quarta-feira, abril 02, 2008
ESTADO SE SÃO PAULO
Oposição, que defendia controle do repasse de R$ 100 milhões por ano, diz que decisão do presidente foi ‘imoral’
As centrais sindicais vão receber um reforço de caixa anual de cerca de R$ 100 milhões da contribuição sindical obrigatória - correspondente a um dia de salário por ano do trabalhador, descontado na folha de pagamento -, mas estarão livres de prestar contas ao Tribunal de Contas da União (TCU). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei de reconhecimento das centrais dos trabalhadores, mas vetou o artigo aprovado pelo Congresso que obrigava a detalhar os gastos do também chamado imposto sindical ao TCU.
-Agora vai correr frouxo, não tem fiscalização. Essa é ética do PT.
ORAÇÃO DO EMBUCHAMENTO
Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida só com uma oração que rezou na igreja de uma aldeia próxima.
Dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse ao padre:
- Bom dia, padre.
- Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la?
- Sabe, padre, soube que uma amiga minha veio aqui e ficou grávida só com uma ave-maria.
- Não, minha filha, foi com um padre nosso, mas já o transferimos.
- JB: O prefeito sumiu
- FOLHA: País quer que Lula fique mais tempo no poder, afirma Alencar
- GLOBO: Sem leitos da dengue, Rio já trata doentes no interior
- GAZETA MERCANTIL: R$ 62 bi para investimentos das estatais
- CORREIO: Mudança em plano de saúde vai sobrar para o consumidor
- VALOR: BB planeja participar do capital de empresas rurais
- ESTADO DE MINAS: Samu demite agente por saque
terça-feira, abril 01, 2008
Ancelmo Gois
Hoje no Globo
Toc, toc, toc I
Quem avisa amigo é. A turma da coluna avisou Dilma Rousseff, no último dia 21, para tomar cuidado com os elogios de Lula (o presidente tinha dito que a ministra é "a capitã do time"). Foi Lula falar isso e a "Veja" revelar o dossiê do Planalto contra FH. Depois veio a "Folha" e mostrou que o dossiê foi feito na própria casa de Dilma, a Casa Civil.
Toc, toc, toc II
Zé Dirceu sabe como é. Também numa quarta, em 2003, Lula disse que o então chefe da Casa Civil era "o capitão do time". Dois dias depois, explodiu o caso Waldomiro Diniz, seu assessor nº 1. Dirceu nunca mais foi o mesmo. Tropeçou em confusões até ser abatido pelo mensalão.
Toc, toc, toc III
Quem vai ser o próximo capitão do time de Lula?
ESPELHO MEU,QUEM É MAIS LINDO DO QUE EU?
Olha aqui, Bush, meu filho... se você não der um jeito na economia do teu país, vai acabar me atrapalhando, porra... Tu invade o Iraque, quebra o país, suja o nome da América e ainda quer me encher o saco, olha aqui, Bush - traduz Amorim -, tu é otário, não tem o jogo de cintura que eu tenho, não adianta sapatear, nem dançar, porra, Bush, se toca... e tu também, ô Chávez, tu piensas que yo no sei que usted muerre de inveja del meu prestigio e del Brasil, mas usted se f&*#de comigo porque yo no te ataco nunca... Eu te elogio, yo soy ''tu cumpañero''...
Tua cara ficou branca, piensa que yo não vi, tu ficou abestalhado com meu cinismo, quando yo te apontei e disse: ''Hugo Chávez aqui, meu irmão, é um grande pacificador da América Latina!''... Tu não esperava por essa, hein, tus lábios tremeram, essa tua boca de Mussolini índio, de queixada para cima, abriu de surpresa com minha genialidade política de te chamar de ''grande pacificador'', tu ameaçando a Colômbia de guerra, com tropas na fronteira e enchendo o rabo de grana com o petróleo que o Bush fez a cag&da de aumentar o preço, hein? Tu é filho bastardo do Bush, esse pai de todas las imbecilidades do século, é com tu mesmo, Bush - traduz, Amorim - isso: ''pai de todas as merdas'' que acontecem no mundo hoje... Mas, Chávez, tu ficou besta comigo, hein, confessa: ''tu es um pacificador... um Bolívar!'' Há há há...
Meu Deus, como é maravilhoso ser eu! Eu posso virar o que quiser, que todo mundo me leva a sério. Como é bom ser eu!... Às vezes, tenho vontade de me comer a mim mesmo no banheiro... Que lindo!... 60 por cento de ibope, a economia vai bem, pois eu não sou besta e não mexi em nada que o FHC me deu de bandeja, esse otário do FHC me preparou a cama, fez tudo na economia geral e agora deito e rolo. Agora, é só eu esculachar ele, ameaçar com os cartões e pronto, ninguém lembra nem que ele fez o Plano Real...Não deixei ninguém mexer na economia. Grande Palocci... Aquele Dirceu queria matá-lo; não deixei. Descobri que a economia anda sozinha, enquanto a Dilma trabalha feito uma bóia-fria. No fim do expediente, ela varre o Planalto e apaga a luz...
Depois, é só falar no PAC nos palanques. Ninguém viu esse PAC, mas algum jornalista tem saco de ir conferir, pedir uma lista de obras? De modo que tudo vai indo bem. ''Virtualmente.'' Eu aprendi isso com os intelectuais: ''Simulacros pós-modernos.'' Ha há há...
''E você aí, cumpanheiro Severino Cavalcanti!!! Severino ali sentado, meu povo, palmas para ele! Foi traído pela oposição!
''Agora, vem cá, Severino... Eu te elogiei porque preciso dos votos que tu tem ainda no PMDB, hein... e também para fu#&er o Gabeira lá no Rio, ele que te enxotou da Câmara, porque eu prefiro entregar o Rio para a Igreja Universal do Crivella do que para ele...
Agora, tu é um babaca mesmo, hein?... Comendo de graça no restaurante da Câmara por dez ''milzinho''... Tu comia o quê? Macarrão, estrogonofe? Ahh, Severino, eu gosto de você porque você é o ''antieu'', tu é o pau-de-arara burro que em vez de dar gorjeta ao garçom tu levava gorjeta... Há há há... gosto de olhar para você, para ver como eu venci... Eu sou f%#da!!!
Você também, Renan... Eu deixei você aparecer com essa cara de vítima atrás de mim e te elogiei porque também preciso de votos do PMDB, mas tu é outro otário. Porra, tu não podia pagar normalmente a mulher? Tinha de ser propina? Tu é rico paca, dono de uma cidade, tu parou o Congresso sete meses e eu tive de agüentar!! Só tenho inveja da mulher lá que tu chamou de ''gestante''... Boa paca. E aí, conta, como é que rolava? Disso eu tenho inveja. Presidente não come ninguém... sou vigiado o dia inteiro, eu e o Bush... É isso, aí, Bushão - traduz aí, Amorim - ''Porra, Bush, tu não come ninguém! Por isso, tu invadiu o Iraque!''...
Ai, meu Deus... que delícia... Eu posso tudo, eu virei um ''Maquiavel Macunaíma'', escreveu um idiota outro dia... Eu até gostei do apelido...
Eu tenho o design perfeito para isso. ''Lula'' é um nome doce, carinhoso, familiar. ''Lula'' é fácil de entender. Eu sou o povo.
Sou um fenômeno de Fé. Quanto mais me denunciam, mais eu cresço. Posso tudo, posso mentir, preciso até da mentira para que o Sistema não caia, para que me faça sucesso. Eu minto em nome de uma verdade maior! Eu desmoralizei escândalos, vulgarizei alianças, subverti tudo, inclusive a subversão. Eu ponho qualquer chapéu.
Olha o que o babaca do Jabor escreveu outro dia: ''Lula representa uma nova de forma de ''bonapartismo'', um poder vertical em torno de uma liderança carismática, cuja legitimidade se funda na vontade do povo do qual ele seria o representante, acima dos políticos. Estamos assistindo a um bonapartismo de vaselina.
''Sei que ele é uma besta, mas aqui ele tem razão. Eu inventei isso.
Eu me sinto acima de todos vocês, acima das mesquinharias da política real. Ninguém pode ser contra mim, porque eu sou a ''favor'' de tudo. Não erro porque não faço nada. A economia cresce e distribuo bolsas.... Arrasei a oposição, que não sabe a que se opor... Ninguém tem palavras para exprimir indignação, ou melhor, ninguém tem mais indignação para exprimir em palavras. Consegui uma grande anestesia no País, satisfeito, mas que não sabe o que está perdendo, o que poderia ser realizado, reformado, com tanta grana entrando... Mas eu não quero aporrinhação...
E nos jornais e revistas perguntam-me a causa de minha recente indignação, com tanto ibope. Perguntam por que eu defendo vagabundos?
Só digo a você, espelho meu, aqui, nesta madrugada no Alvorada, aqui, nu no espelho, agora que a Marisa está dormindo... Eu sou milhares... eu sou legião, refletido em mil imagens... Defendo o indefensável porque tenho a volúpia de dizer o impensável, privilégio dos ''Césares''. Eu estou acima da moralidade, se elogio o ladrão, eu purifico o cara, como uma bênção...
Confesso também, espelho meu, que eu, operário que venceu, sem diploma, curto minha vingança e sonho também (ainda não decidi) com a aclamação total para um terceiro mandato... Eu em 2010? Que achas, espelho meu?
- JB: Procuram-se médicos
- FOLHA: Plano dos EUA prevê maior reforma desde a crise de 29
- GLOBO: Mortes por dengue sobem para 67 e Rio pede socorro
- GAZETA MERCANTIL: Megapacote ampliará poder do BC dos EUA
- CORREIO: Lula ataca oposição e monta defesa de Dilma
- VALOR: Empresas ampliam busca de fornecedor no exterior
- ESTADO DE MINAS: Polícia e Samu no saque de carga
segunda-feira, março 31, 2008
- JB: Hospitais de guerra abrem hoje no Rio
- FOLHA: Serra mantém favoritismo para 2010
- ESTADÃO: CPI dos cartões terá dados que complicam ministros
- GLOBO: Tribunais do tráfico desafiam a sociedade
- GAZETA MERCANTIL: Está na baixa renda a maior oportunidade para os bancos
- CORREIO: Câmara paga até enxoval para imóveis funcionais
- VALOR: Captação no exterior se mantém, mas custo sobe
domingo, março 30, 2008
NEO-ALOPRADOS
BRASÍLIA - Por que Serra, favorito nas pesquisas para a Presidência, e Aécio, que corre atrás do prejuízo, nunca batem de frente e nem mesmo criticam Lula, como fazem adversários em qualquer lugar do mundo? Porque têm quilos de pesquisas mostrando que seria burrice, murro em ponta de faca.
Com toda sua popularidade e marketing, Lula é uma faca afiada. Waldomiro Diniz, faz-tudo de Dirceu e Mercadante nas boas CPIs (contra os outros), foi filmado pedindo algum para bicheiro quando tinha gabinete no Planalto.
Dirceu enroscou-se todo no mensalão que comprava apoio dos "aliados" e caiu do governo, do mandato de senador e do sonho de ser presidenciável um dia. Palocci, que virou ídolo nacional ao seguir à risca a cartilha Malan de estabilidade, ficou desconfortável com as histórias da sua turma em Ribeirão Preto e confortável violando contas alheias. Foi varrido da Fazenda pelo caseiro Francenildo.
Mercadante ficou mal com o dossiê que não era dossiê, mas foi comprado por uma fortuna em dinheiro vivo para atacar tucanos em 2006. Lula chamou os culpados de "aloprados". Mercadante sumiu do mapa do primeiro time político. E o que aconteceu com Lula? Primeiro, ficou deprimido. Depois, irritado, xingou seus ministros, assessores, amigos e o churrasqueiro.
Nunca sabia de nada e livrou-se rapidinho de um a um. Reeleito, acaba de bater em 58% de aprovação na pesquisa CNI-Ibope e não pára de falar besteiras: ironiza o "meu velho Bush", acusa PSDB e DEM de "destilarem ódio" e diz que a oposição "pode tirar o cavalinho da chuva", porque sua sucessão está no papo. Um dossiê ou um(a) aloprado(a) a mais ou a menos são fichinha, e Lula não está nem aí. Se, mesmo assim, Dilma Rousseff não resistir, não faz a menor diferença no governo. Saiu um, entra outro. O problema é sair Dilma e voltar a tese da re-reeleição em 2010. Duvida?
Depois da quebra de sigilo do caseiro pelo CANALHA Palloci, temos outro crime de quebra de sigilo, feito agora pela mãe do pac. Essa é a marca do PT, um partido composto do que tem de pior no país, Sindicalistas e ex-terroristas, sempre atrás de uma boquinha onde possam passar a mão em nome da "causa". Essa raça não presta.- JB: Classe média paga por ano 146 dias de imposto
- FOLHA: Marta sobe e divide liderança com Alckmin
- ESTADÃO: Planalto vai tirar Dilma da vitrine eleitoral
- GLOBO: O tribunal do tráfico em ação
- GAZETA MERCANTIL: Venezuela vem buscar alimentos no Brasil
- CORREIO: Estratégia para blindar Dilma
- VALOR: Importados sobem 18% e já não amortecem a inflação
sábado, março 29, 2008
- JB: Dengue avança 26% em apenas 5 dias
- FOLHA: Dilma diz que dossiê é "banco de dados"
- ESTADÃO: Oposição acusa Dilma pela produção do dossiê FHC
- GLOBO: Dilma resiste a demitir assessora que fez dossiê
- GAZETA MERCANTIL: Venezuela vem buscar alimentos no Brasil
- CORREIO: Dilma, a mãe do dossiê
- VALOR: Importados sobem 18% e já não amortecem a inflação
sexta-feira, março 28, 2008
- JB: "Bush, meu filho, resolve tua crise"
- FOLHA: Principal assessora de Dilma montou dossiê contra FHC
- GLOBO: MST é condenado por desvio de verbas de alfabetização
- GAZETA MERCANTIL: Venezuela vem buscar alimentos no Brasil
- CORREIO: Em alta, Lula manda o governo gastar muito
- VALOR: Importados sobem 18% e já não amortecem a inflação
- ESTADO DE MINAS: BH tem 15 mil imóveis infestados pela dengue
quinta-feira, março 27, 2008
- JB: Combate à dengue perdeu R$ 47 mi
- FOLHA: CPI dos Cartões rejeita convocar Dilma
- GLOBO: No palanque do PAC, Lula diz que fará seu sucessor
- GAZETA MERCANTIL: Fusão da Bovespa e BM&F deve reduzir custos em 25%
- CORREIO: Emergência no Rio. Dengue já matou 54
- VALOR: BNDES e fundações vão bancar compras do Friboi
- ESTADO DE MINAS: Alerta contra dengue na Grande BH
quarta-feira, março 26, 2008
- JB: Combate à dengue terá reforço de 400 soldados
- FOLHA: Fracassa 3ª tentativa de vender a Cesp
- ESTADÃO: Fracassa a privatização da Cesp
- GLOBO: Em 3 meses, dengue já tem no Rio mais casos que em 2007
- GAZETA MERCANTIL: Vale e Xstrata terminam conversa sem acordo
- CORREIO: Morte a caminho de Águas Lindas
- VALOR: Pressões nos custos preocupam empresas
terça-feira, março 25, 2008
- JB: Enfim, a ofensiva contra a dengue.
- FOLHA: 54 mil esperam radioterapia no país
- GLOBO: Dengue hemorrágica mata 20 vezes mais na cidade do Rio.
- GAZETA MERCANTIL: Bear Stearns e commodities puxam bolsas
- CORREIO: O país dos desamparados
- VALOR: Política industrial prevê R$ 251 bi para 24 setores.
segunda-feira, março 24, 2008
Artigo - RUY CASTRO
Folha de S. Paulo
Nos EUA, os senadores Barack Obama e Hillary Clinton têm conseguido conduzir suas campanhas à indicação pelo Partido Democrata sem golpes baixos ou referências àquelas que, para todo mundo, são suas caraterísticas mais evidentes: o fato de serem um negro e uma mulher. E nem eles são malucos: qualquer alusão a gênero ou cor da pele significaria derrota imediata para o agressor.
No Rio, a campanha pela prefeitura nem começou, e um candidato já jogou o nível da discussão para o fundo do poço: o senador Marcelo Crivella (PRB), ao acusar um possível adversário, o deputado Fernando Gabeira (PV-PSDB-PPS), de defender "aborto, homem com homem e maconha". Supondo que a plataforma de Gabeira contemple esses itens, a grossura com que Crivella trata o assunto dá uma idéia do que fará ou dirá se for eleito.
Esta é uma forma perigosa de tratar a política. Crivella falou para o eleitorado como fala para as platéias de seus templos, onde deve reinar a homofobia. Imagine se Gabeira, em retaliação, apelar para o voto católico -que, queira ou não o evangélico Crivella, ainda é majoritário no Brasil. De repente, a eleição para a Prefeitura do Rio pode se transformar numa guerra religiosa, valendo, de um lado, chutes na santa e, de outro, a excomunhão de "bispos" suspeitos.
Todos os candidatos têm características pessoais passíveis de ser exploradas pelos adversários. O próprio Crivella, também "bispo" (ou ex, como prefere), é ligado a uma igreja que vive tendo de se explicar na Justiça. Mas, até prova em contrário, não seria justo confundi-lo com ela.
O presidente Lula já demonstrou sua disposição para fazer acordos com Deus e o diabo para derrotar a Rede Globo. Ao apoiar o senador Crivella, ele acende uma vela a um e a outro.
A Loira e a senha do chefe
A loira foi ao gabinete do chefe e o encontrou absorto no trabalho. Ela notou que ele estava iniciando seu computador e resolveu dar uma espiada pra ver se conseguia descobrir a senha do chefe, afinal, se ela descobrisse o pessoal do escritório não iriam mais chamá-la de burra!
Quando o chefe colocou a senha, a loira saiu em disparada porta afora, gritando para todos os colegas:
- Descobri, descobri, descobri! Agora eu sei a senha do chefe!
Nisto, uma amiga mais atenta pergunta:
- É mesmo? E qual é a senha?
A loira, saltitando de alegria, responde:
- Asterisco, asterisco, asterisco, asterisco e asterisco
JB
CABÔCO PERGUNTADÔ
Colunistas convertidos à causa bolivariana estão convencidos de que as Farc só não foram varridas da face da Colômbia porque interessa às oligarquias nativas e aos patrões ianques a continuação do que chamam de "guerra civil". O que esperam os 280 mil homens das Forças Armadas colombianas para derrotarem menos de 20 mil guerrilheiros?, perguntam. E respondem: para que as tropas imperialistas fiquem rondando a Amazônia brasileira, à espera do momento da invasão. O Cabôco revida com outras perguntas. Primeira: consumada a ofensiva em massa, como salvar a vida dos mais de 800 reféns que as Farc mantêm em cativeiro? Segunda: os bolivarianos acham que são reféns ou "prisioneiros de guerra"?
Uma dúvida já está resolvida
Depois de duas horas de conversa com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o escritor colombiano Gabriel García Márquez desembarcou um tanto confuso do avião que os levara de Havana a Caracas. "Ainda não sei se Chávez é um herói popular ou se é apenas mais um maluco", confessou-se intrigado o autor de Cem anos de solidão. Se acompanhou com atenção a performance do líder bolivariano durante a crise desencadeada pela operação militar colombiana contra uma base das Farc no Equador, García Márquez já cravou a coluna dois. Quem homenageia com cantorias o inimigo que chamara para a guerra quatro dias antes pode ser tudo. Menos bom da cabeça.
- JB: Lobby da cerveja ataca na Câmara
- FOLHA: TCU identifica fraudes fiscais no uso do cartão da Presidência
- ESTADÃO: Incentivos para indústria saem, apesar da crise global
- GLOBO: Governo volta a discutir liberação dos bingos
- GAZETA MERCANTIL: Receita com futebol continua na 2ª divisão
- CORREIO: Sistema falho dificulta doação de órgãos no DF
- VALOR: Refinanciamento de dívida fiscal não gera resultados
domingo, março 23, 2008
JOÃO UBALDO RIBEIRO
Estadão
O MOSQUITO É NOSSO
Na semana passada, segundo queixas de alguns, escrevi com melancolia, ou mesmo amargor, sobre a velhice. Tudo pela busca do melhor para o freguês: fiz o sacrifício de reler o que escrevi, mas não achei nem melancolia nem amargor. Deve ser a idade. E, de qualquer forma, tenho visto manchetes animadoras, como esta que aqui repousa em minha mesa, embora já antiga para jornal. Informa, com letras às quais só faltam umas estrelinhas cintilantes para lhes realçar o brilho orgulhoso, que os governantes (espero estar usando um termo aceitável por eles; se não estiver, por favor mandem me dizer qual devo empregar, que mudo instantaneamente) do Complexo do Alemão, território carioca de jurisdição controvertida, permitiram a visita do governador Pezão e autorizaram a realização de obras públicas no local. Enquanto meus olhos certamente também brilhavam, li ainda que fizeram a gentileza de remover uma das barreiras destinadas a impedir o tráfego de veículos com cujos passageiros os ditos governantes mantenham divergências de natureza comercial.
Foi um belo exercício de cidadania. Sentei-me e pensei em como é bom morar numa cidade cujos, digamos, governantes setoriais, tenham essa visão e essa grandeza de espírito. E, assim, contanto que respeitadas as exigências cabíveis, o que é muito natural, posso gabar-me também de viver numa cidade onde o governador pode ou poderá, se continuar a trabalhar certo nesse sentido, ir a qualquer lugar público que queira. Vou escrever a meus amigos estrangeiros, ninguém vai acreditar, é um passo muito grande, mesmo para um Pezão - desculpem.
A alegria, contudo, empanou-se-me cá um pouco, ao ler e ouvir as estatísticas sobre a dengue. Vários médicos amigos meus me asseguraram que a epidemia já é clara há meses, mas as autoridades de todos os níveis negam. Não sei se já estabeleceram se o mosquito da dengue é federal, estadual ou municipal, mas, conhecendo os nossos políticos, não duvido nada que um deles, ou vários deles, venham nos dizer e até escrevam artigos nos jornais, que se trata de uma estratégia de combate ao diabólico mosquito. Sem se declarar a que esfera da saúde pública o mosquito está vinculado e muito menos se ele está causando uma epidemia, provoca-se nele grave crise de identidade e auto-estima, que poderá a vir debelá-lo.
Tudo, não obstante, tem um lado positivo, especialmente num país predestinado como o Brasil. É bem verdade que deveremos pagar um alto preço por isso, mas não se chega ao topo sem muito sacrifício. Em breve seremos um prestigioso mercado, quiçá o maior, consumidor mundial de repelentes de insetos e engenhocas antimosquito. E produtor também, com um mercado interno cuja tendência é só crescer. Não ficaremos nos repelentes sem graça que agora circulam por aí, vamos ser referência mundial. O negócio é ver as coisas com originalidade, com olhos, diria mesmo, brasileiros, que são, como todos sabem, os que melhor enxergam em todo o orbe. Não dá para acabar com a epidemia de dengue? Solução fácil: continua-se a negar sua existência - diante do que já engolimos de mentiras, essa é mole. Transformar o limão numa limonada? Mais moleza ainda. Produzir repelentes de grife e repelentes populares, criar o crédito-dengue para as camadas menos favorecidas que só usarão 'Bugoff', a marca mais vendida. Comemorar o Repe-Rio todo ano, com as top models se borrifando de repelentes sofisticadíssimos, um show para milhões em Copacabana e uma entrevista no jornal da cinco da manhã com um defensor do direito à vida do mosquito da dengue. E isso só tirado assim da cabeça de repente - imaginem o que um bom marqueteiro não faria.
No setor propriamente científico, também poderemos não só iniciar como negociar acordos de pesquisa com entidades do mundo todo. Sei que algumas universidades alemãs e talvez francesas mandarão filósofos e cientistas sociais estudar como uma epidemia que deixa gente deitada em calçadas de hospitais não é epidemia. Mas não é esse o filé. O filé vai desde pesquisas sobre a evolução das espécies, assim trazendo para cá multidões de darwinistas para discutir com criacionistas, mais também à área farmacológica.
Já deu nos jornais, não leu quem não quis. O onipresente aedes aegypti tem sido estudado, pois alguém do povaréu todo que devia estar cuidando da doença deve trabalhar, tenho certeza. E eis que, com bem mais velocidade do que se esperava, começam a surgir variantes entre os aedes cariocas e seus ancestrais. Por exemplo, diz aqui que, se antes o aedes era todo exigente em relação à água em que punha seus ovos, agora qualquer água serve. Já encontraram ovos e larvas em poças imundas e até enlameadas. E conto mais, porque já senti que vocês não leram mesmo. Antigamente, o aedes só picava durante o dia, às claras. Hoje, não. Hoje, como qualquer pernilongo carioca, ele (cartas sobre quem pica é a fêmea etc. etc. para o editor, por misericórdia) já descobriu que o pessoal dá mais chance quando vai dormir e aí se adaptou. Não demora, um deputado vai apresentar projeto de lei declarando a existência do aedes carioca, para cujo nome científico já tenho algumas sugestões aqui, que deixo para depois.
Mas não deixo para depois o comentário com que um companheiro de boteco, ao saber dessas novidades, encerrou um pequeno discurso sobre a realidade nacional.
- O Brasil é mesmo um país extraordinário. Esse mosquito veio parar aqui, num instante entrou na política, já se fez na vida, se acostumou na lama ligeirinho e aprendeu logo a atuar no escuro. Aegypti nada, rapaz, Brasyli.
'Ignora-se o mosquito, provocando nele grave crise de identidadee auto-estima, que poderá vir debelá-lo
''Em breve seremos prestigioso, quiçá o maior, mercado consumidor derepelentes de insetos'
O GLOBO DEU
- JB: INSS esconde as filas na Internet
- FOLHA: PAC privilegia 158 cidades no ano eleitoral
- ESTADÃO: Um terço dos alunos da 4ª série tem nível da 1ª
- GLOBO: Pesquisa derruba mitos sobre a vida nas favelas
- GAZETA MERCANTIL: Bancos brasileiros avançam entre os mais valorizados
- CORREIO: 199 formas de desfigurar uma cidade













