segunda-feira, julho 25, 2016

Mãos à obra - PAULO GUEDES

O GLOBO - 25/07

Finalmente uma agenda construtiva para exame do Congresso: a reforma política, o teto de gastos públicos e os ajustes na Previdência Social


O novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM, anuncia finalmente uma agenda construtiva para exame do Congresso. A reforma política é uma exigência da opinião pública informada. Já o teto de gastos públicos e os ajustes na Previdência Social são imprescindíveis ao combate à inflação e à retomada do crescimento. É importante que a classe política saia da paralisia em que se encontra desde que as investigações da Lava-Jato confirmaram a existência de degeneradas suas mais importantes práticas envolvendo lideranças. boa parte de

É urgente dever dos congressistas uma reforma da legislação eleitoral e a aprovação da cláusula de barreira, bem como de uma cláusula de votação em bloco, para valorizar a fidelidade partidária e viabilizar apoio parlamentar, orgânico e no atacado, sem a necessidade de se recorrer à compra disfuncional e no varejo desse apoio "mercenário", como hoje ocorre. Essas matérias precisam avançar não só por seu fundamental interesse para a população brasileira mas também pelo próprio interesse dos atuais deputados e senadores. Pela simples razão de que, sem uma condenação explícita das práticas atuais por meio dessas reformas, a opinião pública seguirá insaciável ante a sequência de execuções 
pela guilhotina pelo midiática e a sucessão de encarceramentos pelo efeito e dominó das delações premiadas. 

A volta da confiança na economia depende, da mesma forma, da admissão explícita de que tem faltado o apoio da política fiscal aos esforços anti-inflacionários da política monetária.  Mesmo quando o governo acena com a aprovação de um teto para os gastos públicos, usa como referência a inflação passada (mais alta), quando deveria usar as expectativas de inflação futura (mais baixa) para romper com a inércia da realimentação inflacionária. Se o setor privado mergulha no desemprego em massa, por que o funcionalismo público, que usufrui a estabilidade no emprego e privilegiados benefícios previdenciários, deve ter reajustes automáticos indexados à inflação passada? Principalmente se considerarmos que isso traria um aumento do salário real médio no setor público caso a taxa de inflação efetivamente mergulhasse dos quase dois dígitos atuais para os 4,5% do centro da meta do Banco Central. Mãos à obra, senhores.

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