terça-feira, novembro 11, 2008

SUAVIZANDO O BLOG

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ELIANE CANTANHEDE

Quem não brinca em serviço


Folha de S. Paulo - 11/11/2008
 

Parte da Polícia Federal e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) investiga banqueiros e ricos em geral, à revelia de seus comandos diretos. Outra parte se rebela e... passa a investigar quem investiga. No final, todo mundo grampeia todo mundo.
Mais ou menos como na ditadura militar em Goiás, quando só havia três categorias de políticos: os que cassaram, os que foram cassados e os que cassaram e foram cassados.
Depois de 40 anos, o mesmo ocorre com o delegado Protógenes, que perseguiu e agora está sendo perseguido; invadiu casas num dia e teve a sua casa invadida no outro.
Ele grampeava uns jornalistas, seus inimigos na PF grampeiam outros -aliás, sem autorização judicial.
Se a PF está em pé de guerra, a Polícia Civil de São Paulo é capaz de tentar sitiar o Palácio dos Bandeirantes, e as várias polícias do Rio, de Pernambuco, de Rondônia... parecem tão fora de controle quanto a própria violência urbana.
Enquanto isso, o governo federal infla os gastos com o funcionalismo (a segunda maior despesa da União, só atrás da Previdência Social, conforme a 
Folha), e os órgãos de elite fazem concursos para multiplicar suas vagas (no Senado, no Ipea, no TCU...). Mas as polícias nem recebem aumento nem têm juízo, confrontam-se umas com as outras e aprendem a fazer greves sem deixar as armas em casa.
Os bandidos fazem a festa. Exemplo: uma quadrilha assaltou a delegacia de entorpecentes em Botucatu (SP), arrombou o cofre, levou armas e drogas apreendidas e botou fogo na papelada sobre criminosos.
Para completar o serviço com chave de ouro, explodiu a sede da delegacia, que voou pelos ares, levando o que resta de orgulho e de amor-próprio nas nossas polícias. Coisa de mestre, uma operação para bandido nenhum botar defeito, e confirma aquela nossa velha sensação: alguém está ganhando essa guerra. E não é o Estado.

DORA KRAMER

Caso de tolerância

O Estado de S. Paulo - 11/11/2008
 
Os dados da pesquisa encomendada meses atrás pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República à Universidade de Brasília para medir o apego do brasileiro aos bons costumes de natureza pública começam a ser divulgados sem revelar grandes surpresas.

A maioria se considera ética, mas admite que já deixou de cumprir a lei; metade contrataria parentes se pudesse ter acesso a uma "boquinha" e boa parte usaria dinheiro público para despesas pessoais se tivesse um cartão corporativo. 

O fato de não serem surpreendentes, porém, não torna esses dados menos deploráveis. 

"Se pudesse resumir a pesquisa em uma frase, eu diria que a sociedade brasileira não sabe separar o público do privado", afirma Ricardo Caldas, da Faculdade de Ciência Política da UnB e coordenador do estudo que ouviu 1.027 servidores públicos e 1.767 profissionais da chamada sociedade civil sobre os mais diversos tipos de comportamento: do nepotismo ao ato de furar uma fila, passando pelo hábito de pagar ou receber propinas.

Genericamente, o quadro captado pela pesquisa foi o da tolerância em relação a condutas desviantes, principalmente quando desvio em questão rende benefício ao interessado. Reflexo, segundo Caldas, do em tese condenado, mas, na prática ultra arraigado "jeitinho" mediante o qual as pessoas adaptam suas demandas à ineficácia do poder público e daí, transportam essa mentalidade para tudo o mais. 

Havendo vantagem objetiva, vale tudo. Na essência, justamente o sentimento que presidiu as relações entre governo e sociedade depois de o PT ter se envolvido em escândalos de corrupção, mas o presidente Luiz Inácio da Silva ter saído incólume em virtude da satisfação geral com a economia.

Não há na pesquisa nada de novo exatamente porque o desapreço à ética na escala de prioridades do cidadão já ter sido recentemente submetido a teste semelhante.

Por isso mesmo resta em aberto a destinação que a Comissão de Ética Pública da Presidência pretende dar à pesquisa. O estudo foi pedido para avaliar o padrão ético do brasileiro e, com base nas informações, propor ao presidente Lula o aperfeiçoamento do Código de Conduta da Alta Administração Federal. 

Código este constantemente ignorado por ministros que, sob o aval do presidente, se insurgem contra as exigências da comissão. Se hoje são ignoradas, por que haveriam de ser respeitadas, uma vez aprimoradas? 

A menos que a idéia seja adequar o código ao baixo padrão de exigência, pois estatísticas se prestam a qualquer uso, dependendo do interesse do freguês. 

Polícia política

Em algum momento indefinido da história os políticos passaram a freqüentar casos de polícia com assiduidade, a ponto de hoje não causar espécie a presença de excelências nos inquéritos. 

Já a transformação da polícia (federal) num caso explícito de política tem um marco preciso, ou melhor, dois: o primeiro e o segundo governos Luiz Inácio da Silva. 

De 2003 ao início de 2007, sob o comando de Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça, a PF usou a vestimenta "republicana" com a qual foi usada como exemplo da firme disposição do presidente Lula em combater a corrupção. 

As antigas brigas de grupos existiam, mas naquele período ficaram restritas ao âmbito interno por conta da habilidade do criminalista Thomaz Bastos em dar ao terreno já minado uma aparência de corporação unida em torno de um objetivo altivo de governo.

Com a saída do advogado e a entrada do militante partidário Tarso Genro no Ministério da Justiça, as desavenças foram deixadas ao sabor das vaidades alimentadas pela notoriedade da primeira fase e o ambiente se deteriorou completamente.

É quase unânime a tendência de atribuir a confusão ao descontrole do governo sobre a estrutura da PF. De fato, as coisas andam obviamente descontroladas no aparato de segurança oficial. 

Mas o perfil do descontrole depende do ponto de vista do orador. A tendência da maioria é atribuir a confusão vigente à incapacidade do governo de impor sua autoridade hierárquica ao funcionamento da PF frente à independência dos diversos grupos, nesta versão largados à própria sorte. 

Há, no entanto, uma outra hipótese: a de que a deformada autonomia seja conseqüência não da carência, mas do excesso de presença do governo no controle político sobre as ações da PF que, por equívocos estratégicos cometidos nessa fase de corte nitidamente ideológico do Ministério da Justiça, tiveram as vestes desprovidas da etiqueta "republicana". 

Mal comparando

A Polícia Federal vai ficando muita parecida com a imagem do Ministério Público anos atrás. Protógenes inclusive é um sério candidato a sucessor de Luiz Francisco.

UM ENGODO


O Globo - 11/11/2008
 

O que parecia uma estocada isolada de dois altos funcionários do governo, que se esgotaria nela mesma pela flagrante inconsistência jurídica da proposta, voltou a se repetir, e já é um dos assuntos espinhosos para o presidente Lula administrar. Quando os ministros Tarso Genro, da Justiça, e Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, defenderam a condenação de dois coronéis acusados de tortura e homicídio, atropelando a Lei da Anistia, aquilo foi creditado ao possível interesse dos dois de reforçar as respectivas biografias junto às forças de esquerda, por alguma razão político-eleitoral. 

Mas a afronta à lei foi além. Até um parecer da Advocacia Geral da União, organismo de Estado e não de governo, acertadamente redigido com base na Lei da Anistia, para defender o poder público - também réu na ação que entidades de ex-presos políticos movem contra os coronéis -, passou a ser contestado por Tarso Genro e Vannuchi - numa interferência no mínimo indevida entre áreas do governo, um ato não coibido como deveria ter sido pelo Planalto. Mesmo o sensato comentário do presidente do Supremo Tribunal, Gilmar Mendes, de que, se tortura é crime imprescritível, como havia afirmado a ministra Dilma Rousseff - dona de uma história na luta armada contra a ditadura militar -, o terrorismo também o é, foi respondido, em público, afrontosamente, por Vannuchi. Assim, a ação dos dois ministros, além de causar conflitos no primeiro escalão do governo - o ministro da Defesa, Nelson Jobim, critica a tentativa de se contestar a Lei da Anistia, algo que afeta diretamente sua área -, passa a conspirar também a favor de um choque entre poderes. 

Tudo isso ocorre por causa do "aparelhismo" do governo Lula, pelo qual grupos e organizações políticas passaram a ser donatários de verdadeiras capitanias na máquina pública, e nelas atuam à margem de parâmetros legais, funcionais e do poder central. É assim no Incra, onde os movimentos sem-terra militam ao bel-prazer, financiados pelo contribuinte como se fossem um braço do serviço público. Genro e Vannuchi parecem atuar também acima de qualquer linha de comando e hierarquia, nessa empreitada contra o acordo político que permitiu ao país começar a sair da ditadura sem violência. Tentam, ainda, passar a visão de que a oposição armada ao regime militar lutava para restabelecer a democracia. Quem viveu aqueles tempos sabe que se trata de um engodo. O objetivo daquelas organizações era substituir a ditadura dos generais pela ditadura dos comissários. 

Não conseguiram, felizmente, e ocorreu a transição negociada para a democracia, selada pela Lei da Anistia. Não se deve esquecer, também, que sobreviventes daquela época trataram de garimpar polpudas reparações e absurdas pensões vitalícias, calculadas de forma cavilosa, capaz de fazer corar famílias de judeus transformados em cinzas nos campos de concentração nazistas, e indenizadas por valores bem mais modestos.

CASA NEM UM POUCO BRANCA


TERÇA NOS JORNAIS

Globo: Obama dá primeiro passo para fechar Guantánamo

 

Folha: Escassez de crédito deve continuar, dizem bancos

 

Estadão: Para BC, aos poucos crédito é retomado

 

JB: Inflação acelera e BC avisa que vai manter juros

 

Correio: Brasília, cidade que espanca mulheres

 

Valor: Após recorde, montadoras prevêem crescimento zero

 

Gazeta Mercantil: Governo estuda usar minério da Vale no pré-sal

 

Estado de Minas: Minas lança pacote anticrise

 

Jornal do Commercio: PM pede ajuda para combater tortura

segunda-feira, novembro 10, 2008

CIÚME

PLACA MÃE


A Digitron, uma das maiores fabricantes de chips e placas-mãe do país, vai fabricar mais cinco modelos de placas da Intel a partir de 2009. Hoje, eles já produzem três modelos. As placas são o coração de um computador e de um notebook, onde ficam os circuitos e componentes eletrônicos, quase todos importados.A primeira delas será a Mini ITX, que poderá ser acoplada diretamente em uma TV de LCD ou um monitor, transformando-se automaticamente em um computador."Será o fim daqueles gabinetes gigantescos. Basta comprar a placa e pedir que um técnico faça a junção com o monitor", diz Sung Un Dong, presidente da Digitron, parceira da Intel no Brasil. O preço deve ser de cerca de R$ 230. A produção começa em janeiro e as vendas, em fevereiro. Além disso, segundo Sung, elas gastam menos energia do que as placas convencionais do mercado.

MÓNICA BÉRGAMO

Moral


Folha de S. Paulo - 10/11/2008
 

O ex-prefeito Celso Pitta entra nesta semana com uma ação contra a União pedindo indenização de 2.000 salários mínimos por danos morais que alega ter sofrido na Operação Satiagraha, em que foi preso com o banqueiro Daniel Dantas e com o investidor Naji Nahas.

MORAL 2 
A defesa de Pitta afirma que a prisão teve finalidade de "fazer espetáculo". De acordo com o advogado Ruy Dourado, Pitta já foi até "insultado na rua" depois da prisão. A ação pode ser a primeira de uma série: advogados de outros réus da Satiagraha estudam pedir indenização.

MORAL 3 
A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que manteve o habeas corpus que libertou Dantas e Pitta, será usada pela defesa do ex-prefeito no pedido de ressarcimento.

AO VIVO 
O delegado Protógenes Queiroz vai ao programa "Roda Viva" no próximo dia 24.

Antes disso, estará em Zurique, onde participa de reunião da Comissão de Segurança de Estádios, que integra a convite da Fifa.

E OS OUTROS? 
Um dia depois de a PF vasculhar a casa de Protógenes alegando buscar provas de vazamento da data das prisões da Operação Satiagraha para a TV Globo, o juiz Fausto De Sanctis, que autorizou a prisão de Dantas, depunha na Justiça em outra investigação sobre vazamentos -estes, para os próprios investigados na operação. A investigação foi proposta pelo próprio De Sanctis, que foi ouvido como testemunha.

MORTO-VIVO


SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: PF vai indiciar delegado do caso Dantas por 5 crimes

- Folha: G20 propõe juro menor e gasto maior contra crise

- Estadão: China anuncia US$ 586 bi para enfrentar crise

- JB: G-20 Controle do mercado enfrenta resistência

- Correio: G-20 quer aumentar gastos públicos para conter crise

- Valor: Serra investe mais que o PAC e se arma para 2010

- Gazeta Mercantil: Reunião dos EUA definirá futuro do G20

domingo, novembro 09, 2008

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Itaparica se moderniza

O GLOBO

Sei que, depois de todo o rebuliço em torno das eleições americanas, agora vocês mal podem esperar as novidades lá da ilha. Por favor não briguem para ver quem lê primeiro. Reconheço que trago notícias extraordinárias, mas não vamos brigar no domingo, já basta o resto da semana. E já basta o que tem rolado ultimamente lá em Itaparica. No cemitério onde jaz o coronel Ubaldo, meu avô, ele já deve ter ganho o apelido de Carrapeta, de tanto que há de estar rolando na tumba.
Os mais velhos se benzem e se preparam para o fim do mundo, enquanto outros opinam que ele já chegou.
Meu avô costumava ficar indignado com quem não acreditava que em Itaparica não se fechava porta ou janela e nem se trancava porta ou janela, fosse noite, fosse dia, porque não tinha ladrão, a não ser os de galinha, mas, como todo mundo sabe, ladrão de galinha não vale. (Reconheço nesta ressalva interesse próprio, pois, caso roubar galinha valesse, eu seria forçado a confessar não ser de todo inocente em vários casos rumorosos nessa área — maus passos da juventude, sei que vocês entendem.) Um ou outro podia usar tranca ou chave, mas por motivos diferentes, tais como na natural reserva da conjunção carnal ou no exercício do anticorneamento preventivo, com um dinheirinho malocado no colchão ou com vergonha de desmazelo doméstico, razões, entre muitas outras, encontradiças em qualquer lugar e naturais à humana condição.
Ser destacado para servir na polícia de Itaparica era visto como adiantamento de aposentadoria, ou prêmio por longa conduta incriticável, na carreira. Justiça seja feita, conheci vários delegados que faziam muita força para trabalhar, até inventando proibições tiradas das cabeças deles, mas acho que logo a famosa radioatividade da ilha os pegava de jeito, conduzindo a nova vítima ao destino de todos os que contamina, ou seja, uma moleza que impede cruelmente qualquer tipo de trabalho. Todo itaparicano que trabalha, inclusive eu, é um herói, porque vence a tremenda pressão da radioatividade. É por isso que o visitante desinformado não entende por que vê tantas mulheres trabalhando, enquanto os homens jogam dominó ou trocam idéias em desapressadas conversações. É que até nisso as mulheres levam vantagem sobre os homens, nelas a radioatividade raramente pega. E aí, felizardas, podem trabalhar à vontade, enquanto os homens, pobres doentes, sofrem o vexame de serem injustamente chamados de preguiçosos.
Pois hoje tudo mudou, estamos em perfeita sintonia com o resto do país.
Deveremos em breve ocupar um lugar de destaque no ranking de assaltos, furtos e arrombamentos, talvez à frente de algumas grandes capitais.
Assim que cheguei, fui informado de que minha casa tinha sido incluída na longa lista das arrombadas por semana, que não andasse sozinho em algumas áreas, especialmente à noite, procurasse não desfilar bestamente com meu notebook a tiracolo e escondesse dinheiro e cartões em locais secretos.
E não era só isso. Não é necessário que o morador esteja ausente, para que a casa seja invadida. Sublinhando o que já disse sobre como nada ficamos a dever aos grandes centros, os ladrões usam armas de calibre grosso, não é brincadeirinha de amador, não. Como acontece, por exemplo, no Rio, acho que não conversei com ninguém na ilha que não tivesse pelo menos um assalto, próprio, com parente ou com amigo, para relatar.
Se tem polícia para cuidar da segurança? Tem, tem. Tem uma polícia com dois carros para uma ilha de 290km2, o que certamente obedece a normas internacionais. Os carros é que estão com um problema. Como seus similares em toda parte, se recusam a funcionar sem gasolina. Foi essa a razão para o que sucedeu a uma recente assaltada que, enquanto o ladrão ainda lhe saqueava a casa, conseguiu falar com a polícia. Sim, era a polícia, sim, em que podia servirlhe? Ah, um ladrão. "Isso é um absurdo, minha senhora, a senhora pode contar com toda a solidariedade", esclareceu o bem-educado policial."
Lamentavelmente, não temos gasolina nos carros e receio que só podemos desejar à senhora que tenha um bom assalto. E, de manhã, estando viva, compareça à delegacia para dar queixa, passar bem." Não creio que tenham sido essas as palavras que o policial usou, mas foi o que ele disse: a mulher roubada que se virasse, porque não tinha gasolina no carro. Ou seja, não tem polícia nenhuma na cidade e já surgem várias hipóteses sobre o que está ocorrendo, inclusive uma que considero paranóica, mas interessante. Itaparica faria parte de um novo plano de segurança do governo, para criar Centros de Concentração de Criminosos (os famosos Cecezões, com sede em Brasília) e Itaparica teria sido contemplada com essa condição. O plano é fazer com que todos os não-criminosos deixem a ilha, que assim será povoada exclusivamente por bandidos e depois severamente isolada pelo governo, que, num experimento sem precedentes, botaria lá os assaltantes assaltando uns aos outros e deixando o resto da sociedade em paz.
Bem, não sei, acho isso um delírio.Sou um homem realista e fui lá para mandar botar grades de ferro em minha casa. Sina é sina: nasci no paraíso, morrerei atrás das grades. Não há o que discutir, até porque pode não ser nada disso, pode ser apenas um projeto do governo estadual, que é do PT e está lá para desenvolver, para estimular a pequena indústria metalúrgica, com a feliz coincidência de que é a metalurgia onde tudo indica que o presidente da República efetivamente trabalhou, enquanto não pôde evitar essa vicissitude. Bem, não sei o que é, a mim só cabe mandar botar as grades. E, por enquanto, aconselhar aos que queiram visitar a ilha com a qual estão agora acabando, que façam um treinamentozinho preliminar no Morro do Alemão.

PARA...HIHIHIHI

PUTEIRO

De algum jeito, Luiz Favre e Geraldo Alkmin foram parar na mesma barbearia, em São Paulo.
Lá sentados, com um barbeiro atendendo a cada um deles, não se falou palavra alguma.
Os barbeiros temiam iniciar qualquer conversa pois poderia descambar para discussão política.
Terminaram a barba de seus clientes mais ou mesmo ao mesmo tempo.
O barbeiro que tinha o argentino em sua cadeira estendeu o braço para pegar a loção pós-barba, no que foi interrompido rapidamente por seu cliente.
- Não obrigado, a Marta vai sentir o cheiro e pensar que eu estava num puteiro - disse o argentino.
O segundo barbeiro virou-se para Alkmin.
- E o senhor, vai querer loção pós-barba? - indagou.
E o Geraldo respondeu:
- Vá em frente, amigo! A Lu não sabe como é o cheiro de um puteiro.

LUZ

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SAÚDE

Transplante de útero está em estudo avançado

Mulheres que perderam o útero devido a tratamentos radicais de endometriose, câncer e mioma podem retomar o sonho de ter um filho biológico. Uma equipe americana testa a eficácia do transplante uterino em animais e espera que em até dois anos o procedimento cirúrgico esteja disponível para as mulheres.
O estudo que está na fase 3 usou ovelhas como cobaias devido às características anatômicas e vasculares do animal serem similares às do homem. E, dentre as 10 ovelhas – com histórico de gestações – que receberam o transplante de útero, seis se adaptaram ao novo órgão.
– Os resultados são promissores. O próximo passo será conseguir engravidar as ovelhas por meio da transferência de embriões para o útero transplantado – afirma o líder do estudo Edwin Ramirez, do Antelope Valley Hospital, na Califórnia, Estados Unidos. – Após este passo, uma série de transplantes serão feitos em macacos, como os babuínos. Se tivermos sucesso com macacos, vamos testar em seres humanos – adianta Ramirez que discursará sobre o tema no congresso Endometriose in Rio, no Rio de Janeiro, dia 15 de novembro.
O estudo de transplante de útero foi publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology. A técnica seria uma solução para aquelas mulheres que tiraram o útero devido a uma complicação. Os casos de endometriose são os mais comuns. O mal que atinge 15% das mulheres em idade fértil se dá pela infiltração do endométrio – camada que envolve o útero – em outros órgãos com o refluxo do sangue pelas trompas.
– Desde a primeira menstruação, as mulheres estão sujeitas a contrair a doença. Estima-se que até 60% das adolescentes que têm cólicas intensas possam ser portadoras de endometriose, porém, o diagnóstico costuma ser feito tardiamente – avalia o ginecologista Marco Aurélio Pinho de Oliveira.
Além das cólicas, os sintomas da endometriose são sangramento excessivo, dor nas costas, gases no período menstrual e dificuldade de engravidar.
O mioma uterino também é uma causa comum que acarreta na retirada do útero. Além de câncer de colo e de endométrio. Complicações no parto podem implicar uma histerectomia.
Pinho de Oliveira faz um alerta para as mulheres estarem sempre atentas a quantidade de sangue e dor excessiva durante a menstruação, e crescimento da barriga, que pode ser mioma.
O transplante de útero também seria uma alternativa para a barriga de aluguel.
– Muitas culturas e credos religiosos não permitem a barriga de aluguel como alternativa para a infertilização – levanta Ramirez.
No entanto, caso a cirurgia seja aprovada para ser feita em humanos, não excluirá o método de reprodução assistida.
– A fertilização in vitro seria necessária em conjunto com o transplante para que a gravidez seja conseguida – pontua Ramirez.
Ainda sim, seria um grande avanço da medicina pois realizaria o sonho de ser mãe de milhares de mulheres.

O BAR OBA


AUGUSTO NUNES - Sete Dias

O STF e a OAB em campanha: impunidade para todos

Daniel Dantas sabe das coisas, confirmou na quinta-feira a sessão do STF que acabou transformada, simultaneamente, em manifestação de solidariedade ao presidente Gilmar Mendes, manifestação de protesto contra os mocinhos e manifestação de desagravo aos bandidos. Poucas semanas depois de desencadeada a Operação Satiagraha, o STF presenteou Daniel Dantas com a ratificação do direito de delinqüir em liberdade, louvou o sacador de habeas corpus mais ligeiro do Brasil central (em dois dias, atirou duas vezes na primeira instância) e, em clima de comício, mirou na testa do juiz Fausto de Sanctis e no coração do delegado Protógenes Queiroz, cuja casa foi vasculhada na quarta-feira pela Polícia Federal. Nenhuma dúvida: Daniel Dantas sabe das coisas.
Tanto sabe que, na conversa em que ofereceu suborno a um delegado engajado na operação, o emissário do chefe da quadrilha informou que só os juízes da primeira instância preocupavam o comandante. Com o STF, por exemplo, o primeiro escroque internacional fabricado no Brasil saberia entender-se. É isso aí, mostrou a mais recente vitória da gatunagem chique.
O Supremo, contudo, já não pode ser acusado de esquecer a bandidagem que não sabe usar os talheres certos. No dia 30 de outubro, por 9 votos a 1, o time da toga declarou inconstitucional a realização de interrogatórios por videoconferência. Em vigor nos países menos primitivos, a lei que autoriza esse método, recomendável sobretudo a bandidaços, vigorava em São Paulo. Foi abolida.
Em juridiquês castiço, os doutores ensinaram que o método, aplicado nas paragens civilizadas para tornar a Justiça menos lenta e mais eficaz, "fere o direito de ampla defesa". Até assassinos psicopatas precisam olhar nos olhos o juiz, o promotor ou a testemunha. "O preso não pode ser sujeito a tratamento desumano", concordou a cúpula da OAB. Preocupado com a vida sofrida dos prisioneiros, o clube dos bacharéis usou a mesma frase para justificar a maluquice de outubro: acabar com o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), aplicado a criminosos de altíssima voltagem. É uma antiga reivindicação do PCC.
Ser bandido no Brasil está cada vez melhor. O que vai ficando perigoso é agir honestamente. Pode até dar cadeia.

OBAMA


DOMINGO NOS JORNAIS

- Globo: União estourou em R$ 8,3 bi gasto com pessoal este ano

- Folha: Funcionalismo custa mais que dívida

- Estado: Lula acusa países ricos e pede emergentes na solução da crise

- JB: As barreiras de Obama ao Brasil

- Correio: Lula quer pacto em defesa do emprego

- Valor: Balanços mostram lucros históricos e futuro incerto

- Gazeta Mercantil: FMI e governo cortam projeções para o PIB

sábado, novembro 08, 2008

PARA... HIHIHIHIHIHI


CASAMENTO

“Numa conferência de imprensa, onde também estava um bêbado ao fundo
da sala, um repórter da CBN fez uma última pergunta aos três políticos presentes.
- Meus Senhores, se fossem solteiros, com quem gostariam de
casar?
O primeiro a responder foi Aécio Neves, o governador de Minas Gerais:
- Com a Nathalia Guimarães, a mulher mais bonita do Brasil!
E o bêbado, lá no fundo, aplaude e grita: Isso mesmo, muito bem, casou pela beleza, muito bem!!!
A seguir, Antony Garotinho responde:
- Eu casava-me com a minha mulher, porque ela me ama!!!
E o bêbado, mais uma vez: Muito bem, é assim mesmo, casamento por amor! Muito bem!
Por último, Lula, para ficar bem no retrato, dá a sua resposta:
- Eu casava-me com Brasil, pois nunca antes neste país um político amou tanto o seu povo!
E o bêbado, num grande estardalhaço: É assim mesmo, isto é que é um homem honrado: fodeu, tem que casar!!”

LUGARES QUE FREQUENTO

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DURO DE MORRER


Morreu de Quê? MORREU DE QUÊ?

Zé: Bença padre.
Padre: Deus o abençoe meu filho.
Zé: Padre, o sr. lembra do João pintor?
Padre: É claro meu filho.
Zé: Pois é Padre, o João veio a falecer.
Padre: Que pena, morreu de quê?
Zé: Olha, Padre.. Eu moro numa rua sem saída e minha casa é a última. Ele desceu com o carro e bateu no muro lá de casa.
Padre: Coitado, morreu de acidente.
Zé: Não, ele bateu com o carro no muro e voou pela janela. Caiu dentro do meu quarto e bateu a cabeça no meu guarda-roupa de madeira.
Padre: Que pena, morreu de traumatismo craniano.
Zé: Não Padre, ele tentou se levantar pegando na maçaneta da porta que se soltou e ele rolou escada abaixo.
Padre: Coitado, morreu de fraturas múltiplas.
Zé: Não Padre, depois de rolar a escada ele bateu na geladeira, que caiu em cima dele.
Padre: Que tragédia, morreu esmagado.
Zé: Não, ele tentou se levantar e bateu as costas no fogão que tombou derramando a sopa que estava fervendo em cima dele.
Padre: Coitado, morreu queimado.
Zé: Não Padre, no desespero saiu correndo, tropeçou no cachorro e foi direto na caixa de força.
Padre: Que pena, morreu eletrocutado.
Zé: Não Padre, morreu depois d'eu dar dois tiros nele..
Padre: Filho, você matou o João?
Zé: Uai, o filho da puta tava destruindo a minha casa!!!..

Ó DEUS...


DORA KRAMER


A pedra fundamental




O instituto da reeleição está, desde a última quarta-feira, devidamente instalado no  telhado. Chegou até lá levado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado que aprovou uma emenda do senador Jarbas Vasconcelos, obrigando os governantes candidatos a um novo mandato a deixarem os respectivos cargos seis meses antes da eleição.

Pela regra atual, quem concorre ao mesmo posto não precisa tirar licença, ao contrário do exigido aos candidatos a cargos diferentes. Em 2006, por exemplo: enquanto o presidente Luiz Inácio da Silva pôde permanecer na Presidência, seu oponente, o então governador Geraldo Alckmin, precisou se afastar do governo de São Paulo.
Em tese é só uma proposta para corrigir uma suposta deformação involuntária da emenda original, na realidade um subterfúgio para facilitar a adesão de prefeitos e governadores à mudança constitucional proposta pelo PSDB em 1996, com a finalidade de permitir a reeleição de Fernando Henrique Cardoso dois anos depois.
Na prática trata-se do lançamento da pedra fundamental da execução do acordo tácito firmado entre setores majoritários do PT, PSDB e PMDB para pôr um fim na reeleição para os presidentes da República durante o próximo ano, de forma a que a sucessão de Lula se dê sob a nova regra: o eleito em 2014 teria um mandato de cinco anos sem direito a renovação.
O ideal, na cabeça do grande patrono da proposta - o governador de São Paulo, José Serra - seria acabar com a reeleição em todos os níveis. 
Mas, como haverá resistências por parte de prefeitos e governadores - amplamente beneficiados pela chance de disputar um segundo mandato subseqüente -, os arquitetos do projeto ficarão satisfeitos se conseguirem acabar com a reeleição para presidente, a fim de imprimir mais velocidade à fila de pretendentes ao Planalto.
E o que tem a ver os seis meses de licença aprovados na quarta-feira com o fim da reeleição se, em princípio, parece até um gesto de aperfeiçoamento da regra em vigor?
Tudo. É a forma de começar a pôr o assunto em pauta sem alarde, sem ferir suscetibilidades, sem criar atritos, amaciando o terreno, conquistando adeptos para o debate. 
A discussão é difícil e requer muita habilidade, embora os partidos envolvidos sejam os mais fortes e influentes do cenário político. O problema é que não há consenso interno em nenhum deles. 
O mais unido em torno da proposta é exatamente o PSDB, o inventor da obra ora em demolição. A única liderança importante do partido a falar contra o fim da reeleição é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Seus correligionários afirmam, no entanto, que FH só defende essa posição em público por puro constrangimento de entrar em cena como fiador de dois casuísmos: um em 1996 e outro 12 anos depois.
No PT, Lula é favorável, mas a turma mais aguerrida não vê com agrado acertos que atendam às expectativas do PSDB. Algo na base do "o que é bom para os tucanos é ruim para o PT". 
No PMDB a idéia tem o apoio da maioria, a começar do presidente Michel Temer, mas conta com um adversário de peso: o governador do Rio, Sérgio Cabral, que, se não mudou de opinião, acha a proposta um enorme equívoco.
Há seis meses, quando Temer defendeu a volta do mandato único, Cabral avisou que, mesmo isolado, ficará contra. "Mexer na reeleição é arranhar a imagem do Brasil como um país de regras consolidadas, onde não se faz e acontece ao sabor das conveniências. Isso vale para a economia e vale também para a política." 


Pensando bem

A pressão do PMDB e a resistência do PT em abrir mão da presidência do Senado na próxima legislatura não impõem um obstáculo intransponível entre os dois maiores parceiros da base governista. 
Não é nenhum absurdo pensar que o governo acabe por interceder em favor da entrega do comando do Congresso ao PMDB, em troca do apoio ao candidato da situação à Presidência da República. A oposição, nessa hipótese, não terá como fazer concorrência ao Palácio do Planalto no leilão das boas ofertas. 
Dois pássaros da envergadura das presidências da Câmara e do Senado bem seguros na mão dificilmente alguém troca pelo difuso direito de apreciar uma revoada no céu. Por mais que os oposicionistas representem melhores perspectivas eleitorais, por ora os pemedebistas se atêm objetivamente ao presente.


Aqui e agora

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, costumava recorrer a uma metáfora para responder às cobranças sobre as mudanças de posição do PMDB.
"Quando alguém bate na porta, ou chama ao telefone, você pergunta quem é ou quem foi?" 
Isso ele dizia na época da aliança com o PSDB. Hoje, em pleno tempo de união ao PT, é possível que o ministro atribua àquela figuração um sentido muito relativo.

FUSÃO:ELIMINANDO CREDOR


No vermelho

Um jornalista confessa sua euforia com a fusão Itaú-Unibanco:

 “Eu devia para os dois e agora só devo pra um".

CIÚME DE VOCÊ


HOLOFOTE - REVISTA VEJA


Fábio Portela

Direito intuitivo

Jamil Bittar/Reuters


Corre no Supremo Tribunal Federal (STF) um processo que pode extirpar a Lei de Imprensa da legislação brasileira. O relator, o ministro Carlos Ayres Britto, pretende concluir seu voto sobre o tema ainda neste mês, o que permitirá o julgamento final da questão antes do fim do ano. Enquanto prepara o voto, Ayres Britto não descuida de sua produção literária. Ele acaba de finalizar um livro de poesias batizado de DN...Alma e planeja para 2009 um tomo jurídico intitulado A Ciência Quântica do Direito, no qual defenderá que os juízes devem usar, além da razão, a intuição em suas decisões.

 

Laptop na roça

Alan Marques/Folha Imagem


Na próxima quarta-feira, a senadora Kátia Abreu, do Tocantins, será eleita presidente da Confederação da Agricultura e pecuária do Brasil. Seu primeiro projeto: equipar todo o 1,2 milhão de filiados da entidade, em sua maioria pequenos e médios agricultores que vivem isolados, com laptops capazes de acessar a internet, por celular ou via satélite. O modelo escolhido é uma espécie de computador popular, que deverá custar 1 000 reais e terá financiamento do Banco do Brasil.

 

Vingança de nepotista


Beto Barata/AE


Quando foi aprovada a lei que proíbe o nepotismo, o deputado Carlos Willian, do PTC de Minas Gerais, se viu obrigado a demitir a mulher, que trabalhava em seu gabinete. Agora, exige que a lei seja seguida por todos – no que está certo, apesar da ira vingativa. Ele descobriu que o diretor de Furnas Fábio Resende é irmão do ministro Sergio Rezende, da Ciência e Tecnologia. O deputado entrou com uma reclamação no STF pedindo que Fábio seja demitido do cargo.

 

200.000 vagas de emprego

Jamil Bittar/Reuters


O governo paulista lançará um portal de empregos na internet. Nele, qualquer pessoa poderá deixar seu currículo arquivado, à espera de propostas de emprego. Além disso, empresas interessadas em contratar profissionais oferecerão vagas no portal. Tudo gratuito. Segundo o secretário do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, haverá, de saída, 200.000 ofertas de emprego no site, todas no setor privado. Quem se cadastrar e receber uma proposta será avisado por uma mensagem de texto enviada ao seu celular. O endereço do portal é www.empregasaopaulo.sp.gov.br.

 

Como vai, Arnold?

Kimberly White/Reuters


Roberto Jaime/AE

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, é o autor de algumas das mais famosas leis de proteção ambiental dos Estados Unidos. Por causa disso, o governador do Amazonas, Eduardo Braga, que também toca diversos projetos de preservação ecológica, ganhou em sua terra o apelido de "Schwarzenegger brasileiro". Na próxima semana, Braga irá aos Estados Unidos para se encontrar com o original. O americano firmará contratos de parceria para ajudar o colega brasileiro a manter em pé árvores da Amazônia.

 

Micarla na escola tucana

Divulgação


Determinada a se tornar mais que "apenas um rosto bonito" na 
política, como afirmou o presidente Lula, a prefeita eleita de Natal,Micarla de Sousa, do PV, decidiu fazer um curso rápido de administração pública antes de assumir o cargo. Ela escolheu três tucanos como professores. Em São Paulo, a futura prefeita passou três dias com a equipe do governador José Serra, tomando aulas sobre planejamento financeiro. Em Belo Horizonte, o governador Aécio Neves lhe deu lições de como reduzir gastos da máquina pública. Em Curitiba, na semana que vem, o prefeito Beto Richa vai lhe ensinar tudo sobre a eficiente rede de transportes públicos da cidade. O senador José Agripino, padrinho político de Micarla, aprovou com entusiasmo o périplo pedagógico

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: Sem anunciar equipe, Obama cobra ação rápida de Bush

 

Folha: Obama defende ajuda à classe média

 

Estadão: Banco do Brasil negocia compra de três bancos

 

JB: Obama: "Não vai ser fácil nem rápido sair do buraco"

 

Correio: Prepara-te para o que vem, Obama

 

Valor: Balanços mostram lucros históricos e futuro incerto

 

Gazeta Mercantil: FMI e governo cortam projeções para o PIB

 

Estado de Minas: Vereadores de BH gastam o triplo na campanha

 

Jornal do Commercio: IPTU sobe 6,41%

sexta-feira, novembro 07, 2008

MAIS SABOR NO BLOG



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DORA KRAMER

Mestre-sala porta a bandeira
O Estado de S. Paulo - 07/11/2008
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, assustou um bocado de gente em sua última passagem por Brasília. Reuniu-se com a bancada de deputados federais do partido e, na saída, não fez por menos: "Será perverso para o Brasil (agüentar) mais quatro anos disso que está aí".
A saber: "Um governo extremamente perdulário"'', que empurrou "a ética para debaixo do tapete" e cujo presidente não tem condições políticas de manter unida a tropa de aliados na eleição de 2010 nem dispõe de dons eleitorais suficientes para "ungir alguém à cadeira presidencial".
Isso dito na quarta-feira, porque já há algumas semanas o governador vem mostrando os dentes. Entre o primeiro e o segundo turno das eleições municipais ele já defendia a caça aos aliados de Lula, apontava defeitos na conduta do presidente nos seis anos passados - "não arbitra nada, por isso não fez as reformas" - e afirmava que o PSDB poderia se apresentar como um contraponto de eficácia, principalmente "para gerenciar os efeitos da crise mundial".
Terminado o pleito, veio a público defender duas vezes - uma delas ao lado de José Serra - a realização de prévias para a definição do candidato ainda em 2009, a fim de não se repetir o desgaste da escolha de 2006.
Proposital ou involuntário, o uso da expressão "isso que está aí" - o bordão contra tudo e contra todos, consagrado pelo PT oposicionista - na denúncia da "perversidade" de um novo mandato petista não deixa de ser significativo como marco da atuação mais nítida do PSDB na oposição ao governo Luiz Inácio da Silva.
E por que Aécio Neves, o patrocinador da aliança entre os dois partidos que acabou de eleger o prefeito de Belo Horizonte, no papel de portador da voz e da bandeira dos tucanos para a batalha da sucessão presidencial?
Uma rápida consulta ao breviário dos ritos internos do PSDB sugere que justamente por ser conhecido como o mais ameno entre os moderados do partido, o governador de Minas tem o perfil ideal à ocasião.
Do ponto de vista externo sua posição gera impacto e, sob a ótica interna, lhe garante o espaço de pré-candidato à Presidência, evitando ficar numa posição subalterna em relação ao governador de São Paulo, José Serra, hoje em vantagem nas pesquisas, na percepção do mundo político e na estrutura do partido.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso trabalha para junto com a cúpula do tucanato, o comando do DEM, a direção do PPS e os agregados do PMDB em favor de uma chapa puro-sangue com Serra na cabeça e Aécio na vice.
Por isso mesmo, a todos eles interessa acima de tudo que Aécio Neves ocupe lugar de primeira grandeza. Com direito a rechaçar a proposta da chapa São Paulo-Minas até que o cenário se defina por aí ou tome outro rumo.
Quanto mais candidatos competitivos a oposição puder apresentar ao público, mais expectativa de poder criará, já que na seara governista por enquanto só existe uma tênue incerteza na figura da ministra Dilma Rousseff.

Turma do funil

O Supremo Tribunal Federal está preocupado com o que os novos prefeitos e vereadores farão com a Súmula 13, que proíbe o nepotismo no funcionalismo. Há ministros desconfiados de que os vereadores e prefeitos eleitos poderão fazer tábula rasa da regra logo após tomarem posse.
A julgar pela atitude de sete das 26 câmaras municipais das capitais dos Estados, que já aumentaram por conta os salários dos novos vereadores, os magistrados têm razão para desconfiar do espírito público das excelências recém-eleitas.
Mediante muita pressão, Câmara e Senado já demitiram 189 parentes e fizeram a sua parte. Ficam ainda devendo as respectivas listas de demissões as assembléias legislativas, as câmaras municipais e os Poderes Executivo e Judiciário em todos os níveis.

Gato comeu

Nunca mais se ouviu falar dos entendimentos entre o Legislativo e o Judiciário para aprovação de reajuste dos salários dos ministros do Supremo, de R$ 24,5 mil para R$ 25,7 mil.
O projeto dormia na gaveta dos guardados estratégicos, até que no final de agosto último a Câmara acenou ao STF com a possibilidade de pôr a proposta em votação. Isso, logo depois da proibição do nepotismo.
O presidente do STF, Gilmar Mendes, achou ótimo, o presidente da Câmara avisou que o aumento entraria na pauta em breve mas, de repente, o assunto morreu. Resta saber se morto ficará.

Coisa de pele

Pode demorar, mas o arrefecimento da simpatia de Lula pela figura (descontada a mítica) de Barack Obama é uma questão de tempo.
Obama é o tipo do intelectual que importuna o pragmatismo simplificado de Lula. Em termos de personalidade, é muito mais o jeitão de George Bush.

A ILHA DO PICA-PAU




LUIZ GARCIA

Papel de bala

O Globo - 07/11/2008

O que transforma fatos em notícias? Jornalistas sabem que não há uma resposta única - e nem sempre fácil - para a pergunta.
Pode-se dizer que a notícia é o fato inusitado, na contramão do que seria lógico e previsível. Assim, existiria notícia se um homem mordesse um cachorro, por exemplo; ou quando um baixinho botasse um grandalhão para correr.
Mas fatos absolutamente previsíveis e esperados também merecem registro. Como a chegada do Natal e a aproximação do carnaval. Ou o anúncio de que haverá sol no domingo. Naturalmente, a mídia acha que é seu dever registrar crimes e tragédias - mas também abre espaço para o motorista que devolveu a carteira recheada, para o policial que prendeu o bandido ou a mãe que reencontrou o filho perdido.
Há mais notícias sobre bancos assaltados do que sobre bancos que se casam? Com certeza, pela simples razão de que há mais assaltos do que fusões.
Parece simples e óbvio, mas o presidente Lula não concorda com nada disso. Outro dia, reclamou indignado do destaque dado por jornais ao fato de que ele jogara no chão um papel de bombom durante a inauguração de uma usina.
Na sua irritação, Lula extrapolou: "Será que a nossa cabeça está condicionada a achar que o bom é obrigação fazer, e apenas o ruim tem que se mostrar?"
Na verdade, realmente é obrigação do homem público fazer o que é bom, e também nem só o ruim tem de ser mostrado. A mídia, se faz direito o seu trabalho - e costuma fazer, sob pena de perder circulação e audiência -, mostra o papel de bala no chão sem negar aos cidadãos todas as informações que lhes interessam sobre a obra inaugurada. A coexistência com o registro negativo não reduz a importância e a repercussão do fato positivo.
A queixa de Lula - que não é o primeiro a fazê-la, o que não significa que esteja necessariamente em boa companhia - teria procedência se noticiários de TV e rádio e páginas de jornais e revistas fossem dominados por episódios irrelevantes. Mas não são.
Na verdade, aqui como em qualquer outro lugar onde haja liberdade de imprensa, a mídia procura apresentar ao público uma mistura do importante com o interessante. Natural e óbvio: é precisamente isso que os cidadãos gostam de saber e precisam conhecer.
Se os jornalistas são bons no seu ofício - o que não é nenhum bicho-de-sete-cabeças - não há competição entre os dois tipos de informação. Caso não sejam, o cidadão naturalmente procurará um outro veículo, que tenha profissionais competentes. É simples assim.
Era relevante, por exemplo, abrir espaço para as queixas do presidente. Até mesmo para que receba a solidariedade dos cidadãos que concordam com ele. Vai ver, tem muita gente por aí que adora jogar papel de bala no chão.

CLÓVIS ROSSI

Uma semana, passado remoto

Folha de S. Paulo - 07/11/2008

Era uma vez um tempo em que a gente discutia a conjuntura econômica, toda sexta-feira, nesta Folha. Tempos de conjuntura econômica tumultuada, ao contrário dos pacatos cinco ou seis anos que, no Brasil, terminaram agora.Eu ouvia os economistas-editorialistas da casa (nenhum deles continua, o time mudou todo) dizerem, numa semana, que tudo ia no melhor dos mundos, para, na semana seguinte, traçarem um cenário um pouco pior que o inferno.
Um dia, perguntei como era possível haver tamanha mudança em meros sete dias. Um dos professores-doutores, com aquela paciência que os sábios às vezes exibem com os ignorantes, respondeu: "Ah, meu filho, economia é uma coisa muito dinâmica". Pensei, mas calei: "Vai ser dinâmica assim na..., bom deixa pra lá".
Não é que hoje, com uns 15 ou 20 anos de atraso, esse professor-doutor poderia dar a mesma resposta e, desta vez, acertaria em cheio? O mundo, não apenas a economia, ganhou uma aceleração nos tempos que é quase impraticável para o cérebro humano acompanhar.
Dado mais recente: a evolução da produção e vendas da indústria automobilística. Em setembro, o número de licenciamentos havia sido 9,7% superior ao de agosto. Em outubro, foi 15% inferior ao de setembro. Uma brutal inversão em apenas um mês, acompanhada, de resto, por férias coletivas em inúmeras montadoras, o que é a antecipação do que vem por aí.O grave é que a aceleração dos tempos torna arcaicas decisões ou avaliações muito recentes. É o caso da ata do Banco Central sobre a reunião da semana passada, em que o medo da inflação parece ser praticamente igual ao da desaceleração, equilíbrio que os dados do setor de autos desmentem de maneira contundente.
Resumo: hoje é arriscado até prever o passado -ou o presente.

FÉRIAS


SEXTA NOS JORNAIS

- Folha: Sem ordem judicial, PF quebra sigilo telefônico

- Estadão: Empresas têm mais prazo para pagar impostos

- JB: Mais R$ 19 bi para empresas

- Correio: R$ 40 bilhões para turbinar a economia

- Valor: Balanços mostram lucros históricos e futuro incerto

- Gazeta Mercantil: FMI e governo cortam projeções para o PIB

- Estado de Minas: Lula baixa pacotaço

- Jornal do Commercio: Nova campanha pelo desarmamento