sexta-feira, abril 25, 2014

Escolarizar não é aprender - CLAUDIA COSTIN

O ESTADÃO - 25/04

A aprovação de um currículo nacional foi o caminho escolhido pelos países que hoje têm os melhores desempenhos em educação



Com este título provocador, Escolarizar não é Aprender (Schooling Ain't Learning) LantPritchett , professor de Harvard, lançou um livro analisando um fenômeno recente nos países em desenvolvimento: as crianças pobres estão finalmente na escola, mas não estão aprendendo.

Com a triste marca de 57ºlugar no Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa), exame internacional de Educação aplicado a jovens de 15 anos de 65 países, a sétima economia do mundo não tem do que se orgulhar.

Avançamos muito em matemática, mas ainda amargamos as últimas posições. O que fazer neste contexto? Pagar melhor os professores faz parte da resposta, mas não é a única coisa a fazer. Melhorar a infraestrutura das escolas é importante, mas tampouco resolve o problema.

Há que se estabelecer, com clareza, um currículo nacional, como fizeram os países com melhor desempenho. Com base nele, promover um esforço sério de formação de professores, assegurando-lhes não só o domínio de áreas temáticas, mas sobretudo a proficiência em sua prática de ensino.

Urge resgatar algo que a antiga escola normal fazia bem, ensinar a ensinar.

O currículo também pode ser a base para a produção de livros didáticos, de materiais de apoio e de capacitação para os docentes.

Sem saber quais as expectativas de aprendizagem, dificilmente se pode apoiar o professor, ter sequenciamento no ensino e promover interdisciplinaridade.

Um sistema de reforço escolar é fundamental. As crianças aprendem em ritmos diferentes. Apoiá-las demanda a construção de trajetórias educacionais distintas.

Até para experimentar caminhos inovadores em Educação, o currículo é essencial. Assim como a mensuração dos avanços. Caso contrário, continuaremos a disputar os últimos lugares em Educação e na construção do futuro.


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