- Valor: Fundos aproveitam baixa de ações e vão às compras

 

- Gazeta Mercantil: Crédito recua 3% e juros chegam a 42,9% ao ano

 

terça-feira, novembro 25, 2008

PRIMA DO OBAMA

Clique na imagem para ampliar.
Segundo meus assessores, bêbados, essa vai está na festa da posse do Obama.
Com bunda e tudo.

PARA...HIHIHIHI


VIDA DE CASADO

Uma noite, depois de quase 30 anos de casados, o casal está na cama quando a mulher sente que seu marido começa a acariciá-la como não fazia há muito tempo.
Ele começa no pescoço, desce pelo dorso até as nádegas; volta ao pescoço, ombros, seios e para na barriga; coloca a mão na parte interna do braço esquerdo, passa no seio, na nádega.
Ela fecha os olhos e começa a se perder em um devaneio delicioso.
Vai da perna esquerda até o pé, sobe pela parte interna da coxa e para bem em cima da perna. Faz a mesma coisa na parte direita e, de repente, vira as costas e não fala uma palavra.
A esposa, já 'acesa', lhe diz carinhosamente:
- Querido, estava maravilhoso, porque parou?
E ele, resmungando: - Já encontrei o controle remoto...

ISSO É UMA VERGONHA!


Educação

Brasil cai quatro posições em ranking da Unesco

25 de novembro de 2008

O Brasil caiu do 76º para o 80º lugar no ranking de desenvolvimento da educação, segundo o relatório anual que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulga nesta terça, em Genebra. O Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2009 mostra que o principal entrave ao desenvolvimento brasileiro é a taxa de repetência, que diminuiu de 24% para 19% entre 1999 e 2005, mas ainda é uma das mais altas do mundo e a segunda maior da América Latina. Apenas Suriname, Nepal e 12 países africanos têm índice de repetência maior.

Na classificação geral, o Brasil ficou atrás de vários países da América Latina, entre eles Bolívia (75º lugar), Equador (74º), Venezuela (69º) e Paraguai (68º). Em primeiro lugar ficou o Cazaquistão, seguido por Japão, Alemanha e Noruega. Em último lugar na classificação, que incluiu 129 países, está o Chade.(LEIA MAIS AQUI)


LEILA RICHERS

Seu João e Barack Obama: há ligação, sim

ESPECIAL PARA O JORNAL DO BRASIL
Quando, na manhã da quarta-feira passada, depois de uma noite acompanhando a evolução das eleições nos Estados Unidos, abri a porta para o entregador do mercado entrar com as minhas compras, pensei: em que a vitória de Barack Obama vai mudar a vida deste homem?
Seu João é brasileiro, negro e pobre. Não tem casa própria, não teve educação formal, sabe quando muito escrever o próprio nome, não tem carteira assinada e muito menos dinheiro na bolsa de valores. Que lhe importa se o presidente dos Estados Unidos saberá ou não lidar com uma economia em colapso se seu João vive do trabalho informal e se mantém na esperança de que pior do que está não pode ficar? Quando muito seu João se preocupa com a saúde da família.
Aqui, ele votou no candidato que prometeu unidade de atendimento na favela onde mora. Os dois filhos do seu João não precisam mais de creche e a escola pública ele sabe que não vai faltar. Mesmo que eles não aprendam muito, vão passar de ano e sempre saberão mais do que seu João e a mulher, que lava roupa para fora e faz diária em casa de família duas vezes por semana. Grandes drogas também para o seu João se o homem que vai governar os Estados Unidos é contra ou a favor do terrorismo.
Logo para ele, que tem apenas uma vaga noção de que torres existem para comandar os aviões e, se houve desastre, decerto foi por essa coisa de aquelas serem gêmeas, que isso sempre dá confusão. Ser contra ou a favor da proliferação nuclear também não diz respeito ao entregador do mercado, pois, por mais que se esforce, não consegue entender nem pronunciar os dois nomes em seqüência.
Às vezes seu João está tão aporrinhado com o pouco dinheiro, a péssima condução, a magreza das crianças e a feiúra da mulher que quer mais é que o mundo se exploda. Seu João acha também que a mudança na política ambiental não lhe diz respeito, pois não dá a mínima se a exploração da indústria madeireira está acabando com a floresta tropical na Indonésia, não se preocupa com o aquecimento global e muito menos se a Monsanto ameaça a segurança alimentar do planeta.
Seu João já vive no sufoco para garantir o arroz com feijão na hora da janta, e transgênico para ele é coisa de quem quer virar a mão. Acima de tudo, seu João está se lixando para o fim das guerras americanas, pois a única guerra que tem a ver com o seu João é a do tráfico, que vez por outra o impede de chegar em casa depois de duas horas sacolejando num ônibus, ao cabo de um dia inteiro carregando peso e levando bronca do patrão. Além do medo de ver um dia os filhos metidos na bandidagem, de arma na mão.
Enquanto eu via na minha cozinha aquele homem, negro retinto, retirando produtos orgânicos do engradado de plástico verde, pensei em lhe dizer que pela primeira vez na história um casal com a cor da pele igual à dele, com duas crianças da mesma idade das dele, iria morar na Casa Branca, e seria recebido nos mais belos e ricos palácios do mundo, e estaria protegido pelo maior aparato de segurança do planeta, e com isso transformaria para sempre o imaginário universal, seu João levantou a cabeça e me deu o sorriso humilde de sempre. E eu pensei que a melhor coisa que poderia fazer com a minha euforia era caprichar na gorjeta do seu João.

QUASE LÁ...


BRASÍLIA-DF

O Balão Quintanilha

Correio Braziliense - 25/11/2008
 

A indicação do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) para concorrer à vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) vai além do que possa supor o eleitor desavisado que transita pelo plenário do Senado. Esse pleito será antes daquele para presidentes da Câmara e do Senado. E Quintanilha disputará contra o ex-senador José Jorge (DEM-PE), que tem muito mais trânsito em todos os partidos do que ele. Há no próprio PMDB quem aposte numa vitória de José Jorge, o que levará os senadores peemedebistas a pensar em compensações para essa derrota. 

***
Além disso, a oposição ganhará fôlego em busca de um nome para presidir o Senado. Será então a hora de o PMDB entrar em campo com tudo, obrigando o petista Tião Viana (AC) a recolher os flaps de sua candidatura à Presidência da Casa. Esse é um dos papéis de Quintanilha nessa disputa. Além, é claro, de ser o que é: um candidato do PMDB a ministro do TCU.


O alvo 

Aguardado em depoimento hoje à CPI das Escutas Telefônicas, o presidente da Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin), Nery Kluwe, ameaça em conversas com pessoas próximas revelar detalhes da participação de agentes da Abin na Operação Satiagraha capazes de acentuar o desgaste em torno do diretor-geral, Paulo Lacerda. Os santos desses dois personagens não se cruzam. 

Vale investigar 

Corre léguas a versão de que foi uma pane seca a causa do acidente com o avião da banda Calypso — no qual duas pessoas morreram e oito ficaram feridas, inclusive o deputado Dudu da Fonte (PP-PE). O litro do querosene em Teresina custa R$ 4,95 e, em Recife, R$ 3,59. Quem sai da capital pernambucana vai com tanque cheio para fazer ida e volta. A diferença de preços e a falta de concorrência em cada estado serão levadas em breve à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). 

A casa de Joana I 

Desde quinta-feira, ferve no Pará a história da Organização Social Via Amazônia, criada em março de 2007 e que, como num passe de mágica, se viu brindada com a administração do centro de convenções e feiras da Amazônia, o Hangar. Construído na administração de Simão Jatene (PSDB) e concluído pela equipe da governadora Ana Júlia Carepa (PT) no início do ano passado, o espaço está sob os cuidados de Maria Joana Pessoa, que trabalhou com Ana Júlia no Senado e só não teve o sigilo bancário revelado pela CPI da Biopirataria porque obteve um mandado de segurança. 

A casa de Joana II 

De 2007 para cá, a organização social já recebeu cerca de R$ 25 milhões em contratos com diversas secretarias do governo estadual, com dispensa de licitação. Nada ilegal, já que as organizações sociais têm essa prerrogativa. Está tudo documentado no blog Pererecadavizinha, da jornalista paraense Ana Célia Pinheiro. Em tempo: Roberto Carlos, o rei, já deu show no Hangar. Amou a acústica. 

No cafezinho




Soneto e separação 
Estão cada vez mais divergentes os interesses do PT e os desejos do presidente Lula. O presidente, por enquanto, só quer saber de domar a crise e governar tranqüilamente pelos próximos dois anos, sem marola nem tsunami na política. Já o PT não admite a hipótese de desocupar o Planalto e a Esplanada em 2011. 

UNIFORME PARA 2ª DIVISÃO

Vasco anuncia seu novo uniforme

A diretoria do Vasco liberou os dois modelos de uniformes aprovados para serem confeccionados pelo novo fornecedor _  uniformes que deverão ser uitilizados a partir do dia 1 de janeiro.

A camisa branca sem as estrelas sobre a cruz de malta/divulgação

Os uniformes desenhados pela Champs tentam dar à camisa um estilo arrojado, mas que foge à tradicionalidade da centenária camisa do clube.

COLUNA PAINEL

Mínimos detalhes


Folha de S. Paulo - 25/11/2008
 

Lula orientou a direção do BNDES a esmiuçar o contrato de financiamento ao Equador, na tentativa de encontrar amarras que tornem mais difícil para o presidente Rafael Correa levar adiante a decisão de dar um calote de US$ 243 milhões no banco (o dinheiro foi usado na construção, pela Odebrecht, de uma hidrelétrica que veio a apresentar falhas sérias).
O Itamaraty pretende forçar Correa a manter o assunto em âmbito estritamente bilateral. O primeiro teste virá na reunião da Unasul, que reúne os países do continente, marcada para 17 de dezembro na Costa do Sauípe (BA). O governo brasileiro teme boicote do presidente equatoriano ou, pior, que ele use o evento para dar dimensão continental ao litígio.

Animador
Na reunião ministerial, Lula brincou com o presidente do BC, Henrique Meirelles, chamado a falar depois dos titulares da Fazenda e Itamaraty. "Vocês viram que eu puxei palmas para o Guido e para o Celso. Pode deixar que vou puxar palmas para você também, Meirelles."

Ombudsman
Antes de encerrar, Lula passou a palavra a José Alencar. "Eu não ia dizer nada", começou o vice, "mas já que o presidente me deu a oportunidade..." E desceu seu sarrafo habitual na taxa de juros. Afirmou que de nada adianta discutir redução de gastos se o governo não mexe no maior deles.

Brother
Meirelles disse na reunião que a nomeação de Timothy Geithner como secretário do Tesouro dos EUA é uma "ótima notícia". "É capacitado e muito meu amigo."

Assim não
A Fazenda avisou aos líderes governistas que é contra a prorrogação por 20 anos da Zona Franca de Manaus, como consta do relatório da reforma tributária. Aceita no máximo dez. O PMDB é o principal defensor das duas décadas.

No caminho
Prestes a se concretizar na forma de medida provisória, o parcelamento em até 120 meses de dívidas tributárias que podem somar R$ 65 bilhões contribuiu para a queda de Jorge Rachid do comando da Receita Federal. O então secretário se opunha frontalmente a tal bondade.

Não desiste
Em reunião na semana passada na qual foi definida a destinação de R$ 1,4 bilhão adicional à Saúde ainda neste ano, Lula pediu que seus líderes no Congresso façam uma nova tentativa de aprovar, antes do recesso, a CSS, mais conhecida como nova CPMF. O projeto, parado desde o primeiro semestre, carece apenas da votação de um destaque na Câmara. 

Ver para crer
Um conhecedor do plano de vôo de Renan Calheiros assegura: "O PMDB não trocará a presidência do Senado por nenhum ministério". 

Trégua 1
O grupo liderado pelo ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), que tem a maioria no PT de Minas, acena com um acordo para os rivais liderados pelo prefeito Fernando Pimentel, que controla o partido em Belo Horizonte. Seriam canceladas 10 mil filiações feitas pelo grupo do prefeito e consideradas suspeitas. E assim não haveria intervenção do diretório estadual no da capital. 

Trégua 2
O meio-termo deve ser aprovado em reunião do diretório estadual do PT marcada para o próximo sábado. Patrus e Pimentel romperam desde que o prefeito fechou acordo com o governador tucano Aécio Neves para a eleição de Márcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte. 

20 anos depois
A Comissão de Segurança Pública da Câmara realizará um seminário amanhã e na quinta-feira para discutir o tratamento dado ao tema na Constituição de 1988. Devem participar da abertura o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o ministro da Justiça, Tarso Genro.

Tiroteio

"A ministra precisa tomar cuidado com a candidatura dela. Marolinha de tsunami tem três metros de altura e engole tudo à sua frente."

Do presidente do DEM, deputado RODRIGO MAIA , sobre Dilma Rousseff, segundo quem "a pior fase da crise já passou".

Contraponto 

Dois irmãos

Durante discussão de um projeto na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, na quarta-feira passada, Epitácio Cafeteira (PTB-MA) se confundiu ao mencionar o colega Osmar Dias (PDT), trocando seu nome pelo do irmão, Álvaro (PSDB), igualmente senador pelo Paraná. Alertado, Cafeteira corrigiu o erro com bom humor:
-Ou melhor, senador Osmar Dias, que, apesar da barba branca de Dom Pedro 2º, é mais novo do que o irmão!
Osmar, seis anos mais jovem que Álvaro, com quem não se entende bem, apenas sorriu. Já o presidente da comissão, Marco Maciel (DEM-PE), emendou:
-É só uma questão de dias...

O IDIOTA

MÓNICA BÉRGAMO

CABO-DE-GUERRA

Folha de S. Paulo - 25/11/2008
 

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) julga hoje se os bancos devem ou não submeter ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) seus processos de aquisições e fusões. A ação foi movida pelo Bradesco, que não quer submeter ao órgão a compra do BCN. Mas terá reflexo na fusão do Itaú com o Unibanco e do Banco do Brasil com a Nossa Caixa.

PALAVRA FINAL
A novela Cade/bancos se arrasta desde o governo Fernando Henrique Cardoso, que baixou norma determinando que só o Banco Central deveria analisar as compras e fusões das instituições. O Cade não se conformou -e obteve vitória no Tribunal Regional Federal de Brasília, que espera ver confirmada pelo STJ. Caso seja derrotado, no entanto, o órgão não deve recorrer ao STF.

ALGODÃO
Entre as opções políticas de Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem citado "ser candidato ao governo de São Paulo em 2010". O candidato do grupo do governador José Serra (PSDB-SP), no entanto, é o secretário Aloysio Nunes Ferreira (Casa Civil), padrinho da vitória de Gilberto Kassab (DEM-SP) sobre Alckmin.

CRISTAIS
E FHC tem encontro marcado com o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, no próximo dia 2.

CORREIO ELEGANTE
O Ministério do Turismo vai "envelopar" aeroportos do Nordeste no verão. A idéia é forrar as paredes dos terminais com fotos dos pontos turísticos do lugar de desembarque -como o Pelourinho, em Salvador, e Jericoacoara, no Ceará.

ELIANE CANTANHEDE

Facada nas costas

Folha de S. Paulo - 25/11/2008
 

O presidente Rafael Correa tem todo o direito, até o dever, de defender o Equador de empresas que estão há décadas tirando muito e dando pouco ao país. Mas não precisa ser infantil, irresponsável, sem limites. E ele está sendo. Tudo começou... com a Bolívia jogando o Exército nas refinarias da Petrobras. Correa deve ter achado o máximo e foi atrás. Enxotou a Odebrecht, retirou os direitos de uma penca de brasileiros no país, ameaçou Petrobras e Furnas e agora pede arbitragem internacional para dar o calote no BNDES. "Uma facada nas costas", dizem diplomatas brasileiros e assessores de Lula, com uma reclamação de conteúdo, outra de forma. De conteúdo: há o temor de que os tiros de Correa ricocheteiem na credibilidade de empréstimos pelos sistema CCR (com garantia dos Bancos Centrais). E, depois, na própria Unasul. Quanto à forma: Lula fica enlouquecido com Correa, que tem um discurso a portas fechadas e outro nos palanques. Na véspera da facada no BNDES, assessores equatorianos se reuniram com diplomatas brasileiros, em Quito, e não abriram a boca. No dia seguinte, pimba! Lá estava Correa se gabando em público de ser machão com o Brasil. Nós conhecemos o nosso Lulinha. Tudo pode. Mas deixá-lo com cara de tacho? Isso não pode. Ele jogou duro quando cancelou uma missão técnica que levaria um saco de bondades para o Equador. Agora endureceu de vez ao chamar o embaixador Antonino Marques Porto para explicações. Bem ou mal, a Venezuela tem petróleo, e a Bolívia, gás. E o Equador? Nada a oferecer e muito a ganhar do Brasil e da Unasul forte. Correa corre ladeira abaixo, sem avaliar os riscos, inclusive de se isolar até de seus aliados Chávez, Evo Morales e Fernando Lugo. A não ser que tudo seja uma armação contra "o imperialista do Sul". Aí, nem é mais questão diplomática. É psiquiátrica.

ANCELMO DE GOIS

Sujou, Petrobras


O Globo - 25/11/2008
 

A Petrobras, acredite, será excluída hoje do índice Bovespa de empresas socialmente responsáveis. 

A decisão, tomada pelo conselho, deve-se, em parte, ao fato de a estatal continuar produzindo diesel com alto teor de enxofre.

Classe operária 

Lula recebe amanhã no Planalto cerca de 400 líderes sindicais e representantes dos chamados movimentos populares. 

O encontro, que terá ainda os ministros Dilma Rousseff e Guido Mantega, será sobre os reflexos da crise no Brasil.

Pavão monetário 

A reunião com os ministros ontem na Granja do Torto foi interrompida por uma salva de gargalhadas puxada por Lula. 

É que, quando Henrique Meireles falava, surgiu no jardim, visível pela parede de vidro da sala, um pavão enorme, que abria as asas, cheio de amor pra dar.

ILIMAR FRANCO

Idéia fixa

 Panorama Político
O Globo - 25/11/2008
 

O vice-presidente José Alencar aproveitou a reunião ministerial para criticar a taxa de juros. "São os mais abusivos do mundo", disse. Sua indignação, bem humorada, fez todos os ministros rirem, sobretudo quando contou: "Gosto muito do Mantega, do Meirelles mais ainda. Uma vez, depois de me ouvir, o Meirelles disse: "Concordo com tudo o que o senhor falou". Mas, no dia seguinte, o Copom aumentou mais uma vez a taxa de juros".

Melhores lances da reunião ministerial 

1. O tamanho da crise econômica pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: "Já foram queimados US$30 trilhões em riquezas"; 2. O presidente Lula não perde a pose: "Voltei da reunião do G-20, em Washington, convencido de que o Brasil é o país que está em melhores condições para enfrentar a crise"; 3. Com ares de candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que os três eixos da fase final do governo são: "O PAC, o desenvolvimento social e o pré-sal"; 4. Se depender do presidente Lula, a crise mundial vai virar marola no Brasil: "Vou chamar prefeitos e governadores para acertar o passo. Em 2009, o PAC tem que entrar em ritmo de Fórmula 1. Vamos acelerar". 

Não podemos confundir o nosso G-20, o dos emergentes, com o G-20 dos países mais ricos" - Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores 

ROMEU E JULIETA. Depois de terem uma conversa telefônica supostamente grampeada ilegalmente, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) estarão juntos novamente amanhã, quando participam de um ciclo de debates sobre o Poder Legislativo no Senado. O tema será "O ativismo judicial e a judicialização da política". 

Atualização
 

Com a renúncia do senador José Maranhão (PMDB-PB) para assumir o governo da Paraíba, fica em 16 o número de suplentes em exercício no Senado. Os sem voto são a segunda maior bancada. Só ficam atrás do PMDB, com 20 senadores.

Testemunha 

O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) presta depoimento hoje na Polícia Federal. É testemunha do ex-diretor-executivo da PF Romero Menezes, que foi afastado da função em decorrência da Operação Toque de Midas. 

Missão partidária 

O PSB quer lançar Ciro Gomes candidato à Presidência da República nem que seja só para eleger governadores e com isso fortalecer o partido. O discurso será focado na política econômica, aproveitando o mote da crise internacional. O desafio será fazer isso sem criticar o governo Lula e seu candidato (a). "Não dá para renegar o que fizemos até agora. Somos da base aliada", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES). 

Caravana Holiday 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) está organizando uma caravana para percorrer as universidades, no ano que vem, debatendo alternativas para o Brasil a partir de 2011. Já convidou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP) e a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL). O trabalhista tenta formar uma frente por fora dos partidos para 2010. 

O PRESIDENTE do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), encontrou-se com o presidente Lula ontem em uma cerimônia. Garibaldi disse que Lula não reclamou da MP das filantrópicas: "Se o presidente Lula está chateado assim, está bom demais". 

O SENADOR Paulo Paim, presidente da Comissão de Direitos Humanos, pautou para hoje debate de seus polêmicos projetos que aumentam os benefícios previdenciários. E está organizando nova vigília. 

CONFIDÊNCIA de um ministro: "Do jeito que o pessoal fala, essa crise vai ser uma brisa aqui no Brasil".

DORA KRAMER

Mudança de hábito


O Estado de S. Paulo - 25/11/2008
 

 Um governador cassado e outros sete ameaçados de perder os mandatos por abuso de poder nas eleições é um fato expressivo, embora resulte da amplamente disseminada prática do uso dos instrumentos de Estado em benefício privado.

A novidade está na conduta da Justiça Eleitoral. Habitualmente leniente na aplicação rigorosa da lei, principalmente no que diz respeito a candidatos eleitos, o Tribunal Superior Eleitoral acabou de cassar o mandato do governador Cássio Cunha Lima, da Paraíba, e promete para breve o julgamento dos processos contra os governadores de Sergipe, Amapá, Tocantins, Santa Catarina, Maranhão, Roraima e Rondônia.

Descontados os detalhes específicos, as infrações são da mesma natureza: pouco caso em relação ao que a lei permite ou proíbe e absoluta ausência de cerimônia no trato da coisa pública. Isso tanto pode ser traduzido na compra de votos mediante distribuição de benefícios ditos sociais, como no uso indevido dos meios de comunicação ou na propaganda eleitoral fora do prazo permitido.

Uma espécie de financiamento público de campanha sem lei e na marra comum a todos os partidos, muitas vezes incentivado por demandas da própria população e tradicionalmente tolerado pela Justiça.

Como os prazos judiciais são muito mais lentos que o tempo eleitoral, quando uma denúncia chega a ser julgada por todas as instâncias - comprovada, portanto, que não é produto de vingança do adversário - o acusado, se eleito, já cumpriu boa parte do mandato. Diante do fato consumado, à Justiça restava fazer vista grossa baseada no princípio amplamente aceito de que a palavra do eleitor além de definitiva é sagrada, não cabendo a um tribunal decidir de forma diferente.

Essa regra plena de cinismo serviu durante anos à impunidade da quase totalidade de governantes que se valem do acesso à máquina pública para favorecer a si e aos seus aliados no processo eleitoral. Isso independentemente de ser ou não candidato à reeleição.

A norma serve até hoje no Congresso para o arquivamento de processos internos contra parlamentares reeleitos e é usada também para evitar abertura de ações por atos cometidos em período anterior ao mandato.

Depois dos escândalos de 2005, o Judiciário revolveu mudar o curso das coisas. Passou a ser mais rigoroso, interpretou a legislação onde era omissa e passou a ser acusado de extrapolar.

Quando cumpre a lei conseqüentemente desagrada a quem se acha acima desse detalhe. Tudo muito bom, mas ainda incompleto, como se vê pela lista de governadores ameaçados: só chefes de Estados política e economicamente irrelevantes.

Isso quer dizer que os outros se conduzem dentro dos melhores costumes? Nem de longe. As constantes reclamações do presidente Luiz Inácio da Silva contra exigências legais, as repetidas infrações do governo federal e de governos de Estados de ponta como São Paulo, Rio e Minas Gerais (abusados à exaustão na última eleição municipal) comprovam.

Não obstante a existência de provas bem mais substanciais, os maiorais ainda estão fora do alcance do ativismo judicial, cuja perfeição só será atingida se o "dura lex, sed lex" for igual para todos. 

Omertà

No controle da Funasa há três anos, o PMDB atribui o plantel de falcatruas na entidade a "gestões anteriores", mas não explica se fala sobre a gestão de Paulo Lustosa, antecessor do atual presidente Danilo Forte, ambos do PMDB, ou sobre o período 2003-2005, quando a fundação esteve sob controle do PT.

Se o PMDB não está assumindo a conta da corrupção e do mau desempenho de que falam os relatórios do Tribunal de Contas da União, as denúncias do Ministério Público e também o ministro José Gomes Temporão, está repassando a fatura ao companheiro de aliança.

Em qualquer hipótese, o que se tem é uma capitania eivada de irregularidades crescentes, protegida por um pacto de silêncio quebrado pelo ministro da Saúde num momento de desatenção.

Recuperadas a frieza e a concentração no objetivo principal - a manutenção do controle do feudo -, voltou a reinar a conivência tácita.

2 x 0

É o segundo lance perdido pelo ministro da Saúde para questões de natureza política. No caso do PMDB, fisiológica.

Para o PT, Temporão perde no campo dos interesses corporativos. Há um ano e meio o ministro tenta sem sucesso aprovar no Congresso um projeto de lei que transforma os hospitais públicos em fundações de direito privado, a fim de instituir critérios de qualidade mais próximos da iniciativa privada no atendimento da população que usa o sistema estatal.

Há algum tempo o ministro parou de falar no assunto, engatado na Comissão de Trabalho da Câmara, sem data para engrenar nem respaldo aparente por parte do Palácio do Planalto.

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