sábado, julho 06, 2013

Desaforo não aceita dinheiro - JORGE BASTOS MORENO - Nhenhenhém


O GLOBO - 06/07

Quarta-feira da semana passada, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, recebeu um seleto grupo de convidados, entre ministros, líderes partidários e, também, o vice-presidente Michel Temer, para assistir ao jogo Brasil X Uruguai, no telão da sua residência oficial.

Acredita-se que os convidados foram escolhidos a dedo, pois estava ali, sem tirar nem pôr, o chamado sacro colégio que faz a cabeça do Congresso. Sem o aval desses cardeais, nada passa pelo Legislativo.

Pois bem, ao final do jogo, Alves anunciou:

— Eu vou para a final! Temer gritou:

— Mas não no jatinho da FAB.

Alves argumentou que tinha direito a esse tipo de transporte. Mas o colegiado, por unanimidade, considerou a intenção uma provocação desnecessária ao atual sentimento político das ruas.

Alves resolveu pagar para ver. Pagou, literalmente, quase dez mil reais e acha que resolveu o problema.

Morcego negro
Já quanto a Renan Calheiros, há um pequeno detalhe que reforça o seu argumento de que fora ao casamento da filha do líder do governo, Eduardo Braga, em missão oficial.

É que não existe relação pessoal entre os dois.

Renan simplesmente odeia o senador Braga, por motivos que não cabem aqui. Vive pedindo sua cabeça.

Agora, com a repercussão da desastrada viagem, deve estar odiando muito mais.

Show
Ao ver o senador Humberto Costa na tribuna e os senadores, de costas, conversando entre si, Caetano Veloso não suportou:

— Calem a boca! Vamos prestar atenção no discurso!

E a atenta Paula Lavigne:

— Caetano, aqui não é casa de show, onde todos prestam atenção no artista. Aqui não tem plateia. Só artistas.

Dança dos famosos
A “dança dos tangarás” — um passo à frente, um passo atrás — da dupla Temer/Cardozão foi muito bem resolvida internamente, embora, externamente, tenha exposto as vísceras da desorganização do governo. Depois do imbróglio, Dilma ligou para acariciar Michel Temer.

Mecânicos
Por motivações diferentes, os principais líderes do PT, Vaccarezza e José Guimarães à frente, uniram-se ao líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, e criaram uma empresa de desmanche do governo Dilma no Congresso.

Volta por baixo
Dilma já sabe que seu antecessor fica docemente constrangido com o crescente movimento “Volta, Lula”. E sabe também que, em agosto, quando o STF mandar os mensaleiros para a cadeia, surgirá o “Fica, Dilma!”.

Alívio
Na reunião ministerial em que brilharam Paulo Bernardo, condenando a intempestividade petista sobre o controle da mídia, e Gilberto Carvalho, peitando publicamente o Guido Mantega, quem arrancou gargalhadas foi o ministro da Previdência, Garibaldi Alves:

— Olha, eu vou contar pra vocês. Toda vez que eu ligava a TV e via um velhinho, eu pensava: “Xi, agora vão reclamar da Previdência.” Vocês não sabem o alívio que foi ouvir que eles só estavam reclamando da Saúde, da Educação, do Transporte e da corrupção.

Febem
Entre os vândalos que incitaram a desproporcional reação da PM em frente à casa do Cabral, no Leblon, estava um bando de garotinhos.

Foi essa “garotinhada” que teria jogado pedras contra as janelas dos apartamentos dos moradores do bairro.

Nota triste
Na entrevista ao programa de Geneton Moraes Neto na Globo News, o senador gaúcho Pedro Simon surpreendeu o jornalista ao revelar que está deixando a vida pública ao final deste mandato.

Incansável
A bela colunista Sonia Racy revelou que Fernando Cavendish criou a Técnica Construção e está disputando duas licitações do Alckmin.

Plano de voo
O político brasileiro tem uma estranha mania sempre que é flagrado em malfeitorias. Em vez de se defender, procura saber primeiro quem o denunciou para poder desqualificar a denúncia. E sempre erra na mosca. Como Alves, que acusa o PT de tê-lo denunciado sobre o jatinho da FAB.


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