quinta-feira, novembro 10, 2016

E deu Trump... - RODRIGO CONSTANTINO

GAZETA DO POVO - PR - 10/11

Culpar a estupidez do povo quando a democracia vai na direção contrária do que a intelligentsia deseja é um caminho fácil, mas impede que se aprenda as lições necessárias



“Quem se vinga depois da vitória é indigno de vencer”, escreveu Voltaire. Donald Trump venceu, apesar dos ataques inflamados de que foi alvo e da forte campanha difamatória da imprensa, que fez mais torcida que jornalismo. Mas começou muito bem, fazendo um discurso de estadista, agradecendo Hillary Clinton, falando em união.

A maior derrotada nessa eleição, além de Clinton, foi a grande imprensa. Não quero tripudiar desses “especialistas” todos, que não têm acertado uma. Quero apenas que aprendam com os próprios erros, que isso sirva de lição. Deixemos o clima de hostilidade para a esquerda. São os “progressistas” que querem dividir para conquistar. O que queremos é construir.

A esquerda tem duas opções diante do que está acontecendo no mundo: entender que se trata de um protesto contra um establishment corrupto, arrogante, hipócrita e intervencionista por parte daqueles “de fora”, cada vez mais indignados; perceber que o Obamacare (o socialismo na saúde) e o welfare state não são uma maravilha para os mais pobres; que o multiculturalismo não é tão bonitinho na prática quanto na teoria; que o “capitalismo de compadres” não funciona; que a “marcha das vítimas oprimidas” já cansou; ou pode simplesmente acusar o outro lado de ser nazista, preconceituoso, racista, idiota e ultraconservador, além de reacionário e tacanho.


O mundo não vive uma guinada à extrema-direita, e sim uma fase de resgate de valores após excesso de “progressismo” 



Claro que a maioria vai optar pelo segundo caminho. Não seria de esquerda se não o fizesse. Mas, agindo assim, não terá aprendido nada com essa estrondosa e humilhante derrota. Culpar a estupidez do povo quando a democracia vai na direção contrária do que a intelligentsia deseja é um caminho fácil, mas impede que se aprenda as lições necessárias. O povo quer mudança. Não está satisfeito com Obama, cujo legado foi péssimo. Não está feliz com a “globalização”, ao menos essa que temos.

Ora, se a esquerda diz que quem votou em Trump foi a turma de perdedores da globalização, um pessoal ignorante, pobre e revoltado, como os britânicos do Brexit, então quer dizer que essa “globalização” é prejudicial à maioria, principalmente aos mais pobres. Elementar, meu caro Watson.

Por sorte dos liberais, não se trata daquela globalização que defendemos, de livre comércio sem tantas barreiras alfandegárias e burocráticas, e sim de um movimento “globalista” coordenado por elites poderosas em simbiose com grandes empresários. Ou seja, Washington e Bruxelas ditando os mínimos detalhes, não o livre comércio. Justamente aquilo que Clinton e George Soros representam com perfeição.

Isso explica por que aquele seu professor de História ou Geografia que detona a globalização e o capitalismo condena ao mesmo tempo Trump e seus eleitores por serem contra a “globalização”. A incoerência só pode ser explicada pelo que se entende pelo termo aqui usado.

Por fim, muitos ficam chocados com o fato de a Flórida ter fechado com Trump, ou de um latino como eu – e que mora neste estado – ter defendido essa opção como a menos pior. Não temo ser deportado? Balela, e novamente culpa da imprensa. O alvo são os imigrantes ilegais, não aqueles que chegam respeitando as regras. Os que seguem as leis não têm o que temer. Agora, se você se chama Juanito Mohammed, vem de uma família islâmica do México e, principalmente, entrou no país de forma ilegal, aí é realmente para ficar tenso e preocupado.

O mundo não vive uma guinada à extrema-direita, e sim uma fase de resgate de certos valores após excesso de “progressismo”. O pêndulo exagerou para a esquerda. Os resultados, como sempre, foram ruins, muito aquém daqueles prometidos pelos “intelectuais”. É hora de endireitar um pouco as coisas mesmo. Que Trump, com um Congresso republicano, consiga fazer isso. O mundo – ou boa parte dele – agradece.

Rodrigo Constantino, economista e jornalista, é presidente do Conselho do Instituto Liberal.

2 comentários:

João Luiz disse...

Esse papo de extrema-direita é pura NARRATIVA!

João Luiz disse...

Esse papo de extrema-direita é pura NARRATIVA!

Vejamos outras narrativas de um passado recente ("vender" um produto):

Tudo nesse mundo contemporâneo é uma questão de NARRATIVA! E muitos FORMADORES DE OPINIÃO utiliza-a em abundância. Muitas vezes NARRATIVAS apenas publicitárias! Tal qual aquela exata de sabonetes. Isso mesmo, sabonete.

Muito desse papo é pura narrativa! Veja abaixo e lembre-se do passado recente, na política, por exemplo, do PT.

Por exemplo, "Golpe" é propaganda de sabonete!

Ainda o PT tem o poder das NARRATIVAS. Perceba as ocupações e invasões de escolas secundárias e as contradições presentes... Ou, também, por outro lado, observar os nossos impulsos e comportamentos diários no âmbito da pu-bli-ci-dade... Que é uma espécie também de NARRATIVA (imagens; embalagens; fotos suculentas; slogans; frase-clichê: tipo «Coração Valente»).


Por exemplo, analisando apenas uma frase-clichê de a pouco, a "não vai ter golpe" (substituída dissimulada e suavemente pela mais "moderninha", " chique" e mais recente "Fora Temer"). Veja:

"Golpe" é sabonete com proteína.

GOLPE é papo furado… Fique atento, reflita e pense. É clichê publicitário Petista (o dito «SLOGAN», compreende?). Do tipo que vem escrito nas caixinhas de SABONETE com proteína do leite e karité, hidratação DUPLA.

SUI-GENERIS:
Cabeças arejadíssimas e sui-generis são críticos do PT…
Não é aquele papo repetitivo de Petistas, não… Confira e analise, para confirmar isso. Reflita.

Eis:
AS FRASINHAS DO PT: “casa grande e senzala; “burguesia”; «velha mídia»; “pobre viajando de avião”; minha casa minha vida; “PRONATEC” (a maior picaretagem do planeta!); “não vai ter golpe” substituído por “fora Temer”; “coxinha”; a picaretagem máxima de rir: “fascista” (inflação total do conceito!); “luz para todos”; “Coração Valente” e o clássico: “Nunca na história desse país”…, do Molusco.

O PCdoB (puxa-saco SEM IDENTIDADE própria) assina embaixo de TUDO do PT!