sábado, novembro 22, 2008

PAINEL

Dupla dinâmica


Folha de S. Paulo - 22/11/2008
 

Não é apenas José Maranhão (PMDB), herdeiro da cadeira de governador da Paraíba depois da cassação do mandato de Cássio Cunha Lima (PSDB), que já assume enrolado: seu suplente no Senado, Roberto Cavalcanti (PRB), é acusado pelo Ministério Público Federal de corrupção ativa, formação de quadrilha, falsificação de documentos e estelionato.
Empresário do setor de comunicação, Cavalcanti também é sócio de uma indústria de materiais plásticos acusada de envolvimento, com ex-
servidores da Procuradoria da Fazenda Nacional, em esquema de fraudes de certidões -o grupo zerava débitos de empresas com a União e emitia certidões negativas.

Rolo
No caso da empresa de Cavalcanti, a falsa certidão negativa seria usada para obter financiamento da Finep, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Sua sócia italiana teve prisão decretada. 

Next
Apesar dos anunciados recursos, o PSDB avalia que Cunha Lima não conseguirá voltar ao cargo. A idéia é lançar Cícero Lucena ao governo em 2010, em chapa com Cunha Lima para o Senado. 

Faz-de-conta
Ontem, enquanto o mundo caía, o portal do governo da Paraíba não apenas silenciava sobre a cassação como trazia a seguinte manchete: "Governador Cássio anuncia a antecipação do pagamento de novembro e do 13º salário aos servidores". 

Também quero
A condenação de Cunha Lima animou outros políticos derrotados em 2006 por adversários que agora enfrentam processos na Justiça Eleitoral. A mais empolgada é a senadora petista Fátima Cleide, que dá como certa a cassação de Ivo Cassol (sem partido) em Rondônia. 

Outro lado
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) diz ser "totalmente contrário" à inclusão de acusados por apropriação indébita entre os casos de parcelamento de dívidas em debate na reforma tributária. "Defendi que isso seja tratado no plenário porque não há posição final do Ministério da Fazenda", afirma o deputado. 

Sem fundo
Além de tentar liberar recursos destinados ao Ministério da Saúde diretamente para a Funasa, a bancada do PMDB quer morder R$ 48 mi da pasta das Cidades, controlada pelo PP. Seriam retirados de ações nas áreas de saneamento e pavimentação para contemplar emendas de deputados, principalmente gaúchos.

No calo 1
O governo brasileiro ficou especialmente contrariado com o fato de o presidente Rafael Correa ter escolhido a Câmara de Comércio Internacional de Paris como foro para arbitrar o pleito de não pagar o empréstimo de US$ 243 milhões concedido ao Equador pelo BNDES.

No calo 2
"Tem que ver se esse foro é pertinente. No contrato assinado pelo governo equatoriano está muito claro que o foro para dirimir questões controversas é o Rio de Janeiro", diz o assessor Marco Aurélio Garcia. 

Elas por elas
Antes da cerimônia de encerramento da conferência sobre biocombustíveis, ontem em São Paulo, Celso Amorim fez graça com José Serra a propósito da derrota do Palmeiras para o Flamengo por 5 a 2. Ao discursar, o governador cumprimentou o Itamaraty pela organização do evento, na pessoa do ministro Celso... Lafer. 

De saída
Foi exonerada ontem a mulher do ministro Fernando Haddad (Educação). Ana Estela, que tinha cargo de confiança no Ministério da Saúde, pretende voltar a dar aulas na USP. Segundo a assessoria da Saúde, não há relação com a súmula antinepotismo do STF. 

Você, por favor
O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), indicou o do PTB, Jovair Arantes (GO) para receber a medalha do mérito legislativo de 2008. Jovair, por sua vez, indicou Castro. 

Visita à Folha
Marcio Barbosa, diretor-geral-adjunto da Unesco, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Rosa Webster, assessora de imprensa. 

Tiroteio

"Problemas entre países sempre existem. O que nos pareceu ruim é que tenha sido feito de forma pública, com estardalhaço e sem comunicação prévia." 

De 
MARCO AURÉLIO GARCIA, assessor internacional de Lula, sobre a decisão do presidente do Equador, Rafael Correa, de recorrer a um fórum internacional para não pagar empréstimo do BNDES.

Contraponto

É dos carecas...

Ao final de entrevista no Ministério do Planejamento,Paulo Bernardo se deparou, ao deixar a sala, com a galeria de retratos de ocupantes da pasta e brincou:
-Onde está minha foto? Que absurdo!
No mesmo espírito, um repórter perguntou se o ministro não sentia inveja por haver ali um retrato de seu antecessor, Guido Mantega, hoje na Fazenda.
-Na verdade, o que eu estou reparando mesmo é o quanto o Guido está jovem nessa foto. Até cabelo ele tem!-, respondeu 
Bernardo, quase tão calvo quanto o colega.

APOSENTADORIA DO INSS

FILMES NA ERA INTERNET

                                                              E o Vírus Levou...
Apertem os Cintos, o Sistema Caiu
Desejo de Formatar 4
O PC de Rosemary
Deletar Nunca, Formatar Jamais
A Primeira Conexão de Jonathan
Duro de Deletar
Querida, Formatei o Winchester...
A Insustentável Leveza do C
Log Para Entrar, Reze Para Sair
Se Meu Windows Funcionasse...
A Mão que Balança o Mouse...
A Vida é Tela...

CRISTOVAM BUARQUE

Inverter a pirâmide

O Globo - 22/11/2008
 

Às vezes, a política precisa descobrir o óbvio: como o fato de que as pirâmides só se sustentam quando a base serve de apoio. No Brasil, acostumamo-nos tanto com as pirâmides invertidas que ainda nos surpreendemos com as crises que ocorrem por causa desse desequilíbrio. 

Nossa economia começou, no século XVI, voltada para o topo da pirâmide social da Europa, vendendo-lhe o açúcar produzido por escravos, que constituíam a base ignorada. Nossa industrialização teve a indústria automobilística como o carro-chefe de uma economia baseada na demanda oriunda das camadas de alta renda. Nos anos 60 e 70, enquanto a base da pirâmide continuava sem acesso aos bens essenciais, a economia exigiu a concentração da renda para criar a demanda necessária para os produtos industriais caros. Essa demanda só foi possível concentrando a renda no topo do conjunto da população. Nossa indústria sempre se voltou para o topo. 

Mesmo assim, embora a concentração tivesse chegado ao recorde mundial e atingido níveis de vergonhosa brutalidade e barbaridade, a demanda continuava menor do que a produção. Para continuar vendendo os produtos caros, a saída foi facilitar o crédito: adiar o pagamento como possibilidade de vender produtos caros às classes médias. Começamos a fazer empréstimos para comprar produtos mais caros do que nosso dinheiro - no bolso ou no banco - permitiria. 

Com o crédito fácil, empurramos ilusoriamente as classes médias para o topo da pirâmide, antes mesmo de atender às necessidades da base da pirâmide social. Em vez de água, esgoto, escola e saúde; palácios, aeroportos e automóveis. Em vez de esperar o aumento da renda e da poupança, optamos pelo endividamento, sacrificando os gastos com o consumo da base para permitir o consumo de luxo. 

O único resultado possível seria a crise financeira, já que para aumentar a venda de produtos caros às famílias de renda média, os bancos emprestam mais do que seu capital e seus depósitos permitem. Para atender à demanda do topo, a base financeira ficou instável. 

Agora, diante do desequilíbrio da pirâmide invertida, o Brasil opta por injetar R$8 bilhões para continuar financiando o topo, a venda de automóveis. Preferimos continuar financiando o transporte privado do topo do que investir no transporte público que atende à base. Mais uma vez, optamos pelo topo, ninguém propõe investir em obras para garantir água, esgoto e habitação para a base, muito menos educação. Qualquer proposta nessa direção provoca a pergunta "de onde virá o dinheiro?" Mas, para o topo, o dinheiro sempre aparece, sem perguntas sobre sua origem, sem considerações sobre a falta que ele fará em outros setores. 

Sem investimentos na base da pirâmide social, o Brasil continuará em desequilíbrio: violência urbana, concentração de renda, saúde degradada, educação sem qualidade. Mesmo a educação é um exemplo do desequilíbrio da pirâmide invertida. O Brasil dá mais ênfase ao topo, o ensino superior, do que à base, o ensino fundamental. O resultado é outra manifestação de instabilidade: a qualidade do ensino superior vem sendo puxada para baixo por causa da má qualidade do ensino médio; e este também vem perdendo qualidade por causa da piora no ensino fundamental. 

Ninguém vê o óbvio: a pirâmide está invertida. A maior prova disso é o abandono da primeira infância. É nela que o Brasil começa, e seu abandono é a maior das ameaças à pirâmide invertida que caracteriza nosso país. Como disse muitas vezes Heloísa Helena, quando senadora, bastaria adotar uma única geração de brasileiros, desde o seu primeiro ano de vida. Essa geração, mais tarde, adotaria o Brasil. Para isso, seriam necessários poucos bilhões por ano. Mas todos perguntam de onde viria esse dinheiro. Porque ele seria usado nas bases das pirâmides etária e social, com crianças e pobres. 

Talvez a crise atual - do derretimento de bancos e geleiras - permita que o Brasil desperte para o óbvio e encontre a saída para um novo crescimento: pela base social e com equilíbrio ecológico. 

CRISTOVAM BUARQUE é senador (PDT-DF).

ILIMAR FRANCO

Remendo

Panorama Político
O Globo - 22/11/2008
 

Em acordo com a oposição, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), vai desistir do recurso à CCJ para sustar a devolução da MP da filantropia. Apesar de apoiar o gesto político, a oposição admite que a atitude não tem respaldo legal, e os dois lados estão preocupados em não desmoralizar o Senado. Assim, o processo ficará inconcluso e não se criará jurisprudência sobre o assunto. 

Muito barulho por nada 

A despeito do gesto político do presidente do Senado, a Medida Provisória 446, da filantropia, continua em vigor, podendo inclusive trancar a pauta de votações. E já há decisão anterior de que o presidente do Senado não pode devolver uma MP sem respaldo do plenário. No dia 7 de abril de 2005, citando resolução do Congresso, o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), respondeu assim a uma questão de ordem: "Verifica-se que nem o presidente do Senado, nem o da Câmara, nem o do Congresso têm competência para devolver medida provisória. Essa competência é somente do plenário das duas Casas". 

Estamos com uma crise institucional grave para resolver. E qualquer saída que se encontrar abrirá um precedente" - Ideli Salvatti (SC), líder do PT no Senado 

O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), protocolou ontem, na Mesa Diretora do Senado, a indicação do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) para o Tribunal de Contas da União. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal de receber propina em troca de emendas ao Orçamento destinadas a obras em 1998. Também já foi protocolado o nome do ex-senador José Jorge (DEM), indicado por DEM, PSDB, PDT e PSOL. 

Primeiro assalto 

A Procuradoria Geral do Pará perdeu a primeira batalha para tentar reaver as terras em mãos de Daniel Dantas. O juiz Líbio Moura decidiu que a Vara Agrária de Redenção não é competente e remeteu os autos ao Tribunal de Justiça. 

Despedida 

Para apresentar relatório de sua gestão na presidência da Aneel, Jerson Kelman vai depor na Comissão de Infra-estrutura do Senado no dia 10 de dezembro. Seu mandato termina em 13 de janeiro e não será renovado pelo governo Lula. 

Paraguaio esnoba Nelson Jobim 

O Ministro da Defesa do Paraguai, Luiz Barreiro, não atendeu ontem às ligações do ministro Nelson Jobim. Este pretendia negar que o Exército brasileiro invadiu 30 metros do território paraguaio durante exercício militar na fronteira. O jeito foi Jobim entregar uma carta ao embaixador do Paraguai, Luis Gonzáles Arias, com a versão dos militares brasileiros. O Exército, em sua intranet, divulga fotos sustentando sua versão. 

Tem petróleo no pré-sal africano 

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, apresentou ao presidente Lula, quinta-feira, estudos realizados na costa africana. A empresa identificou que há um potencial importante de exploração de petróleo no pré-sal do outro lado do Atlântico. O presidente ficou entusiasmado. A Petrobras guarda esse trabalho a sete chaves. Procurado para dar detalhes sobre o trabalho realizado pela estatal brasileira, Estrella mandou dizer: "Nada a declarar". 

O PRESIDENTE da CPI do Grampo, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), informa: "Os dados enviados à CPI pelas telefônicas referem-se a interceptações legais". 

IRRITADO com o levantamento divulgado pelo corregedor do Conselho Nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, Itagiba promete: "Nós vamos desmoralizar os dados do CNJ". 

A PROPÓSITO de afirmação do governador José Arruda, o ministro do Esporte, Orlando Silva, diz: "Não pedi qualquer convite ao GDF e o governador Arruda sabe o real motivo de minha não ida ao jogo".

ANCELMO DE GOIS

Meia-volta, volver

O Globo - 22/11/2008
 

Passou despercebido. O novo projeto de cotas nas universidades federais aprovado na Câmara não inclui instituições militares, como IME e ITA. 

O texto só trata de universidades "vinculadas ao MEC". 

Tucano lulista 

Embora seja tucano, Cássio Cunha Lima, o governador cassado da Paraíba, é muito ligado a Lula. Em 2003, no Palácio Alvorada, numa roda de amigos, o presidente brincou: 

- O Cássio não sai daqui. Na declaração de renda, ele vai ser meu dependente. 

A falta de médico 

Dados da Global Health Workforce Alliance mostram que, em 57 países, há "carência crítica" de profissionais de saúde. O Brasil escapou por pouco. 

São nações onde há menos de um médico ou enfermeiro por mil habitantes. 

Por aqui... 

O Brasil é desigual também no mapa dos médicos. Nossa média é de 1,15 profissional para cada mil pessoas. 

Mas no Acre há menos (0,8) de um médico por mil almas. Entre os gaúchos, são 4,6. 

Aliás... 

O Rio Grande do Sul tem mais médicos que França e Itália, que têm média de três a quatro profissionais por mil habitantes. 

Finalmente... 

O mapa dos médicos será apresentado hoje pelo ministro Temporão, em Ouro Preto.

EDITORIAL O GLOBO

Anistia bem-vinda

O Globo - 22/11/2008
 

A crise mundial, com a conseqüente necessidade de divisas, recoloca em debate no Congresso mais uma anistia para a repatriação de capitais. O tema é recorrente, pois o Brasil, pela longa história de instabilidade econômica e política - problemas que a cada dia, felizmente, ficam mais no passado -, tem residentes, pessoas físicas e jurídicas, que, em algum momento, preferiram transferir recursos para algum recanto tranqüilo e seguro no exterior. 

O ano de 2002, quando a perspectiva de vitória do PT e Lula assustou os mercados, foi um desses períodos em que uma parte da poupança interna migrou. Lula, porém, teve o bom senso de conter as hostes radicais do PT e cercanias, respeitou contratos e manteve o Banco Central em tácita autonomia. 

Passados seis anos de governo, não há mais aquele tipo de risco, ponto favorável ao aceno para a repatriação de parte desses recursos. Outro incentivo, este para os donos do dinheiro, é que, depois de setembro de 2001, quando o terrorismo islâmico mostrou-se por inteiro, estreitou-se o controle mundial sobre o fluxo dessas divisas. Também internamente, a Receita, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Coaf tornaram-se mais eficientes na busca do dinheiro não-declarado. A relação custo-benefício, a depender do caso, talvez não compense manter contas em paraísos fiscais, cada vez mais devassados por um adestrado exército de rastreamento e escuta eletrônicos. 

O projeto de lei protocolado no início da semana pelo deputado Delcídio Amaral (PT-MS) é, assim, oportuno. Ele estabelece, no caso de pessoas físicas, uma alíquota de 8% de Imposto de Renda para a internalização e legalização dos recursos, ou 4%, caso sejam investidos em fundos de infra-estrutura. Para as jurídicas, 10% de IR e 8% de CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Pode valer a pena. Claro, filtros eficientes têm de existir para evitar o aproveitamento da anistia por capitais oriundos da criminalidade -, toda ela, da corrupção a qualquer tipo de tráfico. Há as mais diversas estimativas de quanto uma anistia poderia recambiar - de US$30 bilhões a US$200 bilhões. Mas é certo que se trata de uma medida que não pode ser repetida. A última concedida pelo Brasil foi no governo Castelo Branco. Faz sentido, também por este aspecto, que uma nova seja discutida agora. E, de preferência, que o país consiga dar segurança jurídica, institucional, que consiga reduzir a carga tributária e manter estável a economia, para que nunca mais seja preciso discutir perdão de impostos para o brasileiro investir em seu país.

LAURO JARDIM

Panorama
Radar

Lauro Jardim
ljardim@abril.com.br

 

• GOVERNO

Lula e Dirceu
José Dirceu foi chamado a Brasília por Lula na semana passada. Dirceu circulou em vários lugares, mas foi mesmo à capital por causa do número 1. O que se conversou, não se sabe.

Martelo batido
Lula já decidiu: Nelson Hubner vai comandar a Aneel a partir de janeiro.

Balão se esvaziando
Está murchando a candidatura de Gilberto Carvalho à presidência do PT. Lula prefere que o chefe de gabinete da Presidência continue onde está.

 

 BAHIA

Tudo bem?
Na semana passada, Geddel Vieira Lima publicou um artigo na imprensa baiana ameaçando entregar os cargos que o PMDB possui no governo Jaques Wagner em razão de críticas que setores do PT têm feito à aliança. No mesmo dia, Wagner ligou para Geddel botando panos quentes. Disse que estava "tudo bem" com a aliança. Geddel respondeu: "Então, está tudo bem". Tradução da conversa: as coisas na Bahia não estão nada bem.

 

 ELEIÇÕES 2010

Garibaldi e o PMDB do Serra
A boa relação do presidente do Senado, Garibaldi Alves, com a oposição não se restringe às críticas às medidas provisórias – que culminaram com a devolução de uma delas na semana passada. Garibaldi negocia com José Agripino Maia (DEM) a formação de uma aliança em 2010 no Rio Grande do Norte. 
A dobradinha PMDB-DEM teria os dois como candidatos ao Senado e a senadora democrata Rosalba Ciarlini como candidata ao governo. A chapa, naturalmente, estenderia a aliança ao candidato tucano à Presidência. Não seria novidade: em 2002, Garibaldi disputou o Senado apoiando José Serra para presidente.

 

Mordida do Leão fere Felipão

Ricardo Stuckert/PR
Visita de trabalho
Felipão e Lula: o assunto principal da reunião não foi 
o futebol inglês

Na véspera da goleada que o Brasil aplicou no time de Portugal, Felipão, ex-técnico das duas seleções, esteve com Lula. Entregou-lhe uma camisa do Chelsea autografada, posaram juntos para fotos e falaram brevemente sobre futebol. Até aí, beleza. Mas o que, afinal, Felipão foi fazer no Planalto? Ele pediu uma audiência com o presidente da República só para trocar idéias sobre futebol? 
A resposta é "não". A Receita Federal pegou Felipão, com uma taxação que ele considera exagerada. Uma multa grande lhe foi aplicada, segundo disse Lula a assessores. O treinador foi se explicar e pedir que a mordida seja reavaliada.

 

 BRASIL

Alan Marques/Folha Imagem
Celebridade
Protógenes: um delegado
nos braços do PSOL


Polícia ou política?

Sabe quem vai virar comendador? Protógenes Queiroz. O delegado-celebridade receberá em dezembro uma das medalhas do Mérito Legislativo concedidas pela Câmara dos Deputados. Cada líder partidário tem o direito de indicar um laureado. Luciana Genro, do PSOL, cravou o nome de Protógenes. 
O delegado, aliás, é mais um motivo para as eternas discordâncias na família Genro: enquanto o pai, Tarso, virou um tenaz crítico do futuro comendador, a filha Luciana o defende com unhas, dentes e medalhas.

 

 ECONOMIA

Em nome da autonomia
Em conversas privadas com alguns parlamentares na semana passada, Henrique Meirelles falou da importância de o Congresso tirar da gaveta e votar um dos projetos que concedem mandatos fixos ao presidente e à diretoria do Banco Central. Não será fácil. Além de setores expressivos do PT, a bancada serrista do PSDB é contra.

 

 CIDADES

Nem tão caro assim
Sai nos próximos dias um estudo inédito sobre o preço do aluguel dos imóveis comerciais das principais cidades de 48 países. Realizado pela consultoria Cushman & Wakefield, o levantamento mostra que o Brasil não está tão caro assim: no ranking geral, o país ocupa o 32º lugar. A pesquisa avaliou nove endereços brasileiros, entre shopping centers e ruas, e constatou que o Shopping Iguatemi (SP) tem o metro quadrado mais caro do Brasil. Entre as ruas, a medalha de ouro para locação ficou com a Visconde de Pirajá, em Ipanema, que pela pesquisa está à frente da paulistana Oscar Freire.

Quinze vezes mais
Tanto a rua carioca como a paulistana ficam a léguas de distância em termos de valor das primeiras colocadas. A número 1 do mundo é a Quinta Avenida, em Nova York, cujo metro quadrado para locação em alguns trechos é de 27 000 dólares por ano – mais de quinze vezes o valor dos aluguéis cobrados na Visconde Pirajá.

 

 TELEVISÃO

Ganhando terreno
A Record acaba de comprar mais 81 000 metros quadrados de área para o RecNov, o Projac da emissora. Agora, serão 280 000 metros quadrados de estúdios e cidades cenográficas. Hoje, a área para a produção de teledramaturgia da Record é seis vezes maior do que quando foi criada, em 2005.

 

 MÚSICA

Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem
Celebridade
Protógenes: um delegado
nos braços do PSOL


Alguns detalhes novos

Para um artista supersticioso ao grau máximo e avesso a qualquer novidade, Roberto Carlos até que deu um passo adiante: no CD e DVD que lança em dezembro, ele dividirá a capa de um disco pela primeira vez numa carreira prestes a completar cinqüenta anos. A Música de Tom Jobim tem como base os shows que ele e Caetano Veloso fizeram neste ano cantando bossa nova. Outra novidade: Roberto não canta uma só canção sua no disco. A tiragem inicial de 300.000 cópias sai por um acordo também inédito entre as gravadoras Sony (de Roberto) e Universal (de Caetano). À Sony coube o direito de distribuir o CD e o DVD aqui e no exterior.

 

O IDIOTA

DIOGO MAINARDI

Penso, mas existo?

"Se Descartes ordena, estou pronto a me sacrificar.
Ele determinou meus investimentos na bolsa de
valores por meio do livro Os Axiomas de Zurique, 
de um certo Max Gunther"

Di

Descartes pode me arruinar. Ele mesmo, René Descartes, o pensador francês do século XVII, do Discurso do Método. Na última semana, ele se materializou em meu escritório, com aquele seu aspecto de lateral-direito do Boca Juniors, e ordenou que eu aplicasse imediatamente todas as minhas economias na bolsa de valores. O que fiz? Fechei os olhos e obedeci.

Eu já tinha pensado em fazer o mesmo em meados de outubro, quando Warren Buffett, num artigo para o New York Times, anunciou que aplicaria todo o seu dinheiro no mercado acionário dos Estados Unidos. Ele ditou uma regra simples para orientar os investimentos na bolsa de valores: "Tenha medo quando os outros estão gananciosos, e seja ganancioso quando os outros estão com medo". Do dia em que o artigo de Warren Buffett foi publicado até este momento, o Dow Jones já despencou mais de 15%. Em vez de contrariar o senso comum, obedecendo à regra de Warren Buffett, tive medo quando os outros tiveram medo e me dei tremendamente bem.

Mas Warren Buffett é Warren Buffett e Descartes é Descartes. Em latim, o truísmo soaria melhor. Se Descartes ordena, estou pronto a me sacrificar. Ele determinou meus investimentos na bolsa de valores por meio do livro Os Axiomas de Zurique, de um certo Max Gunther. Retificando: ele determinou meus investimentos na bolsa de valores por meio de um trecho do press release de Os Axiomas de Zurique, porque nem precisei ler o livro. O trecho dizia que, para especular com sucesso na bolsa de valores, é preciso fazer como Descartes, duvidando sempre das verdades estabelecidas. Dito de outra maneira: se todos estão fugindo da bolsa de valores, pode ser uma boa oportunidade para entrar nela. O que eu fiz? Entrei.

"Penso, logo existo." Em latim, soa melhor: "Cogito, ergo sum". SegundoOs Axiomas de Zurique, o principal enunciado de Descartes sugere que o investidor pense por conta própria. Eu fiz o oposto: deixei que Descartes pensasse por mim. Assim como as ações da Aracruz, a metafísica cartesiana atingiu um novo mínimo. A única certeza que eu tenho é: "Descartes pensa por mim, logo Descartes existe". A rigor, nem isso. Eu só posso afirmar sem titubear o seguinte: "O vulgarizador de Descartes me meteu nessa baita enrascada da bolsa de valores, logo o vulgarizador de Descartes existe". De fato, seguindo o método de Descartes, nada impede que eu seja apenas um produto da mente de Max Gunther, o autor de Os Axiomas de Zurique. Nesse caso, quem arcará com o prejuízo não serei eu, e sim ele. Quem terá de mendigar nas ruas não serão meus filhos, e sim os dele. Por isso, para mim não importa se os aloprados do governo brasileiro decidiram aumentar o salário dos servidores em mais de 40 bilhões de reais. Com toda a probabilidade, eu nem existo.

J.R. GUZZO

Depois do sal

"O pré-sal teve os seus quinze minutos de fama;
já estamos de volta ao pós-sal, onde a vida é mais 
simples e as realidades contam mais que os desejos"


Uma das vantagens da queda no preço do petróleo é que foi parando, pouco a pouco, a conversa do pré-sal. Com o barril na casa dos 50 dólares, e sem dar sinais de que volte logo aos 150, onde estava até outro dia, ficou difícil encontrar muita gente interessada em debater o que será feito com esse petróleo enterrado a 7 000 metros de profundidade, no fundo do Oceano Atlântico. Quem estaria realmente disposto a brigar, hoje, por algo que só pode existir na prática, como mercadoria, num futuro que de repente se tornou muito mais remoto e incerto? Já não seria simples nem rápido, com o preço do barril na faixa dos 150 dólares, trazer à tona a riqueza toda que está ali, diante da charada técnica para chegar a ela e da montanha de dinheiro indispensável para pagar a conta da operação. Hoje, com o preço do petróleo reduzido a um terço, o prazo para transformar num produto real o que por enquanto só aparece nas telas de computador dos geólogos fica ainda mais distante – o valor do óleo obtido não vai compensar as somas a ser gastas com a exploração dos novos campos. É preciso, simplesmente, esperar mais um tempo. Quanto mais? Ninguém sabe dizer. O petróleo continua onde estava, claro, mas quem está no governo ou pretende chegar lá no curto prazo já viu que não vai tirar proveito disso – não o proveito que imaginava, nem no momento que queria. Resultado: a conversa perdeu a graça.

O pré-sal teve os seus quinze minutos de fama; já estamos de volta ao pós-sal, onde a vida é mais simples e as realidades contam mais que os desejos. A Petrobras, discretamente, anunciou há pouco que a fase exploratória do pré-sal na Bacia de Santos está encerrada; vai se concentrar, agora, em extrair petróleo de poços onde o retorno é mais rápido e garantido. Fica encerrada, também, a fase do palavrório. Até algum tempo atrás, muito pouca gente fora da Petrobras, ou até dentro dela, tinha ouvido falar em "pré-sal"; de uma hora para outra, todo mundo passou a dar aulas sobre o assunto, sobretudo quando se tratava de definir quem ficaria com as glórias da descoberta e os dividendos da sua exploração. O Brasil iria entrar na Opep. Os "projetos sociais" do governo passariam a ter todos os recursos de que precisam. As empresas internacionais que trabalham na área teriam de aceitar novas condições de contrato. A Petrobras, mesmo sendo estatal, não deveria ficar com essa nova mina de ouro; tem muitos sócios privados e, pior que isso, estrangeiros. Só uma "estatal pura", dizia-se, seria aceitável. Estados e prefeituras já calculavam as cotas que iriam exigir sobre o petróleo a ser extraído. A ministra Dilma Rousseff, que já era "mãe do PAC", foi promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a "madrinha do pré-sal". O próprio Lula, a certa altura da festa, chegou a dizer que era "um iluminado".

O presidente pode ser um homem iluminado, mas isso não faz o petróleo sair do lugar onde está, nem altera o preço do barril. É em cima de realidades, geológicas, de mercado e de investimento, que esse jogo vai ser jogado. Enquanto ele não se define, fica parada, felizmente, a discussão sobre quem iria receber os benefícios do pré-sal – ela não prometia nada de bom. O que mais se ouviu foi a indignação do governo com o fato de que acionistas privados da Petrobras iriam receber parte dos resultados. A empresa não deu uma única ação a eles, mesmo porque a lei não prevê que faça doações; vendeu, e encaixou o dinheiro recebido. Que culpa teriam, agora, se os ativos da Petrobras aumentam? Os cidadãos brasileiros ouvem dizer há mais de cinqüenta anos que a companhia pertence ao povo. Os que, além de ouvir, botaram a mão no bolso e compraram ações fizeram isso porque foi o único jeito de ganharem alguma coisa, realmente, com um patrimônio que é seu; se contassem com o governo para receber a parte a que fariam jus, na condição de donos da Petrobras, estariam esperando até hoje.

O governo tem nome, endereço e CPF de todos os brasileiros – nos registros do INSS, do FGTS, da Justiça Eleitoral e por aí afora. Sabe perfeitamente, portanto, quem são, e se nunca deu a ninguém um tostão dos lucros da Petrobras é porque não quis. Acha que o dinheiro tem de ir todo para o seu caixa, de onde, então, é distribuído para o povo na forma de serviços públicos cuja qualidade é tão conhecida. O presidente, no auge da euforia, disse que não era "possível" que os ganhos do petróleo ficassem "sempre com os mesmos". É exatamente onde continuariam, pela visão do seu governo, se tivesse havido algum ganho com o pré-sal.


SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: Brasil muda tom com Equador e chama embaixador de volta

 

Folha: Brasil chama embaixador no Equador

 

Estadão: Brasil reage à ameaça de calote do Equador

 

JB: 70 mil alunos na linha de tiro

 

Correio: Dólar a R$ 2,46 é o mais alto em três anos

 

Valor: Empresas hesitam entre poupar e fazer aquisições

 

Gazeta Mercantil: BB compra Nossa Caixa em negócio de R$ 7,6 bilhões

 

Estado de Minas: Governo erra feio em programa para os sem-luz

 


sexta-feira, novembro 21, 2008

SE VOCÊ NÃO ACHA, FODA-SE


ARNALDO JABOR, DORA KRAMER, NERY JUNIOR,ELIANE CANTANHEDE, CELSO MING, PAULILO NETO, JOÃO UBALDO RIBEIRO, DIOGO MAINARD, APOLÔNIO SILVA, CLÓVIS ROSSI, MÓNICA BÉRGAMO, ANDRÉ PETRY, MAILSON DA NÓBREGA,ROBERTO POMPEU DE TOLEDO,CLAUDIO MOURA DE CASTRO, LIA LUFT, STEPHEN KANIITZ, ENTRE OUTROS.
QUER MAIS?  VÁ COMPRAR JORNAL

DORA KRAMER

Gota d’água

O Estado de S. Paulo - 21/11/2008
 

O gesto do senador Garibaldi Alves de devolver à Presidência da República a medida provisória que anistia entidades filantrópicas fraudulentas e dá outras providências causou espanto. 

A oposição correu para o abraço e a situação quase teve uma síncope de tão apavorada. Naquela noite o PMDB estava esquisito, tranqüilo demais para o inusitado da situação. O senador Wellington Salgado, por exemplo. Combatente da tropa de choque governista, só faltou carregar Garibaldi no colo. 

Fazendo votos para que a súbita manifestação de autonomia não guarde relação com a disputa pela presidência do Senado, partindo do princípio de que o senador Garibaldi Alves não se prestaria a esse tipo de serviço e considerando que o PMDB não manipularia sua crescente intolerância contra o uso abusivo de MPs, tomemos a cena pelo seu valor de face. 

No início da noite de quarta-feira, farto da indiferença do Poder Executivo aos preceitos que autorizam a edição de uma medida provisória, o presidente do Senado invocou a prerrogativa regimental de impugnar propostas contrárias à Constituição e deu um chega para lá no Planalto. 

Posto que não há relevância nem urgência - pelo menos para o País - no perdão às filantrópicas irregulares, o senador Garibaldi Alves fez o que deveria ser feito. Não da melhor, mas da única maneira possível diante da recusa do Congresso em cumprir as suas prerrogativas e da insistência do Executivo em abusar das dele.

Foi um gesto político, que deflagrou uma reação contrária de argumentos jurídicos por parte do governo, como se o Executivo estivesse em condições morais de alegar imperfeições na área. 

Quem manda ao Congresso uma medida provisória embutida de um evidente contrabando destinado a atender a algum interesse específico ligado às entidades mal intencionadas sabe perfeitamente qual é o nome do jogo.

Bem como não desconhece o que está fazendo quando insiste em criar créditos suplementares por meio de MPs a despeito do veto imposto pelo Supremo Tribunal Federal. 

Não fica numa posição confortável para invocar a lei quem nem sequer se dá ao trabalho de preencher as exigências constitucionais e manda medidas provisórias ao Legislativo por quaisquer motivos, dos mais fúteis aos mais perversos, como a obstrução proposital da pauta de votações.

“É o caos legislativo”, censurou o senador petista Aloizio Mercadante. Referia-se à atitude de Garibaldi, mas a frase caberia perfeitamente para descrever a desordem que impera no Parlamento.

Produto também, mas não só, da falta de cerimônia completa do Palácio do Planalto, de onde só saem manifestações de apreço e respeito quando há alguma pendência grave e de interesse do Executivo para ser resolvida no Congresso.

De resto, parlamentares são divididos entre inimigos e carimbadores da vontade do Planalto. Na quarta-feira à noite, Garibaldi Alves resolveu não carimbar a medida provisória das filantrópicas que o governo, aliás, já havia concordado em modificar.

Qual será a conseqüência do gesto? No plano formal, será examinado pela Comissão de Constituição e Justiça. Em sua dimensão política será maior ou menor, dependendo do que se dispuser a fazer o Congresso de agora em diante.

Se resolver assumir suas prerrogativas e examinar cada medida provisória conforme manda a Constituição, o governo automaticamente vai parar de editar MPs irrelevantes e não urgentes. Agora, se continuar abrindo mão de poder, a ação de Garibaldi terá sido apenas um gestual inconseqüente. 

Uma rocha

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, reafirma que defenderá a manutenção da aliança do PMDB com o presidente Lula seja qual for a situação ou quem for o candidato do governo à sucessão.

Descarta liminarmente a hipótese de o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, se filiar ao partido para se candidatar a presidente e trata logo de encerrar o assunto: “Acho que o Aécio usa o PMDB para aumentar seu cacife no PSDB”. 

Flagrante delito

Pelo cronograma do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, o deputado Walter Brito, condenado à perda do mandato pelo Supremo Tribunal Federal por infidelidade partidária, emplacará 2009 na vaga.

Chinaglia vai esperar a publicação do acórdão e depois o remeterá ao exame da Mesa. Nessa altura, a Câmara já terá entrado em recesso. 

Se não fosse um raciocínio absurdo, seria o caso de pensar que o cumprimento da sentença está sendo procrastinado em atenção a princípios corporativos para não prejudicar os interesses do PT na disputa pelas presidências das duas Casas do Congresso. 

Intenção e gesto

Na política hoje em dia é assim: prega-se o reformismo, pratica-se o conservadorismo e alimenta-se o conformismo.

COM CIÊNCIA, GOOOOOSTOSA



Com uma gostosa dessa, todo dia, é dia de consciência negra.Essa eu começava a comer as tirinhas do biquini.
Clique na foto e tenha sua consciência negra ampliada.

ANCELMO DE GOIS

Filme sem Petrobras

O Globo - 21/11/2008
 

Com o adiamento, por causa da crise, para fevereiro ou março de 2009 da entrega dos projetos, a Petrobras, a rigor, vai ficar um ano sem investir na produção de filmes brasileiros. 

O último edital foi em março de 2007. 

Segue... 

A Petrobras está para o cinema assim como a Caixa Econômica, por exemplo, está para o setor imobiliário. 

O bom filho a casa.... 

Há uma articulação petista para convencer o senador e ex-ministro Cristovam Buarque a retornar aos quadros do partido. 

Aliás... 

Fernando Haddad, no Congresso, quarta, lembrava a um deputado, sobre um tema de longo prazo, que em 2011 não seria mais ministro da Educação. 

Minutos depois, Haddad recebeu um bilhete: "Só se eu perder a eleição para presidente, de novo." Assinado Cristovam Buarque.

A arma de cada um 

De Delfim Netto numa roda de amigos em Paris: 

- Aécio e Serra têm iguais condições de serem candidatos do PSDB em 2010. Mas os dois têm estilos políticos diferentes. Aécio disputa o lugar com florete e Serra, com machado. 

Por falar em... 

Delfim tem freqüentado sebos em Paris à procura de livros sobre.... a economia muçulmana entre o século VIII e o XII. 

Segundo ele, é a melhor maneira de entender a crise atual. 

É. Pode ser. 

Cinema a R$4 

A Ancine vai repetir, de 24 a 27 agora, aquela promoção de filmes nacionais a R$4, a inteira, e a R$2, a meia, nos cinemas. 

Nas duas primeiras semanas da promoção, 25 filmes brasileiros foram exibidos em 417 salas de várias cidades.

ILIMAR FRANCO

Estremecidos

 Panorama Político
O Globo - 21/11/2008
 

O presidente Lula está com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), atravessado na garganta. Não perdoa o aliado por não lhe ter dito, em almoço no Itamaraty, anteontem, que pretendia devolver a MP 446. Conversaram. Garibaldi contou apenas que tinha chegado atrasado porque estivera reunido com o ministro Patrus Ananias. "Não falei mesmo. O presidente também nunca me chamou para debater as MPs", diz Garibaldi. 

Uma saída para o governo 

Já existe um projeto, na Comissão de Educação da Câmara, que trata da MP da filantropia. O relator, Gastão Vieira (PMDB-MA), já apresentou parecer. O relatório diz que os certificados de filantropia que expirarem no prazo de 12 meses, após a edição da lei, ficam prorrogados por igual período, desde que a entidade cumpra os requisitos exigidos. Isso exclui as sob investigação, que dependeriam de análise dos ministérios da Educação, Saúde e Desenvolvimento Social. 

Já avisei ao Patrus para tirar aquelas instituições da Medida Provisória e mandar seu dirigentes lá no Senado atrás dos senadores" - Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, sobre a polêmica MP 446 

GENERAL DA BANDA. Em sua passagem por Brasília, nessa semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso orientou deputados e senadores do PSDB a votar a favor do projeto de lei que concede incentivos fiscais para a repatriação de recursos não declarados. Fez apenas uma ressalva, de que o projeto não dê o mesmo tratamento para dinheiro de origem ilícita. A proposta é de autoria do senador Delcídio Amaral (PT-MS). 

Valentia seletiva 

A CUT está criticando o ministro Tarso Genro (Justiça) por defender "mudanças na legislação trabalhista". Esta entidade costuma silenciar quando o presidente Lula diz que é necessário mudar a CLT para se adaptar aos novos tempos.

Silêncio eloqüente 

Ao contrário da compra do Besc pelo Banco do Brasil, senadores tucanos e democratas engoliram as críticas diante do anúncio da venda da Nossa Caixa. O governo paulista não fez licitação. Com o governador José Serra ninguém brinca. 

Cenas da partida Brasil 6 x Portugal 2 

1. Pelé, na tribuna de honra, acompanhou a maior parte do jogo por uma das TVs de plasma instaladas no local; 2. O executivo da CBF para a Copa 2014, Mário Rosa, cochichou no ouvido do presidente do STF, Gilmar Mendes: "O delegado Protógenes quer ser o mártir do Brasil"; 3. O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, sentou-se próximo do ex-ministro José Dirceu, a quem denunciou como "chefe da organização criminosa" do mensalão. "Não tenho nada contra ele", disse; 4. Perguntado se faltava palmeirense na seleção, José Serra respondeu: "Tá faltando palmeirense, corintiano, santista..." Mais presidenciável, impossível; 5.Em noite só sorrisos, o governador José Roberto Arruda ficou desapontado com a ausência do presidente Lula e do ministro do Esporte, Orlando Silva. "Ele me pediu cem ingressos e eu mandei", contou Arruda, referindo-se a Orlando; 6. Sobre a ausência do governador Sérgio Cabral e do prefeito eleito Eduardo Paes, Arruda tinha a resposta na ponta da língua: "Eles estão no exterior". 

PARA APOIAR a ação do Ministério Público e do juiz Fausto De Sanctis, Chico Alencar (PSOL-RJ) começou a coletar assinaturas em memorial que será entregue ao Conselho Nacional de Justiça. 

CANDIDATO à presidência da Câmara, Osmar Serraglio (PMDB-PR) enviou carta dizendo que Michel Temer (SP), "não agregou" e cita as candidaturas de Milton Monti (PR-SP), Ciro Nogueira (PP-PI). 

INSTALADA pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), comissão especial para analisar o projeto que cria o Ministério da Pesca.

PARA ...HIHIHIHI

Um carioca sádico, um gaúcho masoquista, um cearense assassino, um goiano necrófilo, um paulista zoófilo e um baiano piromaníaco estão sentados num banco de jardim dentro de um sanatório, sem saber como ocupar o tempo. 
Diz o paulista zoófilo: -E aí, vamos transar com um gato?
Então diz o carioca sádico: -Vamos transar com um gato e depois torturá-lo!
E diz o cearense assassino: -Vamos transar com um gato, torturá-lo e depois matá-lo!
Diz o goiano necrófilo: -Vamos transar com um gato, torturá-lo, matá-lo e depois transamos com ele outra vez!
E diz o baiano piromaníaco: -Vamos transar com um gato, torturá-lo, matá-lo, transar com ele outra vez e atear-lhe fogo!
Segue-se um silêncio, todos olham para o gaúcho masoquista e perguntam: -E aí?
E diz o gaúcho: -Miau!

MAROLINHA

PAINEL

Trem fantasma

Folha de S. Paulo - 21/11/2008
 

Teve de tudo na madrugada que terminou com a aprovação da reforma tributária na comissão da Câmara. Por volta da 1h, um impasse quase derrubou a sessão: Eduardo Cunha (PMDB-RJ) insistia em incluir a possibilidade de perdão a empresas acusadas de nada menos do que apropriação indébita. Para criar confusão, alguns na oposição ameaçaram segui-lo. Desistiram ao se dar conta do teor da emenda.
Cunha deixou claro que voltará à carga quando a reforma chegar ao plenário. Até lá, o balcão continua aberto. O governo deve, por exemplo, desistir de cobrar ICMS das empresas de software, para atender à bancada das telecomunicações. Num aceno ao PSDB, tende a concordar com a necessidade de quórum de 90% no Confaz para fixar alíquotas tributárias.
Joint ventureIncluída de última hora na reforma, a prorrogação por mais 20 anos da Zona Franca de Manaus resultou de parceria do PMDB, do governador Eduardo Braga (AM), com o PR, partido do ministro Alfredo Nascimento (Transportes), candidato ao posto em 2010. 

Âncora 1

Segundo avaliação de deputados do PT que passaram a madrugada na comissão negociando o texto da reforma, o mecanismo que cria uma espécie de DRU (Desvinculação de Receitas) para contemplar os Estados já basta para que parte dos governistas não tope votar a reforma tão cedo em plenário.

Âncora 2
Basicamente são dois os motivos: o relator Sandro Mabel (PR-GO) deixou transparecer que o expediente seria um afago no governador tucano José Serra (SP); a idéia enfrenta resistência nas robustas bancadas da saúde e da educação, áreas que perderiam recursos com a regra. 

Pioneiro
Em abril de 2005, o então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), tentou fazer o que Garibaldi Alves (PMDB-RN) conseguiu: devolver MPs ao Planalto. Foi dissuadido por PT e PMDB e desencorajado por sua assessoria técnica. 

Ecos
Em carta enviada aos deputados do PMDB, Osmar Serraglio (PR) ataca a candidatura à presidência da Câmara de Michel Temer (SP). Diz que é preciso "evitar a repetição do episódio [Luiz Eduardo Greenhalgh]", uma alusão à frustrada campanha do petista em 2005. 

Conselho
Na carta, Serraglio, que também pleiteia a presidência, diz que "não houve aceitação do nome de Temer na base governista".

Estranho...
A decisão de Lula de não ir ao jogo Brasil x Portugal desestimulou a presença de sua equipe no Bezerrão. Dos oito ministros esperados, apenas dois compareceram: Luiz Barreto (Turismo) e Juca Ferreira (Cultura). 

...no ninho
Com a presença do tucano José Serra (PSDB) e de "demos" como José Roberto Arruda, Gilberto Kassab e Rodrigo Maia, o amistoso se converteu num convescote da oposição. No meio da qual estava, de ótimo humor, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. 

Contraponto 

Em boa hora

Convidado pelo correligionário José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, a assistir ao amistoso entre Brasil e Portugal, Gilberto Kassab marcou presença no Bezerrão, mas foi embora, acompanhado do aliado Orestes Quércia (PMDB), antes do final do primeiro tempo, quando o time de Dunga empatou o jogo.
Dentro do elevador, um assessor do prefeito comentou:
-Já vimos um gol de cada lado. Está bom, né?
Kassab, que no estádio havia se sentado ao lado do anfitrião, acrescentou, com um sorriso maroto:
-Ainda bem que o Brasil empatou. Vocês tinham de ver a cara do Arruda na hora do gol de Portugal...

MÓNICA BÉRGAMO

SÓ DEPOIS

Folha de S. Paulo - 21/11/2008
 

O delegado Protógenes Queiroz comunicou ao "Roda Viva" que só vai ao programa, na próxima segunda, se o juiz Fausto De Sanctis já tiver proferido a sentença no caso Daniel Dantas. Há alguns dias, ele afirmou que voltará a falar com a imprensa depois da "condenação do banqueiro bandido".

HERÓI
E a equipe do novelista Lauro César Muniz, da Record, também procurou Protógenes Queiroz. Queriam mais informações sobre o trabalho dele para a novela "Vendetta" (nome provisório), que tem na trama ações da Polícia Federal. Muniz criou o personagem Telônio, um delegado "que, assim como Protógenes, será amado pelo público".

TUCANO PAZ E AMOR
Ainda estão abertas as feridas da campanha municipal do PSDB, que contrapôs o grupo que apoiou o tucano Geraldo Alckmin ao que embarcou na canoa de Gilberto Kassab (DEM-SP). Ao receber do vereador Juscelino Gadelha (PSDB-SP) pedido para que recebesse a bancada de vereadores (que apoiou Kassab) para que eles lhe apresentassem uma "tese", José Henrique Reis Lobo, secretário de Relações Institucionais de Serra e apoiador de Alckmin, respondeu: "Por isso mesmo não os recebo. Cada vez que vocês têm uma "tese", o partido vai se ferrar".

GOELA
E Kassab revelou até a adversários políticos que a relação dele com seu próprio secretário, Andrea Matarazzo, das Subprefeituras, já foi beeem melhor. Matarazzo só ficou no cargo porque o governador Serra pediu.

CLÓVIS ROSSI

Prefiro os piratas da Somália

Folha de S. Paulo - 21/11/2008
 

Deu no "Wall Street Journal", que não é exatamente um jornal antimercado ou nada que se pareça com isso: durante o período em que se gestou a crise que está pondo o mundo de joelhos, 15 executivos de grandes firmas financeiras e construtoras ganharam, cada um, mais de US$ 100 milhões (R$ 240 milhões, o suficiente para comprar, digamos, 34 jatinhos LearJet, versão mais luxuosa, para citar um exemplo que essa gente certamente entende).
Acrescenta o "Journal": "Quatro desses executivos, incluídos os presidentes de Lehman Brothers e Bear Stearns, estiveram no comando de companhias que foram à bancarrota ou viram cair 90% o valor das ações [dessas empresas]".
É bom lembrar que o derretimento da Bolsa de Valores nos Estados Unidos levou os detentores de ações a perderem montantes inacreditáveis. Para o "Journal", foram US$ 9 trilhões, para o editorial desta Folha de ontem, um pouco menos (US$ 7 trilhões) -em todo o caso, perdas que equivalem a sete, oito ou nove "brasis", dependendo do número que se aceitar como mais próximo da realidade.
O "Journal" fuçou as declarações financeiras de 120 companhias de capital aberto em setores como a banca, financiamento de hipotecas, empréstimos para estudantes, corretagem de bolsa e construção -ou seja, aqueles que estão no epicentro do terremoto.
A análise mostrou que "os principais executivos e os membros das diretorias dessas firmas embolsaram mais de US$ 21 bilhões durante os últimos cinco anos", os anos em que inflou a bolha que explodiu.
Depois ainda tem gente que se opõe a uma regulação e supervisão mais rígidas no setor financeiro, alegando que podem estrangular a criatividade.
Se se trata da criatividade apontada pelo "Journal", que estrangulem. Os piratas da Somália parecem gente fina perto deles.

ELIANE CANTANHEDE

Desmoralização

Folha de S. Paulo - 21/11/2008
 

Em carta ao ministro Tarso Genro (Justiça), o general Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) reclama da Polícia Federal e diz que a operação de busca e apreensão na Abin causou "profunda estranheza" e "indignação" e "desmoraliza" o órgão perante outros países.

Desculpe, general, mas quem está indignado e achando tudo estranho somos todos nós, que entendemos cada vez menos a guerra do ministro Tarso com o senhor, da PF com a Abin, de uma parte da Abin contra outra, de uma parte da PF contra outra. A Abin e a PF é que estão se desmoralizando, e não é perante os outros países, mas diante dos cidadãos que lhes cobrem o Orçamento e lhes pagam salários.
Não esqueça como tudo começou: justamente numa aliança de policiais federais com investigadores da Abin, sem que os superiores de uns, e provavelmente o sr., superior dos outros, sequer soubessem.
Na "calada da noite", como ações de bandidos, não de mocinhos.
O alvo era Daniel Dantas, o banqueiro heterodoxo com amizades certas nos lugares certos -ou melhor, em todos os lugares-, mas acabou deixando na linha de fogo jornalista que dá furo de reportagem, ministros do Supremo, deputados, senadores e, de roldão, a própria polícia e a própria Abin. As brigas internas estão fazendo o resto.
O que se lamenta, entre tantas outras coisas ainda mal explicadas, é o envolvimento do então chefe da Abin, delegado Paulo Lacerda, com bela carreira e serviços prestados ao país. Tudo indica que ele tenha sido um dos mentores da operação, que começou com bons motivos e boas intenções e saiu do controle pelo messianismo de Protógenes.
A carta do senhor, general, chega atrasada, troca os necessários substantivos por dispensáveis adjetivos e não explica nada. A não ser que o senhor tenha sido pressionado ou se sentido na obrigação de defender a sua turma aí da Abin. Se é que a turma é mesmo sua. Ou de alguém.

CRISE

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: BB compra a Nossa Caixa e busca liderança

 

Folha: BB Compra Nossa Caixa por R$ 5,4 bi

 

Estadão: BB compra a Nossa Caixa e negocia mais dois bancos

 

JB: País em alerta contra dengue

 

Correio: Brasília cai quatro posições no Enem

 

Valor: Empresas hesitam entre poupar e fazer aquisições

 

Gazeta Mercantil: BB compra Nossa Caixa em negócio de R$ 7,6 bilhões

 

Estado de Minas: Vereadores definem a prioridade em BH

 

Jornal do Commercio: Mais acesso às universidades