sábado, dezembro 14, 2013

A culpa é sua - RENATO FERRAZ

CORREIO BRAZILIENSE - 14/12
Temos as polícias mais bem pagas e equipadas do país. Elas também contam com o maior contingente proporcional à quantidade de habitantes. Mas nada disso tem garantido a tranquilidade do brasiliense. E, em vez de cobrar maior eficácia por parte dos militares e agentes, aqueles que deveriam cuidar da segurança pública da capital tentam imputar à população a culpa pelo aumento nos índices de criminalidade.
 A mais recente medida para diminuir a violência veio por meio de uma decisão unilateral da Coordenadoria de Cidades da Casa Civil do GDF. Sem consultar a comunidade, alguém mandou reduzir o horário de funcionamento dos bares e restaurantes do Sudoeste e da Octogonal.

 Ordens iguais foram adotadas em outras oito regiões administrativas, somente neste governo. Em meus quase 15 anos de Brasília, vi criarem e sumirem com a tal lei seca em outras gestões. Os resultados ninguém nunca apresentou. Mas, sejam quais forem, nenhum me convenceria da real necessidade da legislação arbitrária. 

Não faço apologia às drogas vendidas em bares e restaurantes por meio de garrafas e latinhas. Abandonei tal vício há uns 10 anos, mesmo tendo o chope gelado como um dos meus grandes prazeres. Culpa de gastrite crônica. 

Sei perfeitamente da relação álcool-violência. Mas, como o álcool é uma droga legalizada, não podemos restringir o consumo simplesmente limitando a venda nos estabelecimentos. Não se pode punir consumidores e empresários, pagadores dos seus tributos. Eles, como todos os cidadãos brasilienses, pagam impostos também para poder se divertir e lucrar. 

Mas, como no caso dos sequestros relâmpagos, que nos impedem de namorar embaixo do bloco e nos fazem entrar mais rápido em casa e até dirigir alguns metros sem o obrigatório cinto de segurança, os ditos especialistas da área de segurança do GDF preferem se apegar aos números de crimes na madrugada, cometidos por pessoas alcoolizadas, a fazer policiais militares e civis cumprirem seus papéis constitucionais, de proteger quem é de bem, tirando das ruas quem é do mal. 

Vai ver é mais fácil mandar um cliente embora do bar mais cedo do que mandar um PM para a rua. Ou acabar com a diversão de quem paga os salários e equipamentos do pessoal da Segurança Pública a terminar com Operação Tartaruga dos policiais militares.

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