domingo, novembro 16, 2008

JÂNIO DE FREITAS

Muita coisa nas cabeças


Folha de S. Paulo - 16/11/2008
 

Os petistas não têm nem sequer um nome com relevo para representar a evidente reserva partidária a Dilma

O PRÓPRIO Lula pôs em dúvida a seriedade de que "tem um nome na cabeça" para sucedê-lo, claro que "o de Dilma Rousseff", como disse em Roma aos jornais italianos. Àquela frase, juntou o inacreditável: "Ainda não falei com ela, mas creio que poderá ser uma boa candidata". Ou já falou, porque do contrário nem ela entenderia o levá-la a tiracolo para lá e para cá, há tantos meses; ou não falou mesmo, e se não o fez até hoje é porque Dilma pode ser um dos nomes, mas não "o nome" na sua cabeça. Ao que nos cabe acrescentar que ninguém esquece o próprio nome.
Por outros motivos que não a tendência do Lula presidente para negar-se, também o trecho final da frase é duvidoso. Dilma Rousseff tem qualidades que poderiam fazer dela uma ótima presidente. Integridade (ah, como estava sumida esta palavra, por tão escassas oportunidades de uso), inteligência, conhecimento dos problemas nacionais, disposição e competência técnica para o trabalho, e ainda outras. Bom candidato, porém, é de outro feitio. Simpatia, ao menos uma pitada de carisma, linguagem e mensagem bem acessíveis pelo grande público -e por aí vão as condições, nunca percebidas em Dilma Rousseff, que elevam ao cimo um candidato sem raízes eleitorais.
As reações políticas incluíram, nos governistas como na oposição, a crítica a Lula por precipitar o debate de sua sucessão. Não dá para crer que seja exatamente essa a sua intenção. Pela timidez das reações petistas, no entanto, vê-se como um partido de tal tamanho, e com quadros tão diversificados, esvaziou-se na sujeição às inversões do governo Lula: não tem nem sequer um nome com relevo para representar a evidente reserva partidária à candidatura de Dilma Rousseff.
Em sentido oposto ao de Lula, seus sócios peemedebistas querem a cabeça do ministro José Gomes Temporão, da Saúde. A crítica do ministro à Fundação Nacional da Saúde, Funasa, é motivo falso. Antes de tudo, porque a Funasa é razão de muitas suspeitas, inclusive oficiais, no uso de seus vastos recursos. A Funasa está entregue por Lula ao PMDB.
A inconveniência de Temporão está em que olha para a Saúde e não para os pedidos de políticos. Isso o PMDB não admite, por negar grande parte da sua própria razão de ser. Certo é que, se o PMDB conseguir derrubar José Gomes Temporão, logo virá nova orgia de "operações sanguessuga" e similares.
Outro ministro, Carlos Minc, parece avançar com as palavras e recuar nas providências, revelando entre umas e outras certa fraqueza de cabeça, no que se refere à memória. A polêmica em torno da entrada de um combustível diesel com fumaça menos venenosa, essencial para a saúde dos indiferentes paulistanos, pela segunda vez foi adiada por mais seis a sete anos. Estava prevista para janeiro.
Indagado na sexta-feira, por André Trigueiro (GloboNews), sobre sua posição a respeito ao assumir o Ministério do Meio Ambiente, disse Carlos Minc em referência à Petrobras e à indústria automobilística: "O que eu disse foi "ou cumpre ou faz acordo com a Justiça". (...) Foi feito o acordo" -para o adiamento.
Não é verdade. O que Carlos Minc disse, com ênfase quase fúria, foi isto: "Garanto que em janeiro (de 2009) vai estar vigorando, de qualquer jeito. Não tem adiamento".
Mellhor faz a indústria automobilística. Ou fazem por ela. Para reduzir-lhes "as dificuldades", Lula concedeu aos bancos e financeiras das montadoras R$ 4 bilhões. E José Serra repicou com mais R$ 4 bilhões.
As montadoras tão gentilmente socorridas estão na cabeça da relação de setores que mais enviam dinheiro para o exterior, como lucros e dividendos. São autoras de 25% das remessas. Até setembro remeteram quase três vezes o enviado no mesmo período de 2007. Ou seja, como o algarismo 4 ficou meio cabalístico, enviaram US$ 4,839 bilhões. Que, na moeda do generoso socorro, vêm a ser cerca de R$ 11 bilhões.
Socorro!

O IDIOTA


ÉLIO GASPARI

Dedicação total a você... Bang, Bang


Folha de S. Paulo - 16/11/2008
 

Um dia, faz tempo, Samuel Klein, recebeu a graça da solidariedade humana, não deve esquecê-la

SAMUEL KLEIN , o dono das Casas Bahia, precisa baixar na sede de sua empresa para conjurar um atentado à preciosa marca da maior rede varejista do país. Ela tem 550 lojas em dez Estados, atende 15 milhões de clientes por mês e faturou R$ 12,5 bilhões no ano passado. É caso de faxina na diretoria. Na segunda-feira, Alberto Milfont Júnior, um trabalhador de 23 anos, foi com a mulher a uma filial na zona sul de São Paulo para comprar um colchão. Enquanto ela estava na fila da caixa, ele esperava, sentado num sofá. Um segurança desconfiou da aparência do rapaz, bateram boca e, apesar da tentativa pacificadora de um gerente, ele matou-o com um tiro no rosto. O casal tinha um filho de cinco meses.
Inépcia, preconceito e demofobia. Mesmo assim, o crime foi conseqüência de um ato individual, coisa de pessoa física. A reação das Casas Bahia foi de arrogância de pessoa jurídica. Logo ela, que se orgulha de "dedicação total a você".
A empresa informou que o "incidente" (pode me chamar de assassinato) foi um "fato isolado" (ainda bem). Lembrou também que o serviço de segurança de suas lojas é terceirizado. E daí? Que tal discutir a indenização da viúva e do órfão?
A firma Gocil, responsável pela conduta do segurança, informou que o assassino possui "competência ilibada e todos os cursos exigidos para atuar na profissão". Os doutores da Gocil (e das Casas Bahia) ainda não perceberam que, quando uma pessoa dá um tiro na cara de outra, algo de terrível aconteceu. Talvez acreditem que faltaram a Milfont "competência ilibada" e os "cursos exigidos" para comprar um colchão.
Samuel Klein é hoje um dos homens mais ricos do Brasil e chegou aqui nos anos 50 com pequenas economias. Conseguiu isso porque fez freguesia entre os consumidores de baixa renda. Quando um cliente é assassinado numa de suas lojas ele não deve permitir que o caso seja tratado como um mero episódio contratual, burocrático. Klein já conviveu, num ponto muito maior, com a banalidade do mal e a irrelevância de vida. Durante a Segunda Guerra ele foi prisioneiro nos campos de concentração de Maidanek e Auschwitz. Salvou-se porque recebeu a graça da solidariedade humana.

O GURU DO JUIZ DE SANCTIS ACABOU EM CANA

Coube ao juiz Fausto De Sanctis, sócio-atleta da Operação Satiagraha, oferecer uma explicação erudita e audaciosa para exorbitâncias de alguns delegados, juízes e promotores.
Referindo-se às garantias dos direitos individuais assegurados pela Constituição, o doutor disse: "A Constituição não é mais importante que o povo. (...) Não é possível inverter e transformar o povo em modelo e a Constituição em representado. (...) Nós somos a Constituição, como dizia Carl Schmitt".
Luís 14 era o Estado. Para De Sanctis, "nós" somos a Lei. "Nós" quem, cara pálida? Segundo Schmitt, "nós" chegou a ser Adolf Hitler.
Ele escreveu: "O Fuhrer protege a lei".
O alemão Carl Schmitt (1888-1985) foi um grande constitucionalista, crítico brilhante da democracia liberal, fascinado pela "exceção", teólogo da ditadura. Na teoria, foi um expoente do pensamento radical no início dos anos 30. Na prática, em 1933 inscreveu-se como sócio-atleta do partido nazista e justificou um massacre como uma "forma superior da lei administrativa". Pediu também que se expurgasse "o espírito judeu" da jurisprudência alemã. Patrulhado por nazistas da academia, que viam nele um oportunista, foi afastado do poder em 1936, mas, ainda assim, durante a guerra, conseguia convites para fazer palestras em Paris. Capturado em 1945, passou um ano num campo de prisioneiros americano.
De Sanctis pode ter lido alguma coisa de Schmitt, mas leu pouco sobre a história da Europa.

CONTA CARA 
Os ministros Patrus Ananias e Fernando Haddad tourearam por mais de um ano as pressões para anistiar 2.274 entidades pilantrópicas e filantrópicas que devem pelo menos R$ 4,5 bilhões e estão metidas em 8.000 processos por atentados contra a Bolsa da Viúva. Foram vencidos, porque Nosso Guia autorizou a edição da medida provisória 446 perdoando os interessados.
A MP foi baixada menos de um mês depois da eleição do comissário Luiz Marinho para a Prefeitura de São Bernardo do Campo.
O ex-ministro da Previdência, que gostava da idéia, entrou na campanha prevendo uma despesa de R$ 15 milhões. Em matéria de custo per capita, pode ter sido a mais cara do país. Como ele teve 195 mil votos, a relação entre a despesa prevista e o resultado obtido ficou em R$ 77, ou US$ 33 dólares. Barack Obama elegeu-se a um custo bem menor.
Cada voto custou-lhe cerca de US$ 10. (Os republicanos acham que conseguirão atazaná-lo por conta de sua fúria arrecadadora.)

CASA DA MÃE JOANA 
Não é preciso muito esforço para perceber que durante a Operação Satiagraha a relação incestuosa da Polícia Federal com a Abin transformou a investigação numa casa de Mãe Joana.
Agentes da PF que têm acesso ao sistema Guardião, a central de grampos do governo, passavam suas senhas aos colegas da Abin.
Em qualquer empresa privada onde os funcionários têm senhas para entrar em bancos de dados sigilosos, a terceirização do acesso é punida com demissão por justa causa. Na Câmara dos Deputados, a sublocação de senhas pode custar o mandato. No FBI, dá cadeia.

PROMESSA TÓXICA 
O carioca que votou em Eduardo Paes a partir da sua promessa de instituir o bilhete único no sistema de transporte público do Rio comprou um papel tóxico.
O bilhete único, instituído em São Paulo em 2004 e adotado em todas as grandes capitais do Brasil, tornou-se uma forma de engodo no Rio.
O governador Sérgio Cabral prometeu concluir os estudos para a criação do bilhete único no final deste ano. Nada. Eduardo Paes fez da nova tarifa um compromisso de campanha. Agora anuncia-se que ela será implementada aos poucos, com a construção de pequenos terminais. (Em São Paulo e Nova York o bilhete único não precisou de terminais.)
Para bom entendedor, meia promessa basta. A tarifa que permite baixar o custo do transporte virá aos poucos, mas a licitação para a construção de pequeno$ terminai$ virá logo.
Nunca é demais lembrar o tamanho da diferença existente entre as tarifas de transportes públicos do Rio e de São Paulo. Em maio passado ela permitia ao paulistano que faz quatro percursos diários para ir e voltar do trabalho almoçar de graça entre 4 e 12 pratos feitos. (A R$ 6 cada PF.)

BOLSA BNDES 
Uma prova de que a crise do papelório mundial já foi reciclada no Brasil de acordo com as velhas normas do cerco à Bolsa da Viúva: os usineiros de cana reclamam que não têm como quitar suas dívidas e querem recursos do BNDES.
Eremildo, o idiota, também quer. Ele jamais pagou uma dívida e não tem projeto, mas conhece um senador petista e quatro presidentes de sindicato.

sábado, novembro 15, 2008

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO


REVISTA VEJA
Black is beautiful, fase 2

"A menina negra brasileira a partir de agora verá no Jornal Nacional as pequenas Malia e Sasha e – milagre – não sentirá, a rebaixá-la, a diferença de cor"

A eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos pode ser entendida, entre outras coisas, como a fase 2 do "black is beautiful", o movimento de orgulho negro com origem no programa libertário dos anos 1960. A essa luz, é uma revolução no gosto o que a presença de um negro na Casa Branca prenuncia. Claro que, se foi preciso surgir um movimento enfatizando que "negro é bonito", é porque negro era feio. Além de um ser inferior, conforme as doutrinas racistas, era também um erro, sob o ponto de vista estético. Não se veria filme de Hollywood estrelado por uma diva negra, nem anúncio em que o produto fosse recomendado por um galã negro. A fase 1 do "black is beautiful" insurgia-se contra esse estado de coisas. Na fase 2 a estratégia é outra e outros são os objetivos, mas a possibilidade de abalar a hegemonia da estética branca é maior.

Este é um assunto com o qual o Brasil, como país de maior população negra fora da África, tem muito a ver. Como tantas outras coisas, o Brasil abraçou desde sempre os códigos do gosto formulados nas matrizes americanas e européias. O resultado eram perversidades cujo efeito, à falta de uma expressão concreta, dá apenas para imaginar. Suponha-se uma menina negra que se encantasse com a mocinha da novela, ou o menino negro que admirasse a coragem do mocinho do filme. Entre eles e seus heróis havia, a rebaixá-los, e fazer com que se sentissem exilados do mundo do glamour, a diferença de cor. O desterro cultural dos negros vinha de longe. Em A Escrava Isaura, clássico da literatura brasileira de 1875 tido como um libelo contra a escravidão, a heroína-título é branca. Tudo bem o autor, Bernardo Guimarães, insurgir-se contra a escravidão; já se apresentasse a escrava como negra teria rompido a fronteira do bom gosto.

O "black is beautiful", em sua primeira encarnação, teve sucesso parcial. São resultados dele filmes de Hollywood com atores negros (embora raramente, talvez nunca, o casal romântico), modelos negras nas passarelas, apresentadores negros na TV americana. O Brasil foi atrás. Mas o movimento ancorava-se na afirmação negra pela diferença, não pela igualdade. Seu ponto de honra era a trancinha rastafári. Seu ideal de sociedade, uma utopia situada em algum ponto entre o socialismo e a fantasia regressista de uma África onde um dia todos foram bons e iguais. Por isso mesmo, o primeiro "black is beautiful" encontrou seu limite; sua opção fora pela marginalidade.

Esta fase 2, encarnada por Obama, tem como principal característica a renúncia à marginalidade. Obama chega sem trança rastafári e sem utopias. É no centro do sistema que vai operar. E é no centro do centro do centro, ou seja, a residência/escritório conhecida como Casa Branca, que o mundo verá alocada a função a ser protagonizada pelo casal negro Barack e Michelle Obama, pelas filhas negras Malia Ann e Natasha ("Sasha") e, eventualmente, por irmãos, pais, cunhados, primos e outros parentes negros do casal. Desde John Kennedy, não há família presidencial que chame mais atenção. O primeiro "black is beatiful" de certo modo coonestava a fórmula "iguais mas separados" em que se assentava a discriminação legal nos EUA. Os negros queriam se impor por modas, costumes e valores próprios. O "black is beautiful", fase 2, ataca pelo lado oposto. A família Obama apresenta-se como igual a todas as famílias americanas de classe média bem-sucedidas, só que negra.

A feição que a revolução do gosto assume com Obama é fruto de sua estratégia política. Decorre do fato de ele se ter recusado a concorrer como "candidato dos negros". Nem por isso tem menor potencial transformador, nos EUA como no Brasil e no resto do mundo. No Brasil, sempre atrasado, ainda faltam negros não só no centro do poder. Sua ausência é mais notória ainda nos melhores bairros (a não ser como empregados), nos melhores restaurantes, nos melhores shopping centers (nos dois casos, até mesmo como empregados), nas festas e recepções da classe média para cima, na própria classe média. Mas a menina negra brasileira a partir de agora verá no Jornal Nacional as pequenas Malia e Sasha e – milagre – não sentirá, a rebaixá-la, a diferença de cor. Não é pouca coisa.

PARA...HIHIHIHI

Telefonema urgente do S.U.S.

O telefone toca e a dona da casa atende Alô! Sra.Silva, por favor

É ela. Aqui é Dr. Arruda do Laboratório. Ontem,quando o médico enviou a biopsia do seu marido para o laboratório, uma biopsia de um outro Sr. Silva chegou também e agora não sabemos qual é do seu marido e infelizmente, os resultados são ambos ruins... O que o senhor quer dizer? Um dos exames deu positivo para Alzheimer e o outro deu positivo para AIDS. Nós não sabemos qual é o do seu marido. Nossa! Vocês não podem repetir os exames? O SUS somente paga esses exames caros uma única vez por paciente. Bem, o Sr. me aconselha a fazer o que? O SUS aconselha que a senhora leve seu marido para algum lugar bem longe da sua casa e o deixe por lá. Se ele conseguir achar o caminho de volta, não faça mais sexo com ele.

COLUNA PAINEL

Rei do gado


Folha de S. Paulo - 15/11/2008
 

Apontada no novo relatório da PF sobre Daniel Dantas como eixo de um esquema de lavagem de dinheiro, a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, no Pará, já era investigada sigilosamente pelo Ministério Público em Marabá antes da Operação Satiagraha.
Em três anos de atividade no ramo, a empresa do grupo Opportunity tornou-se um dos maiores projetos pecuários do mundo, negócio de mais de R$ 1,5 bi. O rebanho, hoje em torno de 500 mil cabeças, teve multiplicação relâmpago, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará. À frente do pólo de 18 fazendas está Carlos Rodemburg, ex-cunhado de DD. Para resolver pendências com o governo estadual, ele recorreu ao petista Luiz Eduardo Greenhalgh.

Freio
Integrantes da CPI dos Grampos notaram arrefecimento na disposição investigativa do presidente da comissão, Marcelo Itagiba (RJ), desde que o nome do deputado passou a freqüentar a lista de peemedebistas que poderiam suceder Tarso Genro (PT) no Ministério da Justiça.

Álibi
Sob ataque de seu próprio partido, o PMDB, José Temporão (Saúde) fará na quinta-feira uma prestação de contas do combate à dengue, destacando que foram gastos neste ano R$ 200 mi a mais do que em 2007. O subtexto é que não convém trocar o ministro bem na época de maior incidência da doença.

A prazo
Temporão e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), marcaram para terça-feira uma conversa a ser mediada pelo presidente do partido, Michel Temer. Devem acertar uma trégua na queda-de-braço pelo menos até o final do ano.

Minha obra
Na revista de 16 páginas que mandou distribuir aos deputados como parte de sua campanha à presidência da Câmara, Temer lista, como realizações dos quatro anos em que já esteve à frente da Casa (1997-2001), aumento de 100% na verba de gabinete e de 42,51% na cota de correios e telefone.

Vamos ver
Apesar de seu partido ter declarado apoio a Temer, Fernando Gabeira (PV-RJ) diz que não está fechado com a candidatura. Vai reunir a "terceira via", grupo de cerca de 30 deputados, antes de tomar sua decisão.

Na manga
Os principais jogadores da eleição na Câmara acham que as cartas ainda não estão todas postas. Dizem que um nome alternativo ainda vai surgir, seja ou não o de Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Inconfidência 1
Corrente dominante no PT de Minas, a Articulação encerrará seu encontro em Contagem, amanhã, com apoio formal a Dilma Rousseff para presidente e Patrus Ananias para governador. Sobrarão críticas a Fernando Pimentel, que se aliou aos tucanos em BH e disputa com o ministro do Desenvolvimento Social a vaga petista na sucessão de Aécio Neves.

Inconfidência 2
Sob influência de Patrus, o diretório estadual analisará no dia 29 um pedido de intervenção no de BH, controlado por Pimentel. Alega-se que o prefeito desobedeceu a direção nacional do PT ao se aliar a Aécio.

Currículo
Acusado em 2003 de pedir à PM que suspendesse ação contra o tráfico, o deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB) deve ser o novo secretário de Esportes do Rio. 

Memória
A Presidência lança na quarta-feira um portal de internet com dados demográficos e econômicos dos 5.563 municípios brasileiros. Também serão listados os recursos repassados a cada um em programas federais. 

Geografia
Em seminário na Itália sobre o PAC, o governador André Puccinelli explicou à platéia a localização de seu Estado: "Há no Brasil dois Mato Grosso. Um ao norte, o bruto, e outro ao sul, o belo. Este é o meu".

Tiroteio

"A Anac é símbolo de má gestão. Descumpriu critérios e regras nos aeroportos, e a única coisa que fez foi colaborar para o recorde de duas tragédias na aviação em dez meses."
Do deputado 
VANDERLEI MACRIS (PSDB-SP), sobre o laudo do Instituto de Criminalística que relaciona sucessivas falhas da Agência Nacional de Aviação Civil no acidente com o Airbus da TAM em Congonhas.

Contraponto

Amigo virtual

Eleito em segundo turno para a Prefeitura de São Luís, João Castelo encerrava sua campanha no bairro de Cidade Olímpica, na periferia da capital maranhense, onde se gabava de ter construído 7.500 casas populares quando governador (1979-1982). A dada altura da caminhada, o tucano foi abordado por uma jovem:
-Doutor Castelo, posso tirar uma foto com o senhor?
O candidato concordou prontamente, posou solícito ao lado da eleitora e achou que o assunto estava resolvido, mas na seqüência ela fez um novo pedido:
-E eu posso por essa foto no meu Orkut?

"DEPRÊ"



CLÓVIS ROSSI

Quanto dura o pior?


Folha de S. Paulo - 15/11/2008
 

Fátima Bernardes e William Bonner vão despejando uma catarata de más notícias sobre os telespectadores do "Jornal Nacional" da quinta-feira. Na essência, são as mesmas que comporão a capa desta Folha no dia seguinte: é juro do cheque especial que atinge o maior nível em cinco anos, é a inadimplência que dá um salto, é a indústria que corta 10 mil vagas. 
Minha mulher ouve, olha para mim com olhar melancólico e diz: "Fazia tempo que a gente não ouvia essas coisas, né?". 
Para quem lê a 
Folha regularmente, não chega a ser uma surpresa. Vinicius Torres Freire já escreveu faz algum tempo, lá no seu espaço do caderno Dinheiro, que "o melhor já passou". Só faltou acrescentar: "É bom, não foi?". 
O "melhor" nem conseguiu ser o tal espetáculo do crescimento que o presidente da República, em seu ufano-voluntarismo, prometeu ainda no primeiro ano de seu mandato, em 2003. 
A rigor, nem os 5,4% do ano passado -um bom resultado, é verdade- bastam para caracterizar um espetáculo, quando se sabe o quanto os outros emergentes cresceram nesses anos de bonança internacional, agora página virada. 
O pior é que ninguém sabe verdadeiramente quanto tempo e quão profundo será o pior desenhado nas competentes vozes de Bonner e Fátima e nas páginas dos jornais. 
Tem gente que inverte "o melhor já passou" do Vinicius para dizer que o pior é que já passou. 
Mas é chute, como o próprio Lula indiretamente admitiu outro dia, em Roma, ao dizer que esperava pouco da cúpula deste fim de semana em Washington porque ninguém tem um diagnóstico completo da crise.
Se ninguém sabe como, exatamente, é a doença, menos ainda saberá da sua evolução. 
Acho melhor mudar para a ESPN ou para a ESPN Brasil e ver o Barça jogar. Só tem "melhor".

SÁBADO NOS JORNAIS

Folha: Zona do euro já está em recessão

 

Estadão: G20 estuda criar grupo para vigiar grandes bancos

 

JB: Economia européia cai e preocupa o Brasil

 

Correio: Vem aí a taxa ambiental do Detran

 

Valor: FMI alerta para o "efeito bumerangue" na crise

 

Gazeta Mercantil: Crise faz crescer 20% as disputas contratuais

sexta-feira, novembro 14, 2008

PARA...HIHIHIHI

Relato da esposa

Terminado meu banho, lá estou eu na frente do espelho, comentando com meu marido que acho meus seios pequenos demais.

Ao invés do esperado "imagina, não são não", ou de uma promessa de cirurgia para aplicação de silicone, ele me vem com uma sugestão insólita:

- Pode parecer estranho, mas eu já vi funcionar. Se quiser aumentar seus seios, pegue todos os dias um pedaço de papel higiênico e esfregue-o entre eles durante alguns segundos.

Aquilo parecia uma brincadeira sem graça, ou uma simpatia sem qualquer fundamento científico - ainda mais para mim. Mas, disposta a tentar qualquer coisa, pego um pedaço de papel higiênico, fico na frente do espelho e começo a esfregá-lo entre meus seios para ver o resultado da estranha dica!

- Quanto tempo demora para funcionar? - eu pergunto.

- Claro que não é um negócio automático, bem! Eles vão aumentar de tamanho ao longo de alguns anos. - responde meu marido.

Parei e, meio que me sentindo idiota, perguntei:

- Você realmente acha que esfregar um pedaço de papel higiênico entre meus seios todos os dias vai fazer aumentá-los em alguns anos?

Sem hesitar um segundo e às gargalhadas, ele diz: - Funcionou com a sua bunda, não funcionou???

Notícias do marido
Está respirando ainda com a ajuda de aparelhos e, talvez, com muita fisioterapia, até que volte a andar novamente
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"ANJA GOSTOSA"

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NELSON MOTTA

Quem come quem

Em inglês, francês, espanhol, italiano, alemão ou japonês não existe uma expressão equivalente a “comer”, significando relação sexual.

Só em português, mais especificamente em brasileiro.

Aqui, o macho predador não faz amor ou apenas sexo: devora a sua presa. Mas depois do feminismo as brasileiras modernas também adotaram a expressão para suas conquistas.

Surpresos e intimidados, os homens ouviram a temida e desejada ameaça: vou te comer! Certamente essa expressão tão brasileira está em sintonia com o conceito de “antropofagia cultural”, lançado por Oswald de Andrade em 1928 e retomado no transe de 1968.

Na época, acreditamos fervorosamente que o nosso destino e vocação— desde 1556, quando o bispo Sardinha foi comido pelos caetés — era devorar a cultura colonizadora, digeri-la e transformála em brasileira e revolucionária.

Em 2008, no mundo globalizado e interligado, com as culturas nacionais interagindo e se misturando, com a fusão de linguagens e gêneros, com os samplers, a computação gráfica e todas as maravilhas da era da informação e das comunicações, não há nada mais anacrônico do que a idéia de antropofagia cultural. Porque hoje qualquer cultura nacional come e é comida, querendo ou não: a “antropofagia” é inevitável e óbvia.

Quanto tempo perdido teorizando sobre Villa-Lobos ou Tom Jobim “comendo” Bach, Debussy ou Cole Porter para produzir uma música brasileira internacional.

Ou Niemeyer degustando Le Corbusier para inventar a arquitetura moderna. Ou Nelson Rodrigues pumamando em Dostoiévski para criar uma dramaturgia tijucana e universal.

A pobre cultura nacional, provinciana e colonizada, ou “antropofágica e antiimperialista”, não tem nada com isso: os méritos são exclusivamente do talento individual desses raros criadores nativos.

Poucos acreditaram tanto nessa bobagem de “antropofagia” como eu. Levamos a sério a piada do velho Oswald, por ela aceitamos muita empulhação. Quantas vezes diverti amigos estrangeiros, embora falasse a sério, exaltando essa esdrúxula teoria como um diferencial da arte brasileira. Como se pode ser tão bobo tanto tempo?

DORA KRAMER

Luvas de pelica

O Supremo Tribunal Federal passou duas reprimendas no Congresso. Elegantes, mas muito bem passadas: confirmou a inconstitucionalidade do troca-troca de partidos e ressaltou que tomava posição a respeito porque o Legislativo é inerte.


Mostrou-se também debochado ao reagir marcando para o quanto antes sua decisão sobre a fidelidade partidária, mas no sentido oposto ao da Constituição: abrindo um espaço para mudanças sem justa causa.

Ou melhor, em causa própria.

Ao contrário do sofisma invocado como justificativa para a liberalidade, não há vedação total a mudanças de partidos. No entendimento do STF, são perfeitamente aceitas quando há criação, fusão ou incorporação de partidos, reiterados desvios em relação ao programa original da legenda ou em casos de discriminação grave contra o filiado - esteja ou não no exercício de um mandato.

Mas o Parlamento não se contenta com isso, no que é acompanhado pelo Palácio do Planalto. Ou vice-versa. Ambos querem mesmo recuperar o poder de fazer os partidos funcionarem ao ritmo das sanfonas, inflando uns e desinflando outros, de acordo com as necessidades do Executivo.

A regra tal como está garante a liberdade de trânsito entre legendas por motivação doutrinária, mas veda aquelas trocas orientadas pelo pragmatismo, no pior e mais pejorativo sentido do termo.

A Justiça expôs as coisas com toda a clareza e muita paciência. O TSE tomou a primeira decisão em março de 2007, o Supremo confirmou a sentença em outubro, no início de 2008 o tribunal eleitoral reiterou a decisão no exame de um caso concreto no início de 2008 e agora acaba de dar o que se imaginava seria a última palavra antes de o Parlamento cumprir o ditame legal.

Mas, não. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, de pronto pediu tempo para "entender a decisão" e 24 horas depois resolveu repreender o presidente do TSE por ter o ministro Carlos Ayres Britto tido a ousadia de se referir à lentidão do Legislativo no cumprimento de suas tarefas.

Sugeriu que a Justiça carecia de moral para falar sobre demoras nos outros Poderes e ponderou que os parlamentares não costumam fazer o mesmo em relação à morosidade do Judiciário.

Ora, a lentidão da Justiça há muito é assunto recorrente, abordado em toda parte - no Legislativo, inclusive - e já diagnosticado como produto de uma estrutura ultrapassada sob todos os aspectos. Diferente da vagarosidade deliberada e seletiva do Congresso.

Ali as coisas acontecem à velocidade das vontades. Tomemos o próprio caso da fidelidade. O Congresso empurra o assunto com a barriga há mais de 15 anos, mas, quando o Judiciário toma uma decisão contrária aos interesses dos parlamentares num instante eles arrumaram tempo, esforço e consenso para quebrar a austeridade da regra original.

Quando querem, fazem, quando não querem ficam parados ou, como no caso da fidelidade, desfazem. O Parlamento optou por se atritar com o Judiciário na questão. Perdeu, por cabeça torta e vista curta, a chance de ganhar um pouco de moral.

Oficialmente

Não é nada trivial, ao contrário, é singularmente espantosa a declaração do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, de que a corrupção grassa na Fundação Nacional de Saúde.

Temporão não contou nenhuma novidade, mas admitiu sua incapacidade de intervir no funcionamento da Funasa. Ao mesmo tempo, deu recibo oficial às denúncias sobre desvios de dinheiro na fundação comandada pelo PMDB - mais especificamente por um afilhado do senador Renan Calheiros - e ainda se pôs na condição de cúmplice do partido ao qual é filiado.

O ministro falou de manhã durante uma reunião com índios, cuja política de saúde é executada pela Funasa, tentou consertar a declaração à tarde, mas era tarde.

Inverossímil a desculpa de que havia se referido a gestões passadas diante da afirmativa anterior: "As denúncias de escândalo, corrupção, desvio de dinheiro estão todos os dias na imprensa. A situação é muito grave, não podemos deixar como está, temos de mudar".

Seria o caso de o chefe - o presidente da República, não o do PMDB - chamá-lo para esclarecer o que se passa: se há no comando da pasta da Saúde um ministro leviano ou se está lá um homem honesto premido pelas circunstâncias a resistir no cargo a fim de proteger o restante do ministério da sanha dos fisiológicos.

Na segunda hipótese, o herói da resistência receberia todo apoio de cima para desbaratar a referida gang que seria presa numa espetacular operação da Polícia Federal, e expulsa do PMDB com humilhação.

Isso no mundo irreal. No real, Temporão deverá apresentar suas desculpas, atribuir o desabafo a um mal-entendido dos jornais, enquanto o PMDB aproveita o ensejo para espalhar boatos sobre sua insatisfação com o desempenho do ministro.

Dia seguinte a vida segue como se nada houvera.

CANALHICE


SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Senado já ameaça devolver MP que perdoa filantrópicas

 

Folha: Indústria fecha vagas e inadimplência cresce

 

Estadão: Perícia aponta falhas de TAM, piloto, pista e Anac em acidente

 

JB: Dengue volta a matar

 

Correio: Crise reduz emprego e bancos elevam juro

 

Valor: FMI alerta para o "efeito bumerangue" na crise

 

Gazeta Mercantil: Crise faz crescer 20% as disputas contratuais

 

Estado de Minas: DNIT multa seus próprios carros e ainda dá calote

quinta-feira, novembro 13, 2008

PETISTAS NO SERVIÇO PÚBLICO


SEM O MENOR PUDOR

'Pilantrópicas' perdoadas

O Estado de S. Paulo - 13/11/2008
 

Em surdina, como convém às decisões oficiais que têm o que esconder, o presidente Lula editou, na segunda-feira, uma medida provisória (MP) que representa um verdadeiro trem da alegria para as entidades filantrópicas - ou “pilantrópicas”, como costumam ser chamadas - ameaçadas de perder o direito à isenção fiscal por suspeitas de irregularidades. Com a canetada presidencial, pelo menos 2.274 dessas entidades, de um total de 5.630 registradas no País, tiveram automaticamente renovados os certificados que as dispensam de pagar CSLL, PIS, Cofins e contribuição previdenciária patronal. A renúncia fiscal - da ordem de R$ 4,4 bilhões no ano passado - é a contrapartida pelo presumível trabalho das organizações sem fins lucrativos, em parceria com o poder público, nas áreas de saúde, educação e assistência social. Os certificados eram concedidos e renovados pelo Conselho Nacional de Assistência Social (Cnas), do Ministério do Desenvolvimento Social. Doravante, essa função será exercida pelos Ministérios dos setores de atuação das filantrópicas. 

A mudança, em si, é salutar. Em março último, depois de quatro anos de investigações, a Operação Fariseu, da Polícia Federal, revelou que, em troca de propinas, um punhado de integrantes do Cnas, incluindo dois de seus presidentes, participou de um esquema de concessão fraudulenta de certificados em ampla escala, que custaram ao erário R$ 2 bilhões, no mínimo, em impostos sonegados. Só que, a pretexto de desonerar das pendências acumuladas no Conselho os Ministérios que o substituirão na fiscalização das filantrópicas - e que, incidentalmente, terão de se equipar para tanto -, o governo passou a borracha sobre um passado de trapaças, consagrando a bandalheira para todos os efeitos práticos. Além de determinar a aprovação pura e simples dos pedidos de certificação ainda sob exame no Cnas em 8,3 mil processos, a medida provisória cancelou sumariamente os recursos da Receita Federal e da Previdência contra entidades suspeitas de não fazer por merecer as isenções tributárias e, além disso, concedeu certificados àquelas que os tiveram negados e vinham recorrendo da decisão. Como diria Lula, “a cada dia aparece um buraco”.

“Era preciso zerar o jogo”, alegou, com surpreendente naturalidade, a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social, Arlete Sampaio. “Depois a Receita poderá recorrer novamente”, observou, como se o Supremo Tribunal Federal (STF) já não tivesse decidido contra a cobrança de dívidas oriundas de irregularidades cometidas há mais de cinco anos. De todo modo, antes de se consumar, a escandalosa anistia enfrentou resistências dentro do próprio governo, ao que noticiou ontem este jornal. Um dos ministros envolvidos nas discussões, contrário à MP em preparo, argumentou que a impunidade acarretaria aos cofres públicos um prejuízo muito maior do que o estimado, algo como R$ 5 bilhões - o montante que as falsas filantrópicas teriam de devolver em impostos não pagos. Para o procurador da República Pedro Antonio Machado, responsável pela denúncia contra, entre outros, os ex-conselheiros apanhados pela Operação Fariseu, não há duas interpretações possíveis sobre o ato do governo.

“A quem a medida beneficia? A quem fraudou, ou seja, àquelas entidades que hoje já não atendem aos requisitos legais para serem consideradas filantrópicas”, deplora. O que mais o surpreende é o fato de o governo ter livre acesso aos documentos da operação da Polícia Federal, podendo portanto identificar as falsas filantrópicas. “As certificações estão sob suspeita e aí se concede isto?”, indaga. “Uma anistia nesse caso é extremamente temerária”, comenta a senadora Lúcia Vânia, do PSDB de Goiás, integrante da CPI das ONGs, que investiga também a conduta das filantrópicas - um setor cercado de denúncias, em que pese a presença de instituições de educação e saúde dedicadas, honestas e competentes. “Acredito que o governo não atinou para o enorme problema que está sendo criado”, imagina a senadora. O Ministério Público Federal, em Brasília, examina a possibilidade de ir à Justiça para anular a MP, por descumprir o artigo 195 da Constituição, que vincula a isenção fiscal a exigências estabelecidas em lei.

O IDIOTA


quarta-feira, novembro 12, 2008

AUGUSTO NUNES

Eles só queriam trocar de ditadura

"AINDA BEM QUE A GENTE NÃO CHEGOU AO PODER,

porque, se isso acontecesse, teria de devolver no dia seguinte", sorriu Vladimir Palmeira no meio do debate promovido na noite de lançamento do livro de Evandro Teixeira sobre a Passeata dos 100 Mil. "A gente não tinha preparo para governar país nenhum, todo mundo sabia muito pouco", admitiu. Se parasse por aí, o carismático alagoano que comandou os estudantes do Rio nos barulhos de 1968 teria resumido com elogiável precisão o estado geral do Brasil daqueles tempos. Mas Vladimir continua, 40 anos depois, louco por um microfone. E desandou na fantasia: "A gente não tinha nem mesmo um projeto de poder". Os líderes tinham, sim, e Vladimir era o primeiro entre eles. Quem não tinha era a "massa de manobra", como se referiam os chefes à multidão dos anônimos, obedientes às ordens emanadas da comissão de frente, dos chefes de alas ou dos padrinhos da bateria. O rebanho queria a ressurreição da democracia. Os pastores queriam outra coisa, confirma Daniel Aarão Reis, ex-militante do MR-8, ex-exilado e hoje professor de história da Universidade Federal Fluminense. "As esquerdas radicais não queriam restaurar a democracia, considerada um conceito burguês, mas instaurar o socialismo por meio de uma ditadura revolucionária", fala de cadeira Aarão Reis, que no fim da década de 60 foi o principal ideólogo de uma dissidência do PCB que seria o embrião do MR-8. Mas Aarão Reis, como Fernando Gabeira, é daqueles que se preparam a vida inteira para a vida inteira, e são sempre contemporâneos do mundo ao redor. Para ele, 1968 estendeu-se além de dezembro, mas terminou. O historiador enxerga com nitidez o que a maioria dos antigos líderes, todos sessentões mas ainda estacionados nos anos de chumbo, nem parecem vislumbrar. "Não compartilho da lenda segundo a qual fomos  faço questão de me incluir  o braço armado de uma resistência democrática", constata. "Não existe um só documento dessas organizações que optaram pela luta armada que as apresente como instrumento da resistência democrática". A dissimulação prevalecia também nos cursinhos intensivos que formavam em marxismo-leninismo jovens que jamais passavam da terceira vírgula de O
Capital. Só na entrega do diploma
o monitor avisava que, depois da ditadura militar, viria a do proletariado, que substituiria a bala o capitalismo cruel. Os alunos, pinçados na "massa de manobra", não descobriam de imediato que estavam lutando por um regime tão infame quanto o imposto ao Brasil. Os líderes não eram assim tão jovens: quem está perto (ou já passou) dos 25 anos não tem direito a molecagens e maluquices. E todos ficavam sob as asas de tutores com larga milhagem. Tão duros com o rebanho, os pastores obedeciam sem chiar aos comunistas veteranos que chefiavam as seitas. O sessentão Carlos Marighela, por exemplo, ensinava aos pupilos da ALN a beleza que há em "matar com naturalidade", ou por que "ser terrorista é motivo de orgulho". Deveriam orgulhar-se da escolha feita quando confrontados com a bifurcação a bifurcação escavada pelo AI-5, cumprimentava o mestre. A rota à esquerda levava à frente de batalha onde guerreiros apoiados pelo povo aniquilariam o exército da ditadura. Vergonha deveriam sentir os que enveredaram pela caminho à direita, que desembocava na capitulação ultrajante. Surdos aos equivocados profissionais, os que se mantiveram lúcidos desbravaram uma terceira trilha e alcançaram o acampamento da resistência democrática. Estivemos certos desde sempre. Desarmados, prosseguimos a guerra contra o inimigo que os derrotara em poucos meses. E a resistência democrática venceu. Nós lutamos pela implosão dos porões da tortura. Eles estavam longe quando Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho foram executados. E longe continuavam quando militares ultradireitistas tentaram trucidar a abertura política. Eles só voltaram do exílio e escaparam do cárcere porque nós conseguimos a Anistia. A lei deve ser revista? Problema dos vitoriosos, que somos nós. Não deles, os que perderam todas, perderam tudo  menos a arrogância. Nós ressuscitamos a democracia. Eles se fantasiam de feridos de guerra. Exigiram empregos, indenizações, mesadas. Agora tentam expropriar a Anistia. Nós não lhes devemos nada. Eles nos devem até vida.

BRASIL


QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Governo reabilita 2.274 filantrópicas suspeitas

 

Folha: SP libera R$ 4 bi para montadoras

 

Estadão: Serra e Aécio lançam pacotes de incentivo para empresas

 

JB: 13º salário vai injetar R$ 78 bi na economia

 

Correio: Remédio mais caro por causa da crise

 

Valor: Projetos irreversíveis no BNDES somam R$ 64 bi

 

Gazeta Mercantil: Empresas do Ibovespa cotadas abaixo do valor patrimonial

 

Estado de Minas: Vereadores já batem de frente com Lacerda

terça-feira, novembro 11, 2008

NATAL-BALANÇO DO DIA

CRISE?


MÓNICA BÉRGAMO

Na sala com Madonna


Folha de S. Paulo - 11/11/2008
 

O presidente Lula e a cantora Madonna devem se encontrar assim que ela desembarcar para turnê no país.
Interlocutores negociam uma visita da cantora a Brasília.

DEU
A mulher do delegado Protógenes Queiroz, Heloísa, pediu que ele deixe a Polícia Federal depois que a poeira da Operação Satiagraha baixar.

ESTRANHO AMOR 1
"Traição." Esta era a palavra mais suave que se ouvia há alguns dias entre os petistas do grupo do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, quando falavam sobre Aécio Neves, a quem se aliaram na eleição municipal e que bateu pesado no partido e em Lula na semana passada ao afirmar que seria "perverso" mais quatro anos "disso que está aí".

ESTRANHO AMOR 2
Pimentel diz que "muita gente ficou indignada mesmo". A revolta, no entanto, teria sido estancada. "O Aécio se desdisse, ele desmente que tenha dito isso." E o prefeito diz que "daria um desconto" ao governador, que deu as declarações num encontro com deputados do PSDB. "Ele estava no meio de tucanos e tinha que agir como tucano." Pimentel diz que Aécio nunca fala mal do presidente Lula, "nem pra mim nem pra ninguém".

AO VIVO
A primeira-dama, Marisa Letícia, volta a aparecer publicamente -e sem Lula - no fim do mês. Ela vai receber autoridades internacionais que desembarcam no Brasil para o Congresso de Combate à Exploração Sexual Infantil. A rainha Silvia, da Suécia, já confirmou presença.

SUAVIZANDO O BLOG

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ELIANE CANTANHEDE

Quem não brinca em serviço


Folha de S. Paulo - 11/11/2008
 

Parte da Polícia Federal e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) investiga banqueiros e ricos em geral, à revelia de seus comandos diretos. Outra parte se rebela e... passa a investigar quem investiga. No final, todo mundo grampeia todo mundo.
Mais ou menos como na ditadura militar em Goiás, quando só havia três categorias de políticos: os que cassaram, os que foram cassados e os que cassaram e foram cassados.
Depois de 40 anos, o mesmo ocorre com o delegado Protógenes, que perseguiu e agora está sendo perseguido; invadiu casas num dia e teve a sua casa invadida no outro.
Ele grampeava uns jornalistas, seus inimigos na PF grampeiam outros -aliás, sem autorização judicial.
Se a PF está em pé de guerra, a Polícia Civil de São Paulo é capaz de tentar sitiar o Palácio dos Bandeirantes, e as várias polícias do Rio, de Pernambuco, de Rondônia... parecem tão fora de controle quanto a própria violência urbana.
Enquanto isso, o governo federal infla os gastos com o funcionalismo (a segunda maior despesa da União, só atrás da Previdência Social, conforme a 
Folha), e os órgãos de elite fazem concursos para multiplicar suas vagas (no Senado, no Ipea, no TCU...). Mas as polícias nem recebem aumento nem têm juízo, confrontam-se umas com as outras e aprendem a fazer greves sem deixar as armas em casa.
Os bandidos fazem a festa. Exemplo: uma quadrilha assaltou a delegacia de entorpecentes em Botucatu (SP), arrombou o cofre, levou armas e drogas apreendidas e botou fogo na papelada sobre criminosos.
Para completar o serviço com chave de ouro, explodiu a sede da delegacia, que voou pelos ares, levando o que resta de orgulho e de amor-próprio nas nossas polícias. Coisa de mestre, uma operação para bandido nenhum botar defeito, e confirma aquela nossa velha sensação: alguém está ganhando essa guerra. E não é o Estado.

DORA KRAMER

Caso de tolerância

O Estado de S. Paulo - 11/11/2008
 
Os dados da pesquisa encomendada meses atrás pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República à Universidade de Brasília para medir o apego do brasileiro aos bons costumes de natureza pública começam a ser divulgados sem revelar grandes surpresas.

A maioria se considera ética, mas admite que já deixou de cumprir a lei; metade contrataria parentes se pudesse ter acesso a uma "boquinha" e boa parte usaria dinheiro público para despesas pessoais se tivesse um cartão corporativo. 

O fato de não serem surpreendentes, porém, não torna esses dados menos deploráveis. 

"Se pudesse resumir a pesquisa em uma frase, eu diria que a sociedade brasileira não sabe separar o público do privado", afirma Ricardo Caldas, da Faculdade de Ciência Política da UnB e coordenador do estudo que ouviu 1.027 servidores públicos e 1.767 profissionais da chamada sociedade civil sobre os mais diversos tipos de comportamento: do nepotismo ao ato de furar uma fila, passando pelo hábito de pagar ou receber propinas.

Genericamente, o quadro captado pela pesquisa foi o da tolerância em relação a condutas desviantes, principalmente quando desvio em questão rende benefício ao interessado. Reflexo, segundo Caldas, do em tese condenado, mas, na prática ultra arraigado "jeitinho" mediante o qual as pessoas adaptam suas demandas à ineficácia do poder público e daí, transportam essa mentalidade para tudo o mais. 

Havendo vantagem objetiva, vale tudo. Na essência, justamente o sentimento que presidiu as relações entre governo e sociedade depois de o PT ter se envolvido em escândalos de corrupção, mas o presidente Luiz Inácio da Silva ter saído incólume em virtude da satisfação geral com a economia.

Não há na pesquisa nada de novo exatamente porque o desapreço à ética na escala de prioridades do cidadão já ter sido recentemente submetido a teste semelhante.

Por isso mesmo resta em aberto a destinação que a Comissão de Ética Pública da Presidência pretende dar à pesquisa. O estudo foi pedido para avaliar o padrão ético do brasileiro e, com base nas informações, propor ao presidente Lula o aperfeiçoamento do Código de Conduta da Alta Administração Federal. 

Código este constantemente ignorado por ministros que, sob o aval do presidente, se insurgem contra as exigências da comissão. Se hoje são ignoradas, por que haveriam de ser respeitadas, uma vez aprimoradas? 

A menos que a idéia seja adequar o código ao baixo padrão de exigência, pois estatísticas se prestam a qualquer uso, dependendo do interesse do freguês. 

Polícia política

Em algum momento indefinido da história os políticos passaram a freqüentar casos de polícia com assiduidade, a ponto de hoje não causar espécie a presença de excelências nos inquéritos. 

Já a transformação da polícia (federal) num caso explícito de política tem um marco preciso, ou melhor, dois: o primeiro e o segundo governos Luiz Inácio da Silva. 

De 2003 ao início de 2007, sob o comando de Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça, a PF usou a vestimenta "republicana" com a qual foi usada como exemplo da firme disposição do presidente Lula em combater a corrupção. 

As antigas brigas de grupos existiam, mas naquele período ficaram restritas ao âmbito interno por conta da habilidade do criminalista Thomaz Bastos em dar ao terreno já minado uma aparência de corporação unida em torno de um objetivo altivo de governo.

Com a saída do advogado e a entrada do militante partidário Tarso Genro no Ministério da Justiça, as desavenças foram deixadas ao sabor das vaidades alimentadas pela notoriedade da primeira fase e o ambiente se deteriorou completamente.

É quase unânime a tendência de atribuir a confusão ao descontrole do governo sobre a estrutura da PF. De fato, as coisas andam obviamente descontroladas no aparato de segurança oficial. 

Mas o perfil do descontrole depende do ponto de vista do orador. A tendência da maioria é atribuir a confusão vigente à incapacidade do governo de impor sua autoridade hierárquica ao funcionamento da PF frente à independência dos diversos grupos, nesta versão largados à própria sorte. 

Há, no entanto, uma outra hipótese: a de que a deformada autonomia seja conseqüência não da carência, mas do excesso de presença do governo no controle político sobre as ações da PF que, por equívocos estratégicos cometidos nessa fase de corte nitidamente ideológico do Ministério da Justiça, tiveram as vestes desprovidas da etiqueta "republicana". 

Mal comparando

A Polícia Federal vai ficando muita parecida com a imagem do Ministério Público anos atrás. Protógenes inclusive é um sério candidato a sucessor de Luiz Francisco.

UM ENGODO


O Globo - 11/11/2008
 

O que parecia uma estocada isolada de dois altos funcionários do governo, que se esgotaria nela mesma pela flagrante inconsistência jurídica da proposta, voltou a se repetir, e já é um dos assuntos espinhosos para o presidente Lula administrar. Quando os ministros Tarso Genro, da Justiça, e Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, defenderam a condenação de dois coronéis acusados de tortura e homicídio, atropelando a Lei da Anistia, aquilo foi creditado ao possível interesse dos dois de reforçar as respectivas biografias junto às forças de esquerda, por alguma razão político-eleitoral. 

Mas a afronta à lei foi além. Até um parecer da Advocacia Geral da União, organismo de Estado e não de governo, acertadamente redigido com base na Lei da Anistia, para defender o poder público - também réu na ação que entidades de ex-presos políticos movem contra os coronéis -, passou a ser contestado por Tarso Genro e Vannuchi - numa interferência no mínimo indevida entre áreas do governo, um ato não coibido como deveria ter sido pelo Planalto. Mesmo o sensato comentário do presidente do Supremo Tribunal, Gilmar Mendes, de que, se tortura é crime imprescritível, como havia afirmado a ministra Dilma Rousseff - dona de uma história na luta armada contra a ditadura militar -, o terrorismo também o é, foi respondido, em público, afrontosamente, por Vannuchi. Assim, a ação dos dois ministros, além de causar conflitos no primeiro escalão do governo - o ministro da Defesa, Nelson Jobim, critica a tentativa de se contestar a Lei da Anistia, algo que afeta diretamente sua área -, passa a conspirar também a favor de um choque entre poderes. 

Tudo isso ocorre por causa do "aparelhismo" do governo Lula, pelo qual grupos e organizações políticas passaram a ser donatários de verdadeiras capitanias na máquina pública, e nelas atuam à margem de parâmetros legais, funcionais e do poder central. É assim no Incra, onde os movimentos sem-terra militam ao bel-prazer, financiados pelo contribuinte como se fossem um braço do serviço público. Genro e Vannuchi parecem atuar também acima de qualquer linha de comando e hierarquia, nessa empreitada contra o acordo político que permitiu ao país começar a sair da ditadura sem violência. Tentam, ainda, passar a visão de que a oposição armada ao regime militar lutava para restabelecer a democracia. Quem viveu aqueles tempos sabe que se trata de um engodo. O objetivo daquelas organizações era substituir a ditadura dos generais pela ditadura dos comissários. 

Não conseguiram, felizmente, e ocorreu a transição negociada para a democracia, selada pela Lei da Anistia. Não se deve esquecer, também, que sobreviventes daquela época trataram de garimpar polpudas reparações e absurdas pensões vitalícias, calculadas de forma cavilosa, capaz de fazer corar famílias de judeus transformados em cinzas nos campos de concentração nazistas, e indenizadas por valores bem mais modestos.

CASA NEM UM POUCO BRANCA


TERÇA NOS JORNAIS

Globo: Obama dá primeiro passo para fechar Guantánamo

 

Folha: Escassez de crédito deve continuar, dizem bancos

 

Estadão: Para BC, aos poucos crédito é retomado

 

JB: Inflação acelera e BC avisa que vai manter juros

 

Correio: Brasília, cidade que espanca mulheres

 

Valor: Após recorde, montadoras prevêem crescimento zero

 

Gazeta Mercantil: Governo estuda usar minério da Vale no pré-sal

 

Estado de Minas: Minas lança pacote anticrise

 

Jornal do Commercio: PM pede ajuda para combater tortura