terça-feira, outubro 06, 2009

PAINEL DA FOLHA

Emparedando Serra

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/10/09


Além de ter convencido Ciro Gomes (PSB) a mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo, facilitando a vida de Dilma Rousseff (PT) e complicando a de José Serra (PSDB), Lula está empenhado em evitar que o tucano Aécio Neves aceite ser vice numa chapa encabeçada pelo correligionário paulista.

O assunto foi discutido na conversa que o presidente e o governador de Minas tiveram há uma semana em Brasília. Atencioso e sedutor, Lula aconselhou Aécio, 49, a não se afobar. Seu tempo chegará, disse. Não vale a pena se acorrentar ao futuro de Serra. Muito melhor a segurança oferecida pela vaga no Senado. O presidente ainda sugeriu que Aécio indique Itamar Franco (PPS) para compor a chapa com Serra.

4Paraíso - Hoje, o cenário dos sonhos de Lula inclui, além de Ciro em SP e Aécio fora da chapa de Serra, o neopeemedebista Henrique Meirelles como vice de Dilma Rousseff.

Ops! - Alguns auxiliares de Lula imaginam ser possível consolar Michel Temer (PMDB), atual ‘noivo’ da candidata do PT, oferecendo-lhe vaga a ser aberta no STF em 2010 com a aposentadoria de Eros Grau. Ocorre que Temer, 69, está acima da idade-limite para ingresso na Corte.

Liquidação - Apesar de o prazo para quem quer se candidatar em 2010 ter expirado no fim de semana, os partidos ainda estão engordando seus quadros, amparados numa brecha da Lei Eleitoral. Até ontem, o PSC, campeão de adesões no Congresso, veiculava inserções no rádio para atrair novos filiados.

Toma lá... - A visita de Dilma ontem a Londrina fez parte do esforço para conquistar o PDT. O palanque foi dominado por dois pedetistas: o senador Osmar Dias, candidato ao governo do Paraná que os petistas querem apoiar, e o prefeito Barbosa Neto.

...dá cá - Dias explicitou a disposição de fechar com Dilma: disse que ela “já venceu muitas lutas” e vai “vencer mais uma”. Para sua campanha ao governo, o eventual apoio do PDT a Ciro Gomes para presidente seria fatal, pois o PSB local está fechado com Beto Richa (PSDB).

Aplicada - Em fase de treinamento pré-eleitoral, Dilma se demorou nos cumprimentos e nas fotos e gastou tempo conversando com as enfermeiras da Santa Casa de Londrina. Apenas o discurso, dizem aliados, ainda é “mais de gerente do PAC que de candidata a presidente”.

Moeda 1 - O PDT tentará convencer Dilma, em jantar hoje, a apoiar a votação do projeto que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, bandeira da Força Sindical. Presenteará a ministra com camiseta da campanha. Em troca, o partido promete recuar do movimento (blefe, no entender de alguns) para emplacar Carlos Lupi como vice numa chapa de Ciro Gomes ao Planalto.

Moeda 2 - Mas o que o PDT dirá a Ciro? “Não tem problema. Ele só vai fazer o que o Lula mandar”, explica o deputado Paulinho da Força.

Cimento 1 - Dois dias depois da canetada do TCU que recomendou suspensão de obras do PAC, há uma semana, o Ministério das Cidades, que concentra uma das maiores fatias de recursos do programa, publicou portaria prorrogando até o fim do mês o prazo para a regularização de contratos com pendências.

Cimento 2 - O alvo do ministério é o chamado PAC da urbanização de favelas, cuja documentação para iniciar as obras de saneamento ainda não foi regularizada.

Mão na massa - Nem bem mudou de lado do balcão, o neotucano Flávio Arns (PR), ex-PT, aprovará a ida do ministro Fernando Haddad à Comissão de Educação do Senado, que preside, para falar sobre o vazamento do Enem.

Tiroteio

A missão que Lula deu a Ciro em São Paulo é pura e simplesmente a de agredir Serra. Para isso Ciro não precisa estudar. Já nasceu sabendo.

Do senador SÉRGIO GUERRA (PE), presidente do PSDB, em resposta a Ciro Gomes, que disse precisar de três meses para se inteirar dos assuntos de São Paulo, seu novo domicílio eleitoral.

Contraponto

Cara feia é fome

Prevista para terminar ao meio-dia, a reunião da Executiva do PT de São Paulo sobre as eleições de 2010 se prolongou até as 15h. Encerrados os trabalhos, o presidente do diretório, Edinho Silva, chamou os jornalistas. Devido ao adiantado da hora, ofereceu sanduíches a todos.

A maioria se pôs a devorar os lanches, enquanto uns poucos faziam perguntas ‘complicadas’ sobre o apoio do partido à eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual. Quando Edinho anunciou o fim da entrevista, um assessor do partido deixou escapar:

- É a nova estratégia de comunicação do PT. Enchemos a boca dos repórteres, e eles não perguntam nada!


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