sábado, março 01, 2014

Alento no PIB - EDITORIAL ZERO HORA

 ZERO HORA - 01/03

O governo precisa acertar suas contas, permitindo taxas mais expressivas de crescimento e a oferta de serviços públicos de mais qualidade para os brasileiros.


Nos cálculos oficiais, divulgados na última quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira acabou se expandindo mais do que o previsto, dissipando um pouco o desalento deste início de ano. Diante de um resultado superior às estimativas no último trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou um aumento de 2,3% em 2013, superior, portanto, ao do ano anterior, que ficou próximo a 1%. E, como fez questão de ressaltar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, maior também do que o da maioria de muitos países cujos números já foram divulgados. Ainda que tudo isso seja fato, a questão é que o desempenho continua fraco e nada indica uma retomada consistente até dezembro. Pior: esse é o terceiro ano consecutivo de crescimento insatisfatório, o que amplia as dificuldades do país de enfrentar problemas potencialmente de risco. Por isso, o clima interno continua sendo de muito pessimismo. Ninguém, a não ser os gestores da política econômica, vê perspectivas de retomada do desenvolvimento a curto prazo.
Para o Brasil, que de destaque entre os emergentes passou a ser incluído de um momento para outro entre os vulneráveis, não há dúvida de que uma expansão superior à do México, por exemplo _ mais do que a de países europeus às voltas com a crise _, tem um efeito positivo. Isso, porém, não diminui o fato de que a economia, mais uma vez, cresceu pouco, graças principalmente ao desempenho excepcional da agropecuária e à expansão dos serviços. E, embora os investimentos tenham reagido e o nível de emprego se mantenha, a indústria nunca tinha registrado uma parcela tão reduzida da produção nacional. Ao mesmo tempo, o nível de poupança continua insuficiente e o poder público segue às voltas com dificuldades de caixa que ampliam as apreensões num futuro próximo.
O impacto mais visível disso tudo para os brasileiros é uma taxa de inflação elevada demais, que pressiona a taxa de juros, gerando temores quanto ao câmbio, além de dificultar o planejamento de quem consome e os planos de investimentos de quem produz. Por isso, o governo precisa assumir publicamente o compromisso de acertar suas contas, permitindo taxas mais expressivas de crescimento e a oferta de serviços públicos de mais qualidade para os brasileiros.
Se hoje o país se conforma em comemorar taxas irrisórias de crescimento, insuficientes para propiciar melhor qualidade de vida para a população, é porque não se preocupou devidamente, no passado, com as contas públicas. O melhor que o governo tem a fazer é retomar a capacidade de investir em níveis adequados, além de apostar em alternativas capazes de propiciar resultados mais imediatos, como as concessões de serviços públicos.

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