sexta-feira, março 15, 2013

Além do futebol - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 15/03

O país deve se apressar para cumprir os compromissos assumidos com grandes eventos esportivos, como a Copa. Ao mesmo tempo, precisa se preparar desde já para evitar que os gastos em megaestruturas se revelem inúteis depois dos jogos.


O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, reagiu com veemência à possibilidade de que os estádios construídos para a Copa das Confederações (neste ano) e para a Copa do Mundo (no próximo) se transformem em "elefantes brancos" após os jogos, como ocorreu na África do Sul, país no qual foi realizado o último Mundial. Sob a justificativa de que todas as praças esportivas estão sendo edificadas no conceito de arenas multiúso, o ministro garantiu que, mesmo as erguidas em cidades com pouca tradição futebolística, como Cuiabá, Natal e Brasília, por exemplo, poderão receber eventos, shows, congressos e outras atividades que as mantenham funcionando. É o que todos os brasileiros esperam e desejam. Ainda assim, tal prognóstico só se concretizará se os governantes, os administradores desses estádios e os promotores de eventos decidirem se desafiar sob o ponto de vista da iniciativa e criatividade daqui para a frente.
Evidentemente, não há como estabelecer parâmetro de comparação entre o significado do futebol para a África do Sul e para o Brasil. Em alguns casos, porém, os excessos cometidos no país-sede da última Copa se assemelham aos registrados em algumas cidades brasileiras. Só o Cape Town Stadium, por exemplo, consumiu o equivalente a R$ 1 bilhão. O valor se aproxima dos R$ 1,5 bilhão previstos para o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no qual pressões políticas típicas da Capital Federal elevaram os gastos em relação às previsões iniciais e superdimensionaram a capacidade, que será superior a 71 mil pessoas. O suntuoso estádio da Cidade do Cabo nunca mais foi usado em todo o seu potencial desde a realização dos jogos de 2010. Obviamente, metrópoles importantes dos dois países não teriam como ficar fora de um certame capaz de projetá-las mundialmente. Se não quiserem passar pela mesma frustração sul-africana, porém, cidades como Brasília precisam se mobilizar desde já.
Consciente desse risco, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) programou para a Capital Federal o jogo de abertura do Campeonato Brasileiro, em maio. Está sendo negociada igualmente, com a federação cearense, uma melhor utilização da nova arena de Fortaleza, que em seguida abrigará jogos da Copa das Confederações, uma espécie de teste para o Mundial, um ano depois. Esse, porém, é o tipo de ação que precisará se tornar cada vez mais rotineiro.
O país deve se apressar para cumprir os compromissos assumidos com grandes eventos esportivos, como a Copa. Ao mesmo tempo, precisa se preparar desde já para evitar que os gastos em megaestruturas se revelem inúteis depois dos jogos. Se o conceito de arena é inovador, como ressalva o ministro do Esporte, é importante que implique também uma mudança cultural à altura, capaz de assegurar, com ousadia e planejamento, ganhos permanentes para os brasileiros.


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